PSICOLOGIA ANALÍTICA

PODEMOS SER CADA VEZ MAIS INTELIGENTES?

Aumento contínuo dos resultados nos testes que medem o quociente de inteligência (Q.I) sugere que nossos descendentes farão com que a geração atual pareça lerda. Esse efeito, entretanto, pode revelar que estamos apenas encontrando outras formas de usar o cérebro.

Podemos ser cada vez mais inteligentes

Há três décadas, o pesquisador James R. Flynn, da Universidade de Otago, na Nova Zelândia, descobriu um fenômeno que os cientistas sociais ainda se esforçam para explicar: os quocientes de inteligência (QI) vêm crescendo constantemente em todo o mundo desde o início do século 20. Por mais questionável que essa seja medição, o resultado da pesquisa de Flynn vale pelo menos ser considerada. Ele examinou dados de testes de inteligência de mais de 20 países e descobriu que a pontuação está subindo 0,3 ponto por ano – ou 3 pontos por década. Quase 30 anos de estudos de acompanhamento confirmaram a realidade estatística do avanço global, conhecido agora como efeito Flynn. E os pontos continuam subindo.

“Para minha surpresa, no século 21 os aumentos continuam”, diz Flynn. “Os últimos dados mostram os ganhos acompanhando a velha taxa de três décimos de ponto por ano. “Um dos aspectos mais estranhos desse efeito Flynn é certa monotonia – ele não desacelera, para ou recomeça. Apenas se move regularmente para cima, “como se guiado por uma mão invisível”, reforça Flynn. O psicólogo Joseph Rodgers, da Universidade de Oklahoma, examinou os resultados dos testes de quase 13 mil estudantes americanos para ver se poderia detectar o fenômeno numa escala de tempo mais restrita. “Questionamo-nos se os pontos dos estudantes melhorariam num período de cinco ou dez anos. Bem, eles melhoraram num período de um ano. O aumento está lá, sistematicamente, ano após ano. Pessoas nascidas em 1989 têm resultado um pouco melhor que as nascidas em 1988.”

O efeito Flynn significa que as crianças vão, em média, conseguir 10 pontos a mais nos testes de QI do que seus pais. Até o fim deste século, nossos descendentes terão uma vantagem de quase 30 pontos sobre nós – a diferença entre a inteligência média e os 2% do topo da população – se o fenômeno se perpetuar. Surgem, porém, algumas questões. A tendência se manterá indefinidamente, levando a um futuro repleto de pessoas que seriam consideradas gênios pelos padrões de hoje? Ou há algum limite natural ao desenvolvimento da inteligência humana? E, mais importante: aumentar a pontuação nesse tipo de teste significa realmente que as pessoas são mais inteligentes ou apenas que o cérebro encontrou formas de obter pontuações mais altas?

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MENTE MODERNA

Logo que reconheceram o efeito Flynn, os pesquisadores viram que os pontos ascendentes eram resultado quase inteiramente do avanço no desempenho em partes específicas dos mais usados testes de inteligência. Um deles, o Wechsler lntelligence Scale for Children (WISC, em inglês), tem múltiplas seções, e cada uma avalia capacidades diferentes. Seria mais plausível esperar avanços na inteligência cristalizada – caracterizada pelo tipo de conhecimento obtido na escola -, mas isso não acontece. Os pontos nas seções que medem os níveis de aritmética e vocabulário continuaram constantes ao longo do tempo.

A maior parte dos ganhos de QI veio justamente de dois subtestes dedicados ao raciocínio abstrato. Um lida com “similaridades” e apresenta questões como “Em que uma maçã e uma laranja são semelhantes?”. Uma resposta de baixa pontuação seria “ambas são comestíveis”. Uma de pontuação mais alta seria “as duas são frutas”, já que transcende simples qualidades físicas. Outro subteste contém uma série de padrões geométricos relacionados de alguma forma abstrata para que a pessoa identifique corretamente a relação entre os padrões.

Um paradoxo do efeito Flynn é que testes como esses foram projetados para ser uma medida completamente não verbal e culturalmente neutra do que os psicólogos chamam de inteligência fluida: uma capacidade inata para resolver problemas desconhecidos. Mas o efeito Flynn mostra claramente que algo no ambiente tem acentuada influência nos supostos componentes culturalmente neutros da inteligência em populações do mundo todo. Os psicólogos Ainsley Mitchum e Mark Fox, da Universidade do Estado da Flórida, que fizeram estudos detalhados das diferenças entre gerações no desempenho em testes de inteligência, suspeitam que o aprimoramento de nossa capacidade de pensar de maneira abstrata possa estar relacionado à tecnologia, que nos proporciona uma nova flexibilidade na forma como percebemos os objetos.

“Todo mundo conhece o ‘botão’ iniciar na tela do computador, mas não se trata realmente de um botão”, diz Mitchum. “Eu estava tentando ensinar para minha avó como desligar o computador e disse: ‘Aperte o botão iniciar e selecione desligar’. Ela bateu com o mouse na tela.” Mitchum acrescenta, no entanto, que não se trata de falta de inteligência da avó: ela cresceu num mundo em que botões eram botões e telefones certamente não eram máquinas fotográficas. Muitos pesquisadores, entre eles o próprio Flynn, reconhecem que o aumento nos pontos do QI não reflete um aumento em nossos recursos intelectuais brutos. Na realidade, o efeito Flynn mostra como nossa mente se transformou. Esses testes exigem facilidade para reconhecer categorias abstratas e fazer e conexões entre elas, o que se tornou mais útil no último século do que em qualquer época anterior na história humana.

“Se você não classificar abstrações e não estiver acostumado a usar a lógica, não pode realmente dominar o mundo moderno”, avalia Flynn. “Ao fazer algumas entrevistas com camponeses russos nos anos 20, o psicólogo Alexander Luria dizia: ‘Onde sempre há neve, os ursos são brancos. Então, se sempre há neve no polo norte, qual é a cor dos ursos de lá?’. E a maioria respondia que só via ursos marrons. Eles não entendiam a questão hipotética.”

Mas os camponeses não eram ignorantes. O mundo deles exigia apenas habilidades diferentes. “Acho que o aspecto mais fascinante não é que estamos indo muito melhor nos testes de QI”, analisa Flynn. “É a nova luz que lança sobre o que chamo de história da mente no século 20.” Uma interpretação ingênua do efeito Flynn leva rapidamente a algumas estranhas conclusões. A simples extrapolação do efeito ao longo do tempo, por exemplo, sugeriria que a pessoa com inteligência média na Grã-Bretanha em 1900 teria um QI de cerca de 70 pelos padrões de 1990. “Isso significaria que o britânico tinha deficiência mental limítrofe e não seria capaz de entender as normas do críquete”, compara o psicólogo cognitivo David Hambrick, professor da Universidade do Estado de Michigan.

