A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

NÃO PERCA TEMPO: VÁ DORMIR!

Maus hábitos de esfera social, como o ritmo de vida mais dinâmico, a globalização, o avanço da tecnologia e da comunicação virtual, geram distúrbios do sono que afetam populações inteiras.

Não perca tempo. Vá dormir!

Depois de um dia inteiro de atividades, finalmente chega a hora do sono! Ou chegaria, porque as atividades não terminam e as horas marcadas nos ponteiros do relógio não correspondem à realidade dos compromissos intermináveis. Afinal, para que serve nossa capacidade de planejamento se não for para pensar no que ainda falta fazer, antes mesmo do momento possível de realizar a tarefa?

Mesmo durante o início do sono, permanecemos em estado de alerta. O período de descanso é complementado quando entramos no chamado sono REM (sono profundo caracterizado pelo movimento rápido dos olhos – rapid eyes movement.

É durante esse período que as proteínas são sintetizadas com o objetivo de manter ou expandir as redes neuronais ligadas à memória e ao aprendizado. É do cérebro o comando na produção e liberação de hormônios, que interferem tanto no bem-estar físico como no bem-estar psicológico, responsáveis por um sono tranquilo. Esse ritmo é orientado por relógios biológicos internos, estímulos ambientais e uma ampla gama de processos que promovem ou inibem o despertar. As alterações no padrão do sono influenciam habilidades cognitivas como atenção, memória, eficiência na associação dos conceitos, além de aspectos ligados ao humor, ao desempenho, ao comportamento e à motricidade.

Quando estamos no estágio REM do sono, o cérebro é altamente ativo (sono paradoxal). É quando ocorrem encontros de elementos relevantes na história do indivíduo, que consolidam as experiências e favorecem a significação dos símbolos.

Foi a partir do século XIX e início do XX, com a publicação do livro Interpretação dos Sonhos (1899), do neurologista austríaco Freud (1856-1939), que inicia-se a Psicanálise e o moderno pensamento sobre sonhos. Para Freud, os sonhos são o resultado complexo da atividade psíquica, com a função de satisfazer desejos inconscientes e elaborar conflitos reprimidos (principalmente de natureza sexual). Como desdobramento dos estudos, Carl Gustav Jung (1875-1961), psiquiatra suíço, concluiu que os sonhos trazem à tona a natureza ancestral profunda do homem, na forma de símbolos universais (os arquétipos), como mensagens que podem ser decifradas e integradas à nossa consciência. Da escola russa, Luria (1902-1977) apontou a existência de três unidades funcionais no cérebro, desempenhando seu papel sobre a regulação dos estados de consciência: atenção, vigília e sono.

A comunicação e a tecnologia tornam o ritmo de vida mais dinâmico e globalizado, trazendo novas expectativas e exigências que alteram os padrões de vida social. E isso se reflete também nos hábitos de sono da população. Como, por exemplo, corrobora para o crescimento dos distúrbios do sono. Eles incluem desordens respiratórias relacionadas ao sono, como a síndrome da apneia, hipopneia obstrutiva do sono (SAHOS). Estudos recentes sugerem que 40% dos indivíduos com hipertensão arterial sistêmica apresentam a síndrome, frequentemente sub diagnosticada. O não reconhecimento da SAHOS é preocupante devido ao risco de morte súbita nestes pacientes. É preciso destacar que em muitos pacientes que apresentam a SAHOS quem alerta para o problema é o(a) parceiro(a) de cama, pelo barulho (dos roncos) ou movimentos bruscos.

A insônia é a dificuldade em iniciar ou manter o sono. Ela pode resultar de doenças orgânicas ou  associadas a problemas emocionais: o ânimo se esvai, com afastamento das pessoas. Cerca de um terço dos adultos relatam sintomas de insônia, sendo prevalente no sexo feminino. A hipersonolência, ao contrário, é um excesso de sono com um declínio na habilidade motora, déficit de memória ou desorientação no tempo e no espaço.

