PSICOLOGIA ANALÍTICA

É MELHOR PENSAR EM DEUS DE BARRIGA CHEIA

Facilidade de conseguir alimentos pode ter liberado energia e tempo necessários para que nossos ancestrais pudessem começar a pensar sobre o propósito da vida.

É melhor pensar em Deus de barriga cheia

Há aproximadamente 2.500 anos algo mudou a forma como o ser humano se relaciona consigo mesmo e com o mundo. No espaço de dois séculos, em três regiões diferentes da Eurásia, a preocupação com a espiritualidade emergiu e evoluiu para as grandes religiões do mundo – aquelas que pregam uma combinação de compaixão, humildade e busca pelo melhor de si mesmo. Muitas vezes estudiosos atribuem o aumento de religiões e filosofias tão antigas – budismo, judaísmo, islamismo, hinduísmo e cristianismo – ao crescimento da população e à necessidade de buscar na moralidade um elemento de equilíbrio social necessário, o que de fato faz sentido. No entanto, os resultados de um estudo publicado no periódico científico Current Biology indicam outro ponto – inusitado, no entanto fundamental – a ser considerado quando falamos de busca espiritual: aumento de riqueza. Os autores investigaram variáveis relacionadas com a complexidade das normas sociais adotadas e de vida política adquirida por nossa espécie ao longo da evolução. O que os cientistas constataram foi que a conquista de melhores condições de subsistência e condições de vida – e, em particular, o acesso a maior quantidade de calorias – emergiu como uma força importante na ascensão da religião moral. Entre várias culturas, religiões que pregam a preocupação com o bem-estar do próximo parecem ter surgido abruptamente quando membros da comunidade passaram a ter acesso a fontes confiáveis de energia (incluindo comida para seres humanos e animais, combustíveis e matérias-primas) e, dessa forma, a quantidade de calorias ingerida diariamente aumentou para cerca de 2 mil. “Esse número parece corresponder a certa paz de espírito”, diz o principal autor do estudo, o pesquisador Nicolas Baumard, cientista da École Normal e Supérieure, em Paris. “Afinal, faz toda a diferença ter um teto sobre sua cabeça, não se sentir o tempo todo ameaçado por predadores e inimigos e saber que você vai ter o suficiente para comer amanhã; isso nos garante algum espaço mental para nos preocuparmos com questões menos mundanas”, observa. Baumard ressalta que algumas pesquisas já mostraram que a riqueza parece influenciar nossas motivações e circuito de recompensa. Do ponto de vista psicológico, quando temos o suficiente para nos mantermos sem grandes sobressaltos, nos tornamos mais propensos a suportar a postergação de ganhos e a considerar os benefícios de estratégia de longo prazo. Em outras palavras, com um fornecimento de energia estável, temos mais tempo para cooperar uns com os outros, cultivar habilidades e levar em conta as consequências de nossos atos. Na prática, isso implica mais condições para nos dedicarmos à ponderação existencial, ao cultivo da responsabilidade moral e talvez até à consideração de que a vida tem um propósito. Baumard acredita que as qualidades morais e ascéticas provavelmente existiam nos humanos antes de as grandes religiões enfatizá-las – mas a sistematização foi crucial para sua ampliação. “A ideia principal do artigo de Baumard é fascinante; de fato, é possível que a religião em si impulsione aumentos na riqueza em razão de seus efeitos sobre o reforço da cooperação, mas o nexo de causalidade entre o aumento da riqueza e religião precisa ser mais bem estabelecido”, acredita o biólogo evolucionista Bernard J. Crespi, pesquisador da Universidade Simon Fraser, na Colúmbia Britânica. A antropóloga Barbara King faz críticas às conclusões do estudo de Baumard. Ela argumenta que ele exagera a transição brusca para os sistemas de crenças morais. Em sua opinião, a passagem parece ter sido bem mais gradual, aumentando aos poucos a linha de contagem de calorias para um patamar mais confortável. “Não podemos esquecer o fato de que antropólogos e psicólogos já comprovaram a existência de raízes profundas de compaixão, por exemplo, em outros primatas. Não vejo nenhuma razão para supor que preceitos morais, empatia e mesmo alguma forma de relação com o sagrado não fossem importantes para grupos de caçadores-coletores mais antigos”, afirma. Ainda que suscitem controvérsias, as descobertas de Baumard apontam para uma forte associação bastante específica entre riqueza e o surgimento da religião moral. A abundância de sociedades antigas cooperou para o desenvolvimento de crenças religiosas, como se pode ver nas culturas maia, suméria e egípcia. Na maior parte dos casos, no entanto, nenhum dos sistemas de crenças dessas sociedades enfatizou a moral, a tolerância e a compaixão. E, de acordo com Baumard, membros desses grupos nunca tiveram acesso a mais de 1.500 calorias por dia. Quer seja causa ou efeito, a conexão com valores mais elevados, ao que parece, exige energia.

