PSICOLOGIA ANALÍTICA

EMOÇÕES A SEU FAVOR

É possível evitar que seus próprios sentimentos e reações impulsivas prejudiquem você? Estudo revela cinco momentos fundamentais em que é possível virar o jogo e tomar boas decisões a favor de seu bem-estar físico e emocional – mesmo quando tudo ao redor parece justificar um acesso de ira.

Emoções a seu favor

Muita gente acredita firmemente que pensar e sentir são capacidades distintas, que não raro se chocam entre si. “Quando um homem é vítima de suas emoções, ele não é o seu próprio mestre, mas encontra-se à mercê da sorte”, escreveu o filósofo holandês Baruch Spinoza no século 17. Segundo essa lógica, a intensidade de experiências como tristeza, raiva ou medo pode superar a nossa capacidade de raciocínio.

No entanto, estudos recentes indicam que pode haver outro caminho para pensar essa relação subjetiva. Muitos pesquisadores defendem que não somos tão escravos de nossas paixões passageiras como somos tentados a pensar. Essa hipótese considera que a maioria das pessoas é perfeitamente capaz, por exemplo, de conter uma explosão de raiva quando o chefe faz um comentário a nosso respeito que consideramos injusto ou quando evita jogar objetos na casa do vizinho durante uma festa barulhenta. Obviamente, dominar o furor e a frustração traz benefícios, ajuda a manter a vida profissional e privada na linha – e evita que os problemas se agravem.

A regulação das emoções vai muito além da mera capacidade de amenizá-las. Trata-se, na verdade, de encontrar saídas saudáveis para aquilo que nos incomoda. Afinal, emoções desagradáveis podem ser consideradas respostas internas e funcionar como excelentes guias de nossos desejos. Os sentimentos enriquecem o cotidiano: permitem que nos deleitemos com a alegria de uma festa ou que esbravejemos quando nosso time favorito é campeão.

A forma como equilibramos o que sentimos intriga psicólogos, e há décadas pesquisadores tentam mensurar essa habilidade. Estudos têm mostrado que não há uma única maneira de fazer esse manejo. Algo que funciona em casa ou com uma pessoa específica pode gerar mais problemas em outro ambiente. Especialistas acreditam que contamos com dezenas de técnicas.

Na tentativa de compreender o uso dessas inúmeras táticas, o psicólogo James Gross, da Universidade Stanford, desenvolveu, em 1988, um modelo para explicar como surgem os sentimentos. Gross argumenta que qualquer experiência subjetiva segue uma trajetória com cinco fases em que podemos intervir para alterar o resultado. Na primeira, decidimos se buscamos ou evitamos um cenário emocional. Com isso podemos modificar a situação em si. Nas duas etapas seguintes, colocamos de lado sentimentos indesejados: redirecionamos a atenção ou reavaliamos nossa resposta. Finalmente, utilizamos mecanismos de enfrentamento para lidar com as consequências fisiológicas e comportamentais de um evento emocional. O escopo abrangente e a simplicidade do modelo de Gross rapidamente o tornaram bastante influente no estudo da regulação dos sentimentos de maneira experimental.

O problema, porém, é que a maioria das nossas respostas em cada fase costuma ser automática. A maneira como reagimos diante das dificuldades, não raro, é resultado de hábitos ou circunstâncias – e não de escolhas deliberadas. “O conjunto de comportamentos que aprendemos e repetimos ao longo da vida nos ajuda a regular as emoções; é um arsenal poderoso e nada fácil de mudar”, diz a psicóloga Iris Mauss, da Universidade da Califórnia em Berkeley.

A boa notícia é que podemos assimilar técnicas complementares para aproveitar ao máximo nossas respostas automáticas. Essa nova pesquisa confirma: com um pouco de conhecimento sobre nós mesmos e algum treinamento, podemos aprender a evitar potenciais armadilhas e lidar melhor com as etapas desse processo. Aprimorar a capacidade de resposta aos objetivos de longo prazo, considerando o contexto mais amplo de um evento e a intensidade dos sentimentos que experimentamos, pode nos ajudar a fazer boas escolhas mesmo em situações tensas. O que, basicamente, significa não negar as emoções, mas usá-las a nosso favor.

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ETAPA 1 – ESCOLHER E PEGAR

Imagine que é uma tarde chuvosa de sexta-feira. Você teve uma semana desgastante e só pensa em chegar em casa, se acomodar no sofá e tirar um cochilo. Mas havia planejado passar as próximas horas redigindo um texto que precisa ser entregue na manhã de segunda-feira. Então, um amigo o convida para ir ao cinema.

Esta é a primeira fase do modelo de Gross: “escolha da situação”. Você pode decidir o rumo que a noite vai tomar e os efeitos emocionais que isso pode provocar no seu dia. É preciso se envolver em uma espécie de aposta psicológica. De que maneira uma noite dedicada ao seu trabalho poderia fazê-lo sentir-se futuramente? E, se em vez disso, optasse pelo filme? Como seria seu sábado, seu domingo? Ou sua segunda-feira? Escolher é um desafio, e não fórmulas prontas. Passar algumas horas com um amigo pode tanto ser revigorante quanto nos levara enfrentar dissabores de ter de negligenciar obrigações.

Antes de tomar uma decisão, parece importante ter em mente que costumamos superestimar a intensidade de emoções futuras. Diversas pesquisas revelam que nem sempre as consequências de nossas atitudes são tão negativas como esperamos. Da mesma forma, optar por algo aparentemente melhor pode, ao contrário do que imaginamos, ser decepcionante. Por exemplo, em um estudo de 2011, lris Mauss e seus colegas solicitaram a 69 participantes de um experimento que lessem uma história emocionalmente neutra ou um artigo que destacava o valor da felicidade. Depois, os voluntários assistiram a um filme projetado para provocar a sensação de alegria. Curiosamente, aqueles que tinham lido sobre os benefícios da felicidade relataram se sentir menos alegres depois do vídeo do que os participantes que não haviam lido o artigo. Por que o paradoxo? A hipótese da psicóloga é que a preocupação em nos sentirmos bem pode nos levar a esperar muito dos deleites cotidianos. Além disso, tentar avaliar o próprio nível de satisfação tende a aumentar a autoconsciência, o que pode interferir nas experiências de prazer que surgem pelo caminho.