A parassônia consiste de um grupo de distúrbios do sono caracterizado pela ocorrência de eventos motores ou comportamentais. Estão incluídos os distúrbios do despertar, como o sonambulismo, terror noturno e o despertar confusional; ou distúrbios de movimentos repetitivos e câimbras noturnas nas pernas; há também aqueles associados ao sono REM, como pesadelos, paralisia do sono; outras parassônias são bruxismo e enurese noturna.

O sono de má qualidade pode impactar negativamente na vida de uma pessoa. O curioso é quando se percebe que o fenômeno atinge uma população específica. Em pesquisa sobre a presença de sintomas de estresse e a qualidade do sono de professores da rede pública de Poços de Caldas, com uma população de 165 professores, os dados revelaram que 59% dos professores apresentaram estresse, na fase de resistência (39%), com prevalência do estresse psicológico. Além disso, indicaram que 46,7% dos professores eram maus dormidores, evidenciando associação entre os sintomas físicos e psicológicos de estresse e o sono.

Alguns cuidados são sugeridos para pessoas que sofrem com os distúrbios do sono, causados principalmente pela vida moderna associada ao avanço da tecnologia e ao aumento do estresse. A comunidade científica chama de higiene do sono, orientações que consistem em cuidar de questões que interferem na qualidade do sono como luminosidade, temperatura, evitar  barulhos, criar um ambiente confortável e agradável, ingerir alimentação leve no jantar, evitar café, álcool  e  estimulantes antes de dormir, assim como as atividades físicas, que são importantes, mas devem ocorrer ao longo do dia. TV, computadores e celulares não devem ser utilizados no horário de dormir. Assuntos estressantes devem ficar fora do quarto. Persistindo o problema, procure ajuda especializada. O bom sono é essencial! E bons sonhos fazem muito bem.

 

LUIZA ELENA L. RIBEIRO DO VALLE – é psicóloga, doutora em Ciência no Departamento de Psicologia Social (USP/SP). Mestre em Psicologia Escolar e Educacional (PUC-Campinas). MBA Executivo em Psicologia Organizacional (AVM-Brasília), extensão em Gestão de Pessoas (FGV). Formação em Coaching (Lambent), especialização em Psicologia Clínica (CFP) na linha Cognitivo-Comportamental, consultora em Psicopedagogia, autora de livros.

OUTROS OLHARES

MIL E UMA UTILIDADES

Inaugurada na China, a era dos superaplicativos – assim chamados os apps que realizam uma vasta gama de funções – ganha força no mercado brasileiro.

Mil e uma utilidades

A popularização dos aplicativos para smartphones é um fenômeno relativamente recente. Nasceu com a App Store, lançada em 2008, com apenas 500 opções. Hoje, são mais de 6,3 milhões de aplicativos em todo o mundo, que funcionam em qualquer marca de celular. O crescimento assombroso do mercado criou um problema para os desenvolvedores de apps (termo em inglês que acabou adotado entre nós): o excesso de concorrência. Pesquisas mostram que as pessoas têm até 100 programas baixados em seus smartphones, mas raramente usam mais do que dez deles por dia. Uma solução encontrada na China – país muito acostumado a lidar com excessos de todo tipo – tem se espalhado pelo mundo: os superaplicativos. É como são chamados os aplicativos para celulares e tablets capazes de realizar várias funções, como, por exemplo, fazer compras, pedir pizza, agendar um táxi, transferir dinheiro, gerenciar uma conta digital – tudo na mesma plataforma. A disputa para ser o primeiro grande superapp brasileiro e, assim, criar no consumidor local o hábito de usar os seus serviços começou e já envolve empresas graúdas.

O mais novo competidor é a Dotz. Fundada, em 2000, pelos irmãos Roberto e Alexandre Chade como um programa de fidelidade voltado para a internet, ela não só se transformou na maior empresa do ramo no país como montou uma rede abrangente de parceiros com cerca de 300 varejistas no mundo físico e virtual. O DotzPay (nome ainda provisório) chegará ao público em maio para enfrentar concorrentes como o Mercado Pago, o superaplicativo do Mercado Livre (o maior site de compra e venda de produtos do país), e estrelas ascendentes como a colombiana Rappi.

