PSICOLOGIA ANALÍTICA

A ESTRANHA RELAÇÃO ENTRE CADEIRAS E DEPRESSÃO

Cientistas já sabem que ficar mais tempo em pé, mesmo trabalhando em uma mesa, pode reduzir o risco de obesidade, várias doenças e até a morte; a novidade é que esse hábito ajuda a prevenir também estresse, ansiedade e outros transtornos mentais.

A estranha relação entre cadeiras e depressão

Elas estão por toda parte: em nossas casas, nos consultórios, escritórios, meios de transporte. Nós nos sentamos, viajamos, trabalhamos, comemos e namoramos nelas. Muitos permanecem sentados durante a maior parte de suas horas de vigília, 12 horas todos os dias, em média – sem suspeitar que as inocentes cadeiras podem representar um perigo para o corpo e para a mente. Em quase duas décadas, mais de duas dezenas de estudos, abrangendo quase 1 milhão pessoas, respaldam essa conclusão. Em 2010, por exemplo, a revista Circulation publicou artigo sobre um estudo no qual foi acompanhada a considerável amostra de 8.800 adultos durante sete anos. O grupo dos participantes que ficaram sentados por mais de quatro horas ao dia assistindo à televisão tiveram 46% mais mortes (por causas variadas) em comparação com os que permaneceram diante da tela por menos de duas horas. Outros pesquisadores descobriram que ficar sentado mais da metade do dia dobra o risco de diabetes e de problemas cardiovasculares. Em geral, ao combinarmos todas as causas de morte e compararmos qualquer grupo de sedentários com os mais ativos, os que pouco se movimentam têm 50% mais probabilidade de morte precoce.

Outra pesquisa realizada em conjunto pelas universidades de Victoria, no Canadá, e de Queensland, na Austrália, com 9 mil mulheres com idade entre 50 e 55 anos, descobriu que quanto mais longo era o período em que permaneciam sentadas, mais propensas se mostravam a ter sintomas de depressão. As voluntárias responderam a questionários regularmente, em 2007, 2004, 2007 e 2070. Os resultados, publicados no American Journal of Preventive Medicine, mostraram que as mulheres que ficavam sentadas por mais de sete horas por dia tinham um risco quase 50% maior de apresentar sintomas depressivos, se comparadas às que ficavam nessa posição por até quatro horas diárias. As mulheres que não se exercitavam tiveram risco 99% maior de depressão em comparação às mulheres que faziam atividade física por 30 minutos na maioria dos dias.

Cientistas australianos também descobriram que cadeiras podem contribuir ainda para o surgimento de outros problemas psicológicos. A equipe do estudo liderada pela psicóloga Michelle Kilpatrick, da Universidade da Tasmânia, concluiu que os funcionários públicos que ficavam sentados seis horas por dia no trabalho apresentavam taxas de ansiedade e depressão mais elevadas que os que andavam ou simplesmente ficavam mais tempo em pé. Os 3.367 voluntários responderam a perguntas sobre sintomas apresentados nas quatro semanas anteriores e foram avaliados segundo escala de medição de níveis de atividade física. Entre outros aspectos, foram considerados o tempo dedicado aos exercícios físicos nas horas livres e a satisfação geral com o ambiente de trabalho. Os profissionais que relataram ficar sentados por mais de seis horas por dia tinham maior prevalência de sintomas de ansiedade e depressão em relação àqueles que ficavam sentados por menos de três horas.

PERIGO PARA MAGROS

Não é novidade que ficar sentado por longos períodos é péssimo porque o corpo humano não foi projetado para ser ocioso. Trabalhei em pesquisa sobre obesidade por várias décadas e meu laboratório estudou o efeito do sedentarismo em profundidade desde o nível molecular até os hábitos que contribuem para o ganho de peso. A falta de movimento desacelera o metabolismo, reduzindo a quantidade de alimento convertida em energia, promovendo assim o acúmulo de gordura e o conjunto de doenças cardíacas, diabetes, artrite e muito mais, decorrentes do excesso de peso. A novidade, porém, é que permanecer sentado é ruim para os magros também. Sentar-se após uma refeição, por exemplo, leva a picos de açúcar no sangue, enquanto levantar-se após o almoço ou jantar pode cortar os picos ao meio.

Costumamos associar problemas de saúde a comida em excesso, não a longos períodos sentados. Minha experiência com pessoas que lutam contra o peso me levou a pensar que o hábito de sentar-se costuma ser tão pernicioso quanto comer em excesso. Ainda assim, um modo de vida sedentário pode ser mais fácil de mudar que hábitos alimentares.