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OUTROS OLHARES

É MUITO FÁCIL SER LOUCO

Os números apresentados pelos diversos estudos – e pela mídia – atestam que nem sempre o certo está mesmo correto.

É muito fácil ser louco

As estatísticas em Psiquiatria servem tal qual os postes servem ao bêbado: quando muito de apoio ou para urinar, e não para iluminar o caminho. Em outras palavras, valem quase nada. E as razões são inúmeras, a começar pela absoluta falta de critério e norma, amostragens viciadas, métodos pouco abrangentes e diversidade de critério entre os muitos outros fatores que podem ocorrer. Mas, mesmo que fossem totalmente bem-feitas, que o método aplicado fosse perfeito etc., o resultado seria desprezível, por sua própria natureza vulnerável. Vamos a alguns exemplos. Dizem que “normal” é o que está dentro da média. Certo? Não, errado, uma vez que, em uma população de indivíduos criminosos, o normal será o honesto, isso sem citar o gênio, que é um anormal, pois refoge da média por ser muito mais inteligente do que a maioria das pessoas. Além disso, o superdotado iguala-se ao retardado mental, pois este também fica na mesma faixa percentual daquele: são ambos anormais, pouco importa a qualidade. Mais um exemplo concreto: saiu recentemente nos jornais que apenas 4% dos indivíduos que foram presos em flagrante delito (e ouvidos em audiência de custódia, que é realizada em até 24 horas para que o juiz decida sobre a necessidade de mantê-los presos ou não) e colocados em liberdade recaíram em um espaço de seis meses. Assim, tem-se a ideia de que os juízes acertaram em não manter o criminoso preso, pois somente 4 deles voltaram a delinquir. Certo? Errado, pois é possível deduzir que, se apenas essa ínfima porcentagem de criminosos reincidiu, é porque a polícia não cumpriu com o seu dever ou não teve tempo hábil para prendê-los novamente. Mas o pior de tudo quanto às estatísticas são os números aleatórios lançados em revistas, jornais e meios de comunicação em geral, segundo os quais tanto por cento da população sofre de tal doença, tanto por cento daquela outra e assim por diante. Então, vamos aos números concretos compilados recentemente que incidem nos transtornos mentais: 4% da população sofrem de distúrbio bipolar; 3.5% de mal de Alzheimer; 2,7% de alcoolismo; 2,3% de toxicomania; l.6% de esquizofrenia; 3.3% de transtorno obsessivo-compulsivo;  3% de psicopatia; 2,5% de síndrome do pânico; 3.2% de anorexia nervosa; 2,6% de déficit de atenção, 3,4% de psicose não especificada. Pois bem, somando-se tudo, há cerca de 33% de portadores de algum transtorno mental e colocado na Classificação Internacional das Doenças, a CID -10.

Com esses números podemos concluir que se o distinto leitor estiver conversando com duas pessoas e essas lhe parecerem normais, com todo o respeito, o perturbado é o senhor, pois, a cada três pessoas, pelas estatísticas que são publicadas, pelo menos uma apresenta algum transtorno mental classificável. É cômico, sim, mas muito mais profundo que isso, é trágico, pois essa pestilência grassa solta nas atuais “pesquisas psiquiátricas e doutrinas acadêmicas, a determinar, para muitos, a prescrição dos remédios certo e o errado.

GESTÃO E CARREIRA

O DIA EM QUE A TERRA PAROU

O mundo muda ligeiro. Lançamentos recentes são esquecidos rapidamente pelo mercado. Isso quer dizer que ter uma empresa afinada hoje não representa o futuro sucesso de amanhã.

O dia em que a terra parou

Todas as funções em uma instituição são importantes e, da mesma forma que um relógio pode parar por conta de uma pequena peça defeituosa, uma grande empresa pode ter problemas de produtividade se não tiver um departamento de Recursos Humanos eficiente e que consiga cobrir todo o espectro funcional.

