A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL

A conexão virtual tem o poder de influenciar governos e definir destinos de nações inteiras em um plano psicológico sem limites para a mediocridade humana.

Inteligência artificial

Quando Alan Turing, personagem central na vitória dos aliados contra os países do eixo, forjou as bases do que viria a ser a computação, pouco se podia imaginar quanto a seus desdobramentos. A computação e, com ela, a internet passaram a fazer parte do cotidiano. Rapidez na comunicação, aplicativos de todos os tipos, supercomputadores, robotização. A evolução da eletrônica, somada a isso, certamente coloca num patamar central a internet. O mundo ficou pequeno. A globalização, tanto demonizada no governo atual, viabilizou-se nos fatores mencionados.

Na ótica de uma coevolução da ciência e cultura vigentes, há uma inquietação: irão as máquinas adquirir consciência e estabelecer dominação sobre a espécie humana?

A teoria da complexidade e do fenômeno emergente postula que a interação de múltiplos agentes pode resultar num produto final que é maior que a simples somatória das partes. A inteligência (consciência) humana poderia assim ser “compreendida” como sendo a emergência de algo que “não estava lá” anteriormente nos neurônios, agentes simples. A conexão e interação seriam os determinantes.

Poderiam a internet e a rede de computadores desenvolver uma forma de autoconsciência e chegar a uma revolução das máquinas? “Qualquer tecnologia suficientemente avançada é indistinguível da magia”, uma das três leis de Clark!.

O desenvolvimento tecnológico, a automação o fenômeno emergente certamente levam a pensar numa autonomia das máquinas. Paradoxalmente, também mobilizam em nós o animismo e o pensamento mágico, embrionário em todo psiquismo. Daí a questão: a preocupação com a autonomia das máquinas tem um determinante objetivo, factual, ou também subjetivo?

A internet, com sua velocidade e abrangência de comunicação, gerou um fenômeno de massa com poder para influenciar governos e definir destinos de populações. Também é campo fértil para manifestações do que há de mais destrutivo, “sem limites”, num plano psicológico.

A julgar pelo lado negativo da internet, em particular sua virulência, devemos temer na verdade os usuários da rede que revelam-se sem alma, sem identidade, apenas como operadores compulsivos. Os membros da comunidade isolada e solitária daqueles que se perderam pelo caminho e tornaram-se robotizados, máquinas humanas.

 

NICOLAU JOSÉ MALUF JR. – é psicólogo, analista reichiano, doutor em História das Ciências. Técnicas e Epistemologia (HCTE/UFRJ). Contato: nicolaumalufjr@gmail.com

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OUTROS OLHARES

A ARTE DE PREVER O FUTURO

Como funciona o design fiction, técnica que usa a narrativa de ficção científica para criar outras realidades e incentivar a inovação nas empresas.

A arte de prever o futuro

Um mundo povoado por carros voadores ainda precisaria de um fabricante de pneus? Essa pergunta vale US$ 4,1 bilhões para a Goodyear, o seu atual valor de mercado. Por isso, a empresa americana aperfeiçoa o Aero, protótipo de pneu equipado com uma hélice propulsora capaz de movimentar veículos em vias terrestres e no ar. Também de olho no amanhã, a montadora japonesa Toyota anunciou neste mês que trabalha na construção de um carro elétrico com potencial de rodar 10 mil quilômetros na superfície da lua e auxiliar os astronautas em missões espaciais. O veículo deve estar disponível em 2029. Dez anos.

Esse é o horizonte de tempo mínimo que as empresas consideram para montar um cenário futuro e entender os rumos do mercado em que atuam para se adiantarem às demandas. Até pouco tempo, esse exercício era feito por meio de relatórios nos quais as consultorias apontavam as tendências e guiavam a estratégia das companhias. Agora, esse treino está mais palatável, com a utilização do design fiction. Essa ferramenta da futurologia utiliza narrativa ficcional para dar vida a novas realidades e auxiliar as empresas a entender como podem ser úteis nesse potencial amanhã. “Isso engloba avaliações de aspectos geopolíticos e de mudança social”, diz Cesar Taurion, sócio e especialista em transformação digital da Kick Ventures.

