PSICOLOGIA ANALÍTICA

POUCA IDADE PARA MUITA PRESSÃO

Todo excesso em educação tem um preço difícil a se pagar mais tarde. A ansiedade pode levar justamente ao fracasso escolar e à desmotivação para esportes, artes e outras atividades.

Pouca idade para muita pressão

Vítimas do desconhecimento e vaidade dos pais, do excesso de zelo ou negligência dos adultos no lar e na escola, de uma agenda excessivamente cheia de afazeres e planejamento absoluto de seus deveres e até dos momentos de diversão, das exigências em ser sempre bem-sucedido, popular, líder de grupo e outros tantos desafios extenuantes, vemos hoje um número excessivo de crianças e adolescentes ansiosos e que chegam a um nível de estresse muito impróprio para a pouca idade.

Além dos danos ligados ao emocional e ao social, existe um prejuízo pessoal que compromete o desenvolvimento e o aprendizado escolar. Exigir das crianças disciplina e dedicação às tarefas que são de sua responsabilidade, em casa e na escola, incutindo um desafio gradativamente alcançável, é sem dúvida desejável, pois proporciona motivação para o amadurecimento, mas é preciso atenção e cuidado com as cobranças.

Nos primeiros seis anos de vida, as crianças precisam de brincadeiras livres, mas também de brincadeiras estruturadas, nas quais os adultos agem como “modelos”, mas sem excesso de formalidade. E preciso agir com cautela, de acordo com o desenvolvimento e a idade da criança, privilegiando oportunidades em que as aptidões sociais possam ser treinadas com a supervisão dos pais.

As crianças são seres em desenvolvimento, não estão emocional ou biologicamente preparadas para enfrentar uma maratona que vai muitas vezes das 7h da manhã às 10h da noite, sem descanso. Precisam de pausas para assimilar o aprendizado, necessitam de tempo de brincadeira com os seus pares, de ar livre, exercícios físicos e um pouco daquilo que muitos pais chamam de tempo perdido, mas que na verdade é o melhor do dia: a hora em que podem curtir seus brinquedos, usar seu Ipad, fazer o esporte favorito, assistir um programa divertido, ler, conviver com os irmãos e amiguinhos. Depois podem voltar aos afazeres escolares, às aulas de música, de esportes, de idiomas etc.

É compreensível que os pais, trabalhando fora o dia todo, queiram ver os filhos ocupados com atividades dirigidas e bem supervisionadas e desejem enxergar o progresso da criança na forma de um boletim brilhante ou u campeonato bem-sucedido.

Porém nosso cérebro tem uma forma praticamente idêntica de reagir àquilo que interpreta como uma ameaça ao seu equilíbrio, seja verdadeira ou imaginária. Via de regra, o ser humano lida com as dificuldades de quatro maneiras, que são reveladoras de estresse e apontam para a necessidade de ajuda e compreensão dos adultos.

A primeira que se instala é uma súbita resistência infantil a mudanças, a tentativa constante de permanecer em meio a situações familiares que lhe parecem seguras e a relutância em enfrentar todo tipo de risco, por menor que seja. É o chamado comportamento de luta, que pode advir inclusive das próprias ansiedades dos pais, do desencorajamento para a criança crescer fazendo gradualmente suas opções e arcando com os resultados de suas ações. Ensinar limites e responsabilidades cria pessoas fortes e independentes, desde que tenham oportunidade de vivenciar na prática essas situações em que os pros, os contras e as consequências sejam claros. Sem pressão, mas com estímulo e o aprendizado de novas estratégias, a criança vai vencer essa relutância em se arriscar e desenvolver a resiliência para a frustração.

Também é comum nas crianças estressadas um comportamento de fuga, que se caracteriza por evitar determinadas circunstâncias, usando desculpas como doenças, cansaço, ficando à margem dos amigos, dos grupos, fazendo até coisas de que não gosta para fugir de situações que acha que não consegue enfrentar.

