PSICOLOGIA ANALÍTICA

DEPENDENTES DE BRONZEAMENTO

Luz ultravioleta ativa as mesmas vias de recompensa cerebral que drogas opioides, como a heroína.

Dependentes de bronzeamento

Apesar da conhecida associação entre bronzeamento sem proteção e risco de câncer de pele, muitos se expõem ao sol em excesso durante o verão. De acordo com um estudo publicado na Cell, isso ocorre por motivações que vão muito além da vaidade de “pegar uma cor”. No experimento relatado, camundongos ficaram dependentes de betaendorfina, uma molécula opioide endógena produzida pela pele quando exposta à luz ultravioleta.

Pesquisadores do Hospital Geral de Massachusetts examinaram minuciosamente o sistema opioide, o caminho da recompensa percorrido por drogas como a heroína. Trabalhos anteriores já haviam constatado que a betaendorfina e o pigmento da pele, a melanina, se originavam da mesma proteína. Outros estudos também apontam nessa direção: pessoas que se bronzeiam frequentemente apresentaram sintomas de abstinência quando ingeriram uma droga que bloqueou os receptores opioides.

Nesse novo estudo, cientistas submeteram ratos depilados a uma dose diária de luz ultravioleta suficiente para bronzear, mas sem provocar queimaduras – equivalente a 20 ou 30 minutos do sol do meio-dia da Flórida para um ser humano de pele clara. Depois de alguns dias, os níveis de betaendorfina aumentaram no sangue dos camundongos. Em seguida, os pesquisadores avaliaram, com calor e toque, a tolerância à dor, um marcador da dependência de drogas opioides. Os ratos submetidos aos raios UV demonstraram limiar até três vezes mais elevado do que os ratos que não passaram pelo bronzeamento. A resistência ao incômodo aumentou na mesma medida em que os níveis de betaendorfina se elevaram.

Quando os ratos bronzeados receberam um bloqueador opioide, o limiar de dor voltou ao normal. Os animais apresentaram também sintomas de abstinência, como tremores nas patas e ranger de dentes, chegando a modificar comportamentos para evitá-la: aqueles que receberam bloqueadores de opioide em uma caixa escura preferiam passar o tempo em uma branca, apesar da propensão natural dos roedores a ambientes sem iluminação.

Seres humanos e ratos compartilham esses processos químicos. “A betaendorfina pode causar dependência em pessoas”, acredita o coautor do estudo, David Fisher, diretor do Programa Melanoma no Hospital Geral de Massachusetts. “Tomar sol é gratificante para o cérebro porque precisamos de vitamina D”, explica. O próximo passo, diz, é investigar se há relação desses processos com transtornos afetivos sazonais, o que pode permitir um novo alvo terapêutico.

OUTROS OLHARES

BEBÊS SOB MEDIDA

Por que não devemos deixar nosso medo da desigualdade impedir o progresso tecnológico que poderia tornar a próxima geração mais saudável, feliz e inteligente.

Bebês sob medida

Imagine inovações tecnológicas que nos permitam gerar filhos livres de doenças genéticas – ou, pelo menos, com um risco bastante reduzido de tê-las. Imagine, ainda, que possamos nos assegurar de que as crianças do futuro sejam significativamente mais inteligentes, saudáveis e, no geral, mais capazes que as do passado. Deveríamos dar boas-vindas a esse futuro! No entanto, muitos veem com alarme a perspectiva de designer babies, ou bebê geneticamente modificado. Um artigo recente, publicado na prestigiosa MIT Technology Review, mostra algumas das razões para esse alarme – e por que tais reações negativas são problemáticas. Há uma forte tendência de julgar inovações tecnológicas de alto padrão, ao mesmo tempo que se relevam sérios problemas no status quo.

A autora do artigo, a jornalista cientifica Laura Hercher, não condena o uso de triagem genética para assegurar que bebês estejam livre de doenças. Sua preocupação é que isso criará desigualdades perigosas, porque nem todo mundo terá acesso à novas tecnologias, principalmente no começo. Segundo Hercher, alguns serão incapazes de se beneficiar delas, porque lhes faltam recursos ou instalações disponíveis em sua região geográfica. Outros se recusarão a utilizá-la porque a “tecnologia reprodutiva é menos aceita em grupos raciais, étnicos e religiosos nos quais ser visto como infértil carrega um estigma”. A menos que essas desigualdades sejam eliminadas, ela argumenta, bebês geneticamente modificados criarão disparidades perigosas.

“Nosso desconforto acerca de designer babies sempre teve a ver com o fato de que tal tecnologia torna tudo mais desigual – pega iniquidades existente e a transforma em algo inato. Se não abordarmos essas diferenças, arriscamos criar uma sociedade na qual alguns grupos, por causa de sua cultura, geografia ou pobreza, carregam um fardo maior de doença genética. O que poderia ocasionar uma mudança mais profunda numa sociedade do que tomar doenças genéticas – algo que sempre foi a epítome de nossa humanidade compartilhada – e transformá­la em algo que só acontece com algumas pessoas?”, pontua Hercher em seu artigo.

O problema com essa crítica aos bebês geneticamente modificados é que ela ignora problema muito maia graves no status quo. Já vivemos numa sociedade em que doenças genéticas só “acontecem com algumas pessoas”. Acontecem apenas com os azarados o suficiente para nascerem com os genes errados. São há dúvidas de que aqueles nessa categoria – e sua família – “carregam um fardo maior de doença genética”. Quando eu estava no ensino médio, havia um garoto em minha rua que tinha síndrome de Down. É bem óbvio que o fardo da doença genética está muito mais presente nele do que em mim.

Tampouco é verdade que os perigos de uma doença genética estejam distribuídos igualmente na sociedade, no sentido de que qualquer família tem mais ou menos o mesmo risco de passá-la para seus filhos. Nada é mais distante da verdade do que isso. Na maioria dos casos, os filhos têm mais chances de desenvolver uma doença genética se há um histórico dessa doença na família. Algumas atingem desproporcionalmente grupos raciais ou étnicos específicos. A doença de Tay-Sach, por exemplo, e tá em grande parte confinada a judeus asquenazes e outros poucos grupos.

Ainda que a tecnologia de designer babies esteja disponível para algumas famílias, mas não para todas, ela poupará muitos pais do risco de repassarem doenças genéticas. Também reduzirá a de igualdade de modo geral, ao diminuir a percentagem da população afetada por elas. A tecnologia pode ser valiosa para famílias e grupos étnicos com um histórico de doenças genéticas que, de outras maneiras, teriam de fazer a dolorosa escolha entre privar- e de ter filho – com exceção, talvez, de adoção – ou arriscar passar adiante uma condição debilitante.

Como com qualquer outro avanço tecnológico, a opção de bebês modificados provavelmente estará disponível para o mais abastado ante de se estender para o restante da população. Dado o precedente, porém, é provável que ela se torne mais barata com o tempo e se estenda para ainda mais pessoas. Mesmo aquelas que não puderem aproveitar a nova tecnologia no início – ou aquele que implemente não quiserem ou não necessitarem – poderão se beneficiar de sua introdução. Elas também viverão melhor numa sociedade onde menos pessoas sofrerão perda de seu potencial por doença genética; logo, mais pessoas poderão ter uma vida feliz e produtiva.

Imagine que, graças à tecnologia, a família Jones tenha uma filha sem síndrome de Down ou sem doença de Tay-Sachs, que, em outras circunstâncias, poderiam tê-la afligido. O resultado disso é que ela cresce e se torna uma cientista bem-sucedida. Ela e o resto dos Jones não serão os únicos que estarão melhor. Outros se beneficiarão de novas descobertas feitas por ela. Se você multiplicar esse efeito por milhares de outros casos parecidos, fica claro que bebês geneticamente modificados podem ter um grande potencial de impacto positivo na sociedade, mesmo que a tecnologia não se torne universalmente disponível.

Como Hercher aponta, muitas pessoas que aceitam o uso da tecnologia para antecipar doença e opõem a seu uso para “melhorar” a capacidade de crianças – para deixá-las mais inteligentes, fortes ou saudáveis, por exemplo -, outro foco de preocupações sobre desigualdade. Se algumas famílias são capazes de aumentar o Q.I. de sua criança por meio de intervenção genética, enquanto outras não, os filhos dessas primeiras podem ter uma vantagem “injusta”.

Assim como as preocupações de Hercher sobre o uso da tecnologia para prevenir doenças genéticas, esse tipo de argumento ignora a enorme desigualdade já existente no status quo. Algumas pessoas já têm grandes vantagens em relação a outras devido, em parte, a dotes genéticos distintos. A tecnologia de bebês modificados poderia reduzir essas desigualdades na mesma medida que as aumenta. Por exemplo, se ela permite que uma grande parte da sociedade aumente seu Q.l. para, digamos, 150, crianças que teriam retardo mental se beneficiarão muito mais do que aquelas que teriam uma inteligência relativamente alta de qualquer forma.

E, assim como a prevenção de doenças, o aprimoramento genético pode ser uma bênção até para aquele que não se beneficiarão dela diretamente. Pessoas que são mais inteligentes e saudáveis também serão mais produtivas. E o restante da sociedade – incluindo aquele que não têm nenhuma “melhoria” genética – poderão aproveitar a produtividade extra. Para a maioria, os efeitos provavelmente serão grandes o suficiente para superar qualquer impacto negativo de ter de competir com os “melhorados” por empregos ou oportunidade educacionais específicas. Se você duvida disso, considere se sua vida estaria melhor caso alguma força cósmica do Universo assegurasse que o Q.I. de todo mundo ficasse abaixo de 120 e apenas o seu fosse muito mais alto que isso. Você estaria, então, numa posição muito melhor para competir por emprego que requerem inteligência. Mas é mais provável que você estivesse muito pior do que antes, de modo geral, por causa do declínio em produtividade no restante da sociedade. E, e reduzir a habilidade de outro membro da sociedade piora sua vida, é provável que bloquear tecnologia que possa aumentar a produtividade de todos também piore.

Além de aumentar a produtividade e inovação, o aprimoramento genético pode ajudar a mitigar problema de ignorância política, que atualmente têm um impacto muito negativo em políticas públicas. Aqui também podemos nos beneficiar do aprimoramento de outros, mesmo que nossos genes permaneçam os mesmos.

Nem a prevenção de doenças genéticas nem o aprimoramento de habilidades é um jogo de soma zero em que os ganhos de alguns só podem vir à custa de outros. Ao contrário, melhoria para uns também fornecem benefícios para muitos outros, incluindo aqueles com genes “normais”.

Assim como com outros tipos de cuidados médicos, há uma justificativa para o governo subsidiar aprimoramento genético para os filhos dos pobres, já que reduzir a incidência de doenças genéticas pode reduzir também os custos de assistência médica a longo prazo. Entretanto, mesmo na ausência desses subsídios, a tecnologia de bebês geneticamente modificados provavelmente trará mais benefícios do que danos.

Apesar de meu entusiasmo pelos designers babies, apontarei algumas ressalvas. Primeiro, cria perigo ao permitir que o governo esteja encarregado de manipulações genéticas. Entre outras coisas, governantes poderiam se aproveitar para assegurar que a próxima geração tenha as mesmas visões políticas do partido no poder (a orientação política é, em parte, geneticamente determinada). A solução para esse problema é deixar essas questões a cargo dos pais, em vez dos funcionários do governo, a não ser, talvez, por alguns padrões de segurança.

Um segundo perigo é que alguns aprimoramentos podem não ser socialmente benéficos, mas apenas combustível para uma “corrida armamentista” de soma zero. Por exemplo, alguns dados sugerem que pessoas mais altas têm vantagem ao competir por emprego e parceiros. É improvável, entretanto, que a sociedade estivesse melhor se todos fossem 30 centímetros mais altos. A altura é primariamente um “bem posicional”, cujo benefício vem de ser mais alto que os rivais. Usar o aprimoramento genético para aumentar o tamanho das pessoas tem o potencial de fazer mais mal do que bem. Podemos ter uma população mais alta que precisa de mais comida e outros recursos, mas essa mudança não traria nenhum benefício para a sociedade em geral.

Suspeito que casos desse tipo são a exceção, não a regra. A maioria do aprimoramento que beneficiam o indivíduo também é provavelmente benéfica para a sociedade. Ainda assim, essa é uma questão a ser considerada.

Por fim, é possível que a tecnologia de designer baby nunca avance a ponto de podermos fazer intervenções além da muito modestas. Também é legítimo considerar a segurança e confiabilidade das inovações. Não tenho expertise científica para analisar essas questões. Mas, se designer babies são de fato viáveis, deveríamos querer que essas tecnologias se espalhem o mais rápido possível, e não que seja bloqueada por preocupações quanto à desigualdade.

Bebês sob medida. 2

GESTÃO E CARREIRA

EQUIPE NO SUFOCO

A crise econômica encolheu as equipes e, como consequência, as sobrecarregou. Atualmente é comum um funcionário desempenhar várias funções para suprir a falta de outro. A grande questão das empresas tem sido driblar o estresse, o cansaço e a baixa produtividade do grupo.

Equipe no sufoco

A combinação crise econômica, política, diminuição da equipe, concorrência por preços baixos, competitividade, impostos estratosféricos e corte de custos são alguns dos problemas pelos quais as empresas passam. Tudo isso tem feito com que muitas tarefas sejam realizadas por apenas uma pessoa, a produtividade caia e o estresse tome conta de tudo.

É inquestionável que a situação atual do mundo empresarial tem elevado ainda mais um dos maiores problemas da modernidade, o estresse, e por conta dele há a diminuição da produtividade dos trabalhadores.

Uma equipe menor tem que dar conta de mais trabalho, melhorar a produtividade, fazer frente à concorrência e mostrar perfeição em suas tarefas.

Contudo, o que uma pequena em­ presa com equipe enxuta pode fazer? Ela não consegue contratar mais porque precisa de mais “trabalho” para isso, mas, ao mesmo tempo, se pegar “mais tarefas”, prejudica a equipe. Como resolver esses problemas?

Não é nada fácil, mas algumas ações podem facilitar isso, entre elas, a prática do feedback do líder com os funcionários, o conhecimento dele sobre as motivações e sonhos de seus liderados, o desenvolvimento de uma comunicação estratégica, a promoção do corporativismo, entre outras.

O ESTRESSE E A SOBRECARGA

Segundo um estudo realizado pela International Stress Management Association (lsma – Brasil), o nosso País é o segundo mais estressado do mundo em um ranking com dez.

O principal motivo levantado pelos participantes da pesquisa é o trabalho. Dentro desse tópico estão: trabalho levado para casa, falta de tempo para atividades relaxantes, longas jornadas, sobrecarga de tarefas e tensão no ambiente corporativo.

Por conta desse problema, segundo dados da Previdência, só no ano de 2015 foram feitos 2.899 pedidos de afastamento pelos trabalhadores. O estresse perde somente para os traumas ósseos e para as lesões causadas por esforço repetitivo como razão para afastamento do trabalho.

A psicóloga da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo, Rita Calegari, explica que o gestor precisa se preocupar com a saúde física e emocional dos funcionários, e isso significa otimizar onde vai investir. “Os atestados e turn over serão uma realidade difícil de gerir e que se tornarão um problema a mais para o alcance de êxito da empresa. Quanto mais ineficazes são o processo e a gestão, me­ nos se alcança o resultado e mais se cobra das pessoas, que passam a entregar cada vez menos e pior”, lembra.

Para isso, Rita indica alguns pontos importantes para a empresa observar, entre eles, priorizar as atividades, extraindo o essencial a ser entregue para sua sustentabilidade e marca; automatizar o máximo de atividades possível; investir em bons equipamentos, que sejam ágeis, fáceis de manusear e práticos; investir em sistemas de informática que otimizem a busca por dados, informações e atividades; ter gestores maduros e com experiência na atividade; desenvolver fluxos de eficiência usando ferramentas de gestão.

Para aumentar a produtividade da empresa é necessária a presença de: boa gestão, visão de negócio, capacidade de priorização, coerência organizacional, agilidade nas soluções, processos pouco burocratizados, envolvimento da equipe, processo de delegar maduro, compartilhar sucesso, ouvir a equipe, acatar sugestões, assumir erros com transparência, investir nas relações interpessoais e na qualidade dos processos.

TRABALHO EM EQUIPE E MUDANÇAS DE MENTALIDADES

Além do estresse dos funcionários sobrecarregados, a empresa tem que lidar com outras questões que causam desgaste em seus mecanismos de funcionamento. Entre eles estão a insegurança, as frustrações, medo de perder o emprego e o descontentamento por conta das pressões, cobranças do chefe e dos clientes. Os trabalhadores recebem o mesmo salário para fazer o dobro ou o triplo. Como o líder pode minimizar esse quadro?

Uma das coisas que ele não deve fazer é se isolar e tentar solucionar a situação sozinho. É preciso fazer o contrário, aproximar-se da equipe, procurar ouvi­la e em conjunto arrumar uma adequação que contribua com todos.

O gestor deve ler a compreensão exata daquilo que os funcionários pensam e sentem para conseguir desenvolver uma estratégia. Um dos principais lemas é engajar a equipe no processo, fazê-la vestir a camisa.

Deve também criar um planejamento que vai desde a organização das tarefas diárias até pequenas coisas, como a arrumação de arquivos e documentos. É preciso pensar em economizar tempo, energia, estimular todos e muitas vezes mudar as mentalidades.

A consultora de Estratégia em Gestão de Pessoas e coach Sabrina Espíndola explica que a empresa pequena tem que pensar igual à grande para ter produtividade e sustentabilidade. Assim sendo, a coach sugere criar processos como se fossem uma linha de produção de uma fábrica, com cada etapa, desde a entrada do cliente até a entrega do serviço e do produto. “Pode ser em uma reunião de brainstorming (tempestade de ideias) ou em um treinamento. Porém, o importante é escrever esse fluxo junto com a equipe para que todas as etapas sejam contempladas”, ensina.

Com o intuito de estimular a equipe, use a criatividade para selecionar os materiais como cartolinas com hidrocor ou um simples papel A4 com lápis e caneta. Sabrina indica que o resultado precisa estar escrito como é praticado hoje para somente depois fazer esse mesmo exercício pensando em como poderia otimizar essa “produção”.

Outro ponto interessante é usar da tecnologia para aumentar a produtividade e acompanhar os projetos, como o aplicativo Trello. “Nele o líder ou a equipe incluem um projeto e suas etapas, prazos e os responsáveis. Todos que es­ tão envolvidos conseguem alimentar as informações no aplicativo para informar e dar ciência de tudo que foi feito, o que está pendente ou em atraso. Assim conseguem melhorar a comunicação entre a equipe, além de diminuir o retrabalho”, aconselha.

É fundamental não esquecer de alinhar as metas do líder com a equipe para definir etapas e prazos do projeto. “Ter reuniões semanais de dez minutos para a equipe falar das evoluções e das dificuldades que estão encontrando também aumenta a produtividade”, finaliza a coach.

ARRUME SEUS DOCUMENTOS E ECONOMIZE MESES

Manter os setores, documentos e arquivos em ordem pode ajudar, e muito, a equipe a não se sobrecarregar ainda mais. A fundadora da Redata Organização da Informação – empresa especializada em gestão documental -, Mariza Cardoso, relata que os documentos perdidos ou mesmo em mau estado de conservação causam estresse e perda de tempo de funcionários, que usam parte considerável do período de trabalho para encontrá-los. “Já vi departamentos inteiros serem mobilizados por horas por apenas um documento”, conta.

A organização dos documentos é tão importante para a manutenção do tempo da empresa que, segundo dados de associações internacionais e consultorias como a PwC, um gestor chega a perder um mês por ano buscando informações em arquivos desorganizados. “Já os profissionais gastam até 15% do tempo lendo informações e 50% procurando onde foram guardadas. E os colaboradores perdem até duas horas diárias procurando documentos extraviados”, relata Mariza.

 

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COMO EVITAR A SOBRECARGA EM 4 PASSOS

 PROCESSOS:

Tenha os processos da empresa claros e escritos para que qualquer pessoa que leia entenda como funciona. Um dos principais erros das empresas é deixar grandes processos nas mãos de apenas uma pessoa, que os tem todo na cabeça. Para mitigar, diminuir os riscos de ter perdas de produção, tenha seus processos escritos e arquivados em papel e na nuvem.

REVISE OS PROCESSOS:

Para aumentar a produtividade de um ano para o outro revisite os seus processos com a equipe para pensar em soluções que diminuam os custos ou o tempo desses processos.

TECNOLOGIA:

Busque no mercado uma tecnologia que seja ideal para o seu tipo de mercado. Existem as mais variadas soluções. Caso não tenha nada. a minha sugestão é: invente uma que contribua para todo o seu mercado – e ainda ganhará muito dinheiro.

GESTÃO DE PESSOAS:

A sua equipe precisa “vestir a camisa” da empresa. É comprovado por pesquisas que ser feliz no ambiente de trabalho aumenta a qualidade de vida das pessoas e a produtividade. Humanize a sua marca. Toda empresa é feita de pessoas. Por mais tecnologia que exista, sua empresa precisará ser orquestrada por pessoas para que os processos e a tecnologia tragam mais resultados. Invista na gestão de pessoas para contratar um perfil profissional adequado ao que precisa e desenvolva o que for necessário com palestras, treinamentos, coaching ou mentoria.

 

 COMO A SOBRECARGA REPERCUTE NO TRABALHO?

CLIMA ORGANIZACIONAL: Funcionários sem qualidade de vida começam a perder a eficácia porque é humanamente impossível produzir por um longo tempo em um giro de produção muito alto. Os problemas que surgem são: clima da empresa de insatisfação coletiva, faltas ao trabalho, afastamento por doença e desligamento.

 PERDA DE CLIENTE: O impacto final será na retenção do cliente. O seu funcionário vai tratar mal o cliente, reclamar da empresa, entregar um trabalho de mediano a ruim. Comisso, a imagem e a marca da empresa começam a ficar arranhadas.

FALÊNCIA: Isso tudo pode ainda piorar quando seus resultados não forem mais os mesmos e começar a entrar em processo de falência.

 

4 PASSOS PARA MANTER A PRODUTIVIDADE DOS PROFISSIONAIS EM ALTA

METAS: Defina quais serão as metas do ano, os principais projetos e clientes que serão da sua responsabilidade. Lembre­se de alinhar a meta com o responsável pela execução. Metas claras são aquelas que respondem a estas perguntas: O quê? (Descreva detalhadamene), quem sãos os responsáveis? Qual é o prazo de cada etapa e da entrega final? Quanto custa? A minha sugestão para a pergunta “Como?” é deixar como um desafio para a sua equipe, você pode se surpreender com as possibilidades de criatividade. Porém, caso observe que a pessoa tenha dificuldade, neste caso vale o passo a passo de como fazer por enquanto.

ALINHE AS EXPECTATIVAS: Verifique que a sua demanda foi compreendida pela pessoa que está recebendo a meta. Pergunte de vez em quando como está a produção, se tem algum dificultador.

REUNIÕES PRODUTIVAS: Agende reunião com a equipe, se possível semanalmente, para saber as evoluções dos projetos e as principais dificuldades encontradas. Ao final da reunião, é necessário haver sugestões da equipe para solucionar o problema. Tudo registrado (na planilha ou no app Trello) para acompanhamento do que está em andamento, do que foi realizado ou está atrasado.

CELEBRE: Faça a sua equipe se sentir importante quando atingir uma meta com qualidade. Pequenos gestos demonstrando qual foi o diferencial dele naquela entrega servirão de grande motivação para continuar fazendo sempre o melhor. Alguns exemplos simples: um cartão de reconhecimento assinado pelo diretor, um almoço pago pela empresa, uma simbologia como um balão de festa dizendo que ele atingiu a meta.

ALIMENTO DIÁRIO

PROVÉRBIOS 14: 14-20

Pensando biblicamente

O CONTRASTE ENTRE OS JUSTOS E OS ÍMPIOS

 

V. 14 – Observe:

1. A infelicidade dos pecadores será um resultado eterno de seus pecados: “Dos seus caminhos se fartará o infiel de coração”. que, por medo de sofrer ou esperando benefícios ou prazer, abandona Deus e o seu dever; Deus lhe dará o suficiente de seus próprios caminhos. Os pecadores não desejam abandonar os seus desejos e paixões brutos, e por isto se manterão fiéis a eles, para seu eterno terror e tormento. As expressões “Quem está sujo suje-se ainda”, e “Filho, lembra-te”, os encherá em seus próprios caminhos, e apresentará os seus pecados diante deles. A infidelidade começa no coração; é o coração per­ verso da descrença que se afasta de Deus; e os pecadores infiéis têm mais terror quando refletem sobre os seus próprios caminhos (Lucas 11.26).

2. A felicidade dos santos será uma eterna satisfação em suas graças, como sinais da benevolência particular de Deus, e as qualificações para ela: “O homem bom se fartará de si mesmo”, por aquilo que Deus operou nele. Ele se alegra em si mesmo (Gálatas 6.3). Da mesma maneira como os pecadores nunca pensam que têm pecados suficientes, até que estes os levem para o inferno, também os santos nunca pensam que têm graças suficientes, até que elas os levem ao céu.

 

V. 15 – Observe:

1. É loucura ser totalmente crédulo, acreditar em cada notícia, dar ouvidos às estórias de cada homem, ainda que muito improváveis, confiar em coisas pela sua fama comum, confiar em cada profissão de amizade e dar crédito a todos os que prometam algum tipo de pagamento: “O simples dá crédito a cada palavra”, esquecendo­ se de que todos os homens, em algum sentido, são mentirosos, em comparação com Deus, pois em todas as suas palavras devemos crer, com fé implícita, pois Ele não mente.

2. É sensato ser cauteloso: “O prudente atenta para os seus passos”, experimenta antes de confiar; avaliará tanto a credibilidade da testemunha como a probabilidade do testemunho, e então julgará os fatos quando se tornarem manifestos, ou suspenderá a sua avaliação, até que tudo venha a lume. “Não creiais em todo espírito, mas provai”.

 

V.16 – Observe:

1. O santo temor é uma excelente proteção para todas as coisas santas, e contra tudo o que é profano. É sensato se afastar do mal, do mal do peca.do, e consequentemente, de todos os outros males; portanto, é sensato temer, isto é, zelar por nós mesmos, com zelo santo, conservar um terror da ira de Deus, temer se aproximar das fronteiras do pecado ou flertar com os princípios dele. O sábio teme e desvia-se do mal, e se aterroriza quando se flagra entrando em tentação.

2. A presunção é loucura. Aquele que, quando advertido do perigo que corre, se encoleriza e se dá por seguro, insistindo furiosamente, que não suporta ser censura.do, que desafia a ira e a maldição de Deus, e, sem temer o perigo, persiste na sua rebelião, que é ousado com as oportunidades de pecar, e brinca à beira do precipício, é um tolo, pois age contra a sua razão e os seus interesses, e a sua ruína será rapidamente a prova da sua loucura.

 

V. 17 – Observe:

1. Os homens violentos são, com razão, motivo de riso. Os homens que são mesquinhos e nervosos, e logo se irritam com a menor provocação, farão doidices; fazem e dizem o que é ridículo, e se expõem ao desprezo; eles mesmos não podem deixar de se envergonhar disto, passado o calor da situação. Esta consideração deve envolver especialmente aqueles que têm uma reputação de sabedoria e honra, com o máximo cuidado para refrearem as suas atitudes impensadas, sim, para que não se precipitem.

2. Os homens perversos são, com razão, temidos e detesta­ dos, pois são muito mais perigosos e enganadores a todas as sociedades: O homem de más imaginações – que insufla seus ressentimentos até que tenha uma oportunidade de se vingar, e que trama secretamente como prejudicar o seu próximo e lhe fazer mal, como Caim tramou matar Abel – será aborrecido e odiado por toda a humanidade. O caráter de um homem irado é digno de piedade; em meio à surpresa de uma tentação, ele se perturba e causa infelicidade a si mesmo, mas isto logo acaba, e então ele se lamenta. Mas o caráter de um homem vingativo e rancoroso é odioso; não há proteção contra ele, nem cura para ele.

 

V. 18 – Observe:

1. O pecado é a vergonha dos pecadores: os simples, que amam a simplicidade, não conseguem nada com isto; herdarão a estultícia. Eles a terão como herança, segundo alguns. Esta corrupção da natureza é derivada dos nossos primeiros pais, junto com todas as calamidades que a acompanham; foi a herança que eles transmitiram à sua raça degenerada, uma doença hereditária. Eles gostam tanto dela como um homem gosta da sua herança, e se apega a ela, e detesta a ideia de se separar dela. O que eles mais valorizam é realmente tolo; e qual será o resultado da sua simplicidade, ainda que tolice? Eles lamentarão para sempre a sua tola escolha.

2. A sabedoria é a honra dos sábios: os prudentes se coroarão de conhecimento, e o considerarão como o seu mais brilhante ornamento, e não há nada que ambicionem tanto; eles a prendem às suas cabeças, como uma coroa, da qual não se separarão, de maneira nenhuma; eles buscam chegar ao topo e à perfeição do conhecimento, que irá coroar os seus princípios e progressos. Eles terão o louvor por isto; as cabeças sábias serão respeitadas como se fossem cabeças coroadas. Eles coroam o conhecimento (assim alguns interpretam); eles dão uma credibilidade à sua profissão. A sabedoria não é somente justificada, mas também é glorificada em todos os seus filhos.

 

V. 19 – Isto é:

1. Os ímpios são frequentemente empobrecidos e abatidos, de modo que são forçados a implorar; pois a sua iniquidade os leva a apuros; ao passo que os homens bons, pela bênção de Deus, são enriquecidos, e capacita­ dos a dar, e efetivamente dão até mesmo aos maus; pois onde Deus concede a vida, não devemos negar o sustento.

2. Às vezes Deus faz com que até mesmo os homens iníquos e maus reconheçam a excelência do povo de Deus. Os iníquos devem se inclinar sempre perante a face dos justos, e às vezes devem fazer isto para saberem que Deus os ama (Apocalipse 3.9). Eles desejam o seu favor (Ester 7.7), e as suas orações (2 Reis 3.12).

3. Chegará o dia em que os retos terão o domínio (Salmos 49.14), quando as virgens loucas virão implorando azeite às prudentes, e baterão em vão àquela porta do Senhor pela qual entram os justos.

 

V. 20 – Isto mostra, não qual deveria ser, mas qual é o caminho comum do mundo – evitar os pobres e gostar dos ricos.

1. Poucos aprovarão aqueles que o mundo censura, embora, não fosse por isto, seriam dignos de respeito: O pobre, que deveria ser merecedor de piedade, e encorajado, e aliviado, é odiado, considerado com estranheza e mantido à distância, é aborrecido até do companheiro, que, antes que o pobre caísse em desgraça, era seu amigo íntimo, e dizia ter carinho por ele. A maioria dos nossos amigos é como as andorinhas: eles vão embora no inverno. É bom termos Deus como nosso amigo, pois Ele não nos abandonará mesmo que nos tornemos pobres.

2. Todos cortejarão aqueles para os quais o mundo sorri, ainda que, não fosse por isto, se1iam indignos: os amigos dos ricos são muitos, são amigos de suas riquezas, esperando obter alguma coisa delas. Há pouca amizade no mundo, exceto a que é governada por interesses próprios, e isto não é amizade verdadeira, nem aquilo com que um homem sábio se valorizará, ou em que depositará alguma confiança. Os que fazem do mundo o seu deus idolatram aqueles que têm muitos bens, e buscam o seu favor, como se, na verdade, fossem os favoritos do Céu.

PSICOLOGIA ANALÍTICA

PODEMOS SER CADA VEZ MAIS INTELIGENTES?

Aumento contínuo dos resultados nos testes que medem o quociente de inteligência (Q.I) sugere que nossos descendentes farão com que a geração atual pareça lerda. Esse efeito, entretanto, pode revelar que estamos apenas encontrando outras formas de usar o cérebro.

Podemos ser cada vez mais inteligentes

Há três décadas, o pesquisador James R. Flynn, da Universidade de Otago, na Nova Zelândia, descobriu um fenômeno que os cientistas sociais ainda se esforçam para explicar: os quocientes de inteligência (QI) vêm crescendo constantemente em todo o mundo desde o início do século 20. Por mais questionável que essa seja medição, o resultado da pesquisa de Flynn vale pelo menos ser considerada. Ele examinou dados de testes de inteligência de mais de 20 países e descobriu que a pontuação está subindo 0,3 ponto por ano – ou 3 pontos por década. Quase 30 anos de estudos de acompanhamento confirmaram a realidade estatística do avanço global, conhecido agora como efeito Flynn. E os pontos continuam subindo.

“Para minha surpresa, no século 21 os aumentos continuam”, diz Flynn. “Os últimos dados mostram os ganhos acompanhando a velha taxa de três décimos de ponto por ano. “Um dos aspectos mais estranhos desse efeito Flynn é certa monotonia – ele não desacelera, para ou recomeça. Apenas se move regularmente para cima, “como se guiado por uma mão invisível”, reforça Flynn. O psicólogo Joseph Rodgers, da Universidade de Oklahoma, examinou os resultados dos testes de quase 13 mil estudantes americanos para ver se poderia detectar o fenômeno numa escala de tempo mais restrita. “Questionamo-nos se os pontos dos estudantes melhorariam num período de cinco ou dez anos. Bem, eles melhoraram num período de um ano. O aumento está lá, sistematicamente, ano após ano. Pessoas nascidas em 1989 têm resultado um pouco melhor que as nascidas em 1988.”

O efeito Flynn significa que as crianças vão, em média, conseguir 10 pontos a mais nos testes de QI do que seus pais. Até o fim deste século, nossos descendentes terão uma vantagem de quase 30 pontos sobre nós – a diferença entre a inteligência média e os 2% do topo da população – se o fenômeno se perpetuar. Surgem, porém, algumas questões. A tendência se manterá indefinidamente, levando a um futuro repleto de pessoas que seriam consideradas gênios pelos padrões de hoje? Ou há algum limite natural ao desenvolvimento da inteligência humana? E, mais importante: aumentar a pontuação nesse tipo de teste significa realmente que as pessoas são mais inteligentes ou apenas que o cérebro encontrou formas de obter pontuações mais altas?

Podemos ser cada vez mais inteligentes. 2

MENTE MODERNA

Logo que reconheceram o efeito Flynn, os pesquisadores viram que os pontos ascendentes eram resultado quase inteiramente do avanço no desempenho em partes específicas dos mais usados testes de inteligência. Um deles, o Wechsler lntelligence Scale for Children (WISC, em inglês), tem múltiplas seções, e cada uma avalia capacidades diferentes. Seria mais plausível esperar avanços na inteligência cristalizada – caracterizada pelo tipo de conhecimento obtido na escola -, mas isso não acontece. Os pontos nas seções que medem os níveis de aritmética e vocabulário continuaram constantes ao longo do tempo.

A maior parte dos ganhos de QI veio justamente de dois subtestes dedicados ao raciocínio abstrato. Um lida com “similaridades” e apresenta questões como “Em que uma maçã e uma laranja são semelhantes?”. Uma resposta de baixa pontuação seria “ambas são comestíveis”. Uma de pontuação mais alta seria “as duas são frutas”, já que transcende simples qualidades físicas. Outro subteste contém uma série de padrões geométricos relacionados de alguma forma abstrata para que a pessoa identifique corretamente a relação entre os padrões.

Um paradoxo do efeito Flynn é que testes como esses foram projetados para ser uma medida completamente não verbal e culturalmente neutra do que os psicólogos chamam de inteligência fluida: uma capacidade inata para resolver problemas desconhecidos. Mas o efeito Flynn mostra claramente que algo no ambiente tem acentuada influência nos supostos componentes culturalmente neutros da inteligência em populações do mundo todo. Os psicólogos Ainsley Mitchum e Mark Fox, da Universidade do Estado da Flórida, que fizeram estudos detalhados das diferenças entre gerações no desempenho em testes de inteligência, suspeitam que o aprimoramento de nossa capacidade de pensar de maneira abstrata possa estar relacionado à tecnologia, que nos proporciona uma nova flexibilidade na forma como percebemos os objetos.

“Todo mundo conhece o ‘botão’ iniciar na tela do computador, mas não se trata realmente de um botão”, diz Mitchum. “Eu estava tentando ensinar para minha avó como desligar o computador e disse: ‘Aperte o botão iniciar e selecione desligar’. Ela bateu com o mouse na tela.” Mitchum acrescenta, no entanto, que não se trata de falta de inteligência da avó: ela cresceu num mundo em que botões eram botões e telefones certamente não eram máquinas fotográficas. Muitos pesquisadores, entre eles o próprio Flynn, reconhecem que o aumento nos pontos do QI não reflete um aumento em nossos recursos intelectuais brutos. Na realidade, o efeito Flynn mostra como nossa mente se transformou. Esses testes exigem facilidade para reconhecer categorias abstratas e fazer e conexões entre elas, o que se tornou mais útil no último século do que em qualquer época anterior na história humana.

“Se você não classificar abstrações e não estiver acostumado a usar a lógica, não pode realmente dominar o mundo moderno”, avalia Flynn. “Ao fazer algumas entrevistas com camponeses russos nos anos 20, o psicólogo Alexander Luria dizia: ‘Onde sempre há neve, os ursos são brancos. Então, se sempre há neve no polo norte, qual é a cor dos ursos de lá?’. E a maioria respondia que só via ursos marrons. Eles não entendiam a questão hipotética.”

Mas os camponeses não eram ignorantes. O mundo deles exigia apenas habilidades diferentes. “Acho que o aspecto mais fascinante não é que estamos indo muito melhor nos testes de QI”, analisa Flynn. “É a nova luz que lança sobre o que chamo de história da mente no século 20.” Uma interpretação ingênua do efeito Flynn leva rapidamente a algumas estranhas conclusões. A simples extrapolação do efeito ao longo do tempo, por exemplo, sugeriria que a pessoa com inteligência média na Grã-Bretanha em 1900 teria um QI de cerca de 70 pelos padrões de 1990. “Isso significaria que o britânico tinha deficiência mental limítrofe e não seria capaz de entender as normas do críquete”, compara o psicólogo cognitivo David Hambrick, professor da Universidade do Estado de Michigan.

Podemos não ser mais inteligentes que nossos antepassados, mas não há dúvida de que nossa mente mudou. Flynn acredita que a mudança começou com a Revolução Industrial, que trouxe novas realidades: maior acesso ao ensino formal, famílias menores e uma sociedade em que empregos técnicos e administrativos substituíram os agrícolas. Novas classes profissionais surgiram – engenheiros, eletricistas, arquitetos industriais – e seus postos exigiram domínio de princípios abstratos. A educação, por sua vez, tornou-se o motor de mais inovação e mudança social, desencadeando um circuito de realimentação positivo entre nossa mente e a cultura com base na tecnologia que não deve terminar em breve.

A maioria dos pesquisadores concorda com a avaliação geral de Flynn de que a Revolução Industrial e os avanços tecnológicos são responsáveis por esse efeito. Mas especificar as causas precisas – o que poderia permitir a elaboração de políticas educacionais e sociais para ampliar o resultado – tem sido difícil. Progressos na educação certamente respondem por parte dos avanços. Hoje, cerca de metade dos adultos tem pelo menos algum grau de escolaridade superior. A educação formal, contudo, não explica completamente o que acontece. Alguns pesquisadores pressupõem que a maior parte do aumento no QI no século 20 possa ter sido liderada por ganhos na ponta esquerda da curva de sino da inteligência entre aqueles com as pontuações mais baixas, um resultado que seria provavelmente consequência de melhores oportunidades educacionais. Mas, em um estudo recente, Jonathan Wai e Martha Putallaz, da Universidade Duke, analisaram 20 anos de dados compreendendo 1,7 milhão de resultados de testes de alunos de 5ª e 7ª séries e descobriram que os pontos de 5% dos melhores estudantes estavam subindo em perfeita sintonia com o efeito Flynn. Os resultados sugerem que, como a curva toda está mudando, as forças culturais por trás do aumento devem estar influenciando a todos igualmente. Os cientistas especulam que a disseminação dos sofisticados videogames e mesmo de alguns programas de televisão pode ajudar crianças a aumentar as habilidades necessárias para solucionar problemas propostos pelos testes de QI.

Para Rodgers, a universalidade do efeito Flynn confirma que é inútil buscar uma causa única: “Deve haver quatro ou cinco causas dominantes, cada uma se levantando contra fluxos ou desaparecimentos de outras”. Melhor nutrição infantil, educação universal, famílias menores e a influência de mães com educação superior são algumas das mais prováveis. “Desde que duas causas estejam presentes, mesmo quando algo como a Segunda Guerra provoca o desaparecimento de outras duas, o efeito Flynn mantém sua curva.”

Podemos ser cada vez mais inteligentes. 3

MAIS RÁPIDOS

O que o futuro trará? Os Qls seguirão subindo? Algo de que podemos ter certeza é que o mundo continuará mudando, em grande parte por nossas próprias ações. Flynn gosta de usar uma analogia tecnológica para descrever a interação de longo prazo entre mente e cultura. “A velocidade dos automóveis em 1900 era absurdamente baixa porque as estradas eram muito ruins”, compara. Mas rodovias e carros evoluíram. Quando os caminhos melhoraram, também os veículos melhoraram – e estradas melhores levaram os engenheiros a projetar carros mais velozes.

Tanto a mente quanto a cultura são atreladas num circuito de feedback semelhante. Estamos criando um mundo onde a informação assume formas e se move com velocidades impensáveis há apenas uma década. Cada ganho tecnológico demanda mentes capazes de acomodar a mudança – e a mente modificada reforma ainda mais o mundo.

Um fato a ser considerado é que a mente parece estar ficando mais rápida. Uma prática comum na pesquisa reação-tempo é descartar respostas que estejam abaixo de cerca de 200 milissegundos. “Pensava-se que 200 milissegundos era o mais rápido que as pessoas podiam responder, mas hoje digitamos textos, jogamos videogames, fazemos muito mais coisas que exigem respostas realmente velozes”, diz o psicólogo cognitivo David Hambrick. Isso é bom? Não necessariamente, já que em muitas tarefas cruciais um instante a mais de hesitação pode significar menor possibilidade de erro. Assim como o efeito Flynn, a rapidez em si não é nem boa nem ruim – é uma evidência de nossa adaptabilidade. Com sorte, talvez continuemos construindo um mundo que nos torne mais inteligentes e hábeis para fazer melhores escolhas. Afinal, isso sim é sinal de inteligência.

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OUTROS OLHARES

QUANDO O ALVO SÃO AS MULHERES

O aumento do número de mulheres morta por familiares coloca em xeque a defesa da flexibilização do porte de arma.

Quando o alvo são as mulheres

Aos 40 anos, Simone Fernandes do Santo de Morais vivia uma vida simples. Morava com o marido e o filho de 19 anos na zona rural de Santa Isabel, a 65 quilômetro de São Paulo. Cuidava da casa e começara a ajudar no dia a dia de um pequeno sítio que havia sido cedido ao marido para ele plantar e, assim, aumentar a renda da família. Simone engravidou, mas logo perdeu o bebê. Chegou a ser internada, mas no fim ficou aliviada. Não seria fácil, àquela altura da vida, criar uma criança. Além disso, havia pelo menos oito anos o marido, João Cândido de Morais, de 43 anos, fazia uso de remédio controlado e vivia de uma aposentadoria precoce após um diagnóstico de transtorno psiquiátrico. Cabia a ela controlar o orçamento da casa, fazer as compras e cuidar de João Cândido, sobretudo para que ele não se esquecesse de tomar o medicamento.

Mas a vida não era difícil só por isso. Nos últimos tempos, a convivência com João Cândido se tornara cada vez mais dura. Na semana do Natal, Simone recebeu a visita do cunhado, Alcídio, um acontecimento raro – os surtos do marido haviam afugentado os parentes. E foi com ele que desabafou. Já não aguentava mais as constantes brigas e queixa do marido por causa dos gastos com a casa, com o filho, e estava decidida a pedir o divórcio.

Alcídio conversou com o irmão, mas ouviu dele algo pior: João Cândido alimentava a suspeita de que o bebê que Simone perdera não era dele e que a mulher o havia traído. Procurou acalmá-lo, disse que ele estava pensando bobagem e que deveria, com a mulher, voltar a frequentar a igreja evangélica, da qual o casal havia se distanciado.

Os doí irmãos só voltaram a se encontrar no último dia 4 de janeiro. Ao chegar em casa no fim da tarde, Alcídio deparou com João Cândido sentado na varanda, muito agitado. Disse que um homem havia invadido a casa dele e atirado, matando Simone. Mas a história não convenceu. Enquanto ganhava tempo acalmando João Cândido, Alcídio ligou para a polícia.

Poucas horas antes, por volta da uma e meia da tarde, Simone fora morta com dois tiros na altura do tórax. O filho não estava em casa. Ninguém sabia dizer o que acontecera. Vizinhos apenas ouviram tiros e chamaram a polícia. Com a mulher caída no quarto, ao lado da cama, João Cândido saiu de casa. Numa estrada de terra, pegou carona com um vizinho para ir até o centro da cidade. Nervoso, dizia que sua casa fora invadida. De início, o vizinho não deu muita importância à história, mas, ao voltar para casa e saber da morte de Simone, desconfiou. Foi olhar o próprio carro. João Cândido, que havia sentado no banco de trás, deixara debaixo do banco do motorista a arma do crime – um revólver calibre 38.

João Cândido foi preso em flagrante por feminicídio. E Simone passou a fazer parte da triste e crescente lista das mulheres vítimas de violência doméstica. “Quem pode ter vendido uma arma a um homem que tomava medicamento controlado? Se a arma era legal ou ilegal, pouco importa. Isso precisa ser investigado”, desabafou Alcídio, o irmão do assassino. Para a polícia, esse é um detalhe pouco relevante num crime já elucidado. João Paulo, o filho do casal, contou ao delegado que o pai tinha duas armas escondidas em casa – um revólver calibre 38 e outro calibre 22 e que vivia brigando com sua mãe por uma suposta disputa de terras a que ela teria direito no inventário de seu avô.

João Cândido era um homem sem antecedentes criminais. Nem mesmo Simone havia registrado na polícia qualquer queixa contra ele por agressão. “Ela tinha medo. Nunca se queixou. E ainda tinha a doença dele”, lamentou a mãe de Simone, Juventina Fernandes, de 70 anos.

A morte de Simone alerta sobre uma hipótese alarmante para o país: a possível relação entre posse de arma e o aumento das vítimas de violência doméstica. Em 2016, último dado disponível no sistema Datasus, que registra mortes ocorridas em atendimento no sistema público de saúde, 2.339 mulheres foram mortas por disparos de armas de fogo no Brasil – metade do número de mortes por agressão ocorridas no país. O dado inclui, além de homicídios, registro de roubos seguido de morte – latrocínio – e lesão corporal seguida de morte. Nos casos em que a mulher foi morta dentro de casa, armas de fogo foram usadas em 40% dos casos.

Um levantamento feito pelo Instituto Sou da Paz, ONG de referência na promoção de iniciativa contra a violência, mostra que em alguns estados o percentual de mulheres mortas por arma de fogo dentro de suas residências é ainda maior: 58% dos casos na Paraíba, 67% no Acre, 68% no Rio Grande do Norte e 70% em Alagoas.

Especialistas em violência contra a mulher receiam que o decreto prometido pelo presidente Jair Bolsonaro para os próximos dias, que flexibiliza a posse de arma e foi uma das principais promessas da campanha eleitoral, agrave a situação das brasileiras. “Não ter arma de fogo não reduz o risco de violência doméstica. Mas a existência dela dentro de casa, seja a arma legal ou ilegal, agrava o risco de morte para as mulheres e acende a luz vermelha. um consenso internacional”, disse a promotora Valéria Scarance, do Grupo de Enfrentamento à Violência Doméstica do Ministério Público de São Paulo. “A existência de arma de fogo dentro de casa é um fator maior de risco. Afinal, em geral os homens que praticam violência contra a mulher e feminicídio são réus primários, têm bons antecedente e residência fixa (condições que os credenciam a comprar armas)”, acrescentou a promotora.

Quando o alvo são as mulheres. 2 Segundo Scarance, a posse de arma pelo companheiro é um dos elementos que levam autoridades de vários países a determinar medida protetivas para mulheres, por ser considerado um agravante.  Scarance chamou a atenção ainda para outro dado, também alarmante: entre 2011 e 2016, disparos de arma de fogo foram a principal causa da morte de mulheres de até 29 anos de idade.

Dados estatísticos não deixam dúvida de que se trata de um fenômeno preocupante e em ascendência. Em dez anos, entre 2006 e 2016, o homicídio de mulheres aumentou 15%. Segundo dados dos Anuários do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, em 217 ocorreram 4.539 homicídios dolosos com vítimas femininas, um aumento de 6,9% em relação a 2016. Desse total, 1.133 foram registrados como feminicídios – alta de 22% em relação ao ano anterior. Dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) mostram que as medidas protetivas expedidas no Brasil com base na Lei Maria da Penha, vigente desde 2006 e que prevê punições mais graves e maior proteção às vítimas de violência doméstica, somaram 236.641 em 2017 – um aumento de 21% em relação a 2016. Os processos de violência doméstica contra a mulher iniciados no Brasil chegaram a 452.988, 12% a mais do que em 2016.

Stephanie Morin, gerente da área de Gestão do Conhecimento do Instituto Sou da Paz, afirmou que dar posse de armas à mulheres não vai fazer com que se sintam mais seguras, já que as armas têm de ser guardada em locais de difícil acesso – inclusive para evitar o risco de serem pegas por criança – e é bem difícil imaginar que, numa situação de briga corporal, urna mulher consiga se desvencilhar do agressor, pegar a arma e se defender. “Isso é uma falácia. A maior presença de armas traz desfecho trágico para brigas fúteis. Em ambientes conflituosos, de violência doméstica, o problema tende a se agravar. Provavelmente, as mulheres passarão a ser ainda mais ameaçadas. E quem vai usar é o opressor, não a vítima”, disse Morin. “A arma cria situações perigosas não só para os envolvidos, mas também para as pessoas que estão próximas”, completou.

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GESTÃO E CARREIRA

ATENDIMENTO 4.0

O consumidor 4.0 quer fazer parte da sua empresa, e abrir espaço para ele é a melhor coisa que você pode fazer hoje, pelo bem do negócio.

Atendimento 4.0

A famigerada nova era digital já não é tão nova assim. Apesar dos primórdios da internet para fins militares datarem de 1962, foi em 1965 que a primeira rede de computadores por linha telefônica começou a funcionar e, em 1994, o Netscape fez com que o surgimento da AOL levasse o W(orld) W(ide) W(eb) para o mundo. Fez as contas? A internet como você conhece já está alcançando a maioridade e com inovações que chegam cada vez mais rápido do que se pode acompanhar. Fato é que a grande chave dessa mudança está em uma palavra: interação.

Se o antigo consumidor era acostumado a apenas receber informações – fosse pela televisão, jornal ou rádio -, o novo público quer mais. Ele quer dizer o que pensa e o que sente, sem tempo a perder. Mais do que isso! Quer ser ouvido. Ele quer criar conteúdo junto com a marca que segue, quer que sua opinião tenha relevância. O que ele busca nas empresas também mudou.

Esqueça nome e status. O consumidor 4.0 prefere valor agregado a um carrão para manter aparências. Não à toa, “educação, sustentabilidade e caridade” são palavras-chave para o mercado em 2019. Mais do que isso, é importante falar sobre assuntos relevantes de um lugar de discurso que faça sentido, tendo em consideração que aquilo que os seguidores da sua marca pensam sobre você engaja e muito. Para ter uma ideia, apenas cerca de 15% dos comentários em Fanpages são negativos. Porém, são esses 15% os que mais fazem barulho e geram conversas.

A pesquisa “O Futuro Impulsionado pelos Dados das Indústrias Brasileiras”, da Software Alliance, lembra que Indústria 4.0 significa um espaço digitalizado, impulsionado por recursos de computação em nuvem, com ferramentas analíticas, inteligência artificial, robótica e internet das coisas. Em resumo, é “utilizar o poder dos dados para aumentar a eficiência” do seu trabalho.

Essa definição fica clara em números. Além da economia visível nos processos internos, há 85% de aumento na precisão de previsões. Com isso em mente, até 9% das pequenas empresas esperam a criação de melhores modelos de negócio com sua digitalização e 36% a 38% das pequenas e médias acreditam que as tecnologias 4.0 vão melhorar a qualidade de produtos e serviços. Elas têm razão.

A Associação Brasileira de Automação – GSI conta ainda mais. O Índice de Automação do Mercado Brasileiro revela que o País já cresceu sua automação em 8% no último ano – mesmo com diversos setores da economia recuando. As empresas mostraram também reconhecer esse novo momento, já que o foco maior de investimento foi em atendimento e relacionamento com o cliente. “O uso mais estratégico dos dados gerados diariamente pelas ações dos clientes dá mais subsídios para a geração de ofertas direcionadas ao desejo dos consumidores”, conta Marina Pereira, gerente de pesquisa e desenvolvimento.

Segundo o estudo, os consumidores também se digitalizaram mais, somando 4% de aumento. O destaque ficou para o crescimento de aplicativos de e-commerce, com 25%.

QUEM É O CONSUMIDOR 4.0?

Fato comprovado. O consumidor mudou e exige mais. “As planilhas numéricas sempre existirão, porém como consequência da relevância que buscamos ter com os consumidores. Especialmente agora, com um público muito mais empoderado e muitas vezes no controle da situação, buscar ser relevante e engajá-lo é fator crítico de sucesso ou insucesso”, ressalta a head de Marketing da Motorola, Juliana Mott.

Lembra aquela criança que mal sabia falar e você já achava lindo o fato de ela conseguir usar o Touch de celulares e tablets? Ou aquele pré-adolescente que tem na ponta da língua as últimas notícias, porque viu no Google ao mesmo tempo que gravou um vídeo com sua música favorita para os Stories do Instagram e criou uma foto totalmente criativa para postar no Facebook? Mais ainda. Conhece aquele quase adulto que não tem um ator preferido, mas sim um youtuber como ídolo? É ele. Dinâmico, faz várias coisas ao mesmo tempo, não tem tempo a perder e avalia a relevância da sua marca na facilidade de um like. É esse cara que quer a sua atenção e ele não acredita mais em publicidade simples e pura.

Ele acredita em pessoas. Mais importante sobre o que sua marca diz dela mesma é o que os amigos dele dizem. Por isso, este é um momento em que termos como “lugar de discurso” e “resiliência” são basicamente o “Enzo” da nova era – nomes que todo mundo precisa ter, e, antes, os quatro “Ps” da comunicação eram produto, preço, praça e promoção, agora eles se tornaram personalização, participação, peer-to-peer (aproximação) e previsões modeladas (onde estão e quem são as pessoas com quem falamos). Nesse alfabeto de oportunidades, você encontra também os quatro “Is” da mensagem – imediata (sendo acessível e humana), inédita, interativa e imitável (um conteúdo que possa gerar buzz entre as pessoas que o seguem).

Segundo o estudo Papo Digital da Hello, entre 2016 e 2018, a parcela de consumidores seguindo empresas que admiram nas redes sociais aumentou mais de 80%. Hoje, metade dos consumidores já tem esse comportamento. É mais um dos reflexos da popularização dos smartphones, que abriram as portas do universo on-line e vêm transformando profundamente o consumo e também as relações familiares, sociais, laborais e, como vimos nas eleições, até a política. “Hoje, praticamente nove em cada dez consumidores brasileiros com acesso à internet têm um smartphone, 95% usam WhatsApp, e 89%, Facebook”, completa o CEO da Hello Research – agência de pesquisa de mercado e inteligência, Davi Bertoncello.

O executivo lembra que, ainda segundo o Papo Digital 2018, 74% dos consumidores consideram essencial que as empresas ofereçam recompensas e benefícios exclusivos. Além disso, estar em todos os canais é extremamente importante, já que a relação com o consumidor se tornou mais complexa e descentralizada. “Hoje, o público não só tem espaço para responder à marca e interagir com a publicidade on-line, mas também assume o papel de promotor ou detrator de serviços, produtos, campanhas, atendimento em interações que independem da marca e que criam a necessidade de o negócio monitorar tudo o que o público diz dele on-line”, explica.

Além disso, 72% dos consumidores esperam que as empresas tenham ideias e valore compatíveis com os deles, considerando ainda uma opinião pública volátil, feroz e cada vez mais dividida entre conservadora e progressista. Fique atento! A linha entre sucesso e fracasso é tênue e é preciso atenção para não errar. Mesmo assim, caso erre, saiba pedir desculpas e não repetir o feito. Comunique sua empresa como um ser humano empático, e o primeiro passo já terá sido dado.

DICAS DE QUEM JÁ APRENDEU

A empresária Denise Barreto tem uma loja de roupas chamada StiloD, desde 2013. Era para ser apenas um espaço de vendas, mas acabou se tornando ponto de encontro para um café e um canal direto para sugerir looks em diferentes ocasiões – o que, obviamente, impactou o crescimento do empreendimento. “Percebi que as pessoas ficam nas redes sociais a todo instante, seja na pausa para o café, nos minutinhos que sobram após o almoço, enquanto trabalham e no momento de relaxar. Então, é mais fácil despertar o desejo de compras nesse momento. Uso o Instagram, o Facebook e a lista de transmissão do WhatsApp”, conta.

Mas ela ressalta que não bastou selecionar modelos de passarela com suas peças para atrair clientes. Na verdade, esse tipo de conteúdo nunca engajou muito bem. Mas, quando iam até a loja, as consumidoras viam as roupas no corpo da própria empreendedora e ficavam interessadas. Foi neste ponto que Denise entendeu o que o cliente espera da marca: verdade. “As pessoas gostam de se espelhar em gente de verdade e com coisas mais próximas a elas. Eu tenho 40 anos, dois filhos, 1,58 metro e 60 quilos. Sou totalmente fora dos ‘padrões de beleza’, assim como a maioria das minhas clientes. Então, comecei a dar vida para as minhas fotos, principalmente fazendo Stories com as roupas”, afirma.

As pessoas, segundo ela, passaram a conhecê-la e começaram a chamar no Direct com perguntas pessoais – “de onde é esse chinelinho?”, “Qual seu esmalte?”, “Como você emagreceu dois quilos?”. “Dessa maneira, vamos ficando amigas e elas querem as roupas, o chinelinho, o mesmo esmalte, como se fosse uma identificação mesmo”, explica.

Nessa série de tentativa e erro, ela percebeu que esse novo cliente é um consumidor sem tempo a perder e que precisa do máximo de informações possível antes de sair de casa. Para facilitar ainda mais a logística, pensa em abrir uma loja virtual no próximo ano, com expansão para outros estados além de São Paulo. Além disso, pretende deixar celulares com suas vendedoras, para que possam ter esse contato mais direto com o público, via WhatsApp.