Mil e uma utilidades. 2

A inspiração de todos é o mercado chinês, no qual os superapps AliPay e WeChat já ultrapassaram a impressionante marca de 200 milhões de usuários diários. É como se a população brasileira inteira, hoje em 209 milhões de pessoas, entrasse no mesmo aplicativo todos os dias. O AliPay, que pertence ao grupo Alibaba, é a carteira digital mais utilizada do mundo. Ela oferece uma série de serviços financeiros, do pagamento de contas a transferências. O WeChat, por sua vez, pertence ao gigante de tecnologia Tencent e nasceu como uma plataforma de mensagens instantâneas, mas hoje permite os mais variados tipos de serviço – entre eles, reservas em restaurantes e salões de beleza, aluguel de bicicletas e, claro, pagamentos e transferências.

Toda essa atividade dentro do programa de uma só empresa gera uma avalanche de informações sobre os hábitos dos consumidores. Não demora para o usuário começar a receber propagandas e ofertas de serviço customizadas, que devem ser usadas e pagas dentro do próprio superapp. O AliPay e o WeChat tiraram proveito de uma característica da China que se assemelha com a realidade brasileira: uma parcela considerável da população não tinha conta em banco nem cartão de crédito. Metade das operações no Brasil ainda é realizada com dinheiro, o que dá a dimensão do potencial desse mercado. São brasileiros que fazem compras regularmente, mas não passam pelos bancos. E, se o plano dessas empresas der certo, nunca vão passar.

O superaplicativo da Dotz pretende repetir o sucesso de suas inspirações chinesas, e já nasce com uma vantagem: dispõe de uma base ampla de consumidores que fazem uso recorrente dos seus serviços. A Dotz conta com mais de 40 milhões de usuários, dos quais 11milhões de maneira regular, mensalmente. São consumidores atraídos pela moeda virtual que, desde a sua criação, batiza a empresa e funciona como pontos de fidelidade: compras realizadas nas redes parceiras dão direito a um certo número de dotz, que, por sua vez, podem ser utilizados para novas aquisições com descontos. Trata-se de um ciclo que se auto alimenta, servindo de impulso para a moeda virtual. E este é mais um ingrediente fundamental para o sucesso: o estímulo à frequência de uso do aplicativo. Com dezenove anos de experiência e presença em todos os estados, a Dotz desenvolveu uma rara capacidade de coletar e analisar informações detalhadas dos hábitos de consumo dos brasileiros. Houve mais de 650 milhões de transações nos últimos dois anos, em cerca de 10.000 pontos de venda. Como já ensinaram Facebook, Amazon e Google, não há nada mais valioso nos dias de hoje do que os dados dos internautas, e a Dotz vai começar a fazer uso desse manancial de informações. “Cada vez mais, o consumidor concentra as suas compras no celular. O superapp permite gerar valor para ele, por meio dos descontos, além de conveniência”, diz Roberto Chade, CEO da empresa.

Como o mercado digital tem escala global, é natural que estrangeiros também tentem conquistar público no Brasil. A startup colombiana Rappi estreou por aqui em julho de 2017 como um serviço de entrega tradicional de comida. Hoje oferece desde massagem e manicure até test drive em carro novo. E transações financeiras, naturalmente. Seus números são invejáveis. Ela tem crescido 30% ao mês, o que significa que a cada três meses dobra de tamanho. “Estamos sempre mapeando novas oportunidades e parcerias. O grande segredo desse negócio é desenvolvê-las rapidamente e colocar no aplicativo”, explica Fernando Vilela, executivo-chefe de crescimento da Rappi no Brasil. A empresa não divulga os seus números separados por país, mas, nos sete mercados da América Latina em que atua, o aplicativo teve mais de13milhões de downloads. Como se trata de uma novata, a Rappi tem sido agressiva em oferecer descontos para atrair usuários e aumentar a frequência de utilização daqueles que já estão na sua base. Um exemplo é o seu serviço Rappi Prime, em que o consumidor paga uma mensalidade de 19 reais e tem direito a um número ilimitado de fretes grátis. A empresa opera no vermelho, mas isso não é um problema no atual estágio porque conta com capital à disposição – sua última rodada de captação a elevou ao status de unicórnio, com avaliação de pelo menos 1 bilhão de dólares.

