PSICOLOGIA ANALÍTICA

QUER DORMIR?  DESLIGUE A TV E O CELULAR! 

Sabemos há décadas que a luminosidade intensa suprime a melatonina, o hormônio que o cérebro produz à noite para induzir o sono. Porém, estudos mais recentes provaram que alguns tons específicos emanados pela tela de aparelhos eletrônicos fazem isso de forma mais pronunciada, deixando as pessoas mais alertas quando deveriam começar a se sentir sonolentas.

Quer dormir Desligue a TV e o celular!

Há uma década a desenvolvedora de software Lorna Herf, de Los Angeles, decidiu testar seu talento em pintura a óleo. Ela e o marido, Michael, também programador de computadores, instalaram claras lâmpadas fluorescentes no mezanino do apartamento para que a moça pudesse pintar à noite e ainda ter uma ideia precisa de como as cores na tela pareceriam durante o dia. Uma vez, tarde da noite, ela desceu para a sala onde computadores estavam ligados. Já mais acostumada às diferenças da iluminação, reparou como as luzes intensas dos equipamentos entravam em choque com a suavidade dos bulbos incandescentes que os cercavam. Ela lembra ter pensado que as telas eletrônicas pareciam “pequenas janelas de luz artificial do dia”, comprometendo o ambiente aconchegante da sala. O casal, versado em tecnologia, projetou então uma solução criativa para minimizar a discrepância. Eles escreveram alguns códigos para mudar o número e o comprimento das ondas dos fótons emitidas pelas telas dos computadores à medida que o dia avançava. O objetivo era imitar o máximo possível as mudanças naturais no ambiente da iluminação, transitando da luz clara e azulada da manhã, passando pelo efeito do sol da tarde para chegar à luminosidade fraca e alaranjada do entardecer.  Primeiro eles pretendiam apenas harmonizar o esquema de iluminação da casa. Mas logo começaram a suspeitar que seu novo aplicativo, que chamaram de f.lux, pudesse também trazer benefícios à saúde. “Depois de usá-lo por algum tempo, começamos a notar que parecia mais fácil desacelerar à noite e dormir depois que os aparelhos eletrônicos eram desligados”, relembra Lorna. Não foram os únicos a apreciar o efeito relaxante. Desde que casal lançou o programa gratuito em 2009, o f.lux foi baixado mais de 20 milhões de vezes.

Ao seguirem seu gosto estético, os Herf toparam com uma curiosidade sobre como o corpo controla a forma como dormimos. Pesquisadores sabiam há várias décadas que luzes fortes de qualquer tipo podem suprimir a melatonina, o hormônio que o cérebro produz à noite para induzir o sono. Mas estudos mais recentes mostram que luzes azuis interferem na produção de melatonina com mais força que qualquer outro comprimento de onda visível, potencialmente deixando as pessoas mais alertas quando deveriam começar a se sentir sonolentas. E acontece que smartphones, laptops e todos os tipos de telas eletrônicas se tornaram mais brilhantes e azuis nas duas últimas décadas por causa da adição das poderosas lâmpadas de LED (Diodo Emissor de Luz) azul. Durante o dia, quando a luz azul já é naturalmente abundante, uma pequena exposição extra às telas eletrônicas não faz muita diferença no cérebro de ninguém. O problema é que cada vez mais as pessoas mais encarando as telas brilhantes noite adentro – o que compromete significativamente a qualidade do sono de milhões de pessoas. Quase todos os entrevistados numa pesquisa da Fundação Nacional do Sono em 2011, por exemplo, admitiram que usavam televisão, computador, celular ou aparelho semelhante uma hora antes de deitar por algumas noites na semana. Em 2014 a mesma organização apurou que 89% dos adultos e 75% das crianças tinham pelo menos um aparelho eletrônico no quarto, e um número significativo deles enviava ou respondia textos após terem caído inicialmente no sono. Motivados por essa pesquisa, engenheiros e programadores de computador estão pesquisando possíveis soluções para evitar que uma população já carente de boas noites de descanso passe ainda mais tempo sem dormir por causa de seus eletrônicos. As soluções vão desde óculos coloridos até sistemas de iluminação naturalistas para casas e escritórios.

“Seria perfeito se as pessoas pudessem descobrir formas de simular as mudanças da luz solar ao longo do dia”, diz Christian Cajochen, chefe do Centro de Cronobiologia da Universidade da Basileia, na Suíça. “O ideal talvez fosse ter no interior das casas a mesma luz que há no exterior.” No entanto, falta comprovar a eficácia desses recursos, especialmente comparados com o simples desligar dos aparelhos.

