PSICOLOGIA ANALÍTICA

APROXIMAÇÕES ENTRE TEMPO E ESPAÇO

Onde está o passado? pessoas que falam idiomas como o português tendem a pensar que aquilo que passou está à esquerda, e o futuro, à direita. Estudos também mostram que distância física e emocional coincidem no cérebro.

Aproximações entre tempo e espaço

A ideia abstrata de tempo costuma ser relacionada, em termos concretos, ao conceito de espaço. Dizemos, por exemplo, que alguns personagens históricos “pensam à frente de sua época” ou que “deixamos o passado para trás”. Esse modo de falar pode ser mais do que apenas metáfora. Um estudo publicado este ano em Psychological Science sugere que é necessário definir, a priori, o espaço para depois entender o tempo. Os pesquisadores descobriram que se alguém não compreende o primeiro conceito com precisão terá dificuldade com o outro. Nesse novo estudo, pesquisadores investigaram a compreensão do tempo de pacientes com uma condição bastante específica. Eles apresentam a síndrome de negligência unilateral: ignoram o lado esquerdo do espaço (não se lembram de uma cena completa ou até mesmo deixam de comer metade da comida do prato) após uma lesão ou acidente vascular cerebral (AVC) no lobo parietal inferior direito. Pessoas que falam idiomas escritos da esquerda para a direita, como o português, o inglês ou o francês, tendem a pensar a linha do tempo com o passado à esquerda e o futuro à direita. Levando em conta essa in formação, a equipe se concentrou em como a negligência unilateral pode alterar o lado esquerdo da cronologia mental, isto é, o pensamento sobre o passado.

Os cientistas selecionaram sete falantes de francês com negligência unilateral, sete pacientes com AVC sem a síndrome e sete pessoas sadias para participar de um estudo simples de memória. Eles aprenderam alguns fatos sobre um personagem fictício – um homem de 40 anos chamado David. Algumas informações sobre ele faziam sentido dez anos no passado e outras só seriam possíveis em dez anos no futuro. Então, os cientistas pediram aos voluntários que se lembrassem de todos os fatos que pudessem a respeito de David. Depois disso, deveriam dizer em que época da vida do personagem as situações aconteceram, aos 30 ou aos 50 anos. Como os pesquisadores suspeitavam, os voluntários com negligência unilateral tiveram maior dificuldade para recordar fatos do passado, mas não do futuro.

Na hora de desenhar um rosto, por exemplo, pacientes com dano cerebral podem representar apenas a sobrancelha e a orelha direita ou agrupar todas as características desse lado, segundo a autora do estudo, a psicóloga Lera Boroditsky, da Universidade da Califórnia em San Diego. “As memórias ficaram confusas; de alguma forma, os participantes tinham muita dificuldade de recordar elementos associados ao passado ou acreditar que fatos antigos aconteceram no futuro”, diz.

A pesquisadora acredita que quando perdemos a compreensão interna de espaço, a capacidade correspondente de percepção do tempo é afetada. Ela agora pretende repetir o estudo com falantes de hebraico e árabe, que leem (e compreendem a linha do tempo) da direita para a esquerda, para verificar se negligenciam o futuro em vez do passado.

MESMA HORA, MESMO LUGAR

Outros estudos também procuram decifrar como conceitos espaciais e temporais se sobrepõem e se complementam, muitas vezes fazendo com que uma percepção seja alterada ou mesmo prejudicada em razão da outra. Na base desses estudos está a hipótese, cada vez mais aceita, de que distância física e emocional coincide no cérebro. Isso equivale a dizer que tempo, espaço e relações sociais partilham um idioma comum. Talvez isso ocorra porque essas concepções dividem padrões comuns de atividade cerebral. É o que mostra um estudo recente, publicado em Journal of Neuroscience.

Interessados em entender porque a metáfora de distância serve para diferentes domínios conceituais, pesquisadores da faculdade de psicologia da Universidade Dartmouth usaram ressonância magnética funcional para analisar o cérebro de 15 pessoas enquanto observavam objetos domésticos (próximos ou distantes), fotografias de amigos ou apenas conhecidos e liam frases como “em poucos segundos” ou “daqui a um ano”.

Os padrões de atividade no lóbulo parietal inferior direito, uma região associada ao processamento de informações de distância, permitiram que os cientistas identificassem quando os participantes do experimento pensavam sobre algo perto ou distante em qualquer categoria, o que indica que certos aspectos relacionados a tempo, espaço e relacionamentos são processados de maneira similar no cérebro. Os resultados sugerem que as funções cerebrais superiores são organizadas mais em torno de cálculos, como perto versus longe, do que domínios conceituais, como tempo ou relações sociais.

Aproximações entre tempo e espaço. 3 

PARA QUE LADO É AMANHÃ?

Pessoas que falam línguas diferentes vislumbram o futuro apontando em diferentes direções.

Aproximações entre tempo e espaço. 2

 

 

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Autor: Vocacionados

Sou evangélico, casado, presbítero, professor, palestrante, tenho 4 filhos sendo 02 homens (Rafael e Rodrigo) e 2 mulheres (Jéssica e Emanuelle), sou um profundo estudioso das escrituras e de tudo o que se relacione ao Criador.

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