PSICOLOGIA ANALÍTICA

DEPENDENTES DE BRONZEAMENTO

Luz ultravioleta ativa as mesmas vias de recompensa cerebral que drogas opioides, como a heroína.

Dependentes de bronzeamento

Apesar da conhecida associação entre bronzeamento sem proteção e risco de câncer de pele, muitos se expõem ao sol em excesso durante o verão. De acordo com um estudo publicado na Cell, isso ocorre por motivações que vão muito além da vaidade de “pegar uma cor”. No experimento relatado, camundongos ficaram dependentes de betaendorfina, uma molécula opioide endógena produzida pela pele quando exposta à luz ultravioleta.

Pesquisadores do Hospital Geral de Massachusetts examinaram minuciosamente o sistema opioide, o caminho da recompensa percorrido por drogas como a heroína. Trabalhos anteriores já haviam constatado que a betaendorfina e o pigmento da pele, a melanina, se originavam da mesma proteína. Outros estudos também apontam nessa direção: pessoas que se bronzeiam frequentemente apresentaram sintomas de abstinência quando ingeriram uma droga que bloqueou os receptores opioides.

Nesse novo estudo, cientistas submeteram ratos depilados a uma dose diária de luz ultravioleta suficiente para bronzear, mas sem provocar queimaduras – equivalente a 20 ou 30 minutos do sol do meio-dia da Flórida para um ser humano de pele clara. Depois de alguns dias, os níveis de betaendorfina aumentaram no sangue dos camundongos. Em seguida, os pesquisadores avaliaram, com calor e toque, a tolerância à dor, um marcador da dependência de drogas opioides. Os ratos submetidos aos raios UV demonstraram limiar até três vezes mais elevado do que os ratos que não passaram pelo bronzeamento. A resistência ao incômodo aumentou na mesma medida em que os níveis de betaendorfina se elevaram.

Quando os ratos bronzeados receberam um bloqueador opioide, o limiar de dor voltou ao normal. Os animais apresentaram também sintomas de abstinência, como tremores nas patas e ranger de dentes, chegando a modificar comportamentos para evitá-la: aqueles que receberam bloqueadores de opioide em uma caixa escura preferiam passar o tempo em uma branca, apesar da propensão natural dos roedores a ambientes sem iluminação.

Seres humanos e ratos compartilham esses processos químicos. “A betaendorfina pode causar dependência em pessoas”, acredita o coautor do estudo, David Fisher, diretor do Programa Melanoma no Hospital Geral de Massachusetts. “Tomar sol é gratificante para o cérebro porque precisamos de vitamina D”, explica. O próximo passo, diz, é investigar se há relação desses processos com transtornos afetivos sazonais, o que pode permitir um novo alvo terapêutico.

OUTROS OLHARES

BEBÊS SOB MEDIDA

Por que não devemos deixar nosso medo da desigualdade impedir o progresso tecnológico que poderia tornar a próxima geração mais saudável, feliz e inteligente.

Bebês sob medida

Imagine inovações tecnológicas que nos permitam gerar filhos livres de doenças genéticas – ou, pelo menos, com um risco bastante reduzido de tê-las. Imagine, ainda, que possamos nos assegurar de que as crianças do futuro sejam significativamente mais inteligentes, saudáveis e, no geral, mais capazes que as do passado. Deveríamos dar boas-vindas a esse futuro! No entanto, muitos veem com alarme a perspectiva de designer babies, ou bebê geneticamente modificado. Um artigo recente, publicado na prestigiosa MIT Technology Review, mostra algumas das razões para esse alarme – e por que tais reações negativas são problemáticas. Há uma forte tendência de julgar inovações tecnológicas de alto padrão, ao mesmo tempo que se relevam sérios problemas no status quo.

A autora do artigo, a jornalista cientifica Laura Hercher, não condena o uso de triagem genética para assegurar que bebês estejam livre de doenças. Sua preocupação é que isso criará desigualdades perigosas, porque nem todo mundo terá acesso à novas tecnologias, principalmente no começo. Segundo Hercher, alguns serão incapazes de se beneficiar delas, porque lhes faltam recursos ou instalações disponíveis em sua região geográfica. Outros se recusarão a utilizá-la porque a “tecnologia reprodutiva é menos aceita em grupos raciais, étnicos e religiosos nos quais ser visto como infértil carrega um estigma”. A menos que essas desigualdades sejam eliminadas, ela argumenta, bebês geneticamente modificados criarão disparidades perigosas.

“Nosso desconforto acerca de designer babies sempre teve a ver com o fato de que tal tecnologia torna tudo mais desigual – pega iniquidades existente e a transforma em algo inato. Se não abordarmos essas diferenças, arriscamos criar uma sociedade na qual alguns grupos, por causa de sua cultura, geografia ou pobreza, carregam um fardo maior de doença genética. O que poderia ocasionar uma mudança mais profunda numa sociedade do que tomar doenças genéticas – algo que sempre foi a epítome de nossa humanidade compartilhada – e transformá­la em algo que só acontece com algumas pessoas?”, pontua Hercher em seu artigo.

O problema com essa crítica aos bebês geneticamente modificados é que ela ignora problema muito maia graves no status quo. Já vivemos numa sociedade em que doenças genéticas só “acontecem com algumas pessoas”. Acontecem apenas com os azarados o suficiente para nascerem com os genes errados. São há dúvidas de que aqueles nessa categoria – e sua família – “carregam um fardo maior de doença genética”. Quando eu estava no ensino médio, havia um garoto em minha rua que tinha síndrome de Down. É bem óbvio que o fardo da doença genética está muito mais presente nele do que em mim.

Tampouco é verdade que os perigos de uma doença genética estejam distribuídos igualmente na sociedade, no sentido de que qualquer família tem mais ou menos o mesmo risco de passá-la para seus filhos. Nada é mais distante da verdade do que isso. Na maioria dos casos, os filhos têm mais chances de desenvolver uma doença genética se há um histórico dessa doença na família. Algumas atingem desproporcionalmente grupos raciais ou étnicos específicos. A doença de Tay-Sach, por exemplo, e tá em grande parte confinada a judeus asquenazes e outros poucos grupos.

Ainda que a tecnologia de designer babies esteja disponível para algumas famílias, mas não para todas, ela poupará muitos pais do risco de repassarem doenças genéticas. Também reduzirá a de igualdade de modo geral, ao diminuir a percentagem da população afetada por elas. A tecnologia pode ser valiosa para famílias e grupos étnicos com um histórico de doenças genéticas que, de outras maneiras, teriam de fazer a dolorosa escolha entre privar- e de ter filho – com exceção, talvez, de adoção – ou arriscar passar adiante uma condição debilitante.

Como com qualquer outro avanço tecnológico, a opção de bebês modificados provavelmente estará disponível para o mais abastado ante de se estender para o restante da população. Dado o precedente, porém, é provável que ela se torne mais barata com o tempo e se estenda para ainda mais pessoas. Mesmo aquelas que não puderem aproveitar a nova tecnologia no início – ou aquele que implemente não quiserem ou não necessitarem – poderão se beneficiar de sua introdução. Elas também viverão melhor numa sociedade onde menos pessoas sofrerão perda de seu potencial por doença genética; logo, mais pessoas poderão ter uma vida feliz e produtiva.

Imagine que, graças à tecnologia, a família Jones tenha uma filha sem síndrome de Down ou sem doença de Tay-Sachs, que, em outras circunstâncias, poderiam tê-la afligido. O resultado disso é que ela cresce e se torna uma cientista bem-sucedida. Ela e o resto dos Jones não serão os únicos que estarão melhor. Outros se beneficiarão de novas descobertas feitas por ela. Se você multiplicar esse efeito por milhares de outros casos parecidos, fica claro que bebês geneticamente modificados podem ter um grande potencial de impacto positivo na sociedade, mesmo que a tecnologia não se torne universalmente disponível.

Como Hercher aponta, muitas pessoas que aceitam o uso da tecnologia para antecipar doença e opõem a seu uso para “melhorar” a capacidade de crianças – para deixá-las mais inteligentes, fortes ou saudáveis, por exemplo -, outro foco de preocupações sobre desigualdade. Se algumas famílias são capazes de aumentar o Q.I. de sua criança por meio de intervenção genética, enquanto outras não, os filhos dessas primeiras podem ter uma vantagem “injusta”.

Assim como as preocupações de Hercher sobre o uso da tecnologia para prevenir doenças genéticas, esse tipo de argumento ignora a enorme desigualdade já existente no status quo. Algumas pessoas já têm grandes vantagens em relação a outras devido, em parte, a dotes genéticos distintos. A tecnologia de bebês modificados poderia reduzir essas desigualdades na mesma medida que as aumenta. Por exemplo, se ela permite que uma grande parte da sociedade aumente seu Q.l. para, digamos, 150, crianças que teriam retardo mental se beneficiarão muito mais do que aquelas que teriam uma inteligência relativamente alta de qualquer forma.

E, assim como a prevenção de doenças, o aprimoramento genético pode ser uma bênção até para aquele que não se beneficiarão dela diretamente. Pessoas que são mais inteligentes e saudáveis também serão mais produtivas. E o restante da sociedade – incluindo aquele que não têm nenhuma “melhoria” genética – poderão aproveitar a produtividade extra. Para a maioria, os efeitos provavelmente serão grandes o suficiente para superar qualquer impacto negativo de ter de competir com os “melhorados” por empregos ou oportunidade educacionais específicas. Se você duvida disso, considere se sua vida estaria melhor caso alguma força cósmica do Universo assegurasse que o Q.I. de todo mundo ficasse abaixo de 120 e apenas o seu fosse muito mais alto que isso. Você estaria, então, numa posição muito melhor para competir por emprego que requerem inteligência. Mas é mais provável que você estivesse muito pior do que antes, de modo geral, por causa do declínio em produtividade no restante da sociedade. E, e reduzir a habilidade de outro membro da sociedade piora sua vida, é provável que bloquear tecnologia que possa aumentar a produtividade de todos também piore.

Além de aumentar a produtividade e inovação, o aprimoramento genético pode ajudar a mitigar problema de ignorância política, que atualmente têm um impacto muito negativo em políticas públicas. Aqui também podemos nos beneficiar do aprimoramento de outros, mesmo que nossos genes permaneçam os mesmos.

Nem a prevenção de doenças genéticas nem o aprimoramento de habilidades é um jogo de soma zero em que os ganhos de alguns só podem vir à custa de outros. Ao contrário, melhoria para uns também fornecem benefícios para muitos outros, incluindo aqueles com genes “normais”.

Assim como com outros tipos de cuidados médicos, há uma justificativa para o governo subsidiar aprimoramento genético para os filhos dos pobres, já que reduzir a incidência de doenças genéticas pode reduzir também os custos de assistência médica a longo prazo. Entretanto, mesmo na ausência desses subsídios, a tecnologia de bebês geneticamente modificados provavelmente trará mais benefícios do que danos.

Apesar de meu entusiasmo pelos designers babies, apontarei algumas ressalvas. Primeiro, cria perigo ao permitir que o governo esteja encarregado de manipulações genéticas. Entre outras coisas, governantes poderiam se aproveitar para assegurar que a próxima geração tenha as mesmas visões políticas do partido no poder (a orientação política é, em parte, geneticamente determinada). A solução para esse problema é deixar essas questões a cargo dos pais, em vez dos funcionários do governo, a não ser, talvez, por alguns padrões de segurança.

Um segundo perigo é que alguns aprimoramentos podem não ser socialmente benéficos, mas apenas combustível para uma “corrida armamentista” de soma zero. Por exemplo, alguns dados sugerem que pessoas mais altas têm vantagem ao competir por emprego e parceiros. É improvável, entretanto, que a sociedade estivesse melhor se todos fossem 30 centímetros mais altos. A altura é primariamente um “bem posicional”, cujo benefício vem de ser mais alto que os rivais. Usar o aprimoramento genético para aumentar o tamanho das pessoas tem o potencial de fazer mais mal do que bem. Podemos ter uma população mais alta que precisa de mais comida e outros recursos, mas essa mudança não traria nenhum benefício para a sociedade em geral.

Suspeito que casos desse tipo são a exceção, não a regra. A maioria do aprimoramento que beneficiam o indivíduo também é provavelmente benéfica para a sociedade. Ainda assim, essa é uma questão a ser considerada.

Por fim, é possível que a tecnologia de designer baby nunca avance a ponto de podermos fazer intervenções além da muito modestas. Também é legítimo considerar a segurança e confiabilidade das inovações. Não tenho expertise científica para analisar essas questões. Mas, se designer babies são de fato viáveis, deveríamos querer que essas tecnologias se espalhem o mais rápido possível, e não que seja bloqueada por preocupações quanto à desigualdade.

Bebês sob medida. 2

GESTÃO E CARREIRA

EQUIPE NO SUFOCO

A crise econômica encolheu as equipes e, como consequência, as sobrecarregou. Atualmente é comum um funcionário desempenhar várias funções para suprir a falta de outro. A grande questão das empresas tem sido driblar o estresse, o cansaço e a baixa produtividade do grupo.

Equipe no sufoco

A combinação crise econômica, política, diminuição da equipe, concorrência por preços baixos, competitividade, impostos estratosféricos e corte de custos são alguns dos problemas pelos quais as empresas passam. Tudo isso tem feito com que muitas tarefas sejam realizadas por apenas uma pessoa, a produtividade caia e o estresse tome conta de tudo.

É inquestionável que a situação atual do mundo empresarial tem elevado ainda mais um dos maiores problemas da modernidade, o estresse, e por conta dele há a diminuição da produtividade dos trabalhadores.

Uma equipe menor tem que dar conta de mais trabalho, melhorar a produtividade, fazer frente à concorrência e mostrar perfeição em suas tarefas.

Contudo, o que uma pequena em­ presa com equipe enxuta pode fazer? Ela não consegue contratar mais porque precisa de mais “trabalho” para isso, mas, ao mesmo tempo, se pegar “mais tarefas”, prejudica a equipe. Como resolver esses problemas?

Não é nada fácil, mas algumas ações podem facilitar isso, entre elas, a prática do feedback do líder com os funcionários, o conhecimento dele sobre as motivações e sonhos de seus liderados, o desenvolvimento de uma comunicação estratégica, a promoção do corporativismo, entre outras.

O ESTRESSE E A SOBRECARGA

Segundo um estudo realizado pela International Stress Management Association (lsma – Brasil), o nosso País é o segundo mais estressado do mundo em um ranking com dez.

O principal motivo levantado pelos participantes da pesquisa é o trabalho. Dentro desse tópico estão: trabalho levado para casa, falta de tempo para atividades relaxantes, longas jornadas, sobrecarga de tarefas e tensão no ambiente corporativo.

Por conta desse problema, segundo dados da Previdência, só no ano de 2015 foram feitos 2.899 pedidos de afastamento pelos trabalhadores. O estresse perde somente para os traumas ósseos e para as lesões causadas por esforço repetitivo como razão para afastamento do trabalho.

A psicóloga da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo, Rita Calegari, explica que o gestor precisa se preocupar com a saúde física e emocional dos funcionários, e isso significa otimizar onde vai investir. “Os atestados e turn over serão uma realidade difícil de gerir e que se tornarão um problema a mais para o alcance de êxito da empresa. Quanto mais ineficazes são o processo e a gestão, me­ nos se alcança o resultado e mais se cobra das pessoas, que passam a entregar cada vez menos e pior”, lembra.

Para isso, Rita indica alguns pontos importantes para a empresa observar, entre eles, priorizar as atividades, extraindo o essencial a ser entregue para sua sustentabilidade e marca; automatizar o máximo de atividades possível; investir em bons equipamentos, que sejam ágeis, fáceis de manusear e práticos; investir em sistemas de informática que otimizem a busca por dados, informações e atividades; ter gestores maduros e com experiência na atividade; desenvolver fluxos de eficiência usando ferramentas de gestão.

Para aumentar a produtividade da empresa é necessária a presença de: boa gestão, visão de negócio, capacidade de priorização, coerência organizacional, agilidade nas soluções, processos pouco burocratizados, envolvimento da equipe, processo de delegar maduro, compartilhar sucesso, ouvir a equipe, acatar sugestões, assumir erros com transparência, investir nas relações interpessoais e na qualidade dos processos.

TRABALHO EM EQUIPE E MUDANÇAS DE MENTALIDADES

Além do estresse dos funcionários sobrecarregados, a empresa tem que lidar com outras questões que causam desgaste em seus mecanismos de funcionamento. Entre eles estão a insegurança, as frustrações, medo de perder o emprego e o descontentamento por conta das pressões, cobranças do chefe e dos clientes. Os trabalhadores recebem o mesmo salário para fazer o dobro ou o triplo. Como o líder pode minimizar esse quadro?

Uma das coisas que ele não deve fazer é se isolar e tentar solucionar a situação sozinho. É preciso fazer o contrário, aproximar-se da equipe, procurar ouvi­la e em conjunto arrumar uma adequação que contribua com todos.

O gestor deve ler a compreensão exata daquilo que os funcionários pensam e sentem para conseguir desenvolver uma estratégia. Um dos principais lemas é engajar a equipe no processo, fazê-la vestir a camisa.

Deve também criar um planejamento que vai desde a organização das tarefas diárias até pequenas coisas, como a arrumação de arquivos e documentos. É preciso pensar em economizar tempo, energia, estimular todos e muitas vezes mudar as mentalidades.

A consultora de Estratégia em Gestão de Pessoas e coach Sabrina Espíndola explica que a empresa pequena tem que pensar igual à grande para ter produtividade e sustentabilidade. Assim sendo, a coach sugere criar processos como se fossem uma linha de produção de uma fábrica, com cada etapa, desde a entrada do cliente até a entrega do serviço e do produto. “Pode ser em uma reunião de brainstorming (tempestade de ideias) ou em um treinamento. Porém, o importante é escrever esse fluxo junto com a equipe para que todas as etapas sejam contempladas”, ensina.

Com o intuito de estimular a equipe, use a criatividade para selecionar os materiais como cartolinas com hidrocor ou um simples papel A4 com lápis e caneta. Sabrina indica que o resultado precisa estar escrito como é praticado hoje para somente depois fazer esse mesmo exercício pensando em como poderia otimizar essa “produção”.

Outro ponto interessante é usar da tecnologia para aumentar a produtividade e acompanhar os projetos, como o aplicativo Trello. “Nele o líder ou a equipe incluem um projeto e suas etapas, prazos e os responsáveis. Todos que es­ tão envolvidos conseguem alimentar as informações no aplicativo para informar e dar ciência de tudo que foi feito, o que está pendente ou em atraso. Assim conseguem melhorar a comunicação entre a equipe, além de diminuir o retrabalho”, aconselha.

É fundamental não esquecer de alinhar as metas do líder com a equipe para definir etapas e prazos do projeto. “Ter reuniões semanais de dez minutos para a equipe falar das evoluções e das dificuldades que estão encontrando também aumenta a produtividade”, finaliza a coach.

ARRUME SEUS DOCUMENTOS E ECONOMIZE MESES

Manter os setores, documentos e arquivos em ordem pode ajudar, e muito, a equipe a não se sobrecarregar ainda mais. A fundadora da Redata Organização da Informação – empresa especializada em gestão documental -, Mariza Cardoso, relata que os documentos perdidos ou mesmo em mau estado de conservação causam estresse e perda de tempo de funcionários, que usam parte considerável do período de trabalho para encontrá-los. “Já vi departamentos inteiros serem mobilizados por horas por apenas um documento”, conta.

A organização dos documentos é tão importante para a manutenção do tempo da empresa que, segundo dados de associações internacionais e consultorias como a PwC, um gestor chega a perder um mês por ano buscando informações em arquivos desorganizados. “Já os profissionais gastam até 15% do tempo lendo informações e 50% procurando onde foram guardadas. E os colaboradores perdem até duas horas diárias procurando documentos extraviados”, relata Mariza.

 

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COMO EVITAR A SOBRECARGA EM 4 PASSOS

 PROCESSOS:

Tenha os processos da empresa claros e escritos para que qualquer pessoa que leia entenda como funciona. Um dos principais erros das empresas é deixar grandes processos nas mãos de apenas uma pessoa, que os tem todo na cabeça. Para mitigar, diminuir os riscos de ter perdas de produção, tenha seus processos escritos e arquivados em papel e na nuvem.

REVISE OS PROCESSOS:

Para aumentar a produtividade de um ano para o outro revisite os seus processos com a equipe para pensar em soluções que diminuam os custos ou o tempo desses processos.

TECNOLOGIA:

Busque no mercado uma tecnologia que seja ideal para o seu tipo de mercado. Existem as mais variadas soluções. Caso não tenha nada. a minha sugestão é: invente uma que contribua para todo o seu mercado – e ainda ganhará muito dinheiro.

GESTÃO DE PESSOAS:

A sua equipe precisa “vestir a camisa” da empresa. É comprovado por pesquisas que ser feliz no ambiente de trabalho aumenta a qualidade de vida das pessoas e a produtividade. Humanize a sua marca. Toda empresa é feita de pessoas. Por mais tecnologia que exista, sua empresa precisará ser orquestrada por pessoas para que os processos e a tecnologia tragam mais resultados. Invista na gestão de pessoas para contratar um perfil profissional adequado ao que precisa e desenvolva o que for necessário com palestras, treinamentos, coaching ou mentoria.

 

 COMO A SOBRECARGA REPERCUTE NO TRABALHO?

CLIMA ORGANIZACIONAL: Funcionários sem qualidade de vida começam a perder a eficácia porque é humanamente impossível produzir por um longo tempo em um giro de produção muito alto. Os problemas que surgem são: clima da empresa de insatisfação coletiva, faltas ao trabalho, afastamento por doença e desligamento.

 PERDA DE CLIENTE: O impacto final será na retenção do cliente. O seu funcionário vai tratar mal o cliente, reclamar da empresa, entregar um trabalho de mediano a ruim. Comisso, a imagem e a marca da empresa começam a ficar arranhadas.

FALÊNCIA: Isso tudo pode ainda piorar quando seus resultados não forem mais os mesmos e começar a entrar em processo de falência.

 

4 PASSOS PARA MANTER A PRODUTIVIDADE DOS PROFISSIONAIS EM ALTA

METAS: Defina quais serão as metas do ano, os principais projetos e clientes que serão da sua responsabilidade. Lembre­se de alinhar a meta com o responsável pela execução. Metas claras são aquelas que respondem a estas perguntas: O quê? (Descreva detalhadamene), quem sãos os responsáveis? Qual é o prazo de cada etapa e da entrega final? Quanto custa? A minha sugestão para a pergunta “Como?” é deixar como um desafio para a sua equipe, você pode se surpreender com as possibilidades de criatividade. Porém, caso observe que a pessoa tenha dificuldade, neste caso vale o passo a passo de como fazer por enquanto.

ALINHE AS EXPECTATIVAS: Verifique que a sua demanda foi compreendida pela pessoa que está recebendo a meta. Pergunte de vez em quando como está a produção, se tem algum dificultador.

REUNIÕES PRODUTIVAS: Agende reunião com a equipe, se possível semanalmente, para saber as evoluções dos projetos e as principais dificuldades encontradas. Ao final da reunião, é necessário haver sugestões da equipe para solucionar o problema. Tudo registrado (na planilha ou no app Trello) para acompanhamento do que está em andamento, do que foi realizado ou está atrasado.

CELEBRE: Faça a sua equipe se sentir importante quando atingir uma meta com qualidade. Pequenos gestos demonstrando qual foi o diferencial dele naquela entrega servirão de grande motivação para continuar fazendo sempre o melhor. Alguns exemplos simples: um cartão de reconhecimento assinado pelo diretor, um almoço pago pela empresa, uma simbologia como um balão de festa dizendo que ele atingiu a meta.

ALIMENTO DIÁRIO

PROVÉRBIOS 14: 14-20

Pensando biblicamente

O CONTRASTE ENTRE OS JUSTOS E OS ÍMPIOS

 

V. 14 – Observe:

1. A infelicidade dos pecadores será um resultado eterno de seus pecados: “Dos seus caminhos se fartará o infiel de coração”. que, por medo de sofrer ou esperando benefícios ou prazer, abandona Deus e o seu dever; Deus lhe dará o suficiente de seus próprios caminhos. Os pecadores não desejam abandonar os seus desejos e paixões brutos, e por isto se manterão fiéis a eles, para seu eterno terror e tormento. As expressões “Quem está sujo suje-se ainda”, e “Filho, lembra-te”, os encherá em seus próprios caminhos, e apresentará os seus pecados diante deles. A infidelidade começa no coração; é o coração per­ verso da descrença que se afasta de Deus; e os pecadores infiéis têm mais terror quando refletem sobre os seus próprios caminhos (Lucas 11.26).

2. A felicidade dos santos será uma eterna satisfação em suas graças, como sinais da benevolência particular de Deus, e as qualificações para ela: “O homem bom se fartará de si mesmo”, por aquilo que Deus operou nele. Ele se alegra em si mesmo (Gálatas 6.3). Da mesma maneira como os pecadores nunca pensam que têm pecados suficientes, até que estes os levem para o inferno, também os santos nunca pensam que têm graças suficientes, até que elas os levem ao céu.

 

V. 15 – Observe:

1. É loucura ser totalmente crédulo, acreditar em cada notícia, dar ouvidos às estórias de cada homem, ainda que muito improváveis, confiar em coisas pela sua fama comum, confiar em cada profissão de amizade e dar crédito a todos os que prometam algum tipo de pagamento: “O simples dá crédito a cada palavra”, esquecendo­ se de que todos os homens, em algum sentido, são mentirosos, em comparação com Deus, pois em todas as suas palavras devemos crer, com fé implícita, pois Ele não mente.

2. É sensato ser cauteloso: “O prudente atenta para os seus passos”, experimenta antes de confiar; avaliará tanto a credibilidade da testemunha como a probabilidade do testemunho, e então julgará os fatos quando se tornarem manifestos, ou suspenderá a sua avaliação, até que tudo venha a lume. “Não creiais em todo espírito, mas provai”.

 

V.16 – Observe:

1. O santo temor é uma excelente proteção para todas as coisas santas, e contra tudo o que é profano. É sensato se afastar do mal, do mal do peca.do, e consequentemente, de todos os outros males; portanto, é sensato temer, isto é, zelar por nós mesmos, com zelo santo, conservar um terror da ira de Deus, temer se aproximar das fronteiras do pecado ou flertar com os princípios dele. O sábio teme e desvia-se do mal, e se aterroriza quando se flagra entrando em tentação.

2. A presunção é loucura. Aquele que, quando advertido do perigo que corre, se encoleriza e se dá por seguro, insistindo furiosamente, que não suporta ser censura.do, que desafia a ira e a maldição de Deus, e, sem temer o perigo, persiste na sua rebelião, que é ousado com as oportunidades de pecar, e brinca à beira do precipício, é um tolo, pois age contra a sua razão e os seus interesses, e a sua ruína será rapidamente a prova da sua loucura.

 

V. 17 – Observe:

1. Os homens violentos são, com razão, motivo de riso. Os homens que são mesquinhos e nervosos, e logo se irritam com a menor provocação, farão doidices; fazem e dizem o que é ridículo, e se expõem ao desprezo; eles mesmos não podem deixar de se envergonhar disto, passado o calor da situação. Esta consideração deve envolver especialmente aqueles que têm uma reputação de sabedoria e honra, com o máximo cuidado para refrearem as suas atitudes impensadas, sim, para que não se precipitem.

2. Os homens perversos são, com razão, temidos e detesta­ dos, pois são muito mais perigosos e enganadores a todas as sociedades: O homem de más imaginações – que insufla seus ressentimentos até que tenha uma oportunidade de se vingar, e que trama secretamente como prejudicar o seu próximo e lhe fazer mal, como Caim tramou matar Abel – será aborrecido e odiado por toda a humanidade. O caráter de um homem irado é digno de piedade; em meio à surpresa de uma tentação, ele se perturba e causa infelicidade a si mesmo, mas isto logo acaba, e então ele se lamenta. Mas o caráter de um homem vingativo e rancoroso é odioso; não há proteção contra ele, nem cura para ele.

 

V. 18 – Observe:

1. O pecado é a vergonha dos pecadores: os simples, que amam a simplicidade, não conseguem nada com isto; herdarão a estultícia. Eles a terão como herança, segundo alguns. Esta corrupção da natureza é derivada dos nossos primeiros pais, junto com todas as calamidades que a acompanham; foi a herança que eles transmitiram à sua raça degenerada, uma doença hereditária. Eles gostam tanto dela como um homem gosta da sua herança, e se apega a ela, e detesta a ideia de se separar dela. O que eles mais valorizam é realmente tolo; e qual será o resultado da sua simplicidade, ainda que tolice? Eles lamentarão para sempre a sua tola escolha.