Podemos não ser mais inteligentes que nossos antepassados, mas não há dúvida de que nossa mente mudou. Flynn acredita que a mudança começou com a Revolução Industrial, que trouxe novas realidades: maior acesso ao ensino formal, famílias menores e uma sociedade em que empregos técnicos e administrativos substituíram os agrícolas. Novas classes profissionais surgiram – engenheiros, eletricistas, arquitetos industriais – e seus postos exigiram domínio de princípios abstratos. A educação, por sua vez, tornou-se o motor de mais inovação e mudança social, desencadeando um circuito de realimentação positivo entre nossa mente e a cultura com base na tecnologia que não deve terminar em breve.

A maioria dos pesquisadores concorda com a avaliação geral de Flynn de que a Revolução Industrial e os avanços tecnológicos são responsáveis por esse efeito. Mas especificar as causas precisas – o que poderia permitir a elaboração de políticas educacionais e sociais para ampliar o resultado – tem sido difícil. Progressos na educação certamente respondem por parte dos avanços. Hoje, cerca de metade dos adultos tem pelo menos algum grau de escolaridade superior. A educação formal, contudo, não explica completamente o que acontece. Alguns pesquisadores pressupõem que a maior parte do aumento no QI no século 20 possa ter sido liderada por ganhos na ponta esquerda da curva de sino da inteligência entre aqueles com as pontuações mais baixas, um resultado que seria provavelmente consequência de melhores oportunidades educacionais. Mas, em um estudo recente, Jonathan Wai e Martha Putallaz, da Universidade Duke, analisaram 20 anos de dados compreendendo 1,7 milhão de resultados de testes de alunos de 5ª e 7ª séries e descobriram que os pontos de 5% dos melhores estudantes estavam subindo em perfeita sintonia com o efeito Flynn. Os resultados sugerem que, como a curva toda está mudando, as forças culturais por trás do aumento devem estar influenciando a todos igualmente. Os cientistas especulam que a disseminação dos sofisticados videogames e mesmo de alguns programas de televisão pode ajudar crianças a aumentar as habilidades necessárias para solucionar problemas propostos pelos testes de QI.

Para Rodgers, a universalidade do efeito Flynn confirma que é inútil buscar uma causa única: “Deve haver quatro ou cinco causas dominantes, cada uma se levantando contra fluxos ou desaparecimentos de outras”. Melhor nutrição infantil, educação universal, famílias menores e a influência de mães com educação superior são algumas das mais prováveis. “Desde que duas causas estejam presentes, mesmo quando algo como a Segunda Guerra provoca o desaparecimento de outras duas, o efeito Flynn mantém sua curva.”

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MAIS RÁPIDOS

O que o futuro trará? Os Qls seguirão subindo? Algo de que podemos ter certeza é que o mundo continuará mudando, em grande parte por nossas próprias ações. Flynn gosta de usar uma analogia tecnológica para descrever a interação de longo prazo entre mente e cultura. “A velocidade dos automóveis em 1900 era absurdamente baixa porque as estradas eram muito ruins”, compara. Mas rodovias e carros evoluíram. Quando os caminhos melhoraram, também os veículos melhoraram – e estradas melhores levaram os engenheiros a projetar carros mais velozes.

Tanto a mente quanto a cultura são atreladas num circuito de feedback semelhante. Estamos criando um mundo onde a informação assume formas e se move com velocidades impensáveis há apenas uma década. Cada ganho tecnológico demanda mentes capazes de acomodar a mudança – e a mente modificada reforma ainda mais o mundo.

Um fato a ser considerado é que a mente parece estar ficando mais rápida. Uma prática comum na pesquisa reação-tempo é descartar respostas que estejam abaixo de cerca de 200 milissegundos. “Pensava-se que 200 milissegundos era o mais rápido que as pessoas podiam responder, mas hoje digitamos textos, jogamos videogames, fazemos muito mais coisas que exigem respostas realmente velozes”, diz o psicólogo cognitivo David Hambrick. Isso é bom? Não necessariamente, já que em muitas tarefas cruciais um instante a mais de hesitação pode significar menor possibilidade de erro. Assim como o efeito Flynn, a rapidez em si não é nem boa nem ruim – é uma evidência de nossa adaptabilidade. Com sorte, talvez continuemos construindo um mundo que nos torne mais inteligentes e hábeis para fazer melhores escolhas. Afinal, isso sim é sinal de inteligência.

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OUTROS OLHARES

QUANDO O ALVO SÃO AS MULHERES

O aumento do número de mulheres morta por familiares coloca em xeque a defesa da flexibilização do porte de arma.

Quando o alvo são as mulheres

Aos 40 anos, Simone Fernandes do Santo de Morais vivia uma vida simples. Morava com o marido e o filho de 19 anos na zona rural de Santa Isabel, a 65 quilômetro de São Paulo. Cuidava da casa e começara a ajudar no dia a dia de um pequeno sítio que havia sido cedido ao marido para ele plantar e, assim, aumentar a renda da família. Simone engravidou, mas logo perdeu o bebê. Chegou a ser internada, mas no fim ficou aliviada. Não seria fácil, àquela altura da vida, criar uma criança. Além disso, havia pelo menos oito anos o marido, João Cândido de Morais, de 43 anos, fazia uso de remédio controlado e vivia de uma aposentadoria precoce após um diagnóstico de transtorno psiquiátrico. Cabia a ela controlar o orçamento da casa, fazer as compras e cuidar de João Cândido, sobretudo para que ele não se esquecesse de tomar o medicamento.

Mas a vida não era difícil só por isso. Nos últimos tempos, a convivência com João Cândido se tornara cada vez mais dura. Na semana do Natal, Simone recebeu a visita do cunhado, Alcídio, um acontecimento raro – os surtos do marido haviam afugentado os parentes. E foi com ele que desabafou. Já não aguentava mais as constantes brigas e queixa do marido por causa dos gastos com a casa, com o filho, e estava decidida a pedir o divórcio.

Alcídio conversou com o irmão, mas ouviu dele algo pior: João Cândido alimentava a suspeita de que o bebê que Simone perdera não era dele e que a mulher o havia traído. Procurou acalmá-lo, disse que ele estava pensando bobagem e que deveria, com a mulher, voltar a frequentar a igreja evangélica, da qual o casal havia se distanciado.

Os doí irmãos só voltaram a se encontrar no último dia 4 de janeiro. Ao chegar em casa no fim da tarde, Alcídio deparou com João Cândido sentado na varanda, muito agitado. Disse que um homem havia invadido a casa dele e atirado, matando Simone. Mas a história não convenceu. Enquanto ganhava tempo acalmando João Cândido, Alcídio ligou para a polícia.