Um paciente que chamarei aqui pelo nome fictício de Pedro, com 44 anos, 50 kg acima do peso e diabetes do tipo 2, disse-me um dia: “Não tenho saída, estou com indicação médica de começar a tomar injeções de insulina”. Eu o encaminhei para o meu laboratório da Clínica Mayo, onde medimos seu índice metabólico e expliquei que andar ao menos 3 km por hora aumentou seu consumo de energia em 200 calorias por hora. Depois, Pedro e eu caminhamos e conversamos. “Já pensou em conversar com seus clientes enquanto anda?”, perguntei. “Caminhando durante duas de suas reuniões diárias você queimará 400 calorias adicionais. “Pedro sorriu, mas levou minhas palavras a sério e iniciou caminhadas leves. Não fez dieta, mas mesmo assim, no primeiro ano após sua avaliação, havia eliminado 11,34 kg. E mais 4,54 kg no ano seguinte. Ele nunca precisou de insulina e, como ocorre com muitos diabéticos que perdem peso, parou de tomar medicamentos para controlar a diabetes por completo. Ele levou a ordem de “movimentar-se” para casa: começou a passear de bicicleta e ir a galerias de arte com a família.

Pedro não é o único bem-sucedido nessa área. Muitos estudos apoiam a visão de que movimentos simples exercem efeitos evidentes sobre a saúde. Além disso, não exigem idas à academia três vezes por semana ou corridas diárias, que as pessoas abandonam assim que a rotina se torna inconveniente. Movimento sem exercício, feito em vários períodos do dia, pode ser o truque. Trabalhadores, empresas e escolas já começaram a instituir diversas medidas que incentivam funcionários a se levantar da cadeira.

Grande parte dos sinais sobre os simples benefícios de andar durante o dia surgiu de estudos que meu grupo realiza desde 2001, comparando pessoas nas comunidades agrícolas com as que, como Pedro, vivem em ambientes urbanos. Para medir o ato de sentar-se e movimentar-se, pegamos roupas de baixo de Spandex (tecido elástico, resistente e confortável) e acrescentamos minúsculos sensores de postura e de movimento que captam a ação do corpo em 13 direções a cada meio segundo. Brincando, meus colegas e eu chamamos o equipamento de “lingerie mágica” – mas ela coleta diversos dados sérios. Pedimos a moradores do entorno de uma plantação de bananas, na Jamaica, a moradores de centros urbanos na capital da ilha, Kingston, e de cidades nos Estados Unidos para usar as roupas por dez dias. Descobrimos que jamaicanos de áreas rurais andam o dobro até mesmo que pessoas magras que vivem em Kingston e modernas cidades americanas. As de comunidades agrícolas sentam-se apenas três horas por dia, enquanto trabalhadores de escritório podem ficar sentados por 15 horas diárias. Devido a essa atividade aumentada, o trabalho agrícola queima 2 mil calorias por dia.

Fiquei intrigado com a ideia de que mudar o tempo sentado para caminhadas pudesse consumir tantas calorias. Denominei esse fenômeno de “termogênese de atividade sem exercício”, ou NEAT (na sigla em inglês). NEAT é a energia que uma pessoa gasta em sua rotina. Então, eu me perguntei se fazia diferença no peso dos que têm atividades similares com os mesmos tipos de trabalho e frequentam os mesmos ambientes.

Para termos ideia, comparamos pessoas magras e obesas nos Estados Unidos que viviam em ambientes semelhantes com dietas e trabalhos semelhantes. Fizemos nossos observados vestirem a roupa de baixo mágica, e ela revelou que os obesos permanecem sentados todos os dias 2,25 horas a mais que magros. Esses obesos sedentários consumiram 350 calorias a menos por dia em caminhadas e outras atividades NEAT que as pessoas magras.

O padrão era sugestivo, mas não definitivo. Para verificar se baixos índices dessas atividades sem exercício poderiam induzir a ganho de peso, pedimos a 16 voluntários magros para exagerar na comida, enquanto os monitoramos. Todos os dias, durante oito semanas, cada um recebeu mil calorias por dia além de suas necessidades normais de energia.

GENTE DE SORTE

Alguns de nossos voluntários eram como aqueles amigos – que todos parecemos ter – que não ganham peso apesar do consumo contínuo de biscoitos recheados. Esses voluntários não adquiriram quase nenhuma gordura corporal após oito semanas e um total de 56 mil calorias adicionais. Como permaneciam magros? Nossos sensores de roupa de baixo mostraram que aumentaram seus níveis de NEAT, embora nenhum deles dissesse ter feito um esforço consciente para isso. Em contraste, outros voluntários superalimentados depositaram quase todas as calorias adicionais em sua gordura corporal. Esses ganharam tanta gordura por não terem mudado seu NEAT – ficaram presos à cadeira.

Essas pessoas ignoraram a vontade de se movimentar, que é tão biológica quanto respirar. Em animais, o movimento permite que o agressor persiga, o ameaçado fuja, o predador alcance e o reprodutor encontre companheiros. Experimentos com roedores mostram que há circuitos complexos no cérebro que monitoram e respondem ao consumo de calorias, atividade e repouso. Estão localizados em uma área chamada hipotálamo, que também regula funções como temperatura e ciclos de sono-vigília.

