PSICOLOGIA ANALÍTICA

DEPENDENTES DE BRONZEAMENTO

Luz ultravioleta ativa as mesmas vias de recompensa cerebral que drogas opioides, como a heroína.

Dependentes de bronzeamento

Apesar da conhecida associação entre bronzeamento sem proteção e risco de câncer de pele, muitos se expõem ao sol em excesso durante o verão. De acordo com um estudo publicado na Cell, isso ocorre por motivações que vão muito além da vaidade de “pegar uma cor”. No experimento relatado, camundongos ficaram dependentes de betaendorfina, uma molécula opioide endógena produzida pela pele quando exposta à luz ultravioleta.

Pesquisadores do Hospital Geral de Massachusetts examinaram minuciosamente o sistema opioide, o caminho da recompensa percorrido por drogas como a heroína. Trabalhos anteriores já haviam constatado que a betaendorfina e o pigmento da pele, a melanina, se originavam da mesma proteína. Outros estudos também apontam nessa direção: pessoas que se bronzeiam frequentemente apresentaram sintomas de abstinência quando ingeriram uma droga que bloqueou os receptores opioides.

Nesse novo estudo, cientistas submeteram ratos depilados a uma dose diária de luz ultravioleta suficiente para bronzear, mas sem provocar queimaduras – equivalente a 20 ou 30 minutos do sol do meio-dia da Flórida para um ser humano de pele clara. Depois de alguns dias, os níveis de betaendorfina aumentaram no sangue dos camundongos. Em seguida, os pesquisadores avaliaram, com calor e toque, a tolerância à dor, um marcador da dependência de drogas opioides. Os ratos submetidos aos raios UV demonstraram limiar até três vezes mais elevado do que os ratos que não passaram pelo bronzeamento. A resistência ao incômodo aumentou na mesma medida em que os níveis de betaendorfina se elevaram.

Quando os ratos bronzeados receberam um bloqueador opioide, o limiar de dor voltou ao normal. Os animais apresentaram também sintomas de abstinência, como tremores nas patas e ranger de dentes, chegando a modificar comportamentos para evitá-la: aqueles que receberam bloqueadores de opioide em uma caixa escura preferiam passar o tempo em uma branca, apesar da propensão natural dos roedores a ambientes sem iluminação.

Seres humanos e ratos compartilham esses processos químicos. “A betaendorfina pode causar dependência em pessoas”, acredita o coautor do estudo, David Fisher, diretor do Programa Melanoma no Hospital Geral de Massachusetts. “Tomar sol é gratificante para o cérebro porque precisamos de vitamina D”, explica. O próximo passo, diz, é investigar se há relação desses processos com transtornos afetivos sazonais, o que pode permitir um novo alvo terapêutico.

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OUTROS OLHARES

BEBÊS SOB MEDIDA

Por que não devemos deixar nosso medo da desigualdade impedir o progresso tecnológico que poderia tornar a próxima geração mais saudável, feliz e inteligente.

Bebês sob medida

Imagine inovações tecnológicas que nos permitam gerar filhos livres de doenças genéticas – ou, pelo menos, com um risco bastante reduzido de tê-las. Imagine, ainda, que possamos nos assegurar de que as crianças do futuro sejam significativamente mais inteligentes, saudáveis e, no geral, mais capazes que as do passado. Deveríamos dar boas-vindas a esse futuro! No entanto, muitos veem com alarme a perspectiva de designer babies, ou bebê geneticamente modificado. Um artigo recente, publicado na prestigiosa MIT Technology Review, mostra algumas das razões para esse alarme – e por que tais reações negativas são problemáticas. Há uma forte tendência de julgar inovações tecnológicas de alto padrão, ao mesmo tempo que se relevam sérios problemas no status quo.

A autora do artigo, a jornalista cientifica Laura Hercher, não condena o uso de triagem genética para assegurar que bebês estejam livre de doenças. Sua preocupação é que isso criará desigualdades perigosas, porque nem todo mundo terá acesso à novas tecnologias, principalmente no começo. Segundo Hercher, alguns serão incapazes de se beneficiar delas, porque lhes faltam recursos ou instalações disponíveis em sua região geográfica. Outros se recusarão a utilizá-la porque a “tecnologia reprodutiva é menos aceita em grupos raciais, étnicos e religiosos nos quais ser visto como infértil carrega um estigma”. A menos que essas desigualdades sejam eliminadas, ela argumenta, bebês geneticamente modificados criarão disparidades perigosas.

“Nosso desconforto acerca de designer babies sempre teve a ver com o fato de que tal tecnologia torna tudo mais desigual – pega iniquidades existente e a transforma em algo inato. Se não abordarmos essas diferenças, arriscamos criar uma sociedade na qual alguns grupos, por causa de sua cultura, geografia ou pobreza, carregam um fardo maior de doença genética. O que poderia ocasionar uma mudança mais profunda numa sociedade do que tomar doenças genéticas – algo que sempre foi a epítome de nossa humanidade compartilhada – e transformá­la em algo que só acontece com algumas pessoas?”, pontua Hercher em seu artigo.

O problema com essa crítica aos bebês geneticamente modificados é que ela ignora problema muito maia graves no status quo. Já vivemos numa sociedade em que doenças genéticas só “acontecem com algumas pessoas”. Acontecem apenas com os azarados o suficiente para nascerem com os genes errados. São há dúvidas de que aqueles nessa categoria – e sua família – “carregam um fardo maior de doença genética”. Quando eu estava no ensino médio, havia um garoto em minha rua que tinha síndrome de Down. É bem óbvio que o fardo da doença genética está muito mais presente nele do que em mim.

Tampouco é verdade que os perigos de uma doença genética estejam distribuídos igualmente na sociedade, no sentido de que qualquer família tem mais ou menos o mesmo risco de passá-la para seus filhos. Nada é mais distante da verdade do que isso. Na maioria dos casos, os filhos têm mais chances de desenvolver uma doença genética se há um histórico dessa doença na família. Algumas atingem desproporcionalmente grupos raciais ou étnicos específicos. A doença de Tay-Sach, por exemplo, e tá em grande parte confinada a judeus asquenazes e outros poucos grupos.

Ainda que a tecnologia de designer babies esteja disponível para algumas famílias, mas não para todas, ela poupará muitos pais do risco de repassarem doenças genéticas. Também reduzirá a de igualdade de modo geral, ao diminuir a percentagem da população afetada por elas. A tecnologia pode ser valiosa para famílias e grupos étnicos com um histórico de doenças genéticas que, de outras maneiras, teriam de fazer a dolorosa escolha entre privar- e de ter filho – com exceção, talvez, de adoção – ou arriscar passar adiante uma condição debilitante.

Como com qualquer outro avanço tecnológico, a opção de bebês modificados provavelmente estará disponível para o mais abastado ante de se estender para o restante da população. Dado o precedente, porém, é provável que ela se torne mais barata com o tempo e se estenda para ainda mais pessoas. Mesmo aquelas que não puderem aproveitar a nova tecnologia no início – ou aquele que implemente não quiserem ou não necessitarem – poderão se beneficiar de sua introdução. Elas também viverão melhor numa sociedade onde menos pessoas sofrerão perda de seu potencial por doença genética; logo, mais pessoas poderão ter uma vida feliz e produtiva.

Imagine que, graças à tecnologia, a família Jones tenha uma filha sem síndrome de Down ou sem doença de Tay-Sachs, que, em outras circunstâncias, poderiam tê-la afligido. O resultado disso é que ela cresce e se torna uma cientista bem-sucedida. Ela e o resto dos Jones não serão os únicos que estarão melhor. Outros se beneficiarão de novas descobertas feitas por ela. Se você multiplicar esse efeito por milhares de outros casos parecidos, fica claro que bebês geneticamente modificados podem ter um grande potencial de impacto positivo na sociedade, mesmo que a tecnologia não se torne universalmente disponível.

Como Hercher aponta, muitas pessoas que aceitam o uso da tecnologia para antecipar doença e opõem a seu uso para “melhorar” a capacidade de crianças – para deixá-las mais inteligentes, fortes ou saudáveis, por exemplo -, outro foco de preocupações sobre desigualdade. Se algumas famílias são capazes de aumentar o Q.I. de sua criança por meio de intervenção genética, enquanto outras não, os filhos dessas primeiras podem ter uma vantagem “injusta”.

Assim como as preocupações de Hercher sobre o uso da tecnologia para prevenir doenças genéticas, esse tipo de argumento ignora a enorme desigualdade já existente no status quo. Algumas pessoas já têm grandes vantagens em relação a outras devido, em parte, a dotes genéticos distintos. A tecnologia de bebês modificados poderia reduzir essas desigualdades na mesma medida que as aumenta. Por exemplo, se ela permite que uma grande parte da sociedade aumente seu Q.l. para, digamos, 150, crianças que teriam retardo mental se beneficiarão muito mais do que aquelas que teriam uma inteligência relativamente alta de qualquer forma.