Poucas horas antes, por volta da uma e meia da tarde, Simone fora morta com dois tiros na altura do tórax. O filho não estava em casa. Ninguém sabia dizer o que acontecera. Vizinhos apenas ouviram tiros e chamaram a polícia. Com a mulher caída no quarto, ao lado da cama, João Cândido saiu de casa. Numa estrada de terra, pegou carona com um vizinho para ir até o centro da cidade. Nervoso, dizia que sua casa fora invadida. De início, o vizinho não deu muita importância à história, mas, ao voltar para casa e saber da morte de Simone, desconfiou. Foi olhar o próprio carro. João Cândido, que havia sentado no banco de trás, deixara debaixo do banco do motorista a arma do crime – um revólver calibre 38.

João Cândido foi preso em flagrante por feminicídio. E Simone passou a fazer parte da triste e crescente lista das mulheres vítimas de violência doméstica. “Quem pode ter vendido uma arma a um homem que tomava medicamento controlado? Se a arma era legal ou ilegal, pouco importa. Isso precisa ser investigado”, desabafou Alcídio, o irmão do assassino. Para a polícia, esse é um detalhe pouco relevante num crime já elucidado. João Paulo, o filho do casal, contou ao delegado que o pai tinha duas armas escondidas em casa – um revólver calibre 38 e outro calibre 22 e que vivia brigando com sua mãe por uma suposta disputa de terras a que ela teria direito no inventário de seu avô.

João Cândido era um homem sem antecedentes criminais. Nem mesmo Simone havia registrado na polícia qualquer queixa contra ele por agressão. “Ela tinha medo. Nunca se queixou. E ainda tinha a doença dele”, lamentou a mãe de Simone, Juventina Fernandes, de 70 anos.

A morte de Simone alerta sobre uma hipótese alarmante para o país: a possível relação entre posse de arma e o aumento das vítimas de violência doméstica. Em 2016, último dado disponível no sistema Datasus, que registra mortes ocorridas em atendimento no sistema público de saúde, 2.339 mulheres foram mortas por disparos de armas de fogo no Brasil – metade do número de mortes por agressão ocorridas no país. O dado inclui, além de homicídios, registro de roubos seguido de morte – latrocínio – e lesão corporal seguida de morte. Nos casos em que a mulher foi morta dentro de casa, armas de fogo foram usadas em 40% dos casos.

Um levantamento feito pelo Instituto Sou da Paz, ONG de referência na promoção de iniciativa contra a violência, mostra que em alguns estados o percentual de mulheres mortas por arma de fogo dentro de suas residências é ainda maior: 58% dos casos na Paraíba, 67% no Acre, 68% no Rio Grande do Norte e 70% em Alagoas.

Especialistas em violência contra a mulher receiam que o decreto prometido pelo presidente Jair Bolsonaro para os próximos dias, que flexibiliza a posse de arma e foi uma das principais promessas da campanha eleitoral, agrave a situação das brasileiras. “Não ter arma de fogo não reduz o risco de violência doméstica. Mas a existência dela dentro de casa, seja a arma legal ou ilegal, agrava o risco de morte para as mulheres e acende a luz vermelha. um consenso internacional”, disse a promotora Valéria Scarance, do Grupo de Enfrentamento à Violência Doméstica do Ministério Público de São Paulo. “A existência de arma de fogo dentro de casa é um fator maior de risco. Afinal, em geral os homens que praticam violência contra a mulher e feminicídio são réus primários, têm bons antecedente e residência fixa (condições que os credenciam a comprar armas)”, acrescentou a promotora.

Quando o alvo são as mulheres. 2 Segundo Scarance, a posse de arma pelo companheiro é um dos elementos que levam autoridades de vários países a determinar medida protetivas para mulheres, por ser considerado um agravante.  Scarance chamou a atenção ainda para outro dado, também alarmante: entre 2011 e 2016, disparos de arma de fogo foram a principal causa da morte de mulheres de até 29 anos de idade.

Dados estatísticos não deixam dúvida de que se trata de um fenômeno preocupante e em ascendência. Em dez anos, entre 2006 e 2016, o homicídio de mulheres aumentou 15%. Segundo dados dos Anuários do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, em 217 ocorreram 4.539 homicídios dolosos com vítimas femininas, um aumento de 6,9% em relação a 2016. Desse total, 1.133 foram registrados como feminicídios – alta de 22% em relação ao ano anterior. Dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) mostram que as medidas protetivas expedidas no Brasil com base na Lei Maria da Penha, vigente desde 2006 e que prevê punições mais graves e maior proteção às vítimas de violência doméstica, somaram 236.641 em 2017 – um aumento de 21% em relação a 2016. Os processos de violência doméstica contra a mulher iniciados no Brasil chegaram a 452.988, 12% a mais do que em 2016.

Stephanie Morin, gerente da área de Gestão do Conhecimento do Instituto Sou da Paz, afirmou que dar posse de armas à mulheres não vai fazer com que se sintam mais seguras, já que as armas têm de ser guardada em locais de difícil acesso – inclusive para evitar o risco de serem pegas por criança – e é bem difícil imaginar que, numa situação de briga corporal, urna mulher consiga se desvencilhar do agressor, pegar a arma e se defender. “Isso é uma falácia. A maior presença de armas traz desfecho trágico para brigas fúteis. Em ambientes conflituosos, de violência doméstica, o problema tende a se agravar. Provavelmente, as mulheres passarão a ser ainda mais ameaçadas. E quem vai usar é o opressor, não a vítima”, disse Morin. “A arma cria situações perigosas não só para os envolvidos, mas também para as pessoas que estão próximas”, completou.

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GESTÃO E CARREIRA

ATENDIMENTO 4.0

O consumidor 4.0 quer fazer parte da sua empresa, e abrir espaço para ele é a melhor coisa que você pode fazer hoje, pelo bem do negócio.

Atendimento 4.0

A famigerada nova era digital já não é tão nova assim. Apesar dos primórdios da internet para fins militares datarem de 1962, foi em 1965 que a primeira rede de computadores por linha telefônica começou a funcionar e, em 1994, o Netscape fez com que o surgimento da AOL levasse o W(orld) W(ide) W(eb) para o mundo. Fez as contas? A internet como você conhece já está alcançando a maioridade e com inovações que chegam cada vez mais rápido do que se pode acompanhar. Fato é que a grande chave dessa mudança está em uma palavra: interação.

Se o antigo consumidor era acostumado a apenas receber informações – fosse pela televisão, jornal ou rádio -, o novo público quer mais. Ele quer dizer o que pensa e o que sente, sem tempo a perder. Mais do que isso! Quer ser ouvido. Ele quer criar conteúdo junto com a marca que segue, quer que sua opinião tenha relevância. O que ele busca nas empresas também mudou.