Além disso, cientistas determinaram durante a última década que parte do hipotálamo controla o apetite e fará com que você fique com fome se passar um dia inteiro varrendo folhas. Enquanto isso, um sistema de feedback dos músculos detecta excesso de esforço muscular e sinaliza a uma pessoa para se sentar e descansar. O ambiente moderno baseado em cadeiras tem se sobreposto ao equilíbrio biologicamente determinado.

Mas a tecnologia, que nos coloca sentados, também pode fazer parte da solução. O celular, por exemplo, permite “conversas ambulantes”. Diversos dispositivos populares de monitoramento de atividades possibilitam que pessoas meçam a frequência com que se sentam ou ficam em pé ou se movimentam. Jogos de vídeo mais recentes, chamados Exergames, ligam computadores a competições físicas; o Nintendo Wii, que incentiva o movimento, virou o jogo.

O trabalho também pode se tornar mais ativo. A pedido de algumas empresas, meu laboratório projetou locais de trabalho que liberam funcionários do seu isolamento na cadeira. Uma empresa em St. Paul, Minnesota, incentivou reuniões em pé e ambulantes, colocando trilhas de caminhada nos carpetes. Uma empresa em Iowa desencorajou trabalhadores a enviar e-mail para colegas próximos, criando “zonas de trabalho livres de e-mail”; redes de computadores podem bloquear e-mail para computadores próximos.

Há uma década tive a ideia de criar uma mesa de trabalho-esteira como forma de permitir que funcionários de escritório trabalhassem enquanto se movimentavam. A unidade permite que pessoas caminhem enquanto trabalham. Um computador é colocado sobre uma mesa alta, e embaixo dela uma esteira de velocidade lenta (1,63 km por hora). Enquanto anda, a pessoa pode digitar, responder a e-mails e atender telefonemas. Naturalmente, como inventor, considero a mesa uma boa opção e fiquei contente quando um estudo publicado em Health Services Management Research em 2011 demonstrou que ela pode ser útil. Ele informou que pessoas que usam as mesas são mais magras, me no s estressadas e têm níveis mais baixos de pressão arterial e de colesterol.

Assim como no caso dos escritórios, as escolas podem se tornar locais mais ativos. Ajudamos a construir uma sala de aula, em Rochester, Minnesota, onde alunos praticavam ortografia enquanto passeavam, e matemática enquanto jogavam bola. Em ldaho Falis, uma sala de aula foi projetada para que todas as mesas com cadeiras fossem substituídas por mesas para ficar em pé que tinham uma “barra de movimento” para os alunos balançarem as pernas sobre elas. Estudos revelam que os frequentadores de escolas que promovem movimento são duas vezes mais ativos que os de escolas tradicionais e seus níveis hormonais são mais saudáveis.

Cidades podem ser reformuladas para incentivar o movimento. Análises realizadas em São Francisco e no Reino Unido demonstram que os bairros da cidade podem ser replanejados para desencorajar trajetos de carro. O tempo de locomoção aumenta em apenas alguns minutos, a qualidade do ar melhora, e as despesas médicas despencam. A vida livre de cadeiras não apenas promove a saúde, mas também poupa dinheiro.

Vivemos em meio a um mar de cadeiras assassinas: ajustáveis, giratórias, reclináveis, com braços, espreguiçadeiras, divãs, sofás, poltronas, de quatro pés, de três pés, de madeira, de couro, de plástico, de carro, de avião, de trem, de jantar e de bar. Essa é a má notícia. A boa notícia é que não precisamos usá-las. Pelo menos, por tanto tempo. Esta matéria, por exemplo, pode ser lida de pé. Ainda há tempo, é só se levantar!

A estranha relação entre cadeiras e depressão. 2

EM PÉ É MELHOR!

PARA PESSOAS que trabalham sentadas durante a maior parte do dia, especialistas recomendam fazer micropausas a cada 30 minutos (ou 60, no máximo). A ideia é levantar­ se e respirar fundo para aliviar a tensão muscular

Anúncios

OUTROS OLHARES

O MELHOR ANTIDEPRESSIVO QUE EXISTE

De Hemingway a Lena Dunham, muitas das mentes inquietas e criativas descobriram no movimento do corpo a forma mais eficaz de combater a ansiedade e depressão e de deixar fluir suas ideias.

O melhor antidepressivo que existe

Atriz, roteirista de Girls (HBO) e escritora Lena Dunham não esconde de ninguém sua luta contra transtornos da mente. A ansiedade e o TOC (transtorno obsessivo-compulsivo) da autora são abordados tanto na série como em seu livro “Não sou uma Deusa”, (Editora Intrínseca) e best-seller da Amazon. Foi apenas este ano, depois de muitos anos convivendo com os problemas diagnosticados ainda na infância, que Lena se surpreendeu com uma das formas mais eficazes que encontrou para combater a ansiedade. Postou em seu Instagram, embaixo de uma selfie, em trajes de ginástica, um incentivo aos seguidores que vivem os mesmos problemas.