A projeção é um acerto. De acordo com o estudo CONECTAí Express, o WhatsApp é hoje a rede social mais utilizada pelos brasileiros, somando 91% dos usuários. Em seguida, vem o Facebook e, em terceiro lugar, o Instagram. Mesmo assim, é preciso ficar de olho. Os algoritmos do Facebook, por exemplo, mudam o tempo inteiro, facilitando ou dificultando a entrega orgânica de conteúdo entre os seguidores da Fanpage. esse ponto, o Instagram leva a vantagem de possuir um público mais acostumado em fazer pesquisa por local e hashtags, o que pode ajudar a encontrar seu serviço de maneira rápida e eficaz. Por isso, não adianta criar conteúdo. É preciso entender a dinâmica de cada plataforma e, principalmente, da sua base de fãs.

DOS PÉS À CABEÇA

Conhecer o público é marca registrada da Motorola. “A empresa tem no consumidor seu foco central para melhorar experiência de produto e marca e, portanto, trabalha com uma presença omnichannel, isto é, procuramos estar onde nosso consumidor está, muito além das famosas classificações de off ou on-line. Sendo assim, estar presente e entender toda a jornada de pré e pós-consumo é o que é relevante e cada uma delas é fator determinante para nossa estratégia”, conta Juliana.

Para isso, existe um ecossistema que inclui o site e-commerce e o hub “hello moto” de conteúdo, além das redes sociais – Facebook, Instagram, Twitter e YouTube, que trabalham de maneira integrada. “Possuímos um canal exclusivo com usuários Motorola que traz constantemente novidades da marca e produtos, além de ser um espaço importante de feedback sobre experiência de produto. Temos ainda uma equipe de promotores no PDV: call center ativo e receptivo e uma rede de assistência técnica”, acrescenta.

Uma dica importante que ela dá é justamente mapear interações e relatórios que chegam pelos pontos de contato, para deixar o atendimento cada vez mais personalizado. E, claro, sempre responder ao consumidor! No caso da empresa, essa parte é realizada via uma integração de sistema entre atendimento na assistência técnica, call center e social listening (aquilo que vem das redes sociais), culminando em um sistema de agendamento que melhora a qualidade do atendimento. O objetivo está além de resolver o problema. Ele se refere principalmente a oferecer uma boa experiência coma marca.

ESTOU PRONTO! POR ONDE COMEÇO?

Dizemos que as marcas têm que ser all-line, fundir o pensamento on e off line. É preciso estar em todos os lugares: nas redes, aplicativos, sites, publicidade de rua, patrocínios, eventos. Cada meio necessita de uma estratégia própria, mas também seguir um mesmo sentido, ou seja, respeitar uma unidade. Quando é preciso se comunicar diretamente com o consumidor, também pode haver aproveitamento de canais diferentes para cada perfil. “O e-mail ainda é o canal que seis em cada dez brasileiros gostam de ser contatados, mas o WhatsApp já está em segundo lugar com cinco a cada dez, sendo popular especialmente entre os mais jovens. Essa comunicação também pode se dar pelas diferentes redes sociais, anúncios na web, telefone, SMS, correio”, resume Bertoncello.

O strategic account director na lnbenta, Cassiano Maschio, produz soluções de atendimento e lembra que o auxílio humano on-line, via chat ou e-mail, e o autoatendimento por chatbots, buscadores, FAQs inteligentes, Instant Answer pré-envio de e-mail e serviços de aplicativos são as ferramentas mais funcionais para uma empresa personalizar seu contato com o consumidor.

O ponto mais importante é, além de estar próximo do cliente, resolver o problema dele com agilidade. “Quando o chatbot não resolve, assim como em um call center, deve-se haver um nível superior de atendimento – uma pessoa ou outro chatbot especialista no tema. Isso pode ser um chat com um colaborador, um formulário de contato ou um número de telefone para ligação.

Nos canais digitais, o benefício é contar com uma experiência mais fluida e a possibilidade de manutenção do contexto. Por exemplo, após falar com um chatbot de uma empresa de transporte aéreo, caso o atendimento escale para o humano, é enviada para o atendente toda a conversa prévia com o chatbot. Dessa maneira, ele já pode até mesmo iniciar a sua parte do atendimento com a resolução da dúvida/problema, e o cliente não precisa repetir a explicação do seu caso”, explica.

Para Cassiano, os próximos tempos anunciam mais integrações com sistemas legados, quer dizer, um autoatendimento ainda mais eficiente. Ele também aposta no foco da experiência do cliente e customização de serviços, o que significa uma melhor interpretação dos dados disponíveis para realizar essa entrega individual. Por fim, os recursos de voz podem melhorar ainda mais a usabilidade e o feedback do público.

O autoatendimento pode ajudar bastante com a redução de custos e aumento da satisfação do cliente. Hoje, existem casos de chatbots com até 90% de retenção e responsáveis por cerca de um terço do total de atendimentos, considerando todos os canais. Mas o que seria um tiro no pé na hora de colocar atendimento on-line na sua empresa? Não designar responsáveis e metas para o processo, não envolver toda a empresa na iniciativa, não considerar o perfil do cliente, não acompanhar métricas do canal para promover melhorias, publicar uma ferramenta em canais pouco utilizados.

Entre serviços especializados que trazem soluções criativas para o setor está a Prestus Secretárias Compartilhadas, de Alexandre Borin e Leandro Crocomo. O “Uber das secretárias” é um time de profissionais compartilhados e disponíveis por 24 horas para diferentes empresas e qualificados para fazer todo tipo de atendimento, como se fossem um colaborador exclusivo da empresa contratante.

Já a lnstan teaser é uma startup da AdTech que ajuda com o engajamento digital. Uma das dez startups do mundo selecionadas para o Google for Entrepreneurs Exchange, em Zurique, a empresa produz conteúdos personalizados de forma ágil e com as características necessárias para um bom engajamento nas redes sociais – variando de 6 a 30 segundos de conteúdo.

Empresas como a Bayer aproveitam o momento para criar suas próprias ferramentas. Percebendo a necessidade de seus clientes do setor agro, anunciou agora a chegada da Climate FieldView, uma plataforma de agricultura digital que coleta e processa automaticamente dados do campo, ajudando o produtor a avaliar a performance de cada talhão, indo do plantio à colheita, tomando assim as melhores decisões para cada hectare. O serviço está incluso no Programa de Pontos da companhia, inserido na Rede AgroServices, plataforma colaborativa que transmite informações e conecta pessoas do segmento. Com 120 mil produtores inscritos, a empresa detém comunicação com cerca de 65% do agronegócio brasileiro.

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COMO FALAR COM O CONSUMIDOR 4.0?

FERRAMENTAS MAIS USADAS:

“Estamos falando de um perfil que anseia por uma solução ágil, que está acostumado a resolver quase tudo pelo celular (pagamentos, reclamações. contratação de serviços, entre outros) e que, acima de tudo, tem pouquíssimo tempo para você. O melhor caminho com certeza é a Conectividade. Para isso, as ferramentas mais usadas são Facebook, Instagram, YouTube, LinkedIn, Google Plus, Twitter, entre outros; aplicativos de celulares e atendimentos automatizados (como chatbots e assistentes virtuais).”

O QUE VEM POR AI:

“Especialistas narram que está se aproximando o consumidor 5.0, um perfil que deverá ser influenciado pela TV Digital interativa e pela realidade imersiva, tecnologia por meio da qual será possível imitar os sentidos humanos em espaços simulados.

A realidade imersiva tem sido apontada como uma grande tendência de atração audiovisual nos próximos anos e deverá influenciar o setor com muita força.”

O QUE FUNCIONA MELHOR:

“Esse perfil de cliente cobra um atendimento Omnichannel, ou seja, a convergência de todos os seus canais em apenas um. Com isso, ele pode, por exemplo, entrar em um site e encontrar informações sobre as lojas físicas, acessar um aplicativo e fazer compras, achar algo de que gosta e publicar em suas redes sociais e assim por diante.”

 Atendimento 4.0 . 3

O QUE QUERO CONSUMIDOR 4.0?

Ser reconhecido.

Valorização da marca, uma vez que ele está doando tempo a ela.

Descontos personalizados. Parcerias exclusivas.

Eventos e programas de pontuação.

Atendimento 4.0 . 4

CA$E MUITO ALEM DO SHARE

IDEIA:

HelloCidades é uma plataforma que convida as pessoas a se conectarem com a sua cidade de uma nova maneira, usando a tecnologia de forma mais coletiva pelo smartphone. Presente em ferramentas que vão do Google ao Spotify, a Motorola distribui dicas culturais em diferentes cidades e realiza também eventos e intervenções físicas pelas regiões contempladas.

RESULTADOS:

A plataforma gerou propostas como Casa HelloCidades, na Vila Madalena (SP), o HelloCinema – um cinema a céu aberto no Centro Cultural São Paulo, além de outros eventos relevantes que trouxeram visibilidade e engajamento com os consumidores.

OUTRAS SOLUÇÕES:

Outra ideia da marca é o Phone Life Balance, que convida as pessoas a equilibrar o uso da tecnologia e reconectar com o que mais importa para elas. “É uma bandeira onde questionamos a nós mesmos como inventores do primeiro celular. E o resultado está sendo surpreendente. Os consumidores se engajaram e se tornaram porta­ vozes desse novo pensamento”, explica a head de Marketing da empresa, Juliana Mott.

Atendimento 4.0 . 5

PARA NÃO TER ERRO

CONTEÚDO É ESSENCIAL: linguagem adaptada ao público, comunicação leve e objetiva, usabilidade.

EQUIPE DEDICADA E TREINAMENTO: deve-se considerar a ferramenta de autoatendimento como se fosse um colaborador. A diferença é que não existe absenteísmo, mau humor, falta de padronização. Uma equipe multifuncional de curadoria, técnica e de negócios deve ser designada para assegurar uma evolução e maior eficiência da ferramenta.

CANAIS ADEQUADOS: estar disponível nos canais que os clientes estão (Website, Messenger, WhatsApp, APP e outros).

PROMOCIONAR E EVANGELIZAR: o canal deve ser divulgado e estimulado uma vez que as experiências passadas com autoatendimento possam ter sido traumáticas.

SELECIONAR um fornecedor com expertise e com ferramenta flexível e com provadamente qualificada.

DESIGNAR uma equipe multifuncional com conhecimento técnico, linguístico e de negócio para uma implantação de qualidade e para as melhorias evolutivas necessárias.

CONSIDERAR a ferramenta como um novo colaborador, que precisa de atenção e treinamento.

ALIMENTO DIÁRIO

PROVÉRBIOS 14: 1 – 13

Pensando biblicamente

SABEDORIA E TOLICE

 

V. 1  – Observe:

1. Uma boa esposa é uma grande bênção para uma família. Por uma esposa sábia uma família se multiplica, e é povoada de filhos, e assim é edificada. Mas por uma mulher sábia e prudente, que é piedosa, diligente e atenciosa, prosperam os assuntos de uma família, as dívidas são pagas, é feita provisão, os filhos são bem educados e sustentados, e a família tem consolações dentro de casa, e credibilidade fora de casa; assim a casa é edificada. É a sua casa e assim ela deve cuidar dela, embora saiba que seu esposo é o senhor da mesma (Ester 1.22).

2. Muitas famílias são destruídas pela má administração da esposa, bem como do esposo. Uma mulher tola, que não tem temor a Deus nem consideração pelos seus deveres, que é obstinada, esbanjadora e temperamental, que é indulgente com seus apetites e gosta de passeios, de banquetes e de jogar cartas, embora alcance um estado de abundância, e venha a ter uma família de posses, empobrecerá, e gastará tudo, e ela certamente será a ruína da sua casa, como se a derrubasse com suas próprias mãos; e o próprio esposo, com todos os seus cuidados, dificilmente conseguirá evitar isto.

 

V. 2 – Aqui temos:

1. A graça e o pecado em seu verdadeiro caráter. A graça reinante é uma reverência ao Senhor, e honra aquele que é infinitamente grande e superior. E a quem é devida toda a honra, acima daquilo que é mais conveniente ou que deveria ser mais agradável para a criatura racional? O pecado reinando não é nada menos do que um desprezo por Deus. Nisto, mais do que em qualquer coisa, o pecado parece extremamente pecaminoso: no fato de que despreza a Deus, a quem os anjos adoram. Os que desprezam os preceitos de Deus, e não desejam ser governados por eles, desprezam as suas promessas e não as aceitarão, desprezam ao próprio Deus e a todos os seus atributos.

2. A graça e o pecado, sob a sua luz verdadeira. Com isto, podemos conhecer um homem que tem graça, e o temor de Deus, reinando nele; ele anda na sua sinceridade, ele tem consciência de suas ações, é fiel a Deus e aos homens, e cada pausa que faz, bem como cada passo que dá, são segundo a lei; este é um indivíduo que honra a Deus. Mas, ao contrário, aquele que é perverso em seus caminhos, que deliberadamente segue os seus próprios apetites e paixões, que é injusto e desonesto, e contradiz o que professa no seu modo de vida, ainda que se diga devoto, é ímpio, e será considerado como alguém que despreza ao próprio Deus.

 

V. 3 – Veja aqui:

1. Um soberbo tolo que se expõe. Quando há soberba no coração, e nenhuma sabedoria na mente para suprimi-la, isto se exibe, normalmente, nas palavras: “Na boca do tolo está a vara da soberba”, a vanglória, a reprovação, o desprezo, o escárnio, tudo feito com soberba, além do seu próprio desejo de legislar; esta é a vara da soberba. Ela se origina daquela raiz de amargura que existe no coração; é uma vara daquele caule. A raiz deve ser arrancada, ou não poderemos tomar esta vara, ou isto se refere a uma vara que fere, uma vara de soberba que aflige aos outros. O homem soberbo, com sua língua, desfere golpes à sua volta como quer, mas no final, a sua língua será uma vara para ele mesmo; o homem soberbo sofrerá uma correção ignomínia pelas palavras da sua própria boca, não punido como um soldado, mas açoitado como um servo, e assim será espancado com a sua própria vara (Salmos 64.8).

2. Um homem humilde e sábio que se preserva e busca o seu próprio bem: “Os lábios do sábio preservá-lo-ão”, impedindo que faça aos outros a maldade que os soberbos fazem com as suas línguas. e impedindo que traga sobre si mesmo aquela maldade em que os soberbos escarnecedores frequentemente se envolvem.

 

V. 4 – Observe:

1. A negligência na administração é o caminho para a pobreza: Não havendo bois, para cultivar o solo e pisar o trigo, o celeiro fica limpo, vazio; não há palha para o gado, e consequentemente, não há pão para o suprimento do homem. A escassez é representada pela limpeza de dentes (Amós 4.6). Quando não há bois, não há nada para ser feito no solo, e então nada será obtido dele; o celeiro realmente fica limpo, o que agrada aos “almofadinhas” que não conseguem suportar a agricultura porque é um trabalho em que há muita sujeira, e por isto eles venderão seus bois, para manter limpo o celeiro; mas então não somente o trabalho dos bois, mas até mesmo o seu esterco irá faltar. Isto mostra a tolice dos que apreciam os prazeres do campo, mas não se importam com os trabalhos do campo, que (como fizemos) têm mais cavalos do que vacas, e mais cães do que porcos; as suas famílias devem necessariamente sofrer por isto.

2. Aqueles que se esforçam com o seu solo terão uma probabilidade maior de colher os seus frutos. Aqueles que mantêm consigo o que é para uso e serviço, não por nobreza ou exibição, isto é, aqueles que têm mais agricultores do que criados, terão uma probabilidade maior de prosperar. Pela força do boi, há abundância de colheitas; este conselho existe para o nosso benefício, e é proveitoso, tanto na vida como na morte.

 

V.  5 – Na administração da justiça, grande parte depende das testemunhas, e por isto é necessário, para o bem comum, que as testemunhas tenham princípios, como devem ter: pois:

1. A testemunha verdadeira não mentirá, não ousará dar um testemunho falso, ainda que minimamente, nem, por boa vontade ou má vontade, dirá algo que não corresponda a tudo o que sabe, ainda que agrade ou desagrade a alguém, e então o juízo flui como um rio.

2. Mas a testemunha falsa, que admite subornos, e é influenciável e amedrontável, se desboca em mentiras (e não se limitará a isto nem se assustará com isto) com tanta prontidão e certeza como se tudo o que dissesse fosse verdade.

 

V. 6 – Observe:

1. A razão pela qual algumas pessoas buscam sabedoria, e não a encontram, é porque não a buscam com um princípio correto e de uma maneira correta. São escarnecedores, e é zombando que buscam instrução, para que possam ridicularizar o que lhes é dito e criticar a instrução recebida. Muitos propõem perguntas a Cristo, tentando-o, e para que possam, com isto, ter motivos para acusá-lo, mas nunca ficam mais sábios. Não é de admirar que aqueles que buscam sabedoria, como Simão. o mágico, buscou os dons do Espírito Santo, para servir ao seu orgulho e à sua cobiça, não a encontrem, pois a buscam de maneira inadequada. Herodes desejava ver um milagre, mas era um escarnecedor, e por isto o milagre lhe foi negado (Lucas 23.8). Os escarnecedores não são bem sucedidos na oração.

2. Para o prudente. para o que entende corretamente, que se afasta do mal (pois isto é entendimento), o conhecimento de Deus e da sua vontade é fácil. As parábolas que fortalecem os escarnecedores na sua zombaria, e lhes tornam mais difíceis as coisas divinas, esclarecem os que estão dispostos a aprender e tornam as mesmas coisas mais claras, e inteligíveis, e familiares para eles (Mateus 13.11,15,16). A mesma palavra que para o escarnecedor é cheiro de morte para a morte é, para o humilde e sério, cheiro de vida para a vida. Aquele que tem entendimento, a ponto de se afastar do mal (pois isto é entendimento), de deixar de lado seus preconceitos, de abandonar todas as disposições corruptas, facilmente apreenderá a instrução e receberá as suas impressões.

 

V. 7 – Veja aqui:

1. Como podemos discernir um tolo, e considerá-lo como um ímpio, pois é um tolo. Se não divisarmos nele os lábios do conhecimento, se percebermos que não há piedade nas suas palavras, que a sua comunicação é toda corrupta e corruptora, e que em nada é boa e não edifica, podemos concluir que o tesouro é mau.

2. Como devemos declinar da sua companhia e nos afastar dele: Foge da sua presença, pois não perceberás ali nenhum bem a ser obtido com a sua companhia, mas somente o perigo de ser ferido por ela. Às vezes, a única maneira que temos de reprovar palavras ímpias e testemunhar contra elas é deixar a companhia de quem a proferiu e deixar de ouvi-las.

 

V. 8 – Veja aqui:

1. O bom comportamento de um homem sábio e bom; ele se conduz de maneira apropriada. Não é a sabedoria dos instruídos, que consiste somente em especulação, que é recomendada aqui, mas a sabedoria do prudente, que é prática, e é útil para orientar nossas deliberações e atos. A prudência cristã consiste em entender apropriadamente o nosso caminho; pois somos viajantes, cujo interesse não é espiar maravilhas, mas seguir adiante, até o fim da nossa jornada. É entender o nosso próprio caminho, não ser críticos e bisbilhoteiros nos assuntos dos outros, mas examinar a nós mesmos e ponderar sobre o caminho dos nossos pés, para entender as orientações do nosso caminho, para que possamos observá-las, e os perigos do nosso caminho, para que possamos evitá-los, e as dificuldades do nosso caminho, para que possamos atravessá-las, e os benefícios do nosso caminho, para que possamos aproveitá-los – entender as leis pelas quais devemos andar, e em que direção de­ vemos andar, e andar de maneira apropriada.

2. O mau comportamento de um homem mau; ele engana a si mesmo. Ele não entende corretamente o seu caminho; ele pensa entender, e assim erra o seu caminho, e prossegue no seu erro: A estultícia dos tolos é enganar; ela os engana, para sua própria ruina. A tolice daquele que edifica sobre a areia foi o seu grande engano.

 

V. 9 – Veja aqui:

1. Como os ímpios são fortalecidos em sua impiedade: eles zombam do pecado. Eles zombam dos pecados dos outros, e se divertem, e divertem a seus amigos com aquilo pelo que deviam lamentar, e menos­ prezam seus próprios pecados, tanto quando são tentados a pecar como quando já cometeram o pecado; ao mal chamam bem e ao bem, mal (Isaias 5.20), brincam e se precipitam no pecado (Jeremias 8.6) e dizem que todos terão paz, ainda que continuem em seus pecados. Eles não se importam com a maldade que fazem com seus pecados, e riem dos que os advertem disto. São defensores do pecado, e são engenhosos para criar desculpar para ele. Os loucos zombam da oferta de expiação (segundo alguns); os que dão pouca importância ao pecado menosprezam a Cristo. São tolos os que dão pouca importância ao pecado, pois menosprezam aquilo de que Deus os acusa (Amós 2.13); o pecado foi algo que o ser humano jamais poderia vencer, mas que foi vencido por Cristo, e que é tirado da vida daqueles que o aceitam como Senhor e Salvador. Os próprios tolos pensarão de um modo diferente a respeito do pecado, dentro de pouco tempo, quando partirem para a eternidade. 2. Como as pessoas boas são encorajadas na sua bondade: “Entre os retos há boa vontade”.

Se eles transgridem, em alguma coisa, imediatamente se arrependem e obtêm a benevolência de Deus. Eles têm boa vontade entre si; e entre eles, em suas sociedades, existem caridade e compaixão mútuas, em casos de transgressões, e não há escárnio.

 

V. 10 – Isto está de acordo com 1 Coríntios 2.11: “Qual dos homens sabe as coisas do homem, senão o espírito do homem, que nele está?”

1. Cada homem sente o seu próprio fardo, especialmente aquele que é um fardo sobre os ânimos, pois este é comumente oculto e o sofredor o mantém para si mesmo. Não devemos censurar as angústias dos outros, pois não sabemos o que eles sentem; o golpe que sofreram talvez seja mais pesado do que o seu gemer.

2. Muitos sentem um prazer secreto, especialmente em consolações divinas, de que os outros não têm consciência, e muito menos compartilham; e, assim como as tristezas de um penitente, também as alegrias de um crente são tais que um estranho não se envolve com elas, e, portanto, não pode julgá-las de maneira competente.

 

V. 11 – Observe:

1. O pecado é a ruína de grandes famílias: A casa dos ímpios, ainda que edificada de maneira forte e imponente, se desfará, será reduzida à pobreza e à desgraça e, por fim, será extinta. A sua esperança em relação ao céu, a casa em que ele se apoia, não resistirá, mas cairá em meio à tempestade; o dilúvio que virá a levará consigo.

2. A justiça é a elevação e a estabilidade, até mesmo de famílias humildes: A tenda dos retos, ainda que móvel e desprezível como uma tenda, florescerá, em prosperidade exterior, se a Sabedoria Infinita julgar adequado, em todos os eventos de graça e consolação, que são verdadeiras riquezas e honras.

 

V. 12 – Aqui temos uma explicação sobre o caminho e o fim de muitas almas que se iludem.

1. O seu caminho é, aparentemente, bom, e lhes parece direito; eles se alegram com a ideia de que são como deveriam ser, de que suas opiniões e costumes são bons, e que isto os confirmará. O caminho da ignorância e do descuido, o caminho do materialismo e dos interesses terrenos, o caminho da sensualidade e dos prazeres da carne, parecem direitos para os que neles andam, e muito mais o caminho da hipocrisia na religião, das realizações externas, das reformas parciais e do zelo cego; eles imaginam que isto os conduzirá ao céu; eles se lisonjeiam, aos seus próprios olhos, com a ideia de que tudo estará bem, no final.

2. O seu fim é realmente amedrontador, especialmente pelo seu engano; são os caminhos da morte, da morte eterna; a sua iniquidade certamente será a sua ruína, e eles irão perecer com uma mentira em sua mão direita. As pessoas que se enganam a si mesmas provarão ser, no final, destruidoras de si mesmas.

 

V. 13 – Isto mostra a futilidade da alegria carnal, e prova o que Salomão disse sobre o riso, que é louco, pois:

1. Há uma tristeza nele. Às vezes, quando os pecadores são condenados ou enfrentam grandes dificuldades, dissimulam a sua tristeza com um riso forçado, e enfrentam as dificuldades com alegria, porque não parecem ceder; mesmo estando amarrados, eles não clamam. Na verdade, quando os homens estão realmente alegres, ainda assim, ao mesmo tempo, há algo que adultera a sua alegria, algo que a sufoca, algo que toda a sua alegria não consegue manter longe do seu coração. As suas consciências lhes dizem que não têm razões para estar alegres (Oseias 9.1); eles não conseguem enxergar a futilidade do próprio comportamento. A alegria espiritual está arraigada na alma; a alegria do hipócrita é apenas da boca para fora. Veja João 16.22; 2 Coríntios 6.10.

2. Mas o pior ainda está por vir. O fim dessa alegria é tristeza. Ela logo se acaba, como o estalar de espinhos no fogo; e, se a consciência estiver desperta, toda a alegria pecaminosa e profana será refletida com amargura; se não, a tristeza será ainda maior quando, por todas estas coisas, Deus trouxer o pecador a juízo. As tristezas dos santos terminarão em alegrias eternas (Salmos 12 6.5), mas o riso dos loucos terminará em choro e lamentações incessantes.

PSICOLOGIA ANALÍTICA

EGOISTA, EU?

O altruísmo pode ser aprendido. A cultura e o meio social no qual vivemos na infância ajudam a moldar crenças; crescer em época de crise pode nos tornar mais atentos às necessidades alheias.

Egoista, eu

Ouvimos com frequência que estamos cada vez mais individualistas. E, de fato, um estudo recente publicado na Personality and Individual Differences aponta que a verdade não está muito longe dessa percepção do senso comum: a sociedade contemporânea parece cada vez mais egocêntrica quando comparada à de épocas passadas. O aumento na prosperidade econômica, de forma geral, talvez tenha colaborado para esse cenário, segundo outra pesquisa: jovens adultos que passaram por tempos difíceis são menos voltados para si do que aqueles que atingiram a maioridade durante períodos de maior prosperidade econômica.

Para medirem essa tendência, cientistas da Universidade de Michigan percorreram um caminho curioso: analisaram discursos de presidentes americanos entre 1790 e 2012. Eles apostaram que a forma de falar dos eleitos pelo voto revela as ideias, nem sempre assumidas abertamente, com as quais as pessoas em geral se identificam.

Partindo desse pressuposto, os pesquisadores calcularam o “índice de individualidade” de cada oratória comparando o número de palavras que indicam interesse centrado no próprio universo (como “eu”, “nós” ou “mãe”) com a quantidade de termos que sugerem cuidado com o outro (como “ele”, “vizinho” ou “amigo”). Eles observaram não só o aumento constante no uso de palavras que se referiam ao universo pessoal – em geral ligadas ao “eu” e ao “meu” – como também que antes de 1900 as falas continham mais termos relacionados com a preocupação com o outro. Depois de 1920, praticamente todos os discursos giravam em torno do indivíduo e de extensões de si mesmo (por exemplo: suas coisas, seus parentes etc.).

Para verificar se essas constatações refletiam o egoísmo de forma mais ampla, a equipe comparou os resultados com pesquisas sobre o tema em produtos culturais como livros e canções do século 20. E, realmente, comprovaram o aumento da noção de individualidade. “Os dados sugerem que essa característica não está apenas nas conferências presidenciais, mas reflete uma tônica cultural e o modo de as pessoas em geral se relacionarem consigo mesmas e com os outros”, acredita a psicóloga Sara Konrath, coautora do estudo e professora do Instituto de Pesquisa Social, em Michigan.

Em um experimento relacionado, mas independente, publicado em 2014 na revista Psychological Science, a pesquisadora Emily Bianchi, professora da Universidade Emory, analisou a forma como a economia do país afeta o grau de individualismo. Ela utilizou dois tipos de teste de personalidade para medir essa característica em 32.632 participantes de 18 a 83 anos de idade. A cientista observou que pessoas que tinham entre 18 e 25 anos em tempos econômicos difíceis (medidos pela taxa de desemprego) tinham tendência a se tornar menos egocêntricas na vida adulta, em comparação com aquelas que atingiram a maioridade durante períodos de maior prosperidade. O mesmo, porém, não ocorreu com outros grupos etários. Emily Bianchi argumenta que a diferença existe porque o início da idade adulta é mais determinante. Funcionários inexperientes são os mais vulneráveis durante recessões, e o impacto de crises tende a ser maior naqueles que se esforçam para estabelecer uma identidade profissional.

A pesquisadora investigou também a remuneração de chief executive officers (CEOs, diretores executivos), em relação a outros funcionários que ocupam postos de chefia. “É um excelente indicador de narcisismo; aquele que está nesse cargo controla o salário da segunda pessoa mais importante da empresa.” Ela analisou dados de 2.095 CEOs e descobriu que aqueles que ficaram adultos durante booms econômicos tiveram uma compensação financeira 2,3 maior do que o segundo alto executivo, com uma diferença de 1,7 em relação aos que cresceram em tempos menos prósperos. Emily Bianchi acredita, portanto, que a recente recessão de 2008 e 2009 nos Estados Unidos e seus efeitos duradouros sobre o mercado de trabalho provavelmente poderão amenizar tendências narcisistas nos jovens adultos – uma baixa numa tendência ascendente geral.

Egoista, eu. 2

ARROZ PARA COMBATER O INDIVIDUALISMO

Práticas agrícolas históricas influenciam mentalidades modernas

Muitos associam de imediato a cultura chinesa à rivalidade entre o leste e o oeste daquele pais. Agora, uma pesquisa conjunta entre Estados Unidos e China indica que os moradores do norte apresentam uma mentalidade mais individualista, como a americana, em comparação com seus compatriotas do sul. E o arroz é fator determinante dessa diferença, de acordo com artigo publicado na revista Science.

“O rio Yangtze separa a China em norte e sul e serve também de divisor agrícola e cultural”, diz o psicólogo Thomas Talhelm, da Universidade de Virgínia, principal autor do estudo. Habitantes do norte cultivam predominantemente o trigo, e os do sul o arroz. Essa última atividade é bastante trabalhosa e necessita de água o tempo todo, o que exige a partilha de recursos para que seja bem-sucedida. As comunidades ajudam a plantar e a regar. Já o trabalho com trigo requer metade do esforço e depende mais dos padrões de chuva, por isso pode ser gerenciado com menor dependência dos vizinhos.

Talhelm se perguntou se as práticas agrícolas poderiam ajudar a explicar a mentalidade mais individualista do lado ocidental, comparadas com a forma mais abrangente de raciocinar dos habitantes da região oriental. Para investigar a “teoria do arroz”, a equipe de cientistas analisou o pensamento holístico, a preocupação com o bem da maioria e a lealdade de 1.162estudantes de 28 províncias da China. Como esperado, os pesquisadores comprovaram que essas qualidades estavam mais presentes nas províncias de cultivo de arroz, enquanto o individualismo era mais comum nas áreas em que os moradores trabalhavam com trigo.

Os cientistas analisaram também as taxas de divórcio de cada província, outro indicador do pensamento autocentrado. “O número de separações entre casais nas regiões de trigo era 50% maior do que nas áreas de arroz”, aponta Talhelm. “Embora outras variáveis possam ser consideradas, a teoria está de acordo com outras pesquisas culturais sobre como a atividade agrícola influencia o pensamento”, diz o psicólogo Richard Nisbett, professor da Universidade de Michigan, que não participou do estudo.

Na Turquia, por exemplo, Nisbett descobriu que os que se dedicavam à agricultura (ocupação interdependente) eram muito mais altruístas do que os que viviam do pastoreio (atividade independente). Os resultados reforçam nossa crescente compreensão de que a história agrícola de um região pode ter influência duradoura sobre a mentalidade de seus cidadãos modernos.

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PESSOAS GENTIS LEVAM VANTAGEM

Nas sociedades que valorizam o coletivo, a cordialidade conta mais para a posição profissional do que as habilidades.

 

Nossa cultura costuma conferir respeito, prestígio e admiração àqueles que são avaliados como competentes. A gentileza é até considerada uma característica bem-vinda, mas fica em segundo lugar. Essa regra, porém, não é comum a todas as sociedades, já que o que é valorizado varia de um grupo para outro. O que não muda, onde quer que estejamos, é o fato de que para subir na escada social é preciso incorporar os valores em alta. Em um artigo recente publicado pela Organizational Behavior and Human Decision Processes, o doutor em marketing Carlos Torelli, professor da Universidade de Minnesota, relacionou a influência do individualismo e de senso de coletividade com nossas ideias em relação à posição profissional. Ele e seus colaboradores descobriram que os americanos eram mais propensos a usar a competência (por exemplo, resolvendo problemas difíceis do trabalho) como estratégia para ganhar respeito, de que os latinos. Já estes últimos tendiam a ser mais afetivos e cooperativos com os colegas.

Além disso, individualistas encaram o cargo profissional – e não a cordialidade – como sinal de capacidade, e vice-versa, em relação aos coletivistas. Ignorar essas diferenças culturais pode criar conflitos e decepções se, por exemplo, você e seu superior hierárquico usam diferentes métricas para avaliar desempenho.

“Essa linha de pesquisa tem como base minhas observações sobre diferenças políticas na América Latina e nos Estados Unidos”, diz Torelli. Os candidatos americanos, não raro, discursam sobre as obras que entregaram. “Os latinos, porém, têm mais tendência a idealizar líderes populistas, como Salvador Allende e Hugo Chávez, vendo-os como benfeitores abnegados que realmente se preocupam com o bem-estar do povo.”

OUTROS OLHARES

O HORROR NA ERA DO VIRAL

A internet – e seus ruidosos frutos, as redes sociais – transformou-se em cenário dos atos mais cruéis e hediondos. Como lidar com o problema nestes dias em que todo o planeta está conectado?

O horror na era do viral

Há uma desconcertante coincidência entre o massacre de Suzano – ocorrido naquele município da Grande São Paulo, no dia 13, quando dois ex-alunos da Escola Estadual Raul Brasil invadiram a instituição e lá mataram sete pessoas – e o ataque, perpetrado por um lobo solitário, a duas  mesquitas na cidade de Christ church, na Nova Zelândia, que deixou cinquenta mortos. Tanto os brasileiros Guilherme Taucci Monteiro, de 17 anos, e Luiz Henrique de Castro, de 25, como o australiano Brenton Tarrant, de 28, planejaram as ações com o intuito de viralizá-las na internet. Os crimes foram previamente organizados e divulgados por meio de fóruns virtuais – em especial, na parte menos acessível e mais obscura da rede, a deep web -, sobretudo nos chamados “chans”. Nesses espaços, frequentados por usuários devidamente resguardados pelo anonimato e representados em sua maioria por homens brancos racistas, misóginos, xenófobos e adeptos de ideologias terroristas, Monteiro, Castro e Tarrant encontraram respaldo para suas intenções macabras. O trio buscava nos chans a certificação de que seriam depois celebrados, nesse submundo on-line, pelos atos de horror que cometeram, com seus apoiadores ajudando a espalhar seus nomes, vídeos e mensagens pelas redes sociais. Tarrant exibiu ainda o que a crônica policial costuma chamar de, com o perdão do clichê – “requintes de crueldade”: transmitiu ao vivo, pela internet, durante dezessete minutos, os seus atentados que, sim, se tornaram virais.

”Muito obrigado pelos conselhos e orientações, DPR. Esperamos do fundo dos nossos coração (sic) não cometer esse ato em vão. Todos nós e principalmente o recinto será citado e lembrado (sic). Nascemos falhos mas partiremos como heróis.” A mensagem, reproduzida aqui em termos literais, foi publicada em um desses fóruns, o Dogolachan, em 7 de março, supostamente por um dos responsáveis pelo massacre de Suzano, que aconteceria seis dias depois. DPR é a alcunha do administrador do Dogolachan, cuja identidade real não se conhece – só se sabe que ele provavelmente mora na Espanha.

Tarrant seguiu prática similar. Pouco antes de investir contra as mesquitas, ele publicou, no site 8chan, um manifesto de 74 páginas no qual desenvolve argumentos contra os muçulmanos e defende a supremacia branca. Segundo o terrorista, entre os objetivos do ataque estavam “criar uma atmosfera de medo” e “incitar a violência” contra imigrantes. Para tanto, Tarrant afirmava que se valeria da ”cobertura midiática” do atentado para propagar suas ideias. No documento, lançou mão ainda da mais debochada ironia, declarando que parte de seu ímpeto violento se devia ao videogame Spyro – trata-se, na verdade, de um jogo infantil, nada agressivo, no qual se controla um dragão-bebê roxo, citado justamente para ridicularizar aqueles que, ele tinha certeza, diriam depois que seu comportamento havia sido alimentado pelos games.

“Para ser honesto, não me surpreendo com a forma como a internet tem sido usada para propagar esses e outros crimes, pois as pessoas estão confiando cada vez mais nas redes sociais para validar aquilo que fazem”, disse o americano Jun Sung Hong, especialista em estudos sobre violência contra grupos minoritários da Universidade Estadual de Wayne (EUA). “No caso dos delinquentes e terroristas, eles se apoiam nas novas tecnologias como oportunidades para ‘se gabar’ das maldades que cometem. Membros de gangues dos Estados Unidos, por exemplo, têm usado o Facebook e o Twitter para se exibir e promover agendas deturpadas. Mas isso só ocorre porque tem se dado crédito em demasia às redes”, completa Hong, cujo principal trabalho acadêmico acerca do tema, “Mídias sociais como vetores para a violência juvenil”, debruça-se sobre como a exposição on-line de crimes influencia os jovens.

”Pronuncie os nomes daqueles que perdemos, em vez do nome daquele homem que os matou. Ele procurava notoriedade, mas nós, na Nova Zelândia, não lhe daremos nada, nem mesmo seu nome”, declarou a premiê neozelandesa Jacinda Ardern na terça-feira 19. A postura é compreensível, sobretudo tendo em vista que a fama era mesmo o que o terrorista, agora preso, buscava. No entanto, a viabilidade da medida sugerida é posta em xeque quando se considera que, para além da transmissão ao vivo do crime, o nome de Tarrant já circulava no WhatsApp, no Twitter, no You­Tube e, com especial alcance, nos fóruns da deep web.

Dois dias antes, no ataque em Suzano, o rito virtual fora similar. Não só em espaços obscuros da deep web, mas também em sites e redes sociais da internet regular multiplicavam-se fotos e vídeos do ataque. “Cada câmera seria importante porque os assassinatos aconteceriam na frente delas”, preconizou, via mensagem de celular, o adolescente que foi apreendido na semana passada, suspeito de ser ”mentor intelectual” do atentado. Ele era o melhor amigo de Taucci Monteiro, que cometeu suicídio dentro da escola, logo após ter matado o comparsa, e acrescentou ainda a um interlocutor: “Quem seria o Isis (sigla em inglês para o grupo terrorista Estado Islâmico) perto de uns adolescentes com facas e umas armas?”.

Um estudo de 2016 da Associação Americana de Psicologia (APA, na sigla em inglês) traçou o perfil de atiradores em massa. De acordo com a pesquisa, que levou em conta 225 casos, a maioria dos criminosos em questão é formada por homens brancos, heterossexuais, com idade entre 20 e 50 anos. Apesar de compor uma camada mais privilegiada, pelo gênero sexual e pela cor da pele, é gente que se considera vítima de alguma injustiça. Notem-se as semelhanças com os frequentadores de fóruns como o Dogolachan. O levantamento ainda concluiu, por meio de um trabalho liderado pelo sociólogo americano Adam Lankford, professor de criminologia da Universidade do Alabama (EUA), que um dos principais motivos para os delinquentes executarem seus ataques era a procura pela fama. Lankford chega a estipular que 11% dos atiradores analisados tinham desvios psicológicos que inflavam essa necessidade de se fazer notar.

De acordo com estudo divulgado em 2012 pelo sociólogo americano Daniel Flannery, da Universidade Case Western Reserve (EUA), o desejo narcisístico também se soma a outras características que formam um autêntico caldeirão explosivo: a depressão, a baixa autoestima e o fascínio pela violência. De volta ao trabalho da APA: segundo a associação, desde 1990 cresceu em 70% o tempo de exibição dos rostos desse tipo de criminoso. Só para lembrar: a internet, tal como a conhecemos hoje, começou em 1989, com a criação do www, que a tornou um ambiente mais fácil de ser navegado. Assim, logo ela se transformaria no principal holofote de facínoras como os que atuaram em Suzano e na Nova Zelândia – sobretudo após o surgimento das redes sociais. Diante disso, uma questão parece incontornável: o que Facebook, Twitter, YouTube, Google e companhia poderiam fazer para coibir, ou mesmo eliminar de vez, o compartilhamento de imagens e vídeos que exibem ou estimulam crimes de qualquer natureza?

O problema não é de agora. Desde que o Facebook, palco de discussões de mais de 2 bilhões de pessoas em todo o planeta, lançou o seu recurso de live (o vídeo ao vivo), proliferaram as gravações de homicídios, abusos sexuais e atos terroristas. “A empresa deve ser responsabilizada, pois se tornou hoje uma plataforma que cumpre papel parelho ao de um serviço público”, acredita o advogado Renato Opice Blum, especialista em direito digital. “A reação à fatalidade na Nova Zelândia já comprova que o Facebook tem formas de conter o problema. Mas é impossível exigir que se consiga saber instantaneamente qual tipo de conteúdo está sendo transmitido.”No caso da matança na Nova Zelândia, o Facebook começou a apagar os vídeos do massacre minutos depois que subiram, mas novas versões eram postadas. Foi possível deletar 1,2 milhão desses vídeos, por meio de um algoritmo que rastreia imagens de brutalidade e também na mão, um a um, com a ajuda de funcionários. No entanto, o volume era tão grande que, ainda assim, nas primeiras 24 horas a filmagem do atirador australiano foi compartilhada 1,5 milhão de vezes.

Um executivo do YouTube assumiu que a gravação chegou a ser replicada uma vez por segundo em seus momentos iniciais. A primeira medida de contenção do serviço foi tentar barrar, temporariamente, a busca por qualquer nova postagem publicada – o que incluiria as assombrosas imagens do ato terrorista. Depois, tratou-se de simplesmente reprogramar o algoritmo para eliminar de vez o filme e impedir maior repercussão.

“Não há solução fácil à vista. O melhor que se pode fazer hoje é apoiar-se em uma variedade de sinais para analisar se uma transmissão pode ou não ser problemática, para em seguida direcioná-la a um exército de revisores humanos”, avalia o engenheiro da computação americano Aviv Ovadya, chefe do Centro de Responsabilidade para Mídias Sociais da Universidade de Michigan (EUA). ”Esses sinais podem, por exemplo, mostrar que há 80% de probabilidade de violência e que se registrou um aumento de público de centenas de milhares de espectadores – elementos que indicariam a exibição de crimes”, explicou ele.

Justiça seja feita, as redes sociais já tomam providências como as descritas por Ovadya. Entretanto, elas não se mostram suficientes para impedir a viralização de crimes. No caso da Iive da Nova Zelândia, por exemplo, mesmo que 1,2 milhão de posts tenham sido derrubados, sobraram outros 300.000 circulando durante um período não divulgado pelo Facebook. Podem também ser abertas investigações pontuais acerca da deep web – o Ministério Público de São Paulo está atrás dos organizadores do Dogolachan -, mas tornou-se tecnicamente impossível controlar esse mundo obscuro, no qual nada menos que 25% das buscas realizadas se referem a pornografia infantil e 32% dos itens vendidos estão ligados ao tráfico de drogas.

“O problema está no cerne das mídias sociais, criadas como plataformas para que quaisquer pessoas ajam de forma extensa, fácil, sem regulação, para que o conteúdo seja inadulterável”, observou o antropólogo americano Desmond Patton, da Universidade Colúmbia (EUA), especialista em estudos de violência on-line. “Os radicais se apoiam nessa premissa para se autopromover. Assim, recursos como os das hashtags permitem que indivíduos se organizem para estimular discussões saudáveis. Só que, ao mesmo tempo, possibilitam que terroristas também encontrem seus parceiros”, concluiu Patton. A busca de notoriedade por parte dos criminosos mais inescrupulosos, claro, não é nova. No atentado às torres gêmeas do World Trade Center, em Nova York, no tristemente célebre 11 de setembro de 2001, a organização terrorista Al Qaeda fez cálculos para que a segunda colisão ocorresse dezessete minutos depois da primeira a fim de chamar a atenção das emissoras de TV, que filmariam – os terroristas tinham certeza – e mostraram tudo ao vivo. A internet e as redes sociais aumentaram assustadoramente a dimensão midiática que pode ser alcançada por qualquer delinquente, como também transformaram o modo como se planejam os crimes mais horrendos – e até como se julgam os culpados. É a “banalidade do mal”, para usar a famosa expressão da pensadora alemã Hannah Arendt (1906-1975), levada a um perigoso extremo de nosso tempo – o viral.

O horror na era do viral. 2

 NAS PROFUNDEZAS

Assim como um iceberg esconde 90% de seu volume embaixo da água, a maior parte do conteúdo da internet está submersa em áreas que não podem ser acessadas por navegadores convencionais.

O horror na era do viral. 3

NÃO É PRA TER MEDO

Inicialmente veio o alarme em grupos de pais no WhatsApp vídeos infantis no YouTube Kids estariam sendo interrompidos com a cara assustadora de uma personagem, a Momo, uma “mulher-pássaro” que ensinaria as crianças a praticar suicídio com objetos cortantes. Não demorou para que, de fato, surgissem filmetes, com montagens malfeitas, como prova do crime. Seria aterrorizante se fosse verdade. Explica-se: a boneca Momo existe. Alguém, sim, editou vídeos e os espalhou pelo WhatsApp – porém eles nunca subiram no YouTube Kids. Mesmo assim, por cautela, o Ministério Público da Bahia, por exemplo, decidiu instaurar investigação.

Mas, afinal, como a fofoca se espalhou? Da Momo, a única certeza é que a personagem foi criada pelo artista plástico japonês Keisuke Aiso como uma escultura. Alguém se apoderou da figura feiosa e a transformou em porta-voz de estupidez. Foi brincadeira de mau gosto tomada como verdade, viralizada. Com a repercussão negativa, Aiso queimou a boneca original.

O horror na era do viral. 4

GESTÃO E CARREIRA

DEMISSÃO: SEMPRE EXISTE OUTRO CAMINHO

Em meio à crise econômica, é preciso buscar estratégias para manter os colaboradores – essenciais para qualquer negócio – e cumprir com a folha de pagamento, evitando demissões.

Demissão - Sempre existe outro caminho

Com o início de um novo ano, é normal que as empresas façam um balanço e tenham um cuidado maior com relação à folha de pagamento. Como o Brasil está passando por um momento de transição política e crise econômica, muitos empresários reavaliam as despesas e receitas, considerando um corte no quadro de funcionários.

É uma decisão delicada e que pode afetar, ainda mais, o mercado consumidor, visto que os pequenos negócios respondem por mais de um quarto do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro. São essas micro, pequenas e médias empresas que concentram cerca de 54% das contratações formais no mercado de trabalho.

Contudo, muitos empresários veem nessa medida uma saída para ajustar as contas de seu negócio e reduzir custos na tentativa de minimizar os efeitos da crise. No entanto, especialistas afirmam que esse é um erro clássico, apesar de ser a primeira opção para muitos empresários. Todo o processo de desligamento traz despesas para a empresa, por isso é necessário analisar bem o impacto financeiro que a instituição terá com a demissão. “Os encargos de uma rescisão contratual são altos e podem ser um gasto a mais em um momento de instabilidade econômica”, lembra o gerente da unidade de atendimento individual do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), Ênio Duarte Pinto.

DISPENSANDO O INTANGÍVEL

Para não chegar a um ponto em que o corte da folha seja uma necessidade ou uma alternativa, o ideal é se preparar bem antes de começar a empreender e se planejar para momentos de baixa no caixa. Nos casos de negócio em anda­ mento, em situações nas quais há dificuldades em enxergar outros caminhos para um problema ou algo que o incomode, o empresário pode procurar instituições que apoiam e capacitam empreendedores. Cursos livres de produtividade, gestão de tempo, resolução de problemas e criatividade também podem ajudar a desenvolver habilidades essenciais para o mercado e a enxergar além. “O empreendedor precisa tentar lapidar sua formação para gerenciar de maneira mais profissional o negócio e, principalmente, ouvir a razão de existência do negócio dele: o cliente”, diz Ênio Duarte Pinto. “Uma empresa não existe só porque tem sede, produto, estoque ou empreendedor; a empresa existe porque tem cliente – externo e interno”.

Independentemente do porte, o resultado vem de pessoas. ”A demissão, ou seja, abrir mão de pessoas para resolver qualquer crise deve ser, realmente, o último caso. Mas, infelizmente, no Brasil é comum essa atitude também por conta dos encargos trabalhistas e altos tributos”, afirma o consultor e fundador do Instituto Gestão Consciente, João Cosenza, que ressalta: “O que o empresário esquece de considerar, nesse processo, é o custo de recontratar. Porque, em caso de demitir um funcionário mais antigo com um salário mais alto, por exemplo, apesar de diminuir os custos, vai com ele toda uma experiência, histórico e o conhecimento sobre a empresa, suas rotinas e necessidades”, diz.

Além disso, como as micro e peque­ nas empresas são muito voláteis, a necessidade de contratar pessoal virá em um curto espaço de tempo. Além de ter gasto com a rescisão contratual, o empresário terá de gastar na hora de contratar, com o processo seletivo, com o contrato, com treinamento. “É um pensamento contra- produtivo demitir hoje para contratar pouco tempo depois”, avalia o consultor do Sebrae.

“Quando pensamos na perda de um bom colaborador, estamos pensando em um funcionário que, além de ter a familiaridade com os processos e cultura da empresa, cumpre com as suas entregas”, pondera a consultora e assessora de carreira da Catho, Carla Carvalho. Nesse caso a perda por parte da empresa não se aplica apenas aos gastos com os processos rescisórios, mas com gastos que vão desde a realização de um trabalho de (re) contratação (que envolve tempo e custos) até a integração desse colaborador no ambiente de trabalho.

Formar um profissional leva tempo, por mais que seja tecnicamente muito bom; cada empresa é um produto, uma rotina, uma cultura organizacional que precisa de tempo para ser incorporada por um novo funcionário recém-contratado, e isso também é custo e deve ser colocado na ponta do lápis. “A integração de um novo colaborador implica o investimento em capacitação e também o seu tempo de adaptação, que poderá de alguma forma refletir nos resultados”, lembra Carla.

Para a especialista em recursos humanos e diretora do Grupo Capacitare, Débora Nascimento, na conta do empresário precisa haver avaliações e reavaliações constantes ao longo do ano e identificar em quais momentos há lacunas que ele precisa preencher com novas receitas; além disso, ele deve avaliar como pode fazer um aproveitamento do time sem abrir mão de ninguém”, indica Débora. “Pode-se pensar, por exemplo, em novo produto ou serviço que possa, naquele momento, manter a rentabilidade e suprir isso. Muitas vezes, o bom profissional se paga, traz retorno financeiro. Então, o empresário precisa ter a visão de aproveitá-lo em todas as frentes possíveis, até mesmo em sugestões e desenvolvimento de nova forma de receita”, ressalta a especialista.

Em vez de demitir, a pequena empresa tem outras opções de ajustar seus custos, como promover férias em rodízio, o que é muito propício nesse primeiro trimestre, ter mais rigor nos controles de custos fixos, como estoque e contas a pagar e a receber, fazer um controle de caixa mais seguro e procurar renegociar prazos de pagamentos em contratos já firmados. “Ninguém quer perder cliente nesse momento de crise. Os fornecedores de pequenas empresas também não. Esse é o momento para dilatar prazos de pagamento”, exemplifica Ênio Pinto.

Em meio a crises econômicas nacionais, é um momento também de repensar e reorganizar formas de aprovação de crédito junto a clientes e parceiros. Vendas a prazo, que antes eram mais facilitadas, hoje devem ter maior rigor, até mesmo para não cair em inadimplência alta. Buscar alternativas de obtenção de crédito com juros mais atrativos é também outra clica em momentos de incerteza. Além disso, o gerente do Sebrae aconselha aos empresários a socializar a compra de seus insumos, ou seja, procurar seu concorrente para fazer compras conjuntas ajuda a reduzir os valores dos insumos e a barganhar o preço e o prazo de pagamento com os fornecedores.

TRANSPARÊNCIA E ENVOLVIMENTO

Nesses momentos, algumas informações podem e devem ser compartilhadas com os colaboradores a fim de estabelecer um bom vínculo e talvez até a conscientização diante do momento que a empresa enfrenta. “Essa atitude e postura por parte do empresário trará ao colaborador o sentimento de fazer parte do negócio, favorecendo a criação de um ambiente mais colaborativo”, pontua Carla Carvalho. “Trabalhar de forma coletiva, definir metas, dar e receber feedbacks, valorizar os colaboradores e o trabalho realizado, além de manter a comunicação e o otimismo, são importantes para que seja possível criar um ambiente que impulsione a melhora do cenário e traga novas aspirações”, complementa a especialista da Calho.

Caso as alternativas já tenham sido estudadas e não se encaixem e/ou sejam inviáveis ao seu negócio naquele momento, lembre -se de que o desligamento de um funcionário nunca será algo agradável. Apesar disso, o empregador pode e deve fazer com que o profissional seja tratado de forma correta e digna. “Man­ ter essa transparência e respeito com a pessoa garantirá maior dignidade a ela e maior possibilidade de recontratação no futuro, caso haja necessidade”, lembra João Cosenza.

Para o quadro de colaboradores que fica, a transparência deve ser a mesma. Segundo o consultor do Instituto Gestão Consciente, quando há cortes no quadro de funcionários, quem fica costuma ser envolvido em uma insegurança quanto a sua posição e em uma sobrecarga de atividades. “Vale também um trabalho do RH para tentar motivar os funcionários que ficam para manter a produtividade e o ânimo, tendo sempre em mente que o resultado depende de pessoas”, sugere.

Demissão - Sempre existe outro caminho. 2

ALTERNATIVAS PRINCIPAIS

FÉRIAS COLETIVAS – Apesar do investimento dos honorários das férias, nesses casos, a empresa deixa de ter custos de manutenção do escritório e consegue, talvez, adiar ou minimizar as demissões.

LAY OFF – Uma suspensão temporária do contrato de trabalho de dois a cinco meses em que o funcionário deve participar de um curso de qualificação.

FLEXIBILIZAR O HORÁRIO E REDUZIR O SALÁRIO – Desde que acordado entre as partes, não onera o empregador, não dispensa o empregado e ainda há certa economia de gastos fixos na empresa, como água, luz e telefone. Pode ser feito em até 25%, uma vez que a empresa prove que está em um momento difícil, e por até três meses, segundo Lei Trabalhista.

BANCO DE HORAS – Desde que se tenha acordo com os sindicatos via convenção coletiva, é uma excelente alternativa, porque também dá a possibilidade de o funcionário resolver problemas, férias ou qualquer coisa que precise ou prefira.

ALIMENTO DIÁRIO

PROVÉRBIOS 13: 21-25

Pensando biblicamente

O JUSTO, EXCLUSIVAMENTE FELIZ

 

V21 – Observe aqui:

1. Quão inevitável é a destruição dos pecadores; a ira de Deus os persegue, e todos os terrores dessa ira; “o mal perseguirá aos pecadores”, onde quer que estejam, como o vingador de sangue perseguia o assassino; além disso, os pecadores não têm uma cidade de refúgio à qual possam fugir; eles tenta m escapar, mas é inútil. Aquele a quem Deus persegue, certamente será alcançado e destruído. Eles podem prosperar durante algum tempo, e sentir muita segurança, mas a sua perdição não dormita, a despeito do que tentem fazer.

2. Quão irrevogável é a felicidade dos santos; o Deus que não mente determinou que “os justos serão galardoados com o bem”. Eles serão abundantemente recompensa­ dos por todo o bem que fizeram, e por todo o mal que sofreram neste mundo; de modo que, embora muitos possam ter sido perdedores, por sua justiça. não serão perdedores por isto. Embora a recompensa não venha rapidamente, virá, no dia do pagamento, no mundo da retribuição; e será uma abundante recompensa.

 

V. 22 – Veja aqui:

1. Como dura a propriedade de um bom homem: “O homem de bem deixa urna herança aos filhos de seus filhos”. É parte do seu louvor o fato de que ele se preocupe com a sua descendência. que não gaste tudo consigo mesmo, mas se preocupe em fazer o bem para os que virão depois dele, não retendo mais do que é apropriado, mas o faça com urna frugalidade prudente e decente. Ele educa seus filhos para que também possam deixar a herança para seus filhos: e, em particular, é cuidadoso, tanto com justiça como com caridade, para obter a bênção de Deus sobre tudo o que tem, e em transmitir esta bênção a seus filhos, sem o que o maior esforço e frugalidade serão inúteis. O homem de bem, sendo bom e fazendo o bem, honrando o Senhor com a sua substância e gastando-a no seu ser viço, deixa urna herança aos filhos de seus filhos; ou, se não lhes deixar uma grande quantidade dos bens deste mundo, a suas orações, as suas instruções e o seu bom exemplo serão o melhor que poderá transmitir – as promessas do concerto serão uma herança para os filhos de seus filhos (Salmos 103.17).

2. Como ela aumenta, pelo acréscimo da riqueza do pecador, pois esta é depositada para o justo. Se perguntarmos: Como podem ficar tão ricos os homens bons, que não têm a mesma ansiedade que os outros com relação a este mundo, e que comumente sofrem para terem o seu próprio bem-estar? Aqui temos a resposta: Deus, na sua providência, frequentemente traz às mãos dos justos aquilo que os ímpios prepararam para si mesmos.

O inocente repartirá a prata (Jó 27.16,17). Os israelitas despojarão os egípcios (Êxodo 12.36) e comerão as riquezas das nações (Isaias 61.6).

 

V. 23 – Veja aqui:

1. Como uma pequena propriedade pode ser melhorada pelo empenho, de modo que um homem, ao tirar o máximo proveito de tudo, possa viver confortavelmente nela: “Abundância de mantimento há na lavoura do pobre”, que tem apenas um pouco, mas se esforça com aquele pouco e o administra bem. Muitos apresentam como uma desculpa para a sua ociosidade o fato de que têm muito pouco com que trabalhar, mas quanto menor o campo, mais devem ser empregados o talento e o esforço do proprietário, e isto terá um resultado excelente. Que escave, e não precisará mendigar.

2. Como uma grande propriedade pode ser arruinada pela imprudência: ”Alguns há que têm muito, mas se consomem por falta de juízo”, isto é, falta de prudência na administração do que têm. Os homens compram mais do que podem, recebem mais pessoas ou se alimentam melhor do que o seu dinheiro lhes permite, ou têm mais servos do que podem pagar, caindo em decadência sem poderem aproveitar ao máximo o que têm; ao tentarem juntar dinheiro para si mesmos, ou ao se endividarem com os outros, as suas propriedades são consumidas, e as suas famílias são reduzidas, e tudo isto ocorre por falta de juízo.

 

V. 24 – Observe:

1. Para a educação dos filhos, naquilo que é bom, é necessário corrigi-los devidamente, pelo que há de errado; cada filho nosso é um filho de Adão, e por isto tem em seu coração aquela loucura que exige repreensão, maior ou menor, a vara e a repreensão que dão sabedoria. Observe que é a sua vara que deve ser usada, a vara de um pai, orientada pela sabedoria e pelo amor, e destinada para o bem, e não a vara de um servo.