A psicóloga Maya Tamir, do Boston College, acredita que, em vez de tornar a busca da felicidade num princípio orientador na vida, seria mais interessante pensar em objetivos mais amplos. Em 2012, ela e a psicóloga Brett Q. Ford, da Universidade da Califórnia em Berkeley, aplicaram em 136 voluntários uma bateria de testes, incluindo um que avalia a inteligência emocional, entendida como a capacidade de reconhecer, controlar e expressar os sentimentos. Na sequência, os participantes deveriam ponderar algumas situações e destacar as emoções que acreditavam que iriam preferir experimentar no momento. Por exemplo: “Como gostaria de se sentir na hora de cumprir uma obrigação: feliz ou com raiva?”. Maya Tamir e Brett Ford observaram que as pessoas que marcaram maiores pontuações na escala que media inteligência emocional optaram por sentimentos que levariam a soluções práticas – independentemente de a emoção ser agradável. Podemos considerar, também, que aquilo que chamamos de negativo não é intrinsecamente assim. Assim como o medo tem a função de nos proteger, um pouco de raiva talvez ajude alguém mais flexível a se preparar para uma negociação difícil, em que precise se posicionar. E a ansiedade pode servir de motor para estudar para uma prova importante. Uma boa estratégia, então, é manter os objetivos de longo prazo em mente na hora de avaliar uma decisão, ainda que a escolha em questão seja sobrea melhor forma de passar a noite de sexta-feira.

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ETAPA 2 – TOMAR UMA ATITUDE

Muitas vezes enfrentamos eventos emocionais com pouca chance de mudar o rumo da situação, como ter de ler um discurso num funeral ou sentar-se ao lado de um parente particularmente irritante durante uma refeição em família. Nesses casos, uma boa saída é procurar “modificar as circunstâncias”, ou alterar os elementos do ambiente para facilitar as coisas.

O segredo é tentar antever episódios que podem provocar estresse e, em seguida, tomar medidas proativas. Essas intervenções podem ser tão simples como carregar um objeto que traz a sensação de tranquilidade ou pedir a um amigo que permaneça ao nosso lado para oferecer suporte emocional. Estratégias desse tipo contribuem também para evitar aborrecimentos. No caso de um vizinho que está fazendo muito barulho, talvez seja melhor pedir moderação rapidamente do que esperar a situação se agravar – ainda que essa atitude seja desagradável, adiá-la pode ser ainda pior.

Uma pesquisa americana recente comprovou o que, decerta forma, já sabemos: não tomar providências para amenizar circunstâncias difíceis tende a aumentar os problemas. Em 2013, a psicóloga Allison S. Troy, da Faculdade Franklin & Marshall, lris Mauss e a bióloga e pesquisadora da meditação mindfulness Amanda Shallcross, da Universidade de Nova York, recrutaram 170 voluntários que haviam experimentado um evento desafiador nos últimos dois meses anteriores ao estudo. As cientistas pediram a eles que classificassem até que ponto essas situações poderiam ser administradas. (As circunstâncias envolviam desde acidentes e doenças imprevisíveis a episódios causados diretamente por ações humanas, como perda de emprego por baixo desempenho.) Em seguida, os participantes assistiram a um filme triste que deveriam tentar encarar de uma perspectiva positiva. Alguns acharam a tarefa mais difícil do que outros. Uma constatação surpreendeu as pesquisadoras: as pessoas com maior habilidade para reformular a história (e que haviam contado um episódio estressante recente, mas controlável, como ser demitido de um emprego por baixo desempenho) relataram mais sintomas de depressão do que os participantes que partilharam experiências das quais tinham pouco domínio. Os eventos que poderiam ter sido evitados deixaram os voluntários mais suscetíveis à depressão, talvez porque a crença na incapacidade de prevenir problemas tenha abalado a autoconfiança. Os que conseguiram reformular eventos negativos de maneira positiva apresentaram maior risco provavelmente porque o pensamento flexível permitiu que reconhecessem diferentes resultados para episódios anteriores. Em cenários controláveis, o mais indicado, portanto, é identificar e abordar as fontes de estresse colocando-se como protagonista da situação, e não vítima, em vez de tentar gerenciar as consequências emocionais mais tarde.

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ETAPA 3 – PROCURAR EM OUTRO LUGAR

Quando é tarde demais para mudar qualquer aspecto de uma situação, Gross sugere que voltemos nossa atenção para o lado positivo, seja pela distração ou focando a questão. E não se trata de enganar-se – mas de usar a inteligência e apelar para a praticidade. Por exemplo, se você precisa manter uma atitude séria durante uma importante reunião profissional, é melhor evitar olhar para um colega que costuma se comportar de maneira mais descontraída durante o horário de trabalho. Ou, ao perceber que está se alterando durante uma discussão, sendo tomado pela raiva, o caminho mais cuidadoso consigo mesmo parece ser afastar-se até que se sinta em condições de retomar a conversa sem se deixar levar pelo descontrole.

O momento de concentrar ou mudar a atenção vai depender, em parte, da intensidade do acontecimento. Em diversos estudos, o psicólogo Gal Sheppes, da Universidade de Tel-Aviv, pediu que os participantes de um experimento reinterpretassem uma fotografia triste de forma positiva (por exemplo, tentando enxergar lágrimas de alegria, e não de tristeza) ou pensar em algo completamente diferente. Embora os voluntários que deram outro sentido para a imagem pudessem alterar a resposta emocional, não raro decidiam recusar-se a encarar a figura. Sheppes observou que, quanto mais inquietante era a imagem, mais vezes os indivíduos procuravam se distrair. Os resultados sugerem que prestar atenção a um poderoso estímulo pode ser desgastante, o que torna a oportunidade de olhar para longe um alívio bem-vindo.