Segundo a escritora, o exercício físico a ajudou de uma forma que ela nunca havia sonhado – e frisou que não estava se referindo ao corpo, mas à sua mente. “Para aqueles com ansiedade, TOC, depressão: sei que é irritante quando lhe dizem para se exercitar, e precisei de 16 anos de medicação para ouvir o conselho. E que bom que fiz isso”, revelou.

Assim, Lena é o mais novo nome do rol de escritores que descobriram que corpo e cérebro funcionam de forma interligada e, assim, encontraram no movimento uma fórmula imbatível de manter a mente sã e produtiva. Muitos outros buscaram no exercício físico o desbloqueio criativo: o filósofo Henry Thoreau dizia que seus pensamentos fluíam ao mesmo tempo em que suas pernas começavam a se mover: a escritora Joyce Carol Oates já escreveu que correr a ajuda a expandir a consciência e a encontrar ideias que jamais teria sentada em uma sala; o japonês Haruki Murakami e o americano Don De Lillo enxergam a prática da corrida como uma espécie de “encubação de ideias”, responsável pelo estado mental mais propício para o trabalho intelectual.

Já Hemingway, assim como Lena Dunham, encontrou no exercício uma tática para superar os tormentos da mente. Em 1936, o autor de O Velho e o Mar escreveu para o seu sogro, Paul Pfeiffer, que havia descoberto que cérebro e corpo precisam de exercício para o bom funcionamento “tanto quanto um motor precisa de óleo”.

Todas essas mentes repletas de tormentos, medos, angústias e muitas ideias confirmaram na prática aquilo que a Neurociência apenas recentemente está mostrando em laboratório: a atividade física é uma das formas mais eficazes de promover a plasticidade cerebral e reverter a toxidade causada por altos e constantes níveis de estresse. Ao liberar uma cascata de neurotransmissores e fatores de crescimento, o exercício – especialmente o aeróbico – ativa intensamente o córtex frontal, inibindo as funções inferiores e, assim, controlando a impulsividade. O aumento imediato de níveis de neuroquímicos como norepinefrina, serotonina, dopamina e canabinoides promovem melhoras na atenção, memória, humor e na autoestima, além de reduzir os níveis de estresse, ansiedade e raiva.

De acordo com o professor de Neuropsiquiatria da Escola de Medicina de Harvard John Ratey, autor de diversos livros sobre saúde mental, nenhuma outra maneira de tratar problemas como ansiedade e depressão atua de forma tão holística e sem efeitos colaterais. Ele destaca que a resposta positiva ao exercido físico é muito próxima à dos antidepressivos, mas sem as reações adversas e com um bônus: foi você o agente da mudança.

Um dos mais reveladores estudos sobre o efeito antidepressivo do esporte, realizado por pesquisadores da Duke University há alguns anos, comprovou que a prática de 30 minutos de exercício físico em dias alternados alcança a mesma eficácia que as pílulas no combate à depressão em curto prazo.

O estudo, que envolveu 158 pacientes diagnosticados com depressão severa, concluiu que, depois de seis meses, apenas 8% das pessoas comprometidas em se exercitar experienciaram relapso, contra 38% das pessoas tratadas com antidepressivos.

Aqueles que desejam desbloquear a criatividade e deixar fluir os pensamentos de forma mais lúcida, como muitos escritores e pensadores costumam fazer, também encontram respaldo na ciência. Um novo estudo da Universidade de Stanford, publicado no ano passado, comprovou que caminhadas aumentam a criatividade. Nos três testes de “pensamentos divergentes” aplicados entre 176 universitários, os resultados foram até 60% melhores depois ou durante as caminhadas.

Uma das razões para isso está no aumento de células nervosas no hipocampo. Recentemente, descobriu-se que alguma deficiência nessa estrutura, essencial para a memória, leva a uma incapacidade não apenas de recordar, como de imaginar. Assim, foi constatado que está também envolvida na capacidade de fazermos associações e criarmos conceitos de diferentes formas – ou seja, se sermos criativos.

Não é preciso nem de muito tempo nem de uma academia ou professor: basta inspirar-se em muitas das grandes mentes que há tempos já descobriram que suas habilidades mais notáveis se desenvolvem e se mantém a partir dos movimentos mais naturais do corpo – como andar e correr. É de graça, não tem contraindicações e traz um pacote de benefícios que remédio algum jamais conseguiu oferecer.

GESTÃO E CARREIRA

CARREIRAS IMUNES À CRISE

Assim como as empresas, os profissionais precisam fazer a leitura do cenário e executar movimentos rápidos que os mantenham competitivos.