NO PÔR DO SOL

A luz que emana dos eletrônicos nem sempre foi um entrave ao sono reparador. O atual estado das coisas pode remontar à invenção, em 1992, no Japão, do LED azul super brilhante. Ao combinarem o novo LED azul com os mais antigos, verde e vermelho, ou revesti-lo com químicas que reemitem outros comprimentos de ondas, os fabricantes de tecnologia conseguiram gerar o espectro completo de luz LED branca pela primeira vez. Como LEDs consomem muito menos energia que seus predecessores fluorescentes, eles logo se tornaram onipresentes em telas de tevês, computadores, tablets e alguns leitores eletrônicos, inundando como nunca as casas e escritórios com luzes azuis muito mais claras.

Pesquisadores só começaram a reunir evidências concretas de que os LEDs azuis podem atrapalhar o sono há cerca de 17 anos, mas já tinham uma boa ideia sobre seu provável mecanismo há mais tempo. Cientistas descobriram nos anos 1970 que uma pequena região do cérebro chamada núcleo supraquiasmático ajuda a controlar o ciclo de sono, a vigília, a temperatura e outras flutuações diárias do corpo. Estudos mostraram que o núcleo supraquiasmático impele a glândula pineal do cérebro a produzir melatonina toda noite.

Neste século, biólogos descobriram como esse processo sinalizador acontece. O elo que faltava era um antes ignorado tipo de célula sensível à luz no olho humano, diferente das hastes e cones que são responsáveis, respectivamente, pela visão noturna e de cor. Esse terceiro fotorreceptor monitora o volume de luz azul no ambiente e o transmite ao núcleo supraquiasmático. Assim, quando há muita luz azul (como quando há sol), esse fotorreceptor faz o núcleo supraquiasmático dizer à glândula pineal para não produzir muita melatonina e, dessa forma, nós ficamos despertos. Quando o sol começa a se pôr, no entanto, a quantidade de luz azul diminui, causando um aumento nos níveis de melatonina que nos ajuda a dormir.

Entre os estudos que oferecem mais evidências está uma pesquisa de 2011 feita por Cajochen e seus colegas na Universidade da Basileia. Nesse trabalho, voluntários expostos a um computador iluminado com LED por cinco horas à noite produziram menos melatonina, se sentiram menos cansados e se saíram melhor em testes de atenção que aqueles que ficaram diante de telas com luz fluorescente do mesmo tamanho e luminosidade. De forma similar, para participantes de um estudo de 2013 liderado por Mariana Figueiro, pesquisadora do Instituto Politécnico Rensselaer, foi suficiente interagir comum iPad por apenas duas horas à noite paraimpedir o aumento de melatonina típico do anoitecer. E, em um experimento de duas semanas no Brigham and Women’s Hospital, em Boston, publicado em 2014, voluntários que leram em um iPad por quatro horas antes de deitar relataram que sentiram menos sono, levaram em média dez minutos a mais para adormecer e dormiram menos profundamente que os que leram livros de papel à noite. Cajochen e outros cientistas também demonstraram que esses efeitos são especialmente pronunciados em adolescentes, por razões ainda ignoradas.

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FORA DO LABORATÓRIO

Diante do acúmulo de evidências, cientistas começaram a estudar soluções. Vários estudos mostraram que usar óculos com lentes alaranjadas de plástico que filtram a luz azul dos eletrônicos ajuda a evitar a supressão de melatonina. Os óculos estão disponíveis nos Estados Unidos por preços que vão de US$ 8 a até US$ 100. Mais caro é o sistema de iluminação dinâmico, que promete recriar “o amplo espectro da luz natural do dia num espaço interno” e sai por centenas a milhares de dólares, segundo o tamanho da residência ou escritório.