Sheppes se aprofundou nos estudos sobre o tema e no ano passado realizou um experimento em que pediu a 22 voluntários que visualizassem fotografias que sugeriam diferentes intensidades emocionais. Dessa vez, porém, o psicólogo adicionou algumas informações. Instruiu alguns participantes a responder de forma que arrefecesse os sentimentos negativos imediatos, e a outros disse que teriam de encarar a imagem no final do experimento. Mais uma vez, a maioria desviou o olhar quando as figuras eram muito angustiantes. No entanto, aqueles que acreditavam que iriam ver as cenas depois eram mais propensos a examiná-las (mesmo as mais intensas). Mudar o foco, portanto, pode ser uma opção fácil, mas não necessariamente a melhor forma de responder a uma preocupação recorrente.

Controlar a atenção pode ser um desafio: não raro, os pensamentos voam e o olhar se perde apesar dos nossos esforços. No entanto, alguns exercícios mentais podem ajudar. Por exemplo, o treino da memória de trabalho (que reforça a capacidade do cérebro de armazenar e manipular dados) impulsiona diversas facetas da regulação das emoções, como a atenção. Em geral, essa prática envolve a aprendizagem de estratégias que favorecem a retenção de informações, como o ensaio mental e os dispositivos mnemônicos, bem como práticas que estimulam a memória de trabalho. Além disso, a terapia de redução de estresse com base na meditação mindfulness pode ajudar os praticantes a observar e a destacar reações internas, além de favorecer o fortalecimento da gestão emocional. James Gross e Philippe Goldin, da Universidade Stanford, observaram que oito sessões desse tipo de abordagem associadas a um retiro de meditação durante metade do dia ajudaram pessoas com transtorno de ansiedade social a aprender a se concentrar na respiração e a mudar o foco durante experiências desagradáveis.

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ETAPA 4 – PENSAR NOVAMENTE

Os voluntários do estudo de 2014 de Sheppes que não desviaram o olhar das fotografias perturbadoras entraram num processo que os psicólogos chamam de “mudança cognitiva” ou reavaliação, que ocorre quando combatemos pensamentos que levam a uma resposta emocional. Um artista com medo de encarar o palco, por exemplo, pode redirecionar a tensão e transformá-la em entusiasmo para a apresentação seguinte.

Em casos extremos, alguns se envolvem em ponderações prolongadas das sensações e experiências pessoais. Esse comportamento, chamado pelos especialistas de ruminação, tende a intensificar a agressividade e os sintomas de depressão. Uma alternativa mais eficiente, segundo os psicólogos Ethan Kross, da Universidade de Michigan, e Ozlem Ayduk, da Universidade da Califórnia em Berkeley, é o “auto distanciamento”, ou a tentativa de imaginar a situação como um observador imparcial. Em vez de se perguntar “por que me sinto assim?”, os pesquisadores sugerem abordar a questão na terceira pessoa: “Por que Steve se sente assim?”. Em 2012, Kross, em parceria com colegas da Universidade do Estado de Ohio e da Universidade WU, em Amsterdã, publicou os resultados de um estudo em que analisaram a forma como as estratégias de auto distanciamento afetam sentimentos e comportamentos. No primeiro experimento, eles solicitaram a 94 voluntários que resolvessem rapidamente enigmas de anagramas e, em seguida, anunciassem a solução em voz alta. Enquanto isso, os pesquisadores estimulavam a raiva dos alunos, exigindo repetidamente que o orador levantasse o tom da fala. Depois da atividade, os estudantes visualizavam o ocorrido. Isso poderia ser feito com base em três perspectivas: deles próprios na cena; como meras testemunhas; ou sem receber nenhuma instrução.

Kross e seus colegas constataram que os participantes que imaginaram os acontecimentos da óptica do espectador apresentaram significativamente menos pensamentos e sentimentos agressivos do que os que reviveram a cena do próprio ponto de vista. Em um experimento de acompanhamento, os alunos que se colocaram no lugar do outro durante uma narrativa sobre um momento de comoção apresentaram comportamentos menos hostis do que seus pares que não lançaram mão do auto distanciamento. Ou seja: pode ser muito útil “recontar” (ainda que para si mesmo) uma situação que o incomodou como se fosse a outra pessoa envolvida na situação.

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ETAPA 5 – RECONHECER E ACEITAR

Mas e se, apesar dos melhores esforços, ainda sofrermos com os golpes emocionais? Se alguém inesperadamente compartilha uma opinião ofensiva, por exemplo? OK, talvez não sejamos capazes de evitar a sensação de mágoa, mas ainda é possível responder de maneiras variadas. Podemos ficar indignados ou respirar profundamente para baixar a tensão. Ou ainda sorrir e agir calmamente. Na fase final de regulação dos sentimentos, nossas opções giram em torno de gerir as respostas corporais.

Reações imediatas podem estar relacionadas à personalidade, à experiência de vida ou à cultura. Muitas sociedades ocidentais acreditam que conversas sobre o tema que causou irritação, por exemplo, e exercícios físicos vigorosos feitos na sequência ajudam a transformar sentimentos e amenizar o estresse. No entanto, em alguns casos essas técnicas podem alimentar ainda mais a fúria, elevando os ânimos em vez de acalmá-los.

Uma das principais estratégias que costumamos usar naturalmente nessa fase é buscar suprimir as reações físicas. Essa saída resulta em parte do modo como somos criados e aprendemos a nos comportar. Não gritar, não bater, não chorar (mesmo quando queremos nos expressar assim) é parte da socialização. Conter os sentimentos, porém, cobra um “pedágio emocional”. Em um experimento clássico, o psicólogo Roy F. Baumeister, da Universidade do Estado da Flórida, observou que, quando tentavam inibir os sentimentos durante uma cena de filme cômica ou triste, os voluntários tendiam a desistir mais cedo de uma tarefa subsequente (resolver um enigma de anagrama), em comparação aos participantes que podiam expressar as emoções. Resistir a responder ao que sentiam enfraqueceu a força de vontade e o ânimo. Por outro lado, explodir também não ajuda muito. O mais indicado parece ser reconhecer o que sentimos e tomar alguns cuidados práticos para não nos machucarmos com os próprios sentimentos.