A Embraer é uma das primeiras companhias brasileiras a adotar a técnica com intuito de incentivar uma visão de futuro entre seus colaboradores. Para isso, os engenheiros foram convidados a criar um roteiro de ficção no qual imaginaram o futuro da aviação a partir de notícias reais, que serviram de base para as especulações sobre o setor. “A imersão foi completa. Os colaboradores também representaram os personagens que criaram. A atividade deu origem a três curtas-metragens”, diz Lídia Zuin, diretora de inovação da Up Lab, laboratório de projetos transmídia que promoveu, com parceiros, a atividade.

A arte de contar histórias usando técnicas de roteiristas e escritores do universo ficcional começa a ser adotada pelas grandes empresas para suprir a necessidade de melhorar a comunicação com os funcionários. O método incentiva os colaboradores a criar empatia pelos conceitos de novos produtos. Mas não só. Não dá para esconder o fato de que as áreas de P&D (Pesquisa e Desenvolvimento) das empresas não conseguem mais dar conta, sozinhas, de tanta inovação em alta velocidade em todos os segmentos.

“Em 99% dos casos, a técnica é usada para incentivar a inovação entre os colaboradores”, diz Ari Popper, presidente da Scifutures, umas das empresas americanas pioneiras em prestar esse serviço. De acordo com Popper, as empresas começaram a adotar tais exercícios com mais frequência há cerca de cinco anos. Nesse período, a Scifutures coleciona grandes clientes em seu portfólio, como a Visa, cujo projeto foi a construção de um carro interativo pra demonstrar aos funcionários de que maneira os pagamentos móveis em transporte particular podem funcionar no futuro. A Pepsi quis recriar um mundo sem garrafas plásticas. A Ford, por sua vez, se apropriou da narrativa para vislumbrar uma sociedade que não compra, e sim compartilha carros. Esses exercícios podem resultar em um roteiro de ficção, filme, programa interativo ou protótipo. “À medida que os colaboradores conseguem suspender a descrença de potenciais fracassos, há mais espaço para a criatividade”, diz Zuin.

Os itens clássicos da ficção científica são imaginários. E justamente por essa característica incentivam a inventividade. Tanto que muitas das invenções que fazem parte da nossa rotina, como o smartphone, apareceram primeiro em livros ou no cinema. “Na ficção, os produtos não recebem feedback nem ações judiciais”, escreve em um manifesto o americano Bruce Sterling, um dos mais respeitados autores de ficção científica, que cunhou o termo “design fiction” em 2005. A Uber já pensa em cidades povoadas por carros voadores, por isso está criando uma narrativa para prospectar o potencial lançamento de sua frota, de acordo informações da Amy Gibbs, sócia da PwC, num relatório sobre o uso da técnica para explorar a inovação nos negócios. O investimento para a criação desses exercícios não é baixo. “Nos Estados Unidos, os workshops custam, em média, US$ 45 mil”, diz Popper, da Scifutures. “Mas isso depende, pois é um serviço altamente customizado”.

A arte de prever o futuro. 2

EXPERIÊNCIAS TAMBÉM NA ARTE

Técnicas do design fiction não são utilizadas apenas por empresas. Nas artes, a ideia é ser o oposto do uso corporativo. A pesquisadora e artista brasileira Luiza Prado, fundadora de A Parede”, consultoria de design em educação baseada em Berlim, lançou em 2014 um exercício sobre o futuro político do Brasil chamado “Brasil, julho de 2038”. Por meio dele, a artista imagina as consequências que a sociedade brasileira iria enfrentar na situação hipotética de o País ser governado por uma coalizão partidária altamente conservadora e neoliberal. A partir dessa suposição, ela simula a timeline de uma rede social com notícias fictícias. A ficção termina em2038, depois que um grupo de justiceiros invade um campus universitário e mata 33 pessoas. “No nosso trabalho, fazemos questão de distanciá-lo dos interesses do mercado”, diz Luiza Prado.

