A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

EQUILÍBRIO EMOCIONAL É INTELIGÊNCIA

O mundo moderno exige o desenvolvimento das competências socioemocionais, tanto quanto as cognitivas, o que, resultará em uma próxima geração mais segura e afetuosa.

Equilíbtio emocional é inteligência

É urgente desenvolvermos competências socioemocionais tanto quanto cognitivas, promovendo  indivíduos mais felizes e proativos, o que resultará na diminuição dos índices de suicídio, amenizará doenças físicas e psicossomáticas e diminuirá a violência.

O mundo tecnológico avança avassaladoramente. É possível observarmos bebês manipulando telas touch scream de videogames portáteis, smartphones e tablets com uma desenvoltura impressionante.

O acesso ao mundo virtual ocorre desde a mais tenra idade e vivemos um bombardeio de estímulos e informações.

Assim sendo, a escola como o lugar de conhecimento e o(a) professor(a) como transmissor(a) deste não fazem mais nenhum sentido. Entretanto, infelizmente, a realidade é que todas as mudanças na sociedade, na infância, nos ambientes e relações de trabalho estão distantes da instituição escolar.

A educação formal, arraigada em seus paradigmas, vislumbra como solução a quantidade de informações e afazeres infantis. Com isso, é comum uma criança com apenas 4 anos ter uma agenda repleta de compromissos, aulas de línguas estrangeiras, de reforço, de esportes, instrumentos musicais etc. Mal a criança aprende a falar e sua família anseia pela alfabetização (tantas vezes bilingue) e o aprendizado matemático.

Desde muito cedo o aspecto cognitivo é priorizado. Nesse sentido, as crianças crescem competentes intelectualmente e apresentam problemas sérios de fundo emocional. É alarmante o índice de violência, intolerância e bullying nas escolas.

Nosso século é marcado pela tecnologia e por transtornos emocionais.

Assustadoramente, aumentam os índices de problemas psíquicos entre crianças e jovens. Cresce a cada dia o número de jovens que se mutilam. A automutilação atinge adolescentes no Brasil e no mundo. Pesquisas indicam que 20% dos jovens sofrem desse mal. Além disso, em nosso país, as taxas de suicídio cresceram na população em geral, especialmente entre os jovens. O suicídio é, hoje, a quarta causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos no Brasil. Entre os homens nesta faixa etária, é o terceiro motivo mais comum; entre as mulheres, o oitavo.

Jovens que são cobrados excessivamente por sua família para completarem seus estudos e buscarem empregos rentáveis que lhes possam garantir uma boa vida. Mas o que é ter uma vida boa? É ter dinheiro ou posição social?

Sem responder a essa questão temos uma outra camada da população que não atende as exigências escolares, não acumula as informações necessárias, não tem acesso aos mesmos compromissos sociais, nem aos mesmos cursos e aulas, vive à margem da intelectualidade. Será que não são inteligentes o suficiente? O que é ser inteligente?

Podemos refletir também sobre aqueles que sem a estrutura financeira necessária persistem, insistem, acreditam em seu potencial e vão além das expectativas, tornam-se bem-sucedidos. O que fez a diferença na vida desses indivíduos? Retornando aos jovens promissores, cujos pais investiram desde cedo em suas carreiras, não são exceções os casos daqueles que mesmo com um currículo invejável são rejeitados em entrevistas de emprego, não sabem trabalhar em equipe, são egocêntricos ou manipuladores, desistem frente aos obstáculos e/ ou não são criativos.

Mais comum ainda é conseguir um bom cargo, conforme o previsto, mas não se manter nele.

Basta um olhar atento e sensível para notar que as emoções influenciam o nosso cotidiano e que não há como fugir. O mesmo olhar que atenta às diferenças, às peculiaridades dos seres humanos. Seres que são avaliados com as mesmas provas, são ensinados com os mesmos livros e atividades, são tantas vezes comparados, inferiorizados, rotulados.

REFLEXÃO

A sociedade da informação precisa parar e refletir. A reflexão requer coragem, esforço próprio que visa o autoconhecimento. Não é possível aceitar como verdade absoluta tudo que se vê. Visão das informações massificadas e engessadas que perpassam gerações nos bancos escolares. Visão das famílias tradicionais e etnocentristas. Visão do que é mais difundido e “curtido” nas redes sociais. Visão daqueles que querem vender à custa da sua falta de reflexão. Como bem deixou de legado o grande mestre Rubem Alves: “Há muitas pessoas de visão perfeita que nada veem. O ato de ver não é coisa natural, precisa ser aprendido’

As velozes transformações tecnológicas e sociais afetaram nossa capacidade de ver e refletir?