2. A sabedoria é a honra dos sábios: os prudentes se coroarão de conhecimento, e o considerarão como o seu mais brilhante ornamento, e não há nada que ambicionem tanto; eles a prendem às suas cabeças, como uma coroa, da qual não se separarão, de maneira nenhuma; eles buscam chegar ao topo e à perfeição do conhecimento, que irá coroar os seus princípios e progressos. Eles terão o louvor por isto; as cabeças sábias serão respeitadas como se fossem cabeças coroadas. Eles coroam o conhecimento (assim alguns interpretam); eles dão uma credibilidade à sua profissão. A sabedoria não é somente justificada, mas também é glorificada em todos os seus filhos.

 

V. 19 – Isto é:

1. Os ímpios são frequentemente empobrecidos e abatidos, de modo que são forçados a implorar; pois a sua iniquidade os leva a apuros; ao passo que os homens bons, pela bênção de Deus, são enriquecidos, e capacita­ dos a dar, e efetivamente dão até mesmo aos maus; pois onde Deus concede a vida, não devemos negar o sustento.

2. Às vezes Deus faz com que até mesmo os homens iníquos e maus reconheçam a excelência do povo de Deus. Os iníquos devem se inclinar sempre perante a face dos justos, e às vezes devem fazer isto para saberem que Deus os ama (Apocalipse 3.9). Eles desejam o seu favor (Ester 7.7), e as suas orações (2 Reis 3.12).

3. Chegará o dia em que os retos terão o domínio (Salmos 49.14), quando as virgens loucas virão implorando azeite às prudentes, e baterão em vão àquela porta do Senhor pela qual entram os justos.

 

V. 20 – Isto mostra, não qual deveria ser, mas qual é o caminho comum do mundo – evitar os pobres e gostar dos ricos.

1. Poucos aprovarão aqueles que o mundo censura, embora, não fosse por isto, seriam dignos de respeito: O pobre, que deveria ser merecedor de piedade, e encorajado, e aliviado, é odiado, considerado com estranheza e mantido à distância, é aborrecido até do companheiro, que, antes que o pobre caísse em desgraça, era seu amigo íntimo, e dizia ter carinho por ele. A maioria dos nossos amigos é como as andorinhas: eles vão embora no inverno. É bom termos Deus como nosso amigo, pois Ele não nos abandonará mesmo que nos tornemos pobres.

2. Todos cortejarão aqueles para os quais o mundo sorri, ainda que, não fosse por isto, se1iam indignos: os amigos dos ricos são muitos, são amigos de suas riquezas, esperando obter alguma coisa delas. Há pouca amizade no mundo, exceto a que é governada por interesses próprios, e isto não é amizade verdadeira, nem aquilo com que um homem sábio se valorizará, ou em que depositará alguma confiança. Os que fazem do mundo o seu deus idolatram aqueles que têm muitos bens, e buscam o seu favor, como se, na verdade, fossem os favoritos do Céu.

PSICOLOGIA ANALÍTICA

PODEMOS SER CADA VEZ MAIS INTELIGENTES?

Aumento contínuo dos resultados nos testes que medem o quociente de inteligência (Q.I) sugere que nossos descendentes farão com que a geração atual pareça lerda. Esse efeito, entretanto, pode revelar que estamos apenas encontrando outras formas de usar o cérebro.

Podemos ser cada vez mais inteligentes

Há três décadas, o pesquisador James R. Flynn, da Universidade de Otago, na Nova Zelândia, descobriu um fenômeno que os cientistas sociais ainda se esforçam para explicar: os quocientes de inteligência (QI) vêm crescendo constantemente em todo o mundo desde o início do século 20. Por mais questionável que essa seja medição, o resultado da pesquisa de Flynn vale pelo menos ser considerada. Ele examinou dados de testes de inteligência de mais de 20 países e descobriu que a pontuação está subindo 0,3 ponto por ano – ou 3 pontos por década. Quase 30 anos de estudos de acompanhamento confirmaram a realidade estatística do avanço global, conhecido agora como efeito Flynn. E os pontos continuam subindo.

“Para minha surpresa, no século 21 os aumentos continuam”, diz Flynn. “Os últimos dados mostram os ganhos acompanhando a velha taxa de três décimos de ponto por ano. “Um dos aspectos mais estranhos desse efeito Flynn é certa monotonia – ele não desacelera, para ou recomeça. Apenas se move regularmente para cima, “como se guiado por uma mão invisível”, reforça Flynn. O psicólogo Joseph Rodgers, da Universidade de Oklahoma, examinou os resultados dos testes de quase 13 mil estudantes americanos para ver se poderia detectar o fenômeno numa escala de tempo mais restrita. “Questionamo-nos se os pontos dos estudantes melhorariam num período de cinco ou dez anos. Bem, eles melhoraram num período de um ano. O aumento está lá, sistematicamente, ano após ano. Pessoas nascidas em 1989 têm resultado um pouco melhor que as nascidas em 1988.”

O efeito Flynn significa que as crianças vão, em média, conseguir 10 pontos a mais nos testes de QI do que seus pais. Até o fim deste século, nossos descendentes terão uma vantagem de quase 30 pontos sobre nós – a diferença entre a inteligência média e os 2% do topo da população – se o fenômeno se perpetuar. Surgem, porém, algumas questões. A tendência se manterá indefinidamente, levando a um futuro repleto de pessoas que seriam consideradas gênios pelos padrões de hoje? Ou há algum limite natural ao desenvolvimento da inteligência humana? E, mais importante: aumentar a pontuação nesse tipo de teste significa realmente que as pessoas são mais inteligentes ou apenas que o cérebro encontrou formas de obter pontuações mais altas?

Podemos ser cada vez mais inteligentes. 2

MENTE MODERNA

Logo que reconheceram o efeito Flynn, os pesquisadores viram que os pontos ascendentes eram resultado quase inteiramente do avanço no desempenho em partes específicas dos mais usados testes de inteligência. Um deles, o Wechsler lntelligence Scale for Children (WISC, em inglês), tem múltiplas seções, e cada uma avalia capacidades diferentes. Seria mais plausível esperar avanços na inteligência cristalizada – caracterizada pelo tipo de conhecimento obtido na escola -, mas isso não acontece. Os pontos nas seções que medem os níveis de aritmética e vocabulário continuaram constantes ao longo do tempo.

A maior parte dos ganhos de QI veio justamente de dois subtestes dedicados ao raciocínio abstrato. Um lida com “similaridades” e apresenta questões como “Em que uma maçã e uma laranja são semelhantes?”. Uma resposta de baixa pontuação seria “ambas são comestíveis”. Uma de pontuação mais alta seria “as duas são frutas”, já que transcende simples qualidades físicas. Outro subteste contém uma série de padrões geométricos relacionados de alguma forma abstrata para que a pessoa identifique corretamente a relação entre os padrões.

Um paradoxo do efeito Flynn é que testes como esses foram projetados para ser uma medida completamente não verbal e culturalmente neutra do que os psicólogos chamam de inteligência fluida: uma capacidade inata para resolver problemas desconhecidos. Mas o efeito Flynn mostra claramente que algo no ambiente tem acentuada influência nos supostos componentes culturalmente neutros da inteligência em populações do mundo todo. Os psicólogos Ainsley Mitchum e Mark Fox, da Universidade do Estado da Flórida, que fizeram estudos detalhados das diferenças entre gerações no desempenho em testes de inteligência, suspeitam que o aprimoramento de nossa capacidade de pensar de maneira abstrata possa estar relacionado à tecnologia, que nos proporciona uma nova flexibilidade na forma como percebemos os objetos.

“Todo mundo conhece o ‘botão’ iniciar na tela do computador, mas não se trata realmente de um botão”, diz Mitchum. “Eu estava tentando ensinar para minha avó como desligar o computador e disse: ‘Aperte o botão iniciar e selecione desligar’. Ela bateu com o mouse na tela.” Mitchum acrescenta, no entanto, que não se trata de falta de inteligência da avó: ela cresceu num mundo em que botões eram botões e telefones certamente não eram máquinas fotográficas. Muitos pesquisadores, entre eles o próprio Flynn, reconhecem que o aumento nos pontos do QI não reflete um aumento em nossos recursos intelectuais brutos. Na realidade, o efeito Flynn mostra como nossa mente se transformou. Esses testes exigem facilidade para reconhecer categorias abstratas e fazer e conexões entre elas, o que se tornou mais útil no último século do que em qualquer época anterior na história humana.

“Se você não classificar abstrações e não estiver acostumado a usar a lógica, não pode realmente dominar o mundo moderno”, avalia Flynn. “Ao fazer algumas entrevistas com camponeses russos nos anos 20, o psicólogo Alexander Luria dizia: ‘Onde sempre há neve, os ursos são brancos. Então, se sempre há neve no polo norte, qual é a cor dos ursos de lá?’. E a maioria respondia que só via ursos marrons. Eles não entendiam a questão hipotética.”

Mas os camponeses não eram ignorantes. O mundo deles exigia apenas habilidades diferentes. “Acho que o aspecto mais fascinante não é que estamos indo muito melhor nos testes de QI”, analisa Flynn. “É a nova luz que lança sobre o que chamo de história da mente no século 20.” Uma interpretação ingênua do efeito Flynn leva rapidamente a algumas estranhas conclusões. A simples extrapolação do efeito ao longo do tempo, por exemplo, sugeriria que a pessoa com inteligência média na Grã-Bretanha em 1900 teria um QI de cerca de 70 pelos padrões de 1990. “Isso significaria que o britânico tinha deficiência mental limítrofe e não seria capaz de entender as normas do críquete”, compara o psicólogo cognitivo David Hambrick, professor da Universidade do Estado de Michigan.

Podemos não ser mais inteligentes que nossos antepassados, mas não há dúvida de que nossa mente mudou. Flynn acredita que a mudança começou com a Revolução Industrial, que trouxe novas realidades: maior acesso ao ensino formal, famílias menores e uma sociedade em que empregos técnicos e administrativos substituíram os agrícolas. Novas classes profissionais surgiram – engenheiros, eletricistas, arquitetos industriais – e seus postos exigiram domínio de princípios abstratos. A educação, por sua vez, tornou-se o motor de mais inovação e mudança social, desencadeando um circuito de realimentação positivo entre nossa mente e a cultura com base na tecnologia que não deve terminar em breve.

A maioria dos pesquisadores concorda com a avaliação geral de Flynn de que a Revolução Industrial e os avanços tecnológicos são responsáveis por esse efeito. Mas especificar as causas precisas – o que poderia permitir a elaboração de políticas educacionais e sociais para ampliar o resultado – tem sido difícil. Progressos na educação certamente respondem por parte dos avanços. Hoje, cerca de metade dos adultos tem pelo menos algum grau de escolaridade superior. A educação formal, contudo, não explica completamente o que acontece. Alguns pesquisadores pressupõem que a maior parte do aumento no QI no século 20 possa ter sido liderada por ganhos na ponta esquerda da curva de sino da inteligência entre aqueles com as pontuações mais baixas, um resultado que seria provavelmente consequência de melhores oportunidades educacionais. Mas, em um estudo recente, Jonathan Wai e Martha Putallaz, da Universidade Duke, analisaram 20 anos de dados compreendendo 1,7 milhão de resultados de testes de alunos de 5ª e 7ª séries e descobriram que os pontos de 5% dos melhores estudantes estavam subindo em perfeita sintonia com o efeito Flynn. Os resultados sugerem que, como a curva toda está mudando, as forças culturais por trás do aumento devem estar influenciando a todos igualmente. Os cientistas especulam que a disseminação dos sofisticados videogames e mesmo de alguns programas de televisão pode ajudar crianças a aumentar as habilidades necessárias para solucionar problemas propostos pelos testes de QI.

Para Rodgers, a universalidade do efeito Flynn confirma que é inútil buscar uma causa única: “Deve haver quatro ou cinco causas dominantes, cada uma se levantando contra fluxos ou desaparecimentos de outras”. Melhor nutrição infantil, educação universal, famílias menores e a influência de mães com educação superior são algumas das mais prováveis. “Desde que duas causas estejam presentes, mesmo quando algo como a Segunda Guerra provoca o desaparecimento de outras duas, o efeito Flynn mantém sua curva.”

Podemos ser cada vez mais inteligentes. 3

MAIS RÁPIDOS

O que o futuro trará? Os Qls seguirão subindo? Algo de que podemos ter certeza é que o mundo continuará mudando, em grande parte por nossas próprias ações. Flynn gosta de usar uma analogia tecnológica para descrever a interação de longo prazo entre mente e cultura. “A velocidade dos automóveis em 1900 era absurdamente baixa porque as estradas eram muito ruins”, compara. Mas rodovias e carros evoluíram. Quando os caminhos melhoraram, também os veículos melhoraram – e estradas melhores levaram os engenheiros a projetar carros mais velozes.

Tanto a mente quanto a cultura são atreladas num circuito de feedback semelhante. Estamos criando um mundo onde a informação assume formas e se move com velocidades impensáveis há apenas uma década. Cada ganho tecnológico demanda mentes capazes de acomodar a mudança – e a mente modificada reforma ainda mais o mundo.

Um fato a ser considerado é que a mente parece estar ficando mais rápida. Uma prática comum na pesquisa reação-tempo é descartar respostas que estejam abaixo de cerca de 200 milissegundos. “Pensava-se que 200 milissegundos era o mais rápido que as pessoas podiam responder, mas hoje digitamos textos, jogamos videogames, fazemos muito mais coisas que exigem respostas realmente velozes”, diz o psicólogo cognitivo David Hambrick. Isso é bom? Não necessariamente, já que em muitas tarefas cruciais um instante a mais de hesitação pode significar menor possibilidade de erro. Assim como o efeito Flynn, a rapidez em si não é nem boa nem ruim – é uma evidência de nossa adaptabilidade. Com sorte, talvez continuemos construindo um mundo que nos torne mais inteligentes e hábeis para fazer melhores escolhas. Afinal, isso sim é sinal de inteligência.

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OUTROS OLHARES

QUANDO O ALVO SÃO AS MULHERES

O aumento do número de mulheres morta por familiares coloca em xeque a defesa da flexibilização do porte de arma.

Quando o alvo são as mulheres

Aos 40 anos, Simone Fernandes do Santo de Morais vivia uma vida simples. Morava com o marido e o filho de 19 anos na zona rural de Santa Isabel, a 65 quilômetro de São Paulo. Cuidava da casa e começara a ajudar no dia a dia de um pequeno sítio que havia sido cedido ao marido para ele plantar e, assim, aumentar a renda da família. Simone engravidou, mas logo perdeu o bebê. Chegou a ser internada, mas no fim ficou aliviada. Não seria fácil, àquela altura da vida, criar uma criança. Além disso, havia pelo menos oito anos o marido, João Cândido de Morais, de 43 anos, fazia uso de remédio controlado e vivia de uma aposentadoria precoce após um diagnóstico de transtorno psiquiátrico. Cabia a ela controlar o orçamento da casa, fazer as compras e cuidar de João Cândido, sobretudo para que ele não se esquecesse de tomar o medicamento.

Mas a vida não era difícil só por isso. Nos últimos tempos, a convivência com João Cândido se tornara cada vez mais dura. Na semana do Natal, Simone recebeu a visita do cunhado, Alcídio, um acontecimento raro – os surtos do marido haviam afugentado os parentes. E foi com ele que desabafou. Já não aguentava mais as constantes brigas e queixa do marido por causa dos gastos com a casa, com o filho, e estava decidida a pedir o divórcio.

Alcídio conversou com o irmão, mas ouviu dele algo pior: João Cândido alimentava a suspeita de que o bebê que Simone perdera não era dele e que a mulher o havia traído. Procurou acalmá-lo, disse que ele estava pensando bobagem e que deveria, com a mulher, voltar a frequentar a igreja evangélica, da qual o casal havia se distanciado.

Os doí irmãos só voltaram a se encontrar no último dia 4 de janeiro. Ao chegar em casa no fim da tarde, Alcídio deparou com João Cândido sentado na varanda, muito agitado. Disse que um homem havia invadido a casa dele e atirado, matando Simone. Mas a história não convenceu. Enquanto ganhava tempo acalmando João Cândido, Alcídio ligou para a polícia.

Poucas horas antes, por volta da uma e meia da tarde, Simone fora morta com dois tiros na altura do tórax. O filho não estava em casa. Ninguém sabia dizer o que acontecera. Vizinhos apenas ouviram tiros e chamaram a polícia. Com a mulher caída no quarto, ao lado da cama, João Cândido saiu de casa. Numa estrada de terra, pegou carona com um vizinho para ir até o centro da cidade. Nervoso, dizia que sua casa fora invadida. De início, o vizinho não deu muita importância à história, mas, ao voltar para casa e saber da morte de Simone, desconfiou. Foi olhar o próprio carro. João Cândido, que havia sentado no banco de trás, deixara debaixo do banco do motorista a arma do crime – um revólver calibre 38.

João Cândido foi preso em flagrante por feminicídio. E Simone passou a fazer parte da triste e crescente lista das mulheres vítimas de violência doméstica. “Quem pode ter vendido uma arma a um homem que tomava medicamento controlado? Se a arma era legal ou ilegal, pouco importa. Isso precisa ser investigado”, desabafou Alcídio, o irmão do assassino. Para a polícia, esse é um detalhe pouco relevante num crime já elucidado. João Paulo, o filho do casal, contou ao delegado que o pai tinha duas armas escondidas em casa – um revólver calibre 38 e outro calibre 22 e que vivia brigando com sua mãe por uma suposta disputa de terras a que ela teria direito no inventário de seu avô.

João Cândido era um homem sem antecedentes criminais. Nem mesmo Simone havia registrado na polícia qualquer queixa contra ele por agressão. “Ela tinha medo. Nunca se queixou. E ainda tinha a doença dele”, lamentou a mãe de Simone, Juventina Fernandes, de 70 anos.

A morte de Simone alerta sobre uma hipótese alarmante para o país: a possível relação entre posse de arma e o aumento das vítimas de violência doméstica. Em 2016, último dado disponível no sistema Datasus, que registra mortes ocorridas em atendimento no sistema público de saúde, 2.339 mulheres foram mortas por disparos de armas de fogo no Brasil – metade do número de mortes por agressão ocorridas no país. O dado inclui, além de homicídios, registro de roubos seguido de morte – latrocínio – e lesão corporal seguida de morte. Nos casos em que a mulher foi morta dentro de casa, armas de fogo foram usadas em 40% dos casos.

Um levantamento feito pelo Instituto Sou da Paz, ONG de referência na promoção de iniciativa contra a violência, mostra que em alguns estados o percentual de mulheres mortas por arma de fogo dentro de suas residências é ainda maior: 58% dos casos na Paraíba, 67% no Acre, 68% no Rio Grande do Norte e 70% em Alagoas.

Especialistas em violência contra a mulher receiam que o decreto prometido pelo presidente Jair Bolsonaro para os próximos dias, que flexibiliza a posse de arma e foi uma das principais promessas da campanha eleitoral, agrave a situação das brasileiras. “Não ter arma de fogo não reduz o risco de violência doméstica. Mas a existência dela dentro de casa, seja a arma legal ou ilegal, agrava o risco de morte para as mulheres e acende a luz vermelha. um consenso internacional”, disse a promotora Valéria Scarance, do Grupo de Enfrentamento à Violência Doméstica do Ministério Público de São Paulo. “A existência de arma de fogo dentro de casa é um fator maior de risco. Afinal, em geral os homens que praticam violência contra a mulher e feminicídio são réus primários, têm bons antecedente e residência fixa (condições que os credenciam a comprar armas)”, acrescentou a promotora.

Quando o alvo são as mulheres. 2 Segundo Scarance, a posse de arma pelo companheiro é um dos elementos que levam autoridades de vários países a determinar medida protetivas para mulheres, por ser considerado um agravante.  Scarance chamou a atenção ainda para outro dado, também alarmante: entre 2011 e 2016, disparos de arma de fogo foram a principal causa da morte de mulheres de até 29 anos de idade.

Dados estatísticos não deixam dúvida de que se trata de um fenômeno preocupante e em ascendência. Em dez anos, entre 2006 e 2016, o homicídio de mulheres aumentou 15%. Segundo dados dos Anuários do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, em 217 ocorreram 4.539 homicídios dolosos com vítimas femininas, um aumento de 6,9% em relação a 2016. Desse total, 1.133 foram registrados como feminicídios – alta de 22% em relação ao ano anterior. Dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) mostram que as medidas protetivas expedidas no Brasil com base na Lei Maria da Penha, vigente desde 2006 e que prevê punições mais graves e maior proteção às vítimas de violência doméstica, somaram 236.641 em 2017 – um aumento de 21% em relação a 2016. Os processos de violência doméstica contra a mulher iniciados no Brasil chegaram a 452.988, 12% a mais do que em 2016.

Stephanie Morin, gerente da área de Gestão do Conhecimento do Instituto Sou da Paz, afirmou que dar posse de armas à mulheres não vai fazer com que se sintam mais seguras, já que as armas têm de ser guardada em locais de difícil acesso – inclusive para evitar o risco de serem pegas por criança – e é bem difícil imaginar que, numa situação de briga corporal, urna mulher consiga se desvencilhar do agressor, pegar a arma e se defender. “Isso é uma falácia. A maior presença de armas traz desfecho trágico para brigas fúteis. Em ambientes conflituosos, de violência doméstica, o problema tende a se agravar. Provavelmente, as mulheres passarão a ser ainda mais ameaçadas. E quem vai usar é o opressor, não a vítima”, disse Morin. “A arma cria situações perigosas não só para os envolvidos, mas também para as pessoas que estão próximas”, completou.

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GESTÃO E CARREIRA

ATENDIMENTO 4.0

O consumidor 4.0 quer fazer parte da sua empresa, e abrir espaço para ele é a melhor coisa que você pode fazer hoje, pelo bem do negócio.

Atendimento 4.0

A famigerada nova era digital já não é tão nova assim. Apesar dos primórdios da internet para fins militares datarem de 1962, foi em 1965 que a primeira rede de computadores por linha telefônica começou a funcionar e, em 1994, o Netscape fez com que o surgimento da AOL levasse o W(orld) W(ide) W(eb) para o mundo. Fez as contas? A internet como você conhece já está alcançando a maioridade e com inovações que chegam cada vez mais rápido do que se pode acompanhar. Fato é que a grande chave dessa mudança está em uma palavra: interação.

Se o antigo consumidor era acostumado a apenas receber informações – fosse pela televisão, jornal ou rádio -, o novo público quer mais. Ele quer dizer o que pensa e o que sente, sem tempo a perder. Mais do que isso! Quer ser ouvido. Ele quer criar conteúdo junto com a marca que segue, quer que sua opinião tenha relevância. O que ele busca nas empresas também mudou.

Esqueça nome e status. O consumidor 4.0 prefere valor agregado a um carrão para manter aparências. Não à toa, “educação, sustentabilidade e caridade” são palavras-chave para o mercado em 2019. Mais do que isso, é importante falar sobre assuntos relevantes de um lugar de discurso que faça sentido, tendo em consideração que aquilo que os seguidores da sua marca pensam sobre você engaja e muito. Para ter uma ideia, apenas cerca de 15% dos comentários em Fanpages são negativos. Porém, são esses 15% os que mais fazem barulho e geram conversas.

A pesquisa “O Futuro Impulsionado pelos Dados das Indústrias Brasileiras”, da Software Alliance, lembra que Indústria 4.0 significa um espaço digitalizado, impulsionado por recursos de computação em nuvem, com ferramentas analíticas, inteligência artificial, robótica e internet das coisas. Em resumo, é “utilizar o poder dos dados para aumentar a eficiência” do seu trabalho.

Essa definição fica clara em números. Além da economia visível nos processos internos, há 85% de aumento na precisão de previsões. Com isso em mente, até 9% das pequenas empresas esperam a criação de melhores modelos de negócio com sua digitalização e 36% a 38% das pequenas e médias acreditam que as tecnologias 4.0 vão melhorar a qualidade de produtos e serviços. Elas têm razão.

A Associação Brasileira de Automação – GSI conta ainda mais. O Índice de Automação do Mercado Brasileiro revela que o País já cresceu sua automação em 8% no último ano – mesmo com diversos setores da economia recuando. As empresas mostraram também reconhecer esse novo momento, já que o foco maior de investimento foi em atendimento e relacionamento com o cliente. “O uso mais estratégico dos dados gerados diariamente pelas ações dos clientes dá mais subsídios para a geração de ofertas direcionadas ao desejo dos consumidores”, conta Marina Pereira, gerente de pesquisa e desenvolvimento.

Segundo o estudo, os consumidores também se digitalizaram mais, somando 4% de aumento. O destaque ficou para o crescimento de aplicativos de e-commerce, com 25%.

QUEM É O CONSUMIDOR 4.0?

Fato comprovado. O consumidor mudou e exige mais. “As planilhas numéricas sempre existirão, porém como consequência da relevância que buscamos ter com os consumidores. Especialmente agora, com um público muito mais empoderado e muitas vezes no controle da situação, buscar ser relevante e engajá-lo é fator crítico de sucesso ou insucesso”, ressalta a head de Marketing da Motorola, Juliana Mott.

Lembra aquela criança que mal sabia falar e você já achava lindo o fato de ela conseguir usar o Touch de celulares e tablets? Ou aquele pré-adolescente que tem na ponta da língua as últimas notícias, porque viu no Google ao mesmo tempo que gravou um vídeo com sua música favorita para os Stories do Instagram e criou uma foto totalmente criativa para postar no Facebook? Mais ainda. Conhece aquele quase adulto que não tem um ator preferido, mas sim um youtuber como ídolo? É ele. Dinâmico, faz várias coisas ao mesmo tempo, não tem tempo a perder e avalia a relevância da sua marca na facilidade de um like. É esse cara que quer a sua atenção e ele não acredita mais em publicidade simples e pura.

Ele acredita em pessoas. Mais importante sobre o que sua marca diz dela mesma é o que os amigos dele dizem. Por isso, este é um momento em que termos como “lugar de discurso” e “resiliência” são basicamente o “Enzo” da nova era – nomes que todo mundo precisa ter, e, antes, os quatro “Ps” da comunicação eram produto, preço, praça e promoção, agora eles se tornaram personalização, participação, peer-to-peer (aproximação) e previsões modeladas (onde estão e quem são as pessoas com quem falamos). Nesse alfabeto de oportunidades, você encontra também os quatro “Is” da mensagem – imediata (sendo acessível e humana), inédita, interativa e imitável (um conteúdo que possa gerar buzz entre as pessoas que o seguem).

Segundo o estudo Papo Digital da Hello, entre 2016 e 2018, a parcela de consumidores seguindo empresas que admiram nas redes sociais aumentou mais de 80%. Hoje, metade dos consumidores já tem esse comportamento. É mais um dos reflexos da popularização dos smartphones, que abriram as portas do universo on-line e vêm transformando profundamente o consumo e também as relações familiares, sociais, laborais e, como vimos nas eleições, até a política. “Hoje, praticamente nove em cada dez consumidores brasileiros com acesso à internet têm um smartphone, 95% usam WhatsApp, e 89%, Facebook”, completa o CEO da Hello Research – agência de pesquisa de mercado e inteligência, Davi Bertoncello.

O executivo lembra que, ainda segundo o Papo Digital 2018, 74% dos consumidores consideram essencial que as empresas ofereçam recompensas e benefícios exclusivos. Além disso, estar em todos os canais é extremamente importante, já que a relação com o consumidor se tornou mais complexa e descentralizada. “Hoje, o público não só tem espaço para responder à marca e interagir com a publicidade on-line, mas também assume o papel de promotor ou detrator de serviços, produtos, campanhas, atendimento em interações que independem da marca e que criam a necessidade de o negócio monitorar tudo o que o público diz dele on-line”, explica.

Além disso, 72% dos consumidores esperam que as empresas tenham ideias e valore compatíveis com os deles, considerando ainda uma opinião pública volátil, feroz e cada vez mais dividida entre conservadora e progressista. Fique atento! A linha entre sucesso e fracasso é tênue e é preciso atenção para não errar. Mesmo assim, caso erre, saiba pedir desculpas e não repetir o feito. Comunique sua empresa como um ser humano empático, e o primeiro passo já terá sido dado.

DICAS DE QUEM JÁ APRENDEU

A empresária Denise Barreto tem uma loja de roupas chamada StiloD, desde 2013. Era para ser apenas um espaço de vendas, mas acabou se tornando ponto de encontro para um café e um canal direto para sugerir looks em diferentes ocasiões – o que, obviamente, impactou o crescimento do empreendimento. “Percebi que as pessoas ficam nas redes sociais a todo instante, seja na pausa para o café, nos minutinhos que sobram após o almoço, enquanto trabalham e no momento de relaxar. Então, é mais fácil despertar o desejo de compras nesse momento. Uso o Instagram, o Facebook e a lista de transmissão do WhatsApp”, conta.