GESTÃO E CARREIRA

OS LÍDERES E OS ROBÔS: DESAFIOS DE UMA NOVA ERA

O uso de novas tecnologias tem despertado um lado maniqueísta em grande parte das pessoas: amor ou ódio, fim ou começo, avanço ou retrocesso, desespero ou salvação. Em meio ao ambiente cada vez mais ”8 ou 80 discussões a respeito do papel das pessoas em uma sociedade mais centrada em dados também são levantadas: afinal, todos teremos empregos? É necessário ter uma renda universal para as funções extintas? Como viverão as sociedades do futuro?

Os líderes e os robôs - desafios de uma nova era

Essa relação aparentemente invisível entre humanos e robôs pode levar, à primeira vista, a um entendimento de que seu impacto será restrito às funções de produção. Isso está longe de ser verdade. Até 2025, robôs devem estar presentes até mesmo nos conselhos administrativos de grandes empresas, segundo pesquisa do Fórum Econômico Mundial.

Gerenciar um robô ou ter uma máquina desse tipo colega de trabalho pode até causar estranhamento. E isso tende a ficar ainda mais complicado se pensarmos que, no futuro, poderemos ser liderados por sistemas de inteligência artificial. Embora a ideia pareça distante, cabe aqui considerar as principais atividades de um gestor: usar dados para analisar problemas e tomar decisões; monitorar a performance da equipe; determinar metas; dar feedback. Todas essas atividades já podem ser desempenhadas de maneira individual por sistemas em operação. E com alguns pontos positivos: evitam-se confrontos de personalidade e os feedbacks são mais objetivos e imparciais.

Um exemplo claro de como isso pode acontecer está no recrutamento e seleção. Hoje, a tecnologia pode ajudar as lideranças a reunirem dados que tracem o perfil dos funcionários e os comportamentos que melhor se adaptem à organização. Isso traz agilidade na hora de selecionar candidatos e direcionar treinamentos específicos para esses jovens.

Os robôs colaborativos, também conhecidos como Cobots, são cada vez mais utilizados para aumentar a eficiência e produtividade. Diferentemente de outros robôs industriais, que ficam em áreas restritas, estes são desenvolvidos para trabalhar com seus correspondentes humanos, com técnicas de segurança que eliminam a necessidade de barreiras entre os trabalhadores e o robô.

Cabe destacar que, amparados na tecnologia, também surgirão novos perfis, mercados e negócios onde os profissionais poderão se desenvolver – e que nos levarão, no longo prazo, a uma redefinição ou até mesmo ampliação de postos de trabalho, mostrando que a robotização não implica na redução ou desaparecimento da oferta de emprego.

Mesmo com todos esses benefícios, é necessário lembrar que a convivência profissional entre máquinas e seres humanos poderá trazer desafios. Estudos no campo da computação afetiva, setor da robótica que analisa os estados emocionais dos seres humanos para que as máquinas respondam adequadamente a eles, demonstram que a relação entre humanos e robôs será mais completa do que aquela que temos com nossos computadores.

Em suma, o momento pede dedicação e cautela ao adotar a robotização no ambiente de trabalho. Ainda há muitos benefícios e desafios a serem explorados por diversos setores em muitas funções e cargos. Para além de uma visão de “certo” e “errado”, é necessário pensar que essa convivência vai existir. E descobrir como viver nesse novo ambiente é uma tarefa essencial para os profissionais dos próximos anos – especialmente os líderes.

