PSICOLOGIA ANALÍTICA

ENTRAMOS NA ERA DO CRIADOR

A qualidade criativa se torna uma espécie de atalho para o futuro, pois estamos nos distanciando do repetitivo e do previsível e voltando o interesse ao que escapa do senso comum.

Entramos na era do criador

Segundo o economista Paulo Saffo, citado pela revista americana Forbes como um dos analistas de tendências mais respeitados da atualidade, a economia se divide em ciclos que remodelam drasticamente nosso comportamento e a forma como a sociedade de organiza. Com nossa fantástica capacidade de adaptação, aderimos às mudanças, reorganizamos nossas expectativas e, sem nos darmos conta, colaboramos para a construção de uma nova fase da nossa história, batizada pelo economista como “era do criador”.

Para esclarecer como chegamos aqui e o que isso significa, ele faz uma breve revisão de momentos determinantes da economia a partir do início do século XX, quando as cidades começaram a crescer rapidamente com a industrialização, o que gerou uma demanda crescente por novos produtos. Para atender a essa classe emergente, a indústria volto u seus esforços para a eficiência produtiva, ou seja, para a necessidade de produzir mais em menos tempo e com custo menor.

O processo de fabricação precisava ser otimizado ao máximo e os trabalhadores tinham funções restritas, repetitivas e automáticas para não perderem tempo. Trabalhavam contra o relógio, em sistemas rigidamente organizados. Os primeiros automóveis, por exemplo, eram todos pretos. Não porque estava na moda ou porque outras opções eram inviáveis, mas pelo fato de a tinta preta secar mais rapidamente, o que garantia maior produtividade.

Superada a escassez de produtos, o mercado tratou de aumentar nas pessoas o desejo pelo consumo. Foi então que, na década de 1950, a publicidade ganhou força, com estratégias criativas que convenciam as pessoas de que elas precisavam de mais e mais produtos. A criatividade passou a ser uma peça importante para o aumento de consumo, mas sua demanda era restrita a alguns segmentos, como comunicação e artes.

E o apelo criativo – juntamente com incentivos econômicos – funcionou tão bem que o consumo excessivo logo revelou seu lado negativo, com o uso irresponsável do crédito e o surgimento de problemas éticos e ambientais. Na sequência, o mercado se deparou com novos desafios: agora precisava se adaptar a um consumidor já mais consciente e comedido, em um mundo onde a informação passou a ser excessiva e, por conta desse exagero, a atenção tornou-se escassa. A solução foi transformar o consumo em experiências.

Como a criatividade e o engajamento são antídotos para a desatenção, para atrair uma geração mergulhada em distrações passou a ser as pessoas, necessário engajar, envolvê-las em uma rede de criação e de ideias que conecta tudo e todos. Mais que alvo final de produtos e ideias que são impostos pelo mercado, os consumidores passaram a participar diretamente da construção das novidades. E assim surgiram cases de sucesso como Uber, Wikipedia, AirBnB e projetos culturais e científicos viabilizados por crowdfunding, financiados pelo público – e não mais por entidades distantes que decidem o que iremos consumir.

O status, segundo Saffo, deixou de ser representado pelo preço ou pela quantidade de coisas que possuímos e passou a ser representado pelo novo – o novo construído em conjunto, como experiência social e cultural.

Essa rede de conexões e ideias, em constante movimento e aprimoramento, possibilita que a criatividade corra solta e se destaque como a marca do nosso tempo. Assim, a era do consumidor criador passa a ser também a da criatividade. Quanto mais informações estão acessíveis, mais são geradas possibilidades de combinações diferentes de todo esse conhecimento. Nesse novo ciclo econômico, a criatividade é quase um pré-requisito para o sucesso nas interações sociais e profissionais.

Tanto é que essa habilidade nunca foi tão valorizada pelo mercado. O Fórum Econômico Mundial (O Futuro do Trabalho) apontou a criatividade como terceira habilidade mais necessária pela força de trabalho nos próximos anos, atrás da capacidade de resolução de problemas complexos e do pensamento crítico. De acordo com o documento, essa necessidade surge como consequência da abundância de novos produtos, tecnologias e formas de trabalhar.

O físico teórico e futurista Michio Kaku prevê que essa qualidade é uma espécie de atalho para o futuro, pois estamos nos distanciando do repetitivo e do previsível e voltando o interesse ao que escapa do senso comum. Os serviços mais valorizados são os que nos diferenciam com relação às máquinas – aqueles que dependem de pensamentos e atitudes flexíveis e de ações originais.

Ironicamente, a era de maior desenvolvimento tecnológico da história revisita a criatividade como a maior habilidade para lidar com o futuro próximo e próspero para quem estiver na  contramão dos conceitos engessados de uma máquina.    

