ALIMENTO DIÁRIO

PROVÉRBIOS 15: 14-24

Pensando biblicamente

SABEDORIA E TOLICE

 

V14 – Aqui há duas coisas a admirar:

1. Um sábio não satisfeito com a sua sabedoria, mas ainda procurando aumentá-la; quanto mais ele tem, mais deseja ter: “O coração sábio buscará o conhecimento”, alegrando-se tanto no conhecimento que já obteve, que ainda cobiça mais, e no uso dos meios do conhecimento ainda busca mais, crescendo em graça, e no conhecimento de Cristo.

2. Um tolo satisfeito com a sua tolice, e sem buscar a cura para ela. Enquanto um homem bom tem fome das genuínas satisfações da graça, uma mente carnal se banqueteia com as satisfações de apetites e caprichos. A alegria vã e os prazeres dos sentidos são o seu prazer, e com eles ele pode ficar satisfeito, lisonjeando-se destas maneiras tolas.

 

V. 15 – Veja aqui a grande diferença que existe entre a condição de alguns dos filhos dos homens. e outros.

1. Alguns estão em meio a muita aflição, e com um espírito angustiado, e todos os seus dias são maus, como os da velhice, e dias sobre os quais dizem não ter prazer. Eles comem nas trevas (Eclesiastes 5.17) e nunca comem com prazer (Jó 21.25). Quantas são as aflições dos aflitos deste mundo! Eles não devem ser censurados nem desprezados, mas merecem piedade e oração, socorro e consolação. Poderia ter sido a nossa própria sorte, ou ainda pode vir a ser, ainda que estejamos alegres no presente.

2. Outros desfrutam de grande prosperidade e têm um espírito alegre; e eles não têm somente dias bons, mas um banquete contínuo; e se, na abundância de todas as coisas, servirem a Deus com alegria no coração, e forem obedientes (fazendo tudo isto, como também se faz no céu), então estarão servindo ao bom Mestre. Mas não devem se banquetear sem temor; uma súbita mudança pode acontecer; “alegrai-vos com tremor”.

V.  16,17 – Salomão disse, no versículo anterior, que aquele que não tem uma grande propriedade. nem uma grande renda, mas tem um espírito alegre, tem um banquete contínuo; o contentamento cristão, e a alegria em Deus, tornam a vida fácil e agradável; aqui, Salomão nos diz o que é necessário para esta alegria de espírito, que dará um banquete contínuo para um homem, ainda que ele tenha pouca coisa no mundo – santidade e amor.

I – Santidade. O pouco, se bem administrado e desfrutado no temor do Senhor, será mais consolador e terá um resultado melhor do que o de um grande tesouro, pois as inúmeras riquezas trazem consigo muitos problemas. Precisamos manter uma boa consciência e seguir o caminho do dever, servindo a Deus fielmente, com o pouco que tivermos. Observe, aqui:

1. É, muitas vezes, a sorte dos que temem a Deus ter apenas um pouco neste mundo. Muitas vezes os pobres recebem o Evangelho, e ainda continuam pobres (Tiago 2.5).

2. Os que têm grandes tesouros frequentemente têm grandes problemas com eles; tão longe tais tesouros estão de tranquilizá-los, que na verdade aumentam a sua preocupação. ”A fartura do rico não o deixa dormir”.

3. Se um grande tesouro traz dificuldades consigo, é por falta do temor a Deus. Se os que têm grandes propriedades fizessem o seu dever com elas, e então os confiassem a Deus, os seus tesouros não teriam a companhia de tantos problemas.

4. Portanto, é muito melhor, e mais desejável, ter apenas um pouco no mundo, e possuí-lo com boa consciência, para conservar a comunhão com Deus, e viver pela fé, do que ter a maior abundância e viver sem Deus no mundo.

II – Amor. Além do temor a Deus, a paz com todos os homens é necessária para a consolação nesta vida.

