A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

A MULHER DO SÉCULO XXI 

A questão de gênero sempre desperta polêmicas. As mulheres mudaram e ganharam cada vez mais espaço. Mas como ficou afinal a sua identidade?

A mulher do século XXI

Em tempos globalizados, conquista feminina chega a ser quase comum… Só que não! Também em termos globais existem a violência, a discriminação e uma disputa desleal que atrela à mulher expectativas de épocas passadas, ainda somadas aos novos desafios, ou seja, uma missão impossível quando se trata de corresponder a tudo! Com a rapidez das transformações, algumas comparações se fazem até dentro de casa, porque as gerações sofreram um abismo no aspecto comportamental. A mulher deve ser independente e ativa e se manter distante dos grupos masculinos dominantes? Não faz sentido! Entretanto, alguns chegam a comentar, quando uma jovem bonita é molestada, que a culpa é dela, por ser uma pessoa tão atraente que ousou se mostrar! Parece absurdo? Mas é real! No entanto, a mulher do século XXI vem vencendo também esses disparates e elas surgem em reportagens recorrentes nos noticiários porque não se retraem diante de um possível constrangimento de julgamento social e assumem desafios à altura de seus sonhos.

O mundo feminino passa por enorme transformação! Nos últimos 30 anos, as mulheres galgaram mais liberdade do que ao longo de toda a história. A elevação do seu nível educacional e a redução do tamanho da família (coincidentes com as necessidades econômicas de contribuir para o orçamento familiar) fizeram da mulher um elemento fundamental na sociedade e não simplesmente no lar. A inserção da mulher no mercado de trabalho a torna bem-sucedida e   assustadora. A forte entrada das mulheres nas universidades produziu um impacto em carreiras prestigiadas, que eram predominantemente dos homens. Hoje, a mulher ocupa posições cada vez mais elevadas em empresas e se insere nas carreiras técnicas e científicas. Na política, ela pode participar dos quadros de candidatos, sendo exigido, no Brasil, como mais uma conquista, uma proporção feminina significativa. Votar já não é uma vitória, a mulher é elegível, ganhando status de reconhecimento por seus méritos.

Essa posição feminina em diversos aspectos gera um grande impacto nas relações sociais, pois implica numa mudança de “paradigma” familiar e cultural. Não menos grave é a discriminação de gênero, que persiste, tanto em relação a diferenciais de salário quanto a postos de trabalho. Apesar das reestruturações no mundo do trabalho com relação às mulheres, ainda encontramos segregação por gênero.

Dessa forma, a proposta, nesse momento, é discutir a mulher do século XXI. E surge a questão: houve mesmo uma evolução da mulher? Ou houve uma perda de identidade que a deixa em situação frágil em qualquer perspectiva, já que nas relações familiares, nos cuidados com o lar e com os filhos ela continua a ser exigida e, por que não dizer, definida como culpada por todos os imprevistos, estando ou não presente.

A partir do século XVIII e, especialmente, do século XIX, o discurso sobre sexo, antes restrito à Igreja, dispersa-se por diferentes áreas do conhecimento. Além da Medicina, outras áreas, como a demografia e a política, passam a se preocupar com o sexo, construindo novos conceitos e imagens sobre a mulher, que são estendidos ao gênero feminino como um todo. Se no passado o valor feminino voltava-se à procriação e o casamento era o seu melhor futuro, especialmente se ela fosse capaz de dar um herdeiro masculino ao mundo, esse destino foi se tornando menos essencial. No casamento atual sequer é preciso alterar o nome da mulher e o homem já não detém os poderes de chefia do lar, sem contar a tendência à tolerância de que o sexo seja uma escolha e que é um fato encontrar muitos lares sendo providos por mulheres. Será mesmo uma mudança de valores contemporâneos?