Carreiras imunes à crise

A Kodak foi um ícone empresarial. Fundada em 1888, dominou o mercado de filmes para máquinas fotográficas por décadas. Era considerada uma das empresas mais inovadoras e um dos melhores empregadores dos Estados Unidos. Em 2012, pediu falência. O que aconteceu? Em resumo, a empresa brilhante de séculos passados não agiu com velocidade frente às mudanças do mundo digital. O mercado de fotografia mudou drasticamente, e a Kodak não fez a leitura correta. E o pior, ela possuía a tecnologia das máquinas digitais que vieram a dominar a escolha dos consumidores. Sucumbiu nas suas crenças do sucesso passado.

A lição da Kodak pode ser replicada na gestão da sua carreira. Todas as áreas passam por transformações. Assim como as empresas, os profissionais precisam fazer a leitura do cenário e executar movimentos que os mantenham competitivos. Os que conseguem fazer isso e agir rapidamente são disputados no mercado. Os que não fazem vão ficando obsoletos e iniciam uma lenta jorna- da de falência profissional.

A análise ágil das tendências de uma área é um elemento-chave no planejamento de carreira. Um profissional precisa estar sempre fazendo esse questionamento. Deve pesquisar qual é o conjunto de conhecimentos novos que sua área está demandando e fazer movimentos em busca disso. Chamo isso de identificar um “gap de oportunidade”. Um profissional de marketing, por exemplo, que aprofunda seus conhecimentos sobre o mundo digital, redes sociais e inovações tecnológicas certamente será estratégico numa organização. Aqueles que estão na contabilidade e buscam obter conhecimentos de controladoria também aumentam sua atratividade no mercado.

Essa descoberta sobre as tendências da sua área pode ser feita por meio de leituras, conversas com pessoas do mercado e a observação do rumo das áreas. Uma das competências mais importantes na carreira contemporânea é a capacidade de explorar. É a atitude inquieta que determina os profissionais com mais chance de sucesso. A revolução do mundo do trabalho continuará trazendo mudanças profundas nas carreiras e desafios cada vez maiores para profissionais. Isso exige um radar atento para acompanhar as transformações nos negócios e fazer movimentos em busca dos conhecimentos que vão impulsionar as organizações.

 

RAFAEL SOUTO – é fundador e CEO da consultoria Produtive, de São Paulo. Atua com planejamento e gestão de carreira, programas de demissão responsável e de aposentadoria.

ALIMENTO DIÁRIO

PROVÉRBIOS 7: 6 – 23

Pensando biblicamente

O Jovem louco; A sedução da adúltera

 

Aqui, Salomão, para reforçar a advertência que tinha feito, contra o pecado da prostituição, conta a estória de um jovem que foi completamente destruído pela sedução de uma adúltera. Uma estória como esta serviria para que os poetas profanos e libertinos de nossa era escrevessem uma obra de teatro, entretanto com eles a prostituta seria uma heroína; nada seria tão interessante para o público, nem lhes daria tanta diversão, como a sua arte para seduzir o jovem cavalheiro e atrair o dono de terras; as suas conquistas seriam celebradas como os triunfos da inteligência e do amor, e a comédia teria um final muito agradável; e cada jovem que a visse encenada desejaria ser seduzido desta maneira. Assim, os loucos zombam do pecado. Mas aqui Salomão narra a estória, e todos os homens sábios e bons a interpretam, como uma estória muito melancólica. O atrevimento da mulher adúltera é considerado, com muita razão, por todos os que têm em si alguma fagulha de virtude, com a maior indignação, e o desembaraço do homem é visto com a mais terna compaixão; e a estória é concluída com tristes reflexões, suficientes para fazer com que todos os que a leem e ouvem temam as armadilhas dos desejos carnais e tenham cuidado para manter a máxima distância deles.

Esta estória é, supostamente, uma parábola, ou um caso imaginário, mas eu creio que fosse verdadeira, e, o que é pior que apesar do aviso que ela transmite sobre as consequências fatais desses caminhos de iniquidade, ela é, muito frequentemente, verdadeira, e os agentes do inferno ainda jogam o mesmo jogo, e com sucesso similar.

Salomão era um magistrado, e, como tal, examinava os modos de seus súditos, olhando frequentemente pelas janelas da sua casa, para que pudesse ver com seus próprios olhos e fazer comentários sobre aqueles que mal imaginavam que fossem observados pelos olhos de Salomão. Salomão agia assim para que pudesse saber qual seria a melhor maneira de usar a espada que empunhava como um terror para os malfeitores. Mas aqui, ele escreve como ministro, como profeta, que, por ofício, é uma sentinela, para advertir sobre a aproximação dos inimigos, mostrando, particularmente, os locais onde estão em emboscada, para que não sejamos ignorantes sobre os ardis de Satanás, mas possamos saber onde devemos redobrar a guarda. Isto Salomão faz aqui, onde podemos observar o relato que ele apresenta:

 

I – Sobre o indivíduo tentado, e sobre como ele estava aberto à tentação, e por isto deverá agradecer somente a si mesmo se ela terminar na sua destruição.

