PSICOLOGIA ANALÍTICA

ENVELHECER É UM PRIVILÉGIO!

Cada pessoa tem responsabilidade sobre o próprio processo de amadurecimento. Para desfrutar da maturidade é importante preparar-se e traçar um projeto de vida que compreenda aspectos relativos à saúde física, mental, financeira, social e intelectual.

Envelhecer é um privilégio!

Você já pensou em um plano para seu envelhecimento? Feche os olhos e se imagine comemorando seu aniversário de 85 anos. Imaginou? Tarefa difícil? Em geral, as pessoas se surpreendem com essa provocação. Quando estimuladas a pensar na celebração dos 85 anos, trazem visualizações de grandes festas, na maioria das vezes rodeadas por família e amigos ou se imaginam em navios ou destinos paradisíacos realizando a viagem tão sonhada. Nessa visão do futuro, a celebração só acontecerá da forma que idealizamos se houver um planejamento de vida. Para alcançarmos nosso objetivo, precisamos de um plano!

Essa provocação foi feita pelo médico brasileiro Alexandre Kalache, que dirigiu o departamento de envelhecimento e saúde da Organização Mundial da Saúde (OMS) e, atualmente, preside o Centro Internacional de Longevidade Brasil. Em sua opinião, o país vive o que chama de “revolução da longevidade”.

Os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) corroboram essa impressão. Em 2017, a expectativa de vida do brasileiro ao nascer era de 76 anos, o que aumentou substancialmente se compararmos à esperança de vida em 1945, que era de 43 anos ou em 1980, de 62,6 anos. O Brasil mudou seu cenário demográfico rapidamente e esse aumento da expectativa de vida foi possível, principalmente, devido à melhora nos parâmetros de saúde pública, ao acesso à assistência médica, aos novos equipamentos e medicamentos. Não são apenas esses números que nos impressionam: a quantidade de pessoas com mais de 60 anos aumentou expressivamente. Em 1940, tínhamos 1,7 milhão de idosos; em 2010, já eram 20,6 milhões, e as projeções do IBGE para 2020 são de 30,9 milhões. Podemos pensar que o envelhecimento populacional seja uma grande conquista.

Porém, não raro, nos deparamos com a supervalorização do padrão contemporâneo de beleza e nos submetemos a ele. Isso explica por que tantas pessoas estão dispostas a fazer qualquer coisa para não envelhecer, sujeitando-se a procedimentos cirúrgicos e terapias anti-ageing (do inglês antienvelhecimento), na tentativa de se adequar à indústria do consumo. Deixamos de lado o fato de que cada idade tem suas características e beleza e o envelhecimento é inerente à vida. Mas é preciso avaliar o que queremos: quantidade ou qualidade? Provavelmente ambos. Os profissionais graduados em gerontologia acreditam que não podemos nos contentar apenas com o acréscimo de velas nos bolos de aniversário – precisamos acrescentar vida aos anos.

O termo “gerontologia” (do grego géron: envelhecimento; e logia: estudo) foi estabelecido por Elie Metchnikoff, em 1903. No Brasil, o primeiro curso de bacharelado foi criado em 2005, com a proposta de preparar profissionais para atuar em todo o processo de envelhecimento, sob as perspectivas biológica, psicológica e social. Essa atuação perpassa diversos cenários, desde preparação de professores nas escolas infantis para trabalharem com a temática até gerenciamento de instituições que oferecem serviços para idosos e suas famílias.