Entender o mundo feminino atual justifica-se, não só por seu papel incontestável na sociedade, mas porque as mudanças provocadas nas últimas décadas trouxeram, paralelamente aos avanços, graves sequelas. De acordo com a Organização Mundial da Saúde, a ansiedade atinge mais de 10 milhões de pessoas no mundo e é mais comum entre as mulheres. Elas (ou nós) têm uma fisiologia diferente da dos homens e em conjunto com os hormônios são afetadas pelo estresse de outro modo. Nas situações estressantes é liberado o cortisol e as mulheres são mais sensíveis a este glicocorticoide, por isso a sintomatologia é mais ampla. Quando a situação de estresse é intensa e persistente, a mulher pode ser afetada por doenças como anorexia ou bulimia ou sofrer depressão ou síndrome do pânico. Assim, a importância de discutir as conquistas e riscos da mulher atual pode ser uma forma de contribuir com a sua qualidade de vida na sociedade.

As transformações e as desarticulações da vida social no contexto atual deslocam radicalmente as identidades sociais. A identidade da mulher é dominada pela incompletude, multiforme e inconstante. A nova identidade da mulher se descobre num tempo instável, com crise de valores e de direção sobre ser, fazer e pensar numa vida plenamente realizada. O novo contexto criado pela pós-modernidade coloca a mulher diante de uma multiplicidade de oportunidades e, também, de análise, do autoconhecimento de seu corpo, sentimentos e escolhas nas relações com o outro.

É pertinente lembrar, com Simone de Beauvoir, que “não se nasce mulher”. A mulher é feita, é uma espécie de mundo em construção e mudança. A sua identidade reflete o cenário da sociedade contemporânea com qualidades, erros e fragilidades.

 

LUIZA ELENA L. RIBEIRO DO VALLE – é psicóloga, doutora em Ciência no Departamento de Psicologia Social (USP/SP). Mestre em Psicologia Escolar e Educacional (PUC- Campinas), MBA Executivo em Psicologia Organizacional (AVM-Brasília), extensão em Gestão de Pessoas (FGV). Formação em Coaching (Lambent), especialização em Psicologia Clínica (CFP) na linha Cognitivo -Comportamental, consultora em Psicopedagogia, autora de livros.

OUTROS OLHARES

NUNCA É TARDE

Estudo inédito mostra que começar a se exercitar entre 40 e 60 anos traz benefícios semelhantes aos obtidos por quem faz ginástica regular desde a adolescência.

Nunca é tarde

Se você ainda é jovem, tem menos de 40 anos e corre para a academia em busca de um futuro saudável, um conselho: calma, não se apresse tanto assim. Os benefícios para o organismo de quem começa a se exercitar na maturidade, a partir da quarta década de vida, são semelhantes aos alcançados por aqueles que malham desde o brotar das primeiras espinhas da puberdade. Conclusão: tanto faz praticar atividade física na juventude ou um pouco mais tarde, em especial para a proteção contra algumas das doenças mais letais do mundo moderno, como os problemas de coração e os cânceres. Essa é a surpreendente conclusão do mais completo estudo já conduzido sobre o impacto da ginástica ao longo dos anos, feito com base no depoimento de 315.050 americanos cuja vida foi acompanhada desde os anos 1990. O trabalho foi realizado pelos Institutos Nacionais de Saúde (NIH) e publicado na revista IAMA Network Open. De acordo com o levantamento, homens e mulheres que começam a malhar regularmente entre 40 e 61 anos têm uma queda no risco de morte por doenças cardiovasculares de 43%, e de 16% no caso de tumores malignos. As taxas são semelhantes, quase idênticas, em relação àqueles que praticaram esporte desde os 15 anos (veja o quadro abaixo). “Os resultados são extraordinários porque comprovam que o corpo mais velho reage muito melhor do que se imaginava aos estímulos dos exercícios”, diz Bernardo Garicochea, oncologista do grupo Centro Paulista de Oncologia /Oncoclínicas, em São Paulo.

Os efeitos foram obtidos a partir de duas horas semanais de atividade moderada, o que corresponde a apenas cerca de vinte minutos diários de caminhada rápida, bicicleta, musculação e dança, por exemplo. Os especialistas ainda não identificaram com 100% de certeza os mecanismos que levaram aos resultados observados, mas há uma hipótese central: a capacidade de regeneração celular mesmo para quem já não é um brotinho. “O exercício regular agiria como deflagrador de uma espécie de stress benéfico para o metabolismo, estimulando a renovação e as defesas naturais do organismo”, diz o cardiologista Marcus Bolívar Malachias, professor da Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais.