ALIMENTO DIÁRIO

PROVÉRBIOS 27: 20 – 22

Alimento diário

MÁXIMAS DIVERSAS

 

V. 20 – Duas coisas são mencionadas como insaciáveis, e são duas coisas semelhantes – a morte e o pecado.

1. A morte é insaciável. A primeira morte, e a segunda morte, ambas. A sepultura não está saturada com a multidão de cadáveres que diariamente são atirados a ela, mas continua sendo um sepulcro aberto, e clama, Dá, dá. O inferno também foi dilatado, e ainda tem lugar para os espíritos condenados que são enviados a esta prisão. O inferno é profundo e amplo (Isaias 30.33).

2. O pecado é insaciável. Os olhos dos homens nunca estão satisfeitos, nem os apetites da mente carnal, com relação ao lucro ou prazer. O olho não se satisfaz em ver, nem aquele que ama a prata se satisfaz com a prata. O homem trabalha por aquilo que sacia, mas não satisfaz; na verdade, é insatisfatório; esta perpétua insatisfação faz com que os homens sejam, com razão, condenados, desde que os nossos primeiros pais não se satisfizeram com todas as árvores do Éden, mas precisaram se envolver com a árvore proibida. Aqueles cujos olhos estão sempre voltados para o Senhor estão satisfeitos nele, e para sempre estarão.

 

V21 – Aqui temos um critério pelo qual podemos nos colocar à prova. O ouro e a prata são provados, colocando-os na fornalha e no crisol; já o homem é provado pelos louvores. Que ele seja elogiado e honrado, e logo mostrará o que realmente é.

1. Se um homem se tornar, pelo aplauso que lhe é dado, soberbo, convencido, arrogante e escarnecedor – se tomar para si mesmo a glória que deveria transmitir a Deus, como fez Herodes – se, quanto mais ele é louvado, mais descuidado é, em tudo o que fala e faz – se fica na cama até o meio-dia, porque o seu nome é exaltado – mostrará ser um homem tolo e fútil, e um homem que, ainda que seja louvado, não tem nada em si mesmo que seja digno de elogios.

2. Se, ao contrário, um homem se tornar, pelo seu louvor, mais agradecido a Deus, mais respeitoso com seus amigos, mais vigilante contra tudo o que poderá manchar a sua reputação, mais diligente em se aprimorar e fazer o bem aos outros, para que possa atender às expectativas de seus amigos, com isto mostrará ser um homem sábio e bom. Tem um bom temperamento aquele que sabe como passar por más avaliações e boas avaliações, e ainda permanece o mesmo (2 Coríntios 6.8).

 

V. 22 – Salomão tinha dito: ”A estultícia está ligada ao coração do menino, mas a vara da correção a afugentará dele” (Provérbios 22.15). Então a mente deverá ser moldada, enquanto os hábitos maldosos ainda não criaram raízes; mas aqui Salomão nos mostra que, se isto não for feito, então, na devida ocasião, a seguir será quase impossível fazê-lo. Se a doença estiver arraigada, há o perigo de que seja incurável. “Pode o etíope mudar a sua pele?” Observe:

1. Alguns são tão perversos que necessitam do uso de métodos cruéis e severos, depois que métodos gentis foram tentados em vão; eles devem ser pisados. Deus adotará este método com eles, por seus juízos; os magistrados devem adotar este caminho com eles, pelo rigor da lei. A força deve ser usada com aqueles que não desejam ser governados pela razão, pelo amor, e pelos seus próprios interesses.

2. Alguns são tão incorrigivelmente perversos que nem mesmo os métodos cruéis e severos alcançam o seu objetivo; a sua tolice não se afasta deles, tão completamente seus corações estão dedicados a fazer o mal; eles se encontram frequentemente sob a vara, e ainda assim não se humilham, na fornalha, e não se purificam, mas, como Acaz, transgridem ainda mais (2 Crônicas 28.22); e o que lhes resta, se não ser rejeitados como prata rejeitada?