Esqueça nome e status. O consumidor 4.0 prefere valor agregado a um carrão para manter aparências. Não à toa, “educação, sustentabilidade e caridade” são palavras-chave para o mercado em 2019. Mais do que isso, é importante falar sobre assuntos relevantes de um lugar de discurso que faça sentido, tendo em consideração que aquilo que os seguidores da sua marca pensam sobre você engaja e muito. Para ter uma ideia, apenas cerca de 15% dos comentários em Fanpages são negativos. Porém, são esses 15% os que mais fazem barulho e geram conversas.

A pesquisa “O Futuro Impulsionado pelos Dados das Indústrias Brasileiras”, da Software Alliance, lembra que Indústria 4.0 significa um espaço digitalizado, impulsionado por recursos de computação em nuvem, com ferramentas analíticas, inteligência artificial, robótica e internet das coisas. Em resumo, é “utilizar o poder dos dados para aumentar a eficiência” do seu trabalho.

Essa definição fica clara em números. Além da economia visível nos processos internos, há 85% de aumento na precisão de previsões. Com isso em mente, até 9% das pequenas empresas esperam a criação de melhores modelos de negócio com sua digitalização e 36% a 38% das pequenas e médias acreditam que as tecnologias 4.0 vão melhorar a qualidade de produtos e serviços. Elas têm razão.

A Associação Brasileira de Automação – GSI conta ainda mais. O Índice de Automação do Mercado Brasileiro revela que o País já cresceu sua automação em 8% no último ano – mesmo com diversos setores da economia recuando. As empresas mostraram também reconhecer esse novo momento, já que o foco maior de investimento foi em atendimento e relacionamento com o cliente. “O uso mais estratégico dos dados gerados diariamente pelas ações dos clientes dá mais subsídios para a geração de ofertas direcionadas ao desejo dos consumidores”, conta Marina Pereira, gerente de pesquisa e desenvolvimento.

Segundo o estudo, os consumidores também se digitalizaram mais, somando 4% de aumento. O destaque ficou para o crescimento de aplicativos de e-commerce, com 25%.

QUEM É O CONSUMIDOR 4.0?

Fato comprovado. O consumidor mudou e exige mais. “As planilhas numéricas sempre existirão, porém como consequência da relevância que buscamos ter com os consumidores. Especialmente agora, com um público muito mais empoderado e muitas vezes no controle da situação, buscar ser relevante e engajá-lo é fator crítico de sucesso ou insucesso”, ressalta a head de Marketing da Motorola, Juliana Mott.

Lembra aquela criança que mal sabia falar e você já achava lindo o fato de ela conseguir usar o Touch de celulares e tablets? Ou aquele pré-adolescente que tem na ponta da língua as últimas notícias, porque viu no Google ao mesmo tempo que gravou um vídeo com sua música favorita para os Stories do Instagram e criou uma foto totalmente criativa para postar no Facebook? Mais ainda. Conhece aquele quase adulto que não tem um ator preferido, mas sim um youtuber como ídolo? É ele. Dinâmico, faz várias coisas ao mesmo tempo, não tem tempo a perder e avalia a relevância da sua marca na facilidade de um like. É esse cara que quer a sua atenção e ele não acredita mais em publicidade simples e pura.

Ele acredita em pessoas. Mais importante sobre o que sua marca diz dela mesma é o que os amigos dele dizem. Por isso, este é um momento em que termos como “lugar de discurso” e “resiliência” são basicamente o “Enzo” da nova era – nomes que todo mundo precisa ter, e, antes, os quatro “Ps” da comunicação eram produto, preço, praça e promoção, agora eles se tornaram personalização, participação, peer-to-peer (aproximação) e previsões modeladas (onde estão e quem são as pessoas com quem falamos). Nesse alfabeto de oportunidades, você encontra também os quatro “Is” da mensagem – imediata (sendo acessível e humana), inédita, interativa e imitável (um conteúdo que possa gerar buzz entre as pessoas que o seguem).

Segundo o estudo Papo Digital da Hello, entre 2016 e 2018, a parcela de consumidores seguindo empresas que admiram nas redes sociais aumentou mais de 80%. Hoje, metade dos consumidores já tem esse comportamento. É mais um dos reflexos da popularização dos smartphones, que abriram as portas do universo on-line e vêm transformando profundamente o consumo e também as relações familiares, sociais, laborais e, como vimos nas eleições, até a política. “Hoje, praticamente nove em cada dez consumidores brasileiros com acesso à internet têm um smartphone, 95% usam WhatsApp, e 89%, Facebook”, completa o CEO da Hello Research – agência de pesquisa de mercado e inteligência, Davi Bertoncello.

O executivo lembra que, ainda segundo o Papo Digital 2018, 74% dos consumidores consideram essencial que as empresas ofereçam recompensas e benefícios exclusivos. Além disso, estar em todos os canais é extremamente importante, já que a relação com o consumidor se tornou mais complexa e descentralizada. “Hoje, o público não só tem espaço para responder à marca e interagir com a publicidade on-line, mas também assume o papel de promotor ou detrator de serviços, produtos, campanhas, atendimento em interações que independem da marca e que criam a necessidade de o negócio monitorar tudo o que o público diz dele on-line”, explica.

Além disso, 72% dos consumidores esperam que as empresas tenham ideias e valore compatíveis com os deles, considerando ainda uma opinião pública volátil, feroz e cada vez mais dividida entre conservadora e progressista. Fique atento! A linha entre sucesso e fracasso é tênue e é preciso atenção para não errar. Mesmo assim, caso erre, saiba pedir desculpas e não repetir o feito. Comunique sua empresa como um ser humano empático, e o primeiro passo já terá sido dado.

DICAS DE QUEM JÁ APRENDEU

A empresária Denise Barreto tem uma loja de roupas chamada StiloD, desde 2013. Era para ser apenas um espaço de vendas, mas acabou se tornando ponto de encontro para um café e um canal direto para sugerir looks em diferentes ocasiões – o que, obviamente, impactou o crescimento do empreendimento. “Percebi que as pessoas ficam nas redes sociais a todo instante, seja na pausa para o café, nos minutinhos que sobram após o almoço, enquanto trabalham e no momento de relaxar. Então, é mais fácil despertar o desejo de compras nesse momento. Uso o Instagram, o Facebook e a lista de transmissão do WhatsApp”, conta.

Mas ela ressalta que não bastou selecionar modelos de passarela com suas peças para atrair clientes. Na verdade, esse tipo de conteúdo nunca engajou muito bem. Mas, quando iam até a loja, as consumidoras viam as roupas no corpo da própria empreendedora e ficavam interessadas. Foi neste ponto que Denise entendeu o que o cliente espera da marca: verdade. “As pessoas gostam de se espelhar em gente de verdade e com coisas mais próximas a elas. Eu tenho 40 anos, dois filhos, 1,58 metro e 60 quilos. Sou totalmente fora dos ‘padrões de beleza’, assim como a maioria das minhas clientes. Então, comecei a dar vida para as minhas fotos, principalmente fazendo Stories com as roupas”, afirma.