O comportamento de bloqueio lembra uma espécie de engessamento mental e físico, do qual não se consegue identificar a causa. Quando inquerida numa prova, a criança chega a parecer que não sabe nada. Quando está em situação de ser centro das atenções, perde a fala, comporta-se de modo estranho. Não suporta pressão, não sabe lidar com situações novas, o que na escola representa um problema de difícil manejo.

Junta-se ao quadro o comportamento gregário, ou seja, vive no grupo, se diluindo nele. Quer ser exatamente como os amigos, não deseja se destacar deles, segue suas normas e se torna superficial na aprendizagem escolar. O que muitos pais chamam de pré-adolescência precoce pode ser perfeitamente um sinal bastante sério de estresse infantil. Conhecer e conviver com os amigos dos filhos podem ser úteis para saber se o grupo tem ou não uma forma similar de agir que os pais privilegiam, seja em termos de comportamento social como também de interesse pelos estudos, esportes, artes etc.

É sempre aconselhável que as crianças tenham mais de dois grupos de amigos, para aprenderem a lidar com as diferenças e se sentirem mais seguras, menos ansiosas e mais preparadas para tomar as próprias iniciativas.

Ajudar as crianças a terem metas de acordo com suas aptidões é importante, até para elas aprenderem a identificar a finalidade de seus esforços em uma atividade.

Incentivar a terem suas próprias metas, planos, responsabilidades, estarem motivadas na tarefa escolhida, sentirem-se apoiadas pelos pais e terem tempo para ser crianças é uma complexa situação que no dia a dia corresponde a dar educação, criando filhos sem estresse e com ansiedade controlada a níveis favoráveis para seu perfeito desenvolvimento e aprendizado.

 

MARIA IRENE MALUF – é especialista em Psicopedagogia, EducaçãoEspecial e Neuroaprendizagem. Foi presidente nacional da Associação Brasileira de Psicopedagogia –  ABPp (gestão 2005/07). É autora de artigos em publicações nacionais e internacionais. Coordena curso de especialização em Neuroaprendizagem. irenemaluf@uol.com.br

OUTROS OLHARES

O CIENTISTA POP DA INTERNET

Hábil para explicar questões complicadas e disposto a encarar qualquer polêmica, o doutor Pirula virou uma celebridade no YouTube.

O cientista pop da internet

A paixão por crocodilos e dinossauros rendeu ao paulistano Paulo Pedrosa, o Pirula (apelido de faculdade), um doutorado em zoologia pela Universidade de São Paulo. Mas, ao criar um canal no YouTube, há oito anos, ele resolveu ampliar os horizontes e tratar de ciência em geral, o que o pôs em contato direto com outro tipo de ser com o qual se deve tomar cuidado: os contestadores de fatos científicos que fazem e acontecem nas redes sociais. Didático nas explicações e disposto a encarar qualquer polêmica, Pirula virou fenômeno da internet: seu canal conta com mais de 780.000 inscritos e 80 milhões de visualizações. Preocupado com os rumos da ciência diante da disseminação de pensamentos retrógrados, Pirula – que, em lugar da idade, prefere revelar que é “velho o suficiente para ter conhecido o Balão Mágico” – lançou no mês passado, em parceria com Reinaldo José Lopes, seu primeiro livro, Darwin sem Frescura (HarperCollins). A seguir, trechos de sua entrevista.

QUEM TEM MEDO DE DARWIN?

“Percebo nas pessoas um preconceito contra a ideia da evolução das espécies, um receio de que isso vá contra aquilo em que acreditam, as histórias que estão na Bíblia. No entanto, a ideia de que uma espécie pode se transformar em outra já era discutida uns sessenta anos antes de Darwin, e é sobejamente aceita. A única inovação dele foi a teoria da seleção natural – a sobrevivência do mais apto, daquele que consegue aguentar o tranco das mudanças no ambiente. Através da ideia da seleção conseguimos entender como as espécies se desenvolveram até chegar ao que são hoje, inclusive em termos de hábitos, de comportamentos.”

