ALIMENTO DIÁRIO

PROVÉRBIOS 14: 1 – 13

Pensando biblicamente

SABEDORIA E TOLICE

 

V. 1  – Observe:

1. Uma boa esposa é uma grande bênção para uma família. Por uma esposa sábia uma família se multiplica, e é povoada de filhos, e assim é edificada. Mas por uma mulher sábia e prudente, que é piedosa, diligente e atenciosa, prosperam os assuntos de uma família, as dívidas são pagas, é feita provisão, os filhos são bem educados e sustentados, e a família tem consolações dentro de casa, e credibilidade fora de casa; assim a casa é edificada. É a sua casa e assim ela deve cuidar dela, embora saiba que seu esposo é o senhor da mesma (Ester 1.22).

2. Muitas famílias são destruídas pela má administração da esposa, bem como do esposo. Uma mulher tola, que não tem temor a Deus nem consideração pelos seus deveres, que é obstinada, esbanjadora e temperamental, que é indulgente com seus apetites e gosta de passeios, de banquetes e de jogar cartas, embora alcance um estado de abundância, e venha a ter uma família de posses, empobrecerá, e gastará tudo, e ela certamente será a ruína da sua casa, como se a derrubasse com suas próprias mãos; e o próprio esposo, com todos os seus cuidados, dificilmente conseguirá evitar isto.

 

V. 2 – Aqui temos:

1. A graça e o pecado em seu verdadeiro caráter. A graça reinante é uma reverência ao Senhor, e honra aquele que é infinitamente grande e superior. E a quem é devida toda a honra, acima daquilo que é mais conveniente ou que deveria ser mais agradável para a criatura racional? O pecado reinando não é nada menos do que um desprezo por Deus. Nisto, mais do que em qualquer coisa, o pecado parece extremamente pecaminoso: no fato de que despreza a Deus, a quem os anjos adoram. Os que desprezam os preceitos de Deus, e não desejam ser governados por eles, desprezam as suas promessas e não as aceitarão, desprezam ao próprio Deus e a todos os seus atributos.

2. A graça e o pecado, sob a sua luz verdadeira. Com isto, podemos conhecer um homem que tem graça, e o temor de Deus, reinando nele; ele anda na sua sinceridade, ele tem consciência de suas ações, é fiel a Deus e aos homens, e cada pausa que faz, bem como cada passo que dá, são segundo a lei; este é um indivíduo que honra a Deus. Mas, ao contrário, aquele que é perverso em seus caminhos, que deliberadamente segue os seus próprios apetites e paixões, que é injusto e desonesto, e contradiz o que professa no seu modo de vida, ainda que se diga devoto, é ímpio, e será considerado como alguém que despreza ao próprio Deus.

 

V. 3 – Veja aqui:

1. Um soberbo tolo que se expõe. Quando há soberba no coração, e nenhuma sabedoria na mente para suprimi-la, isto se exibe, normalmente, nas palavras: “Na boca do tolo está a vara da soberba”, a vanglória, a reprovação, o desprezo, o escárnio, tudo feito com soberba, além do seu próprio desejo de legislar; esta é a vara da soberba. Ela se origina daquela raiz de amargura que existe no coração; é uma vara daquele caule. A raiz deve ser arrancada, ou não poderemos tomar esta vara, ou isto se refere a uma vara que fere, uma vara de soberba que aflige aos outros. O homem soberbo, com sua língua, desfere golpes à sua volta como quer, mas no final, a sua língua será uma vara para ele mesmo; o homem soberbo sofrerá uma correção ignomínia pelas palavras da sua própria boca, não punido como um soldado, mas açoitado como um servo, e assim será espancado com a sua própria vara (Salmos 64.8).

2. Um homem humilde e sábio que se preserva e busca o seu próprio bem: “Os lábios do sábio preservá-lo-ão”, impedindo que faça aos outros a maldade que os soberbos fazem com as suas línguas. e impedindo que traga sobre si mesmo aquela maldade em que os soberbos escarnecedores frequentemente se envolvem.