O Mercado Livre, a maior plataforma de compra e venda de produtos do país, adotou uma estratégia diferente: optou por oferecer a sua conta digital em um braço à parte, o Mercado Pago. Nele, disponibiliza ao consumidor opções como deixar o dinheiro rendendo, fazer transferências, pedir crédito, obter descontos com redes parceiras e, claro, pagar ou receber por compras no Mercado Livre. Ele já conta com 2,4 milhões de usuários, e esse número não para de crescer. O volume de transações subiu quase 70% no ano passado. “Nosso objetivo é que o aplicativo seja um substituto natural do banco para o público que não tem acesso aos serviços financeiros tradicionais”, diz Túlio Oliveira, diretor do Mercado Pago.

Evidentemente, não é um jogo para todos. Que o diga a startup espanhola Glovo, que deixou o Brasil em março alegando que precisaria de mais recursos para ser competitiva em um mercado tão disputado. “É muito difícil sair do zero e se tornar relevante”, diz Caio Camargo, sócio-diretor da consultoria GS&UP. Em paralelo, empresas de grande porte, como o Magazine Luiza e o Grupo Pão de Açúcar, já anunciaram que estão desenvolvendo os próprios superapps. Trata-se de uma disputa que está apenas começando.

Mil e uma utilidades. 3

GESTÃO E CARREIRA

EXPLIQUE O “NÃO” NA HORA DE CONTRATAR

Justificar recusas de contratação é fundamental para o futuro da empresa.

Explique o “Não” na hora de contratar

A maneira como se rejeita um candidato a vaga numa empresa pode prejudicar as possibilidades de atrair os melhores profissionais. Parece algo sem relação? Bem… O alerta vem de um estudo da consultoria de RH CareerArc, que aconselha recrutadores de empresas a adotarem práticas mais habilidosas na hora de selecionar um candidato, para evitar atritos e rejeições futuras. Segundo os pesquisadores, 60% dos candidatos entrevistados admitiram ter tido uma experiência ruim na procura de emprego, e 72% destes compartilharam essa situação em redes sociais, e-mails com colegas e até mensagens em sites de RH.  O estudo constatou, por exemplo, que 65% dos rejeitados jamais foram notificados dos motivos da rejeição. Em consequência, 80% deles decidiram descartar a empresa de futuros contatos.

Usar apenas a tecnologia também é nocivo: 40% das empresas pesquisadas faziam uma pré-seleção de currículos por meio de softwares, sem contatos pessoais. Cientes dessa possibilidade, 85% dos candidatos rejeitados sem justificativas duvidavam que seus currículos tivessem sido, realmente, lidos por alguém. Para evitar essa situação, os autores sugerem que as empresas deveriam “humanizar” mais o contato com o candidato, tratando-o como se fosse funcionário ou cliente. Esse respeito à pessoa evitaria danos futuros à imagem da empresa, que poderiam afugentar os profissionais mais habilitados por causa das críticas públicas aos métodos de gestão e de condução de entrevistas. A boa notícia, segundo o estudo, é que 70% das empresas estão adotando ou planejam adotar essas políticas de recrutamento.

ALIMENTO DIÁRIO

PROVÉRBIOS 28: 1-4

Alimento diário

MÁXIMAS DIVERSAS

 

 V. 1 – Veja aqui:

1. Os espantos contínuos a que estão sujeitos os que andam em caminhos ímpios. A culpa na consciência torna os homens um terror para si mesmos. de modo que estão prontos a fugir quando ninguém os persegue; como aquele que se esconde por causa de dívidas, que pensa que todos os que encontra são oficiais de justiça ou cobradores. Ainda que finjam estar em tranquilidade, há temores secretos que os assombram, onde quer que estejam, de modo que temem quando não existe nenhum perigo presente ou iminente (Salmos 53.5). Os que fizeram de Deus seu inimigo, e sabem disto, não podem deixar de sentir que toda a criação está em guerra contra eles, e por isto não têm o verdadeiro prazer, não têm confiança, nem coragem, mas somente uma espera temerosa pelo juízo. O pecado torna os homens covardes.

Se fogem quando ninguém os persegue, o que farão, quando virem o próprio Deus perseguindo-os com seus exércitos? (Jó 20.24; 15.24). Veja Deuteronômio 28.25; Levítico 26.36.