Mas ela ressalta que não bastou selecionar modelos de passarela com suas peças para atrair clientes. Na verdade, esse tipo de conteúdo nunca engajou muito bem. Mas, quando iam até a loja, as consumidoras viam as roupas no corpo da própria empreendedora e ficavam interessadas. Foi neste ponto que Denise entendeu o que o cliente espera da marca: verdade. “As pessoas gostam de se espelhar em gente de verdade e com coisas mais próximas a elas. Eu tenho 40 anos, dois filhos, 1,58 metro e 60 quilos. Sou totalmente fora dos ‘padrões de beleza’, assim como a maioria das minhas clientes. Então, comecei a dar vida para as minhas fotos, principalmente fazendo Stories com as roupas”, afirma.

As pessoas, segundo ela, passaram a conhecê-la e começaram a chamar no Direct com perguntas pessoais – “de onde é esse chinelinho?”, “Qual seu esmalte?”, “Como você emagreceu dois quilos?”. “Dessa maneira, vamos ficando amigas e elas querem as roupas, o chinelinho, o mesmo esmalte, como se fosse uma identificação mesmo”, explica.

Nessa série de tentativa e erro, ela percebeu que esse novo cliente é um consumidor sem tempo a perder e que precisa do máximo de informações possível antes de sair de casa. Para facilitar ainda mais a logística, pensa em abrir uma loja virtual no próximo ano, com expansão para outros estados além de São Paulo. Além disso, pretende deixar celulares com suas vendedoras, para que possam ter esse contato mais direto com o público, via WhatsApp.

A projeção é um acerto. De acordo com o estudo CONECTAí Express, o WhatsApp é hoje a rede social mais utilizada pelos brasileiros, somando 91% dos usuários. Em seguida, vem o Facebook e, em terceiro lugar, o Instagram. Mesmo assim, é preciso ficar de olho. Os algoritmos do Facebook, por exemplo, mudam o tempo inteiro, facilitando ou dificultando a entrega orgânica de conteúdo entre os seguidores da Fanpage. esse ponto, o Instagram leva a vantagem de possuir um público mais acostumado em fazer pesquisa por local e hashtags, o que pode ajudar a encontrar seu serviço de maneira rápida e eficaz. Por isso, não adianta criar conteúdo. É preciso entender a dinâmica de cada plataforma e, principalmente, da sua base de fãs.

DOS PÉS À CABEÇA

Conhecer o público é marca registrada da Motorola. “A empresa tem no consumidor seu foco central para melhorar experiência de produto e marca e, portanto, trabalha com uma presença omnichannel, isto é, procuramos estar onde nosso consumidor está, muito além das famosas classificações de off ou on-line. Sendo assim, estar presente e entender toda a jornada de pré e pós-consumo é o que é relevante e cada uma delas é fator determinante para nossa estratégia”, conta Juliana.

Para isso, existe um ecossistema que inclui o site e-commerce e o hub “hello moto” de conteúdo, além das redes sociais – Facebook, Instagram, Twitter e YouTube, que trabalham de maneira integrada. “Possuímos um canal exclusivo com usuários Motorola que traz constantemente novidades da marca e produtos, além de ser um espaço importante de feedback sobre experiência de produto. Temos ainda uma equipe de promotores no PDV: call center ativo e receptivo e uma rede de assistência técnica”, acrescenta.

Uma dica importante que ela dá é justamente mapear interações e relatórios que chegam pelos pontos de contato, para deixar o atendimento cada vez mais personalizado. E, claro, sempre responder ao consumidor! No caso da empresa, essa parte é realizada via uma integração de sistema entre atendimento na assistência técnica, call center e social listening (aquilo que vem das redes sociais), culminando em um sistema de agendamento que melhora a qualidade do atendimento. O objetivo está além de resolver o problema. Ele se refere principalmente a oferecer uma boa experiência coma marca.

ESTOU PRONTO! POR ONDE COMEÇO?

Dizemos que as marcas têm que ser all-line, fundir o pensamento on e off line. É preciso estar em todos os lugares: nas redes, aplicativos, sites, publicidade de rua, patrocínios, eventos. Cada meio necessita de uma estratégia própria, mas também seguir um mesmo sentido, ou seja, respeitar uma unidade. Quando é preciso se comunicar diretamente com o consumidor, também pode haver aproveitamento de canais diferentes para cada perfil. “O e-mail ainda é o canal que seis em cada dez brasileiros gostam de ser contatados, mas o WhatsApp já está em segundo lugar com cinco a cada dez, sendo popular especialmente entre os mais jovens. Essa comunicação também pode se dar pelas diferentes redes sociais, anúncios na web, telefone, SMS, correio”, resume Bertoncello.

O strategic account director na lnbenta, Cassiano Maschio, produz soluções de atendimento e lembra que o auxílio humano on-line, via chat ou e-mail, e o autoatendimento por chatbots, buscadores, FAQs inteligentes, Instant Answer pré-envio de e-mail e serviços de aplicativos são as ferramentas mais funcionais para uma empresa personalizar seu contato com o consumidor.

O ponto mais importante é, além de estar próximo do cliente, resolver o problema dele com agilidade. “Quando o chatbot não resolve, assim como em um call center, deve-se haver um nível superior de atendimento – uma pessoa ou outro chatbot especialista no tema. Isso pode ser um chat com um colaborador, um formulário de contato ou um número de telefone para ligação.

Nos canais digitais, o benefício é contar com uma experiência mais fluida e a possibilidade de manutenção do contexto. Por exemplo, após falar com um chatbot de uma empresa de transporte aéreo, caso o atendimento escale para o humano, é enviada para o atendente toda a conversa prévia com o chatbot. Dessa maneira, ele já pode até mesmo iniciar a sua parte do atendimento com a resolução da dúvida/problema, e o cliente não precisa repetir a explicação do seu caso”, explica.

Para Cassiano, os próximos tempos anunciam mais integrações com sistemas legados, quer dizer, um autoatendimento ainda mais eficiente. Ele também aposta no foco da experiência do cliente e customização de serviços, o que significa uma melhor interpretação dos dados disponíveis para realizar essa entrega individual. Por fim, os recursos de voz podem melhorar ainda mais a usabilidade e o feedback do público.

O autoatendimento pode ajudar bastante com a redução de custos e aumento da satisfação do cliente. Hoje, existem casos de chatbots com até 90% de retenção e responsáveis por cerca de um terço do total de atendimentos, considerando todos os canais. Mas o que seria um tiro no pé na hora de colocar atendimento on-line na sua empresa? Não designar responsáveis e metas para o processo, não envolver toda a empresa na iniciativa, não considerar o perfil do cliente, não acompanhar métricas do canal para promover melhorias, publicar uma ferramenta em canais pouco utilizados.

Entre serviços especializados que trazem soluções criativas para o setor está a Prestus Secretárias Compartilhadas, de Alexandre Borin e Leandro Crocomo. O “Uber das secretárias” é um time de profissionais compartilhados e disponíveis por 24 horas para diferentes empresas e qualificados para fazer todo tipo de atendimento, como se fossem um colaborador exclusivo da empresa contratante.

Já a lnstan teaser é uma startup da AdTech que ajuda com o engajamento digital. Uma das dez startups do mundo selecionadas para o Google for Entrepreneurs Exchange, em Zurique, a empresa produz conteúdos personalizados de forma ágil e com as características necessárias para um bom engajamento nas redes sociais – variando de 6 a 30 segundos de conteúdo.

Empresas como a Bayer aproveitam o momento para criar suas próprias ferramentas. Percebendo a necessidade de seus clientes do setor agro, anunciou agora a chegada da Climate FieldView, uma plataforma de agricultura digital que coleta e processa automaticamente dados do campo, ajudando o produtor a avaliar a performance de cada talhão, indo do plantio à colheita, tomando assim as melhores decisões para cada hectare. O serviço está incluso no Programa de Pontos da companhia, inserido na Rede AgroServices, plataforma colaborativa que transmite informações e conecta pessoas do segmento. Com 120 mil produtores inscritos, a empresa detém comunicação com cerca de 65% do agronegócio brasileiro.

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COMO FALAR COM O CONSUMIDOR 4.0?

FERRAMENTAS MAIS USADAS:

“Estamos falando de um perfil que anseia por uma solução ágil, que está acostumado a resolver quase tudo pelo celular (pagamentos, reclamações. contratação de serviços, entre outros) e que, acima de tudo, tem pouquíssimo tempo para você. O melhor caminho com certeza é a Conectividade. Para isso, as ferramentas mais usadas são Facebook, Instagram, YouTube, LinkedIn, Google Plus, Twitter, entre outros; aplicativos de celulares e atendimentos automatizados (como chatbots e assistentes virtuais).”

O QUE VEM POR AI:

“Especialistas narram que está se aproximando o consumidor 5.0, um perfil que deverá ser influenciado pela TV Digital interativa e pela realidade imersiva, tecnologia por meio da qual será possível imitar os sentidos humanos em espaços simulados.

A realidade imersiva tem sido apontada como uma grande tendência de atração audiovisual nos próximos anos e deverá influenciar o setor com muita força.”

O QUE FUNCIONA MELHOR:

“Esse perfil de cliente cobra um atendimento Omnichannel, ou seja, a convergência de todos os seus canais em apenas um. Com isso, ele pode, por exemplo, entrar em um site e encontrar informações sobre as lojas físicas, acessar um aplicativo e fazer compras, achar algo de que gosta e publicar em suas redes sociais e assim por diante.”

 Atendimento 4.0 . 3

O QUE QUERO CONSUMIDOR 4.0?

Ser reconhecido.

Valorização da marca, uma vez que ele está doando tempo a ela.

Descontos personalizados. Parcerias exclusivas.

Eventos e programas de pontuação.

Atendimento 4.0 . 4

CA$E MUITO ALEM DO SHARE

IDEIA:

HelloCidades é uma plataforma que convida as pessoas a se conectarem com a sua cidade de uma nova maneira, usando a tecnologia de forma mais coletiva pelo smartphone. Presente em ferramentas que vão do Google ao Spotify, a Motorola distribui dicas culturais em diferentes cidades e realiza também eventos e intervenções físicas pelas regiões contempladas.

RESULTADOS:

A plataforma gerou propostas como Casa HelloCidades, na Vila Madalena (SP), o HelloCinema – um cinema a céu aberto no Centro Cultural São Paulo, além de outros eventos relevantes que trouxeram visibilidade e engajamento com os consumidores.

OUTRAS SOLUÇÕES:

Outra ideia da marca é o Phone Life Balance, que convida as pessoas a equilibrar o uso da tecnologia e reconectar com o que mais importa para elas. “É uma bandeira onde questionamos a nós mesmos como inventores do primeiro celular. E o resultado está sendo surpreendente. Os consumidores se engajaram e se tornaram porta­ vozes desse novo pensamento”, explica a head de Marketing da empresa, Juliana Mott.

Atendimento 4.0 . 5

PARA NÃO TER ERRO

CONTEÚDO É ESSENCIAL: linguagem adaptada ao público, comunicação leve e objetiva, usabilidade.

EQUIPE DEDICADA E TREINAMENTO: deve-se considerar a ferramenta de autoatendimento como se fosse um colaborador. A diferença é que não existe absenteísmo, mau humor, falta de padronização. Uma equipe multifuncional de curadoria, técnica e de negócios deve ser designada para assegurar uma evolução e maior eficiência da ferramenta.

CANAIS ADEQUADOS: estar disponível nos canais que os clientes estão (Website, Messenger, WhatsApp, APP e outros).

PROMOCIONAR E EVANGELIZAR: o canal deve ser divulgado e estimulado uma vez que as experiências passadas com autoatendimento possam ter sido traumáticas.

SELECIONAR um fornecedor com expertise e com ferramenta flexível e com provadamente qualificada.

DESIGNAR uma equipe multifuncional com conhecimento técnico, linguístico e de negócio para uma implantação de qualidade e para as melhorias evolutivas necessárias.

CONSIDERAR a ferramenta como um novo colaborador, que precisa de atenção e treinamento.

ALIMENTO DIÁRIO

PROVÉRBIOS 14: 1 – 13

Pensando biblicamente

SABEDORIA E TOLICE

 

V. 1  – Observe:

1. Uma boa esposa é uma grande bênção para uma família. Por uma esposa sábia uma família se multiplica, e é povoada de filhos, e assim é edificada. Mas por uma mulher sábia e prudente, que é piedosa, diligente e atenciosa, prosperam os assuntos de uma família, as dívidas são pagas, é feita provisão, os filhos são bem educados e sustentados, e a família tem consolações dentro de casa, e credibilidade fora de casa; assim a casa é edificada. É a sua casa e assim ela deve cuidar dela, embora saiba que seu esposo é o senhor da mesma (Ester 1.22).

2. Muitas famílias são destruídas pela má administração da esposa, bem como do esposo. Uma mulher tola, que não tem temor a Deus nem consideração pelos seus deveres, que é obstinada, esbanjadora e temperamental, que é indulgente com seus apetites e gosta de passeios, de banquetes e de jogar cartas, embora alcance um estado de abundância, e venha a ter uma família de posses, empobrecerá, e gastará tudo, e ela certamente será a ruína da sua casa, como se a derrubasse com suas próprias mãos; e o próprio esposo, com todos os seus cuidados, dificilmente conseguirá evitar isto.

 

V. 2 – Aqui temos:

1. A graça e o pecado em seu verdadeiro caráter. A graça reinante é uma reverência ao Senhor, e honra aquele que é infinitamente grande e superior. E a quem é devida toda a honra, acima daquilo que é mais conveniente ou que deveria ser mais agradável para a criatura racional? O pecado reinando não é nada menos do que um desprezo por Deus. Nisto, mais do que em qualquer coisa, o pecado parece extremamente pecaminoso: no fato de que despreza a Deus, a quem os anjos adoram. Os que desprezam os preceitos de Deus, e não desejam ser governados por eles, desprezam as suas promessas e não as aceitarão, desprezam ao próprio Deus e a todos os seus atributos.

2. A graça e o pecado, sob a sua luz verdadeira. Com isto, podemos conhecer um homem que tem graça, e o temor de Deus, reinando nele; ele anda na sua sinceridade, ele tem consciência de suas ações, é fiel a Deus e aos homens, e cada pausa que faz, bem como cada passo que dá, são segundo a lei; este é um indivíduo que honra a Deus. Mas, ao contrário, aquele que é perverso em seus caminhos, que deliberadamente segue os seus próprios apetites e paixões, que é injusto e desonesto, e contradiz o que professa no seu modo de vida, ainda que se diga devoto, é ímpio, e será considerado como alguém que despreza ao próprio Deus.

 

V. 3 – Veja aqui:

1. Um soberbo tolo que se expõe. Quando há soberba no coração, e nenhuma sabedoria na mente para suprimi-la, isto se exibe, normalmente, nas palavras: “Na boca do tolo está a vara da soberba”, a vanglória, a reprovação, o desprezo, o escárnio, tudo feito com soberba, além do seu próprio desejo de legislar; esta é a vara da soberba. Ela se origina daquela raiz de amargura que existe no coração; é uma vara daquele caule. A raiz deve ser arrancada, ou não poderemos tomar esta vara, ou isto se refere a uma vara que fere, uma vara de soberba que aflige aos outros. O homem soberbo, com sua língua, desfere golpes à sua volta como quer, mas no final, a sua língua será uma vara para ele mesmo; o homem soberbo sofrerá uma correção ignomínia pelas palavras da sua própria boca, não punido como um soldado, mas açoitado como um servo, e assim será espancado com a sua própria vara (Salmos 64.8).

2. Um homem humilde e sábio que se preserva e busca o seu próprio bem: “Os lábios do sábio preservá-lo-ão”, impedindo que faça aos outros a maldade que os soberbos fazem com as suas línguas. e impedindo que traga sobre si mesmo aquela maldade em que os soberbos escarnecedores frequentemente se envolvem.

 

V. 4 – Observe:

1. A negligência na administração é o caminho para a pobreza: Não havendo bois, para cultivar o solo e pisar o trigo, o celeiro fica limpo, vazio; não há palha para o gado, e consequentemente, não há pão para o suprimento do homem. A escassez é representada pela limpeza de dentes (Amós 4.6). Quando não há bois, não há nada para ser feito no solo, e então nada será obtido dele; o celeiro realmente fica limpo, o que agrada aos “almofadinhas” que não conseguem suportar a agricultura porque é um trabalho em que há muita sujeira, e por isto eles venderão seus bois, para manter limpo o celeiro; mas então não somente o trabalho dos bois, mas até mesmo o seu esterco irá faltar. Isto mostra a tolice dos que apreciam os prazeres do campo, mas não se importam com os trabalhos do campo, que (como fizemos) têm mais cavalos do que vacas, e mais cães do que porcos; as suas famílias devem necessariamente sofrer por isto.

2. Aqueles que se esforçam com o seu solo terão uma probabilidade maior de colher os seus frutos. Aqueles que mantêm consigo o que é para uso e serviço, não por nobreza ou exibição, isto é, aqueles que têm mais agricultores do que criados, terão uma probabilidade maior de prosperar. Pela força do boi, há abundância de colheitas; este conselho existe para o nosso benefício, e é proveitoso, tanto na vida como na morte.

 

V.  5 – Na administração da justiça, grande parte depende das testemunhas, e por isto é necessário, para o bem comum, que as testemunhas tenham princípios, como devem ter: pois:

1. A testemunha verdadeira não mentirá, não ousará dar um testemunho falso, ainda que minimamente, nem, por boa vontade ou má vontade, dirá algo que não corresponda a tudo o que sabe, ainda que agrade ou desagrade a alguém, e então o juízo flui como um rio.

2. Mas a testemunha falsa, que admite subornos, e é influenciável e amedrontável, se desboca em mentiras (e não se limitará a isto nem se assustará com isto) com tanta prontidão e certeza como se tudo o que dissesse fosse verdade.

 

V. 6 – Observe:

1. A razão pela qual algumas pessoas buscam sabedoria, e não a encontram, é porque não a buscam com um princípio correto e de uma maneira correta. São escarnecedores, e é zombando que buscam instrução, para que possam ridicularizar o que lhes é dito e criticar a instrução recebida. Muitos propõem perguntas a Cristo, tentando-o, e para que possam, com isto, ter motivos para acusá-lo, mas nunca ficam mais sábios. Não é de admirar que aqueles que buscam sabedoria, como Simão. o mágico, buscou os dons do Espírito Santo, para servir ao seu orgulho e à sua cobiça, não a encontrem, pois a buscam de maneira inadequada. Herodes desejava ver um milagre, mas era um escarnecedor, e por isto o milagre lhe foi negado (Lucas 23.8). Os escarnecedores não são bem sucedidos na oração.

2. Para o prudente. para o que entende corretamente, que se afasta do mal (pois isto é entendimento), o conhecimento de Deus e da sua vontade é fácil. As parábolas que fortalecem os escarnecedores na sua zombaria, e lhes tornam mais difíceis as coisas divinas, esclarecem os que estão dispostos a aprender e tornam as mesmas coisas mais claras, e inteligíveis, e familiares para eles (Mateus 13.11,15,16). A mesma palavra que para o escarnecedor é cheiro de morte para a morte é, para o humilde e sério, cheiro de vida para a vida. Aquele que tem entendimento, a ponto de se afastar do mal (pois isto é entendimento), de deixar de lado seus preconceitos, de abandonar todas as disposições corruptas, facilmente apreenderá a instrução e receberá as suas impressões.

 

V. 7 – Veja aqui:

1. Como podemos discernir um tolo, e considerá-lo como um ímpio, pois é um tolo. Se não divisarmos nele os lábios do conhecimento, se percebermos que não há piedade nas suas palavras, que a sua comunicação é toda corrupta e corruptora, e que em nada é boa e não edifica, podemos concluir que o tesouro é mau.

2. Como devemos declinar da sua companhia e nos afastar dele: Foge da sua presença, pois não perceberás ali nenhum bem a ser obtido com a sua companhia, mas somente o perigo de ser ferido por ela. Às vezes, a única maneira que temos de reprovar palavras ímpias e testemunhar contra elas é deixar a companhia de quem a proferiu e deixar de ouvi-las.

 

V. 8 – Veja aqui:

1. O bom comportamento de um homem sábio e bom; ele se conduz de maneira apropriada. Não é a sabedoria dos instruídos, que consiste somente em especulação, que é recomendada aqui, mas a sabedoria do prudente, que é prática, e é útil para orientar nossas deliberações e atos. A prudência cristã consiste em entender apropriadamente o nosso caminho; pois somos viajantes, cujo interesse não é espiar maravilhas, mas seguir adiante, até o fim da nossa jornada. É entender o nosso próprio caminho, não ser críticos e bisbilhoteiros nos assuntos dos outros, mas examinar a nós mesmos e ponderar sobre o caminho dos nossos pés, para entender as orientações do nosso caminho, para que possamos observá-las, e os perigos do nosso caminho, para que possamos evitá-los, e as dificuldades do nosso caminho, para que possamos atravessá-las, e os benefícios do nosso caminho, para que possamos aproveitá-los – entender as leis pelas quais devemos andar, e em que direção de­ vemos andar, e andar de maneira apropriada.

2. O mau comportamento de um homem mau; ele engana a si mesmo. Ele não entende corretamente o seu caminho; ele pensa entender, e assim erra o seu caminho, e prossegue no seu erro: A estultícia dos tolos é enganar; ela os engana, para sua própria ruina. A tolice daquele que edifica sobre a areia foi o seu grande engano.

 

V. 9 – Veja aqui:

1. Como os ímpios são fortalecidos em sua impiedade: eles zombam do pecado. Eles zombam dos pecados dos outros, e se divertem, e divertem a seus amigos com aquilo pelo que deviam lamentar, e menos­ prezam seus próprios pecados, tanto quando são tentados a pecar como quando já cometeram o pecado; ao mal chamam bem e ao bem, mal (Isaias 5.20), brincam e se precipitam no pecado (Jeremias 8.6) e dizem que todos terão paz, ainda que continuem em seus pecados. Eles não se importam com a maldade que fazem com seus pecados, e riem dos que os advertem disto. São defensores do pecado, e são engenhosos para criar desculpar para ele. Os loucos zombam da oferta de expiação (segundo alguns); os que dão pouca importância ao pecado menosprezam a Cristo. São tolos os que dão pouca importância ao pecado, pois menosprezam aquilo de que Deus os acusa (Amós 2.13); o pecado foi algo que o ser humano jamais poderia vencer, mas que foi vencido por Cristo, e que é tirado da vida daqueles que o aceitam como Senhor e Salvador. Os próprios tolos pensarão de um modo diferente a respeito do pecado, dentro de pouco tempo, quando partirem para a eternidade. 2. Como as pessoas boas são encorajadas na sua bondade: “Entre os retos há boa vontade”.

Se eles transgridem, em alguma coisa, imediatamente se arrependem e obtêm a benevolência de Deus. Eles têm boa vontade entre si; e entre eles, em suas sociedades, existem caridade e compaixão mútuas, em casos de transgressões, e não há escárnio.

 

V. 10 – Isto está de acordo com 1 Coríntios 2.11: “Qual dos homens sabe as coisas do homem, senão o espírito do homem, que nele está?”

1. Cada homem sente o seu próprio fardo, especialmente aquele que é um fardo sobre os ânimos, pois este é comumente oculto e o sofredor o mantém para si mesmo. Não devemos censurar as angústias dos outros, pois não sabemos o que eles sentem; o golpe que sofreram talvez seja mais pesado do que o seu gemer.

2. Muitos sentem um prazer secreto, especialmente em consolações divinas, de que os outros não têm consciência, e muito menos compartilham; e, assim como as tristezas de um penitente, também as alegrias de um crente são tais que um estranho não se envolve com elas, e, portanto, não pode julgá-las de maneira competente.

 

V. 11 – Observe:

1. O pecado é a ruína de grandes famílias: A casa dos ímpios, ainda que edificada de maneira forte e imponente, se desfará, será reduzida à pobreza e à desgraça e, por fim, será extinta. A sua esperança em relação ao céu, a casa em que ele se apoia, não resistirá, mas cairá em meio à tempestade; o dilúvio que virá a levará consigo.

2. A justiça é a elevação e a estabilidade, até mesmo de famílias humildes: A tenda dos retos, ainda que móvel e desprezível como uma tenda, florescerá, em prosperidade exterior, se a Sabedoria Infinita julgar adequado, em todos os eventos de graça e consolação, que são verdadeiras riquezas e honras.

 

V. 12 – Aqui temos uma explicação sobre o caminho e o fim de muitas almas que se iludem.

1. O seu caminho é, aparentemente, bom, e lhes parece direito; eles se alegram com a ideia de que são como deveriam ser, de que suas opiniões e costumes são bons, e que isto os confirmará. O caminho da ignorância e do descuido, o caminho do materialismo e dos interesses terrenos, o caminho da sensualidade e dos prazeres da carne, parecem direitos para os que neles andam, e muito mais o caminho da hipocrisia na religião, das realizações externas, das reformas parciais e do zelo cego; eles imaginam que isto os conduzirá ao céu; eles se lisonjeiam, aos seus próprios olhos, com a ideia de que tudo estará bem, no final.

2. O seu fim é realmente amedrontador, especialmente pelo seu engano; são os caminhos da morte, da morte eterna; a sua iniquidade certamente será a sua ruína, e eles irão perecer com uma mentira em sua mão direita. As pessoas que se enganam a si mesmas provarão ser, no final, destruidoras de si mesmas.

 

V. 13 – Isto mostra a futilidade da alegria carnal, e prova o que Salomão disse sobre o riso, que é louco, pois:

1. Há uma tristeza nele. Às vezes, quando os pecadores são condenados ou enfrentam grandes dificuldades, dissimulam a sua tristeza com um riso forçado, e enfrentam as dificuldades com alegria, porque não parecem ceder; mesmo estando amarrados, eles não clamam. Na verdade, quando os homens estão realmente alegres, ainda assim, ao mesmo tempo, há algo que adultera a sua alegria, algo que a sufoca, algo que toda a sua alegria não consegue manter longe do seu coração. As suas consciências lhes dizem que não têm razões para estar alegres (Oseias 9.1); eles não conseguem enxergar a futilidade do próprio comportamento. A alegria espiritual está arraigada na alma; a alegria do hipócrita é apenas da boca para fora. Veja João 16.22; 2 Coríntios 6.10.

2. Mas o pior ainda está por vir. O fim dessa alegria é tristeza. Ela logo se acaba, como o estalar de espinhos no fogo; e, se a consciência estiver desperta, toda a alegria pecaminosa e profana será refletida com amargura; se não, a tristeza será ainda maior quando, por todas estas coisas, Deus trouxer o pecador a juízo. As tristezas dos santos terminarão em alegrias eternas (Salmos 12 6.5), mas o riso dos loucos terminará em choro e lamentações incessantes.

PSICOLOGIA ANALÍTICA

EGOISTA, EU?

O altruísmo pode ser aprendido. A cultura e o meio social no qual vivemos na infância ajudam a moldar crenças; crescer em época de crise pode nos tornar mais atentos às necessidades alheias.

Egoista, eu

Ouvimos com frequência que estamos cada vez mais individualistas. E, de fato, um estudo recente publicado na Personality and Individual Differences aponta que a verdade não está muito longe dessa percepção do senso comum: a sociedade contemporânea parece cada vez mais egocêntrica quando comparada à de épocas passadas. O aumento na prosperidade econômica, de forma geral, talvez tenha colaborado para esse cenário, segundo outra pesquisa: jovens adultos que passaram por tempos difíceis são menos voltados para si do que aqueles que atingiram a maioridade durante períodos de maior prosperidade econômica.

Para medirem essa tendência, cientistas da Universidade de Michigan percorreram um caminho curioso: analisaram discursos de presidentes americanos entre 1790 e 2012. Eles apostaram que a forma de falar dos eleitos pelo voto revela as ideias, nem sempre assumidas abertamente, com as quais as pessoas em geral se identificam.

Partindo desse pressuposto, os pesquisadores calcularam o “índice de individualidade” de cada oratória comparando o número de palavras que indicam interesse centrado no próprio universo (como “eu”, “nós” ou “mãe”) com a quantidade de termos que sugerem cuidado com o outro (como “ele”, “vizinho” ou “amigo”). Eles observaram não só o aumento constante no uso de palavras que se referiam ao universo pessoal – em geral ligadas ao “eu” e ao “meu” – como também que antes de 1900 as falas continham mais termos relacionados com a preocupação com o outro. Depois de 1920, praticamente todos os discursos giravam em torno do indivíduo e de extensões de si mesmo (por exemplo: suas coisas, seus parentes etc.).

Para verificar se essas constatações refletiam o egoísmo de forma mais ampla, a equipe comparou os resultados com pesquisas sobre o tema em produtos culturais como livros e canções do século 20. E, realmente, comprovaram o aumento da noção de individualidade. “Os dados sugerem que essa característica não está apenas nas conferências presidenciais, mas reflete uma tônica cultural e o modo de as pessoas em geral se relacionarem consigo mesmas e com os outros”, acredita a psicóloga Sara Konrath, coautora do estudo e professora do Instituto de Pesquisa Social, em Michigan.

