GESTÃO E CARREIRA

DIVERSIDADE LGBTI+: POR UM AMBIENTE SEM PRECONCEITO

Um jeito de promover a inclusão de funcionários que se identificam como LGBTI+ é ajudá-los a superar os desafios práticos do dia a dia.

Diversidade LGBTI+ - por um ambiente sem preconceito

Promover um ambiente sem discriminação para a população LGBTI+ (sigla para lésbicas, gays, bissexuais, transgênero, travestis, transexuais, intersexuais e outros tipos de orientação sexual) é um dos objetivos da empresa de tecnologia SAP Brasil desde 2012. Na época, por ser um tema novo por aqui, a subsidiária começou a seguir as políticas iniciadas na matriz alemã 11 anos antes. Atualmente, 25% dos funcionários no Brasil pertencem ao grupo ou são “aliados”, como são chamados os que vão aos eventos, participam de treinamentos e divulgam as iniciativas em prol do grupo LGBTI +. A ideia é que os empregados que se identificam com a sigla se sintam confortáveis para – se assim desejarem – “sair do armário”. Um exemplo é o especialista em soluções Fernando Cunha, que está há 13 anos na empresa e compartilha seu plano de saúde com seu companheiro. O casal recebeu o apoio da companhia quando adotou uma criança em 2016. “Quanto mais à vontade o funcionário se sente, mais ele se engaja no trabalho”, afirma Niarchos Pombo, diretor de diversidade e inclusão da SAP.

 Diferentemente dos outros três pilares abordados nesta publicação, cujos integrantes são identificados no censo demográfico, a diversidade sexual é um desafio para as empresas porque os funcionários não são obrigados a se declarar LGBTI+. No Brasil, estima-se que apenas 35% dos LGBTI+ das empresas se assumem como tais, de acordo com a consultoria holandesa OutNow. Nem por isso, as políticas para esse público devem ser frágeis. Segundo Reinaldo Bulgarelli, secretário executivo do Fórum de Empresas e Direitos LGBTI+, é possível medir indicadores com base nas análises de planos de saúde e pesquisas de clima que não pedem a identificação dos funcionários. “Para promover uma ação efetiva, é preciso entender seu público e lhe dar visibilidade”, diz Bulgarelli. Na SAP, a pesquisa de clima conta com um indicador de diversidade, com questões como: “Me sentir tratado de forma justa independe de gênero, raça e orientação sexual?” Nesse aspecto, a filial brasileira tem uma pontuação +93, numa escala de -100 a +100.

A diversidade sexual também tem pautado campanhas de marketing de produtos e serviços considerando essa comunidade bastante ativa, especialmente nas mídias sociais. Não são raros os casos de polêmicas envolvendo marcas que cometeram deslizes e depois tiveram de mostrar que não tinham intenção homofóbica. Por sua vez, as que apoiam a diversidade são exaltadas. Em uma pesquisa da consultoria Croma, 73% dos LGBTI+ recomendam uma marca que se posiciona a favor da diversidade – entre heterossexuais, esse índice é de 48%. “Uma empresa mais diversa toma melhores decisões e pode atender mais camadas sociais de forma genuína”, diz Heloísa Callegaro, sócia da consultoria McKinsey responsável pela área de diversidade.

A sigla LGBTI+ é complexa. No Facebook, por exemplo, é possível escolher um entre mais de 50 gêneros para o perfil. Alguns são marginalizados na sociedade e nas empresas, como trans e travestis, que no Brasil têm expectativa de vida média de 35 anos – menos da metade do conjunto da população. Das 109 empresas que responderam ao questionário de Diversidade, apenas 14% têm iniciativa específica para a contratação de trans e travestis. Por vezes, a empresa se vê obrigada a iniciar esse processo ao encarar a transição de alguém já contratado, como aconteceu na consultoria Accenture em 2010. “Começamos a enfrentar questões novas, como qual banheiro a pessoa usaria”, diz Beatriz Sairafi, diretora de RH da Accenture. Desde então, treinamentos foram realizados para explicar aos demais funcionários como respeitar a transição do colega e como aceitar que ele use o banheiro do gênero no qual se identifica. Outra medida é a instalação de banheiros “sem gênero” nas 12 localidades em que a empresa atua no Brasil. Hoje, são sete trans e 1.600 funcionários aliados ao tema. “Muitas pautas surgem com a necessidade prática”, diz Beatriz. Outro exemplo aconteceu quando um homem trans engravidou e pôde usufruir da licença parental durante seis meses.

Na em presa química Dow houve um processo semelhante no chão de fábrica em 2018. O grupo de afinidade LGBTI+ prontificou-se a treinar todos os funcionários da fábrica para evitar qualquer discriminação. O grupo de trabalho, criado em 2012, obteve outros resultados, como incluir trans no programa de jovem aprendiz e mudar a identificação nos sistemas e crachás para funcionários que utilizam o nome social em vez do nome de registro. “O tema, especialmente de trans, é recente na agenda das empresas e, de modo geral, tem muito a ser trabalhado”, diz Bulgarelli. Para as empresas que ainda não deram o primeiro passo, nunca é tarde para começar.

Autor: Vocacionados

Sou evangélico, casado, presbítero, professor, palestrante, tenho 4 filhos sendo 02 homens (Rafael e Rodrigo) e 2 mulheres (Jéssica e Emanuelle), sou um profundo estudioso das escrituras e de tudo o que se relacione ao Criador.