Provavelmente, você já ouviu alguma metáfora ou alegoria sobre isso: alguém para, em alguma posição na empresa, e o caos surge em todos os departamentos. Pode não ser algo imediato, mas, de fato, uma estrutura que funciona perfeitamente raramente apresenta excessos (ou redundâncias) em suas equipes de trabalho.

Deste ponto podemos começar a separar o questionamento em três pequenas etapas de apuração: será que sua instituição tem o mesmo perfil do relógio de que falamos anteriormente?

Pense sobre os seguintes pontos:

1- Temos funções replicadas que fazem o mesmo trabalho apenas com nomenclatura diferenciada? Um exemplo clássico é o almoxarifado x guarda-volumes x arquivo morto etc. Um único departamento, com divisões internas, poderia acomodar toda a demanda da empresa.

2- Algum colaborador é a própria função que exerce? Quando uma função se torna algo tão especificamente ligado a uma pessoa, isso é extremante ruim para a empresa. Imagine se, por   algum motivo, esse profissional deixar de trilhar o caminho da sua empresa? Como ficará o fluxo de produção?

3- Estamos sempre trocando as peças de nosso relógio. Não corremos risco algum! Imagine que a substituição de pessoas seja algo tão constante que nenhuma pessoa possa realmente dominar os requisitos básicos para manter a linha produtiva com o mesmo nível do colaborador anterior? Seria o caos! Uma empresa sem identidade e isso pode ser um perigo.

De fato, a sua empresa de longe supera esses pensamentos: tudo está perfeito. O funcionamento é rigorosamente checado pelos sistemas de controle existentes. Os mais modernos, por sinal. Onde pode ocorrer a fratura? No continuísmo dos mesmos e iguais padrões de comportamento laboral.

O mundo muda a cada seis meses. Muitas vezes, isso ocorre de forma mais rápida ainda. Produtos que eram fantásticos em seu lançamento recente já estão esquecidos pelo mercado. Ter uma empresa afinada hoje não representa o futuro sucesso de amanhã. O mundo (entenda o mundo como mercado consumidor) não para de consumir produtos ou serviços que surgem a cada instante, substituindo seus possíveis concorrentes em algum período temporal.

O departamento de Recursos Humanos do momento é aquele que consegue imprimir ânimo e entusiasmo em todos os setores da empresa, de forma que eles possam, além de funcionar plenamente, serem capazes de apontar novos caminhos e soluções para problemas que ainda não ocorreram.

Em nossa cultura pode ser difícil imaginar um profissional que anteveja os problemas e seja capaz de apresentar possíveis soluções aos seus gestores. Isso ocorre, principalmente, porque não são incentivados a ter esse comportamento. Nossa cultura organizacional prefere muitas vezes acreditar somente no feeling do gestor supremo e não na visão, pequena e humilde, do entregador de caixas que tem contato direto com o consumidor.

A ordem de comando mudou há muito tempo. Manda o consumidor dos produtos e serviços. Já passou a época em que todos podiam ter o Ford modelo T na cor que desejassem, desde que fosse preto. Hoje, a escolha está na ponta dos dedos e as funções de uma empresa precisam ser afinadas diariamente, como uma orquestra que se prepara para um grande concerto.

As informações devem ser acolhidas de todas as fontes possíveis. Cabe ao gestor de sucesso saber diferenciar as que realmente têm valor daquelas que são notícias velhas e repetitivas. Em tempo de fakes news isso deixou de ser um talento apreciado para se tornar uma habilidade necessária.

Metodologias podem ser aplicadas para a validação das fontes, principalmente as internas. Da mesma forma que é possível revisar procedimentos em busca de redundâncias nos protocolos. A busca constante por melhorias, mesmo no que já funciona bem, deve ser encarada como algo cotidiano e não diferencial.

O Raul Seixas acordou em um dia em que o padeiro não saiu para trabalhar. Imagine um dia em que sua instituição sinta os efeitos contrários de um mundo que parou: não ser procurada por ninguém. Para que isso não ocorra nunca, as funções, por menores que sejam, devem ser valorizadas em treinamentos e escuta.