Em um experimento relacionado, mas independente, publicado em 2014 na revista Psychological Science, a pesquisadora Emily Bianchi, professora da Universidade Emory, analisou a forma como a economia do país afeta o grau de individualismo. Ela utilizou dois tipos de teste de personalidade para medir essa característica em 32.632 participantes de 18 a 83 anos de idade. A cientista observou que pessoas que tinham entre 18 e 25 anos em tempos econômicos difíceis (medidos pela taxa de desemprego) tinham tendência a se tornar menos egocêntricas na vida adulta, em comparação com aquelas que atingiram a maioridade durante períodos de maior prosperidade. O mesmo, porém, não ocorreu com outros grupos etários. Emily Bianchi argumenta que a diferença existe porque o início da idade adulta é mais determinante. Funcionários inexperientes são os mais vulneráveis durante recessões, e o impacto de crises tende a ser maior naqueles que se esforçam para estabelecer uma identidade profissional.

A pesquisadora investigou também a remuneração de chief executive officers (CEOs, diretores executivos), em relação a outros funcionários que ocupam postos de chefia. “É um excelente indicador de narcisismo; aquele que está nesse cargo controla o salário da segunda pessoa mais importante da empresa.” Ela analisou dados de 2.095 CEOs e descobriu que aqueles que ficaram adultos durante booms econômicos tiveram uma compensação financeira 2,3 maior do que o segundo alto executivo, com uma diferença de 1,7 em relação aos que cresceram em tempos menos prósperos. Emily Bianchi acredita, portanto, que a recente recessão de 2008 e 2009 nos Estados Unidos e seus efeitos duradouros sobre o mercado de trabalho provavelmente poderão amenizar tendências narcisistas nos jovens adultos – uma baixa numa tendência ascendente geral.

Egoista, eu. 2

ARROZ PARA COMBATER O INDIVIDUALISMO

Práticas agrícolas históricas influenciam mentalidades modernas

Muitos associam de imediato a cultura chinesa à rivalidade entre o leste e o oeste daquele pais. Agora, uma pesquisa conjunta entre Estados Unidos e China indica que os moradores do norte apresentam uma mentalidade mais individualista, como a americana, em comparação com seus compatriotas do sul. E o arroz é fator determinante dessa diferença, de acordo com artigo publicado na revista Science.

“O rio Yangtze separa a China em norte e sul e serve também de divisor agrícola e cultural”, diz o psicólogo Thomas Talhelm, da Universidade de Virgínia, principal autor do estudo. Habitantes do norte cultivam predominantemente o trigo, e os do sul o arroz. Essa última atividade é bastante trabalhosa e necessita de água o tempo todo, o que exige a partilha de recursos para que seja bem-sucedida. As comunidades ajudam a plantar e a regar. Já o trabalho com trigo requer metade do esforço e depende mais dos padrões de chuva, por isso pode ser gerenciado com menor dependência dos vizinhos.

Talhelm se perguntou se as práticas agrícolas poderiam ajudar a explicar a mentalidade mais individualista do lado ocidental, comparadas com a forma mais abrangente de raciocinar dos habitantes da região oriental. Para investigar a “teoria do arroz”, a equipe de cientistas analisou o pensamento holístico, a preocupação com o bem da maioria e a lealdade de 1.162estudantes de 28 províncias da China. Como esperado, os pesquisadores comprovaram que essas qualidades estavam mais presentes nas províncias de cultivo de arroz, enquanto o individualismo era mais comum nas áreas em que os moradores trabalhavam com trigo.

Os cientistas analisaram também as taxas de divórcio de cada província, outro indicador do pensamento autocentrado. “O número de separações entre casais nas regiões de trigo era 50% maior do que nas áreas de arroz”, aponta Talhelm. “Embora outras variáveis possam ser consideradas, a teoria está de acordo com outras pesquisas culturais sobre como a atividade agrícola influencia o pensamento”, diz o psicólogo Richard Nisbett, professor da Universidade de Michigan, que não participou do estudo.

Na Turquia, por exemplo, Nisbett descobriu que os que se dedicavam à agricultura (ocupação interdependente) eram muito mais altruístas do que os que viviam do pastoreio (atividade independente). Os resultados reforçam nossa crescente compreensão de que a história agrícola de um região pode ter influência duradoura sobre a mentalidade de seus cidadãos modernos.

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PESSOAS GENTIS LEVAM VANTAGEM

Nas sociedades que valorizam o coletivo, a cordialidade conta mais para a posição profissional do que as habilidades.

 

Nossa cultura costuma conferir respeito, prestígio e admiração àqueles que são avaliados como competentes. A gentileza é até considerada uma característica bem-vinda, mas fica em segundo lugar. Essa regra, porém, não é comum a todas as sociedades, já que o que é valorizado varia de um grupo para outro. O que não muda, onde quer que estejamos, é o fato de que para subir na escada social é preciso incorporar os valores em alta. Em um artigo recente publicado pela Organizational Behavior and Human Decision Processes, o doutor em marketing Carlos Torelli, professor da Universidade de Minnesota, relacionou a influência do individualismo e de senso de coletividade com nossas ideias em relação à posição profissional. Ele e seus colaboradores descobriram que os americanos eram mais propensos a usar a competência (por exemplo, resolvendo problemas difíceis do trabalho) como estratégia para ganhar respeito, de que os latinos. Já estes últimos tendiam a ser mais afetivos e cooperativos com os colegas.

Além disso, individualistas encaram o cargo profissional – e não a cordialidade – como sinal de capacidade, e vice-versa, em relação aos coletivistas. Ignorar essas diferenças culturais pode criar conflitos e decepções se, por exemplo, você e seu superior hierárquico usam diferentes métricas para avaliar desempenho.

“Essa linha de pesquisa tem como base minhas observações sobre diferenças políticas na América Latina e nos Estados Unidos”, diz Torelli. Os candidatos americanos, não raro, discursam sobre as obras que entregaram. “Os latinos, porém, têm mais tendência a idealizar líderes populistas, como Salvador Allende e Hugo Chávez, vendo-os como benfeitores abnegados que realmente se preocupam com o bem-estar do povo.”

OUTROS OLHARES

O HORROR NA ERA DO VIRAL

A internet – e seus ruidosos frutos, as redes sociais – transformou-se em cenário dos atos mais cruéis e hediondos. Como lidar com o problema nestes dias em que todo o planeta está conectado?

O horror na era do viral

Há uma desconcertante coincidência entre o massacre de Suzano – ocorrido naquele município da Grande São Paulo, no dia 13, quando dois ex-alunos da Escola Estadual Raul Brasil invadiram a instituição e lá mataram sete pessoas – e o ataque, perpetrado por um lobo solitário, a duas  mesquitas na cidade de Christ church, na Nova Zelândia, que deixou cinquenta mortos. Tanto os brasileiros Guilherme Taucci Monteiro, de 17 anos, e Luiz Henrique de Castro, de 25, como o australiano Brenton Tarrant, de 28, planejaram as ações com o intuito de viralizá-las na internet. Os crimes foram previamente organizados e divulgados por meio de fóruns virtuais – em especial, na parte menos acessível e mais obscura da rede, a deep web -, sobretudo nos chamados “chans”. Nesses espaços, frequentados por usuários devidamente resguardados pelo anonimato e representados em sua maioria por homens brancos racistas, misóginos, xenófobos e adeptos de ideologias terroristas, Monteiro, Castro e Tarrant encontraram respaldo para suas intenções macabras. O trio buscava nos chans a certificação de que seriam depois celebrados, nesse submundo on-line, pelos atos de horror que cometeram, com seus apoiadores ajudando a espalhar seus nomes, vídeos e mensagens pelas redes sociais. Tarrant exibiu ainda o que a crônica policial costuma chamar de, com o perdão do clichê – “requintes de crueldade”: transmitiu ao vivo, pela internet, durante dezessete minutos, os seus atentados que, sim, se tornaram virais.

”Muito obrigado pelos conselhos e orientações, DPR. Esperamos do fundo dos nossos coração (sic) não cometer esse ato em vão. Todos nós e principalmente o recinto será citado e lembrado (sic). Nascemos falhos mas partiremos como heróis.” A mensagem, reproduzida aqui em termos literais, foi publicada em um desses fóruns, o Dogolachan, em 7 de março, supostamente por um dos responsáveis pelo massacre de Suzano, que aconteceria seis dias depois. DPR é a alcunha do administrador do Dogolachan, cuja identidade real não se conhece – só se sabe que ele provavelmente mora na Espanha.

Tarrant seguiu prática similar. Pouco antes de investir contra as mesquitas, ele publicou, no site 8chan, um manifesto de 74 páginas no qual desenvolve argumentos contra os muçulmanos e defende a supremacia branca. Segundo o terrorista, entre os objetivos do ataque estavam “criar uma atmosfera de medo” e “incitar a violência” contra imigrantes. Para tanto, Tarrant afirmava que se valeria da ”cobertura midiática” do atentado para propagar suas ideias. No documento, lançou mão ainda da mais debochada ironia, declarando que parte de seu ímpeto violento se devia ao videogame Spyro – trata-se, na verdade, de um jogo infantil, nada agressivo, no qual se controla um dragão-bebê roxo, citado justamente para ridicularizar aqueles que, ele tinha certeza, diriam depois que seu comportamento havia sido alimentado pelos games.

“Para ser honesto, não me surpreendo com a forma como a internet tem sido usada para propagar esses e outros crimes, pois as pessoas estão confiando cada vez mais nas redes sociais para validar aquilo que fazem”, disse o americano Jun Sung Hong, especialista em estudos sobre violência contra grupos minoritários da Universidade Estadual de Wayne (EUA). “No caso dos delinquentes e terroristas, eles se apoiam nas novas tecnologias como oportunidades para ‘se gabar’ das maldades que cometem. Membros de gangues dos Estados Unidos, por exemplo, têm usado o Facebook e o Twitter para se exibir e promover agendas deturpadas. Mas isso só ocorre porque tem se dado crédito em demasia às redes”, completa Hong, cujo principal trabalho acadêmico acerca do tema, “Mídias sociais como vetores para a violência juvenil”, debruça-se sobre como a exposição on-line de crimes influencia os jovens.

”Pronuncie os nomes daqueles que perdemos, em vez do nome daquele homem que os matou. Ele procurava notoriedade, mas nós, na Nova Zelândia, não lhe daremos nada, nem mesmo seu nome”, declarou a premiê neozelandesa Jacinda Ardern na terça-feira 19. A postura é compreensível, sobretudo tendo em vista que a fama era mesmo o que o terrorista, agora preso, buscava. No entanto, a viabilidade da medida sugerida é posta em xeque quando se considera que, para além da transmissão ao vivo do crime, o nome de Tarrant já circulava no WhatsApp, no Twitter, no You­Tube e, com especial alcance, nos fóruns da deep web.

Dois dias antes, no ataque em Suzano, o rito virtual fora similar. Não só em espaços obscuros da deep web, mas também em sites e redes sociais da internet regular multiplicavam-se fotos e vídeos do ataque. “Cada câmera seria importante porque os assassinatos aconteceriam na frente delas”, preconizou, via mensagem de celular, o adolescente que foi apreendido na semana passada, suspeito de ser ”mentor intelectual” do atentado. Ele era o melhor amigo de Taucci Monteiro, que cometeu suicídio dentro da escola, logo após ter matado o comparsa, e acrescentou ainda a um interlocutor: “Quem seria o Isis (sigla em inglês para o grupo terrorista Estado Islâmico) perto de uns adolescentes com facas e umas armas?”.

Um estudo de 2016 da Associação Americana de Psicologia (APA, na sigla em inglês) traçou o perfil de atiradores em massa. De acordo com a pesquisa, que levou em conta 225 casos, a maioria dos criminosos em questão é formada por homens brancos, heterossexuais, com idade entre 20 e 50 anos. Apesar de compor uma camada mais privilegiada, pelo gênero sexual e pela cor da pele, é gente que se considera vítima de alguma injustiça. Notem-se as semelhanças com os frequentadores de fóruns como o Dogolachan. O levantamento ainda concluiu, por meio de um trabalho liderado pelo sociólogo americano Adam Lankford, professor de criminologia da Universidade do Alabama (EUA), que um dos principais motivos para os delinquentes executarem seus ataques era a procura pela fama. Lankford chega a estipular que 11% dos atiradores analisados tinham desvios psicológicos que inflavam essa necessidade de se fazer notar.

De acordo com estudo divulgado em 2012 pelo sociólogo americano Daniel Flannery, da Universidade Case Western Reserve (EUA), o desejo narcisístico também se soma a outras características que formam um autêntico caldeirão explosivo: a depressão, a baixa autoestima e o fascínio pela violência. De volta ao trabalho da APA: segundo a associação, desde 1990 cresceu em 70% o tempo de exibição dos rostos desse tipo de criminoso. Só para lembrar: a internet, tal como a conhecemos hoje, começou em 1989, com a criação do www, que a tornou um ambiente mais fácil de ser navegado. Assim, logo ela se transformaria no principal holofote de facínoras como os que atuaram em Suzano e na Nova Zelândia – sobretudo após o surgimento das redes sociais. Diante disso, uma questão parece incontornável: o que Facebook, Twitter, YouTube, Google e companhia poderiam fazer para coibir, ou mesmo eliminar de vez, o compartilhamento de imagens e vídeos que exibem ou estimulam crimes de qualquer natureza?

O problema não é de agora. Desde que o Facebook, palco de discussões de mais de 2 bilhões de pessoas em todo o planeta, lançou o seu recurso de live (o vídeo ao vivo), proliferaram as gravações de homicídios, abusos sexuais e atos terroristas. “A empresa deve ser responsabilizada, pois se tornou hoje uma plataforma que cumpre papel parelho ao de um serviço público”, acredita o advogado Renato Opice Blum, especialista em direito digital. “A reação à fatalidade na Nova Zelândia já comprova que o Facebook tem formas de conter o problema. Mas é impossível exigir que se consiga saber instantaneamente qual tipo de conteúdo está sendo transmitido.”No caso da matança na Nova Zelândia, o Facebook começou a apagar os vídeos do massacre minutos depois que subiram, mas novas versões eram postadas. Foi possível deletar 1,2 milhão desses vídeos, por meio de um algoritmo que rastreia imagens de brutalidade e também na mão, um a um, com a ajuda de funcionários. No entanto, o volume era tão grande que, ainda assim, nas primeiras 24 horas a filmagem do atirador australiano foi compartilhada 1,5 milhão de vezes.

Um executivo do YouTube assumiu que a gravação chegou a ser replicada uma vez por segundo em seus momentos iniciais. A primeira medida de contenção do serviço foi tentar barrar, temporariamente, a busca por qualquer nova postagem publicada – o que incluiria as assombrosas imagens do ato terrorista. Depois, tratou-se de simplesmente reprogramar o algoritmo para eliminar de vez o filme e impedir maior repercussão.

“Não há solução fácil à vista. O melhor que se pode fazer hoje é apoiar-se em uma variedade de sinais para analisar se uma transmissão pode ou não ser problemática, para em seguida direcioná-la a um exército de revisores humanos”, avalia o engenheiro da computação americano Aviv Ovadya, chefe do Centro de Responsabilidade para Mídias Sociais da Universidade de Michigan (EUA). ”Esses sinais podem, por exemplo, mostrar que há 80% de probabilidade de violência e que se registrou um aumento de público de centenas de milhares de espectadores – elementos que indicariam a exibição de crimes”, explicou ele.

Justiça seja feita, as redes sociais já tomam providências como as descritas por Ovadya. Entretanto, elas não se mostram suficientes para impedir a viralização de crimes. No caso da Iive da Nova Zelândia, por exemplo, mesmo que 1,2 milhão de posts tenham sido derrubados, sobraram outros 300.000 circulando durante um período não divulgado pelo Facebook. Podem também ser abertas investigações pontuais acerca da deep web – o Ministério Público de São Paulo está atrás dos organizadores do Dogolachan -, mas tornou-se tecnicamente impossível controlar esse mundo obscuro, no qual nada menos que 25% das buscas realizadas se referem a pornografia infantil e 32% dos itens vendidos estão ligados ao tráfico de drogas.

“O problema está no cerne das mídias sociais, criadas como plataformas para que quaisquer pessoas ajam de forma extensa, fácil, sem regulação, para que o conteúdo seja inadulterável”, observou o antropólogo americano Desmond Patton, da Universidade Colúmbia (EUA), especialista em estudos de violência on-line. “Os radicais se apoiam nessa premissa para se autopromover. Assim, recursos como os das hashtags permitem que indivíduos se organizem para estimular discussões saudáveis. Só que, ao mesmo tempo, possibilitam que terroristas também encontrem seus parceiros”, concluiu Patton. A busca de notoriedade por parte dos criminosos mais inescrupulosos, claro, não é nova. No atentado às torres gêmeas do World Trade Center, em Nova York, no tristemente célebre 11 de setembro de 2001, a organização terrorista Al Qaeda fez cálculos para que a segunda colisão ocorresse dezessete minutos depois da primeira a fim de chamar a atenção das emissoras de TV, que filmariam – os terroristas tinham certeza – e mostraram tudo ao vivo. A internet e as redes sociais aumentaram assustadoramente a dimensão midiática que pode ser alcançada por qualquer delinquente, como também transformaram o modo como se planejam os crimes mais horrendos – e até como se julgam os culpados. É a “banalidade do mal”, para usar a famosa expressão da pensadora alemã Hannah Arendt (1906-1975), levada a um perigoso extremo de nosso tempo – o viral.

O horror na era do viral. 2

 NAS PROFUNDEZAS

Assim como um iceberg esconde 90% de seu volume embaixo da água, a maior parte do conteúdo da internet está submersa em áreas que não podem ser acessadas por navegadores convencionais.

O horror na era do viral. 3

NÃO É PRA TER MEDO

Inicialmente veio o alarme em grupos de pais no WhatsApp vídeos infantis no YouTube Kids estariam sendo interrompidos com a cara assustadora de uma personagem, a Momo, uma “mulher-pássaro” que ensinaria as crianças a praticar suicídio com objetos cortantes. Não demorou para que, de fato, surgissem filmetes, com montagens malfeitas, como prova do crime. Seria aterrorizante se fosse verdade. Explica-se: a boneca Momo existe. Alguém, sim, editou vídeos e os espalhou pelo WhatsApp – porém eles nunca subiram no YouTube Kids. Mesmo assim, por cautela, o Ministério Público da Bahia, por exemplo, decidiu instaurar investigação.

Mas, afinal, como a fofoca se espalhou? Da Momo, a única certeza é que a personagem foi criada pelo artista plástico japonês Keisuke Aiso como uma escultura. Alguém se apoderou da figura feiosa e a transformou em porta-voz de estupidez. Foi brincadeira de mau gosto tomada como verdade, viralizada. Com a repercussão negativa, Aiso queimou a boneca original.

O horror na era do viral. 4

GESTÃO E CARREIRA

DEMISSÃO: SEMPRE EXISTE OUTRO CAMINHO

Em meio à crise econômica, é preciso buscar estratégias para manter os colaboradores – essenciais para qualquer negócio – e cumprir com a folha de pagamento, evitando demissões.

Demissão - Sempre existe outro caminho

Com o início de um novo ano, é normal que as empresas façam um balanço e tenham um cuidado maior com relação à folha de pagamento. Como o Brasil está passando por um momento de transição política e crise econômica, muitos empresários reavaliam as despesas e receitas, considerando um corte no quadro de funcionários.

É uma decisão delicada e que pode afetar, ainda mais, o mercado consumidor, visto que os pequenos negócios respondem por mais de um quarto do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro. São essas micro, pequenas e médias empresas que concentram cerca de 54% das contratações formais no mercado de trabalho.

Contudo, muitos empresários veem nessa medida uma saída para ajustar as contas de seu negócio e reduzir custos na tentativa de minimizar os efeitos da crise. No entanto, especialistas afirmam que esse é um erro clássico, apesar de ser a primeira opção para muitos empresários. Todo o processo de desligamento traz despesas para a empresa, por isso é necessário analisar bem o impacto financeiro que a instituição terá com a demissão. “Os encargos de uma rescisão contratual são altos e podem ser um gasto a mais em um momento de instabilidade econômica”, lembra o gerente da unidade de atendimento individual do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), Ênio Duarte Pinto.

DISPENSANDO O INTANGÍVEL

Para não chegar a um ponto em que o corte da folha seja uma necessidade ou uma alternativa, o ideal é se preparar bem antes de começar a empreender e se planejar para momentos de baixa no caixa. Nos casos de negócio em anda­ mento, em situações nas quais há dificuldades em enxergar outros caminhos para um problema ou algo que o incomode, o empresário pode procurar instituições que apoiam e capacitam empreendedores. Cursos livres de produtividade, gestão de tempo, resolução de problemas e criatividade também podem ajudar a desenvolver habilidades essenciais para o mercado e a enxergar além. “O empreendedor precisa tentar lapidar sua formação para gerenciar de maneira mais profissional o negócio e, principalmente, ouvir a razão de existência do negócio dele: o cliente”, diz Ênio Duarte Pinto. “Uma empresa não existe só porque tem sede, produto, estoque ou empreendedor; a empresa existe porque tem cliente – externo e interno”.

Independentemente do porte, o resultado vem de pessoas. ”A demissão, ou seja, abrir mão de pessoas para resolver qualquer crise deve ser, realmente, o último caso. Mas, infelizmente, no Brasil é comum essa atitude também por conta dos encargos trabalhistas e altos tributos”, afirma o consultor e fundador do Instituto Gestão Consciente, João Cosenza, que ressalta: “O que o empresário esquece de considerar, nesse processo, é o custo de recontratar. Porque, em caso de demitir um funcionário mais antigo com um salário mais alto, por exemplo, apesar de diminuir os custos, vai com ele toda uma experiência, histórico e o conhecimento sobre a empresa, suas rotinas e necessidades”, diz.

Além disso, como as micro e peque­ nas empresas são muito voláteis, a necessidade de contratar pessoal virá em um curto espaço de tempo. Além de ter gasto com a rescisão contratual, o empresário terá de gastar na hora de contratar, com o processo seletivo, com o contrato, com treinamento. “É um pensamento contra- produtivo demitir hoje para contratar pouco tempo depois”, avalia o consultor do Sebrae.

“Quando pensamos na perda de um bom colaborador, estamos pensando em um funcionário que, além de ter a familiaridade com os processos e cultura da empresa, cumpre com as suas entregas”, pondera a consultora e assessora de carreira da Catho, Carla Carvalho. Nesse caso a perda por parte da empresa não se aplica apenas aos gastos com os processos rescisórios, mas com gastos que vão desde a realização de um trabalho de (re) contratação (que envolve tempo e custos) até a integração desse colaborador no ambiente de trabalho.

Formar um profissional leva tempo, por mais que seja tecnicamente muito bom; cada empresa é um produto, uma rotina, uma cultura organizacional que precisa de tempo para ser incorporada por um novo funcionário recém-contratado, e isso também é custo e deve ser colocado na ponta do lápis. “A integração de um novo colaborador implica o investimento em capacitação e também o seu tempo de adaptação, que poderá de alguma forma refletir nos resultados”, lembra Carla.

Para a especialista em recursos humanos e diretora do Grupo Capacitare, Débora Nascimento, na conta do empresário precisa haver avaliações e reavaliações constantes ao longo do ano e identificar em quais momentos há lacunas que ele precisa preencher com novas receitas; além disso, ele deve avaliar como pode fazer um aproveitamento do time sem abrir mão de ninguém”, indica Débora. “Pode-se pensar, por exemplo, em novo produto ou serviço que possa, naquele momento, manter a rentabilidade e suprir isso. Muitas vezes, o bom profissional se paga, traz retorno financeiro. Então, o empresário precisa ter a visão de aproveitá-lo em todas as frentes possíveis, até mesmo em sugestões e desenvolvimento de nova forma de receita”, ressalta a especialista.

Em vez de demitir, a pequena empresa tem outras opções de ajustar seus custos, como promover férias em rodízio, o que é muito propício nesse primeiro trimestre, ter mais rigor nos controles de custos fixos, como estoque e contas a pagar e a receber, fazer um controle de caixa mais seguro e procurar renegociar prazos de pagamentos em contratos já firmados. “Ninguém quer perder cliente nesse momento de crise. Os fornecedores de pequenas empresas também não. Esse é o momento para dilatar prazos de pagamento”, exemplifica Ênio Pinto.

Em meio a crises econômicas nacionais, é um momento também de repensar e reorganizar formas de aprovação de crédito junto a clientes e parceiros. Vendas a prazo, que antes eram mais facilitadas, hoje devem ter maior rigor, até mesmo para não cair em inadimplência alta. Buscar alternativas de obtenção de crédito com juros mais atrativos é também outra clica em momentos de incerteza. Além disso, o gerente do Sebrae aconselha aos empresários a socializar a compra de seus insumos, ou seja, procurar seu concorrente para fazer compras conjuntas ajuda a reduzir os valores dos insumos e a barganhar o preço e o prazo de pagamento com os fornecedores.

TRANSPARÊNCIA E ENVOLVIMENTO

Nesses momentos, algumas informações podem e devem ser compartilhadas com os colaboradores a fim de estabelecer um bom vínculo e talvez até a conscientização diante do momento que a empresa enfrenta. “Essa atitude e postura por parte do empresário trará ao colaborador o sentimento de fazer parte do negócio, favorecendo a criação de um ambiente mais colaborativo”, pontua Carla Carvalho. “Trabalhar de forma coletiva, definir metas, dar e receber feedbacks, valorizar os colaboradores e o trabalho realizado, além de manter a comunicação e o otimismo, são importantes para que seja possível criar um ambiente que impulsione a melhora do cenário e traga novas aspirações”, complementa a especialista da Calho.

Caso as alternativas já tenham sido estudadas e não se encaixem e/ou sejam inviáveis ao seu negócio naquele momento, lembre -se de que o desligamento de um funcionário nunca será algo agradável. Apesar disso, o empregador pode e deve fazer com que o profissional seja tratado de forma correta e digna. “Man­ ter essa transparência e respeito com a pessoa garantirá maior dignidade a ela e maior possibilidade de recontratação no futuro, caso haja necessidade”, lembra João Cosenza.

Para o quadro de colaboradores que fica, a transparência deve ser a mesma. Segundo o consultor do Instituto Gestão Consciente, quando há cortes no quadro de funcionários, quem fica costuma ser envolvido em uma insegurança quanto a sua posição e em uma sobrecarga de atividades. “Vale também um trabalho do RH para tentar motivar os funcionários que ficam para manter a produtividade e o ânimo, tendo sempre em mente que o resultado depende de pessoas”, sugere.

Demissão - Sempre existe outro caminho. 2

ALTERNATIVAS PRINCIPAIS

FÉRIAS COLETIVAS – Apesar do investimento dos honorários das férias, nesses casos, a empresa deixa de ter custos de manutenção do escritório e consegue, talvez, adiar ou minimizar as demissões.

LAY OFF – Uma suspensão temporária do contrato de trabalho de dois a cinco meses em que o funcionário deve participar de um curso de qualificação.

FLEXIBILIZAR O HORÁRIO E REDUZIR O SALÁRIO – Desde que acordado entre as partes, não onera o empregador, não dispensa o empregado e ainda há certa economia de gastos fixos na empresa, como água, luz e telefone. Pode ser feito em até 25%, uma vez que a empresa prove que está em um momento difícil, e por até três meses, segundo Lei Trabalhista.

BANCO DE HORAS – Desde que se tenha acordo com os sindicatos via convenção coletiva, é uma excelente alternativa, porque também dá a possibilidade de o funcionário resolver problemas, férias ou qualquer coisa que precise ou prefira.

ALIMENTO DIÁRIO

PROVÉRBIOS 13: 21-25

Pensando biblicamente

O JUSTO, EXCLUSIVAMENTE FELIZ

 

V21 – Observe aqui:

1. Quão inevitável é a destruição dos pecadores; a ira de Deus os persegue, e todos os terrores dessa ira; “o mal perseguirá aos pecadores”, onde quer que estejam, como o vingador de sangue perseguia o assassino; além disso, os pecadores não têm uma cidade de refúgio à qual possam fugir; eles tenta m escapar, mas é inútil. Aquele a quem Deus persegue, certamente será alcançado e destruído. Eles podem prosperar durante algum tempo, e sentir muita segurança, mas a sua perdição não dormita, a despeito do que tentem fazer.

2. Quão irrevogável é a felicidade dos santos; o Deus que não mente determinou que “os justos serão galardoados com o bem”. Eles serão abundantemente recompensa­ dos por todo o bem que fizeram, e por todo o mal que sofreram neste mundo; de modo que, embora muitos possam ter sido perdedores, por sua justiça. não serão perdedores por isto. Embora a recompensa não venha rapidamente, virá, no dia do pagamento, no mundo da retribuição; e será uma abundante recompensa.

