ALIMENTO DIÁRIO

PROVÉRBIOS 15:  3 – 8

Pensando biblicamente

O CONTRASTE ENTRE OS JUSTOS E OS ÍMPIOS

 

V. 3 – As grandes verdades da divindade são muito úteis para reforçar os preceitos da moralidade, e nenhum mais do que este – que os olhos de Deus estão sempre sobre os filhos dos homens.

1. Olhos para discernir a tudo, não somente dos quais nada pode ser escondido, mas pelos quais tudo é efetivamente inspecionado, e nada é ignorado ou considerado com negligência. Os olhos do Senhor estão em todo lugar; pois Ele não somente tudo vê das alturas (Salmos 33.13), mas está presente em todos os lugares. Os anjos estavam cheios de olhos (Apocalipse 4.8), mas Deus é todo olhos. Isto indica não somente a sua onisciência, e que Ele tudo vê, mas a sua providência universal, com que Ele sustenta e governa tudo. Todos os pecados, obras e tristezas que são praticados em segredo estão bem patentes aos seus olhos.

2. Olhos para discernir pessoas e atos. Ele contempla os maus e os bons, tendo um grande desagrado nos iníquos e maus, e aprovando os justos e bons, e julgará os homens segundo aquilo que os seus olhos virem (Salmos 1.6; 11.4). Os ímpios não ficarão impunes, nem os justos deixarão de ser recompensados, pois o Senhor tem os seus olhos sobre ambos, e conhece o seu verdadeiro caráter; isto transmite tanto consolação aos santos como terror aos pecadores.

 

V.4 – Observe:

1. Uma língua saudável é saúde, saúde para consciências feridas, consolando-as; para almas doentes pelo pecado, condenando-as; para a paz e a caridade rompidas, ao ajustar diferenças, conciliando questões em divergência e reconciliando os grupos divergentes; esta é a cura da língua, que é uma árvore de vida, cujas folhas têm um poder de saúde (Apocalipse 22.2). Aquele que sabe como falar fará do lugar onde vive um paraíso.

2. Uma língua perversa fere (a perversidade, a paixão, a falsidade e a imundície nela quebrantam o espirito); ela fere a consciência do maledicente, e causa culpa ou tristeza aos ouvintes, e ambas as coisas devem ser consideradas como quebrantamento do espírito. As palavras duras não quebram, realmente, ossos, mas muitos corações foram quebrantados por elas.

 

V. 5 – Consequentemente:

1. Que os superiores sejam admoestados a dar instrução e repreensão aos que estão sob os seus cuidados, pois responderão por isto no dia do juízo. Eles não somente devem instruir à luz do conhecimento, como reprovar com o calor do zelo; e as duas coisas devem ser feitas com a aut01idade e o afeto de um pai, e devem ser contínuas, ainda que o efeito desejado não seja imediatamente percebido. Se a instrução for desprezada, repreenda e censure asperamente. É realmente com relutância que os homens revelam erros e deixam desconfortáveis os que estão ao seu redor, mas é melhor isto do que permitir que eles prossigam imperturbáveis pelo caminho que os levará à destruição.

2. Que os inferiores sejam admoestados, não somente a se submeterem à instrução e repreensão (até mesmo às dificuldades), mas a valorizá-las como favores e não desprezá-las, usá-las na sua própria orientação, e sempre ter consideração por elas; isto será uma evidência de que são sábios, e um meio de torná-los sábios; ao passo que aquele que despreza a sua boa educação é um tolo, e provavelmente viverá e morrerá tolo.

 

V. 6 – Observe:

1. Onde há justiça, há riquezas, e as suas consolações: “Na casa do justo há um grande tesouro”. A religião ensina os homens a serem diligentes, modera­ dos e justos; e deste modo, normalmente há um aumento em seu patrimônio. Mas isto não é tudo: Deus abençoa a habitação do justo, e esta bênção enriquece, sem trazer problemas ou dificuldades. Ou, se não houver muitos dos bens deste mundo, ainda assim, onde há graça, há um verdadeiro tesouro; e os que têm apenas pouco, se tive­ rem disposição para se satisfazer e desfrutar a consolação deste pouco, já será suficiente; todas as coisas boas são riquezas. Os justos talvez não enriqueçam, mas há um tesouro na sua casa, uma bênção armazenada, cujo benefício os seus filhos poderão colher. Um homem ímpio e materialista somente deseja ter seu ventre cheio desses tesouros, ter o seu próprio apetite sensual satisfeito (Salmos 17.14); mas a primeira preocupação de um homem justo é com a sua alma, e em seguida, com a sua semente, ter o tesouro em seu coração e também na sua casa, do qual poderão se beneficiar os seus parentes e os que estão à sua volta.

2. Onde houver iniquidade, ainda que haja riquezas, há inquietação de espírito: nos frutos do ímpio, na grande renda que ele tem, há perturbação; pois ali há culpa e maldição; há soberba e paixão, inveja e contenda; e estes são desejos incômodos, que privam ao ímpio da alegria de suas rendas e os torna um problema para o seu próximo.

 

V. 7 – Este versículo diz a mesma coisa que o versículo 2, e mostra que bênção é um homem sábio e que fardo é um tolo aos que estão à sua volta. Aqui, porém, observe ainda:

1. Que nós usamos o conhecimento corretamente quando o transmitimos, sem confiná-lo a algumas das pessoas mais próximas, e recusá-lo aos outros que poderiam fazer bom uso dele, mas quando damos uma porção dessa dádiva espiritual a muitas pessoas, não somente informando, mas difundindo este bem, com humildade e prudência. Devemos nos esforçar para espalhar e propagar o conhecimento útil; devemos ensinar alguns, para que possam ensinar a outros, e assim o conhecimento se difunde.

2. Que não é apenas uma falha derramar a tolice, mas é uma vergonha não transmitir conhecimento, pelo menos não transmitir uma ou outra palavra sábia: “O coração dos tolos não fará assim”; ele não tem nada para transmitir, que seja bom, ou, se tivesse, não teria talento nem vontade para fazer o bem com isto; portanto, aqui há pouco valor.

 

V. 8 – Observe:

1. Deus odeia tanto os ímpios, cujos corações são perversos e suas vidas, malévolas, que até mesmo os seus sacrifícios são uma abominação para Ele. Deus tem sacrifícios que lhe são trazidos, até mesmo por ímpios, para calar a voz da consciência e conservar a sua reputação no mundo, do mesmo modo corno malfeitores vêm a um santuário, não porque seja um lugar santo, mas porque os protege da justiça; mas os seus sacrifícios, ainda que tão custosos, não são aceitos por Deus, porque não são oferecidos com sinceridade, nem por um bom princípio; eles são hipócritas com Deus, e no seu comportamento desmentem as suas devoções, e por este motivo, são uma abominação para Ele, porque são um disfarce para o pecado (Provérbios 7.14). Veja Isaías 1.11.

2. Deus tem tal amor pelos justos que, embora eles não possam arcar com um sacrifício (Ele mesmo providenciou isto), a sua oração é um prazer para Ele. A graça da oração é a sua própria dádiva, e a obra do seu próprio Espírito neles, com que Ele se compraz. Ele não somente atende as suas orações, mas se compraz com as suas orações a Ele, e em fazer-lhes o bem.

Autor: Vocacionados

Sou evangélico, casado, presbítero, professor, palestrante, tenho 4 filhos sendo 02 homens (Rafael e Rodrigo) e 2 mulheres (Jéssica e Emanuelle), sou um profundo estudioso das escrituras e de tudo o que se relacione ao Criador.