 

V. 4 – Observe:

1. A negligência na administração é o caminho para a pobreza: Não havendo bois, para cultivar o solo e pisar o trigo, o celeiro fica limpo, vazio; não há palha para o gado, e consequentemente, não há pão para o suprimento do homem. A escassez é representada pela limpeza de dentes (Amós 4.6). Quando não há bois, não há nada para ser feito no solo, e então nada será obtido dele; o celeiro realmente fica limpo, o que agrada aos “almofadinhas” que não conseguem suportar a agricultura porque é um trabalho em que há muita sujeira, e por isto eles venderão seus bois, para manter limpo o celeiro; mas então não somente o trabalho dos bois, mas até mesmo o seu esterco irá faltar. Isto mostra a tolice dos que apreciam os prazeres do campo, mas não se importam com os trabalhos do campo, que (como fizemos) têm mais cavalos do que vacas, e mais cães do que porcos; as suas famílias devem necessariamente sofrer por isto.

2. Aqueles que se esforçam com o seu solo terão uma probabilidade maior de colher os seus frutos. Aqueles que mantêm consigo o que é para uso e serviço, não por nobreza ou exibição, isto é, aqueles que têm mais agricultores do que criados, terão uma probabilidade maior de prosperar. Pela força do boi, há abundância de colheitas; este conselho existe para o nosso benefício, e é proveitoso, tanto na vida como na morte.

 

V.  5 – Na administração da justiça, grande parte depende das testemunhas, e por isto é necessário, para o bem comum, que as testemunhas tenham princípios, como devem ter: pois:

1. A testemunha verdadeira não mentirá, não ousará dar um testemunho falso, ainda que minimamente, nem, por boa vontade ou má vontade, dirá algo que não corresponda a tudo o que sabe, ainda que agrade ou desagrade a alguém, e então o juízo flui como um rio.

2. Mas a testemunha falsa, que admite subornos, e é influenciável e amedrontável, se desboca em mentiras (e não se limitará a isto nem se assustará com isto) com tanta prontidão e certeza como se tudo o que dissesse fosse verdade.

 

V. 6 – Observe:

1. A razão pela qual algumas pessoas buscam sabedoria, e não a encontram, é porque não a buscam com um princípio correto e de uma maneira correta. São escarnecedores, e é zombando que buscam instrução, para que possam ridicularizar o que lhes é dito e criticar a instrução recebida. Muitos propõem perguntas a Cristo, tentando-o, e para que possam, com isto, ter motivos para acusá-lo, mas nunca ficam mais sábios. Não é de admirar que aqueles que buscam sabedoria, como Simão. o mágico, buscou os dons do Espírito Santo, para servir ao seu orgulho e à sua cobiça, não a encontrem, pois a buscam de maneira inadequada. Herodes desejava ver um milagre, mas era um escarnecedor, e por isto o milagre lhe foi negado (Lucas 23.8). Os escarnecedores não são bem sucedidos na oração.

2. Para o prudente. para o que entende corretamente, que se afasta do mal (pois isto é entendimento), o conhecimento de Deus e da sua vontade é fácil. As parábolas que fortalecem os escarnecedores na sua zombaria, e lhes tornam mais difíceis as coisas divinas, esclarecem os que estão dispostos a aprender e tornam as mesmas coisas mais claras, e inteligíveis, e familiares para eles (Mateus 13.11,15,16). A mesma palavra que para o escarnecedor é cheiro de morte para a morte é, para o humilde e sério, cheiro de vida para a vida. Aquele que tem entendimento, a ponto de se afastar do mal (pois isto é entendimento), de deixar de lado seus preconceitos, de abandonar todas as disposições corruptas, facilmente apreenderá a instrução e receberá as suas impressões.