 

V. 22 – Veja aqui:

1. Como dura a propriedade de um bom homem: “O homem de bem deixa urna herança aos filhos de seus filhos”. É parte do seu louvor o fato de que ele se preocupe com a sua descendência. que não gaste tudo consigo mesmo, mas se preocupe em fazer o bem para os que virão depois dele, não retendo mais do que é apropriado, mas o faça com urna frugalidade prudente e decente. Ele educa seus filhos para que também possam deixar a herança para seus filhos: e, em particular, é cuidadoso, tanto com justiça como com caridade, para obter a bênção de Deus sobre tudo o que tem, e em transmitir esta bênção a seus filhos, sem o que o maior esforço e frugalidade serão inúteis. O homem de bem, sendo bom e fazendo o bem, honrando o Senhor com a sua substância e gastando-a no seu ser viço, deixa urna herança aos filhos de seus filhos; ou, se não lhes deixar uma grande quantidade dos bens deste mundo, a suas orações, as suas instruções e o seu bom exemplo serão o melhor que poderá transmitir – as promessas do concerto serão uma herança para os filhos de seus filhos (Salmos 103.17).

2. Como ela aumenta, pelo acréscimo da riqueza do pecador, pois esta é depositada para o justo. Se perguntarmos: Como podem ficar tão ricos os homens bons, que não têm a mesma ansiedade que os outros com relação a este mundo, e que comumente sofrem para terem o seu próprio bem-estar? Aqui temos a resposta: Deus, na sua providência, frequentemente traz às mãos dos justos aquilo que os ímpios prepararam para si mesmos.

O inocente repartirá a prata (Jó 27.16,17). Os israelitas despojarão os egípcios (Êxodo 12.36) e comerão as riquezas das nações (Isaias 61.6).

 

V. 23 – Veja aqui:

1. Como uma pequena propriedade pode ser melhorada pelo empenho, de modo que um homem, ao tirar o máximo proveito de tudo, possa viver confortavelmente nela: “Abundância de mantimento há na lavoura do pobre”, que tem apenas um pouco, mas se esforça com aquele pouco e o administra bem. Muitos apresentam como uma desculpa para a sua ociosidade o fato de que têm muito pouco com que trabalhar, mas quanto menor o campo, mais devem ser empregados o talento e o esforço do proprietário, e isto terá um resultado excelente. Que escave, e não precisará mendigar.

2. Como uma grande propriedade pode ser arruinada pela imprudência: ”Alguns há que têm muito, mas se consomem por falta de juízo”, isto é, falta de prudência na administração do que têm. Os homens compram mais do que podem, recebem mais pessoas ou se alimentam melhor do que o seu dinheiro lhes permite, ou têm mais servos do que podem pagar, caindo em decadência sem poderem aproveitar ao máximo o que têm; ao tentarem juntar dinheiro para si mesmos, ou ao se endividarem com os outros, as suas propriedades são consumidas, e as suas famílias são reduzidas, e tudo isto ocorre por falta de juízo.

 

V. 24 – Observe:

1. Para a educação dos filhos, naquilo que é bom, é necessário corrigi-los devidamente, pelo que há de errado; cada filho nosso é um filho de Adão, e por isto tem em seu coração aquela loucura que exige repreensão, maior ou menor, a vara e a repreensão que dão sabedoria. Observe que é a sua vara que deve ser usada, a vara de um pai, orientada pela sabedoria e pelo amor, e destinada para o bem, e não a vara de um servo.

2. É bom começar cedo com as restrições necessárias aos filhos quanto àquilo que é mau, antes que os maus hábitos sejam confirmados. É mais fácil curvar o galho enquanto este é tenro.

3. Realmente odeiam seus filhos, ainda que pareçam gostar deles, os que não os mantêm sob uma rígida disciplina, e com todos os métodos apropriados, inclusive métodos severos (quando os gentis não surtem efeito, nem lhes fazem perceber seus erros), incutindo neles o temor à transgressão. Eles abandonam seus filhos ao seu pior inimigo, à mais perigosa doença e, por isto, os odeiam. Que isto reconcilie os filhos à correção que seus bons pais lhes dão: eles o fazem por amor, e para o bem deles (Hebreus 12.7-9).

 

V. 25 – Observe:

1. É a felicidade dos justos que eles tenham o suficiente e que saibam quando já estão satisfeitos. Eles não desejam ser saciados, mas, sendo moderados em seus desejos, logo ficam satisfeitos. A natureza se satisfaz com um pouco, e a graça, com ainda menos; o suficiente é tão bom como um banquete. Aqueles que se alimentam do pão da vida, que se banqueteiam com as promessas, encontrarão abundante satisfação da alma na expressão: come e sacia-te.

2. É a infelicidade dos ímpios que, pela insaciabilidade de seus próprios desejos, sempre passem necessidade; não somente as suas almas não ficarão satisfeitas com o mundo e a carne, mas até mesmo seu ventre terá necessidade; o seu apetite sensual sempre deseja algo. No inferno, lhes será negada urna gota de água.

PSICOLOGIA ANALÍTICA

A PSICOLOGIA DA MENTIRA

Artigo publicado na Appled Cognitive Psychology apresenta técnicas de interrogatório não violentas aplicadas por grupo de elite do governo americano.

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Um relatório do Comitê de Inteligência do Senado americano, revelou que dois psicólogos ajudaram a desenvolver métodos de “interrogatório forçado” da CIA. Eles recorreram à teoria de desamparo aprendido, do psicólogo Martin Seligman, para embasar práticas controversas, como afogamento simulado e privação de sono – algo que o próprio Seligman repudiou.

Além de moralmente condenáveis, técnicas que usam força e intimidação não funcionam. “As táticas mais eficazes dependem da cooperação, que pode ser facilitada por princípios da influência social, o que sabemos ser bastante efetivo”, diz o psicólogo Christian Meissner, da Universidade do Estado de Iowa, que estuda técnicas de inquérito.

Se respeitarem determinadas condições, sendo a principal “não causar sofrimento”, psicólogos podem auxiliar num interrogatório, segundo a Associação Americana de Psicologia (APA). Como, então, extrair uma confissão sem violência?

Em 2009, o presidente Barack Obama criou uma equipe de elite formada por psicólogos cognitivos e sociais, linguistas e outros especialistas, o Grupo de Interrogatório de Detentos de Alto Valor (HIG, na sigla em inglês). Meissner, que é líder do projeto, divulgou os resultados de suas experiências numa edição especial da Applied Cognitive Psychology. Não só é possível conduzir inquéritos respeitando a dignidade como sua eficácia é comprovada.

A seguir, algumas das estratégias usadas para identificar narrativas falsas e induzir uma pessoa a se expressar de forma mais honesta.

ESTIMULAR A COOPERAÇÃO.

De acordo com os pesquisadores, um investigador que demonstra empatia tem mais chances de sucesso que um que se apresenta de forma fria e acusatória. Muitas técnicas descritas no artigo dependem de uma postura solidária – de fato, é o começo. “A primeira coisa a fazer é desenvolver a cooperação do sus peito”, argumenta Meissner. Só depois disso, a pergunta é: “Como obter as informações possíveis e necessárias?”.

PREENCHER LACUNAS.

Falar sobre algo que a pessoa fez – e induzi-la a acreditar que a verdade já foi descoberta – é mais eficaz que questionamentos diretos. De acordo com Meissner, o interrogado tende a corrigir alguns pontos e a fornecer detalhes enquanto ouve a narração. A técnica chamada por especialistas de Scharff, em referência ao interrogador alemão da Segunda Guerra Mundial, demonstrou ser mais efetiva para obter dados do que perguntas. Pessoas interrogadas com o método costumam subestimar a quantidade de informações que estão revelando.

SURPREENDER.

A pessoa que está mentindo geralmente tende a antecipar as respostas. Além disso, a mentira demanda uma grande tensão cognitiva para sustentar a história de forma linear e manter o equilíbrio emocional. Uma pergunta totalmente inesperada pode, assim, confundir o interrogado e induzi-lo a entregar informações contraditórias.

PERGUNTAR A HISTÓRIA DE TRÁS PARA A FRENTE.

Ao contrário do que muitos imaginam, quem fala a verdade é mais propenso a adicionar detalhes e rever os fatos ao longo do tempo, enquanto os que mentem tendem a manter a mesma narrativa. “A inconsistência é um aspecto fundamental da memória”, diz Meissner. Os interrogadores usam uma técnica chamada por especialistas de cronologia reversa (em que a pessoa é solicitada a contar os eventos de trás para a frente) para tirar proveito dessa peculiaridade. A estratégia tem um efeito duplo: os que falam a verdade costumam se recordar mais facilmente – em outro estudo feito pelo HIG, o método ajudou a obter duas vezes mais detalhes do que o discurso tradicional. Para os que mentiam, porém, a cronologia reversa dificultou a narrativa; estes mostraram maior tendência a simplificar a história.

REVELAR AS EVIDÊNCIAS NO ÚLTIMO MOMENTO.

Pessoas que participaram de um estudo feito em março de 2015 se recusaram a falar quando confrontadas com provas potenciais de sua culpa logo no início da entrevista. Em geral, adotavam uma postura silenciosa e agressiva ou caíam no choro. Em vez de buscar desestruturar o suspeito, os pesquisadores recomendam o caminho do meio: aludir à prova sem fazer nenhuma acusação direta num primeiro momento (de forma a tentar angariar mais informações enquanto ele ainda não se sabe acusado) e revelar as evidências mais tarde.

OUTROS OLHARES

MENINAS PELO CLIMA

Aos 16 anos, a ativista sueca Greta Thunberg, indicada ao Nobel da Paz, lidera, em mais de 100 países um gigantesco movimento juvenil que exige atenção para o aquecimento global.

meninas pelo clima

Desde o dia 24 de agosto de 2018, toda tarde de sexta-feira, faça sol, chuva ou neve, a adolescente Greta Thunberg falta às aulas para sentar-se nas escadarias do Parlamento da Suécia segurando uma placa que diz: “Em greve escolar pelo clima”. Com seu ato de rebeldia, a menina discreta, de semblante sério e cabelo loiro preso em duas tranças, desencadeou uma espécie de desobediência civil entre jovens do mundo todo que se mobilizam em torno da questão das mudanças climáticas. Na maior e mais recente mostra da força de sua campanha, na sexta-feira, 15 de março, um exército juvenil convocado pelas redes sociais marchou em 1.769 cidades de 112 países para cobrar das autoridades maior atenção ao tema. Um dia antes, Greta, 16 anos, foi indicada pelo deputado socialista norueguês Freddy 0vstegârd ao Prêmio Nobel da Paz.

O interesse da garota pelas questões ambientais começou aos 9 anos, quando assistiu na escola a vídeos que discutiam os impactos do aquecimento global. O problema nunca mais lhe saiu da cabeça e praticamente moldou sua vida. Greta tornou-se vegetariana, plantou uma horta e abriu mão de viajar de avião, entre outras resoluções. A decisão de dar plantão no Parlamento surgiu no mais recente verão do Hemisfério Norte, quando o calor drástico castigou a população europeia. ”Vou fazer greve todas as sextas-feiras até que a Suécia esteja alinhada com o Acordo Climático de Paris”, anunciou ela, dando início ao movimento batizado de Sextas pelo Futuro. Para Greta, que sofre de síndrome· de Asperger (uma espécie de autismo) e passou por uma depressão aos 11 anos, o ativismo só traz benefícios. ”o mundo solitário continua em mim. Mas está diminuindo, e o mundo real está ficando maior”, diz.

Tamanha é a influência de Greta nas questões climáticas que em dezembro ela discursou na Conferência do Clima da ONU, na Polônia, e em janeiro fez uma apresentação no Fórum Econômico Mundial de Davos, na Suíça – onde deu bronca nos altos executivos da plateia, que a ouviram calados. Ao lado de Greta atua hoje uma novíssima geração de líderes ambientalistas que nada têm a ver com a turma das antigas, como o americano Al Gore. São adolescentes preocupadas com o próprio futuro, a exemplo das belgas Anuna de Wever, de17 anos, e Kyra Gantois, de 20, que acabam de lançar o livro Nós Somos o Clima; da britânica Anna Taylor, de 17; das australianas Harriet O’Shea Carre e Milou Albrecht, de 14; e da americana lsra Hirsi, de16 – todas organizadoras da marcha mundial em seu país. ”A história de Greta é simples e inspiradora. Faz com que outros jovens também se sintam transformadores”, diz Ilona Dougherty, da Universidade de Waterloo, no Canadá. O meio ambiente agradece.

GESTÃO E CARREIRA

SEM MEDO DO SUCESSO

Mais do que vontade, quem deseja empreender precisa estudar e planejar bem seus passos para minimizar os riscos e fazer valer o sonho e o investimento.

Business People Success Achievement City Concept

O brasileiro tem, naturalmente, um perfil inventivo, sonhador e empreendedor. Enxerga, por vezes, potencial em diversos processos e cria soluções a partir disso. E são muitos com esse perfil: um levantamento da Boa Vista – Serviço Central de Proteção ao Crédito (SCPC) aponta que o número de novas empresas cresceu 13,6% no Brasil em 2017 na comparação com o ano anterior.

É desejo da maioria ser dono do próprio negócio, seja por necessidade, oportunidade ou vontade. Mas, apesar disso, alguns receios ainda impedem mentes criativas de tirar o sonho do papel e concretizá-lo. No geral, o medo de empreender está diretamente ligado às incertezas do processo.

Segundo estudo organizado pelo Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), em parceria com a MindMiners, entre os medos mais recorrentes, ter de fechar a empresa porque ela “não deu certo” é um cenário que assusta 52% dos entrevistados; outros 38% temem não conseguir um investidor para ajudar a alavancar o negócio; e 21% têm medo de entrar em atrito com os sócios e/ou parceiros.

Para o consultor e sócio- presidente da baJStockler, Luís Henrique Stockler, esse receio faz parte e será continuo na vida das pessoas que desejam empreender. “Mais do que medo, é preciso ter determinação e acreditar, sem desistir quando há pedras no caminho. A vontade da realização deve superar qualquer entrave”, ressalta. “O que define o bom empreendedor é a capacidade de resiliência perante os resultados negativos peculiares ao processo. Falhar faz parte. Errar e aprender com o erro significa estar mais forte e preparado para acertar na próxima empreitada”, complementa o diretor do Instituto Gênesis da PUC-RIO, João Gabriel Hargreaves.

O diretor e fundador da Giuliana Flores. Clóvis Souza, que começou o negócio trabalhando terceirizado em uma loja vendendo flores e hoje conduz um negócio de sucesso, ressalta que resiliência e capacidade de adaptação devem ser os pontos fortes de quem deseja empreender. “Não desistir dos seus objetivos é o principal, mas saber mudar de ideia é igualmente fundamental – se não deu certo de um jeito, talvez o ideal seja mudar a estratégia. O importante é não desanimar e sempre se concentrar no seu objetivo”, indica.

ROTAS PARA O SUCESSO

A mentora e consultora Isabella Prata lembra que empreender uma ideia precisa de profunda pesquisa e análises quanto à demanda pelo que pensamos em desenvolver, o que diminuirá as chances de insucesso. “Costumo recomendar primeiro uma conexão com o mundo de hoje, para percebermos quem é o consumidor, o que as pessoas buscam nesse período de tantas mudanças globais que têm ocorrido. Essa conexão se dá por meio de absoluta atenção ao nosso entorno, do momento que acordamos até o momento que voltamos a dormir de noite observando as pessoas, os lugares, a cidade e a natureza, esteja você no trabalho, caminhando, fazendo uma refeição etc. É importante ler, pesquisar, conversar com as pessoas, acessar todas as mídias possíveis, exercitar a presença. ter foco e, principalmente, não se desconectar do seu próprio eu”, indica.

Vale lembrar que ser dono de um negócio não é, necessariamente, criar algo novo; é também poder inovar em modelos de empresas que já existem. “Talvez alguém já tenha aberto algo e busca um sócio que pode ser exatamente você, o seu perfil. Por isso, é importante estar antenado”, sugere Isabella.

João Hargreaves lembra ainda que o melhor modelo para investir depende do risco a ser assumido. “Franquias, por exemplo, têm menos risco do que um novo negócio. Em contrapartida, um novo negócio tem maior rentabilidade para o investidor caso seja um sucesso”.

O momento certo também está mais ligado à detecção de um negócio que seja escalável, com risco reduzido em função da situação vigente, do que ao desejo. “Empreendimentos de sucesso surgem e crescem quando resolvem problemas. Detectar um problema é o primeiro passo. Depois, desenvolver a solução para ele”, indica o diretor do Instituto Gênesis.

DIREÇÃO

Ser empreendedor necessita de uma série de conhecimentos que podem ser adquiridos na universidade, na experiência de trabalhos executados e, sem dúvida, ao colocar a mão na massa. Não existe uma receita para o sucesso. É possível, por exemplo, manter-se no emprego e empreender ao mesmo tempo ou mergulhar exclusivamente no negócio. Para o primeiro caso, é preciso dispor de um valor para viver pelo período todo a ser percorrido até começar a ter lucro com o seu empreendimento, que pode levar alguns meses ou até dois ou mais anos. Essa análise pode ser feita a partir de um bom planejamento que inclua questões financeiras e também a gestão de seu tempo.

Ao iniciar uma empreitada, é válido fazer um plano de negócios, verificando, primeiro, a região e nicho de mercado. Depois, verificar se possui habilidades para desenvolver a atividade empreendedora e senso de administração. Também verificar quanto vai gastar para deixar o empreendimento funcionando e ter uma reserva para capital de giro, pois, na maioria das vezes, o empreendimento demora para “se pagar” e dar retorno.

A gerente da unidade de Navegantes (SC) da Instituição Comunitária de Crédito para MPEs BluSol, Emely Juliana Bonacols, lembra que nenhum negócio vem com uma receita pronta de sucesso; mas existem caminhos mais fáceis. “É válido entender do negócio, ter afinidade com a atividade empreendedora que vai exercer, habilidades técnicas e sabedoria para administrar. Com isso, maiores são as chances de dar certo. A pessoa que empreender tem que ter paixão pelo que está fazendo, pois é muito difícil imaginar o sucesso sem que a pessoa goste do que faz”, conclui.

Segundo o dentista André Belz, que trocou a tradição familiar e a carreira de dentista para ser sócio- franqueador da rede de franquias de idiomas Rockfeller, para ter experiência, você precisa começar um dia. “Quanto mais jovem a pessoa, mais fácil e mais coragem ela possui para assumir alguns riscos. Penso que todos podem desenvolver habilidades necessárias para se tornar um líder e empreendedor. Desejo, foco e humildade são os pré-requisitos principais”, opina.

Com sua experiência de negócios, Belz conclui que só se perde o medo de empreender, empreendendo. “Obviamente que quanto mais bem planejado, mais segurança se tem. Obter também informações, estudar o mercado em que deseja atuar, imersões e conversas com quem já faz e que você admira lhe traz certo ânimo e confiança”, afirma.

Por isso, Luís Stockler afirma: não existe um momento certo para empreender – o que existe é planejar e acreditar, acima de tudo, independentemente de outras pessoas, além de botar a mão na massa: fazer e executar. “Empreender é transformar o sonho em realidade”, concorda Hargreaves.

A análise de todos os riscos possíveis e a antecipação são essenciais. “Falhar faz parte do processo. Errar e aprender com o erro significa estar mais forte e preparado para acertar na próxima empreitada”, ressalta o diretor do Gênesis.

O melhor negócio a se investir? Segundo Isabela, isso é muito relativo, pois vai depender das preferências, investimento disponível, análises de pesquisas e muito planejamento. Para tomar a decisão do caminho, é válido procurar especialistas que possam ajudar no estudo e plano deste negócio. “É fundamental um investimento antes, pois depois que começar, o relógio dos riscos já estará em andamento e o tempo correrá contra”, lembra.

ATENÇÃO REDOBRADA

Empreender é um desafio, e o sucesso do negócio está atrelado a uma série de fatores, inclusive a capacidade dos empreendedores em minimizar seus riscos, evitando certos erros ao longo do seu crescimento. Um dos grandes erros é que as pessoas não planejam e não conhecem de fato o negócio no qual elas estão investindo.

Na opinião de André Belz, existem negócios para diferentes tipos de pessoas. “Recomendo que seja algo com o qual a pessoa se identifique – não precisa ser exatamente do ramo, você não precisa ser cozinheiro para querer atuar com o ramo de alimentação, não precisa ser professor para atuar no ramo de educação -, mas em todos os exemplos precisa encontrar seu ponto em comum, nesses casos, por exemplo, vai tratar com pessoas, portanto é um fator considerado”, diz e complementa: “A pessoa precisa entender como os negócios funcionam para saber se quer mesmo fazer aquilo. Se for operar o negócio, mas não quer trabalhar no Natal e no Ano Novo, não pode ter uma loja ou um restaurante, por exemplo. Analisar as taxas de lucratividade, a suscetibilidade a crises, a origem das receitas (se são vendas únicas ou recorrentes através de planos de mensalidades), se há necessidade de ter estoque ou não, qual tipo de retorno financeiro a pessoa pretende ter, se ela pode ter mais unidades do negócio etc. são pontos importantes e que precisam ser avaliados”, analisa.

É muito comum também novos empreendedores não atentarem a todas as exigências de um plano de negócios, que não dão a devida atenção ao recrutamento de pessoal qualificado e que ignoram a gestão financeira nessa fase inicial.

Um plano de negócios completo e bem definido, uma equipe interdisciplinar e comprometida e uma boa gestão financeira podem ser os primeiros passos para o sucesso de um empreendimento. “É necessário ter muita consciência e estar absolutamente bem informado de tudo que se passa no mundo hoje e o que está por vir no futuro próximo. Se você não tem o hábito de pesquisar e estudar, é melhor começar logo. Também precisa estar preparado para eventualmente ter de trabalhar muito mais do que sempre trabalhou e correr tantos riscos que pode realmente não valer a pena”, indica a consultora e mentora Isabella Prata.

Conhecer os próprios medos e reconhecer o que pode ser prejudicial ajuda o empreendedor a buscar pessoas ou empresas para suprir essa defasagem. “Ninguém faz sucesso sozinho. Empreender é envolver e agregar pessoas em volta dele que o ajudem a vencer as dificuldades, superar o medo e chegar ao objetivo final”, diz Stockler.

Não planejar adequadamente e ter a expectativa errada quanto à atividade são os principais erros que podem prejudicar o negócio. Por essa razão é importante desenvolver um plano de negócios para saber quanto será necessário investir inicialmente, a necessidade para o capital de giro, ter a noção correta de tempo de retomo de investimento e conhecer o máximo possível a operação para depois não dizer “eu não sabia que era assim” ou “eu não sabia que tinha que fazer isso”.

Em caso de franquias, conheça bem as regras do jogo, o papel das partes, converse com franqueados da rede e estude os documentos como pré-contratos e contratos. ‘Todos têm chance de brilhar. O sucesso está intimamente ligado ao tanto de esforço e comprometimento que dedicamos ao que fazemos. Disciplina é importante para chegar a resultados, e planejamento é fundamental para ter clareza das estratégias e decisões a tomar”, conclui a gerente da BluSol.

PARA DRIBLAR O MEDO

  • Saber como funciona a parte tributária do seu negócio e contratar uma empresa de contabilidade com experiência.
  • Identificar quem será o público que comprará o seu produto.
  • Saber manter e aumentar o seu networking, porque ninguém faz nada sozinho.
  • Atentar para a meta de chegar ao ponto em que toda a equipe saiba claramente os valores da empresa.
  • O empresário precisa estar ciente de que o dinheiro da empresa não é dele, então é necessário saber separar o que é seu e o que é da empresa.
  • Pés no chão, amor aos colaboradores e clientes.

PARA SER EMPREENDEDOR, ALEM DE TER VONTADE E VISÃO DE NEGOCIOS, A PESSOA PRECISA:

  • Ser capaz de executar o que se propõe com muita vontade, determinação, competência e uma boa dose de ousadia.
  • Ter desempenho diferenciado dos profissionais comuns, de modo a se destacar facilmente em tudo que faz.
  • Não medir esforços para atingir seus objetivos.
  • Ser dotada de várias qualidades que a credencia para o sucesso.
  • Ser consciente de que só se chega lá à custa de muito trabalho e dedicação.

ALIMENTO DIÁRIO

PROVÉRBIOS 13: 15-20

Pensando biblicamente

O JUSTO, EXCLUSIVAMENTE FELIZ

 

 V. 15 – Se não compararmos somente o fim, mas também o caminho, perceberemos que a religião tem uma grande superioridade, pois:

1. O caminho dos santos é agradável: “O bom entendimento dá graça”, com Deus e com os homens; o nosso Salvador cresceu nessa graça. quando cresceu em sabedoria. Os que se comportam com prudência, e ordenam seu modo de vida corretamente, em todos os aspectos. que servem a Cristo em justiça, e paz, e alegria no Espírito Santo, são aceitos por Deus e aprovados pelos homens (Romanos 14.17,18). E com que consolação passa pelo mundo o homem que é bem compreendido e, por isto, é bem aceito!

2. “O caminho dos prevaricadores é áspero” e difícil, e por este motivo, desagradável para eles mesmos, porque é inaceitável para os outros. É difícil para os outros, que se queixam dele, é difícil para o próprio pecador; que pode ter pouco prazer enquanto está fazendo aquilo que é desagradável para toda a humanidade. Servir ao pecado é uma perfeita escravidão, e o caminho para o inferno é repleto de espinhos e cardos que são os produtos da maldição. Os pecadores se esforçam em meio ao próprio fogo.

 

V. 16 – Observe:

1. É sensato ser cauteloso. Todo prudente age com conhecimento (considerando consigo mesmo e consultando outras pessoas), age com deliberação e reserva, é cuidadoso para não se envolver com aquilo de que não tem conhecimento, não se envolver com negócios com que não tem familiaridade, não lidar com aqueles a quem não conhece, e não sabe se são de confiança. Ele age com conhecimento para que possa aumentar o que tem.

2. É loucura ser impulsivo, como é o tolo, que é rápido em falar sobre as coisas das quais nada conhece e se envolver naquilo para o que não está preparado, e assim espraia a sua loucura e se faz ridículo. Ele começou a edificar e não pôde acabar.

 

V. 17 – Aqui temos:

1. As más consequências de trair uma confiança. Um mau mensageiro, que, sendo enviado para negociar alguma coisa, é infiel ao que o empregou. divulgando os seus conselhos, e assim derrotando os seus desígnios, não pode esperar prosperar, mas certamente cairá no mal, de um ou de outro tipo, será descoberto e punido, uma vez que nada é mais odioso para Deus e os homens do que a traição daqueles em quem se depositou confiança.

2. Os felizes resultados da fidelidade: o embaixador fiel, que desempenha fielmente a sua função e que serve aos interesses dos que o empregaram, é saúde; é saúde para aqueles pelos quais e para os quais é empregado; ele cura as diferenças que há entre eles, e preserva um bom entendimento; é saúde para si mesmo, pois protege os seus próprios interesses. Isto se aplica a ministros, os mensageiros e embaixadores de Cristo; os que são ímpios e falsos com Cristo e com as almas dos homens, realizam maldades e caem no mal; mas os que são fiéis encontrarão palavras confiáveis que serão palavras de cura para si mesmos, e também para os outros.

 

V. 18 – Observe:

1. Aquele que é tão orgulhoso a ponto de desprezar o ensinamento, certamente será humilhado. “Pobreza e afronta virão ao que rejeita a correção”, ao que recusa uma boa instrução, como se isto fosse uma diminuição para a sua honra e uma humilhação para a sua liberdade; ele se tornará um mendigo e viverá e morrerá em desgraça; todos o desprezarão, como tolo. e teimoso, e irrecuperável.

2. Aquele que é tão humilde, a ponto de aceitar que lhe chamem a atenção para suas falhas, certamente será exaltado: o que guarda a repreensão, independentemente de quem a faz, e corrige o que está errado, quando isto lhe é demonstrado, será venerado, como alguém sábio e sincero: ele evita aquilo que seria uma desgraça para ele. e está no caminho correto para obter consideração.

 

V.  19 – Este verso mostra a loucura dos que recusam a instrução, pois poderiam ser felizes, mas não serão.

1. Eles poderiam ser felizes. Há, no homem, fortes desejos de felicidade; Deus fez provisões para o cumprimento desses desejos, e isto deve ser um deleite para a alma, ao passo que os prazeres dos sentidos só são agradáveis aos apetites carnais. O desejo que têm os homens bons da benevolência de Deus e das bênçãos espirituais traz aquilo que é um deleite para as suas almas; nós conhecemos os que podem dizer isto por experiência (Salmos 4.6,7).