2. É bom começar cedo com as restrições necessárias aos filhos quanto àquilo que é mau, antes que os maus hábitos sejam confirmados. É mais fácil curvar o galho enquanto este é tenro.

3. Realmente odeiam seus filhos, ainda que pareçam gostar deles, os que não os mantêm sob uma rígida disciplina, e com todos os métodos apropriados, inclusive métodos severos (quando os gentis não surtem efeito, nem lhes fazem perceber seus erros), incutindo neles o temor à transgressão. Eles abandonam seus filhos ao seu pior inimigo, à mais perigosa doença e, por isto, os odeiam. Que isto reconcilie os filhos à correção que seus bons pais lhes dão: eles o fazem por amor, e para o bem deles (Hebreus 12.7-9).

 

V. 25 – Observe:

1. É a felicidade dos justos que eles tenham o suficiente e que saibam quando já estão satisfeitos. Eles não desejam ser saciados, mas, sendo moderados em seus desejos, logo ficam satisfeitos. A natureza se satisfaz com um pouco, e a graça, com ainda menos; o suficiente é tão bom como um banquete. Aqueles que se alimentam do pão da vida, que se banqueteiam com as promessas, encontrarão abundante satisfação da alma na expressão: come e sacia-te.

2. É a infelicidade dos ímpios que, pela insaciabilidade de seus próprios desejos, sempre passem necessidade; não somente as suas almas não ficarão satisfeitas com o mundo e a carne, mas até mesmo seu ventre terá necessidade; o seu apetite sensual sempre deseja algo. No inferno, lhes será negada urna gota de água.

PSICOLOGIA ANALÍTICA

A PSICOLOGIA DA MENTIRA

Artigo publicado na Appled Cognitive Psychology apresenta técnicas de interrogatório não violentas aplicadas por grupo de elite do governo americano.

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Um relatório do Comitê de Inteligência do Senado americano, revelou que dois psicólogos ajudaram a desenvolver métodos de “interrogatório forçado” da CIA. Eles recorreram à teoria de desamparo aprendido, do psicólogo Martin Seligman, para embasar práticas controversas, como afogamento simulado e privação de sono – algo que o próprio Seligman repudiou.

Além de moralmente condenáveis, técnicas que usam força e intimidação não funcionam. “As táticas mais eficazes dependem da cooperação, que pode ser facilitada por princípios da influência social, o que sabemos ser bastante efetivo”, diz o psicólogo Christian Meissner, da Universidade do Estado de Iowa, que estuda técnicas de inquérito.

Se respeitarem determinadas condições, sendo a principal “não causar sofrimento”, psicólogos podem auxiliar num interrogatório, segundo a Associação Americana de Psicologia (APA). Como, então, extrair uma confissão sem violência?

Em 2009, o presidente Barack Obama criou uma equipe de elite formada por psicólogos cognitivos e sociais, linguistas e outros especialistas, o Grupo de Interrogatório de Detentos de Alto Valor (HIG, na sigla em inglês). Meissner, que é líder do projeto, divulgou os resultados de suas experiências numa edição especial da Applied Cognitive Psychology. Não só é possível conduzir inquéritos respeitando a dignidade como sua eficácia é comprovada.

A seguir, algumas das estratégias usadas para identificar narrativas falsas e induzir uma pessoa a se expressar de forma mais honesta.

ESTIMULAR A COOPERAÇÃO.

De acordo com os pesquisadores, um investigador que demonstra empatia tem mais chances de sucesso que um que se apresenta de forma fria e acusatória. Muitas técnicas descritas no artigo dependem de uma postura solidária – de fato, é o começo. “A primeira coisa a fazer é desenvolver a cooperação do sus peito”, argumenta Meissner. Só depois disso, a pergunta é: “Como obter as informações possíveis e necessárias?”.

PREENCHER LACUNAS.

Falar sobre algo que a pessoa fez – e induzi-la a acreditar que a verdade já foi descoberta – é mais eficaz que questionamentos diretos. De acordo com Meissner, o interrogado tende a corrigir alguns pontos e a fornecer detalhes enquanto ouve a narração. A técnica chamada por especialistas de Scharff, em referência ao interrogador alemão da Segunda Guerra Mundial, demonstrou ser mais efetiva para obter dados do que perguntas. Pessoas interrogadas com o método costumam subestimar a quantidade de informações que estão revelando.

SURPREENDER.

A pessoa que está mentindo geralmente tende a antecipar as respostas. Além disso, a mentira demanda uma grande tensão cognitiva para sustentar a história de forma linear e manter o equilíbrio emocional. Uma pergunta totalmente inesperada pode, assim, confundir o interrogado e induzi-lo a entregar informações contraditórias.

PERGUNTAR A HISTÓRIA DE TRÁS PARA A FRENTE.

Ao contrário do que muitos imaginam, quem fala a verdade é mais propenso a adicionar detalhes e rever os fatos ao longo do tempo, enquanto os que mentem tendem a manter a mesma narrativa. “A inconsistência é um aspecto fundamental da memória”, diz Meissner. Os interrogadores usam uma técnica chamada por especialistas de cronologia reversa (em que a pessoa é solicitada a contar os eventos de trás para a frente) para tirar proveito dessa peculiaridade. A estratégia tem um efeito duplo: os que falam a verdade costumam se recordar mais facilmente – em outro estudo feito pelo HIG, o método ajudou a obter duas vezes mais detalhes do que o discurso tradicional. Para os que mentiam, porém, a cronologia reversa dificultou a narrativa; estes mostraram maior tendência a simplificar a história.

REVELAR AS EVIDÊNCIAS NO ÚLTIMO MOMENTO.

Pessoas que participaram de um estudo feito em março de 2015 se recusaram a falar quando confrontadas com provas potenciais de sua culpa logo no início da entrevista. Em geral, adotavam uma postura silenciosa e agressiva ou caíam no choro. Em vez de buscar desestruturar o suspeito, os pesquisadores recomendam o caminho do meio: aludir à prova sem fazer nenhuma acusação direta num primeiro momento (de forma a tentar angariar mais informações enquanto ele ainda não se sabe acusado) e revelar as evidências mais tarde.

OUTROS OLHARES

MENINAS PELO CLIMA

Aos 16 anos, a ativista sueca Greta Thunberg, indicada ao Nobel da Paz, lidera, em mais de 100 países um gigantesco movimento juvenil que exige atenção para o aquecimento global.

meninas pelo clima

Desde o dia 24 de agosto de 2018, toda tarde de sexta-feira, faça sol, chuva ou neve, a adolescente Greta Thunberg falta às aulas para sentar-se nas escadarias do Parlamento da Suécia segurando uma placa que diz: “Em greve escolar pelo clima”. Com seu ato de rebeldia, a menina discreta, de semblante sério e cabelo loiro preso em duas tranças, desencadeou uma espécie de desobediência civil entre jovens do mundo todo que se mobilizam em torno da questão das mudanças climáticas. Na maior e mais recente mostra da força de sua campanha, na sexta-feira, 15 de março, um exército juvenil convocado pelas redes sociais marchou em 1.769 cidades de 112 países para cobrar das autoridades maior atenção ao tema. Um dia antes, Greta, 16 anos, foi indicada pelo deputado socialista norueguês Freddy 0vstegârd ao Prêmio Nobel da Paz.

O interesse da garota pelas questões ambientais começou aos 9 anos, quando assistiu na escola a vídeos que discutiam os impactos do aquecimento global. O problema nunca mais lhe saiu da cabeça e praticamente moldou sua vida. Greta tornou-se vegetariana, plantou uma horta e abriu mão de viajar de avião, entre outras resoluções. A decisão de dar plantão no Parlamento surgiu no mais recente verão do Hemisfério Norte, quando o calor drástico castigou a população europeia. ”Vou fazer greve todas as sextas-feiras até que a Suécia esteja alinhada com o Acordo Climático de Paris”, anunciou ela, dando início ao movimento batizado de Sextas pelo Futuro. Para Greta, que sofre de síndrome· de Asperger (uma espécie de autismo) e passou por uma depressão aos 11 anos, o ativismo só traz benefícios. ”o mundo solitário continua em mim. Mas está diminuindo, e o mundo real está ficando maior”, diz.

Tamanha é a influência de Greta nas questões climáticas que em dezembro ela discursou na Conferência do Clima da ONU, na Polônia, e em janeiro fez uma apresentação no Fórum Econômico Mundial de Davos, na Suíça – onde deu bronca nos altos executivos da plateia, que a ouviram calados. Ao lado de Greta atua hoje uma novíssima geração de líderes ambientalistas que nada têm a ver com a turma das antigas, como o americano Al Gore. São adolescentes preocupadas com o próprio futuro, a exemplo das belgas Anuna de Wever, de17 anos, e Kyra Gantois, de 20, que acabam de lançar o livro Nós Somos o Clima; da britânica Anna Taylor, de 17; das australianas Harriet O’Shea Carre e Milou Albrecht, de 14; e da americana lsra Hirsi, de16 – todas organizadoras da marcha mundial em seu país. ”A história de Greta é simples e inspiradora. Faz com que outros jovens também se sintam transformadores”, diz Ilona Dougherty, da Universidade de Waterloo, no Canadá. O meio ambiente agradece.

GESTÃO E CARREIRA

SEM MEDO DO SUCESSO

Mais do que vontade, quem deseja empreender precisa estudar e planejar bem seus passos para minimizar os riscos e fazer valer o sonho e o investimento.

Business People Success Achievement City Concept

O brasileiro tem, naturalmente, um perfil inventivo, sonhador e empreendedor. Enxerga, por vezes, potencial em diversos processos e cria soluções a partir disso. E são muitos com esse perfil: um levantamento da Boa Vista – Serviço Central de Proteção ao Crédito (SCPC) aponta que o número de novas empresas cresceu 13,6% no Brasil em 2017 na comparação com o ano anterior.

É desejo da maioria ser dono do próprio negócio, seja por necessidade, oportunidade ou vontade. Mas, apesar disso, alguns receios ainda impedem mentes criativas de tirar o sonho do papel e concretizá-lo. No geral, o medo de empreender está diretamente ligado às incertezas do processo.

Segundo estudo organizado pelo Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), em parceria com a MindMiners, entre os medos mais recorrentes, ter de fechar a empresa porque ela “não deu certo” é um cenário que assusta 52% dos entrevistados; outros 38% temem não conseguir um investidor para ajudar a alavancar o negócio; e 21% têm medo de entrar em atrito com os sócios e/ou parceiros.

Para o consultor e sócio- presidente da baJStockler, Luís Henrique Stockler, esse receio faz parte e será continuo na vida das pessoas que desejam empreender. “Mais do que medo, é preciso ter determinação e acreditar, sem desistir quando há pedras no caminho. A vontade da realização deve superar qualquer entrave”, ressalta. “O que define o bom empreendedor é a capacidade de resiliência perante os resultados negativos peculiares ao processo. Falhar faz parte. Errar e aprender com o erro significa estar mais forte e preparado para acertar na próxima empreitada”, complementa o diretor do Instituto Gênesis da PUC-RIO, João Gabriel Hargreaves.

O diretor e fundador da Giuliana Flores. Clóvis Souza, que começou o negócio trabalhando terceirizado em uma loja vendendo flores e hoje conduz um negócio de sucesso, ressalta que resiliência e capacidade de adaptação devem ser os pontos fortes de quem deseja empreender. “Não desistir dos seus objetivos é o principal, mas saber mudar de ideia é igualmente fundamental – se não deu certo de um jeito, talvez o ideal seja mudar a estratégia. O importante é não desanimar e sempre se concentrar no seu objetivo”, indica.

ROTAS PARA O SUCESSO

A mentora e consultora Isabella Prata lembra que empreender uma ideia precisa de profunda pesquisa e análises quanto à demanda pelo que pensamos em desenvolver, o que diminuirá as chances de insucesso. “Costumo recomendar primeiro uma conexão com o mundo de hoje, para percebermos quem é o consumidor, o que as pessoas buscam nesse período de tantas mudanças globais que têm ocorrido. Essa conexão se dá por meio de absoluta atenção ao nosso entorno, do momento que acordamos até o momento que voltamos a dormir de noite observando as pessoas, os lugares, a cidade e a natureza, esteja você no trabalho, caminhando, fazendo uma refeição etc. É importante ler, pesquisar, conversar com as pessoas, acessar todas as mídias possíveis, exercitar a presença. ter foco e, principalmente, não se desconectar do seu próprio eu”, indica.

Vale lembrar que ser dono de um negócio não é, necessariamente, criar algo novo; é também poder inovar em modelos de empresas que já existem. “Talvez alguém já tenha aberto algo e busca um sócio que pode ser exatamente você, o seu perfil. Por isso, é importante estar antenado”, sugere Isabella.

João Hargreaves lembra ainda que o melhor modelo para investir depende do risco a ser assumido. “Franquias, por exemplo, têm menos risco do que um novo negócio. Em contrapartida, um novo negócio tem maior rentabilidade para o investidor caso seja um sucesso”.

O momento certo também está mais ligado à detecção de um negócio que seja escalável, com risco reduzido em função da situação vigente, do que ao desejo. “Empreendimentos de sucesso surgem e crescem quando resolvem problemas. Detectar um problema é o primeiro passo. Depois, desenvolver a solução para ele”, indica o diretor do Instituto Gênesis.

DIREÇÃO

Ser empreendedor necessita de uma série de conhecimentos que podem ser adquiridos na universidade, na experiência de trabalhos executados e, sem dúvida, ao colocar a mão na massa. Não existe uma receita para o sucesso. É possível, por exemplo, manter-se no emprego e empreender ao mesmo tempo ou mergulhar exclusivamente no negócio. Para o primeiro caso, é preciso dispor de um valor para viver pelo período todo a ser percorrido até começar a ter lucro com o seu empreendimento, que pode levar alguns meses ou até dois ou mais anos. Essa análise pode ser feita a partir de um bom planejamento que inclua questões financeiras e também a gestão de seu tempo.

Ao iniciar uma empreitada, é válido fazer um plano de negócios, verificando, primeiro, a região e nicho de mercado. Depois, verificar se possui habilidades para desenvolver a atividade empreendedora e senso de administração. Também verificar quanto vai gastar para deixar o empreendimento funcionando e ter uma reserva para capital de giro, pois, na maioria das vezes, o empreendimento demora para “se pagar” e dar retorno.

A gerente da unidade de Navegantes (SC) da Instituição Comunitária de Crédito para MPEs BluSol, Emely Juliana Bonacols, lembra que nenhum negócio vem com uma receita pronta de sucesso; mas existem caminhos mais fáceis. “É válido entender do negócio, ter afinidade com a atividade empreendedora que vai exercer, habilidades técnicas e sabedoria para administrar. Com isso, maiores são as chances de dar certo. A pessoa que empreender tem que ter paixão pelo que está fazendo, pois é muito difícil imaginar o sucesso sem que a pessoa goste do que faz”, conclui.

Segundo o dentista André Belz, que trocou a tradição familiar e a carreira de dentista para ser sócio- franqueador da rede de franquias de idiomas Rockfeller, para ter experiência, você precisa começar um dia. “Quanto mais jovem a pessoa, mais fácil e mais coragem ela possui para assumir alguns riscos. Penso que todos podem desenvolver habilidades necessárias para se tornar um líder e empreendedor. Desejo, foco e humildade são os pré-requisitos principais”, opina.

Com sua experiência de negócios, Belz conclui que só se perde o medo de empreender, empreendendo. “Obviamente que quanto mais bem planejado, mais segurança se tem. Obter também informações, estudar o mercado em que deseja atuar, imersões e conversas com quem já faz e que você admira lhe traz certo ânimo e confiança”, afirma.

Por isso, Luís Stockler afirma: não existe um momento certo para empreender – o que existe é planejar e acreditar, acima de tudo, independentemente de outras pessoas, além de botar a mão na massa: fazer e executar. “Empreender é transformar o sonho em realidade”, concorda Hargreaves.

A análise de todos os riscos possíveis e a antecipação são essenciais. “Falhar faz parte do processo. Errar e aprender com o erro significa estar mais forte e preparado para acertar na próxima empreitada”, ressalta o diretor do Gênesis.

O melhor negócio a se investir? Segundo Isabela, isso é muito relativo, pois vai depender das preferências, investimento disponível, análises de pesquisas e muito planejamento. Para tomar a decisão do caminho, é válido procurar especialistas que possam ajudar no estudo e plano deste negócio. “É fundamental um investimento antes, pois depois que começar, o relógio dos riscos já estará em andamento e o tempo correrá contra”, lembra.

ATENÇÃO REDOBRADA

Empreender é um desafio, e o sucesso do negócio está atrelado a uma série de fatores, inclusive a capacidade dos empreendedores em minimizar seus riscos, evitando certos erros ao longo do seu crescimento. Um dos grandes erros é que as pessoas não planejam e não conhecem de fato o negócio no qual elas estão investindo.

Na opinião de André Belz, existem negócios para diferentes tipos de pessoas. “Recomendo que seja algo com o qual a pessoa se identifique – não precisa ser exatamente do ramo, você não precisa ser cozinheiro para querer atuar com o ramo de alimentação, não precisa ser professor para atuar no ramo de educação -, mas em todos os exemplos precisa encontrar seu ponto em comum, nesses casos, por exemplo, vai tratar com pessoas, portanto é um fator considerado”, diz e complementa: “A pessoa precisa entender como os negócios funcionam para saber se quer mesmo fazer aquilo. Se for operar o negócio, mas não quer trabalhar no Natal e no Ano Novo, não pode ter uma loja ou um restaurante, por exemplo. Analisar as taxas de lucratividade, a suscetibilidade a crises, a origem das receitas (se são vendas únicas ou recorrentes através de planos de mensalidades), se há necessidade de ter estoque ou não, qual tipo de retorno financeiro a pessoa pretende ter, se ela pode ter mais unidades do negócio etc. são pontos importantes e que precisam ser avaliados”, analisa.

É muito comum também novos empreendedores não atentarem a todas as exigências de um plano de negócios, que não dão a devida atenção ao recrutamento de pessoal qualificado e que ignoram a gestão financeira nessa fase inicial.

Um plano de negócios completo e bem definido, uma equipe interdisciplinar e comprometida e uma boa gestão financeira podem ser os primeiros passos para o sucesso de um empreendimento. “É necessário ter muita consciência e estar absolutamente bem informado de tudo que se passa no mundo hoje e o que está por vir no futuro próximo. Se você não tem o hábito de pesquisar e estudar, é melhor começar logo. Também precisa estar preparado para eventualmente ter de trabalhar muito mais do que sempre trabalhou e correr tantos riscos que pode realmente não valer a pena”, indica a consultora e mentora Isabella Prata.

Conhecer os próprios medos e reconhecer o que pode ser prejudicial ajuda o empreendedor a buscar pessoas ou empresas para suprir essa defasagem. “Ninguém faz sucesso sozinho. Empreender é envolver e agregar pessoas em volta dele que o ajudem a vencer as dificuldades, superar o medo e chegar ao objetivo final”, diz Stockler.

Não planejar adequadamente e ter a expectativa errada quanto à atividade são os principais erros que podem prejudicar o negócio. Por essa razão é importante desenvolver um plano de negócios para saber quanto será necessário investir inicialmente, a necessidade para o capital de giro, ter a noção correta de tempo de retomo de investimento e conhecer o máximo possível a operação para depois não dizer “eu não sabia que era assim” ou “eu não sabia que tinha que fazer isso”.

Em caso de franquias, conheça bem as regras do jogo, o papel das partes, converse com franqueados da rede e estude os documentos como pré-contratos e contratos. ‘Todos têm chance de brilhar. O sucesso está intimamente ligado ao tanto de esforço e comprometimento que dedicamos ao que fazemos. Disciplina é importante para chegar a resultados, e planejamento é fundamental para ter clareza das estratégias e decisões a tomar”, conclui a gerente da BluSol.

PARA DRIBLAR O MEDO

  • Saber como funciona a parte tributária do seu negócio e contratar uma empresa de contabilidade com experiência.
  • Identificar quem será o público que comprará o seu produto.
  • Saber manter e aumentar o seu networking, porque ninguém faz nada sozinho.
  • Atentar para a meta de chegar ao ponto em que toda a equipe saiba claramente os valores da empresa.
  • O empresário precisa estar ciente de que o dinheiro da empresa não é dele, então é necessário saber separar o que é seu e o que é da empresa.
  • Pés no chão, amor aos colaboradores e clientes.

PARA SER EMPREENDEDOR, ALEM DE TER VONTADE E VISÃO DE NEGOCIOS, A PESSOA PRECISA:

  • Ser capaz de executar o que se propõe com muita vontade, determinação, competência e uma boa dose de ousadia.
  • Ter desempenho diferenciado dos profissionais comuns, de modo a se destacar facilmente em tudo que faz.
  • Não medir esforços para atingir seus objetivos.
  • Ser dotada de várias qualidades que a credencia para o sucesso.
  • Ser consciente de que só se chega lá à custa de muito trabalho e dedicação.

ALIMENTO DIÁRIO

PROVÉRBIOS 13: 15-20

Pensando biblicamente

O JUSTO, EXCLUSIVAMENTE FELIZ

 

 V. 15 – Se não compararmos somente o fim, mas também o caminho, perceberemos que a religião tem uma grande superioridade, pois:

1. O caminho dos santos é agradável: “O bom entendimento dá graça”, com Deus e com os homens; o nosso Salvador cresceu nessa graça. quando cresceu em sabedoria. Os que se comportam com prudência, e ordenam seu modo de vida corretamente, em todos os aspectos. que servem a Cristo em justiça, e paz, e alegria no Espírito Santo, são aceitos por Deus e aprovados pelos homens (Romanos 14.17,18). E com que consolação passa pelo mundo o homem que é bem compreendido e, por isto, é bem aceito!

2. “O caminho dos prevaricadores é áspero” e difícil, e por este motivo, desagradável para eles mesmos, porque é inaceitável para os outros. É difícil para os outros, que se queixam dele, é difícil para o próprio pecador; que pode ter pouco prazer enquanto está fazendo aquilo que é desagradável para toda a humanidade. Servir ao pecado é uma perfeita escravidão, e o caminho para o inferno é repleto de espinhos e cardos que são os produtos da maldição. Os pecadores se esforçam em meio ao próprio fogo.

 

V. 16 – Observe:

1. É sensato ser cauteloso. Todo prudente age com conhecimento (considerando consigo mesmo e consultando outras pessoas), age com deliberação e reserva, é cuidadoso para não se envolver com aquilo de que não tem conhecimento, não se envolver com negócios com que não tem familiaridade, não lidar com aqueles a quem não conhece, e não sabe se são de confiança. Ele age com conhecimento para que possa aumentar o que tem.

2. É loucura ser impulsivo, como é o tolo, que é rápido em falar sobre as coisas das quais nada conhece e se envolver naquilo para o que não está preparado, e assim espraia a sua loucura e se faz ridículo. Ele começou a edificar e não pôde acabar.

 

V. 17 – Aqui temos:

1. As más consequências de trair uma confiança. Um mau mensageiro, que, sendo enviado para negociar alguma coisa, é infiel ao que o empregou. divulgando os seus conselhos, e assim derrotando os seus desígnios, não pode esperar prosperar, mas certamente cairá no mal, de um ou de outro tipo, será descoberto e punido, uma vez que nada é mais odioso para Deus e os homens do que a traição daqueles em quem se depositou confiança.

2. Os felizes resultados da fidelidade: o embaixador fiel, que desempenha fielmente a sua função e que serve aos interesses dos que o empregaram, é saúde; é saúde para aqueles pelos quais e para os quais é empregado; ele cura as diferenças que há entre eles, e preserva um bom entendimento; é saúde para si mesmo, pois protege os seus próprios interesses. Isto se aplica a ministros, os mensageiros e embaixadores de Cristo; os que são ímpios e falsos com Cristo e com as almas dos homens, realizam maldades e caem no mal; mas os que são fiéis encontrarão palavras confiáveis que serão palavras de cura para si mesmos, e também para os outros.

 

V. 18 – Observe:

1. Aquele que é tão orgulhoso a ponto de desprezar o ensinamento, certamente será humilhado. “Pobreza e afronta virão ao que rejeita a correção”, ao que recusa uma boa instrução, como se isto fosse uma diminuição para a sua honra e uma humilhação para a sua liberdade; ele se tornará um mendigo e viverá e morrerá em desgraça; todos o desprezarão, como tolo. e teimoso, e irrecuperável.

2. Aquele que é tão humilde, a ponto de aceitar que lhe chamem a atenção para suas falhas, certamente será exaltado: o que guarda a repreensão, independentemente de quem a faz, e corrige o que está errado, quando isto lhe é demonstrado, será venerado, como alguém sábio e sincero: ele evita aquilo que seria uma desgraça para ele. e está no caminho correto para obter consideração.

 

V.  19 – Este verso mostra a loucura dos que recusam a instrução, pois poderiam ser felizes, mas não serão.

1. Eles poderiam ser felizes. Há, no homem, fortes desejos de felicidade; Deus fez provisões para o cumprimento desses desejos, e isto deve ser um deleite para a alma, ao passo que os prazeres dos sentidos só são agradáveis aos apetites carnais. O desejo que têm os homens bons da benevolência de Deus e das bênçãos espirituais traz aquilo que é um deleite para as suas almas; nós conhecemos os que podem dizer isto por experiência (Salmos 4.6,7).

2. Mas não serão felizes; pois para eles, é uma abominação apartar-se do mal, o que é necessário para que sejam felizes. Nunca devem esperar alguma coisa verdadeira­ mente doce para suas almas os que não desejam ser per­ suadidos a deixar os seus pecados, mas que os guardam debaixo de suas línguas como um doce.

 

V.  20 – Observe:

1. Os que desejam ser bons devem ter boas companhias, o que é uma evidência, a seu favor, de que desejam ser bons (o caráter do homem é conhecido pelas companhias que ele escolhe), e será um meio para torná­ los bons, de mostrar-lhes o caminho e de incentivá-los a percorrê-lo. Aquele que deseja ser sábio deve andar com os que são sábios, deve escolhê-los como seus amigos íntimos e conviver com eles de maneira apropriada; deve pedir e receber instruções deles, e conservar diálogos piedosos e proveitosos com eles. “Não rejeite o ensinamento dos anciãos, porque eles também aprenderam dos próprios pais” (Eclesiástico 8.9). E, “escute de boa vontade toda palavra divina, e não se descuide das máximas sábias” (Eclesiástico 6.35).

2. Multidões são destruídas por más companhias: “O companheiro dos tolos será afligido”, se tornará mau (segundo alguns), será conhecido (segundo a Septuaginta), conhecido como um tolo; ele é conhecido por suas companhias. Ele será como eles (segundo alguns), se tornará ímpio (segundo outros); tudo isto acaba significando a mesma coisa, pois todos aqueles, e somente aqueles, que se tornam ímpios serão destruídos, e os que se associam com malfeitores são corrompidos, e assim, destruídos, e por fim a sua morte é atribuída a isto.

PSICOLOGIA ANALÍTICA

IMAGINAÇÃO TURBINADA

o universo fantástico dos heróis das histórias em quadrinhos nos ajuda a entender a capacidade do cérebro de apreender informações e fazer distinções entre elas.

Imaginação turbinada

“Universos inteiros cabem confortavelmente dentro do crânio. Não apenas um ou dois, mas infinitos mundos podem ser acomodados nesse osso oco, escuro e molhado sem quebrá-lo”, disse o escritor de histórias em quadrinhos escocês Grant Morrison. De fato. Personagens de quadrinhos vivem numa espécie de realidade ampliada, um lugar onde é possível transcender nossas capacidades naturais. Quem já esteve num evento de cosplay certamente encontrou pela frente zumbis, personagens de mangá e diversos vilões e heróis. Há alguns meses, vários desses apaixonados por esse mundo de fantasia transpiravam sob a maquiagem no clima quente do verão do Arizona enquanto caminhavam pela convenção Phoenix Comicon. Nos quatro andares dessa imensa estrutura, que se espalha pelo espaço subterrâneo de vários quarteirões da cidade, estavam demônios carregando arcos, martelos medievais e sabres de luz.

Nem sempre, porém, nos damos conta de que as histórias dos super-heróis dizem respeito a dramas humanos em larga escala: o Super-Homem voa para resgatar o planeta de um fim trágico. O Homem-Aranha escala edifícios para escapar de vilões. E, nós, reles mortais, temos um poder do qual nem sempre nos damos conta: um sistema nervoso que oferece, entre tantas outras coisas, muitas maneiras de participar desse universo fantástico. Nossos olhos podem captar em abundância cores, luzes e movimentos, traduzidos pelo cérebro como algo inteligível. Os sistemas perceptual e cognitivo dependem em grande parte da busca, da identificação e do destaque de contrastes – um princípio também fundamental para histórias em quadrinhos, que utilizam como tema central a luta do bem contra o mal.

O ganhador do Nobel de fisiologia Haldan Keffer Hartline, da Universidade Rockefeller, identificou essa capacidade do cérebro nas células nervosas da retina, que reveste a superfkie interior dos olhos humanos. Ele observou que a excitação de um neurônio leva à inibição de outros ao redor com os quais compete. Ou seja: resposta neural mais intensa a estímulos visuais anda de mãos dadas com o bloqueio de impulsos antagonistas próximos. Hartline chamou essa atividade de “inibição lateral”.

O processo de excitação versus inibição amplia os contornos de objetos enquanto os comparara. Cálculos similares operam na parte exterior do sistema visual com o objetivo de alcançar praticamente todas as áreas cerebrais. A inibição lateral também pode desempenhar um papel na forma como comparamos ideias e argumentos. É provável que distinguir o mundo (aumentando as diferenças entre as coisas)

seja uma “obrigação neural”. Não somos capazes de perceber vermelho-esverdeado ou amarelo-azulado, por exemplo, porque as cores correspondentes são processadas como tipos opostos de informação pelos neurônios visuais. São como óleo e água para a mente. No salão de exposição da Phoenix Comicon, um dos nossos criadores de quadrinhos favorito, Dennis Calero, afirmou que a gestão de dualidades também é crucial para histórias de super-heróis. É comum encontrar protagonistas com personas opostas: os leitores geralmente se identificam com Clark Kent e Peter Parker em vez de Super-Homem e Homem-Aranha. E a figura do vilão tem o mesmo peso. Sem uma mente maligna convincente, as histórias fracassam. A oposição entre luz e trevas dá forma à narrativa.

As imagens a seguir brincam com a ideia de heróis e superpoderes. Desafiam nossos circuitos visuais e cognitivos para classificar figuras como possíveis versus impossíveis. A ambiguidade inerente à percepção visual que você está prestes a conhecer torna essa tarefa digna do Homem de Aço.

Imaginação turbinada. 2 CAMUFLAGEM DE CAMALEÃO

O artista chinês Liu Bolin (acima), usa seu corpo como tela para desaparecer. Ele e sua equipe chegam a passar dias se preparando para uma sessão de fotos. Bolin já se misturou com grandes construções históricas, livrarias e até com uma escavadeira com a mesma facilidade de transformação da metamorfo Megan Morse, da publicação Teen Titans, que pode controlar sua estrutura molecular para se esconder em qualquer ambiente. E enquanto ele se esconde, nossos olhos se esforçam para encontrar o artista. A pintura reduz o contraste entre as extremidades de seu corpo e o fundo, subvertendo os princípios de inibição lateral que nos ajudam a encontrar os contornos das outras imagens.

Imaginação turbinada. 3 A MENINA QUASE INVISÍVEL

Sue Richards, também conhecida como a Mulher Invisível do famoso Quarteto Fantástico, pode manipular ondas de luz para desaparecer. Essa imagem produzida pela fotógrafa Laura Williams, de 21 anos, moradora de Cambridge, na Inglaterra, é fantástica. À primeira vista, o cérebro não hesita em perceber a garota como parcialmente invisível, em vez de concluir que, indubitavelmente, o cenário é impossível.

Todos temos modelos mentais do corpo humano, por isso podemos deduzir que ela está sentada atrás do espelho – e não que seja uma cabeça sem corpo, apenas com os membros. No entanto, a capacidade do sistema visual de vincular a paisagem do fundo da imagem com o interior do espelho (que obviamente reflete o que está na frente, e não atrás) é ainda mais poderosa do que os esquemas corporais do cérebro. Este tipo de costura perceptual, que a Gestalt, ou psicologia da forma, de origem alemã, chama de “lei da boa continuação”, supera as hipóteses mentais sobre a forma do corpo humano. Como resultado, num primeiro momento imaginamos uma menina parcialmente invisível sentada atrás de uma moldura vazia em vez de percebermos a paisagem refletida.

Imaginação turbinada. 4

TEIA DE ENGANOS

Distinguir um herói de um vilão pode ser uma questão de perspectiva. Na imagem do mestre da arte 3D Kurt Wenner, exibida na Universal Studios do Japão para comemorar seu 10º aniversário em 2011, apenas quem observa de determinado ângulo (muito parecido com o seu ponto de vista enquanto lê este post) consegue ver o Homem-Aranha entre os prédios de Nova York se preparando para disparar teias na direção do equilibrista. Da perspectiva de quem anda na armação de fios é possível enxergar o super-herói como realmente é: uma enorme pintura no chão. A ilusão, chamada de pintura anamórfica, aproveita a maneira como o sistema visual usa pistas, como sombreamento, perspectiva e tamanho relativo dos objetos, para produzir a percepção da distância, forma e profundidade.

Imaginação turbinada. 5

SUPERPAI

A fotógrafa italiana Giulia Pex tem uma série de imagens chamada Pai, você é meu super-herói favorito, que combina desenhos, ilustrações e fotografias para mostrar a maneira como ela enxerga os superpoderes paternos. Os artistas sabem que linhas num desenho ou numa pintura servem como atalhos visuais para o contorno de um objeto e que os percebemos por meio da inibição lateral. Além disso, neurônios nos primeiros estágios do processamento visual não são capazes de distinguir entre uma forma sólida e um quadro vazio. Como resultado, os olhos aceitam facilmente desenhos feitos com traços, mesmo quando são oferecidas apenas as bordas. De fato, o esforço extra necessário para interpretar a imagem pode tornar esse tipo de figura até mais atraente para o sistema visual, fazendo com que nossa atenção seja capturada por um longo tempo. Aqui, Giulia Pex engana nossos neurônios estimulando-os com linhas: elas formam o desenho de uma capa com detalhes suficientes para nos fazer enxergar o status de super-herói de seu pai.

Imaginação turbinada. 6

SUBINDO PELAS PAREDES

A instalação interativa Bâtiment, do artista Leandro Erlich, exibida na edição de 2004 do festival La Nuit Blanche, em Paris, é composta de uma detalhada fachada que fica no chão. Com um grande espelho angular à frente, a face do prédio é refletida na vertical, assim como os visitantes, que podem fazer poses, parecendo estar pendurados às janelas com os dedos ou escalar paredes ao estilo do Homem-Aranha. Similar ao mural de Wenner, essa ilusão tem a ver com a perspectiva, o que permite aos visitantes uma experiência assustadora e impossível.

OUTROS OLHARES

LOROTA LUCRATIVA

Propaganda da Empiricus, empresa de análise de investimentos, vira fenômeno no YouTube graças a uma papagaiada mentirosa da agora famosa Bettina.

Lorota lucrativa. 2

Poucos conseguiram passar os últimos dias alheios a Bettina Rudolph. Ela apareceu antes dos gols da rodada, de episódios antigos de novelas, até da Galinha Pintadinha, e virou um fenômeno do YouTube. Na manhã da terça-feira 12, a jovem administradora deu o primeiro passo para ficar conhecida ao dizer orgulhosamente para a câmera que havia se tomado milionária aos 22 anos de idade. “Comecei com 19 anos e 1.520 reais. Três anos depois, tenho mais de 1 milhão. Simples assim”, ela afirma, no vídeo, e explica seu método: “Eu comprei ações na Bolsa de Valores”. Bettina não é uma atriz lendo um roteiro de ficção. Ela trabalha como redatora publicitária na Empiricus, empresa que vende análises de investimento. Visto mais de 20 milhões de vezes, o vídeo provocou incredulidade óbvia, reações raivosas contra a jovem, debates sobre machismo, memes para todos os gostos, um funk em sua homenagem, uma notificação do Procon à Empiricus e também a ilusão da riqueza fácil em 1,1milhão de pessoas. E o número de interessados que se cadastraram no site da Empiricus na última semana sonhando enriquecer como Bettina.

O problema é que, como a própria Bettina admitiu depois que o assunto explodiu nas redes sociais, a conta dos 1.042.000 reais inclui muito mais do que um investimento certeiro em ações: ela economiza metade do salário todos os meses e 100% dos bônus anuais que recebe no emprego. Além disso, ganhou 35.000 reais do pai (que também pagava suas contas) e junta outras fontes de renda não esclarecidas, que usou ao longo desse período em novos aportes. ”Tanto no Japão quanto nos Estados Unidos, um caso como esse seria passível, no mínimo, de revogação da licença da empresa”, afirma Alexandre Kawakami, advogado especialista em mercado de capitais e compliance, referindo-se à papagaiada promovida pela Empiricus. A Bolsa de Valores de São Paulo vive um ótimo momento. Na segunda-feira 18, o Índice Bovespa, que reúne as ações negociadas no pregão, atingiu a inédita marca de 100.000 pontos. A boa fase atrai a atenção de milhares de brasileiros que nunca investiram na vida, interessados em aumentar os rendimentos com a compra e a venda de ações. A B3 (nome oficial da bolsa) terminou 2018 com mais de 813.000 pessoas autorizadas a negociar no pregão, uma elevação de 31% em relação ao ano anterior. Só nos primeiros dois meses de 2019, esse número já pulou para 920.000. É gente que está arriscando uma parte de seu patrimônio e tem direito a uma informação confiável e segura.

A Empiricus é uma entre várias empresas que auxiliam potenciais investidores a compreender o funcionamento do mercado de ações – e fazem indicações de papéis que podem, no seu entender, trazer rendimentos a quem apostar neles. Trata-se de um negócio legítimo que, para se manter idôneo, precisa de regras, como qualquer ramo empresarial. E a Empiricus faz o que pode para burlar essas regras. ”A CVM (Comissão de Valores Mobiliários, órgão regulador do mercado) pode aplicar diversas penas pelo descumprimento de suas normas, que vão de simples advertências a multas de até 50 milhões de reais”, explica Otavio Yazbek, ex-diretor da CVM.

Fundada há dez anos por Felipe Miranda e três amigos, a Empiricus nasceu oficialmente como uma casa de análise de investimentos. Em 2017, justamente por causa de suas propagandas enganosas, Miranda mais dois de seus principais analistas foram suspensos pela Apimec, entidade que autorregula o trabalho de analistas e profissionais de investimento. Em vez de corrigir seu comportamento, o fundador mudou o objeto social da companhia e ela passou a ser uma ”empresa de comunicação”, que produz conteúdo de orientação em investimentos para 350.000 assinantes. Com a alteração, a empresa entrou com uma liminar para dar baixa em seu registro na CVM – e assim ficar livre da fiscalização do órgão. A medida, considerada uma manobra para burlar a fiscalização, foi derrubada nos tribunais em dezembro de 2018, mas ainda não há decisão final. Enquanto o caso não se encerra, a CVM aguarda para tomar qualquer atitude, pois, afinal, a Empiricus se desfiliou de seus quadros. O Conar, que regulamenta a atividade publicitária, não instalou processo contra o anúncio. Miranda afirma que não respeita a CVM como órgão regulador e que submeter seus relatórios ao crivo da instituição, como toda empresa de análise de investimentos é obrigada a fazer, seria “censura”. Verdade seja dita, nem a CVM atuou com rigor no caso: a Empiricus responde a quinze procedimentos da época em que ainda era filiada – nenhum resultou em punição.

Felipe Miranda nega que Bettina esteja mentindo na propaganda. “Fazemos um marketing histriônico, exagerado, mas nunca mentiroso”, diz. Ele acredita que, se campanhas de cerveja podem mostrar mulheres de biquíni quando se abre uma latinha, a Empiricus pode prometer ganhos irreais. Miranda está feliz com a repercussão do vídeo. Só teme pela segurança de Bettina, a quem recomendou que passe um tempo em casa e ofereceu guarda-costas. Enquanto as autoridades seguirem ignorando o caso, Miranda continuará enriquecendo – mesmo que não invista real em ações.

Lorota Lucrativa

Assista ao famoso vídeo sobre o investimento de Bettina.

https://www.youtube.com/watch?v=ugQtUDRtkAk

GESTÃO E CARREIRA

NÃO SEJA CRIATIVO

“O importante é não parar de questionar. A curiosidade tem sua própria razão de existir”.  Albert Einstein

Não seja criativo

Este é um artigo da série sobre criatividade e neste post ficamos de conversar sobre mindset.

Este termo quer dizer configuração neural. A tradução literal do inglês para o português é mentalidade. Aqui estou falando sobre mindset para a criatividade, ou seja, o quanto sua mentalidade está disposta a criar.

No ambiente dos negócios, criatividade diz respeito a ter novas ideias, novas formas de fazer ou de gerir e pode significar não só a sobrevivência, como o protagonismo da empresa em relação aos seus resultados no mercado.

Configurar uma nova mentalidade significa racionalizar como ações levam a resultados e mudar primeiro o modo de pensar, para mudar o modo de agir. Configurar mentalidade para a criatividade significa entender que todo ser humano pode ser criativo – se quiser – já que criatividade se trata de uma habilidade e todas as habilidades podem ser desenvolvidas pelo humano, repetindo, se ele quiser.

Antes de falar mais sobre mindset, vou falar como não ser criativo. Se bem que, entender o que não funciona também ajuda a configurar a mente. É fato que inúmeros fatores no ambiente atrapalham o desenvolvimento da criatividade, mas hoje vamos conversar apenas sobre o que está no seu controle direto: a sua mentalidade, independentemente do contexto.

Então fique atento em como não ser criativo:

PREOCUPE-SE COM AS CRÍTICAS:

Um dos fatores que mais prejudicam o início do processo criativo é quando você se preocupa demais com o que vão dizer sobre as suas ideias e por vezes chega até a se intimidar em expô-las. Não funciona. Linus Pauling – um grande criativo, ganhador de um prêmio Nobel na área de química na década de 1950 – já dizia que para ter uma boa ideia, tem que ter muitas e também jogar muitas fora. Fale, exponha, arrisque-se. Não tenha vergonha de criar.

SINTA-SE CONFORTÁVEL:

Acreditar que já chegou ao resultado ótimo é um dos fatores que mais atrapalham ter novas ideias. Criatividade pressupõe inquietação, movimentação, insatisfação. A pessoa criativa não se acomoda. Olhe para as ideias com generosidade, mas com desafio. Será que algo pode ser feito ainda melhor?

PREOCUPE-SE (DEMASIADAMENTE) COM AS REGRAS:

Todas as grandes criações que mudaram o mundo precisaram romper algum tipo de regra. A regra tem a intenção linda de organizar. Quando ela ultrapassa essa intenção e começa a enrijecer, é hora de conseguir ver através da regra e questioná-la. Tente, negocie, proponha novas regras. Questione.

TENHA PRESSA:

O cérebro é uma máquina intrigante! Ele funciona analogicamente a um fogão a lenha: precisa aquecer. Para ter uma boa ideia, pare um pouco e entenda que você precisa engolir a pergunta para o cérebro lhe dar a resposta.

Então faça-se a pergunta e desfoque, dê um tempo. Vá ler outras coisas. Vá fazer outras coisas. Vá limpar algo, correr, andar de bicicleta. Até ir dormir vale. Mas dê um tempo interno para o desafio. O que vem de resposta não é “Eureka!”, as grandes ideias não são brilhantes, incríveis e “do nada”. Grandes ideias são resultado de toda a lenha que você pacientemente disponibiliza ao fogão.

Sim, a pessoa criativa é um pouco pentelha. Um pouco bagunçada. Bastante questionadora. Ela é curiosa, flexível, autoconfiante, otimista. É bem isso mesmo. Seja bem-vindo! Então, para começar a configurar o seu mindset para ser uma pessoa cada vez mais criativa, comece eliminando os pressupostos e, antes de se configurar para ser, evite fazer aquilo que atrapalha ser.

 

CECÍLIA BETTERO – é administradora, empresária em consultoria e treinamento gerencial. Pesquisadora na área de criatividade, mestranda em ciências da comunicação na Universidade Fernando Pessoa em Portugal – w.w.w.ceciliabettero.com.br

ALIMENTO DIÁRIO

PROVÉRBIOS 13: 5-14

Pensando biblicamente

O JUSTO, EXCLUSIVAMENTE FELIZ

 

V. 5 – Observe:

1. Onde reina a graça, o pecado é odioso. É o caráter inequívoco de todo homem justo o fato de que ele detesta a mentira (isto é, todo pecado, pois cada pecado é uma mentira, e particularmente toda fraude e falsidade nos negócios e no convívio), não somente pelo fato de que ele não dirá uma mentira, mas porque ele abomina a mentira, por um princípio reinante e enraizado de amor à verdade e à justiça, e de conformidade com Deus.

2. Onde reina o pecado, o homem é odioso. Se os seus olhos estivessem abertos e a sua consciência desperta, ele odiaria a si mesmo e se arrependeria, no pó e na cinza; no entanto, ele odeia a Deus e aos homens bons; e, em particular, é a mentira que o torna assim, e não há nada que seja mais detestável do que ela. E, ainda que ele possa pensar em abandoná-la, por algum tempo, ainda assim ele será dominado pela vergonha e pelo desprezo, no final, e enrubescerá ao mostrar seu rosto (Daniel 12.2).

 

V6 – Veja aqui:

1. Os santos protegidos da destruição. ”A justiça guarda ao que é sincero no seu caminho”, que tem intenções honestas em todos os seus atos, que adere conscientemente às regras sagradas e eternas da equidade, e que lida com sinceridade com Deus e também o homem. A sua integridade o guardará das tentações de Satanás, que não prevalecerá sobre ele; e das ofensas dos homens maus, que não o atingirão para lhes fazer nenhum dano real (Salmos 25.21).

2. A ruína assegurada para os pecadores. Em relação aos que são ímpios, até mesmo a sua iniquidade será destruída, no final, e eles ficam à mercê dela, enquanto isto não acontece. Eles são corrigidos, destruídos? É a sua própria iniquidade que os corrige, que os destrói; e eles a suportarão.

 

V. 7 – Esta observação é aplicável:

I – Às propriedades materiais dos homens. O mundo é um grande enga­ no, não somente as coisas do mundo, mas os homens do mundo. Todos os homens são mentirosos. Aqui está um exemplo em dois terríveis males, sob o sol:

11. “Há quem se faça rico, não tendo coisa nenhuma”; estes compram e gastam corno se fossem ricos, fazem grande alvoroço e exibição corno se tivessem tesouros escondidos, quando, talvez, se todas as suas dívidas fossem pagas, não valeriam um centavo. Isto é pecado, e será urna vergonha; muitos arruínam assim as suas famílias e trazem vergonha à sua profissão de religião. Os que vivem acima do que têm preferem estar sujeitos à sua própria soberba, e não à providência de Deus; eles terminarão de urna maneira condizente com os seus atos.

2. E “há quem se faça pobre, tendo grande riqueza”; estas pessoas são consideradas pobres, porque vivem sordidamente e mesquinhamente abaixo do que Deus lhes deu, e preferem enterrá-lo, em lugar de usá-lo (Eclesiastes 6.1,2). Nesta atitude há urna ingratidão para com Deus. urna injustiça para com a família e os próximos, e falta de caridade para com os pobres.

 

II – Aos seus bens espirituais. A graça é a riqueza da alma; a verdadeira riqueza; mas os homens normalmente a deturpam, seja intencionalmente ou por engano, devido à ignorância sobre si mesmos.

1. Há muitos que são hipócritas declarados, que são realmente pobres e vazios de graça, e ainda assim se julgam ricos, e não se convencerão da sua pobreza, ou se fingirão de ricos, e não reconhecerão a sua pobreza.

2. Há muitos cristãos temerosos, que são espiritualmente ricos, e cheios de graça, e ainda assim se consideram pobres, e não se deixarão persuadir de que são ricos, ou, pelo menos, não o reconhecerão; por suas dúvidas e temores, suas queixas e lamentações, se tornam pobres. O primeiro engano destrói no final; este é um fato perturbador durante a vida do homem.

 

V. 8 – Nós somos propensos a julgar a bem-aventurança dos homens, pelo menos neste mundo, por suas riquezas, e que eles são mais ou menos felizes, conforme possuam uma maior ou menor quantidade dos bens neste mundo; mas aqui, Salomão nos mostra que grave engano é este, indicando que podemos ser reconciliados com uma condição ele pobreza e não ambicionar ou invejar os que têm abundância.

1. Aqueles que são ricos podem ser respeitados por alguns por causa de suas riquezas; para equilibrar tal fato, é importante mencionar que são invejados por outros, e atacados, e suas vielas correm perigo; assim, eles precisam resgatá-las com as suas riquezas. “Não nos mates a nós; porque temos no campo tesouros escondidos” (Jeremias 41.8). Sob o governo de alguns tiranos, ser rico já seria crime suficiente; e quão pouco um homem deve ser agradecido à sua riqueza, quando ela serve somente para redimir aquela viela que, ele outra maneira, não teria sido exposta!

2. Se aqueles que são pobres forem desprezados e ignorados por alguns que deveriam ser seus amigos, ainda assim, para contrabalançar isto, serão também desprezados e ignorados por outros , que seriam os seus inimigos, se tivessem algo a perder: “O pobre não ouve as ameaças”, não é censura­ do, repreendido, acusado, nem se mete em dificuldades, como os ricos; pois ninguém pensa que vale a pena notá­los. Quando os judeus ricos foram levados cativos à Babilônia, os pobres da terra ficaram para trás (2 Reis 25.12). Não produziam nada, a cada sete anos.

 

V9 – Aqui temos:

1. A consolação dos homens bons – próspera e duradoura: ”A luz dos justos alegra”, isto é, aumenta e lhes traz felicidade. Mesmo a sua prosperidade exterior é sua alegria, e muito mais os dons, graças e consolações, com que suas almas são iluminadas: elas brilham, cada vez mais (Provérbios 4.18). O Espírito é sua luz, e lhes traz uma plenitude de alegria, e se alegra por fazer­ lhes o bem.

2. A consolação dos homens maus murcha e morre: ”A candeia dos ímpios se apagará”, melancólica, como uma vela em um jarro, e logo os tais estarão em completa escuridão (Isaias 50.11). A luz dos justos é como a do sol, que pode ser eclipsada e encoberta por nuvens, mas continuará; a dos ímpios é como um fogo que eles mesmos acenderam, e que imediatamente será apagado; ele é facilmente extinto.

 

V10 – Observe:

1. “Da soberba só provém a contenda”. Você deseja saber donde vêm as guerras e pelejas? Elas se originam desta raiz de amargura. Qualquer que seja o peso que outros desejos tenham nas contendas (paixão, inveja, cobiça), a soberba tem mais peso; é a soberba que semeia discórdia e não precisa de ajuda. A soberba torna o homem impaciente na contradição de suas opiniões ou de seus desejos, impaciente com a competição e a rivalidade, impaciente pelo desprezo, ou qualquer coisa que pareça indiferença, e impaciente com concessões, por causa de um convencimento de certo direito e verdade de sua parte; e consequentemente surgem contendas entre parentes e vizinhos, contendas em estados e reinos, em igrejas e sociedades cristãs. Os homens se vingarão, não perdoarão, porque são soberbos.

2. Os que são humildes e pacíficos são sábios e bem aconselhados. Os que pedem conselhos, e os aceitam, que consultam suas próprias consciências, suas Bíblias, seus ministros, seus amigos, e não fazem nada de uma forma impensada são sábios, tanto em outras situações como nesta, porque se humilham, se curvam e cedem, para preservar a tranquilidade e evitar contendas.

 

V. 11 – Isto mostra que os ricos vestem o que ganham.

1. Aquilo que é obtido de maneira ilícita nunca será bem usado, pois o acompanha uma maldição que o desgastará, e as mesmas disposições corruptas que predispõem os homens às maneiras pecaminosas de obtê-los os predispõem às maneiras igualmente pecaminosas de gastar: ”A fazenda que procede da vaidade diminuirá”. Aquilo que é obtido com esquemas como estes não é lícito, nem convém aos cristãos, pois somente servem para alimentar a soberba e a luxúria; aquilo que é obtido com jogos de azar pode ser considerado como obtido da vaidade tão verdadeiramente como o que é obtido por meio de mentiras e fraudes, e sendo assim diminuirá. A riqueza obtida ilicitamente dificilmente será desfrutada pela terceira geração.

2. Aquilo que é obtido pelo trabalho e com honestidade terá aumento, em lugar de diminuir: será um sustento, será uma herança; será uma abundância. Aquele que se esforça, trabalhando com as suas mãos, aumentará tanto o que tem a ponto de ter o que repartir com o que tiver necessidade (Efésios 4.28); e, quando for este o caso, o que ele tem aumentará cada vez mais.

 

V. 12 – Observe:

1. Nada é mais angustiante do que o desapontamento de uma expectativa, ainda que não pela coisa em si mesma, por uma negativa, mas no tempo da sua realização, por uma demora: ”A esperança demorada enfraquece o coração”, tornando-o debilitado, impaciente e irritado; mas a esperança destruída mata o coração, e quanto mais intensa a expectativa, mais dolorosa a frustração. É, portanto, sensato que não nos prometamos grandes coisas das criaturas, nem nos alimentemos com quaisquer vãs esperanças deste mundo, para que não sejamos vítimas da nossa própria frustração; devemos nos preparar para nos desapontarmos com aquilo que esperamos, para que a frustração seja mais fácil de ser suportada, e não devemos ser precipitados.

2. Nada é mais agradável do que desfrutar, por fim, daquilo que desejamos e esperamos por muito tempo: o desejo chegado coloca o homem em um tipo de paraíso, um jardim de prazer, pois é árvore de vida. A infelicidade eterna dos ímpios será agravada por suas esperanças frustradas; e a felicidade do céu será mais bem-vinda aos santos, tendo em vista que eles a desejaram longamente e fervorosamente, como a coroa de suas esperanças.

 

V. 13 – Aqui temos:

1. O caráter de alguém que está destinado à ruína: O que despreza a Palavra de Deus, e não tem consideração nem veneração por ela, nem se permite ser governado por ela, certamente perecerá, pois despreza aquilo que é o único meio de curar uma doença destrutiva, tornando-se odioso para aquela ira divina que certamente será a sua destruição. Aqueles que preferem as regras carnais aos preceitos divinos, e as seduções do mundo e da carne às promessas e consolações de Deus, desprezam a sua palavra, dando preferência àquelas coisas que competem com ela, e isto será a sua justa ruína: eles não aceitam advertências.

2. O caráter de alguém que certamente será feliz: O que teme o mandamento, que tem respeito e temor por Deus, que tem consideração pela sua autoridade, e reverência pela sua Palavra, que teme desagradar a Deus e sofrer as punições que são anexas aos mandamentos, não somente escapará à destruição, mas será galardoa­ do, pelo seu piedoso temor. Em guardar os mandamentos há grande recompensa.

 

V. 14 – Podemos interpretar, aqui, a doutrina dos sábios e justos como os princípios e regras pelos quais eles se governam, ou (o que é equivalente) as instruções que eles dão aos outros, que são como uma lei para os que estão ao seu redor; e, sendo assim:

1. Eles serão constantes fontes de consolação e satisfação, como uma fonte de vida, da qual fluem correntezas de água viva; quanto mais próximos estivermos dessas regras mais eficazmente asseguraremos a nossa própria paz.

2. Eles serão proteções constantes dos laços de Satanás. Os que seguem os preceitos desta lei serão mantidos afastados dos laços do pecado, e assim poderão desviar dos laços da morte, aos quais se apressam os que abandonam a doutrina do sábio.

PSICOLOGIA ANALÍTICA

O SOFRIMENTO PELA BUSCA DA BELEZA

A crença de que é possível melhorar a própria aparência traz mais ansiedade que sensação de bem-estar.

O sofrimento pela busca da beleza

Estudos sugerem que acreditar que podemos nos empenhar para mudar algumas características favorece a motivação. Por exemplo, saber que podemos trabalhar traços de personalidade que nos incomodam – como introversão ou instabilidade emocional – ou que é possível explorar a própria inteligência. Um trabalho publicado na Social Cognition, porém, mostra que esse efeito benéfico não ocorre quando o assunto é a própria aparência: a crença de poder melhorá-la cada vez mais traz mais ansiedade que sensação de bem-estar.

Pesquisadores da Universidade do Estado de Oklahoma observaram que mulheres com ideias maleáveis sobre a beleza (por exemplo, que acreditavam poder se tornar mais bonitas com empenho) demonstraram maior risco de ansiedade (relacionada à aparência) e de construir a autoestima com base no visual, em comparação àquelas com concepções estabelecidas sobre a beleza. As mais inseguras tendiam a manifestar também interesse em cirurgia plástica. Esses efeitos não foram encontrados entre homens.

As consequências que as crenças podem causar dependem de quão realista é a busca. Os ideais de beleza tipicamente apresentados pela mídia – jovem, magra, com pele e cabelos impecáveis (com a ajuda do Photoshop) – são inatingíveis. “Pesquisas anteriores demonstram que concepções flexíveis podem favorecer a motivação, o que pode ser positivo para manter o interesse e aprimorar habilidades matemáticas, por exemplo”, argumenta a psicóloga social Melissa Burkley, coautora do estudo. “Mas, quando os objetivos são tão irreais quanto os padrões de beleza impostos às mulheres de hoje, aumentar a motivação pode favorecer comportamentos prejudiciais.”

OUTROS OLHARES

MUNDO SEM FILTROS

A Superabundância de informações que nos atinge diariamente tem se mostrado um desafio na educação, pois hoje as crianças têm fácil acesso a qualquer assunto.

Mundo sem filtros

Vivemos uma época peculiar da história da humanidade, devido em grande parte às transformações tecnológicas, científicas, culturais, políticas, financeiras e sociais que se desenvolveram a partir das últimas décadas do século XX. Ver o homem chegar à Lua, assistir ao vivo a Guerra do Golfo hoje parecem até fatos comuns, mas marcaram a vida de toda uma geração.

Acompanhamos atualmente inúmeras e rápidas mudanças em nosso mundo, que habitualmente aconteciam paulatinamente ao longo de duas ou mais gerações, com uma ciclagem cada vez mais acentuada, alterando padrões de convívio social, de troca de informações, de incremento científico, qualidade de vida e longevidade, nunca antes assistidos. Essas atualizações constantes, que nos são praticamente impostas pelos meios de comunicação, interagem sobre toda a sociedade criando novas demandas e conquistas, gerando um movimento acelerado e constante de adequações de toda ordem.

E com esse quadro, de repente, vimos também entrar em nossas vidas, e em nossas casas e escolas, uma imensidão desgovernada de notícias, fatos amplamente divulgados e nem sempre com a seriedade necessária. E infelizmente se multiplicou, sem o devido cuidado, o acesso a noticiários veiculados pelas telinhas, onde predomina a exposição desmedida da violência física, mental, psicológica, e cada vez fica mais difícil compreender e conseguir esclarecer para as novas gerações alguns fatos – e suas consequências – que se desenrolam, tamanha a profusão de contextos de onde surgem.

