A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

RESILIÊNCIA A FAVOR DAS RELAÇÕES

A superficialidade ganha cada vez mais adeptos nos dias de hoje, mas ter um companheiro(a) ainda é um dos maiores desejos da humanidade. Como lidar com esse paradoxo?

Resiliência a favor das relações

Como escreveu o filósofo Zigmunt Bauman (2004), vivemos em uma sociedade líquida, na qual as coisas, em sua maioria, são “impermanentes”. Estamos em tempos de amores líquidos, em que nas últimas décadas criaram-se novos termos e designações para os tipos de relacionamento: “ficar” ,    “relacionamento aberto”, “poliamor”, “crush”, “pegação”, entre outras nomenclaturas. Deseja-se o amor, mas busca-se o prazer imediato. As pessoas procuram avidamente um relacionamento, mas quando surge um pequeno problema, geralmente, não encontram condições internas para resolvê-lo. Por falta de condições ou por escolha, as relações são descartadas, reiniciando-se a busca por outro parceiro.

O conceito de resiliência começou a ser empregado nas ciências socais há poucos anos. Em alguns setores das ciências exatas e biológicas, refere-se à propriedade e resistência dos materiais. Mas o que é resiliência? O quanto ela contribui para a manutenção de relações saudáveis?

A psicóloga argentina Edith Grotberg, pesquisadora do Instituto de Estudos de Saúde Mental da Universidade George Washington, é apontada como uma das mais importantes pesquisadoras do tema resiliência no âmbito social e psíquico. Ela sintetiza assim o conceito: ”É a capacidade universal que uma pessoa, grupo, ou comunidade previna, minimize ou supere os efeitos nocivos das adversidades”.

Na área da Psicologia e da Psicanálise, de forma geral, podemos considerar que a infância é terreno fértil para o estabelecimento de saúde mental ou ausência dela. Segundo o psicanalista Winnicott, desde o nascimento, as boas condições ambientais vividas pelo bebê são determinantes para a estruturação do equilíbrio emocional do indivíduo. Fazendo uma comparação, grosso modo, poderíamos pensar que os primeiros meses de vida da criança são como a primeira etapa da construção de uma casa. A fase inicial é uma das mais importantes, pois é quando são construídas as fundações e os alicerces que vão garantir sua estrutura sólida e firme para suportar todo o restante da obra. Poderíamos afirmar que quanto mais favorável os primeiros cuidados, vínculo e o ambiente que o bebê se desenvolve, provavelmente mais forte será sua psique para enfrentar a vida e suas vicissitudes.

A quantidade de afeto recebida será sempre a principal matéria-prima para tornar uma pessoa resiliente, mesmo que as situações sociais sejam desfavoráveis. Os eventos traumáticos que podem ocorrer durante a vida também impactam o desenvolvimento e podem provocar uma fixação, estacionando o processo de amadurecimento e a capacidade de elaboração, superação e adaptação. Dentro dos fatores que podem impactar a saúde mental destacamos: violência familiar, rupturas de vínculos parentais, doenças, dependência e abuso de álcool e drogas pela família e pelo indivíduo. Os fatores de desenvolvimento iniciais combinados com os sociais, familiares e culturais vão determinar a capacidade de resiliência do indivíduo.

A pesqt1isadora canadense Martineau (1999) atribui o conceito de resiliência de forma geral, tanto para as pessoas que mantêm relações apesar dos problemas como para aquelas que conseguem terminar com mais facilidade seus relacionamentos disfuncionais. Muitos aspectos favorecem para a manutenção de vínculos duradouros e saudáveis, principalmente no campo amoroso. Além da saúde mental, destaco também a capacidade de respeitar e aceitar as diferenças, escuta, autoestima, empatia, tolerância, autoconhecimento, entre outros. Na situação clínica é comum encontrarmos pacientes vulneráveis e desestruturados, com depressão severa devido ao término de um relacionamento. Na ocorrência de transtorno de personalidade borderline, que tem como um dos principais sintomas justamente a incapacidade de resiliência, as tentativas de suicídio são frequentes, quando ocorrem ameaças de abandono ou rompimento de vínculos.