2. Mas não serão felizes; pois para eles, é uma abominação apartar-se do mal, o que é necessário para que sejam felizes. Nunca devem esperar alguma coisa verdadeira­ mente doce para suas almas os que não desejam ser per­ suadidos a deixar os seus pecados, mas que os guardam debaixo de suas línguas como um doce.

 

V.  20 – Observe:

1. Os que desejam ser bons devem ter boas companhias, o que é uma evidência, a seu favor, de que desejam ser bons (o caráter do homem é conhecido pelas companhias que ele escolhe), e será um meio para torná­ los bons, de mostrar-lhes o caminho e de incentivá-los a percorrê-lo. Aquele que deseja ser sábio deve andar com os que são sábios, deve escolhê-los como seus amigos íntimos e conviver com eles de maneira apropriada; deve pedir e receber instruções deles, e conservar diálogos piedosos e proveitosos com eles. “Não rejeite o ensinamento dos anciãos, porque eles também aprenderam dos próprios pais” (Eclesiástico 8.9). E, “escute de boa vontade toda palavra divina, e não se descuide das máximas sábias” (Eclesiástico 6.35).

2. Multidões são destruídas por más companhias: “O companheiro dos tolos será afligido”, se tornará mau (segundo alguns), será conhecido (segundo a Septuaginta), conhecido como um tolo; ele é conhecido por suas companhias. Ele será como eles (segundo alguns), se tornará ímpio (segundo outros); tudo isto acaba significando a mesma coisa, pois todos aqueles, e somente aqueles, que se tornam ímpios serão destruídos, e os que se associam com malfeitores são corrompidos, e assim, destruídos, e por fim a sua morte é atribuída a isto.

PSICOLOGIA ANALÍTICA

IMAGINAÇÃO TURBINADA

o universo fantástico dos heróis das histórias em quadrinhos nos ajuda a entender a capacidade do cérebro de apreender informações e fazer distinções entre elas.

Imaginação turbinada

“Universos inteiros cabem confortavelmente dentro do crânio. Não apenas um ou dois, mas infinitos mundos podem ser acomodados nesse osso oco, escuro e molhado sem quebrá-lo”, disse o escritor de histórias em quadrinhos escocês Grant Morrison. De fato. Personagens de quadrinhos vivem numa espécie de realidade ampliada, um lugar onde é possível transcender nossas capacidades naturais. Quem já esteve num evento de cosplay certamente encontrou pela frente zumbis, personagens de mangá e diversos vilões e heróis. Há alguns meses, vários desses apaixonados por esse mundo de fantasia transpiravam sob a maquiagem no clima quente do verão do Arizona enquanto caminhavam pela convenção Phoenix Comicon. Nos quatro andares dessa imensa estrutura, que se espalha pelo espaço subterrâneo de vários quarteirões da cidade, estavam demônios carregando arcos, martelos medievais e sabres de luz.

Nem sempre, porém, nos damos conta de que as histórias dos super-heróis dizem respeito a dramas humanos em larga escala: o Super-Homem voa para resgatar o planeta de um fim trágico. O Homem-Aranha escala edifícios para escapar de vilões. E, nós, reles mortais, temos um poder do qual nem sempre nos damos conta: um sistema nervoso que oferece, entre tantas outras coisas, muitas maneiras de participar desse universo fantástico. Nossos olhos podem captar em abundância cores, luzes e movimentos, traduzidos pelo cérebro como algo inteligível. Os sistemas perceptual e cognitivo dependem em grande parte da busca, da identificação e do destaque de contrastes – um princípio também fundamental para histórias em quadrinhos, que utilizam como tema central a luta do bem contra o mal.

O ganhador do Nobel de fisiologia Haldan Keffer Hartline, da Universidade Rockefeller, identificou essa capacidade do cérebro nas células nervosas da retina, que reveste a superfkie interior dos olhos humanos. Ele observou que a excitação de um neurônio leva à inibição de outros ao redor com os quais compete. Ou seja: resposta neural mais intensa a estímulos visuais anda de mãos dadas com o bloqueio de impulsos antagonistas próximos. Hartline chamou essa atividade de “inibição lateral”.

O processo de excitação versus inibição amplia os contornos de objetos enquanto os comparara. Cálculos similares operam na parte exterior do sistema visual com o objetivo de alcançar praticamente todas as áreas cerebrais. A inibição lateral também pode desempenhar um papel na forma como comparamos ideias e argumentos. É provável que distinguir o mundo (aumentando as diferenças entre as coisas)

seja uma “obrigação neural”. Não somos capazes de perceber vermelho-esverdeado ou amarelo-azulado, por exemplo, porque as cores correspondentes são processadas como tipos opostos de informação pelos neurônios visuais. São como óleo e água para a mente. No salão de exposição da Phoenix Comicon, um dos nossos criadores de quadrinhos favorito, Dennis Calero, afirmou que a gestão de dualidades também é crucial para histórias de super-heróis. É comum encontrar protagonistas com personas opostas: os leitores geralmente se identificam com Clark Kent e Peter Parker em vez de Super-Homem e Homem-Aranha. E a figura do vilão tem o mesmo peso. Sem uma mente maligna convincente, as histórias fracassam. A oposição entre luz e trevas dá forma à narrativa.

As imagens a seguir brincam com a ideia de heróis e superpoderes. Desafiam nossos circuitos visuais e cognitivos para classificar figuras como possíveis versus impossíveis. A ambiguidade inerente à percepção visual que você está prestes a conhecer torna essa tarefa digna do Homem de Aço.

Imaginação turbinada. 2 CAMUFLAGEM DE CAMALEÃO

O artista chinês Liu Bolin (acima), usa seu corpo como tela para desaparecer. Ele e sua equipe chegam a passar dias se preparando para uma sessão de fotos. Bolin já se misturou com grandes construções históricas, livrarias e até com uma escavadeira com a mesma facilidade de transformação da metamorfo Megan Morse, da publicação Teen Titans, que pode controlar sua estrutura molecular para se esconder em qualquer ambiente. E enquanto ele se esconde, nossos olhos se esforçam para encontrar o artista. A pintura reduz o contraste entre as extremidades de seu corpo e o fundo, subvertendo os princípios de inibição lateral que nos ajudam a encontrar os contornos das outras imagens.

Imaginação turbinada. 3 A MENINA QUASE INVISÍVEL

Sue Richards, também conhecida como a Mulher Invisível do famoso Quarteto Fantástico, pode manipular ondas de luz para desaparecer. Essa imagem produzida pela fotógrafa Laura Williams, de 21 anos, moradora de Cambridge, na Inglaterra, é fantástica. À primeira vista, o cérebro não hesita em perceber a garota como parcialmente invisível, em vez de concluir que, indubitavelmente, o cenário é impossível.

Todos temos modelos mentais do corpo humano, por isso podemos deduzir que ela está sentada atrás do espelho – e não que seja uma cabeça sem corpo, apenas com os membros. No entanto, a capacidade do sistema visual de vincular a paisagem do fundo da imagem com o interior do espelho (que obviamente reflete o que está na frente, e não atrás) é ainda mais poderosa do que os esquemas corporais do cérebro. Este tipo de costura perceptual, que a Gestalt, ou psicologia da forma, de origem alemã, chama de “lei da boa continuação”, supera as hipóteses mentais sobre a forma do corpo humano. Como resultado, num primeiro momento imaginamos uma menina parcialmente invisível sentada atrás de uma moldura vazia em vez de percebermos a paisagem refletida.

Imaginação turbinada. 4

TEIA DE ENGANOS

Distinguir um herói de um vilão pode ser uma questão de perspectiva. Na imagem do mestre da arte 3D Kurt Wenner, exibida na Universal Studios do Japão para comemorar seu 10º aniversário em 2011, apenas quem observa de determinado ângulo (muito parecido com o seu ponto de vista enquanto lê este post) consegue ver o Homem-Aranha entre os prédios de Nova York se preparando para disparar teias na direção do equilibrista. Da perspectiva de quem anda na armação de fios é possível enxergar o super-herói como realmente é: uma enorme pintura no chão. A ilusão, chamada de pintura anamórfica, aproveita a maneira como o sistema visual usa pistas, como sombreamento, perspectiva e tamanho relativo dos objetos, para produzir a percepção da distância, forma e profundidade.

Imaginação turbinada. 5

SUPERPAI

A fotógrafa italiana Giulia Pex tem uma série de imagens chamada Pai, você é meu super-herói favorito, que combina desenhos, ilustrações e fotografias para mostrar a maneira como ela enxerga os superpoderes paternos. Os artistas sabem que linhas num desenho ou numa pintura servem como atalhos visuais para o contorno de um objeto e que os percebemos por meio da inibição lateral. Além disso, neurônios nos primeiros estágios do processamento visual não são capazes de distinguir entre uma forma sólida e um quadro vazio. Como resultado, os olhos aceitam facilmente desenhos feitos com traços, mesmo quando são oferecidas apenas as bordas. De fato, o esforço extra necessário para interpretar a imagem pode tornar esse tipo de figura até mais atraente para o sistema visual, fazendo com que nossa atenção seja capturada por um longo tempo. Aqui, Giulia Pex engana nossos neurônios estimulando-os com linhas: elas formam o desenho de uma capa com detalhes suficientes para nos fazer enxergar o status de super-herói de seu pai.

Imaginação turbinada. 6

SUBINDO PELAS PAREDES

A instalação interativa Bâtiment, do artista Leandro Erlich, exibida na edição de 2004 do festival La Nuit Blanche, em Paris, é composta de uma detalhada fachada que fica no chão. Com um grande espelho angular à frente, a face do prédio é refletida na vertical, assim como os visitantes, que podem fazer poses, parecendo estar pendurados às janelas com os dedos ou escalar paredes ao estilo do Homem-Aranha. Similar ao mural de Wenner, essa ilusão tem a ver com a perspectiva, o que permite aos visitantes uma experiência assustadora e impossível.

OUTROS OLHARES

LOROTA LUCRATIVA

Propaganda da Empiricus, empresa de análise de investimentos, vira fenômeno no YouTube graças a uma papagaiada mentirosa da agora famosa Bettina.

Lorota lucrativa. 2

Poucos conseguiram passar os últimos dias alheios a Bettina Rudolph. Ela apareceu antes dos gols da rodada, de episódios antigos de novelas, até da Galinha Pintadinha, e virou um fenômeno do YouTube. Na manhã da terça-feira 12, a jovem administradora deu o primeiro passo para ficar conhecida ao dizer orgulhosamente para a câmera que havia se tomado milionária aos 22 anos de idade. “Comecei com 19 anos e 1.520 reais. Três anos depois, tenho mais de 1 milhão. Simples assim”, ela afirma, no vídeo, e explica seu método: “Eu comprei ações na Bolsa de Valores”. Bettina não é uma atriz lendo um roteiro de ficção. Ela trabalha como redatora publicitária na Empiricus, empresa que vende análises de investimento. Visto mais de 20 milhões de vezes, o vídeo provocou incredulidade óbvia, reações raivosas contra a jovem, debates sobre machismo, memes para todos os gostos, um funk em sua homenagem, uma notificação do Procon à Empiricus e também a ilusão da riqueza fácil em 1,1milhão de pessoas. E o número de interessados que se cadastraram no site da Empiricus na última semana sonhando enriquecer como Bettina.

O problema é que, como a própria Bettina admitiu depois que o assunto explodiu nas redes sociais, a conta dos 1.042.000 reais inclui muito mais do que um investimento certeiro em ações: ela economiza metade do salário todos os meses e 100% dos bônus anuais que recebe no emprego. Além disso, ganhou 35.000 reais do pai (que também pagava suas contas) e junta outras fontes de renda não esclarecidas, que usou ao longo desse período em novos aportes. ”Tanto no Japão quanto nos Estados Unidos, um caso como esse seria passível, no mínimo, de revogação da licença da empresa”, afirma Alexandre Kawakami, advogado especialista em mercado de capitais e compliance, referindo-se à papagaiada promovida pela Empiricus. A Bolsa de Valores de São Paulo vive um ótimo momento. Na segunda-feira 18, o Índice Bovespa, que reúne as ações negociadas no pregão, atingiu a inédita marca de 100.000 pontos. A boa fase atrai a atenção de milhares de brasileiros que nunca investiram na vida, interessados em aumentar os rendimentos com a compra e a venda de ações. A B3 (nome oficial da bolsa) terminou 2018 com mais de 813.000 pessoas autorizadas a negociar no pregão, uma elevação de 31% em relação ao ano anterior. Só nos primeiros dois meses de 2019, esse número já pulou para 920.000. É gente que está arriscando uma parte de seu patrimônio e tem direito a uma informação confiável e segura.

A Empiricus é uma entre várias empresas que auxiliam potenciais investidores a compreender o funcionamento do mercado de ações – e fazem indicações de papéis que podem, no seu entender, trazer rendimentos a quem apostar neles. Trata-se de um negócio legítimo que, para se manter idôneo, precisa de regras, como qualquer ramo empresarial. E a Empiricus faz o que pode para burlar essas regras. ”A CVM (Comissão de Valores Mobiliários, órgão regulador do mercado) pode aplicar diversas penas pelo descumprimento de suas normas, que vão de simples advertências a multas de até 50 milhões de reais”, explica Otavio Yazbek, ex-diretor da CVM.

Fundada há dez anos por Felipe Miranda e três amigos, a Empiricus nasceu oficialmente como uma casa de análise de investimentos. Em 2017, justamente por causa de suas propagandas enganosas, Miranda mais dois de seus principais analistas foram suspensos pela Apimec, entidade que autorregula o trabalho de analistas e profissionais de investimento. Em vez de corrigir seu comportamento, o fundador mudou o objeto social da companhia e ela passou a ser uma ”empresa de comunicação”, que produz conteúdo de orientação em investimentos para 350.000 assinantes. Com a alteração, a empresa entrou com uma liminar para dar baixa em seu registro na CVM – e assim ficar livre da fiscalização do órgão. A medida, considerada uma manobra para burlar a fiscalização, foi derrubada nos tribunais em dezembro de 2018, mas ainda não há decisão final. Enquanto o caso não se encerra, a CVM aguarda para tomar qualquer atitude, pois, afinal, a Empiricus se desfiliou de seus quadros. O Conar, que regulamenta a atividade publicitária, não instalou processo contra o anúncio. Miranda afirma que não respeita a CVM como órgão regulador e que submeter seus relatórios ao crivo da instituição, como toda empresa de análise de investimentos é obrigada a fazer, seria “censura”. Verdade seja dita, nem a CVM atuou com rigor no caso: a Empiricus responde a quinze procedimentos da época em que ainda era filiada – nenhum resultou em punição.

Felipe Miranda nega que Bettina esteja mentindo na propaganda. “Fazemos um marketing histriônico, exagerado, mas nunca mentiroso”, diz. Ele acredita que, se campanhas de cerveja podem mostrar mulheres de biquíni quando se abre uma latinha, a Empiricus pode prometer ganhos irreais. Miranda está feliz com a repercussão do vídeo. Só teme pela segurança de Bettina, a quem recomendou que passe um tempo em casa e ofereceu guarda-costas. Enquanto as autoridades seguirem ignorando o caso, Miranda continuará enriquecendo – mesmo que não invista real em ações.

Lorota Lucrativa

Assista ao famoso vídeo sobre o investimento de Bettina.

https://www.youtube.com/watch?v=ugQtUDRtkAk

GESTÃO E CARREIRA

NÃO SEJA CRIATIVO

“O importante é não parar de questionar. A curiosidade tem sua própria razão de existir”.  Albert Einstein

Não seja criativo

Este é um artigo da série sobre criatividade e neste post ficamos de conversar sobre mindset.

Este termo quer dizer configuração neural. A tradução literal do inglês para o português é mentalidade. Aqui estou falando sobre mindset para a criatividade, ou seja, o quanto sua mentalidade está disposta a criar.

No ambiente dos negócios, criatividade diz respeito a ter novas ideias, novas formas de fazer ou de gerir e pode significar não só a sobrevivência, como o protagonismo da empresa em relação aos seus resultados no mercado.

Configurar uma nova mentalidade significa racionalizar como ações levam a resultados e mudar primeiro o modo de pensar, para mudar o modo de agir. Configurar mentalidade para a criatividade significa entender que todo ser humano pode ser criativo – se quiser – já que criatividade se trata de uma habilidade e todas as habilidades podem ser desenvolvidas pelo humano, repetindo, se ele quiser.

Antes de falar mais sobre mindset, vou falar como não ser criativo. Se bem que, entender o que não funciona também ajuda a configurar a mente. É fato que inúmeros fatores no ambiente atrapalham o desenvolvimento da criatividade, mas hoje vamos conversar apenas sobre o que está no seu controle direto: a sua mentalidade, independentemente do contexto.

Então fique atento em como não ser criativo:

PREOCUPE-SE COM AS CRÍTICAS:

Um dos fatores que mais prejudicam o início do processo criativo é quando você se preocupa demais com o que vão dizer sobre as suas ideias e por vezes chega até a se intimidar em expô-las. Não funciona. Linus Pauling – um grande criativo, ganhador de um prêmio Nobel na área de química na década de 1950 – já dizia que para ter uma boa ideia, tem que ter muitas e também jogar muitas fora. Fale, exponha, arrisque-se. Não tenha vergonha de criar.

SINTA-SE CONFORTÁVEL:

Acreditar que já chegou ao resultado ótimo é um dos fatores que mais atrapalham ter novas ideias. Criatividade pressupõe inquietação, movimentação, insatisfação. A pessoa criativa não se acomoda. Olhe para as ideias com generosidade, mas com desafio. Será que algo pode ser feito ainda melhor?

PREOCUPE-SE (DEMASIADAMENTE) COM AS REGRAS:

Todas as grandes criações que mudaram o mundo precisaram romper algum tipo de regra. A regra tem a intenção linda de organizar. Quando ela ultrapassa essa intenção e começa a enrijecer, é hora de conseguir ver através da regra e questioná-la. Tente, negocie, proponha novas regras. Questione.

TENHA PRESSA:

O cérebro é uma máquina intrigante! Ele funciona analogicamente a um fogão a lenha: precisa aquecer. Para ter uma boa ideia, pare um pouco e entenda que você precisa engolir a pergunta para o cérebro lhe dar a resposta.

Então faça-se a pergunta e desfoque, dê um tempo. Vá ler outras coisas. Vá fazer outras coisas. Vá limpar algo, correr, andar de bicicleta. Até ir dormir vale. Mas dê um tempo interno para o desafio. O que vem de resposta não é “Eureka!”, as grandes ideias não são brilhantes, incríveis e “do nada”. Grandes ideias são resultado de toda a lenha que você pacientemente disponibiliza ao fogão.

Sim, a pessoa criativa é um pouco pentelha. Um pouco bagunçada. Bastante questionadora. Ela é curiosa, flexível, autoconfiante, otimista. É bem isso mesmo. Seja bem-vindo! Então, para começar a configurar o seu mindset para ser uma pessoa cada vez mais criativa, comece eliminando os pressupostos e, antes de se configurar para ser, evite fazer aquilo que atrapalha ser.

 

CECÍLIA BETTERO – é administradora, empresária em consultoria e treinamento gerencial. Pesquisadora na área de criatividade, mestranda em ciências da comunicação na Universidade Fernando Pessoa em Portugal – w.w.w.ceciliabettero.com.br

ALIMENTO DIÁRIO

PROVÉRBIOS 13: 5-14

Pensando biblicamente

O JUSTO, EXCLUSIVAMENTE FELIZ

 

V. 5 – Observe:

1. Onde reina a graça, o pecado é odioso. É o caráter inequívoco de todo homem justo o fato de que ele detesta a mentira (isto é, todo pecado, pois cada pecado é uma mentira, e particularmente toda fraude e falsidade nos negócios e no convívio), não somente pelo fato de que ele não dirá uma mentira, mas porque ele abomina a mentira, por um princípio reinante e enraizado de amor à verdade e à justiça, e de conformidade com Deus.

2. Onde reina o pecado, o homem é odioso. Se os seus olhos estivessem abertos e a sua consciência desperta, ele odiaria a si mesmo e se arrependeria, no pó e na cinza; no entanto, ele odeia a Deus e aos homens bons; e, em particular, é a mentira que o torna assim, e não há nada que seja mais detestável do que ela. E, ainda que ele possa pensar em abandoná-la, por algum tempo, ainda assim ele será dominado pela vergonha e pelo desprezo, no final, e enrubescerá ao mostrar seu rosto (Daniel 12.2).

 

V6 – Veja aqui:

1. Os santos protegidos da destruição. ”A justiça guarda ao que é sincero no seu caminho”, que tem intenções honestas em todos os seus atos, que adere conscientemente às regras sagradas e eternas da equidade, e que lida com sinceridade com Deus e também o homem. A sua integridade o guardará das tentações de Satanás, que não prevalecerá sobre ele; e das ofensas dos homens maus, que não o atingirão para lhes fazer nenhum dano real (Salmos 25.21).

2. A ruína assegurada para os pecadores. Em relação aos que são ímpios, até mesmo a sua iniquidade será destruída, no final, e eles ficam à mercê dela, enquanto isto não acontece. Eles são corrigidos, destruídos? É a sua própria iniquidade que os corrige, que os destrói; e eles a suportarão.

 

V. 7 – Esta observação é aplicável:

I – Às propriedades materiais dos homens. O mundo é um grande enga­ no, não somente as coisas do mundo, mas os homens do mundo. Todos os homens são mentirosos. Aqui está um exemplo em dois terríveis males, sob o sol:

11. “Há quem se faça rico, não tendo coisa nenhuma”; estes compram e gastam corno se fossem ricos, fazem grande alvoroço e exibição corno se tivessem tesouros escondidos, quando, talvez, se todas as suas dívidas fossem pagas, não valeriam um centavo. Isto é pecado, e será urna vergonha; muitos arruínam assim as suas famílias e trazem vergonha à sua profissão de religião. Os que vivem acima do que têm preferem estar sujeitos à sua própria soberba, e não à providência de Deus; eles terminarão de urna maneira condizente com os seus atos.

2. E “há quem se faça pobre, tendo grande riqueza”; estas pessoas são consideradas pobres, porque vivem sordidamente e mesquinhamente abaixo do que Deus lhes deu, e preferem enterrá-lo, em lugar de usá-lo (Eclesiastes 6.1,2). Nesta atitude há urna ingratidão para com Deus. urna injustiça para com a família e os próximos, e falta de caridade para com os pobres.

 

II – Aos seus bens espirituais. A graça é a riqueza da alma; a verdadeira riqueza; mas os homens normalmente a deturpam, seja intencionalmente ou por engano, devido à ignorância sobre si mesmos.

1. Há muitos que são hipócritas declarados, que são realmente pobres e vazios de graça, e ainda assim se julgam ricos, e não se convencerão da sua pobreza, ou se fingirão de ricos, e não reconhecerão a sua pobreza.

2. Há muitos cristãos temerosos, que são espiritualmente ricos, e cheios de graça, e ainda assim se consideram pobres, e não se deixarão persuadir de que são ricos, ou, pelo menos, não o reconhecerão; por suas dúvidas e temores, suas queixas e lamentações, se tornam pobres. O primeiro engano destrói no final; este é um fato perturbador durante a vida do homem.

 

V. 8 – Nós somos propensos a julgar a bem-aventurança dos homens, pelo menos neste mundo, por suas riquezas, e que eles são mais ou menos felizes, conforme possuam uma maior ou menor quantidade dos bens neste mundo; mas aqui, Salomão nos mostra que grave engano é este, indicando que podemos ser reconciliados com uma condição ele pobreza e não ambicionar ou invejar os que têm abundância.

1. Aqueles que são ricos podem ser respeitados por alguns por causa de suas riquezas; para equilibrar tal fato, é importante mencionar que são invejados por outros, e atacados, e suas vielas correm perigo; assim, eles precisam resgatá-las com as suas riquezas. “Não nos mates a nós; porque temos no campo tesouros escondidos” (Jeremias 41.8). Sob o governo de alguns tiranos, ser rico já seria crime suficiente; e quão pouco um homem deve ser agradecido à sua riqueza, quando ela serve somente para redimir aquela viela que, ele outra maneira, não teria sido exposta!

2. Se aqueles que são pobres forem desprezados e ignorados por alguns que deveriam ser seus amigos, ainda assim, para contrabalançar isto, serão também desprezados e ignorados por outros , que seriam os seus inimigos, se tivessem algo a perder: “O pobre não ouve as ameaças”, não é censura­ do, repreendido, acusado, nem se mete em dificuldades, como os ricos; pois ninguém pensa que vale a pena notá­los. Quando os judeus ricos foram levados cativos à Babilônia, os pobres da terra ficaram para trás (2 Reis 25.12). Não produziam nada, a cada sete anos.

 

V9 – Aqui temos:

1. A consolação dos homens bons – próspera e duradoura: ”A luz dos justos alegra”, isto é, aumenta e lhes traz felicidade. Mesmo a sua prosperidade exterior é sua alegria, e muito mais os dons, graças e consolações, com que suas almas são iluminadas: elas brilham, cada vez mais (Provérbios 4.18). O Espírito é sua luz, e lhes traz uma plenitude de alegria, e se alegra por fazer­ lhes o bem.

2. A consolação dos homens maus murcha e morre: ”A candeia dos ímpios se apagará”, melancólica, como uma vela em um jarro, e logo os tais estarão em completa escuridão (Isaias 50.11). A luz dos justos é como a do sol, que pode ser eclipsada e encoberta por nuvens, mas continuará; a dos ímpios é como um fogo que eles mesmos acenderam, e que imediatamente será apagado; ele é facilmente extinto.

 

V10 – Observe:

1. “Da soberba só provém a contenda”. Você deseja saber donde vêm as guerras e pelejas? Elas se originam desta raiz de amargura. Qualquer que seja o peso que outros desejos tenham nas contendas (paixão, inveja, cobiça), a soberba tem mais peso; é a soberba que semeia discórdia e não precisa de ajuda. A soberba torna o homem impaciente na contradição de suas opiniões ou de seus desejos, impaciente com a competição e a rivalidade, impaciente pelo desprezo, ou qualquer coisa que pareça indiferença, e impaciente com concessões, por causa de um convencimento de certo direito e verdade de sua parte; e consequentemente surgem contendas entre parentes e vizinhos, contendas em estados e reinos, em igrejas e sociedades cristãs. Os homens se vingarão, não perdoarão, porque são soberbos.

2. Os que são humildes e pacíficos são sábios e bem aconselhados. Os que pedem conselhos, e os aceitam, que consultam suas próprias consciências, suas Bíblias, seus ministros, seus amigos, e não fazem nada de uma forma impensada são sábios, tanto em outras situações como nesta, porque se humilham, se curvam e cedem, para preservar a tranquilidade e evitar contendas.

 

V. 11 – Isto mostra que os ricos vestem o que ganham.

1. Aquilo que é obtido de maneira ilícita nunca será bem usado, pois o acompanha uma maldição que o desgastará, e as mesmas disposições corruptas que predispõem os homens às maneiras pecaminosas de obtê-los os predispõem às maneiras igualmente pecaminosas de gastar: ”A fazenda que procede da vaidade diminuirá”. Aquilo que é obtido com esquemas como estes não é lícito, nem convém aos cristãos, pois somente servem para alimentar a soberba e a luxúria; aquilo que é obtido com jogos de azar pode ser considerado como obtido da vaidade tão verdadeiramente como o que é obtido por meio de mentiras e fraudes, e sendo assim diminuirá. A riqueza obtida ilicitamente dificilmente será desfrutada pela terceira geração.

2. Aquilo que é obtido pelo trabalho e com honestidade terá aumento, em lugar de diminuir: será um sustento, será uma herança; será uma abundância. Aquele que se esforça, trabalhando com as suas mãos, aumentará tanto o que tem a ponto de ter o que repartir com o que tiver necessidade (Efésios 4.28); e, quando for este o caso, o que ele tem aumentará cada vez mais.

 

V. 12 – Observe:

1. Nada é mais angustiante do que o desapontamento de uma expectativa, ainda que não pela coisa em si mesma, por uma negativa, mas no tempo da sua realização, por uma demora: ”A esperança demorada enfraquece o coração”, tornando-o debilitado, impaciente e irritado; mas a esperança destruída mata o coração, e quanto mais intensa a expectativa, mais dolorosa a frustração. É, portanto, sensato que não nos prometamos grandes coisas das criaturas, nem nos alimentemos com quaisquer vãs esperanças deste mundo, para que não sejamos vítimas da nossa própria frustração; devemos nos preparar para nos desapontarmos com aquilo que esperamos, para que a frustração seja mais fácil de ser suportada, e não devemos ser precipitados.

2. Nada é mais agradável do que desfrutar, por fim, daquilo que desejamos e esperamos por muito tempo: o desejo chegado coloca o homem em um tipo de paraíso, um jardim de prazer, pois é árvore de vida. A infelicidade eterna dos ímpios será agravada por suas esperanças frustradas; e a felicidade do céu será mais bem-vinda aos santos, tendo em vista que eles a desejaram longamente e fervorosamente, como a coroa de suas esperanças.