E, assim como a prevenção de doenças, o aprimoramento genético pode ser uma bênção até para aquele que não se beneficiarão dela diretamente. Pessoas que são mais inteligentes e saudáveis também serão mais produtivas. E o restante da sociedade – incluindo aquele que não têm nenhuma “melhoria” genética – poderão aproveitar a produtividade extra. Para a maioria, os efeitos provavelmente serão grandes o suficiente para superar qualquer impacto negativo de ter de competir com os “melhorados” por empregos ou oportunidade educacionais específicas. Se você duvida disso, considere se sua vida estaria melhor caso alguma força cósmica do Universo assegurasse que o Q.I. de todo mundo ficasse abaixo de 120 e apenas o seu fosse muito mais alto que isso. Você estaria, então, numa posição muito melhor para competir por emprego que requerem inteligência. Mas é mais provável que você estivesse muito pior do que antes, de modo geral, por causa do declínio em produtividade no restante da sociedade. E, e reduzir a habilidade de outro membro da sociedade piora sua vida, é provável que bloquear tecnologia que possa aumentar a produtividade de todos também piore.

Além de aumentar a produtividade e inovação, o aprimoramento genético pode ajudar a mitigar problema de ignorância política, que atualmente têm um impacto muito negativo em políticas públicas. Aqui também podemos nos beneficiar do aprimoramento de outros, mesmo que nossos genes permaneçam os mesmos.

Nem a prevenção de doenças genéticas nem o aprimoramento de habilidades é um jogo de soma zero em que os ganhos de alguns só podem vir à custa de outros. Ao contrário, melhoria para uns também fornecem benefícios para muitos outros, incluindo aqueles com genes “normais”.

Assim como com outros tipos de cuidados médicos, há uma justificativa para o governo subsidiar aprimoramento genético para os filhos dos pobres, já que reduzir a incidência de doenças genéticas pode reduzir também os custos de assistência médica a longo prazo. Entretanto, mesmo na ausência desses subsídios, a tecnologia de bebês geneticamente modificados provavelmente trará mais benefícios do que danos.

Apesar de meu entusiasmo pelos designers babies, apontarei algumas ressalvas. Primeiro, cria perigo ao permitir que o governo esteja encarregado de manipulações genéticas. Entre outras coisas, governantes poderiam se aproveitar para assegurar que a próxima geração tenha as mesmas visões políticas do partido no poder (a orientação política é, em parte, geneticamente determinada). A solução para esse problema é deixar essas questões a cargo dos pais, em vez dos funcionários do governo, a não ser, talvez, por alguns padrões de segurança.

Um segundo perigo é que alguns aprimoramentos podem não ser socialmente benéficos, mas apenas combustível para uma “corrida armamentista” de soma zero. Por exemplo, alguns dados sugerem que pessoas mais altas têm vantagem ao competir por emprego e parceiros. É improvável, entretanto, que a sociedade estivesse melhor se todos fossem 30 centímetros mais altos. A altura é primariamente um “bem posicional”, cujo benefício vem de ser mais alto que os rivais. Usar o aprimoramento genético para aumentar o tamanho das pessoas tem o potencial de fazer mais mal do que bem. Podemos ter uma população mais alta que precisa de mais comida e outros recursos, mas essa mudança não traria nenhum benefício para a sociedade em geral.

Suspeito que casos desse tipo são a exceção, não a regra. A maioria do aprimoramento que beneficiam o indivíduo também é provavelmente benéfica para a sociedade. Ainda assim, essa é uma questão a ser considerada.

Por fim, é possível que a tecnologia de designer baby nunca avance a ponto de podermos fazer intervenções além da muito modestas. Também é legítimo considerar a segurança e confiabilidade das inovações. Não tenho expertise científica para analisar essas questões. Mas, se designer babies são de fato viáveis, deveríamos querer que essas tecnologias se espalhem o mais rápido possível, e não que seja bloqueada por preocupações quanto à desigualdade.

Bebês sob medida. 2

GESTÃO E CARREIRA

EQUIPE NO SUFOCO

A crise econômica encolheu as equipes e, como consequência, as sobrecarregou. Atualmente é comum um funcionário desempenhar várias funções para suprir a falta de outro. A grande questão das empresas tem sido driblar o estresse, o cansaço e a baixa produtividade do grupo.

Equipe no sufoco

A combinação crise econômica, política, diminuição da equipe, concorrência por preços baixos, competitividade, impostos estratosféricos e corte de custos são alguns dos problemas pelos quais as empresas passam. Tudo isso tem feito com que muitas tarefas sejam realizadas por apenas uma pessoa, a produtividade caia e o estresse tome conta de tudo.

É inquestionável que a situação atual do mundo empresarial tem elevado ainda mais um dos maiores problemas da modernidade, o estresse, e por conta dele há a diminuição da produtividade dos trabalhadores.

Uma equipe menor tem que dar conta de mais trabalho, melhorar a produtividade, fazer frente à concorrência e mostrar perfeição em suas tarefas.

Contudo, o que uma pequena em­ presa com equipe enxuta pode fazer? Ela não consegue contratar mais porque precisa de mais “trabalho” para isso, mas, ao mesmo tempo, se pegar “mais tarefas”, prejudica a equipe. Como resolver esses problemas?

Não é nada fácil, mas algumas ações podem facilitar isso, entre elas, a prática do feedback do líder com os funcionários, o conhecimento dele sobre as motivações e sonhos de seus liderados, o desenvolvimento de uma comunicação estratégica, a promoção do corporativismo, entre outras.

O ESTRESSE E A SOBRECARGA

Segundo um estudo realizado pela International Stress Management Association (lsma – Brasil), o nosso País é o segundo mais estressado do mundo em um ranking com dez.

O principal motivo levantado pelos participantes da pesquisa é o trabalho. Dentro desse tópico estão: trabalho levado para casa, falta de tempo para atividades relaxantes, longas jornadas, sobrecarga de tarefas e tensão no ambiente corporativo.

Por conta desse problema, segundo dados da Previdência, só no ano de 2015 foram feitos 2.899 pedidos de afastamento pelos trabalhadores. O estresse perde somente para os traumas ósseos e para as lesões causadas por esforço repetitivo como razão para afastamento do trabalho.

A psicóloga da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo, Rita Calegari, explica que o gestor precisa se preocupar com a saúde física e emocional dos funcionários, e isso significa otimizar onde vai investir. “Os atestados e turn over serão uma realidade difícil de gerir e que se tornarão um problema a mais para o alcance de êxito da empresa. Quanto mais ineficazes são o processo e a gestão, me­ nos se alcança o resultado e mais se cobra das pessoas, que passam a entregar cada vez menos e pior”, lembra.

Para isso, Rita indica alguns pontos importantes para a empresa observar, entre eles, priorizar as atividades, extraindo o essencial a ser entregue para sua sustentabilidade e marca; automatizar o máximo de atividades possível; investir em bons equipamentos, que sejam ágeis, fáceis de manusear e práticos; investir em sistemas de informática que otimizem a busca por dados, informações e atividades; ter gestores maduros e com experiência na atividade; desenvolver fluxos de eficiência usando ferramentas de gestão.

Para aumentar a produtividade da empresa é necessária a presença de: boa gestão, visão de negócio, capacidade de priorização, coerência organizacional, agilidade nas soluções, processos pouco burocratizados, envolvimento da equipe, processo de delegar maduro, compartilhar sucesso, ouvir a equipe, acatar sugestões, assumir erros com transparência, investir nas relações interpessoais e na qualidade dos processos.

TRABALHO EM EQUIPE E MUDANÇAS DE MENTALIDADES

Além do estresse dos funcionários sobrecarregados, a empresa tem que lidar com outras questões que causam desgaste em seus mecanismos de funcionamento. Entre eles estão a insegurança, as frustrações, medo de perder o emprego e o descontentamento por conta das pressões, cobranças do chefe e dos clientes. Os trabalhadores recebem o mesmo salário para fazer o dobro ou o triplo. Como o líder pode minimizar esse quadro?

Uma das coisas que ele não deve fazer é se isolar e tentar solucionar a situação sozinho. É preciso fazer o contrário, aproximar-se da equipe, procurar ouvi­la e em conjunto arrumar uma adequação que contribua com todos.

O gestor deve ler a compreensão exata daquilo que os funcionários pensam e sentem para conseguir desenvolver uma estratégia. Um dos principais lemas é engajar a equipe no processo, fazê-la vestir a camisa.

Deve também criar um planejamento que vai desde a organização das tarefas diárias até pequenas coisas, como a arrumação de arquivos e documentos. É preciso pensar em economizar tempo, energia, estimular todos e muitas vezes mudar as mentalidades.