Segundo Morin, as concepções de verdade única e de supremacia da razão, pilares da ciência moderna, não se sustentam diante da velocidade das transformações sociais, da pluralidade da produção cultural humana, do reconhecimento da condição histórica do homem.

[…] não é absolutamente um pensamento que elimina a certeza pela incerteza, que elimina a separação pela inseparabilidade, que elimina a lógica para permitir todas as transgressões. A caminhada consiste, ao contrário, em fazer um ir e vir incessante entre as certezas e as incertezas, entre o elementar e o global, entre o separável e o inseparável.

[…] Não se trata de opor um holismo global e vazio ao reducionismo mutilante; trata-se de ligar as partes à totalidade.

É preciso vislumbrarmos o ser humano integral e único para alcançarmos o que propõem Alves e Morin.

O ser que desenvolve seu cérebro a partir de experiências de vida. Experiências essas relacionadas aos seus cinco sentidos, a sua capacidade de interiorizar-se e também de relacionar-se.

O ser que reconhece suas capacidades e sabe quais são seus limites.

O ser que busca ampliar as diversas habilidades, mas identifica aquilo que faz de melhor e sente prazer nisso.

O ser que é resiliente e aprende com os erros, ressignificando- os.

O ser que estende a mão, dá as mãos, pois sabe que não fará nada sozinho, então coopera mais e compete menos.

O ser que teve a oportunidade de brincar na infância.

NAS ESCOLAS

A nova Base Nacional Comum Curricular (BNCC) incluiu o ensino das competências socioemocionais nas escolas. Mais do que uma exigência documental, é uma necessidade. Todavia, nós, adultos, não temos como ensinar algo sem antes aprendermos. Portanto, para desenvolvermos habilidades socioemocionais nas e crianças e jovens, antes temos que nos permitir desenvolvê-las em nós.

Enquanto adultos, estamos abertos e receptivos para tal?

É fundamental nos conscientizarmos que apenas a razão não supre a formação profissional de um indivíduo, levando em consideração as necessidades humanas que cada um apresenta, sejam elas emocionais ou sociais.

As habilidades socioemocionais são construídas por uma extensa e complexa rede de conhecimentos e comportamentos relacionados ao sucesso ou ao fracasso de um empreendimento. Parhomenko as define, dentro do contexto europeu, como a capacidade de gerenciamento de comportamentos, permitindo que os indivíduos se envolvam e relacionem-se harmoniosamente com outras pessoas dentro de um contexto social. Portanto, os seres humanos desenvolvem mecanismos que lhes permitem lidar com as mais variadas situações impostas pela vida, na superação dos problemas, desde que tenham crenças e habilidades socioemocionais que lhes deem suporte para isso. Perseverança, resiliência, determinação, colaboração, autocontrole, curiosidade, otimismo e confiança independem do nosso intelecto, da nossa cultura e formação.

O desequilíbrio emocional sabota as mentes eruditas através de ansiedade exagerada, atitudes explosivas e/ ou dificuldades no trabalho em equipe e no relacionamento com as diferenças.

É nítida a importância de promovermos alfabetização emocional desde a mais tenra idade. Você se considera alfabetizado emocionalmente?

É fundamental para qualquer ser humano viver em sociedade e estabelecer vínculos saudáveis consigo mesmo e com os outros. Educar emocionalmente implica fortalecer o indivíduo, resgatar valores, o senso de respeito, de solidariedade e responsabilidade. E isso pode proporcionar mudança significativa nas próximas gerações.

A escola é o grande espaço socializador e não se traduz na frieza dos conteúdos disciplinares, mas na junção do cognitivo com o emocional. Aprendemos na interação, pela emoção e não apenas pelo intelecto. Nossos sentimentos norteiam um desenvolvimento efetivo ou não. Se nos sentimos felizes, seguros e confiantes, isso reflete-se positivamente na vida escolar e, futuramente, na vida profissional.