 

V. 13 – Aqui temos:

1. O caráter de alguém que está destinado à ruína: O que despreza a Palavra de Deus, e não tem consideração nem veneração por ela, nem se permite ser governado por ela, certamente perecerá, pois despreza aquilo que é o único meio de curar uma doença destrutiva, tornando-se odioso para aquela ira divina que certamente será a sua destruição. Aqueles que preferem as regras carnais aos preceitos divinos, e as seduções do mundo e da carne às promessas e consolações de Deus, desprezam a sua palavra, dando preferência àquelas coisas que competem com ela, e isto será a sua justa ruína: eles não aceitam advertências.

2. O caráter de alguém que certamente será feliz: O que teme o mandamento, que tem respeito e temor por Deus, que tem consideração pela sua autoridade, e reverência pela sua Palavra, que teme desagradar a Deus e sofrer as punições que são anexas aos mandamentos, não somente escapará à destruição, mas será galardoa­ do, pelo seu piedoso temor. Em guardar os mandamentos há grande recompensa.

 

V. 14 – Podemos interpretar, aqui, a doutrina dos sábios e justos como os princípios e regras pelos quais eles se governam, ou (o que é equivalente) as instruções que eles dão aos outros, que são como uma lei para os que estão ao seu redor; e, sendo assim:

1. Eles serão constantes fontes de consolação e satisfação, como uma fonte de vida, da qual fluem correntezas de água viva; quanto mais próximos estivermos dessas regras mais eficazmente asseguraremos a nossa própria paz.

2. Eles serão proteções constantes dos laços de Satanás. Os que seguem os preceitos desta lei serão mantidos afastados dos laços do pecado, e assim poderão desviar dos laços da morte, aos quais se apressam os que abandonam a doutrina do sábio.

PSICOLOGIA ANALÍTICA

O SOFRIMENTO PELA BUSCA DA BELEZA

A crença de que é possível melhorar a própria aparência traz mais ansiedade que sensação de bem-estar.

O sofrimento pela busca da beleza

Estudos sugerem que acreditar que podemos nos empenhar para mudar algumas características favorece a motivação. Por exemplo, saber que podemos trabalhar traços de personalidade que nos incomodam – como introversão ou instabilidade emocional – ou que é possível explorar a própria inteligência. Um trabalho publicado na Social Cognition, porém, mostra que esse efeito benéfico não ocorre quando o assunto é a própria aparência: a crença de poder melhorá-la cada vez mais traz mais ansiedade que sensação de bem-estar.

Pesquisadores da Universidade do Estado de Oklahoma observaram que mulheres com ideias maleáveis sobre a beleza (por exemplo, que acreditavam poder se tornar mais bonitas com empenho) demonstraram maior risco de ansiedade (relacionada à aparência) e de construir a autoestima com base no visual, em comparação àquelas com concepções estabelecidas sobre a beleza. As mais inseguras tendiam a manifestar também interesse em cirurgia plástica. Esses efeitos não foram encontrados entre homens.

As consequências que as crenças podem causar dependem de quão realista é a busca. Os ideais de beleza tipicamente apresentados pela mídia – jovem, magra, com pele e cabelos impecáveis (com a ajuda do Photoshop) – são inatingíveis. “Pesquisas anteriores demonstram que concepções flexíveis podem favorecer a motivação, o que pode ser positivo para manter o interesse e aprimorar habilidades matemáticas, por exemplo”, argumenta a psicóloga social Melissa Burkley, coautora do estudo. “Mas, quando os objetivos são tão irreais quanto os padrões de beleza impostos às mulheres de hoje, aumentar a motivação pode favorecer comportamentos prejudiciais.”

OUTROS OLHARES

MUNDO SEM FILTROS

A Superabundância de informações que nos atinge diariamente tem se mostrado um desafio na educação, pois hoje as crianças têm fácil acesso a qualquer assunto.

Mundo sem filtros

Vivemos uma época peculiar da história da humanidade, devido em grande parte às transformações tecnológicas, científicas, culturais, políticas, financeiras e sociais que se desenvolveram a partir das últimas décadas do século XX. Ver o homem chegar à Lua, assistir ao vivo a Guerra do Golfo hoje parecem até fatos comuns, mas marcaram a vida de toda uma geração.

Acompanhamos atualmente inúmeras e rápidas mudanças em nosso mundo, que habitualmente aconteciam paulatinamente ao longo de duas ou mais gerações, com uma ciclagem cada vez mais acentuada, alterando padrões de convívio social, de troca de informações, de incremento científico, qualidade de vida e longevidade, nunca antes assistidos. Essas atualizações constantes, que nos são praticamente impostas pelos meios de comunicação, interagem sobre toda a sociedade criando novas demandas e conquistas, gerando um movimento acelerado e constante de adequações de toda ordem.

E com esse quadro, de repente, vimos também entrar em nossas vidas, e em nossas casas e escolas, uma imensidão desgovernada de notícias, fatos amplamente divulgados e nem sempre com a seriedade necessária. E infelizmente se multiplicou, sem o devido cuidado, o acesso a noticiários veiculados pelas telinhas, onde predomina a exposição desmedida da violência física, mental, psicológica, e cada vez fica mais difícil compreender e conseguir esclarecer para as novas gerações alguns fatos – e suas consequências – que se desenrolam, tamanha a profusão de contextos de onde surgem.

Quando se fala em educação, existem pontos positivos e negativos decorrentes dessa superabundância de informações que nos atinge diariamente. Entre eles, destaca-se o fato de que sinalizam o despreparo dos adultos em lidar com tantas transformações simultâneas e ajudar as crianças a absorvê-las de modo positivo. De outro, estimula a reflexão dos adultos sobre como educar, em uma época em que não há mais praticamente nenhuma certeza de como será o futuro.

Dúvidas, dúvidas e mais dúvidas: “Será preciso ter mais cuidado ao filtrar informações ou isso pode tornar as crianças despreparadas para o mundo em que vivem? É possível se conversar sobre qualquer tema com as crianças? Como não deixar as crianças confusas frente a notícias controversas, diálogos tendencionistas, cheios de ódio e preconceito?”.

Pais e educadores enfrentam uma realidade que por si só já é ameaçadora: hoje não dá para dizer que tal assunto é “coisa de adulto”, pois, o que não explicarem, facilmente as crianças vão buscar entender na internet ou mesmo com seus amigos. E, nesse caso, nada garante que terão uma visão responsável, elucidativa e adequada sobre qualquer assunto.

Além disso, basta ligar a televisão em qualquer programa, mesmo no horário infantil, para ouvirmos falar sobre temas controversos, sem fundamento real, notícias sobre agressões, roubos, assaltos, crimes, onde não se economizam imagens de cenas chocantes, bizarras, que se imagina mais adequadas para o final da noite. Natural, desejável? Não, pois é uma violência contra um ser em desenvolvimento, que fica impactado com informações que não têm condições de entender e assimilar devidamente, e muitas vezes nem consegue se expressar a respeito, outras vezes acaba por se tornar refratário à agressividade do meio, tamanha a bagagem de informações inadequadas que recebe.

O que muda ao se comentar notícias com crianças de diferentes idades é o grau de complexidade da nossa explicação, a escolha das palavras mais simples e corriqueiras, o cuidado com a forma de nos expressar, o contorno mais respeitoso ‘a mente infantil e a exposição menos comprometida com a opinião pessoal. Críticas a um fato podem ser feitas desde que acompanhadas de um lado construtivo: isso ensina a pensar!

Às vezes os pais julgam que os filhos não têm nenhum conhecimento sobre temas polêmicos e ficam surpresos quando os ouvem conversarem entre si ou opinarem sobre eles. Esse é um ótimo momento para estender o assunto, explicar às crianças o que ocorre de fato, em uma linguagem adequada, ensinado a exercitar seu pensamento, reflexão e responsabilidade pessoal e social. Assim, aprendem a distinguir os fatos reais das perturbadoras e fantasiosas interpretações que infelizmente brotam em uma parte das mídias.

É muito comum ainda os familiares se atrapalharem querendo ensinar tudo de uma só vez sobre uma dúvida, até para se esquivarem de outras perguntas. Mas com isso as crianças continuam sem entender e perdem a confiança, o vínculo com quem poderá ajudá-los no futuro em situações semelhantes.

O melhor caminho é mesmo tentar saber da criança o que ela já conhece do assunto para responder a contento, sem preconceitos, com responsabilidade. Assim também se ensina a não terem receio de perguntar sempre que necessário, pois sentirão o interesse e o respeito que o adulto tem por ela.

Como princípio, mentir é o pior caminho: os pais devem enaltecer nos fatos aquilo que percebem como menos preocupante, conflituoso e doloroso para a criança.

Os maiores cuidados consistem em evitar que a criança fique sem resposta e procurar sempre estar a seu lado para ajudá-la a compreender assuntos dolorosos ou muito polêmicos, evitando que tenha múltiplos contatos com esse tipo de notícia sozinha ou acompanhada de pessoas que não vão ajudá-la.

Educar hoje tornou-se um grande desafio. Mostrar interesse e desejo de aprender junto com a criança costuma abrir espaço para muitos e bons diálogos ft1turos, base para uma educação em um mt1ndo constantemente em evolução.

 

 MARIA IRENE MALUF – é especialista em Psicopedagogia, Educação Especial e Neuroaprendizagem. Foi presidente nacional da Associação Brasileira de Psicopedagogia – ABPp (gestão 2005/07). É autora de artigos em publicações nacionais e internacionais. Coordena curso de especialização em Neuroaprendizagem. irenemaluf@uol.com.br

GESTÃO E CARREIRA

COMO FAZER QUE O ANO NOVO SEJA DIFERENTE E MELHOR?

“Toda teoria é inútil se não soubermos como aplicá-la”

Como fazer que o ano nc seja diferente e melhor

Foram 12 meses, 365 dias, 8.760 horas ou 525.600 minutos. Todos esses números são representações de um ano. Pois é, passou rápido mesmo e chegamos ao final de mais um ciclo. E a pergunta que fica é: Como você poderia medir sua vida no ano de 2018 que ficou?

Em dias, em noites, em pores do sol, em xícaras de café, em centímetros, em quilômetros, em risos, em discussões, em cabelos brancos, em angústias, nas estações do ano, em viagens, barreiras que enfrentou, em resultados financeiros, nas contas pagas, nos erros, nos acertos, nas promoções, em aniversários, em domingos ensolarados, em sextas-feiras de alegria, em segundas-feiras de trabalho, no que aprendeu ou no que esqueceu… Poderia enfileirar uma série de medidas para você escolher.

Mas… Será que nossa vida pode ser medida através dessas métricas?

Como você mede um ano em sua vida? Na época do final do ano que passou e do início de um novo ano é comum colocarmos na balança as nossas realizações pessoais e profissionais, e principalmente fazermos planos para o ano seguinte esperando que tudo seja diferente e melhor.

Você deve estar se perguntando: Mas como fazer que o ano novo seja diferente e melhor? Adoro o “como fazer”. Toda teoria é inútil se não soubermos como aplicá-la. Sempre fui uma pessoa muito pragmática, prática, com grande necessidade de saber como fazer as coisas.

E para que tenha um novo ano repleto de momentos memoráveis, importante colocar em prática as seguintes competências:

VISÃO CLARA:

É quando você clareia seus propósitos e acende uma chama interna do desejo. Ter visão é ver um estado futuro com os olhos da mente. Ver o que é possível nas pessoas, nos projetos, nas causas, nos empreendimentos. A visão ocorre quando seus objetivos são bem definidos.

DISCIPLINA:

É o fazer acontecer. É lidar com os fatos difíceis, pragmáticos, lidar com a realidade e fazer o sacrifício que for necessário para que as coisas aconteçam. É pagar o preço da transformação da sua visão em realidade.

DETERMINAÇÃO:

É o passo inicial da persistência, a determinação diz que você não pode desistir, que tem de lutar até o fim para fazer seus objetivos acontecerem.

FLEXIBILIDADE:

Seus valores são inegociáveis. Todo o restante é passível de revisão. Pergunte-se: isso fará alguma diferença daqui a um ano? Se a resposta for não, ceda imediatamente e deixe suas energias concentradas em um propósito de valor.

PARCERIA:

Sem parceria não há negócios. sem negócios não há riqueza, nem abundância, nem sucesso. Parceria exige reciprocidade. objetivos comuns, confiança e complementaridade.

CRIAR PAIXÃO PELO QUE FAZ:

Paixão vem do coração e se manifesta através do otimismo, empolgação e determinação. É o fogo, desejo, força da convicção e o impulso que sustentam a disciplina para realizar a visão. É o que nos dá força para continuar quando tudo está para desistir.

Então vamos nos aperfeiçoar cada vez mais, criar objetivos e estar preparados para o concorrido mercado em 2019.

 

DANIELA DO LAGO – É especialista em comportamento no trabalho, mestra em administração, coach de carreira, palestrante e professora na área de liderança e gestão de pessoas. w.w.w.danieladolago.com.br

ALIMENTO DIÁRIO

PROVÉRBIOS 13: 1-4

Pensando biblicamente

MÁXIMAS MORAIS

 

V. 1 – Entre os filhos dos mesmos pais, não é novidade que alguns sejam auspiciosos e outros, o oposto; aqui, somos ensinados a distinguir.

1. Há grande esperança nos que têm reverência por seus pais, e que estão dispostos a ser aconselhados e admoestados por eles. Aquele que assim se conduz é um filho sábio, e está no caminho para se tornar ainda mais sábio, ouvindo a correção de seu pai, desejoso de atendê-la, considerá-la e agir de acordo com ela, e não meramente ouvi-la.

2. Há pouca esperança naqueles que não apenas não ouvem nenhuma repreensão com paciência, mas escarnecem e se recusam a se submeter ao controle e à censura dos que lidam com eles com fidelidade. Como podem corrigir os seus erros os que não desejam ouvir sobre eles, mas consideram seus inimigos os que lhes fazem esta gentileza?

 

V. 2 – Observe:

1. Se o que vier do coração for bom e de um bom tesouro, o resultado será benéfico. A consolação e satisfação interior serão o pão diário; ou melhor, serão um banquete contínuo para os que se deleitam naquela instrução que visa edificar.

2. A violência retornará para aquele que a realizou: a alma dos prevaricadores, que abriga e trama a maldade, e dá vazão a ela, por obras e palavras, comerá a violência; eles terão o seu ventre cheio dela. “Tornai-lhe a dar como ela vos tem dado” (Apocalipse 18.6). Cada homem beberá o que prepara, comerá o que fala, pois por nossas palavras seremos justificados ou condenados (Mateus 12.37). Conforme os nossos frutos, também assim será a nossa comida (Romanos 6.21,22).

 

V.  3 – Observe:

1. “O que guarda a sua boca conserva a sua alma”. Aquele que é cauteloso, que pensa duas vezes antes de falar, que, se tiver tido algum mau pensamento, coloca a sua mão sobre a boca, para suprimi-lo, que mantém uma rédea forte sobre a sua língua e uma mão rígida nesta rédea, guarda a sua boca de uma grande quantidade de culpas e tristezas, e se livra do problema de muitas reflexões amargas sobre si mesmo, e também de reflexões dos outros sobre ele.

2. Muitos são destruídos por uma língua descontrolada: O que muito abre os lábios, para proferir o que lhe vier à mente, que adora vociferar e se gabar e fazer ruído, e manifesta tal liberdade de expressão que desafia, tanto a Deus como ao homem, este tem perturbação – este seu modo de ser será a destruição da sua reputação, dos seus interesses, da sua consolação e da sua alma, para sempre (Tiago 3.6).

 

V. 4 – Aqui temos:

1. A desgraça e a vergonha dos preguiçosos. Veja quão loucos e absurdos eles são; eles desejam os ganhos do diligente, mas não fazem os mesmos esforços que os diligentes; eles cobiçam tudo o que há para ser cobiçado, mas não desejam fazer nada do que deve ser feito; e, portanto, coisa nenhuma alcançam; “se alguém não quiser trabalhar, não coma também” (2 Tessalonicenses 3.10). O desejo do preguiçoso, que deveria ser o seu estímulo, se torna o seu tormento; o que deveria ocupá-lo, o deixa sempre desconfortável, e representa realmente um maior esforço para ele do que o trabalho viria a ser.

2. A felicidade e a honra dos diligentes: a alma dos diligentes engorda; eles terão abundância, e desfrutarão dela confortavelmente, e ainda mais, por ser o fruto da sua diligência. Isto é particularmente verdadeiro nas questões espirituais. Os que descansam em desejos ociosos não sabem quais são os benefícios da religião; ao passo que aqueles que se esforçam na obra de Deus encontram o prazer e também se beneficiam dele.

PSICOLOGIA ANALÍTICA

QUANDO O DÉFICIT DE ATENÇÃO É REAL

Uma tirinha adulterada de Calvin mostra o menino medicado, tratando Hobbes laconicamente, sem querer brincar, até que o tigre volta a ser apenas o bicho de pelúcia que é.

Quando o déficit de atenção é real

As tirinhas do menino Calvin e seu tigre de pelúcia, Haroldo, desenhadas pelo americano Bill Waterson, me acompanharam pela adolescência. Calvin sempre é retratado como um menino inteligente, criativo, espirituoso, de espírito saudavelmente rebelde, e com uma certa preferência por viajar por outros planetas a ouvir a professora falar.

Mas algum fã resolveu “tratar” Calvin de uma suposta doença, e na tirinha adulterada, fácil de achar na internet, os diálogos mostram Calvin, medicado, tratando Hobbes laconicamente, sem querer brincar, até que Hobbes volta a ser apenas o tigre que é. A impressão que fica é de uma tentativa de protesto contra a suposta “medicalização” das crianças e jovens hoje em dia. O pior é que há até quem acredite no diagnóstico: Calvin sofreria de distúrbio de déficit de atenção.

Eu protesto duplamente, como neurocientista e como leitora. A tirinha modificada pressupõe que Calvin só poderia ser criativo e brincalhão se sofresse de DOA, e pior, ainda perderia sua criatividade se fosse tratado com medicamentos. Trata-se de um desserviço àquelas pessoas que sofrem realmente do transtorno e precisam de tratamento, pois fica a impressão negativa de que corrigir o déficit de atenção equivale a fazer uma lobotomia. Quem sofre do transtorno, ou acompanha de perto alguém afligido, sabe que a verdade é bem diferente. Ou, pior, sofre sem saber que poderia se tratar e não sofrer mais.

Entre 0,5 e 5% da população, dependendo dos critérios diagnósticos usados, sofre de um legítimo déficit de atenção, associado a um funcionamento subnormal dos sistemas dopaminérgicos e noradrenérgicos que servem à alocação do foco de atenção e sua manutenção sobre o alvo da vez, resistindo a distrações ao redor.

Não é surpresa, portanto, que essas pessoas sejam facilmente distraídas, sucumbindo a qualquer novidade que passar pela frente ao invés de se concentrar no trabalho ou dever de casa. Por causa dessa dificuldade de sustentar a atenção, ler um texto até o fim é uma tarefa que pode durar horas e se tornar desmotivante, levando a desinteresse e a uma aparência de preguiça, dificuldade de memória e de aprendizado.

Pior ainda, para a criança que sofre desse déficit, é a falta de informação dos pais e professores, que reclamam de um comportamento que não depende de escolha da criança. Retorno negativo, na forma de comentários do tipo “você é preguiçoso” ou “você não está se esforçando”, só faz criar uma autoimagem ainda mais negativa, daquelas que se tornam profecias autorrealizáveis. Para quem consegue ser atendido por um bom profissional que reconhece o problema e oferece tratamento, contudo, a vida muda da água para o vinho. A criança, o jovem ou adulto finalmente descobre o que é a vida “normal”, em que é possível manter o foco da atenção em um mesmo assunto por mais do que poucos segundos; onde é possível fazer uma prova em poucas dezenas de minutos, e não horas; onde é possível ler um livro enquanto outras pessoas conversam na sala. Poder tomar remédio, quando o remédio é necessário, é uma maravilha para quem sofre de déficit de atenção. Quem tiver dúvida é só perguntar a eles.

Não vejo o tal “problema da medicalização da infância” de que falam alguns psicanalistas. Vejo, sim, o problema dos maus profissionais, seja psicólogos, médicos, professores ou pedagogos, que tacham um diagnóstico errado em pessoas que sofrem de outros problemas, não tratáveis com os medicamentos que trazem tanto alívio para quem realmente tem um déficit de atenção verdadeiro.

 

SUZANA HERCULANO-HOUZEL – é neurocientista, professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), autora do livro Pílulas de neurociência para uma vida melhor (Editora Sextante).

OUTROS OLHARES

O PAÍS DOS ANSIOSOS

O Brasil tem a maior incidência do mundo de pessoas que sofrem de ansiedade, transtorno já considerado o “mal do século”. A boa notícia é que existem tratamentos bastante eficientes.

O País dos ansiosos

Analista de mídias sociais, o sul-mato-grossense Miguel Doldan, de 27 anos, lembra que tinha apenas 6 quando foi parar no hospital pela primeira vez, com dificuldade para respirar. O pediatra examinou-o, decretou que não havia nada errado e recomendou aos pais que lhe dessem pastilhas de hortelã como remédio, para que se sentisse aliviado. Em pouco tempo os sintomas retornaram, mas foi só no fim do ensino médio que as constantes crises o levaram a consultar um pneumologista. Dessa vez, o exame produziu um resultado curioso: os pulmões de Doldan estavam em perfeito estado, mas não usavam toda a capacidade. Era como se ele segurasse a respiração sem querer. “Cheguei a me convencer de que a sensação de aperto no peito era natural”, diz. Há seis anos, Doldan finalmente buscou ajuda psicológica e, pela primeira vez, teve um diagnóstico preciso: transtorno de ansiedade. Ele é um dos 18,6 milhões de brasileiros que sofrem da doença – sim, doença, e das mais prevalentes, tanto que foi classificada pela Organização Mundial da Saúde como o “mal do século XXI”.

O país dos ansiosos. 4

O Brasil carrega o inglório título de campeão mundial do transtorno: segundo a OMS, quase 10% da população convive com a doença, bem acima do Paraguai, o segundo colocado, com 7,6%, e da Noruega, que aparece em terceiro, com 7,4%. No mundo todo, o diagnóstico se aplica a 264 milhões de pessoas. Os números brasileiros são tão alarmantes que os especialistas falam em uma epidemia. Um exemplo: o volume de internações de no máximo doze horas por problemas relacionados à saúde mental saltou de 32.000 para 77.000 em cinco anos, a ansiedade aí incluída. Outro: entre janeiro e setembro de 2018, o INSS concedeu 12% mais licenças para tratamento mental do que em 2017. Mais um: no Núcleo de Psicologia da Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro, a procura por tratamento de crise de ansiedade dobrou em um ano.

Faz sentido que se lance mão do pacote de doenças mentais como um todo para contabilizar o aumento acelerado dos pacientes com ansiedade, visto que a maioria dos problemas da mente tem alguma relação com os sintomas apresentados pelos ansiosos. Ansiedade e depressão são transtornos distintos, mas as pesquisas apontam forte correlação. “Em um grupo de cinco adultos depressivos, quatro foram jovens ansiosos que não receberam tratamento”, afirma Márcio Bernik, diretor do Ambulatório de Ansiedade da Universidade de São Paulo. A ansiedade está também na raiz de males como o pânico e o transtorno obsessivo­ compulsivo (TOC).

A palavra “ansiedade” tem origem no latim anxietas, que significa angústia. A primeira colocação do problema no âmbito dos males mentais foi feita por Sigmund Freud – antes dele, alterações na respiração, por exemplo, eram entendidas sempre como alguma falha nos pulmões. Em 1894, Freud associou essa e outras reações físicas ao que chamou de “neurose da angústia”. Levaria mais de setenta anos para que o psicólogo australiano Aubrey Lewis descreves­ se na literatura médica o “estado emocional com um componente subjetivo de medo”, ao qual adicionou as qualificações de “desagradável, desconfortável e desproporcional”. Em 1980, a Associação Psiquiátrica Americana incluiu o transtorno de ansiedade em seu Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, a bíblia do setor, no qual está dito que os ansiosos experimentam um medo desproporcional ao antecipar uma situação futura que lhes parece arriscada ou incerta.

O país dos ansiosos. 3

A ansiedade, em si, não é necessariamente vilã, levando-se em conta que o papel primordial de seu sintoma mais evidente, o medo, é uma forma de prevenir dor e sofrimento. “A agitação que sentimos na véspera do vestibular não passa de um estado natural de oscilação do cérebro saudável, que está se pondo em prontidão para enfrentar o desconhecido”, explica Diogo Lara, especialista em psiquiatria pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Confundir a ansiedade doentia com a natural ficou ainda mais comum – e complicado – depois que a angústia extrema ganhou status de transtorno passível de tratamento. “Ser ansioso tomou-se uma descrição curinga para dizer que a pessoa é perfeccionista, impaciente ou medrosa”, diz Lara.

O transtorno de ansiedade existe quando o indivíduo se prepara para reagir ao risco mesmo quando não há um risco claro – e essa reação se transforma em seu comportamento-padrão, e não eventual. “A preocupação vira o filtro através do qual a pessoa se relaciona com o mundo, dificultando sua adaptação às situações”, acrescenta Lara. Quando a ansiedade dificulta a vida normal da pessoa, levanta-se uma questão altamente polêmica no universo da medicina mental: quando é hora de receitar um ansiolítico, o medicamento por excelência para esses casos? “É impossível estabelecer um limite claro entre quem precisa e quem não precisa de remédio”, explica Bernik. “Cabe ao terapeuta avaliar se o sofrimento do paciente o torna incapaz de reagir por conta própria, em curto prazo, aos estímulos do medo que o oprime. Na prática, acaba havendo muita gente medicada sem necessidade”, diz. Pesquisa mundial da IMS Health, empresa americana que fornece tecnologia e serviços a laboratórios, mostra que em 2016 a venda de antidepressivos e estabilizadores de humor cresceu 18,2% no Brasil e movimentou 3,4 bilhões de reais, valor inferior apenas ao dos popularíssimos analgésicos (que não precisam de receita). O carro-chefe da família dos benzodiazepínicos, que funcionam como um potente sedativo, é o Rivotril, que muita gente carrega na bolsa e ingere diante de qualquer contrariedade. “Trata-se de uma substância que desliga o sistema nervoso central, gerando uma sensação instantânea de relaxamento”, explica a psiquiatra Anny Mattos, da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Sintetizados no início da década de 60, os compostos benzodiazepínicos revolucionaram a maneira de lidar com distúrbios psíquicos, até então tratados apenas com perigosos barbitúricos.

Uma geração de medicamentos pós-Rivotril, com menos efeitos colaterais, tem por base o diazepam, que aumenta a liberação de serotonina – o hormônio do bem-estar no cérebro. “Trata-se de um inibidor seletivo de estímulos. Seu papel principal é elevar a tolerância ao stress”, explica Bernik – que chama atenção, porém, para o risco do uso excessivo: “A pessoa pode virar o Senhor Spock (referência ao personagem sem sentimentos de Jornada nas Estrelas)”. O tempo do tratamento com medicamentos varia de nove meses a um ano, e espera-se que, no fim do processo, o paciente esteja livre dos sintomas mais graves. O agente literário Miguel Sander, de 25 anos, está acabando o tratamento químico e se diz feliz com os resultados, mas relutou muito em seguir essa trilha. “Eu subestimava a necessidade de tomar remédio”, afirma. Ele está livre das crises constantes, mas sabe que cura, mesmo, não existe – até porque as causas da doença não foram identificadas.

A ansiedade tem vários subprodutos, e provavelmente o mais conhecido seja a síndrome do pânico, que atinge cerca de 6 milhões de brasileiros. Os sintomas físicos são semelhantes na manifestação, mas diferem na intensidade e na duração. No pânico, tudo é muito rápido e muito intenso. “A sensação é pontual, agudíssima, e dura no máximo dez minutos. O corpo se descontrola de tal modo que o paciente acha que vai morrer”, descreve o psiquiatra Lara. Frequentemente, quem sofre de pânico é um ansioso crônico. “E como se o estado natural do organismo já estivesse tão alterado pela ansiedade que, diante de qualquer imprevisto, o corpo entende que corre risco de vida”, explica o psicólogo Cristiano Nabuco. A professora Mariana Barrile, de 24 anos, de São Paulo, tem vivo na lembrança um ataque de pânico no metrô há três anos. “Comecei a chorar desesperadamente, a suar frio e a sentir muita falta de ar”, conta Mariana, que resolveu procurar ajuda psiquiátrica e passou a tomar remédios (atualmente a dose está reduzida a um quarto) para controlar os episódios.