Envelhecer é um privilégio!. 2

DESDE A INFÂNCIA

Queremos qualidade de vida por muito tempo. Mas para isso precisamos querer envelhecer – algo nem sempre bem-visto em nossa cultura e talvez por isso esse processo seja muitas vezes negado. Muitas pessoas chegam aos 60 anos ou mais e dizem: “A partir de agora vou me cuidar!”. Na verdade, é fundamental estimular a cultura do autocuidado desde a infância. Cada um de nós é responsável pelo próprio processo de envelhecimento, mas nem sempre somos realmente protagonistas de nossas vidas. Quanto nos responsabilizamos por nossas escolhas? Alimentação saudável e balanceada em nutrientes; práticas de exercícios físicos (pelo menos três vezes por semana); atividades cognitivas regulares (como leitura, jogos, aprendizado de um novo idioma, um instrumento musical); interação social, além de outros estímulos podem nos ajudar a construir o envelhecimento que sonhamos, aquele imaginado para a festa de 85 anos. Em que consiste o nosso planejamento de vida? Parece muito abstrato traçar um plano para a existência, talvez um pouco presunçoso, mas o importante é estabelecer metas de cuidado com o corpo e a mente e de reflexão – e nos compromissarmos com elas. É fundamental sabermos que, no nosso trajeto, podemos encontrar alguma ponte rompida, às vezes é possível utilizar um atalho, outras vezes precisamos arrumar a ponte para prosseguirmos. Mas o que precisamos fazer para chegar aos 85 anos – ou mais – como desejamos, partindo de onde estamos agora?

Em primeiro lugar há alguns pontos a serem observados. Por exemplo: os termos senescência e senilidade ainda são muito confundidos. Durante muito tempo, as pessoas achavam que envelhecer era sinônimo de doença e esse processo era chamado de senilidade. A senescência refere­ se ao envelhecimento normal, no qual algumas alterações fisiológicas são esperadas, embora a intensidade e o início variem. Entre as mudanças há o aparecimento de rugas e cabelos brancos, menor acuidade dos sentidos (visão, audição, olfato, paladar e tato), menor resistência física, diminuição da estatura, alteração nas funções cardíacas, renais, respiratórias e digestivas. É importante ressaltar que essas condições não trazem restrições necessariamente.

Em contrapartida, para a maioria das pessoas alguns aspectos psicológicos vão se fortalecendo com o tempo, de acordo com as experiências de vida, auxiliando na tomada de decisões, nas relações interpessoais, diminuindo a impulsividade, melhorando a coerência e a objetividade. As decisões que tomamos aos 40 anos são totalmente diferentes daquelas tomadas aos 25 anos; há maior coerência, ponderação, enfim, há mais resiliência (resistência psíquica).

A educadora Anita Liberalesso Neri, doutora em desenvolvimento humano, professora e coordenadora do curso de pós-graduação em gerontologia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), introduziu no Brasil o conceito de lifespan (desenvolvimento ao longo de toda a vida). Segundo ela, o modelo psicológico de envelhecimento bem-sucedido, baseado em processos de aprimoramento seletivo com compensação, significa simplesmente fazer e ser o melhor possível com os recursos de que dispomos.

O planejamento de vida deve levar em consideração aspectos positivos e negativos que surgem ao longo do tempo para que possamos nos preparar para o que virá, levando em conta a promoção tanto da saúde física quanto psíquica. Segundo Kalache, um projeto de vida compreende quatro capitais: vital, financeiro, social e de conhecimento.

O capital vital diz respeito ao estilo de vida; trata-se do cuidado com alimentação, funcionamento do corpo e atividade física. O capital financeiro envolve a administração financeira pessoal e a reflexão sobre como queremos viver nossa aposentadoria, nos organizando antecipadamente para isso. O capital social engloba relações com amigos, família, companheiros, já que é fundamental nutrir redes de suporte. Por fim, o capital de conhecimento compreende o acesso a informações, educação continuada tanto formal quanto não formal, o que nos possibilita reinventar o curso de vida a qualquer momento.

DIREITO, DEVER E VOZ

A educação para o envelhecimento deveria ser algo ensinado nas escolas desde as primeiras séries com o objetivo de desmitificar o envelhecimento e agregar à velhice perspectivas positivas. Esse tipo de informação auxilia o curso da própria vida, além de contribuir para o fortalecimento das relações e trocas intergeracionais.

Se uma pessoa entende que será o velho de amanhã, sua atitude muda. Temos, porém, a tendência a acreditar que idoso é sempre o outro – e ficamos felizes quando alguém nos dá uma idade menor do que temos. Essa cultura vem de onde? Na maioria das vezes, o adjetivo “velho” caracteriza o objeto que queremos substituir, aquele que jogaremos fora. Mas é possível mudar essa perspectiva. E se “velho” adjetivar um vinho, um uísque, uma cachaça, uma moeda, um móvel, um disco de vinil, uma louça, um livro? Talvez pensássemos nesses objetos como antigos, valiosos – e não como descartáveis.