2. A santa segurança e paz de espírito de que desfrutam aqueles que se empenham em se conservar sem transgressões e no amor de Deus: O “justo está confiado como o filho do leão”; nos maiores perigos, eles têm um Deus Todo-Poderoso, em quem confiar. Portanto, “não temeremos ainda que a terra se transtorne” (Salmos 46.2. na versão RA). Quaisquer que sejam as dificuldades que encontrarem no caminho do seu dever, eles não se assustam com elas. Nada destas coisas me incomoda.

 

V. 2 – Observe:

1. Os pecados nacionais trazem desordens nacionais e a perturbação da paz pública: Por causa da transgressão da terra, e do abandono geral de Deus e da religião, em busca da idolatria, profanação ou imoralidade, muitos são os seus príncipes; são muitos que, ao mesmo tempo, têm pretensões de soberania, e que disputam o poder, e assim o povo é dividido em grupos e facções que se mordem e se devoram, uns aos outros; talvez muitos, sucessivamente, em pouco tempo, eliminem-se uns aos outros, como lemos em 1 Reis 6.8 e versículos seguintes, ou logo sejam cortados pela mão de Deus, ou pela mão de um inimigo estrangeiro, como lemos em 2 Reis 24.5, e versículos seguintes. Da mesma maneira como o povo sofre pelos pecados do príncipe, O governo, também, às vezes sofre pelos pecados do povo.

2. A sabedoria impedirá ou desviará estas dificuldades: por um homem, isto é, por um povo, de entendimento, que caia em si outra vez e ao seu juízo perfeito, as coisas são mantidas em boa ordem, ou, se perturbadas, voltam ao antigo caminho outra vez. Ou, por um príncipe de entendimento e conhecimento, um conselheiro ou ministro de estado, que restrinja ou suprima a transgressão da terra, e adote as medidas corretas para curar o estado dela, a sua boa condição será prolongada. Não podemos imaginar o bom e grande serviço que um homem sábio pode prestar a uma nação, em uma situação crítica.

 

V. 3 – Veja aqui:

1. Quão insensíveis são alguns pobres frequentemente, uns com os outros, não somente não fazendo as boas coisas que poderiam fazer, uns aos outros, mas oprimindo e sobrepujando, uns aos outros. Os que conhecem, por experiência, as desgraças da pobreza deveriam ter misericórdia dos que sofrem dificuldades semelhantes, mas são imperdoavelmente bárbaros se forem cruéis com eles.

2. Quão imperiosos e opressores são os que, sendo pobres e necessitados, chegam ao poder. Se um príncipe promove um pobre, e este se esquece de que já foi pobre, ninguém oprimirá tanto os pobres como ele, nem os tratará com tanta crueldade. A sanguessuga faminta e a esponja seca sugam muito. Coloque um mendigo sobre um cavalo, e ele cavalgará sem misericórdia. Ele é como uma chuva impetuosa, que varre o trigo do chão, e golpeia e destrói tudo o que cresceu, de modo que não sobra nenhum alimento. Os príncipes, portanto, não devem colocar em posições de confiança os que são pobres, e endividados, nem ninguém que possa fazer de sua principal ocupação o enriquecimento de si mesmos.

 

V. 4 – Observe:

1. Os que louvam os ímpios mostram que deixaram a lei, e são contrários a ela, pois ela amaldiçoa e condena os ímpios. Os ímpios falarão bem, uns dos outros, e fortalecerão as suas mãos em seus caminhos ímpios, esperando, com isto, silenciar os clamores de suas próprias consciências e servir aos interesses do reino do diabo; e a maneira mais eficaz de fazer isto é conservando uma reputação falsa.

2. Os que realmente guardam a lei de Deus irão, em seus lugares, combater vigorosamente o pecado, e dar o seu testemunho contra ele, e fazer tudo o que puderem, para reprová-lo e suprimi-lo. Eles reprovarão as obras das trevas, e silenciarão as desculpas que são apresentadas para essas obras, e farão tudo o que puderem para trazer os transgressores à punição, para que os outros possam ouvir e temer.