PSICOLOGIA ANALÍTICA

CICATRIZES PROFUNDAS

Pesquisa realizada com crianças abandonadas pelos pais biológicos na Romênia mostrou de forma contundente o impacto devastador que a experiência de passar os dois primeiros anos de vida dentro dos limites impessoais de uma instituição pode causar sobre a mente e o cérebro.

Cicatrizes profundas

Em 1966, o então líder da Romênia Nicolae Ceausescu decretou que o país deveria incrementar a produtividade econômica e desenvolver o seu “capital humano”. Para isso, era preciso aumentar a população ativa do país. Ceausescu, no poder entre 1965 e 1989, proibiu os contraceptivos e o aborto e aplicou um “imposto sobre o celibato” para famílias com menos de cinco filhos. Médicos do Estado – a chamada “polícia menstrual” – conduziam exames ginecológicos de mulheres em idade fértil em seu local de trabalho. Obviamente, a taxa de natalidade disparou, mas, como as famílias eram pobres demais para manter os filhos, abandonaram muitos em enormes instituições estatais. Em 1989, quando foi deposto durante a revolução, havia mais de 170 mil crianças nesses locais. E, nos dez anos seguintes, seus sucessores fizeram várias tentativas hesitantes de reparar o dano que ele legou.

O “problema dos órfãos”, entretanto, permaneceu por muitos anos. Uma década após Ceausescu ter sido retirado do poder, alguns funcionários do governo ainda diziam que o Estado era melhor que famílias na criação de crianças abandonadas e que aqueles confinados em instituições eram, por definição, “defeituosos” – uma visão ancorada no sistema inspirado pela União Soviética de educar incapacitados, apelidado de “defeitologia”.

Mesmo após a revolução de 1989, famílias ainda se sentiam autorizadas a abandonar crianças não desejadas em instituições estatais. Há muito, cientistas sociais suspeitam que o início de vida em um orfanato pode levar a consequências negativas. Vários estudos, notadamente pequenos e descritivos, sem grupos de controle, foram conduzidos entre as décadas de 40 e 60 no Ocidente, comparando crianças de instituições com as acolhidas pelas famílias e mostraram que a vida em uma instituição não chegou nem perto de igualar o cuidado de um pai ou uma mãe – mesmo que não fossem biológicos. Um problema desses estudos foi a possibilidade do “viés de seleção”, uma vez que crianças retiradas de instituições e acolhidas por famílias costumam ser menos comprometidas. O único modo de evitar qualquer viés exigiria o passo inédito de colocar aleatoriamente um grupo de crianças abandonadas em uma instituição ou acolhimento familiar.

Compreender os efeitos da institucionalização no desenvolvimento infantil é importante devido à imensidão do problema mundial de órfãos (define-se um órfão aqui como uma criança abandonada ou cujos pais morreram). Só nos últimos anos, guerras, doenças, pobreza e, por vezes, políticas governamentais levaram pelo menos 8 milhões de crianças em todo o mundo a instalações controladas pelo governo. Não raro, esses meninos e meninas vivem em ambientes altamente estruturados, mas irremediavelmente sombrios, onde é normal um adulto supervisionar de 12 a 15 crianças.

Em 1999, quando nos aproximamos de Cristian Tabacaru, na época secretário de Estado da Autoridade Nacional para a Proteção da Criança, da Romênia, ele nos incentivou a realizar um estudo sobre crianças institucionalizadas, pois queria informações para lidar com a questão de saber se desenvolveria formas alternativas de cuidados para as 100 mil crianças romenas que viviam em instituições estatais. No entanto, Tabacaru enfrentava forte resistência de alguns funcionários do governo que, por décadas, acreditaram que a educação de crianças nas instituições era melhor que em acolhimento familiar. O problema foi agravado porque os orçamentos de algumas agências de governo eram muitas vezes garantidos pelo seu papel de prover cuidados institucionais. Diante desses desafios, Tabacaru acreditava que evidências científicas sobre as supostas vantagens de acolhimento familiar forneceriam dados convincentes para a reforma, e assim nos convidou a ir adiante com um estudo.

Cicatrizes profundas. 2

IMPACTOS SOBRE A INTELIGÊNCIA

Com a ajuda de alguns funcionários do governo romeno e especialmente de trabalhadores da ONG Sera Romênia desenvolvemos um estudo para determinar os efeitos da vida em uma instituição do Estado sobre o cérebro da criança e seu comportamento, e se a adoção poderia amenizar os efeitos dessa educação em condições que vão contra o que sabemos sobre as necessidades nos primeiros anos de vida. O projeto de intervenção precoce de Bucareste foi lançado em 2000, em cooperação com o governo romeno, em parte para permitir respostas que pudessem amenizar os efeitos colaterais de políticas anteriores. O legado infeliz do governo de Ceausescu ofereceu a oportunidade de examinar, com maior rigor científico do que em qualquer pesquisa anterior, os efeitos da assistência institucionalizada no desenvolvimento neurológico e emocional de lactentes e crianças pequenas. O estudo foi o primeiro randomizado e controlado que comparou um grupo de bebês colocados em lares de acolhimento com outro formado por crianças educadas em instituições, o que possibilitou um nível de precisão experimental até então indisponível.

Das seis instituições para bebês e crianças até os 3 anos em Bucareste, recrutamos um grupo de 136, consideradas saudáveis, sem problemas neurológicos, genéticos e congênitos. A escolha foi feita com base em exames pediátricos realizados por um membro da equipe de estudo. Todos os pequenos “voluntários” haviam sido abandonados nas primeiras semanas ou meses de vida. No início do estudo, tinham em média 22 meses, e a faixa etária variava de 6 a 31 meses.

Após avaliações físicas e psicológicas básicas, metade das crianças foi aleatoriamente destinada a uma intervenção de acolhimento familiar desenvolvida, mantida e financiada por nossa equipe. A outra metade – a que chamamos de grupo com “cuidados usuais” – permaneceu em instituições. Recrutamos também um terceiro grupo em desenvolvimento típico que nunca foi institucionalizado e vivia com suas famílias em Bucareste. Esses três grupos foram acompanhados por mais de dez anos. Como as crianças foram aleatoriamente designadas para acolhimento familiar ou para a instituição, diferentemente de estudos anteriores, foi possível mostrar que as eventuais diferenças de desenvolvimento ou de comportamento entre os dois grupos poderiam ser atribuídas ao local onde foram criadas.

