GESTÃO E CARREIRA

PERSONALIDADES SOMBRIAS

Todo mundo tem um lado obscuro, mas cientistas europeus descobriram que algumas pessoas têm traços que as tornam bem difíceis de lidar. Aprenda a identificá-las e a conviver com elas sem deixar que prejudiquem seu bem-estar psicológico.

Personalidades sombrias

Ninguém é perfeito e, convenhamos, em meio à pressão e ao estresse do dia a dia profissional, todo mundo acaba adotando um comportamento questionável de vez em quando.

Uma palavra atravessada, uma atitude grosseira, um gesto impulsivo… Sempre há o risco de decepcionar alguém e até se prejudicar, mas, afinal, faz parte do lado sombrio da personalidade, do “eu escondido” que todo mundo tem. Algumas pessoas, porém, demonstram uma tendência a agir na sombra o tempo todo. E não é de hoje que os cientistas se concentram em entender as muitas variáveis de comportamento antissocial e os traços de personalidade marcantes em indivíduos que parecem seguir uma ética particular, em que o próprio benefício e interesse estão sempre à frente, nem que para isso seja necessário passar por cima de alguém (ou de todo mundo).

Um trio de pesquisadores europeus divulgou recentemente na revista oficial da Associação Americana de Psicologia o resultado de um trabalho que mostra que, apesar de diferenças de perfil, indivíduos com condutas marcadas por falta de empatia, egoísmo, manipulação e narcisismo, entre outras atitudes nocivas (leia o quadro Ingredientes Básicos), compartilham uma espécie de matriz malévola, que eles chamaram de dark core (algo como “núcleo escuro”) da personalidade — ou apenas fator D. “A ideia básica é que todos os traços sombrios poderiam ser resumidos em um único elemento — o fator D —, suficiente para descrever a tendência individual de colocar a si mesmo, suas necessidades e seus interesses em primeiro lugar e ser capaz de tudo para chegar aonde quer, ainda que isso signifique prejudicar outras pessoas”, explicou, em entrevista, Morten Moshagen, professor e pesquisador do Instituto de Psicologia e Educação da Universidade de Ulm, na Alemanha, e um dos autores do estudo. Trocando em miúdos, em vez de descrever essas pessoas como egoístas e maquiavélicas, por exemplo, seria suficiente dizer que elas têm D alto (semelhante ao QI alto quando se trata de inteligência). Segundo Morten, o D é justamente uma mistura de vários ingredientes, “calculado” pela composição de desvios de caráter, desde os mais “inofensivos”, como narcisismo e egoísmo, até os mais malignos, como psicopatia e sadismo.

A ORIGEM DO MAL

Todo mundo tem um pouco dessas características negativas de personalidade. “Muitas vezes é o modo encontrado pelo indivíduo para manifestar insegurança e medo — de não ser admirado, de ser desrespeitado ou de não conseguir o que deseja”, diz Alexandre Pellaes, fundador da Ex-Boss, consultoria de modelos e práticas de gestão. “À medida que amadurece e aprende a lidar com a vulnerabilidade e a aceitar ajuda, o indivíduo passa a entender como pode controlar essas condutas antissociais.” Os autores do estudo europeu suspeitam que de 5% a 10% das pessoas apresentem níveis problemáticos de fator D — são aquelas que chegam ao ponto, por exemplo, de adotar comportamento violento, criminoso ou altamente transgressor.

Morten e os colegas insistem que a pesquisa é recente e ainda há bastante o que investigar sobre como aplicar na vida real as descobertas acerca do fator D. Mas deixam claro que esse conhecimento pode ser útil no contexto forense (para identificação de suspeitos e solução de crimes) e em processos seletivos. “Por meio de um teste de medição, seria possível identificar candidatos com propensão a comportamento nocivo nas empresas, como corrupção e assédio moral”, diz Morten. Os dados também seriam proveitosos para criar programas de treinamento e avaliação de equipes.

FUGINDO DA SOMBRA

Um dos princípios dessa teoria é que um sujeito não precisa ter em si todos ou muitos traços malignos para ser “diagnosticado” como dono de uma personalidade sombria. Alguém reconhecido pelos outros como maquiavélico, sádico ou maldoso provavelmente é assim mesmo. Resta, então, saber como lidar com ele.