 

V. 7 – Veja aqui:

1. Como podemos discernir um tolo, e considerá-lo como um ímpio, pois é um tolo. Se não divisarmos nele os lábios do conhecimento, se percebermos que não há piedade nas suas palavras, que a sua comunicação é toda corrupta e corruptora, e que em nada é boa e não edifica, podemos concluir que o tesouro é mau.

2. Como devemos declinar da sua companhia e nos afastar dele: Foge da sua presença, pois não perceberás ali nenhum bem a ser obtido com a sua companhia, mas somente o perigo de ser ferido por ela. Às vezes, a única maneira que temos de reprovar palavras ímpias e testemunhar contra elas é deixar a companhia de quem a proferiu e deixar de ouvi-las.

 

V. 8 – Veja aqui:

1. O bom comportamento de um homem sábio e bom; ele se conduz de maneira apropriada. Não é a sabedoria dos instruídos, que consiste somente em especulação, que é recomendada aqui, mas a sabedoria do prudente, que é prática, e é útil para orientar nossas deliberações e atos. A prudência cristã consiste em entender apropriadamente o nosso caminho; pois somos viajantes, cujo interesse não é espiar maravilhas, mas seguir adiante, até o fim da nossa jornada. É entender o nosso próprio caminho, não ser críticos e bisbilhoteiros nos assuntos dos outros, mas examinar a nós mesmos e ponderar sobre o caminho dos nossos pés, para entender as orientações do nosso caminho, para que possamos observá-las, e os perigos do nosso caminho, para que possamos evitá-los, e as dificuldades do nosso caminho, para que possamos atravessá-las, e os benefícios do nosso caminho, para que possamos aproveitá-los – entender as leis pelas quais devemos andar, e em que direção de­ vemos andar, e andar de maneira apropriada.

2. O mau comportamento de um homem mau; ele engana a si mesmo. Ele não entende corretamente o seu caminho; ele pensa entender, e assim erra o seu caminho, e prossegue no seu erro: A estultícia dos tolos é enganar; ela os engana, para sua própria ruina. A tolice daquele que edifica sobre a areia foi o seu grande engano.

 

V. 9 – Veja aqui:

1. Como os ímpios são fortalecidos em sua impiedade: eles zombam do pecado. Eles zombam dos pecados dos outros, e se divertem, e divertem a seus amigos com aquilo pelo que deviam lamentar, e menos­ prezam seus próprios pecados, tanto quando são tentados a pecar como quando já cometeram o pecado; ao mal chamam bem e ao bem, mal (Isaias 5.20), brincam e se precipitam no pecado (Jeremias 8.6) e dizem que todos terão paz, ainda que continuem em seus pecados. Eles não se importam com a maldade que fazem com seus pecados, e riem dos que os advertem disto. São defensores do pecado, e são engenhosos para criar desculpar para ele. Os loucos zombam da oferta de expiação (segundo alguns); os que dão pouca importância ao pecado menosprezam a Cristo. São tolos os que dão pouca importância ao pecado, pois menosprezam aquilo de que Deus os acusa (Amós 2.13); o pecado foi algo que o ser humano jamais poderia vencer, mas que foi vencido por Cristo, e que é tirado da vida daqueles que o aceitam como Senhor e Salvador. Os próprios tolos pensarão de um modo diferente a respeito do pecado, dentro de pouco tempo, quando partirem para a eternidade. 2. Como as pessoas boas são encorajadas na sua bondade: “Entre os retos há boa vontade”.

Se eles transgridem, em alguma coisa, imediatamente se arrependem e obtêm a benevolência de Deus. Eles têm boa vontade entre si; e entre eles, em suas sociedades, existem caridade e compaixão mútuas, em casos de transgressões, e não há escárnio.

 

V. 10 – Isto está de acordo com 1 Coríntios 2.11: “Qual dos homens sabe as coisas do homem, senão o espírito do homem, que nele está?”