A tensão e o cansaço também ajudam a explicar por que a inibição da expressão dos sentimentos está associada a problemas de saúde. O psicólogo Johan Denollet e seus colegas da Universidade Tilburg, na Holanda, constataram que pessoas que regularmente não identificam as próprias angústias e procuram negá­las (um padrão chamado pelos especialistas de personalidade tipo D) demonstram maior risco de doenças cardiovasculares. Denollet observou também que indivíduos com esse perfil tendem a sofrer mais de dor crônica, zumbido no ouvido e diabetes do que a população em geral. Tentar reprimir os sentimentos pode ainda colocar relacionamentos em risco, sugere um estudo de 2012 coordenado pela psicóloga Emily lmpett, da Universidade de Toronto. Em uma pesquisa com 80 casais, ela observou que homens e mulheres se sentiram emocionalmente distantes quando descobriram que seus parceiros não tinham contado sobre os sentimentos do passado. Num estudo de acompanhamento de três meses, os pesquisadores constataram que os casais que costumavam reprimir as emoções demonstraram maiores dificuldades na interação amorosa do que os outros participantes.

Além disso, vários estudos revelam que é muito mais fácil esconder as sensações positivas do que as negativas. Tentar coibir a resposta emocional (por exemplo, sorrir apesar da tristeza ou evitar uma risada inadequada) costuma ser uma estratégia eficiente se usada com moderação. Os resultados da pesquisa sobre a repressão dos sentimentos são um lembrete importante de que regular as emoções não significa evita­ las. Em vez disso, podemos aprender a antecipar nossas próprias reações em momentos intensos visualizando os resultados que preferimos e identificando ações que podem mudar sensações futuras. Reconhecer e explorar por que nos sentimos de determinada forma é fundamental para usar tanto os eventos felizes quanto os desagradáveis ou preocupantes a nosso favor. E, assim, encararmos de outra maneira experiências, concepções e crenças que costumam nos fazer mal.

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OUTROS OLHARES

O INIMIGO É DE PLÁSTICO

U:m estudo da WWF, uma das mais influentes entidades ambientalistas do planeta, mostra que os oceanos estão inundados desse material – e o Brasil é um vilão.

O inimigo é de plástico

Desde que um vídeo mostrou uma tartaruga torturando-se com um canudo plástico enfiado no nariz, o mundo começou a se sensibilizar para outro vilão ambiental além das emissões de gases de efeito estufa. Na semana passada, a WWF, uma das mais influentes entidades ambientalistas do planeta, deu números concretos a esse vilão. Vamos a eles: 10 milhões de toneladas de lixo plástico são jogados nos oceanos todos os anos. De 1950 para cá, a produção de plástico virgem aumentou 200 vezes e 75% desse material foi descartado na natureza, sem nenhuma forma de reciclagem ou reúso.

Os dados – anunciados às vésperas da Assembleia Ambiental das Nações Unidas, a ser realizada em Nairóbi, no Quênia, entre os dias 11 e 15 – são motivo de vergonha para o mundo em geral e para o Brasil em particular: estamos em quarto lugar entre os maiores poluidores de plástico da Terra (somos superados por EUA, China e Índia, todos países muito mais populosos) e em último no índice de reciclagem (apenas 1,28%, contra uma média mundial de 9%).

“Depois de firmado o Acordo de Paris – documento assinado por 195 nações, inclusive o Brasil, em 2015 -, que limita as emissões de gases de efeito estufa como forma de combater as mudanças climáticas, entramos em uma nova fase do combate pela sustentabilidade”, declarou, um dia após a publicação do estudo, Gabriela Yamaguchi, diretora de engajamento social da unidade brasileira da WWF, fundada em 1961 na Suíça. ”Precisamos agora tratar do perigo representado pelo uso do plástico e de como firmar compromissos nacionais com o objetivo de mudar a cadeia produtiva desse material”, frisou ela. Dito de outro modo, além do CO2, o plástico entra em cena, com destaque, no papel de inimigo dos propósitos sustentáveis.

O intuito do relatório da WWF é servir de inspiração e, ao mesmo tempo, de pressão para que a assembleia da ONU consiga a aprovação de propostas concretas para o meio ambiente. Um dos objetivos da reunião, que pretende atrair todos os 193 membros fixos das Nações Unidas, é justamente propor um acordo internacional – nos moldes do assinado em Paris para mitigar as consequências do aquecimento global – com a finalidade de sugerir medidas a ser adotadas em relação ao mercado do plástico. “De alguma maneira o consumidor tem de sentir o impacto ambiental da fabricação no valor final de cada produto, como canudos e copos”, observa Gabriela.

Já há iniciativas pontuais exemplares nesse sentido. No ano passado, por exemplo, a União Europeia declarou o banimento, em todos os países do bloco, até 2021, dos principais insumos feitos de plástico não reutilizável, como talheres. A França, por sua vez, proibiu o uso de qualquer item descartável. No Brasil, algumas cidades litorâneas – as mais afetadas pelo despejo em praias e mares – também tomaram atitudes nesse sentido. Foi ocaso do Rio de Janeiro e de Ilhabela, no litoral de São Paulo, nas quais é proibido o uso de canudos plásticos em estabelecimentos comerciais.

Aprovar leis é fundamental, mas deve haver um monitoramento constante para a ação efetivamente dar certo”, diz a coordenadora dos programas Mata Atlântica e Marinho da WWF Brasil, Anna Carolina Lobo. “Na prática, a população precisa ser conscientizada para que incorpore no seu modo de vida a ideia de que usar esse material é o mesmo que contribuir para a poluição em larga escala do planeta”

De acordo com Anna Carolina, a Ilha de Fernando de Noronha servirá como o primeiro laboratório brasileiro a ser observado. Em dezembro, o administrador-geral da reserva, Guilherme Rocha, decretou “a proibição da entrada, comercialização e emprego de recipientes e embalagens descartáveis” no local. Moradores e turistas agora são estimulados a usar sacolas retornáveis, embalagens de papel e quaisquer produtos que sejam biodegradáveis. Na ilha, o mal foi cortado pela raiz. “Diferentemente de como é em cidades como o Rio, em Fernando de Noronha o plástico nem poderá entrar na área”, diz Anna Carolina.