Como, ao começarmos, não havia praticamente nenhum lar de acolhimento disponível para os pequenos rejeitados em Bucareste, ficamos na posição privilegiada de ter de construir nossa própria rede. Após ampla publicidade e verificação de antecedentes, recrutamos 53 famílias para criar 68 crianças (mantivemos irmãos juntos).

É claro que havia muitas questões éticas envolvidas em um experimento científico com crianças no qual apenas metade dos participantes foi inicialmente retirada de instituições. O projeto comparou a intervenção-padrão com o acolhimento familiar, uma intervenção que nunca fora disponível para essas crianças. Proteções éticas postas em prática incluíam a supervisão por várias instituições romenas e americanas, medidas de “risco mínimo” (rotineiramente usadas para proteger crianças) e a não interferência em decisões do governo sobre mudanças de local (casos em que crianças foram adotadas, devolvidas a pais biológicos ou mais tarde colocadas em lares de acolhimento governa­ mentais ausentes no início).

Além disso, nenhuma criança foi transferida do acolhimento familiar para uma instituição no final do estudo. Assim que os primeiros resultados se tornaram disponíveis, comunicamos as descobertas ao governo romeno em uma entrevista coletiva. Para garantir a boa qualidade dos cuidados que os pequenos receberiam nas famílias, criamos um programa para incorporar a participação regular de uma equipe de serviço social e fornecemos subsídios modestos às famílias para despesas da criança, além de um pequeno salário. Todos os pais adotivos foram treinados e incentivados a ter compromisso psicológico total para seus filhos adotivos.

O estudo se propõe a explorar a premissa de que a experiência precoce muitas vezes exerce uma influência muito forte na formação do cérebro imaturo. Para certos comportamentos, conexões neurais se formam nos primeiros anos em resposta a influências ambientais durante os chamados “períodos críticos”. Uma criança que ouve a língua falada ou simplesmente olha ao redor recebe estímulos sonoros e visuais que formam conexões neurais em momentos específicos de desenvolvimento. Os resultados do estudo apoiam essa premissa inicial de um período especialmente crítico: a diferença entre uma vida precoce passada em uma instituição em comparação com o acolhimento familiar foi dramática.

Aos 30, 40 e 52 meses, o quociente intelectual (QI) médio do grupo institucionalizado apresentou pontuação entre 70 e 75, enquanto crianças adotadas mostraram cerca de 10 pontos a mais. Não foi surpresa que o QI de cerca de 100 foi o padrão médio para o grupo que nunca ficou em instituições. Descobrimos também um período crítico para uma criança obter ganho máximo em QI: as que foram acolhidas em um lar por volta dos 2 anos tiveram um índice significativamente maior que alguém que passou a viver com uma família após essa idade.

PARA MEDIR O VÍNCULO

As descobertas demonstram claramente o impacto devastado r sobre a mente e o cérebro da experiência de passar os dois primeiros anos de vida dentro dos limites impessoais de uma instituição. As crianças romenas são a melhor evidência até agora de que os dois anos iniciais da vida constituem período crítico em que o contato emocional e físico é imprescindível para o bom desenvolvimento.

Os bebês que têm cuidadores constantes e afetivamente significativos – sejam eles pais biológicos ou adotivos – aprendem a buscar apoio, conforto e proteção. Observamos essa dinâmica, decidimos mensurar esse vínculo. Apenas condições extremas que limitem oportunidades de uma criança para formar ligações afetivas podem interferir no processo que é a base para o desenvolvimento social normal. Quando medimos essa variável em bebês institucionalizados, descobrimos que a maioria exibia relações frágeis com seus cuidadores.

Quando tinham 42 meses, fizemos outra avaliação e descobrimos que meninos e meninas que viviam em uma família apresentaram melhorias drásticas na criação de vínculos emocionais. Quase metade estabeleceu conexões seguras com outra pessoa, enquanto isso ocorreu com apenas 18% dos bebês que viviam em instituições. Entre as crianças que nunca foram institucionalizadas, 65% tinham vínculos seguros. E as que viviam com famílias antes do fim do período crítico de 24 meses eram mais propensas a formar vínculos seguros, em comparação a crianças acolhidas após esse período.

Esses números são muito mais que meras disparidades estatísticas que separam os grupos de institucionalizados e de acolhi­ mento. São experiências bem reais tanto de angústia quanto de esperança. Sebastian (*), de 12 anos, passou praticamente a vida toda em um orfanato e teve uma diminuição de 20 pontos em seu QI (medido inicialmente quando tinha 5 anos), para o nível ínfimo de 64. Tornou-se um adolescente instável e afeito a comportamentos de risco. Durante uma entrevista conosco, ficou irritado e teve explosões de raiva.

Bogdan, também de 12 anos, ilustra bem a diferença de receber atenção individual de um adulto. Abandonado ao nascer, viveu em uma maternidade até os 2 meses, depois foi para uma instituição por nove meses. Foi então recrutado para o projeto e entrou no grupo de acolhimento, sendo encaminhado para a família de uma mãe solteira e sua filha adolescente. Bogdan começou a se recuperar rapidamente e superou leves atrasos de desenvolvimento em poucos meses. Embora tenha apresentado alguns problemas de comportamento, os membros da equipe do projeto trabalharam com a família, e no seu quinto aniversário a mãe adotiva decidiu adotá-lo. Aos 12 anos, o QI de Bogdan continua a marcar um nível acima da média, ele frequenta uma das melhores escolas públicas de Bucareste e obtém ótimas notas.

Como crianças criadas em instituições não parecem receber muita atenção individual, estávamos interessados em saber se escassez de exposição à língua teria algum efeito sobre elas. Observamos atrasos no desenvolvimento da linguagem, mas, se os pequenos chegavam a um lar de acolhimento antes de atingir 15 ou 16 meses, essa capacidade parecia preservada. Porém, quanto mais tardia a inserção, maior o atraso.

Comparamos também a prevalência de problemas de saúde mental entre todos que já haviam sido institucionalizados com os que não tinham essa experiência. Descobrimos que 53% das crianças que já viveram em instituição receberam um diagnóstico psiquiátrico até os 4 anos e meio, em comparação com 20% em grupos das que nunca foram institucionalizadas. De fato, 62% das crianças com idade por volta dos 5 anos que viveram sob a custódia do governo foram diagnosticadas principalmente com distúrbios de ansiedade, 23%, com transtorno de atenção e hiperatividade (TDAH).

