A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

SUPERAÇÃO DE TRAGÉDIAS

É preciso aceitar o vazio em torno do processo de luto, e, por isso, a inteligência emocional é um fator determinante para que a pessoa encontre força para passar pela perda e recomeçar.

Superação de tragédias

Embora a morte seja a única certeza da humanidade, lidar com ela é um grande desafio. Nossa relutância em falar sobre a morte é frequentemente interpretada como uma evidência de que estamos com medo, e, por isso, reprimimos os pensamentos sobre ela: aprendemos a negá-la e nos sentimos aterrorizados. Isso se deve ao fato de a ligarmos diretamente com a perda;

Alguns estudos recentes apontaram que nós nos sentimos mais preocupados com a possibilidade de perdermos um ente querido do que com nossa própria morte. Em geral, o processo do falecimento, a ausência, a dor e a solidão causam uma angústia maior do que o fim da vida em si.

Por isso, diante de uma perda significativa, desenrola-se um processo necessário e fundamental para que o vazio deixado, com o tempo, possa voltar a ser preenchido. Esse processo é denominado de luto e consiste numa adaptação à perda e à ausência.

O luto vem do latim lucto, e tem como sua definição o conjunto de reações diante de uma perda significativa. Ademais, em uma visão mais analítica, o luto nada mais é do que a perda de um elo significativo entre uma pessoa e a fonte desse sentimento. Portanto, é um fenômeno natural e constante durante todo o desenvolvimento humano.

A ideia de luto não se limita apenas à morte, mas ao enfrentamento das sucessivas perdas reais e simbólicas durante o desenvolvimento humano. Desse modo, pode ser vivenciado através de perdas que perpassam pela dimensão física e psíquica, como os elos significativos com aspectos pessoais, profissionais, sociais e familiares do ser humano. O luto está relacionado à dificuldade de lidar com mudanças drásticas, e isso se deve principalmente por conta de um dos maiores conflitos emocionais atuais: a dependência emocional!

O que define a dependência emocional não é o desejo em si, mas sim a incapacidade de renunciar a determinado elo ou vínculo. Quanto sofrimento não é causado pelo fato de não sermos realistas e aceitarmos as coisas como são?

Mesmo sabendo que nada dura para sempre, existe uma grande relutância em assentir que a pessoa partiu. É uma contradição entre a razão e a emoção, já que nossa mente diz para aceitarmos a ausência, mas nosso coração não se permite conformar.

Isso ocorre porque tanto a presença quanto a ausência de uma pessoa querida provocam reações em áreas onde temos pouco controle: existem alguns processos fisiológicos envolvidos e alterações químicas que excedem o que podemos entender e gerenciar. Isso é o que explica a chamada “teoria do processo oponente”.

A teoria do processo oponente foi desenvolvida por Solomon e Corbit em 1974. De acordo com essa tese, nosso cérebro tende sempre a buscar o equilíbrio emocional, e o caminho que escolhe para fazer isso é neutralizando as emoções. Para conseguir isso, ele realiza uma operação recorrente: quando surge uma emoção intensa, que nos tira a estabilidade usual, a resposta é dar lugar à emoção oposta ou a um estímulo emocional corretivo.

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FORÇA

O estímulo de resposta é fraco no início, mas aos poucos vai ganhando força. A partir desses princípios é possível explicar, em parte, o que acontece no processo do vício e o que acontece no cérebro após uma perda. A emoção inicial é muito intensa – não tem oposição e, por isso, atinge um nível máximo. É o que acontece, por exemplo, quando nos apaixonamos. No entanto, pouco a pouco, o estímulo oposto aparece, embora no início não seja percebido. Gradualmente, vai ganhando força para neutralizar essa emoção inicial.

No entanto, se ocorre uma ausência, seja porque essa pessoa se afasta ou porque morre, ocorre uma descompensação. O estímulo inicial desaparece e fica apenas o “estímulo corretivo” que, por sua vez, se intensifica. Esse é experimentado de uma maneira muito desagradável: com tristeza, irritabilidade e todas as emoções envolvidas em um luto.

Cada emoção corresponde a um processo fisiológico no corpo e a mudanças químicas no cérebro. A ausência de alguém amado não é apenas um vazio emocional, porque há muita oxitocina, dopamina e serotonina que as pessoas amadas geram. Quando não estão lá, o corpo sofre uma desordem que, em princípio, não pode ser equilibrada. É necessário tempo para que um novo processo oponente ocorra, e que, diante da intensa emoção negativa, surja um “estímulo corretivo” para alcançar novamente o equilíbrio.