Socialmente, parece urgente ressignificar nossos idosos e idosas, atribuindo a eles o valor cultural que têm. Essa quebra de paradigmas pode contribuir para que tantas pessoas deixem de estar à margem e passem a compor o quadro social como agente ativo, com atividades, direitos, deveres e voz. Dessa forma, não só os idosos teriam ganhos, mas todas as pessoas, incluindo eu e você – que estamos envelhecendo a cada instante.

As Universidades Abertas à Terceira Idade (UNATIs) são grandes exemplos de inclusão e valorização. Segundo a psicóloga Meire Cachioni, professora do curso de graduação em gerontologia da Universidade de São Paulo (USP) e pesquisadora de UNATls, há aproximadamente 200 programas para idosos nas instituições de ensino superior brasileiras. A proposta é promover a inserção do idoso, estimulando a saúde física e mental, a participação e a autonomia por meio de oportunidades educacionais e culturais que favoreçam o desenvolvimento desses homens e mulheres.

Outras iniciativas, também no campo da educação não formal, são os cursos de extensão nas universidades, bem como projetos e programas destinados aos idosos em institutos culturais, museus e equipamentos de lazer, como o Serviço Social do Comércio (Sesc). Essas iniciativas são excelentes oportunidades para os idosos, desde que as diretrizes dos programas não os “infantilizem”. É indispensável atentar para o fato de que o processo de envelhecimento é muito heterogêneo, e ao oferecer atividades para idosos é importante ter respeito e consideração pela história de vida dessas pessoas.

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OUTROS OLHARES

DE OLHO NO FUTURO

O psicólogo e cientista social Philip Tetlock descobriu que a maioria das previsões feitas por especialistas é furada. Mas existe um grupo capaz de prever (e acertar) acima da média. Conheça os segredos dessa elite e como aplicá-los no trabalho.

De olho no futuro

Em 1956, o médico polonês Archie Cochrane recebeu de um oncologista de renome o diagnóstico de que possuía um câncer terminal e teria poucos anos de vida. Por sorte, a previsão do especialista estava equivocada e, após a análise do tecido supostamente canceroso por um patologista, Archie se surpreendeu com a suspensão de sua sentença de morte. O episódio foi o responsável por tornar o polonês o fundador do movimento médico denominado medicina baseada em evidências (MBE), que defendia o uso de métodos científicos para as práticas de saúde. Uma resposta simplista poderia apontar que se tratava de um erro médico, difícil, mas possível de acontecer. Entretanto, de acordo com o psicólogo e cientista social canadense Philip Tetlock, a origem do equívoco estava no fato de que nem Archie havia duvidado do diagnóstico nem o oncologista questionara seu próprio julgamento, mesmo sem o relatório do patologista como prova. Ou seja, o médico, munido de um “complexo de Deus”, acreditava que seu juízo não necessitava de validação. O exemplo está presente no livro que Philip lançou em fevereiro, em parceria com o escritor Dan Gardner, batizado de Super- previsores – A Arte e a Ciência de Antecipar o Futuro (Objetiva, 44,90 reais), e aponta para um dos nortes da tese que defende: a ausência da dúvida e do rigor científico afeta as decisões de médicos, empresários e líderes governamentais.

Nos últimos 20 anos, o estudioso analisou previsões realizadas por profissionais de renome e chegou a uma primeira conclusão: especialistas têm tanta chance de prever o futuro (mais precisamente 15%) quanto chimpanzés de acertar no alvo atirando dardos. Divulgada em 2005, a comparação causou polêmica e feriu alguns egos. A segunda descoberta, porém, provocou curiosidade. Por meio de uma pesquisa feita pelos autores em parceria com a Iarpa (Intelligence Advanced Research Projects Activity), consórcio de inteligência do governo americano, eles constataram que existem alguns analistas capazes de acertar 60% a mais do que a média. No estudo, eles acompanharam pessoas comuns – donas de casa, aposentados, professores – que eram incitadas a fazer previsões sobre acontecimentos políticos e econômicos. Os bons resultados de alguns deles, que não tinham acesso a informações privilegiadas, foram surpreendentes. Esse grupo de superanalistas não possui nenhum talento excepcional. O que faz com que eles se destaquem é a forma de pensar – mais racional do que a média. E a boa notícia é que esse tipo de raciocínio pode ser desenvolvido por todos nós.