As medidas mais acessíveis ainda são programas de computador como o f.lux. Em março de 2016, a Apple incluiu uma função chamada Night Shift  para iPhone e iPad, que se assemelha ao f.lux na mudança da luz emitida pela tela “para a ponta quente do espectro” por volta da hora do pôr do sol. Até agora nenhum pesquisador testou o f.luxou o Night Shift em um estudo controlado, mas Figueiro está planejando realizar esse experimento e Michael Herf conta que está colaborando com cientistas da universidade para examinar os efeitos do f.lux em ambientes cotidianos fora do laboratório. “Acho que o f.lux é ainda uma possibilidade que ajudará bastante os noctívagos, mas ainda precisamos fundamentar os casos com dados”, afirma Lorna Herf. Pesquisadores ressaltam, no entanto, que eliminar a luz azul não é uma solução segura. Mesmo telas com luzes fracas, alaranjadas, tornam tentadoramente fácil ficar acordado e ler ou jogar games à noite, mantendo o cérebro alerta quando deveria desacelerar. “É como se você ficasse no escuro total, mas tomasse café”, explica Figueiro. “Vai ter algum efeito. ”Ou seja, em última análise, a solução mais garantida é a abstinência de eletrônico, pelo menos por algumas horas. Desligar todas as telas e luzes antes de deitar pode ajudar muito na qualidade de vida e trazer benefícios para a saúde, já que há um fato do qual não podemos nos esquivar: humanos evoluíram para acordar e dormir com o sol. “Antes de termos toda essa tecnologia, antes da eletricidade e da iluminação artificial, ficávamos acordados durante a luz do dia, fazíamos um pouco de fogo ao entardecer e então dormíamos”, diz Debra Skene, cronobióloga da Universidade de Surrey, na Inglaterra. Luzes artificiais têm representado grandes benefícios há séculos. Mas há momentos, especialmente no fim do dia, em que essa coisa boa pode ser excessiva.

OUTROS OLHARES

AS NOVAS PÍLULAS MÁGICAS

Drogas apelidadas de smart drugs por supostamente aumentarem a inteligência ganham cada vez mais adeptos, apesar de pesquisas desmentirem seus efeitos.

As novas pílulas mágicas

Os olhos do advogado Waldemar Ribeiro Chaves – um jovem de ombros largos, queixo quadrado e os bíceps de um halterofilista – deixaram escapar um brilho de entusiasmo logo que ele começou a falar obre o coquetel de comprimido que toma diariamente, quatro vezes ao dia. São ao menos cinco pílulas, além de outros compostos em pó, que ele consome com água antes de iniciar a rotina de trabalho. Pílula para, supostamente, melhorar a memória, afiar o raciocínio ou apurar a concentração: “Sem elas, jamais faria meu trabalho na velocidade em que faço hoje”, contou, enquanto organizava o arsenal (sobre a mesa do escritório, uma sala com janela ampla e vista para a rua bem arborizadas do bairro de Pinheiros, região nobre de São Paulo.

As substâncias consumidas por Ribeiro são chamadas, popularmente, de nootrópico. Nos Estado Unidos, onde viraram febre entre estudantes universitários e empreendedores do Vale do Silício, ganharam um nome mais simpático – smart drugs. Ou drogas para a inteligência. Trata-se de uma cesta de compostos, que variam de suplementos naturais – como ginkgo biloba – a remédio psiquiátricos – como Ritalina e Venvanse. Essas substâncias crescem em popularidade, sob a promessa de melhorar as habilidades cognitivas de quem as usa. Ribeiro carrega as suas a tiracolo, em uma maletinha preta, fechada por zíper. Garante que, para ele, funcionam às mil maravilhas. Seu dia começa com uma dose de cinco nootrópicos, por volta das 8 da manhã. Todos têm nomes curiosos, como Huperzine – para a memória – e Aniracetam – para aguçar a atenção. O coquetel leva ainda uma dose de Noopept, um pó branco supostamente sintetizado na Rússia. É o pacote básico, no qual Ribeiro confia para desempenhar atividades cotidianas. Com ele, sente-se mais produtivo, mais concentrado. Demora mais a se cansar. Nos dias em que precisa frequentar eventos sociais importantes, ele adiciona elementos à mistura. É quando consome 600 miligramas de Fenilpiracetam: “Com ela, eu sinto que absorvo informação e concateno ideias muito rapidamente”, contou. A substância é derivada de uma antiga droga usada para tratar paciente de Alzheimer. “Ela me ajuda a manter conversas interessantes e fazer contatos profissionais. Algo de que um advogado precisa”. A droga integra também seu “pacote pré-balada”, porque o deixa mais desinibido.

Nas ocasiões em que o trabalho do escritório se acumula – coisa rara desde que passou a usar os nootrópicos, ele garantiu -, Ribeiro recorre à lisdexanfetamina, o Venvanse. Uma espécie de estimulante, de venda controlada, a lisdexanfetamina é comumente adotada no tratamento de transtorno de déficit de atenção. Ribeiro nunca foi diagnosticado com o problema. Usa a droga – cuja receita obtém com um amigo psiquiatra – porque ela o ajuda a manter a concentração em atividades maçantes: “Mas eu sou uma pessoa elétrica, e ela me deixa ansioso. Prefiro evitar”. Para o momento em que o remédio lhe causa crise de ansiedade, Ribeiro carrega a solução na valise: uma caixinha de Rivotril.