Mais do que uma fase, o luto é um sofrimento útil que permite olhar para a frente. A dor da perda não deve impossibilitar a pessoa de continuar a viver e prosseguir com suas experiências. Pode ser muito doloroso – aceitar a situação e aprender a conviver com a ausência e com a saudade, e, nesse sentido, ter maturidade e independência emocional é fundamental para superar a perda de um ente querido e continuar a viver.

O luto decorrente de mortes provocadas por tragédias é intensificado pela forma abrupta e violenta com que ocorreram, e, por isso mesmo, exigem maior atenção. Especialistas alertam que  o processo pode afetar as dimensões física, psíquica, emocional, comportamental, social e  espiritual. Como bem colocado pela psicóloga especialista em luto, Nazaré Jacobucci, “o processo  de luto apresenta diferenças quando a morte é algo que  já se espera, como em casos de doença  crônica grave, ou decorre de uma tragédia, como as que se abateram recentemente sobre o país. Quando temos a possibilidade de nos despedir de alguém que amamos, nos sentimos mais confortados. Mas quando a morte surge de forma abrupta, o estado de choque inicial é desconcertante. Os questionamentos também podem permanecer por um período ainda maior, sendo mais um fator de angústia e podendo levar a distúrbios psicossomáticos.

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LUTO COLETIVO

O estado de choque inicial é desconcertante e o impacto emocional causado em todos é enorme. Tragédias com grande número de mortes trazem muito sofrimento às pessoas de forma geral porque existe uma identificação com os familiares das vítimas e, dessa forma, sofrem como se também fossem vítimas. Num luto coletivo todos se emocionam e sentem a dor no coração. É também um momento de reviver as perdas pessoais, extravasar emoções abafadas anteriormente. Nós tomamos emprestado um pouco desse luto para chorar as nossas próprias dores.

Por isso, é extremamente importante falar sobre o luto e enfrentar os fantasmas do ocorrido. É fundamental aprender a conviver com a ausência e a saudade para seguir em frente.

Elisabeth Kluber-Ross, ao estudar como as pessoas lidavam com perdas pessoais catastróficas – desde a morte de um ente querido até um divórcio-, percebeu que existem cinco estágios comuns que a maior parte das pessoas passa, e com base nisso criou o modelo de Huber-Ross, ou, como também ficou conhecido, as cinco fases do luto. A intensidade das etapas varia de acordo com o grau de afetividade entre a pessoa e o ente querido e, principalmente, com o nível de inteligência emocional de cada um. Isso porque as fases não são lineares e, portanto, a pessoa pode voltar a uma fase anterior a qualquer momento. As cinco fases do luto são:

NEGAÇÃO – Esse momento é marcado pela dificuldade em acreditar que o fato realmente aconteceu. A dor é intensa e existe uma grande dificuldade para lidar com a perspectiva de um futuro sem a pessoa. Por isso, é um mecanismo de defesa, consciente ou inconsciente, que nos faz não acreditar que certa situação é realmente verdade.

RAIVA – Ao perceber que o fato realmente aconteceu e não existe nada que possa ser feito a respeito, é comum sentir uma revolta muito grande. Nesse período, a pessoa percebe que não é possível reverter a situação, e a tendência é que a dificuldade em se conformar seja canalizada em raiva. O estágio de raiva pode se manifestar de diversas formas. Uma pessoa lidando com uma decepção emocional pode sentir raiva dela mesma, da pessoa que se foi ou mesmo da vida ou da entidade maior na qual acredita.

NEGOCIAÇÃO – A fase de negociação é quase que um implorar e barganhar para que a tragédia ou mudança não seja tão drástica. É uma tentativa de fugir do acontecimento, de buscar alguma forma de ele ser menos doloroso. Nessa fase a pessoa tenta aliviar a dor e começa a fazer algumas ponderações, imaginando possíveis soluções e fazendo “acordos” internos. Essa negociação acontece dentro da própria pessoa e, muitas vezes, é voltada para questões religiosas.

