PSICOLOGIA ANALÍTICA

CHAPEUZINHO VERMELHO ALÉM DA FLORESTA

Rico em significados e possibilidades de simbolizações, conto ajuda crianças a desenvolver capacidade de fazer representações dos estados mentais das outras pessoas.

Chapeuzinho vermelho além da floresta

 

Apesar da trama simples, da protagonista com traços de personalidade pouco desenvolvidos e do texto enxuto, Chapeuzinho Vermelho é uma das histórias infantis mais populares no mundo. O curioso é que não apenas fascina crianças, também motiva pesquisadores a fazer análises, comentários e interpretações. À primeira vista, o conto do escritor francês Charles Perrault passa uma mensagem clara: meninas devem ser obedientes, não conversar com estranhos, desconfiar dos meninos muito atrevidos e não se distrair com futilidades. Do contrário, estarão correndo perigo. Por causa desse teor “educativo”, o autor, político erudito e literato benquisto na corte de Luís XIV foi recriminado por ter desfigurado uma obra da cultura popular a ponto de torná-la praticamente irreconhecível.

Com exceção de alguns versos publicados em 1022 por um certo Egbert de Liege, que mencionam uma criança usando um a túnica vermelha que enfrentava filhotes de lobo, não chegou até nós nenhum vestígio desses originais. No entanto, Perrault menciona explicitamente em seus escritos que não inventou completamente a história, que faria parte desses “contos que nossos antepassados criaram para seus filhos”. Trata-se possivelmente de uma história inventada e transmitida pelas “famílias simples dos povoados e do campo”. Especialistas entendem que, apesar da ausência de versões originais, é possível entender e interpretar Chapeuzinho recorrendo ao método comparativo de padrões. Como se fossem biólogos, os pesquisadores procuraram deduzir qual seria o “antepassado comum” de cada personagem com base na análise de várias versões mais recentes.

Foi assim que Paul Delarue (1889-1956), pioneiro francês dessa abordagem, conseguiu reunir 35 versões de Chapeuzinho Vermelho, essencialmente das regiões do vale do Loire, do norte dos Alpes e da Itália, além do Tirol. Ele se interessou particularmente por aquelas que lhe pareciam completamente independentes da versão de Perrault. Se a trama geral é praticamente a mesma, nem sempre a menina usa uma capa vermelha com capuz; ou então o lobo é um bzu (espécie de lobisomem) que serve à garotinha os restos do corpo da avó como refeição; ou, ainda, antes de se enfiar na cama da avó, ele se despe. Mas o final da história é feliz, pois a menina consegue fugir, alegando uma “necessidade natural urgente”.

Segundo Delarue, todos esses elementos, ausentes no texto de Perrault, não são modificações posteriores, mas sim omissões, uma censura feita pelo autor de traços do suposto conto original. Outros pesquisadores também destacaram elementos semelhantes em contos asiáticos e africanos, mas todos são posteriores ao de Perrault. A versão dos irmãos Grimm, publicada em 1812, ou seja, mais de um século depois da de PerrauJt, é sem dúvida a outra mais conhecida. Ela também tem um final “feliz”, no qual um caçador abre a barriga do lobo e solta a menina e a avó. Todavia, sabe-se que os irmãos Grimm trabalharam com base no texto de Perrault, mas mesclaram o final do conto Os sete cabritinhos. A presença de uma cena de canibalismo em algumas versões faladas do conto, na qual o lobo oferece os restos da avó à menina, em especial chamou a atenção dos etnólogos. Não que a antropofagia fosse comum nos povoados franceses da época, mas o episódio tem certa relação com a percepção das relações familiares de então. Ao fazer uma leitura detalhada dos diferentes contos reunidos por Delarue nos anos 50, conclui-se que a protagonista se refere, na versão original, à “necessidade de transformações biológicas femininas, que levam à eliminação das mais velhas pelas mais jovens”. A tríade “menina-mãe-avó” representaria o ciclo de gerações que substituem umas às outras, em uma mescla de benevolência, transmissão de ensinamentos e rivalidade – que transcorre fora da esfera do masculino. A menina escolhe sozinha o seu caminho, mas ao fazer isso corre o risco de ser devorada pelo lobo, ou seja, para se transformar em mulher, deve compartilhar a cama de um pretendente e, dessa forma, incorporar o estatuto das gerações seguintes. O conto seria uma alegoria da sociedade matrilinear das aldeias.

Sigmund Freud destaca, em 1908, a versão dos irmãos Grimm para tratar do desenvolvimento da sexualidade infantil. Ele observa que, espontaneamente, as crianças imaginam que bebês nascem pelo umbigo ou que o ventre da mãe se abre “como o que acontece com o lobo, no conto do Chapeuzinho Vermelho”.

Em 1913, um analisando que se tornou conhecido como “o homem dos lobos” contou um sonho no qual figuravam animais que lembravam uma ilustração de Chapeuzinho Vermelho. Freud deduziu que o animal seria uma representação do pai do paciente e se perguntou se o conteúdo latente do próprio conto não seria simplesmente o medo infantil da figura paterna.