O termo nootrópicos foi cunhado pelo químico romeno Corneliu Giurgea em 1972, a partir das palavras gregas para “mente” e “dobrar “. Com formação em psicologia, Giurgea tinha especial interesse pela química cerebral. No começo dos anos 60, ele e seus colaboradores criaram um composto a que chamaram piracetam – uma sequência de carbono que, Giurgea acreditava, seria capaz de proteger os neurônios e aprimorar a memória. Ao testar a substância em ratos, o cientista obteve resultados que sugeriam melhora na memória de curto prazo. Mas não soube explicar por quê.

Giurgea morreria em 1995, sem saber exatamente como o piracetam atuava sobre o cérebro: “Mesmo hoje, não é claro qual seu mecanismo de ação”, disse o neurocientista Eric hudler, diretor do Centro de Neurotecnologia da Universidade de Washington. “Acredita- se que ele atua sobre o metabolismo celular, modificando a quantidade de oxigênio consumida pela célula.” As dúvidas não impediram que a fama do piracetam se propagasse.

O composto criado por Giurgea deu origem a uma nova ela e de droga, o racetam. E os efeitos do piracetam sobre o organismo inspiraram o conceito original de nootrópicos: segundo Giurgea, uma substância capaz de aprimorar o funcionamento cerebral sem causar efeito adversos acentuados.

Hoje, o ignificado do termo pode variar conforme o interlocutor: “Considero nootrópicos qualquer substância que melhore meu desempenho cerebral”, contou Ribeiro. A iniciação do advogado nesse universo aconteceu há cerca de seis anos. Recém-formado e ambicioso, Ribeiro tentava conciliar a rotina do escritório às demandas de duas pós-graduações simultâneas. Em pouco tempo, estava esgotado. Foi quando descobriu o Noopept, o nootrópico russo. A compra foi feita pela internet. Ribeiro percebeu resultados depois de duas semanas de uso: “Um dia, notei que tinha passado horas trabalhando sem me cansar, em perder o foco. Era a droga agindo”, lembrou. “Hoje, sinto como se meu cérebro fosse um polvo, cheio de tentáculos”, disse, comprimindo os olhos miúdos à medida que sorria. “Vou pescando as informações do mundo a minha volta, degluto e uso imediatamente.”

Foi entre estudantes universitários e profissionais do mercado financeiro que os nootrópicos primeiros ganharam fama. Eles soavam como soluções ideais para resistir a ambientes hipercompetitivos e com elevada carga de trabalho. Sua popularização contou ainda com o trabalho diligente de gurus do Vale do ilício. O americano David Asprey foi um dos mais notórios. Em 2013, Asprey – um homem de barba cerrada, cabelo e corrido e fala pausada – chamou a atenção das celebridades americanas ao criar o “bulletpro of coffee”. Uma espécie de café turbinado com manteiga clarificada e óleo de coco. Segundo Asprey, a bebida era capaz de fornecer energia, fazer emagrecer e, de quebra, clarear o raciocínio. A atriz Shailene Woodley e o apresentador Jimmy Fallon se tornaram adeptos.

Quem se aventurasse pelo site de Asprey ainda encontraria dicas de exercício para ganhar músculos rapidamente, receitas infalíveis para curar gripe e… texto sobre o nootrópico mais quente do momento. A prey dizia ter começado a usar as substâncias em 1997, enquanto concluía seu MBA na Universidade da Pensilvânia. Desde aquela época, sua droga de predileção é a modafinila – uma substância indicada, oficialmente, para o tratamento de narcolepsia: “Todo mundo no Vale do Silício usa modafinila”, disse Asprey durante uma entrevista em 2013.

A modafinila acabou por se tornar um dos nootrópicos mais populares do mundo. O dado a respeito são espasmos, mas, segundo a Pesquisa global sobre drogas (GDS, na sigla em inglês), a “moda” – como ficou conhecida no meio – foi o nootrópicos cujo consumo mais cresceu entre 2015 e 2017. A pesquisa envolveu 29 mil pessoas em 15 países. Os participantes responderam a um questionário pela internet, anonimamente. Em 2017, 6,6% dessa amostra havia usado algum nootrópico ao menos uma vez durante o ano. E 2,4% haviam recorrido à moda. Entre o brasileiro que participaram da pesquisa, 0,9% consumiram modafinila, ou eu derivados, na esperança de ter ganhos cognitivos.