A consultora de Estratégia em Gestão de Pessoas e coach Sabrina Espíndola explica que a empresa pequena tem que pensar igual à grande para ter produtividade e sustentabilidade. Assim sendo, a coach sugere criar processos como se fossem uma linha de produção de uma fábrica, com cada etapa, desde a entrada do cliente até a entrega do serviço e do produto. “Pode ser em uma reunião de brainstorming (tempestade de ideias) ou em um treinamento. Porém, o importante é escrever esse fluxo junto com a equipe para que todas as etapas sejam contempladas”, ensina.

Com o intuito de estimular a equipe, use a criatividade para selecionar os materiais como cartolinas com hidrocor ou um simples papel A4 com lápis e caneta. Sabrina indica que o resultado precisa estar escrito como é praticado hoje para somente depois fazer esse mesmo exercício pensando em como poderia otimizar essa “produção”.

Outro ponto interessante é usar da tecnologia para aumentar a produtividade e acompanhar os projetos, como o aplicativo Trello. “Nele o líder ou a equipe incluem um projeto e suas etapas, prazos e os responsáveis. Todos que es­ tão envolvidos conseguem alimentar as informações no aplicativo para informar e dar ciência de tudo que foi feito, o que está pendente ou em atraso. Assim conseguem melhorar a comunicação entre a equipe, além de diminuir o retrabalho”, aconselha.

É fundamental não esquecer de alinhar as metas do líder com a equipe para definir etapas e prazos do projeto. “Ter reuniões semanais de dez minutos para a equipe falar das evoluções e das dificuldades que estão encontrando também aumenta a produtividade”, finaliza a coach.

ARRUME SEUS DOCUMENTOS E ECONOMIZE MESES

Manter os setores, documentos e arquivos em ordem pode ajudar, e muito, a equipe a não se sobrecarregar ainda mais. A fundadora da Redata Organização da Informação – empresa especializada em gestão documental -, Mariza Cardoso, relata que os documentos perdidos ou mesmo em mau estado de conservação causam estresse e perda de tempo de funcionários, que usam parte considerável do período de trabalho para encontrá-los. “Já vi departamentos inteiros serem mobilizados por horas por apenas um documento”, conta.

A organização dos documentos é tão importante para a manutenção do tempo da empresa que, segundo dados de associações internacionais e consultorias como a PwC, um gestor chega a perder um mês por ano buscando informações em arquivos desorganizados. “Já os profissionais gastam até 15% do tempo lendo informações e 50% procurando onde foram guardadas. E os colaboradores perdem até duas horas diárias procurando documentos extraviados”, relata Mariza.

 

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COMO EVITAR A SOBRECARGA EM 4 PASSOS

 PROCESSOS:

Tenha os processos da empresa claros e escritos para que qualquer pessoa que leia entenda como funciona. Um dos principais erros das empresas é deixar grandes processos nas mãos de apenas uma pessoa, que os tem todo na cabeça. Para mitigar, diminuir os riscos de ter perdas de produção, tenha seus processos escritos e arquivados em papel e na nuvem.

REVISE OS PROCESSOS:

Para aumentar a produtividade de um ano para o outro revisite os seus processos com a equipe para pensar em soluções que diminuam os custos ou o tempo desses processos.

TECNOLOGIA:

Busque no mercado uma tecnologia que seja ideal para o seu tipo de mercado. Existem as mais variadas soluções. Caso não tenha nada. a minha sugestão é: invente uma que contribua para todo o seu mercado – e ainda ganhará muito dinheiro.

GESTÃO DE PESSOAS:

A sua equipe precisa “vestir a camisa” da empresa. É comprovado por pesquisas que ser feliz no ambiente de trabalho aumenta a qualidade de vida das pessoas e a produtividade. Humanize a sua marca. Toda empresa é feita de pessoas. Por mais tecnologia que exista, sua empresa precisará ser orquestrada por pessoas para que os processos e a tecnologia tragam mais resultados. Invista na gestão de pessoas para contratar um perfil profissional adequado ao que precisa e desenvolva o que for necessário com palestras, treinamentos, coaching ou mentoria.

 

 COMO A SOBRECARGA REPERCUTE NO TRABALHO?

CLIMA ORGANIZACIONAL: Funcionários sem qualidade de vida começam a perder a eficácia porque é humanamente impossível produzir por um longo tempo em um giro de produção muito alto. Os problemas que surgem são: clima da empresa de insatisfação coletiva, faltas ao trabalho, afastamento por doença e desligamento.

 PERDA DE CLIENTE: O impacto final será na retenção do cliente. O seu funcionário vai tratar mal o cliente, reclamar da empresa, entregar um trabalho de mediano a ruim. Comisso, a imagem e a marca da empresa começam a ficar arranhadas.

FALÊNCIA: Isso tudo pode ainda piorar quando seus resultados não forem mais os mesmos e começar a entrar em processo de falência.

 

4 PASSOS PARA MANTER A PRODUTIVIDADE DOS PROFISSIONAIS EM ALTA

METAS: Defina quais serão as metas do ano, os principais projetos e clientes que serão da sua responsabilidade. Lembre­se de alinhar a meta com o responsável pela execução. Metas claras são aquelas que respondem a estas perguntas: O quê? (Descreva detalhadamene), quem sãos os responsáveis? Qual é o prazo de cada etapa e da entrega final? Quanto custa? A minha sugestão para a pergunta “Como?” é deixar como um desafio para a sua equipe, você pode se surpreender com as possibilidades de criatividade. Porém, caso observe que a pessoa tenha dificuldade, neste caso vale o passo a passo de como fazer por enquanto.

ALINHE AS EXPECTATIVAS: Verifique que a sua demanda foi compreendida pela pessoa que está recebendo a meta. Pergunte de vez em quando como está a produção, se tem algum dificultador.

REUNIÕES PRODUTIVAS: Agende reunião com a equipe, se possível semanalmente, para saber as evoluções dos projetos e as principais dificuldades encontradas. Ao final da reunião, é necessário haver sugestões da equipe para solucionar o problema. Tudo registrado (na planilha ou no app Trello) para acompanhamento do que está em andamento, do que foi realizado ou está atrasado.

CELEBRE: Faça a sua equipe se sentir importante quando atingir uma meta com qualidade. Pequenos gestos demonstrando qual foi o diferencial dele naquela entrega servirão de grande motivação para continuar fazendo sempre o melhor. Alguns exemplos simples: um cartão de reconhecimento assinado pelo diretor, um almoço pago pela empresa, uma simbologia como um balão de festa dizendo que ele atingiu a meta.

ALIMENTO DIÁRIO

PROVÉRBIOS 14: 14-20

Pensando biblicamente

O CONTRASTE ENTRE OS JUSTOS E OS ÍMPIOS

 

V. 14 – Observe:

1. A infelicidade dos pecadores será um resultado eterno de seus pecados: “Dos seus caminhos se fartará o infiel de coração”. que, por medo de sofrer ou esperando benefícios ou prazer, abandona Deus e o seu dever; Deus lhe dará o suficiente de seus próprios caminhos. Os pecadores não desejam abandonar os seus desejos e paixões brutos, e por isto se manterão fiéis a eles, para seu eterno terror e tormento. As expressões “Quem está sujo suje-se ainda”, e “Filho, lembra-te”, os encherá em seus próprios caminhos, e apresentará os seus pecados diante deles. A infidelidade começa no coração; é o coração per­ verso da descrença que se afasta de Deus; e os pecadores infiéis têm mais terror quando refletem sobre os seus próprios caminhos (Lucas 11.26).

2. A felicidade dos santos será uma eterna satisfação em suas graças, como sinais da benevolência particular de Deus, e as qualificações para ela: “O homem bom se fartará de si mesmo”, por aquilo que Deus operou nele. Ele se alegra em si mesmo (Gálatas 6.3). Da mesma maneira como os pecadores nunca pensam que têm pecados suficientes, até que estes os levem para o inferno, também os santos nunca pensam que têm graças suficientes, até que elas os levem ao céu.

 

V. 15 – Observe:

1. É loucura ser totalmente crédulo, acreditar em cada notícia, dar ouvidos às estórias de cada homem, ainda que muito improváveis, confiar em coisas pela sua fama comum, confiar em cada profissão de amizade e dar crédito a todos os que prometam algum tipo de pagamento: “O simples dá crédito a cada palavra”, esquecendo­ se de que todos os homens, em algum sentido, são mentirosos, em comparação com Deus, pois em todas as suas palavras devemos crer, com fé implícita, pois Ele não mente.

2. É sensato ser cauteloso: “O prudente atenta para os seus passos”, experimenta antes de confiar; avaliará tanto a credibilidade da testemunha como a probabilidade do testemunho, e então julgará os fatos quando se tornarem manifestos, ou suspenderá a sua avaliação, até que tudo venha a lume. “Não creiais em todo espírito, mas provai”.