DEPRESSÃO – O estágio de depressão tende a acontecer quando a pessoa realmente percebe que a tragédia aconteceu, não sendo uma ilusão ou algo negociável, e reage com um “choque” emocional. A forma de reagir depende muito de cada caso, mas é comum sentir tristeza, angústia, medo, até um vazio. É uma etapa dura, mas ao menos simboliza que a pessoa caiu em si e que está começando a aceitar a realidade, mesmo que ainda de forma não saudável. Geralmente é a fase mais longa do processo e é caracterizada por um sofrimento intenso. Além disso, é comum que a pessoa passe por um período de isolamento e apresente uma grande necessidade de introspecção.

ACEITAÇÃO – Durante essa fase a pessoa consegue ter uma visão mais realista e passa a aceitar o fato. O desespero em relação à perda dá lugar a uma maior serenidade, e a pessoa começa a enfrentar a saudade com mais consciência. É só a partir da aceitação que a pessoa consegue ter o impulso para reagir e trazer mudanças positivas para a sua vida.

Entender esses cinco estágios do luto nos ajuda a ter maior consciência do que estamos passando ao enfrentar uma adversidade como essa, nos traz lucidez e força para enfrentar as dificuldades. Saber o que se passa não fará um estágio desaparecer, mas pode ajudar a lidar de uma forma mais natural e menos dolorosa com ele.

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ARMADILHAS

Algumas armadilhas emocionais nos impedem de seguir em frente em um momento de perda. Não se permitir expressar suas dores, por exemplo, por acreditar que é necessário fingir que está tudo bem, é uma bomba-relógio: inevitavelmente, as emoções explodem em outras pessoas ou implodem em doenças.

O sentimento de culpa é outra barreira, já que, ao perder alguém que amamos, automaticamente pensamos nas coisas que deixamos de dizer e fazer a ela. É comum ter a sensação de que falhamos em determinados momentos e que cometemos erros com a pessoa que foi embora. Lembre-se de que as relações humanas não são perfeitas e as falhas sempre estarão presentes.

É preciso saber se perdoar, focando em tudo de bom e positivo que foi feito ou vivido com a pessoa que se foi, para alcançar a superação.

O medo dessa nova realidade pode ser paralisante, mas viver todas as fases do luto é fundamental.

Quando não temos consciência desse processo e não sabemos como lidar com as emoções, podemos nos perder e ficar paralisados em alguma delas. Algumas pessoas direcionam toda sua atenção e energia para a dor, deixando de fazer as coisas que gostam. Com o tempo, a tendência é que elas percam todo o prazer, se tornando depressivas. Quem se sente vítima da perda acaba encontrando justificativas para permanecer na dor, sem se esforçar para dar a volta por cima.

É preciso aprender a viver sem a presença da pessoa e isso exige que sejam feitas algumas adaptações para enfrentar as mudanças. Para se acostumar com a ausência, é importante mudar alguns hábitos ou lugares e enfrentar o medo que essas modificações podem causar. Seguir em frente e continuar vivendo é fundamental para superar a saudade de forma saudável. Mesmo convivendo com a dor, encontre maneiras para ser feliz com distrações, como, por exemplo, convivendo com pessoas queridas, traçando novos planos e indo em busca dos seus sonhos. Com o tempo a intensidade das emoções diminuirá, mas é preciso investir nesse processo dando um novo passo a cada dia.

Cuidar das próprias emoções é muito importante durante o luto, pois permite que a pessoa encontre coragem e força para recomeçar. A inteligência emocional é uma soma de habilidades que tornam as pessoas capazes de administrar as pequenas e grandes adversidades que a vida impõe, de modo a perceber e aceitar suas emoções, direcionando-as para obter melhores resultados e relacionamentos.

O segredo para se tornar uma pessoa emocionalmente inteligente é desenvolver seu autoconhecimento. Ou seja, conhecer a sua história de vida – não a partir do seu aspecto racional e adulto, mas, sim, se permitir aceitar e descobrir o que foi vivido e interpretado pela sua emoção de criança – é o pilar base para adquirir um controle maior em todos os tipos de situações da vida cotidiana, já que todas as nossas emoções e comportamentos são fruto da forma como um dia “interpretamos” as nossas experiências vividas durante nossa gestação e primeira infância.

A inteligência emocional é fundamental na superação de tragédias como as de Brumadinho e Mariana, porque permite que o ser humano pare para olhar para as próprias emoções e estilo de vida, para tomar decisões importantes em relação à maneira como vinha vivendo e usando seu tempo. No decorrer deste artigo, o luto foi caracterizado como um processo não linear e não temporal, que varia de acordo com a fase emocional em que a pessoa se encontra e sua consequente intensidade. Porém, o que determina o andamento desse processo é a capacidade que cada um tem de lidar com suas emoções para enfrentar a dor da ausência. A inteligência emocional promove a resiliência necessária para atravessar essa jornada de dor e aceitação.