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Outro distúrbio psicológico associado à ansiedade é a depressão, que atinge 11,5 milhões de brasileiros, de acordo com as últimas estatísticas. Sintomas como dificuldade de concentração, insegurança e irritabilidade são comuns aos dois distúrbios. Só que, enquanto os ansiosos sentem alegrias e tristezas extremadas, os depressivos quase não experimentam emoções positivas. “Eles não estão necessariamente relacionados, mas é muito comum que alguém que sofre de ansiedade crônica vá sedes­ gastando até desenvolver um quadro depressivo. É como se o corpo desistisse de lutar contra as ameaças constantes”, afirma Lara.

A ciência não sabe explicar exatamente o que leva um indivíduo a se desequilibrar diante das preocupações, embora algumas respostas já tenham sido alcançadas. “Todos os transtornos psiquiátricos são derivados de um tripé. Em uma perna estão fatores genéticos. Em outra, aqueles desenvolvidos na gestação e na infância. E, na terceira, as ocorrências externas”, diz Nabuco. E acrescenta: “O problema é entender como a mistura se dá. Um filho de pais ansiosos pode desenvolver hábitos saudáveis e aprender a lidar com o stress. Da mesma forma, uma pessoa tranquila exposta a um ambiente hostil pode perder a cabeça”. Uma conclusão comprovada é que, em casos agudos, a influência dos genes é maior. ” No transtorno de ansiedade generaliza­ da, a influência genética chega a 30%”, estima Bernik.

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A motivação ainda é um mistério, mas os mecanismos do cérebro associados à ansiedade são bem mapeados. A amígdala, nome do coração do sistema responsável pelo processamento de emoções, é mais responsiva nos ansiosos. “Ela funciona como uma espécie de alarme no cérebro, que avisa se a situação vivida é ameaçadora ou não”, diz o neurocientista Leandro Teles, autor do livro O Cérebro Ansioso. O córtex pré-frontal, mais à frente, opera o raciocínio lógico e a tomada de decisões. “O córtex e a amígdala dialogam, por assim dizer. Diante de um estímulo de medo, o córtex procura entender a razão e decidir o que fazer, mas no cérebro do ansioso ele se sobrecarrega nessa função por causa da tensão exagerada vinda da amígdala, e tudo fica parecendo urgente “, diz Teles. Estudos recentes mostram que ansiosos sofrem alterações também no fascículo uncinado, um feixe de neurônios que liga a razão às emoções. “Essa estrutura é mais curta nas pessoas altamente ansiosas, o que provoca falha na comunicação entre amígdala e córtex”, afirma Bernik.

Além de medicação e psicoterapia, há métodos naturais que podem ser eficientes na prevenção de crises de ansiedade, e a meditação, essa prática tão menosprezada, é um deles. Pesquisa da escola de medicina da Universidade Harvard revela que meditar diminui sintomas como dor e insônia. “Manter a atenção plena na respiração resulta em melhor oxigenação do cérebro”, diz Bernik. Diante da abundância de ansiosos, crônicos ou não, em busca de solução para seus problemas, a indústria de aplicativos de celular reagiu à altura, produzindo uma infinidade de “ooohhhmmm” na tela do celular. O britânico Headspace oferece meditações guiadas e registra mais de 31 milhões de usuários. O brasileiro Querida Ansiedade passa de 1 milhão de downloads. Exercício físico é outra recomendação dos especialistas, porque mexer-se produz serotonina (ou seja, bem-estar).

Outra dica, que causa arrepios nos muito ansiosos, é tirar folga das redes sociais, principalmente na hora de ir para a cama, e a justificava – bem plausível, acredite – está no DNA. “Nosso cérebro se desenvolveu há milhares de anos, quando ainda vivíamos em comunidades pequenas. Era fácil identificar aqueles que se destacavam e reservar para eles a maior parte da comida”, explica Cristiano Nabuco, especialista em vício em redes. “As redes sociais exibem infinitas manifestações de sucesso. O cérebro entende que todos são poderosos, prepara-se para brigar por sua parte, e dá-se a ansiedade.” Trocando em miúdos: se todo mundo tem casa linda e férias maravilhosas, eu também tenho de ter. Pausa para a taquicardia.

Passar o dia grudado nas redes sociais é justamente uma das causas apontadas para explicar a presença dos brasileiros no topo do ranking de ansiedade da OMS. Uma pesquisa recente da Sociedade para a Saúde Pública da Inglaterra mostrou que as redes são mais viciantes que álcool e cigarro. Entre elas, o Instagram é a mais prejudicial para a mente dos jovens – e o Brasil é o segundo maior usuário desse aplicativo (o primeiro são os Estados Unidos). São Paulo, a maior cidade do país, apresenta índices de ansiedade superiores à média nacional: cerca de 19% dos paulistanos sofrem do transtorno. É evidente que pobreza, desemprego e instabilidade econômica têm sua parcela de responsabilidade. “O Brasil é instável. Muita gente tem muito a perder. A ansiedade não se nutre só da desgraça”, analisa Teles. Adicionando-se à conta a polarização política, que deve ter feito muitos ansiosos engasgar com o peru com farofa das ceias de fim de ano, dá para entender por que o Brasil se tornou a expressão do “mal do século”. A solução está em respirar, relaxar, respirar, relaxar. Mas quem tem paciência?

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NA CABECEIRA

Leituras úteis para quem quer saber mais sobre a ansiedade do ponto de vista científico ou do ponto de vista de quem já sofreu as dores do transtorno.

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GESTÃO E CARREIRA

A ORDEM É NÃO FICAR PARADO

As estratégias de cinco profissionais para não deixar a crise derrubar o resultado de suas empresas – nem suas perspectivas de crescimento de carreira.

A ordem é não ficar parado

Não fazer nada é a atitude mais arriscada que um profissional pode ter em resposta às incertezas que acompanham a atual crise econômica. Mesmo em meio a um cenário de pressão por resultados e corte de custos, os líderes e suas equipes precisam ser criativos para tirar ideias do papel, sustentar a rentabilidade e preservar o caixa de suas empresas. A seguir, apresentamos cinco executivos que tomaram iniciativas – defensivas e ofensivas – para enfrentar os obstáculos no ambiente de trabalho. O recado que eles transmitem é que a crise não pode ser usada como desculpa para deixar de entregar resultados ou paralisar a tomada de decisões importantes. O olhar crítico e as estratégias adotadas por esses profissionais podem ser aplicados a qualquer empreendimento que busque eficiência para abrir vantagem em relação à concorrência.

 

“DIMINUIMOS OS CUSTOS COM ESTOQUE.”

Manter um grande estoque parado significa prejuízo para as empresas. “Ele também gera custos de espaço, manutenção, manuseio e o risco de avarias. Se for possível eliminar todas essas questões, o alívio no capital de giro é enorme”, afirma o engenheiro paulistano Bruno Nardon, diretor da Kanui. Por isso, o plano traçado por ele à frente de uma das maiores operações de e-commerce do país é o avanço do marketplace da Kanui. Na prática, isso significa a venda de produtos de terceiros no site da marca. Enquanto o parceiro comercial se beneficia do marketing e da infraestrutura tecnológica da página da Kanui, o site fica com uma porcentagem sobre as vendas que varia entre 10% e 30%. O serviço permite à Kanui ampliar agressivamente a oferta de produtos disponíveis no seu ambiente online sem investir em estoque. Quem fica responsável pelo armazenamento e entrega das mercadorias é o parceiro. Com menos de dois anos de operação, a Kanui já lista mais de 1.000 lojistas parceiros, que ofertam em torno de 80.000 produtos. Isso representa cerca de 60% do catálogo atual da Kanui. “Trabalhamos com pequenos e médios lojistas, até grandes marcas como Ray-ban, Victorinox e Hurley”, diz Bruno.

 

“MELHORAMOS O ATENDIMENTO AO CLIENTE.”

O acompanhamento de indicadores e métricas de negócio fica mais frequente nos períodos de instabilidade econômica, para fazer correções de rota com mais rapidez. Entre as operadoras de telecomunicações, o calcanhar de Aquiles é a insatisfação dos clientes com o atendimento nos call centers, que mantém essas empresas no topo dos rankings de reclamações do Procon. Há oito meses, quando foi contratado pela Nextel, Jorge Braga propôs algumas ações para evitar o cancelamento de assinaturas. “Percebemos que o consumidor entraria num período de corte de gastos e não queríamos perdê-lo”, diz. Uma das estratégias foi a criação de um aplicativo para celular onde o usuário consegue resolver sozinho problemas como alterar a data de vencimento do boleto, gerar faturas em PDF, consultar o saldo de seu plano e até contratar velocidades diferentes de internet sem passar por um vendedor. Após o app, os índices de satisfação com o atendimento melhoraram e os custos baixaram. Hoje, cerca de 70% dos contatos com a empresa acontecem por meio de canais digitais, incluindo sites e redes sociais. “O app já atende 40% da nossa de- manda online”, afirma Jorge. “São mais de 3 milhões de acessos por mês à plataforma.”

 

“REPENSAMOS O MODELO DE NEGÓCIO.”

O empreendedor Sergio Furió precisou remodelar a atuação de sua startup para que ela não morresse em meio à crise. A empresa nasceu em 2012 intermediando a aquisição de produtos financeiros entre consumidores e bancos. A startup fazia uma análise de perfil do cliente por meio de algoritmos e indicava as linhas de crédito mais adequadas. Se houvesse contratação, a BankFacil ficava com uma comissão. Com a forte retração do crédito, os negócios minguaram. “De cada seis ou sete propostas enviadas aos bancos, só uma era aprovada”, diz Sergio. No ano passado, a empresa mudou de estratégia e passou a intermediar apenas um tipo de serviço: os empréstimos com garantia (quando o usuário contrata uma linha de crédito com juros mais baixos dando um carro ou imóvel como garantia), a juros menores. Tudo é feito por uma plataforma de autosserviço, onde o cliente adiciona documentos e monitora todo o processo, até a assinatura do contrato. Os bancos remuneram a BankFacil pela captação e validação do cliente. O crescimento tem sido tão grande (média de 500.000 acessos mensais) que a empresa prevê encerrar 2019 com 200 funcionários, o triplo de 2015. No fim de 2015, a startup recebeu 10 milhões de reais em aportes de fundos de investimento.

 

“IDENTIFICAMOS NICHOS LUCRATIVOS DE MERCADO.”

Com a economia em baixa, a saída para muitos negócios é analisar com lupa segmentos onde há chances de melhorar as vendas. Recentemente, o engenheiro paulistano Renato Perrotta e sua equipe se debruçaram sobre as planilhas de vendas da CNH Industrial e perceberam dois nichos que poderiam ser mais bem atendidos pela marca de caminhões do grupo, a Iveco: coleta de lixo e construção civil. Normalmente, as empresas desses ramos precisam adaptar os veículos antes de usá-los. A construção civil, por exemplo, exige caminhões mais robustos, com espelhos extras para o auxílio em manobras, protetores para os radiadores e suspensão reforçada. “Em 2016 passamos a entregar o veículo já adaptado ao cliente, faltando apenas instalar a caçamba”, diz Renato. Assim, o comprador economiza, não perde a garantia de fábrica e ainda encontra peças de reposição nas concessionárias da marca – além de ficar mais satisfeito. Graças aos bons resultados, a intenção agora é fidelizar outros nichos, como o transporte de cana e de bebidas. Os veículos vocacionais (adaptados a uma atividade) representam 30% do mercado de caminhões semipesados.

 

“AJUDEI A REDUZIR OS CUSTOS.”

Em tempos de vacas magras, a regra é passar um pente fino nas despesas. Há quatro anos, quando o administrador Edney Valente Filho entrou no Grupo Algar, em Uberlândia (MG), recebeu a mis- são de esmiuçar os contratos da Algar Agro e identificar eventuais desperdícios. “Quando notei que a aquisição de embalagens PET era a terceira maior despesa com insumos, pensei: e se nos tornássemos autossuficientes nesse item?”, diz Edney. Por mais de uma década, a Algar Agro gastou cerca de 50 milhões de reais anuais em garrafas plásticas para armazenar o óleo de soja produzido em suas fazendas. Após uma série de estudos, Edney convenceu a diretoria a montar uma fábrica interna de PET, ao custo de 40 milhões de reais. Em agosto passado, a fábrica foi inaugurada gerando uma economia de 40% em embalagens. Edney foi promovido a coordenador e já toca um novo projeto – montar uma usina solar para reduzir a conta de luz da empresa.

ALIMENTO DIÁRIO

PROVÉRBIOS 12: 20-28

Pensando biblicamente

AFIRMAÇÕES IMPORTANTES

 V.20 – Observe:

1. Os que maquinam o mal planejam, quanto à sua realização, como poderão impô-lo aos outros; mas no final, verão que enganam a si mesmos. Os que planejam o mal, sob o pretexto de amizade, têm seus corações cheios voltados para qualquer vantagem e satisfação que possam ganhar com isto, mas é tudo engano. Ainda que planejem com muita astúcia, os que enganam serão enganados.

2. Os que buscam o bem de seu próximo, que estudam o que podem fazer pela paz e dão conselhos apaziguadores, promovem esforços de cura e imaginam métodos de cura, e, na sua esfera, promovem o bem-estar público, não terão apenas o crédito por isto, mas a consolação. Terão alegria e sucesso, talvez além da sua expectativa. “Bem-aventurados os pacificadores”.

 

V21 – Observe:

1. A piedade é uma proteção assegurada. Se os homens forem sinceramente justos, o justo Deus se comprometeu que nenhum agravo lhes sobrevirá. Pelo poder da sua graça neles, aquele princípio de justiça, Ele os protegerá do mal do pecado; de modo que, ainda que eles sejam tentados, não serão vencidos pela tentação, e ainda que sofram dificuldades, muitas dificuldades, ainda assim estas dificuldades não lhes trarão o mal, não importando o que elas façam aos outros (Salmos 91.10), pois elas serão forçadas a trabalhar para o bem deles.

2. A iniquidade é uma destruição igualmente assegurada. Os ímpios, que vivem em desprezo a Deus e aos homens, que se dedicam à maldade, ficam cheios de mal. Eles serão mais maldosos, estando cheios de toda iniquidade (Romanos 1.29). Ou serão infelizes com as maldades que lhes sobrevierem. Aqueles que têm prazer na maldade terão o suficiente dela. Alguns interpretam todo o versículo da seguinte maneira: nenhum agravo sobrevirá ao justo, embora os ímpios se encham de maldade contra eles. Eles estarão a salvo sob a proteção do Céu, ainda que o próprio inferno se abra sobre eles.

 

V.22 – Aqui aprendemos:

1. A odiar a mentira, e a manter a máxima distância dela, porque ela é uma abominação para o Senhor, e torna abomináveis aos seus olhos os que se permitem mentir, não somente porque isto é uma transgressão à sua lei, mas porque é algo destrutivo à sociedade humana.

2. A nos empenhar com a verdade, não somente com nossas palavras, mas com os nossos atos, porque aqueles que agem fielmente e sinceramente em todas as suas atitudes são o deleite do Senhor e Ele se alegra com eles. Nós nos alegramos em conviver com aqueles que são honestos e em quem podemos confiar; portanto, devemos ser assim, para que possamos nos recomendar à benevolência, tanto de Deus como dos homens.

 

V. 23 – Observe:

1. O homem avisado encobre o conhecimento; o que é sábio não proclama a sua sabedoria, e é honroso para ele que não o faça. Ele transmite o seu conhecimento quando este pode ser usado para a edificação dos outros, mas o encobre, quando exibi-lo somente tenderia para seu próprio louvor. Os homens de entendimento, se forem prudentes, cuidadosamente evitarão tudo que pareça ostentação, e não aproveitarão todas as ocasiões para exibir o seu entendimento e a sua erudição, mas somente os usarão com bons propósitos, e então as suas próprias obras os honrarão. A perfeição da arte é ocultá-la.

2. Aquele que é tolo não consegue evitar proclamar a sua loucura, e é vergonhoso para ele que não consiga: O coração dos tolos, por suas palavras e ações tolas, proclama a estultícia; ou ele não deseja ocultá-la, tão pouca noção tem do bem e do mal, ele honra e desonra, ou não sabe como ocultá-la, tão pouco discernimento tem no controle de si mesmo (Eclesiastes 10.3).

 

V. 24 – Observe:

1. O esforço é o caminho para o progresso. Salomão promoveu Jeroboão, porque viu que era um homem trabalhador e esforçado, e cuidava dos seus negócios (1 Reis 11.28). Os homens que se esforçam no estudo e para serem úteis conquistarão, com isto, um interesse e uma reputação que lhes dará um domínio sobre todos os que estão ao seu redor, e desta maneira muitos ascenderam, estranhamente. Aquele que for fiel sobre o pouco, será colocado sobre muito. Os ministros do Evangelho que se empenham na Palavra e na doutrina são dignos de duplicada honra; e os que são diligentes quando jovens conquistarão aquilo que os capacitará a dominar, e então descansar, quando forem mais velhos.

2. A desonestidade e a patifaria são o caminho para a escravidão; Os preguiçosos e descuidados, ou melhor; os enganadores (este é o significado da palavra), serão tributários. Aqueles que, por não se empenharem em uma profissão honesta, vivem de suas artimanhas e desonestidades, são desprezíveis, e serão contidos. Os que são diligentes e honestos quando aprendizes chegarão a ser senhores; mas os outros são os loucos que, durante todos os seus dias, serão servos dos sábios de coração.

 

V. 25 – Aqui temos:

1. A causa e a consequência da solicitude ou da ansiedade. É opressão no coração; é uma carga de preocupação, e temor, e tristeza, sobre os ânimos, deprimindo-os, e incapacitando-os a se dedicar com vigor ao que deve ser feito, ou a mostrar resistência diante do que é necessário ser suportado; ela faz com que eles se curvem, e os prostra e desanima. Os que são oprimidos desta maneira não conseguem realizar o dever nem ter a consolação de qualquer relacionamento, condição ou convívio. Portanto, os que têm propensão a ela devem vigiar e orar para se proteger dela.

2. A cura para ela: uma boa palavra de Deus, aplicada pela fé, o alegra; esta palavra é (diz um dos rabinos): “Lança o teu cuidado sobre o Senhor, e ele te susterá”; a boa palavra de Deus, particularmente o Evangelho, tem o objetivo de alegrar os corações que estão cansados e oprimidos (Mateus 11.28). Os ministros devem ser auxiliares desta alegria.

 

V. 26 – Veja aqui:

1. Que os homens bons fazem o bem a si mesmos; pois eles têm, em si mesmos, um excelente caráter, e asseguram para si uma excelente porção, e nas duas coisas superam as outras pessoas: O justo é mais abundante do que o seu companheiro (diz a anotação de margem de algumas traduções da Bíblia Sagrada), é mais rico, embora não nos bens deste mundo, mas nas graças e consolações do Espírito, que são as verdadeiras riquezas. Há uma verdadeira excelência na religião; ela enobrece os homens, inspira-os com princípios generosos, e os torna firmes e consideráveis; esta é uma excelência que tem grande valor aos olhos de Deus, que é o verdadeiro Juiz da excelência. O seu próximo poderá ter urna aparência maior no mundo, poderá ser mais aplaudido, mas o homem justo tem um valor intrínseco e inquestionável.

2. Que os ímpios fazem o mal a si mesmos; eles andam por um caminho que os faz errar. Parece não ser somente um caminho agradável, mas o caminho correto; é tão agradável para a carne e o sangue que eles se lisonjeiam com uma opinião de que não pode ser errado, mas não conseguirão o seu objetivo nem desfrutarão o bem pelo qual esperam. É tudo um embuste, e por isto, o justo é mais sábio e mais feliz do que o seu próximo, que ainda assim o despreza e humilha.

 

V. 27 – Aqui temos:

1. Aquilo que nos pode fazer odiar a preguiça e o engano, pois a palavra aqui, como antes, significa as duas coisas: o homem enganador e preguiçoso assa o alimento, mas aquilo que ele assa não é o que ele mesmo caçou, é o que os outros se esforçaram para obter, e ele vive do fruto do esforço alheio, como os zangões na colmeia. Ou, mesmo que os homens enganadores e preguiçosos tenham obtido alguma coisa pela caça (pois os esportistas raramente são homens de negócios), ainda assim não a assam depois de obtê-la; eles não têm consolação nisto; talvez Deus, na sua providência, os prive desta consolação.

2. Aquilo que pode nos fazer amar a diligência e a honestidade, a essência de um homem diligente, que, embora talvez não seja aparentemente grande, é preciosa. Ela vem da bênção de Deus: o homem diligente tem a sua consolação nela; ela faz bem tanto a ele como à sua família. Ela é o seu pão de cada dia, não o pão da boca de outras pessoas, e por isto, ele vê que Deus lhe dá este pão, em resposta à sua oração.

 

V. 28 – O caminho da religião nos é aqui recomendado:

1. Como um caminho reto, plano, fácil; é a vereda da justiça. Os mandamentos de Deus (a lei segundo a qual devemos andar) são todos santos, justos e bons. A religião tem a razão e a equidade do seu lado; é uma vereda, um caminho que Deus determinou para nós (Isaias 35.8); é um caminho alto, o caminho do rei, o caminho do Rei dos reis, um caminho em que os santos andaram antes de nós, a boa vereda antiga, cheia das pegadas do rebanho.

2. Como um caminho seguro, agradável e confortável.

(1) Não há somente vida no fim do caminho, mas há vida ao longo do caminho; uma verdadeira consolação e satisfação. A benignidade de Deus, que é melhor do que a vida; o Espírito, que é vida.

(2) Não somente há vida nele, mas nele não há morte, não há aquela tristeza do mundo que opera a morte e que contamina a nossa alegria e a nossa vida atual. Não há fim para aquela vida que está no caminho da justiça. Aqui neste mundo há vida, mas também há morte. Porém na vereda da justiça há vida, e não há morte, sim, há vida e imortalidade.

PSICOLOGIA ANALÍTICA

LUGAR BOM DE BRINCAR

Tipo de pátio escolar influencia o quanto crianças se exercitam, e isso tem efeito em seu rendimento intelectual; áreas com grama e playground favorecem a atividade física, enquanto espaços cobertos com concreto convidam ao sedentarismo.

Lugar bom de brincar

Brincar é divertido – e fundamental para a saúde psíquica. A importância da atividade lúdica, amplamente estudada por psicólogos, psicanalistas e educadores, chegou a ser reconhecida internacionalmente em 1959, quando a prática – entendida como uma vertente do direito à liberdade – foi assegurada na Declaração Universal dos Direitos da Criança. Obviamente existem formas variadas de brincar e, embora por muito tempo os jogos pedagógicos dirigidos tenham sido privilegiados no ambiente escolar, nos últimos anos muitos estudos comprovaram que correr e pular livremente também traz benefícios. E não apenas para o corpo, mas também é fundamental para o desenvolvimento emocional e cognitivo dos pequenos. Segundo pesquisas do Centro de Prevenção e Controle de Doenças (CDC, na sigla em inglês), meninos e meninas deveriam se exercitar pelo menos uma hora por dia. Mas, menos da metade de crianças de 6 a 11 anos e apenas 8% dos jovens de 12 a 19 anos atingem essa meta. Algumas escolas ajudam a promover atividades físicas e, pelo menos na teoria, o intervalo entre as aulas pode responder por até 40% das necessidades diárias de exercício de uma criança. Na prática, porém, esse horário nem sempre é utilizado para a atividade física. Então, como exatamente crianças e adolescentes passam a tão bem-vinda pausa longe da carteira?

Na Dinamarca, um estudo sobre como jovens em idade escolar transitam por ambientes urbanos ofereceu uma oportunidade para descobrir a resposta. A ideia dos cientistas foi curiosa: equipar centenas de alunos com acelerômetros e monitores de GPS durante suas horas de vigília. A pesquisadora Henriette Bondo Andersen, do Departamento de Ciência do Esporte e Biomecânica Clínica da Universidade do Sul da Dinamarca, usou alguns dos dados coletados para analisar como crianças passavam o tempo do intervalo. Ela avaliou se diferentes tipos de pátios escolares, inclusive os formados por espaços gramados, parques com brinquedos (escorregador e balanços, por exemplo) ou áreas com pisos de asfalto, influenciavam os níveis de atividade.

Os pesquisadores de sua equipe descobriram que crianças são significativamente mais ativas quando brincam em áreas com grama e em playgrounds. Lugares recobertos com concreto produziram o menor gasto energético, e em todas as cinco áreas estudadas, meninas passaram mais tempo paradas, em comparação aos meninos. Os resultados foram publicados no periódico científico Landscape and Urban Planning. Conclusões sobre que elementos de pátios escolares funcionam melhor para promover atividade física poderiam ajudar planejadores e construtores a criar locais mais favoráveis e estimulantes à prática de exercícios. “Atualmente estamos trabalhando com sete escolas que se propuseram a reformar seus playgrounds e acrescentar áreas para dança, escaladas, skate e trampolins”, conta Henriette Andersen. O objetivo é configurá-los de um jeito que crianças possam optar mais facilmente por serem ativas.”

Lugar bom de brincar. 2

NOVAS CONEXÕES CEREBRAIS

É comum que desde a pré-escola os professores estimulem as crianças a ficar sentadas em vez de se movimentar, já que prevalece a ideia de que, quanto mais quietos e “comportados” forem os alunos, mais fácil será controlá-los. No Brasil, muitas escolas chegaram mesmo a eliminar aulas de educação física para dar mais espaço para áreas básicas do ensino fundamental, como leitura, escrita e matemática. Pesquisas sugerem, no entanto, que essa providência foi equivocada. O tempo gasto em passeios ao ar livre, corrida ou participação em esportes coletivos ajuda as crianças a se concentrar e melhora seu desempenho em sala de aula. Estudos recentes relacionam a cognição dos alunos com parâmetros de atividades físicas como capacidade aeróbica {cardíaca, pulmonar e dos vasos sanguíneos}, de responder a exercícios físicos intensivos e com o índice de massa corporal (IMC), que associa peso à altura. E o mais importante: envolver as crianças em programas de exercícios parece ajudá-las a se sair bem na escola, já que os treinos físicos expandem habilidades mentais, estimulando a formação de novas conexões entre as células cerebrais.

OUTROS OLHARES

CÂNCER: MAIS PERTO DA CURA

A chegada de remédios modernos contra o câncer a um custo menor deixará mais gente livre da doença.

Mais perto da cura

A americana Judy Perkins, 49 anos, é a primeira mulher do mundo a estar livre do câncer de mama há mais de dois anos depois de ter usado uma das estratégias da imunoterapia, o método mais avançado para tratar e, em muitos casos, curar o câncer. Trata-se de um tratamento biológico que fortalece o sistema imunológico para combater a enfermidade. No caso de Judy, cujo tumor havia se espalhado por outros órgãos (metástase), os médicos do Instituto Nacional de Saúde dos EUA extraíram dela células de defesa que localizam e matam o tumor, e as multiplicaram em laboratório, injetando-as novamente depois. As lesões cancerígenas sumiram. O mesmo estratagema foi usado com sucesso contra câncer de pulmão e de pele.

Embora o câncer seja entendido como uma doença complexa, que exige em geral mais do que uma abordagem, é sobre a imunoterapia que se deposita grande parte da esperança de cura para a maioria dos tipos da enfermidade. Não foi à toa que o Nobel de Medicina de 2018 foi para os médicos que deram início às pesquisas na área (o americano James Allison e o japonês Tasuku Honjo). O método enche os médicos de entusiasmo, inclusive como recurso em pacientes nos quais o câncer se espalhou. “É possível que estejamos começando a curar pacientes metastáticos”, afirma o oncologista Pedro De Marchi, do Hospital do Amor, em Barretos, referência nacional no tratamento. “Temos pacientes que já pararam com os remédios e a doença não se desenvolve há cinco anos”, diz.

PRODUTOS EM ANÁLISE

Além do caminho usado em Judy — por enquanto menos usual —, há os remédios imunoterápicos. Um dos obstáculos a seu uso, porém, é o custo. São medicações biológicas, cujo processo de fabricação é bem diferente, e mais caro, do aplicado nos medicamentos convencionais. Por isso, no Brasil há apenas um imunoterápico disponível pelo SUS, no Hospital do Amor, indicado contra tumores de pulmão e melanoma (agressivo câncer de pele) em estágios avançados. Uma rodada do tratamento custa cerca de R$ 30 mil. Com a chegada dos biossimilares (semelhantes aos biofármacos de referência) ao mercado, a cura fica mais perto. Eles custam cerca de 30% menos. Com o fim das patentes, que começam a cair, a tendência é que os biossimilares entrem com força no mercado. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) já aprovou um biossimilar contra câncer e outros três passam pelo processo de aprovação. Eles têm prioridade de análise. “Queremos tornar esse tratamento mais acessível”, explica Alessandra Soares, responsável pela área de registros de medicamentos e alimentos da Anvisa.

Mais perto da cura. 2