PREVISÕES CERTEIRAS

As estratégias dos superanalistas para ajudar você a imaginar o que vem por aí.

DUVIDE DAS SUAS CRENÇAS

Para a ciência, a melhor evidência de que uma hipótese é verdadeira é um experimento que comprove que ela é falsa. Parece loucura, mas é a maneira como os cientistas fazem para descartar todas as alternativas de erro. E essa capacidade de duvidar constantemente de que estamos de posse da verdade é uma das características fundamentais dos superanalistas. “Muitas pessoas não separam o fato da opinião e, assim, se convencem de que seu ponto de vista está correto baseado na emoção, ignorando a realidade”, diz Silvio Celestino, coach de São Paulo. Isso não quer dizer que seja necessário mudar de ideia o tempo todo, mas adquirir conhecimentos e atualizar suas crenças. “Pessoas que ficam presas a valores antigos não conseguem acompanhar essas mudanças nem propor soluções inovadoras para problemas”, diz Josué Bressane, sócio-diretor da Falconi Gente, empresa de recrutamento e seleção, de São Paulo.

ADMITA QUE SEU CONHECIMENTO É LIMITADO

Mesmo os superanalistas sabem que, em um mundo complexo, nosso conhecimento e nossa capacidade de prever cenários e mudanças é limitado. Segundo os autores, as previsões de longo prazo são menos propensas a se concretizar. Então, para se tornar um analista de elite, é preciso reconhecer que, embora dominemos um assunto muito bem, não possuímos todo o conhecimento e, às vezes, precisamos de ajuda. “Os líderes não reconhecem sua vulnerabilidade. Precisamos extrair conhecimentos dos outros para complementar a nossa visão de mundo”, diz Roberto Camanho, professor da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM) e diretor de novos mercados da Amplix, consultoria de automação de processos, ambas de São Paulo.

AVALIE OS ERROS POR TRÁS DOS FRACASSOS – E DOS SUCESSOS

Além de não usar desculpas esfarrapadas para os fracassos, os superanalistas avaliam os projetos em que obtiveram sucesso. O objetivo é encontrar explicações para os acertos. Muitas escolhas bem-sucedidas são fruto de situações externas e não significam, necessariamente, que o raciocínio anterior estava totalmente correto. “A retrospectiva é um processo poderoso porque, se você não avalia o que está vivendo, entra em um piloto automático e não questiona se está tomando as melhores decisões ou se é melhor quebrar esses padrões”, diz Mônica Barroso, empreendedora e coach que ministra aulas de empreendorismo na The School of Life, em São Paulo. Quer dizer: quanto mais consciência você tiver dos seus passos, mais objetiva será a sua visão de futuro. Mas nada de se flagelar constantemente. “É preciso adotar uma postura construtiva, equilibrar erros e acertos e entender por que aquilo aconteceu”, diz Mônica.

PENSE EM PROBABILIDADES

Poucas questões são 100% corretas ou incorretas. Ficar constantemente pensando no “talvez” não traz informações relevantes sobre cenários futuros, mas identificar os graus de incerteza e levá-los em conta é importante para formar um raciocínio. “As previsões tendem a ser mais precisas se você utilizar dados e fatos e analisar informações”, diz Josué. Mas existe algo intangível nessa conta: a sua percepção pessoal e o fato de que todos nós podemos cometer equívocos. “Entender que não existe uma regra geral para tudo capacita o indivíduo a adquirir uma visão sistêmica e se preparar para cenários futuros”, diz Anderson Sant’Anna, professor e coordenador do núcleo de desenvolvimento de pessoas e liderança da Fundação Dom Cabral, de Minas Gerais.