 

V.16 – Observe:

1. O santo temor é uma excelente proteção para todas as coisas santas, e contra tudo o que é profano. É sensato se afastar do mal, do mal do peca.do, e consequentemente, de todos os outros males; portanto, é sensato temer, isto é, zelar por nós mesmos, com zelo santo, conservar um terror da ira de Deus, temer se aproximar das fronteiras do pecado ou flertar com os princípios dele. O sábio teme e desvia-se do mal, e se aterroriza quando se flagra entrando em tentação.

2. A presunção é loucura. Aquele que, quando advertido do perigo que corre, se encoleriza e se dá por seguro, insistindo furiosamente, que não suporta ser censura.do, que desafia a ira e a maldição de Deus, e, sem temer o perigo, persiste na sua rebelião, que é ousado com as oportunidades de pecar, e brinca à beira do precipício, é um tolo, pois age contra a sua razão e os seus interesses, e a sua ruína será rapidamente a prova da sua loucura.

 

V. 17 – Observe:

1. Os homens violentos são, com razão, motivo de riso. Os homens que são mesquinhos e nervosos, e logo se irritam com a menor provocação, farão doidices; fazem e dizem o que é ridículo, e se expõem ao desprezo; eles mesmos não podem deixar de se envergonhar disto, passado o calor da situação. Esta consideração deve envolver especialmente aqueles que têm uma reputação de sabedoria e honra, com o máximo cuidado para refrearem as suas atitudes impensadas, sim, para que não se precipitem.

2. Os homens perversos são, com razão, temidos e detesta­ dos, pois são muito mais perigosos e enganadores a todas as sociedades: O homem de más imaginações – que insufla seus ressentimentos até que tenha uma oportunidade de se vingar, e que trama secretamente como prejudicar o seu próximo e lhe fazer mal, como Caim tramou matar Abel – será aborrecido e odiado por toda a humanidade. O caráter de um homem irado é digno de piedade; em meio à surpresa de uma tentação, ele se perturba e causa infelicidade a si mesmo, mas isto logo acaba, e então ele se lamenta. Mas o caráter de um homem vingativo e rancoroso é odioso; não há proteção contra ele, nem cura para ele.

 

V. 18 – Observe:

1. O pecado é a vergonha dos pecadores: os simples, que amam a simplicidade, não conseguem nada com isto; herdarão a estultícia. Eles a terão como herança, segundo alguns. Esta corrupção da natureza é derivada dos nossos primeiros pais, junto com todas as calamidades que a acompanham; foi a herança que eles transmitiram à sua raça degenerada, uma doença hereditária. Eles gostam tanto dela como um homem gosta da sua herança, e se apega a ela, e detesta a ideia de se separar dela. O que eles mais valorizam é realmente tolo; e qual será o resultado da sua simplicidade, ainda que tolice? Eles lamentarão para sempre a sua tola escolha.

2. A sabedoria é a honra dos sábios: os prudentes se coroarão de conhecimento, e o considerarão como o seu mais brilhante ornamento, e não há nada que ambicionem tanto; eles a prendem às suas cabeças, como uma coroa, da qual não se separarão, de maneira nenhuma; eles buscam chegar ao topo e à perfeição do conhecimento, que irá coroar os seus princípios e progressos. Eles terão o louvor por isto; as cabeças sábias serão respeitadas como se fossem cabeças coroadas. Eles coroam o conhecimento (assim alguns interpretam); eles dão uma credibilidade à sua profissão. A sabedoria não é somente justificada, mas também é glorificada em todos os seus filhos.

 

V. 19 – Isto é:

1. Os ímpios são frequentemente empobrecidos e abatidos, de modo que são forçados a implorar; pois a sua iniquidade os leva a apuros; ao passo que os homens bons, pela bênção de Deus, são enriquecidos, e capacita­ dos a dar, e efetivamente dão até mesmo aos maus; pois onde Deus concede a vida, não devemos negar o sustento.

2. Às vezes Deus faz com que até mesmo os homens iníquos e maus reconheçam a excelência do povo de Deus. Os iníquos devem se inclinar sempre perante a face dos justos, e às vezes devem fazer isto para saberem que Deus os ama (Apocalipse 3.9). Eles desejam o seu favor (Ester 7.7), e as suas orações (2 Reis 3.12).

3. Chegará o dia em que os retos terão o domínio (Salmos 49.14), quando as virgens loucas virão implorando azeite às prudentes, e baterão em vão àquela porta do Senhor pela qual entram os justos.

 

V. 20 – Isto mostra, não qual deveria ser, mas qual é o caminho comum do mundo – evitar os pobres e gostar dos ricos.

1. Poucos aprovarão aqueles que o mundo censura, embora, não fosse por isto, seriam dignos de respeito: O pobre, que deveria ser merecedor de piedade, e encorajado, e aliviado, é odiado, considerado com estranheza e mantido à distância, é aborrecido até do companheiro, que, antes que o pobre caísse em desgraça, era seu amigo íntimo, e dizia ter carinho por ele. A maioria dos nossos amigos é como as andorinhas: eles vão embora no inverno. É bom termos Deus como nosso amigo, pois Ele não nos abandonará mesmo que nos tornemos pobres.

2. Todos cortejarão aqueles para os quais o mundo sorri, ainda que, não fosse por isto, se1iam indignos: os amigos dos ricos são muitos, são amigos de suas riquezas, esperando obter alguma coisa delas. Há pouca amizade no mundo, exceto a que é governada por interesses próprios, e isto não é amizade verdadeira, nem aquilo com que um homem sábio se valorizará, ou em que depositará alguma confiança. Os que fazem do mundo o seu deus idolatram aqueles que têm muitos bens, e buscam o seu favor, como se, na verdade, fossem os favoritos do Céu.

PSICOLOGIA ANALÍTICA

PODEMOS SER CADA VEZ MAIS INTELIGENTES?

Aumento contínuo dos resultados nos testes que medem o quociente de inteligência (Q.I) sugere que nossos descendentes farão com que a geração atual pareça lerda. Esse efeito, entretanto, pode revelar que estamos apenas encontrando outras formas de usar o cérebro.

Podemos ser cada vez mais inteligentes

Há três décadas, o pesquisador James R. Flynn, da Universidade de Otago, na Nova Zelândia, descobriu um fenômeno que os cientistas sociais ainda se esforçam para explicar: os quocientes de inteligência (QI) vêm crescendo constantemente em todo o mundo desde o início do século 20. Por mais questionável que essa seja medição, o resultado da pesquisa de Flynn vale pelo menos ser considerada. Ele examinou dados de testes de inteligência de mais de 20 países e descobriu que a pontuação está subindo 0,3 ponto por ano – ou 3 pontos por década. Quase 30 anos de estudos de acompanhamento confirmaram a realidade estatística do avanço global, conhecido agora como efeito Flynn. E os pontos continuam subindo.

“Para minha surpresa, no século 21 os aumentos continuam”, diz Flynn. “Os últimos dados mostram os ganhos acompanhando a velha taxa de três décimos de ponto por ano. “Um dos aspectos mais estranhos desse efeito Flynn é certa monotonia – ele não desacelera, para ou recomeça. Apenas se move regularmente para cima, “como se guiado por uma mão invisível”, reforça Flynn. O psicólogo Joseph Rodgers, da Universidade de Oklahoma, examinou os resultados dos testes de quase 13 mil estudantes americanos para ver se poderia detectar o fenômeno numa escala de tempo mais restrita. “Questionamo-nos se os pontos dos estudantes melhorariam num período de cinco ou dez anos. Bem, eles melhoraram num período de um ano. O aumento está lá, sistematicamente, ano após ano. Pessoas nascidas em 1989 têm resultado um pouco melhor que as nascidas em 1988.”

O efeito Flynn significa que as crianças vão, em média, conseguir 10 pontos a mais nos testes de QI do que seus pais. Até o fim deste século, nossos descendentes terão uma vantagem de quase 30 pontos sobre nós – a diferença entre a inteligência média e os 2% do topo da população – se o fenômeno se perpetuar. Surgem, porém, algumas questões. A tendência se manterá indefinidamente, levando a um futuro repleto de pessoas que seriam consideradas gênios pelos padrões de hoje? Ou há algum limite natural ao desenvolvimento da inteligência humana? E, mais importante: aumentar a pontuação nesse tipo de teste significa realmente que as pessoas são mais inteligentes ou apenas que o cérebro encontrou formas de obter pontuações mais altas?

Podemos ser cada vez mais inteligentes. 2

MENTE MODERNA

Logo que reconheceram o efeito Flynn, os pesquisadores viram que os pontos ascendentes eram resultado quase inteiramente do avanço no desempenho em partes específicas dos mais usados testes de inteligência. Um deles, o Wechsler lntelligence Scale for Children (WISC, em inglês), tem múltiplas seções, e cada uma avalia capacidades diferentes. Seria mais plausível esperar avanços na inteligência cristalizada – caracterizada pelo tipo de conhecimento obtido na escola -, mas isso não acontece. Os pontos nas seções que medem os níveis de aritmética e vocabulário continuaram constantes ao longo do tempo.