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No Brasil, reafirme-se, o problema não é a coleta, e sim a reutilização desse material. Mais de 90% dos plásticos são recolhidos no país, mas tão somente 1,28% é reutilizado – um índice ridículo. ”A infraestrutura de reciclagem é precária e não deve melhorar o suficiente”, afirma Gabriela, da WWF. “A única solução possível será a substituição do plástico por outras matérias-primas.”

Na semana que vem – e também a pretexto da assembleia da ONU-, o biólogo Alexander Turra, do Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo, divulgará um minucioso relatório de aconselhamento científico para as agências ambientais das Nações Unidas. Realizado em parceria com dezenove especialistas de catorze nacionalidades, o estudo, de nome longo – “Diretrizes para o monitoramento e avaliação de lixo plástico no oceano” -, foi coordenado pelo brasileiro, pelo geólogo escocês Peter Kershaw e pelo oceanógrafo francês François Galgani. “Trata­ se de um guia prático sobre como os países podem agir, considerando o bioma, a área costeira e a vida marinha de cada um para conter e reverter os estragos causados pelo lixo plástico”, diz Turra.

Obtivemos acesso antecipado ao documento. Em 124 páginas, compilam-se sugestões sobre como monitorar ações conservacionistas. Em relação a políticas de proibição de canudos, por exemplo Turra e seus colegas propõem uma forma de dimensionar o problema. Primeiro, recomendam limpar uma área marítima delimitada para, depois, medir o volume de novos descartes que chegam até ela e rastrear sua origem. Com isso, será possível saber se uma lei foi eficaz para conter o fluxo de lixo plástico. Em outros casos, os cientistas receitam o uso de redes de arrasto para a coleta e de veículos subaquáticos, operados remotamente, como meio de fiscalização. Também é recomendado o acompanhamento constante da presença da substância sintética no estômago de animais e em ninhos de pássaros.

“Tudo isso só funcionará se houver um processo de conscientização de todas as pessoas, que precisam saber que frutos do mar, sal marinho, tudo o que vem do oceano está contaminado em alguma medida. Até mesmo a água mineral de garrafinha tem partículas de plástico”, diz Anna Carolina, da WWF. “Se os animais consomem essas partículas, nós as ingerimos quando nos alimentamos desses mesmos animais. Ainda estamos para descobrir como essa sujeira afetará nossa saúde a longo prazo.” Em outras palavras, a humanidade tem de compreender que, quando se fala em “jogar fora” o lixo, muitas vezes não se está realmente “jogando fora”. O que se faz há milênios é simplesmente “jogá-lo” nas águas – que cobrem 70% da superfície da Terra. E os novos estudos alertam para o fato de que, de alguma forma, a maré do lixo está se voltando contra o planeta – e contra nós.

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AS PRINCIPAIS VITIMAS

Uma das conclusões do novo levantamento realizado pela WWF é que os hábitats marinhos são alguns dos mais afetados pelo descarte inadequado de produtos plásticos. Se nada mudar daqui para a frente, até 2030 haverá espalhado pelos mares algo em torno de 300 milhões de toneladas de plástico- o equivalente a 26.000 garrafas de 500 mililitros a cada quilômetro quadrado de oceano. Em todo o planeta,j á foram registradas imagens de mais de 270 espécies animais enroscadas em plástico- entre mamíferos, répteis, pássaros e peixes.

Além de vitimarem seres vivos, inclusive degradando corais, as partículas da substância podem alterar as condições do solo. Outro estudo, publicado no mês passado por pesquisadores ingleses e escoceses na revista científica Royal Society Open Science, revelou o atual estágio desse cenário de destruição.

Segundo a pesquisa, certas espécies de crustáceos – parecidos com camarões-, que vivem em seis dos pontos mais profundos do planeta, até mesmo o mais abissal deles, a Fossa das Marianas, apresentam partes de plástico em seu sistema digestivo. No total, 84% dos exemplares coletados continham a substância em seu organismo. Nas Marianas, o resultado foi ainda mais assombroso: todos, os animais haviam engolido pedaços de objetos plásticos. Disse o biólogo marinho Alan Jamieson, da Universidade Newcastle (Inglaterra), coordenador do trabalho, ao divulga-lo: “Pode-se assim afirmar, sem dúvida, que o plástico já está em todos os lugares dos oceanos. Não vamos mais perder tempo procurando outros indícios dessa realidade. Vamos concentrar nossos esforços para entender os efeitos disso”.

GESTÃO E CARREIRA

TRABALHO…COM UMA MALA DE BRINDE

A oferta de posições que exigem que os profissionais se dividam entre duas ou mais cidades tem crescido. Avalie se esse esquema de trabalho funcionaria para você.

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Quando se candidatou ao posto de diretora de RH da agência de publicidade NBS, a executiva Adriana Massari, de 44 anos, foi questionada se estava de acordo com um dos pré-requisitos do cargo: atender as duas unidades da agência – a matriz, no Rio de Janeiro, e o escritório de São Paulo. Adriana topou o desafio. De lá para cá, foram quatro anos de viagens, passando de segunda a quarta-feira no Rio e as quintas, sextas e fins de semana em São Paulo. Foi um período de sacrifícios, principalmente porque o filho de Adriana tinha 13 anos de idade na época. “Ele estava entrando na adolescência, aquela fase em que a gente se preocupa com as amizades, com os locais aonde seu filho vai. Eu tinha uma culpa muito grande.” Mas foi também uma época de grande aprendizado. “Atuar nesses dois mercados me ensinou sobre a importância dos fatores culturais e da flexibilidade na gestão de pessoas. As prioridades, a linguagem, a forma como cada povo enxerga o trabalho são diferentes. No Rio, por exemplo, você tem de ser mais informal, tem de adequar o discurso”, afirma ela. A experiência adquirida nesse período foi crucial para que Adriana fosse convidada, em dezembro do ano passado, a assumir a diretoria de RH do grupo Dentsu Aegis Network no Brasil, onde cuida de cinco agências, com escritórios no Rio, São Paulo, Belo Horizonte, Brasília e Curitiba. “Como são mais cidades, agora minha passagem por cada uma é mais curta”, diz a executiva.