Como mensurar uma aprendizagem socioemocional? É possível avaliar se um indivíduo aprendeu ou desenvolveu habilidades socioemocionais? Quais são as principais habilidades socioemocionais a serem desenvolvidas?

IDENTIFICAÇÃO

Muitas são as discussões acadêmicas em torno da identificação e da mensuração das competências socioemocionais e quais deveriam ser desenvolvidas no espaço escolar. São inúmeras pesquisas delimitando diversas habilidades – a amplitude das características de personalidade humana é enorme! É necessário realizar uma taxonomia que permita recortes e afunilamentos para definir e organizar focos de trabalho pedagógico.

Nesse oceano de possibilidades nem sempre conseguiremos avaliar ou mensurar o aprendizado das competências socioemocionais, mas existem mudanças comportamentais nítidas que vão norte­ ando professores, pais e educadores.

Imaginemos que uma criança apresenta um comportamento agressivo e, com as atividades propostas, aos poucos demonstra mais afabilidade. Imaginemos um jovem desinteressado pela escola que com aulas inspiradoras demonstra maior interesse ao ter chance de expressar sua criatividade.

São infinitas as possibilidades de explorarmos o tema visando mudanças positivas.

O ideal é que se estabeleça uma relação de ensino-aprendizagem na qual todos possam interagir, compartilhar e complementar diferentes ideais e posições, mas respeitando e enriquecendo o diálogo a partir da diversidade de pensa­ mentos, sentimentos, sonhos, esperanças e trajetórias que os caracterizam.

A sala de aula não é e não deve ser um contexto terapêutico. Portanto, desenvolver habilidades emocionais na escola não diz respeito a diagnosticar ou tratar o que quer que seja. Refere-se, outrossim, a resgatar a multiplicidade de aspectos inerentes a qualquer vivência humana.

Não temos como separar razão e emoção. É impossível estudar ou trabalhar e deixar os sentimentos em casa. Então, basta não negarmos as emoções, mas atentarmos ao universo de sensações, emoções, sentimentos, pensamentos, ações presentes enquanto estudamos e/ ou trabalhamos.

Quando identificamos, conhecemos e sabemos lidar com nosso mundo interior, estruturamos o melhor caminho para a realização das atividades que nos propomos realizar.

É importante salientar que defender que o desenvolvimento das habilidades socioemocionais seja promovido no ambiente escolar não implica isentar a família, a sociedade, as políticas públicas. É preciso fortalecer toda a sociedade para que cada elo possa cumprir o seu papel e colaborar com os demais em suas funções.

Gottman propõe cinco passos para aqueles pais que ainda não o são tornem-se preparadores emocionais:

1- Perceber as emoções das crianças e as suas próprias;

2- Reconhecer a emoção como uma oportunidade de intimidade e orientação;

3- Ouvir com empatia e legitimar os sentimentos da criança;

4- Ajudar as crianças a verbalizar as emoções;

5- Impor limites e ajudar a criança a encontrar soluções para seus problemas. Aceitemos, então, o desafio de trabalhar e desenvolver sentimentos, em nós e naqueles com quem convivemos, pois como deixou de legado o grande mestre Rubem Alves: “Aquilo que está escrito no coração não necessita de agendas porque a gente não esquece. O que a memória ama fica eterno’: Talvez seja esta a chave para o sucesso que tanto almejamos na área de educação e da vida.

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OUTROS OLHARES

CONTAMINAÇÃO “MATA” RIOS DA MATA ATLÂNTICA

Contaminação “mata” rios da Mata Atlântica

O dia 22 de março entrou para o calendário como Dia Mundial da Água. Apesar da importante celebração, a situação dos rios do País não é de se comemorar. A Fundação SOS Mata Atlântica publicou um retrato atualizado sobre os cursos d’água do bioma, que cortam 103 municípios em 17 estados. Dos 220 rios, 75,4% apresentam qualidade de água apenas regular e 16,9%, ruim. Três rios foram considerados péssimos e apenas 15 rios apresentaram boas condições e estado de conservação – nenhum deles, no entanto, foi considerado “ótimo”. Quando comparado ao levantamento de 2018, há uma esperança. O número de rios com qualidade boa subiu 1,7 ponto percentual (p. p). Por outro lado, também houve avanço dos rios considerados “mortos”. A quantidade de cursos com péssima qualidade subiu de 0 para 1,3% este ano. Um deles é o rio Paraopeba, atingido pela lama que jorrou da barragem da mina Córrego do Feijão, em Brumadinho (MG). A expedição de campo da ONG encontrou, inclusive, vestígios dos rejeitos no reservatório da Usina Hidrelétrica de Três Marias, no rio São Francisco (onde deságua o Paraopeba), a 331 km da barragem que se rompeu.