A maior parte dos ganhos de QI veio justamente de dois subtestes dedicados ao raciocínio abstrato. Um lida com “similaridades” e apresenta questões como “Em que uma maçã e uma laranja são semelhantes?”. Uma resposta de baixa pontuação seria “ambas são comestíveis”. Uma de pontuação mais alta seria “as duas são frutas”, já que transcende simples qualidades físicas. Outro subteste contém uma série de padrões geométricos relacionados de alguma forma abstrata para que a pessoa identifique corretamente a relação entre os padrões.

Um paradoxo do efeito Flynn é que testes como esses foram projetados para ser uma medida completamente não verbal e culturalmente neutra do que os psicólogos chamam de inteligência fluida: uma capacidade inata para resolver problemas desconhecidos. Mas o efeito Flynn mostra claramente que algo no ambiente tem acentuada influência nos supostos componentes culturalmente neutros da inteligência em populações do mundo todo. Os psicólogos Ainsley Mitchum e Mark Fox, da Universidade do Estado da Flórida, que fizeram estudos detalhados das diferenças entre gerações no desempenho em testes de inteligência, suspeitam que o aprimoramento de nossa capacidade de pensar de maneira abstrata possa estar relacionado à tecnologia, que nos proporciona uma nova flexibilidade na forma como percebemos os objetos.

“Todo mundo conhece o ‘botão’ iniciar na tela do computador, mas não se trata realmente de um botão”, diz Mitchum. “Eu estava tentando ensinar para minha avó como desligar o computador e disse: ‘Aperte o botão iniciar e selecione desligar’. Ela bateu com o mouse na tela.” Mitchum acrescenta, no entanto, que não se trata de falta de inteligência da avó: ela cresceu num mundo em que botões eram botões e telefones certamente não eram máquinas fotográficas. Muitos pesquisadores, entre eles o próprio Flynn, reconhecem que o aumento nos pontos do QI não reflete um aumento em nossos recursos intelectuais brutos. Na realidade, o efeito Flynn mostra como nossa mente se transformou. Esses testes exigem facilidade para reconhecer categorias abstratas e fazer e conexões entre elas, o que se tornou mais útil no último século do que em qualquer época anterior na história humana.

“Se você não classificar abstrações e não estiver acostumado a usar a lógica, não pode realmente dominar o mundo moderno”, avalia Flynn. “Ao fazer algumas entrevistas com camponeses russos nos anos 20, o psicólogo Alexander Luria dizia: ‘Onde sempre há neve, os ursos são brancos. Então, se sempre há neve no polo norte, qual é a cor dos ursos de lá?’. E a maioria respondia que só via ursos marrons. Eles não entendiam a questão hipotética.”

Mas os camponeses não eram ignorantes. O mundo deles exigia apenas habilidades diferentes. “Acho que o aspecto mais fascinante não é que estamos indo muito melhor nos testes de QI”, analisa Flynn. “É a nova luz que lança sobre o que chamo de história da mente no século 20.” Uma interpretação ingênua do efeito Flynn leva rapidamente a algumas estranhas conclusões. A simples extrapolação do efeito ao longo do tempo, por exemplo, sugeriria que a pessoa com inteligência média na Grã-Bretanha em 1900 teria um QI de cerca de 70 pelos padrões de 1990. “Isso significaria que o britânico tinha deficiência mental limítrofe e não seria capaz de entender as normas do críquete”, compara o psicólogo cognitivo David Hambrick, professor da Universidade do Estado de Michigan.

Podemos não ser mais inteligentes que nossos antepassados, mas não há dúvida de que nossa mente mudou. Flynn acredita que a mudança começou com a Revolução Industrial, que trouxe novas realidades: maior acesso ao ensino formal, famílias menores e uma sociedade em que empregos técnicos e administrativos substituíram os agrícolas. Novas classes profissionais surgiram – engenheiros, eletricistas, arquitetos industriais – e seus postos exigiram domínio de princípios abstratos. A educação, por sua vez, tornou-se o motor de mais inovação e mudança social, desencadeando um circuito de realimentação positivo entre nossa mente e a cultura com base na tecnologia que não deve terminar em breve.

A maioria dos pesquisadores concorda com a avaliação geral de Flynn de que a Revolução Industrial e os avanços tecnológicos são responsáveis por esse efeito. Mas especificar as causas precisas – o que poderia permitir a elaboração de políticas educacionais e sociais para ampliar o resultado – tem sido difícil. Progressos na educação certamente respondem por parte dos avanços. Hoje, cerca de metade dos adultos tem pelo menos algum grau de escolaridade superior. A educação formal, contudo, não explica completamente o que acontece. Alguns pesquisadores pressupõem que a maior parte do aumento no QI no século 20 possa ter sido liderada por ganhos na ponta esquerda da curva de sino da inteligência entre aqueles com as pontuações mais baixas, um resultado que seria provavelmente consequência de melhores oportunidades educacionais. Mas, em um estudo recente, Jonathan Wai e Martha Putallaz, da Universidade Duke, analisaram 20 anos de dados compreendendo 1,7 milhão de resultados de testes de alunos de 5ª e 7ª séries e descobriram que os pontos de 5% dos melhores estudantes estavam subindo em perfeita sintonia com o efeito Flynn. Os resultados sugerem que, como a curva toda está mudando, as forças culturais por trás do aumento devem estar influenciando a todos igualmente. Os cientistas especulam que a disseminação dos sofisticados videogames e mesmo de alguns programas de televisão pode ajudar crianças a aumentar as habilidades necessárias para solucionar problemas propostos pelos testes de QI.

Para Rodgers, a universalidade do efeito Flynn confirma que é inútil buscar uma causa única: “Deve haver quatro ou cinco causas dominantes, cada uma se levantando contra fluxos ou desaparecimentos de outras”. Melhor nutrição infantil, educação universal, famílias menores e a influência de mães com educação superior são algumas das mais prováveis. “Desde que duas causas estejam presentes, mesmo quando algo como a Segunda Guerra provoca o desaparecimento de outras duas, o efeito Flynn mantém sua curva.”

Podemos ser cada vez mais inteligentes. 3

MAIS RÁPIDOS

O que o futuro trará? Os Qls seguirão subindo? Algo de que podemos ter certeza é que o mundo continuará mudando, em grande parte por nossas próprias ações. Flynn gosta de usar uma analogia tecnológica para descrever a interação de longo prazo entre mente e cultura. “A velocidade dos automóveis em 1900 era absurdamente baixa porque as estradas eram muito ruins”, compara. Mas rodovias e carros evoluíram. Quando os caminhos melhoraram, também os veículos melhoraram – e estradas melhores levaram os engenheiros a projetar carros mais velozes.

Tanto a mente quanto a cultura são atreladas num circuito de feedback semelhante. Estamos criando um mundo onde a informação assume formas e se move com velocidades impensáveis há apenas uma década. Cada ganho tecnológico demanda mentes capazes de acomodar a mudança – e a mente modificada reforma ainda mais o mundo.

Um fato a ser considerado é que a mente parece estar ficando mais rápida. Uma prática comum na pesquisa reação-tempo é descartar respostas que estejam abaixo de cerca de 200 milissegundos. “Pensava-se que 200 milissegundos era o mais rápido que as pessoas podiam responder, mas hoje digitamos textos, jogamos videogames, fazemos muito mais coisas que exigem respostas realmente velozes”, diz o psicólogo cognitivo David Hambrick. Isso é bom? Não necessariamente, já que em muitas tarefas cruciais um instante a mais de hesitação pode significar menor possibilidade de erro. Assim como o efeito Flynn, a rapidez em si não é nem boa nem ruim – é uma evidência de nossa adaptabilidade. Com sorte, talvez continuemos construindo um mundo que nos torne mais inteligentes e hábeis para fazer melhores escolhas. Afinal, isso sim é sinal de inteligência.

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OUTROS OLHARES

QUANDO O ALVO SÃO AS MULHERES

O aumento do número de mulheres morta por familiares coloca em xeque a defesa da flexibilização do porte de arma.

Quando o alvo são as mulheres

Aos 40 anos, Simone Fernandes do Santo de Morais vivia uma vida simples. Morava com o marido e o filho de 19 anos na zona rural de Santa Isabel, a 65 quilômetro de São Paulo. Cuidava da casa e começara a ajudar no dia a dia de um pequeno sítio que havia sido cedido ao marido para ele plantar e, assim, aumentar a renda da família. Simone engravidou, mas logo perdeu o bebê. Chegou a ser internada, mas no fim ficou aliviada. Não seria fácil, àquela altura da vida, criar uma criança. Além disso, havia pelo menos oito anos o marido, João Cândido de Morais, de 43 anos, fazia uso de remédio controlado e vivia de uma aposentadoria precoce após um diagnóstico de transtorno psiquiátrico. Cabia a ela controlar o orçamento da casa, fazer as compras e cuidar de João Cândido, sobretudo para que ele não se esquecesse de tomar o medicamento.