Precisamos de muita saúde e maturidade para manter vínculos, tanto como para rompê-los. Quando se trata de indivíduos e relacionamentos, não podemos pensar em scripts rígidos para situações pessoais, nem julgar e estabelecer o que é razoável suportar dentro de uma relação em nome de sua manutenção. Podemos considerar patológicos tanto a insistência em manter ligações disfuncionais por um grande período de tempo como romper vínculos por situações corriqueiras. A nossa sociedade atual, na qual os relacionamentos virtuais ganham cada vez mais espaço e adeptos, acaba por privilegiar a superficialidade dos encontros. Através de aplicativos ou redes sociais, os contatos iniciais são facilitados. Sem esforço para conhecer alguém e iniciar uma conversa, basta um toque na tela. As pessoas têm centenas de opções, o que pode dificultar a escolha, iniciando uma busca pela perfeição e o melhor candidato(a). Esse formato pode gerar a tendência de se descartar relações que estão apenas no início ao surgimento da menor dificuldade. Como um cardápio, rapidamente se escolhe outra pessoa que se adapte ou se encaixe melhor nas expectativas, muitas vezes irreais. Isso leva as pessoas a desistirem de uma forma precoce ao estreitamento do vínculo, ou desistem dos vínculos com a mesma rapidez que os fazem. Essa superficialidade também denota a ausência de resiliência do indivíduo.

Verdade que o conceito de resiliência tem que ser mais profundamente estudado. O que explicaria, por exemplo, pessoas que cresceram em situações caóticas e tiveram perdas significativas superarem com rapidez suas aflições? A tendência é cada vez mais focar na saúde e prevenção, e não só nas patologias do desenvolvimento emocional. Muitas pesquisas nessa área selecionam esse tipo de indivíduos para entender os fatores de proteção da psique e trabalhar cada vez mais para reproduzi-los, principalmente na área da educação e saúde mental infantil.

 

ELAINE CRISTINA SIERVO – é psicóloga, Pós- graduada na área Sistêmica – Psicoterapia de Família e Casal pela PUC-SP. Participa do Núcleo de Psicodinâmica e Estudos Transdisciplinares da SBPA (Sociedade Brasileira de Psicologia Analítica). Atuou na área de dependência de álcool e drogas com indivíduos, grupos e famílias.

 

OUTROS OLHARES

INFÂNCIA À DERIVA

O acompanhamento psicológico em caso de graves conflitos parentais que levam à disputa pela criança ou adolescente é importante para o desenvolvimento saudável e equilibrado.

Infância à deriva

É muito comum observar crianças e adolescentes adoecidos, confusos e/ou melancólicos quando    convivem rotineiramente com o conflito aberto ou velado entre seus pais. Isso fica ainda mais evidente no momento em que estes ingressam em um processo litigioso; ou ainda pela disputa da guarda.

Embora a briga seja muitas vezes motivada pelo desejo de “posse” da criança, não é isso que se percebe quando se está diante de uma história escrita em um processo judicial, e, principalmente, quando se escuta e se esmiúça tecnicamente a dinâmica familiar dos envolvidos.

O que se observa é que durante essa disputa a criança é na maioria das vezes, pasmem, a última a ser de fato percebida pelos próprios pais, no sentido emocional, embora seja dito o contrário, tamanha briga narcísica parental em meio a muito barulho e dispersão. Esses pais estão sofrendo tanto que não podem perceber o estrago que causam.

Escutar essas famílias requer habilidade, sensibilidade e destreza, pois não se busca culpado, e sim o sentido de responsabilização de cada um dos envolvidos pela situação ter chegado ao momento atual, além disso, preservar o melhor interesse da criança e/ou adolescente.

Cabe assinalar que as animosidades veladas tanto quanto as discussões abertas são amplamente sentidas pelas crianças; mesmo que elas não tenham visto ou nada tenha sido dito a elas, existe o inconsciente.

É muito comum observar que alguns adultos ignoram a vida mental de uma criança, ou seja, acreditam verdadeiramente que ela não percebe o que acontece em seu entono familiar.

A criança tudo vê e sente, apenas não pode compreender o que está ocorrendo ou nomear. E diante desse cenário, irá sentir medo, angústia e poderá ficar mais ansiosa, mais aflita, se sentir abandonada ou ameaçada de abandono, e muitas outras sensações que podem ser potencializadas a partir de um lar confuso e caótico, consequência da inabilidade parental para lidar com os conflitos. Essa é a grande dificuldade da criança, a incompetência psíquica devido ao ego incipiente, ou principiante. E uma das funções dos pais a tarefa de ajudar a decodificar e organizar dentro dela própria aquilo que ela colhe através de sua percepção, isto é, ajudá-la a compreender o que ela vê, o que ela sente, o que ela experimenta.