O dia em que a terra parou. 2

ALIMENTO DIÁRIO

PROVÉRBIOS 9: 1-12

Pensando biblicamente

O Convite da Sabedoria

 

Aqui a Sabedoria é apresentada como uma rainha, magnífica e munificente; a Palavra de Deus é esta Sabedoria, em que Deus dá a conhecer a sua boa vontade para com os homens; Deus, a Palavra, é esta Sabedoria, a quem o Pai entregou todo o juízo. Aquele que, no capítulo anterior, mostrou a sua grandeza e glória como Criador do mundo, aqui mostra a sua graça e bondade como o Redentor do mundo. No original a palavra está no plural, Sabedorias; pois, em Cristo, estão escondidos todos os tesouros da sabedoria, e na sua missão é manifestada a multiforme sabedoria de Deus, em um mistério. Observe aqui:

I – A rica provisão que a Sabedoria fez para a recepção de todos aqueles que serão seus discípulos. Isto é descrito com a comparação de um banquete suntuoso, de onde é provável que o Senhor tenha tomado em­ prestadas aquelas parábolas em que comparava o reino dos céus a um grande banquete (Mateus 22.12; Lucas 14.16). E assim foi profetizado (Isaias 25.6). É um banquete como o que Assuero ofereceu para mostrar as riquezas do seu reino glorioso. A graça do Evangelho é assim apresentada diante de nós, na ordenança da ceia do Senhor. Para receber os seus convidados:

1. Aqui, é providenciado um palácio imponente e majestoso (v. 1). A Sabedoria, não encontrando uma casa suficientemente ampla para todos os seus convidados, edificou uma, especificamente para isto, e, tanto para fortalecê-la como para embelezá-la, ela lavrou suas sete colunas, o que a tornou muito firme, e lhe deu uma aparência grandiosa. O céu é a casa que a Sabedoria edificou para receber todos os seus convidados, que são chamados para o banquete das bodas do Cordeiro; é a casa de seu Pai, onde há muitas moradas, e para onde ela foi, para preparar lugares para nós. Ela suspendeu a terra sobre o nada, e nela não temos uma cidade permanente, mas o céu é uma cidade que tem fundamentos, tem colunas. A igreja é a casa da Sabedoria, para a qual ela convida os seus convidados, apoiada pelo poder e pela promessa de Deus, como por sete colunas. Provavelmente Salomão se refira ao templo que ele mesmo havia edificado recentemente, para o serviço da religião, a para o qual ele desejava persuadir as pessoas. para que recorressem a ele, tanto para adorar a Deus como para receber as instruções da Sabedoria. Alguns consideram que o significado pretendido é o das escolas de profetas.

2. Aqui há um esplêndido banquete preparado (v.2): Ela já matou os animais, “já sacrificou as suas vítimas; misturou o seu vinho”; abundância de comida e bebida está preparada, e da melhor qualidade. Ela já matou o sacrifício (é o significado da palavra), é um banquete suntuoso, mas sagrado, um banquete de um sacrifício. Cristo se ofereceu como sacrifício por nós, e é a sua carne que é, realmente, alimento, e o seu sangue que é, realmente, bebida. A ceia do Senhor é um banquete de reconciliação e alegria. o banquete do sacrifício expia rio. O vinho é misturado com alguma coisa que é mais rica do que ele, para dar-lhe sabor e aroma extraordinários. Ela tinha preparado completamente a sua mesa, com das as satisfações que uma alma pode desejar – justiça e graça, paz e alegria, as certezas do amor de Deus, as consolações do Espírito, e todos os prenúncios e sinais da vida eterna. Observe que tudo isto é obra da própria sabedoria; ela matou os animais, ela misturou o vinho, o que indica tanto o amor de Cristo, que faz a provisão (Ele não deixa esta tarefa a outros, mas a realiza com as suas próprias mãos ) e a excelência da preparação. Isto é apropriado, com exatidão, para atender ao objetivo que a própria sabedoria determinou.

 

II – O convite benevolente que ela fez, não a alguns amigos em particular, mas a todos, de modo geral, para que viessem e participassem.

1. Ela usa os seus servos para levar o convite a todas as regiões: Ela “já deu ordens às suas criadas” (v. 3). Os ministros do Evangelho são comissionados e incumbidos de avisar sobre os preparativos que Deus fez, no concerto eterno, para todos os que estão dispostos a concordar com os termos dele; e eles, com pureza de criadas, sem se corromperem ou sem corromperem a Palavra de Deus, e com obediência exata às suas ordens, devem convidar todos os que encontrarem, até mesmo pelos caminhos e atalhos, para que venham e se banqueteiem com a Sabedoria, pois todas as coisas já estão preparadas (Lucas 14.23).