Em 1951, o psicanalista Erich Fromm afirmou que o conto tratava dos questionamentos sobre a sexualidade e que o famoso gorro vermelho simbolizava a primeira menstruação. E sugere algo questionável, talvez mais adequado ao momento histórico de sua época: “O conto seria um triunfo de mulheres que detestam os homens”. Ele ressalta que na versão dos irmãos Grimm o masculino não só é figurado como cruel, manipulador e ridicularizado por uma paródia de gravidez. O lobo “carrega” a avó em seu ventre e “dará à luz” à força, antes de ser morto. Moral da história para Fromm: o lobo é que deve ficar longe de menininhas inocentes…

COMPLEXO DE ÉDIPO

A análise psicanalítica mais conhecida desse conto é de Bruno Bettelheim, feita em seu livro Psicanálise dos contos de fada. “Chapeuzinho Vermelho de Perrault perde muito de seu encanto porque é evidente demais que o lobo da história não é um animal selvagem. Esse excesso de simplificação, somado a uma moralidade expressa sem meias palavras, enunciando tudo previamente. Assim, a imaginação do ouvinte não consegue conferir ao conto um sentido pessoal”, escreve. E faz uma leitura bastante peculiar a respeito da protagonista: “Como a garotinha, em resposta à tentativa direta e evidente de sedução (por parte do lobo), não esboça o menor movimento de fuga ou resistência, pode-se deduzir que ela quer ser seduzida. Ela não é, seguramente, uma personagem com a qual teríamos vontade de nos identificar”. Ele insinua ainda que, de certa forma, ela seria cúmplice do assassinato da avó. Temos aqui o complexo de Édipo em todo o seu esplendor: a criança quer seduzir o progenitor do sexo oposto e ser seduzida por ele, mas para isso é preciso se livrar da figura parental do mesmo sexo.

Mesmo que esse tipo de interpretação possa ser considerado excessivo ou descabido, ainda assim é difícil negar que o conto apresenta certa carga de subversão. Como, por exemplo, não perceber uma sinalização feita ao público adulto quando Perrault escreve: “Chapeuzinho Vermelho se despe e vai para a cama, onde fica bastante surpresa ao ver o corpo nu de sua vovozinha”?

Na verdade, parece ser a simplicidade do conto, e não sua profundidade, que faz de Chapeuzinho Vermelho um conto inesquecível. É perfeitamente possível compreendê-lo sem procurar nenhum “sentido oculto”, examinando de modo pragmático sua construção, o que ele diz e o que a criança vê na história. Perrault tinha especial cuidado em apresentar os contos como “narrativas agradáveis e equilibradas, bem dosadas para a delicadeza da idade do público infantil”. Por isso ele utiliza uma série de diminutivos – como “vovozinha” ou a senha para a porta da casa da avó, como um refrão com as palavras “tramelinha”, “ferrolhinho”, termos em desuso na época em que o autor escreve e que ele integra em inúmeras repetições, conferindo ritmo particular à narrativa e facilitando a memorização.

A história ganha corpo em um contexto privilegiado: é contada em voz alta por um adulto a uma criança em um momento íntimo, geralmente na hora de dormir. Nessa situação, a criança está relaxada, próxima ao adulto, aberta ao que é estranho e às surpresas, disposta a conferir plenos poderes à imaginação. Nesse contexto fica mais fácil compreender o final do conto na versão de Perrault, quando o lobo exclama “É para melhor comer você!”- e devora Chapeuzinho, num final muitas vezes considerado trágico e cruel e por isso mesmo censurado.

No manuscrito da antologia de 1695, só descoberto em 1953 em uma coleção particular, Perrault fez uma anotação na margem do texto: “Essas palavras devem ser ditas em um tom de voz forte para assustar a criança, como se o lobo fosse comê-la viva”. O final do conto se alia subitamente à realidade, em uma reviravolta inesperada, na qual a criança se transforma em personagem principal, o que em geral ela adora. Como a criança não é de fato devorada, Chapeuzinho também não é.

Da mesma forma, quando o lobo e a menina pegam caminhos diferentes para ir à casa da avó, a criança que ouve a narrativa precisa fazer um corte na história, dividindo em dois o curso dos acontecimentos. Essa capacidade pode parecer evidente para adultos, mas não é inata. A maturação neurológica e a possibilidade psíquica de transformar a realidade em histórias e a ficção em realidade, mantendo ao mesmo tempo esses domínios em universos distintos, são adquiridas gradualmente, ao longo do desenvolvimento. Dessa forma, a estrutura do conto maneja de maneira habilidosa diferentes níveis de ficção, moldando e preparando o espírito da criança para um mundo complexo.

