ALIMENTO DIÁRIO

PROVÉRBIOS 16: 10 – 15

Pensando biblicamente

OS DEVERES DOS REIS

 

V. 10 – Nós gostaríamos que isto fosse sempre verdadeiro, como uma proposição, e deveríamos fazer disto a nossa oração pelos reis e por todos os que estão investidos de autoridade: que uma sentença divina estivesse em seus lábios, tanto para dar ordens (para que o fizessem com sabedoria), quanto ao proferirem sentenças (para que o fizessem com equidade), e que ambas as coisas estivessem comprometidas com o juízo, de modo que, em nenhuma delas, suas bocas pudessem cometer transgressões (1 Timóteo 2.1). Mas frequentemente as coisas não são assim; portanto:

1. Isto pode ser interpretado como um preceito, para que os reis e juízes da terra sejam sábios e instruídos. Que sejam justos e governem com temor a Deus; que ajam com tal sabedoria e consciência em tudo o que disserem ou fizerem a ponto de suas palavras ressoarem corno oráculos divinos, e que sejam guiados por princípios sobrenaturais; não prevarique a sua boca em juízo, pois o juízo pertence a Deus.

2. Isto pode ser interpretado corno uma promessa para todos os reis bons, para que, se sinceramente desejarem a glória de Deus e buscarem a sua orientação, Ele os qualificará com sabedoria e graça, acima dos outros, de maneira proporcional à eminência de sua posição e às confianças depositadas em suas mãos. Quando o próprio Saul foi feito rei, Deus lhe deu outro espírito.

3. Isto era verdade, a respeito de Salomão, que escreveu isto; ele tinha sabedoria extraordinária, de acordo com a promessa que Deus lhe tinha feito, veja 1 Reis 3.28.

 

V. 11 – Observe:

1. A administração da justiça pública pelo magistrado é urna ordenança de Deus; nela, é suspensa a balança, que deve ser segurada por uma mão firme e imparcial; e devemos nos submeter a ela, por causa do Senhor, e ver a sua autoridade na dos magistrados (Romanos 13.1; 1 Pedro 2.13).

2. A observância da justiça no comércio entre os homens é, igualmente, urna recomendação divina. Ele ensinou ao homem a liberdade no uso de balanças e pesos, para o ajuste da justiça, com exatidão, entre comprador e vendedor, para que nenhum deles fosse injustiçado; e todas as outras invenções úteis para a preservação da justiça se originam dele. Ele também recomendou, pela sua lei, que eles fossem justos. É, por­ tanto, urna grande afronta para Ele, e para o seu governo, usar de fraude, e, desta maneira cometer injustiça, sob o pretexto de agir corretamente, o que é iniquidade, em lugar de juízo.

 

V. 12 – Aqui temos:

1. O caráter de um bom rei, a que Salo­ mão não se referiu para o seu próprio louvor, mas corno instrução para os seus sucessores, seus vizinhos e os vice-reis, subordinados a ele. Um bom rei não somente faz justiça, corno também é uma abominação para ele agir de outra maneira. Ele detesta a ideia de agir mal e perverter a justiça; não somente abomina a iniquidade feita pelos outros, como abomina cometer, ele mesmo, iniquidade, embora, tendo o poder, pudesse cometê-la facilmente e com segurança.

2. A consolação de um bom rei: o seu trono é estabelecido pela justiça – “porque com justiça se estabelece o trono”. Aquele que se dedica a usar o seu poder corretamente perceberá que esta é a melhor garantia do seu governo, tanto porque irá agra­ dar as pessoas, deixá-las tranquilas, e manter nelas o interesse, como obterá a bênção de Deus, o que será uma firme base para o trono e uma forte proteção a ele.

 

V. 13 – Aqui está outra característica dos bons reis: o fato de que amam e sentem prazer naqueles que falam coisas retas.

1. Eles detestam parasitas e os que os adulam, mas desejam intensamente que todos os que estão à sua volta lidem fielmente com eles, e lhes digam o que é verdade, quer seja agradável ou desagradável, tanto a respeito de pessoas como de coisas, de modo que tudo esteja sob uma luz correta, e nada esteja encoberto ou disfarçado (Provérbios 29.12).

2. Não somente eles mesmos agem com justiça, como têm o cuidado de empregar; como seus subordinados, os que também agem com justiça, o que é de grande consequência para o povo, que deve se submeter não somente ao rei, como supremo, mas aos governantes enviados por ele (1 Pedro 2.14). Um bom rei, portanto, dará poder a quem é consciencioso e que dirá aquilo que é justo e criterioso, e que saberá como falar coisas retas e relevantes.

 

V. 14 e 15 – Estes dois versículos mostram o poder dos reis, que é grande em todas as partes, mas particularmente naquelas nações orientais, onde eles eram absolutos e arbitrários. Eles matavam a quem quisessem, e conservavam vivos a quem quisessem. A sua vontade era a lei. Temos razões para bendizer a Deus pela feliz constituição do governo sob o qual vivemos, que mantém a prerrogativa do príncipe, sem nenhuma mácula à liberdade do súdito. Mas aqui é sugerido:

1. Quão terrível é o furor de um rei: é como um mensageiro da morte; a ira de Assuero assim foi, com Hamã. Uma palavra irada de um príncipe inflamado foi, para muitos, como um mensageiro da morte, e infligiu tal terror sobre alguns como se uma sentença de morte tivesse sido pronunciada sobre eles. Certamente é um homem muito sábio o que sabe como aplacar o furor de um rei com uma palavra adequadamente pronunciada, como Jônatas certa vez aplacou a ira de seu pai contra Davi (1 Samuel 19.6). Um súdito prudente pode, às vezes, aconselhar a um príncipe enfurecido, e desta forma acalmar seus ressentimentos.

2. Quão valioso e desejável é o favor do rei para os que incorreram no seu desprazer: se o rei vier a se reconciliar com eles isto lhes será como a vida entre os mortos. Para outros, é como uma nuvem da chuva serôdia, que revigora e refresca o solo. Salomão lembrou seus súditos disto, para que não fizessem nada que provocasse a sua ira, mas que fossem cuidadosos para se recomendar ao seu favor. Nós devemos nos lembrar do quanto nos interessa escapar à ira, e obter a benevolência do Rei dos reis. O seu desagrado é pior do que a morte, mas a sua benignidade é melhor do que a vida; por isto, são loucos os que escapam à ira e obtêm a benevolência de um príncipe terreno, porém fogem da benevolência de Deus. e se tornam odiosos à sua ira.

Autor: Vocacionados

Sou evangélico, casado, presbítero, professor, palestrante, tenho 4 filhos sendo 02 homens (Rafael e Rodrigo) e 2 mulheres (Jéssica e Emanuelle), sou um profundo estudioso das escrituras e de tudo o que se relacione ao Criador.