PALAVRA E AFETO

Os cuidados em um lar de acolhimento exerceram grande influência sobre níveis de ansiedade e depressão, reduzindo a incidência à metade, mas não afetaram diagnósticos comportamentais (TDAH e transtornos de conduta). Não foi possível detectar nenhum período sensível para a saúde mental, mas o relacionamento foi importante para garantir um bom desenvolvimento psicológico. Quando exploramos o mecanismo para explicar a redução de distúrbios emocionais, como a depressão, descobrimos que, quanto mais firme a ligação entre uma criança e a mãe e/ou pai adotivos, maior a probabilidade de amenização dos sintomas da criança. Ou seja: do ponto de vista científico, o afeto tem amplos efeitos terapêuticos.

Queríamos saber também se os primeiros anos em acolhimento familiar afetavam o desenvolvimento do cérebro de modo diferente da vida em um abrigo. Uma avaliação da atividade cerebral com eletroencefalografia (EEG), que registra sinais elétricos, mostrou que bebês que viviam em instituições tiveram reduções significativas em um componente da atividade na EEG e nível elevado em outra (menos ondas alfa e mais teta), padrão que pode refletir atraso da maturidade neurológica. Ao avaliarmos as mesmas crianças aos 8 anos, voltamos a registrar exames de EEG. Constatamos que o padrão de atividade elétrica em crianças colocadas em lares adotivos antes de 2 anos não era diferente do daquelas que nunca haviam passado por uma instituição. Tanto as que foram retiradas de abrigos após os 2 anos quanto as que nunca deixaram o local mostraram um padrão menos maduro de atividade cerebral.

A diminuição perceptível na atividade de EEG entre crianças dos abrigos foi desconcertante. Para interpretar esse resultado, usamos imagens de ressonância magnética, capazes de revelar estruturas cerebrais, e observamos que as crianças institucionalizadas mostraram uma grande redução no volume de massa cinzenta (corpos celulares de neurônios e outras células) e de massa branca (coloração devida à mielina, substância isolante que recobre as extensões de neurônios). Em geral, todos os meninos e meninas abrigados apresentaram volume cerebral reduzido. Porém, inserir crianças de qualquer idade em núcleos familiares não exerceu efeito sobre o aumento da massa cinzenta – o grupo em lares apresentou níveis de massa cinzenta comparáveis aos de crianças institucionalizadas. No entanto, crianças em lares de acolhimento demonstraram maior volume de massa branca, o que pode explicar as mudanças na atividade de EEG.

Para examinar melhor o prejuízo biológico da institucionalização precoce, concentramos a atenção em uma área crucial do genoma, os telômeros. Essas áreas, localizadas nas extremidades dos cromossomos, oferecem proteção contra as tensões da divisão celular. São mais curtas em adultos que sofrem extremos estresses psicológicos e podem ser uma marca de envelhecimento celular acelerado. Quando examinamos o comprimento dos telômeros nas crianças de nosso estudo, observamos que, em geral, as que haviam passado algum tempo em uma instituição tinham telômeros mais curtos do que os das outras.

LIÇÕES PARA TODOS

O projeto de intervenção precoce de Bucareste demonstra os efeitos profundos que a experiência exerce sobre o desenvolvimento do cérebro. Cuidados em acolhimento familiar não remediaram totalmente as anomalias profundas de desenvolvimento ligadas à criação institucional, mas principalmente mudaram o desenvolvimento de crianças, possibilitando uma trajetória mais saudável.

A identificação dos períodos críticos – momentos mais propícios para superar a privação – pode ser uma das descobertas mais significativas de nosso projeto. Essa observação tem implicações que vão além dos milhões de crianças em instituições, estendendo-se a milhões de outras crianças maltratadas. Cabe, porém, um alerta: é fundamental não concluir que 2 anos podem ser rigidamente definidos como período crítico para o desenvolvimento. O mais importante parece ser levar em conta a evidência de que, quanto antes crianças forem cuidadas por pais dedicados e estáveis emocionalmente, melhores suas chances de um desenvolvimento mais equilibrado.

Atualmente continuamos a acompanhar essas crianças até a adolescência para observar se há “efeito retardado”, isto é, diferenças comportamentais ou neurológicas significativas que surgem apenas mais tarde, na juventude ou até na idade adulta. Além disso, a proposta é determinar se os efeitos de um período crítico foram observados em idades mais precoces ainda, a serem vistos assim que as crianças entram na adolescência. Se forem, reforçarão uma crescente corrente que fala sobre o papel das experiências iniciais de vida na formação de desenvolvimento em toda a vida.

Nossa esperança é que esses conhecimentos exerçam pressão sobre governos do mundo todo para que prestem mais atenção ao preço que a adversidade e a institucionalização precoces assumem na capacidade de uma criança para atravessar os perigos emocionais da adolescência e adquirir a resiliência necessária para lidar com os desafios da vida adulta.

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ALGUÉM PARA CUIDAR DE VOCÊ

A tragédia da política do líder comunista Nicolae Ceausescu de aumentar a taxa de natalidade nacional levou a mais de 100 mil crianças abandonadas na Romênia em 1999 – e a uma oportunidade sem precedentes para avaliar o impacto psicológico e neurológico do início da vida em uma instituição estatal. Um experimento, conduzido sob supervisão ética, acompanhou o destino das crianças de uma instituição em relação às colocadas em acolhimento familiar e outras que nunca foram institucionalizadas. As crianças encaminhadas a acolhimento familiar antes do fim do período crítico de dois anos se saíram muito melhor que as que permaneceram em uma instituição quando testadas mais tarde (aos 42 meses) em quociente de desenvolvimento (QD), medida de inteligência equivalente ao QI, e na atividade elétrica cerebral, conforme avaliação por eletroencefalogramas (EEGs). Entrar em acolhimento familiar após os dois anos produziu EEGs que lembravam os de crianças institucionalizadas.

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OUTROS OLHARES

A BATALHA DAS MAQUININHAS

A guerra no segmento de pagamentos se acirra, gerando inovação e oportunidades profissionais.

A batalha das maquininhas

Do taxista ao pipoqueiro, da manicure ao flanelinha, é raro encontrar um prestador de serviço ou comerciante que não dê ao cliente o conforto de pagar no débito ou no crédito. As máquinas de pagamento se espalharam pelo país.