Ocorre que dotadas de inteligência, da percepção do clima emocional familiar e principalmente de seu inconsciente, essas crianças captam a animosidade como pequenas esponjas. Isso quer dizer que as sensações, os sentimentos, as ideias ficam arquivados em seu mundo mental, e certamente em algum momento da vida poderão eclodir. A experiência em perícia psicológica revela muitas vezes a decadência da parentalidade positiva baseada na confiança e segurança para a criança, ainda que seja essa a única forma de relação que esse ex-casal, agora somente pais, deveria ter. Refiro-me à relação parental. Nota-se que a quebra do contrato conjugal pode levar junto a possibilidade de uma boa relação entre os pais em benefício da prole. Abrindo uma possibilidade nua e crua de ruína das funções parentais, e isso é terrível para os filhos.

É na tentativa de evitar maior mistura dessas relações e dessas funções, bem como minimizar conflitos e otimizar o diálogo, que pode ser utilizado o encaminhamento de crianças e adolescentes que estejam passando por processos de perícia psicológica, quando estes são motivo de disputa, para acompanhamento com o psicólogo clínico ou psicanalista. Repare que com essa ação se abre um espaço para colocar essa criança em terapia com orientação aos pais. Encaminhar ao tratamento psicológico é dar à criança a possibilidade de um novo sentido, a oportunidade de ser escutada como sujeito em seu conflito íntimo separado do conflito de seus pais.

É dar a ela a alternativa de pensar, de questionar, de entrar em contato com seu mundo emocional, e a partir disso se fortalecer psiquicamente para que o conflito parental não a fragilize ou a incapacite. É ajudá-la a se revigorar diante do caos.

Para a criança, compreender que seus pais, aquelas pessoas que deveriam ser de sua confiança plena e restrita, e que por isso seriam os responsáveis pelo zelo e proteção, divergem a tal ponto que um deles deve ter o convívio restringido, é bastante complexo para o mundo mental dela. A criança simplesmente não possui condição psíquica para essa compreensão. Ela fica mobilizada com a situação dos pais e dela própria, imobilizada emocionalmente e sem parâmetro quando seu duplo referencial – pai e mãe – falha nessa função parental; isso a deixa simplesmente à deriva, sem comandante no navio.

É pensando por esse viés que a escuta clínica de um psicanalista ou psicólogo que tenham também compreensão da Psicologia Jurídica poderá ser de grande alívio emocional para o desenvolvimento psíquico dessas crianças, favorecendo a saúde mental e dando uma nova chance para um crescimento mais saudável e com novas alternativas.

 

RENATA BENTO – é psicóloga, especialista em criança, adulto, adolescente e família. Psicanalista membro da Sociedade Brasileira de Psicanálise do Rio de Janeiro. Perita em Vara de Família e assistente técnica em processos judiciais. Filiada à IPA – internacional Psychoanalytical Association. à Fepal – Federación Psicoanalítica de América Latina e à Febrapsi – Federação Brasileira de Psicanálise.renatabento.psi@gmail.com

GESTÃO E CARREIRA

COMO A FELICIDADE INFLUENCIA NO AMBIENTE DE TRABALHO

A velocidade e evolução do mundo moderno refletem-se no comportamento das empresas e, por consequência, apontam novas tendências nas relações de trabalho, que precisam se adaptar.

Como a felicidade influencia no ambiente de trabalho

O mundo está em constante evolução, assim como as empresas. Mas então por qual motivo, nos últimos anos, essas mudanças afetam de maneira mais intensa as pessoas e suas organizações do que antigamente? Simples, as mudanças atualmente estão cada vez mais velozes e acabam atropelando a maioria das empresas, e, por consequência, seus colaboradores, que têm seu gerenciamento baseado em modelos arcaicos e, por vezes, obsoletos.