O conto exige certa competência cognitiva. Trata-se daquilo que os pesquisadores chamam de teoria da mente, um conceito criado por primatologistas que se perguntavam se os chimpanzés tinham compreensão do que acontece na cabeça de outros da sua espécie e mesmo do que pensam os humanos. Será que eles conseguem fazer a diferença, por exemplo, entre alguém que sabe que uma caixa contém uma banana e alguém que ignora? Ou, de modo mais sutil, eles compreendem que alguém pode ter uma falsa crença ou convicção, imaginando, por exemplo, que uma caixa contém uma fruta quando na realidade o recipiente está vazio? Também tem sido questionado a partir de que idade a criança desenvolve uma teoria da mente, passando a entender que as outras pessoas têm desejos, convicções e intenções diferentes dos dela.

Um teste simples é utilizado para verificar essa aquisição. A versão mais conhecida dessa ferramenta é uma pesquisa publicada em 1983 por Heinz Wimmer e Josef Perner. No teste da transferência inesperada (unexpected transfer, em inglês), a criança deve prever que uma pessoa que ignora que determinado objeto foi mudado de lugar vai procurá-lo onde acha que ele está – e não onde ele está realmente. É apresentada à criança uma situação em que dois personagens estão em um aposento diante de duas caixas, uma verde e uma azul. Um dos protagonistas, Maxi, põe a barra de chocolate dentro da caixa verde. Ele é então orientado a sair do aposento, e em sua ausência seu irmão muda a barra de chocolate de lugar, colocando-a na caixa azul. Em seguida, Maxi volta. Pede-se então à criança, que assiste a todos esses movimentos, que diga em qual caixa Maxi vai espontaneamente procurar o chocolate. Para responder corretamente à pergunta, é preciso que a criança entenda que ela sabe de coisas que Maxi ignora. As crianças com menos de 4 anos se enganam sistematicamente e respondem em função de seu próprio conhecimento da situação: pensam que Maxi sabe, como elas, que o chocolate mudou de lugar e que o menino vai abrir a caixa azul.

A teoria da mente pode ser aplicada também ao conto Chapeuzinho Vermelho: a criança que escuta a história deve fazer constantemente a distinção entre o que sabe e o que os personagens da narrativa têm conhecimento. Ao mesmo tempo, o pequeno ouvinte deve determinar o que os personagens sabem uns dos outros. Há um jogo complexo que requer não só trabalho de memória, mas ainda capacidade de se colocar no lugar dos outros. Vejamos, por exemplo, o momento no qual o lobo chega à casa da avó. Como ele age para conseguir entrar? Eis a cena: Toc, toc. “Quem é?”, pergunta a avó. “É sua netinha, Chapeuzinho Vermelho, trazendo manteiga e biscoitos que a mamãe mandou”, diz o lobo imitando a voz da menina. Note aí a astúcia do lobo, que repete as mesmas palavras que ouviu da menina de modo a instilar uma falsa convicção na mente da avó.

A criança que ouve a história deve perceber que a avó tem uma representação errada da realidade e que o lobo continua sendo o lobo, apesar de se fazer passar por outra pessoa. O engodo é um processo complexo: para realizá-lo, constatá-lo ou frustrá-lo, é preciso saber o que passa na cabeça do outro, saber o que os outros sabem de nossas próprias convicções, guardar todas essas informações na memória e ser capaz de compará-las, além de eventualmente revisá-las em tempo real.

A protagonista cai na armadilha do lobo pois ignora o que ele já sabe; já o vilão conhece o que ela ignora. A questão que se impõe é determinar até que ponto uma criança pequena entende exatamente da história, não em termos de sexualidade emergente, de sociedade matrilinear ou do que for, mas simplesmente em relação à própria trama.

Foi isso o que procuraram entender os psicólogos Joel Bradmetz e Roland Schneider, da Universidade de Besançon. Eles narraram aversão de Perrault, assim como diversas adaptações, a crianças com idade entre 3 e 8 anos e fizeram perguntas bem simples: antes de entrar na casa da avó, quem Chapeuzinho Vermelho espera encontrar, a avó ou o lobo? Naquela hora, a menina sente medo ou não? Como previsto, a maioria das crianças com menos de 4 anos pensava que, como elas mesmas, a protagonista deveria saber que o lobo estava na cama da avó. Mas o que surpreendeu foi a evidência atestada pelos pesquisadores deque mesmo as crianças que davam a resposta correta (a avó está na cama) pensavam que Chapeuzinho Vermelho estava com medo. E essa convicção persistia mesmo em crianças com 7 ou 8 anos. O inverso não é verdadeiro: nenhuma das crianças que estavam convencidas de que Chapeuzinho não sentia medo respondia que ela acreditava que ia encontrar o lobo na cama da avó. Isso demonstra que existe uma distância entre a mentalização das convicções e a das emoções e que estas últimas exigem um período de desenvolvimento bem mais longo. Conhecendo esses resultados, fica mais fácil entender a atração psicológica que o conto de Perrault pode ter para as crianças, dependendo da idade. Longe de captar tudo de uma só vez, elas veem nessa história aparentemente tão simples uma sucessão complexa e divertida de interações mentais e afetivas entre personagens que, como elas, não têm um conhecimento perfeito das convicções e intenções de uns e de outros. O conto, admiravelmente construído e calibrado por Perrault, funciona para a mente infantil como uma intriga policial, um drama psicológico com múltiplos quiproquós.