O movimento começou em 2010, quando a legislação decretou o fim da exclusividade entre bandeiras e credenciadoras de cartão, donas dos aparelhos. Antes, cartão Visa só rodava na Cielo e Mastercard só na Rede. Isso obrigava o vendedor a alugar mais de uma máquina, pagando taxas mensais nada convidativas. Como se não bastasse, o estabelecimento ainda precisava comprovar uma renda mínima, entre outros pré-requisitos. Resultado: autônomos ou quem tivesse um pequeno comércio raramente ofereciam essa vantagem ao consumidor. Mas o jogo virou. E o que se viu, de lá para cá, foi uma guerra comercial para ganhar espaço nesse mercado. As armas? Isenções, barateamento de taxas e propaganda no horário nobre. Em 2018, no ápice da batalha, apelou-se até para Michel Teló e Wesley Safadão cantando juntos para vender a Minizinha, produto da PagSeguro oferecido a 12 parcelas de 9,90 reais.

Para entender a dimensão dessa disputa, é preciso olhar os números. Em 2010, as credenciadoras Cielo (controlada por Banco do Brasil e Bradesco) e Rede (do Itaú) concentravam 90% das transações em débito ou crédito. Oito anos depois, com a entrada de concorrentes de peso, como PagSeguro, GetNet (do Santander), Stone e Mercado Pago (do Mercado Livre), a fatia caiu para 73%. De acordo com o Banco Central, hoje existem 16 empresas de maquininhas no país.

Segundo a Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs), há 5,1 milhões de pontos de venda com máquinas de cartão ou terminais eletrônicos espalhados pelo país. Juntos, eles movimentaram, só em 2017, 1,36 trilhão de reais. Projeções da instituição mostram que 60% dos pagamentos realizados no Brasil serão efetuados dessa forma nos próximos cinco anos — o percentual atual é de 33%.

Não é sem razão que o mundo voltou os olhos para o filão no país. Prova disso é o sucesso da PagSeguro e da Stone na Bolsa de Valores de Nova York. Um ano atrás, quando abriu o capital nos Estados Unidos, a PagSeguro bateu o recorde de valor arrecadado por uma brasileira: 2,27 bilhões de dólares. A Stone teve o mesmo destino em outubro, quando lançou oferta de ações. Com receita de 414,1 milhões de reais no terceiro trimestre de 2018 (avanço de 121,4% em comparação ao mesmo período de 2017), a companhia, fundada em 2013, captou nada menos que 1,5 bilhão de dólares na bolsa nova-iorquina. Uma fatia substanciosa das ações foi adquirida pelo Ant Financial, braço de pagamentos da chinesa Alibaba.

Para os especialistas, a aproximação da gigante com a brasileira movimentará ainda mais o setor. Hoje, a Ant Financial é considerada uma das startups mais valiosas do mundo e tem, entre outras tecnologias, a de pagamento por reconhecimento facial.

“Esses movimentos mostram o aquecimento desse setor, que é muito lucrativo”, diz Bruno Diniz, sócio da Spiralem, consultoria focada em inovação no mercado financeiro e professor do curso de fintech na Fundação Getúlio Vargas (FGV). Hoje, quem atua no segmento ganha dinheiro não só com tarifas de cerca de 1% cobradas a cada transação mas também com a chamada taxa de antecipação, em que a credenciadora adianta a transferência de dinheiro ao comerciante, que paga entre 8% e 19% do valor a ser recebido.

Ninguém quer ficar de fora. Em 2018, a Cielo, líder no setor com cerca de 40% do mercado, lançou três novos produtos, entre eles a LIO+, primeira máquina de pagamentos que vem com smartphone, algo considerado uma inovação mundial. A empresa também tem investido em marketing (no terceiro trimestre foram 67,2 milhões de reais ante 55,2 milhões no mesmo período de 2017) e aumentado exponencialmente o número de vendedores. Segundo Sérgio Saraiva, vice-presidente de Desenvolvimento Organizacional da Cielo, foram contratadas 1.100 pessoas de vendas nos últimos três meses para expandir os negócios.

As medidas são uma resposta da Cielo ao baque provocado pela concorrência. No terceiro trimestre de 2018, o lucro líquido ajustado foi de 812,8 milhões de reais, 20% menor do que no mesmo período de 2017.

AINDA MAIS COMPETIÇÃO

Segundo analistas do BTG Pactual, a Cielo também está reduzindo os preços em 20% a 30% para enfrentar o duelo, que está longe do fim. De acordo com relatório recente do Bradesco BBI, a tendência é que grandes varejistas (sobretudo supermercados) virem credenciadoras, livrando-se das taxas cobradas nas transações. Em setembro, o Grupo Pão de Açúcar lançou a maquininha Passaí. O produto começou a ser usado em lojas da rede Assaí e é oferecido também a comerciantes e prestadores de serviço sem cobrança de aluguel, sem taxa de adesão e com conexão via chip e Wi-Fi. Dez por cento da taxa cobrada por transação (a depender do faturamento do cliente) vira pontos que podem ser trocados por produtos no supermercado.

Mas nem todos são concorrentes ferozes. As emissoras de cartões de débito e crédito, por exemplo, enxergam nessa briga uma boa oportunidade. Fernando Pantaleão, vice-presidente da Visa, diz que a empresa vem mapeando os estabelecimentos que ainda não trabalham com máquinas de cartão. “Repassamos semanalmente esses dados às credenciadoras. Conversamos até com os bancos regionais, pois não adianta levar as máquinas a uma localidade se poucas pessoas ali têm acesso aos cartões”, afirma o executivo.

Já a Mastercard aposta nas parcerias estratégicas. É o caso do trabalho em conjunto feito com a credenciadora GetNet para atender leilões de gado. João Pedro Neto, CEO da Mastercard para Brasil e Cone Sul, explica que nesse tipo de negócio as opções de parcelamento são diferentes das praticadas no mercado em geral. “Trabalhamos juntos e agora oferecemos uma máquina com mecanismo diferenciado. Nossa ideia é somar forças e levar máquinas para setores inexplorados, como pagamento de mensalidades de escola e de condomínio”, diz o executivo.

Quem também ganha no avanço da cadeia são as fabricantes dos cartões. Neste ano, a chinesa PAX teve de ampliar os turnos no Brasil, aumentar o maquinário e contratar serviços de terceiros para atender a pedidos de Cielo e PagSeguro. A produção cresceu 60% em 2018.