USE VÁRIAS FONTES DE INFORMAÇÃO

Os superanalistas compreendem os riscos de fazer previsões apressadas e reúnem uma gama de fontes confiáveis antes de emitir um julgamento. Porém, eles também reconhecem que é preciso encontrar um equilíbrio entre ter posições firmes e qualificadas e ficar remoendo muito as decisões. “O ser humano tem duas formas de decidir: pela intuição e pela razão. A intuição é mais rápida porque é resultado de experiências semelhantes às que tivemos anteriormente, já a razão é mais demorada porque exige um tempo de reflexão. O segredo é unir as duas para diminuir o tempo de decisão”, diz Roberto. A forma como você escolhe as suas fontes também irá ajudar a acelerar esse processo. Excesso de dados não é conhecimento. É preciso selecionar algumas pessoas de confiança que possam ser consultadas frequentemente.

GESTÃO E CARREIRA

FREELANCER: COMO SE PREPARAR PARA PERÍODOS DE RECESSO

Freelancer - como se preparar para períodos de recesso

Com o mercado de trabalho demonstrando constantes mudanças e a economia ainda se recuperando de uma crise que assola o país desde 2014, muitos brasileiros optaram por buscar outras formas de renda. Diante disso, o índice de informalidade bateu um recorde no trimestre entre julho e setembro de 2018, chegando a 43% dos trabalhadores, o mais alto já registrado desde 2015.

Os dados são de um novo levantamento divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que mostra que quatro entre dez brasileiros possuem empregos informais. Ou seja, de um total de 92,6 milhões de pessoas ocupadas no período, cerca de 39,7 milhões não tinham carteira assinada.

Além disso, segundo a consultoria Tendências, de cerca de 1,3 milhão de pessoas que voltaram a trabalhar no período, 601 mil atuavam no setor privado sem carteira assinada.

FREELANCER: MERCADO PROMISSOR

Dentro deste cenário, o mercado de freelancers se mostra como uma opção a qualquer tipo de profissional, seja para quem opta deliberadamente por este modelo ou, ainda, quem o procura como uma forma de complementar sua renda. Segundo o estudo Mercado Freelancer 2017, elaborado por empresas do ramo de marketing, este modelo de trabalho deve registrar um crescimento de 20% até o final de 2018.

Os maiores benefícios apontados frequentemente pelos profissionais que atuam neste mercado são a flexibilidade de horários, o fato de poder trabalhar de casa ou de qualquer outro lugar no mundo – bastando estar conectado à internet -, além de poder ter a liberdade de gerir diversos projetos ao mesmo tempo.

Mas, para seguir uma carreira de freela, é preciso tomar certos cuidados, para conseguir administrar bem as suas finanças, principalmente nesta época, em que as empresas começam a diminuir o ritmo, já pensando nos balanços e recessos de final de ano.

Para ajudar os freelas a conseguir seu merecido descanso, o Freelancer.com, plataforma para freelancers e crowdsourcing, reuniu algumas dicas sobre como administrar bem os seus ganhos.

ELABORE UM PLANEJAMENTO DE GASTOS

O dia a dia de um freelancer é muito semelhante ao de uma empresa. Geralmente, é o próprio profissional quem faz toda a gestão de suas finanças, além de planejar, desenvolver e entregar os trabalhos encomendados. Por isso, é preciso se organizar, para que não haja complicações no futuro.

Para isso, monte uma planilha (pode ser no Excel ou então utilizando alguma outra tecnologia disponível) para fazer o controle de gastos, especificando o dinheiro que entrou e saiu do seu “caixa”. Use aplicativos, acompanhe pelo Internet Banking os fluxos e tenha tudo sempre em mãos, para evitar dores de cabeça.

Uma boa dica é separar o dinheiro pessoal do profissional. É de extrema importância definir quais são os valores utilizados para cobrir gastos e investimentos no trabalho, daqueles que serão utilizados para pagamentos de contas pessoais e destinados ao lazer.

