PSICOLOGIA ANALÍTICA

UPGRADE DO CÉREBRO

Você gostaria de “atualizar” algumas funções cognitivas? ou “limpar” informações de sua memória? A popularização dos computadores está influenciando a maneira como pensamos nossas habilidades mentais, e é cada vez mais comum usar termos da tecnologia para descrevê-las

Upgrade do cérebro

Se você pudesse aprimorar uma capacidade do cérebro, qual escolheria? A revista Scientific American Mind, parceira de Mente e Cérebro nos Estados Unidos, fez essa pergunta aos leitores em uma pesquisa on-line. Em 215 respostas, a redação notou uma tendência: muitos usaram vocabulário da tecnologia, como memória RAM e cartões SD, para descrever características do cérebro e funções cognitivas. Claramente, a popularização de smartphones e computadores está influenciando a maneira como pensamos nossas habilidades mentais.

O foco tecnológico pode explicar o fato de 25% terem escolhido melhorar a memória. Dispositivos tecnológicos capazes de salvar rotineiramente uma infinidade de dados nos lembram do valor do maior acesso à informação. A crescente prevalência de demência, que afeta 35,6 milhões de pessoas em todo o mundo, também pode tornar nossa capacidade de recordação especialmente importante. Cada vez mais grupos de pesquisa estão trabalhando para descobrir formas de combater o problema. Uma nova abordagem utiliza o ultrassom para aumentar o poder de ação de medicamentos.

Aprender foi outra habilidade bastante citada. Na maioria das vezes, a intenção era dominar matemática, música ou línguas estrangeiras. Nesse sentido, pesquisas recentes mostram que alterar estrategicamente os padrões de disparo neural pode ajudar a aprimorar funções relacionadas à aprendizagem. Por enquanto, essas intervenções estão restritas à prática médica, mas técnicas semelhantes também podem estimular a criatividade e a concentração.

Finalmente, nenhuma pesquisa hipotética sobre o “upgrade do cérebro” – ou da forma como o pensamos – estaria completa sem ideias inspiradas na ficção científica. Dois leitores escreveram que gostariam de gravar seus pensamentos para reproduzir seus monólogos internos. Outros sugeriram conexões neurais com a internet para obter informações mais rapidamente. Houve também quem desejasse um interruptor que pudesse unir nossas mentes numa espécie de consciência cósmica para evitar crises humanitárias.

Essas noções podem parecer improváveis, mas pesquisas feitas no mundo real continuam a nos surpreender com as novas tecnologias. Um exemplo é a estimulação da língua com choques elétricos para ajudar a restaurar a mobilidade de pacientes com danos neurais. A seguir, uma seleção dos plugins e power-ups mentais que estão surgindo.

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 ULTRASSOM FOCALIZADO

TÉCNICA PODE MELHORAR EFICÁCIA DE MEDICAMENTOS E POTENCIALIZAR OUTROS TRATAMENTOS.

O cérebro conta com defesas formidáveis. Além do crânio, as células que formam a barreira hematoencefálica ajudam a impedir que substâncias tóxicas e patogênicas atinjam o sistema nervoso central. Desvantagem dessa proteção é que ela bloqueia o acesso de medicamentos ao cérebro. Agora, pesquisadores testam uma nova abordagem para atravessar essa barreira: as ondas sonoras.

O físico e médico Kullervo Hynynen e sua equipe do Instituto de Pesquisa Sunnybrook, em Toronto, estudam uma técnica para administrar medicamento por meio de uma injeção de bolhas microscópicas de gás. Depois da inoculação, os pacientes usam uma touca que direciona as ondas sonoras para locais específicos do cérebro, abordagem chamada de ultrassom focalizado de alta intensidade. As oscilações fazem as bolhas vibrar, afastando temporariamente as células da barreira hematoencefálica, o que permite infiltrar medicamentos no cérebro. Hynynen e seus colegas estudam aplicar o método para administrar quimioterapia em pacientes com tumores cerebrais. Eles e outros grupos planejam testes semelhantes com pessoas que sofrem de outras doenças do cérebro, como Alzheimer.

Os médicos começam a considerar esse recurso como alternativa à cirurgia cerebral. Pacientes com distúrbios do movimento, como Parkinson e distonia, cada vez mais recebem tratamento por meio de eletrodos implantados, capazes de interferir na atividade cerebral irregular. Pesquisadores da Universidade da Virgínia esperam usar o ultrassom focalizado para administrar lesões térmicas por radiofrequência profundamente no cérebro sem a necessidade de cirurgia convencional.