Explica-se: o envelhecimento é determinado por uma intrincada cascata de acontecimentos que afetam diferentes estruturas do corpo, em rápida desaceleração. A pressão arterial, o colesterol e o acúmulo de gordura aumentam. As artérias perdem elasticidade e ficam mais suscetíveis a danos provocados pelo fluxo sanguíneo.

A capacidade de renovação das células diminui, o que exige dos músculos, incluindo o coração, e dos pulmões mais esforço para desempenhar suas funções. O sistema imunológico é afetado. A atividade física eliminaria, portanto, as estruturas celulares que reduzem a produção de energia com o envelhecimento – e estimularia o surgimento de novas cadeias restauradoras. Para Paulo Zogaib, fisiologista da Universidade Federal de São Paulo, “o efeito só é mantido se a atividade for continuada”. Daí a importância da constância nos exercícios.

Não se trata de conferir a corpos quarentões o tônus da mocidade. A decadência muscular é inexorável: dos 50 aos 80 anos, perde-se, em média, 40% da massa muscular. O que se descobriu é a capacidade de proteção do organismo contra doenças, e não um elixir estético. Disse o pesquisador do NIH Pedro Saint-Maurice, autor do estudo: “A mensagem é que nunca é tarde para começar a se mexer, mas milagres não existem”.

Nunca é tarde. 2

GESTÃO E CARREIRA

“SOU ÓTIMO, PODE ME CONTRATAR!”

Abordagem “autocentrada” em currículos prejudica contratações.

Sou ótimo, pode me contratar.1

Qual é a principal falha de currículos de executivos capazes e experientes? A coach e estrategista de carreiras Amy Adler, que já avaliou cerca de 4 mil currículos de pessoas altamente qualificadas, responde: não incluir neles sua capacidade de atender às necessidades específicas da empresa interessada. É o fenômeno que ela chama de “abordagem autocentrada”, isto é, descrever suas qualificações desprezando as exigências da empresa, na suposição de que seu contratante se encantará com habilidades genéricas – o que na prática não ocorre, pois o interesse dele visa  alguém que preencha necessidades específicas para a função requerida. Fazer uma longa lista de conquistas em trabalhos anteriores, por exemplo, pode soar muito bonito, mas não vai encantar o contratante.

O segredo é descobrir antes essas necessidades e adaptar seu currículo a elas, destacando sua capacidade de atendê-las, aconselha Amy.  O que não chega a ser uma tarefa hercúlea, pois é possível de ser feita com uma pesquisa prévia sobre a empresa até mesmo na internet ou por meio de conhecidos que por ali passaram. Aí então o candidato deve adaptar seu currículo baseando-se nos dados apurados. No site de sua consultoria Five Strengths, Amy alerta, porém, que um currículo profissional não deve ser elaborado apenas no momento da busca por um emprego, mas sim ser um texto atualizado constantemente, incluindo-se conferências, treinamentos, trabalhos avulsos e novas qualificações que surgirem. Isso o tornará mais robusto e ajudará na hora de uma contratação.

Sou ótimo, pode me contratar.2

ALIMENTO DIÁRIO

PROVÉRBIOS 28: 5-8

Alimento diário

MÁXIMAS DIVERSAS

 

V. 5 – Observe:

I – Da mesma maneira como a predominância dos desejos dos homens se deve às trevas do seu entendimento, também as trevas do seu entendimento se devem, em grande parte, ao domínio de seus desejos: os homens não entendem o juízo, não discernem entre a verdade e a falsidade, entre o certo e o errado; eles não entendem a lei de Deus como aquilo que deve governar o seu dever ou o seu destino; e:

1. Por isto, são homens maus; a sua iniquidade é o resultado da sua ignorância e do seu erro (Efésios 4.18).

2. Por isto, não entendem o juízo, porque são homens maus; as suas corrupções cegam os seus olhos, e os enchem de preconceitos, e, como fazem o mal, odeiam a luz. É justo que Deus os entregue a fortes ilusões.