Histórias como a de Adriana estão cada vez mais comuns no mercado de trabalho, em consequência de uma série de fatores. Em primeiro lugar, o avanço das tecnologias facilitou a comunicação remota e possibilitou colocar um mesmo profissional a serviço de diferentes operações. “Isso explica, por exemplo, a concentração da gestão de grandes áreas, como a América Latina, sob a responsabilidade de um mesmo profissional. Em casos mais extremos, temos visto divisões chamadas genericamente de ‘mercados internacionais’, que podem reunir regiões tão diferentes como América Latina, Ásia e Pacífico”, afirma Rafael Souto, da consultoria Produtive, de recolocação profissional. “Mas é também uma forma de trabalhar a cultura organizacional, porque tem prevalecido a visão de que é mais fácil assegurar o alinha- mento da cultura quando diferentes áreas são supervisionadas por um mesmo gestor”, diz Rafael.

FASE DE CONSOLIDAÇÃO

No Brasil, essa situação também tem se intensificado em função de fusões e aquisições, que acabam por ampliar o número de operações sob a responsabilidade de um mesmo profissional. Segundo Rafael Souto, esse modelo de trabalho é mais comum em cargos de gestão e em negócios que estão em fase de consolidação em novos mercados. Este é o caso do engenheiro eletrônico peruano Herbert Galiano, de 49 anos, diretor de desenvolvimento de negócios na América do Sul da WeDo Technologies, empresa portuguesa de tecnologia. Herbert, que vive com a família em Campinas (SP), foi contratado pela WeDo há três anos com a missão de expandir os negócios da companhia na América do Sul. A cada mês, o executivo passa uma semana no Brasil, nos escritórios do Rio ou de São Paulo, e as três semanas seguintes são divididas entre Lima, no Peru; Santiago, no Chile e La Paz, na Bolívia. “Basicamente, passo os fins de semana em Campinas”, diz ele. Ele explica que precisa ficar um período maior a cada mês nessas capitais – em vez de fazer viagens pontuais – porque ainda está construindo uma base de clientes nesses mercados. “Mas esse trabalho já está dando frutos. Na impossibilidade de ter uma casa em cada uma dessas cidades, o engenheiro eletrônico adotou como regra hospedar-se sempre nos mesmos hotéis. “Aos poucos, você vai conhecendo as pessoas e aquela região da cidade. Dá a sensação de ter uma base fixa”, diz ele. Nos dias em que viaja entre as cidades que atende, Herbert perde cerca de 5h30 entre voo e espera em aeroportos. Para o executivo, quem vive uma rotina dessas, precisa aprender a exercitar o desapego. “Você perde aniversários e muitas datas importantes. Eu tento compensar isso me comunicando muito por WhatsApp e redes sociais e aproveitando a companhia da família no fim de se- mana”, afirma. Do ponto de vista profissional, Herbert acredita que o grande ganho desse tipo de experiência é o networking construído. “Mesmo que mude de empresa, os relacionamentos que você faz são um capital que você leva aonde quer que vá”, diz ele.

PIORA NO RIO

Outro fator que, segundo os especialistas, tem provocado um aumento do número de profissionais brasileiros dispostos a se dividir entre duas ou mais cidades foi a piora do mercado de trabalho no Rio de Janeiro, que fez com que muitos cariocas começassem a buscar oportunidades em São Paulo. “Muitos se candidatam e já se prontificam a atender as duas capitais”, diz Simone Madrid, da Talk to Top, empresa de Executive Search, no Rio de Janeiro. Embora mais comum em posições de alta gestão, esse modelo de trabalho já está chegando a posições de média gerência de alguns setores, como tecnologia. “Há casos, por exemplo, de coordenadores de assistência técnica que atendem escritórios espalhados por todo o país”, diz Rafael Souto.

A empresária carioca Silvia Azevedo, de 46 anos, é uma das que se alternam entre Rio de Janeiro e São Paulo. Desde 2010, quando vendeu sua participação em uma empresa, ela resolveu apostar em dois outros negócios – uma empresa de turbinas eólicas de pequeno porte em Maricá (RJ) e uma empresa de tecnologia de ressonância magnética em São Carlos (SP), ambas administradas por ela. A cada vez que vem a São Carlos, Silvia precisa pegar um voo entre Rio e Campinas e enfrentar mais duas horas de estrada – uma operação que consome cerca de cinco horas no total. A empresária diz que a principal lição deixada por essa experiência é a compreensão de que não se pode ser onipresente. “Antes, tinha dificuldade para dizer não. Hoje, montei uma equipe muito boa e aprendi a delegar”, diz ela.

Para o investidor e palestrante paranaense Allan Costa, de 44 anos, a vida de deslocamentos entre Curitiba e São Paulo, onde ele passa um terço do mês, foi uma escolha, baseada na chance de aproveitar as oportunidades de negócios que surgem na capital paulista. Como passa um período prolongado fora do Paraná, onde fica sua família, Allan também mantém um flat em São Paulo. “Por enquanto, só tenho escritório em Curitiba. Em São Paulo, trabalho em espaços de coworking ou em cafés”, diz ele. Allan diz que o fato de não gostar de rotina e de ter um horário flexível de trabalho o ajuda a administrar a vida dupla. “Quando estou em Curitiba, organizo meu dia para assistir aos ensaios de música do meu filho, de 13 anos, e jogar basquete com ele.”

Mas todos os entrevistados desta matéria lembram que é preciso estar preparado para lidar com a frustração e com a sensação de impotência em muitos momentos. “São muitas variáveis fora do seu controle, inclusive atmosféricas. Tem dias em que a sua família está te esperando, você já está no aeroporto e o voo é cancelado. Aí, você tem que pegar sua mala e voltar para o hotel. É bem difícil”, diz Adriana Massari.

O TESTE DA VIDA DUPLA

Trabalho... com uma mala de brinde. 3 PRÓS

VALORIZAÇÃO DO PASSE: Ter sob sua responsabilidade mais de uma área demonstra confiança da empresa naquele profissional.

COMPETITIVIDADE: Essas funções indicam capacidade de gerir projetos que envolvem múltiplas regiões.

VISIBILIDADE E INFLUÊNCIA: Ao circular por mais escritórios, se relacionar e se reportar a diferentes lideranças, o profissional ganha mais exposição e uma rede de contatos mais rica, o que pode favorecer as promoções.