O advento da tecnologia nos trouxe uma enormidade de diferentes possibilidades de trabalho. Tanto que o home office virou uma maneira corriqueira em muitas empresas, principalmente nas denominadas startups, termo em inglês que surgiu nos EUA no final dos anos 90 e que foi massificado no Brasil após a difusão da internet. Esse modelo de negócio é formado por um grupo de pessoas com ideias inovadoras, escaláveis e com custos iniciais baixos.

Em uma pesquisa realizada pelo Chartered Institute of Personnel and Development (CIPD), apenas metade das empresas está preocupada com o bem-estar de seus funcionários, e dentre elas em torno de 30% incluem o estresse como maior causa de afastamentos no trabalho. Na contramão desses dados, as startups nascidas no Vale do Silício, EUA, e que se tornaram grandes empresas como Google e Linkedln, trouxeram um novo olhar sobre o trabalho que prioriza a qualidade de vida de seus colaboradores.

Para a nova geração, os millennials, que está adentrando no mercado de trabalho, o mais importante em uma empresa é que o fit cultural esteja de acordo com suas aspirações, ou seja, que as características daquela organização como missão, visão e valores sejam coerentes com o propósito de vida deles.

Atualmente, em sites como 99jobs é possível saber se a empresa se adequa às suas expectativas. Durante o cadastro, o candidato responde algumas perguntas de um questionário que traz um resumo de seus principais valores no trabalho. Assim, ele conseguirá saber em quais empresas a compatibilidade é mais próxima a seu perfil. E, por consequência, encontrar um trabalho que o faça feliz.

Qual o motivo dessa busca pela felicidade no trabalho? Em 2016, o Gallup divulgou uma pesquisa que nos mostra que, nos EUA, apenas um terço dos trabalhadores está engajado em seu emprego. Há uma distância entre o que eles querem fazer e o que realmente desempenham em sua função. Ademais, 91% afirmaram que deixaram a empresa anterior para buscar o que realmente lhes traga felicidade.

Com isso, podemos entender que funcionário infeliz custa muito à empresa, não só pelo baixo rendimento, mas também devido ao fato da alta rotatividade, gerando custos tanto das rescisões quanto dos processos seletivos constantes.

Adiante, seguirão algumas melhores práticas que podem ajudar líderes a melhorar a cultura empresarial, aumentando o engajamento dos funcionários, diminuindo o turnover e disseminando a felicidade no ambiente de trabalho.

MUDANÇA DE VISÃO

Utilize o engajamento como força motriz aproveitando a geração Y. Os millenials, jovens que hoje têm entre 23 e 38 anos, mudaram totalmente a forma de enxergar o trabalho dentro das organizações. Para essa geração, o que realmente importa é quão relevante e gratificante será sua ocupação. Muitos migram para novos desafios assim que percebem que estão desengajados.

Para que um colaborador vista a camisa da empresa há algumas necessidades que precisam ser supridas: equilíbrio entre a vida pessoal e profissional, flexibilização de horários etc.

Comece fazendo um levantamento dos motivos pelos quais seus colaboradores se ausentam do trabalho. Entender as possíveis causas de estresse e absenteísmo pode ajudar o líder a tomar atitudes que estimulem o bem-estar e aumento de engajamento.

Em seu livro Florescimento na Prática: Semeando Experiências Positivas, Flora Victoria, presidente da SBCoaching, nos diz que o engajamento e a utilização das forças e virtudes de um indivíduo permitem que ele atue com suas melhores características, sendo elas:

1- Conheça o perfil de seu colaborador; sites como o Via Institute on Character, possuem uma pesquisa gratuita que o ajudará a entender as características de cada indivíduo;

2- Busque os pontos fortes de cada colaborador e concentre-se neles;

3- Mostre a eles que seu trabalho é importante e que seus valores integram o todo e fazem a diferença na equipe.

Um estudo feito em 2006 pela Universidade de Drexel nos diz que o engajamento nas empresas pode beneficiar outras áreas da vida do indivíduo sem causar estresse, desde que o ambiente seja favorável e que relacionamentos positivos sejam mantidos.

Quando temos pares em quem nos espelhamos automaticamente há um aumento de motivação e empatia mútua, favorecendo a criatividade, a gratidão e até um aumento na expectativa de vida.