 

II – Da mesma maneira como o fato dos homens buscarem ao Senhor é um bom sinal de que entendem tudo, também é um bom meio para que entendam mais, todas as coisas necessárias para eles. Os que colocam a glória de Deus diante de si, como seu objetivo, a sua benevolência como sua felicidade, e a sua Palavra como sua lei, e recorrem a Ele, em todas as ocasiões, por meio da oração, estes buscam o Senhor, e Ele lhes dará o espirito de sabedoria. Se um homem fizer a sua vontade, conhecerá a sua doutrina (João 7.17). Um bom entendimento eles têm, e um entendimento melhor terão, os que obedecem aos mandamentos do Senhor (Salmos 111.10; 1 Co 2.12,15).

 

V. 6 – Aqui:

1. Supõe-se que um homem possa andar na sua sinceridade e ainda assim ser pobre neste mundo, o que é uma tentação para a desonestidade, e ainda assim possa resistir à tentação e continuar a andar na sua sinceridade – e também que um homem possa ser perverso, em seus caminhos, ofensivo a Deus e ao homem, e ser rico, e prosperar no mundo durante algum tempo, e estar sob grandes obrigações e ter grandes oportunidades para fazer o bem, mas ser perverso em seus caminhos e fazer uma grande quantidade de mal.

2. Considera-se um paradoxo para um mundo cego que um homem pobre, honesto e piedoso seja melhor do que um homem rico, ímpio e profano, que tenha melhor caráter, esteja em melhor condição, tenha mais consolação em si mesmo, seja uma maior bênção para o mundo, e seja muito mais merecedor de honra e respeito. Não somente é certo que o seu caso será melhor na morte, mas é melhor na vida.

Quando Aristides foi censurado por um homem rico pela sua pobreza, respondeu: as tuas riquezas te fazem mais mal do que a minha pobreza, a mim.

 

V. 7 – Observe:

1. A religião é a verdadeira sabedoria, e torna os homens sábios. Aquele que guarda a lei conscienciosamente é sábio, e será particular mente um filho sábio, isto é, agirá com prudência com seus pais. pois a lei de Deus o ensina a fazer isto.

2. As más companhias são um grande obstáculo à religião. Os que são companheiros de homens desordenados. que os escolhem como seus companheiros e se alegram com o seu convívio, certamente serão impedidos de guardar a lei de Deus, e levados a transgredi-la (Salmos 119.115).

3. A iniquidade não somente é uma vergonha para o próprio pecador, mas para todos os que se relacionam com ele. Aquele que tem companheiros devassos. e gasta o seu tempo e dinheiro com eles, não somente entristece seus pais, mas os envergonha; será uma vergonha para eles, como se eles não tivessem cumprido a sua obrigação com ele. Eles se envergonham com o fato de que um filho seu escandalize e maltrate os seus vizinhos.

 

V. 8 – Observe:

1. Aquilo que é obtido ilicitamente, ainda que possa crescer, não durará muito tempo. Um homem pode, talvez, aumentar a sua fazenda com usura e onzena, fraude e opressão aos pobres, e tudo isto em pouco tempo, mas isto não continuará: ele ajunta para si mesmo, mas verá que reuniu para outra pessoa pela qual não sente bondade. A sua propriedade decairá, e a de outro homem surgirá, das ruínas da sua.

2. Às vezes, Deus, na sua providência, ordena que aquilo que alguém obteve injustamente, seja utilizado por outra pessoa de uma forma caridosa; estranhamente, os bens vão parar nas mãos de alguém que terá piedade dos pobres. e fará o bem com eles, transformando em bênçãos a maldição que foi trazida por aquele que conseguiu os bens por meio de fraude e violência. A mesma Providência, então. que pune os cruéis, e os incapacita a fazer mais males, recompensa os misericordiosos, e os capacita a fazer uma quantidade ainda maior de bem. Ao que tem dez minas daí a mina que o mau servo escondeu no lenço, pois a qualquer que tiver, e usar bem, ser-lhe-á dado (Lucas 19.24). Assim os pobres são recompensados, a caridade é encorajada, e Deus é glorificado.