Ainda mais porque os modelos de gestão conservadores resultaram no surgimento de uma legião de chefes D nas empresas. Acostumados a se impor pelo poder e até pela tirania, exercem uma liderança construída sobre a entrega de resultados e com pouco interesse pelas pessoas. Wilma Dal Col, diretora da consultoria de gestão ManpowerGroup, comenta que esses tipos devem se tornar cada vez mais raros e podem estar fadados ao isolamento. “Pessoas autocentradas e dispostas a tudo para vencer tendem a avançar na carreira porque são focadas em obter resultados, mas têm cada vez menos espaço em um mundo corporativo baseado na colaboração e no coletivo”, diz.

Não sucumbir a um chefe que sabe manipular as emoções nem sempre é fácil. Alexandre Pellaes sugere que a combinação de autoconhecimento com empatia é chave para saber como agir. “Tentar entender a posição do outro pode revelar que talvez você fizesse a mesma coisa em diversas situações, e isso pode tornar a relação e o trabalho mais leves”, diz. Oferecer feedback sobre como se sente e recorrer às ferramentas de RH disponíveis para sua proteção também são boas estratégias. Só o que não pode é engolir sapos sem necessidade. “Assédio moral é o limite”, diz Alexandre.

Criar conexões fortes e confiáveis no ambiente de trabalho vale como uma espécie de blindagem contra pessoas negativas. Ter com quem desabafar e se aconselhar em momentos de estresse causado por um chefe ou par tóxico faz uma grande diferença para não se deixar contaminar, perder motivação e, muito menos, achar que é você quem apresenta algum desvio de personalidade. Mas, nesse processo, é importante seguir o conselho de Wilma: “Não se pode modular o próprio comportamento pelo medo, deixando de agir quando se sente agredido ou injustiçado. Muito menos pelas atitudes do outro, espelhando condutas condenáveis para se mostrar próximo ao ‘algoz’”. O que você precisa é buscar o equilíbrio interno e aprender a se defender.

INGREDIENTES BÁSICOS

O fator D é uma espécie de denominador comum entre diversas características que constituem uma personalidade obscura. Para ser assim, uma pessoa precisa ter pelo menos um pouco de cada uma dessas características

Personalidades sombrias. 2

EGOÍSMO

Tendência a valorizar apenas o que resulta em benefício próprio, excluindo ou ignorando o bem-estar coletivo.

Personalidades sombrias. 3

SADISMO

Capacidade de sentir prazer ao infligir dor ou sofrimento (físico ou psicológico) a outra pessoa.

Personalidades sombrias. 4

MAQUIAVELISMO

Hábito de mentir e manipular para conseguir o que deseja.

Personalidades sombrias. 5

DESENGAJAMENTO MORAL

Descompromisso com as implicações éticas e morais das próprias ações.

Personalidades sombrias. 6

DIREITO PSICOLÓGICO

Crença de que determinadas pessoas merecem ter mais e ser mais bem tratadas do que outras.

Personalidades sombrias. 7

PSICOPATIA

Desprezo pelos outros, reforçado por baixa empatia e falta de autocontrole (ou excesso de impulsividade).

Personalidades sombrias. 8

NARCISISMO

Autoadmiração excessiva, que leva a acreditar ser razoável usar e maltratar outras pessoas para conquistar o que quer.

Personalidades sombrias. 9

MALDADE

Comportamento, geralmente movido por vingança, que leva a ferir e prejudicar outras pessoas, mesmo que isso signifique ferir a si próprio.

Personalidades sombrias. 10

INTERESSE PRÓPRIO

Disposição para fazer de tudo pela conquista de “bens” socialmente valorizados – coisas materiais, posição social, reconhecimento profissional e felicidade, por exemplo.

 

DESCUBRA O “D” EM VOCÊ

O teste a seguir foi elaborado por Morten Moshagen, Benjamin Hibig e Ingo Zetter, autores do estudo The Dark Core of Personality (“O núcleo escuro da personalidade”, numa tradução livre). Responda quanto você concorda com as afirmações listadas abaixo, marcando de 1 (discordo totalmente) a 5 (concordo totalmente). Para as frases com asterisco (*), calcule a pontuação subtraindo sua resposta de 5. Por exemplo, se respondeu 3 (não concordo nem discordo), o resultado é 5 – 3 = 2 (discordo).

***Atenção: por se tratar de uma pesquisa em fase inicial, os resultados são abertos. Mas, quanto mais próximo de 60 for sua pontuação, maior é seu coeficiente do fator D.

