A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

VOCÊ SE CONECTA ALÉM DA CONTA?

As descobertas científicas a seguir vão ajudar a repensar sua relação com a tecnologia

Você se conecta além da conta

“Nossa missão é tornar o mundo mais aberto e conectado”, apregoa a página oficial do Facebook, rede social que caiu no gosto de mais de 1 bilhão de usuários em todo o planeta. Correr os olhos pelo feed, a página que se atualiza a cada nova postagem dos contatos, induz a sensação de que estamos abraçando as novidades, seja das nossas mídias preferidas, seja do cotidiano de nossos amigos, próximos ou não. Tal conectividade, no entanto, tem seus custos psicológicos – é o que vários estudos revelam. Como, então, aproveitar as redes sociais e outros meios de entretenimento tecnológico de forma mais equilibrada? Não há regras, mas prestar atenção ao tempo dedicado às interações virtuais e se questionar sobre a qualidade delas pode ser um começo.

1 – FACEBOOK PIORA O HUMOR.

De acordo com um trabalho da Universidade de Michigan, por exemplo, quanto mais se usa a rede social, menor a satisfação com a própria vida. Os pesquisadores enviaram cinco mensagens de texto por dia ao longo de duas semanas para 82 adultos jovens, questionando como se sentiam naquele exato momento e quão contentes estavam com a própria vida. “Quanto mais acessavam o Facebook em determinado momento, relatavam se sentir pior na mensagem seguinte que recebiam. O declínio dos níveis de satisfação ao longo do tempo foi proporcional à intensidade de uso da rede social”, relatam os autores em artigo publicado na Plos One. Eles não encontraram nenhuma evidência para duas possíveis explicações para a constatação de que o Facebook diminui a sensação de bem-estar. As pessoas não tendiam a acessar a rede quando se sentiam mal. Embora fossem mais propensas a logar quando sós, a solidão não se revelou um fator relevante para se sentirem pior depois de usar a rede. “Num primeiro olhar, o Facebook parece um ótimo recurso para satisfazer a necessidade humana de interação social. No entanto, em vez de induzir ao bem-estar, parece ter efeito contrário”, escrevem os autores. “A interação ‘direta’ com outras pessoas não prediz esses efeitos negativos.”

2 – SMARTPHONE PODE CAUSAR SENSAÇÃO SIMILAR À PROVOCADA POR DROGAS.

Hoje em dia, 71% das trocas sociais acontecem por meio dos telefones celulares, assim como 86% dos jogos e 90% das mensagens instantâneas, segundo especialistas em análise de sistemas da ComScore (empresa de pesquisa de mercado que fornece dados de marketing e serviços relacionados à internet). E há uma boa razão para isso. Estudos sugerem que o uso de mídias sociais, videogames e outras tecnologias digitais pode provocar “uma sensação similar à provocada por algumas drogas”, segundo o professor de psicologia aplicada a negócios Tomas Chamorro-Premuzic, da Universidade College de Londres, que estuda referências de mídia e de consumo.

“Pesquisas mostram maior disparo de neurotransmissores dopaminérgicos nesses momentos. Isso significa que o cérebro experimenta a interação como altamente prazerosa e responde com uma intensa necessidade de praticá-la”, explica Chamorro-Premuzic.

3 – GATILHO DE ANSIEDADE.

Verificar o e-mail ou o celular o tempo todo em busca de eventuais mensagens é desgastante- mas muitas vezes é difícil resistir. Em pesquisa encomendada em 2012 pela instituição britânica Anxiety, cientistas da Universidade de Salford entrevistaram 300 pessoas sobre seus hábitos virtuais e a relação com seus gadgets (termo que abrange aparelhos portáteis, como celulares e smartphones). Mais de metade, 55%, relataram se sentir “preocupadas ou incomodadas” quando por algum motivo não conseguiam acessar a conta de e-mail ou perfil nas redes sociais, como Facebook e Twitter. Outro dado que chama a atenção é que mais de 60% afirmaram não resistir em checar novas atualizações – era preciso desligar os aparelhos para que conseguissem ignorá-lo. “Se você é predisposto à ansiedade, as pressões tecnológicas funcionam como um gatilho, fazendo-o se sentir mais inseguro e sobrecarregado”, diz Nicky Lidbetter, coordenadora da Anxiety.

4 – USO POSITIVO DAS REDES.

Apesar dos muitos estudos que evidenciam efeitos negativos do uso excessivo de gadgets, em especial das redes sociais, outros trabalhos mostram que esse hábito moderno pode ter suas vantagens. Cientistas da Universidade da Califórnia em San Diego sugerem, em estudo publicado este ano na Plos One, que o uso de mídias sociais pode “espalhar felicidade”. Postagens de conteúdo positivo incentivam outros usuários a fazer o mesmo, constataram em um estudo que analisou mais de 1 bilhão de atualizações de status anônimas de mais de 100 milhões de usuários do Facebook entre 2009 e 2012. A triagem dos textos foi feita com a ajuda do software Linguistic lnquiry Word Count, que avalia o “conteúdo emocional” nas postagens. “Status de conteúdo positivo são mais contagiosos que os negativos e parecem influir nas expressões emocionais de outros contatos”, diz o autor do estudo James Fowler, da Escola de Medicina da Universidade da Califórnia. “Podemos estar subestimando drasticamente a utilidade das redes para melhorar a saúde física e mental. Elas podem ser ferramentas úteis para pensar estratégias para difundir bem­ estar”, diz fowler.

Autor: Vocacionados

Sou evangélico, casado, presbítero, professor, palestrante, tenho 4 filhos sendo 02 homens (Rafael e Rodrigo) e 2 mulheres (Jéssica e Emanuelle), sou um profundo estudioso das escrituras e de tudo o que se relacione ao Criador.