A EVOLUÇÃO DA MORAL

“Podemos dizer que a própria noção de certo e errado tem, em algum grau, um componente inato. Ao contrário do que imaginamos, quando nascemos nosso cérebro não é uma tábula rasa, sem informação alguma. A gente já vem, por assim dizer, com certos aplicativos instalados, mas vazios – como um WhatsApp sem nenhum contato. Esses aplicativos são componentes genéticos que podem ser transmitidos entre gerações, uma determinada combinação de genes que influencia uma índole ou comportamento, por exemplo. Fatores externos como a cultura, a criação e as experiências vão moldar o funcionamento do aplicativo, mas o instinto para agir de tal maneira já estava lá, selecionado ao longo da evolução da espécie.”

O GENE INTERESSEIRO

“Valores como altruísmo e justiça também estão embutidos na seleção natural, na lei da sobrevivência do mais apto. O ser humano sobrevive melhor em comunidade, mas precisa agir de maneira agradável para que o ambiente seja saudável e as pessoas não queiram matar umas às outras. Somos predispostos a ter algum nível de altruísmo e a aprovar essa conduta nos demais porque entendemos que esse comportamento gera uma vantagem para o grupo. É claro que a atitude egoísta, que produz vantagem imediata, também está presente, mas, se ela fosse predominante, a sociedade entraria em colapso. No fim das contas, a tendência é a natureza selecionar um pouco de cada: prevalece quem é bonzinho, mas não é trouxa.”

HOMOSSEXUALIDADE FAZ PARTE

“Os dados de que dispomos indicam que a tendência à homossexualidade é determinada principalmente por um pacote de genes. Nas famílias em que esse código está presente, as mulheres têm mais filhos. Ou seja: é possível que a fertilidade e a tendência à homossexualidade estejam embrulhadas em um mesmo pacote genético. Sendo assim, não há risco para a população passar o conjunto de genes adiante, mesmo com menor chance de reprodução em uma pequena parcela, pois a alta fertilidade compensa. Sabe-se que a tendência ao comportamento homossexual se mantém fixa entre 4% e 10% da população. Esse número nunca aumentou. Nunca houve uma ‘epidemia gay’, como dizem uns tantos preconceituosos.

A CIÊNCIA PEDE SOCORRO

“Venho notando sinais de crise na ciência. É preocupante. Um deles é a distância que nós, cientistas, pusemos entre nós e a sociedade. A maioria ficou por muitos anos encastelada na academia, e, agora que a disseminação do conhecimento faz com que seja confrontada, não sabe lidar com o grande público. Outra questão é a escassez de verbas, e também nela atribuo uma parcela de responsabilidade aos próprios pesquisadores, que sempre trabalharam como se não tivessem de prestar contas. Incluo também a alta carga de trabalho institucional e a falta de incentivo à divulgação científica. O terceiro ponto da crise é o avanço da tecnologia, que permite que a informação seja disseminada antes que algum agente, como a imprensa, atue para entregar a novidade mastigadinha, fácil de ser entendida. Qualquer um pode ligar uma câmera, falar uma bobagem e em duas horas atingir 20 milhões de pessoas.”

JOGADOR EM VÁRIOS TIMES

“Comparado com quem está no poder em Brasília, sou praticamente o Che Guevara. Mas na verdade eu me considero um progressista, no sentido de acreditar que, é preciso respeitar as vontades das pessoas, desde que não prejudiquem ninguém, e rejeito qualquer tipo de autoritarismo. Ao mesmo tempo, defendo o investimento privado nas universidades, porque, para mim, não há alternativa, a fonte secou. No entanto, para meus colegas da USP, que não aceitam bem a ideia, isso faz de mim um coxinha. Apesar de lutar contra o conservadorismo de Estado, na vida pessoal sou bastante conservador. Não uso drogas e não incentivo ninguém a usar, não recomendaria à minha mulher que fizesse um aborto e sou mais permissivo em relação a porte de armas do que as pessoas imaginam.”