Chapeuzinho Vermelho prepara os pequenos para o mundo da ficção e das interações, adaptando-se às capacidades cognitivas dos pequenos. Muitas vezes, os pais se surpreendem com o pedido dos filhos de contar novamente uma história que eles já ouviram dezenas de vezes. O que permite deduzir que as crianças só entendem o comportamento e as emoções de cada personagem progressivamente e, portanto, que a cada vez elas escutam uma história ligeiramente diferente. Colocar-se no lugar alheio, mentir, conceber que os outros possam mentir, imaginar alternativas, comparar pontos de vista, ser irônico e fazer “de conta” são facetas das interações sociais em ação nesse conto tão rico.

“POR QUE ESSES OLHOS TÃO GRANDES, VOVÓ?”

A mais antiga referência explícita a Chapeuzinho Vermelho está em um manuscrito de Charles Perrault sobre os Contos da Mamãe Gansa, datado de 1695. No texto, Chapeuzinho Vermelho é uma linda menininha vestida de vermelho, o que lhe vale seu codinome. Ela é encarregada pela mãe de levar um pote de manteiga e biscoitos para a avó. No caminho, cruza com um lobo na floresta. Ele não a devora na mesma hora, mas lhe pergunta para onde ela está indo e “a pobre menina, que não sabia ser perigoso parar e conversar com um lobo”, conta sobre a tarefa qual tinha sido encarregada e diz onde fica a casa da avó. Por um atalho, o vilão chega lá antes dela e devora a idosa. Enquanto isso, a garota se distrai colhendo avelãs, correndo atrás de borboletas e fazendo pequenos ramalhetes de flores e chega mais tarde à casa da avó. O lobo veste uma camisola e se deita na cama da avó, fingindo ser ela. Segue-se então o famoso diálogo, que começa com “Vovó, que olhos grandes você tem!”.

O lobo responde: “É para melhor ver você, minha querida”. E termina com ”Vovó, como são grandes seus dentes! É para melhor comer você!”.

SENTIDOS OCULTOS

As interpretações de Chapeuzinho Vermelho são múltiplas.

O próprio caráter estranho do conto – um lobo que fala, o ambiente opressivo da floresta – presta-se à evocação do mundo dos sonhos ou da loucura e ao comentário de que o conto seria simplesmente absurdo. Outras leituras focaram os aspectos históricos. A versão dos irmãos Grimm, por exemplo, chegou a ser descrita como uma representação do sentimento antifrancês do povo alemão. Um olhar feminista viu na narrativa um monumento de machismo no qual as mulheres são descritas como intrinsecamente ingênuas, manipuladoras e más, e por isso devem ser punidas. Outras análises, ainda, destacaram que naquelas épocas mais antigas os lobos constituíam uma ameaça para os humanos, e por isso o conto poderia ter meramente a função educativa de alertar as crianças. Mas foram as leituras etnológicas e principalmente psicanalíticas que abriram a possibilidade de compreensão de sentidos menos óbvios, trazendo a discussão de temas como a encenação do complexo de Édipo e o conflito de gerações, questionando o lugar das mulheres na economia familiar dos povoados e o desenvolvimento da sexualidade.

Contos de Fadas - Chapeuzinho Vermelho

 

 

.
Anúncios

OUTROS OLHARES

O DRAMA DO CONTINENTE

Índice de pobreza extrema atinge pior nível em dez anos na América Latina. E a principal causa para desempenho tão sofrível é a crise econômica do Brasil.

O Drama do continente

A América Latina gozou de um alvissareiro início de século XXI: entre 2002 e 2014, a região conseguiu aliar crescimento econômico consistente com diminuição da pobreza. A tendência continua positiva na maior parte dos países, mas um estudo apresentado na semana passada pela Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal), ligada à ONU, mostra que algumas nações têm ficado para trás. A Venezuela e a Guatemala passam por dificuldades. E o Brasil, que abriga cerca de um terço da população da região, viu mais de 3 milhões de pessoas cair no estrato mais baixo de renda entre 2015 e 2017, o que elevou o índice de pobreza extrema da América Latina para 10,2%, seu pior nível em uma década. O tamanho e a importância do país fazem com que o drama brasileiro seja também o drama de toda a região.

O estudo, batizado de Panorama Social da América Latina 2018, aponta a crise econômica como a grande culpada pelo aumento da pobreza no país, notadamente pelo agravamento do desemprego e pela interrupção do aumento real do salário mínimo. Uma situação que ainda pode piorar. Laís Abramo, diretora da Divisão de Desenvolvimento Social da Cepal, teme que os cortes em despesas importantes na área social intensifiquem a tendência. “Os serviços públicos e as políticas de proteção social tiveram o papel de impedir que o aumento da pobreza fosse ainda mais acentuado”, explica a pesquisadora.