2. Ela mesma clama, desde as alturas da cidade, como alguém que deseja sinceramente o bem-estar dos filhos dos homens, e angustiada por ver que eles rejeitam as suas próprias misericórdias, trocando-as por vaidades mentirosas. O nosso Senhor Jesus foi, Ele mesmo, o divulgador do seu próprio Evangelho; depois de ter enviado os seus discípulos, Ele os seguiu, para confirmar o que eles diziam; na verdade, ele começou a ser anunciado pelo Senhor (Hebreus 2.3). Ele se levantou e clamou: “Vinde a mim”. Nós vemos quem nos convidou, agora, observemos:

(1) A quem é feito o convite: aos simples e faltos de entendimento (v. 4). Se nós fôssemos receber convidados, entre todas as pessoas, nós não desejaríamos, nem cortejaríamos estas pessoas, mas procuraríamos ter filósofos e homens instruídos, para que pudéssemos ouvir a sua sabedoria, e cuja conversa à mesa seria proveitosa. “Será que preciso de loucos?” Mas a Sabedoria convida estas pessoas, porque o que ela tem para dar é o que elas mais necessitam, e é o bem-estar delas que ela procura, nos preparativos e no convite. Aquele que é simples é convidado, para que possa se tornar sábio; e o que é falto de entendimento, que venha para cá, e conseguirá o que lhe falta. Os seus preparativos são mais remédios do que comida, destinados para a mais valiosa e desejável cura, a cura da mente, sim, do pensamento. A despeito de quem quer que sejam estas pessoas, o convite é geral, e não exclui a ninguém, exceto os que se excluem a si mesmos; ainda que sejam extremamente loucos:

[1) Serão bem-vindos.

[2) Podem ser auxiliados; não serão desprezados nem desesperançados. O nosso Salvador veio, não para chamar os justos, mas os pecadores, não os que se consideram sábios, que dizem que veem (João 9.41), mas os simples, os que têm consciência e vergonha da sua simplicidade, e àqueles que estão dispostos a se fazerem loucos, para que possam ser sábios (1 Coríntios 3.18).

(2) Qual é o convite.

[1) Nós somos convidados para a casa da Sabedoria: “Volte-se para aqui”. Eu digo que nós somos convidados, pois haveria algum de nós que não tenha o caráter dos convidados, que são simples e faltos de entendimento? A porta da Sabedoria está sempre aberta para estas pessoas, e ela deseja conviver com elas, tendo sempre uma palavra para o seu bem, e não tem nenhum outro desígnio para elas.

[2] Nós somos convidados para a sua mesa (v. 5): “Vinde, comei do meu pão”, isto é, prova dos verdadeiros prazeres que serão encontrados no conhecimento e no temor de Deus. Pela fé nas promessas do Evangelho, aplicando-as a nós mesmos e recebendo a sua consolação, nós nos alimentamos, nós nos banqueteamos, com as provisões que Cristo fez para as pobres almas. Aquilo que nós comemos e bebemos, tornamos nosso; nós somos nutridos e revigorados por isto. O mesmo ocorre com a nossa alma, que é alimentada pela Palavra de Deus; o banque te tem em si aquilo que é alimento e bebida para os que têm entendimento.

(3) O que é exigido dos que podem ter o benefício deste convite (v. 6).

[1] Eles devem romper com toda má companhia: “Deixai os insensatos”; ou seja, não convivam com eles, não andem em conformidade com os seus caminhos, não tenham comunhão com as obras das trevas, nem com os que lidam com estas obras. O primeiro passo rumo à virtude é abandonar o vício e a iniquidade; portanto, abandonar os iníquos: “Apartai-vos de mim, vós que praticais a iniquidade”.

[2] Eles devem despertar e ressuscitar dos mortos; eles devem viver, não no prazer (pois os que o fazem estão mortos, enquanto vi­ vem), mas no serviço para Deus; pois somente aqueles que vivem assim, realmente vivem, vivem com algum propósito. Não vivam uma mera vida animal, como animais selvagens, mas agora, por fim, vivam a vida de homens. Vivam, e viverão; vivam espiritualmente, e viverão eternamente (Efésios 5.14).