Quando se fala em educação, existem pontos positivos e negativos decorrentes dessa superabundância de informações que nos atinge diariamente. Entre eles, destaca-se o fato de que sinalizam o despreparo dos adultos em lidar com tantas transformações simultâneas e ajudar as crianças a absorvê-las de modo positivo. De outro, estimula a reflexão dos adultos sobre como educar, em uma época em que não há mais praticamente nenhuma certeza de como será o futuro.

Dúvidas, dúvidas e mais dúvidas: “Será preciso ter mais cuidado ao filtrar informações ou isso pode tornar as crianças despreparadas para o mundo em que vivem? É possível se conversar sobre qualquer tema com as crianças? Como não deixar as crianças confusas frente a notícias controversas, diálogos tendencionistas, cheios de ódio e preconceito?”.

Pais e educadores enfrentam uma realidade que por si só já é ameaçadora: hoje não dá para dizer que tal assunto é “coisa de adulto”, pois, o que não explicarem, facilmente as crianças vão buscar entender na internet ou mesmo com seus amigos. E, nesse caso, nada garante que terão uma visão responsável, elucidativa e adequada sobre qualquer assunto.

Além disso, basta ligar a televisão em qualquer programa, mesmo no horário infantil, para ouvirmos falar sobre temas controversos, sem fundamento real, notícias sobre agressões, roubos, assaltos, crimes, onde não se economizam imagens de cenas chocantes, bizarras, que se imagina mais adequadas para o final da noite. Natural, desejável? Não, pois é uma violência contra um ser em desenvolvimento, que fica impactado com informações que não têm condições de entender e assimilar devidamente, e muitas vezes nem consegue se expressar a respeito, outras vezes acaba por se tornar refratário à agressividade do meio, tamanha a bagagem de informações inadequadas que recebe.

O que muda ao se comentar notícias com crianças de diferentes idades é o grau de complexidade da nossa explicação, a escolha das palavras mais simples e corriqueiras, o cuidado com a forma de nos expressar, o contorno mais respeitoso ‘a mente infantil e a exposição menos comprometida com a opinião pessoal. Críticas a um fato podem ser feitas desde que acompanhadas de um lado construtivo: isso ensina a pensar!

Às vezes os pais julgam que os filhos não têm nenhum conhecimento sobre temas polêmicos e ficam surpresos quando os ouvem conversarem entre si ou opinarem sobre eles. Esse é um ótimo momento para estender o assunto, explicar às crianças o que ocorre de fato, em uma linguagem adequada, ensinado a exercitar seu pensamento, reflexão e responsabilidade pessoal e social. Assim, aprendem a distinguir os fatos reais das perturbadoras e fantasiosas interpretações que infelizmente brotam em uma parte das mídias.

É muito comum ainda os familiares se atrapalharem querendo ensinar tudo de uma só vez sobre uma dúvida, até para se esquivarem de outras perguntas. Mas com isso as crianças continuam sem entender e perdem a confiança, o vínculo com quem poderá ajudá-los no futuro em situações semelhantes.

O melhor caminho é mesmo tentar saber da criança o que ela já conhece do assunto para responder a contento, sem preconceitos, com responsabilidade. Assim também se ensina a não terem receio de perguntar sempre que necessário, pois sentirão o interesse e o respeito que o adulto tem por ela.

Como princípio, mentir é o pior caminho: os pais devem enaltecer nos fatos aquilo que percebem como menos preocupante, conflituoso e doloroso para a criança.

Os maiores cuidados consistem em evitar que a criança fique sem resposta e procurar sempre estar a seu lado para ajudá-la a compreender assuntos dolorosos ou muito polêmicos, evitando que tenha múltiplos contatos com esse tipo de notícia sozinha ou acompanhada de pessoas que não vão ajudá-la.

Educar hoje tornou-se um grande desafio. Mostrar interesse e desejo de aprender junto com a criança costuma abrir espaço para muitos e bons diálogos ft1turos, base para uma educação em um mt1ndo constantemente em evolução.

 

 MARIA IRENE MALUF – é especialista em Psicopedagogia, Educação Especial e Neuroaprendizagem. Foi presidente nacional da Associação Brasileira de Psicopedagogia – ABPp (gestão 2005/07). É autora de artigos em publicações nacionais e internacionais. Coordena curso de especialização em Neuroaprendizagem. irenemaluf@uol.com.br

GESTÃO E CARREIRA

COMO FAZER QUE O ANO NOVO SEJA DIFERENTE E MELHOR?

“Toda teoria é inútil se não soubermos como aplicá-la”

Como fazer que o ano nc seja diferente e melhor

Foram 12 meses, 365 dias, 8.760 horas ou 525.600 minutos. Todos esses números são representações de um ano. Pois é, passou rápido mesmo e chegamos ao final de mais um ciclo. E a pergunta que fica é: Como você poderia medir sua vida no ano de 2018 que ficou?

Em dias, em noites, em pores do sol, em xícaras de café, em centímetros, em quilômetros, em risos, em discussões, em cabelos brancos, em angústias, nas estações do ano, em viagens, barreiras que enfrentou, em resultados financeiros, nas contas pagas, nos erros, nos acertos, nas promoções, em aniversários, em domingos ensolarados, em sextas-feiras de alegria, em segundas-feiras de trabalho, no que aprendeu ou no que esqueceu… Poderia enfileirar uma série de medidas para você escolher.

Mas… Será que nossa vida pode ser medida através dessas métricas?

Como você mede um ano em sua vida? Na época do final do ano que passou e do início de um novo ano é comum colocarmos na balança as nossas realizações pessoais e profissionais, e principalmente fazermos planos para o ano seguinte esperando que tudo seja diferente e melhor.

Você deve estar se perguntando: Mas como fazer que o ano novo seja diferente e melhor? Adoro o “como fazer”. Toda teoria é inútil se não soubermos como aplicá-la. Sempre fui uma pessoa muito pragmática, prática, com grande necessidade de saber como fazer as coisas.

E para que tenha um novo ano repleto de momentos memoráveis, importante colocar em prática as seguintes competências:

VISÃO CLARA:

É quando você clareia seus propósitos e acende uma chama interna do desejo. Ter visão é ver um estado futuro com os olhos da mente. Ver o que é possível nas pessoas, nos projetos, nas causas, nos empreendimentos. A visão ocorre quando seus objetivos são bem definidos.

DISCIPLINA:

É o fazer acontecer. É lidar com os fatos difíceis, pragmáticos, lidar com a realidade e fazer o sacrifício que for necessário para que as coisas aconteçam. É pagar o preço da transformação da sua visão em realidade.

DETERMINAÇÃO:

É o passo inicial da persistência, a determinação diz que você não pode desistir, que tem de lutar até o fim para fazer seus objetivos acontecerem.

FLEXIBILIDADE:

Seus valores são inegociáveis. Todo o restante é passível de revisão. Pergunte-se: isso fará alguma diferença daqui a um ano? Se a resposta for não, ceda imediatamente e deixe suas energias concentradas em um propósito de valor.

PARCERIA:

Sem parceria não há negócios. sem negócios não há riqueza, nem abundância, nem sucesso. Parceria exige reciprocidade. objetivos comuns, confiança e complementaridade.

CRIAR PAIXÃO PELO QUE FAZ:

Paixão vem do coração e se manifesta através do otimismo, empolgação e determinação. É o fogo, desejo, força da convicção e o impulso que sustentam a disciplina para realizar a visão. É o que nos dá força para continuar quando tudo está para desistir.

Então vamos nos aperfeiçoar cada vez mais, criar objetivos e estar preparados para o concorrido mercado em 2019.

 

DANIELA DO LAGO – É especialista em comportamento no trabalho, mestra em administração, coach de carreira, palestrante e professora na área de liderança e gestão de pessoas. w.w.w.danieladolago.com.br

ALIMENTO DIÁRIO

PROVÉRBIOS 13: 1-4

Pensando biblicamente

MÁXIMAS MORAIS

 

V. 1 – Entre os filhos dos mesmos pais, não é novidade que alguns sejam auspiciosos e outros, o oposto; aqui, somos ensinados a distinguir.

1. Há grande esperança nos que têm reverência por seus pais, e que estão dispostos a ser aconselhados e admoestados por eles. Aquele que assim se conduz é um filho sábio, e está no caminho para se tornar ainda mais sábio, ouvindo a correção de seu pai, desejoso de atendê-la, considerá-la e agir de acordo com ela, e não meramente ouvi-la.

2. Há pouca esperança naqueles que não apenas não ouvem nenhuma repreensão com paciência, mas escarnecem e se recusam a se submeter ao controle e à censura dos que lidam com eles com fidelidade. Como podem corrigir os seus erros os que não desejam ouvir sobre eles, mas consideram seus inimigos os que lhes fazem esta gentileza?

 

V. 2 – Observe:

1. Se o que vier do coração for bom e de um bom tesouro, o resultado será benéfico. A consolação e satisfação interior serão o pão diário; ou melhor, serão um banquete contínuo para os que se deleitam naquela instrução que visa edificar.

2. A violência retornará para aquele que a realizou: a alma dos prevaricadores, que abriga e trama a maldade, e dá vazão a ela, por obras e palavras, comerá a violência; eles terão o seu ventre cheio dela. “Tornai-lhe a dar como ela vos tem dado” (Apocalipse 18.6). Cada homem beberá o que prepara, comerá o que fala, pois por nossas palavras seremos justificados ou condenados (Mateus 12.37). Conforme os nossos frutos, também assim será a nossa comida (Romanos 6.21,22).

 

V.  3 – Observe:

1. “O que guarda a sua boca conserva a sua alma”. Aquele que é cauteloso, que pensa duas vezes antes de falar, que, se tiver tido algum mau pensamento, coloca a sua mão sobre a boca, para suprimi-lo, que mantém uma rédea forte sobre a sua língua e uma mão rígida nesta rédea, guarda a sua boca de uma grande quantidade de culpas e tristezas, e se livra do problema de muitas reflexões amargas sobre si mesmo, e também de reflexões dos outros sobre ele.

2. Muitos são destruídos por uma língua descontrolada: O que muito abre os lábios, para proferir o que lhe vier à mente, que adora vociferar e se gabar e fazer ruído, e manifesta tal liberdade de expressão que desafia, tanto a Deus como ao homem, este tem perturbação – este seu modo de ser será a destruição da sua reputação, dos seus interesses, da sua consolação e da sua alma, para sempre (Tiago 3.6).

 

V. 4 – Aqui temos:

1. A desgraça e a vergonha dos preguiçosos. Veja quão loucos e absurdos eles são; eles desejam os ganhos do diligente, mas não fazem os mesmos esforços que os diligentes; eles cobiçam tudo o que há para ser cobiçado, mas não desejam fazer nada do que deve ser feito; e, portanto, coisa nenhuma alcançam; “se alguém não quiser trabalhar, não coma também” (2 Tessalonicenses 3.10). O desejo do preguiçoso, que deveria ser o seu estímulo, se torna o seu tormento; o que deveria ocupá-lo, o deixa sempre desconfortável, e representa realmente um maior esforço para ele do que o trabalho viria a ser.

2. A felicidade e a honra dos diligentes: a alma dos diligentes engorda; eles terão abundância, e desfrutarão dela confortavelmente, e ainda mais, por ser o fruto da sua diligência. Isto é particularmente verdadeiro nas questões espirituais. Os que descansam em desejos ociosos não sabem quais são os benefícios da religião; ao passo que aqueles que se esforçam na obra de Deus encontram o prazer e também se beneficiam dele.

PSICOLOGIA ANALÍTICA

QUANDO O DÉFICIT DE ATENÇÃO É REAL

Uma tirinha adulterada de Calvin mostra o menino medicado, tratando Hobbes laconicamente, sem querer brincar, até que o tigre volta a ser apenas o bicho de pelúcia que é.

Quando o déficit de atenção é real

As tirinhas do menino Calvin e seu tigre de pelúcia, Haroldo, desenhadas pelo americano Bill Waterson, me acompanharam pela adolescência. Calvin sempre é retratado como um menino inteligente, criativo, espirituoso, de espírito saudavelmente rebelde, e com uma certa preferência por viajar por outros planetas a ouvir a professora falar.

Mas algum fã resolveu “tratar” Calvin de uma suposta doença, e na tirinha adulterada, fácil de achar na internet, os diálogos mostram Calvin, medicado, tratando Hobbes laconicamente, sem querer brincar, até que Hobbes volta a ser apenas o tigre que é. A impressão que fica é de uma tentativa de protesto contra a suposta “medicalização” das crianças e jovens hoje em dia. O pior é que há até quem acredite no diagnóstico: Calvin sofreria de distúrbio de déficit de atenção.

Eu protesto duplamente, como neurocientista e como leitora. A tirinha modificada pressupõe que Calvin só poderia ser criativo e brincalhão se sofresse de DOA, e pior, ainda perderia sua criatividade se fosse tratado com medicamentos. Trata-se de um desserviço àquelas pessoas que sofrem realmente do transtorno e precisam de tratamento, pois fica a impressão negativa de que corrigir o déficit de atenção equivale a fazer uma lobotomia. Quem sofre do transtorno, ou acompanha de perto alguém afligido, sabe que a verdade é bem diferente. Ou, pior, sofre sem saber que poderia se tratar e não sofrer mais.

Entre 0,5 e 5% da população, dependendo dos critérios diagnósticos usados, sofre de um legítimo déficit de atenção, associado a um funcionamento subnormal dos sistemas dopaminérgicos e noradrenérgicos que servem à alocação do foco de atenção e sua manutenção sobre o alvo da vez, resistindo a distrações ao redor.

Não é surpresa, portanto, que essas pessoas sejam facilmente distraídas, sucumbindo a qualquer novidade que passar pela frente ao invés de se concentrar no trabalho ou dever de casa. Por causa dessa dificuldade de sustentar a atenção, ler um texto até o fim é uma tarefa que pode durar horas e se tornar desmotivante, levando a desinteresse e a uma aparência de preguiça, dificuldade de memória e de aprendizado.

Pior ainda, para a criança que sofre desse déficit, é a falta de informação dos pais e professores, que reclamam de um comportamento que não depende de escolha da criança. Retorno negativo, na forma de comentários do tipo “você é preguiçoso” ou “você não está se esforçando”, só faz criar uma autoimagem ainda mais negativa, daquelas que se tornam profecias autorrealizáveis. Para quem consegue ser atendido por um bom profissional que reconhece o problema e oferece tratamento, contudo, a vida muda da água para o vinho. A criança, o jovem ou adulto finalmente descobre o que é a vida “normal”, em que é possível manter o foco da atenção em um mesmo assunto por mais do que poucos segundos; onde é possível fazer uma prova em poucas dezenas de minutos, e não horas; onde é possível ler um livro enquanto outras pessoas conversam na sala. Poder tomar remédio, quando o remédio é necessário, é uma maravilha para quem sofre de déficit de atenção. Quem tiver dúvida é só perguntar a eles.

Não vejo o tal “problema da medicalização da infância” de que falam alguns psicanalistas. Vejo, sim, o problema dos maus profissionais, seja psicólogos, médicos, professores ou pedagogos, que tacham um diagnóstico errado em pessoas que sofrem de outros problemas, não tratáveis com os medicamentos que trazem tanto alívio para quem realmente tem um déficit de atenção verdadeiro.

 

SUZANA HERCULANO-HOUZEL – é neurocientista, professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), autora do livro Pílulas de neurociência para uma vida melhor (Editora Sextante).

OUTROS OLHARES

O PAÍS DOS ANSIOSOS

O Brasil tem a maior incidência do mundo de pessoas que sofrem de ansiedade, transtorno já considerado o “mal do século”. A boa notícia é que existem tratamentos bastante eficientes.

O País dos ansiosos

Analista de mídias sociais, o sul-mato-grossense Miguel Doldan, de 27 anos, lembra que tinha apenas 6 quando foi parar no hospital pela primeira vez, com dificuldade para respirar. O pediatra examinou-o, decretou que não havia nada errado e recomendou aos pais que lhe dessem pastilhas de hortelã como remédio, para que se sentisse aliviado. Em pouco tempo os sintomas retornaram, mas foi só no fim do ensino médio que as constantes crises o levaram a consultar um pneumologista. Dessa vez, o exame produziu um resultado curioso: os pulmões de Doldan estavam em perfeito estado, mas não usavam toda a capacidade. Era como se ele segurasse a respiração sem querer. “Cheguei a me convencer de que a sensação de aperto no peito era natural”, diz. Há seis anos, Doldan finalmente buscou ajuda psicológica e, pela primeira vez, teve um diagnóstico preciso: transtorno de ansiedade. Ele é um dos 18,6 milhões de brasileiros que sofrem da doença – sim, doença, e das mais prevalentes, tanto que foi classificada pela Organização Mundial da Saúde como o “mal do século XXI”.

O país dos ansiosos. 4

O Brasil carrega o inglório título de campeão mundial do transtorno: segundo a OMS, quase 10% da população convive com a doença, bem acima do Paraguai, o segundo colocado, com 7,6%, e da Noruega, que aparece em terceiro, com 7,4%. No mundo todo, o diagnóstico se aplica a 264 milhões de pessoas. Os números brasileiros são tão alarmantes que os especialistas falam em uma epidemia. Um exemplo: o volume de internações de no máximo doze horas por problemas relacionados à saúde mental saltou de 32.000 para 77.000 em cinco anos, a ansiedade aí incluída. Outro: entre janeiro e setembro de 2018, o INSS concedeu 12% mais licenças para tratamento mental do que em 2017. Mais um: no Núcleo de Psicologia da Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro, a procura por tratamento de crise de ansiedade dobrou em um ano.

Faz sentido que se lance mão do pacote de doenças mentais como um todo para contabilizar o aumento acelerado dos pacientes com ansiedade, visto que a maioria dos problemas da mente tem alguma relação com os sintomas apresentados pelos ansiosos. Ansiedade e depressão são transtornos distintos, mas as pesquisas apontam forte correlação. “Em um grupo de cinco adultos depressivos, quatro foram jovens ansiosos que não receberam tratamento”, afirma Márcio Bernik, diretor do Ambulatório de Ansiedade da Universidade de São Paulo. A ansiedade está também na raiz de males como o pânico e o transtorno obsessivo­ compulsivo (TOC).

A palavra “ansiedade” tem origem no latim anxietas, que significa angústia. A primeira colocação do problema no âmbito dos males mentais foi feita por Sigmund Freud – antes dele, alterações na respiração, por exemplo, eram entendidas sempre como alguma falha nos pulmões. Em 1894, Freud associou essa e outras reações físicas ao que chamou de “neurose da angústia”. Levaria mais de setenta anos para que o psicólogo australiano Aubrey Lewis descreves­ se na literatura médica o “estado emocional com um componente subjetivo de medo”, ao qual adicionou as qualificações de “desagradável, desconfortável e desproporcional”. Em 1980, a Associação Psiquiátrica Americana incluiu o transtorno de ansiedade em seu Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, a bíblia do setor, no qual está dito que os ansiosos experimentam um medo desproporcional ao antecipar uma situação futura que lhes parece arriscada ou incerta.

O país dos ansiosos. 3

A ansiedade, em si, não é necessariamente vilã, levando-se em conta que o papel primordial de seu sintoma mais evidente, o medo, é uma forma de prevenir dor e sofrimento. “A agitação que sentimos na véspera do vestibular não passa de um estado natural de oscilação do cérebro saudável, que está se pondo em prontidão para enfrentar o desconhecido”, explica Diogo Lara, especialista em psiquiatria pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Confundir a ansiedade doentia com a natural ficou ainda mais comum – e complicado – depois que a angústia extrema ganhou status de transtorno passível de tratamento. “Ser ansioso tomou-se uma descrição curinga para dizer que a pessoa é perfeccionista, impaciente ou medrosa”, diz Lara.

O transtorno de ansiedade existe quando o indivíduo se prepara para reagir ao risco mesmo quando não há um risco claro – e essa reação se transforma em seu comportamento-padrão, e não eventual. “A preocupação vira o filtro através do qual a pessoa se relaciona com o mundo, dificultando sua adaptação às situações”, acrescenta Lara. Quando a ansiedade dificulta a vida normal da pessoa, levanta-se uma questão altamente polêmica no universo da medicina mental: quando é hora de receitar um ansiolítico, o medicamento por excelência para esses casos? “É impossível estabelecer um limite claro entre quem precisa e quem não precisa de remédio”, explica Bernik. “Cabe ao terapeuta avaliar se o sofrimento do paciente o torna incapaz de reagir por conta própria, em curto prazo, aos estímulos do medo que o oprime. Na prática, acaba havendo muita gente medicada sem necessidade”, diz. Pesquisa mundial da IMS Health, empresa americana que fornece tecnologia e serviços a laboratórios, mostra que em 2016 a venda de antidepressivos e estabilizadores de humor cresceu 18,2% no Brasil e movimentou 3,4 bilhões de reais, valor inferior apenas ao dos popularíssimos analgésicos (que não precisam de receita). O carro-chefe da família dos benzodiazepínicos, que funcionam como um potente sedativo, é o Rivotril, que muita gente carrega na bolsa e ingere diante de qualquer contrariedade. “Trata-se de uma substância que desliga o sistema nervoso central, gerando uma sensação instantânea de relaxamento”, explica a psiquiatra Anny Mattos, da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Sintetizados no início da década de 60, os compostos benzodiazepínicos revolucionaram a maneira de lidar com distúrbios psíquicos, até então tratados apenas com perigosos barbitúricos.

Uma geração de medicamentos pós-Rivotril, com menos efeitos colaterais, tem por base o diazepam, que aumenta a liberação de serotonina – o hormônio do bem-estar no cérebro. “Trata-se de um inibidor seletivo de estímulos. Seu papel principal é elevar a tolerância ao stress”, explica Bernik – que chama atenção, porém, para o risco do uso excessivo: “A pessoa pode virar o Senhor Spock (referência ao personagem sem sentimentos de Jornada nas Estrelas)”. O tempo do tratamento com medicamentos varia de nove meses a um ano, e espera-se que, no fim do processo, o paciente esteja livre dos sintomas mais graves. O agente literário Miguel Sander, de 25 anos, está acabando o tratamento químico e se diz feliz com os resultados, mas relutou muito em seguir essa trilha. “Eu subestimava a necessidade de tomar remédio”, afirma. Ele está livre das crises constantes, mas sabe que cura, mesmo, não existe – até porque as causas da doença não foram identificadas.

A ansiedade tem vários subprodutos, e provavelmente o mais conhecido seja a síndrome do pânico, que atinge cerca de 6 milhões de brasileiros. Os sintomas físicos são semelhantes na manifestação, mas diferem na intensidade e na duração. No pânico, tudo é muito rápido e muito intenso. “A sensação é pontual, agudíssima, e dura no máximo dez minutos. O corpo se descontrola de tal modo que o paciente acha que vai morrer”, descreve o psiquiatra Lara. Frequentemente, quem sofre de pânico é um ansioso crônico. “E como se o estado natural do organismo já estivesse tão alterado pela ansiedade que, diante de qualquer imprevisto, o corpo entende que corre risco de vida”, explica o psicólogo Cristiano Nabuco. A professora Mariana Barrile, de 24 anos, de São Paulo, tem vivo na lembrança um ataque de pânico no metrô há três anos. “Comecei a chorar desesperadamente, a suar frio e a sentir muita falta de ar”, conta Mariana, que resolveu procurar ajuda psiquiátrica e passou a tomar remédios (atualmente a dose está reduzida a um quarto) para controlar os episódios.

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Outro distúrbio psicológico associado à ansiedade é a depressão, que atinge 11,5 milhões de brasileiros, de acordo com as últimas estatísticas. Sintomas como dificuldade de concentração, insegurança e irritabilidade são comuns aos dois distúrbios. Só que, enquanto os ansiosos sentem alegrias e tristezas extremadas, os depressivos quase não experimentam emoções positivas. “Eles não estão necessariamente relacionados, mas é muito comum que alguém que sofre de ansiedade crônica vá sedes­ gastando até desenvolver um quadro depressivo. É como se o corpo desistisse de lutar contra as ameaças constantes”, afirma Lara.

A ciência não sabe explicar exatamente o que leva um indivíduo a se desequilibrar diante das preocupações, embora algumas respostas já tenham sido alcançadas. “Todos os transtornos psiquiátricos são derivados de um tripé. Em uma perna estão fatores genéticos. Em outra, aqueles desenvolvidos na gestação e na infância. E, na terceira, as ocorrências externas”, diz Nabuco. E acrescenta: “O problema é entender como a mistura se dá. Um filho de pais ansiosos pode desenvolver hábitos saudáveis e aprender a lidar com o stress. Da mesma forma, uma pessoa tranquila exposta a um ambiente hostil pode perder a cabeça”. Uma conclusão comprovada é que, em casos agudos, a influência dos genes é maior. ” No transtorno de ansiedade generaliza­ da, a influência genética chega a 30%”, estima Bernik.

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A motivação ainda é um mistério, mas os mecanismos do cérebro associados à ansiedade são bem mapeados. A amígdala, nome do coração do sistema responsável pelo processamento de emoções, é mais responsiva nos ansiosos. “Ela funciona como uma espécie de alarme no cérebro, que avisa se a situação vivida é ameaçadora ou não”, diz o neurocientista Leandro Teles, autor do livro O Cérebro Ansioso. O córtex pré-frontal, mais à frente, opera o raciocínio lógico e a tomada de decisões. “O córtex e a amígdala dialogam, por assim dizer. Diante de um estímulo de medo, o córtex procura entender a razão e decidir o que fazer, mas no cérebro do ansioso ele se sobrecarrega nessa função por causa da tensão exagerada vinda da amígdala, e tudo fica parecendo urgente “, diz Teles. Estudos recentes mostram que ansiosos sofrem alterações também no fascículo uncinado, um feixe de neurônios que liga a razão às emoções. “Essa estrutura é mais curta nas pessoas altamente ansiosas, o que provoca falha na comunicação entre amígdala e córtex”, afirma Bernik.

Além de medicação e psicoterapia, há métodos naturais que podem ser eficientes na prevenção de crises de ansiedade, e a meditação, essa prática tão menosprezada, é um deles. Pesquisa da escola de medicina da Universidade Harvard revela que meditar diminui sintomas como dor e insônia. “Manter a atenção plena na respiração resulta em melhor oxigenação do cérebro”, diz Bernik. Diante da abundância de ansiosos, crônicos ou não, em busca de solução para seus problemas, a indústria de aplicativos de celular reagiu à altura, produzindo uma infinidade de “ooohhhmmm” na tela do celular. O britânico Headspace oferece meditações guiadas e registra mais de 31 milhões de usuários. O brasileiro Querida Ansiedade passa de 1 milhão de downloads. Exercício físico é outra recomendação dos especialistas, porque mexer-se produz serotonina (ou seja, bem-estar).

Outra dica, que causa arrepios nos muito ansiosos, é tirar folga das redes sociais, principalmente na hora de ir para a cama, e a justificava – bem plausível, acredite – está no DNA. “Nosso cérebro se desenvolveu há milhares de anos, quando ainda vivíamos em comunidades pequenas. Era fácil identificar aqueles que se destacavam e reservar para eles a maior parte da comida”, explica Cristiano Nabuco, especialista em vício em redes. “As redes sociais exibem infinitas manifestações de sucesso. O cérebro entende que todos são poderosos, prepara-se para brigar por sua parte, e dá-se a ansiedade.” Trocando em miúdos: se todo mundo tem casa linda e férias maravilhosas, eu também tenho de ter. Pausa para a taquicardia.

Passar o dia grudado nas redes sociais é justamente uma das causas apontadas para explicar a presença dos brasileiros no topo do ranking de ansiedade da OMS. Uma pesquisa recente da Sociedade para a Saúde Pública da Inglaterra mostrou que as redes são mais viciantes que álcool e cigarro. Entre elas, o Instagram é a mais prejudicial para a mente dos jovens – e o Brasil é o segundo maior usuário desse aplicativo (o primeiro são os Estados Unidos). São Paulo, a maior cidade do país, apresenta índices de ansiedade superiores à média nacional: cerca de 19% dos paulistanos sofrem do transtorno. É evidente que pobreza, desemprego e instabilidade econômica têm sua parcela de responsabilidade. “O Brasil é instável. Muita gente tem muito a perder. A ansiedade não se nutre só da desgraça”, analisa Teles. Adicionando-se à conta a polarização política, que deve ter feito muitos ansiosos engasgar com o peru com farofa das ceias de fim de ano, dá para entender por que o Brasil se tornou a expressão do “mal do século”. A solução está em respirar, relaxar, respirar, relaxar. Mas quem tem paciência?

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NA CABECEIRA

Leituras úteis para quem quer saber mais sobre a ansiedade do ponto de vista científico ou do ponto de vista de quem já sofreu as dores do transtorno.

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GESTÃO E CARREIRA

A ORDEM É NÃO FICAR PARADO

As estratégias de cinco profissionais para não deixar a crise derrubar o resultado de suas empresas – nem suas perspectivas de crescimento de carreira.

A ordem é não ficar parado

Não fazer nada é a atitude mais arriscada que um profissional pode ter em resposta às incertezas que acompanham a atual crise econômica. Mesmo em meio a um cenário de pressão por resultados e corte de custos, os líderes e suas equipes precisam ser criativos para tirar ideias do papel, sustentar a rentabilidade e preservar o caixa de suas empresas. A seguir, apresentamos cinco executivos que tomaram iniciativas – defensivas e ofensivas – para enfrentar os obstáculos no ambiente de trabalho. O recado que eles transmitem é que a crise não pode ser usada como desculpa para deixar de entregar resultados ou paralisar a tomada de decisões importantes. O olhar crítico e as estratégias adotadas por esses profissionais podem ser aplicados a qualquer empreendimento que busque eficiência para abrir vantagem em relação à concorrência.

 

“DIMINUIMOS OS CUSTOS COM ESTOQUE.”

Manter um grande estoque parado significa prejuízo para as empresas. “Ele também gera custos de espaço, manutenção, manuseio e o risco de avarias. Se for possível eliminar todas essas questões, o alívio no capital de giro é enorme”, afirma o engenheiro paulistano Bruno Nardon, diretor da Kanui. Por isso, o plano traçado por ele à frente de uma das maiores operações de e-commerce do país é o avanço do marketplace da Kanui. Na prática, isso significa a venda de produtos de terceiros no site da marca. Enquanto o parceiro comercial se beneficia do marketing e da infraestrutura tecnológica da página da Kanui, o site fica com uma porcentagem sobre as vendas que varia entre 10% e 30%. O serviço permite à Kanui ampliar agressivamente a oferta de produtos disponíveis no seu ambiente online sem investir em estoque. Quem fica responsável pelo armazenamento e entrega das mercadorias é o parceiro. Com menos de dois anos de operação, a Kanui já lista mais de 1.000 lojistas parceiros, que ofertam em torno de 80.000 produtos. Isso representa cerca de 60% do catálogo atual da Kanui. “Trabalhamos com pequenos e médios lojistas, até grandes marcas como Ray-ban, Victorinox e Hurley”, diz Bruno.

 

“MELHORAMOS O ATENDIMENTO AO CLIENTE.”

O acompanhamento de indicadores e métricas de negócio fica mais frequente nos períodos de instabilidade econômica, para fazer correções de rota com mais rapidez. Entre as operadoras de telecomunicações, o calcanhar de Aquiles é a insatisfação dos clientes com o atendimento nos call centers, que mantém essas empresas no topo dos rankings de reclamações do Procon. Há oito meses, quando foi contratado pela Nextel, Jorge Braga propôs algumas ações para evitar o cancelamento de assinaturas. “Percebemos que o consumidor entraria num período de corte de gastos e não queríamos perdê-lo”, diz. Uma das estratégias foi a criação de um aplicativo para celular onde o usuário consegue resolver sozinho problemas como alterar a data de vencimento do boleto, gerar faturas em PDF, consultar o saldo de seu plano e até contratar velocidades diferentes de internet sem passar por um vendedor. Após o app, os índices de satisfação com o atendimento melhoraram e os custos baixaram. Hoje, cerca de 70% dos contatos com a empresa acontecem por meio de canais digitais, incluindo sites e redes sociais. “O app já atende 40% da nossa de- manda online”, afirma Jorge. “São mais de 3 milhões de acessos por mês à plataforma.”

 

“REPENSAMOS O MODELO DE NEGÓCIO.”

O empreendedor Sergio Furió precisou remodelar a atuação de sua startup para que ela não morresse em meio à crise. A empresa nasceu em 2012 intermediando a aquisição de produtos financeiros entre consumidores e bancos. A startup fazia uma análise de perfil do cliente por meio de algoritmos e indicava as linhas de crédito mais adequadas. Se houvesse contratação, a BankFacil ficava com uma comissão. Com a forte retração do crédito, os negócios minguaram. “De cada seis ou sete propostas enviadas aos bancos, só uma era aprovada”, diz Sergio. No ano passado, a empresa mudou de estratégia e passou a intermediar apenas um tipo de serviço: os empréstimos com garantia (quando o usuário contrata uma linha de crédito com juros mais baixos dando um carro ou imóvel como garantia), a juros menores. Tudo é feito por uma plataforma de autosserviço, onde o cliente adiciona documentos e monitora todo o processo, até a assinatura do contrato. Os bancos remuneram a BankFacil pela captação e validação do cliente. O crescimento tem sido tão grande (média de 500.000 acessos mensais) que a empresa prevê encerrar 2019 com 200 funcionários, o triplo de 2015. No fim de 2015, a startup recebeu 10 milhões de reais em aportes de fundos de investimento.

 

“IDENTIFICAMOS NICHOS LUCRATIVOS DE MERCADO.”

Com a economia em baixa, a saída para muitos negócios é analisar com lupa segmentos onde há chances de melhorar as vendas. Recentemente, o engenheiro paulistano Renato Perrotta e sua equipe se debruçaram sobre as planilhas de vendas da CNH Industrial e perceberam dois nichos que poderiam ser mais bem atendidos pela marca de caminhões do grupo, a Iveco: coleta de lixo e construção civil. Normalmente, as empresas desses ramos precisam adaptar os veículos antes de usá-los. A construção civil, por exemplo, exige caminhões mais robustos, com espelhos extras para o auxílio em manobras, protetores para os radiadores e suspensão reforçada. “Em 2016 passamos a entregar o veículo já adaptado ao cliente, faltando apenas instalar a caçamba”, diz Renato. Assim, o comprador economiza, não perde a garantia de fábrica e ainda encontra peças de reposição nas concessionárias da marca – além de ficar mais satisfeito. Graças aos bons resultados, a intenção agora é fidelizar outros nichos, como o transporte de cana e de bebidas. Os veículos vocacionais (adaptados a uma atividade) representam 30% do mercado de caminhões semipesados.

 

“AJUDEI A REDUZIR OS CUSTOS.”

Em tempos de vacas magras, a regra é passar um pente fino nas despesas. Há quatro anos, quando o administrador Edney Valente Filho entrou no Grupo Algar, em Uberlândia (MG), recebeu a mis- são de esmiuçar os contratos da Algar Agro e identificar eventuais desperdícios. “Quando notei que a aquisição de embalagens PET era a terceira maior despesa com insumos, pensei: e se nos tornássemos autossuficientes nesse item?”, diz Edney. Por mais de uma década, a Algar Agro gastou cerca de 50 milhões de reais anuais em garrafas plásticas para armazenar o óleo de soja produzido em suas fazendas. Após uma série de estudos, Edney convenceu a diretoria a montar uma fábrica interna de PET, ao custo de 40 milhões de reais. Em agosto passado, a fábrica foi inaugurada gerando uma economia de 40% em embalagens. Edney foi promovido a coordenador e já toca um novo projeto – montar uma usina solar para reduzir a conta de luz da empresa.

ALIMENTO DIÁRIO

PROVÉRBIOS 12: 20-28

Pensando biblicamente

AFIRMAÇÕES IMPORTANTES

 V.20 – Observe:

1. Os que maquinam o mal planejam, quanto à sua realização, como poderão impô-lo aos outros; mas no final, verão que enganam a si mesmos. Os que planejam o mal, sob o pretexto de amizade, têm seus corações cheios voltados para qualquer vantagem e satisfação que possam ganhar com isto, mas é tudo engano. Ainda que planejem com muita astúcia, os que enganam serão enganados.

2. Os que buscam o bem de seu próximo, que estudam o que podem fazer pela paz e dão conselhos apaziguadores, promovem esforços de cura e imaginam métodos de cura, e, na sua esfera, promovem o bem-estar público, não terão apenas o crédito por isto, mas a consolação. Terão alegria e sucesso, talvez além da sua expectativa. “Bem-aventurados os pacificadores”.

 

V21 – Observe:

1. A piedade é uma proteção assegurada. Se os homens forem sinceramente justos, o justo Deus se comprometeu que nenhum agravo lhes sobrevirá. Pelo poder da sua graça neles, aquele princípio de justiça, Ele os protegerá do mal do pecado; de modo que, ainda que eles sejam tentados, não serão vencidos pela tentação, e ainda que sofram dificuldades, muitas dificuldades, ainda assim estas dificuldades não lhes trarão o mal, não importando o que elas façam aos outros (Salmos 91.10), pois elas serão forçadas a trabalhar para o bem deles.

2. A iniquidade é uma destruição igualmente assegurada. Os ímpios, que vivem em desprezo a Deus e aos homens, que se dedicam à maldade, ficam cheios de mal. Eles serão mais maldosos, estando cheios de toda iniquidade (Romanos 1.29). Ou serão infelizes com as maldades que lhes sobrevierem. Aqueles que têm prazer na maldade terão o suficiente dela. Alguns interpretam todo o versículo da seguinte maneira: nenhum agravo sobrevirá ao justo, embora os ímpios se encham de maldade contra eles. Eles estarão a salvo sob a proteção do Céu, ainda que o próprio inferno se abra sobre eles.

 

V.22 – Aqui aprendemos:

1. A odiar a mentira, e a manter a máxima distância dela, porque ela é uma abominação para o Senhor, e torna abomináveis aos seus olhos os que se permitem mentir, não somente porque isto é uma transgressão à sua lei, mas porque é algo destrutivo à sociedade humana.

2. A nos empenhar com a verdade, não somente com nossas palavras, mas com os nossos atos, porque aqueles que agem fielmente e sinceramente em todas as suas atitudes são o deleite do Senhor e Ele se alegra com eles. Nós nos alegramos em conviver com aqueles que são honestos e em quem podemos confiar; portanto, devemos ser assim, para que possamos nos recomendar à benevolência, tanto de Deus como dos homens.

 

V. 23 – Observe:

1. O homem avisado encobre o conhecimento; o que é sábio não proclama a sua sabedoria, e é honroso para ele que não o faça. Ele transmite o seu conhecimento quando este pode ser usado para a edificação dos outros, mas o encobre, quando exibi-lo somente tenderia para seu próprio louvor. Os homens de entendimento, se forem prudentes, cuidadosamente evitarão tudo que pareça ostentação, e não aproveitarão todas as ocasiões para exibir o seu entendimento e a sua erudição, mas somente os usarão com bons propósitos, e então as suas próprias obras os honrarão. A perfeição da arte é ocultá-la.

2. Aquele que é tolo não consegue evitar proclamar a sua loucura, e é vergonhoso para ele que não consiga: O coração dos tolos, por suas palavras e ações tolas, proclama a estultícia; ou ele não deseja ocultá-la, tão pouca noção tem do bem e do mal, ele honra e desonra, ou não sabe como ocultá-la, tão pouco discernimento tem no controle de si mesmo (Eclesiastes 10.3).

 

V. 24 – Observe:

1. O esforço é o caminho para o progresso. Salomão promoveu Jeroboão, porque viu que era um homem trabalhador e esforçado, e cuidava dos seus negócios (1 Reis 11.28). Os homens que se esforçam no estudo e para serem úteis conquistarão, com isto, um interesse e uma reputação que lhes dará um domínio sobre todos os que estão ao seu redor, e desta maneira muitos ascenderam, estranhamente. Aquele que for fiel sobre o pouco, será colocado sobre muito. Os ministros do Evangelho que se empenham na Palavra e na doutrina são dignos de duplicada honra; e os que são diligentes quando jovens conquistarão aquilo que os capacitará a dominar, e então descansar, quando forem mais velhos.

2. A desonestidade e a patifaria são o caminho para a escravidão; Os preguiçosos e descuidados, ou melhor; os enganadores (este é o significado da palavra), serão tributários. Aqueles que, por não se empenharem em uma profissão honesta, vivem de suas artimanhas e desonestidades, são desprezíveis, e serão contidos. Os que são diligentes e honestos quando aprendizes chegarão a ser senhores; mas os outros são os loucos que, durante todos os seus dias, serão servos dos sábios de coração.

 

V. 25 – Aqui temos:

1. A causa e a consequência da solicitude ou da ansiedade. É opressão no coração; é uma carga de preocupação, e temor, e tristeza, sobre os ânimos, deprimindo-os, e incapacitando-os a se dedicar com vigor ao que deve ser feito, ou a mostrar resistência diante do que é necessário ser suportado; ela faz com que eles se curvem, e os prostra e desanima. Os que são oprimidos desta maneira não conseguem realizar o dever nem ter a consolação de qualquer relacionamento, condição ou convívio. Portanto, os que têm propensão a ela devem vigiar e orar para se proteger dela.

2. A cura para ela: uma boa palavra de Deus, aplicada pela fé, o alegra; esta palavra é (diz um dos rabinos): “Lança o teu cuidado sobre o Senhor, e ele te susterá”; a boa palavra de Deus, particularmente o Evangelho, tem o objetivo de alegrar os corações que estão cansados e oprimidos (Mateus 11.28). Os ministros devem ser auxiliares desta alegria.

 

V. 26 – Veja aqui:

1. Que os homens bons fazem o bem a si mesmos; pois eles têm, em si mesmos, um excelente caráter, e asseguram para si uma excelente porção, e nas duas coisas superam as outras pessoas: O justo é mais abundante do que o seu companheiro (diz a anotação de margem de algumas traduções da Bíblia Sagrada), é mais rico, embora não nos bens deste mundo, mas nas graças e consolações do Espírito, que são as verdadeiras riquezas. Há uma verdadeira excelência na religião; ela enobrece os homens, inspira-os com princípios generosos, e os torna firmes e consideráveis; esta é uma excelência que tem grande valor aos olhos de Deus, que é o verdadeiro Juiz da excelência. O seu próximo poderá ter urna aparência maior no mundo, poderá ser mais aplaudido, mas o homem justo tem um valor intrínseco e inquestionável.

2. Que os ímpios fazem o mal a si mesmos; eles andam por um caminho que os faz errar. Parece não ser somente um caminho agradável, mas o caminho correto; é tão agradável para a carne e o sangue que eles se lisonjeiam com uma opinião de que não pode ser errado, mas não conseguirão o seu objetivo nem desfrutarão o bem pelo qual esperam. É tudo um embuste, e por isto, o justo é mais sábio e mais feliz do que o seu próximo, que ainda assim o despreza e humilha.

 

V. 27 – Aqui temos:

1. Aquilo que nos pode fazer odiar a preguiça e o engano, pois a palavra aqui, como antes, significa as duas coisas: o homem enganador e preguiçoso assa o alimento, mas aquilo que ele assa não é o que ele mesmo caçou, é o que os outros se esforçaram para obter, e ele vive do fruto do esforço alheio, como os zangões na colmeia. Ou, mesmo que os homens enganadores e preguiçosos tenham obtido alguma coisa pela caça (pois os esportistas raramente são homens de negócios), ainda assim não a assam depois de obtê-la; eles não têm consolação nisto; talvez Deus, na sua providência, os prive desta consolação.

2. Aquilo que pode nos fazer amar a diligência e a honestidade, a essência de um homem diligente, que, embora talvez não seja aparentemente grande, é preciosa. Ela vem da bênção de Deus: o homem diligente tem a sua consolação nela; ela faz bem tanto a ele como à sua família. Ela é o seu pão de cada dia, não o pão da boca de outras pessoas, e por isto, ele vê que Deus lhe dá este pão, em resposta à sua oração.

 

V. 28 – O caminho da religião nos é aqui recomendado:

1. Como um caminho reto, plano, fácil; é a vereda da justiça. Os mandamentos de Deus (a lei segundo a qual devemos andar) são todos santos, justos e bons. A religião tem a razão e a equidade do seu lado; é uma vereda, um caminho que Deus determinou para nós (Isaias 35.8); é um caminho alto, o caminho do rei, o caminho do Rei dos reis, um caminho em que os santos andaram antes de nós, a boa vereda antiga, cheia das pegadas do rebanho.

2. Como um caminho seguro, agradável e confortável.

(1) Não há somente vida no fim do caminho, mas há vida ao longo do caminho; uma verdadeira consolação e satisfação. A benignidade de Deus, que é melhor do que a vida; o Espírito, que é vida.

(2) Não somente há vida nele, mas nele não há morte, não há aquela tristeza do mundo que opera a morte e que contamina a nossa alegria e a nossa vida atual. Não há fim para aquela vida que está no caminho da justiça. Aqui neste mundo há vida, mas também há morte. Porém na vereda da justiça há vida, e não há morte, sim, há vida e imortalidade.

PSICOLOGIA ANALÍTICA

LUGAR BOM DE BRINCAR

Tipo de pátio escolar influencia o quanto crianças se exercitam, e isso tem efeito em seu rendimento intelectual; áreas com grama e playground favorecem a atividade física, enquanto espaços cobertos com concreto convidam ao sedentarismo.

Lugar bom de brincar

Brincar é divertido – e fundamental para a saúde psíquica. A importância da atividade lúdica, amplamente estudada por psicólogos, psicanalistas e educadores, chegou a ser reconhecida internacionalmente em 1959, quando a prática – entendida como uma vertente do direito à liberdade – foi assegurada na Declaração Universal dos Direitos da Criança. Obviamente existem formas variadas de brincar e, embora por muito tempo os jogos pedagógicos dirigidos tenham sido privilegiados no ambiente escolar, nos últimos anos muitos estudos comprovaram que correr e pular livremente também traz benefícios. E não apenas para o corpo, mas também é fundamental para o desenvolvimento emocional e cognitivo dos pequenos. Segundo pesquisas do Centro de Prevenção e Controle de Doenças (CDC, na sigla em inglês), meninos e meninas deveriam se exercitar pelo menos uma hora por dia. Mas, menos da metade de crianças de 6 a 11 anos e apenas 8% dos jovens de 12 a 19 anos atingem essa meta. Algumas escolas ajudam a promover atividades físicas e, pelo menos na teoria, o intervalo entre as aulas pode responder por até 40% das necessidades diárias de exercício de uma criança. Na prática, porém, esse horário nem sempre é utilizado para a atividade física. Então, como exatamente crianças e adolescentes passam a tão bem-vinda pausa longe da carteira?

Na Dinamarca, um estudo sobre como jovens em idade escolar transitam por ambientes urbanos ofereceu uma oportunidade para descobrir a resposta. A ideia dos cientistas foi curiosa: equipar centenas de alunos com acelerômetros e monitores de GPS durante suas horas de vigília. A pesquisadora Henriette Bondo Andersen, do Departamento de Ciência do Esporte e Biomecânica Clínica da Universidade do Sul da Dinamarca, usou alguns dos dados coletados para analisar como crianças passavam o tempo do intervalo. Ela avaliou se diferentes tipos de pátios escolares, inclusive os formados por espaços gramados, parques com brinquedos (escorregador e balanços, por exemplo) ou áreas com pisos de asfalto, influenciavam os níveis de atividade.

Os pesquisadores de sua equipe descobriram que crianças são significativamente mais ativas quando brincam em áreas com grama e em playgrounds. Lugares recobertos com concreto produziram o menor gasto energético, e em todas as cinco áreas estudadas, meninas passaram mais tempo paradas, em comparação aos meninos. Os resultados foram publicados no periódico científico Landscape and Urban Planning. Conclusões sobre que elementos de pátios escolares funcionam melhor para promover atividade física poderiam ajudar planejadores e construtores a criar locais mais favoráveis e estimulantes à prática de exercícios. “Atualmente estamos trabalhando com sete escolas que se propuseram a reformar seus playgrounds e acrescentar áreas para dança, escaladas, skate e trampolins”, conta Henriette Andersen. O objetivo é configurá-los de um jeito que crianças possam optar mais facilmente por serem ativas.”

Lugar bom de brincar. 2

NOVAS CONEXÕES CEREBRAIS

É comum que desde a pré-escola os professores estimulem as crianças a ficar sentadas em vez de se movimentar, já que prevalece a ideia de que, quanto mais quietos e “comportados” forem os alunos, mais fácil será controlá-los. No Brasil, muitas escolas chegaram mesmo a eliminar aulas de educação física para dar mais espaço para áreas básicas do ensino fundamental, como leitura, escrita e matemática. Pesquisas sugerem, no entanto, que essa providência foi equivocada. O tempo gasto em passeios ao ar livre, corrida ou participação em esportes coletivos ajuda as crianças a se concentrar e melhora seu desempenho em sala de aula. Estudos recentes relacionam a cognição dos alunos com parâmetros de atividades físicas como capacidade aeróbica {cardíaca, pulmonar e dos vasos sanguíneos}, de responder a exercícios físicos intensivos e com o índice de massa corporal (IMC), que associa peso à altura. E o mais importante: envolver as crianças em programas de exercícios parece ajudá-las a se sair bem na escola, já que os treinos físicos expandem habilidades mentais, estimulando a formação de novas conexões entre as células cerebrais.

OUTROS OLHARES

CÂNCER: MAIS PERTO DA CURA

A chegada de remédios modernos contra o câncer a um custo menor deixará mais gente livre da doença.

Mais perto da cura

A americana Judy Perkins, 49 anos, é a primeira mulher do mundo a estar livre do câncer de mama há mais de dois anos depois de ter usado uma das estratégias da imunoterapia, o método mais avançado para tratar e, em muitos casos, curar o câncer. Trata-se de um tratamento biológico que fortalece o sistema imunológico para combater a enfermidade. No caso de Judy, cujo tumor havia se espalhado por outros órgãos (metástase), os médicos do Instituto Nacional de Saúde dos EUA extraíram dela células de defesa que localizam e matam o tumor, e as multiplicaram em laboratório, injetando-as novamente depois. As lesões cancerígenas sumiram. O mesmo estratagema foi usado com sucesso contra câncer de pulmão e de pele.

Embora o câncer seja entendido como uma doença complexa, que exige em geral mais do que uma abordagem, é sobre a imunoterapia que se deposita grande parte da esperança de cura para a maioria dos tipos da enfermidade. Não foi à toa que o Nobel de Medicina de 2018 foi para os médicos que deram início às pesquisas na área (o americano James Allison e o japonês Tasuku Honjo). O método enche os médicos de entusiasmo, inclusive como recurso em pacientes nos quais o câncer se espalhou. “É possível que estejamos começando a curar pacientes metastáticos”, afirma o oncologista Pedro De Marchi, do Hospital do Amor, em Barretos, referência nacional no tratamento. “Temos pacientes que já pararam com os remédios e a doença não se desenvolve há cinco anos”, diz.

PRODUTOS EM ANÁLISE

Além do caminho usado em Judy — por enquanto menos usual —, há os remédios imunoterápicos. Um dos obstáculos a seu uso, porém, é o custo. São medicações biológicas, cujo processo de fabricação é bem diferente, e mais caro, do aplicado nos medicamentos convencionais. Por isso, no Brasil há apenas um imunoterápico disponível pelo SUS, no Hospital do Amor, indicado contra tumores de pulmão e melanoma (agressivo câncer de pele) em estágios avançados. Uma rodada do tratamento custa cerca de R$ 30 mil. Com a chegada dos biossimilares (semelhantes aos biofármacos de referência) ao mercado, a cura fica mais perto. Eles custam cerca de 30% menos. Com o fim das patentes, que começam a cair, a tendência é que os biossimilares entrem com força no mercado. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) já aprovou um biossimilar contra câncer e outros três passam pelo processo de aprovação. Eles têm prioridade de análise. “Queremos tornar esse tratamento mais acessível”, explica Alessandra Soares, responsável pela área de registros de medicamentos e alimentos da Anvisa.

Mais perto da cura. 2

GESTÃO E CARREIRA

FRANQUIA – PADRÃO DE QUALIDADE

Manter o padrão e a qualidade de uma rede de franquias é um desafio para muitos franqueadores. Estratégias adotadas por algumas redes mostram que é preciso acompanhar de perto a operação do franqueado para que tudo saia como planejado.

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A missão de manter o padrão de qualidade em franquias é um os principais desafios desse modelo de negócio. A manutenção da proposta de valor, os atributos de marca e os processos são essenciais para favorecer a prosperidade da rede.

Toda marca carrega no seu DNA as características que as diferem das demais. Uma rede forte e bem estruturada em seu processo de expansão dissemina os atributos que valorizam e os valores nos quais acredita. Isso quer dizer que todos os franqueados representam aquilo que a franqueadora idealizou e devem trabalhar para perpetuar o modelo de sucesso. “Para que isso aconteça, a franqueadora deve ser rigorosa na padronização de processos e procedimentos da operação, pois essa é a forma de garantir que os franqueados sigam as premissas do negócio”, comenta a sócia-fundadora e diretora-geral do Grupo Bittencourt, Claudia Bittencourt.

A importância de definir e perpetuar um padrão de qualidade em franquias é exatamente pela necessidade de oferecer ao cliente sempre o mesmo serviço, o mesmo produto, sob os atributos da marca, mantendo o padrão de qualidade e garantindo a ideal experiência do consumidor. “Essa é a forma de assegurar ao cliente que, independentemente da unidade que frequente, ele receberá o que espera, baseando-se nas suas experiências de compras anteriores”, acrescenta a especialista.

SEM FAZER VISTAS GROSSAS

Fazer vistas grossas ao não cumpri­ mento dos processos, padrões e conformidades é colocar em risco o sucesso do negócio como um todo. Uma das garantias de êxito de uma rede de franquias é exatamente sua capacidade de manutenção dos padrões determinados para atendimento ao cliente: layout das lojas, postura dos atendentes, qualidade dos produtos e serviços prestados e qualquer outro padrão que dissemine a cultura da empresa, os atributos e os valores que deverão ser percebidos pelos clientes. “Antes mesmo de adquirir determinada franquia, o candidato é informado das diversas exigências, dos processos e conformidade que deverão ser cumpridos para que os padrões não se percam e para que a experiência de consumo na rede esteja garantida ao cliente”, explica Claudia Bittencourt.

Se, ao fazer a escolha do franqueado, a franqueadora definir não apenas pela disponibilidade de investimento, e sim pelo perfil ideal do franqueado para operar o negócio com sucesso e manter um bom e próximo relacionamento com ele, verá reduzir drasticamente a postura de alguns “rebeldes sem causa” na rede.

E quando o trabalho da consultoria de campo tem valor agregado e vai além da supervisão, de modo que o franqueado perceba que a franqueadora tem o objetivo de ajudá-lo a atingir resultados, ficará ainda mais fácil o relacionamento. E todos tendem a ganhar: franqueado, franqueador e cliente.

NÍVEL DE EXIGÊNCIA

Na VitaDerm, rede que vende produtos hipoalergênicos, a ordem é exigir o cumprimento integral dos manuais da marca, entre eles, o de Marketing, de Operacionalização de Loja, Arquitetônico e de Marca. Além disso, as franquias são cobradas através de um checklist de franquias sobre diversos aspectos da operacionalização do negócio do franqueado, desde gestão dos estoques até visual merchandising. “Verificamos regularmente as redes sociais das franquias, enviamos clientes ocultos para averiguar a qualidade do atendimento das lojas e periodicamente fazemos auditorias através dos consultores de campo da empresa”, pontua o gerente de marketing da VitaDerm, Angelo Molino Junior.

NA INTERNET

Já a rede Grupo Life Brasil, especializada em seguros pessoais, acredita que a manutenção da qualidade se dá por meio de treinamentos constantes. Os franqueados têm à disposição a Universidade Corporativa Unilife, plataforma com mais de 270 horas anuais de formação e com acesso on-line 24 horas.” Além do treinamento que oferecemos, acompanhamos diariamente o desempenho de cada unidade, pois dessa forma conseguimos identificar e corrigir falhas na operação com agilidade”, esclarece, CEO e founder do Grupo Life Brasil, Alberto Júnior.

Além disso, três vezes por semana, a franqueadora promove transmissões, ao vivo, nos canais da rede para manutenção das ferramentas de vendas e produtos, gerando assim um alinhamento ao sistema de vendas e método próprio. “Com o nosso acompanhamento constante de resultados, identificamos com facilidade os empreendedores que não seguem as estratégias que ensinamos, pois apresentam resultados inferiores às demais unidades, e com essas informações em mãos, atuamos com rapidez para oferecer o melhor suporte aos franqueados”, diz Alberto Júnior.

FORNECEDORES ALIADOS

O monitoramento dá-se por várias formas quando o assunto é a manutenção de qualidade. A rede Oakberry Açaí Bowls tem como aliadas as empresas que fornecem produtos para os franqueados. “Todos os fornecedores da rede são homologados pela franqueadora e enviam relatórios semanais/mensais com as compras feitas por cada um dos franqueados. Dessa forma e junto ao faturamento das unidades podemos perceber quando algo está fora do padrão”, conta o CEO e fundador da Oakberry Açaí Bowls, Georgios Frangulis.

A rede possui ainda uma equipe de supervisão que faz visitas a todas as unidades e preenche formulários em que analisam todos os pontos da operação.

PENTE-FINO

A rede Não+Pelo não tolera falta de padrão nas normas de atendimento. Por isso, faz um pente-fino constante nos franqueados.

As apostas estão em cliente oculto presencial e através de ligações telefônicas, vistoria diária nas redes sociais, vistoria através da equipe comercial e técnica. “A ausência desse padrão causa desunião e falta de unicidade na comunicação da rede, gerando prejuízos para a marca e principalmente para o nosso cliente”, analisa o CEO da Não+Pelo, Joaquim Martins.

 CHECAGEM E “RECHECAGEM”

Trabalhar com produtos alimentícios é um desafio ainda maior. Não é para menos que a rede Chiquinho Sorvetes está sempre “em cima” do franqueado para nada sair do planejado. A rede não abre mão do nível máximo de padrão, nem que para isso precise checar e “rechecar”. ” Nossa consultoria de campo trabalha na orientação dos franqueados, fazendo visitas frequentes para manutenção do padrão. Caso seja necessário, a auditoria é acionada para ir a campo”, afirma o fundador e presidente da Chiquinho Sorvetes, Isaías Bernardes de Oliveira. A “marcação cerrada” faz-se necessária, ainda mais por se tratar de uma rede que conta com mais de 460 unidades em operação.