GESTÃO E CARREIRA

CHEFIANDO PELO WHATSAPP

Como impor limites quando o gestor abusa do aplicativo de mensagens?

Chefiando pelo WhatsApp.

Em meados de fevereiro, o Brasil vivenciou uma crise política causada por uma ferramenta que, alguns anos atrás, não seria perigosa para nenhum presidente: o WhatsApp. Uma série de áudios trocados entre o então ministro da Secretaria­ Geral, Gustavo Bebianno, e Jair Bolsonaro revelaram que o presidente usava o aplicativo de mensagens para despachar com o subordinado e mostrar sua contrariedade por ele ter colocado na agenda um encontro com um executivo da TV Globo. As conversas foram o estopim de uma crise que culminou na demissão de Bebianno.

Quando o WhatsApp é ferramenta de gestão até no Palácio do Planalto é sinal de que a tecnologia contaminou a liderança. Na vida real, as consequências da utilização não são tão drásticas a ponto de gerar crises, mas podem trazer desconforto. Era o que acontecia com Eloisa Leal, de 33 anos, gerente da clínica multidisciplinar Espaço ComPasso. Ela lidava com o celular apitando por causa das mensagens da chefe, Lílian Kuhn, de 35 anos, nos horários mais inapropriados, como aos sábados à noite – numa rotina que se repetiu por meses. “Ela realmente mandava muitas mensagens, todos os dias, mesmo tarde da noite. Às vezes, nem tinha como fazer nada, mas respondia. Aí, para mim, ficou desgastante. Virou uma preocupação constante”, diz Eloisa. A própria Lílian, fonoaudióloga e diretora da clínica, admite que perdeu o controle no relacionamento com sua gerente. ”Eu gerava uma demanda imensa para ela com muitas mensagens fora do horário”, diz. As duas ficaram um ano nesse ritmo frenético, mas pararam, há mais ou menos seis meses, aliviadas. A mudança aconteceu com um empurrãozinho da família de ambas, que disseram que era preciso impor limites. Com muito diálogo, elas conseguiram contornar o  problema sem brigar. “Resolvi limitar meu horário, inclusive com os pacientes, das 8  às 20 horas, e sem responder nos fins de semana.”

A REGRA É CLARA?

Até sentar para conversar e se reeducar, o comportamento da dupla seguia um padrão frequente. “As pessoas sempre esperam que o outro responda rapidamente, quando não imediatamente. A maioria absoluta das vezes não é urgente, mas cria-se um senso de urgência que pode ser nocivo com o  tempo”, diz Vanessa Cepellos, professora do mestrado em RH na Fundação Getúlio Vargas. E quando não há abertura para o diálogo (e certa propensão da chefia para a readequação da postura) o uso do WhatsApp pode resultar em sobrecarga e estresse. Por isso é tão importante que normas de convivência sejam estabelecidas com antecedência, justamente para evitar excessos. Na ausência de regras, o ideal é conversar abertamente com o chefe ou com o colega que manda as mensagens em horários inapropriados. Se isso não resolver ou não for possível negociar, aí deve-se recorrer aos superiores hierárquicos da pessoa que manda as mensagens ou ao departamento de RH da empresa. Todos com bom senso sabem – ou pelo menos deveriam saber –    que mensagens além do horário, em dias de descanso ou com conteúdo inapropriado são atitudes condenadas no ambiente corporativo.

E mais: além de erradas, essas práticas podem ser ilegais. De acordo com a advogada trabalhista Mariana Machado Pedroso, sócia do Chenut Oliveira Santiago Advogados, o uso do WhatsApp fora do horário de trabalho motiva litígios cada vez mais comuns na Justiça. “Mensagens em horários e dias inapropriados têm consequências jurídicas, a depender do volume e da frequência”, afirma Mariana. Caso seja movida uma ação pelo empregado, a Justiça poderá mandar a companhia pagar horas extras, adicional noturno, além de danos morais e outras verbas indenizatórias. As disputas judiciais, porém, acontecem (em quase a totalidade dos casos) quando o funcionário já se desligou da empresa e quer cobrar pelo tempo trabalhado além do período normal.