Contaminação “mata” rios da Mata Atlântica. 2

GESTÃO E CARREIRA

20 COMPETÊNCIAS ESSENCIAIS PARA VOCÊ SER UM BOM LÍDER

Gestores competentes e admirados possuem habilidades em comum. Foi o que descobriu o professor Marcelo Veras ao acompanhar por dez anos 170 executivos brasileiros. Veja a seguir as 20 competências essenciais para se tornar um bom líder – e como você pode desenvolver cada uma delas.

20 Competências essenciais

Por que algumas pessoas se tornam bem-sucedidas e outras não? Essa era a pergunta que incomodava Marcelo Veras, professor de planejamento de carreira e presidente da Inova Business School, de Campinas. Para ele, livros, workshops e cursos não eram o suficiente para resolver a questão, que ouvia constantemente dos alunos em sala de aula. “Queria saber o que as pessoas que de fato chegaram ao topo tinham a dizer sobre isso”, afirma. Foi assim que, em julho de 2006, começou uma pesquisa sobre o assunto. Procurou pessoas em posições importantes de liderança, como diretores nacionais, vice­ presidentes e presidentes para fazer uma pergunta simples: “Quais competências o trouxeram até aqui e como você definiria cada uma delas”?

Foram mais de 170 entrevistados desde então. A partir das respostas, Marcelo reuniu uma lista das principais habilidades apontadas pelos bem-sucedidos. Elas são divididas em três categorias: comportamentais (como agimos em relação a nós mesmos e às pessoas); técnicas (domínio da área de atuação e de competências básicas de linguagem e leitura); e de gestão, que, claro, têm a ver com nossa atitude na condição de líderes de pessoas e de negócios. Marcelo compara essas competências a um macarrão à bolonhesa. As competências técnicas são o espaguete, as comportamentais, o molho e o resultado final, as competências de gestão, são o macarrão à bolonhesa. “No curto prazo, ter apenas algumas competências funciona, mas, no fim, só uma combinação sólida é que mantém os líderes em seus cargos”, diz. Ou seja, as habilidades fazem mais sentido quando combinadas entre si e usadas de forma coerente. E, claro, dificilmente alguém terá todas elas superdesenvolvidas, mas criará um conjunto sólido delas – a sua própria receita.

“Querer desenvolver todas as competências no mesmo grau é utopia”, diz Adriana Prates, presidente da Dasein Executive Search, consultoria de recrutamento, de Belo Horizonte. “As pessoas são diferentes e vão se destacar por diferentes motivos”. O segredo é identificar quais são as mais importantes para você. Ter essa clareza nem sempre é fácil, até porque envolve aceitar as limitações que temos, além de um conhecimento aprofundado de si mesmo. Esse entendimento serve, inclusive, para ver quando vale mais melhorar os pontos fortes e deixar os fracos de lado.

Tudo isso demanda saber escutar os outros e receber bem os feedbacks, além de criar o hábito de pensar sobre si mesmo. Para fazer isso, Silvana Mello, diretora da Lee Hecht Harrison, consultoria de transição de carreira, de São Paulo, propõe um exercício de autoanálise baseado em três dimensões. “A primeira é tentar definir o que se busca em termos de carreira e vida ao longo prazo. A segunda é entender por que você busca esses objetivos e o que motiva suas atitudes. A terceira é pensar como você fará para alcançar esses objetivos e que valores usará para chegar lá. “Gosto desse modelo de tripé porque ele serve para buscar uma coerência no dia a dia e se obrigar a questionar sempre para onde você está indo e como”, diz Silvana.

De fato, um dos principais fatores que determinam o sucesso de uma empreitada é a clareza sobre por que se está fazendo aquilo. Mas, além disso, é preciso olhar por fora e notar como você está se comportando em relação ao meio em que atua. Isso significa prestar atenção ao que está acontecendo e identificar quais as demandas implícitas e explícitas das empresas e de seus colegas. Normalmente, o melhor sinal de que é preciso desenvolver um a competência é quando você percebe que não é (ou não foi) capaz de lidar tão bem quanto gostaria com uma situação.