1. Se os irmãos viverem juntos, em unidade, se forem amistosos, sinceros e agradáveis, tanto em suas refeições diárias como em eventos mais solenes, isto fará de uma refeição de hortaliças um banquete suficiente; ainda que o cardápio seja humilde, e os bens tão poucos que eles não tenham como comer nada melhor, ainda assim o amor tornará a refeição saborosa e eles poderão ser tão felizes com ela como se tivessem todos os tipos de guloseimas sofisticadas.

2. Se houver inimizade mútua e contendas, ainda que haja um boi inteiro para a refeição, um boi gordo, não haverá consolação nesta refeição; o fermento da perversidade, de odiar e de ser odiado, é suficiente para azedar toda a refeição. Alguns entendem que isto se refira àquele que oferece a refeição; é melhor ter uma refeição modesta e ser sinceramente bem-vindo, do que ter uma mesa farta com um olhar murmurador e maligno.

 

V. 18 – Aqui temos:

1. A paixão, a grande criadora de contendas. Dela vêm as guerras e as pelejas. A ira atiça o fogo que incendeia cidades e igrejas: um homem iracundo, com suas reflexões mesquinhas, suscita contendas, e dá ocasião para que outros discutam, e aproveita as oportunidades criadas pelos outros, ainda que sejam triviais. Quando os homens levam os seus ressentimentos longe demais, uma contenda ainda produz outra.

2. A mansidão, a grande apaziguadora: o longânimo não somente evitará contendas, para que não se acendam, como apaziguará a luta, se já tiver sido iníciada; ele traz água para apagar a chama, une aqueles que se separaram, e com métodos amáveis os traz a mútuas concessões, para que haja a paz.

 

V. 19 – Veja aqui:

1. De onde surgem as dificuldades insuperáveis que os homens deverão encontrar no caminho do seu dever. Elas não se originam de nada na natureza do dever, mas da preguiça dos que realmente não se importam com ele. Aqueles que não se dedicam ao seu trabalho fingem que o seu caminho é como uma sebe de espinhos, e que não podem realizar o seu trabalho (como se Deus fosse um Mestre duro, colhendo onde não semeou), pelo menos que o seu caminho está cheio de espinhos, que não podem realizar o seu trabalho sem uma grande dose de dificuldades e perigos; portanto, eles passam por este caminho com tanta relutância como se tivessem que andar descalços por uma sebe de espinhos.

2. Como estas dificuldades imaginárias podem ser vencidas. Um desejo honesto e um empenho para cumprirmos o nosso dever, pela graça de Deus, tornará o caminho mais fácil, e nós o encontraremos repleto de rosas: “A vereda dos retos está bem igualada”; é fácil andar por ela, não é árdua, é fácil de ser encontrada, e não é intrincada.

 

V. 20 – Observe aqui:

1. O louvor dos bons filhos, que são a alegria de seus pais, que devem se alegrar com eles, tendo tido muitos cuidados e sofrimentos com eles. Contribui muito para a satisfação dos que são bons, se tive­ rem razões para pensar que foram um consolo para seus pais, em seus últimos anos, quando vêm os maus dias.

2. A insensatez dos filhos ímpios, que, com a sua iniquidade, desprezam os seus pais, ignoram a sua autoridade e recompensam mal a bondade deles: “O homem insensato despreza a sua mãe”, que provavelmente teve muita tristeza com ele, e talvez o tenha mimado muito, o que torna ainda mais pecaminoso o seu pecado, ao desprezá-la, e a tristeza dela, ainda mais dolorosa.

 

V21 – Observe:

1. É uma caracte1istica de um homem ímpio o fato de que ele tem prazer no pecado; ele tem um apetite para com a isca, e a engole apetitosamente, e não teme o anzol, nem o sente , quando o engole: a estultícia é alegria para ele; a dos outros também o é, e a dele, muito mais. Ele peca, não somente sem arrependimento, mas com prazer, não somente não se arrepende de pecar, como se vangloria de fazê-lo. Este é um dos sinais de que uma pessoa não possui a graça de Deus.