AUMENTO DE PERFORMANCE

Manter um bom ambiente de trabalho é importante. Para a Psicologia Positiva, florescer é um conceito de felicidade e bem­ estar mais amplo. Ele é alcança­ do no momento em que estamos repletos de emoções positivas e mantendo o bem-estar psicológico e social. Consequentemente, quando atingimos esse estagio temos um visível aumento de performance. Substitua comportamentos e hábitos ruins que geram desconforto entre a equipe por ações que promovam o bem-estar e desenvolvam a resiliência.

Segundo Vadim Rotenberg, psicofisiologista israelense, pessoas que são mais otimistas possuem uma memória melhor e se portam melhor frente a novos desafios. Esses dados foram baseados em estudos de neuroimagens ao longo das últimas décadas.

É como manter as pessoas felizes em seu ambiente de trabalho?

1- Transparência é fundamental. Empresas que divulgam sua cultura e participam de sites como Love Mondays e 99jobs têm mais chance de encontrar colaboradores que vão ao encontro de sua missão, visão e valores.

Quanto mais próximo o funcionário está culturalmente da empresa, menor a possibilidade de turnover. Com a retenção de talentos, a empresa economiza em gastos com processos seletivos, treinamentos e demissões.

Da mesma maneira, a sinergia será muito maior, desencadeando a alta performance da equipe, com obtenção de melhores resultados que impactarão diretamente nos lucros da instituição.

2 – Flexibilidade é a palavra­ chave. Atualmente as pessoas dão mais valor às empresas que permitem um horário de trabalho flexível, o velho “horário comercial” está com seus dias contados. Poder comparecer em um compromisso particular importante sem comprometer o horário de trabalho estimula e motiva os colaboradores.

Em 2016, 43% dos funcionários trabalharam longe de sua equipe pelos menos uma vez por semana. Houve um aumento de quatro pontos percentuais se comparado a 2012. Curiosamente, as empresas tidas como mais tradicionais, como bancos e fintechs, foram as maiores responsáveis por esse aumento, seguidas por transportes e construção.

3 – É fundamental ter bons líderes na equipe. Em alguns casos, a alta rotatividade pode ser um problema de gestão. Se analisarmos as últimas pesquisas acerca do mercado de trabalho vamos constatar que muitas pessoas deixam seu superior e não necessariamente sua organização.

Perceba sua equipe, entenda suas particularidades promovendo feedbacks constantes de acordo com o perfil de cada um. Alguns gostam de ouvir seu líder todos os dias, porém outros acham esse tipo de ação invasiva. Entendendo quais as necessidades individuais haverá uma fluidez na comunicação entre as partes. Maus líderes são a causa de 32% dos absenteísmos nas empresas.

4- Promova a colaboração. A colaboração movimenta, gera solidariedade e possibilita a união entre os pares. Há um aumento na simplificação dos processos e maior suscetibilidade para o surgimento de novas ideias. Além de um fortalecimento nos relacionamentos.

Ações desse tipo têm sido investigadas na Psicologia Positiva por diversos pesquisadores, como Shelly Gable, da Universidade de Santa Bárbara, na Califórnia. Eles afirmam que os relacionamentos impactam diretamente na saúde física e emocional e, consequentemente, em todos os âmbitos do bem-estar.

O PREÇO DA INFELICIDADE

Quarenta e quatro por cento das empresas que possuem uma cultura saudável, onde o funcionário se sente feliz, têm por características o bem-estar e maior engajamento e produtividade. Não há dúvida de que trabalhadores engajados são mais motivados e otimistas, além de cultivar e semear os valores da organização. O vínculo com a marca se torna mais forte e, por conseguinte, o colaborador se tornará um embaixador da empresa, aumentando o vínculo com os clientes e gerando upsells.

Em contrapartida, aqueles que estão desmotivados causam um prejuízo que chega em torno de 600 bilhões de dólares por ano em perda de produtividade. Oitenta e seis por cento dos funcionários que relataram trabalhar com algum tipo de indisposição observam o presenteismo.

Curiosamente, a porcentagem de organizações que tomam consciência sobre o presenteísmo e tentam desencorajá-lo caiu de 48% para 25% em dois anos. O alto volume de trabalho é disparado uma das três principais causas de ausência e está diretamente relacionado ao estresse.