Expor-se a diferentes cenários – dentro ou fora do trabalho – facilita esse aprendizado. “Saia da rotina de vez em quando para perceber coisas novas, diz Paula Chimentti, professora do Coppead, escola de negócios da Universidade Federal do Rio de Janeiro. É a melhor forma de perceber o que você ainda precisa melhorar e o que já tem de bom. E ter essa percepção é o que ajuda na motivação. É difícil desenvolver algo se você não sentiu a necessidade, diz. Por isso, é preciso ter um olhar constantemente voltado à melhoria e ao crescimento pessoal para dar conta de notar seus pontos fortes e fracos. O desenvolvimento de competências não é um processo isolado, mas combinado a diversos fatores: seus objetivos, personalidade, a necessidade dos outros e o meio em que você quer crescer. “A relação entre competência e o contexto é inseparável”, diz Roberto Aylmer, professor da Fundação Dom Cabral, de Minas Gerais. O que vai diferenciar cada um são as atitudes, ou seja, as competências comportamentais. Já as competências técnicas são obtidas por meio de estudo e aprendizado contínuo. As de gestão são como você combina as anteriores de forma a ser um líder bem-sucedido. Ao longo da reportagem, você encontra os 20 ingredientes que mais levaram as pessoas ao sucesso e pode escolher os que mais combinam com a sua receita pessoal de felicidade na carreira.

 

COMPETÊNCIAS COMPORTAMENTAIS

EQUILÍBRIO EMOCIONAL

“Você não tem como controlar os problemas, mas pode melhorar a forma como reage a eles”, diz Adriana Prates, da Dasein. Ter autonomia em relação aos sentimentos para escolher como vai se comportar faz parte do equilíbrio emocional. Para chegar a esse ponto, é preciso ser capaz de entender suas próprias emoções – que não devem ser suprimidas ou ignoradas, mas geridas. Assistir a si mesmo no dia a dia e perceber como você se sente e quais tipos de situação trazem determinadas reações é uma forma de melhorar essa habilidade. Saber, por exemplo, que você tende a ficar alterado com um tipo de cenário pode ajudá-lo a resolver o que causa aquilo e a monitorar ocasiões futuras. A resposta pode ser desde encontrar válvulas de escape, como um hobby, até fazer terapia ou mudar o ponto de vista. Se for difícil perceber onde estão seus pontos frágeis, peça a opinião de pessoas em quem você confia. “É como exercício físico, não dá para fazer um tempo e depois parar, diz Adriana.

FLEXIBILIDADE

“Ser flexível é aceitar o desconhecido, diz Silvana Mello, da Lee Hecht Harrison. Sair da zona de conforto é difícil, mas essencial para ter flexibilidade para encarar coisas novas e mudar de ideia. Tenha em mente que sempre podemos crescer mais, e que para isso precisamos conhecer o novo”, afirma. Fora do trabalho, vale desenvolver essa característica sempre que possível, se colocando em situações diferentes. A experiência diversificada, aliás, o ajudará a perceber quando você deve ser mais firme e quando deve mudar de ideia. Ser humilde em relação ao quanto você mesmo sabe sobre as coisas é importante. “Hoje as pessoas estão muito mimadas e pouco flexíveis”, diz Adriana. “Essa é com certeza uma competência que fará toda diferença nas empresas”. Mostre essa habilidade tendo abertura a opiniões diferentes das suas e mantendo o debate focado em ideias, e não em pessoas. O objetivo deve ser conseguir o melhor para todos – e não ter razão sempre.

COMPROMETIMENTO E EXECUÇÃO

Dificilmente uma pessoa que deixa tarefas para a última hora e não consegue pensar nos resultados chegará ao topo. Mas, muitas vezes, é difícil manter um desempenho consistente, porque isso exige clareza sobre seus objetivos. “Quando você vê no trabalho um meio para atingir um fim, é mais fácil encontrar o comprometimento”, diz Adriana. Se você não cumpre seus prazos com a eficiência e rapidez que deveria, reavalie o que o impede de se envolver com aquela tarefa. Aplique o mesmo comprometimento na vida pessoal: não se atrase para encontros e cumpra sua palavra. Como qualquer hábito, o senso de urgência funciona melhor quando entra na rotina.