FAZER VALER

Claudia Bittencourt, do Grupo Bittencourt, garante que nas redes de franquias nada acontece sem um motivo, e via de regra há uma parcela de culpa maior da franqueadora do que do franqueado. “Ele pode ter sido mal escolhido, faltou a análise mais aprofundada de seu perfil e histórico de comportamento; o suporte não está sendo adequado para que ele obtenha os resultados esperados ou, ainda, o negócio não foi bem formatado e a operação pode não trazer resultados suficientes para mantê-lo; ou falta-lhes produtos, no caso de a franqueadora ser a única fornecedora da rede, e ele tem que buscar alternativas fora da marca, desrespeitando as regras”, enumera.

Outro aspecto é que o franqueado não se toma rebelde de uma hora pra outra, geralmente é por um acúmulo de demandas não atendidas, gerando insatisfação com o negócio. “Vale uma reflexão da franqueadora e tentar buscar as causas antes de penalizar”, alerta Claudia.

 PUNIÇÃO?

A partir do momento da identificação de problemas em operações que não respeitam o padrão, qual a melhor postura a ser tomada’? O CEO do Grupo MD – especialista em marketing e comunicação para varejo e franquias -, Denis Santini, é enfático: “Conscientização e educação, no sentido literal, de educar o franqueado e ajudá-lo a capacitar a sua equipe, e ainda mostrar os riscos que atitudes e/ ou processos podem ter para o consumidor final”.

Claudia Bittencourt complementa: “Ao realizar acordos para a melhora na postura do franqueado e o problema continuar, é chegada a hora de fazer valer o contrato e as cláusulas lá dispostas e, dependendo do caso, repensar a parceria, avaliando um possível distrato entre as partes”.

Franquia - padrão de qualidade. 2 

TOME NOTA: FERRAMENTAS DE CONTROLE

 

SERVIÇO E PRODUTOS FINAIS:

Para ter um bom controle é necessário processos claros, treinamento e principalmente acompanhamento e correção rápida – novamente o papel-chave do consultor de campo.

BRANDING E IMAGEM DE MARCA:

É fundamental uma atuação forte do marketing na disseminação da cultura da empresa da franquia em toda a cadeia. lntranet, treinamento, materiais de comunicação para o franqueado e para a equipe, e vamos lá!

CONSULTOR DE CAMPO:

Novamente ele tem papel fundamental na construção e manutenção da imagem do franqueador para o franqueado, equipe do franqueado e, claro, consumidor final.

 

FONTE:

DENIS SANTINI, do Grupo MD.

ALIMENTO DIÁRIO

PROVÉRBIOS 12: 13-19

Pensando biblicamente

VERDADE E FALSIDADE

 

V13 – Veja aqui:

1. O ímpio se envolve em problemas por sua tolice, quando Deus, com justiça, o deixa à sua própria mercê. O laço do ímpio está na transgressão dos lábios, e suas gargantas são cortadas com suas próprias línguas. Ao falarem mal de pessoas dignas, eles se expõem à justiça pública; ao falarem maldades, eles se tornam ofensivos e causam ressentimentos pessoais, são processados por difamação, e sofrem ações legais por causa de suas palavras. Muitos homens pagaram caro, neste mundo, pela transgressão de seus lábios, e sentem em sua própria pele o castigo, por falta de controle em suas línguas (Salmos 64.8).

2. O justo sairá da angústia por sua própria sabedoria, quando Deus vier em seu socorro, em misericórdia. O justo sairá destes problemas da mesma maneira como os ímpios mergulharão de cabeça neles. É indicado que o justo pode, talvez, vir a ter dificuldades, mas, ainda que caia, não será completamente destruído (Salmos 34.19).

 

V. 14 – Aqui somos assegurados, para nos incentivar em toda boa obra e toda boa palavra:

1. Que até mesmo as boas palavras poderão ter um bom resultado (v. 14): Cada um se farta de bem (isto é, obtém consolos atuais, aquele prazer interior que é verdadeiramente satisfatório) pelo fruto da sua boca, pelo bem que ele faz, com suas palavras piedosas e seus conselhos prudentes. Enquanto estamos ensinando os outros, podemos, nós mesmos, aprender, e nos alimentar com o pão da vida que partimos para os outros.

2. Que as boas obras serão abundantemente recompensadas: O que as mãos do homem fizerem, por meio de todo o seu trabalho e esforço por amor, tudo o que ele fez para a glória de Deus, e para o bem da sua geração, isso ele receberá – ele colherá o que semeou. Ou isto pode ser interpretado como a regra geral de justiça: Deus recompensará cada um segundo as suas obras (Romanos 2.6).

 

V. 15 – Veja aqui:

1. O que impede que um tolo seja sábio: “O caminho do tolo é reto aos seus olhos”; ele pensa que está no caminho certo em tudo o que faz, e sendo assim não pede conselhos, porque não percebe que precisa deles; ele tem certeza de que conhece o caminho, e não pode se enganar, e por isto, nunca pergunta qual é o caminho. A regra que ele segue é fazer aquilo que parecer correto aos seus olhos, andar no caminho do seu coração. Ele faz da sua vontade a sua lei. É um tolo que é governado por seus olhos, e não pela sua consciência.

2. O que impede que um homem sábio seja tolo; ele deseja ser aconselhado, deseja que lhe deem conselhos, e dá ouvidos ao conselho, não confiando no seu próprio juízo, mas valorizando a orientação dos que são sábios e bons. É sábio (este é um sinal de que é sábio, e provavelmente continuará sendo sábio) aquele cujos ouvidos estão sempre abertos para bons conselhos.

 

V. 16 – Observe:

1. A paixão é loucura: um tolo é conhecido pela sua ira (assim interpretam alguns): não que um sábio não possa irar-se, quando há causa justa para isto, mas então ele tem a sua ira sob controle, é senhor da sua ira, ao passo que a ira de um tolo o domina. Aquele que, quando provocado, irrompe em expressões, palavras ou comportamentos indecentes, cuja paixão altera o seu comportamento, e o torna infame, e o leva a se esquecer de si mesmo. Nabal é o seu nome, e a loucura está com ele. “A ira do louco se conhece no mesmo dia”; ele proclama a sua loucura abertamente, com quem quer que ele esteja. Ou é conhecida no dia em que ele é provocado; ele não pode evitar a demonstração dos seus ressentimentos. Os que logo se iram, que são rapidamente levados a uma explosão, pela menor fagulha, não têm o controle que deveriam ter sobre o seu próprio espírito.

2. A mansidão é sabedoria: “O avisado encobre a afronta”.

(1) Ele encobre a paixão que está no seu próprio seio; quando seu ânimo é incitado, e seu coração se aquece dentro dele, ele guarda a sua boca, como com uma rédea, e suprime seus ressentimentos, abafando-os e sufocando-os. A ira é uma afronta, e ainda que um homem sábio possa não estar completamente livre dela, ainda assim ele se envergonha por causa dela, e a rejeita, e não permite que o mau espírito fale.

(2) Ele encobre a provocação que lhe é feita, a indignidade que lhe é feita, finge que não a vê, para que não leve os seus ressentimentos longe demais. É uma bondade para nós mesmos, e contribui para o repouso de nossas próprias mentes, atenuar e desculpar as ofensas e afrontas que recebemos, em lugar de agrava­ las e piorá-las, como somos propensos a fazer.

 

V. 17 – Aqui temos:

1. Um homem honesto elogiado por um testemunho fiel. Aquele que se empenha em dizer a verdade e descrever tudo de maneira exata, de acordo com o que sabe. seja em juízo ou em conversas comuns, esteja sob juramento ou não, exibe justiça; ele mostra que é governado pelos princípios e leis da justiça, e promove a justiça, honrando-a, e servindo à sua administração.

2. Uma falsa testemunha condenada por uma mentira: esta pessoa mostra engano e fraude, não somente por não se importar em enganar àqueles com quem lida, mas pelo grande prazer que sente nisto, e porque está possuída por um espírito de mentira (Jeremias 9.3-5). Todos nós devemos nos preocupar em conservar um temor e abominar o pecado da mentira (Salmos 119.163), sendo movidos por um princípio dominante de honestidade.

 

V. 18 – A língua é morte ou vida, veneno ou remédio, de­ pendendo de como é usada.

1. Há palavras que ferem e matam, sim, que são como pontas de espadas. Palavras ofensivas entristecem a alma daqueles a quem são ditas, e lhes ferem o coração. As calúnias, como uma espada, ferem a reputação daqueles sobre quem são proferidas, e talvez de maneira incurável. Os boatos e as más conjecturas, como uma espada, dividem e separam os laços do amor e da amizade, e separam os que já foram preciosos, uns aos outros.

2. Há palavras que curam: a língua dos sábios é saúde, elas fecham aquelas feridas provocadas pela língua difamadora, restaurando-a, restaurando a paz e ajustando divergências, e persuadindo à reconciliação. A sabedoria encontrará remédios apropriados para as maldades que são feitas pela difamação e pelas más línguas.

 

V19 – Devemos observar, para a honra da verdade, esta situação sagrada:

1. Que, se for dita a verdade, ela será válida. e a despeito de quem quer que possa ficar descontente com ela, ela ficará firme. Grande é a verdade, e ela prevalecerá. O que é verdade sempre será verdade; nós podemos agir de acordo com ela, sem temer ser refutados e envergonhados.

2. Que, se a verdade for negada, ainda assim, com o tempo. se tornará conhecida. Uma língua mentirosa, que distorce as coisas, dura só um momento. A mentira será refutada. O mentiroso, quando examinado, será descoberto em várias estórias; ele não é coerente consigo mesmo como aquele que fala a verdade; e, quando descoberto em uma mentira, não consegue seu objetivo, nem terá credibilidade mais tarde. A verdade pode ser eclipsada, mas virá à luz. Portanto, os que fazem de uma mentira o seu refúgio, encontrarão um refúgio de mentiras.

 

PSICOLOGIA ANALÍTICA

QUANDO A HOMOSSEXUALIDADE FOI PROSCRITA PELA PSICANÁLISE

Considerada doença ou transtorno mental, a preferência por pessoas do mesmo sexo foi historicamente colocada à margem do movimento psicanalítico institucionalizado; muitas vezes, homossexuais que se candidatavam à formação de analista eram repudiados.

Quando a homossexualidsad foi proscrita pela psicanálise

Este ano parte dos países ocidentais celebrará os 50 anos da “revolta de Stonewall”, em junho de 1969, considerada a retomada contemporânea da luta pelos direitos das minorias sexuais. No Brasil, a parada do Orgulho Gay, que já faz parte do calendário oficial de muitas cidades, especialmente São Paulo, é uma referência ao evento. Na ocasião, gays, lésbicas, bissexuais e transgêneros resistiram aos maus-tratos que sofriam de policiais e, durante seis dias, ocorreram vários conflitos nas proximidades do bar de Nova York. Depois disso, o movimento de emancipação gay tomaria como um de seus alvos o próprio Código Penal, assim como a religião, a psiquiatria e também a psicanálise.

Nos anos 70, a psicanálise havia atingido seu auge de popularidade e influência, especialmente nos Estados Unidos. Reverenciada como representante da autoridade em saúde mental, era praticamente indiscernível da psiquiatria médica. De 1952 a 1973, o célebre Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais (DSM), hoje na quinta edição, servia na época como testemunha de uma relação muito próxima entre esses dois domínios. Em suas duas primeiras versões, o DSM era marcado pela nosologia psicanalítica, contestada a partir da elaboração de sua terceira versão em diversos pontos – um deles, a definição da homossexualidade como transtorno mental. A “patologização” da homossexualidade era, assim, a expressão de uma psicanálise que pouco lembrava suas bases libertárias. Figuras respeitadas da disciplina freudiana se engajavam em práticas de “conversão” de homossexuais e de difusão de discursos demonizadores acerca da homossexualidade.

Quando a homossexualidsad foi proscrita pela psicanálise. 2

A REGRA NÃO ESCRITA

À conquista do espaço público pela fala gay aliaram-se denúncias que abalariam as estruturas armadas para recalcar, sob o signo do silêncio, a presença de homossexuais em instituições tradicionalmente conservadoras, como o Exército, a Igreja, os cursos de medicina psiquiátrica e os institutos de formação psicanalítica. Em uma conferência nos Estados Unidos em 1972, um homem disfarçado com uma máscara, adotando a alcunha de Doctor H. Anonymous, disse após ter exposto a necessidade de esconder-se de seus pares por ser gay: “Há psicanalistas atuantes entre nós que completaram uma formação psicanalítica sem sequer mencionar sua homossexualidade a seus analistas”. Esse primeiro gesto político do psiquiatra mascarado inaugurou a “saída do armário” e repercutiu no universo psicanalítico.

A estratégia da visibilidade foi a via pela qual se fez explícita a regra silenciosa de proibição do ingresso de homossexuais assumidos na formação psicanalítica. A Associação Psicanalítica Internacional (IPA), instância reguladora dos institutos de formação desde sua fundação, em 1910, nunca editou nenhuma norma explícita que proibisse a candidatura de um pretendente à formação assumidamente homossexual. Todavia, as reações tempestuosas dos psicanalistas de diversas nacionalidades à homossexualidade tornada pública de Richard lsay – psicanalista americano, primeiro a “sair do armário”-, bem como daqueles que atenderiam a seu chamado à visibilidade, denunciam que a homossexualidade foi historicamente colocada às margens da psicanálise institucionalizada.

Em nenhum outro país além dos Estados Unidos houve a expressão pública de psicanalistas homossexuais formados pelos institutos filiados à IPA. Todavia, a orientação para a proibição é explícita em muitas denúncias e depoimentos de psicanalistas ou candidatos homossexuais rejeitados em diversos países, publicados após os eventos que marcaram a década de 70, inclusive em veículos tradicionais de divulgação psicanalítica.

No Brasil, uma reunião internacional de psicanalistas ocorrida em 2008 mostra ser consensual a opinião de que não só havia uma atitude da IPA orientada para a rejeição desses candidatos, mas de que também teorias psicanalíticas nas quais a homossexualidade era o signo de uma doença eram imediatamente levadas em conta pelos encarregados da seleção de candidatos à formação. A exclusão de homossexuais não era, portanto, um assunto exclusivo da psicanálise americana, como muitos então faziam crer.

E quais eram as teorias que viam a homossexualidade como uma patologia? Comecemos pelos primórdios. É difícil sintetizar em poucas linhas o pensamento freudiano acerca da homossexualidade masculina, e toda tentativa de obter uma compreensão unívoca resultou em algo enviesado e forçoso, seja com o intuito de encontrar uma unanimidade conservadora ou mesmo libertária. Para Freud, a homossexualidade é, assim como a heterossexualidade, derivada da bissexualidade original, produto de uma série de restrições no desenvolvimento psicossexual, conforme encontramos em Três ensaios sobre a teoria da sexualidade, de 1905. A crença na sexualidade “perverso-polimorfa”, típica da criança, é a matriz das reflexões de Freud acerca das limitações que resultam na preferência manifesta de alguns pela relação sexual com pares do mesmo sexo biológico.

Desde os gregos e seus efebos até a fuga da competição com o pai, passando pelo narcisismo no ensaio sobre Leonardo da Vinci, a homossexualidade segundo Freud não assume um caráter diagnóstico, nosológico ou descritivo definitivo. Ao final de sua vida, em 1935, temos ainda o testemunho dado por uma carta escrita em resposta à mãe de um homossexual, na qual lemos: “A homossexualidade não é seguramente uma vantagem, mas não é nada de que se deva envergonhar; não é um vício, não é uma degradação, não pode ser classificada como uma doença. Nós a consideramos uma variação da função sexual produzida por certa inibição do desenvolvimento sexual”.

O aspecto multifacetado da teoria freudiana serve como um índice de como seu legado não oferece uma compreensão definitiva da homossexualidade masculina, sempre pensada, repensada e contraditada de acordo com a questão que se apresentava especialmente a partir de seus casos clínicos. De sua obra, portanto, não se pode derivar seguramente qual seria sua opinião acerca do ingresso de homossexuais nas instituições psicanalíticas, até mesmo se levarmos em conta que sua última teorização mantinha a homossexualidade como uma “interrupção no desenvolvimento”. O que Freud pensava acerca disso fica claro em uma carta de 1921 em que discute com um discípulo justamente a sina de um médico rejeitado à formação psicanalítica por ser homossexual. Freud escreve: “Sua indagação, caro Ernest, a respeito da prospectiva qualidade de homossexuais como membros foi por nós considerada e discordamos de você. Com efeito, não podemos excluir tais pessoas sem outras razões suficientes, assim como não podemos concordar com suas perseguições legais. Sentimos que uma decisão em tais casos deve depender de um cuidadoso exame de outras qualidades do candidato”.

Mesmo que Freud tenha nutrido e exposto tal opinião, a posteridade psicanalítica negou a homossexuais a possibilidade de formarem-se nos institutos vinculados à IPA. Some-se a isso um recrudescimento da teoria da homossexualidade masculina como patologia e também de um moralismo praticamente ausente no texto freudiano. Uma tradição, inaugurada por Melanie Klein, muito popular após a morte de Freud, foi conceber a homossexualidade como resultado de uma perturbação pré-edípica do desenvolvimento que a avizinhava da psicose e dos transtornos borderline, muito aquém da resultante de um drama edípico conforme Freud pensava. E não seria nada raro, justamente a partir da década de 40, encontrarmos psicanalistas respeitados de diversas nacionalidades tecendo opiniões degradantes acerca da homossexualidade, bem como anunciando terem encontrado o mecanismo subjacente a toda escolha homossexual, quase sempre concebida como um erotismo equivocado em relação à aquisição do único e verdadeiro amor representado pela heterossexualidade genital e reprodutiva, e tal escolha homossexual seria, por vezes, passível de “cura” por meio da análise.

Dessa forma, a psicanálise adotava um discurso, em termos formais e ideológicos, semelhante aos da Igreja e de outras instâncias sociais normativas que traçavam as fronteiras entre os comportamentos socialmente aprováveis e os outros, marginalizados. Assim, emerge como uma consequência lógica o afastamento dos homossexuais do posto daqueles que se qualificavam como porta-vozes e vigias da normalidade (os psicanalistas), por meio do repúdio compulsório ou da assimilação mediante o segredo e o silêncio. O que caracterizava propriamente a política do “não pergunte, não conte” – ou don’t ask, don’t tell, como foi chamada no Exército americano – era também; aplicável aos dispositivos de transmissão e formação psicanalítica. Mas, quanto ao veto de homossexuais entre seus membros, como a instituição psicanalítica tornou-se equivalente ao Exército e à Igreja?

Para Freud, a psicanálise tinha como destino inevitável provocar oposição e despertar rancor, devido à posição de crítica cultural que assumira desde seus primeiros avanços. Punha-se, assim, ao lado de outros personagens e movimentos marginais da cultura dominante, como os de liberação sexual encabeçados pelo médico alemão Magnus Hirschfeld, homossexual, fundador do Instituto Psicanalítico de Berlim. Porém, já na década de 70, a psicanálise havia se tornado, nas palavras de um de seus representantes, “legítima, respeitável, bem como apática e presunçosa, atraindo aqueles que encontram segurança na conformidade e na propriedade”. No cerne desse percurso das bordas da cultura dominante ao centro está uma estrutura de poder arcana e dogmática. Para garantir que a psicanálise “original” e “legítima”, regulada pela IPA, fosse ensinada e praticada da mesma forma em todos os lugares, o mesmo sistema de formação deveria ser posto em operação. Michael Balint, notório crítico desse sistema, apontava para o fato de que nada na psicanálise era submetido a um recalque tão pronunciado quanto o próprio sistema de formação, e a resultante eram o dogmatismo e a proibição do pensamento.

Em síntese, a formação psicanalítica era caracterizada, do alto, pelos analistas didatas, os membros mais antigos e poderosos dos institutos; os candidatos desejosos de se formarem psicanalistas, depois de uma série de entrevistas iniciais, deveriam submeter-se a uma análise de tempo determinado com os didatas, bem como a uma série de supervisões de casos clínicos por eles atendidos. Um dispositivo hierárquico que operava pelo controle estrito das características dos candidatos, como se pode perceber, produziu um sistema cada vez mais normalizador, em que as personalidades não conformistas do passado cederam lugar a personalidades excessivamente obedientes.

Quando a homossexualidsad foi proscrita pela psicanálise. 3 

A REGRA ENFIM ESCRITA

A resultante desse sistema de difícil oposição era que os jovens ingressantes no freudismo não tinham alternativa a não ser aceitar os parâmetros de seus antecedentes, e um veículo dessa aceitação era identificarem-se a seus analistas sob o risco de terem de abandonar o processo, não havendo outra formação além daquela legitimada pela IPA. E os parâmetros eram justamente aqueles de uma cultura que, progressivamente, demonizava a homossexualidade. Desde o recrudescimento da homofobia no mundo ocidental com o advento da Segunda Guerra Mundial, e de uma psicanálise adaptativa e conformista nos Estados Unidos, a aversão tornou-se o modelo dominante também na IPA.

Não por acaso, as críticas mais duras e efetivas ao sistema de formação psicanalítica coincidiram com o momento em que as denúncias de exclusão de homossexuais começaram a ser expressas – as sociedades psicanalíticas francesas, por exemplo, chegaram ao extremo de abolir a análise didática. Ambas as esferas estão intimamente relacionadas e começam a mudar também em um contexto de crise da psicanálise em âmbito mundial, até com a perda da influência de que antes gozava. Nesse contexto, a psicanálise americana, antes o exemplo mais claro da homofobia psicanalítica, tornou-se rapidamente uma bandeirante da libertação homossexual e, após ter estabelecido regras explícitas de não discriminação de homossexuais, forçou a IPA a emitir ela própria uma política de não discriminação, adotada em 2002 e hoje visível em seu conjunto de regras de procedimentos nos seguintes termos: “Na base de seu compromisso com valores éticos e humanísticos, a IPA se opõe a discriminações de qualquer tipo. Isto inclui, mas não se limita a qualquer discriminação baseada em idade, raça, gênero, origem étnica, crença religiosa ou orientação homossexual”.

 

OUTROS OLHARES

O ANTAGONISMO ENTRE “SER” E “TER”

anos estudiosos apontam que ter e ser são conceitos diferentes de existência do indivíduo e de sua interação com o mundo, colocando em situações antagônicas “poder e posse” e “afetividade e sentimentos”.

O antagonismo entre ser e ter

“A atitude inerente ao consumismo é a de engolir o mundo todo”, escreveu Erich Fromm. E quando o indivíduo renuncia a essa postura e opta pelo desfrute moderado dos benefícios da cultura material? Bem-vindo à simplicidade voluntária, filosofia de vida que rediscute a oposição ter e ser sob outro ponto de vista.

Certos conceitos formulados em áreas do conhecimento ultrapassam os muros científicos e ganham as ruas, tornando-se quase de domínio público. A Psicologia e a Psiquiatria estão repletas deles: “depressão”, “pânico” e “bipolaridade” são exemplos de um vocabulário que se popularizou nos últimos anos para, não raro, rotular fenômenos bastante diferentes daqueles consagrados na academia e na clínica. Muitos não lembram, mas outro clichê repetido com frequência pelo grande público tem origem no trabalho de um psicanalista alemão chamado Erich Fromm: a oposição entre ter e ser.

Fromm serviu-se dos conceitos de Karl Marx para, em meados da década de 1970, apontar que ter e ser constituíam dois modos diferentes de existência do indivíduo e de interação com o mundo. No primeiro, privilegiar-se-iam o poder, a posse e a superioridade sobre os demais; no segundo, os relacionamentos, a afetividade e o sentimento. A predominância de um ou de outro em um indivíduo ou sociedade não derivaria apenas de questões como personalidade e criação familiar, senão que do sistema económico vigente. O capitalismo, evidentemente, seria o cenário ideal para a hegemonia do ter, o que ajuda a explicar o tributo de Fromm a Marx em sua elaboração teórica.

Na mesma época em que Fromm opunha ter e ser, norte-americanos de diversas regiões faziam sua opção pelo segundo. Ser, àquela época, significava renunciar aos apelos sedutores do capitalismo mais avançado do mundo em prol de uma vida menos dedicada ao trabalho e ao consumo, e mais ancorada no tempo livre e nos relacionamentos afetivos. Uma vida mais simples, em resumo.

Batizada de simplicidade voluntária, a escolha dessas pessoas refletia uma exaustão com o capitalismo norte-americano, exigente ao extremo quanto à saúde física e emocional de seus cidadãos, bem como a tentativa de inaugurar formas de viver menos materialistas. Deslocando do ter para o ser as fontes de contentamento, acreditava-se poder trilhar um caminho mais alcançável e democrático de felicidade e realização pessoal.

Quarenta anos depois do ter versus o ser e da simplicidade voluntária terem ganhado os holofotes, cabe perguntar: que balanço é possível fazer de suas trajetórias? O antagonismo proposto por Fromm faz sentido de fato ou constitui um reducionismo grosseiro? Adotar um a vida mais simples, no sentido propugnado pelos pioneiros norte-americanos dos anos 70, é o caminho para uma existência mais plena e feliz? Aliás, o que se entende por felicidade atualmente? São essas questões que procuramos discutir.

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COMPRAR E ACUMULAR

ter versus ser de Erich Fromm avançou pelos anos 80, 90 e 2000. De um lado, foi abraçado pela parcela das Ciências Sociais interessada em temas ligados ao consumo e ao chamado “mundo dos bens”. Se, de acordo com Fromm, “eu sou = o que tenho e o que consumo”, para o antropólogo Russel Belk, emérito estudioso da cultura material, “(…) nós consideramos nossos pertences como partes de nós. Nós somos o que temos e possuímos. Segundo Belk, aliás, nossos pertences ajudariam a desenvolver nosso senso de ser, funcionando como sua extensão. Desse modo, se o self representaria a identidade do ser humano, o “eu”, a extensão do self constituiria também aquilo que pertence a cada um, ou seja, o “eu” e o “meu”.

De outro lado, a proposição de Fromm ganhou prosseguimento nas mãos de estudiosos do comportamento humano oriundos de disciplinas tão diversas quanto a Psicologia, a Economia e a Sociologia. Nas quase quatro décadas que separam a primeira edição de Ter ou Ser? dos dias de hoje consolidou-se um campo de pesquisas que procura estimar a influência do ter (ou seja, da afluência material) sobre o ser (a expressão de satisfação com a vida e de estados de ânimo positivos). Nos círculos científicos, essa vertente de estudos desdobrou-se em duas: uma, de análise da relação entre renda e bem-estar subjetivo (popularmente chamado de “felicidade”); outra, de avaliação do impacto da importância conferida às posses e do apego aos objetos (o chamado “materialismo”) em dimensões subjetivas da existência.

Na primeira vertente, um apanhado sintético permite afirmar que dinheiro e felicidade andam juntos, sim, mas só até determinado ponto. Quando se trata de deixar a pobreza e migrar para os estratos médios de uma sociedade, ou partir desses para chegar à riqueza, renda e bem-estar subjetivo caminham de mãos dadas. Aumentar rendimentos sem mudar de classe social, permanecendo em um patamar intermediário ou mesmo elevado, no entanto, não provoca majorações expressivas no quesito satisfação com a vida.

A explicação mais aceita para esse fenômeno é relativamente simples. Qualquer incremento de renda que permita a uma família deixar a pobreza é bem-vindo animicamente, uma vez que aumenta a distância para uma situação de vulnerabilidade. Em casos assim é o crescimento absoluto da receita individual ou familiar que se encarrega de promover maior bem-estar, ao passo que, uma vez instalados num patamar intermediário ou superior, a felicidade dependeria de elevações relativas dos ganhos econômicos. Isto é, o indivíduo precisa perceber – e avançando mais que seus pares, o que é notoriamente mais difícil de ocorrer. Nossa psique, quando se trata de dinheiro, seria mezzo absoluta, mezzo comparativa, portanto.

No caso do materialismo, repetidos estudos indicariam que aqueles que atribuem mais importância aos bens – e, por consequência, a eles se apegam com mais facilidade – costumam apresentar autoestima menor e ser menos felizes. O motivo? Especula­ se que o materialismo decorra de uma insegurança individual, funcionando como compensação a uma privação vivida na infância. Porém, como na sociedade contemporânea as posições sociais são instáveis, e os julgamentos de valor, efêmeros, o materialismo seria incapaz de fornecer garantias emocionais perenes ao indivíduo, e mesmo de responder a quaisquer anseios mais profundos do ser humano –   revelando-se, desse modo, uma solução pouco mais do que temporária ou ilusória para tal insegurança.

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CONTEXTO SOCIAL

Todo esse processo não ocorreria sem a indispensável contribuição do contexto social, evidentemente. A exposição a uma cultura que valoriza o ter seria fundamental pua internalizar princípios que associam o valor individual à conta bancária e aos bens de uso público, especialmente. Nesse cenário, para alguns especialistas, a televisão desempenharia papel primordial ao submeter o cidadão comum a padrões de comparação quase inatingíveis, como o dos personagens de sua obra de ficção e os das celebridades cuja vida se empenha em esquadrinhar. Numa sociedade pautada pelos meios de comunicação de massa, a comparação do sujeito comum não se faz mais com o vizinho ou o parente mais próximo, tão somente, e sim com uma infinidade de desconhecidos que volta e meia tomam de assalto as telas de televisores e computadores. Horas passadas em frente TV, aliás, estão correlacionadas a gastos mensais mais elevados também, sugerindo que essa mídia, especialmente, é um impulso fundamental para fomentar o desejo de consumir.

Fromm provavelmente não se surpreenderia com esses resultados. Para ele, o capitalismo teria sido capaz de forjar nosso modo de enxergar o mundo – sempre a partir de uma perspectiva de posse e controle – e, por consequência, moldando até mesmo nosso vocabulário. Expressões banais do cotidiano, como “ter insônia”, “ter um problema” ou “ter um casamento feliz” refletiriam esse modo de encarar a vida e a relação do indivíduo com o exterior. “Algumas décadas atrás”, escreveu Fromm, em vez de “tenho um problema”, o paciente talvez dissesse “estou perturbado”; em vez de ‘tenho insônia’, diria “não posso dormir”; em vez de ‘tenho um casamento feliz’, diria “sou feliz no casamento”.

Mero preciosismo semântico? Não para o psicanalista alemão: Ao dizer ‘tenho um problema’, em vez de “estou perturbado”, a experiência subjetiva é eliminada. (…) Não posso ter um problema, porque problema não é uma coisa que possa ser possuído. (…) Esse modo de falar trai uma alienação inconsciente, oculta.

O estranhamento que essa maneira de se relacionar com o mundo despertava em Fromm constituía, segundo o próprio, uma exceção; posturas irrefletidas de vida e alheias às construções sociais presentes no dia a dia seriam a regra. Ter como sinônimo de ser e ambos como pré-requisitos obrigatórios para o bem-estar subjetivo fariam parte, segundo ele, do caráter social dos integrantes da chamada “sociedade industrial”.

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SIMPLICIDADE VOLUNTÁRIA

A passagem da sociedade tradicional para moderna constituiu uma conquista civilizatória repleta de benefícios, como mobilidade econômica, liberdade individual e avanço cientifico. A transição, porém, cobrou seu preço. Hierarquias fixas são menos estressantes que as móveis, nos lembra o professor Robert Lane. A insegurança é a cara-metade da ambição; para cada desejo de ascensão há um temor de queda. Evitar que essa incerteza paralise a vida constitui um dos desafios psíquicos contemporâneos.

Como, então, enfrentá-lo? O próprio Lane dá uma pista, favorecendo posturas que aumentem nossa sensação de autonomia, de controle sobre a própria vida. Para tanto, a conhecida indicação de não colocar todos os ovos em uma mesma cesta, ressurge sob a recomendação de cultivar fontes de satisfação para além do dinheiro e das posses. Família, amigos, hobbies e distrações de todos os tipos são mananciais relativamente estáveis de contentamento e servem para atenuar a importância que carreira profissional, salários e preocupações materiais costumam ocupar na nossa mente.

Foi justamente por essa fresta que se esgueirou a simplicidade voluntária. Propondo que parte do consumo e da busca por aumento de renda e patrimônio fosse substituída por valorização do tempo livre, dos relacionamentos e da realização espiritual, ela incorporou à perfeição, desde os anos 70, o papel de uma filosofia de vida popular em que o ter cedia primazia ao ser.

Para não viajar tão longe no tempo, pode-se resumir que a simplicidade voluntária remonta a dois momentos do século XX. Primeiro, a 1936, quando Richard Gregg, discípulo de Mahatma Gandhi, cunhou a expressão em um pequeno livro publicado nos Estados Unidos. Nele, Gregg flagrava um mal­ estar social proveniente da organização socioeconômica vigente, sugerindo aos cidadãos que procurassem reformá-la a partir de suas pequenas decisões diárias – consumo, trabalho, convivência comunitária etc.

Pouco se sabe da repercussão do ensaio de Gregg, a não ser que o termo “simplicidade voluntária” acabou vencendo o tempo a ponto de ser resgatado por dois pesquisadores norte­ americano; em meados da década de 1970. Duane Elgin e Arnold Mitchell identificaram, à época, que contingentes crescentes de cidadãos optavam por modelos de vida menos apegados aos valores norte-americanos clássicos, como culto ao dinheiro, ao consumo e ao trabalho. Conterrâneos que, desiludidos com os rumos que o país e a própria vida vinham tomando naqueles tempos, optavam por empregos de meio período, reduziam o volume de compras nos shoppings e supermercados ou se mudavam para o interior, em busca de um refúgio distante do frenesi do metrópoles. Não havia estatísticas capazes de mensurar o fenômeno que os dois autores afirmavam estar ocorrendo, e talvez nem fosse possível ou desejável que houvesse; a Elgin e Mitchell para dar bastar o insight deflagrar o zeigeist em movimento.

OPÇÃO DE VIDA

Desde então, a simplicidade voluntária firmou-se ao panorama social dos Estados Unidos e de outras nações, incluindo o Brasil, como uma opção de vida nem sempre fácil de ser caracterizada, visto que livre de regras ou prescrições rígidas, mas, ainda assim, expressiva em significados. Em última análise, dizer-se um simplifier – ou seja, um adepto da simplicidade voluntária – representa afirmar-se contrário ao pensamento hegemônico que vincula o ser ao ter nos moldes identificados por Fromm. Representa estabelecer um limite – para os próprios desejos de posse e controle em prol de expectativas e vivências não apenas mais ajustadas à capacidade econômica individual, mas, principalmente, à saúde psíquica de cada um. Como bem afirma o neurocientista Peter Whybrow, referindo-se aos Estados Unidos, pais no qual a simplicidade voluntária nasceu, há um desequilíbrio (…) entre as demandas de nossa (…) cultura comercial e a biologia que herdamos.  (…) A ansiedade e muito da enfermidade das quais os americanos sofrem hoje podem ser atribuídas a esse desequilíbrio cultural – biológico. (…) A maneira pela qual nós escolhemos conduzir nossas vidas tem nos adoecido”.

Atente-se para a última frase do excerto acima: a maneira pela qual escolhemos conduzir a vida. Ora, o desejo infinito de ter é um construto social, e não um dado natural. Por mais que o sistema sugira que não há limites para o querer (e nem para o realizar), a natureza os impõe, seja sob a forma de recursos ambientais não renováveis, seja sob as condições de funcionamento de nosso frágil aparelho emocional. Priorizar o ter não é destino, e sim opção – assim como tentar domá-lo, conforme sugere a simplicidade voluntária.

Por esse motivo, ela configura um mecanismo de autorregulação dos desejos do sujeito, um guia de comportamento que propõe um contrato entre os diferentes status do indivíduo; o ambicioso cede um pouco ao acomodado, o rigoroso ao flexível, o concreto ao relativista, o realizador ao contemplativo. Como toda forma de autogerenciamento, não está imune a solavancos emocionais, questionamentos e até arrependimentos, visto que constitui uma tentativa de pacificação entre eus antagónicos. Caracteriza-se como uma forma de resposta do indivíduo ao meio, um movimento psíquico de adaptação à realidade externa e de auto-transformação diante daquilo que ela apresenta.

GESTÃO E CARREIRA

COMO GANHAR + DINHEIRO EM 2019

Um guia para organizar as contas, investir de maneira mais inteligente e proteger o orçamento das incertezas do ano que começa.

Como ganhar +dinheiro em 2019

Após quatro anos de recessão, o Brasil ensaia, enfim, uma retomada. Segundo estimativas do mercado, a economia pode dar um salto de 2,5% em 2019. Se isso acontecer, o país crescerá o dobro dos dois anos anteriores, quando o PIB fechou em pífio 1,1%. Mas nem tudo o que reluz é ouro.

Jair Bolsonaro está longe de ser unanimidade. A verdade é que, apesar de sua equipe econômica, capitaneada por Paulos Guedes, possuir a simpatia do setor privado, os empresários só avançarão diante de um sinal verde. Em outras palavras, para que façam investimentos parrudos e voltem a contratar (gerando vagas de empregos), o atual presidente terá de cumprir quanto antes suas promessas de campanha, como a realização do ajuste fiscal e a aprovação da reforma da Previdência. “Isso seriam provas de que pretende combater a ineficiência do Estado brasileiro, o que aumentaria a confiança do mercado”, diz Ricardo Rocha, professor de finanças no Insper.

Colocar a máquina pública nos trilhos, sem efeitos colaterais, é a visão otimista do que poderá acontecer nos próximos meses. Para os mais céticos, no entanto, há riscos no horizonte. Um deles é que as movimentações escancaradamente pró-mercado levem à precarização das condições de trabalho, voltando parte dos 57 milhões de eleitores contra Bolsonaro. Outro é que o atual presidente não tenha jogo de cintura para lidar com os diferentes interesses dos parlamentares.

Consultorias de negócios, como a Eurasia, acreditam que o Congresso será o calcanhar de Aquiles do governante. Se quiser impor sua agenda liberal, Bolsonaro terá de exibir uma habilidade de barganha que não demonstrou possuir até agora, angariando líderes partidários que levem suas pautas adiante durante as votações.

E os problemas não acabam por aí. Rodrigo de Losso, professor no departamento de economia da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (FEA-USP) e Ph.D. pela Universidade de Chicago, afirma que alinhar forças dentro da própria base será um grande desafio. Quem vai falar mais alto na sala de reuniões: os generais? O “posto Ipiranga” Paulo Guedes? O superministro Sergio Moro? Ou os três filhos de Bolsonaro? “O temperamento forte dessas pessoas pode causar um curto circuito. Isso me parece algo importante a ser considerado, embora seja difícil mensurar seus impactos agora”, diz o professor.

E EU COM ISSO?

A esta altura, já deu para notar que 2019 será um ano peculiar do ponto de vista político e econômico, o que exigirá dos indivíduos uma atenção extra, sobretudo ao planejar o orçamento pessoal.

Para início de conversa, convém observar para onde o vento sopra, sobretudo nos 100 primeiros dias do governo, quando muitas decisões serão anunciadas. Nesse período, até o começo de abril, a recomendação dos experts é que as pessoas evitem mudanças bruscas na carteira de investimentos e adiem compras grandes, como de carro ou de imóvel. “É crucial não fazer movimento determinante até que tudo esteja mais bem compreendido”, orienta André Novaes, planejador financeiro na consultoria Life Finanças Pessoais.

Recomenda-se, por exemplo, ficar de olho na reforma da Previdência: se ela for aprovada nos próximos três meses, a renda variável será uma opção interessante. Isso porque muitas companhias brasileiras de capital aberto vão se beneficiar com o clima de euforia provocado pelo novo modelo previdenciário.

A expectativa dos analistas é que a bolsa de valores tenha altas fortes em 2019. Projeções da XP, maior corretora de investimentos do país, mostram que o Ibovespa poderá chegar a 125.000 pontos, ante 90.000 no final de 2018. “Investir em ações será um bom negócio, principalmente nos setores de infraestrutura, varejo e bancos, que devem ser os mais beneficiados”, afirma Júlio Hegedus Netto, economista-chefe da consultoria de investimentos Lopes Filho & Associados.

Já Marcia Dessen, diretora da Associação Brasileira de Planejadores Financeiros (Planejar), pede cautela. “Títulos de renda fixa precisam representar pelo menos metade da carteira de um investidor, por ser mais seguros.” Outro cuidado essencial é acompanhar as oscilações da Selic, taxa básica de juro que baliza títulos como Tesouro Direto e CDBs. Se ela cair, a rentabilidade da renda fixa diminui também. Outro efeito da queda dos juros é a inflação — com juros menores, a população consome mais, o que puxa alguns preços para cima. Mas não há previsão de que a Selic despenque. Depois de atingir a mínima histórica de 6,5% em 2018, a projeção é que agora fique em torno de 8%. O segredo para obter rendimentos fora da curva, portanto, será fazer escolhas financeiras mais inteligentes. Veja como conseguir isso em quatro etapas certeiras.

 

1 – ORGANIZAR O ORÇAMENTO

A lição mais valiosa a ser tirada das dificuldades econômicas dos últimos três anos é sobre a importância de ter as contas em dia, com um valor guardado para enfrentar revezes. A empreendedora Sabrina Cardoso, de 28 anos, sentiu na pele a falta que faz um colchão de segurança. Em agosto de 2016, ela deixou um emprego tradicional como designer numa empresa do setor têxtil para atuar em seu próprio negócio, uma hamburgueria artesanal itinerante no Rio de Janeiro. Com a intensificação da crise no estado fluminense, o empreendimento passou a sofrer queda de vendas nos eventos de rua, que são o carro-chefe do negócio.

Sem uma reserva financeira, Sabrina teve de desengavetar o diploma de designer e voltou a atuar como autônoma em 2018. “Parei de tirar pró-labore na hamburgueria e comecei a me virar com frilas enquanto recupero meu negócio”, diz. Para enxugar despesas, ela ainda antecipou a união estável com o namorado, o que permitiu entrar como dependente no plano de saúde empresarial dele, que trabalha em regime de CLT numa companhia de tecnologia. Em setembro, Sabrina cancelou o cartão de crédito e passou a economizar cerca de 400 reais por mês. “Quando olhava a fatura, tinha investido em roupas que não precisava, andado demais de Uber ou comprado livros que não leria por falta de tempo”, lembra.

No momento, Sabrina procura um apartamento que comporte a cozinha de sua hamburgueria, que hoje funciona em um imóvel alugado só para isso. Segundo planejadores financeiros, como não há bola de cristal capaz de prever o ano 2019, cortar gastos de maneira preventiva, usando táticas como a da designer carioca, é uma forma de se proteger de incertezas.

“A importância de ter uma reserva de emergência foi o grande aprendizado de 2018. Diante da crise, até mesmo funcionários públicos deixaram de receber salário, o que nunca se imaginou antes”, afirma Myrian Lund, professora e coordenadora de cursos de MBA na Fundação Getúlio Vargas.

Segundo ela, o ideal é ter seis meses do total das despesas (da família ou do empreendimento) aplicados numa modalidade de alta liquidez.

Veja cinco passos para conquistar esse objetivo.

1 – ANALISE RECEITAS E GASTOS

Anote quanto você e os outros membros da família (se houver) recebem e liste todas as despesas mensais – considere até os centavos nessa conta, pois não existe dinheiro pequeno. Faça isso num papel em branco para visualizar com clareza. De um lado, anote os gastos essenciais como alimentação, moradia, energia, saúde, educação. Do outro, registre os variáveis, como presentes, viagens, gasolina. Dá para contar com a ajuda de aplicativos nessa tarefa. Veja algumas opções de App a seguir.

 

 TECNOLOGIA A FAVOR

Cinco aplicativos que ajudam a organizar as finanças

MINHAS ECONOMIAS

Permite cadastrar diversas contas, controlar o cartão de crédito, além de programar alertas. 

minhaseconomias.com.br

 GUIABOLSO

Esse aplicativo puxa os dados de sua conta bancária e registra seus gastos automaticamente, separando por categoria, como saúde, compras variadas, mercado, bares e restaurantes.

guiabolso.com.br

ORGANIZZE

Ajuda a organizar metas mensais para o orçamento e cria relatórios com as informações de gastos.

organizze.com.br

MOBILL S

Faz o controle de receitas e despesas, do cartão de crédito, além de mapear objetivos de vida e de aplicações.

mobills.com.br

RENDA FIXA

Pesquisa investimentos em renda fixa em várias corretoras, conta com uma área de educação financeira e gráficos com as principais taxas do mercado.

apprendafixa.com.br

2 – REVISE CONTRATOS

Na categoria gastos variáveis, a pessoa deve revisar todos os contratos de prestação de serviço, como TV por assinatura e canais de streming. Algumas dessas despesas podem ser reduzidas ao optar por concorrentes que ofereçam planos mais baratos, já outras devem necessariamente passar por renegociação, como contratos de aluguel, telefonia móvel e cursos.

3 – CORTE O QUE FOR IRRELEVANTE

Essa fase é das mais complicadas. Segundo a economista Andreia Fernanda, fundadora da empresa de consultoria e planejamento financeiro Rico Foco, não existe uma regra única. “Minha sugestão é que cada pessoa envolvida no processo avalie quais são os gastos menos incômodos de ser cortados e reflitam o porquê. É preciso passar as despesas por um filtro de relevância”, diz. Para um jovem, os gastos com festas podem ser importantes, enquanto para uma família com filhos os passeios de fim de semana são os mais difíceis de ser abolidos. “Cada um deve avaliar como fazer isso respeitando seu contexto de vida”.

4 – FAÇA APLICAÇÕES DE ALTA LIQUIDEZ

Invista todos os meses, mesmo que em doses pequenas. Essas economias iniciais devem ir para aplicações que possam ser resgatadas a qualquer momento, como Tesouro Selic, Fundos de Renda Fixa e alguns CDBs. Nada de poupança. A poupança rende hoje o equivalente a 70% da Selic, que está em seu piso histórico de 6,5%. Com isso, a aplicação mais popular entre os brasileiros entrega cerca de 4,5% de rendimento, pouca coisa acima da inflação projetada para o ano. Logo, não é a melhor forma de fazer o dinheiro aumentar. Vale lembrar que a reserva de emergência deve permanecer intocada e somente ser acionada em caso de imprevisto. A partir do momento em que o montante atingir o valor equivalente a seis meses de salário líquido, é possível começar a separar dinheiro para outros projetos, tanto aqueles de curto prazo, como férias de final de ano, quanto de longo prazo, voltados para a aposentadoria.

5 – NÃO AUMENTE OS GASTOS (DE JEITO NENHUM)

Uma vez que o orçamento estiver organizado, a regra fundamental é não voltar ao mesmo padrão de vida, mesmo que a economia melhore – como muitos analistas financeiros acreditam que aconteça entre 2019 e 2020. “Continue a viver como se você estivesse recomeçando agora”, recomenda Andreia da Rico Foco. Segundo ela, muita gente intensifica os gastos depois de engordar as vacas, o que acaba minando a realização de projetos importantes.

 2 – SAIR DO VERMELHO

 Quitar dívidas é um passo fundamental para ter uma vida financeira saudável. E nada como um início de ano para fazer isso. Para começar, é importante enxergar o tamanho do endividamento, listando valores, taxas e instituições envolvidas. Deve-se considerar todo tipo de pagamento em aberto, como cheque especial, cartão de crédito, carnês de loja que ficaram esquecidos e, inclusive, aquele dinheiro emprestado por parentes.

O próximo movimento é vender ou trocar ativos — para pagar ou baratear a quantia devida. Uma ideia, por exemplo, é substituir o carro por um modelo mais econômico, recebendo a diferença em espécie — a chamada “troca com troco”, modalidade que ficou popular durante a crise nas concessionárias. Esse dinheiro deve, impreterivelmente, ser usado para quitar os débitos.

É possível também levar sua dívida para outra instituição financeira que ofereça taxas melhores ou um prazo de parcelamento maior, diluindo o valor de forma a encaixá-lo melhor em seu orçamento. Para solicitar a portabilidade bancária, o lugar onde você tem o empréstimo precisa fornecer um documento informando saldo devedor, valor das parcelas, quanto ainda falta pagar e as taxas praticadas. Esses dados servem para que o novo banco avalie a migração.

Feita essa lição de casa, a pessoa deve analisar os comportamentos que levaram ao endividamento. De acordo com André Novaes, da Life Finanças Pessoais, é comum que o inadimplente se coloque como vítima da situação. “Se a pessoa não souber o que causou isso tudo, a dívida volta.”

Foi a capacidade de assumir a responsabilidade que ajudou a assistente social Adriana Barbosa, de 58 anos, a quitar em apenas cinco anos um débito superior a 250.000 reais. O bolo chegou a esse tamanho por causa da dificuldade de controlar as despesas mensais e à falta de planejamento antes de gastar. Ajudas recorrentes a familiares também agravaram a situação de Adriana, que incluía empréstimos, renovações de empréstimos, cartões de crédito e cheque especial de vários bancos.

O ex-marido de Adriana era quem controlava as finanças do casal, mas ela só ficou ciente da gravidade da situação em 2011, quando perdeu o emprego. “Meu primeiro erro foi delegar meus recursos a outra pessoa”, afirma. Assim que percebeu o problema, ela decidiu avaliar o tamanho do buraco. Passou o pente-fino em todas as suas contas bancárias e em seus cartões e buscou o apoio de uma consultoria financeira. “As dívidas estavam espalhadas e, aos poucos, fiz portabilidade para concentrar num único banco. Por orientação da consultoria, comecei tratando das dívidas mais caras”, diz. Os juros, que em alguns dos créditos chegava a 6% ao mês, caíram para 1,4%.

Além disso, ela conseguiu novos trabalhos e aumentou sua renda. “Toda oportunidade que surgia eu fui aceitando”, diz a assistente social, que atuou como professora, consultora e pesquisadora. Ao longo desse processo, além da consultoria de planejamento financeiro, Adriana contou com uma rede de apoio que incluiu a família, o gerente de um dos bancos, um advogado, um psicólogo e até um médico homeopata. Segundo ela, a ajuda de profissionais da saúde foi fundamental para conseguir equilíbrio físico e emocional para lidar com a situação. “Eu precisei trabalhar cinco anos de domingo a domingo em várias frentes para pagar a dívida.”

Com a entrada de novas receitas, a renegociação dos empréstimos e o corte de gastos, ela conseguiu transformar o valor em algo viável, quitando tudo em 2017. De lá para cá, Adriana começou até a juntar dinheiro.

“Passar de devedora a poupadora não foi fácil, aprendi a buscar economia constante, comprando em mercados de atacado, andando de transporte público, encontrando promoções e negociando sempre que possível. Também aprendi que a gente só pode gastar se tiver como pagar.” Hoje, no azul, Adriana está reformando a casa e guarda dinheiro para realizar outros projetos, como fazer investimentos mais arrojados.

CRÉDITO ALTERNATIVO

As fintechs desburocratizaram os empréstimos. Para quem busca formas de levantar dinheiro para amortizar dívidas, elas podem ser uma alternativa. Confira:

 

PARA PESSOA FÍSICA

CREDITAS: Plataforma on-line de crédito com garantia, trabalha com dois produtos principais, o empréstimo com garantia de imóvel e o empréstimo com garantia de veículo.

creditas.com.br

GERU: Oferece crédito pessoal sem garantia e consignado para aposentados e pensionistas do INSS a juros mais baixos do que os do mercado.

geru.com.br

CREDISFERA: Disponibiliza crédito pessoal sem garantia no valor de até 15.000 reais, com envio de documentos on-line.

credisfera.com.br

 

PARA EMPREENDEDORES

BIVA: Une pequenas empresas a investidores pessoa física, no modelo conhecido como Peer to Peer (P2P), permitindo que várias pessoas ofereçam quantias que, juntas, formam o valor de empréstimo solicitado.

biva.com.br

NEXOOS: Também atua nesse modelo P2P, fazendo a ponte entre pequenas e médias empresas com possíveis investidores interessados.

nexoos.com.br

 

3 – FAZER O DINHEIRO RENDER

 Com a retomada da economia, alguns tipos de investimento devem ganhar fôlego. Se tudo correr como o esperado na visão otimista, as ações terão destaque em 2019. “Se a agenda reformista for realizada, as empresas devem revisar para cima suas expectativas”, afirma o analista-chefe da XP Investimentos, Karel Luketic.

Segundo a análise feita pela XP sobre os balanços financeiros das companhias, as mais atraentes no governo Bolsonaro devem ser B2W (conglomero formado por Submarino, Shoptime, Americanas.com), Gol, Bradesco, Banco do Brasil, Usiminas e Localiza, pois atuam em segmentos promissores e suas ações têm perspectivas de alta. O mesmo vale para os papéis das estatais, que podem ser impulsionados pelas iniciativas de privatização do novo governo. Por outro lado, acredita a XP, as organizações exportadoras, como Vale e Suzano, devem ser menos beneficiadas, principalmente pela previsão de desvalorização do dólar.

Atento a essas possibilidades, o advogado Antônio Leonardo Branco, de 33 anos, pretende readequar suas apostas em bolsa de valores neste ano, priorizando as companhias de varejo, bancos e construtoras. No momento, ele possui papéis de empresas de commodities e serviços, sendo que a renda variável representa 60% de sua carteira de investi- mentos. Outra iniciativa será aumentar sua exposição em criptomoedas. Para isso, vai reduzir as aplicações em renda fixa de 40% para 30%. A ideia inicial é aplicar em bitcoin, moeda virtual mais famosa, ao qual pretende destinar 10.000 reais. “Por mais volátil que as criptomoedas sejam, acredito em seu potencial. Elas são opção ao sistema financeiro clássico”, diz o advogado. (O bitcoin perdeu 60% de seu valor nos últimos 12 meses, mas ele chegou a bater 19.000% de crescimento em 2017).

Embora 2018 não tenha sido tão favorável às moedas virtuais, elas continuam chamando cada vez mais a atenção dos investidores devido à forte rentabilidade acumulada nos últimos anos. Segundo o professor de economia na Fundação Instituto de Administração (FIA) e sócio da Arsenall Venture Builder, André Oda, a perspectiva para esse mercado é positiva, principalmente porque há uma tendência de surgirem medidas legais. “Cresce o número de países que já regularam ou estão regulando a emissão, a distribuição, a negociação e o uso dos criptomoedas”, afirma.

Então, entre o perfil arrojado e o tradicional, ficamos assim: os criptoativos exigem cautela, pois oscilam muito; e a poupança está longe de ser uma boa opção. “Muita gente não sabe que a poupança só rende no dia do aniversário, e que se você sacar o dinheiro um dia antes, fica sem ganho”, afirma Fábio Macedo, diretor comercial da Easynvest.

Mas, no meio desses extremos, há outras boas opções para ter mais dinheiro em 2019. O importante é começar a aplicar. Não sabe como? Nós mostramos algumas alternativas para cada perfil de investidor.

 

 APLICAÇÃO HIGH TECH

Diferentemente da moeda tradicional, a emissão da criptomoeda não passa por um Banco Central. O sistema é gerenciado pelos usuários.

Nos últimos dois anos, essas moedas digitais ganharam relevância e tornaram-se uma forma de investimento que, para muitos, será o dinheiro futuro. Isso porque elas podem ser usadas como meio de pagamento e transacionadas de maneira online entre quem quer comprar e quem quer receber. O maior exemplo é o bitcoin, que ganhou fama em 2017 por sua rentabilidade absurda. Quem comprou o ativo em sua primeira cotação pública, em outubro de 2009, está literalmente milionário. Isso porque o valor da ação foi de 8/100 centavo de dólar, em outubro de 2009, para 19783 dólares em dezembro, uma valorização de 25 milhões de vezes. O mercado esfriou em 2018, mas ainda assim sua valorização acumulada impressiona: nos últimos três anos, a alta foi de 700%. No Brasil, o investidor encontra bitcoin e outras criptomoedas em várias corretoras que atuam no país, como Mercado Bitcoin, Foxbit, BitcointoYou e Braziliex. Conheça três criptomoedas com boa chance de lucro para 2019.

 DECRED (DCR)

Nascida a partir de um Fork (divisão na rede blockchain) do bitcoin, em 2016, essa moeda tornou-se rapidamente uma das queridinhas. Nos últimos três anos, por exemplo, valorizou mais de 1.400%. Um dos diferenciais é a tecnologia colaborativa e a segurança das transações. Assim como o irmão Bitcoin, tem um limite de 21 milhões de unidades – a possibilidade de escassez valoriza o ativo.

Informações: decred.org/pt

RIPPLE (XRP)

Segundo maior criptoativo depois do Bitcoin, essa criptomoeda foi lançada pela Startup homônima cuja proposta é conectar os diferentes sistemas de pagamento e criar soluções financeiras que barateiem pagamentos globais, seu sistema de Blockchain já é usado por grandes bancos, sobretudo no Japão. Nos últimos três anos foi uma das cripto de maior valorização, com alta de 5.000%. Em 2018, houve uma depreciação de 86%, enquanto em 2016 e 2017 as altas foram de 6¢ e 32.000%, respectivamente.

Informações: ripple.com

DASH

Com uma comunidade com forte presença no Brasil, o sistema dessa criptomoeda visa oferecer transações rápidas – enquanto com Bitcoin podem levar até 1 hora, dependendo do volume, as com DASH levam segundos. No site é possível pesquisar por produtos e serviços onde as pessoas possam pagar com DASH, desde tatuadores até restaurantes. Em 2018, o DASH caiu 94%, depois de ter subido 9.300% em 2017 e 235% em 2016. A alta acumulada em três anos é de 1.726%.

Informações: discoverdash.com

 

4 – PLANEJANDO O FUTURO

Fazer uma viagem, comprar a casa própria ou empreender. É importante ter clareza sobre cada um dos objetivos pessoais para poder guardar a quantia de dinheiro exata para realizá-los, evitando assumir dívidas que vão tirar seu sono. Como mostramos no primeiro tópico desta reportagem, uma vez que uma reserva de emergência está garantida, especialistas recomendam dar um passo além: estabelecendo prioridades de curto (até um ano), médio (de um a cinco anos) e longo (mais de cinco anos) prazo. A aposentadoria precisa ser uma preocupação para pessoas de todas as idades, com um dinheiro guardado mensalmente só para isso.

Já outros projetos devem variar conforme seus desejos — e seu estilo de vida. “Existem pessoas que amam viajar e preferem não comprar a casa própria para ter mais mobilidade. Outras abrem mão de viagens para ter o imóvel dos sonhos e receber os amigos. Planejar é isso, decidir para onde vai destinar o dinheiro”, diz André Novaes, da Life Finanças Pessoais.

 

VEJA A SEGUIR OS SONHOS MAIS FREQUENTES E AS DICAS PARA REALIZÁ-LOS.

COMPRAR CASA PRÓPRIA

Como os últimos anos foram de vendas fracas no setor imobiliário, há boas oportunidades para quem deseja comprar a casa própria. segundo dados da fipezap, o desaquecimento da economia gerou queda real de 18% nos preços dos residenciais, em quatro anos. no entanto, só vale entrar numa negociação dessas quem tem pelo menos 20% do valor do imóvel para dar à vista. “se ainda existe muita incerteza na vida pessoal, melhor alugar”, diz luiz calado, autor do livro imóveis: seu guia para fazer da compra e venda um grande negócio (saraiva, 34,90 reais). Uma vez tomada a decisão, a palavra de ordem é pesquisar. Considere   avaliar e comparar o preço de imóveis na planta, recém-lançados e prontos.

