GESTÃO E CARREIRA

DIVERSIDADE: MULHERES – ELAS PODEM SER O QUE QUISEREM

As empresas mais antenadas trabalham para combater estereótipos relacionados a gênero e promover a ascensão feminina na carreira.

Diversidade - mulhres - elas pode ser o que quiserem

Avon, grupo Boticário e Carrefour são empresas em que as mulheres representam cerca de 60% do quadro. Mas, para estar na linha de frente nas discussões sobre a representatividade de gênero, não basta ter volume. Ciente disso, a fabricante de cosméticos Avon criou, em 2015, a rede pela diversidade, um grupo de funcionários de diferentes áreas que discutem o tema, incluindo como promover a ascensão de mulheres na carreira. Após um mapeamento da situação, as lideranças identificaram, entre outras questões, a baixa representatividade feminina em cargos operacionais que pareciam reservados ao gênero masculino. Um exemplo ocorreu em São Paulo em 2017, quando várias empregadas manifestaram interesse em se tornar operadoras de empilhadeira. Um treinamento, antes exclusivo dos homens, foi oferecido a um grupo de 40 mulheres, e 12 delas passaram a ocupar a posição. “Precisávamos escutá-las e oferecer capacitação para que conquistassem novos espaços”, diz Ana Costa, vice-presidente jurídica e de relações governamentais da Avon.

A equidade de gênero é o tema sobre diversidade mais debatido nas empresas, especialmente quando impulsionado por matrizes de fora. Entre as 109 empresas que responderam ao questionário de Diversidade, 72% têm indicadores para promover a equidade de gênero e 59% têm metas para reduzir o desequilíbrio entre homens e mulheres em cargos executivos. Ambos os gêneros ocupam proporcionalmente a mesma fatia em cargos de início de carreira, mas, em níveis de vice-presidência, as mulheres representam apenas 20%, segundo uma pesquisa feita pela consultoria McKinsey em 2018. “As empresas estão em processo de convencimento de que a falta de mulheres na liderança é um problema”, diz Regina Madalozzo, professora na escola de negócios Insper.

Nesse aspecto, o Grupo Boticário está um passo à frente da maioria. Entre seus quatro vice-presidentes, há duas mulheres. A estrutura foi formada em 2015, quando a empresa assinou compromissos com a ONU Mulheres – um braço da organização para a valorização feminina – e passou a acompanhar os indicadores para promover a equidade de gênero. Com um orçamento dedicado à diversidade, realizou treinamentos para equiparar homens e mulheres nos programas de admissão e procurou analisar se a saída de funcionários tem relação com o gênero – por exemplo. após a licença-maternidade. Desde então, a empresa aborda a importância da diversidade nos encontros com fornecedores e franqueados. “A maioria das franquias é comandada por mulheres. Então, não basta olharmos da porta para dentro. Precisamos envolver os parceiros”, diz Lia Azevedo, vice-presidente de desenvolvimento humano e organizacional do Boticário.

Uma forma importante de avançar em temas de diversidade é estabelecendo metas. Foi assim que a rede varejista Carrefour conseguiu melhorar internamente a posição das mulheres. Em 2015, ano da criação da rede Carrefour por Elas, um grupo formado inicialmente por líderes, a empresa definiu algumas metas, alcançadas em 2017. Nesse período, a proporção de mulheres diretoras de hipermercados subiu de 12% para 18%; de gerentes de supermercados, de 12,5% para 25%; e de diretoras na matriz, de 21% para 29%. “Percebemos que estávamos perdendo talentos e oportunidades de negócios”, diz Karina Chaves, gerente de diversidade e inclusão do Carrefour. Para obter esses resultados, a empresa adotou medidas como ter pelo menos uma mulher na última etapa de seleção em novas vagas e ampliar a licença-maternidade de 120 para 180 dias – a cada ano, cerca de 1.000 mulheres usufruem o benefício no grupo.

Apesar dos resultados positivos, o esforço deve ser contínuo. “Traçar metas é importante para enxergar o que precisa ser melhorado e o que pode ser corrigido ao longo do tempo”, diz Margareth Goldenberg, gestora da organização Movimento Mulher 360. Para especialistas, um próximo passo é olhar a intersecção entre diferentes recortes de gênero. Exemplo: se hoje a disparidade salarial entre homens e mulheres brancos é de 24%, entre homens brancos e mulheres negras chega a 63%, segundo o Instituto Locomotiva. Ainda há muito trabalho a ser feito.

 

Autor: Vocacionados

Sou evangélico, casado, presbítero, professor, palestrante, tenho 4 filhos sendo 02 homens (Rafael e Rodrigo) e 2 mulheres (Jéssica e Emanuelle), sou um profundo estudioso das escrituras e de tudo o que se relacione ao Criador.