ETIQUETA PESSOAL E PROFISSIONAL

“Etiqueta é saber reduzi r a dissonância, a diferença entre você e o ambiente”, diz Roberto Aylmer, da Fundação Dom Cabral. Quando a pessoa lê o ambiente e adota uma postura e linguagem compatíveis, pode ter uma grande força de integração. “É verdade que as primeiras impressões também têm a ver com a forma como nos portamos. Uma pessoa mais gentil passará uma impressão de maior credibilidade, ao mesmo tempo em que uma pessoa supercompetente, mas pouco respeitosa causará uma péssima impressão. O jeito é prestar atenção em quem é admirado, estudar regras de etiqueta e, na dúvida, perguntar aos outros sobre qual a maneira apropriada de se vesti r e de se comportar em certos ambientes.

 RELACIONAMENTO E NETWORK

Saber trabalhar com os outros para um objetivo em comum é requisito básico, não importa a sua posição. Se você não faz ideia de como o que você fala pode ser recebido pelos outros, é mau sinal. “É necessário entender o impacto que causa nas pessoas e não querer sempre que seu desejo prevaleça”, afirma Márcia Portazio, coordenadora do ESPM Carreiras, de São Paulo. E quem tem boa capacidade de relacionamento não faz discriminação e trata do mesmo modo o estagiário e o presidente – com atenção e respeito. Se você não está convencido sobre isso, pense também que as posições hoje podem rapidamente se inverter. O network precisa ser pensado a partir do que você oferecerá para o outro, e não só do que o outro pode trazer a você.

 

COMPETÊNCIAS DE GESTÃO

 EMPREENDEDORISMO

Empreendedorismo está relacionado à forma como enxergamos as coisas. Uma mesma situação pode ser percebida como desafio, como problema ou oportunidade. Para ser empreendedor, é preciso buscar a oportunidade em cada cenário. Isso exige um bom conhecimento de si mesmo e de suas capacidades e entendimento sobre o contexto do negócio e mercado em que você atua. “Estar bem informado e saber buscar vários pontos de vista de forma crítica e analítica são fatores importantes para saber relacionar dados e identificar pontos promissores de atuação, além da abertura ao risco que todo novo empreendimento – seja dentro de uma empresa ou em um novo negócio oferece. Saber conhecer suas limitações também é essencial. “Nem sempre a pessoa tem recursos internos para assumir riscos como um empreendedor”, diz Silvana. Nesses casos, a saída pode ser conseguir tomar decisões articuladas com outras pessoas, que têm uma percepção diferente do risco.

TOMADA DE DECISÃO

Entender como você pensa é importante para melhorar suas decisões. Às vezes, são ideias e medos inconscientes que nos impedem de raciocinar mais claramente, outras vezes são conhecimentos técnicos que nos faltam, e é preciso saber avaliar tudo isso. Por outro lado, ter certeza de quais são seus valores e objetivos é uma ferramenta útil na hora da dúvida entre uma opção ou outra. “Vivemos em um contexto de ambiguidade”, diz Silvana.

Aprender a lidar com o risco de cada decisão e com informações incompletas é cada vez mais necessário, assim como saber usar os recursos que estão à mão. As pessoas à sua volta devem ser suas aliadas. Um líder pode ter em sua equipe pessoas capazes de trazer diferentes lados e informações para complementar uma decisão. “Tem que conversar com os outros e recolher informações, ninguém vai saber absolutamente tudo sobre alguma coisa”, diz Miriam Rodrigues, professora de gestão da Universidade Presbiteriana Mackenzie, de São Paulo.

PENSAMENTO ESTRATÉGICO

Mais do que ter conhecimento sobre vários temas, o pensamento estratégico exige relacionar diferentes informações para definir quais são os pontos mais importantes de determinado cenário. Em um mundo complexo, é fácil se perder em projeções falaciosas, medos coletivos e na quantidade enorme de dados disponíveis. “Não adianta guardar conhecimento para si mesmo. “Trocar informações e conversar com diferentes pessoas ajuda a melhorar o raciocínio”, diz   Miriam. Para desenvolver essas capacidades, reveja a forma como você avaliou situações passadas. O que faltou para ter tido um posicionamento melhor? A experiência é um instrumento poderoso.