RÁPIDA AQUISIÇÃO DE EXPERIÊNCIA INTERNACIONAL: A vivência de outras realidades culturais é valorizada pelo mercado. Normalmente, essa bagagem é adquirida em experiências individuais de expatriação. Neste caso, é possível conhecer diferentes culturas simultaneamente.

REPERTÓRIO SOBRE DIFERENTES AMBIENTES DE NEGÓCIOS: O conhecimento sobre o mercado de outros países é um diferencial no momento da contratação para algumas funções. “Numa empresa que tem planos de se expandir pela américa latina, alguém que já conhece o mercado argentino, por exemplo, leva vantagem”, diz Rafael Souto.

Trabalho... com uma mala de brinde. 4. CONTRAS

IMPACTO NA VIDA PESSOAL: De acordo com o momento de vida em que se está, esse tipo de cargo pode ser mais sacrificado. Eles funcionam melhor para quem é solteiro ou já está com os filhos criados e é mais difícil para os recém-casados ou pais de filhos pequenos.

DIFICULDADE DE CONSTRUIR UMA ROTINA: Planos pessoais, como frequentar regularmente a academia ou fazer uma pós-graduação podem ser prejudicados pelos voos no meio da semana e pela divisão das atividades entre duas ou mais cidades.

RESISTÊNCIA DAS EQUIPES LOCAIS: A aceitação, por uma equipe regional, de um gestor vindo de fora nem sempre é tranquila.

REPORTE A MUITAS CHEFIAS: É preciso estabelecer claramente as responsabilidades esperadas e a quem o profissional se reportará, de modo que se possa desenvolver um projeto comum, com ações coerentes entre si, nas diferentes unidades.

PROBLEMAS DE ADAPTAÇÃO: Cabe investigar qual a estrutura de custos oferecida a quem tem uma segunda base. Se você é o tipo de pessoa que não aguenta passar metade do mês em hotéis, investigue se a empresa cobriria os custos de um aluguel no segundo endereço.

Trabalho... com uma mala de brinde. 2

ALIMENTO DIÁRIO

PROVÉRBIOS 10: 1 – 7

Pensando biblicamente

Até aqui, estivemos no pórtico, ou prefácio, dos provérbios; aqui começam os provérbios, propriamente ditos. Eles são sentenças curtas, mas de importância; muitos deles são dísticos, ou seja, conceito expresso em um verso, que se ilustram, um ao outro; mas é raro que haja alguma coerência entre os versos, e muito menos qualquer ligação no discurso, e por isto, nestes capítulos não precisamos tentar reduzir o conteúdo aos seus cabeçalhos, as variadas sentenças aparecerão melhor em seus próprios lugares. O objetivo de todos os provérbios é nos colocar diante do bem e do mal, da bênção e da maldição. Muitos dos provérbios deste capítulo dizem respeito ao controle da língua, sem o qual a religião dos homens é inútil.

 

DIZERES IMPORTANTES:

V.1 – Salomão, falando conosco como filhos, observa aqui o quanto a consolação de pais, naturais, políticos ou eclesiásticos, depende do bom comportamento dos que estão sob seus cuidados, como uma razão:

1. Pela qual os pais devem ser cuidadosos para dar a seus filhos uma boa educação, e instruí-los nos caminhos da religião, o que, se obtiver o resultado desejado, lhes proporcionará consolação ou, se não obtiver o resultado desejado, terão, como seu consolo, sob as dificuldades, o fato de que fizeram o seu dever.

2. Pela qual os filhos devem se comportar bem e prudentemente, e viver de acordo com a boa educação recebida, para que possam alegrar os corações de seus pais, e não entristecê-los. Observe:

(1) Contribui para a consolação dos jovens que são piedosos e têm discernimento, o fato de que, com isto, fazem algo para recompensar seus pais por todo o esforço e cuidados que tiveram com eles, e lhes proporciona prazer nos maus dias da velhice, quando mais necessitarem; e é o dever dos pais alegrar-se com a sabedoria e as boas obras de seus filhos, ainda que estas alcancem tal eminência a ponto de eclipsar aos pais.

(2) Contribui para a culpa dos que se comportam mal o fato de que com isto eles entristecem aqueles para quem deveriam ser uma alegria, e são um peso, particularmente para suas pobres mães, que o suportam com tristeza, embora sua maior tristeza seja vê-los ímpios e vis.

V. 2 – 3 – Estes dois versos falam sobre a mesma coisa, e o segundo pode ser a razão do primeiro.

1. Essa riqueza que os homens obtêm injustamente não lhes fará nenhum bem, porque Deus a amaldiçoará: “Os tesouros da impiedade de nada aproveitam” (v. 2). Os tesouros dos ímpios, e muito mais os tesouros que foram apropriados por alguma pessoa ímpia, por opressão ou fraude, ainda que seja um tesouro e esteja guardado em segurança, ainda que seja um tesouro escondido, ainda assim, não traz nenhum benefício; quando o lucro e a perda se equilibram, o lucro obtido com os tesouros, de maneira alguma, será equivalente à perda obtida pela impiedade (Mateus 16.26). Eles não beneficiam a alma; eles não compram nenhum consolo ou felicidade verdadeiros. Eles não servirão de nada para um homem à morte, nem no juízo do grande dia; e a razão é porque Deus rechaça o desejo dos ímpios (v. 3). Ele tira deles o que obtiveram injustamente; Ele rejeita a consideração destes desejos, não considerando ao rico mais do que ao pobre. Nós vemos frequentemente que a justiça de Deus destroça aquilo que foi ajuntado por meio da injustiça dos homens. Como podem ser benéficos os tesouros da iniquidade, quando, ainda que sejam considerados riqueza, Deus os remove e eles desaparecem como uma sombra?