GOVERNANÇA DIGITAL

“Muitos líderes e liderados sabem que o uso fora do expediente configura hora extra, mas continuam fazendo”, diz Paulo Vieira de Campos, professor de educação executiva na Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM). Para evitar que isso aconteça, empresas mais atentas já trabalham com um conceito chamado “governança no uso de grupos”, orientando seus gestores a não abusar das mensagens e a ter atenção aos conteúdos compartilhados. Já os funcionários são ensinados a não enviar nem responder a mensagens fora dos turnos de trabalho. Segundo Bruno Andrade, especialista em soluções digitais para RH da Mercer Brasil, tem crescido a orientação de não obrigatoriedade de um funcionário sem telefone corporativo aderir a grupos de trabalho. “Mas é raríssimo alguém se abster de participar de grupos por só ter telefone pessoal. Há sempre o temor de ser tachado de antissocial, não colaborativo, e sofrer represálias dos colegas e gestores”, diz Bruno.

Para impor limites reais, aplicativos de respostas automáticas estão entre as soluções adotadas pelas empresas tanto para avisar a clientes sobre o horário de atendimento quanto para evitar excessos. Quando um smartphone recebe uma mensagem depois das 18 horas, por exemplo, o aplicativo responde, via WhatsApp mesmo, que o horário de atendimento se encerrou. É possível usar o mesmo procedimento em celulares corporativos evitando que as equipes respondam a seus gestores após determinados horários. ”O nível de consciência em relação ao uso é baixo. Devemos ter muito cuidado para não invadir a esfera pessoal. Algumas pessoas e alguns contextos são mais sensíveis do que outros”, diz Cíntia Borttoto, sócia na Exec, consultoria de recrutamento e desenvolvimento de executivos.

Em casos de equipe de trabalho que se comunica por meio da tecnologia, é responsabilidade do gestor conduzir o grupo e moderá-lo quando notar excessos como fofocas e palavrões. “O grupo acaba sendo um reflexo do comportamento do gestor. Cabe a ele moderar, orientar quando responder, zelar pela atenção ao tempo de urgência e às prioridades.” Além das questões trabalhistas que devem ser respeitadas, os usuários corporativos têm de cuidar do código de ética de suas empresas e seguir regras sociais de boa educação. ”Não é de bom-tom compartilhar memes ou piadas em grupos de trabalho”, afirma Claudia Matarazzo, consultora comportamental empresarial.

Mas, talvez, a melhor recomendação seja manter a prudência e o respeito às regras de convivência comuns a todos. ”Pode-se pensar em algum nível de compliance para o WhatsApp, mas tudo passa pelo bom senso. Pessoas se comportam de maneira diferente em círculos sociais distintos, na família, entre amigos, no trabalho, na presença de clientes. Há regras sociais não escritas que todo mundo mais ou menos sabe – ou deveria saber – e que devem ser respeitadas na vida real e virtual”, diz Paulo Vieira, da ESPM. Ou seja, é preciso usar o aplicativo com muita moderação.

Chefiando pelo WhatsApp. 2

BOM SENSO VIRTUAL

Sete dicas para não deslizar no uso do aplicativo de mensagens, de acordo com os especialistas ouvidos por para esta reportagem:

ESCREVA COM CONSCIÊNCIA

Pense, leia, releia e só depois mande a mensagem. Textos mal escritos podem ter interpretações equivocadas. Isso para não falar dos casos em que se compartilham, de cabeça quente, mensagens agressivas ou incompreensivas. Lembre-se de que, uma vez enviada, a mensagem pode ser vista pelos outros mesmo, que seja deletada minutos depois.

