GESTÃO E CARREIRA

DEVAGAR SE VAI AO LONGE

Estabelecer objetivos de curto prazo é essencial para chegar às grandes conquistas. Aprenda como fazer isso e tire, finalmente, suas resoluções de ano-novo do papel.

Devagar se vai ao longe

É inevitável. A cada ano que começa estabelecemos metas para os meses seguintes. Afinal, essa época simboliza a chance de recomeçar. “Na tradição judaico-cristã, o final de cada ano marca o fim de um ciclo e o renascimento de outro”, afirma Hélio Deliberador, professor de Psicologia da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. No entanto, o que também se renova é a sensação de não termos dado conta de cumprir os objetivos. Um levantamento da Sociedade Latino Americana de Coaching mostra que menos de 8% dos brasileiros cumprem as resoluções de ano-novo. Mas isso pode ter a ver com a forma como fazemos nossa lista de desejos do que com a   capacidade de leva-la à cabo.

“Existe a fantasia de que é preciso sonhar grande – porque sonhar pequeno dá o mesmo trabalho”, diz Luiz Gaziri, consultor e professor na FAE Business School e na Pontifícia Universidade Católica do Paraná. Segundo ele, esse é um dos motivos pelos quais costumamos fracassar em nossas resoluções. Isso porque metas grandiosas podem causar um efeito adverso, como revela um estudo feito por Gabriele Oettingen, professora e psicóloga alemã. A pesquisadora dividiu uma turma de alunos entre aqueles que tinham alta expectativa de arranjar um emprego logo após a faculdade e os que imaginavam que iriam demorar mais para conquistar esse objetivo. Ela descobriu que, quanto maior a expectativa, menos chances eles tinham de estar empregados e, ainda quando empregados, tinham salários menores em relação ao outro grupo.

QUANTO MAIS PERTO, MELHOR

A ideia não é contentar-se com pouco. Ao contrário. O importante é traçar os objetivos de forma a aumentar as chances de cumpri-los. Um estudo dos anos 1920/30, feito pelo psicólogo americano Clark Hull pode ajudar nessa tarefa. Em seu experimento com ratos de laboratório, o cientista percebeu que, quando colocados em um labirinto, os ratinhos tendiam a correr mais quando percebiam que estavam próximos da saída. Ele fez o teste em diversas situações e viu que o comportamento se repetia: animais que ficavam presos próximos à comida, por exemplo, tendiam a se esforçar mais para alcançá-la do que aqueles que eram colocados longe do alimento. Isso levou Clark a conceber a teoria do “gradiente de metas”. “Ela descreve um cenário em que, quanto mais perto do alvo nós estamos, maior o esforço que iremos despender para atingi­ lo”, diz Enzo Bissoli, professor de psicologia comportamental da Universidade Presbiteriana Mackenzie.

É o que acontece quando maratonistas, já cansados de uma longa corrida, dão aquela acelerada ao ver a linha de chegada. Sentir que estamos perto do sucesso nos convence a nos dedicar para chegar lá. “Nossa capacidade de enxergar os benefícios de longo prazo é limitada”, diz Thaís Gameiro, neurocientista e sócia da Nêmesis, que faz assessoria na área de neurociência organizacional. “Somos sensíveis a respostas imediatas, mais tangíveis.” Ou seja, quando o benefício de uma ação está muito no futuro, é fácil perder o foco e se distrair com outras recompensas próximas, com o simples prazer de assistir a uma série.

Para Rodrigo Lopes, de 32 anos, cofundador e CEO da Docket, startup que automatiza a gestão de documentos, é importante fatiar as ações para conquistar o objetivo final. Ele fez isso quando um amigo o convidou para abrir a empresa, época em que Rodrigo ainda trabalhava em uma companhia de comércio eletrônico. ”É preciso separar o sonho da meta. Dividimos as tarefas e acompanhamos o andamento de cada uma. Assim dá para medir os resultados”, diz. Isso o ajuda a se dedicar e a se motivar. “Minha energia é limitada, e preciso usá-la ele acordo com minhas prioridades.”

VALE A PENA?

Em princípio, aquilo que buscamos ainda não existe – é só uma ideia vaga de algo que desejamos. “Estipulamos metas sem pensar de onde vieram, como foram construídas”, diz Enzo. “Elas deveriam ser o produto final de pensar na sua relação com o mundo, consigo mesmo e em suas necessidades.” Não é qualquer objetivo que merece seu esforço. Responda de forma sincera quais são as expectativas por trás de cada item e o que ele representa em sua vida. Não raro, nos comprometemos com objetivos que não são importantes para nós, mas que pensamos que devemos ter ou aparentar. “O indivíduo precisa ver se vale apena. Não pode ser só questão de dinheiro”, diz Emerson Weslei Dias, coach e consultor de carreira. Com uma noção mais clara de como os desejos têm relação com nossos valores e com nossa história, aumenta a flexibilidade para adequá-los conforme o momento de vida.