1. Ele era um jovem (v. 7). Os desejos carnais são chamados de desejos da mocidade (2 Timóteo 2.22), não para atenuá-los, como enganos da juventude, e por isto, desculpáveis, mas, ao contrário, para agravá-los, por roubar de Deus o melhor do nosso tempo, e, ao enganar a mente que ainda é tenra, lançar uma fundação para uma vida devassa no futuro, e indicar que os jovens devem, de uma maneira especial, fortalecer suas resoluções contra este pecado.

2. Ele era um jovem falto de juízo, que saiu ao mundo, não com a base que deveria ter, de sabedoria e de temor a Deus. e assim se aventurou ao mar sem lastro, sem piloto, sem cordas e sem bússola; ele não sabia como se apartar do mal, o que é a inteligência: “Eis que o temor do Senhor é a sabedoria” (Jó 28.28). Presas fáceis para Satanás se tornam aqueles que, depois de terem alcançado a estatura de homens, mal têm o entendimento que até as crianças possuem.

3. Ele tinha más companhias. Ele era um jovem entre os jovens, um jovem tolo entre os simples. Se, consciente da sua própria fraqueza, ele tivesse se associado com os que eram mais velhos e mais sábios do que ele mesmo, poderia ter havido esperanças para ele. Cristo, aos doze anos de idade, conversou com doutores, para dar aos jovens um exemplo disto. Mas, se aqueles que são simples escolhem como seus companheiros os que são como eles, ainda serão simples, e insensibilizados, na sua simplicidade.

4. Ele passeava, e não tinha nada para fazer, mas passava pelas ruas como alguém que não sabia como se ocupar. Um dos pecados da impura Sodoma foi a abundância de ociosidade (Ezequiel 16.49). Ele andava de maneira imponente, todo empertigado; este é o significado da palavra, segundo dizem. Ele parecia ser “um almofadinha”, agradável e formal, de cujas qualidades a principal era vestir-se bem e andar com boa aparência; uma presa fácil para aquela ave de rapina.

5. Ele andava à noite, odiando e zombando das atividades que devem ser realizadas durante o dia, das quais a noite chama os homens para o seu repouso; e, tendo comunhão com as obras infrutíferas das trevas, ele começa a se mover no crepúsculo (v. 9). Ele escolhe a noite escura como a mais apropriada para o seu propósito, e não as noites mais iluminadas pela lua, quando ele poderia ser descoberto.

6. Ele desvia o seu curso em direção a casa daquela que ele julga que poderá diverti­ lo, e com quem ele poderá ser feliz; ele se aproximou da esquina, do caminho da casa dela (v. 8), contrário ao conselho de Salomão: “Não te aproximes da porta da sua casa” (Provérbios 5.8). Talvez ele não soubesse que este era o caminho para uma casa abominável, mas, ainda assim, era um caminho em que ele não tinha nada para fazer; e quando não temos nada para fazer, o diabo rapidamente nos arranjará algo para fazer. Devemos tomar cuidado, não somente com os dias de ociosidade, mas também com as noites de ociosidade, para que não sejam portas de entrada para a tentação.

 

II – Sobre a pessoa que tenta, não uma prostituta comum, pois era uma mulher casada (v. 19), e, pelo que parece, tinha boa reputação entre seus vizinhos, não sendo suspeita de nenhuma iniquidade deste tipo, porém ainda assim, ao cair da noite, quando seu marido estava fora, se comportava de uma forma abominavelmente atrevida. Aqui, ela é descrita:

1. Pelo seu modo de vestir. Ela tinha “enfeites de prostituta” (v. 10), vistosos e espalhafatosos, que a apresentavam como uma beldade; talvez ela se pintasse, como Jezabel, e saísse com seu pescoço e seus seios quase desnudos, ou vestidos de maneira descuidada. A pureza do coração se exibirá na modéstia da roupa, que convém às mulheres que professam ser piedosas e religiosas.

2. Por sua habilidade e astúcia. Ela tem astuto coração, é amante de todas as artes da sedução, e sabe como, com todas as suas carícias, servir aos seus próprios e vis propósitos.

3. Por seu tempera­ mento e sua postura. Ela é alvoroçadora e contenciosa, é faladeira e determinada, voluntariosa e obstinada, e dirá o que quiser, certo ou errado, é impaciente e impossível de controlar, e não tolerará ser aconselhada, e muito me­ nos repreendida, seja por seu marido ou seus parentes, ministros ou amigos. Ela é uma filha de Belial, que não tolerará nenhum jugo.

4. Por seu lugar, não a sua própria casa; ela odeia o confinamento desse lugar; não paravam em casa os seus pés, não mais do que a necessidade exigia. Ela anda fora de casa, trocando de lugar e de companhia. Ora ela está fora, no campo, com o pretexto de tomar ar, ora está nas ruas da cidade, com o pretexto de ver como está o mercado. Ela está aqui, e ali, e em todos os lugares, exceto onde deveria estar. Ela espreita por todos os cantos, para apanhar quem puder ser a sua próxima presa. A virtude é um suplício para aqueles para os quais o lar é uma prisão.