PENSE NA RELEVÂNCIA

Compartilhe apenas informações realmente pertinentes no grupo. Evite perguntar o que já foi respondido anteriormente. Os gestores jamais devem usar o grupo para chamar a atenção de algum funcionário ou mesmo da equipe toda, isso configura constrangimento e assédio moral. As conversas e reuniões de alinhamento ou de cobrança devem ser feitas pessoalmente.

FUJA DE MEMES E PIADAS

Melhor evitá-los. Mas, e quando o próprio gestor compartilha tais mensagens? as regras de convivência devem ser estabelecidas antes. Se o grupo não vê problema em disseminar piadas ou memes, tudo bem. a decisão deve ser de comum acordo entre todos os participantes.

CONFIGURE RESPOSTAS AUTOMÁTICAS

É possível configurar respostas automáticas (que são enviadas num período pré-determinado, como nos fins de semana, ou após as 16 horas. Na versão WhatsApp business, o recurso é nativo, mas mesmo na versão gratuita é possível fazer isso. Há aplicativos, também gratuitos, como away e auto responder (ambos para android) e scheduled (Ios), que enviam mensagens automáticas.

ATENÇÃO AOS ÁUDIOS

Os áudios são ainda mais rápidos de ser gravados e compartilhados do que as mensagens escritas, por isso vêm se popularizando no aplicativo. Porém, é preciso prestar atenção no tom de voz, no português e na duração do áudio – especialistas afirmam que o limite tolerável é 3 minutos. Mensagens com tempo de duração acima disso fazem o espectador perder o interesse e a concentração necessária para a compreensão.

TOME CUIDADO COM O TAMANHO

Evite a criação de grupos com mais de dez pessoas, pois, mais do que isso, a participação individual se dilui a ponto de tornar-se irrelevante, caso a equipe esteja muito maior. Utilize a tecnologia apenas para compartilhar informações genéricas e úteis a todos – como se fosse um canal de avisos e não um fórum de discussão. Muitas empresas impedem a participação irrestrita, permitindo apenas ao gestor a possibilidade de compartilhar informações.

CRIE GRUPOS TEMPORÁRIOS

São alternativas eficientes para projetos de tempo determinado, quando uma equipe tem de entregar um trabalho até certa data, cria-se um grupo específic0 com as pessoas que estão envolvidas na tarefa. Terminado o projeto, finda também o grupo. Muitas vezes, esses grupos são mais eficientes e focados do que os corporativos do dia a dia.

ALIMENTO DIÁRIO

PROVÉRBIOS 18: 4–8

Alimento diário

A LINGUAGEM DA TOLICE

 V. 4 – As similitudes aqui parecem elegantemente transpostas.

1. A fonte da sabedoria é como águas profundas. Um homem inteligente e instruído tem em si um bom tesouro de coisas úteis, o que o capacita com algo a dizer praticamente em todas as ocasiões, algo que é pertinente e benéfico. É como águas profundas, que não fazem ruído, mas que nunca se esgotam, nunca secam.

2. As palavras da boca deste homem são como ribeiro transbordante. O que ele vê, faz com que as palavras fluam naturalmente dele, e com grande facilidade, e liberdade, e fluência natural: as suas palavras são limpas e frescas, limpam e revigoram; das suas águas profundas flui aquilo que a oportunidade exige, transbordando sobre os que estão à sua volta, como os ribeiros transbordam sobre as terras baixas.

 

V. 5 – Isto condena, com razão, os que, empregados na administração da justiça, pervertem o juízo:

1. Tolerando os crimes dos homens, e protegendo-os e aceitando-os, na opressão e violência, por causa da sua posição, ou riqueza, ou alguma simpatia pessoal que possam ter por eles. A despeito de quaisquer desculpas que os homens possam apresentar para isto, certamente não é bom aceitar assim a pessoa do ímpio; é uma ofensa para Deus, uma afronta para a justiça, uma injustiça para a humanidade, e um serviço realmente feito para o reino do pecado e de Satanás. Os méritos da causa devem ser considerados, e não a pessoa.