Boa parte dos nootrópicos pode ser comprada on-line, de sites que vendem o medicamento como se fossem suplementos naturais. É também em sites e fóruns on-line que os interessados encontram instruções para o uso das substâncias. Os mais dedicados concorrem um conjunto dela, e o sites dão instruções para montagem do pacote, ou “stack”, perfeito: “Para montar um stack, a pessoa primeiro tem de determinar que resultados ela quer”, explicou, didático, o publicitário Renan Mota. “E, a partir daí, encontrar um nootrópico base. Ao qual ela se adapte bem.”

Há pouco menos de um ano, Mota se dedica a testar novos nootrópicos e relatar suas experiências em um site. as comunidades de biohacker – como se intitulam pessoas interessadas em usar tecnologia para melhorar o desempenho do corpo -, a página se tornou referência. Ele também mantém um grupo de WhatsApp onde cerca de 100 pessoas – a maioria de São Paulo e do Rio de Janeiro – trocam impressões sobre a droga e suplemento que usam.

Diagnosticado com déficit de atenção e hiperatividade na adolescência, Mota contou que nunca se adaptou aos medicamentos receitados por seus médicos. Já adulto, decidiu experimentar alternativa por conta própria: “Foi pesquisando na internet que descobri o fluoromodafinil”, lembrou. A substância, uma derivação da moda finila, o ajuda a manter a concentração nos dias em que precisa acelerar um trabalho. “Antes do nootrópico, eu sentava diante do computador e sentia uma onda de ansiedade”, contou. Agora, trabalha concentrado até o fim.

Seu stack varia de acordo com a carga de trabalho ou conforme surjam novas substâncias que ele queira testar. Cada teste dura cerca de um mês. Há o temor de que o novo químico cause efeitos colaterais: “Ma eu sempre uso a dosagem mínima, por segurança”, afirmou. Para ele, os nootrópicos viraram uma espécie de moda em ascensão: “O uso dos nootrópicos é uma tendência sem volta”.

A confiança de Mota esbarra na ciência. Ainda há poucas evidências de que as smart drugs tragam benefícios cognitivos. Compostos populares, como o piracetam e o noopept, foram pouco investigados pela ciência – no caso do último, há estudo sugerindo que promova ganho de memória em ratos. Mas nenhuma pesquisa robusta indica efeitos semelhantes em humanos. As mesmas dúvidas se repetem para a modafinila: embora seja eficiente para caso de narcolepsia, não há comprovação de que melhore o raciocínio.

Em 2013, uma equipe de pesquisadores da Universidade da Califórnia e da Universidade de Chieti-Pescara, na Itália, ministrou doses de modafinila a 26 voluntários saudáveis. Na sequência, pediu que realizassem teste de dificuldade crescente. O objetivo era pôr à prova os efeitos da droga sobre a inteligência fluida, aquela usada na resolução de problemas cotidianos. Os voluntários que usaram moda fini la tiveram resultados semelhantes ao dos participantes que receberam placebo.

O efeito placebo pode explicar também os benefícios sentidos por pessoas saudáveis que recorrem à Ritalina ou ao Venvanse. Indicadas para tratar déficit de atenção, e a droga trabalham de modo a prolongar a permanência de um neurotransmissor chamado dopamina em uma região do cérebro conhecida como fenda sináptica: “Acredita­ se que as pessoas que sofrem de déficit de atenção têm problema na produção desse neurotransmissor”, explicou o professor Mario Louzã, coordenador do Projeto de Déficit de Atenção e Hiperatividade do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas.

Prolongar a permanência da dopamina no cérebro foi a forma encontrada pela ciência de compensar falhas de produção nos indivíduos que apresentam esse transtorno. A substância estabelece conexões com receptores nos neurônios e, em quantidades adequadas, sinaliza ao cérebro que é hora de prestar atenção a um estímulo externo. No caso de pessoas saudáveis, de pouco adianta aumentar, em níveis acima do normal, a quantidade de dopamina disponível: “A quantidade de receptores nos neurônios é limitada”. Sem receptores aos quais se conectar, a dopamina excedente não tem utilidade: “O ganho na atenção, se ocorre, é marginal”, garantiu Louzã. Os efeitos colaterais, por outro lado, podem ser acentuados. Ritalina e Venvanse são consideradas drogas seguras. Mas, como toda droga, têm efeito adverso e contra indicações. Quem a usa sem prescrição médica costuma relatar episódios de ansiedade e taquicardia. No caso da modafinila, segundo a equipe da Universidade da Califórnia, o relato de efeitos adversos são mais raros.