1. Cada homem sente o seu próprio fardo, especialmente aquele que é um fardo sobre os ânimos, pois este é comumente oculto e o sofredor o mantém para si mesmo. Não devemos censurar as angústias dos outros, pois não sabemos o que eles sentem; o golpe que sofreram talvez seja mais pesado do que o seu gemer.

2. Muitos sentem um prazer secreto, especialmente em consolações divinas, de que os outros não têm consciência, e muito menos compartilham; e, assim como as tristezas de um penitente, também as alegrias de um crente são tais que um estranho não se envolve com elas, e, portanto, não pode julgá-las de maneira competente.

 

V. 11 – Observe:

1. O pecado é a ruína de grandes famílias: A casa dos ímpios, ainda que edificada de maneira forte e imponente, se desfará, será reduzida à pobreza e à desgraça e, por fim, será extinta. A sua esperança em relação ao céu, a casa em que ele se apoia, não resistirá, mas cairá em meio à tempestade; o dilúvio que virá a levará consigo.

2. A justiça é a elevação e a estabilidade, até mesmo de famílias humildes: A tenda dos retos, ainda que móvel e desprezível como uma tenda, florescerá, em prosperidade exterior, se a Sabedoria Infinita julgar adequado, em todos os eventos de graça e consolação, que são verdadeiras riquezas e honras.

 

V. 12 – Aqui temos uma explicação sobre o caminho e o fim de muitas almas que se iludem.

1. O seu caminho é, aparentemente, bom, e lhes parece direito; eles se alegram com a ideia de que são como deveriam ser, de que suas opiniões e costumes são bons, e que isto os confirmará. O caminho da ignorância e do descuido, o caminho do materialismo e dos interesses terrenos, o caminho da sensualidade e dos prazeres da carne, parecem direitos para os que neles andam, e muito mais o caminho da hipocrisia na religião, das realizações externas, das reformas parciais e do zelo cego; eles imaginam que isto os conduzirá ao céu; eles se lisonjeiam, aos seus próprios olhos, com a ideia de que tudo estará bem, no final.

2. O seu fim é realmente amedrontador, especialmente pelo seu engano; são os caminhos da morte, da morte eterna; a sua iniquidade certamente será a sua ruína, e eles irão perecer com uma mentira em sua mão direita. As pessoas que se enganam a si mesmas provarão ser, no final, destruidoras de si mesmas.

 

V. 13 – Isto mostra a futilidade da alegria carnal, e prova o que Salomão disse sobre o riso, que é louco, pois:

1. Há uma tristeza nele. Às vezes, quando os pecadores são condenados ou enfrentam grandes dificuldades, dissimulam a sua tristeza com um riso forçado, e enfrentam as dificuldades com alegria, porque não parecem ceder; mesmo estando amarrados, eles não clamam. Na verdade, quando os homens estão realmente alegres, ainda assim, ao mesmo tempo, há algo que adultera a sua alegria, algo que a sufoca, algo que toda a sua alegria não consegue manter longe do seu coração. As suas consciências lhes dizem que não têm razões para estar alegres (Oseias 9.1); eles não conseguem enxergar a futilidade do próprio comportamento. A alegria espiritual está arraigada na alma; a alegria do hipócrita é apenas da boca para fora. Veja João 16.22; 2 Coríntios 6.10.

2. Mas o pior ainda está por vir. O fim dessa alegria é tristeza. Ela logo se acaba, como o estalar de espinhos no fogo; e, se a consciência estiver desperta, toda a alegria pecaminosa e profana será refletida com amargura; se não, a tristeza será ainda maior quando, por todas estas coisas, Deus trouxer o pecador a juízo. As tristezas dos santos terminarão em alegrias eternas (Salmos 12 6.5), mas o riso dos loucos terminará em choro e lamentações incessantes.

Autor: Vocacionados

Sou evangélico, casado, presbítero, professor, palestrante, tenho 4 filhos sendo 02 homens (Rafael e Rodrigo) e 2 mulheres (Jéssica e Emanuelle), sou um profundo estudioso das escrituras e de tudo o que se relacione ao Criador.