Mas a vida não era difícil só por isso. Nos últimos tempos, a convivência com João Cândido se tornara cada vez mais dura. Na semana do Natal, Simone recebeu a visita do cunhado, Alcídio, um acontecimento raro – os surtos do marido haviam afugentado os parentes. E foi com ele que desabafou. Já não aguentava mais as constantes brigas e queixa do marido por causa dos gastos com a casa, com o filho, e estava decidida a pedir o divórcio.

Alcídio conversou com o irmão, mas ouviu dele algo pior: João Cândido alimentava a suspeita de que o bebê que Simone perdera não era dele e que a mulher o havia traído. Procurou acalmá-lo, disse que ele estava pensando bobagem e que deveria, com a mulher, voltar a frequentar a igreja evangélica, da qual o casal havia se distanciado.

Os doí irmãos só voltaram a se encontrar no último dia 4 de janeiro. Ao chegar em casa no fim da tarde, Alcídio deparou com João Cândido sentado na varanda, muito agitado. Disse que um homem havia invadido a casa dele e atirado, matando Simone. Mas a história não convenceu. Enquanto ganhava tempo acalmando João Cândido, Alcídio ligou para a polícia.

Poucas horas antes, por volta da uma e meia da tarde, Simone fora morta com dois tiros na altura do tórax. O filho não estava em casa. Ninguém sabia dizer o que acontecera. Vizinhos apenas ouviram tiros e chamaram a polícia. Com a mulher caída no quarto, ao lado da cama, João Cândido saiu de casa. Numa estrada de terra, pegou carona com um vizinho para ir até o centro da cidade. Nervoso, dizia que sua casa fora invadida. De início, o vizinho não deu muita importância à história, mas, ao voltar para casa e saber da morte de Simone, desconfiou. Foi olhar o próprio carro. João Cândido, que havia sentado no banco de trás, deixara debaixo do banco do motorista a arma do crime – um revólver calibre 38.

João Cândido foi preso em flagrante por feminicídio. E Simone passou a fazer parte da triste e crescente lista das mulheres vítimas de violência doméstica. “Quem pode ter vendido uma arma a um homem que tomava medicamento controlado? Se a arma era legal ou ilegal, pouco importa. Isso precisa ser investigado”, desabafou Alcídio, o irmão do assassino. Para a polícia, esse é um detalhe pouco relevante num crime já elucidado. João Paulo, o filho do casal, contou ao delegado que o pai tinha duas armas escondidas em casa – um revólver calibre 38 e outro calibre 22 e que vivia brigando com sua mãe por uma suposta disputa de terras a que ela teria direito no inventário de seu avô.

João Cândido era um homem sem antecedentes criminais. Nem mesmo Simone havia registrado na polícia qualquer queixa contra ele por agressão. “Ela tinha medo. Nunca se queixou. E ainda tinha a doença dele”, lamentou a mãe de Simone, Juventina Fernandes, de 70 anos.

A morte de Simone alerta sobre uma hipótese alarmante para o país: a possível relação entre posse de arma e o aumento das vítimas de violência doméstica. Em 2016, último dado disponível no sistema Datasus, que registra mortes ocorridas em atendimento no sistema público de saúde, 2.339 mulheres foram mortas por disparos de armas de fogo no Brasil – metade do número de mortes por agressão ocorridas no país. O dado inclui, além de homicídios, registro de roubos seguido de morte – latrocínio – e lesão corporal seguida de morte. Nos casos em que a mulher foi morta dentro de casa, armas de fogo foram usadas em 40% dos casos.

Um levantamento feito pelo Instituto Sou da Paz, ONG de referência na promoção de iniciativa contra a violência, mostra que em alguns estados o percentual de mulheres mortas por arma de fogo dentro de suas residências é ainda maior: 58% dos casos na Paraíba, 67% no Acre, 68% no Rio Grande do Norte e 70% em Alagoas.

Especialistas em violência contra a mulher receiam que o decreto prometido pelo presidente Jair Bolsonaro para os próximos dias, que flexibiliza a posse de arma e foi uma das principais promessas da campanha eleitoral, agrave a situação das brasileiras. “Não ter arma de fogo não reduz o risco de violência doméstica. Mas a existência dela dentro de casa, seja a arma legal ou ilegal, agrava o risco de morte para as mulheres e acende a luz vermelha. um consenso internacional”, disse a promotora Valéria Scarance, do Grupo de Enfrentamento à Violência Doméstica do Ministério Público de São Paulo. “A existência de arma de fogo dentro de casa é um fator maior de risco. Afinal, em geral os homens que praticam violência contra a mulher e feminicídio são réus primários, têm bons antecedente e residência fixa (condições que os credenciam a comprar armas)”, acrescentou a promotora.

Quando o alvo são as mulheres. 2 Segundo Scarance, a posse de arma pelo companheiro é um dos elementos que levam autoridades de vários países a determinar medida protetivas para mulheres, por ser considerado um agravante.  Scarance chamou a atenção ainda para outro dado, também alarmante: entre 2011 e 2016, disparos de arma de fogo foram a principal causa da morte de mulheres de até 29 anos de idade.

Dados estatísticos não deixam dúvida de que se trata de um fenômeno preocupante e em ascendência. Em dez anos, entre 2006 e 2016, o homicídio de mulheres aumentou 15%. Segundo dados dos Anuários do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, em 217 ocorreram 4.539 homicídios dolosos com vítimas femininas, um aumento de 6,9% em relação a 2016. Desse total, 1.133 foram registrados como feminicídios – alta de 22% em relação ao ano anterior. Dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) mostram que as medidas protetivas expedidas no Brasil com base na Lei Maria da Penha, vigente desde 2006 e que prevê punições mais graves e maior proteção às vítimas de violência doméstica, somaram 236.641 em 2017 – um aumento de 21% em relação a 2016. Os processos de violência doméstica contra a mulher iniciados no Brasil chegaram a 452.988, 12% a mais do que em 2016.

Stephanie Morin, gerente da área de Gestão do Conhecimento do Instituto Sou da Paz, afirmou que dar posse de armas à mulheres não vai fazer com que se sintam mais seguras, já que as armas têm de ser guardada em locais de difícil acesso – inclusive para evitar o risco de serem pegas por criança – e é bem difícil imaginar que, numa situação de briga corporal, urna mulher consiga se desvencilhar do agressor, pegar a arma e se defender. “Isso é uma falácia. A maior presença de armas traz desfecho trágico para brigas fúteis. Em ambientes conflituosos, de violência doméstica, o problema tende a se agravar. Provavelmente, as mulheres passarão a ser ainda mais ameaçadas. E quem vai usar é o opressor, não a vítima”, disse Morin. “A arma cria situações perigosas não só para os envolvidos, mas também para as pessoas que estão próximas”, completou.

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GESTÃO E CARREIRA

ATENDIMENTO 4.0

O consumidor 4.0 quer fazer parte da sua empresa, e abrir espaço para ele é a melhor coisa que você pode fazer hoje, pelo bem do negócio.

Atendimento 4.0

A famigerada nova era digital já não é tão nova assim. Apesar dos primórdios da internet para fins militares datarem de 1962, foi em 1965 que a primeira rede de computadores por linha telefônica começou a funcionar e, em 1994, o Netscape fez com que o surgimento da AOL levasse o W(orld) W(ide) W(eb) para o mundo. Fez as contas? A internet como você conhece já está alcançando a maioridade e com inovações que chegam cada vez mais rápido do que se pode acompanhar. Fato é que a grande chave dessa mudança está em uma palavra: interação.

Se o antigo consumidor era acostumado a apenas receber informações – fosse pela televisão, jornal ou rádio -, o novo público quer mais. Ele quer dizer o que pensa e o que sente, sem tempo a perder. Mais do que isso! Quer ser ouvido. Ele quer criar conteúdo junto com a marca que segue, quer que sua opinião tenha relevância. O que ele busca nas empresas também mudou.

Esqueça nome e status. O consumidor 4.0 prefere valor agregado a um carrão para manter aparências. Não à toa, “educação, sustentabilidade e caridade” são palavras-chave para o mercado em 2019. Mais do que isso, é importante falar sobre assuntos relevantes de um lugar de discurso que faça sentido, tendo em consideração que aquilo que os seguidores da sua marca pensam sobre você engaja e muito. Para ter uma ideia, apenas cerca de 15% dos comentários em Fanpages são negativos. Porém, são esses 15% os que mais fazem barulho e geram conversas.