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SOFRIMENTO

Viver o luto de forma saudável é sofrer – e seria estranho se não houvesse sofrimento. Só o tempo pode amenizar a dor da perda, mas é importante ressaltar que o luto é um processo individual, e que cada um elabora a dor de maneira diferente. Não existe um tempo exato para vivenciar cada uma das fases, e elas variam de acordo com cada pessoa e seu nível de inteligência emocional. Compreender isso é importante para que a dor de uma pessoa e de outra não seja comparada.

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OS EFEITOS DA PERDA

Em termos cerebrais, a ausência de um ente querido tem efeitos semelhantes aos da síndrome de abstinência, experimentados por aqueles que são viciados em alguma substância. Em ambos os casos, há um estímulo inicial e um “estímulo corretivo”. No caso das emoções, o estímulo inicial é  o próprio afeto: há apego, necessidade dessa pessoa e alegria ao vê-la. Nos casais, especialmente,  esse estímulo emocional inicial é muito intenso. Ao mesmo tempo, aparece o estimulo oposto. É por isso que ao longo do tempo a intensidade do começo dá lugar a uma certa “neutralidade” nas emoções.

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CÉREBRO EMOCIONAL É MAIS RÁPIDO QUE O RACIONAL

Racionalmente, ninguém escolheria ser ansioso, depressivo, explosivo, machucar alguém que ama ou não saber lidar com as próprias emoções para superar um momento difícil como a perda de um ente querido –  mas a maioria das pessoas faz isso constantemente. Se essas reações não são escolhidas, por que as pessoas não têm controle sobre elas? De modo geral, isso acontece porque  o cérebro emocional é muito mais rápido que o cérebro racional. Enquanto as emoções levam o ser humano à ação, sua razão continua apenas pensando e analisando.

 

RODRIGO FONSECA – é doutorando em Neuromarketing pela Flórida Christian University. comunicador social graduado pela USP e presidente da Sociedade Brasileira de Inteligência Emocional. É autor dos livros Emoções a Inteligência Emocional na Prática, 27 Chaves para a Realização Pessoal e Inteligência Emocional para Pais. além de idealizador da primeira formação de inteligência emocional do Brasil e da Sbie Academy.

OUTROS OLHARES

SABE A APPLE? ESQUEÇA. MUDOU TUDO

Empresa construiu fama e glória criando dispositivos icônicos, inovadores e invejados. Hoje quer se posicionar como prestadora de serviços – inclusive financeiros.

Sabe a Apple. Esqueça, Mudou tudo

Imagine se duas tradicionais fabricantes de automóveis — a BMW e a Daimler, por exemplo — se unissem para atuar no segmento de mobilidade urbana porque acreditam que seus produtos perderão espaço enquanto os serviços ganharão relevância. Bem, não precisa mais imaginar, pois foi exatamente isso que a BMW e a dona da Mercedes-Benz fizeram, há um mês. Agora, a Apple faz o mesmo: tirou o pé do portfólio de produtos para acelerar a oferta de serviços. A tech giant comandada por Tim Cook parece ter entendido que num mundo em que toda empresa será de tecnologia, empresas de tecnologia precisam ser outra coisa. Por esse motivo apresentou seu cartão de crédito, serviço de streaming de vídeos, um de assinatura de notícias e uma plataforma de games.

CARTÃO DE CRÉDITO 

Para entender o anúncio de um cartão de crédito é preciso olhar para o Apple Pay, o sistema de pagamentos da empresa, lançado em outubro de 2014 — e disponível no Brasil desde o ano passado, depois de similares de Google e Samsung. Apesar de crescente, o número de usuários da carteira virtual não deslumbra: 252 milhões de pessoas no mundo. É fato que esse mercado deve dar um salto. Projeções apontam que 80% dos usuários globais de smartphones acabarão usando seus aparelhos como carteiras, em comparação com menos de 20% agora. Mas esse futuro ainda não chegou. Hoje, o Apple Pay representa menos de 2% do volume de redes como Mastercard e Visa. Muitos comerciantes ainda não aceitam esse modelo de pagamento.