As pessoas, segundo ela, passaram a conhecê-la e começaram a chamar no Direct com perguntas pessoais – “de onde é esse chinelinho?”, “Qual seu esmalte?”, “Como você emagreceu dois quilos?”. “Dessa maneira, vamos ficando amigas e elas querem as roupas, o chinelinho, o mesmo esmalte, como se fosse uma identificação mesmo”, explica.

Nessa série de tentativa e erro, ela percebeu que esse novo cliente é um consumidor sem tempo a perder e que precisa do máximo de informações possível antes de sair de casa. Para facilitar ainda mais a logística, pensa em abrir uma loja virtual no próximo ano, com expansão para outros estados além de São Paulo. Além disso, pretende deixar celulares com suas vendedoras, para que possam ter esse contato mais direto com o público, via WhatsApp.

A projeção é um acerto. De acordo com o estudo CONECTAí Express, o WhatsApp é hoje a rede social mais utilizada pelos brasileiros, somando 91% dos usuários. Em seguida, vem o Facebook e, em terceiro lugar, o Instagram. Mesmo assim, é preciso ficar de olho. Os algoritmos do Facebook, por exemplo, mudam o tempo inteiro, facilitando ou dificultando a entrega orgânica de conteúdo entre os seguidores da Fanpage. esse ponto, o Instagram leva a vantagem de possuir um público mais acostumado em fazer pesquisa por local e hashtags, o que pode ajudar a encontrar seu serviço de maneira rápida e eficaz. Por isso, não adianta criar conteúdo. É preciso entender a dinâmica de cada plataforma e, principalmente, da sua base de fãs.

DOS PÉS À CABEÇA

Conhecer o público é marca registrada da Motorola. “A empresa tem no consumidor seu foco central para melhorar experiência de produto e marca e, portanto, trabalha com uma presença omnichannel, isto é, procuramos estar onde nosso consumidor está, muito além das famosas classificações de off ou on-line. Sendo assim, estar presente e entender toda a jornada de pré e pós-consumo é o que é relevante e cada uma delas é fator determinante para nossa estratégia”, conta Juliana.

Para isso, existe um ecossistema que inclui o site e-commerce e o hub “hello moto” de conteúdo, além das redes sociais – Facebook, Instagram, Twitter e YouTube, que trabalham de maneira integrada. “Possuímos um canal exclusivo com usuários Motorola que traz constantemente novidades da marca e produtos, além de ser um espaço importante de feedback sobre experiência de produto. Temos ainda uma equipe de promotores no PDV: call center ativo e receptivo e uma rede de assistência técnica”, acrescenta.

Uma dica importante que ela dá é justamente mapear interações e relatórios que chegam pelos pontos de contato, para deixar o atendimento cada vez mais personalizado. E, claro, sempre responder ao consumidor! No caso da empresa, essa parte é realizada via uma integração de sistema entre atendimento na assistência técnica, call center e social listening (aquilo que vem das redes sociais), culminando em um sistema de agendamento que melhora a qualidade do atendimento. O objetivo está além de resolver o problema. Ele se refere principalmente a oferecer uma boa experiência coma marca.

ESTOU PRONTO! POR ONDE COMEÇO?

Dizemos que as marcas têm que ser all-line, fundir o pensamento on e off line. É preciso estar em todos os lugares: nas redes, aplicativos, sites, publicidade de rua, patrocínios, eventos. Cada meio necessita de uma estratégia própria, mas também seguir um mesmo sentido, ou seja, respeitar uma unidade. Quando é preciso se comunicar diretamente com o consumidor, também pode haver aproveitamento de canais diferentes para cada perfil. “O e-mail ainda é o canal que seis em cada dez brasileiros gostam de ser contatados, mas o WhatsApp já está em segundo lugar com cinco a cada dez, sendo popular especialmente entre os mais jovens. Essa comunicação também pode se dar pelas diferentes redes sociais, anúncios na web, telefone, SMS, correio”, resume Bertoncello.

O strategic account director na lnbenta, Cassiano Maschio, produz soluções de atendimento e lembra que o auxílio humano on-line, via chat ou e-mail, e o autoatendimento por chatbots, buscadores, FAQs inteligentes, Instant Answer pré-envio de e-mail e serviços de aplicativos são as ferramentas mais funcionais para uma empresa personalizar seu contato com o consumidor.

O ponto mais importante é, além de estar próximo do cliente, resolver o problema dele com agilidade. “Quando o chatbot não resolve, assim como em um call center, deve-se haver um nível superior de atendimento – uma pessoa ou outro chatbot especialista no tema. Isso pode ser um chat com um colaborador, um formulário de contato ou um número de telefone para ligação.

Nos canais digitais, o benefício é contar com uma experiência mais fluida e a possibilidade de manutenção do contexto. Por exemplo, após falar com um chatbot de uma empresa de transporte aéreo, caso o atendimento escale para o humano, é enviada para o atendente toda a conversa prévia com o chatbot. Dessa maneira, ele já pode até mesmo iniciar a sua parte do atendimento com a resolução da dúvida/problema, e o cliente não precisa repetir a explicação do seu caso”, explica.

Para Cassiano, os próximos tempos anunciam mais integrações com sistemas legados, quer dizer, um autoatendimento ainda mais eficiente. Ele também aposta no foco da experiência do cliente e customização de serviços, o que significa uma melhor interpretação dos dados disponíveis para realizar essa entrega individual. Por fim, os recursos de voz podem melhorar ainda mais a usabilidade e o feedback do público.

O autoatendimento pode ajudar bastante com a redução de custos e aumento da satisfação do cliente. Hoje, existem casos de chatbots com até 90% de retenção e responsáveis por cerca de um terço do total de atendimentos, considerando todos os canais. Mas o que seria um tiro no pé na hora de colocar atendimento on-line na sua empresa? Não designar responsáveis e metas para o processo, não envolver toda a empresa na iniciativa, não considerar o perfil do cliente, não acompanhar métricas do canal para promover melhorias, publicar uma ferramenta em canais pouco utilizados.

Entre serviços especializados que trazem soluções criativas para o setor está a Prestus Secretárias Compartilhadas, de Alexandre Borin e Leandro Crocomo. O “Uber das secretárias” é um time de profissionais compartilhados e disponíveis por 24 horas para diferentes empresas e qualificados para fazer todo tipo de atendimento, como se fossem um colaborador exclusivo da empresa contratante.