A pesquisa “O Futuro Impulsionado pelos Dados das Indústrias Brasileiras”, da Software Alliance, lembra que Indústria 4.0 significa um espaço digitalizado, impulsionado por recursos de computação em nuvem, com ferramentas analíticas, inteligência artificial, robótica e internet das coisas. Em resumo, é “utilizar o poder dos dados para aumentar a eficiência” do seu trabalho.

Essa definição fica clara em números. Além da economia visível nos processos internos, há 85% de aumento na precisão de previsões. Com isso em mente, até 9% das pequenas empresas esperam a criação de melhores modelos de negócio com sua digitalização e 36% a 38% das pequenas e médias acreditam que as tecnologias 4.0 vão melhorar a qualidade de produtos e serviços. Elas têm razão.

A Associação Brasileira de Automação – GSI conta ainda mais. O Índice de Automação do Mercado Brasileiro revela que o País já cresceu sua automação em 8% no último ano – mesmo com diversos setores da economia recuando. As empresas mostraram também reconhecer esse novo momento, já que o foco maior de investimento foi em atendimento e relacionamento com o cliente. “O uso mais estratégico dos dados gerados diariamente pelas ações dos clientes dá mais subsídios para a geração de ofertas direcionadas ao desejo dos consumidores”, conta Marina Pereira, gerente de pesquisa e desenvolvimento.

Segundo o estudo, os consumidores também se digitalizaram mais, somando 4% de aumento. O destaque ficou para o crescimento de aplicativos de e-commerce, com 25%.

QUEM É O CONSUMIDOR 4.0?

Fato comprovado. O consumidor mudou e exige mais. “As planilhas numéricas sempre existirão, porém como consequência da relevância que buscamos ter com os consumidores. Especialmente agora, com um público muito mais empoderado e muitas vezes no controle da situação, buscar ser relevante e engajá-lo é fator crítico de sucesso ou insucesso”, ressalta a head de Marketing da Motorola, Juliana Mott.

Lembra aquela criança que mal sabia falar e você já achava lindo o fato de ela conseguir usar o Touch de celulares e tablets? Ou aquele pré-adolescente que tem na ponta da língua as últimas notícias, porque viu no Google ao mesmo tempo que gravou um vídeo com sua música favorita para os Stories do Instagram e criou uma foto totalmente criativa para postar no Facebook? Mais ainda. Conhece aquele quase adulto que não tem um ator preferido, mas sim um youtuber como ídolo? É ele. Dinâmico, faz várias coisas ao mesmo tempo, não tem tempo a perder e avalia a relevância da sua marca na facilidade de um like. É esse cara que quer a sua atenção e ele não acredita mais em publicidade simples e pura.

Ele acredita em pessoas. Mais importante sobre o que sua marca diz dela mesma é o que os amigos dele dizem. Por isso, este é um momento em que termos como “lugar de discurso” e “resiliência” são basicamente o “Enzo” da nova era – nomes que todo mundo precisa ter, e, antes, os quatro “Ps” da comunicação eram produto, preço, praça e promoção, agora eles se tornaram personalização, participação, peer-to-peer (aproximação) e previsões modeladas (onde estão e quem são as pessoas com quem falamos). Nesse alfabeto de oportunidades, você encontra também os quatro “Is” da mensagem – imediata (sendo acessível e humana), inédita, interativa e imitável (um conteúdo que possa gerar buzz entre as pessoas que o seguem).

Segundo o estudo Papo Digital da Hello, entre 2016 e 2018, a parcela de consumidores seguindo empresas que admiram nas redes sociais aumentou mais de 80%. Hoje, metade dos consumidores já tem esse comportamento. É mais um dos reflexos da popularização dos smartphones, que abriram as portas do universo on-line e vêm transformando profundamente o consumo e também as relações familiares, sociais, laborais e, como vimos nas eleições, até a política. “Hoje, praticamente nove em cada dez consumidores brasileiros com acesso à internet têm um smartphone, 95% usam WhatsApp, e 89%, Facebook”, completa o CEO da Hello Research – agência de pesquisa de mercado e inteligência, Davi Bertoncello.

O executivo lembra que, ainda segundo o Papo Digital 2018, 74% dos consumidores consideram essencial que as empresas ofereçam recompensas e benefícios exclusivos. Além disso, estar em todos os canais é extremamente importante, já que a relação com o consumidor se tornou mais complexa e descentralizada. “Hoje, o público não só tem espaço para responder à marca e interagir com a publicidade on-line, mas também assume o papel de promotor ou detrator de serviços, produtos, campanhas, atendimento em interações que independem da marca e que criam a necessidade de o negócio monitorar tudo o que o público diz dele on-line”, explica.

Além disso, 72% dos consumidores esperam que as empresas tenham ideias e valore compatíveis com os deles, considerando ainda uma opinião pública volátil, feroz e cada vez mais dividida entre conservadora e progressista. Fique atento! A linha entre sucesso e fracasso é tênue e é preciso atenção para não errar. Mesmo assim, caso erre, saiba pedir desculpas e não repetir o feito. Comunique sua empresa como um ser humano empático, e o primeiro passo já terá sido dado.

DICAS DE QUEM JÁ APRENDEU

A empresária Denise Barreto tem uma loja de roupas chamada StiloD, desde 2013. Era para ser apenas um espaço de vendas, mas acabou se tornando ponto de encontro para um café e um canal direto para sugerir looks em diferentes ocasiões – o que, obviamente, impactou o crescimento do empreendimento. “Percebi que as pessoas ficam nas redes sociais a todo instante, seja na pausa para o café, nos minutinhos que sobram após o almoço, enquanto trabalham e no momento de relaxar. Então, é mais fácil despertar o desejo de compras nesse momento. Uso o Instagram, o Facebook e a lista de transmissão do WhatsApp”, conta.

Mas ela ressalta que não bastou selecionar modelos de passarela com suas peças para atrair clientes. Na verdade, esse tipo de conteúdo nunca engajou muito bem. Mas, quando iam até a loja, as consumidoras viam as roupas no corpo da própria empreendedora e ficavam interessadas. Foi neste ponto que Denise entendeu o que o cliente espera da marca: verdade. “As pessoas gostam de se espelhar em gente de verdade e com coisas mais próximas a elas. Eu tenho 40 anos, dois filhos, 1,58 metro e 60 quilos. Sou totalmente fora dos ‘padrões de beleza’, assim como a maioria das minhas clientes. Então, comecei a dar vida para as minhas fotos, principalmente fazendo Stories com as roupas”, afirma.

As pessoas, segundo ela, passaram a conhecê-la e começaram a chamar no Direct com perguntas pessoais – “de onde é esse chinelinho?”, “Qual seu esmalte?”, “Como você emagreceu dois quilos?”. “Dessa maneira, vamos ficando amigas e elas querem as roupas, o chinelinho, o mesmo esmalte, como se fosse uma identificação mesmo”, explica.

Nessa série de tentativa e erro, ela percebeu que esse novo cliente é um consumidor sem tempo a perder e que precisa do máximo de informações possível antes de sair de casa. Para facilitar ainda mais a logística, pensa em abrir uma loja virtual no próximo ano, com expansão para outros estados além de São Paulo. Além disso, pretende deixar celulares com suas vendedoras, para que possam ter esse contato mais direto com o público, via WhatsApp.

A projeção é um acerto. De acordo com o estudo CONECTAí Express, o WhatsApp é hoje a rede social mais utilizada pelos brasileiros, somando 91% dos usuários. Em seguida, vem o Facebook e, em terceiro lugar, o Instagram. Mesmo assim, é preciso ficar de olho. Os algoritmos do Facebook, por exemplo, mudam o tempo inteiro, facilitando ou dificultando a entrega orgânica de conteúdo entre os seguidores da Fanpage. esse ponto, o Instagram leva a vantagem de possuir um público mais acostumado em fazer pesquisa por local e hashtags, o que pode ajudar a encontrar seu serviço de maneira rápida e eficaz. Por isso, não adianta criar conteúdo. É preciso entender a dinâmica de cada plataforma e, principalmente, da sua base de fãs.

DOS PÉS À CABEÇA

Conhecer o público é marca registrada da Motorola. “A empresa tem no consumidor seu foco central para melhorar experiência de produto e marca e, portanto, trabalha com uma presença omnichannel, isto é, procuramos estar onde nosso consumidor está, muito além das famosas classificações de off ou on-line. Sendo assim, estar presente e entender toda a jornada de pré e pós-consumo é o que é relevante e cada uma delas é fator determinante para nossa estratégia”, conta Juliana.

Para isso, existe um ecossistema que inclui o site e-commerce e o hub “hello moto” de conteúdo, além das redes sociais – Facebook, Instagram, Twitter e YouTube, que trabalham de maneira integrada. “Possuímos um canal exclusivo com usuários Motorola que traz constantemente novidades da marca e produtos, além de ser um espaço importante de feedback sobre experiência de produto. Temos ainda uma equipe de promotores no PDV: call center ativo e receptivo e uma rede de assistência técnica”, acrescenta.