 OPORTUNIDADE PROFISSIONAL

Com tanta competição, as companhias voltaram a atenção para os profissionais. Há uma disputa por talentos. Em 2017, antes de virar CEO da Adiq, empresa de maquininhas, o engenheiro Marcos Cavagnoli, de 46 anos, recusou o convite de duas concorrentes e de um gigante do Vale do Silício na área de meio de pagamento. “Escolhi pela empresa na qual senti que teria mais espaço para liderar estratégias que fariam a diferença nesse mercado.”

Marcos, que foi presidente de uma unidade do J. P. Morgan da América Latina, um dos maiores bancos do mundo, está animado. Seu principal direcionamento à frente da Adiq é investir em tecnologia e customização, com soluções específicas para cada mercado. “Hoje, possuímos ferramentas que aumentam a taxa de aprovação da transação, impedindo que o cartão não ‘passe’ por algum erro do sistema, por exemplo. Também temos um software integrado à maquininha em que o comerciante pode oferecer pontos ou dinheiro de volta ao cliente de acordo com suas compras.”

Segundo Marcos, a competência mais importante para vencer num setor bélico como o de meios de pagamento é ter experiências diversas (ele também passou por Citibank e Alstom, e ajudou a criar startups do zero, como a Koin, que atua em pagamentos via boleto para lojas virtuais) e um olhar bastante atento às movimentações de mercado para não perder de vista novos produtos e transformações no comportamento do consumidor. “Trabalhamos num segmento sensível, em que as mudanças ocorrem muito rápido, então o profissional dessa área precisa estudar tendências, reconhecer as oportunidades e colocar as soluções em prática em pouco tempo”, diz. Quando contrata, Marcos busca exatamente esse tipo de característica no candidato.

Sérgio Saraiva, da Cielo, concorda com Marcos sobre os talentos precisarem estar preparados para viver uma experiência intensa. “Antigamente, falava-se muito da importância do coeficiente de inteligência para a contratação. Depois, o coeficiente emocional ganhou importância. Em nossa área, damos atenção especial ao QA, coeficiente de adaptação. O profissional — oriundo geralmente das áreas de tecnologia, engenharia, estatística, matemática, vendas, marketing, entre outras —, além de entender amplamente do negócio, precisa ser rápido na execução de projetos. Dizemos que somos uma empresa grande com alma de startup.”

Se no mundo corporativo há em- presas contratando, os caminhos estão abertos também para os empreendedores. Carolina Mendes, de 22 anos, que o diga. Formada em administração, ela resolveu fundar a startup LaPag quando, frequentando um salão de beleza, percebeu que ali havia grandes oportunidades. “A área de beleza ainda é pouco estruturada. Senti que havia espaço para oferecer algo direcionado às suas necessidades, com ferramentas de gestão agregadas”, afirma.

A maquininha da LaPag, utilizada em estabelecimentos de beleza e estética, divide automaticamente a comissão entre o prestador de serviço e o dono do estabelecimento, pagando separadamente o proprietário do salão, a manicure e o cabeleireiro. “Além disso, a máquina é conectada a um sistema que controla o estoque de produtos e a agenda, e até se comunica com o cliente, mandando SMS para confirmar o horário”, diz Carolina.

Fundada em outubro de 2016, a startup levantou 1,5 milhão de reais de aporte em seu primeiro ano de operação. Atraiu, entre outros investidores, Renato Freitas, um dos fundadores do aplicativo 99.

Com 100 clientes na carteira, a expectativa é avançar ainda mais. A LaPag cresce 20% ao mês. A startup estima que existam hoje no Brasil cerca de 750.000 salões de beleza. “Nosso maior desafio é ter destaque entre os meios de pagamento desse setor”, diz Carolina. Que a luta por relevância siga gerando serviços melhores, com benefícios para comerciantes, clientes e profissionais.

GESTÃO E CARREIRA

À CAÇA DAS VAGAS

A expectativa do mercado para 2019 é de recuperação econômica, o que deve gerar um aumento na oferta de emprego. Quer aproveitar uma dessas oportunidades? Nós criamos um passo a passo para ajudá-lo em todas as etapas da busca por novos desafios.

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O país inicia 2019 com certo otimismo. O empresariado brasileiro aposta numa recuperação econômica já no primeiro ano do novo governo e, por isso, tende a liberar os investimentos para projetos e expansões, o que deve representar um aumento das oportunidades de emprego. Segundo a pesquisa Agenda 2019, realizada pela consultoria Deloitte com 826 empresas de todo o país, as quais, juntas, faturam o equivalente a 43% do PIB nacional, o otimismo está atrelado às reformas tributária e previdenciária, apontadas pela maioria como prioridades. “Além disso, endereçar temas estruturais, que gerem empregos e façam com que a sociedade se movimente, é de suma importância para 80% dos entrevistados. Esses são fatores condicionantes para o destravamento da economia”, afirma Othon Almeida, sócio- líder das áreas de desenvolvimento de mercado e talentos da Deloitte.

Ainda segundo a pesquisa, 97% dos empresários pretendem investir ou implementar ações que desenvolvam os seus negócios neste ano. E, para melhorar, quase metade (47%) manifestou a intenção de aumentar o quadro. Outros 32% planejam manter o número de funcionários no patamar atual, mas realizando substituições. “À medida que os empresários tomam a decisão de investir e ampliar as linhas de produção, sentimos o efeito direto sobre a criação de posições de trabalho”, diz Sergio Firpo, professor de economia no Insper. Outra informação positiva vem da plataforma de recrutamento Vagas, que espera um aumento de 6% a 10% no número de postos oferecidos no site durante o ano que está começando. Isso representa, em média, 1.400 novos empregos por dia.

Essas são boas notícias para quem quer se recolocar em 2019. E, para ajudar nessa jornada, criamos um guia para melhorar o currículo, ampliar a presença digital, ficar na mira dos recrutadores, encontrar a empresa ideal e se sair bem na entrevista de seleção. Confira as dicas dos especialistas nas páginas a seguir e feliz emprego novo!

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CURRÍCULO

FOCO É TUDO

Por mais conectado que o mercado esteja, tudo ainda começa com um bom currículo. E, por mais simples que esta tarefa pareça, ela exige atenção e cuidado. “Se estiver muito fácil montar seu currículo, vale a pena revê-lo”, afirma Sérgio Margosian, gerente da consultoria Michael Page e especialista em recrutamento para área de recursos humanos. Lembre-se de incluir seu objetivo profissional. E, quanto mais focado, melhor. “Quando é muito abrangente, fico em dúvida sobre onde o profissional se encaixa”, diz Sérgio.