Começar pelo cartão de crédito é uma maneira de a Apple contornar um hábito que ainda não se alterou por parte de consumidores do mundo inteiro. Para lançar o Apple Card, a empresa se uniu ao banco Goldman Sachs e à operadora Mastercard. É claro que o cartão não viria sem novidades. Não trará número estampado, nem código de segurança, data de expiração ou espaço para a assinatura. Não haverá também taxas, anuidades ou mensalidades e permitirá um programa de recompensas de devolução de dinheiro conforme for utilizado. E um dos pontos altos, e mais bacanas, resvalando naquela Apple de produtos disruptivos, é a ferramenta de educação financeira para os usuários do cartão controlarem seus gastos. Ele terá mapa interativo para melhor visualização de onde as compras foram efetuadas, ampliando o controle das movimentações e a segurança.

STREAMING DE VÍDEOS

A Netflix não quer saber da Apple, então a Apple está tratando de ser um pouco Netflix. O aguardado anúncio do serviço de streaming da empresa de tecnologia é uma reformulação da Apple TV, que vai virar um agregador de 100% do que for conteúdo audiovisual — produção própria ou de parceiros. Haverá de tudo no balaio. Canais de TV por assinatura, conteúdos de outras plataformas de streaming (como Amazon Prime, ESPN Watch, Hulu, já que a Netflix se recusou a fazer parceria) e programação original. O serviço de streaming com conteúdos originais, que se chamará Apple TV+, reúne produções comandadas por pesos pesados, como M. Night Shyamalan, Oprah Winfrey, Steve Carrel e Steven Spielberg. Deve ser lançado no segundo semestre em mais de 100 países, mas os preços das assinaturas não foram divulgados.

Ele funcionará nos dispositivos da marca (iPhones, iPads e Macs), mas também em TVs inteligentes (LG, Samsung e Sony). Não ficou claro se estará disponível para Android, sistema operacional que domina 74% do mercado global de smartphones (dados de fevereiro de 2019). A Netflix, líder em streaming de vídeo, talvez tenha fornecido uma pista caso o sistema Android não seja mesmo contemplado: 70% de seus assinantes assistem ao conteúdo em uma TV, 15% em PCs, 5% em tablets e 10% em celulares. A Apple provavelmente decidiu que valeria a pena o risco de ignorar o Android como opção de canal de distribuição.

GAMES

Talvez tenha sido a novidade menos reluzente no pacote. Não pela importância, mas por ser um modelo muito parecido com o recém-anunciado Stadia, do Google. O serviço de assinatura de jogos para iPad, iPhone e Mac, chamado Arcade, promete mais de 100 jogos no lançamento, no segundo semestre, em 150 países. O preço da assinatura também não foi divulgado. O dado para entrar de forma mais contundente nesse mercado veio da própria Apple Store: os 300 mil games disponíveis já foram baixados 1 bilhão de vezes.

NOTÍCIAS

De certa forma será um streaming de notícias, com material de mais de 300 publicações e disponível inicialmente nos Estados Unidos (US$ 9,99 ao mês) e no Canadá (US$ 12,99 ao mês). Tim Cook, CEO da Apple, diz que mais de 5 bilhões de reportagens já foram consumidas no Apple News. O novo serviço, News+, pretende ser uma espécie de Spotify do jornalismo. Mas há alguns poréns nessa promessa. Publicações bem-sucedidas vendem cada vez mais assinaturas digitais e não querem compartilhar receita e, especialmente, dados de assinantes. Assim como os consumidores encontram o conteúdo jornalístico com mecanismos de busca ou nas redes sociais. E, pelo menos inicialmente, só dispositivos Apple oferecerão o News+.

CORAÇÃO NO HARDWARE

 “A Apple, em seu coração, ainda é uma empresa de hardware relutante em dar aos consumidores mais razões para escolher um telefone Android”, afirma uma reportagem da Bloomberg. A questão é que a empresa precisa crescer em serviços. As receitas nessa linha aumentaram 24% entre 2018 e 2017 (ano fiscal encerrado em setembro) contra 18% de alta nas receitas com vendas de iPhones no mesmo período. De certa maneira a Apple começou a seguir os passos da Microsoft, que desde a ascensão de Satya Nadella ao posto de CEO, há cinco anos, se reorientou para vender serviços.