Uma dica importante que ela dá é justamente mapear interações e relatórios que chegam pelos pontos de contato, para deixar o atendimento cada vez mais personalizado. E, claro, sempre responder ao consumidor! No caso da empresa, essa parte é realizada via uma integração de sistema entre atendimento na assistência técnica, call center e social listening (aquilo que vem das redes sociais), culminando em um sistema de agendamento que melhora a qualidade do atendimento. O objetivo está além de resolver o problema. Ele se refere principalmente a oferecer uma boa experiência coma marca.

ESTOU PRONTO! POR ONDE COMEÇO?

Dizemos que as marcas têm que ser all-line, fundir o pensamento on e off line. É preciso estar em todos os lugares: nas redes, aplicativos, sites, publicidade de rua, patrocínios, eventos. Cada meio necessita de uma estratégia própria, mas também seguir um mesmo sentido, ou seja, respeitar uma unidade. Quando é preciso se comunicar diretamente com o consumidor, também pode haver aproveitamento de canais diferentes para cada perfil. “O e-mail ainda é o canal que seis em cada dez brasileiros gostam de ser contatados, mas o WhatsApp já está em segundo lugar com cinco a cada dez, sendo popular especialmente entre os mais jovens. Essa comunicação também pode se dar pelas diferentes redes sociais, anúncios na web, telefone, SMS, correio”, resume Bertoncello.

O strategic account director na lnbenta, Cassiano Maschio, produz soluções de atendimento e lembra que o auxílio humano on-line, via chat ou e-mail, e o autoatendimento por chatbots, buscadores, FAQs inteligentes, Instant Answer pré-envio de e-mail e serviços de aplicativos são as ferramentas mais funcionais para uma empresa personalizar seu contato com o consumidor.

O ponto mais importante é, além de estar próximo do cliente, resolver o problema dele com agilidade. “Quando o chatbot não resolve, assim como em um call center, deve-se haver um nível superior de atendimento – uma pessoa ou outro chatbot especialista no tema. Isso pode ser um chat com um colaborador, um formulário de contato ou um número de telefone para ligação.

Nos canais digitais, o benefício é contar com uma experiência mais fluida e a possibilidade de manutenção do contexto. Por exemplo, após falar com um chatbot de uma empresa de transporte aéreo, caso o atendimento escale para o humano, é enviada para o atendente toda a conversa prévia com o chatbot. Dessa maneira, ele já pode até mesmo iniciar a sua parte do atendimento com a resolução da dúvida/problema, e o cliente não precisa repetir a explicação do seu caso”, explica.

Para Cassiano, os próximos tempos anunciam mais integrações com sistemas legados, quer dizer, um autoatendimento ainda mais eficiente. Ele também aposta no foco da experiência do cliente e customização de serviços, o que significa uma melhor interpretação dos dados disponíveis para realizar essa entrega individual. Por fim, os recursos de voz podem melhorar ainda mais a usabilidade e o feedback do público.

O autoatendimento pode ajudar bastante com a redução de custos e aumento da satisfação do cliente. Hoje, existem casos de chatbots com até 90% de retenção e responsáveis por cerca de um terço do total de atendimentos, considerando todos os canais. Mas o que seria um tiro no pé na hora de colocar atendimento on-line na sua empresa? Não designar responsáveis e metas para o processo, não envolver toda a empresa na iniciativa, não considerar o perfil do cliente, não acompanhar métricas do canal para promover melhorias, publicar uma ferramenta em canais pouco utilizados.

Entre serviços especializados que trazem soluções criativas para o setor está a Prestus Secretárias Compartilhadas, de Alexandre Borin e Leandro Crocomo. O “Uber das secretárias” é um time de profissionais compartilhados e disponíveis por 24 horas para diferentes empresas e qualificados para fazer todo tipo de atendimento, como se fossem um colaborador exclusivo da empresa contratante.

Já a lnstan teaser é uma startup da AdTech que ajuda com o engajamento digital. Uma das dez startups do mundo selecionadas para o Google for Entrepreneurs Exchange, em Zurique, a empresa produz conteúdos personalizados de forma ágil e com as características necessárias para um bom engajamento nas redes sociais – variando de 6 a 30 segundos de conteúdo.

Empresas como a Bayer aproveitam o momento para criar suas próprias ferramentas. Percebendo a necessidade de seus clientes do setor agro, anunciou agora a chegada da Climate FieldView, uma plataforma de agricultura digital que coleta e processa automaticamente dados do campo, ajudando o produtor a avaliar a performance de cada talhão, indo do plantio à colheita, tomando assim as melhores decisões para cada hectare. O serviço está incluso no Programa de Pontos da companhia, inserido na Rede AgroServices, plataforma colaborativa que transmite informações e conecta pessoas do segmento. Com 120 mil produtores inscritos, a empresa detém comunicação com cerca de 65% do agronegócio brasileiro.

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COMO FALAR COM O CONSUMIDOR 4.0?

FERRAMENTAS MAIS USADAS:

“Estamos falando de um perfil que anseia por uma solução ágil, que está acostumado a resolver quase tudo pelo celular (pagamentos, reclamações. contratação de serviços, entre outros) e que, acima de tudo, tem pouquíssimo tempo para você. O melhor caminho com certeza é a Conectividade. Para isso, as ferramentas mais usadas são Facebook, Instagram, YouTube, LinkedIn, Google Plus, Twitter, entre outros; aplicativos de celulares e atendimentos automatizados (como chatbots e assistentes virtuais).”

O QUE VEM POR AI:

“Especialistas narram que está se aproximando o consumidor 5.0, um perfil que deverá ser influenciado pela TV Digital interativa e pela realidade imersiva, tecnologia por meio da qual será possível imitar os sentidos humanos em espaços simulados.

A realidade imersiva tem sido apontada como uma grande tendência de atração audiovisual nos próximos anos e deverá influenciar o setor com muita força.”

O QUE FUNCIONA MELHOR:

“Esse perfil de cliente cobra um atendimento Omnichannel, ou seja, a convergência de todos os seus canais em apenas um. Com isso, ele pode, por exemplo, entrar em um site e encontrar informações sobre as lojas físicas, acessar um aplicativo e fazer compras, achar algo de que gosta e publicar em suas redes sociais e assim por diante.”

 Atendimento 4.0 . 3

O QUE QUERO CONSUMIDOR 4.0?

Ser reconhecido.

Valorização da marca, uma vez que ele está doando tempo a ela.

Descontos personalizados. Parcerias exclusivas.

Eventos e programas de pontuação.

Atendimento 4.0 . 4

CA$E MUITO ALEM DO SHARE

IDEIA:

HelloCidades é uma plataforma que convida as pessoas a se conectarem com a sua cidade de uma nova maneira, usando a tecnologia de forma mais coletiva pelo smartphone. Presente em ferramentas que vão do Google ao Spotify, a Motorola distribui dicas culturais em diferentes cidades e realiza também eventos e intervenções físicas pelas regiões contempladas.

RESULTADOS:

A plataforma gerou propostas como Casa HelloCidades, na Vila Madalena (SP), o HelloCinema – um cinema a céu aberto no Centro Cultural São Paulo, além de outros eventos relevantes que trouxeram visibilidade e engajamento com os consumidores.

OUTRAS SOLUÇÕES:

Outra ideia da marca é o Phone Life Balance, que convida as pessoas a equilibrar o uso da tecnologia e reconectar com o que mais importa para elas. “É uma bandeira onde questionamos a nós mesmos como inventores do primeiro celular. E o resultado está sendo surpreendente. Os consumidores se engajaram e se tornaram porta­ vozes desse novo pensamento”, explica a head de Marketing da empresa, Juliana Mott.

Atendimento 4.0 . 5

PARA NÃO TER ERRO

CONTEÚDO É ESSENCIAL: linguagem adaptada ao público, comunicação leve e objetiva, usabilidade.

EQUIPE DEDICADA E TREINAMENTO: deve-se considerar a ferramenta de autoatendimento como se fosse um colaborador. A diferença é que não existe absenteísmo, mau humor, falta de padronização. Uma equipe multifuncional de curadoria, técnica e de negócios deve ser designada para assegurar uma evolução e maior eficiência da ferramenta.

CANAIS ADEQUADOS: estar disponível nos canais que os clientes estão (Website, Messenger, WhatsApp, APP e outros).

PROMOCIONAR E EVANGELIZAR: o canal deve ser divulgado e estimulado uma vez que as experiências passadas com autoatendimento possam ter sido traumáticas.

SELECIONAR um fornecedor com expertise e com ferramenta flexível e com provadamente qualificada.

DESIGNAR uma equipe multifuncional com conhecimento técnico, linguístico e de negócio para uma implantação de qualidade e para as melhorias evolutivas necessárias.

CONSIDERAR a ferramenta como um novo colaborador, que precisa de atenção e treinamento.