O documento deve ir direto ao ponto, mas destacar, de forma sucinta, os resultados alcançados. “Assim como todo mundo, recrutadores também têm pouco tempo para administrar tanta informação. Para chamar a atenção, é preciso mostrar uma trajetória de constante evolução e entregas de forma coesa”, diz Sergio. A sugestão é pontuar os cargos dos últimos cinco anos e embaixo de cada um deles as principais entregas, como a redução de uma despesa, a conquista de uma premiação ou um feedback positivo por determinado resultado. “Se você tem 25 anos, pode colocar a experiência desde o estágio. Se é um diretor, coloque a partir de sua posição como gerente, por exemplo”, diz Rebeca Mayan, gerente da divisão de vendas da consultoria Talenses, especializada no recrutamento de executivos. Organizar em tópicos transmite mais objetividade, mas, se precisa descrever em texto corrido, cuide para que não ultrapasse três linhas.

Quando analisam esse documento, os recrutadores olham, além do objetivo e da experiência com resultados, as competências técnicas e as ferramentas ou os sistemas que o profissional domina. “Se sua posição exige Excel, por exemplo, é bom incluir. Mas, se você é um programador e domina sistemas mais avançados, coloque esses, e não o Excel”, completa Rebeca.

LAYOUT-PADRÃO

A aparência do currículo pode variar conforme sua preferência, indo desde um documento profissionalmente diagramado até um simples Word. Mas alguns cuidados devem ser tomados. Um deles é colocar as informações de contato em um local de fácil de visualização, de preferência próximo ao seu nome.

Outro ponto importante é manter um padrão de formatação. Coloque o nome das empresas por onde passou com o mesmo negrito ou sublinhado. Se quiser adicionar a data ao lado do cargo, padronize em todas as posições. “Quando tenho dois currículos de pessoas igualmente qualificadas, priorizo para entrevista a que tem mais cuidado ao apresentar sua trajetória. É a primeira impressão que o candidato passa”, diz Sérgio. Por isso, cuidado com erros de português ou de digitação. O documento deve ter de duas a três páginas.

TRADUÇÃO SIMULTÂNEA

Se você busca uma posição em uma multinacional, é importante ter um currículo em inglês. “Não é necessário preparar uma versão especial, apenas a mesma versão do documento traduzido para o inglês”, explica Sérgio. Um bom currículo e uma apresentação simpática no corpo do e-mail com um resumo sobre você e suas intenções já são suficientes. Cartas de apresentação são dispensáveis hoje em dia. “Elas podem se tornar repetitivas quando se tem um currículo bem-feito. Como buscamos assertividade, uma apresentação bacana no próprio e-mail já faz esse papel”, afirma Sérgio.

HACKEANDO O VAGAS.COM

Especialista da plataforma de recrutamento dá três dicas para fazer seu currículo aparecer

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PRESENÇA DIGITAL

ONDE SE CADASTRAR

Currículo pronto, é hora de aumentar sua presença no mundo virtual. Se você quer se destacar como profissional, o primeiro passo é ter um perfil no LinkedIn. O Brasil é o quarto país no ranking de utilização da rede social, ficando atrás apenas dos Estados Unidos, da China e da Índia. São 35 milhões de usuários no mundo e 100.000 novos perfis por semana. Haja networking. Além disso, as empresas postam suas vagas e recrutam pela ferramenta, e quem está em uma busca ativa por emprego pode filtrar as oportunidades. Só no Brasil estão disponíveis 350.000 vagas e, no dia do fechamento desta reportagem, haviam sido criadas 6.000 novas posições nas últimas 24 horas.

O segundo passo é cadastrar seu currículo no Vagas, que oferece 14.000 empregos por dia, tem mais de 3.000 clientes cadastrados — 70 das 100 maiores empresas do Brasil compõem esta lista — e uma base cadastral de 17 milhões de currículos. Todos os serviços oferecidos pelo site são gratuitos. Já o LinkedIn tem também a conta Premium, que é paga e indicada para quem está ativamente atrás de um emprego. Entre outros serviços, a versão top da rede social permite que os candidatos mandem um número determinado de mensagens diretas às pessoas mesmo sem estar conectados a elas, mostra estatísticas de uma vaga e como você está posicionado em relação a outros postulantes. Se quiser ter mais evidência em relação aos concorrentes, pode ativar o recurso Candidatura em Destaque. “Para ser encontrado não faz tanta diferença. Os recrutadores, em geral, têm as contas Premium, com mais filtros para buscar os profissionais”, diz Rebeca.

SIGA AS EMPRESAS

Embora muita gente esqueça, as companhias também possuem banco de currículos. E ele pode ser bastante útil. Nem sempre a oportunidade para seu perfil está aberta naquele momento, mas empresas sérias checam frequentemente os postulantes. “O RH faz a devida triagem e coloca os candidatos em um banco de talentos”, diz Sérgio, da Michael Page. O mesmo acontece quando você registra suas experiências em sites de consultorias de recrutamento, que estão constantemente atrás de bons profissionais. “O currículo é sempre encaminhado ao recrutador da área de atuação do trabalhador”, afirma Rebeca, da Talenses.

POR DENTRO DO LINKEDIN

Aproximadamente 26 milhões de empresas mundo afora ofertam vagas no LinkedIn e mais de 4 milhões de pessoas já encontraram um emprego por meio da ferramenta desde sua criação, em 2012. Portanto, não tem como estar fora dessa plataforma. “Cerca de 70% das pessoas que participam da rede não estão procurando emprego, mas estão dispostas a ouvir propostas e ampliar seu networking”, diz Milton Beck, presidente do LinkedIn no Brasil. Para que seu perfil atraia olhares e seja admirado por suas conexões, seguem algumas dicas valiosas.

 COLOQUE UMA FOTO QUE REFLITA SUA IMAGEM NO TRABALHOPerfil com foto é 21 vezes mais visto e recebe nove vezes mais pedidos de conexão. “É necessário porque humaniza o profissional, afinal, estamos à frente de um computador”, afirma Milton.

ATUALIZE SEU CARGO e terá oito vezes mais visitas ao seu perfil.

PREENCHA CORRETAMENTE A INSTITUIÇÃO DE ENSINO QUE FREQUENTOU e amplie em 17 vezes a chance de receber mensagens de recrutadores.