Já a lnstan teaser é uma startup da AdTech que ajuda com o engajamento digital. Uma das dez startups do mundo selecionadas para o Google for Entrepreneurs Exchange, em Zurique, a empresa produz conteúdos personalizados de forma ágil e com as características necessárias para um bom engajamento nas redes sociais – variando de 6 a 30 segundos de conteúdo.

Empresas como a Bayer aproveitam o momento para criar suas próprias ferramentas. Percebendo a necessidade de seus clientes do setor agro, anunciou agora a chegada da Climate FieldView, uma plataforma de agricultura digital que coleta e processa automaticamente dados do campo, ajudando o produtor a avaliar a performance de cada talhão, indo do plantio à colheita, tomando assim as melhores decisões para cada hectare. O serviço está incluso no Programa de Pontos da companhia, inserido na Rede AgroServices, plataforma colaborativa que transmite informações e conecta pessoas do segmento. Com 120 mil produtores inscritos, a empresa detém comunicação com cerca de 65% do agronegócio brasileiro.

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COMO FALAR COM O CONSUMIDOR 4.0?

FERRAMENTAS MAIS USADAS:

“Estamos falando de um perfil que anseia por uma solução ágil, que está acostumado a resolver quase tudo pelo celular (pagamentos, reclamações. contratação de serviços, entre outros) e que, acima de tudo, tem pouquíssimo tempo para você. O melhor caminho com certeza é a Conectividade. Para isso, as ferramentas mais usadas são Facebook, Instagram, YouTube, LinkedIn, Google Plus, Twitter, entre outros; aplicativos de celulares e atendimentos automatizados (como chatbots e assistentes virtuais).”

O QUE VEM POR AI:

“Especialistas narram que está se aproximando o consumidor 5.0, um perfil que deverá ser influenciado pela TV Digital interativa e pela realidade imersiva, tecnologia por meio da qual será possível imitar os sentidos humanos em espaços simulados.

A realidade imersiva tem sido apontada como uma grande tendência de atração audiovisual nos próximos anos e deverá influenciar o setor com muita força.”

O QUE FUNCIONA MELHOR:

“Esse perfil de cliente cobra um atendimento Omnichannel, ou seja, a convergência de todos os seus canais em apenas um. Com isso, ele pode, por exemplo, entrar em um site e encontrar informações sobre as lojas físicas, acessar um aplicativo e fazer compras, achar algo de que gosta e publicar em suas redes sociais e assim por diante.”

 Atendimento 4.0 . 3

O QUE QUERO CONSUMIDOR 4.0?

Ser reconhecido.

Valorização da marca, uma vez que ele está doando tempo a ela.

Descontos personalizados. Parcerias exclusivas.

Eventos e programas de pontuação.

Atendimento 4.0 . 4

CA$E MUITO ALEM DO SHARE

IDEIA:

HelloCidades é uma plataforma que convida as pessoas a se conectarem com a sua cidade de uma nova maneira, usando a tecnologia de forma mais coletiva pelo smartphone. Presente em ferramentas que vão do Google ao Spotify, a Motorola distribui dicas culturais em diferentes cidades e realiza também eventos e intervenções físicas pelas regiões contempladas.

RESULTADOS:

A plataforma gerou propostas como Casa HelloCidades, na Vila Madalena (SP), o HelloCinema – um cinema a céu aberto no Centro Cultural São Paulo, além de outros eventos relevantes que trouxeram visibilidade e engajamento com os consumidores.

OUTRAS SOLUÇÕES:

Outra ideia da marca é o Phone Life Balance, que convida as pessoas a equilibrar o uso da tecnologia e reconectar com o que mais importa para elas. “É uma bandeira onde questionamos a nós mesmos como inventores do primeiro celular. E o resultado está sendo surpreendente. Os consumidores se engajaram e se tornaram porta­ vozes desse novo pensamento”, explica a head de Marketing da empresa, Juliana Mott.

Atendimento 4.0 . 5

PARA NÃO TER ERRO

CONTEÚDO É ESSENCIAL: linguagem adaptada ao público, comunicação leve e objetiva, usabilidade.

EQUIPE DEDICADA E TREINAMENTO: deve-se considerar a ferramenta de autoatendimento como se fosse um colaborador. A diferença é que não existe absenteísmo, mau humor, falta de padronização. Uma equipe multifuncional de curadoria, técnica e de negócios deve ser designada para assegurar uma evolução e maior eficiência da ferramenta.

CANAIS ADEQUADOS: estar disponível nos canais que os clientes estão (Website, Messenger, WhatsApp, APP e outros).

PROMOCIONAR E EVANGELIZAR: o canal deve ser divulgado e estimulado uma vez que as experiências passadas com autoatendimento possam ter sido traumáticas.

SELECIONAR um fornecedor com expertise e com ferramenta flexível e com provadamente qualificada.

DESIGNAR uma equipe multifuncional com conhecimento técnico, linguístico e de negócio para uma implantação de qualidade e para as melhorias evolutivas necessárias.

CONSIDERAR a ferramenta como um novo colaborador, que precisa de atenção e treinamento.

ALIMENTO DIÁRIO

PROVÉRBIOS 14: 1 – 13

Pensando biblicamente

SABEDORIA E TOLICE

 

V. 1  – Observe:

1. Uma boa esposa é uma grande bênção para uma família. Por uma esposa sábia uma família se multiplica, e é povoada de filhos, e assim é edificada. Mas por uma mulher sábia e prudente, que é piedosa, diligente e atenciosa, prosperam os assuntos de uma família, as dívidas são pagas, é feita provisão, os filhos são bem educados e sustentados, e a família tem consolações dentro de casa, e credibilidade fora de casa; assim a casa é edificada. É a sua casa e assim ela deve cuidar dela, embora saiba que seu esposo é o senhor da mesma (Ester 1.22).

2. Muitas famílias são destruídas pela má administração da esposa, bem como do esposo. Uma mulher tola, que não tem temor a Deus nem consideração pelos seus deveres, que é obstinada, esbanjadora e temperamental, que é indulgente com seus apetites e gosta de passeios, de banquetes e de jogar cartas, embora alcance um estado de abundância, e venha a ter uma família de posses, empobrecerá, e gastará tudo, e ela certamente será a ruína da sua casa, como se a derrubasse com suas próprias mãos; e o próprio esposo, com todos os seus cuidados, dificilmente conseguirá evitar isto.

 

V. 2 – Aqui temos:

1. A graça e o pecado em seu verdadeiro caráter. A graça reinante é uma reverência ao Senhor, e honra aquele que é infinitamente grande e superior. E a quem é devida toda a honra, acima daquilo que é mais conveniente ou que deveria ser mais agradável para a criatura racional? O pecado reinando não é nada menos do que um desprezo por Deus. Nisto, mais do que em qualquer coisa, o pecado parece extremamente pecaminoso: no fato de que despreza a Deus, a quem os anjos adoram. Os que desprezam os preceitos de Deus, e não desejam ser governados por eles, desprezam as suas promessas e não as aceitarão, desprezam ao próprio Deus e a todos os seus atributos.