 

Embora os fóruns de internet sejam abundantes em relatos de pessoas que dizem ter se beneficiado com o uso de nootrópico, há também aquele caso em que as substâncias não tiveram efeito algum. Foi assim com o paulistano Marcelo Toledo, diretor de engenharia do Nubank. Bem-humorado e comunicativo, Toledo dá palestras pelo Brasil em que conta os prazeres e dissabores de ocupar posições-chave em startup. Há 18 anos ele trabalha nesse universo, de competição acirrada e mudanças rápidas. Disse que se interessou pelos nootrópicos por simples curiosidade: “Eu costumava ser atleta, nadava. E, como nadador, pesquisava sempre qual a melhor braçada, qual a melhor maneira de me movimentar dentro da água, contou. “Com os nootrópicos, queria descobrir formas de ter um desempenho melhor como empreendedor.”

Sua inspiração nessa busca foi David Asprey, o americano criador do bulletproof coffee: “Eu experimentei a modafinila, o racetam e todas as smart drugs vendidas livremente pela internet”. O resultado foi desapontador. “Não senti sequer efeitos colaterais.”

Toledo, por fim, se tornou um crítico das smart drugs. É da cultura de trabalho excessivo que torna essas substâncias atraentes: “Vejo empreendedores contando como trabalham 18 horas por dia para fazer crescer sua empresa. Trabalhar com afinco é importante. Mas é importante respeitar os limites do corpo”, disse, durante uma conversa rápida por telefone, entre compromissos profissionais. “Não adianta dormir pouco e depois tomar uma pílula para ficar acordado.” Hoje, ele substitui os nootrópicos por idas frequente à academia: “A ideia de que uma pílula pode melhorar   sua performance é muito tentadora”, refletiu. “Mas não adianta. Não existe fórmula mágica.”

As novas pílulas mágicas. 2

GESTÃO E CARREIRA

QUAL O GRAU DE MATURIDADE DA SUA REDE?

Muito mais que uma plataforma, as redes sociais corporativas são espaços de troca de informações e conhecimentos institucionais. Não basta investir em tecnologia e acreditar que somente ela contribuirá para elevar as taxas de leitura e engajamento dos funcionários.

Qual o grau de maturidade da sua rede

Nesse checklist, você poderá saber o grau de maturidade da sua rede corporativa e se ela realmente tem sido vista pelos colaboradores como uma ferramenta fundamental no cotidiano.

Responda sim ou não e, ao final, avalie se sua rede social necessita de mais conteúdos atraentes e campanhas interativas.

O objetivo é ajudar corporações a elevar ao máximo seu engajamento e relacionamento com seus públicos.

 

 1. ESTRUTURA

□ As abas têm nomes simples que podem ser assimilados facilmente?

□ A navegação é em camadas?

□O colaborador pode editar seu perfil pessoal dentro da rede profissional?

□ A estrutura de navegação é clara?

□ Há um espaço para troca de mensagens em tempo real?

□ Há funcionalidades das redes sociais agregadas?

□ Há uma aba dedicada a conteúdos sobre pessoas?

□ Há uma aba que conta a história e memória da empresa?

□ Há espaços para envio de sugestões de matéria?

□ Há espaço para comentários, dúvidas e sugestões?

□ Os sistemas mais utilizados pelos colaboradores (acesso ao ponto, por exemplo) rodam na nova rede corporativa?

 

2. CONTEÚDO

□ Outras áreas, além da comunicação, podem postar conteúdo?

□ Há um treinamento para que outras áreas se tornem publicadoras?

□ Há suporte para vídeos?

□ Há possibilidade de envio de conteúdo por colaboradores?

□ A home da rede corporativa é personalizável?

□ Há mecanismos de busca de conteúdo por palavras-chave?

□ Há possibilidade de salvar textos e documentos favoritos?

□ É possível o compartilhamento de status?

□ É possível curtir e compartilhar conteúdo de outros perfis?

□ Há fóruns temáticos e grupos de gestão do conhecimento?

□ Há enquetes e espaços onde o colaborador possa dar seu voto e opinião?

□ O conteúdo dá voz, espaço aos colaboradores?

□ Há uso de ferramentas multimídia?

□ A storytelling é uma ferramenta utilizada?

 

 3. GOVERNANÇA

□ Há uma estrutura de governança?