POUPE DINHEIRO E FAÇA INVESTIMENTOS

Como a renda de um profissional freelancer pode ser inconstante, diferente de quem trabalha com carteira assinada e tem o salário fixo todo mês, é preciso se organizar para períodos de escassez. No final do ano, geralmente muitas empresas diminuem as demandas de trabalhos destinados a freelancers. Como isso é uma constante, o profissional já deve estar preparado para esta fase.

Portanto, poupe dinheiro quando seu fluxo financeiro estiver acima da média ou, então, aproveite esse “extra” para fazer investimentos que podem render e serem utilizados em períodos de recesso. Existem diversas formas de investir, até mesmo com pequenos valores, que podem gerar uma grana extra, colaborando para que o freelancer possa tirar um merecido descanso, sem se preocupar com a falta de trabalhos.

REGULARIZE-SE

O freelancer também precisa planejar seu futuro. Por isso, contribuir com o INSS é algo primordial nessa carreira. O programa de Microempreendedor Individual (MEI) oferece a facilidade para que o profissional faça uma contribuição mensal, que garante direitos de aposentadoria e afastamento por doenças, sem perder a renda mensal. Além disso, também é possível que o freelancer emita notas fiscais para os trabalhos que realiza.

ALIMENTO DIÁRIO

PROVÉRBIOS 8: 12-21

Pensando biblicamente

Os benefícios da sabedoria

 

A sabedoria aqui é Cristo, em quem estão escondidos todos os tesouros da sabedoria e da ciência; é Cristo na Palavra e Cristo no coração, não somente Cristo revelado a nós, mas Cristo revelado em nós. É a Palavra de Deus, toda a abrangência da revelação divina; é Deus, a Palavra, em quem toda a revelação divina se centra; é a alma formada pela Palavra; é Cristo, formado na alma; é a religião na sua pureza e no seu poder. Coisas gloriosas são ditas aqui, sobre esta excelente pessoa, esta coisa excelente.

 

I – A sabedoria divina dá aos homens um bom entendimento (v. 12): “Eu, a Sabedoria, habito com a prudência”, não com a sabedoria carnal (a sabedoria que vem do alto é contrária a ela, 2 Coríntios 1.12), mas com o verdadeiro discernimento, que serve para a ordenação correta do modo de vida, aquela sabedoria do prudente que é para entender o seu caminho, e é, em todos os casos, benéfica para orientar, a sabedoria da serpente, não somente para proteger do mal, mas para orientar no fazer o bem. A sabedoria habita com a prudência; pois a prudência é o produto da religião, e um adorno para a religião; e há mais invenções brilhantes descobertas com a ajuda das Escrituras, tanto para o entendimento correto das providências de Deus como para o combate eficaz aos estratagemas de Satanás, e para fazer o bem na nossa geração, do que jamais foram descobertas pelo aprendizado dos filósofos ou da política de estadistas. Nós podemos aplicar isto ao próprio Cristo; Ele habita com a prudência, pois toda a sua missão é a sabedoria de Deus envolta em um mistério, e nela Deus é abundante para conosco, em toda sabedoria e prudência. Cristo mostrou o valor desta obra tão rica, que lhe custou tanto, sim, a salvação do homem através da expiação que Ele ofereceu; esta é, de fato, uma obra admirável. Nós descobrimos muitas invenções, para nossa ruina; Ele revelou apenas uma, para nossa recuperação. O concerto da graça é tão bem ordenado, em todas as coisas, que devemos concluir que aquele que o ordenou habitou com a prudência.

 

II – Ela dá aos homens bons corações (v.13). A verdadeira religião, que consiste no temor ao Senhor, que é a sabedoria anteriormente recomendada, ensina os homens:

1. A odiar todo o pecado, como desagradável a Deus e destrutivo à alma: “O temor do Senhor é aborrecer o mal”, o caminho do mal, odiar o pecado como pecado, e por isto, odiar cada falso caminho. Onde houver temor a Deus haverá horror ao pecado, como um mal, como puro mal.