2. A graça e o pecado, sob a sua luz verdadeira. Com isto, podemos conhecer um homem que tem graça, e o temor de Deus, reinando nele; ele anda na sua sinceridade, ele tem consciência de suas ações, é fiel a Deus e aos homens, e cada pausa que faz, bem como cada passo que dá, são segundo a lei; este é um indivíduo que honra a Deus. Mas, ao contrário, aquele que é perverso em seus caminhos, que deliberadamente segue os seus próprios apetites e paixões, que é injusto e desonesto, e contradiz o que professa no seu modo de vida, ainda que se diga devoto, é ímpio, e será considerado como alguém que despreza ao próprio Deus.

 

V. 3 – Veja aqui:

1. Um soberbo tolo que se expõe. Quando há soberba no coração, e nenhuma sabedoria na mente para suprimi-la, isto se exibe, normalmente, nas palavras: “Na boca do tolo está a vara da soberba”, a vanglória, a reprovação, o desprezo, o escárnio, tudo feito com soberba, além do seu próprio desejo de legislar; esta é a vara da soberba. Ela se origina daquela raiz de amargura que existe no coração; é uma vara daquele caule. A raiz deve ser arrancada, ou não poderemos tomar esta vara, ou isto se refere a uma vara que fere, uma vara de soberba que aflige aos outros. O homem soberbo, com sua língua, desfere golpes à sua volta como quer, mas no final, a sua língua será uma vara para ele mesmo; o homem soberbo sofrerá uma correção ignomínia pelas palavras da sua própria boca, não punido como um soldado, mas açoitado como um servo, e assim será espancado com a sua própria vara (Salmos 64.8).

2. Um homem humilde e sábio que se preserva e busca o seu próprio bem: “Os lábios do sábio preservá-lo-ão”, impedindo que faça aos outros a maldade que os soberbos fazem com as suas línguas. e impedindo que traga sobre si mesmo aquela maldade em que os soberbos escarnecedores frequentemente se envolvem.

 

V. 4 – Observe:

1. A negligência na administração é o caminho para a pobreza: Não havendo bois, para cultivar o solo e pisar o trigo, o celeiro fica limpo, vazio; não há palha para o gado, e consequentemente, não há pão para o suprimento do homem. A escassez é representada pela limpeza de dentes (Amós 4.6). Quando não há bois, não há nada para ser feito no solo, e então nada será obtido dele; o celeiro realmente fica limpo, o que agrada aos “almofadinhas” que não conseguem suportar a agricultura porque é um trabalho em que há muita sujeira, e por isto eles venderão seus bois, para manter limpo o celeiro; mas então não somente o trabalho dos bois, mas até mesmo o seu esterco irá faltar. Isto mostra a tolice dos que apreciam os prazeres do campo, mas não se importam com os trabalhos do campo, que (como fizemos) têm mais cavalos do que vacas, e mais cães do que porcos; as suas famílias devem necessariamente sofrer por isto.

2. Aqueles que se esforçam com o seu solo terão uma probabilidade maior de colher os seus frutos. Aqueles que mantêm consigo o que é para uso e serviço, não por nobreza ou exibição, isto é, aqueles que têm mais agricultores do que criados, terão uma probabilidade maior de prosperar. Pela força do boi, há abundância de colheitas; este conselho existe para o nosso benefício, e é proveitoso, tanto na vida como na morte.

 

V.  5 – Na administração da justiça, grande parte depende das testemunhas, e por isto é necessário, para o bem comum, que as testemunhas tenham princípios, como devem ter: pois:

1. A testemunha verdadeira não mentirá, não ousará dar um testemunho falso, ainda que minimamente, nem, por boa vontade ou má vontade, dirá algo que não corresponda a tudo o que sabe, ainda que agrade ou desagrade a alguém, e então o juízo flui como um rio.

2. Mas a testemunha falsa, que admite subornos, e é influenciável e amedrontável, se desboca em mentiras (e não se limitará a isto nem se assustará com isto) com tanta prontidão e certeza como se tudo o que dissesse fosse verdade.

 

V. 6 – Observe:

1. A razão pela qual algumas pessoas buscam sabedoria, e não a encontram, é porque não a buscam com um princípio correto e de uma maneira correta. São escarnecedores, e é zombando que buscam instrução, para que possam ridicularizar o que lhes é dito e criticar a instrução recebida. Muitos propõem perguntas a Cristo, tentando-o, e para que possam, com isto, ter motivos para acusá-lo, mas nunca ficam mais sábios. Não é de admirar que aqueles que buscam sabedoria, como Simão. o mágico, buscou os dons do Espírito Santo, para servir ao seu orgulho e à sua cobiça, não a encontrem, pois a buscam de maneira inadequada. Herodes desejava ver um milagre, mas era um escarnecedor, e por isto o milagre lhe foi negado (Lucas 23.8). Os escarnecedores não são bem sucedidos na oração.

2. Para o prudente. para o que entende corretamente, que se afasta do mal (pois isto é entendimento), o conhecimento de Deus e da sua vontade é fácil. As parábolas que fortalecem os escarnecedores na sua zombaria, e lhes tornam mais difíceis as coisas divinas, esclarecem os que estão dispostos a aprender e tornam as mesmas coisas mais claras, e inteligíveis, e familiares para eles (Mateus 13.11,15,16). A mesma palavra que para o escarnecedor é cheiro de morte para a morte é, para o humilde e sério, cheiro de vida para a vida. Aquele que tem entendimento, a ponto de se afastar do mal (pois isto é entendimento), de deixar de lado seus preconceitos, de abandonar todas as disposições corruptas, facilmente apreenderá a instrução e receberá as suas impressões.

 

V. 7 – Veja aqui:

1. Como podemos discernir um tolo, e considerá-lo como um ímpio, pois é um tolo. Se não divisarmos nele os lábios do conhecimento, se percebermos que não há piedade nas suas palavras, que a sua comunicação é toda corrupta e corruptora, e que em nada é boa e não edifica, podemos concluir que o tesouro é mau.

2. Como devemos declinar da sua companhia e nos afastar dele: Foge da sua presença, pois não perceberás ali nenhum bem a ser obtido com a sua companhia, mas somente o perigo de ser ferido por ela. Às vezes, a única maneira que temos de reprovar palavras ímpias e testemunhar contra elas é deixar a companhia de quem a proferiu e deixar de ouvi-las.