□ Há um manual de boas práticas?

□ Foi criada uma política de moderação dos conteúdos?

□ Há uma equipe dedicada a sanar dúvidas?

□ Há canais de suporte?

□ Foi criado um Perguntas e Respostas com as principais dúvidas?

□ Os gestores dão o exemplo e recomendam o uso da ferramenta?

 

4. ACESSO

 □ Há uma quantia considerável de acessos diários?

□ Um percentual considerável de colaborares já utiliza a ferramenta no cotidiano?

□ As matérias principais são lidas pelas áreas entrevistadas?

□ Há constância no número de curtidas, comentários e compartilhamentos nas notícias e campanhas publicadas na rede social corporativa?

 

RESULTADO

26 A 36 NEGATIVAS:

Sua empresa precisa investir urgentemente em uma revisão da rede corporativa atual, que está muito mais para uma intranet 1.0.

16 A 25 NEGATIVAS:

Sua empresa já começou a pensar nessa plataforma, mas ela não é prioridade. É preciso um olhar mais atento para ela.

10 A 15 NEGATIVAS:

Sua empresa valoriza a comunicação com os funcionários, mas precisa reavaliar a política editorial e as ferramentas usadas.

6 A 9 NEGATIVAS:

Sua empresa está no caminho certo no que diz respeito a uma rede social corporativa que gere engajamento. Vale rever a forma de entrega dos conteúdos e a linguagem.

O A 5 NEGATIVAS:

Sua rede corporativa é interativa, leve, e os conteúdos são atraentes. A partir de agora, é importante monitorar o resultado das campanhas e sempre buscar melhorias e incorporação de novidades.

ALIMENTO DIÁRIO

PROVÉRBIOS 15:  3 – 8

Pensando biblicamente

O CONTRASTE ENTRE OS JUSTOS E OS ÍMPIOS

 

V. 3 – As grandes verdades da divindade são muito úteis para reforçar os preceitos da moralidade, e nenhum mais do que este – que os olhos de Deus estão sempre sobre os filhos dos homens.

1. Olhos para discernir a tudo, não somente dos quais nada pode ser escondido, mas pelos quais tudo é efetivamente inspecionado, e nada é ignorado ou considerado com negligência. Os olhos do Senhor estão em todo lugar; pois Ele não somente tudo vê das alturas (Salmos 33.13), mas está presente em todos os lugares. Os anjos estavam cheios de olhos (Apocalipse 4.8), mas Deus é todo olhos. Isto indica não somente a sua onisciência, e que Ele tudo vê, mas a sua providência universal, com que Ele sustenta e governa tudo. Todos os pecados, obras e tristezas que são praticados em segredo estão bem patentes aos seus olhos.

2. Olhos para discernir pessoas e atos. Ele contempla os maus e os bons, tendo um grande desagrado nos iníquos e maus, e aprovando os justos e bons, e julgará os homens segundo aquilo que os seus olhos virem (Salmos 1.6; 11.4). Os ímpios não ficarão impunes, nem os justos deixarão de ser recompensados, pois o Senhor tem os seus olhos sobre ambos, e conhece o seu verdadeiro caráter; isto transmite tanto consolação aos santos como terror aos pecadores.

 

V.4 – Observe:

1. Uma língua saudável é saúde, saúde para consciências feridas, consolando-as; para almas doentes pelo pecado, condenando-as; para a paz e a caridade rompidas, ao ajustar diferenças, conciliando questões em divergência e reconciliando os grupos divergentes; esta é a cura da língua, que é uma árvore de vida, cujas folhas têm um poder de saúde (Apocalipse 22.2). Aquele que sabe como falar fará do lugar onde vive um paraíso.

2. Uma língua perversa fere (a perversidade, a paixão, a falsidade e a imundície nela quebrantam o espirito); ela fere a consciência do maledicente, e causa culpa ou tristeza aos ouvintes, e ambas as coisas devem ser consideradas como quebrantamento do espírito. As palavras duras não quebram, realmente, ossos, mas muitos corações foram quebrantados por elas.

 

V. 5 – Consequentemente:

1. Que os superiores sejam admoestados a dar instrução e repreensão aos que estão sob os seus cuidados, pois responderão por isto no dia do juízo. Eles não somente devem instruir à luz do conhecimento, como reprovar com o calor do zelo; e as duas coisas devem ser feitas com a aut01idade e o afeto de um pai, e devem ser contínuas, ainda que o efeito desejado não seja imediatamente percebido. Se a instrução for desprezada, repreenda e censure asperamente. É realmente com relutância que os homens revelam erros e deixam desconfortáveis os que estão ao seu redor, mas é melhor isto do que permitir que eles prossigam imperturbáveis pelo caminho que os levará à destruição.