 1 – “Só o que importa para mim é meu bem-estar”.

  1. DISCORDO TOTALMENTE
  2. DISCORDO PARCIALMENTE
  3. NÃO CONCORDO NEM DISCORDO
  4. CONCORDO PARCIALMENTE
  5. CONCORDO TOTALMENTE

2 – “Vingança não traz conforto”.

  1. DISCORDO TOTALMENTE
  2. DISCORDO PARCIALMENTE
  3. NÃO CONCORDO NEM DISCORDO
  4. CONCORDO PARCIALMENTE
  5. CONCORDO TOTALMENTE

3 – “Uma pessoa deve usar de todo e qualquer meio disponível a seu favor, cuidando para que os outros não saibam disso, é claro”.

  1. DISCORDO TOTALMENTE
  2. DISCORDO PARCIALMENTE
  3. NÃO CONCORDO NEM DISCORDO
  4. CONCORDO PARCIALMENTE
  5. CONCORDO TOTALMENTE

4 – “A maioria das pessoas merece ser respeitada*”.

  1. DISCORDO TOTALMENTE
  2. DISCORDO PARCIALMENTE
  3. NÃO CONCORDO NEM DISCORDO
  4. CONCORDO PARCIALMENTE
  5. CONCORDO TOTALMENTE

5 – “Não tenho satisfação em ver o fracasso de meus adversários*”.

  1. DISCORDO TOTALMENTE
  2. DISCORDO PARCIALMENTE
  3. NÃO CONCORDO NEM DISCORDO
  4. CONCORDO PARCIALMENTE
  5. CONCORDO TOTALMENTE

6 – “O sucesso é uma questão de sobrevivência dos mais aptos. Não me preocupo com os perdedores”.

  1. DISCORDO TOTALMENTE
  2. DISCORDO PARCIALMENTE
  3. NÃO CONCORDO NEM DISCORDO
  4. CONCORDO PARCIALMENTE
  5. CONCORDO TOTALMENTE

7 – “Quem mexe comigo sempre se arrepende”.

  1. DISCORDO TOTALMENTE
  2. DISCORDO PARCIALMENTE
  3. NÃO CONCORDO NEM DISCORDO
  4. CONCORDO PARCIALMENTE
  5. CONCORDO TOTALMENTE

8 – “Sou capaz de dizer qualquer coisa para conseguir o que desejo”.

  1. DISCORDO TOTALMENTE
  2. DISCORDO PARCIALMENTE
  3. NÃO CONCORDO NEM DISCORDO
  4. CONCORDO PARCIALMENTE
  5. CONCORDO TOTALMENTE

9 – “Quando estou irritado, atormentar os outros faz com que eu me sinta melhor”.

  1. DISCORDO TOTALMENTE
  2. DISCORDO PARCIALMENTE
  3. NÃO CONCORDO NEM DISCORDO
  4. CONCORDO PARCIALMENTE
  5. CONCORDO TOTALMENTE

10 – “Prejudicar alguém me deixa muito desconfortável*”.

  1. DISCORDO TOTALMENTE
  2. DISCORDO PARCIALMENTE
  3. NÃO CONCORDO NEM DISCORDO
  4. CONCORDO PARCIALMENTE
  5. CONCORDO TOTALMENTE

11 – “Fico mal quando alguma coisa que fiz deixa alguém chateado*”.

  1. DISCORDO TOTALMENTE
  2. DISCORDO PARCIALMENTE
  3. NÃO CONCORDO NEM DISCORDO
  4. CONCORDO PARCIALMENTE
  5. CONCORDO TOTALMENTE

12 – “Houve ocasiões em que estive disposto a sofrer algum dano a fim de punir alguém que merecia”.

  1. DISCORDO TOTALMENTE
  2. DISCORDO PARCIALMENTE
  3. NÃO CONCORDO NEM DISCORDO
  4. CONCORDO PARCIALMENTE
  5. CONCORDO TOTALMENTE

 

Anúncios

Autor: Vocacionados

Sou evangélico, casado, presbítero, professor, palestrante, tenho 4 filhos sendo 02 homens (Rafael e Rodrigo) e 2 mulheres (Jéssica e Emanuelle), sou um profundo estudioso das escrituras e de tudo o que se relacione ao Criador.