ALIMENTO DIÁRIO

PROVÉRBIOS 26: 13 – 16

Alimento diário

A DESGRAÇA DA PREGUIÇA

 

V. 13 – Quando um homem fala de maneira tola, dizemos que fala de maneira preguiçosa; pois ninguém revela mais a sua tolice do que aqueles que são ociosos e procuram se justificar na sua preguiça. Da mesma maneira como a tolice dos homens os torna preguiçosos, também a sua preguiça os torna tolos. Observe:

1. O que realmente teme o preguiçoso. Ele teme o caminho, as ruas, o lugar onde deve ser feito o trabalho e pelo qual se deve empreender uma jornada; ele detesta o trabalho, detesta tudo o que exija cuidado e esforço.

2. O que ele sonha, e finge temer – um leão no caminho. Quando pressionado para ser diligente, quer em seus assuntos terrenos ou em questões de religião, esta é a sua desculpa (e uma desculpa infeliz, pior do que qualquer outra): “Um leão está no caminho”, alguma dificuldade ou perigo insuperável com que ele não pretende lutar. Os leões frequentam florestas e desertos, e. durante o dia. quando o homem sai para o seu trabalho, os leões se deitam nos seus covis (Salmos 104.22,23). Mas o preguiçoso imagina, ou finge imaginar, um leão nas ruas, ao passo que o leão existe somente na sua imaginação, ou não é tão feroz como ele o pintou. Observe que é tolice se assustar e fugir de deveres reais por dificuldades imaginadas (Eclesiastes 11.4).

 

V. 14 – Tendo visto o preguiçoso com medo do seu trabalho, aqui o vemos amando o seu sossego; ele fica na sua cama, deitado de um lado, até se cansar, e então se vira para o outro lado, mas ainda na sua cama, quando o dia já vai alto e há trabalho para ser feito, da mesma maneira como a porta se revolve nos seus gonzos, mas não sai do lugar; e assim os seus negócios são negligenciados e ele deixa escapar oportunidades. Veja o caráter do preguiçoso.

1. Ele não se preocupa em sair da cama, mas parece estar preso a ela, como a porta está presa às dobradiças. A comodidade do corpo, quando excessiva, é a triste oportunidade para muitas doenças espirituais; os que amam dormir provarão, no final que amaram a morte.

2. O preguiçoso não se preocupa em progredir no seu negócio; ele se movimenta um pouco, de um lado para outro, mas sem nenhum propósito; ele permanece na mesma posição. Os professantes preguiçosos giram, na sua profissão, como a porta, nos seus gonzos, nas suas dobradiças. O mundo e a carne são as duas dobradiças em que eles estão presos, e ainda que se movam no curso dos serviços externos, entrem no caminho dos deveres e passem por eles, como o cavalo no moinho, ainda assim não conseguem o bem, não ganham terreno, nunca se aproximam do céu – são pecadores que não se converteram, e santos que não se aperfeiçoaram.

 

V. 15 – O preguiçoso agora, com muita dificuldade, saiu da cama, mas poderia igualmente ter ficado ali, pois atua no seu trabalho de uma forma completamente desajeitada. Observe:

1. A desculpa que ele oferece para a sua preguiça: ele esconde a mão no seio, temendo o frio; perto da sua cama quente, no seu seio quente. Ou finge que é aleijado, como fazem alguns que vivem de esmolas; sugere que há alguma enfermidade na sua mão; ele de­ seja sugerir que ela está cheia de bolhas, resultado do duro trabalho de ontem; ou indica, de modo geral, a sua aversão ao trabalho; ele tentou, mas suas mãos não estão acostumadas a trabalhar, e por isto ele se mantém na sua própria comodidade e não se importa com ninguém. Observe que é comum que aqueles que não de­ sejam fazer o seu trabalho finjam que não conseguem fazê-lo. “Cavar não posso” (Lucas 16.3).

2. O prejuízo que ele sofre, pela sua preguiça. Ele mesmo é o perdedor, pois passa fome; enfada-se de a levar [a mão] à sua boca, isto é, não tem como se alimentar, mas teme, como se isto fosse um esforço imenso, levar a mão à cabeça. É uma hipérbole elegante, que agrava o seu pecado, o fato de que ele não suporta os menores esforços, nem pelos maiores benefícios, e isto mostra como o seu pecado é a sua punição. Os que são preguiçosos nas questões da religião não se esforçarão para alimentar suas próprias almas com a Palavra de Deus, o pão da vida, nem buscarão as bênçãos prometidas por meio da oração, ainda que pudessem tê-las.

 

V. 16 – Observe:

1. A elevada opinião que o preguiçoso tem de si mesmo, apesar do flagrante absurdo e da tolice da sua preguiça: “Mais sábio é o preguiçoso a seus olhos do que sete homens que bem respondem”. A sabedoria de um homem o torna capaz de responder ou oferecer uma razão, e a de um homem bom o torna capaz de oferecer uma razão para a esperança que há nele (1 Pedro 3.15). Nós devemos ser capazes de oferecer uma razão para o que fazemos, ainda que, talvez, possamos não ter inteligência suficiente para mostrar a falácia de cada objeção ao que fazemos. Aquele que se esforça na religião pode apresentar uma boa razão para isto; ele sabe que está trabalhando para um bom Mestre, e que o seu esforço não será em vão. Mas o preguiçoso se julga mais sábio do que sete pessoas como esta; pois ainda que sete pessoas o persuadissem a ser diligente, com todas as razões que pudessem apresentar para isto, seria inútil, a sua própria determinação, pensa ele, é resposta suficiente para eles e todas as suas razões.

2. A referência que isto tem para a sua preguiça. É o preguiçoso, acima de todos os homens, que é assim convencido; pois:

(1) A boa opinião que ele tem de si mesmo é o motivo da sua preguiça; ele não deseja se esforçar para obter sabedoria porque pensa que já é suficientemente sábio. O convencimento da suficiência de nossos talentos é um grande inimigo para o nosso aperfeiçoamento.

(2) A sua preguiça é a causa da boa opinião que ele tem de si mesmo. Se ele apenas se esforçasse para examinar a si mesmo, e se comparar com as leis da sabedoria. teria outra ideia a respeito de si mesmo. A preguiça tolerada está no fundo da arrogância predominante. Ou melhor:

(3) Ele está tão desgraçadamente confuso que julga que a sua preguiça é a sua sabedoria; ele pensa que é sensato poupar a si mesmo, e ter toda a comodidade e o sossego que puder, e não fazer na religião mais do que precisa, necessariamente, para estar algum sofrimento, e ficar sem fazer nada e ver o que as outras pessoas fazem, para que possa ter o prazer de encontrar falhas nelas. Com relação a estes preguiçosos, que se orgulham do que é a sua vergonha, há pouca esperança (v. 12).

Autor: Vocacionados

Sou evangélico, casado, presbítero, professor, palestrante, tenho 4 filhos sendo 02 homens (Rafael e Rodrigo) e 2 mulheres (Jéssica e Emanuelle), sou um profundo estudioso das escrituras e de tudo o que se relacione ao Criador.