2. Que os inferiores sejam admoestados, não somente a se submeterem à instrução e repreensão (até mesmo às dificuldades), mas a valorizá-las como favores e não desprezá-las, usá-las na sua própria orientação, e sempre ter consideração por elas; isto será uma evidência de que são sábios, e um meio de torná-los sábios; ao passo que aquele que despreza a sua boa educação é um tolo, e provavelmente viverá e morrerá tolo.

 

V. 6 – Observe:

1. Onde há justiça, há riquezas, e as suas consolações: “Na casa do justo há um grande tesouro”. A religião ensina os homens a serem diligentes, modera­ dos e justos; e deste modo, normalmente há um aumento em seu patrimônio. Mas isto não é tudo: Deus abençoa a habitação do justo, e esta bênção enriquece, sem trazer problemas ou dificuldades. Ou, se não houver muitos dos bens deste mundo, ainda assim, onde há graça, há um verdadeiro tesouro; e os que têm apenas pouco, se tive­ rem disposição para se satisfazer e desfrutar a consolação deste pouco, já será suficiente; todas as coisas boas são riquezas. Os justos talvez não enriqueçam, mas há um tesouro na sua casa, uma bênção armazenada, cujo benefício os seus filhos poderão colher. Um homem ímpio e materialista somente deseja ter seu ventre cheio desses tesouros, ter o seu próprio apetite sensual satisfeito (Salmos 17.14); mas a primeira preocupação de um homem justo é com a sua alma, e em seguida, com a sua semente, ter o tesouro em seu coração e também na sua casa, do qual poderão se beneficiar os seus parentes e os que estão à sua volta.

2. Onde houver iniquidade, ainda que haja riquezas, há inquietação de espírito: nos frutos do ímpio, na grande renda que ele tem, há perturbação; pois ali há culpa e maldição; há soberba e paixão, inveja e contenda; e estes são desejos incômodos, que privam ao ímpio da alegria de suas rendas e os torna um problema para o seu próximo.

 

V. 7 – Este versículo diz a mesma coisa que o versículo 2, e mostra que bênção é um homem sábio e que fardo é um tolo aos que estão à sua volta. Aqui, porém, observe ainda:

1. Que nós usamos o conhecimento corretamente quando o transmitimos, sem confiná-lo a algumas das pessoas mais próximas, e recusá-lo aos outros que poderiam fazer bom uso dele, mas quando damos uma porção dessa dádiva espiritual a muitas pessoas, não somente informando, mas difundindo este bem, com humildade e prudência. Devemos nos esforçar para espalhar e propagar o conhecimento útil; devemos ensinar alguns, para que possam ensinar a outros, e assim o conhecimento se difunde.

2. Que não é apenas uma falha derramar a tolice, mas é uma vergonha não transmitir conhecimento, pelo menos não transmitir uma ou outra palavra sábia: “O coração dos tolos não fará assim”; ele não tem nada para transmitir, que seja bom, ou, se tivesse, não teria talento nem vontade para fazer o bem com isto; portanto, aqui há pouco valor.

 

V. 8 – Observe:

1. Deus odeia tanto os ímpios, cujos corações são perversos e suas vidas, malévolas, que até mesmo os seus sacrifícios são uma abominação para Ele. Deus tem sacrifícios que lhe são trazidos, até mesmo por ímpios, para calar a voz da consciência e conservar a sua reputação no mundo, do mesmo modo corno malfeitores vêm a um santuário, não porque seja um lugar santo, mas porque os protege da justiça; mas os seus sacrifícios, ainda que tão custosos, não são aceitos por Deus, porque não são oferecidos com sinceridade, nem por um bom princípio; eles são hipócritas com Deus, e no seu comportamento desmentem as suas devoções, e por este motivo, são uma abominação para Ele, porque são um disfarce para o pecado (Provérbios 7.14). Veja Isaías 1.11.

2. Deus tem tal amor pelos justos que, embora eles não possam arcar com um sacrifício (Ele mesmo providenciou isto), a sua oração é um prazer para Ele. A graça da oração é a sua própria dádiva, e a obra do seu próprio Espírito neles, com que Ele se compraz. Ele não somente atende as suas orações, mas se compraz com as suas orações a Ele, e em fazer-lhes o bem.