 

MICHELE MÜLLER – é jornalista, pesquisadora, especialista em Neurociências, Neuropsicologia Educacional e Ciências da Educação. Pesquisa e aplica estratégias para o desenvolvimento da linguagem. Seus projetos e textos estão reunidos no site www.michelemuller.com.br

 

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OUTROS OLHARES

CARROS AUTÔNOMOS ATROPELAM MAIS PESSOAS NEGRAS DO QUE BRANCAS

Carros autônomos atropelas mais pessoas negras do que brancas

A lista de preocupações sobre carros autônomos ficou mais longa. Além de se preocuparem com sua segurança e como poderiam piorar o tráfego, também precisamos nos preocupar em como poderiam prejudicar pessoas de cor. Se você é uma pessoa com pele escura, pode ser mais provável que seja atingido por um carro autônomo, de acordo com um novo estudo do Georgia Institute of Technology. Isso porque os veículos automatizados podem ser melhores na detecção de pedestres com tons de pele mais claros.

Os autores do estudo começaram com uma pergunta simples: com que precisão os modelos de detecção de objetos de última geração, como aqueles usados por carros autônomos, percebem pessoas de grupos demográficos diferentes? Para descobrir, eles analisaram um grande conjunto de imagens contendo pedestres. Eles dividiram as pessoas usando a escala de Fitzpatricj, um sistema para classificar os tons de pele humanos do claro ao escuro.

Os pesquisadores então analisaram quantas vezes os modelos detectaram corretamente a presença de pessoas no grupo de pele clara versus a frequência com que acertaram as pessoas no grupo de pele escura. O resultado? A detecção foi cinco pontos percentuais menos precisos, em média, para o grupo de pele escura. Essa disparidade persistiu mesmo quando os pesquisadores controlavam variáveis como a hora do dia em imagens ou a visão ocasionalmente obstruída de pedestres. Os estudos prosseguem.

GESTÃO E CARREIRA

VOCÊ NO COMANDO

Profissionais que se mostram dependentes da empresa correm o risco de deixar sua carreira nas mãos de gestores amedrontados.

Você no comando

Vivemos um período de transformação intensa na sociedade e uma das mudanças mais significativas está na gestão de carreira. Desde o início da industrialização, priorizou-se o modelo em que o rumo dos profissionais era definido pelas organizações. A pessoa ingressava em uma empresa e lá se desenvolvia. A carreira seguia por um caminho definido e previsível. Apresentando bons resultados e fazendo as alianças corretas era possível se aposentar na companhia.

A partir dos anos 90, essa previsibilidade terminou. As estruturas foram enxugadas e o plano de carreira foi engolido pelas transformações da época. No século 21, com as frenéticas mudanças impostas pela digitalização, a situação se agravou. A dinâmica dos negócios não permite mais projeção alguma de estrutura futura, o que, por consequência, impede promessas de planos de carreira mais estruturados.

O problema é que nos encontramos no limbo da falta de definições. E gestores ficam atônitos quando são questionados por seus liderados sobre os próximos passos para crescer. Sem clareza do que podem oferecer, eles também estão em compasso de espera. Adicione a essa indefinição uma boa dose de falta de repertório para ajudar no desenvolvimento de pessoas. Atualmente são poucos os gestores com ímpeto de melhorar uma importante habilidade: a de saber dialogar sobre oportunidades de trabalho com seus times. A maioria aguarda a criação de cargos e promoções para abordar o assunto e, como a tendência do mercado é exatamente oposta, muitos chefes não têm nada a oferecer. A saída, então, é delegar o assunto para a área de recursos humanos. Um passa a jogar a bola para o outro, e ficamos num carrossel de lamúrias sem que o assunto seja direcionado. Gestores com medo de conversas sobre emprego e trabalhadores com a visão antiga de delegação para a companhia compõem um cenário caótico, carregado de frustração e risco de baixa produtividade.

As respostas não são fáceis. Passam pela clareza de que a profissão é responsabilidade dos indivíduos e de que o líder é aquele que apoia o desenvolvimento, sugere ações e transfere experiência.

Por isso, a palavra do momento é protagonismo. Devemos ter consciência de nossas vontades e de aonde queremos chegar. O controle é do profissional, não da empresa. Par a que isso aconteça, é preciso que haja uma mudança de um modelo mental profundamente infiltrado em nossa cultura, de dependência e paternalismo. É uma jornada de evolução profunda, que envolve transformar as responsabilidades de cada uma das partes no processo profissional.

RAFAEL SOUTO – é fundador e CEO da consultoria Produtive, de São Paulo. Atua com planejamento e gestão de carreira, programas de demissão responsável e de aposentadoria.

 

ALIMENTO DIÁRIO

PROVÉRBIOS 18: 9–13

Alimento diário

A TOLICE E A SOBERBA SÃO REVELADAS

 

V. 9 – Observe:

1. O desperdício é uma administração muito ineficaz. Aqueles que não somente são considerados, com razão, tolos, entre os homens, mas também apresentam uma explicação desconfortável para Deus sobre os talentos que Ele lhes confiou, que desperdiçam seus bens, que vivem acima do que têm, que gastam e doam mais do que seus bens lhes permitem, na verdade, praticamente jogam fora o que têm, e permitem que seja totalmente desperdiçado.