NEGOCIAÇÃO

“saber negociar é saber usar em conjunto diversas habilidades”, diz Márcia. Afinal, é preciso saber reunir informações sobre aquele tema, saber ler a outra pessoa, se comunicar, ter certeza de seus objetivos, mas também quando mudar de ideia e, finalmente, tomar decisões coerentes e vantajosas para você. Esse é um conjunto complexo e que exige um cuidado especial ao longo da carreira. Quanto menos desenvolvida essa competência, mais você deve tomar cuidado para estudar antes de cada reunião para ouvir com atenção o que está sendo dito e buscar em mentores a ajuda. “Precisa investir no aprendizado, inclusive de conhecimento acadêmico, para ter uma posição analítica e crítica”, diz Miriam

GESTÃO DE PESSOAS

Essa competência exige uma série de outras habilidades anteriormente desenvolvidas. “Para ser um bom gestor, você precisa saber formar boas equipes, motivar pessoas de diferentes valores e origens e definir um objetivo claro e que dê propósito às pessoas”, diz Adriana. Isso envolve a capacidade de entender os outros, de saber de que tipo de competência e conhecimento você precisa em suas equipes e como usar as informações que os outros trazem a seu favor. Uma pessoa que não consegue ela mesma gerir suas próprias emoções e atitudes dificilmente conseguirá fazer uma boa gestão de equipes. Não há uma única fórmula para isso – diferentes líderes têm diferentes estilos de gestão. Em comum, todos têm a capacidade de unir equipes, vontade de desenvolvê-las e saber usá-las em proveito dos objetivos da empresa.

 

CARDÁPIO DE HABILIDADES

Confira as outras competências apontadas entre os líderes como importantes para o sucesso profissional.

20 Competências essenciais. 2

CONFIABILIDADE

Ter discurso e atitudes coerentes e adotar a mesma postura em relação às pessoas, quer elas estejam presentes ou não.

20 Competências essenciais. 3

AUTENTICIDADE

Sentir-se confortável em sua própria pele e não tentar parecer o que não é. Deixar os outros à sua volta relaxados para se expressarem.

20 Competências essenciais. 4

ÉTICA E MORAL

Conhecer e respeitar as regras dos ambientes em que se encontra e usar o mérito para alcançar os objetivos. Assumir a responsabilidade pelo que faz e por seus erros.

20 Competências essenciais. 5

GESTÃO DE ERROS

Encarar os erros com calma, sem ser muito duro ou displicente consigo mesmo. Saber quando desistir e quando persistir nos objetivos.

20 Competências essenciais. 6

AUTONOMIA E PROATIVIDADE

Fazer o trabalho sem precisar de cobranças e encontrar soluções para os problemas por vontade própria.

20 Competências essenciais. 7

EMPATIA

Ser um bom ouvinte, colocar-se no Lugar do outro e tomar decisões pensando no impacto sobre as outras pessoas.

20 Competências essenciais. 8

CULTURA GERAL E RESPEITO À DIVERSIDADE

Conhecer um pouco sobre diferentes culturas, religiões e orientações sexuais. Não tomar atitudes preconceituosas e conviver com a diversidade.

20 Competências essenciais. 9

VISÃO SUSTENTÁVEL

Entender a escassez de recursos e agir com responsabilidade em relação à sustentabilidade de suas decisões. Tomar decisões que visem a durabilidade do negócio.

20 Competências essenciais. 10 TRABALHO EM EQUIPE

Saber formar equipes com base em competências complementares e se comprometer com os resultados da equipe. Entender e aceitar que outros assumam papéis de liderança.

20 Competências essenciais. 11

VISÃO INOVADORA

Estar sempre atualizado sobre as tendências, o futuro e seu impacto na sociedade e na sua área.

ALIMENTO DIÁRIO

PROVÉRBIOS 27: 23 – 27

Alimento diário

A RECOMPENSA DA PRUDÊNCIA

 

V. 23-27 – Aqui temos:

I – Uma ordem que nos é dada, para sermos diligentes em nossos deveres. Ela é dirigida aos agricultores, e pastores, e aos que lidam com o gado, mas deve ser estendida a todas as outras atividades lícitas; devemos nos dedicar ao nosso trabalho, qualquer que seja, ao ar livre ou não. Esta ordem sugere:

1. Que devemos ter alguma atividade neste mundo e não viver em ociosidade.

2. Nós devemos entender plenamente e corretamente o nosso trabalho, e saber o que devemos fazer, e não nos envolver com aquilo que não entendemos.