Quando virou CEO, Nadella liderava as frentes de serviço da empresa, incluindo a divisão Cloud. No ano fiscal de 2018, encerrado em junho, as receitas fora da linha de produtos já atingiram US$ 45,8 bilhões (41,5% do total de US$ 110,3 bilhões). No ano fiscal anterior elas representavam apenas 33,9%. “Imagine um futuro em que todos os seus aplicativos e suas experiências girem em torno de você e transcendem qualquer dispositivo”, disse Nadella em sua carta aos investidores do ano passado. Não deixa de ser muito irônico a Apple querer ser um pouco mais Microsoft. Afinal, Steve Jobs dizia que nos anos 80 Bill Gates havia surrupiado a ideia original do Mac para desenvolver o Windows

GESTÃO E CARREIRA

SAI O FOODTRUCK, ENTRA A FOODTECH

Startups que juntam tecnologia e gastronomia prometem revolucionar a indústria de alimentos e criar alternativas muito mais saudáveis à proteína animal.

Sai o Foodtruck, entra a Foodtech

No meio de março, na mesma semana em que começava a operar no Brasil, uma startup latino-americana atraía a atenção do mundo dos negócios. Fundada por três jovens chilenos e batizada The Not Company (também conhecida pela abreviação NotCo), a empresa finalizou uma rodada de investimentos que garantiu um aporte de US$ 30 milhões. A transação incluiu a entrada de Jeff Bezos, fundador da Amazon e homem mais rico do mundo, como sócio da companhia. O que um dos empreendedores mais bem-sucedidos do mundo viu na empresa latino-americana que desenvolveu em 2015 uma maionese sem ovos? Ao que parece, o futuro da alimentação.

As foodtechs, companhias que utilizam novas tecnologias para revolucionar o setor alimentício, querem promover no segmento a mesma reviravolta que aconteceu nas áreas de música, entretenimento, mobilidade, finanças e turismo. “A indústria de alimentação é muito lenta. São oito anos desde a ideia, passando pelo desenvolvimento, validação, marketing, até chegar ao lançamento”, diz o biotecnólogo Pablo Zamora, co-fundador da NotCo e responsável pela formulação de seus produtos. “Há muita política e entraves regulatórios dentro das grandes empresas”, complementa o executivo de 40 anos, que antes foi funcionário da fábrica de chocolates Mars.

A NotCo promete ser mais ágil. Quer desenvolver produtos — da ideia ao lançamento — em apenas quatro meses. A empresa utiliza inteligência artificial para criar maionese, sorvetes e leite de base vegetal e sem insumos animais. A companhia nasceu da cabeça de Matías Muchnick, 30 anos, um ex-estudante de finanças na Universidade de Harvard com passagem pelo banco JP Morgan. “A minha referência era a indústria farmacêutica, onde se adota tecnologia e ciência muito profunda”, diz o empreendedor. “Já o setor de alimentação está quebrado. A humanidade usa basicamente 15 plantas na sua alimentação, quando o reino vegetal tem mais de 400 mil espécies. E não fazemos a mínima ideia do que cada uma delas pode nos dar.”

Com uma ideia na cabeça e nenhum cheque na mão, ele buscou dois cientistas chilenos para serem os seus sócios. Um deles era Pablo Zamora, o outro era o engenheiro de computação Karim Pichara, de 38 anos, que trabalhava com inteligência artificial aplicada à astronomia. “Matías me perguntou se seria possível fazer comidas de sabor animal a partir de plantas”, conta ele. “Foi uma pergunta interessante e imediatamente assumi o desafio.” O pesquisador desenvolveu um software para analisar possibilidades de sabor e textura obtidas com as moléculas das plantas.

Em 2017, a NotCo começou a vender maionese sem ovos na rede chilena Jumbo. Em oito meses, abocanhou 8% do mercado. O produto chega agora ao Brasil em parceria com a rede Pão de Açúcar. Na sequência, virão sorvetes e leites também preparados sem proteína animal. Para isso, a NotCo começou a contratar executivos brasileiros e Muchnick já considera que a empresa está se tornando chileno-brasileira. Do lado de cá da fronteira a movimentação é intensa. Segundo o Movimento Foodtech, criado pela consultoria Builders Construtoria, já são154 empresas. “A maior parte delas está voltada para entrega e atendimento a um novo consumidor que deseja alimentos mais saudáveis”, diz Carolina Bajarunas, fundadora da Builders. “As pessoas não têm tempo de cozinhar, mas precisam comer bem e rapidamente. Então, diversas empresas entregam kits prontos.”