2. Odiar, particularmente, a soberba, e a paixão, outros dois pecados comuns e perigosos. O convencimento de nós mesmos, a soberba e a arrogância, são pecados que Cristo detesta, e também os detestam todos os que têm o Espírito de Cristo; todo indivíduo odeia estes pecados nos outros, mas nós devemos odiá­ los em nós mesmos. A boca perversa, a impertinência com os outros, Deus detesta, porque é inimiga à paz da humanidade, e por isto, nós devemos odiá-la. No entanto, deve ser dito, para a honra da religião, que ainda que ela seja acusada injustamente, ela está tão longe de tornar os homens convencidos e amargos, que não há nada mais diretamente contrário a ela do que a soberba e a paixão, nem algo que ela nos ensine a detestar mais.

 

III – Ela tem uma grande influência sobre questões públicas e o bem-estar de todas as sociedades (v. 14). Cristo, como Deus, tem força e sabedoria; a sabedoria e o poder são seus; como Redentor, Ele é a sabedoria de Deus e o poder de Deus. Para todos os que são seus Ele é feito, por Deus, tanto força como sabedoria; nele, essas coisas são acumuladas para nós, para que possamos conhecer e fazer o nosso dever. Ele é o maravilhoso conselheiro e dá aquela graça, que é, e somente ela, sabedoria genuína. Ele é o próprio entendimento, e tem uma fortaleza para todos os que se fortalecem nele. A verdadeira religião dá aos homens os melhores conselhos, em todas as situações difíceis, e ajuda a aplanar o seu caminho. Sob quaisquer aspectos, é entendimento, é fortaleza; será para nós tudo o que necessitarmos, tanto para nos ajudar em nossos serviços, como para aplacar os sofrimentos. Onde a Palavra de Deus habita ricamente, ela forma um homem perfeito e o capacita plenamente, para toda boa obra e palavra. Reis, príncipes e juízes, são os que, entre todos os homens, têm maior necessidade de sabedoria e força, de conselho e coragem, para o desempenho fiel da confiança depositada neles, como também para que possam ser bênçãos para as pessoas sobre as quais foram estabelecidos. E por isto a Sabedoria diz: “Por mim, reinam os reis” (vv. 15,16), isto é:

1. O governo civil é uma instituição divina, e aqueles a quem é confiada a sua administração receberam de Cristo a sua comissão; é um ramo do seu oficio real que, por Ele, reinam reis; dele, a quem todo juízo é confiado, é derivado o poder dos governantes terrenos. Eles reinam por Ele, e por isto devem reinar para Ele.

2. Quaisquer que sejam as qualificações para o governo que quaisquer reis ou príncipes têm, por elas eles terão uma dívida para com a graça de Cristo; Ele lhes dá o espírito do governo, e eles não têm nada, nenhuma habilidade, nenhum princípio de justiça, exceto aquilo com que Ele os capacita. Uma sentença divina está nos lábios do rei; e os reis são, para seus súditos, o que Ele faz deles.

3. A religião é a força e o esteio do governo civil; ela ensina aos súditos o seu dever, e por ela os reis os governam com mais facilidade; ela ensina aos reis o seu dever, e por ela, os reis reinam como deveriam; eles decretam justiça, enquanto governam no temor a Deus. Governam bem aqueles que são governados pela religião.

 

IV – Ela torna muito felizes, verdadeiramente felizes, a todos os que a recebem e aceitam.

1. Eles serão felizes no amor por Cristo; pois é Ele que diz: “Eu amo os que me amam” (v. 17). Os que amam ao Senhor Jesus Cristo com sinceridade serão amados por Ele com um amor distinto e peculiar: Ele os amará e se manifestará a eles.

2. Eles ficarão felizes com o sucesso de suas buscas por Ele: “Os que de madrugada me buscam”, os que buscam uma maior intimidade comigo e estão interessados em mim, que me buscam de madrugada, isto é, que me buscam fervorosamente, que me buscam antes de qual­ quer outra coisa, que começam cedo, nos dias da sua mocidade, a me buscar, “me acharão”. Cristo será deles, e eles serão seus. Ele nunca disse: “Buscai-me em vão”.