 

III – Sobre a tentação, propriamente dita, e o controle dela. Ela encontrou o jovem “almofadinha”. Talvez ela o conhecesse; de qualquer maneira, ela soube, pelos modos do rapaz. que ele era o que ela desejava; assim, ela o tomou pelo pescoço e o beijou, contrariamente a todas as regras da modéstia (v. 13), e não esperou pelos seus cumprimentos nem pela sua corte, mas, com rosto atrevido, o convidou, não somente para a sua casa, mas para a sua cama.

1. Ela o convidou para cear com ela (vv. 14,15): “Sacrifícios pacíficos tenho comigo”. Com isto, ela lhe dá a entender:

(1) A sua prosperidade – ela insinua que estava cercada de tantas bênçãos que tinha a oportunidade de oferecer sacrifícios pacíficos, como sinal de alegria e gratidão; ela era próspera no mundo, de modo que ele não precisava temer ser roubado.

(2) A sua profissão de piedade. Ela tinha estado no templo, e era tão respeitada ali como qualquer pessoa que adorasse nos átrios do Senhor. Ela tinha pagado seus votos, e, segundo pensava, tinha equilibrado suas contas com o Deus Todo-Poderoso, e por isto podia se aventurar em um novo conjunto de pecados. Observe que as demonstrações externas de religião, se não insensibilizarem o homem contra o pecado, o insensibilizarão nele, e encorajarão os corações carnais a se aventurarem nele, com a esperança de que, quando chegarem ao ajuste de contas com Deus, Ele se considerará tão em dívida com eles, por seus sacrifícios pacíficos e seus votos, como eles estarão em dívida com Ele. por seus pecados. Mas é triste que uma demonstração de piedade se torne o abrigo da iniquidade (o que realmente duplica a vergonha pela iniquidade, e a torna ainda mais pecaminosa), e que os homens confundam suas consciências com aquelas coisas que na verdade deveriam alarmá-las. Os fariseus faziam longas orações, para que pudessem, de maneira mais plausível, continuar com suas disposições cobiçosas e enganosas. A maior parte da carne, na oferta pacífica, devia, por lei, ser de­ volvida a quem fazia a oferta, para que festejasse com seus amigos, e (se fossem ofertas de paz ou de ação de graças) devia ser consumida integralmente no mesmo dia, e não deveria sobrar nada até a manhã seguinte (Levítico 7.15). Esta lei de caridade e generosidade é usada de maneira inapropriada pela prostituta, para ser um pretexto para a gula e os excessos: “Vem”, diz ela, “vem para casa comigo, pois eu estou com muito bom humor, e somente quero boa companhia para passar o tempo”. Era uma pena que as ofertas de paz se tornassem, desta forma, ofertas de expiação, e que aquilo que era designado para a honra de Deus se tornasse o combustível para um vil desejo. Mas isto não é tudo.

(3) Para fortalecer a tentação,

[1] ela finge ter por ele um afeto maior do que tem por qualquer outro homem: por isto, porque tenho uma boa ceia sobre a mesa, saí ao teu encontro, pois nenhum amigo do mundo será tão bem-vindo a ela como tu (v.15). Tu és aquele a quem saí ao encontro, eu saí a buscar diligentemente a tua face, e vim, eu mesma, e não enviei um servo. Certamente, ele não pode negar-lhe a sua companhia, uma vez que ela a valoriza tanto, e fez todos estes esforços para obtê-la. Os pecadores se esforçam para fazer o mal, e são como o próprio leão que ruge; eles saem, buscando o que devorar, mas fingem que estão buscando alguém para fazer um favor.

[2] Ela deve ter pensado que a própria Providência concordava com a sua escolha de companhia, pois com que rapidez ela encontrou aquele a quem buscava’.

2. Ela o convidou para se deitar com ela. Eles se sentarão, para comer e beber, e então se levantarão para se divertir, de modo brincalhão e devasso, e haverá uma cama preparada para eles, onde o jovem encontrará aquilo que será, em todos os aspectos, muito agradável para ele. Para alegrar os seus olhos, ela está preparada com cobertas de tapeçaria, com obras lavradas; ele nunca viu nada semelhante. Para agradar ao seu toque, os lençóis não são de tecidos da região, são trazidos de longe, e muito caros, são de linho fino do Egito (v. 16). Para gratificar o seu olfato, ela está perfumada com os mais doces aromas (v. 17). “Vem, saciemo-nos de amores” (v. 18). De amores, diz ela? Ela quer dizer, de luxúria, pura luxúria; mas é uma pena que o nome do amor seja assim usado tão inapropriadamente. O amor verdadeiro vem do céu: isto vem do inferno. Como podem ter a pretensão de se consolar e se amar, uns aos outros, os que estão, na verdade, se destruindo. a si mesmos, e uns aos outros?