[3] Eles devem escolher os caminhos da Sabedoria, e se conservar neles: “Andai pelo caminho do entendimento”; ou seja, governe-se, a partir de agora, pelas regras da religião e da justiça. Não é suficiente abandonar os loucos, mas devemos nos unir aos que andam na sabedoria, sim, aos que andam no mesmo espírito e nos mesmos passos.

 

III – As instruções que a Sabedoria dá aos criados que ela envia com os convites (os ministros e outras pessoas), em relação àqueles que, em seus lugares, se empenham para não servir aos interesses e desígnios dela. Ela lhes diz:

1. Qual deve ser a obra deles: eles não somente devem dizer, de modo geral, qual preparativo deve ser feito para as almas, e fazer uma oferta geral, mas devem se dirigir a pessoas, individualmente, devem falar-lhes de seus erros, repreender, censurar, admoestar (vv. 7,8). Eles devem instruí-los a respeito de como corrigir e ensinar (v. 9). A Palavra de Deus tem uma função específica, e assim também deve ser o ministério dessa palavra: para redarguir; para corrigir, e para instruir em justiça.

2. Os diferentes tipos de pessoas com as quais se encontrarão, e que atitude deverão ter com elas, e que sucesso poderão esperar.

(1) Eles certamente se encontrarão com alguns escarnecedores e ímpios, que zombam dos mensageiros do Senhor e os maltratam, que riem e escarnecem dos que os convidam para o banquete do Senhor, como fizeram em 2 Crónicas 30.10, que os tratam com crueldade (Mateus 22.6). E, embora eles não sejam proibidos de convidar aquelas pessoas simples à casa da Sabedoria, são aconselhados a não acompanhar o convite com repreensões e censuras. “Não repreendas o escarnecedor”; “nem deiteis aos porcos as vossas pérolas” (Mateus 7.6). Cristo disse, a respeito dos fariseus: “Deixai-os” (Mateus 15.14). Não os repreendas, pois o fato de não os repreender demonstra:

[1] Justiça para com eles, pois os que escarnecem dos meios que tiveram perdem o benefício de novos meios. Os que, por isto, são imundos, que continuem imundos; os que se unem aos ídolos, deixem-nos; eis que nos voltamos para os gentios.

[2] Prudência, para com você mesmo, pois, se os repreender, em primeiro lugar, você perderá o seu tempo e esforço, e se envergonhará pelo desapontamento. Em segundo lugar, você os exasperará; aja sempre com prudência e ternura, se agir fielmente, eles odiarão você, e o sobrecarregarão com censuras, e dirão todo o mal que puderem dizer sobre vocês, e assim a sua reputação ficará manchada; por isto, é melhor não se envolver com eles, pois as suas repreensões provavelmente resultarão em mais males do que em bens.

(2) Eles encontrarão outros, que são sábios, bons e justos; graças a Deus, não são todos escarnecedores. Nós nos encontramos com alguns que são tão sábios por si mesmos, tão justos por si mesmos, a ponto de estar dispostos e alegres em ser ensinados, e quando nos encontramos com estas pessoas:

[1] Se houver oportunidade, devemos repreendê-los, pois os sábios não são perfeitamente sábios, pois sempre há algo neles que precisa de repreensão; e não devemos ser tolerantes com as falhas de nenhum homem por temos uma veneração pela sua sabedoria; nenhum homem sábio deve pensar que a sua sabedoria o dispensa da repreensão, quando diz ou faz alguma coisa tola ou louca; mas quanto mais sabedoria o homem tiver, mais desejoso será de ter as suas fraquezas exibidas para si mesmo, porque uma pequena loucura é uma grande mancha para aquele que tem uma reputação de sabedoria e honra.

[2] Com as nossas repreensões, de­ vemos dar-lhes instrução, e devemos ensiná-los (v. 9).

[3] Nós podemos esperar que o nosso ato seja interpretado como uma benignidade (Salmos 141.5). Um sábio considerará que são seus amigos os que lidarem com ele fielmente: “Repreende o sábio, e amar-te-á”, por tuas atitudes claras, e te agradecerá, e desejará que lhe faças o mesmo bem, em outra ocasião, se houver oportunidade. Aceitar bem uma repreensão é um ato tão nobre de sabedoria como fazê-la bem.