Ainda em relação ao estudo, algumas fontes podem afetar diretamente no engajamento dentro das empresas, como tendências econômicas, mudanças de mercado, reestruturação de pessoal, falta de capacitação, falta de reconhecimento etc. Mesmo que estes estivessem engajados em algum momento iremos notar uma mu­ dança significativa na produtividade quando afetados.

Um dado interessante é que em empresas que possuem um alto nível de capacitação e engajamento, o lucro líquido tende a ser bem maior, ou seja, a capacitação acaba sendo um fator crucial no sucesso dos negócios e no bem-estar do colaborador.

Quando se tem um ambiente onde todos são submetidos à pressão constante, com brigas entre os pares, alta rotatividade, entre outros, o bem-estar e a saúde emocional dos funcionários são afetados diretamente. Por isso, um ambiente saudável, positivo e energizado é importante. Por ano, há uma variação de 10 pontos percentuais no ebtida entre organizações com baixo e alto engajamento.

O PILAR DA TECNOLOGIA

A tecnologia vem afetando todos os âmbitos de maneira exponencial. Seja na vida profissional ou pessoal, devemos levar em consideração seus prós e contras. Em 2018, o IPC aponta que 1,4 bilhão de dispositivos móveis foram vendidos no mundo inteiro. Há sempre alguém conectado em alguma parte do mundo, a qualquer hora do dia. Muitas instituições têm turnos noturnos também ou até funcionamento ininterrupto, como é o caso dos hospitais e canais de televisão.

Porém, nem tudo são flores. O bem-estar e a felicidade podem ser diretamente afetados quando falamos de tecnologia no âmbito profissional. Com a alta demanda pelo horário de trabalho ampliado e cobrança por alta performance, a maioria dos executivos sofre impacto direto em seu bem-estar.

Setenta e quatro por cento creem que a flexibilização de horário é um fator positivo, porém 87% afirmam que a facilidade nas comunicações pela internet, principalmente durante o home office, acaba gerando uma impossibilidade de “desligar-se” da empresa, mesmo nos finais de semana. Esse tipo de impacto, ao longo dos anos, pode gerar estresse, doenças mentais, transtornos etc.

Precisamos levar em consideração os prós e contras, sendo: prós: trabalho remoto; comunicação mais eficaz; redução no tempo de deslocamentos; maior controle sobre as atividades; participação mais ativa dos funcionários. E os contras: incapacidade de desligar­ se; estresse nas intermitências da tecnologia; menos interação humana; má postura; menor qualidade no sono.

Na Índia, pesquisadores estão utilizando a inteligência artificial (IA) para aumentar a felicidade dentro das empresas, por meio da análise de dados dos colaboradores. O diretor executivo da Coca- cola, Indrajeet Sengupta, afirma que a IA pode nos ajudar a aumentar o desempenho humano por meio da análise de dados. Assim, podemos levar em consideração as diferentes gerações e suas peculiaridades, adaptando os métodos de trabalho para cada uma delas.

Para isso, as empresas precisam desenhar seus valores base­ ados nas características de cada geração, atrelando-as às suas necessidades e às dos indivíduos. Pesquisas de clima e capacitação adaptativa são exemplos de como podemos nos favorecer com a IA.

Utilizar da análise preditiva, por meio da análise do comportamento, também pode ajudar a balizar quais características são mais benéficas e importantes para a empresa e, a partir daí, desenvolver um plano para retenção de talentos ou, até mesmo, estratégias para recompensar as pessoas de acordo com seus esforços.

Apenas 20% das pessoas estão felizes em sua carreira. Segundo Tom Rath e Jim Hater, autores do livro Wellbeing: the Five Essential Elements, há uma subestimação de o quanto o bem-estar na carreira pode afetar sua vida. Se estamos bem no trabalho, por consequência melhoramos o nosso bem-estar nos demais âmbitos: financeiro, social, físico e comunitário.

Portanto, ter objetivos profissionais bem definidos nos deixa mais motivados e torna nosso trabalho significativo. Contribuindo para o bem comum e gerando maior produtividade e felicidade.

 ENGAJAMENTO CORPORATIVO

O Gallup nos revela que o engajamento ao longo dos anos se manteve praticamente estável. Constatando que as empresas ainda não se movimentaram ou fizeram mudanças ínfimas nos ambientes organizacional e cultural.

Como a felicidade influencia no ambiente de trabalho. 2

Fonte:Gallup. 2017. State of the American Workplace.