Políticas públicas como o aumento do salário mínimo, programas de transferência de renda como o Bolsa Família e qualificação profissional por meio de educação gratuita impulsionaram o último ciclo de desenvolvimento social no Brasil, segundo a Cepal. No entanto, os bons ventos econômicos cessaram. Kaizô Beltrão, professor da Fundação Getúlio Vargas, acredita que a crise cerceou as ações do governo e acabou dificultando o investimento no social, justamente no momento em que mais gente perdeu o emprego. “Tornar a crescer a partir de 2019 é importante para que se volte a investir nos mecanismos de distribuição de renda, saúde e educação”, diz. Laís Abramo reconhece a importância de ter uma economia em crescimento, mas teme que ela venha acompanhada de uma concentração ainda maior da renda.

A prova de que o crescimento tem relação direta com a taxa geral de pobreza é a significativa ascensão social em países que mantêm a pujança econômica, como Chile, Colômbia e Paraguai, que até ajudaram a compensar o mau resultado no Brasil. De uma maneira ou de outra, o presidente Bolsonaro precisa colocar a economia brasileira nos trilhos. Além do Brasil, a América Latina inteira torce por isso.

GESTÃO E CARREIRA

ESSA TAL DE BLOCKCHAIN

O que é exatamente essa tecnologia e por que ela virou lugar-comum no mundo dos negócios

Essa tal de blockchain

O nome blockchain veio a público pela primeira vez em 2008, quando Satoshi Nakamoto, o criador do Bitcoin, publicou um artigo sobre o funcionamento da criptomoeda e da tecnologia que daria suporte a ela, a blockchain. Até hoje, ninguém sabe a real identidade de Satoshi: o programador desapareceu da internet em 2012, sem rastros. Embora seu paradeiro seja uma incógnita, ele deixou um legado e tanto.

Se ainda existem incertezas sobre o destino das moedas digitais, não falta esperança para a blockchain. Segundo estudo da consultoria americana Gartner, a tecnologia movimentará 3 trilhões de dólares pelo mundo, até 2030. Isso pressupõe imaginar que, em pouco mais de uma década, até 20% da infraestrutura necessária para o funcionamento da economia mundial estará suportada por essa plataforma.

Outra pesquisa, da consultoria PwC, feita no ano passado com 600 executivos de 15 países, mostrou que 84% das organizações já têm ao menos algum tipo de envolvimento com o assunto. “Ninguém quer ficar para trás. É fácil entender o porquê. “A prova de falsificação, um sistema de blockchain bem projetado não só elimina intermediários, reduz custos e aumenta a velocidade de muitos processos de negócio como oferece maior transparência e rastreabilidade”, aponta o relatório da PwC.

Mas, afinal, o que é essa inovação? E por que ela se tornou praticamente onipresente nas discussões sobre negócios? Para entender melhor, é preciso se voltar ao sistema financeiro, onde reside a origem das criptomoedas e do sistema por trás delas. Hoje, o banco intermedeia as transações que você faz, cobrando taxas pelo serviço em troca de segurança. Já no mundo do Bitcoin não há mediador. Toda a transação, de ponta a ponta, ocorre dentro do sistema blockchain: os dados da movimentação ficam gravados em blocos sequenciais de informações – daí o nome, em inglês: block (“bloco”) e chain (“cadeia”) -, e quem legitima as operações não é mais uma única companhia (ou pessoa), e sim uma rede de usuários com acesso aos códigos. Mal comparando, os registros na rede blockchain funcionam corno no Google Docs. Eles podem ser visualizados nos computadores de vários usuários simultaneamente. “No modelo tradicional, alguém confiável precisa assegurar a conclusão dos registros. Numa rede blockchain, isso é feito de forma colaborativa, compartilhada e descentralizada”, diz Marcos Kalinowsky, professor do departamento de informática da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro.

De acordo com o pesquisador, há ainda outra vantagem significativa: os blocos de informações são criptografados e é praticamente impossível adulterá-los. Retornando à comparação do Google Docs, as pessoas possuem uma cópia do documento, mas não conseguem editá-lo.

E isso é ouro para instituições que trabalham com operações que envolvem risco de fraude. Um atestado disso é que os maiores bancos do mundo, como JP Morgan e Goldman Sachs, já têm projetos em andamento para implantar processos de blockchain.

DESTINO PROMISSOR

Com tantos predicados, há motivos de sobra para acreditar que a inovação se alastrará para áreas além da financeira. Seus princípios são aplicáveis a qualquer tipo de negócio e podem ser usados para atestar desde a origem de uma pedra preciosa até a proteção da internet das coisas (IoT). Com bilhões de dispositivos conectados, especialistas em segurança cibernética acreditam que a blockchain será essencial para ajudar a manter a integridade desse enorme fluxo de informações.