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UNICÓRNIO 

A maior e mais conhecida foodtech brasileira é o iFood, que faz entregas por meio de aplicativos, atende 500 mil pedidos por dia e tem 10,8 milhões de clientes cadastrados. “O mercado de delivery ainda tem muito espaço para crescer e queremos continuar protagonizando essa revolução”, diz Carlos Moyses, CEO do iFood. “Impulsionar essa transformação significa desenvolver todo o ecossistema de entrega de refeições, gerando melhor experiência aos consumidores, restaurantes e entregadores.” O iFood acaba de receber um aporte de capital de US$ 500 milhões por meio da Movile, com a Naspers e Innova Capital. O investimento transformou a empresa no primeiro unicórnio do segmento foodtech no Brasil. Unicórnio é o apelido dado pelo mercado a startups com valor acima de US$ 1 bilhão. E o plano do iFood é seguir inovando para crescer. No Carnaval, a empresa testou a entrega por meio de drones. Agora também utiliza patinetes na região da Avenida Paulista, em São Paulo, com entregas mais rápidas do que qualquer outro modal.

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Diferentemente do que faz a NotCo, poucas brasileiras usam tecnologia para criar produtos mais saudáveis. “Estamos pelo menos uns sete anos atrasados”, diz Carolina Bajarunas. Na Finlândia, a Solar Foods promete produzir proteína apenas por meio de eletricidade, água e ar a partir de 2021. O complexo processo envolve alimentar micróbios com hidrogênio e, depois, extrair deles células com composição de aminoácido similar ao de soja ou de algas. O resultado é um pozinho parecido com leite em pó.

Enquanto as startups avançam, as gigantes vão na cola. A americana Burger King anunciou a venda de sanduíches Whopper veganos, com hambúrgueres criados pela Impossible Foods. A companhia do Vale do Silício é uma das estrelas dessa revolução gastronômica ao produzir carnes a partir de plantas com a molécula heme, que dá ao sangue a cor vermelha. Sua maior rival é a Beyond Meat, que tem acordo a rede americana de fast food Carl’s Jr — e produz uma carne vegetal que “sangra” suco de beterraba.

No Brasil, a Behind the Foods, criada pelo paulistano Leandro Mendes, pretende começar a vender as suas réplicas de carne de base vegetal a partir de maio. Carolina Bajarunas acredita que haverá mercado para muitos competidores. Afinal, espera-se que 1% do mercado de proteína animal seja substituído dentro dos próximos três anos. Não por acaso, a Nestlé anunciou, na semana passada, que vai criar uma rival para as carnes de laboratórios das startups: o Incredible Burger, feito de soja e trigo e inspirado no produto da Impossible Foods que se chama Impossible Burger. A Nestlé espera faturar US$ 1 bilhão em até 10 anos com alimentos vegetais (leia abaixo). A Tyson Foods comprou, no ano passado, 5% da Beyond Meat e a Pepsico escolheu, em dezembro, dez startups para receber investimentos. A revolução foodtech está só no começo.

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ALIMENTO DIÁRIO

PROVÉRBIOS 27: 12-16

Alimento diário

MÁXIMAS DIVERSAS

 

V. 12 – Nós já vimos isto antes (Provérbios 22.3). Observe:

1. O mal pode ser previsto. Onde há tentação, é fácil prever que se nos atirarmos a ela, haverá pecado, e é igualmente fácil prever que se nos aventurarmos no mal do pecado, teremos o mal da punição; e, de modo geral, Deus adverte antes de ferir, tendo colocado vigias sobre nós (Jeremias 6.17).

2. Isto será bem ou mau para nós, conforme aproveitemos ou não a previsão que temos do mal à nossa frente: o homem prudente, prevendo o mal, age de maneira apropriada, se previne e se esconde, mas o simples, ou porque é tão tolo que não o prevê, ou porque é tão obstinado e preguiçoso que não toma cuidado para evitá-lo, e assim passa, considerando-se em segurança, é punido. Nós fazemos o bem a nós mesmos quando nos prevenimos para o futuro.

 

V. 13 – Isto também já foi visto antes (Provérbios 20.16).

1. Isto mostra quem são os que se apressam rumo à pobreza, os que são tão pouco precavidos, a ponto de serem fiadores de todos os que lhes pedirem, e os que são dados a mulheres (conforme a versão RA). Estes tomarão tanto dinheiro quanto seu crédito lhes permitir, mas certamente, no final, enganarão os seus credores, ou melhor, já os es­ tão enganando o tempo todo. Um homem honesto pode vir a ser um mendigo; mas aquele que finge que é um mendigo não é honesto.