ALIMENTO DIÁRIO

PROVÉRBIOS 27: 17 – 19

Alimento diário

MÁXIMAS DIVERSAS

 

V. 17 – Isto indica tanto o prazer corno os benefícios da convivência. Um homem sozinho não é ninguém; e a leitura de um livro em urna esquina não capacita o homem como a leitura e o estudo intensivo. As palavras sábias e proveitosas estimulam o intelecto dos homens; e os que têm muito conhecimento perceberão que algo lhes foi acrescentado. As palavras aguçam a aparência dos homens, e, alegrando seus espíritos, adicionam urna prontidão e vivacidade à sua aparência, dando a um homem uma aparência que mostra que ele está satisfeito consigo mesmo e o torna agradável aos que estão à sua volta. As graças dos homens bons são aguçadas pela conversa com os que são bons, e os maus desejos e paixões dos homens são aguçadas pelo convívio com os que são maus, assim como “o ferro com o ferro se aguça”. Os homens (que são difíceis, tediosos e inativos) são suavizados, e se tornam brilhantes e aptos para os negócios através de uma boa convivência. Isto:

1. Pretende nos lembrar do modo como podemos aguçar a nós mesmos, mas com uma advertência, para que tomemos cuidado com um detalhe importante: com quem decidimos conviver, sim, porque a influência sobre nós é muito grande, para melhor ou para pior.

2. Pretende nos orientar sobre qual deve ser o nosso objetivo na nossa convivência, especificamente, aprimorar a nós mesmos e aos outros, não desperdiçar o tempo nem zombar, uns dos outros, mas incentivar uns aos outros a amar e fazer boas obras, desta maneira tornando-nos, uns aos outros, mais sábios e melhores.

 

V18 – Isto pretende encorajar a diligência, a fidelidade e a constância, mesmo em atividades inferiores. Embora a chamada seja cansativa e desprezível, os que a seguirem descobrirão que conseguirão algo com ela.

1. Que um pobre jardineiro, que guarda a figueira, não seja desencorajado; ainda que seja necessário constante cuidado para cuidar das figueiras, e. depois que atingirem a maturidade, conservá-las em boa ordem e colher os frutos na época correta, ele será recompensado pelo seu esforço: “Comerá do seu fruto” (1 Coríntios 9.7).

2. Ou melhor, que um pobre servo não se julgue incapaz de prosperar e ser promovido; pois se for diligente no serviço do seu senhor, submisso e obediente a ele, se guardar o seu senhor (este é o significado da palavra), se fizer tudo o que puder para a proteção e reputação do seu senhor, e cuidar para que os seus bens não sejam desperdiçados ou danificados, não somente obterá elogios, mas será promovido e recompensado. Deus é um Mestre que se dedica a honrar os que o ser vem com lealdade (João 12.26).

 

V. 19 – Isto nos mostra que existe uma maneira:

1. De conhecermos a nós mesmos. Assim como a água funciona como um espelho, em que podemos ver o reflexo de nossos rostos, também há um espelho pelo qual o coração de um homem é revelado a um homem, isto é, a si mesmo. Que um homem examine a sua própria consciência, os seus pensamentos, sentimentos e intenções. Que ele contemple o seu rosto natural no espelho da lei divina (Tiago 1.23), e poderá discernir que tipo de homem ele é, e qual é o seu verdadeiro caráter, o que será muito útil que cada homem conheça.

2. De conhecermos, uns aos outros, por nós mesmos; pois, da mesma maneira como existe uma semelhança entre o rosto de um homem e o seu reflexo na água, também existe esta semelhança entre o coração de um homem e o de outro, pois Deus criou os corações dos homens da mesma maneira; e, em muitos casos, podemos julgar os outros com base em nós mesmos, o que é uma das bases sobre as quais é edificada a regra de fazer aos outros o que gostaríamos que fizessem a nós (Êxodo 23.9). Nada é tão semelhante entre si como dois homens. Em outras palavras, nenhuma pessoa tem em si uma semelhança maior consigo mesma, do que com cada pessoa que está ao seu redor.

3. Um coração corrupto é como outro coração corrupto; e assim, também, um coração santificado é como outro coração santificado; pois o primeiro traz a imagem do terreno, e o segundo a imagem do celestial.