A startup GOBlockchain, que oferece treinamento, consultoria e soluções no tema, é um exemplo de como os usos da ferramenta são versáteis. Entre os produtos que ela já desenvolveu está uma rede para ratificar certificados de cursos. “No sistema, eles são validados tanto por quem estudou quanto pela instituição de ensino, o que evita fraudes. Profissionais de RH também conseguem verificar as informações do currículo de um usuário antes de ele ser contratado”, diz Henrique Leite, fundador da companhia. Segundo ele, a demanda surge de várias áreas de negócios. “Recentemente, fizemos um estudo para uma imobiliária e apontamos soluções como depósito-caução em criptomoedas com a possibilidade de financiamento coletivo. Também estamos implementando soluções para o agronegócio.”

Na visão otimista, não são apenas as empresas que ganham com esse tipo de inovação, mas os consumidores. O raciocínio é o seguinte: se somente uma instituição detém a validação de um dado, isso é facilmente manipulável. “Essa tecnologia consegue envolver todos os atores de uma cadeia para validar informações contidas e interligadas pela rede. A rastreabilidade é maior, assim como a transparência”, diz Maurício Magaldi, líder de serviços em blockchain para a América Latina da IBM.

Importante dizer que são as companhias que desenham e desenvolvem as próprias redes, baseadas nos procedimentos inaugurados por Satoshi. “Blockchain é a tecnologia. O conjunto de regras da rede é o protocolo, criado com base em um consenso entre participantes”, esclarece Maurício; Isso possibilita, inclusive, que o cliente final tenha acesso à rede. Basta que a organização em questão tenha interesse nisso. Nesses casos, quem está na ponta deixa de ser um agente passivo e passa a ter um conhecimento relevante na hora de decidir por uma marca ou empresa, por exemplo.

Um modelo de empresa que já usa esse tipo de tecnologia é a Blockforce. A startup, fundada no início de 2018, funciona como uma plataforma de financiamento para projetos com impacto social. “Uma pessoa que quer produzir cerveja artesanal pode ter dificuldade de obter empréstimo. Na rede que desenhamos, se o projeto movimenta a economia social e é lucrativo, ela consegue captar investidores. A vantagem para quem investe é ter as informações rastreáveis e auditáveis no mesmo lugar”, diz o fundador André Salem, de 29 anos, que antes de empreender atuou em grandes companhias de tecnologia. Os aportes são feitos em criptomoedas e podem ser convertidos em real por meio de casas de câmbio especializadas. Hoje, a rede tem 1.000 usuários, entre empreendedores e investidores, que realizam transações (como aportes e participação nos lucros) via rede blockchain – sem intermediação.

NEM TUDO SÃO FLORES

Embora a expectativa seja de que a blockchain mude radicalmente a forma como os negócios atuam, no fundo é incipiente. Hoje, as redes não abarcam um número relevante de atores, e a troca de informações ainda não acontece de forma efetiva – o que atrapalha análises mais objetivas sobre seu potencial e impacto.

Outro desafio, segundo Maurício, da IBM, é estabelecer as regras dentro de cada rede. “Estamos falando se ela vai, por exemplo, colocar determinadas informações como públicas ou privadas. Para os participantes chegarem a um consenso, é preciso criar uma governança compartilhada, o que não é simples”.

Existe também a questão da vulnerabilidade do sistema, que depende de software e, como qualquer programa de computador, pode falhar.

Martha Bennett, analista especializada em tecnologia na empresa global de pesquisas Forrester Research, diz que os estudos apontam que a ausência de “milagres”, ou seja, resultados revolucionários no curto prazo, levará muitos tomadores de decisão do mundo corporativo a “jogar fora a água do banho junto com o bebê, bloqueando investimentos em blockchain”. “Os visionários seguirão em frente. Já aqueles que esperavam uma resposta imediata desistirão”, afirma. Outro ponto sensível é a falta de regulamentação. Ainda não existem medidas antitruste que impeçam que um pool de companhias negocie dentro de uma rede blockchain e controle mercados, por exemplo.

PROCURAM-SE PROFISSIONAIS

Mesmo com pontos obscuros, a tecnologia tem feito subir a demanda por especialistas na área. No LinkedIn há, mundialmente, mais de 12.000 vagas que requerem conhecimento no tema. A busca é tanto por programadores, gente capaz de desenhar sistemas de blockchain inteligentes e eficazes, quanto por executivos, pessoas que entendam de negócios e consigam vislumbrar usos interessantes para a ferramenta em seu segmento de atuação. Em casos assim, estratégicos, não é preciso nem entender de códigos. Basta ter conhecimento sobre o conceito e suas aplicabilidades.

Carlos Rischioto, de 40 anos, líder da plataforma de blockchain da IBM, reúne os dois perfis. Há 15 anos atuando no segmento de tecnologia, passou a trabalhar com blockchain dois anos atrás. De lá para cá, ele, que é formado em ciência da computação, conta que passou a chamar mais a atenção do mercado.