INSIRA SUA LOCALIZAÇÃO. Isso aumenta 23 vezes sua chance de ser encontrado.

TENHA PALAVRAS-CHAVE sobre sua expertise e entregas ao longo de seu perfil. As empresas buscam por esses termos. “É muito importante ter o resumo de quem você é com detalhes, características que fazem de você um profissional especial”, diz Milton.

MANTENHA o perfil em vários idiomas.

ANEXE CONTEÚDO QUE SEJA RELEVANTE À SUA ATIVIDADE PROFISSIONAL e poste artigos e informações que o exponham positivamente.

AJA NO MUNDO VIRTUAL DO MODO COMO VOCÊ É NO MUNDO OFFLINE. “Imagine p LinkedIn como uma reunião. Se você fala com a pessoa e ela não te responde, você tende a perder o interesse. O comportamento tem de ser parecido com o real”, diz Milton.

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NETWORKING

NA MIRA DOS HEADHUNTERS

Os recrutadores utilizam suas redes de contatos para conseguir indicações. “Temos muitas conexões com pessoas que atuam na área para a qual selecionamos e eles sempre nos indicam profissionais com quem já trabalharam. O networking é muito importante. E a melhor forma de desenvolvê-lo é enquanto se está empregado”, diz Sérgio, da Michael Page. Por isso, é preciso entrar no radar desse pessoal. Descubra qual é o headhunter que atua em sua área e escreva para ele no LinkedIn. Pode fazer o convite para tomar um café e conversar sobre carreira ou iniciar a conversa indicando um artigo ou pesquisa que possa ser aproveitado pelo hunter.

Outra maneira de aparecer é adicioná-los à sua rede — desde que ela seja positivamente movimentada. Publicar artigos e compartilhar conhecimento pode atrair os olhares desses profissionais. “Buscamos pessoas que tenham visão positiva e construtiva para os problemas. Já cheguei a convidar um executivo para um café depois que li um texto dele no LinkedIn”, afirma Sérgio.

Estar próximo dos caçadores de talentos é importante porque algumas vagas são sigilosas e são trabalhadas no boca a boca — e só serão divulgadas para quem tem algum contato com o recrutador.

APROXIMAÇÃO INTELIGENTE

Além de acompanhar sites e conhecer os headhunters, outra maneira de encontrar emprego é ficar atento às movimentações de cargo que acontecem entre suas conexões nas redes sociais. Por exemplo: se você é gerente de marketing e viu que um colega na mesma posição mudou de empresa, já sabe que existe uma vaga disponível ali. Nesse caso, a dica é conversar com seus contatos naquela companhia para se colocar à disposição e entender se o RH vai procurar alguém no mercado.

Aproximar-se de colegas é importante não só quando há uma vaga disponível. Vale ter essa atitude para sinalizar que você está aberto a de- safios. “Seja transparente sobre suas intenções. Diga: ‘Estou entrando em contato porque busco uma nova oportunidade e gostaria de agendar um café para a gente se conhecer melhor’”, orienta Sérgio. Segundo ele, a conversa deve ser feita diretamente com o gestor da posição que você almeja ou com o responsável pelo RH. Mas seja cauteloso com a quantidade de vezes que aciona a mesma pessoa. “Não se torne impertinente insistindo em ter uma resposta em curto espaço de tempo. Não pega bem”, diz Sérgio. Além disso, se você estiver empregado, mantenha a discrição para não prejudicar as relações com os atuais chefes e colegas. Nesse caso, o volume de contatos tem de ser pequeno e assertivo.

EM ALTA

Com a retomada do crescimento econômico, as consultorias Deloitte e Michael Page apostam no desenvolvimento de alguns setores que vão precisar de mão de obra em 2019. São eles:

SERVIÇOS – TECNOLOGIA – COMÉRCIO – VAREJO – CONSTRUÇÃO CIVIL – AUTOMOBILÍSTICO – SEGURANÇA PÚBLICA – SAÚDE.

 Já a plataforma Vagas espera um aumento de 6% a 10% no número de oportunidades ofertadas pelas empresas, principalmente nos setores abaixo:

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ENTREVISTAS

FACE A FACE

Chegar à fase de entrevistas é sinal de que a chance de conquistar uma vaga é grande. Por isso, é importante se preparar. Estude o próprio currículo, sinta-se seguro para falar sobre datas e principais metas atingidas e tenha na manga detalhes de como as entregas foram feitas. Não se esqueça, também, de pesquisar sobre a possível empregadora: olhe relatórios de sustentabilidade da empresa, busque notícias sobre a companhia e sobre o setor no qual ela atua. Além disso, tente descobrir um pouco sobre a trajetória do entrevistador. “Se você conta algo com o que a pessoa se identifica já quebra um gelo e cria a empatia”, diz Sérgio, da Michael Page. Mas a questão mais importante é ser sincero — para falar, inclusive, sobre assuntos complicados. “Todo mundo passa por momentos que saíram do planejado. Eles devem ser abordados na entrevista, assim como as lições que ensinaram”, diz Sérgio.

Atente-se também a ser verdadeiro ao declarar o nível de fluência em uma segunda língua porque os entrevistadores podem mudar o idioma, de repente, no meio da conversa.

E lembre-se de que, dependendo do interlocutor, o objetivo do bate-papo muda. O gestor direto precisa entender se o profissional se encaixa na equipe e se aprofundar em questões técnicas. A conversa com o RH gira em torno de valores e competências. O trabalho do headhunter é compreender de forma macro quem é esse profissional e entrar em detalhes para direcioná-lo para a vaga certa.

ETIQUETA BÁSICA

O básico para não errar na roupa é o bom e velho “menos é mais”. Vá de forma coerente com a posição que você pretende ocupar e com a cultura da empresa. “Mais importante do que estar de camisa ou camiseta é o cuidado que se tem. Se você vai a uma festa, você se arruma, então, mostre que teve esse cuidado para estar na entrevista também”, afirma Sérgio, da Michael Page.

Em termos de postura, sempre olhe no olho do entrevistador e não exagere supervalorizando as entregas. “Não é elegante perguntar sobre remuneração no momento da entrevista. No entanto, se for questionado sobre pretensão salarial, responda”, diz Rebeca, da Talenses. Ao final da conversa, vale a pena acordar uma data para o feedback, seja ele positivo ou negativo. E, no caso de o recrutador não retornar na data combinada, pode ligar. Mas é educado insistir no retorno apenas por três tentativas. Se for necessário mais que isso, melhor desistir.