TIRAR UM PERÍODO SABÁTICO

A não ser que a pessoa tenha um currículo irresistível, atue em áreas de abundantes ofertas de emprego, como a de ti, e possua renda guardada para segurar as pontas por no mínimo dois anos, especialistas dizem que o momento não é favorável para se ausentar. segundo dados do IBGE, a recolocação no mercado de trabalho brasileiro está levando em média oito meses. Tomar crédito? nem pensar. “Financiamento só indico para comprar a casa própria ou empreender. Fazer empréstimo para outros fins, como MBA, é complicado porque o retorno financeiro é incerto e de longo prazo”, diz Marcia, da planejar.

ABRIR UM NEGÓCIO

A expectativa é que 2019 seja um ano melhor para empreender do que os últimos três, porque a confiança do consumidor estará maior. “Deve haver uma melhora contínua da economia, o que destrava o consumo”, diz Guilherme Afif Domingos, presidente do SEBRAE. Entre os setores que prometem aquecimento estão os de tecnologia, alimentação (principalmente natural), varejo, serviços, saúde e educação. Mas é preciso alguns cuidados antes de seguir por esse caminho. Leonardo Donato, líder de mercados emergentes da consultoria Ey para Brasil e América Latina, orienta o empreendedor a fazer um mapeamento completo do segmento em que deseja atuar, além de um planejamento minucioso. O custo médio para abrir uma microempresa em São Paulo — com faturamento de até 360.000 por ano — é de 1.300 reais mensais, e isso é apenas para começar a operar. O maior desafio para novos empresários é o tempo de retorno, que leva um ano no melhor dos cenários. Enquanto isso, deve-se estar preparado (financeira e emocionalmente) para arcar com as despesas do negócio com recursos próprios.

VIAJAR MUNDO AFORA

Adquira a moeda local aos poucos, durante os 12 meses que antecedem a viagem. “Se a pessoa tiver a disciplina, não ficará tão exposta às oscilações”, afirma Mathias Fischer, diretor de estratégia da Meu Câmbio, plataforma de compra de moedas estrangeiras. Após a forte alta do dólar em 2018 (que bateu 4,20 reais em setembro), a expectativa é que o dinheiro americano feche 2019 na casa dos 3,80 reais, com as previsões variando de 3,22 a 4,30 reais. De novo, tudo vai depender do andamento das reformas do governo. Para se proteger da flutuação, o técnico legislativo aposentado Antônio Carlos Barbosa da Silva, de 69 anos, tem o costume de obter dólar nos momentos de baixa. “Eu gosto de me planejar com antecedência. Há muito tempo compro a moeda na baixa e fico com uma reserva”, diz. Além disso, ele guarda para a próxima viagem as notas que sobraram na anterior. Seu passeio internacional mais recente foi nas férias de 2017, para o chile, quando pagou 3,30 reais cada dólar. Em 2018, ele pretendia ir para Portugal, Espanha e Itália, mas adiou o plano por causa das instabilidades econômicas. Enquanto aguarda a situação do país melhorar, ele acompanha as notícias sobre a oscilação cambial e pesquisa preços das passagens aéreas. Trocar de carro como o mercado ainda está em baixa, até dá para obter abatimentos. Mas a regra é clara: trocar de carro só se houver dinheiro guardado. Aqui, o ideal é ter no mínimo 50% do valor do automóvel para dar de entrada, pois isso possibilitará negociar taxas menores. Mesmo assim, é preciso ponderar se as parcelas cabem no bolso. Leve em consideração ainda o valor do seguro e a manutenção do veículo. Carros de menor saída têm descontos melhores — mas rendem pouco na revenda.

ALIMENTO DIÁRIO

PROVÉRBIOS 12: 1-12

Pensando biblicamente

VANTAGENS DOS JUSTOS

 

V. 1 – Aqui, somos ensinados a verificar se temos graça ou não, averiguando como os meios da graça nos afetam.

1. Os que têm graça e amor se alegrarão com todas as instruções que lhes são dadas, sob a forma de conselho, admoestação, ou repreensão, pela Palavra ou providência de Deus; eles valorizam uma boa educação e não julgam um fardo, mas uma felicidade, estar sob uma disciplina rígida e prudente. Os que amam um ministério fiel, que o valorizam e se submetem a ele com prazer, mostram que amam o conhecimento.

2. Mostram­ se não somente vazios de graça, mas também de bom senso. os que consideram uma afronta o fato de que os seus erros lhes sejam apontados, e uma imposição sobre a sua liberdade que sejam lembrados do seu dever: “O que aborrece a repreensão é um bruto”. não somente tolo, como o cavalo e a mula que não têm entendimento, ou o boi que dá coices no aguilhão. Os que desejam viver em famílias e sociedades desregradas, onde não sejam controlados, que sufocam as convicções de suas próprias consciências, e consideram seus inimigos os que lhes dizem a verdade, são os brutos aqui mencionados.

 

V. 2 – Observe:

1. Nós somos, na realidade, aquilo que somos em relação a Deus. São felizes, verdadeiramente felizes, felizes para sempre, os que alcançam o favor do Senhor, ainda que o mundo os censure, e eles obtenha poucos favores com os homens; pois no favor de Deus há vida, e isto é a fonte de todo o bem. Por outro lado, são infelizes aqueles a quem Ele condena, ainda que os homens possam aplaudi-los e aclamá-los; àqueles aos quais Ele condena, Ele condena à segunda morte.

2. Nós somos para com Deus como somos para com os homens, à medida que vivemos neste mundo. O nosso Pai julga os seus filhos pela sua conduta, uns com os outros; e por isto, um homem de bem, que é misericordioso e caridoso e faz o bem, alcançará o favor do Senhor, por meio de suas orações; mas ao homem de perversas imaginações contra seus próximos, Ele condenará, como sendo indigno de um lugar no seu reino.

 

V. 3 – Observe:

1. Embora os homens possam progredir por esquemas pecaminosos, não conseguirão, com estes esquemas, se estabelecer e proteger; ainda que possam ter grandes propriedades, não conseguirão um lugar onde permanecer; o homem não se estabelecerá pela impiedade; ela poderá colocá-lo em lugares altos, mas estes são lugares escorregadios (Salmos 73.18). A prosperidade que é conseguida pelo pecado é edificada sobre a areia, e isto ficará evidente em breve.

2. Embora os homens bons possam ter apenas um pouco do mundo, ainda assim este pouco durará, pois o que é conseguido com honestidade durará: a raiz dos justos não será removida, ainda que os seus ramos possam ser abalados. Os que, pela fé, estão enraizados em Cristo, estão firmemente fixos; nele a sua consolação e felicidade estão tão enraizadas que nunca poderão ser arrancadas.

 

V4 – Observe:

1. Aquele que é abençoado com uma boa esposa é tão feliz como se estivesse sobre o trono, pois ela não é nada menos do que uma coroa para ele. A mulher virtuosa, que é piedosa e prudente, esforçada e empenhada, que é ativa para o bem da sua família e cuida bem da sua casa, que é consciente do seu dever em cada relacionamento, uma mulher espiritual e forte, que consegue suportar fardos sem se perturbar, uma mulher assim reconhece que o seu esposo é a sua cabeça; portanto, ela é a coroa do seu marido, não somente credibilidade e honra para ele, como uma coroa é ornamento, mas apoia e sustenta a autoridade dele na sua família, da mesma maneira como uma coroa é uma insígnia de poder. Ela é submissa e fiel a ele, e com o seu exemplo, ensina seus filhos e servos a também o serem.

2. Aquele que tem a infelicidade de ter uma má esposa é tão infeliz como se estivesse na prisão; pois ela não é melhor do que apodrecimento nos seus ossos, uma doença incurável, além do fato de que o envergonha. Aquela que é tola e preguiçosa, fútil e devassa, que tem uma língua ferina, destrói a credibilidade e a consolação de seu esposo. Se ele sair, o comportamento de sua esposa se converterá em sua vergonha. Se ele se isolar, afundará, ele estará continuamente intranquilo; esta é uma aflição que mina os ânimos.

 

V. 5 – Observe:

1. A Palavra de Deus discerne os pensamentos e as intenções do coração, e os julga. Nós nos enganamos se imaginamos que os pensamentos são livres. Não, eles estão sob o conhecimento divino; portanto, estão sob as ordens divinas.

2. Nós devemos observar os pensamentos e as intenções dos nossos próprios corações, e julgar a nós mesmos, de acordo com eles; pois eles são os primogênitos da alma, que têm, em si, a imagem da alma. Os pensamentos retos são as evidências de um homem justo, assim como nada prova com mais certeza que um homem é ímpio do que planos e desígnios ímpios. Um homem bom pode ter, em sua mente, más sugestões, mas ele não as alimenta nem abriga para que amadureçam em maus projetos e resoluções.

3. É honra para um homem ter intenções honestas, e ter seus pensamentos retos, embora uma palavra ou ação possa ser inapropriada, ou inoportuna, ou, pelo menos, mal interpretada. Mas é vergonha para um homem estar sempre à espreita. agir de maneira enganosa, com truques e intenções, não somente para vencei; mas para levar vantagem.

 

V. 6 – No verso anterior, são comparados os pensamentos dos ímpios e os do justo; aqui, as suas palavras, e essas são como a abundância do coração.

1. As pessoas ímpias expressam maldades aos seus próximos, e, realmente, as palavras dos ímpios são para armarem ciladas ao sangue; as suas línguas são espadas para os que estão em seus caminhos, para os homens bons a quem eles odeiam e perseguem. (Veja um exemplo em Lucas 20.20,21).

2. Os homens bons expressam auxílio aos seus próximos – a boca dos retos está pronta para ser aberta na causa dos que são oprimidos (Provérbios 31.8), para defendê-los, para testemunhar em favor deles, e assim os livrar, particularmente àqueles aos quais os ímpios espreitam. Às vezes, um homem pode fazer uma obra muito boa com uma única palavra boa.

 

V. 7 – Aqui, somos ensinados, como antes (v. 3 e Provérbios 10.25,30):

1. Que o triunfo dos ímpios é curto. Eles podem ser exaltados por algum tempo, mas em breve serão derrubados; as suas dificuldades acabam sendo a sua destruição, e os que fazem uma grande exibição desaparecem, e o seu lugar não mais os conhece. Transtornados serão os ímpios e não serão mais; eles estão em um lugar escorregadio, em que o menor toque das dificuldades os derruba, como as maçãs de Sodoma, que parecem belas, porém basta tocá-las, e caem ao chão.

2. Que a prosperidade dos justos tem uma boa base e permanecerá. A morte os removerá, mas a sua casa permanecerá, as suas famílias serão conservadas, e a geração dos justos será abençoada.

 

V. 8 – Aqui lemos de onde esperar um bom nome. A reputação é algo muito considerado por alguns. É certo:

1. A melhor reputação é aquela que acompanha a virtude e a piedade séria, e a prudente condução da vida: um homem será louvado por todos os que são sábios e bons, em conformidade com o juízo do próprio Deus, o que, temos certeza, é de acordo com a verdade, e não de acordo com as suas riquezas ou promoções, sua astúcia ou sutileza, mas de acordo com o seu entendimento, a honestidade dos seus desígnios e a prudente escolha dos meios para planejá-los.

2. A pior repreensão é a que segue a iniquidade e uma oposição ao que é bom: o perverso de coração, que se desvia a caminhos tortuosos e prossegue insubordinado neles, estará em desprezo. A Providência o trará à pobreza e ao desprezo, e todos os que tiverem um verdadeiro senso ele honra o desprezarão, como sendo indigno de que lidem com ele, e inadequado a receber a confiança dos outros, uma mancha e um escândalo à humanidade.

 

V. 9 – Observe:

1. É a loucura ele alguns cobiçarem ter uma aparência grandiosa, desejando honrar a si mesmos, como pessoas de qualidade, e, no entanto, não terem o necessário em casa; e ainda, se as suas dívidas fossem pagas, não valeriam nem um pedaço de pão, ou melhor, talvez apertassem seus estômagos, para que pudessem parecer muito alegres, porque as penas bonitas fazem com que os pássaros sejam bonitos.

2. É muito melhor a condição e o caráter dos que se contentam em urna esfera inferior, onde são desprezados pela simplicidade ele seu modo de vestir e pela insignificância ele sua posição, mas que podem se sustentar, e não somente com o que é necessário, mas também com o que é supérfluo, para suas próprias casas, não tendo somente pão, mas um servo que os ajude e tire um pouco do seu trabalho de suas mãos. Os que procuram viver com abundância e conforto em suas casas elevem ter preferência acima dos que não desejam nada além ele parecer esplêndidos fora ele casa, ainda que não tenham recursos para manter a sua aparência, e cujos corações não se humilham, embora a sua condição seja pobre.

 

V. 10 – Veja aqui:

1. O quanto um homem bom pode ser misericordioso; ele não apenas tem compaixão pela natureza humana, sob as suas situações mais difíceis, mas considera até mesmo a vida do seu animal, não somente porque é seu servo, mas porque é urna criatura ele Deus, e age de conformidade com a Providência, que preserva os homens e os animais. Devemos sustentar os animais que estão sob nossos cuidados: eles elevem ter alimento e descanso suficientes, e em nenhum caso devem sofrer maus tratos. Balaão foi repreendido por espancar a sua jumenta. A lei cuidava dos bois. Portanto, são homens injustos os que não são justos com os animais; os que são cruéis e bárbaros com os animais evidenciam, e confirmam em si mesmos. um hábito ele barbárie, e ajudam a fazer gemer toda a criação (Romanos 8.22).

2. O quanto um homem ímpio pode ser impiedoso; até mesmo as suas misericórdias podem ser cruéis; aquela compaixão natural que existia nele, como homem, está perdida, e, pelo poder da corrupção, é convertida em insensibilidade; mesmo aquilo que eles terão que demonstrar corno com­ paixão é cruel, na verdade, corno a resolução de Pilatos a respeito de Cristo, o inocente, “Castigá-lo-ei, pois, e soltá-lo-ei”. A sua suposta bondade é apenas para encobrir crueldades intencionais.

 

V. 11 – Observe:

1. É sensato que os homens cuidem de seus negócios e sigam uma profissão honesta, pois este é o caminho, pela bênção ele Deus, para conseguirem o seu sustento: O que lavra a sua terra, quer seja o dono ou o ocupante, que cumpre a sua palavra e está disposto a se esforçar, se não conseguir uma propriedade (que necessidade há disto?), ainda assim se fartará de pão, terá alimento conveniente, para si mesmo e para a sua família, suficiente para sustentar os seus, confortavelmente, pelo mundo. Até mesmo a sentença da ira tem em si esta misericórdia: “No suor do teu rosto, comerás o teu pão”.

A Caim, isto foi negado (Genesis 4.12). Trabalhe, pois este é o verdadeiro caminho para ter tranquilidade. Conserva o teu trabalho, e o teu trabalho te conservará. Comerás do trabalho das tuas mãos.

2. É loucura dos homens negligenciarem os seus negócios. São faltos de juízo os que fazem isto, pois então cairão com companhias ociosas e as seguirão em seus maus caminhos, e assim o pão lhes faltará, pelo menos o pão para os seus, e eles se tornarão um peso para os outros, tirando o pão da boca de outras pessoas.

 

V, 12 – Veja aqui:

1. Qual é o cuidado e o objetivo de um ímpio; ele deseja fazer maldades: “Deseja o ímpio a rede dos maus”. “Oh, se eu fosse apenas tão astuto como este homem, para me aproveitar daqueles com quem lido, se eu tivesse apenas esta faculdade, para que pudesse me vingar de alguém a quem desprezo, tão eficazmente como este homem!” Ele deseja a fortaleza dos homens ímpios (assim alguns interpretam), agir com segurança ao praticar o mal, de modo que este não recaia sobre ele.

2. Qual é o cuidado e o objetivo de um homem bom: “A raiz dos justos produz o seu fruto”, e é a sua força e estabilidade, e é isto o que o justo deseja, fazer o bem, e se estabilizar, e se confirmar, fazendo o bem. O ímpio deseja somente uma rede com que pescar para si mesmo: o justo deseja produzir frutos para o benefício dos outros e para a glória de Deus (Romanos 14.6).

PSICOLOGIA ANALÍTICA

GÊNIOS POR ACIDENTE

Em alguns casos, lesão na cabeça pode fazer aflorar dons artísticos ou intelectuais até então ocultos. Registro mundial apresenta apenas 32 casos de pessoas comuns em todo o planeta que, após trauma, demência ou AVC, apresentam talentos inusitados.

Gênios por acidente

Um menino de 10 anos, Orlando Serrell, foi atingido por uma bola de beisebol, ficou inconsciente e descobriu mais tarde que, após o trauma, conseguia se lembrar do dia da semana exato e do clima de qualquer data. Podia recordar também os mínimos acontecimentos diários. Agredido durante um assalto, Jason Padgett sofreu uma lesão cerebral grave. Logo depois, começou a ver o que descreve simplesmente como “imagens” que ele passou a desenhar. Quando mostrou seu trabalho, soube que os padrões repetidos, similares entre si, eram fractais.

Essas duas pessoas têm uma condição notável conhecida como síndrome de savant adquirida. Na forma mais conhecida de savant – que se tornou famosa com o filme Rain man, de 1988 -, pessoas são dotadas de habilidades extraordinárias bem definidas desde o início da vida. Podem ter talentos musicais, artísticos, matemáticos, mnemônicos ou mecânicos, que contrastam com suas deficiências marcantes na linguagem, interação social e outras faculdades mentais em geral. Em Rain Man, por exemplo, o personagem do ator Dustin Hoffman, Raymond Babbitt, tinha memória incrível, habilidades impressionantes em matemática e cálculo de datas, mas também apresentava limitações cognitivas e comportamentais graves decorrentes do autismo.

Já na síndrome de savant adquirida, os níveis quase geniais de aptidões artísticas e intelectuais surgem após um golpe forte na cabeça ou outro dano cerebral. A descoberta desse fenômeno incomum levanta a suspeita de que o potencial latente em algum campo artístico ou intelectual – um “savant interior” – reside em cada um de nós. Se for assim, talvez possamos encontrar uma forma para ativar essas capacidades ocultas, mesmo na ausência de doença ou lesão.

Estudei a síndrome de savant durante grande parte da minha carreira. Até meados da década de 80, supunha que fosse congênita, sempre se apresentando desde o nascimento. Mas, então, participei da abertura da exposição de esculturas excepcionais feitas por Alonzo Clemons. Desde bebê, ele parecia aprender muito rapidamente. Por volta dos 3 anos, no entanto, uma queda resultou em lesão cerebral, retardando seu desenvolvimento cognitivo precipitadamente e deixando-o com deficiência mental grave, que comprometeu seu vocabulário e limitou a linguagem. Mais tarde, desenvolveu uma capacidade espetacular de esculpir qualquer material à disposição – mesmo subtraídos da cozinha. Com o novo talento, veio um fascínio crescente por animais. Ele podia, por exemplo, olhar para a fotografia de um cavalo em uma revista e esculpir uma réplica tridimensional em menos de meia hora, cada músculo e tendão reproduzido em detalhes precisos.

Clemons despertou meu interesse pela síndrome de savant adquirida. Examinei relatos na literatura médica, mas encontrei apenas alguns casos. Em 1923, a psicóloga Blanche M. Minogue descreveu o aparecimento de extraordinárias habilidades musicais em uma criança de 3 anos após um surto de meningite. Em 1980, T. L. Brink, também psicólogo, relatou o caso de um menino de 9 anos cujas habilidades mecânicas superiores surgiram após um ferimento com bala no hemisfério esquerdo do cérebro. Ele conseguia desmontar, remontar e modificar bicicletas de várias marchas e chegou a inventar um saco de pancadas que podia simular os saltos e movimentos de um adversário.

Esses relatos esparsos nas décadas anteriores à de 80 refletiam a raridade dessa condição, e mesmo entre médicos era pouco difundida a ideia de que uma lesão cerebral ou acidente vascular cerebral (AVC) pudesse aumentar a capacidade cognitiva ou criativa. Então, decidi coletar descrições desses casos. Até 2010, havia montado um registro mundial de 319 savants conhecidos, dos quais apenas 32 exibiam a forma adquirida.

Entre os relatórios inseridos no meu registro estava o trabalho do neurologista Bruce Miller, agora na Universidade da Califórnia em São Francisco. Em 1996, ele começou a compilar o primeiro dos 12 casos de pessoas com um transtorno conhecido como demência frontotemporal (DFT). Esses pacientes idosos demonstraram habilidades musicais ou artísticas, pela primeira vez, em alguns casos em níveis prodigiosos, após o diagnóstico. A DFT difere da demência causada pelo Alzheimer na medida em que o processo degenerativo afeta apenas os lobos frontais, e não áreas mais amplas do cérebro.

Ela normalmente visa a área temporal esquerda anterior do cérebro e o córtex orbito frontal. As duas regiões costumam inibir a atividade do sistema visual na parte de trás do cérebro, envolvida no processamento de sinais recebidos dos olhos. A doença parece promover a sensibilidade artística, desligando sinais inibitórios da parte frontal do cérebro. O desbloqueio das travas permite que o cérebro processe imagem e som de novas maneiras, liberando sensibilidades artísticas ou criativas, mesmo que os danos aos lobos frontais possam levar a comportamentos inadequados que caracterizam a DFT. “A demência fronto temporal é uma janela inesperada no processo artístico”, considera Miller.

Trabalhos posteriores concluem que o gênio por acidente resulta da atividade diminuída em algumas áreas cerebrais combinada com intensificação em outras, como contrapeso. Mais especificamente, trata-se de um conjunto de eventos que eu chamo de os três Rs, que ocorrem depois que o cérebro está danificado, em geral após o hemisfério esquerdo ser atingido, de modo semelhante ao que aconteceu com os casos de DFT de Miller. O processo começa com o recrutamento, um aumento na atividade elétrica no tecido cortical ainda intacto, muitas vezes no hemisfério direito. Em seguida, os circuitos cerebrais passam por religação para estabelecer conexões recém-formadas entre regiões que não estavam previamente ligadas. Depois, vem a recomposição da capacidade dormente, resultante do acesso aumentado às áreas cerebrais recém-conectadas.

Um experimento de Richard Chi e Allan Snyder, ambos então no Centro da Mente, da Universidade de Sydney, usou uma tecnologia relativamente nova para fornecer alguma evidência de que essas mudanças cerebrais são responsáveis por habilidades savant. Com estimulação transcraniana por corrente contínua (ETCC), os cientistas fizeram com que voluntários desenvolvessem, por alguns minutos, habilidades semelhantes às dos savants. A técnica gera uma corrente elétrica polarizada para diminuir a atividade na parte do hemisfério esquerdo envolvido na entra­ da sensorial, memória, linguagem e outros processos cerebrais, enquanto a atividade no hemisfério direito (lobo temporal anterior direito) é aumentada.

Então, os cientistas pediram a participantes do estudo que resolvessem o quebra-cabeça dos nove pontos com ou sem ETCC – uma tarefa que exige criatividade para buscar a solução de maneira não convencional. Participantes tiveram de ligar três fileiras de três pontos usando quatro linhas retas sem erguer a caneta e sem passar por cima das linhas traçadas. Nenhum deles conseguiu resolver antes do estímulo, e, quando 29 pessoas foram expostas à estimulação “simulada”- eletrodos colocados sem nenhuma corrente para testar efeitos placebo -, ainda assim ficaram perdidas. Com a corrente ligada, no entanto, cerca de 40% – 14 de um total de 33 participantes – foram bem-sucedidos na atividade.

Como uma pessoa pode, de repente, sair-se muito melhor ao toque de um botão? Pois tanto os savants congênitos quanto os adquiridos “sabem de coisas” intrinsecamente, sem que tenham sido ensinados. Clemons, o escultor, não teve nenhum treinamento formal em arte, mas sabia instintivamente como produzir uma armação, a estrutura da escultura, que permitisse que suas peças mostrassem cavalos em movimento.

Gênios por acidente. 2

NEURÔNIOS CONECTADOS

Uma explicação plausível para talentos ocultos que surgem na síndrome de savant – seja no início da vida ou induzida por lesão – é que “reservatórios de aptidões e conhecimento” devem ser herdados de alguma forma. Não começamos a vida com uma lousa em branco, posteriormente inscrita pela educação e por outras experiências de vida. O cérebro pode vir carregado de um conjunto de predisposições inatas para processar o que vê ou para entender as “regras” da música, arte ou matemática. A diferença é que os savants conseguem alcançar o conhecimento herdado muito melhor que uma pessoa comum.

Saber que esses talentos podem surgir até mesmo mais tarde na vida suscita a questão de descobrir se todos podem se tornar savants e se isso seria possível sem ter de enfrentar as agruras da lesão cerebral ou da demência. A maneira mais óbvia de desencadear esse brilho oculto seria aplicar a ETCC – o u uma tecnologia relacionada denominada estimulação magnética transcraniana repetitiva – como uma “touca de pensamento” que ligaria e a pagaria regiões cerebrais para potencialmente aumentar a capacidade criativa da pessoa. Uma solução tecnológica pode não ser um pré-requisito absoluto, no entanto. A meditação ou simplesmente a prática assídua de uma habilidade artística pode permitir a ligação do lado direito mais criativo do cérebro e, assim, explorar capacidades artísticas desconhecidas.

Compreendendo melhor o cérebro, cientistas podem encontrar outras formas de determinar o que acontece ao aumentar ou diminuir o volume de circuitos cerebrais. O imageamento por tensor de difusão (ITD) e o rastreamento por tensor de difusão (RTD), que identificam as conexões entre os neurônios (“rastreamento de fibras”), são mais adequa­ dos que os métodos anteriores para revelar os meandros da fiação no cérebro humano, permitindo que pesquisadores correlacionem a atividade cerebral com o súbito aparecimento de aptidões. Essas tecnologias mais precisas podem proporcionar imagens tridimensionais das fibras que unem as células cerebrais. Um desafio para descobrir a neurobiologia do savantismo é a dificuldade de observar o cérebro enquanto realiza tarefas criativas que exijam movimento. Não apenas é difícil esculpir ou tocar piano dentro de um aparelho de ressonância magnética, mas qualquer movimento compromete a acuidade das imagens. Uma técnica mais recente – espectroscopia do infravermelho próximo (NIRS) – contornaria esses problemas substituindo máquinas volumosas por um solidéu confortável que mede a quantidade de oxigênio no sangue fluindo através dos vasos sanguíneos do cérebro e retransmite informações para o software de processamento de imagem. Ainda mais promissor é um capacete desenvolvido recentemente que usa outra técnica de imageamento – a tomografia por emissão de pósitrons (PET) – para monitorar quando uma pessoa está sentada, em pé ou até mesmo exercitando-se. O desafio maior parece ser encontrar as melhores maneiras de explorar nosso “pedacinho de Rain Man” mantendo intacto o restante de nossas faculdades mentais.

Gênios por acidente. 3

APRIMORAMENTO INSTANTÂNEO

Uma tecnologia denominada estimulação magnética transcraniana repetitiva pode desencadear temporariamente habilidades semelhantes ao savant e oferece uma forma de investigar como surgem essas habilidades. Quando a têmpora esquerda é estimulada, um campo magnético pulsante se propaga pelo crânio, aparentemente desligando circuitos cerebrais na área temporal esquerda, responsável pelo processamento de palavras e outras informações. Nesse momento, circuitos cerebrais do lado direito, dedicados a tarefas espaciais, assumem papel mais abrangente no processamento mental. Em vários casos, pessoas expostas a campos magnéticos puderam adivinhar melhor a quantidade de uma enorme coleção de objetos.

PEQUENOS FLASHS DE GENIALIDADE

Mesmo sem passar por algum trauma que, eventualmente, desperte uma habilidade excepcional, a maioria das pessoas pode ter “flashs de genialidade” – aqueles momentos em que tudo “se encaixa” e surge uma grande ideia. O insight tão bem-vindo pode ser muito útil – e, embora não seja possível forçá-lo a aparecer, há maneiras de favorecê-lo. Se, por exemplo, você já passou um bom tempo refletindo sobre um problema e sente que se meteu num beco sem saída, isso significa que pode estar muito perto da solução. Segundo pesquisas, a sensação de não conseguir ir adiante às vezes precede uma súbita descoberta. Se, no entanto, você não consegue avançar ou fica tentando sempre a mesma solução, faça uma pausa. Ou, melhor ainda: tire uma soneca.

De fato, importantes insights aparecem quando sonhamos ou depois de uma cochilada. Conta-se que o famoso químico alemão Friedrich August Kekulé von Stradonitz (1829 – 1896), por exemplo, descobriu a estrutura anular do benzeno ao sonhar com uma cobra que mordia o próprio rabo.

O sono faz bem a esses processos perceptivos, como revelou um estudo de autoria de Ullrich Wagner e de seus colegas das universidades de Lübeck e Colônia. Eles propuseram a voluntários séries simples de caracteres às quais, mediante a aplicação de duas regras lógicas, os participantes deveriam reagir pressionando uma sequência de teclas. Contudo, as séries de caracteres eram escolhidas de tal modo que as tarefas podiam ser resolvidas também com o emprego de uma estratégia bem mais simples. Os voluntários efetuaram uma grande quantidade dessas tarefas, durante as quais se computaram quantos deles conseguiam descobrir a estratégia mais favorável. Aqueles que, antes de descoberto o atalho, foram interrompidos e postos para dormir por algumas horas encontraram o truque com muito mais facilidade que aqueles aos quais os pesquisadores não permitiram a pausa para uma soneca.

Os pesquisadores explicam essa diferença espantosa recorrendo a processos de consolidação que têm lugar no hipocampo durante o cochilo: desse modo, as novas informações recebidas são associadas ao saber armazenado na memória há mais tempo. E isso pode fazer com que descubramos com maior rapidez estratégias mais simples de resolução de problemas

Se tirar uma soneca não é possível, deixar que o pensamento divague um pouco ajuda. Ou, então, ir fazer alguma coisa que deixe você de bom humor – tomar um sorvete ou, talvez, jogar uma partidinha de pingue ­ pongue. Muitos estudos demonstram que um estado de espírito positivo propicia a contemplação inconsciente de um problema de outro ponto de vista, conduzindo, assim, à solução.

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TALENTOS ESPECIAIS

O savantismo adquirido permite que as pessoas se lembrem de fatos com enorme precisão, façam desenhos, poesia e música de qualidade, além de cálculos mentais complexos instantaneamente. Veja alguns casos:

O falecido TOMMY MC HUGH era um construtor de 51 anos, de Liverpool, na Inglaterra, sem nenhum interesse especial por poesia ou pintura. Em 2001, depois de sofrer uma hemorragia no revestimento do crânio que danificou a área frontal do cérebro, ele começou a encher cadernos com poemas e passava grande parte do tempo pintando e esculpindo. Os médicos atribuíram esse novo talento à “desinibição relativa”, que libera a capacidade de evocar justaposições incomuns de palavras ou de imagens. McHugh fez exposições no Reino Unido e sua história foi registrada em diversos documentários para a televisão.

ORLANDO SERRELL, hoje com 47 anos, começou a fazer cálculos de calendário quando menino após ter sido nocauteado por uma bola de beisebol. Ele consegue determinar o dia da semana de qualquer ano, desde a data da lesão. Também relembra o clima de todos os dias desde então. Suas habilidades de memória avançaram a ponto de ele se lembrar dos mínimos detalhes das atividades diárias – uma condição conhecida como memória hipertimésica. Escaneamentos de seu cérebro, no Centro Médico da Universidade Colúmbia, confirmaram que Serrell se envolve em cálculo inconsciente e sua habilidade não se baseia em memorizar o calendário, mas em cálculo.

DEREK AMATO era um treinador empresarial de 40 anos, vivia no Colorado e não tinha nenhum interesse ou aptidão especial em música. Em 2006, ele mergulhou na parte rasa de uma piscina, teve lesão cerebral grave e perdeu parte da audição de um ouvido. Após a alta hospitalar, foi atraído inexplicavelmente para o piano, que nunca havia tocado antes. Começou a ver manchas em preto e branco que conseguiu transpor de sua mente para notas. Agora cria composições ao vivo, toca e grava.

O cirurgião ortopédico TONY CICORIA, de Nova York, falava ao telefone em 1994, quando foi atingido por um raio. Presumiu-se que estava com parada cardíaca e foi reanimado por uma enfermeira que aguardava o uso do telefone. Durante dez dias, ele teve alguns problemas leves de memória – que finalmente cederam, e ele retomou sua prática profissional, sem efeitos residuais do raio. Mas com uma mudança: desenvolveu obsessão pela música clássica. Antes do acidente, gostava de rock, mas depois mostrou enorme desejo de tocar música clássica.

Pouco depois da lesão, ouviu música em um sonho. A melodia o tomou, ressoando por dias em sua cabeça após ter acordado. Finalmente, ele decidiu transcrever a insistente peça em um concerto de piano de 26 páginas denominado Fantasia: the lightning sonata, op. 1.

JASON PADGETT, que desenvolveu paixão por matemática, física e formas geométricas após agressão num assalto, ainda gerencia três lojas de futon (colchão tradicional japonês) no estado de Washington. Agora ele chama a lesão de “raro do m”.

Antes do assalto, Padgett tinha aversão a matemática. Agora o ex desistente da faculdade frequenta cursos de alto nível sobre o tema para entender completamente as figuras geométricas pelas quais tanto se interessa. Escreveu um livro sobre suas experiências.

OUTROS OLHARES

ESTICA, AMASSA E APERTA

O slime, massa de aspecto gelatinoso, virou febre entre as crianças (e os adultos) do Brasil. A graça toda é fazê-lo em casa, com produtos comprados em farmácia.

Estica, amass e aperta

Uma rápida busca no Instagram com o termo #slime traz um resultado impressionante:11 milhões de publicações marcadas na rede social. Em pleno ano de Copa do Mundo, a título de comparação, #futebol teve a metade desse montante. Slime, em inglês (lê-se “islaime”; lodo, em português), é uma massa de aspecto gelatinoso que se transformou em mania entre as crianças, e mesmo entre os adultos. Semelhante à antiga geleca industrializada dos anos 1980, pode ser comprado pronto em lojas de brinquedo. Mas a graça toda é prepará-lo com compostos domésticos. As receitas, que começaram a ser divulgadas em vídeos caseiros feitos na Tailândia, levam os mais variados ingredientes – espuma de barbear e hidratante (para dar maciez), cola e água boricada (juntas, dão a consistência) e enfeites como corante, glitter e bolinhas de isopor. Luiza DeMaria Mutarelli, de 8 anos, tem uma coleção de slimes em casa, todos preparados por ela. “Levo para a escola, a casa dos meus avós, a casa dos amigos e o clube”, diz.

O processo artesanal de elaboração da engenhoca fez com que fosse adotada em terapias infantis, em consultórios de psicólogos. O trabalho manual estimula a paciência, o raciocínio e a coordenação motora. A possibilidade de personalização contribui para o aumento da autoestima, perseverança e criatividade. Diz a psicoterapeuta Fernanda Grinberg: “Uma das maiores qualidades é ajudar a criança a lidar com frustrações”. Isso porque muitas vezes as substâncias escolhidas ou as quantidades empregadas não formam uma massa com a textura desejada, e tem- se sempre a impressão de resultado ruim, mesmo que não seja. Há um pequeno risco de uso de material indevido, de produtos químicos que podem provocar irritação na pele – mas nada grave. De todo modo, o slime é indicado para crianças com mais de 3 anos. Já não há dúvida alguma do estrondoso sucesso da brincadeira. Um levantamento realizado pela Consulta Remédios, empresa que compara preços de medicamentos na internet, mostrou que entre janeiro e novembro de 2018 ocorreu um aumento de mais de 1.000% nas buscas on-line por água boricada e de 300% por creme de barbear, em relação ao mesmo período do ano anterior. O produto embalado custa cerca de 8 reais. Mas, repita-se, como o legal é montar um laboratório químico no banheiro ou na área de serviço, pais, preparem-se, se é que já não sentiram no bolso: os kits chegam a 500 reais.

Estica, amassa e aoerta. 2

GESTÃO E CARREIRA

 OS REIS DO NETWORKING

Cultivar uma rede de contatos é crucial para se recolocar mais rápido, prosperar nos negócios e receber indicações que ajudem no crescimento da carreira. Saiba como incorporar esse hábito à sua rotina para cultivar os relacionamentos sem parecer interesseiro.

Os Reisa do Networking

No Brasil, cerca de 25 milhões de pessoas possuem perfis no LinkedIn. Somos o terceiro maior país do mundo em número de usuários dessa rede social profissional, atrás apenas dos Estados Unidos, que têm 128 milhões de profissionais cadastrados, e da Índia, com 35 milhões, mas à frente de Inglaterra e China, ambas com cerca de 20 milhões de usuários. Esses números ajudam a dimensionar a importância dos relacionamentos para a conquista de posições no mercado de trabalho brasileiro ou para o fechamento de negócios. Isso não significa, entretanto, que os brasileiros sejam mestres na arte de fazer networking. “Muita gente abandona o perfil na rede quando não precisa de nada. Isso é um erro”, diz Fernanda Brunsizian, gerente de comunicação do LinkedIn Brasil. Numa época de corte de postos de trabalho, uma boa rede de contatos pode ser a diferença entre a recolocação ou o desemprego.

Segundo especialistas em recrutamento, como as empresas não estão contratando, mas apenas fazendo substituições nos times, entre 80% e 90% das oportunidades de trabalho no momento advêm de relacionamentos. “A maior parte dessas posições está invisível – não está nos grandes jornais nem nas mídias sociais. Elas circulam de boca em boca e é preciso estar conectado às pessoas certas para ficar sabendo delas e conseguir indicações”, afirma José Augusto Minarelli, presidente da consultoria Lens & Minarelli, especializada em transição de carreira e aconselhamento para executivos e autor do livro Superdicas de Networking para Sua Vida Pessoal e Profissional (Ed. Saraiva).

Quem conhece outras pessoas e estabelece com elas vínculos de confiança possui um capital social precioso, capaz de abrir portas no mundo dos negócios ou nas empresas onde se deseja trabalhar. Um dos que se deram conta de que o valor desse capital não é mera metáfora foi o empresário Sergio Waib, apresentador do programa Giro Business, do canal Band News. Dono de uma rede que inclui 400 executivos de grandes empresas brasileiras, nos últimos anos Sergio começou a ser abordado por pessoas interessadas em realizar negócios com seus contatos. A princípio, ele se surpreendeu em saber que os relacionamentos que cultivava naturalmente eram considerados tão valiosos pelo merca- do. Hoje, ele apresenta as duas partes e, se o negócio é fechado, recebe uma comissão por ter intermediado a aproximação. Mesmo colhendo os frutos de seu bom networking, ele alerta que uma rede jamais deve ser cultivada visando apenas ao dinheiro. “Assim que seus contatos percebem que não existe foco e consistência no que você oferece, deixam de te atender e considerar”, afirma o empresário. “Para mim, o networking é uma corrente do bem que acontece quase naturalmente, seja para coisas pequenas, como gentilezas e favores, ou para a realização de negócios”, diz Sergio.

INTERESSE GENUÍNO

Mas qual o segredo para fazer networking sem parecer interesseiro? Esse é o tema do livro Networking vs Notworking, ainda sem editora definida, do executivo e agora consultor Alexandre Caldini, de São Paulo. Após fazer carreira como diretor e presidente de grandes empresas, onde sempre se destacou por sua capacidade de relacionamento, Alexandre deixou a vida executiva e agora pretende ajudar outras pessoas a desenvolver essa habilidade. Segundo o consultor, o interesseiro é alguém egoísta, aproveitador, que se vale da boa vontade dos outros em benefício próprio sem oferecer nada em troca. “Já o interessado se aproxima dos outros porque vê uma oportunidade de aprendizado, de amizade e também de realizar negócios, mas entende que a aproximação precisa acontecer visando ao benefício de ambas as partes”, diz Alexandre. “Ora eu preciso de você, ora você precisa de mim, ou de um conhecido.” Para ele, além de recíproca, a relação deve ser gentil – não invasiva –, baseada na confiança e se fortalecer a cada contato. “Claro que há o interesse – e ele é lícito, não há problema nenhum. Mas o que não pode, nem adianta, é esconder isso. As pessoas hoje em dia buscam honestidade, não adianta tentar enrolar”, afirma o consultor.

Naturalidade e honestidade, aliás, são palavras bastante repetidas pelos entrevistados desta reportagem. Eles incorporaram a prática do networking de tal forma ao seu dia a dia que ela se tornou parte de seu estilo de vida. Possuem um interesse genuíno nas pessoas, interagem de maneira constante – não só quando precisam de algo – e estabelecem conexões sem esperar nada em troca. “Deve-se atender o outro sem expectativa de retorno. Até porque esse retorno talvez nem venha dessa pessoa, mas de outra. Não dá para ter um networking utilitário”, diz Alexandre Caldini. Muitas dessas pessoas nem sequer consideram o que fazem networking. “Para mim, essa palavra remete a algo feito com interesse e objetivo específico de usar outra pessoa, e isso me choca um pouco”, diz Sofia Esteves, presidente do conselho da consultoria de gestão de pessoas DMRH e da empresa de recrutamento Cia de Talentos, de São Paulo.

Sofia é detentora de uma das redes mais numerosas do país, o que inclusive lhe rendeu o convite para ser uma das primeiras influencers – pessoas de referência para seguidores de determinados temas – no LinkedIn do Brasil. Sua trajetória como headhunter exigiu que a executiva conhecesse muitas pessoas, mas basta acompanhá-la a algum evento, em que ela mal consegue dar dois passos sem ser abordada por alguém, para perceber que há algo mais em questão. “Eu amo pessoas, me preocupo e me relaciono de verdade com elas. Se estamos abertos a ajudar o outro, também recebemos ajuda quando precisamos”, afirma Sofia. Ela pratica isso adotando gestos simples, como sempre dar uma justificativa quando não pode comparecer a um evento ao qual é convidada ou ligar no dia do aniversário dos seus contatos. “Não há nada mais pessoal do que o dia do aniversário, e todo mundo gosta de ser lembrado”, diz ela. Por outro lado, Sofia critica quem só aciona sua rede por interesse. “Uma coisa que me entristece é a pessoa que nunca fala comigo, mas quando perde o emprego de repente vira meu melhor amigo. Manda mensagem pedindo favor, sem sequer perguntar como eu estou”, diz a executiva.

A presidente da DMRH aprendeu desde cedo, em sua carreira, sobre a importância da atenção sincera aos relacionamentos que cultiva. Seu primeiro assessorado foi um presidente de empresa de 58 anos de idade, que tinha um mês para arrumar um emprego no Brasil ou teria de se mudar para o Canadá. Sofia virou a noite preparando e datilografando o currículo dele e juntos escolheram as empresas de interesse. Nos anos 80, antes do advento do e-mail, o costume era enviar o documento pelo correio. Mas, quando a empresa era perto, Sofia fazia questão de entregar pessoalmente. Em menos de um mês, o cliente recebeu quatro propostas. No dia em que assumiu o novo cargo, o executivo agradeceu Sofia e revelou que, se não tivesse conseguido uma posição, iria se matar. “Chorei muito na hora, teria me sentido muito mal se não o tivesse ajudado”, diz ela. Foi também com esse trabalho que Sofia aprendeu sobre o retorno proporcionado pela ajuda desinteressada. Dois anos mais tarde, quando decidiu abrir sua própria empresa, foi esse mesmo executivo quem a orientou sobre como viabilizar o negócio. “Era uma pessoa que eu tinha a obrigação de atender naquele momento, porque era meu cliente, mas pus afeto e fiz as coisas antes do prazo. Fui importante na vida dele, mas nunca imaginei que ele depois seria fundamental na minha”, diz ela.

AMIZADES EM SÉRIE

A habilidade para conhecer pessoas novas e travar relacionamentos foi essencial para que Fabio Seixas conseguisse tirar do papel o projeto do Festival Path. Inspirado no SXSW – um dos maiores festivais de cinema, música e tecnologia do mundo, realizado em Austin, nos Estados Unidos – o Path reúne shows e palestras sobre temas como inovação e liderança e acontece em São Paulo. Em sua última edição, em maio deste ano, foram 150 palestras e um público estimado em 10.000 pessoas. O networking é essencial para que os organizadores de um evento desse porte consigam identificar e contatar todos os expositores e viabilizar o festival em prazos relativamente curtos. “Neste ano, fizemos audições em Curitiba, Salvador e no Rio de Janeiro, e muitos dos que participaram chegaram até nós a partir de contatos que fiz pela minha rede ou foram indicados por conhecidos”, afirma.

O criador do festival, que até 2015 trabalhou como diretor executivo na Conspiração Filmes, sempre tocou paralelamente ao emprego projetos que incentivam o networking, como o PlusPlus!, evento que uma vez por mês reúne cerca de 30 profissionais para tomar café da manhã e debater um tema atual relacionado a inovação e criatividade. Segundo ele, sua habilidade em fazer novos contatos e amizades foi desenvolvida desde a infância, pelo fato de ter precisado se mudar muitas vezes – primeiro, em decorrência do trabalho do pai e, depois, por seu próprio interesse em explorar o mundo. Até os 25 anos de idade, Fabio morou em 17 lugares diferentes, passando por países como Estados Unidos, México, África do Sul e China. “Sempre gostei de estar rodeado de gente e, desde novo, percebi o poder que a troca entre as pessoas pode ter para motivar mudanças e inovação”, diz ele.

Para Carlos Pessoa, executivo do setor de tecnologia que atuou como diretor-geral da Wara, uma aceleradora de startups da Telefônica no país, a habilidade para o networking também se transformou em oportunidade de trabalho. Em 2015, ele recebeu via LinkedIn um contato de um funcionário do Coursera, empresa americana de cursos online, que havia chegado até ele através de outra pessoa de sua rede. Como admirava a empresa, Carlos passou a ajudar o Coursera a fazer networking no Brasil. Ofereceu o próprio escritório para ser usado pelo executivo responsável pela América Latina – que trabalhava de um hotel – e começou a apresentar pessoas da área que pudessem ajudar a expandir a empresa por aqui. “Fazia isso porque gostava da empresa, mas ter uma pessoa do Vale do Silício trabalhando próximo a nós também poderia gerar networking para outras empresas da aceleradora”, afirma Carlos. Depois de mais de um ano ajudando a empresa de maneira voluntária, o executivo recebeu um convite para virar diretor-geral do Coursera na América Latina. “Estava fazendo algo para ajudar os outros e, no fim das contas, acabou surgindo algo legal pra mim”, diz Carlos, que acaba de se mudar para o México.

E ele não se intimida com a ideia de ter que iniciar uma rede do zero no novo país. “Já morei no Egito, na África do Sul e na Jordânia – enfim, estou acostumado a construir redes de relacionamento”, afirma. Qual a estratégia? “Já me apresento para pessoas em comum, organizo um jantar com gente do meu mercado e falo para levarem conhecidos, para todo mundo trocar cartão, se conhecer”, diz Carlos.

AMPLIANDO A REDE

As ferramentas tecnológicas hoje disponíveis podem e devem ser usadas para ampliar as redes de contatos. “O ideal é separar um momento do dia para explorar a ferramenta. Ver quem está fazendo o quê, quem mudou de emprego ou montou uma empresa, parabenizar e comentar esses posts”, afirma Fernanda Brunsizian, do LinkedIn Brasil. Ao acessar o perfil de alguém nessa rede social, é possível visualizar contatos com até dois graus de separação. Pedir que um amigo em comum o apresente – mesmo que digitalmente – para a pessoa que se deseja alcançar pode ajudar. Isso deixa o contato menos frio e aumenta as chances de que a pessoa atenda sua solicitação ou preste atenção no que você tem a dizer. “Após esse primeiro contato, é importante sair um pouco do mundo virtual”, afirma Fernanda. “O digital é muito bom para escala, alcance, mas é fundamental complementar o networking ao vivo. Marque um café ou algo do tipo, pois o olho no olho faz muita diferença.” Nos contatos feitos pessoalmente, busque anotar detalhes sobre as pessoas que conheceu em eventos, para facilitar a retomada da conversa no futuro. Dados como o assunto discutido e o local onde ocorreu o encontro, por exemplo, podem ajudar.

Quem se destaca na arte de colocar a tecnologia a serviço do networking é Marienne Coutinho, sócia da consultoria KPMG e instrutora de networking na empresa. Dona de uma rede com 4.000 conexões, Marienne se diz bastante disciplinada no cultivo dessas relações. “Antes de uma reunião com alguém, já entro no perfil profissional da pessoa e vejo o histórico dela, contatos e interesses em comum. Isso é um tipo de informação que não tínhamos antigamente e que ajuda muito a identificar pontos de empatia.” Ela também é usuária do aplicativo Evernote, que possui uma ferramenta que exporta e categoriza contatos de um cartão de visitas fotografado. Uma mão na roda para quem reclama da falta de tempo para se organizar.

Para a executiva, que também é co- presidente da Women Corporate Directors no Brasil, um grupo voltado para treinar e aumentar a representatividade de mulheres em conselhos de empresas, o networking é um trabalho de longuíssimo prazo para o qual as pessoas só costumam atentar quando já é muito tarde, especial- mente as mulheres. “Nos conselhos, por exemplo, a maior parte das posições é preenchida por indicações, geralmente feitas pelos membros que já o compõem – em sua maioria, homens”, afirma Marienne. Para romper com esse ciclo, Marienne defende que as mulheres dediquem mais tempo ao networking. Outra dica é tentar se relacionar ao máximo com pessoas de outras áreas, para ganhar conhecimento e enxergar novas possibilidades. “O networking só é amplo de verdade quando se sai do próprio círculo”, afirma a executiva.

E é justamente esse o primeiro passo para quem quer desenvolver sua rede. Para interagir e construir relações, é preciso sair da zona de conforto. “Quando as pessoas se sentam para assistir a uma palestra ou algo do gênero, elas não conversam nem com a pessoa ao lado. Essa é a primeira coisa que eu faço numa situação assim. Começo me apresentando”, diz Sofia Esteves. E você, já se apresentou para alguém hoje?

Os Reis do Networking. 2

ALIMENTO DIÁRIO

PROVÉRBIOS 11: 27 – 31

Pensando biblicamente

A LOUCURA E A INFELICIDADE DOS PECADORES

 

V. 27 – Observe:

1. Os que se esforçam para fazer o bem no mundo são amados, tanto por Deus como pelo homem; O que busca cedo o bem (este é o significado), que busca oportunidades para servir seus amigos e auxiliar os pobres, e se entrega a isto, busca favor. Todos os que estão à sua volta o amam, e falam bem dele, e estão prontos a fazer-lhe uma benignidade; e, o que é ainda melhor do que isto, melhor do que a vida, ele tem a benignidade de Deus.

2. O que procura o mal está preparando a sua própria destruição, o mal lhe sobrevirá; em um momento ou outro, ele será pago na mesma moeda. E, observe que procurar o mal é aqui apresentado em oposição a buscar o bem; pois os que não estão fazendo o bem, estão fazendo o mal.

 

V. 28 – Observe:

1. As nossas riquezas nos falharão, quando tivermos a maior necessidade: aquele que confia nas suas riquezas, corno se elas pudessem lhe assegurar a benevolência de Deus e ser a sua proteção e porção, cairá, corno um homem que coloca o seu peso em um bordão quebrado, que não somente o irá desapontar, mas penetrará na sua mão e o ferirá.

2. A nossa justiça nos sustentará, e não as nossas riquezas, quando estas falharem: “Os justos reverdecerão como a rama”, a rama da justiça, corno uma árvore cujas folhas não caem (Salmos 1.3). Mesmo na morte, quando as riquezas falham aos homens, os ossos dos justos reverdecerão corno a erva tenra (Isaias 66.14). Quando aqueles que se enraízam no mundo secarem, os que estão enxertados em Cristo e compartilham da sua raiz e gordura serão frutíferos e prosperarão.

 

V. 29 – Duas situações extremas, na administração das questões familiares, são aqui condenadas, e as suas más consequências são preditas:

1. Zelo e atitudes carnais, por um lado. Existem aqueles que, por sua extrema ansiedade na busca do mundo, na sua ansiedade com seus negócios e irritação com suas perdas, sua rigidez com os seus servos e sua mesquinhez com suas famílias, perturbam suas casas, e incomodam continuamente todos ao seu redor; ao passo que outros pensam que, por suportarem facções e contendas em suas famílias – que são realmente um problema para as suas casas – devem ter algum benefício. Mas ambos serão desapontados; herdarão o vento. Tudo o que conseguirão, com estas atitudes, não será apenas ser vazios e sem valor, corno o vento, mas ruidosos e problemáticos, vaidade e aflição de espírito.

2. Descuido e falta de prudência e bom senso, por outro lado. Aquele que é tolo em seus negócios, que não se importa com eles ou que age de maneira estranha com relação a eles, que não tem criatividade e consideração, não somente perde a sua reputação e interesse, mas se torna servo do sábio de coração. Ele é empobrecido, e forçado a trabalhar para obter seu sustento; ao passo que aqueles que ad­ ministram prudentemente seus negócios progridem e vêm a ter domínio sobre ele, e outros como ele. É racional, e muito apropriado, que o tolo seja servo do sábio de coração, e neste aspecto, entre outros, nós somos obrigados a submeter nossas vontades à vontade de Deus, e a estar sujeitos a Ele, porque somos tolos, e Ele é infinitamente sábio.

 

V. 30 – Este verso mostra quão grandes bênçãos são os homens bons, especialmente os que são eminentemente sábios, nos lugares onde vivem, e por isto, o quanto devem ser valorizados.

1. O fruto do justo é árvore de vida. Os frutos da sua piedade e caridade, das suas instruções, repreensões, exemplos e orações, o seu interesse no céu e a sua influência na terra, são como os frutos dessa árvore, preciosos e úteis, pois contribuem para o sustento e nutrição da vida espiritual de muitas pessoas. Estes são os adornos do paraíso e da igreja de Cristo na terra, e por causa deles ela existe e resiste.

2. Os sábios são algo a mais; são como árvores de conhecimento, não proibido, mas conhecimento ordenado. O que é sábio, ao transmitir sabedoria, ganha almas, trazendo-as ao amor a Deus e à santidade, e assim as ganha para os interesses do reino de Deus entre os homens. Os sábios são descritos como ensinando a justiça a muitos, e isto é a mesma coisa que ganhar almas, aqui (Daniel 12.3). Os prosélitos de Abraão são chamados de almas que lhe acresceram (Genesis 12.5). Os que desejam ganhar almas têm necessidade de sabedoria para saber como lidar com elas; e os que ganham almas, mostram que são sábios.

 

V.  31 – Este, em minha opinião, é o único dos provérbios de Salomão que é antecedido por aquela observação de atenção, “eis que”, o que indica que ele não contém apenas uma verdade evidente, que pode ser contemplada, mas uma verdade eminente, que deve ser considerada.

1. Alguns entendem que as duas partes são uma retribuição em meio a um desprazer: o justo, se agir de maneira errada é punido na terra, por suas ofensas; quanto mais o ímpio e o pecador serão punidos pelos seus pecados, que são cometidos, não por fraqueza, mas por arrogância e desdém. Se o juízo começa pela casa de Deus, qual será o fim daqueles que são desobedientes? (1 Pedro 4.17,18; Lucas 2:3.31).

2. Eu prefiro entender o verso como uma recompensa para os justos e uma punição para os pecadores (veja a versão NTLH). Vejamos, são retribuições providenciais. Há algumas recompensas na terra, neste mundo, e nas coisas deste mundo, que provam que deveras há um Deus que julga na terra (Salmos 58.11); mas elas não são universais; muitos pecados ficam impunes na terra, e muitos serviços não obtêm recompensas, o que indica que há um juízo que há de vir, e que haverá retribuições mais exatas e mais completas no futuro. Muitas vezes, os justos são recompensados pela sua justiça, aqui na terra, ainda que esta recompensa não seja a principal, e muito menos a única, destinada a eles ou tencionada por eles; mas o que quer que a Palavra de Deus lhes tenha prometido, ou a sabedoria de Deus julgue adequado para eles, eles receberão na terra. Também o ímpio e o pecador são, algumas vezes, notavelmente punidos nesta vida – nações, famílias, indivíduos. E se os justos, que não merecem a menor recompensa, têm parte dela aqui na terra, muito mais os ímpios, que merecem a maior punição, terão parte da sua punição na terra, como um prenúncio do pior que há de vir. Por isto, perturbai-vos e não pequeis. Se têm dois céus aqueles que não merecem nenhum, muito mais terão dois infernos aqueles que merecem ambos.

PSICOLOGIA ANALÍTICA

OUVINDO VOZES

A difícil jornada de uma estudante estigmatizada pelo diagnóstico de esquizofrenia destaca como o preconceito em relação a transtornos mentais e a hostilidade vivida por pacientes podem ser até mais prejudiciais que os próprios sintomas do distúrbio.

Outras vozes

Em 1999, quando saí de casa dos meus pais para ingressar na universidade, estava esperançosa e otimista. Havia sido boa aluna no ensino médio e tinha grandes expectativas. Entrei no campus com o pé direito e frequentei excelentes aulas, além de festas animadas. Aparentemente era corajosa, cheia de energia e capaz de enfrentar os desafios para alcançar um futuro brilhante.

Por trás dessa fachada, no entanto, me sentia profundamente infeliz, insegura e assustada. Tinha pavor de outras pessoas, medo do futuro, do fracasso e de ficar aquém das altas expectativas que havia estabelecido para mim mesma. E, acima de tudo, temia o vazio que sentia. Porém era bastante hábil para esconder essas angústias. O escudo de invulnerabilidade que criei parecia tão perfeito que cheguei a acreditar que estava protegida. Naquele momento não havia como alguém prever a catástrofe que estava prestes a me acontecer.

Tudo começou no segundo semestre da faculdade. Após ter participado de um seminário, enquanto mexia na mochila e cantarolava, exatamente como sempre fazia, ouvi: “Ela está saindo do prédio”. Era uma expressão calma, apenas um aviso. Olhei ao redor. Não havia ninguém por perto, mas as palavras eram tão claras e precisas que tive certeza de que não era minha imaginação. Abalada, deixei cair meus livros pelas escadas e corri para casa. Assim que cheguei, escutei novamente: “Ela está abrindo a porta”.

A VOZ HAVIA CHEGADO

Eu não sabia na época, mas aquele era o começo de uma terrível jornada pessoal. Fui diagnosticada como esquizofrênica – o que trouxe a pesada carga da desaprovação social sobre mim e deu início a uma espiral descendente de angústia e desesperança. A recuperação veio aos poucos com a ajuda de um médico dedicado e do apoio de amigos e da minha família. Ao longo desse árduo caminho, aprendi muito sobre mim mesma e como o sofrimento mental é rechaçado e incompreendido em nossa cultura – e mesmo pela medicina. O estigma pode ser um obstáculo para a recuperação tão desafiador quanto o fato de ouvir vozes. Mas, para compreender o percurso pelo qual passei, é importante retomar o início dessa saga.

A Voz costumava ficar comigo por alguns dias e depois desaparecia. Aos poucos, começou a voltar com maior frequência e permanecer por mais tempo, até que passou a persistir por semanas inteiras, narrando tudo em terceira pessoa. “Ela está chegando à aula.” “Ela está indo para a biblioteca.” O tom natural e tranquilo soava estranhamente familiar e reconfortante. No entanto, aquele som pacato foi mudando aos poucos. A Voz passou a espelhar emoções que eu experimentava, mas não conseguia expressar.