Uma dose de realismo é sempre bem-vinda. Não são todos os fatores que estão sob nosso controle – os outros e o ambiente interferem na capacidade e disponibilidade para cumprir os planos. “É essencial pensar no impacto dessas metas no seu dia a dia, no tempo que você tem, na família, nas amizades”, diz Enzo. Imprevistos podem fazer com que nossas prioridades ou condições mudem. Levar tudo isso em conta é importante para poder ajustá-las. Ao pensar que quer crescer na carreira, avalie o que isso quer dizer para você. Ser promovido? Mudar de empresa ou de área? Conseguir mais reconhecimento do chefe? O prazo de cada passo também depende da natureza do objetivo. “Existem coisas que, se você encarar como metas diárias, vai se frustrar, porque se vê pouco resultado nesse tempo”, diz Emerson. Mesmo com objetivos curtos, os prazos precisam fazer sentido. É como se cada um fosse um degrau a mais no caminho para o resultado final.

SEM QUEIMAR ETAPAS

Foi assim para Cristian Arriagada Bondezani, gerente de marketing e vendas da divisão de Limpeza Doméstica na 3M, em Sumaré, em São Paulo. Em 2008, quando já completava quase dez anos na companhia, ele parou para pensar sobre sua carreira e definiu que seu objetivo era virar gerente de uma conta. “Mas eu sabia que havia coisas que eu não dominava e não sabia como eram”, diz. Era preciso se preparar. Para isso, estabeleceu que visitaria pelo menos um varejista diferente por semana. A ideia era familiarizar-se com o negócio e com o que seria demandado dele como gerente de contas. Deu certo. Cristian foi promovido no ano seguinte e, em 2011, até ganhou um prêmio de melhor vendedor da rede. Ele usa o método até hoje. A cada semana, conversa com o time para estabelecer os objetivos que ajudarão a atingir as metas definidas pela empresa. “Uma grande vantagem é corrigir erros e falhas já quando acontecem, em vez de esperar três meses para se dar conta e tentar fazer algo a respeito”, afirma.

O exercício de rever metas deve ser constante, assim estamos sempre em contato com o que buscamos. “Precisamos de feedback para ajustar nosso comportamento e tomada de decisão”, diz Thaís, da Nêmesis. “Sem isso, o cérebro fica perdido e acaba tomando atitudes mais impulsivas. “A forma como isso pode ser feito depende do gosto de cada um. Se Cristian, por exemplo, gosta de anotar tudo em post-its que ficam num quadro branco, Rodrigo prefere visualizar seu desempenho em folhas de papel. O importante é achar uma ferramenta que funcione para o seu dia a dia.

Devagar se vai ao longe. 2

LINHA DE CHEGADA

Conheça estratégias que ajudam você a conquistar seus objetivos

SEJA ESPECÍFICO

Descreva exatamente o que quer fazer. Metas focadas têm mais chances de ser cumpridas, mesmo quando são mais difíceis d0 que metas mais fáceis, porém vagas.

CUIDADO COM O OTIMISMO EXAGERADO

Imaginar grandes conquistas pode levar à frustração. A ideia, afinal, é pensar em resultados que possam ser concretizados em menos tempo, mas que ajudem a chegar mais longe.

LEVE EM CONTA SUAS EMOÇÕES.

É natural que nosso humor varie e que em certos dias não tenhamos motivação. Preveja esses descompassos e procure alternativas, como reservar um dia de folga para quando necessário.

 PENSE NAS CONTRADIÇÕES

Às vezes, uma meta entra em conflito com outras, seja porque vem de valores diferentes, seja porque demanda muito tempo e energia. analise como seus objetivos se relacionam entre si e verifique se um atrapalha o outro. De vez em quando, é preciso abrir mão de algo.

Devagar se vai ao longe. 3 ANO-NOVO, VIDA NOVA?

Os 15 principais desejos dos brasileiros para 2019 de acordo com o aplicativo 7waves, usado para gerenciar metas:

1 – Guardar dinheiro

2 – Aprender algo novo

3 – Praticar esporte

4 – Quitar débitos

5 – Ter alimentação saudável

6 – Trocar de emprego

7 – Empreender

8 – Ser fluente em inglês

9 – Viajar nas férias

10 – Comprar casa própria

11 – Subir de cargo

12 – Comprar carro

13 – Emagrecer

14 – Comprar celular

15 – Ser aprovado em concurso público

Autor: Vocacionados

Sou evangélico, casado, presbítero, professor, palestrante, tenho 4 filhos sendo 02 homens (Rafael e Rodrigo) e 2 mulheres (Jéssica e Emanuelle), sou um profundo estudioso das escrituras e de tudo o que se relacione ao Criador.