2. Este versículo nos aconselha a sermos tão criteriosos na administração de nossos assuntos, a ponto de não emprestar dinheiro aos que estão abertamente esbanjando seus bens, a menos que nos ofereçam boas garantias. Emprestar dinheiro tolamente é injustiça para com as nossas famílias. Salomão não diz: “Consegue outro que seja o fiador”, pois aquele que precisar de um fiador terá, como garantia, aqueles que são tão insolventes quanto ele mesmo; por esta razão, a sua roupa é tomada.

 

V. 14 – Observe:

1. É uma grande tolice ser extravagante no louvor, até mesmo dos melhores dos nossos amigos e benfeitores. É nosso dever dar a cada um o louvor que lhe é devido, aplaudir os que se sobressaem em conhecimento, virtude e utilidade, e reconhecer as gentilezas que recebemos, com gratidão; mas fazer isto em voz alta, madrugando pela manhã, e estar sempre tocando neste tema, em todos os grupos, e até mesmo diante do nosso amigo, ou de modo que ele não poderá deixar de ouvi­ lo, fazer isto de modo planejado, como fazemos aquilo para o que nos levantamos cedo, enaltecer os mérito s do nosso amigo além das medidas e com hipérboles, é grosseiro, e enjoativo, e tem aparência de hipocrisia e intenções duvidosas. Louvar os homens pelo que fizeram é uma atitude que indica que se deseja obter mais deles: e todos concluem que o parasita espera receber uma generosa recompensa por seu panegírico ou epístola de recomendação. Não devemos dar ao nosso amigo o louvor que é devido som ente a Deus, como alguns pensam que é sugerido, no levantar-se de madrugada para fazer isto, pois pela manhã Deus é que deve ser louvado. Não devemos ter excessiva pressa em louvar os homens (esta é a interpretação de alguns), nem aclamá-los cedo demais por suas habilidades e realizações, mas deixar que eles sejam postos à prova antes; isto, para que eles não se encham de soberba, e se ponham a dormir. na ociosidade.

2. É uma tolice ainda maior apreciar quando somos extra­ vagantemente louvados. Um homem sábio, na verdade, considera isto uma maldição, não somente com a intenção de lhe tomar dinheiro, mas que realmente pode ser um prejuízo para ele. Os louvores modestos (como observa um grande homem) convidam os que estão presentes a acrescentar os seus elogios, mas os louvores desmedidos os tentam a menosprezar, em lugar de louvar; e a criticar aquele que é alvo dos louvores. Além disto, o louvor excessivo torna o homem um objeto de inveja: cada homem investe em busca de uma parcela de reputação, e por isto se considera prejudicado se outra pessoa tiver toda a reputação, ou se algo lhe for dado, maior do que a parcela que lhe cabe. E o maior de todos os perigos é o fato de que existe uma tentação à soberba; os homens são pro­ pensos a se julgar acima do que é adequado, quando os outros falam sobre eles mais do que é adequado. Veja o cuidado que tinha o abençoado apóstolo Paulo, em não ser valorizado excessivamente (2 Coríntios 12.6).

 

V. 15 e 16 – Aqui, corno anteriormente, Salomão lamenta o caso daquele que tem urna esposa rixosa, que está continua­ mente reclamando, e que atormenta, a ele mesmo, e a todos à sua volta.

1. É uma reclamação contínua, à qual não há maneira de escapar, pois é como um gotejar contínuo em um dia chuvoso. A contenda de um próximo pode ser semelhante a uma forte chuva, angustiante no momento, mas, enquanto ela dura, podemos nos abrigar, mas a contenda de uma esposa é como um temporal constante, para o qual não há remédio, senão a paciência. Veja Provérbios 19.13.

2. É uma reclamação da qual não há corno se esconder. Um homem sábio se esconderia, se pudesse, por sua própria causa e também pela reputação de sua esposa; porém ele não pode fazê-lo, assim como não consegue esconder o ruído do vento quando sopra, nem o aroma de um perfume forte. Os que são rebeldes e briguentos proclamarão a sua própria vergonha, mesmo quando seus amigos, por bondade para com eles, a encobrirem.