3. Eles serão felizes na riqueza do mundo, ou naquilo que é infinitamente melhor.

(1) Eles terão tantas riquezas e honras quanto a Sabedoria Infinita julgar que seja bom para eles (v. 18); elas estão com Cristo, isto é, Ele as tem para dar, e se Ele julgar adequado dá-las a nós, toda a honra deverá ser dele. A religião às vezes ajuda a tornar a;; pessoas ricas e grandes neste mundo, e lhes conquista fama, e assim aumenta os seus bens; e as riquezas que a Sabedoria dá aos seus favoritos têm duas vantagens:

[1] São riquezas e justiça, riquezas obtidas honestamente, não por meio de fraude e opressão, mas de maneira legal, e são usadas com caridade. pois as esmolas são chamadas de justiça. Aqueles cujas riquezas vêm da bênção de Deus, e do seu esforço pessoal, e que têm um coração inclinado a fazer o bem com elas. têm, de fato, riquezas e justiça.

[2] Portanto, são riquezas duráveis. A riqueza obtida pela vaidade logo será diminuída, mas aquilo que é obtido corretamente será bem usado e será deixado aos filhos dos filhos; aquilo que é bem usado em obras de piedade e caridade contribui para o melhor interesse, e, assim, será durável; pois os amigos feitos com as riquezas da injustiça (ou riquezas terrenas), quando estas falharem, nos receberão nos tabernáculos eternos (Lucas 16.9). Isto será descoberto depois de muitos dias, na eternidade.

(2) Eles terão o que é infinitamente melho1; se não tiverem riquezas e honras neste mundo (v.19): “Melhor é o meu fruto do que o ouro”, sim, algo que terá melhor proveito, que será de maior valor; e melhores são as minhas novidades do que a prata escolhida; elas terão um emprego melhor: Nós podemos nos assegurar de que não somente os produtos da Sabedoria, no final, mas a sua receita, neste ínterim, serão muito melhores do que as melhores possessões ou conquistas de propriedades deste mundo.

4. Eles serão felizes na graça de Deus, agora; ela será o seu guia no bom caminho (v. 20). Este é aquele fruto da sabedoria que é melhor do que o ouro, do que ouro refinado; ele nos conduz no caminho da justiça, e nos mostra esse caminho, e vai à nossa frente, o caminho em que Deus deseja que andemos e que certamente nos levará ao nosso fim desejado. Deus nos conduz no meio das veredas do juízo, e nos salva dos desvios, de qualquer lado. Pelo seu Espírito, Cristo guia os crentes em toda a verdade, e assim os conduz pelo caminho da justiça. e eles devem sempre andar no Espírito.

5. Eles serão felizes na glória de Deus, no futuro (v. 21). A Sabedoria conduz nos caminhos da justiça, não somente para que possa ajudar os seus amigos no caminho do dever e da obediência, mas para que possa fazê-los herdar bens permanentes e encher os seus tesouros, o que não pode ser feito com as coisas deste mundo, nem com nada menos do que Deus e o céu. A felicidade dos que amam a Deus e se dedicam ao seu serviço é substancial e satisfatória.

(1) É substancial: é a própria substância. É uma felicidade que subsistirá por si só, e se manterá, sem o apoio acidental de conveniências externas. As coisas eternas e espirituais são as únicas coisas reais e substanciais. A alegria em Deus é uma alegria substancial, genuína e bem fundamentada. As promessas são seus títulos, Cristo é sua garantia, e ambos são substanciais. Eles herdam substância; isto é, a sua herança futura é substancial; é um peso de glória, é substância (Hebreus 10.34). Toda a felicidade que tem, como herdeiros, é baseada na sua filiação.

(2) É satisfatória: não somente encherá as suas mãos, mas os seus tesouros, não somente os sustentará, mas os tornará ricos. As coisas deste mundo podem encher os ventres dos homens (Salmos 17.14), mas não os seus tesouros, pois não podem assegurar para eles bens por muitos anos; talvez eles possam ser privados dos bens esta noite. Mas mesmo que os tesouros da alma sejam tão amplos, há o suficiente em Deus, e em Cristo, e no céu, para enchê-los. Nas promessas da Sabedoria, os crentes têm bens acumulados, não apenas para dias e anos, mas para a eternidade; o seu fruto, portanto, é melhor do que o ouro.