Por exemplo, se eu estivesse com raiva e tentasse esconder (o que, aliás, era algo frequente), o tom se tornava contrariado. A maior parte do tempo, porém, eu me sentia bem. A sensação era de que algo queria me mostrar minhas verdadeiras emoções, principalmente aquelas distantes e inacessíveis.

Depois de dois meses, contei o problema para um amigo. Falei do que tanto me preocupava: o fato de que as pessoas “normais” não escutem uma voz em sua cabeça só poderia significar algum problema muito grave. Fazer a confidência foi meu primeiro erro. O medo e a desconfiança do rapaz – que, aliás, ilustram bem como o assunto é tratado como tabu em nossa sociedade – tiveram efeito prejudicial imediato sobre mim. Depois do desabafo, comecei a me sentir desconfortável e adotei uma atitude hostil contra o que ouvia em minha cabeça. De repente, a voz não soava mais tão familiar e atendi prontamente o pedido do meu amigo para procurar ajuda médica. Esse foi meu segundo erro.

Não comentei logo de cara a Voz. Procurei falar sobre o que acreditava serem meus problemas reais: ansiedade, baixa autoestima, insegurança em relação ao futuro. O clínico geral da faculdade parecia extremamente entediado com o assunto. No entanto, quando mencionei a Voz, ele quase derrubou sua caneta, girou a cadeira em minha direção e começou a me encher de perguntas. Nesse momento consegui sua atenção. E, para ser sincera, eu queria muito ser ouvida, estava desesperada para que as pessoas se interessassem por mim e tentassem me ajudar.

Eu disse ao médico tudo sobre os estranhos comentários que escutava. Enquanto conversava, a Voz permanecia em silêncio. Aposto que, se fosse para falar algo, ela diria: ” Ela está cavando sua própria sepultura”.

O CIRCO MÉDICO

O clínico me encaminhou a uma psiquiatra, que também teve uma visão sombria sobre o caso. De fato, ela interpretou tudo o que eu disse através de uma lente de insanidade latente. Por exemplo, durante uma longa consulta, comentei que precisava encerrar porque apresentaria o noticiário das 6. Ela não teve dúvida: anotou no meu prontuário: “Eleanor tem delírios sobre ser apresentadora de uma emissora de televisão”. O que ela não sabia é que de fato eu participava do canal universitário do campus. Nesse dia, tive de correr para não chegar atrasada. A psiquiatra, porém, jamais se preocupou em explorar minha afirmação. Simplesmente concluiu que eu estava louca.

Não demorou muito para que eu fosse diagnosticada como esquizofrênica. E o pior: comecei a me sentir terrivelmente desiludida, atormentada e humilhada. Fui encorajada a encarar tudo como simplesmente uma doença em vez de perceber a situação como uma experiência humana. O medo e a resistência foram se tornando cada vez maiores e desenvolvi, cada vez mais, uma postura agressiva em relação ao que era basicamente parte da minha própria mente. Sentia-me envolvida em uma espécie de guerra psíquica.

Quanto mais procurava me afastar da Voz, mais hostil ela se tornava. Logo, ela se transformou em muitas. E começaram a ficar cada vez mais ameaçadoras. Sentindo-me impotente e abatida, recuei para um angustiante mundo interno, onde as vozes me perseguiam, mas também eram minhas únicas companhias. Uma vez, elas me disseram que, se eu provasse ser digna de sua ajuda, poderiam restaurar minha vida e tudo voltaria a ser como antes. E estabeleceram uma série de tarefas cada vez mais bizarras que eu deveria cumprir. No começo eram até simples, como arrancar três fios de cabelo. Mas, aos poucos, elas se tornaram mais exigentes a ponto de me prejudicar. Num dia, recebi uma instrução particularmente grave: “Vê aquele professor ali? Percebe o copo em sua mesa? Pegue-o e derrame a água sobre ele”. E foi o que fiz. Obviamente não fiquei muito bem-vista nem pelo professor nem pelo restante da faculdade.

Dois anos depois daquela primeira conversa com o médico da faculdade, me sentia terrivelmente deteriorada emocionalmente. A essa altura, havia desenvolvido um repertório frenético de vozes assustadoras, visões grotescas e delírios bizarros. O diagnóstico havia se tornado uma marca, uma espécie de estigma social que me mantinha no lugar da perturbada, diferente e vulnerável. Fiquei estarrecida ao perceber o quanto eu incomodava algumas pessoas. Virei alvo de constantes intimidações por um grupo de colegas, que no início tentavam me isolar, mas passaram a me insultar verbalmente e, aos poucos, partiram para agressão física e sexual. Fui diagnosticada, drogada e descartada.

Um dia, meu psiquiatra comentou: “Eleanor, seria melhor ter câncer. Você teria maiores chances de cura”. Meus sonhos pareciam efetivamente enterrados. Estava tão atormentada pelas vozes que comentei com meus pais (tristes e horrorizados com a situação) minha intenção de fazer um buraco em minha cabeça para “arrancá-las” de lá. Felizmente fui impedida de concretizar esse gesto, mas o fato de ter esse ímpeto era um sinal devastador do meu desespero de ter sido condenada àquela vida.

AS PALAVRAS DA DOR

Quando olho para trás e percebo a ruína que vivi durante aqueles anos, tenho a sensação de que uma parte de mim morreu.  No entanto, uma pessoa foi salva. Uma mulher aterrorizada e despedaçada começou uma viagem, mas outra a concluiu: uma sobrevivente que conseguiu se transformar em quem realmente era. Até me lembro das pessoas que me prejudicaram, mas muito mais daquelas que me ajudaram. Minha mãe, que jamais desistiu de mim, sabia que um dia me recuperaria – e ela estava disposta a esperar o tempo que fosse preciso. O médico que trabalhou comigo por apenas um breve período sempre acreditou na recuperação. Durante tempos terríveis de recaída, ele reconfortava minha família: “Não desistam, tenham esperança. Eleanor vai superar essa situação. A tristeza pode durar uma noite, mas a alegria vem pela manhã”, dizia.

Pessoas boas e generosas lutaram comigo e aguardaram para me receber de volta daquele lugar solitário e angustiante no qual me refugiava, dentro de minha cabeça. Eles me ajudaram a forjar coragem, criatividade e a crença de que meu ego estilhaçado poderia ser reintegrado. Eu costumava dizer que elas me salvaram. Hoje, acredito que fizeram algo melhor: fortaleceram­ me para que eu mesma pudesse me curar.

A ajuda que recebi foi crucial para entender o que sempre suspeitava: as vozes eram importantes respostas de eventos traumáticos, particularmente da infância – e não minhas inimigas como estamos acostumados a pensar. Elas foram o caminho para me fazer olhar para problemas emocionais que poderiam ser resolvidos. Inicialmente, sentia que as vozes eram poderosas e intimidadoras. Mas perceber seus significados metafóricos foi decisivo para caminhar em direção à cura. As vozes que ameaçavam atacar minha casa, por exemplo, não precisavam ser tomadas como um perigo objetivo, mas como uma expressão de meus próprios sentimentos de insegurança e medo do mundo. Levou um bom tempo até que eu conseguisse “decodifica­ las”. Inicialmente, não conseguia interpretá-las de maneira construtiva. Recordo-me de ter ficado em guarda durante uma noite na porta do quarto dos meus pais para protegê-los do que acreditava ser uma ameaça real anunciada. Além disso, objetos cortantes foram escondidos para evitar o risco iminente de autolesão. Aos poucos, comecei a enxergar a situação com mais tranquilidade e a usar a criatividade para lidar com o que surgia. “Não mexam comigo, tenho um garfo de plástico”, brincava. Com o tempo, voltei a usar os talheres convencionais e comecei a desconstruir a mensagem por trás das palavras. Por exemplo, quando as vozes me diziam para não sair de casa, comecei a interpretá-las com uma tentativa de chamar minha atenção para o fato de estar insegura. Com isso, me tranquilizava e percebia que não precisava me sentir tão assustada.

Decidi definir limites para as vozes e interagir com elas de forma assertiva, mas respeitosa. Comecei estabelecendo um lento processo de comunicação e colaboração para trabalharmos juntas. Finalmente aprendi que cada voz que ouvia estava intimamente relacionada a aspectos pessoais e carregava intensas emoções que nunca havia tido oportunidade de processar e resolver: memórias traumáticas de abuso sexual, vergonha, raiva, perdas. As vozes tomaram o lugar da dor e deram palavras a ela.

 

NADA MAU PARA UMA LOUCA

Acredito que um dos principais insights que tive foi conseguir relacionar as vozes mais negativas a situações em que havia sido muito machucada. Esses conteúdos agressivos precisavam emergir para serem olhados e cuidados. A tentativa de encarar esses sintomas como algo “ruim” a ser eliminado só prolongou meu sofrimento. De fato, as vozes apontavam para o caminho da cura, tentando chamar minha atenção para os conflitos emocionais que precisava elaborar. Saber disso me deu forças para reunir os estilhaços de mim mesma, cada fragmento representado por uma voz diferente.

Aos poucos, me livrei da medicação. E, com o tempo, voltei à compreensão da fragilidade mental – mas não como paciente, e sim como estudante. Dez anos após a primeira consulta, finalmente me formei com mérito em psicologia. Um ano depois, me tornei mestre, também com a pontuação mais elevada e, mais recentemente, obtive o grau de doutora.

Desde que iniciei essa difícil jornada, as vozes nunca mais pararam. O que mudou foi minha relação com elas depois que as reconheci como parte de mim. Aprendi a aceitá-las, o que as tornou menos hostis. Aliás, às vezes são até úteis. Já as escutei sussurrando respostas durante uma prova. Conta como cola? A experiência me ajudou também a ouvir duas conversas ao mesmo tempo. Talvez eu possa usar essa habilidade como espiã.

Brincadeiras à parte, às vezes sinto que gosto da atenção que recebo das vozes. Como estudante de psicologia, uma coisa ficou muito clara: minha história pessoal de reintegração emocional se apoia numa crescente produção de literatura acadêmica sobre experiências consideradas indicativas de esquizofrenia. Há evidências de que grande parte do 1,5 milhão de pessoas diagnosticadas a cada ano com a patologia não é vítima de desequilíbrio químico ou mutação genética. De fato, elas demonstram respostas complexas de situações de abuso, perdas, abandono ou outros eventos traumáticos do passado. Foi o que aconteceu comigo. Considerar esses aspectos é fundamental para desenvolver tratamentos mais eficazes na área de saúde mental e ajudar pessoas a lidar melhor com suas dificuldades.

Hoje dedico minha vida e carreira profissional para promover essa discussão. Nos últimos anos, tenho trabalhado em serviços de saúde mental, falado em conferências, publicado artigos acadêmicos e capítulos em livros para apontar a relevância desses conceitos na abordagem psiquiátrica. Acredito ser fundamental substituir a pergunta (e a compreensão) “O que há de errado com você?” por “O que acontece com você?”.

Depois de muito esforço, aprendi a viver com minhas vozes em paz e com respeito, o que reflete os sentimentos de afeto e aceitação que desenvolvi por mim mesma. Apoiar outra jovem aterrorizada por vozes foi um dos momentos mais comoventes e extraordinários durante minha recuperação. Ajudá­la me ajudou a perceber claramente, pela primeira vez, que naquele momento eu estava em outra posição e finalmente poderia estender a mão para alguém que passava pela mesma situação.

Tenho muito orgulho de participar da comunidade lntevroiec (www.intervoiceonline.org), uma organização internacional do Hearing Voices Movement, uma iniciativa inspirada no trabalho dos psiquiatras Marius Romme e Sandra Escher. Para eles, ouvir vozes não é um sintoma anômalo característico da esquizofrenia e que deve ser suportado, mas uma experiência importante e significativa a ser explorada. Nessa perspectiva, vozes são estratégias de sobrevivência, uma reação benéfica diante de circunstâncias emocionalmente desorganizadoras.

Juntos, buscamos construir referências para uma sociedade que entenda as pessoas que ouvem vozes, preste suporte e as valorize como cidadãs. Acredito que essas conquistas são um lembrete de que a empatia, a fraternidade, a justiça e o respeito não são só palavras, mas convicções. Talvez pareça utópico, mas para mim não é exagero dizer que crenças podem mudar o mundo.

Nos últimos 20 anos, o movimento estabeleceu redes do Hearing Voices em 26 países, nos cinco continentes, e desenvolveu ações conjuntas para promover autonomia e dignidade para pessoas em sofrimento psíquico. Trabalhamos para desenvolver novas práticas de tratamento, apostando no poder e na resistência do sujeito. Para a sociedade, nada é mais gratificante do que facilitar o processo de cura de alguém: acompanhar de perto, estender a mão, compartilhar o pesado fardo de sofrimento e, acima de tudo, acreditar na recuperação. Da mesma forma, é importante lembrar que não precisamos viver definidos pelas circunstâncias prejudiciais pelas quais passamos. Uma vez, um médico sensível me disse: “Não me diga o que as outras pessoas falam sobre você… Fale-me de você…”. E isso fez diferença em minha história.

Ouvindo vozes. 2

 

Ouvindo vozes. 3

COM A AJUDA DA FAMÍLIA

Amigos próximos e pessoas da família, em geral, não sabem como agir quando alguém passa a apresentar sintomas de esquizofrenia. Diante da nova situação, repleta de dificuldades, é comum ficar entre dois extremos: refugiar-se no conformismo, que leva a não procurar tratamentos; ou adotar postura imediatista e iludindo-se com a ideia de que as coisas irão se resolver magicamente, de uma hora para outra, seja mudando o remédio, confiando em apenas um tipo de profissional da saúde ou simplesmente não aceitando o distúrbio.

O mais saudável, tanto para o paciente quanto para aqueles que o querem bem, é procurar um caminho intermediário. Ou seja: informar­ se sobre a doença sem negá-la e compreender que se trata de um transtorno crônico, que exige cuidados em longo prazo. Os resultados, muitas vezes, são lentos e a melhora só é possível com a busca constante e cotidiana de resolução de problemas e de exercício de diálogo e atendimento multidisciplinar. A experiência tem mostrado que, com o acesso a informações corretas sobre os transtornos mentais, é possível estabelecer relações de solidariedade, diminuindo o isolamento dos pacientes e o preconceito.

Não raro, aqueles que convivem com o paciente também precisam de cuidados, já que a carga emocional pela qual passam é bastante forte. Por isso, é importante integrar-se a grupos de pessoas que vivem a mesma situação ou mesmo procurar atendimento psicológico individual.

 

 

 

 

OUTROS OLHARES

O MANUAL DO SONO

Médicos brasileiros criam as primeiras diretrizes para o uso dos suplementos de melatonina, o hormônio que induz ao sono. Bastante consumidos, ninguém sabia até agora como utilizá-los direito.

O manual do sono

Segundo a Associação Brasileira do Sono, 73 milhões de pessoas dormem mal ou menos do que deveriam. A insônia tornou-se uma doença crônica para muita gente, provocando queda na qualidade de vida, dificuldades no trabalho e nos estudos porque ninguém produz direito depois de várias noites mal-dormidas. Entre as opções mais procuradas no mundo para dormir melhor está a melatonina. O suplemento virou uma boia de salvação porque realmente é eficaz, mas o problema é que até agora ninguém, nem os médicos em geral, sabiam como administrá-lo corretamente. Dois cientistas brasileiros acabam de dar as respostas.

Em um artigo publicado na revista científica Endocrine Reviews — de grande prestígio na área da endocrinologia —, José Cipolla Neto e Fernanda do Amaral, professores da Universidade Federal de São Paulo, descreveram o primeiro manual de uso da melatonina (leia quadro), feito a partir de uma extensa revisão de estudos. Produzida pela glândula pineal, a substância é um hormônio envolvido em várias funções, entre elas as metabólicas, e induz ao sono. “Ela indica ao sistema nervoso que acabou a vigília e começa o repouso”, explica Cipolla Neto. O problema é que sua produção fisiológica é influenciada por fatores ambientais, principalmente o tipo de luz à qual o indivíduo fica exposto nas horas antes de dormir. A emitida pelas telas dos celulares e das tevês e pelas lâmpadas LED é a pior porque bloqueia a síntese do hormônio. E como passam cada vez mais tempo sob esse tipo de luz, as pessoas fabricam menos melatonina. “Levamos o dia para dentro da noite”, diz Cipolla Neto. Por isso, sua suplementação pode ser necessária e eficaz.

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Tomada na hora e na dose erradas, porém, prejudica o estabelecimento correto dos ciclos fisiológicos, ligados aos estados de sono e de vigília. Pela manhã, o cérebro não sai do torpor para entrar no alerta. O sistema digestivo não se prepara para receber alimentos e processá-los. Pode ocorrer, por exemplo, resistência ao funcionamento da insulina, o hormônio que abre a porta das células para a entrada do açúcar que circula no sangue. Por isso, é bom seguir o manual.

O manual do sono. 3

GESTÃO E CARREIRA

EMPÁTICOS, MAS JUSTOS

As competências comportamentais são importantes para o desenvolvimento da liderança. Mas é preciso tomar cuidado para não usá-las em prol de uma popularidade vazia.

Empáticos, mas justos

Você já deve ter notado que existe um número enorme de artigos falando sobre a relevância das soft skills (como são conhecidas as habilidades comportamentais) para se desenvolver num mundo em constante transformação, como este em que vivemos atualmente.

Essas habilidades, que podemos chamar de interpessoais, são parte importante do perfil do líder moderno, daquele que trabalha na organização exponencial, que torna ágeis as relações em seu perímetro e que sabe tratar as pessoas com dignidade e respeito.

O profissional que forma alianças, que transmite empatia, que é íntegro, sem dúvida terá um desenvolvimento acelerado da carreira. Mas ele só conquistará isso se conseguir entender que não pode cometer injustiças — e que o objetivo das soft skills não é ganhar um concurso de popularidade para ser escolhido o Papai Noel da festa de Natal da firma.

É por isso que neste artigo, quero discutir sobre os limites das habilidades comportamentais — principalmente para os profissionais que estão em uma posição de gestão.

Um líder não precisa ter a obrigação de agradar a todo mundo. Os seus papéis, na realidade, são discordar daqueles que estão tendo atitudes disfuncionais; ser forte com os que deixam de respeitar os valores corporativos; e contradizer os colegas que entrarem em uma discussão sem argumentos objetivos para resolver um problema, apenas porque querem mostrar que estão com a razão.

Tratar igualitariamente os funcionários que atrapalham o processo de trabalho e os opositores sem argumentos, simplesmente para construir e manter uma imagem de “bonzinho”, só vai macular sua posição de liderança.

O resultado para esse gestor será a perda do respeito de sua equipe e também de seus apoiadores. Agindo assim, ele fará com que os grupos que sempre estiveram a seu lado fiquem frustrados com uma atitude como essa.

Um líder deve ser duro com quem precisa de limites, forte com aqueles que estão se desviando da trajetória ética e implacável com quem violenta os valores. Essas, sim, são atitudes soft da melhor qualidade, que trazem resultados excelentes para quem as pratica e, consequentemente, para todo o grupo a seu redor.

Ser soft de verdade não é ser mole, nem conivente, menos ainda condescendente. Ser um líder soft é se transformar em um ser humano de primeira qualidade. E quem é assim se torna especialmente admirado e respeitado por todos.

ALIMENTO DIÁRIO

PROVÉRBIOS 11: 24 – 26

Pensando biblicamente

O LOUVOR DA LIBERALIDADE

 

V. 24 – Observe:

1. É possível que um homem enriqueça, gastando prudentemente o que tem, quando espalha o que tem em obras de piedade, caridade e generosidade, e ainda se lhe acrescenta mais; na verdade, por estes meios ele poderá prosperar, assim como o trigo cresce, ao ser plantado. Ao usar entusiasmadamente o que temos, os nossos espíritos se alegram, e assim se tornam adequados para o que temos que fazer, observando cuidadosamente que o que temos é aumentado; assim, se ganha uma reputação que contribui para a prosperidade. Mas deve-se atribuir isto especialmente a Deus; Ele abençoa a mão que dá, tornando-a, assim, uma mão que conquista (2 Coríntios 9.1-15). Dai, e dar-se- vos- á (Lucas 6.38).

2. É possível que um homem empobreça, poupando mesquinhamente o que tem, retendo mais do que é justo, sem pagar dívidas justas nem ajudar os pobres, sem prover o que é conveniente para a família nem permitir despesas necessárias para a preservação dos bens; isto é para a sua perda; isto limita o esforço dos homens, diminui o seu interesse, destrói a sua credibilidade e lhes rouba as bênçãos de Deus: e, ainda que os homens poupem o que têm, se Deus o soprar e o atacar, isto resultará em nada. Tudo será consumido (Ageu 1.6,9).

 

V. 25 – Tão relutantes somos em relação às obras de caridade, e tão prontos a pensar que a caridade nos diminui, que precisamos que nos seja repetido muitas vezes o quanto é para o nosso próprio benefício fazer o bem aos outros, como vimos antes (v. 17).

1. Nós teremos a consolação disto em nosso próprio seio: A alma generosa, liberal, a alma abençoada que ora pelos aflitos e provê para eles, que espalha bênçãos com lábios piedosos e mãos generosas, esta alma engordará com verdadeiro prazer e será enriquecida com mais graça.

2. Nós teremos a recompensa, de Deus e dos homens: o que regar os outros, com as correntezas da sua generosidade, também será regado; Deus certamente o restituirá, nos orvalhos, nas chuvas abundantes, da sua bênção, que Ele derramará, até que não haja mais espaço para recebê-la (Malaquias 3.10). Os homens que tiverem algum senso de gratidão a restituirão, se houver oportunidade; o misericordioso encontrará misericórdia, e o generoso será tratado com generosidade.

3. Nós seremos capacitados para fazer ainda mais bem: o que regar, será como a chuva (assim alguns interpretam); ele será recrutado como são as nuvens, que retornam depois da chuva, e será ainda mais útil e aceitável. como a chuva é para a grama recém cortada. Aquele que ensina aprenderá (é a paráfrase dos caldeus); aquele que usa o seu conhecimento para ensinar a outros será ensinado por Deus; a qualquer que tiver. e usar o que tem, ser-lhe-á dado.

 

V. 26 – Veja aqui:

1. O uso que devemos fazer das dádivas da generosidade de Deus; não devemos escondê-las, meramente para o nosso próprio benefício, para que possamos ser enriquecidos por elas, mas devemos exibi-las para o benefício dos outros, para que eles possam ser sustentados e mentidos por elas. É um pecado, quando o trigo é precioso e escasso, retê-lo, esperando que ele fique ainda mais precioso, de modo a insuflar o mercado, quando o preço já chegou tão alto que os pobres sofrem por isto; e nesta ocasião, é dever daqueles que têm estoques de trigo, considerar os pobres, e estar dispostos a vender a preço de mercado, contentando-se com lucros moderados, e não almejar lucrar com os juízos de Deus – esta é uma caridade nobre e cara, por parte daqueles que têm recursos estocados, para ajudar a regular o mercado, quando o preço dos gêneros de primeira necessidade subir excessivamente.

2. A consideração que devemos ter com o que diz o povo. Não devemos julgar como algo indiferente e não merecedor da nossa atenção o fato de termos a má vontade e as más palavras. ou a boa vontade e as boas palavras dos nossos próximos, as suas orações ou as suas maldições; aqui, somos ensinados e temer as suas maldições, e a abrir mão do nosso lucro, em lugar de nos arriscar a elas; e a cortejar as suas bênçãos, e nos esforçar ao máximo para adquiri-las.

PSICOLOGIA ANALÍTICA

COMO SERIA O MUNDO SEM O LIVRE-ARBÍTRIO?

Especialistas em comportamento se perguntam o que poderia ocorrer numa sociedade em que as pessoas estivessem convictas de não ter responsabilidade pelas próprias ações. Pesquisas oferecem vagas ideias desse cenário um tanto perturbador, que pode indicar riscos de desmantelamento da organização social.

Como seria o mundo sem o livre-arbítrio

Em julho de 2008, o metalúrgico aposentado Brian Thomas e sua esposa, Christine, viajaram com seu trailer para um pequeno vilarejo litorâneo no País de Gales. Incomodado por motoqueiros que faziam manobras barulhentas, o casal se mudou para o estacionamento de uma pousada próxima. Mais tarde, naquela mesma noite, Thomas sonhou que um dos motociclistas havia invadido o trailer. Enquanto dormia, ele confundiu sua mulher com o motoqueiro imaginário e a estrangulou. Ou, pelo menos, foi assim que relatou o caso. No ano seguinte, um júri teve de decidir se Thomas era culpado de assassinato. Os jurados ficaram sabendo que ele era propenso ao sonambulismo desde a infância. Um perito em psiquiatria sustentou a tese de que Thomas não estava ciente do que fazia quando sufocou a mulher e de que não havia decidido atacá-la conscientemente. Thomas foi inocentado.

Casos como esse forçam as pessoas a considerar o que significa a capacidade de fazer escolhas de maneira consciente. Durante um episódio de sonambulismo, o cérebro pode direcionar as ações sem que a pessoa esteja ciente disso. Recentemente um número crescente de psicólogos e neurocientistas tem argumentado que, com base na atual compreensão do cérebro humano, todos, de certa forma, estamos sonambulando o tempo todo. Em vez de sermos os autores intencionais de nossas vidas, somos simplesmente manipulados por acontecimentos passados e por maquinações ocultas de nossa mente inconsciente. Mesmo quando estamos perfeitamente acordados, a ampla capacidade de fazer escolhas seria apenas uma ilusão.

Pensadores com esse ponto de vista argumentam que todos os organismos são regidos pelas leis físicas de um Universo onde cada ação é o resultado de eventos anteriores. Humanos são organismos e, assim, o comportamento que apresentam resulta de uma complexa sequência de causa e efeito fora de controle. Segundo essa lógica, o Universo simplesmente não permite o livre-arbítrio. Recentes estudos neurocientíficos intensificaram essa noção ao sugerir que a experiência da escolha consciente é o resultado dos processos neurais subjacentes que produzem ações, e não sua causa. Nosso cérebro decide tudo o que fazemos sem a “nossa” ajuda – e a ideia de que temos voz ativa é apenas aparente.

Obviamente, nem todos concordam com esse ponto de vista, e os debates continuam acalorados. Mas nós dois estamos intrigados com uma questão relacionada e de igual importância: o que acontece quando a crença (justificada ou não) na capacidade de fazer as próprias escolhas é abalada? Qual será o aspecto de uma sociedade pós-livre-arbítrio, ou melhor, uma sociedade pós-crença em livre­ arbítrio? Nossa pesquisa sobre essa questão oferece algumas vagas ideias de uma resposta, algumas delas perturbadoras. Em particular, vemos sinais de que uma falta de crença na possibilidade de tomar decisões pode acabar desmantelando a organização social.

Como seria o mundo sem o livre-arbítrio. 2

TOLERÂNCIA AO CRIME

Alguns de nossos experimentos, no entanto, indicaram um resultado mais ameno, ao sugerir que uma sociedade que abandonou a crença no livre-arbítrio seria menos punitiva. Em pesquisas de opinião constatamos que, quanto mais as pessoas duvidam da capacidade de escolher, menos favorecem a punição “retributiva”, ou seja, o castigo não é imposto para impedir crimes futuros, mas sim para fazer as pessoas arcarem com as transgressões cometidas. Mas o que os entrevistados pensavam sobre o livre-arbítrio não diminuiu o apoio à punição “consequencialista”, que abandona a noção de castigo justo ou merecido – e concentra-se nos meios mais eficazes para desencorajar o crime e reabilitar o criminoso. De fato, céticos do livre-arbítrio pensam em pessoas que infringem a lei de forma similar a terremotos, inundações violentas ou outros fenômenos naturais: querem se proteger contra danos, mas não buscam vingança.

Uma pesquisa posterior apresentou resultado similar. Metade dos participantes leu um trecho de um livro que argumentava que uma visão racional dos humanos não deixa espaço para escolhas. A outra metade leu uma passagem do mesmo livro não relacionada à liberdade de tomar decisões. Como esperávamos, o primeiro grupo ficou mais reticente quanto à existência do livre-arbítrio.

Posteriormente, todos os participantes leram uma história sobre um homem hipotético condenado por matar alguém em uma briga de bar. A história deixava claro que o encarceramento não ajudaria a reformá-lo. Os que tinham sido expostos a argumentos contra o livre-arbítrio recomendaram metade do tempo de prisão que os voluntários do outro grupo. Em experimentos de acompanhamento, descobrimos que nem era necessário mencionar explicitamente o livre-arbítrio para mudar o modo como as pessoas pensam sobre o assunto e, consequentemente, como decidem uma punição apropriada para um crime. Depois de terem lido artigos de revistas científicas populares que descreviam os mecanismos neurais subjacentes a ações humanas, sem menção explícita de livre-arbítrio, as pessoas consideraram um criminoso imaginário menos culpado que os voluntários não expostos a esses materiais. Participantes que leram sobre ciência cerebral também recomendaram cerca da metade do tempo de prisão para homicídio. Aprender sobre o cérebro em uma aula na faculdade parece ter efeitos similares. Um recente experimento conduzido pela pesquisadora Lisa G. Aspinwall, da Universidade de Utah, e seus colegas se acrescenta a essa linha de evidências. Eles mostraram que, quando um transtorno mental de um suposto criminoso é explicado em linguagem científica como algo que essencialmente domina o cérebro, juízes se mostram particularmente propensos a sentenciar o acusado a uma pena de prisão mais curta.

Embora uma leniência maior por duvidar do livre-arbítrio possa ser uma coisa boa em muitos casos, abandonar completamente a punição criminal seria desastroso. Uma pesquisa experimental de Bettina Rockenbach, da Universidade de Colônia, na Alemanha, mostrou que, embora poucas pessoas gostem da ideia abstrata de pertencer a um grupo que pune seus membros por delitos, na prática a maioria esmagadora prefere isso.

No experimento, Bettina Rockenbach e seus colegas pediram a voluntários que se envolvessem com jogos de cooperação e lhes deram a opção de participar de um grupo que podia punir ou não seus membros. De início, apenas um terço dos participantes optou pelo grupo que podia punir seus integrantes, mas após 30 rodadas quase todos haviam mudado para a outra equipe. Por quê? Simples: esses experimentos confirmaram o que sociedades humanas constataram incontáveis vezes ao longo da história: quando leis não são estabelecidas e executadas, as pessoas têm pouca motivação para trabalhar em conjunto para um bem maior. Em vez disso, elas se colocam acima de todas as outras e se esquivam de toda responsabilidade, mentindo, trapaceando e roubando.

Mas o ceticismo em relação ao livre-arbítrio pode ser perigoso até para uma sociedade que tem leis. Parte de nossa pesquisa revela que essa dúvida, que enfraquece um senso de responsabilidade por nossas ações, incentiva as pessoas a abandonar regras. Em estudos realizados por Jonathan W. Schooler, da Universidade da Califórnia, em Santa Bárbara, voluntários que leram uma passagem contra o livre-arbítrio trapacearam 50% mais em um teste acadêmico – optando por espiar as respostas – em comparação aos colegas que leram um trecho neutro. Além disso, em outro estudo, em que os participantes foram remunerados por cada questão de um teste a que haviam respondido corretamente, os que tinham lido declarações contra o livre-arbítrio alegaram ter acertado mais respostas e aceitaram o pagamento correspondente.

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PIMENTA PARA OS MAUS

A crença reduzida no livre-arbítrio parece também liberar impulsos que podem prejudicar os outros. Uma das formas como psicólogos, em especial americanos, medem agressão no laboratório é dar às pessoas a oportunidade de colocar pimenta ou molho picante de tomate em um lanche que eles sabem que será servido a alguém que detesta alimentos condimentados. Roy F.   Baumeister, da Universidade do Estado da Flórida, e seus colaboradores pediram a um grupo de voluntários que lessem argumentos pró e contra a existência do livre-arbítrio antes de prepararem tortillas de milho e um molho claramente rotulado como picante a outro voluntário que, antes, havia rejeitado os membros do grupo, recusando-se a trabalhar com eles. Todos sabiam perfeitamente que essa mesma pessoa arrogante não era fã de nada picante e teria de comer tudo o que lhe fosse servido. Os voluntários que leram textos questionando a existência do livre-arbítrio usaram quase o dobro da quantidade de molho apimentado no prato.

A neurociência revelou que há formas de o ceticismo em relação ao livre-arbítrio deteriorar o comportamento ético e enfraquecer a força de vontade. Antes de as pessoas fazerem um movimento simples, como pegar uma xícara, determinado padrão de atividade elétrica, conhecido como potencial de prontidão, surge no córtex motor, a área do cérebro que ajuda a regular movimento. Ao colocar eletrodos no couro cabeludo de voluntários, Davide Rigoni, da Universidade de Pádua, na Itália, mostrou que reduzir a crença das pessoas no livre­ arbítrio diminuía essa atividade elétrica. Em um estudo de acompanhamento, aqueles cuja convicção na existência da possibilidade de tomar decisões livremente havia sido abalada foram menos capazes de inibir reações impulsivas durante um teste computadorizado de força de vontade. Tudo indica que, quanto menos acreditamos ser capazes de fazer escolhas, menos força temos para nos abster do impulso de mentir, trapacear, roubar e servir molho apimentado a pessoas que não gostam de condimentos. Mas como a sociedade vai reagir se a pesquisa neurocientífica continuar desafiando a convicção das pessoas de que elas têm livre-arbítrio?

CAMINHOS A SEGUIR

Vemos três possibilidades. A história está repleta de exemplos de como normas morais evoluem com novos conhecimentos do mundo. Em seu livro Os anjos bons da nossa natureza Por que a violência diminuiu (Companhia das Letras), o psicólogo Steven Pinker, da Universidade   Harvard, documenta uma “revolução humanitária” ao longo dos últimos 300 anos em que práticas previamente institucionalizadas, como a escravidão e a punição cruel e incomum, foram amplamente vilipendiadas como moralmente repugnantes. Pinker atribui a mudança, em parte, ao conhecimento expandido de diferentes cult uras e ao comportamento humano resultante do grande aumento de alfabetização, aprendizagem e troca de informações na época do Iluminismo.

Novas descobertas sobre o mecanismo biológico do pensamento e ação humana podem inspirar uma mudança também drástica em opiniões morais. Essa é a primeira possibilidade. Como já ocorreu antes, transformações em sentimentos morais podem ajudar a aprimorar o sistema penal americano. Atualmente, a punição criminal é impulsionada principalmente pela desforra “olho por olho”, um tipo de castigo apoiado por pessoas que acreditam no livre-arbítrio, e que, talvez como resultado, é lamentavelmente ineficiente para dissuadir crimes futuros. A sociedade deveria evitar punir as pessoas apenas para vê-las sofrer e, em vez disso, se concentrar em meios mais eficazes para prevenir a atividade criminal e transformar infratores passados em cidadãos produtivos – estratégias que se tornam mais atraentes quando as pessoas questionam a realidade do livre-arbítrio. Apesar dos riscos ocasionais, duvidar do livre-arbítrio poderá ser um tipo de dor de crescimento da sociedade enquanto alinha intuições morais e jurídicas a novos conhecimentos científicos, tornando-nos mais fortes.

Mas talvez não ocorra assim. Como nossa pesquisa sugeriu, quanto mais as pessoas duvidam do livre-arbítrio, mais indulgentes se mostram com os acusados de crimes e mais dispostas elas mesmas se tornam a quebrar as regras e prejudicar os outros para conseguir o que querem. Portanto, a segunda possibilidade é que o recém-descoberto ceticismo quanto ao livre-arbítrio pode ameaçar a revolução humanitária, potencialmente culminando no caos.

A mais provável é a terceira possibilidade. No século 18, Voltaire afirmou que, se Deus não existisse, precisaríamos inventá-lo, porque a noção de sagrado é vital para manter a lei e a ordem na sociedade. Considerando o fato de que a crença na capacidade de fazer as próprias escolhas e se haver com os resultados delas coíbe as pessoas de se envolver nos tipos de delitos que poderiam desfazer uma cultura organizada, o paralelo é óbvio. O que as pessoas farão se chegarem à conclusão de que têm, de fato, pouca possibilidade de tomar decisões imediatas? Talvez elas possam reinventar a capacidade escolher…

OUTROS OLHARES

A LIÇÃO DE LUCAS

Portador de uma doença incapacitante e educado desde a alfabetização por estudantes de medicina da Santa Casa de São Paulo, Lucas dos Santos, hoje com 19 anos, recebeu o diploma do ensino fundamental sem nunca ter podido sair da cama.

A Lição de Lucas

O mundo está lá, pertinho, ao alcance dos olhos. O globo terrestre fica em cima do ventilador mecânico que fornece oxigênio a Lucas Barbosa dos Santos, 19 anos. Desde os dois anos, a representação geográfica dos mares e continentes da Terra é a única visão que ele tem do planeta. Em junho de 2001, o jovem deu entrada na Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, na zona central de São Paulo, com uma queixa de pneumonia, e de lá não saiu mais. Portador da Doença de Pompe, enfermidade rara que causa fraqueza muscular progressiva e para a qual ainda não existe cura, Lucas não respira mais sozinho. Consegue apenas falar, com dificuldade, e movimentar os olhos. Um box da enfermaria pediátrica da instituição é sua casa. Obviamente, ele nunca pôde ir a escola, mas no final do ano ganhou o diploma de formatura no ensino fundamental depois de passar na prova do Ecceja, o Exame Nacional para Certificação de Competências de Jovens e Adultos aplicado pelo Ministério da Educação a pessoas que, por alguma razão, não conseguiram frequentar as salas de aula. Dos 1,6 milhão de inscritos, o rapaz foi o único candidato da classe hospitalar a fazer a prova. Agora, para 2019, prepara-se para aprender o conteúdo do ensino médio e, depois, da faculdade. Lucas, o menino que nunca vê o céu, quer ser astrofísico.

A aprovação de Lucas no exame é resultado da feliz combinação entre vontade de aprender, garra e força, por parte do garoto, e da solidariedade de voluntários e estudantes de medicina da Faculdade de Medicina da Santa Casa, que se revezaram ao longo de anos do lado do leito para ensiná-lo a ler, a escrever e a entender um mundo que ele nunca viu de verdade. A única coisa que ele consegue enxergar é o que pode ser visto pelas nesgas do pequeno vitral de uma das paredes do box e as imagens que aparecem na tevê disponível para ele.

No início do ano, o estudante Lucas Maschietto Boff, um dos professores do Lucas paciente, percebeu que ele estava meio triste, sem perspectivas. “Criamos um canal no Youtube”, conta o futuro médico. No “Universo do Lucão”, o garoto fala sobre o seu dia a dia, e incentiva, com palavras de apoio, a quem passa por situações difíceis. O estudante de medicina achou que a comunicação virtual ainda não era tudo. Como Lucas já tinha aprendido muito conteúdo do ensino fundamental, a turma resolveu inscrevê-lo no Ecceja. Pronto, estava estabelecida a meta para 2019. Os estudantes iniciaram um intensivão para o “Lucão”. “Fizemos a divisão por dia, horário e disciplina”, conta Lucas, o estudante.

GESTÃO E CARREIRA

MODA CONECTADA

O consumo de roupas e acessórios inteligentes deve dobrar até 2022. Para atuar na área, é preciso fazer parte de equipes multidisciplinares que unam criativos e nerds

Moda conectada

A indústria têxtil está se reinventando por causa da tecnologia, e com isso surgem os dispositivos vestíveis, ou wearables, tendência que une moda a aparatos inteligentes — como é o caso dos relógios conectados e das pulseirinhas fitness, que medem batimentos cardíacos e recebem e-mails.

Segundo o IDC, empresa de análise mercadológica, já foram comercializados 115,4 milhões de unidades de peças inteligentes no mundo todo, e isso deve dobrar até 2022. Não à toa, os profissionais que criam, desenham e executam esses produtos estarão entre os mais demandados no setor de tecnologia em 2019, segundo a consultoria Hays. “O indivíduo deve buscar várias frentes de especialização”, diz Diva Costa, professora do curso de designer de moda do Senai CETIQT. Isso porque, para desenvolver projetos, é preciso montar times multidisciplinares.

É exatamente essa pluralidade que define a Divaholic, uma empresa de tecnologia vestível que aplica blockchain, inteligência artificial e internet das coisas para fazer roupas e acessórios. A marca foi fundada pela estilista Mariana Queiróz, de 30 anos, ao lado do publicitário André Pupo, de 42 anos. “Cada projeto demanda novos conhecimentos”, diz Mariana. Para André, que já ganhou prêmio em Cannes como publicitário e especialista em tecnologia criativa, o mundo dos wearables chama a atenção por permitir muita experimentação. “Estamos na fase do erro e acerto, o que é um desafio. Mas isso abre caminho para o pioneirismo.” Desde que foi fundada, em 2016, a Divaholic já fez projetos com grandes empresas e deve divulgar produtos (ainda sigilosos) em breve. Entre as ideias há bonés para crianças com games que estimula o movimento e protótipos para indústrias de bens duráveis.

Como se vê, é possível desenvolver vestíveis para os diversos setores — e uma das áreas com mais demanda é a da saúde. “Estamos criando uniformes que monitoram equipamentos cardíacos com tecidos que controlam a temperatura e atuam com GPS para funcionários da Petrobras e Repsol”, diz Ricardo Cecci, pesquisador da coordenação de inovação em fibras do instituto Senai de Inovação em Biossintéticos.

 UM DIA NA VIDA:

 

DESENVOLVEDOR DE WEARABLES

Moda conectada. 2

ALIMENTO DIÁRIO

PROVÉRBIOS 11: 20 – 23

Pensando biblicamente

AFIRMAÇÕES IMPORTANTES

 

V. 20 – É nosso interesse saber o que Deus odeia e o que ele ama, para que possamos nos governar apropriadamente, possamos evitar o seu desprazer e nos recomendar à sua benevolência. Aqui, lemos:

1. Que nada é mais ofensivo a Deus do que a hipocrisia e a falsidade, pois elas são representadas pela palavra que traduzimos como perversidade, que finge justiça, mas tenciona o mal, que anda por caminhos tortuosos, para evitar ser descoberta. Os que têm um coração perverso agem em contradição com o que é bom, sob uma profissão do que é bom, e eles são, mais do que quaisquer pecadores, uma abominação para o Senhor (Isaias 65.5).

2. Que nada é mais agradável para Deus do que a sinceridade e a honestidade. Aqueles que são perfeitos em seu caminho, que buscam a integridade, e agem com sinceridade, os que vivem no mundo com simplicidade e piedosa honestidade, não com sabedoria carnal, esses são o deleite de Deus, neles Ele se gloria (“Observaste tu a meu servo Jó?”) e estes Ele deseja que admiremos; -Eis aqui um verdadeiro israelita!”

 

V. 21 – Observe:

1. As alianças no pecado certamente serão rompidas, e não servirão para proteger os pecadores: “Ainda que os maus juntem mão a mão”, ainda que haja muitos que concordem, por seus costumes, em aprovar a iniquidade, e se coloquem, uns ao lado dos outros, para defendê-la de todos os ataques da virtude e da justiça – ainda que estejam aliados para apoiá-la e propagá-la – ainda que os filhos ímpios sigam os passos de seus ímpios pais, e decidam manter a tendência, desafiando a religião – nada disto os protegerá da justiça de Deus; eles não serão considerados inocentes; isto não os isentará da culpa por terem feito o que fizeram. Eles agiram como muitos, e como o seu próprio grupo; eles não ficarão sem castigo; veja o dilúvio que foi trazido sobre um mundo inteiro de homens ímpios. O seu número, e a sua força e unanimidade no pecado, não lhes servirão de nada, quando vier o dia da vingança.

2. A herança da religião certamente será abençoada: A semente dos justos, que segue os passos da sua justiça, ainda que possa cair em aflições, no devido tempo escapará. Embora a justiça possa vir lentamente para punir os ímpios, e a misericórdia possa vir lentamente para salvar os justos, ainda assim, ambas virão, com certeza. Às vezes, a semente dos justos, em­ bora eles mesmos não sejam justos, escapa e é libertada, por causa de seus piedosos ancestrais, como aconteceu frequentemente com Israel, e com a semente de Davi.

 

V22 – Como razão (ou “discrição”, na versão RA), aqui, devemos entender religião e graça, um verdadeiro gosto e apreciação (este é o significado da palavra) das honras e dos prazeres que acompanham uma virtude imaculada, de modo que uma mulher sem a discrição é uma mulher de comportamento desregrado e dissoluto; e então, observe:

1. Admite-se como certo que a formosura ou a beleza do corpo é como uma joia de ouro, algo muito valioso, e, onde há sabedoria e graça como proteção contra as tentações, é um ornamento excelente – a virtude parece peculiarmente graciosa quando associada com a formosura); mas uma mulher tola e licenciosa, de comportamento leviano, ainda que seja muito formosa, é comparada a uma porca atolada na lama de desejos imundos, com que são profanadas a mente e a consciência, e que, embora lavada e limpa, retorna a eles.

2. Lamenta-se que a formosura seja tratada tão indevidamente por aqueles que não têm modéstia com ela. Ela parece ter sido concedida indevidamente a eles; mal colocada, como uma joia em focinho de porca, com que ela revira o lixo. Se a formosura não for protegida pela virtude, a virtude será exposta pela formosura. Isto pode se aplicar a todos os outros dotes e características físicas; é uma pena que os tenham aqueles que não têm discernimento, discrição ou razão para usá-los bem.

 

V. 23 – Este verso nos diz o que são o desejo e a expectativa dos justos e dos ímpios, e como provarão o que eram e o que serão.

1. O desejo dos justos é somente o bem; tudo o que eles desejam é que tudo possa ser bom para todos ao seu redor; eles não desejam o mal para ninguém, mas felicidade para todos; quanto a eles mesmos, o seu desejo não é gratificar nenhum desejo pecaminoso, mas obter a benevolência de um bom Deus e preservar a paz de uma boa consciência; e eles terão o bem, aquele bem que desejam (Salmos 37.4). 2. A esperança dos ímpios é a ira; eles desejam o dia terrível, para que os juízos de Deus possam gratificar a sua paixão e vingança, possam remover os que se põem em seu caminho, e para que eles mesmos possam se aproveitar deles, pescando em águas agitadas; e a ira eles terão, e este será o seu destino. Eles esperam e desejam o mal para os ouros, mas o mal retornará sobre eles mesmos; como amam a maldição, terão o suficiente dela.

PSICOLOGIA ANALÍTICA

CICATRIZES PROFUNDAS

Pesquisa realizada com crianças abandonadas pelos pais biológicos na Romênia mostrou de forma contundente o impacto devastador que a experiência de passar os dois primeiros anos de vida dentro dos limites impessoais de uma instituição pode causar sobre a mente e o cérebro.

Cicatrizes profundas

Em 1966, o então líder da Romênia Nicolae Ceausescu decretou que o país deveria incrementar a produtividade econômica e desenvolver o seu “capital humano”. Para isso, era preciso aumentar a população ativa do país. Ceausescu, no poder entre 1965 e 1989, proibiu os contraceptivos e o aborto e aplicou um “imposto sobre o celibato” para famílias com menos de cinco filhos. Médicos do Estado – a chamada “polícia menstrual” – conduziam exames ginecológicos de mulheres em idade fértil em seu local de trabalho. Obviamente, a taxa de natalidade disparou, mas, como as famílias eram pobres demais para manter os filhos, abandonaram muitos em enormes instituições estatais. Em 1989, quando foi deposto durante a revolução, havia mais de 170 mil crianças nesses locais. E, nos dez anos seguintes, seus sucessores fizeram várias tentativas hesitantes de reparar o dano que ele legou.

O “problema dos órfãos”, entretanto, permaneceu por muitos anos. Uma década após Ceausescu ter sido retirado do poder, alguns funcionários do governo ainda diziam que o Estado era melhor que famílias na criação de crianças abandonadas e que aqueles confinados em instituições eram, por definição, “defeituosos” – uma visão ancorada no sistema inspirado pela União Soviética de educar incapacitados, apelidado de “defeitologia”.

Mesmo após a revolução de 1989, famílias ainda se sentiam autorizadas a abandonar crianças não desejadas em instituições estatais. Há muito, cientistas sociais suspeitam que o início de vida em um orfanato pode levar a consequências negativas. Vários estudos, notadamente pequenos e descritivos, sem grupos de controle, foram conduzidos entre as décadas de 40 e 60 no Ocidente, comparando crianças de instituições com as acolhidas pelas famílias e mostraram que a vida em uma instituição não chegou nem perto de igualar o cuidado de um pai ou uma mãe – mesmo que não fossem biológicos. Um problema desses estudos foi a possibilidade do “viés de seleção”, uma vez que crianças retiradas de instituições e acolhidas por famílias costumam ser menos comprometidas. O único modo de evitar qualquer viés exigiria o passo inédito de colocar aleatoriamente um grupo de crianças abandonadas em uma instituição ou acolhimento familiar.

Compreender os efeitos da institucionalização no desenvolvimento infantil é importante devido à imensidão do problema mundial de órfãos (define-se um órfão aqui como uma criança abandonada ou cujos pais morreram). Só nos últimos anos, guerras, doenças, pobreza e, por vezes, políticas governamentais levaram pelo menos 8 milhões de crianças em todo o mundo a instalações controladas pelo governo. Não raro, esses meninos e meninas vivem em ambientes altamente estruturados, mas irremediavelmente sombrios, onde é normal um adulto supervisionar de 12 a 15 crianças.

Em 1999, quando nos aproximamos de Cristian Tabacaru, na época secretário de Estado da Autoridade Nacional para a Proteção da Criança, da Romênia, ele nos incentivou a realizar um estudo sobre crianças institucionalizadas, pois queria informações para lidar com a questão de saber se desenvolveria formas alternativas de cuidados para as 100 mil crianças romenas que viviam em instituições estatais. No entanto, Tabacaru enfrentava forte resistência de alguns funcionários do governo que, por décadas, acreditaram que a educação de crianças nas instituições era melhor que em acolhimento familiar. O problema foi agravado porque os orçamentos de algumas agências de governo eram muitas vezes garantidos pelo seu papel de prover cuidados institucionais. Diante desses desafios, Tabacaru acreditava que evidências científicas sobre as supostas vantagens de acolhimento familiar forneceriam dados convincentes para a reforma, e assim nos convidou a ir adiante com um estudo.

Cicatrizes profundas. 2

IMPACTOS SOBRE A INTELIGÊNCIA

Com a ajuda de alguns funcionários do governo romeno e especialmente de trabalhadores da ONG Sera Romênia desenvolvemos um estudo para determinar os efeitos da vida em uma instituição do Estado sobre o cérebro da criança e seu comportamento, e se a adoção poderia amenizar os efeitos dessa educação em condições que vão contra o que sabemos sobre as necessidades nos primeiros anos de vida. O projeto de intervenção precoce de Bucareste foi lançado em 2000, em cooperação com o governo romeno, em parte para permitir respostas que pudessem amenizar os efeitos colaterais de políticas anteriores. O legado infeliz do governo de Ceausescu ofereceu a oportunidade de examinar, com maior rigor científico do que em qualquer pesquisa anterior, os efeitos da assistência institucionalizada no desenvolvimento neurológico e emocional de lactentes e crianças pequenas. O estudo foi o primeiro randomizado e controlado que comparou um grupo de bebês colocados em lares de acolhimento com outro formado por crianças educadas em instituições, o que possibilitou um nível de precisão experimental até então indisponível.

Das seis instituições para bebês e crianças até os 3 anos em Bucareste, recrutamos um grupo de 136, consideradas saudáveis, sem problemas neurológicos, genéticos e congênitos. A escolha foi feita com base em exames pediátricos realizados por um membro da equipe de estudo. Todos os pequenos “voluntários” haviam sido abandonados nas primeiras semanas ou meses de vida. No início do estudo, tinham em média 22 meses, e a faixa etária variava de 6 a 31 meses.

Após avaliações físicas e psicológicas básicas, metade das crianças foi aleatoriamente destinada a uma intervenção de acolhimento familiar desenvolvida, mantida e financiada por nossa equipe. A outra metade – a que chamamos de grupo com “cuidados usuais” – permaneceu em instituições. Recrutamos também um terceiro grupo em desenvolvimento típico que nunca foi institucionalizado e vivia com suas famílias em Bucareste. Esses três grupos foram acompanhados por mais de dez anos. Como as crianças foram aleatoriamente designadas para acolhimento familiar ou para a instituição, diferentemente de estudos anteriores, foi possível mostrar que as eventuais diferenças de desenvolvimento ou de comportamento entre os dois grupos poderiam ser atribuídas ao local onde foram criadas.

Como, ao começarmos, não havia praticamente nenhum lar de acolhimento disponível para os pequenos rejeitados em Bucareste, ficamos na posição privilegiada de ter de construir nossa própria rede. Após ampla publicidade e verificação de antecedentes, recrutamos 53 famílias para criar 68 crianças (mantivemos irmãos juntos).

É claro que havia muitas questões éticas envolvidas em um experimento científico com crianças no qual apenas metade dos participantes foi inicialmente retirada de instituições. O projeto comparou a intervenção-padrão com o acolhimento familiar, uma intervenção que nunca fora disponível para essas crianças. Proteções éticas postas em prática incluíam a supervisão por várias instituições romenas e americanas, medidas de “risco mínimo” (rotineiramente usadas para proteger crianças) e a não interferência em decisões do governo sobre mudanças de local (casos em que crianças foram adotadas, devolvidas a pais biológicos ou mais tarde colocadas em lares de acolhimento governa­ mentais ausentes no início).

Além disso, nenhuma criança foi transferida do acolhimento familiar para uma instituição no final do estudo. Assim que os primeiros resultados se tornaram disponíveis, comunicamos as descobertas ao governo romeno em uma entrevista coletiva. Para garantir a boa qualidade dos cuidados que os pequenos receberiam nas famílias, criamos um programa para incorporar a participação regular de uma equipe de serviço social e fornecemos subsídios modestos às famílias para despesas da criança, além de um pequeno salário. Todos os pais adotivos foram treinados e incentivados a ter compromisso psicológico total para seus filhos adotivos.

O estudo se propõe a explorar a premissa de que a experiência precoce muitas vezes exerce uma influência muito forte na formação do cérebro imaturo. Para certos comportamentos, conexões neurais se formam nos primeiros anos em resposta a influências ambientais durante os chamados “períodos críticos”. Uma criança que ouve a língua falada ou simplesmente olha ao redor recebe estímulos sonoros e visuais que formam conexões neurais em momentos específicos de desenvolvimento. Os resultados do estudo apoiam essa premissa inicial de um período especialmente crítico: a diferença entre uma vida precoce passada em uma instituição em comparação com o acolhimento familiar foi dramática.

Aos 30, 40 e 52 meses, o quociente intelectual (QI) médio do grupo institucionalizado apresentou pontuação entre 70 e 75, enquanto crianças adotadas mostraram cerca de 10 pontos a mais. Não foi surpresa que o QI de cerca de 100 foi o padrão médio para o grupo que nunca ficou em instituições. Descobrimos também um período crítico para uma criança obter ganho máximo em QI: as que foram acolhidas em um lar por volta dos 2 anos tiveram um índice significativamente maior que alguém que passou a viver com uma família após essa idade.

PARA MEDIR O VÍNCULO

As descobertas demonstram claramente o impacto devastado r sobre a mente e o cérebro da experiência de passar os dois primeiros anos de vida dentro dos limites impessoais de uma instituição. As crianças romenas são a melhor evidência até agora de que os dois anos iniciais da vida constituem período crítico em que o contato emocional e físico é imprescindível para o bom desenvolvimento.

Os bebês que têm cuidadores constantes e afetivamente significativos – sejam eles pais biológicos ou adotivos – aprendem a buscar apoio, conforto e proteção. Observamos essa dinâmica, decidimos mensurar esse vínculo. Apenas condições extremas que limitem oportunidades de uma criança para formar ligações afetivas podem interferir no processo que é a base para o desenvolvimento social normal. Quando medimos essa variável em bebês institucionalizados, descobrimos que a maioria exibia relações frágeis com seus cuidadores.

Quando tinham 42 meses, fizemos outra avaliação e descobrimos que meninos e meninas que viviam em uma família apresentaram melhorias drásticas na criação de vínculos emocionais. Quase metade estabeleceu conexões seguras com outra pessoa, enquanto isso ocorreu com apenas 18% dos bebês que viviam em instituições. Entre as crianças que nunca foram institucionalizadas, 65% tinham vínculos seguros. E as que viviam com famílias antes do fim do período crítico de 24 meses eram mais propensas a formar vínculos seguros, em comparação a crianças acolhidas após esse período.

Esses números são muito mais que meras disparidades estatísticas que separam os grupos de institucionalizados e de acolhi­ mento. São experiências bem reais tanto de angústia quanto de esperança. Sebastian (*), de 12 anos, passou praticamente a vida toda em um orfanato e teve uma diminuição de 20 pontos em seu QI (medido inicialmente quando tinha 5 anos), para o nível ínfimo de 64. Tornou-se um adolescente instável e afeito a comportamentos de risco. Durante uma entrevista conosco, ficou irritado e teve explosões de raiva.

Bogdan, também de 12 anos, ilustra bem a diferença de receber atenção individual de um adulto. Abandonado ao nascer, viveu em uma maternidade até os 2 meses, depois foi para uma instituição por nove meses. Foi então recrutado para o projeto e entrou no grupo de acolhimento, sendo encaminhado para a família de uma mãe solteira e sua filha adolescente. Bogdan começou a se recuperar rapidamente e superou leves atrasos de desenvolvimento em poucos meses. Embora tenha apresentado alguns problemas de comportamento, os membros da equipe do projeto trabalharam com a família, e no seu quinto aniversário a mãe adotiva decidiu adotá-lo. Aos 12 anos, o QI de Bogdan continua a marcar um nível acima da média, ele frequenta uma das melhores escolas públicas de Bucareste e obtém ótimas notas.

Como crianças criadas em instituições não parecem receber muita atenção individual, estávamos interessados em saber se escassez de exposição à língua teria algum efeito sobre elas. Observamos atrasos no desenvolvimento da linguagem, mas, se os pequenos chegavam a um lar de acolhimento antes de atingir 15 ou 16 meses, essa capacidade parecia preservada. Porém, quanto mais tardia a inserção, maior o atraso.

Comparamos também a prevalência de problemas de saúde mental entre todos que já haviam sido institucionalizados com os que não tinham essa experiência. Descobrimos que 53% das crianças que já viveram em instituição receberam um diagnóstico psiquiátrico até os 4 anos e meio, em comparação com 20% em grupos das que nunca foram institucionalizadas. De fato, 62% das crianças com idade por volta dos 5 anos que viveram sob a custódia do governo foram diagnosticadas principalmente com distúrbios de ansiedade, 23%, com transtorno de atenção e hiperatividade (TDAH).