3. Nós devemos cuidar dele pessoalmente, e não entregá-lo aos cuidados dos outros. Nós devemos, com nossos próprios olhos, inspecionar a condição dos nossos rebanhos, é o olho do Senhor que os engorda.

4. Devemos ser discretos e atenciosos na administração do nosso trabalho, conhecer a situação das coisas, e cuidar delas, para que nada se perca, que nenhuma oportunidade se perca, mas tudo seja feito no tempo apropriado e em ordem, de modo a obtermos a maior vantagem com esse trabalho.

5. Devemos ser diligentes e esforçados; não somente nos sentar e planejar, mas nos levantar e fazer: “Põe o teu coração sobre o gado”, como alguém que cuida deles: põe as tuas mãos, os teus ossos, no teu trabalho.

 

II – As razões para esta ordem. Considere:

1. A incerteza das riquezas do mundo (v. 2-1): “As riquezas não duram para sempre”.

(1) Outras riquezas não duram tanto quanto estas: cuida dos teus rebanhos e do teu gado, da tua terra no campo. e dos animais sobre ela, pois estas coisas são de primeira necessidade que, em uma sucessão, durarão para sempre. ao passo que as riquezas do comércio não o serão: a própria coroa, talvez, não permaneça tão assegurada à tua família como os teus rebanhos e o teu gado.

(2) Mesmo estas riquezas decairão, se não forem bem cuidadas. Se um homem tivesse uma abadia (como dizemos), e fosse esbanjador e preguiçoso, poderia destruí-la. Até mesmo a coroa e as suas rendas, se não forem bem cuidadas. sofrerão danos, e não continuarão de geração em geração sem uma boa administração. Embora Davi tivesse a coroa transmitida à sua família, ainda assim cuidava bem dos seus rebanhos (1 Crônicas 27.29,31).

2. A generosidade da natureza, ou melhor, do Deus da natureza, e a sua providência (v. 25): o feno (ou a erva) aparece. No cuidado dos rebanhos e do gado.

(1) Não há necessidade de grande esforço. não é preciso arar nem semear; o alimento para eles é o produto espontâneo do solo; não tens nada para fazer. senão levá-los ao campo no verão, quando a erva se molha e ajuntar as ervas dos montes para eles no inverno. Deus fez a sua parte; serás ingrato para com Ele, e te recusarás injustamente a servir a sua providência. se não fizeres a tua parte.

(2) Há uma oportunidade a ser observada e aproveitada, uma época em que o feno aparece: mas, se deixares escapar este momento, os teus rebanhos e o teu gado sofrerão por isto. Quanto a nós, também devemos, pelo nosso gado, trabalhar como a formiga, providenciando, no verão, o alimento necessário.

3. O benefício da boa administração em uma família; Guarda as tuas ovelhas, e as tuas ovelhas ajudarão a te guardar; terás alimento para os teus filhos e servos, bastante leite de cabras (v. 27); e o suficiente é tão bom quanto um banquete. Da mesma maneira, terás vestes; a lã dos cordeiros será para tuas vestes. Terás dinheiro para pagar teu aluguel; os bodes que terás que vender serão o preço do teu campo; ou, como alguns interpretam: tu te tornarás um comprador, e comprarás terras para deixar aos teus filhos. (v. 26). Observe:

(1) Se tivermos comida e vestes, e recursos para dar a cada um o que lhe é devido, teremos o suficiente, e não somente deveremos ficar satisfeitos, mas agradecidos.

(2) Os chefes de família devem prover, não somente para si mesmos, mas para suas famílias, e cuidar para que seus servos tenham um sustento apropriado.

(3) Comida simples, e roupas simples, se atenderem às nossas necessidades, deverão ser aquilo que deveremos almejar. Considera-te bem-sucedido se te vestires com roupas feitas em casa, com a lã das tuas próprias ovelhas, e se te alimentares com leite de cabras; que sirva como teu alimento o que serve para sustento da tua casa e para sustento das tuas criadas. Não desejes delícias e manjares, vindos de longe e de preço elevado.

(4) Deve nos encorajar a sermos cuidadosos e esforçados em nossas atividades o fato de que isto trará o sustento suficiente para nossas famílias; comeremos o trabalho de nossas mãos.