[4] Sendo bem aceita, ela fará bem, e atingirá o seu objetivo. Um homem sábio se tornará mais sábio pelas repreensões e instruções que lhe são feitas; ele crescerá em aprendizado, crescerá em entendimento, e assim crescerá na graça. Ninguém deve se julgar sábio demais para aprender, nem tão bom que não precise melhorar, e por isto não precise ser ensinado. Nós devemos ainda prosseguir, insistir, e buscar o conhecimento, até que cheguemos a varão perfeito. Dá instrução ao sábio, dá-lhe conselho, repreenda-o, console-o, e ele se fará mais sábio; dá-lhe oportunidade (segundo a Septuaginta), para mostrar a sua sabedoria, e ele a exibirá, e os atos de sabedoria fortalecerão os hábitos.

 

IV – As instruções que ela dá aos que são convidados, e que os seus criados devem inculcar neles.

1. Que eles saibam de que consiste a verdadeira sabedoria, e o que poderão esperar da mesa da Sabedoria (v. 10).

(1) O coração deve ter como princípio o temor a Deus; este é o princípio da sabedoria. Uma reverência à majestade de Deus, e um temor à sua ira, são aquele temor a Ele que é o princípio, o primeiro passo em direção à verdadeira religião, de onde surgirão todos os outros aspectos. Este temor pode, a princípio, atormentar, mas o amor, gradativamente, removerá o tormento.

(2) O coração deve estar cheio com o a ciência, e o conhecimento das coisas de Deus. O conhecimento das coisas santas (a palavra é plural) é a prudência nas coisas pertencentes à obra de Deus (essas são chamadas de coisas santas), que pertencem à nossa própria santificação; a repreensão é necessária para o que é santo (Mateus 7.6). Ou pode significar que a ciência, o conhecimento que os homens santos têm, que lhes foi ensinado pelos santos profetas, daquelas coisas que os homens santos falavam, inspirados pelo Espírito Santo, é prudência; é a melhor prudência, e a mais útil, que nos prestará bons serviços e terá o melhor resultado.

2. Que eles saibam quais são as vantagens desta sabedoria (v. 11): “Por mim, se multiplicam os teus dias”. Ela contribuirá para a saúde do teu corpo, e também te acrescentarão anos de vida na terra, ao passo que a loucura e a intemperança dos homens abreviará os seus dias. Ela te levará ao céu, e os teus dias serão multiplicados infinitamente, e os anos da tua vida serão aumentados, sem fim. Não existe verdadeira sabedoria, senão naquilo que a religião ensina, e não existe vida verdadeira, senão no fim desse caminho.

3. Que saibam quais serão as consequências do fato de escolherem ou recusarem esta oferta (v. 12). Aqui temos:

(1) A felicidade dos que a aceitam: “Se fores sábio, para ti sábio serás”; quem ganhará com isto serás tu, e não a Sabedoria. O homem não é capaz de acrescentar nada a Deus. É para o nosso próprio bem que somos assim atraídos à graça de Deus. Não deixarás o ganho aos outros (como fazemos com a nossa riqueza terrena, quando morremos, que é, portanto, chamada de alheia, Lucas 16.12), mas o levarás contigo ao outro mundo. Os que são sábios para suas almas, são sábios para si mesmos, pois a alma é o homem; e ninguém busca o seu próprio interesse, senão os que são verdadeiramente religiosos. Isto nos recomenda a Deus, e nos recupera daquilo que é nossa loucura e degeneração; isto nos ocupa naquilo que é mais benéfico neste mundo, e nos dá direito ao que é muito mais benéfico, no mundo que há de vir.

(2) A vergonha e a ruína dos que a desprezam: “Se fores escarnecedor, tu só o suportarás”.

[1] Tu suportarás a vergonha. Os que são bons devem agradecer a Deus, mas os que são ímpios devem agradecer a si mesmos; não é devido a Deus (Ele não é o autor do pecado); Satanás pode apenas tentar, apresentar a tentação, ele não pode forçar; e os ímpios são apenas seus instrumentos; de modo que toda a falta cabe ao próprio pecador.

[2] Suportarás a perda daquilo de que escarneceste; será para a tua própria destruição; o teu sangue estará sobre a tua própria cabeça; e esta consideração agravará a tua condenação. Filho, lembra-te, de que esta boa oferta te foi feita, e não a quiseste aceitar; podias ter a vida, mas preferiste a morte.