2. É uma característica de um homem sábio e bom o fato de que ele tem consciência do seu dever. Um tolo vive à solta, com aventuras, mas sem lei, não age com sinceridade nem constância; mas um homem de entendimento, entendi­ mento este esclarecido pelo Espírito (e os que não têm um bom entendimento não têm entendimento nenhum), anda retamente, vive uma vida sóbria, ordeira, regular, e se esforça, em tudo, para estar em conformidade com a vontade de Deus; e isto é, para ele, constante prazer e alegria. Mas qualquer tolice que permaneça nele, ou se origine dele, em qualquer ocasião, é uma angústia para ele, e ele se envergonha disto. De acordo com estas características, podemos avaliar a nós mesmos.

 

V. 22 – Veja aqui:

1. A má consequência de agir precipitadamente e impensadamente, e sem conselho: “Onde não há conselho os projetos saem vãos”, as medidas são rompidas, e os homens não alcançam seus objetivos, não chegam ao seu fim, porque não desejaram pedir conselhos sobre o caminho. Se os homens não dedicarem tempo e esforços para deliberar consigo mesmos, ou se estiverem tão confiantes sobre o seu próprio juízo, que desdenham consultar outras pessoas, não é provável que realizem qualquer coisa considerável: eles são derrotados por circunstâncias que, com algumas consultas, poderiam ter sido previstas e evitadas. É uma boa regra, tanto em questões públicas como domésticas, não fazer nada impensadamente e precipitadamente.

2. O quanto será benéfico para nós pedir o conselho de nossos amigos: “Com a multidão de conselheiros (com a condição de que sejam criteriosos e honestos, e não deem conselhos com um espírito de contradição), se confirmarão os projetos”. O filho de Salomão não fez bom uso deste provérbio, uma vez que não aquiesceu com o conselho dos anciãos, mas como desejava ter uma multidão de conselheiros, considerando mais o número que a ponderação, pediu conselhos aos jovens.

 

V. 23 – Observe:

1. Nós falamos com sabedoria quando falamos oportunamente: a resposta da boca será nossa credibilidade e nossa alegria, quando for pertinente e relevante, e dita no momento oportuno quando for necessária, será muito considerada, e, como dizemos, “acertará na mosca”. Muitas boas palavras não fazem todo o bem que poderiam ter feito, por não serem oportunas. Nada contribui mais para a beleza do discurso do que ter uma resposta apropriada e imediata, exatamente quando houver ocasião para ela e ela for bem recebida.

2. Se falarmos bem e com sabedoria. isto redundará em nossa própria consolação. e no benefício dos outro s: “O homem se alegra na resposta da sua boca”; ele pode ter prazer a ponto dos ouvintes o admirarem e dizerem: “Quão boa é, e quão bem nos faz’.”, mas de maneira nenhuma deverá se orgulhar por ter falado de maneira tão aceitável.

 

V.  24 – O caminho da sabedoria e da santidade é aqui recomendado:

1. Como sendo muito seguro e confortável: É o caminho da vida o caminho que conduz à vida eterna, em que encontraremos a alegria e a satisfação que serão a vida da alma. e em cujo fim encontraremos a perfeição da bem-aventurança. “Sê sábio, e viverás”. É o caminho para escapar àquela infelicidade, à qual não podemos deixar de nos ver expostos, ou em risco dela. E o caminho para nos afastarmos do inferno que está embaixo, dos laços do inferno, das tentações de Satanás. e de todas as suas fraudes, das dores do inferno, daquela destruição eterna que os nossos pecados merecem.

2. Como muito sublime e honroso: É para cima. Um homem bom coloca os seus afetos nas coisas do alto, e procede de acordo com estas coisas. O seu interesse está no céu, os seus caminhos conduzem diretamente para lá; ali está o seu tesouro, acima, fora do alcance dos inimigos, acima das mudanças deste mundo inferior. Um homem bom é verdadeiramente nobre e grande; os seus desejos e desígnios são elevados, e ele vive acima dos outros homens. Acima da capacidade e fora da vista dos homens tolos.

Autor: Vocacionados

Sou evangélico, casado, presbítero, professor, palestrante, tenho 4 filhos sendo 02 homens (Rafael e Rodrigo) e 2 mulheres (Jéssica e Emanuelle), sou um profundo estudioso das escrituras e de tudo o que se relacione ao Criador.