“Utilizar o ultrassom para causar lesões no corpo não é um conceito novo. A abordagem, porém, não pode ser aplicada no cérebro devido ao contorno, densidade e espessura do crânio”, diz o neurologista Binit Shah, da Universidade da Virgínia. A nova técnica, segundo ele, supera esse obstáculo: é capaz de apontar mais de mil flashes de luz numa área-alvo. Os resultados preliminares de Shah e seus colegas com pacientes com tremor essencial (problema neurológico comum, geralmente benigno, que causa tremores nas mãos e braços) foram publicados no New England Journal of Medicine, no ano passado. Eles constataram que a lesão ultrassônica de parte do tálamo ajudou a diminuir a agitação motora. Agora, pretendem expandir os resultados da pesquisa e lançar outros estudos pilotos para explorar sintomas de Parkinson.

Os benefícios do ultrassom focalizado podem se estender muito além da restauração da mobilidade e administração de drogas. Outros grupos de pesquisa exploram sua utilização também no tratamento do transtorno obsessivo-compulsivo (TOC) e da dor neuropática.

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MIRAR OS NEURÔNIOS CERTOS

O DESAFIO DA ESTIMULAÇÃO COM CAMPOS ELÉTRICOS E MAGNÉTICOS É ATINGIR ÁREAS CADA VEZ MAIS ESPECÍFICAS

Campos elétricos e magnéticos são capazes de influenciar e alterar a ação de células neurais. O problema é que geralmente afetam as células indiscriminadamente, inclusive as sadias.

Agora, os pesquisadores estudam como atingir essas áreas mais precisa­ mente para tratar o câncer cerebral e a depressão maior.

Em 2011, o Food and Drug Administration (FDA, órgão que cuida da regulação de drogas e alimentos nos Estados Unidos) aprovou uma touca portátil que dispara campos elétricos alternados de baixa intensidade para tratar tumores em adultos com glioblastoma multiforme recorrente, a forma mais comum e persistente de câncer no cérebro. Células cancerígenas que se dividem rapidamente têm forma e carga elétrica específicas, o que permite que os campos de força as destaquem. A destruição da máquina de copiar células tumorais poderia incitá-las ao suicídio.

Outra técnica emergente procura atingir alvos específicos para tratar a depressão maior. Ainda em fase experimental, a terapia magnética convulsiva (TMC) cobre certas áreas do cérebro com intensos e fortes campos magnéticos alternados, o que provoca alterações químicas nos neurônios que os fazem disparar simultaneamente, induzindo a uma convulsão. O objetivo é o mesmo da terapia eletroconvulsiva (ECT), popularmente conhecida como terapia de choque. Por razões não esclarecidas, provocar atividade elétrica no córtex alivia sintomasA tecnologia já está em fase de teste contra outros tipos de câncer, como o de pulmão e o meningioma (que atinge as membranas que recobrem e protegem o cérebro).

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CHOQUE NA LÍNGUA

ESTIMULAÇÃO ELÉTRICA PODE AJUDAR A REPARAR DANOS NEURAIS

Um fato pouco conhecido: a língua é diretamente conectada ao tronco cerebral. Agora, os cientistas exploram essa característica anatômica para ajudar na reabilitação neurológica. Pesquisadores da Universidade de Wisconsin-Madison descobriram recentemente que estimular eletricamente esse órgão pode ajudar pacientes com esclerose múltipla a andar de forma mais equilibrada. Ainda sem cura, a doença danifica o revestimento ao redor dos nervos, interrompendo a comunicação entre o corpo e o cérebro. A perda de controle muscular é um dos principais sintomas.

Em um estudo publicado no Joumal of Neuro Engineering and Rehabilitation, o neurocientista Yuri Danilov e sua equipe aplicaram impulsos elétricos indolores, por 14 semanas, na ponta da língua de pacientes com a patologia enquanto faziam fisioterapia. Aqueles que receberam o estímulo melhoraram o dobro em variáveis como equilíbrio e estabilidade em comparação com um grupo de controle que fez os exercícios, mas não foi submetido à suave carga elétrica.

Danilov explica que esse órgão tem uma vasta integração sensorial e motora com o cérebro. Os nervos, em sua ponta, são diretamente conectados ao tronco encefálico, que controla processos corporais básicos. Pesquisas anteriores demonstram que o envio de pulsos elétricos através da língua ativa a rede neural relacionada ao equilíbrio, o que pode reforçar o circuito enfraquecido pela esclerose múltipla.

Os cientistas começaram a utilizar essa técnica para tratar pacientes com perda de visão, derrame e danos causados pelo Parkinson. “Acredito que encontramos um novo caminho para a reabilitação de muitos distúrbios neurológicos”, comemora Danilov.

Autor: Vocacionados

Sou evangélico, casado, presbítero, professor, palestrante, tenho 4 filhos sendo 02 homens (Rafael e Rodrigo) e 2 mulheres (Jéssica e Emanuelle), sou um profundo estudioso das escrituras e de tudo o que se relacione ao Criador.