2. Dando causa contra a justiça e a equidade, porque a pessoa é pobre e humilde no mundo, ou não do mesmo grupo ou convicção, ou um estrangeiro, de outra nação. Isto é derrubar o justo em juízo, que deveria ser apoiado, e a quem Deus fará com que se levante e permaneça.

V. 6 e 7 – Salomão mostrou frequentemente o mal que os homens ímpios fazem aos outros, com suas línguas descontroladas: aqui, ele mostra o mal que fazem a si mesmos.

1. Eles se envolvem em contendas: os lábios do tolo, sem qualquer causa, entram em contendas, ao promover noções tolas às quais os outros se vêm obrigados a se opor, e, desta maneira, começa uma contenda, ou se envolvem em contendas por meio de palavras provocadoras, que causarão ressentimento, e exigirão satisfação, ou ainda por meio de desafios aos homens, convidando-os à contenda, se tiverem coragem. Os homens soberbos, e inflamados, e os ébrios, são tolos, cujos lábios entram em contendas. Um homem sábio pode, contra a sua vontade, ser arrastado para uma contenda, mas é um louco quem entra nela por sua espontânea vontade, quando poderia evitá-la, e certamente o tal se arrependerá disto, quando já for tarde demais.Eles se expõem à correção: a sua boca brada por açoites, ele disse aquilo

2. que merece ser punido com açoites, e ainda está dizendo o que precisa ser repreendido, e restringido, com açoites, como Ananias injustamente ordenou que Paulo fosse ferido na boca.

3. Eles se envolvem em destruição: a boca do tolo, que já foi, ou teria sido, a destruição dos outros, acaba sendo é a sua própria destruição, talvez pelos homens. A boca de Simei foi a sua própria destruição, e também a boca de Adonias, que falou contra a sua própria cabeça. E quando um tolo, por suas palavras tolas, se envolve em alguma discórdia, e pensa escapar, justificando o que disse, a sua defesa acaba sendo a sua ofensa, e os seus lábios acabam sendo um laço para a sua alma, enredando-o ainda mais. No entanto, quando os homens, por suas palavras perversas, forem condenados no juízo de Deus, as suas bocas serão a sua destruição, e serão um agravamento à sua ruína, a ponto de não admitir uma gota de água, uma gota de consolação para abrandar a sua língua, que é o seu laço, e ali serão fortemente atormentados.

V. 8 – Os mexeriqueiros são aqueles que levam estórias secretamente, de casa em casa, estórias que talvez contenham algo de verdade, mas são segredos que não devem ser contados, ou são de modo infame apresentadas de maneira inadequada, e são deturpadas, e contadas com a intenção de prejudicar a reputação das pessoas, romper amizades, provocar maldades entre parentes e vizinhos, e fazer que se desentendam. As palavras dessas pessoas são aqui descritas:

1. Como quando os homens são feri­ dos (segundo a margem); eles fingem estar muito abalados com as dificuldades deste ou daquele indivíduo, e sofrer por eles, e fingem que é com a maior angústia e relutância imaginável que falam sobre eles. Eles dão a impressão de terem sido, eles mesmos, feridos, ao passo que, na realidade, eles se alegram na iniquidade, apreciam a história, e a contam com orgulho e prazer. Assim parecem suas palavras, mas elas descem como veneno até o íntimo do ventre, como uma pílula dourada e doce.

2. Como feridas (isto diz o texto), feridas profundas, feridas mortais, feridas no íntimo do ventre: o ventre médio ou inferior, o tórax ou o abdômen, e em qualquer um deles as feridas são mortais. As palavras do mexeriqueiro ferem aqueles de quem se fala, ferem a sua reputação e interesse, e ferem também aqueles a quem são ditas, ferem seu amor e caridade. Elas trazem consigo o pecado à vida do homem, o que é uma ferida para a consciência. Talvez ele pareça desdenhá-las, mas elas o tornarão insensível, afastando o seu afeto de alguém a quem ele deveria amar.