3. Ela previu a objeção que ele poderia fazer, sobre o perigo da situação. Ela não é a esposa de outro homem? E se o marido os flagrasse em adultério, no próprio ato? Ele faria com que eles pagassem caro por sua diversão, e onde estaria, então, a consolação do seu amor? “Não temas”, diz ela, o bom homem “não está em casa” (v. 19); Algumas versões não trazem “marido”, mas “o bom homem”, o “bom homem da casa, de quem estou cansada”: ela abandona o guia da sua mocidade e se esquece do concerto do seu Deus. Assim a esposa de Potifar, quando falava de seu esposo, não o chamava assim, mas o chamava de “ele” “(ele] trouxe-nos…”; Genesis 39.14). É, portanto, observado com boa razão, para louvor de Sara que ela falava respeitosamente de seu esposo. chamando-o de senhor. Esta mulher se alegra com o fato de que ele não está em casa, e por isto fica melancólica se não tiver alguma companhia; portanto, terá completa liberdade com qualquer companhia que tenha, pois não está sob os olhos de seu esposo, e ele jamais saberá. Mas ele não retornará em breve? Não: “foi fazer uma jornada ao longe”, e não retornará repentinamente; “só no dia marcado voltará a casa”, ele nunca volta antes do prometido. “Um saquitel de dinheiro levou na sua mão”, para:

(1) “Fazer negócios. comprar bens e não voltará até que tenha feito todos os seus negócios. É uma pena que um homem honesto seja tratado de uma forma tão abusiva, e que alguém aproveite a sua ausência para lhe fazer o mal, quando se ausenta a negócios em busca do bem de sua família. Ou,

(2) “Divertir-se”. Seja justamente ou não, ela insinua que ele era um mau esposo; assim, ela o descreve, porque estava decidida a ser uma má esposa, e precisa ter esta desculpa; isto é frequentemente sugerido, infundadamente. mas nunca é uma desculpa suficiente. Ele obtém os seus prazeres, e gasta fora o seu dinheiro (diz ela), “e por que eu não faria a mesma coisa em casa?

 

IV – Sobre o sucesso da tentação. Prometendo ao jovem tudo o que era agradável, e impunidade no desfrute do prazer, ela conseguiu o seu objetivo (v. 21). Aparentemente, o rapaz, embora muito simples. não tinha má intenção – uma palavra, um sinal, um olhar, teria obtido o intento, e não teria havido necessidade de todo este discurso; mas embora ele não tencionasse nada deste tipo, ou melhor, tivesse algo em sua consciência que se opunha a isto, a mulher, com suas palavras muito bonitas, o convenceu. As corrupções dela, por fim, triunfaram sobre as convicções dele, e as determinações dele não foram suficientemente fortes para resistir a ataques tão astutos como estes, mas com a adulação de seus lábios ela o forçou; ele não conseguiu fechar seus ouvidos para tal encanto, mas se entregou cativo a ela. As moças que possuem sabedoria, que defendem a sua honra, e têm a razão ao seu lado, e têm prazeres verdadeiros e divinos que podem compartilhar com as outras pessoas, só encontram ouvidos fechados para si, e nem com toda a sua retórica conseguem atrair os homens. Isto ocorre devido ao grande domínio do pecado nos corações dos homens; as atrações do pecado é que prevalecem, através da falsidade e das lisonjas. Com que piedade Salomão observa aqui este jovem tolo. quando vê que ele segue a adúltera!

(1) Ele o considera perdido. Ai! ele está destruído, ele vai para o matadouro (pois as casas de impureza são matadouros para as almas preciosas); uma flecha logo lhe atravessará o fígado; saindo sem seu peitoral, ele receberá o seu ferimento ele morte (v. 23l. É a sua vida, a sua preciosa vida, que é assim perdida, de maneira irrecuperável; ele está completamente perdido para todo o bem; a sua consciência foi corrompida; uma porta se abriu para todas as outras iniquidades, e isto certamente culminará na sua perdição eterna.

(2) O que torna o seu caso ainda mais merecedor de piedade é o fato de que ele não se dá conta de sua infelicidade e perigo; ele vai cego, ou melhor, rindo, para a sua ruína. O boi pensa que está sendo levado ao pasto, quando, na verdade, é levado ao matadouro; o louco (isto é, o bêbado, pois, de todos os pecadores, os bêbados são os mais loucos) é levado ao castigo das prisões, e não percebe a desgraça disto, mas vai como se fosse para uma brincadeira. A ave que se apressa para o laço vê somente a isca, e se promete um bom pedaço dela, e não sabe que ele está ali contra a sua vida. Assim, este homem insensato e incauto não sonha com nada, senão os prazeres que terá nos abraços da prostituta, enquanto está se precipitando na sua própria ruína. Embora aqui Salomão não nos diga se ele executou a lei contra esta infame prostituta, não temos razão para pensar que ele não tenha feito isto, estando, ele mesmo, tão afetado pela maldade que ela tinha feito, e tão indignado por isto.