2. Aquilo que é obtido honestamente terá um bom resultado, pois Deus o abençoará. A justiça liberta da morte, isto é, a riqueza obtida e guardada e usada de maneira correta (justiça significa honestidade e também caridade); ela corresponde ao objetivo da riqueza, que é nos manter vivos e ser uma proteção para nós. Ela nos livrará daqueles juízos que os homens trazem para si mesmos, pela sua iniquidade. Ela nos beneficiará a tal ponto de nos livrar, ainda que não do golpe da morte, ainda assim do seu aguilhão, e consequentemente, do terror da morte. Pois o Senhor não permitirá que a alma dos justos tenha fome (v. 3), e assim a sua justiça os livra da morte, puramente pela benevolência de Deus para com eles, que é a sua vida e o seu sustento, e que os manterá vivos em uma época de fome. A alma dos justos será mantida viva, pela Palavra de Deus, e pela fé na sua promessa, quando os leõezinhos passarão fome.

 

V. 4 – Aqui lemos:

1. Quem são aqueles que, embora ricos, estão a caminho de se tornar pobres – os que trabalham com mão negligente, que são descuidados em seu trabalho, e não se importam com o que é mais importante, nem dedicam suas mãos vigorosamente ao seu trabalho, nem se empenham nele; os que trabalham com mão enganosa (assim pode ser interpretado); os que pensam em enriquecer por meio de fraude e trapaças, no final, empobrecerão, não somente trazendo a maldição de Deus sobre o que têm, mas perdendo a sua reputação entre os homens; ninguém desejará lidar com os que trabalham com mão negligente e são honestos somente na aparência.

2. Quem são os que, embora pobres, estão a caminho de se tornar ricos – os que são diligentes e honestos, que são cuidadosos com suas atividades, e que, seja o que for que suas mãos encontrem para fazer, o fazem com toda a sua capacidade, de uma maneira justa e honrosa – estes provavelmente aumentarão o que têm. A mão dos perspicazes (segundo alguns), dos que são vigorosos, mas não trapaceiros; a mão dos ativos (segundo outros); a mão diligente ganha os seus recursos. Isto é verdade, nos assuntos das nossas almas, e também nos nossos assuntos terrenos; a preguiça e a hipocrisia levam à pobreza espiritual, mas os que são fervorosos em espírito, que servem ao Senhor, provavelmente serão ricos em fé e ricos em boas obras.

 V. 5 – Aqui temos:

1. O justo elogio dos que aproveitam suas oportunidades, que se esforçam para aumentar o que têm, tanto para o corpo como para a alma, que preparam para o futuro, quando a provisão deve ser feita, que ajuntam no verão, que é tempo de colheita. Quem faz isto é um filho sábio, e é sua honra; ele age prudentemente com seus pais, a quem, se houver oportunidade, deverá sustentar, e traz reputação para si mesmo, para sua família e sua educação.

2. Ajusta repreensão e culpa dos que brincam com essas oportunidades: aquele que dorme, ama sua tranquilidade, e desperdiça o seu tempo e negligencia o seu trabalho, especialmente aquele que dorme no tempo da sega, quando deveria estar guardando para o inverno, que deixa escapar a época de se abastecer com aquilo que puder, é um filho que causa vergonha; pois é um filho louco; ele prepara a vergonha para si mesmo, quando o inverno vier, e reflete vergonha sobre todos os seus amigos. Aquele que obtém conhecimento e sabedoria, nos dias de sua mocidade, ajunta no verão, e terá a consolação e o crédito do seu empenho; mas aquele que desperdiça os dias da sua mocidade carregará a vergonha da sua indolência, quando for mais velho.

 

V. 6 – Aqui temos:

1. Bênçãos há sobre a cabeça do justo, bênçãos de Deus e também do homem. Bênçãos variadas, bênçãos abundantes, descerão das alturas, e permanecerão visivelmente sobre a cabeça dos homens bons, bênçãos reais: não apenas se falará bem deles, mas também se agirá bem com eles. Bênçãos estarão sobre as suas cabeças, como uma coroa, para adorná-los e honrá­ los, e como um capacete, para protegê-los.

2. A violência cobre a boca dos ímpios. As suas bocas serão fechadas com vergonha pela violência que cometeram; eles não terão nem uma palavra para dizer, como desculpa para si mesmos (Jó 5.16); a sua respiração cessará, com a violência que lhes for feita, quando suas atitudes violentas retornarem sobre suas próprias cabeças, retornarem para os seus dentes.

 

V. 7 – Tanto os justos como os ímpios, quando seus dias estiverem cumpridos, deverão morrer: Entre os seus corpos, na sepultura, não há diferença visível; porém entre as almas de um e do outro, no mundo dos espíritos, há uma grande diferença, e também há, ou deveria haver, entre as suas memórias, que sobreviverão a eles.

I – Os homens bons são e devem ser louvados e elogiados, depois de sua partida; esta é uma das bênçãos que vem sobre a cabeça dos justos, mesmo quando sua cabeça foi abatida. Homens abençoados deixam atrás de si memórias abençoadas.

1. É parte da dignidade dos santos, especialmente os que excedem em virtude e são eminentemente úteis, o fato de que sejam lembrados com respeito, depois de mortos. O seu bom nome, o nome como bons homens, por boas coisas, é, então, de uma maneira especial, como precioso unguento (Eclesiastes 7.1). Aos que honram a Deus, Ele também honrará (Salmos 112.3,6,9). Pela fé, os antigos alcançaram testemunho (Hebreus 11.2), e, depois de mortos, ainda são louvados.

2. É parte do dever dos sobreviventes: que a memória do justo seja bendita, é a interpretação dos judeus, e que seja observado como um preceito o fato de não mencionar um homem eminentemente justo, que esteja morto, sem acrescentar: Que a sua memória seja bendita. Nós devemos nos alegrar em fazer uma menção honrosa a homens bons que morreram, bendizer a Deus por eles, e por seus dons e graças que foram manifestos neles, e especialmente ser segui­ dores deles, no que é bom.

II – Os homens maus são e serão esquecidos, ou mencionados com desprezo. Quando os seus corpos estiverem apodrecendo na sepultura, os seus nomes também apodrecerão. Ou não serão preservados, mas sepultados no esquecimento (nada de bom pode ser dito sobre eles, e por isto a maior bondade que pode ser feita a eles será não dizer nada sobre eles), ou serão odiados e mencionados com abominação, e aquela regra de honra: – Não diga nada que deprecie os mortos, não os protegerá. Onde a iniquidade foi notória, e não puder deixar de ser mencionada, ela deverá ser mencionada com abominação.