ALIMENTO DIÁRIO

PROVÉRBIOS 11: 15 – 19

Pensando biblicamente

 AS RECOMPENSAS DA JUSTIÇA

 

V15 – Aqui nos é ensinado:

1. De modo geral, que não podemos usar os nossos bens como quisermos (Aquele que nos deu esses bens se reserva um poder de nos orientar sobre como devemos usá-los, pois eles não nos pertencem; nós somos apenas administradores), e também que Deus, na sua lei, busca os nossos interesses e nos ensina aquela caridade que começa em casa, bem como aquela que não deve terminar ali. Existe uma boa administração que é uma qualidade piedosa, e um discernimento para ordenarmos os nossos assuntos, que é parte do caráter de um homem bom (Salmos 112.5). Cada homem deve ser justo com a sua família, caso contrário não será fiel à sua administração.

2. E m particular; que não devemos nos envolver impensadamente com fianças ou garantias,

(1) porque existe o perigo de nos causarmos problemas com isto, e às nossas famílias também, depois da nossa morte: ”Aquele que fica por fiador do estranho”, de qualquer pessoa que lhe peça e prometa que será sua fiadora em outra ocasião, de alguma pessoa que talvez conheça, e cuja situação pensa conhecer, mas está enganado, “decerto sofrerá severamente”. ele será, certamente e tristemente, enganado e quebrantado por isto, e talvez vá à falência. O nosso Senhor Jesus foi fiador por nós, quando éramos estranhos, ou melhor, inimigos, e foi ferido por isto; agradou ao Senhor feri-lo.

(2) Porque aquele que se decide contra as fianças conserva a sua firmeza. Aquele que assim decide deve tomar cuidado para não gastar em seus negócios mais do que o seu próprio crédito lhe permitir; de modo que não precise pedir aos outros que sejam fiadores por ele.

 

V .16 – Aqui:

1. É admitido que os fortes adquirem riquezas, que aqueles que trabalham com grande afã e apressadamente no mundo, que são homens de espírito vivaz e interesse e são capazes de prosperar contra todos os que se colocam em seu caminho, geralmente guardam o que têm e conseguirão mais, ao passo que aqueles que são fracos se tornam presas fáceis de todos ao seu redor.

2. Admite-se como certo que uma mulher piedosa é tão preocupada em preservar a sua reputação de sabedoria e modéstia, humildade e cortesia, e todas aquelas outras graças que são os verdadeiros ornamentos do seu sexo, quanto os homens fortes se preocupam em proteger os seus bens; e aquelas mulheres que são verdadeiramente piedosas, de igual maneira, protegerão a sua honra com toda sua prudência e bom comportamento. Uma mulher piedosa é tão honrosa quanto um homem valente, e a sua honra é igualmente segura.

 

V17 – É um princípio comum, cada um por si. Ninguém é tão próximo a mim, como eu mesmo. Se isto for interpretado corretamente, será uma razão para a apreciação de disposições piedosas em nós mesmos e na crucificação das disposições corruptas. Nós somos nossos amigos ou nossos inimigos, mesmo com respeito a consolação atual. conforme sejamos ou não governados por princípios religiosos.

1. Um homem misericordioso, terno, bem-humorado, faz bem à sua própria alma, e se mantém tranquilo. Ele tem o prazer de cumprir o seu dever, e contribuir com a consolação daqueles que são, para ele, como a sua própria alma; pois nós somos membros, uns dos outros. Aquele que transmite aos outros as boas coisas temporais que tem, descobrirá que Deus lhe transmitirá suas bênçãos espirituais, que farão o melhor bem para a sua própria alma (veja Isaias 58.7, e versículos seguintes). Se não escondes os teus olhos da tua própria carne. mas fazes o bem aos outros, como a ti mesmo, se fazes o bem com a tua própria alma e o estendes aos que têm fome. farás o bem à tua própria alma; pois o Senhor satisfará a tua alma e fortificará os teus ossos. Alguns entendem que é parte do caráter de um homem misericordioso, o fato de que ele faça o bem por si mesmo; a disposição que o inclina a ser caridoso com os outros o obrigará a se permitir, também, aquilo que é conveniente, e a desfrutar do bem de todo o seu esforço. Podemos interpretar a alma como o homem interior, como o apóstolo a chama, e então isto nos ensina que o primeiro e grande ato de misericórdia é fornecer às nossas almas os esteios necessários para a vida espiritual.

2. Um homem cruel, rebelde, de má índole, perturba a sua própria carne, e assim o seu pecado se torna a sua punição; ele passa fome, e morre, por falta de algo que ele tem, porque não tem um coração disposto para usar os seus recursos (de qualquer espécie) para o bem dos outros, ou mesmo para o seu próprio bem. Ele atormenta os seus parentes mais próximos, que são, e que devem ser. para ele, como a sua própria carne (Efésios 5.29). A inveja, e a maldade, e a avareza do mundo, são a podridão dos ossos e a destruição da carne.

 

V.18 – Observe:

1. Os pecadores se enganam, fatalmente: O ímpio realiza uma obra enganosa, e edifica para si mesmo uma casa sobre a areia, que o enganará, quando vier a tempestade, e promete a si mesmo, por este pecado, aquilo que ele nunca ganhará; na verdade, esta obra corta a sua garganta quando sorri para ele. O pecado me enganou, e me matou.

2. Os santos guardam as melhores garantias para si mesmos: aquele que semeia justiça, que é bom e se empenha em fazer o bem, visando uma recompensa futura, tem uma recompensa assegurada; ela é tão assegurada para ele como a verdade eterna pode torná-la. Se a semeadura não falhar, a colheita também não falhará (Gálatas 6.8).

 

V. 19 – Aqui é demonstrado que a justiça, não somente pelo juízo divino, terminará em vida, e a impiedade, em morte, mas que a justiça, na sua própria natureza, tem uma tendência direta à vida, e a impiedade, à morte.

1. A verdadeira santidade é a verdadeira felicidade; é um preparativo para ela, um prenúncio e um penhor dela. A justiça inclina, predispõe e encaminha a alma para a vida.

2. De igual maneira, os que se permitem pecar estão se adequando para a destruição. Quanto mais violento é o homem em suas buscas pecaminosas, mais resoluta mente ele se predispõe à sua própria destruição; ele a desperta, quando ela parecia adormecer, e a apressa, quando ela parecia tardar.