“Tive ofertas recentes de emprego em concorrentes e empresas interessadas em aplicar a tecnologia em seus negócios. Fiquei na IBM porque sinto que ainda posso crescer aqui”, diz. O profissional acredita que, para ser bem-sucedido, é preciso estar antenado na evolução da tecnologia. “Curiosidade e autodidatismo são essenciais, pois os cursos que existem hoje e estão disponíveis não ensinam tudo. Uma boa dica é participar de redes que utilizem blockchain para entender como funciona. “Quem fizer isso terá grandes chances de encontrar emprego nos próximos anos.

Essa tal de blockchain. 4.jpg

COMO FUNCIONA?

Entenda de que maneira acontece a transferência de dados na tecnologia blockchain:

O PASSO A PASSO

As transações são verificadas por meio de consenso entre os participantes, que podem visualizar e confirmar códigos. Como o sistema é criptografado, há segurança dos dados e não é preciso um intermediário para regular.

1 – Uma pessoa pede para fazer uma transação

2 – Essa transação é transmitida por meio de rede de computadores descentralizada, que a valida de acordo com o status do usuário e em algoritmos.

3 – Para que uma transação seja verificada, pode ser preciso usar criptomoedas, tokens ou outro tipo de dado digital.

4 – Uma vez verificado, o registro em questão é combinado com outros registros, formando um novo bloco de dados.

5 – Esse novo bloco é adicionado à cadeia de informações existente e não pode ser alterado nem excluído.

6 – A transação chega ao fim.

Essa tal de blockchain. 3

10 USOS DA BLOCKCHAIN QUE VOCÊ NEM IMAGINA

A inovação pode ser aplicada em diferentes indústrias. Veja algumas delas:

1 – CONTRATOS INTELIGENTES

Como a blockchain automatiza transações com base em condições ou eventos predeterminados, pode ser aplicada em contratos de compra e locação de bens e até em testamentos. A documentação ficaria na rede, sem ser adulterada, podendo ser verificada de maneira segura.

2 – LOGÍSTICA

Os blocos de dados permitem o acompanhamento de mercadorias e peças ao longo de toda a cadeia de abastecimento e o monitoramento do ciclo de vida de um produto. Isso ajuda na gestão do estoque em diferentes indústrias, do agronegócio às joalherias.

3 – ÁREA FISCAL

Os processos fiscais e contábeis podem se tornar mais confiáveis e rápidos por meio das checagens automatizadas de segurança do sistema.

4 – ROYALTIES E LICENÇAS

A blockchain traz agilidade nos pagamentos de royalties e na execução de licenças, além de aumentar a confiança de quem vende direitos autorais – pois os dados são registrados nos diversos computadores da rede e não podem ser alterados.

5 – CONTROLE DE IDENTIDADE

Com essa tecnologia, é possível atestar a identidade na criação de documentos, no gerenciamento de credenciais e no cadastro de pessoas em programas de recompensa de marcas, por exemplo.

6 – VOTAÇÕES

Como os dados de uma cadeia blockchain são imutáveis e verificados pelos próprios usuários, a tecnologia traria segurança para eleições eletrônicas.

7 – DIREITOS TRABALHISTAS

As informações em blockchain podem aumentar a transparência dos contratos de prestação de serviço em toda a cadeia de produção, o que ajudaria a evitar explorações como trabalho escravo ou infantil. A coca­ cola, ao lado do governo americano, está desenvolvendo um sistema desse tipo.

8 – SAÚDE

Pacientes, médicos, farmácias e hospitais conectados à uma rede blockchain teriam acesso a informações mais seguras sobre tratamentos e histórico de pacientes.

9 – INTERNET DAS COISAS

A cisco, líder mundial em ti e redes, está desenvolvendo um aplicativo que monitora redes de internet das coisas (IoT) por meio de blockchain. O objetivo é aumentar a segurança da tecnologia, já que no futuro praticamente tudo estará conectado, do chuveiro à cafeteira.

10 – PRESTACÃO DE SERVIÇOS

As chaves de segurança usadas na rede blockchain podem ser aplicadas para dar mais confiabilidade em serviços de reparos domésticos ou de automóveis. Um cliente pode liberar o acesso de um prestador à distância e determinar que tipo de equipamento ele pode acessar ou não.

NEGÓCIOS EM TRANSFORMAÇÃO

No ano passado, a PwC realizou uma pesquisa com 600 executivos globalmente para verificar como anda a aplicação da tecnologia nas empresas. Confira os resultados:

Essa tal de blockchain.2

ALIMENTO DIÁRIO

PROVÉRBIOS 16: 25 – 30

Pensando biblicamente

A MALÍCIA E A INVEJA

 

V. 25 – Nós já lemos isto antes (Provérbios 14.12), mas aqui é repetido, como algo que é muito necessário que consideremos:

1. Como advertência para que todos nós evitemos nos enganar com as grandes preocupações das nossas almas, apoiando-nos no que pareça correto e justo, e não no que realmente seja correto e justo; e também para evitar que enganemos a nós mesmos, para que sejamos imparciais ao examinarmos a nós mesmos, e que conservemos um zelo por nós mesmos.