 

V. 8 – Veja aqui:

1. O bom comportamento de um homem sábio e bom; ele se conduz de maneira apropriada. Não é a sabedoria dos instruídos, que consiste somente em especulação, que é recomendada aqui, mas a sabedoria do prudente, que é prática, e é útil para orientar nossas deliberações e atos. A prudência cristã consiste em entender apropriadamente o nosso caminho; pois somos viajantes, cujo interesse não é espiar maravilhas, mas seguir adiante, até o fim da nossa jornada. É entender o nosso próprio caminho, não ser críticos e bisbilhoteiros nos assuntos dos outros, mas examinar a nós mesmos e ponderar sobre o caminho dos nossos pés, para entender as orientações do nosso caminho, para que possamos observá-las, e os perigos do nosso caminho, para que possamos evitá-los, e as dificuldades do nosso caminho, para que possamos atravessá-las, e os benefícios do nosso caminho, para que possamos aproveitá-los – entender as leis pelas quais devemos andar, e em que direção de­ vemos andar, e andar de maneira apropriada.

2. O mau comportamento de um homem mau; ele engana a si mesmo. Ele não entende corretamente o seu caminho; ele pensa entender, e assim erra o seu caminho, e prossegue no seu erro: A estultícia dos tolos é enganar; ela os engana, para sua própria ruina. A tolice daquele que edifica sobre a areia foi o seu grande engano.

 

V. 9 – Veja aqui:

1. Como os ímpios são fortalecidos em sua impiedade: eles zombam do pecado. Eles zombam dos pecados dos outros, e se divertem, e divertem a seus amigos com aquilo pelo que deviam lamentar, e menos­ prezam seus próprios pecados, tanto quando são tentados a pecar como quando já cometeram o pecado; ao mal chamam bem e ao bem, mal (Isaias 5.20), brincam e se precipitam no pecado (Jeremias 8.6) e dizem que todos terão paz, ainda que continuem em seus pecados. Eles não se importam com a maldade que fazem com seus pecados, e riem dos que os advertem disto. São defensores do pecado, e são engenhosos para criar desculpar para ele. Os loucos zombam da oferta de expiação (segundo alguns); os que dão pouca importância ao pecado menosprezam a Cristo. São tolos os que dão pouca importância ao pecado, pois menosprezam aquilo de que Deus os acusa (Amós 2.13); o pecado foi algo que o ser humano jamais poderia vencer, mas que foi vencido por Cristo, e que é tirado da vida daqueles que o aceitam como Senhor e Salvador. Os próprios tolos pensarão de um modo diferente a respeito do pecado, dentro de pouco tempo, quando partirem para a eternidade. 2. Como as pessoas boas são encorajadas na sua bondade: “Entre os retos há boa vontade”.

Se eles transgridem, em alguma coisa, imediatamente se arrependem e obtêm a benevolência de Deus. Eles têm boa vontade entre si; e entre eles, em suas sociedades, existem caridade e compaixão mútuas, em casos de transgressões, e não há escárnio.

 

V. 10 – Isto está de acordo com 1 Coríntios 2.11: “Qual dos homens sabe as coisas do homem, senão o espírito do homem, que nele está?”

1. Cada homem sente o seu próprio fardo, especialmente aquele que é um fardo sobre os ânimos, pois este é comumente oculto e o sofredor o mantém para si mesmo. Não devemos censurar as angústias dos outros, pois não sabemos o que eles sentem; o golpe que sofreram talvez seja mais pesado do que o seu gemer.

2. Muitos sentem um prazer secreto, especialmente em consolações divinas, de que os outros não têm consciência, e muito menos compartilham; e, assim como as tristezas de um penitente, também as alegrias de um crente são tais que um estranho não se envolve com elas, e, portanto, não pode julgá-las de maneira competente.

 

V. 11 – Observe:

1. O pecado é a ruína de grandes famílias: A casa dos ímpios, ainda que edificada de maneira forte e imponente, se desfará, será reduzida à pobreza e à desgraça e, por fim, será extinta. A sua esperança em relação ao céu, a casa em que ele se apoia, não resistirá, mas cairá em meio à tempestade; o dilúvio que virá a levará consigo.

2. A justiça é a elevação e a estabilidade, até mesmo de famílias humildes: A tenda dos retos, ainda que móvel e desprezível como uma tenda, florescerá, em prosperidade exterior, se a Sabedoria Infinita julgar adequado, em todos os eventos de graça e consolação, que são verdadeiras riquezas e honras.

 

V. 12 – Aqui temos uma explicação sobre o caminho e o fim de muitas almas que se iludem.

1. O seu caminho é, aparentemente, bom, e lhes parece direito; eles se alegram com a ideia de que são como deveriam ser, de que suas opiniões e costumes são bons, e que isto os confirmará. O caminho da ignorância e do descuido, o caminho do materialismo e dos interesses terrenos, o caminho da sensualidade e dos prazeres da carne, parecem direitos para os que neles andam, e muito mais o caminho da hipocrisia na religião, das realizações externas, das reformas parciais e do zelo cego; eles imaginam que isto os conduzirá ao céu; eles se lisonjeiam, aos seus próprios olhos, com a ideia de que tudo estará bem, no final.

2. O seu fim é realmente amedrontador, especialmente pelo seu engano; são os caminhos da morte, da morte eterna; a sua iniquidade certamente será a sua ruína, e eles irão perecer com uma mentira em sua mão direita. As pessoas que se enganam a si mesmas provarão ser, no final, destruidoras de si mesmas.

 

V. 13 – Isto mostra a futilidade da alegria carnal, e prova o que Salomão disse sobre o riso, que é louco, pois:

1. Há uma tristeza nele. Às vezes, quando os pecadores são condenados ou enfrentam grandes dificuldades, dissimulam a sua tristeza com um riso forçado, e enfrentam as dificuldades com alegria, porque não parecem ceder; mesmo estando amarrados, eles não clamam. Na verdade, quando os homens estão realmente alegres, ainda assim, ao mesmo tempo, há algo que adultera a sua alegria, algo que a sufoca, algo que toda a sua alegria não consegue manter longe do seu coração. As suas consciências lhes dizem que não têm razões para estar alegres (Oseias 9.1); eles não conseguem enxergar a futilidade do próprio comportamento. A alegria espiritual está arraigada na alma; a alegria do hipócrita é apenas da boca para fora. Veja João 16.22; 2 Coríntios 6.10.

2. Mas o pior ainda está por vir. O fim dessa alegria é tristeza. Ela logo se acaba, como o estalar de espinhos no fogo; e, se a consciência estiver desperta, toda a alegria pecaminosa e profana será refletida com amargura; se não, a tristeza será ainda maior quando, por todas estas coisas, Deus trouxer o pecador a juízo. As tristezas dos santos terminarão em alegrias eternas (Salmos 12 6.5), mas o riso dos loucos terminará em choro e lamentações incessantes.