2. A ociosidade não é melhor. Aquele que é negligente no seu trabalho, cujas mãos estão penduradas (este é o significado da palavra), que fica, como diríamos, sem fazer nada, que negligencia o seu trabalho, não faz nada, ou é como se não fizesse nada, é irmão daquele que desperdiça, isto é, é igualmente tolo, e está em um caminho igualmente assegurado para a pobreza; um esparrama o que tem, e o outro deixa que escape por entre os seus dedos. A observação é também verdadeira em questões relacionadas à religião; aquele que for escarnecedor e descuidado ao orar e ouvir, será considerado irmão daquele que não ora nem ouve; e as omissões do dever são tão fatais para a alma quanto as comissões do pecado.

 

V. 10 – Aqui temos:

1. A suficiência de Deus para os santos: o seu nome é uma torre forte para eles, em que eles podem descansar quando estão cansados, e se refugiar, quando perseguidos, onde poderão ser exaltados acima de seus inimigos, e protegidos deles. Há o suficiente em Deus, e nas revelações que Ele fez de si mesmo, para nos tranquilizar, em todas as ocasiões. A riqueza armazenada nessa torre é suficiente para enriquecê-los, é um banquete continuo e um contínuo tesouro para eles. Esta torre é forte e resistente o suficiente para protegê-los. O nome do Senhor é tudo aquilo com que Ele se fez conhecer como Deus, e nosso Deus, não somente os seus títulos e atributos, mas o seu concerto e as promessas dele; tudo isto constitui uma torre, uma torre forte, impenetrável, inexpugnável, para todo o povo de Deus.

2. A segurança dos santos em Deus. O nome do Senhor é uma torre forte para os que sabem como usá-lo como tal. Os justos, pela fé e oração, pela devoção a Deus e confiança nele, correm para ela, como sua cidade de refúgio. Tendo assegurado o seu interesse no nome de Deus, eles recebem a consolação e o benefício dele; eles saem por si só, se afastam do mundo, vivem acima dele, habitam em Deus e Deus neles, e assim estão a salvo, assim se consideram, e assim estarão.

 

V. 11 – Tendo descrito a firme e fiel proteção do homem justo (v. 10), aqui Salomão mostra qual é a proteção falsa e enganosa do rico, que tem a sua porção e o seu tesouro nas coisas deste mundo, e se dedica a elas. A sua riqueza é a sua confiança, a tal ponto que ele espera tanto dela como um homem devoto espera do seu Deus. Veja:

1. Como ele se mantém. Ele faz da sua riqueza a sua cidade, onde habita, onde governa com grande autocomplacência, como se tivesse uma cidade toda sob o seu comando. É a sua fortaleza, onde ele se abriga, e então desafia o perigo, como se nada pudesse feri-lo. A sua balança é o seu orgulho; a sua riqueza é o seu muro, onde ele se encerra, e ele julga que é um muro alto, tão alto que não pode ser escalado ou sobre o qual não se pode pular (Jó 31.24; Apocalipse 18.7).

2. Como ele se engana nisto. É uma fortaleza, e um muro alto, mas somente no seu próprio conceito; na verdade, não é nada disto, mas é como a casa edificada sobre a areia, que falhará ao construtor, quando ele mais necessitar dela.

 

V. 12 – Observe:

1. A soberba é o prenúncio da ruína, e a ruína, no final, será a punição pela soberba; pois, antes da destruição, os homens normalmente estão tão impressionados com o justo juízo de Deus, que são mais arrogantes do que nunca, de modo que a sua destruição será mais amarga, e mais surpreendente. Ou, se a soberba nem sempre resistir, ainda assim, depois que o coração estiver exaltado com orgulho, virá uma queda (Provérbios 16.18).

2. A humildade é o prenúncio da honra, e prepara os homens para ela, e a honra será, no final, a recompensa da humildade, como o escritor tinha dito antes (Provérbios 15.33). É necessário repetir com frequência aquilo que os homens são relutantes em acreditar.

 

V. 13 – Veja aqui como os homens frequentemente se expõem por aquela mesma coisa pela qual esperam conseguir aplauso.

1. Alguns se orgulham de serem rápidos. Respondem a alguma coisa antes de ouvir, ou melhor, mal ouvindo, já respondem. Eles pensam que é sua honra aceitar uma causa repentinamente, e, depois que tiverem ouvido a um dos lados, julgarão que a questão é tão clara que não precisarão se incomodar em ouvir o outro; acreditam que já estão familiarizados com o caso, e dominam todos os méritos da causa. Ao passo que, embora uma inteligência pronta seja algo agradável com a qual brincar, ela é juízo genuíno e sabedoria verdadeira, que realizam obras.

2. Os que se orgulham por serem rápidos comumente caem sob a justa crítica de serem impertinentes. É tolice que um homem saia falando sobre uma coisa que ele não entende, ou que avalie uma questão da qual não esteja plenamente e verdadeiramente informado, e não tenha a paciência para investigar rigorosamente; e, se for loucura, é e será vergonha.