2. Como terror, para aqueles cujo caminho não é justo, que não é como deveria ser, independentemente do que possa parecer para eles mesmos ou para os outros; o seu fim certamente será a morte; para isto, há uma tendência direta e assegurada.

 

V. 26 – Este versículo pretende nos engajar na diligência, e nos estimular a fazer, com todas as nossas forças, o que a nossa mão encontrar para fazer, tanto nas nossas atividades terrenas como na obra da religião; pois, no original, o texto diz: A alma que trabalha, trabalha para si mesma. O trabalho aqui mencionado é o trabalho sincero. É o trabalho da alma que é aqui recomendado a nós:

1. Como o que será absolutamente necessário. A nossa boca nos instiga continuamente; as necessidades, tanto da alma como do corpo, são insistentes, e requerem constante alívio, de modo que precisamos trabalhar ou morrer de fome. Ambas requerem o pão diário; portanto, deve haver trabalho diário; pois no suor do nosso rosto, devemos comer (2 Tessalonicenses 3.10).

2. Como o que será indescritivelmente benéfico. Nós sabemos quem será beneficiado pelo trabalho que realizamos: aquele que trabalha colherá os frutos do seu trabalho; será para ele mesmo; ele se alegrará com o seu próprio trabalho e comerá o trabalho das suas mãos. Se fizermos da religião o nosso trabalho, Deus fará dela a nossa bem-aventurança.

 

V. 27 e 28 – Há aqueles que não somente são odiosos, mas rancorosos e perversos com os outros, e estes são os piores homens; dois tipos destes homens são descritos aqui:

1. Os que invejam a um homem a honra do seu bom nome, e fazem tudo o que podem para miná-la, com calúnias e deturpações: eles cavam o mal; eles se esforçam para descobrir uma ou outra coisa sobre a qual fundamentar uma calúnia, ou algo que possa ser distorcido. Se não houver nada aparentemente, ao invés de se abster de fazer o mal, eles cavarão, em busca dele, mergulhando no que é secreto ou examinando o passado, ou ainda usando de suspeitas e conjeturas malévolas, e deduções forçadas. Nos lábios de um caluniador e maledicente, há um fogo, não somente para manchar a reputação do próximo, mas um fogo ardente, para destruí-la. E que grande destruição causa um pouco deste fogo, e com que dificuldade é extinto! (Tiago 3.5,6).

2. Os que invejam a um homem a consolação da sua amizade, e fazem tudo o que podem para rompê-la, sugerindo, aos dois lados, aquilo que os fará divergir; embora tenham um relacionamento íntimo e antigo – eles no mínimo esfriarão os sentimentos existentes dos dois lados, e os afastarão. O homem rebelde, que não consegue encontrar no seu coração amor por ninguém senão por si mesmo, se incomoda por ver que outros vivem em amor, e por isto se dedica a semear contendas, fazendo descrições vis dos homens, dizendo mentiras, e transmitindo estórias mal intencionadas entre grandes amigos, de modo a separá-los, um do outro, e fazer com que se irem, um com o outro, ou pelo menos, suspeitem, um do outro. São homens maus, e mulheres más também, os que realizam estas coisas perversas; eles estão realizando a obra do diabo, e dele também virão os seus salários.

 

V. 29 e 30 – Aqui, outros tipos de homens iníquos nos são descritos, para que não gostemos deles, nem tenhamos algo a ver com eles.

1. Os que (como Satanás), cometem todo tipo de engano que puderem, por meio da força e da violência, como leões ruidosos, e não somente por meio de fraudes e insinuações, como sutis serpentes; são homens violentos, que fazem tudo por meio de roubo e opressão, são homens que fecham seus olhos, meditando, com a maior atenção e dedicação, para planejar perversidades, para imaginar como poderão causar o maior dano ao seu próximo, e como poderão realizá-lo eficazmente e asseguradamente; e então, movendo seus lábios, dando a palavra de ordem aos seus agentes, causam o mal, efetuam a maldade planejada, mordendo seus lábios (assim alguns interpretam) com irritação. Quando o ímpio planeja contra o justo, range seus dentes sobre ele.

2. Os que (ainda como Satanás) fazem tudo o que podem para seduzir e atrair os outros, para que se unam a eles, na execução de perversidades, conduzindo-os por um caminho que não é bom, que não é honesto, nem honroso, nem seguro, mas ofensivo a Deus, e que será, no final, pernicioso para o pecador. Assim, o diabo planeja destruir alguns neste mundo, conduzindo-os a dificuldades, e outros, no outro mundo, levando-os ao pecado.