PALAVRA E AFETO

Os cuidados em um lar de acolhimento exerceram grande influência sobre níveis de ansiedade e depressão, reduzindo a incidência à metade, mas não afetaram diagnósticos comportamentais (TDAH e transtornos de conduta). Não foi possível detectar nenhum período sensível para a saúde mental, mas o relacionamento foi importante para garantir um bom desenvolvimento psicológico. Quando exploramos o mecanismo para explicar a redução de distúrbios emocionais, como a depressão, descobrimos que, quanto mais firme a ligação entre uma criança e a mãe e/ou pai adotivos, maior a probabilidade de amenização dos sintomas da criança. Ou seja: do ponto de vista científico, o afeto tem amplos efeitos terapêuticos.

Queríamos saber também se os primeiros anos em acolhimento familiar afetavam o desenvolvimento do cérebro de modo diferente da vida em um abrigo. Uma avaliação da atividade cerebral com eletroencefalografia (EEG), que registra sinais elétricos, mostrou que bebês que viviam em instituições tiveram reduções significativas em um componente da atividade na EEG e nível elevado em outra (menos ondas alfa e mais teta), padrão que pode refletir atraso da maturidade neurológica. Ao avaliarmos as mesmas crianças aos 8 anos, voltamos a registrar exames de EEG. Constatamos que o padrão de atividade elétrica em crianças colocadas em lares adotivos antes de 2 anos não era diferente do daquelas que nunca haviam passado por uma instituição. Tanto as que foram retiradas de abrigos após os 2 anos quanto as que nunca deixaram o local mostraram um padrão menos maduro de atividade cerebral.

A diminuição perceptível na atividade de EEG entre crianças dos abrigos foi desconcertante. Para interpretar esse resultado, usamos imagens de ressonância magnética, capazes de revelar estruturas cerebrais, e observamos que as crianças institucionalizadas mostraram uma grande redução no volume de massa cinzenta (corpos celulares de neurônios e outras células) e de massa branca (coloração devida à mielina, substância isolante que recobre as extensões de neurônios). Em geral, todos os meninos e meninas abrigados apresentaram volume cerebral reduzido. Porém, inserir crianças de qualquer idade em núcleos familiares não exerceu efeito sobre o aumento da massa cinzenta – o grupo em lares apresentou níveis de massa cinzenta comparáveis aos de crianças institucionalizadas. No entanto, crianças em lares de acolhimento demonstraram maior volume de massa branca, o que pode explicar as mudanças na atividade de EEG.

Para examinar melhor o prejuízo biológico da institucionalização precoce, concentramos a atenção em uma área crucial do genoma, os telômeros. Essas áreas, localizadas nas extremidades dos cromossomos, oferecem proteção contra as tensões da divisão celular. São mais curtas em adultos que sofrem extremos estresses psicológicos e podem ser uma marca de envelhecimento celular acelerado. Quando examinamos o comprimento dos telômeros nas crianças de nosso estudo, observamos que, em geral, as que haviam passado algum tempo em uma instituição tinham telômeros mais curtos do que os das outras.

LIÇÕES PARA TODOS

O projeto de intervenção precoce de Bucareste demonstra os efeitos profundos que a experiência exerce sobre o desenvolvimento do cérebro. Cuidados em acolhimento familiar não remediaram totalmente as anomalias profundas de desenvolvimento ligadas à criação institucional, mas principalmente mudaram o desenvolvimento de crianças, possibilitando uma trajetória mais saudável.

A identificação dos períodos críticos – momentos mais propícios para superar a privação – pode ser uma das descobertas mais significativas de nosso projeto. Essa observação tem implicações que vão além dos milhões de crianças em instituições, estendendo-se a milhões de outras crianças maltratadas. Cabe, porém, um alerta: é fundamental não concluir que 2 anos podem ser rigidamente definidos como período crítico para o desenvolvimento. O mais importante parece ser levar em conta a evidência de que, quanto antes crianças forem cuidadas por pais dedicados e estáveis emocionalmente, melhores suas chances de um desenvolvimento mais equilibrado.

Atualmente continuamos a acompanhar essas crianças até a adolescência para observar se há “efeito retardado”, isto é, diferenças comportamentais ou neurológicas significativas que surgem apenas mais tarde, na juventude ou até na idade adulta. Além disso, a proposta é determinar se os efeitos de um período crítico foram observados em idades mais precoces ainda, a serem vistos assim que as crianças entram na adolescência. Se forem, reforçarão uma crescente corrente que fala sobre o papel das experiências iniciais de vida na formação de desenvolvimento em toda a vida.

Nossa esperança é que esses conhecimentos exerçam pressão sobre governos do mundo todo para que prestem mais atenção ao preço que a adversidade e a institucionalização precoces assumem na capacidade de uma criança para atravessar os perigos emocionais da adolescência e adquirir a resiliência necessária para lidar com os desafios da vida adulta.

Cicatrizes profundas. 3

ALGUÉM PARA CUIDAR DE VOCÊ

A tragédia da política do líder comunista Nicolae Ceausescu de aumentar a taxa de natalidade nacional levou a mais de 100 mil crianças abandonadas na Romênia em 1999 – e a uma oportunidade sem precedentes para avaliar o impacto psicológico e neurológico do início da vida em uma instituição estatal. Um experimento, conduzido sob supervisão ética, acompanhou o destino das crianças de uma instituição em relação às colocadas em acolhimento familiar e outras que nunca foram institucionalizadas. As crianças encaminhadas a acolhimento familiar antes do fim do período crítico de dois anos se saíram muito melhor que as que permaneceram em uma instituição quando testadas mais tarde (aos 42 meses) em quociente de desenvolvimento (QD), medida de inteligência equivalente ao QI, e na atividade elétrica cerebral, conforme avaliação por eletroencefalogramas (EEGs). Entrar em acolhimento familiar após os dois anos produziu EEGs que lembravam os de crianças institucionalizadas.

OUTROS OLHARES

A BATALHA DAS MAQUININHAS

A guerra no segmento de pagamentos se acirra, gerando inovação e oportunidades profissionais.

A batalha das maquininhas

Do taxista ao pipoqueiro, da manicure ao flanelinha, é raro encontrar um prestador de serviço ou comerciante que não dê ao cliente o conforto de pagar no débito ou no crédito. As máquinas de pagamento se espalharam pelo país.

O movimento começou em 2010, quando a legislação decretou o fim da exclusividade entre bandeiras e credenciadoras de cartão, donas dos aparelhos. Antes, cartão Visa só rodava na Cielo e Mastercard só na Rede. Isso obrigava o vendedor a alugar mais de uma máquina, pagando taxas mensais nada convidativas. Como se não bastasse, o estabelecimento ainda precisava comprovar uma renda mínima, entre outros pré-requisitos. Resultado: autônomos ou quem tivesse um pequeno comércio raramente ofereciam essa vantagem ao consumidor. Mas o jogo virou. E o que se viu, de lá para cá, foi uma guerra comercial para ganhar espaço nesse mercado. As armas? Isenções, barateamento de taxas e propaganda no horário nobre. Em 2018, no ápice da batalha, apelou-se até para Michel Teló e Wesley Safadão cantando juntos para vender a Minizinha, produto da PagSeguro oferecido a 12 parcelas de 9,90 reais.

Para entender a dimensão dessa disputa, é preciso olhar os números. Em 2010, as credenciadoras Cielo (controlada por Banco do Brasil e Bradesco) e Rede (do Itaú) concentravam 90% das transações em débito ou crédito. Oito anos depois, com a entrada de concorrentes de peso, como PagSeguro, GetNet (do Santander), Stone e Mercado Pago (do Mercado Livre), a fatia caiu para 73%. De acordo com o Banco Central, hoje existem 16 empresas de maquininhas no país.

Segundo a Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs), há 5,1 milhões de pontos de venda com máquinas de cartão ou terminais eletrônicos espalhados pelo país. Juntos, eles movimentaram, só em 2017, 1,36 trilhão de reais. Projeções da instituição mostram que 60% dos pagamentos realizados no Brasil serão efetuados dessa forma nos próximos cinco anos — o percentual atual é de 33%.

Não é sem razão que o mundo voltou os olhos para o filão no país. Prova disso é o sucesso da PagSeguro e da Stone na Bolsa de Valores de Nova York. Um ano atrás, quando abriu o capital nos Estados Unidos, a PagSeguro bateu o recorde de valor arrecadado por uma brasileira: 2,27 bilhões de dólares. A Stone teve o mesmo destino em outubro, quando lançou oferta de ações. Com receita de 414,1 milhões de reais no terceiro trimestre de 2018 (avanço de 121,4% em comparação ao mesmo período de 2017), a companhia, fundada em 2013, captou nada menos que 1,5 bilhão de dólares na bolsa nova-iorquina. Uma fatia substanciosa das ações foi adquirida pelo Ant Financial, braço de pagamentos da chinesa Alibaba.

Para os especialistas, a aproximação da gigante com a brasileira movimentará ainda mais o setor. Hoje, a Ant Financial é considerada uma das startups mais valiosas do mundo e tem, entre outras tecnologias, a de pagamento por reconhecimento facial.

“Esses movimentos mostram o aquecimento desse setor, que é muito lucrativo”, diz Bruno Diniz, sócio da Spiralem, consultoria focada em inovação no mercado financeiro e professor do curso de fintech na Fundação Getúlio Vargas (FGV). Hoje, quem atua no segmento ganha dinheiro não só com tarifas de cerca de 1% cobradas a cada transação mas também com a chamada taxa de antecipação, em que a credenciadora adianta a transferência de dinheiro ao comerciante, que paga entre 8% e 19% do valor a ser recebido.

Ninguém quer ficar de fora. Em 2018, a Cielo, líder no setor com cerca de 40% do mercado, lançou três novos produtos, entre eles a LIO+, primeira máquina de pagamentos que vem com smartphone, algo considerado uma inovação mundial. A empresa também tem investido em marketing (no terceiro trimestre foram 67,2 milhões de reais ante 55,2 milhões no mesmo período de 2017) e aumentado exponencialmente o número de vendedores. Segundo Sérgio Saraiva, vice-presidente de Desenvolvimento Organizacional da Cielo, foram contratadas 1.100 pessoas de vendas nos últimos três meses para expandir os negócios.

As medidas são uma resposta da Cielo ao baque provocado pela concorrência. No terceiro trimestre de 2018, o lucro líquido ajustado foi de 812,8 milhões de reais, 20% menor do que no mesmo período de 2017.

AINDA MAIS COMPETIÇÃO

Segundo analistas do BTG Pactual, a Cielo também está reduzindo os preços em 20% a 30% para enfrentar o duelo, que está longe do fim. De acordo com relatório recente do Bradesco BBI, a tendência é que grandes varejistas (sobretudo supermercados) virem credenciadoras, livrando-se das taxas cobradas nas transações. Em setembro, o Grupo Pão de Açúcar lançou a maquininha Passaí. O produto começou a ser usado em lojas da rede Assaí e é oferecido também a comerciantes e prestadores de serviço sem cobrança de aluguel, sem taxa de adesão e com conexão via chip e Wi-Fi. Dez por cento da taxa cobrada por transação (a depender do faturamento do cliente) vira pontos que podem ser trocados por produtos no supermercado.

Mas nem todos são concorrentes ferozes. As emissoras de cartões de débito e crédito, por exemplo, enxergam nessa briga uma boa oportunidade. Fernando Pantaleão, vice-presidente da Visa, diz que a empresa vem mapeando os estabelecimentos que ainda não trabalham com máquinas de cartão. “Repassamos semanalmente esses dados às credenciadoras. Conversamos até com os bancos regionais, pois não adianta levar as máquinas a uma localidade se poucas pessoas ali têm acesso aos cartões”, afirma o executivo.

Já a Mastercard aposta nas parcerias estratégicas. É o caso do trabalho em conjunto feito com a credenciadora GetNet para atender leilões de gado. João Pedro Neto, CEO da Mastercard para Brasil e Cone Sul, explica que nesse tipo de negócio as opções de parcelamento são diferentes das praticadas no mercado em geral. “Trabalhamos juntos e agora oferecemos uma máquina com mecanismo diferenciado. Nossa ideia é somar forças e levar máquinas para setores inexplorados, como pagamento de mensalidades de escola e de condomínio”, diz o executivo.

Quem também ganha no avanço da cadeia são as fabricantes dos cartões. Neste ano, a chinesa PAX teve de ampliar os turnos no Brasil, aumentar o maquinário e contratar serviços de terceiros para atender a pedidos de Cielo e PagSeguro. A produção cresceu 60% em 2018.

 OPORTUNIDADE PROFISSIONAL

Com tanta competição, as companhias voltaram a atenção para os profissionais. Há uma disputa por talentos. Em 2017, antes de virar CEO da Adiq, empresa de maquininhas, o engenheiro Marcos Cavagnoli, de 46 anos, recusou o convite de duas concorrentes e de um gigante do Vale do Silício na área de meio de pagamento. “Escolhi pela empresa na qual senti que teria mais espaço para liderar estratégias que fariam a diferença nesse mercado.”

Marcos, que foi presidente de uma unidade do J. P. Morgan da América Latina, um dos maiores bancos do mundo, está animado. Seu principal direcionamento à frente da Adiq é investir em tecnologia e customização, com soluções específicas para cada mercado. “Hoje, possuímos ferramentas que aumentam a taxa de aprovação da transação, impedindo que o cartão não ‘passe’ por algum erro do sistema, por exemplo. Também temos um software integrado à maquininha em que o comerciante pode oferecer pontos ou dinheiro de volta ao cliente de acordo com suas compras.”

Segundo Marcos, a competência mais importante para vencer num setor bélico como o de meios de pagamento é ter experiências diversas (ele também passou por Citibank e Alstom, e ajudou a criar startups do zero, como a Koin, que atua em pagamentos via boleto para lojas virtuais) e um olhar bastante atento às movimentações de mercado para não perder de vista novos produtos e transformações no comportamento do consumidor. “Trabalhamos num segmento sensível, em que as mudanças ocorrem muito rápido, então o profissional dessa área precisa estudar tendências, reconhecer as oportunidades e colocar as soluções em prática em pouco tempo”, diz. Quando contrata, Marcos busca exatamente esse tipo de característica no candidato.

Sérgio Saraiva, da Cielo, concorda com Marcos sobre os talentos precisarem estar preparados para viver uma experiência intensa. “Antigamente, falava-se muito da importância do coeficiente de inteligência para a contratação. Depois, o coeficiente emocional ganhou importância. Em nossa área, damos atenção especial ao QA, coeficiente de adaptação. O profissional — oriundo geralmente das áreas de tecnologia, engenharia, estatística, matemática, vendas, marketing, entre outras —, além de entender amplamente do negócio, precisa ser rápido na execução de projetos. Dizemos que somos uma empresa grande com alma de startup.”

Se no mundo corporativo há em- presas contratando, os caminhos estão abertos também para os empreendedores. Carolina Mendes, de 22 anos, que o diga. Formada em administração, ela resolveu fundar a startup LaPag quando, frequentando um salão de beleza, percebeu que ali havia grandes oportunidades. “A área de beleza ainda é pouco estruturada. Senti que havia espaço para oferecer algo direcionado às suas necessidades, com ferramentas de gestão agregadas”, afirma.

A maquininha da LaPag, utilizada em estabelecimentos de beleza e estética, divide automaticamente a comissão entre o prestador de serviço e o dono do estabelecimento, pagando separadamente o proprietário do salão, a manicure e o cabeleireiro. “Além disso, a máquina é conectada a um sistema que controla o estoque de produtos e a agenda, e até se comunica com o cliente, mandando SMS para confirmar o horário”, diz Carolina.

Fundada em outubro de 2016, a startup levantou 1,5 milhão de reais de aporte em seu primeiro ano de operação. Atraiu, entre outros investidores, Renato Freitas, um dos fundadores do aplicativo 99.

Com 100 clientes na carteira, a expectativa é avançar ainda mais. A LaPag cresce 20% ao mês. A startup estima que existam hoje no Brasil cerca de 750.000 salões de beleza. “Nosso maior desafio é ter destaque entre os meios de pagamento desse setor”, diz Carolina. Que a luta por relevância siga gerando serviços melhores, com benefícios para comerciantes, clientes e profissionais.

GESTÃO E CARREIRA

À CAÇA DAS VAGAS

A expectativa do mercado para 2019 é de recuperação econômica, o que deve gerar um aumento na oferta de emprego. Quer aproveitar uma dessas oportunidades? Nós criamos um passo a passo para ajudá-lo em todas as etapas da busca por novos desafios.

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O país inicia 2019 com certo otimismo. O empresariado brasileiro aposta numa recuperação econômica já no primeiro ano do novo governo e, por isso, tende a liberar os investimentos para projetos e expansões, o que deve representar um aumento das oportunidades de emprego. Segundo a pesquisa Agenda 2019, realizada pela consultoria Deloitte com 826 empresas de todo o país, as quais, juntas, faturam o equivalente a 43% do PIB nacional, o otimismo está atrelado às reformas tributária e previdenciária, apontadas pela maioria como prioridades. “Além disso, endereçar temas estruturais, que gerem empregos e façam com que a sociedade se movimente, é de suma importância para 80% dos entrevistados. Esses são fatores condicionantes para o destravamento da economia”, afirma Othon Almeida, sócio- líder das áreas de desenvolvimento de mercado e talentos da Deloitte.

Ainda segundo a pesquisa, 97% dos empresários pretendem investir ou implementar ações que desenvolvam os seus negócios neste ano. E, para melhorar, quase metade (47%) manifestou a intenção de aumentar o quadro. Outros 32% planejam manter o número de funcionários no patamar atual, mas realizando substituições. “À medida que os empresários tomam a decisão de investir e ampliar as linhas de produção, sentimos o efeito direto sobre a criação de posições de trabalho”, diz Sergio Firpo, professor de economia no Insper. Outra informação positiva vem da plataforma de recrutamento Vagas, que espera um aumento de 6% a 10% no número de postos oferecidos no site durante o ano que está começando. Isso representa, em média, 1.400 novos empregos por dia.

Essas são boas notícias para quem quer se recolocar em 2019. E, para ajudar nessa jornada, criamos um guia para melhorar o currículo, ampliar a presença digital, ficar na mira dos recrutadores, encontrar a empresa ideal e se sair bem na entrevista de seleção. Confira as dicas dos especialistas nas páginas a seguir e feliz emprego novo!

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CURRÍCULO

FOCO É TUDO

Por mais conectado que o mercado esteja, tudo ainda começa com um bom currículo. E, por mais simples que esta tarefa pareça, ela exige atenção e cuidado. “Se estiver muito fácil montar seu currículo, vale a pena revê-lo”, afirma Sérgio Margosian, gerente da consultoria Michael Page e especialista em recrutamento para área de recursos humanos. Lembre-se de incluir seu objetivo profissional. E, quanto mais focado, melhor. “Quando é muito abrangente, fico em dúvida sobre onde o profissional se encaixa”, diz Sérgio.

O documento deve ir direto ao ponto, mas destacar, de forma sucinta, os resultados alcançados. “Assim como todo mundo, recrutadores também têm pouco tempo para administrar tanta informação. Para chamar a atenção, é preciso mostrar uma trajetória de constante evolução e entregas de forma coesa”, diz Sergio. A sugestão é pontuar os cargos dos últimos cinco anos e embaixo de cada um deles as principais entregas, como a redução de uma despesa, a conquista de uma premiação ou um feedback positivo por determinado resultado. “Se você tem 25 anos, pode colocar a experiência desde o estágio. Se é um diretor, coloque a partir de sua posição como gerente, por exemplo”, diz Rebeca Mayan, gerente da divisão de vendas da consultoria Talenses, especializada no recrutamento de executivos. Organizar em tópicos transmite mais objetividade, mas, se precisa descrever em texto corrido, cuide para que não ultrapasse três linhas.

Quando analisam esse documento, os recrutadores olham, além do objetivo e da experiência com resultados, as competências técnicas e as ferramentas ou os sistemas que o profissional domina. “Se sua posição exige Excel, por exemplo, é bom incluir. Mas, se você é um programador e domina sistemas mais avançados, coloque esses, e não o Excel”, completa Rebeca.

LAYOUT-PADRÃO

A aparência do currículo pode variar conforme sua preferência, indo desde um documento profissionalmente diagramado até um simples Word. Mas alguns cuidados devem ser tomados. Um deles é colocar as informações de contato em um local de fácil de visualização, de preferência próximo ao seu nome.

Outro ponto importante é manter um padrão de formatação. Coloque o nome das empresas por onde passou com o mesmo negrito ou sublinhado. Se quiser adicionar a data ao lado do cargo, padronize em todas as posições. “Quando tenho dois currículos de pessoas igualmente qualificadas, priorizo para entrevista a que tem mais cuidado ao apresentar sua trajetória. É a primeira impressão que o candidato passa”, diz Sérgio. Por isso, cuidado com erros de português ou de digitação. O documento deve ter de duas a três páginas.

TRADUÇÃO SIMULTÂNEA

Se você busca uma posição em uma multinacional, é importante ter um currículo em inglês. “Não é necessário preparar uma versão especial, apenas a mesma versão do documento traduzido para o inglês”, explica Sérgio. Um bom currículo e uma apresentação simpática no corpo do e-mail com um resumo sobre você e suas intenções já são suficientes. Cartas de apresentação são dispensáveis hoje em dia. “Elas podem se tornar repetitivas quando se tem um currículo bem-feito. Como buscamos assertividade, uma apresentação bacana no próprio e-mail já faz esse papel”, afirma Sérgio.

HACKEANDO O VAGAS.COM

Especialista da plataforma de recrutamento dá três dicas para fazer seu currículo aparecer

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PRESENÇA DIGITAL

ONDE SE CADASTRAR

Currículo pronto, é hora de aumentar sua presença no mundo virtual. Se você quer se destacar como profissional, o primeiro passo é ter um perfil no LinkedIn. O Brasil é o quarto país no ranking de utilização da rede social, ficando atrás apenas dos Estados Unidos, da China e da Índia. São 35 milhões de usuários no mundo e 100.000 novos perfis por semana. Haja networking. Além disso, as empresas postam suas vagas e recrutam pela ferramenta, e quem está em uma busca ativa por emprego pode filtrar as oportunidades. Só no Brasil estão disponíveis 350.000 vagas e, no dia do fechamento desta reportagem, haviam sido criadas 6.000 novas posições nas últimas 24 horas.

O segundo passo é cadastrar seu currículo no Vagas, que oferece 14.000 empregos por dia, tem mais de 3.000 clientes cadastrados — 70 das 100 maiores empresas do Brasil compõem esta lista — e uma base cadastral de 17 milhões de currículos. Todos os serviços oferecidos pelo site são gratuitos. Já o LinkedIn tem também a conta Premium, que é paga e indicada para quem está ativamente atrás de um emprego. Entre outros serviços, a versão top da rede social permite que os candidatos mandem um número determinado de mensagens diretas às pessoas mesmo sem estar conectados a elas, mostra estatísticas de uma vaga e como você está posicionado em relação a outros postulantes. Se quiser ter mais evidência em relação aos concorrentes, pode ativar o recurso Candidatura em Destaque. “Para ser encontrado não faz tanta diferença. Os recrutadores, em geral, têm as contas Premium, com mais filtros para buscar os profissionais”, diz Rebeca.

SIGA AS EMPRESAS

Embora muita gente esqueça, as companhias também possuem banco de currículos. E ele pode ser bastante útil. Nem sempre a oportunidade para seu perfil está aberta naquele momento, mas empresas sérias checam frequentemente os postulantes. “O RH faz a devida triagem e coloca os candidatos em um banco de talentos”, diz Sérgio, da Michael Page. O mesmo acontece quando você registra suas experiências em sites de consultorias de recrutamento, que estão constantemente atrás de bons profissionais. “O currículo é sempre encaminhado ao recrutador da área de atuação do trabalhador”, afirma Rebeca, da Talenses.

POR DENTRO DO LINKEDIN

Aproximadamente 26 milhões de empresas mundo afora ofertam vagas no LinkedIn e mais de 4 milhões de pessoas já encontraram um emprego por meio da ferramenta desde sua criação, em 2012. Portanto, não tem como estar fora dessa plataforma. “Cerca de 70% das pessoas que participam da rede não estão procurando emprego, mas estão dispostas a ouvir propostas e ampliar seu networking”, diz Milton Beck, presidente do LinkedIn no Brasil. Para que seu perfil atraia olhares e seja admirado por suas conexões, seguem algumas dicas valiosas.

 COLOQUE UMA FOTO QUE REFLITA SUA IMAGEM NO TRABALHOPerfil com foto é 21 vezes mais visto e recebe nove vezes mais pedidos de conexão. “É necessário porque humaniza o profissional, afinal, estamos à frente de um computador”, afirma Milton.

ATUALIZE SEU CARGO e terá oito vezes mais visitas ao seu perfil.

PREENCHA CORRETAMENTE A INSTITUIÇÃO DE ENSINO QUE FREQUENTOU e amplie em 17 vezes a chance de receber mensagens de recrutadores.

INSIRA SUA LOCALIZAÇÃO. Isso aumenta 23 vezes sua chance de ser encontrado.

TENHA PALAVRAS-CHAVE sobre sua expertise e entregas ao longo de seu perfil. As empresas buscam por esses termos. “É muito importante ter o resumo de quem você é com detalhes, características que fazem de você um profissional especial”, diz Milton.

MANTENHA o perfil em vários idiomas.

ANEXE CONTEÚDO QUE SEJA RELEVANTE À SUA ATIVIDADE PROFISSIONAL e poste artigos e informações que o exponham positivamente.

AJA NO MUNDO VIRTUAL DO MODO COMO VOCÊ É NO MUNDO OFFLINE. “Imagine p LinkedIn como uma reunião. Se você fala com a pessoa e ela não te responde, você tende a perder o interesse. O comportamento tem de ser parecido com o real”, diz Milton.

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NETWORKING

NA MIRA DOS HEADHUNTERS

Os recrutadores utilizam suas redes de contatos para conseguir indicações. “Temos muitas conexões com pessoas que atuam na área para a qual selecionamos e eles sempre nos indicam profissionais com quem já trabalharam. O networking é muito importante. E a melhor forma de desenvolvê-lo é enquanto se está empregado”, diz Sérgio, da Michael Page. Por isso, é preciso entrar no radar desse pessoal. Descubra qual é o headhunter que atua em sua área e escreva para ele no LinkedIn. Pode fazer o convite para tomar um café e conversar sobre carreira ou iniciar a conversa indicando um artigo ou pesquisa que possa ser aproveitado pelo hunter.

Outra maneira de aparecer é adicioná-los à sua rede — desde que ela seja positivamente movimentada. Publicar artigos e compartilhar conhecimento pode atrair os olhares desses profissionais. “Buscamos pessoas que tenham visão positiva e construtiva para os problemas. Já cheguei a convidar um executivo para um café depois que li um texto dele no LinkedIn”, afirma Sérgio.

Estar próximo dos caçadores de talentos é importante porque algumas vagas são sigilosas e são trabalhadas no boca a boca — e só serão divulgadas para quem tem algum contato com o recrutador.

APROXIMAÇÃO INTELIGENTE

Além de acompanhar sites e conhecer os headhunters, outra maneira de encontrar emprego é ficar atento às movimentações de cargo que acontecem entre suas conexões nas redes sociais. Por exemplo: se você é gerente de marketing e viu que um colega na mesma posição mudou de empresa, já sabe que existe uma vaga disponível ali. Nesse caso, a dica é conversar com seus contatos naquela companhia para se colocar à disposição e entender se o RH vai procurar alguém no mercado.

Aproximar-se de colegas é importante não só quando há uma vaga disponível. Vale ter essa atitude para sinalizar que você está aberto a de- safios. “Seja transparente sobre suas intenções. Diga: ‘Estou entrando em contato porque busco uma nova oportunidade e gostaria de agendar um café para a gente se conhecer melhor’”, orienta Sérgio. Segundo ele, a conversa deve ser feita diretamente com o gestor da posição que você almeja ou com o responsável pelo RH. Mas seja cauteloso com a quantidade de vezes que aciona a mesma pessoa. “Não se torne impertinente insistindo em ter uma resposta em curto espaço de tempo. Não pega bem”, diz Sérgio. Além disso, se você estiver empregado, mantenha a discrição para não prejudicar as relações com os atuais chefes e colegas. Nesse caso, o volume de contatos tem de ser pequeno e assertivo.

EM ALTA

Com a retomada do crescimento econômico, as consultorias Deloitte e Michael Page apostam no desenvolvimento de alguns setores que vão precisar de mão de obra em 2019. São eles:

SERVIÇOS – TECNOLOGIA – COMÉRCIO – VAREJO – CONSTRUÇÃO CIVIL – AUTOMOBILÍSTICO – SEGURANÇA PÚBLICA – SAÚDE.

 Já a plataforma Vagas espera um aumento de 6% a 10% no número de oportunidades ofertadas pelas empresas, principalmente nos setores abaixo:

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ENTREVISTAS

FACE A FACE

Chegar à fase de entrevistas é sinal de que a chance de conquistar uma vaga é grande. Por isso, é importante se preparar. Estude o próprio currículo, sinta-se seguro para falar sobre datas e principais metas atingidas e tenha na manga detalhes de como as entregas foram feitas. Não se esqueça, também, de pesquisar sobre a possível empregadora: olhe relatórios de sustentabilidade da empresa, busque notícias sobre a companhia e sobre o setor no qual ela atua. Além disso, tente descobrir um pouco sobre a trajetória do entrevistador. “Se você conta algo com o que a pessoa se identifica já quebra um gelo e cria a empatia”, diz Sérgio, da Michael Page. Mas a questão mais importante é ser sincero — para falar, inclusive, sobre assuntos complicados. “Todo mundo passa por momentos que saíram do planejado. Eles devem ser abordados na entrevista, assim como as lições que ensinaram”, diz Sérgio.

Atente-se também a ser verdadeiro ao declarar o nível de fluência em uma segunda língua porque os entrevistadores podem mudar o idioma, de repente, no meio da conversa.

E lembre-se de que, dependendo do interlocutor, o objetivo do bate-papo muda. O gestor direto precisa entender se o profissional se encaixa na equipe e se aprofundar em questões técnicas. A conversa com o RH gira em torno de valores e competências. O trabalho do headhunter é compreender de forma macro quem é esse profissional e entrar em detalhes para direcioná-lo para a vaga certa.

ETIQUETA BÁSICA

O básico para não errar na roupa é o bom e velho “menos é mais”. Vá de forma coerente com a posição que você pretende ocupar e com a cultura da empresa. “Mais importante do que estar de camisa ou camiseta é o cuidado que se tem. Se você vai a uma festa, você se arruma, então, mostre que teve esse cuidado para estar na entrevista também”, afirma Sérgio, da Michael Page.

Em termos de postura, sempre olhe no olho do entrevistador e não exagere supervalorizando as entregas. “Não é elegante perguntar sobre remuneração no momento da entrevista. No entanto, se for questionado sobre pretensão salarial, responda”, diz Rebeca, da Talenses. Ao final da conversa, vale a pena acordar uma data para o feedback, seja ele positivo ou negativo. E, no caso de o recrutador não retornar na data combinada, pode ligar. Mas é educado insistir no retorno apenas por três tentativas. Se for necessário mais que isso, melhor desistir.

ALIMENTO DIÁRIO

PROVÉRBIOS 11: 15 – 19

Pensando biblicamente

 AS RECOMPENSAS DA JUSTIÇA

 

V15 – Aqui nos é ensinado:

1. De modo geral, que não podemos usar os nossos bens como quisermos (Aquele que nos deu esses bens se reserva um poder de nos orientar sobre como devemos usá-los, pois eles não nos pertencem; nós somos apenas administradores), e também que Deus, na sua lei, busca os nossos interesses e nos ensina aquela caridade que começa em casa, bem como aquela que não deve terminar ali. Existe uma boa administração que é uma qualidade piedosa, e um discernimento para ordenarmos os nossos assuntos, que é parte do caráter de um homem bom (Salmos 112.5). Cada homem deve ser justo com a sua família, caso contrário não será fiel à sua administração.

2. E m particular; que não devemos nos envolver impensadamente com fianças ou garantias,

(1) porque existe o perigo de nos causarmos problemas com isto, e às nossas famílias também, depois da nossa morte: ”Aquele que fica por fiador do estranho”, de qualquer pessoa que lhe peça e prometa que será sua fiadora em outra ocasião, de alguma pessoa que talvez conheça, e cuja situação pensa conhecer, mas está enganado, “decerto sofrerá severamente”. ele será, certamente e tristemente, enganado e quebrantado por isto, e talvez vá à falência. O nosso Senhor Jesus foi fiador por nós, quando éramos estranhos, ou melhor, inimigos, e foi ferido por isto; agradou ao Senhor feri-lo.

(2) Porque aquele que se decide contra as fianças conserva a sua firmeza. Aquele que assim decide deve tomar cuidado para não gastar em seus negócios mais do que o seu próprio crédito lhe permitir; de modo que não precise pedir aos outros que sejam fiadores por ele.

 

V .16 – Aqui:

1. É admitido que os fortes adquirem riquezas, que aqueles que trabalham com grande afã e apressadamente no mundo, que são homens de espírito vivaz e interesse e são capazes de prosperar contra todos os que se colocam em seu caminho, geralmente guardam o que têm e conseguirão mais, ao passo que aqueles que são fracos se tornam presas fáceis de todos ao seu redor.

2. Admite-se como certo que uma mulher piedosa é tão preocupada em preservar a sua reputação de sabedoria e modéstia, humildade e cortesia, e todas aquelas outras graças que são os verdadeiros ornamentos do seu sexo, quanto os homens fortes se preocupam em proteger os seus bens; e aquelas mulheres que são verdadeiramente piedosas, de igual maneira, protegerão a sua honra com toda sua prudência e bom comportamento. Uma mulher piedosa é tão honrosa quanto um homem valente, e a sua honra é igualmente segura.

 

V17 – É um princípio comum, cada um por si. Ninguém é tão próximo a mim, como eu mesmo. Se isto for interpretado corretamente, será uma razão para a apreciação de disposições piedosas em nós mesmos e na crucificação das disposições corruptas. Nós somos nossos amigos ou nossos inimigos, mesmo com respeito a consolação atual. conforme sejamos ou não governados por princípios religiosos.

1. Um homem misericordioso, terno, bem-humorado, faz bem à sua própria alma, e se mantém tranquilo. Ele tem o prazer de cumprir o seu dever, e contribuir com a consolação daqueles que são, para ele, como a sua própria alma; pois nós somos membros, uns dos outros. Aquele que transmite aos outros as boas coisas temporais que tem, descobrirá que Deus lhe transmitirá suas bênçãos espirituais, que farão o melhor bem para a sua própria alma (veja Isaias 58.7, e versículos seguintes). Se não escondes os teus olhos da tua própria carne. mas fazes o bem aos outros, como a ti mesmo, se fazes o bem com a tua própria alma e o estendes aos que têm fome. farás o bem à tua própria alma; pois o Senhor satisfará a tua alma e fortificará os teus ossos. Alguns entendem que é parte do caráter de um homem misericordioso, o fato de que ele faça o bem por si mesmo; a disposição que o inclina a ser caridoso com os outros o obrigará a se permitir, também, aquilo que é conveniente, e a desfrutar do bem de todo o seu esforço. Podemos interpretar a alma como o homem interior, como o apóstolo a chama, e então isto nos ensina que o primeiro e grande ato de misericórdia é fornecer às nossas almas os esteios necessários para a vida espiritual.

2. Um homem cruel, rebelde, de má índole, perturba a sua própria carne, e assim o seu pecado se torna a sua punição; ele passa fome, e morre, por falta de algo que ele tem, porque não tem um coração disposto para usar os seus recursos (de qualquer espécie) para o bem dos outros, ou mesmo para o seu próprio bem. Ele atormenta os seus parentes mais próximos, que são, e que devem ser. para ele, como a sua própria carne (Efésios 5.29). A inveja, e a maldade, e a avareza do mundo, são a podridão dos ossos e a destruição da carne.

 

V.18 – Observe:

1. Os pecadores se enganam, fatalmente: O ímpio realiza uma obra enganosa, e edifica para si mesmo uma casa sobre a areia, que o enganará, quando vier a tempestade, e promete a si mesmo, por este pecado, aquilo que ele nunca ganhará; na verdade, esta obra corta a sua garganta quando sorri para ele. O pecado me enganou, e me matou.

2. Os santos guardam as melhores garantias para si mesmos: aquele que semeia justiça, que é bom e se empenha em fazer o bem, visando uma recompensa futura, tem uma recompensa assegurada; ela é tão assegurada para ele como a verdade eterna pode torná-la. Se a semeadura não falhar, a colheita também não falhará (Gálatas 6.8).

 

V. 19 – Aqui é demonstrado que a justiça, não somente pelo juízo divino, terminará em vida, e a impiedade, em morte, mas que a justiça, na sua própria natureza, tem uma tendência direta à vida, e a impiedade, à morte.

1. A verdadeira santidade é a verdadeira felicidade; é um preparativo para ela, um prenúncio e um penhor dela. A justiça inclina, predispõe e encaminha a alma para a vida.

2. De igual maneira, os que se permitem pecar estão se adequando para a destruição. Quanto mais violento é o homem em suas buscas pecaminosas, mais resoluta mente ele se predispõe à sua própria destruição; ele a desperta, quando ela parecia adormecer, e a apressa, quando ela parecia tardar.

PSICOLOGIA ANALÍTICA

O ENIGMA DA FIBROMIALGIA

Novas pistas sobre as origens dessa síndrome de dor crônica sem causa aparente, que atinge principalmente as articulações e os músculos, podem ajudar a desvendar o desconforto que em 90% dos casos afeta mulheres de 35 a 50 anos.

O enigma da fibromialgia

A professora Débora R., de 39 anos, mãe de dois meninos, desenvolveu dor e fadiga muscular profunda, aparentemente do nada. “Eu me lembro do momento em que subia as escadas de madeira para o meu quarto no segundo andar, angustiante”, recorda. Ela chegou a passar dias inteiros na cama, levantando-se apenas para ir ao banheiro. Numa das piores crises, ficou dez dias sem sair do quarto.

O médico suspeitava de depressão e dizia que, em alguns casos, o incômodo poderia ser explicado pelo distúrbio de humor. Mas isso não convencia a paciente nem seu marido. Além do desconforto muscular generalizado, Débora sentia formigamento e queimação nas mãos e nos pés, dores de cabeça e sensibilidade à temperatura e a toques leves. Especialistas procuraram sem sucesso sinais de esclerose múltipla, artrite, câncer, lúpus, doença de Lyme e diversas patologias autoimunes. Após dois anos de avaliação, um reumatologista finalmente deu um diagnóstico: fibromialgia.

Isso, porém, a deixou muitas perguntas sem resposta. Estima-se que possivelmente mais de 4 milhões de brasileiros sofram de fibromialgia, a grande maioria mulheres. A síndrome é diagnosticada quando os especialistas deparam com diversos sintomas de dor que excluem todas as outras causas potenciais. Na maioria dos casos, as sensações incluem fadiga, desconforto crônico e profundo incômodo muscular que afeta todo o corpo, semelhante ao que sentimos quando temos gripe.

Os médicos identificaram esse conjunto de sinais pela primeira vez há mais de um século, mas pouco se pesquisou sobre o problema até 1977. Nessa época, cientistas da Universidade de Toronto descreveram esses dolorosos sintomas mais formalmente, o que reacendeu o interesse científico. Em 1990, o Colégio Americano de Reumatologia definiu o termo “fibromialgia” e desenvolveu orientações para um diagnóstico consistente.

A partir daí, reumatologistas começaram a buscar indícios de inflamação ou lesões nas articulações e nos músculos. Afinal, a dor da  A fibromialgia parecia se originar nessas áreas. No entanto, não encontraram nada sólido. Nos últimos dez anos, os cientistas se concentraram basicamente no cérebro. Hoje em dia, porém, alguns pesquisadores começam a suspeitar que a busca de sinais de lesão no corpo foi abandonada muito cedo. Novos estudos feitos por neurologistas de várias partes do mundo sugerem que a inexplicável sensação dolorosa pode ser explicada, pelo menos em parte, pela deterioração de nervos. Se for possível interromper os danos e curar as feridas, também será possível cessar a dor.

O enigma da fibromialgia. 2 COMO ANDAR DE BICICLETA

Apesar de milhares de estudos acumulados em mais de 30 anos, a fibromialgia permanece notavelmente misteriosa, mesmo para os profissionais da saúde. A variação de intensidade de sintomas de uma pessoa para outra – sem motivo aparente – parece delinear a síndrome: enquanto alguns experimentam apenas leve desconforto ou fadiga, outros se tornam incapacitados.

A fibromialgia é uma das muitas formas reconhecidas de dor persistente. A maioria é considerada inflamatória, como alguns tipos de artrite, ou neuropática, que frequentemente é provocada por lesão do nervo. No caso da fibromialgia, porém, até agora os cientistas não encontraram evidências consistentes de inflamação ou dano.

Pesquisadores cogitam que o quadro esteja associado a aspectos hereditários. Há indícios de que os genes são responsáveis por até 50% do risco de desenvolver a síndrome. Hoje, os especialistas concordam que algumas pessoas apresentam predisposição à dor crônica, que surge de alterações em genes que codificam moléculas-chave de sinalização de incômodo. No entanto, neste caso, os fatores de risco genéticos não estão limitados a um circuito associado à dor. Algumas dessas mesmas peculiaridades do código genético também podem ser verificadas na depressão e nos transtornos de ansiedade.

O histórico de dificuldades psicológicas dos pacientes com a síndrome lança ainda mais dúvidas. Muitos a desenvolvem após um trauma físico ou emocional. Pesquisadores suspeitam que a fibromialgia seja deflagrada quando um indivíduo com propensão genética é exposto a um gatilho fisiológico, como doença, lesão ou crise emocional. “É possível pensar numa combinação de pré-determinantes hereditários”, afirma a neurologista Claudia Sommer, da Universidade de Würzburg, na Alemanha. “Quem vive os desafios da vida de forma equilibrada costuma ter mais chances de tolerar o desconforto; mas quando um trauma, uma doença ou perda não são elaborados psiquicamente, esse excesso pode se manifestar no corpo, em forma de dor crônica.”

Alguns especialistas suspeitam que o fenômeno fibromiálgico resulte da junção de diversas doenças distintas, mas semelhantes. E apesar das incógnitas que ainda prevalecem, o diagnóstico traz algum conforto para pacientes que acham extremamente útil nomear sua dor, descobrir pessoas com sintomas parecidos e ser levados a sério por seu médico.

Para compreenderem com base no sistema nervoso central alguns dos sintomas frequentes, como fadiga, problemas de memória e distúrbios do sono, cientistas utilizaram exames de imagem com o intuito de observar se pacientes com a síndrome processavam a dor de maneira diferente das outras pessoas. Os pesquisadores descobriram que indivíduos com essa condição parecem ter menos volume cerebral no córtex cingulado e no córtex frontal medial – áreas consideradas essenciais para a experiência global da dor. Outro estudo aponta para a alteração da atividade cerebral em áreas relacionadas à atenção e ao processamento da entrada sensorial, como o som. Alguns cientistas levantam a hipótese de um desequilíbrio no “controle do volume” do cérebro para essas sensações, o que poderia ampliar o desconforto.

Essa compreensão sobre o fenômeno ajuda a moldar a abordagem terapêutica para o tratamento da fibromialgia, que tem se concentrado principalmente no cérebro. Os três únicos medicamentos aprovados pela Administração de Drogas e Alimentos (FDA, na sigla em inglês) para tratar a síndrome são um anticonvulsivo e dois medicamentos antidepressivos. Esses inibidores seletivos da recaptação de serotonina e noradrenalina, ou ISRSN, ajudam a atenuar no cérebro e na medula espinhal os sinais de incômodo.

O problema é que essas drogas não são efetivas para a maioria dos pacientes. Estudos de revisão publicados em 2012 e 2013 apontam que os medicamentos proporcionam certo alívio para alguns, mas não melhoram o sono ou a qualidade de vida global. Além disso, até agora, nenhuma pesquisa esclareceu se a fibromialgia altera o cérebro ou se o sistema nervoso central de alguns tem pré-disposição para a dor persistente. Embora os padrões neurais observados nos pacientes tenham sido inicialmente considerados características da síndrome, foi constatado posteriormente que eram comuns em qualquer problema de saúde relacionado à dor crônica. Os cientistas suspeitam que esse padrão remodele a arquitetura cerebral e os padrões de atividade neural da mesma maneira que aprender a andar de bicicleta ou falar uma nova língua.

O enigma da fibromialgia. 3

SENSÍVEIS DEMAIS

Enquanto isso, neurologistas alemães, americanos e espanhóis identificaram um padrão peculiar em pacientes com polineuropatia das pequenas fibras (PNPF), um distúrbio que provoca dores e danos nos nervos periféricos. Desses, muitos haviam sido diagnosticados com fibromialgia.

A neurologista Anne Louise Oaklander, do Hospital Geral de Massachusetts, convidou alguns especialistas para colaborar com suas investigações sobre essa relação, mas não encontrou nenhum reumatologista disposto a entrar em um projeto tão especulativo e inter­disciplinar. Ela, então, decidiu assumir o estudo. Para procurar sinais de danos nos nervos de pessoas com fibromialgia, a médica e sua equipe utilizaram vários testes, como biópsia da pele (em que minúsculas fibras nervosas de uma pequena amostra de tecido da mão ou da perna são examinadas no microscópio). “Optamos por esse método porque, até então, ninguém havia observado os nervos adequadamente”, diz a pesquisadora.

Os resultados publicados em 2013 revelaram que 41% dos 27 pacientes com a síndrome não apresentavam terminações nervosas. O mesmo pode ser observado nos casos de PNPF, em que há desgaste dos nervos até o ressecamento de suas extremidades. No mesmo ano, Claudia Sommer encontrou resultados semelhantes. As surpreendentes descobertas sugerem que, em alguns casos, a neuropatia periférica pode contribuir para a fibromialgia.

A síndrome é heterogênea. As cientistas, portanto, não esperavam encontrar prejuízos compatíveis nos nervos. Pelo contrário: os resultados sugerem que a neuropatia é uma variante da fibromialgia. Talvez os danos causados nos nervos da superfície deflagrem os sintomas da síndrome ou indique maior comprometimento das fibras nervosas que sustentam os músculos e tendões. Em 2014, outras duas publicações apontaram deterioração do nervo periférico em pacientes com fibromialgia – o que reforça a hipótese de que os danos poderiam desempenhar um papel importante.

Estudos com biópsia confirmaram indícios da neuropatia, mas não revelaram a atividade dos nervos. O neurologista Jordi Serra, da MC Mutua e da Tecnologias Neurocientíficas, ambas na Espanha, abordou a questão com uma complexa técnica chamada microneurografia, na qual um eletrodo em forma de agulha é inserido em um nervo da pele para gravar seus impulsos elétricos. A equipe de Serra comparou os resultados de indivíduos sadios com aqueles com PNPF ou fibromialgia e descobriu que os nervos sensíveis à dor de um terço dos pacientes mostraram atividade alterada espontaneamente, o que não foi observado em nenhum dos voluntários do grupo de controle.

Os resultados, publicados no ano passado na revista Annais of Neurology, sugerem que os nervos de alguns pacientes com PNPF ou fibromialgia disparam excessivamente. “Normalmente, essas fibras permanecem imóveis, esperando, por exemplo, um sinal de uma queimadura ou um beliscão”, diz Serra. Em pessoas com essas síndromes, porém, os detectores de dor parecem hiperativos ou extrassensíveis. É possível que o mesmo problema que afeta as terminações nervosas também altere a sensibilidade dos nervos. O excesso de atividade poderia explicar o desconforto. “A hiperexcitação dos nervos favorece a descarga espontânea de sinais que correm até o cérebro, o que sustenta a dor contínua”, explica o neurologista.

Os especialistas sabem que a PNPF pode ser causada por lesões, diabetes, mutações genéticas ou ataque do sistema imunitário. Portanto, acreditam que processos semelhantes poderiam estar na base da perda de nervos em alguns casos de fibromialgia. O sinal persistente de incômodo, então, reconectaria o sistema nervoso de forma gradual, preparando o corpo para a dor.

O enigma da fibromialgia. 4

O PERIGO DA CHUVA

A semelhança com a PNPF traz a esperança de que ao tratar o problema subjacente, como um distúrbio autoimune, os médicos possam amenizar ou até mesmo curar alguns casos de fibromialgia. A mudança climática costuma funcionar como um gatilho para o desconforto. Muitos pacientes com fibromialgia percebem claramente que quando a temperatura cai e os dias se tornam chuvosos a sensação dolorosa aumenta. Essa sensibilidade em relação ao clima também pode estar associada a anomalias nervosas. Em 2013, o neurocientista Frank Rice, então da Escola Médica Albany, e seus colegas estudaram minuciosamente nervos que terminam em pequenos vasos sanguíneos, os desvios arteríola-venule. Localizados próximos à superfície das palmas das mãos, aumentam e diminuem a quantidade de sangue para regular a temperatura corporal. Também controlam o fluxo para tecidos mais profundos, permitindo o funcionamento de músculos e órgãos durante exercícios físicos. Rice descobriu que, comparados com indivíduos sadios, aqueles com fibromialgia apresentavam significativamente mais terminações nervosas nos desvios que têm como função expandir os vasos sanguíneos.

Rice acredita que isso poderia alterar sua contração e expansão, dificultando a troca regular de calor, o que causaria interferência no fluxo sanguíneo de músculos profundos e de órgãos. Tecidos privados de sangue rico em oxigênio também poderiam contribuir para a fadiga, uma das principais características da fibromialgia. Por enquanto, o neurocientista admite que não é possível definir o papel dos desvios na síndrome, mas destaca a necessidade de investigação mais aprofundada.

As evidências apontadas por Rice e outros cientistas sugerem fortemente que a fibromialgia está relacionada a danos físicos ou alterações nos nervos num subconjunto substancial de pacientes. Os estudos recentes não invalidam a ideia de que o quadro envolva mudanças no sistema nervoso central (SNC). Pelo contrário, reforçam que os pesquisadores podem compreender melhor o problema (e oferecer tratamentos mais efetivos) considerando os elementos centrais e periféricos.

CAUSA OU CONSEQUÊNCIA?

Mas nem todos concordam com os resultados das novas pesquisas sobre os nervos periféricos. Alguns, como o reumatologista Daniel Clauw, da Universidade de Michigan, acreditam que as anormalidades nervosas recém-descritas são apenas subproduto de um sistema nervoso hiperativo. “Sabemos que há remodelação do SNC nos estados de dor”, diz. Ele destaca que, assim como o aprendizado, o incômodo persistente provoca alterações na arquitetura cerebral. “Então, por que não aconteceria o mesmo no sistema nervoso periférico?”, questiona.

Outros médicos e pesquisadores, no entanto, estão mais otimistas. Na opinião do reumatologista Roland Staud, especialista em fibromialgia e pesquisador da Universidade da Flórida, a estratégia mais eficaz é tratar o corpo e a mente. Para lidar com a dor, ele recomenda exercícios físicos, hábitos saudáveis de sono e alimentação, além do aprendizado de estratégias mentais práticas, como técnicas de respiração para diminuir o estresse. A meditação costuma trazer excelentes resulta­ dos e a psicoterapia tem extrema importância no sucesso terapêutico.

Staud acredita que é possível tratar as fibras nervosas para aliviar os sintomas mais amplos da fibromialgia. Em outras condições de dor neuropática, os pesquisadores constataram experimentalmente que o bloqueio com anestésicos da sinalização hiperativa aberrante do nervo pode diminuir até os sintomas enraizados no SNC. Além disso, o tratamento de possíveis fontes de lesão das fibras nervosas, como diabetes ou distúrbios imunitários, ajuda pacientes com PNPF. Abordagens semelhantes também podem funcionar para pessoas com fibromialgia.

Em última análise, a experiência da dor culmina no cérebro, mas pode ter origem em qualquer lugar, da pele do dedão do pé até o córtex. As chances de amenizar os sinais de desconforto em qualquer ponto ao longo do percurso traz alívio – e esperança para milhões de pessoas em todo o planeta.

PSICOTERAPIA É FUNDAMENTAL

Embora a síndrome não tenha cura, pode ser controlada de forma eficiente com uma combinação de cuidados. Na prática, é recomendado que a pessoa evite carregar peso, desenvolva rotinas para manter a qualidade de sono e procure preservar-se ao máximo de situações que aumentem o estresse. Mas, na base dessas providências, um dos maiores desafios do paciente com fibromialgia é aprender a cuidar de si mesmo, sem permitir que a síndrome se torne o centro de sua existência. O apoio de vários profissionais é importante, mas para que seja possível a articulação entre as várias experiências, terapêuticas e pessoais, é indispensável que a pessoa tenha um espaço seguro que lhe permita elaborações e construção de sentidos em relação ao que vive. No processo psicoterápico, deve haver espaço não apenas para tratar da dor, propriamente dita, mas também de conteúdos – medos, angústias, desejos e fantasias – que estão além e aquém dela.

OUTROS OLHARES

QUATRO MANEIRAS DE CONTROLAR A INSÔNIA

Livro do jornalista britânico Henry Nicholls — portador de distúrbio que desregula o ritmo do sono — aponta técnicas para dormir melhor.

Quatro maneiras de controlar a insônia

PERSEGUIR A ESTABILIDADE DO SONO

Portador de narcolepsia, um distúrbio que desregula o ritmo do sono, o jornalista britânico Henr y Nicholls passou os últimos anos pesquisando formas de dormir melhor. Em seu livro Sleepyhead: The Neuroscience of a Good Night’s Rest (Sonolento: a Neurociência de uma Boa Noite de Descanso), ele propõe novos hábitos a quem sofre para dormir.

O primeiro deles é estimular a estabilidade, o que Nicholls considera o traço fundamental de um sono restaurador. Para alcançá-la, é preciso treinar o cérebro para dormir e acordar diariamente nos mesmos horários, inclusive nos fins de semana.

 DERRUBAR O MITO DAS OITO HORAS

É ponto pacífico na medicina que dormir oito horas diárias é fundamental para uma vida saudável. Mas, ao participar de sessões de terapia cognitiva e entrevistar neurologistas, Nicholls descobriu que esse parâmetro pode ser um impeditivo para combater a insônia. A necessidade de sono varia entre os indivíduos, e perseguir uma meta traz ainda mais ansiedade ao insone. Contra isso, ele sugere que cada um investigue sua necessidade de sono anotando diariamente, ao longo de duas semanas, sua duração média.

USAR A CAMA SOMENTE PARA DORMIR

O móvel deve ser, necessariamente, associado ao sono. Permanecer na cama lendo, assistindo à TV ou usando o celular pode ter efeito sonífero em quem não tem problemas para dormir. Mas causa ainda mais ansiedade nos insones. A sugestão é tolerar no máximo até quinze minutos na cama sem dormir.

PRIORIZAR A LUZ NATURAL

Nicholls cita o trabalho de três cientistas americanos laureados com o Nobel em 2017 para explicar a importância da exposição do corpo à luz natural ao nascer e ao pôr do sol. A pesquisa disseca a sincronia entre o corpo humano e a luminosidade solar e mostra que a luz artificial atrapalha o sono por confundir o cérebro, enquanto a exposição à luz natural ajuda a regulá-lo.

GESTÃO E CARREIRA

#PARTIU…NOVOS DESAFIOS

Como saber se chegou o momento de encerrar um ciclo na sua vida e virar a página.

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Anos desafiadores como os de crise, que estamos enfrentando neste agora, pedem coragem em vários sentidos. É preciso coragem para se manter produtivo e otimista, para continuar fazendo um bom trabalho apesar das diversidades e, também, para dar uma guinada na sua vida quando as coisas não estão seguindo o caminho que você imaginava. Mas essa coragem para mudar nem sempre é uma tarefa fácil. Afinal, é comum que os profissionais entrem em uma zona de conforto e se mantenham lá até serem obrigados a se reinventar. Só que quem percebe qual é o momento de partir para outra sai na frente: essa consciência é essencial para que a realidade de uma demissão, por exemplo, não pegue você de surpresa. É claro que mudar é assustador, mas, quando isso acontece, essa é a melhor decisão a ser tomada. “Se a pessoa não muda, fica esperando eternamente algo que não vem”, diz Telma Guido, especialista em transição de carreira da Right Management Brasil, consultoria de São Paulo. Ao longo desta reportagem, mostramos como virar a página da sua vida e como entender se está na hora de correr atrás de um novo emprego, abandonar um projeto que não vinga, fechar um empreendimento, aca- bar com um mau hábito, repensar os seus objetivos de carreira ou encerrar um ciclo. Os profissionais desta matéria vão inspirar você a respirar fundo e se jogar sem medo em um novo desafio.

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#É HORA DE…MUDAR UM HÁBITO

Seja tomar café, colocar o cinto de segurança, roer as unhas ou fumar, de acordo com uma pesquisa da Universidade Duke, dos Estados Unidos, os hábitos estão presentes em 40% dos nossos dias – tanto os bons quanto os ruins. “Hábito é toda ação que não envolve um processo de decisão, quando entramos no piloto automático e não temos mais consciência de que estamos fazendo algo”, diz Sâmia Simurro vice-presidente de projetos da Associação Brasileira de Qualidade de Vida, de São Paulo.

Assim como no dia a dia, os hábitos ruins no trabalho podem ter consequências na saúde e nos relacionamentos. “Quando a pessoa começa a ter prejuízos e negligencia tarefas, é sinal de que convive com um mau hábito”, diz Renata Maransaldi, psicóloga e coach, de São Paulo. Clarissa Soneghet, de 35 anos, só percebeu que o hábito de trabalhar demais era prejudicial quando teve um problema sério no quadril. Formada em turismo, ela assumiu uma posição como gerente de produção de eventos e chegava a passar dez, 12 horas no trabalho – inclusive aos finais de semana. “Mais que o tempo, o ritmo de trabalho era muito frenético, eu sou perfeccionista e queria acompanhar tudo de perto, nada podia dar errado”, afirma Clarissa.

Quando saiu da área de eventos, Clarissa migrou para marketing em uma agência e o cenário não mudou. “Eu era responsável pelos lançamentos dos produtos. Chegou uma hora que não tinha tempo de fazer mais nada, o trabalho consumia toda a minha dedicação”, afirma Clarissa. Mesmo sofrendo constantemente de enxaqueca crônica foi só em 2012, quando teve o problema no quadril, que ela repensou seu estilo de vida. “Comecei a questionar por que eu gastava tanta energia em projetos com os quais eu não me identificava. Os prazos sempre para ontem me incomodavam também. Daí eu decidi que era hora de construir algo para mim”, afirma Clarissa.

Ela queria mudar e, para isso, fez um exercício de autoconhecimento parecido com o descrito no best-seller O Poder do Hábito (Objetiva, 49,90 reais), lançado em 2012. No livro, o escritor Charles Duhigg afirma que os hábitos são compostos de três etapas e que precisamos compreendê-las para nos livrarmos deles. São elas: o sinal ou o gatilho que desencadeia aquela ação, a rotina ou a frequência com que o realizamos e aquilo que buscamos ao repetir o hábito. Para Clarissa, o impulso surgiu após um curso de empreendedorismo, no qual ampliou sua visão sobre outras formas de trabalho e conheceu sua atual sócia, Nathália Roberto. Juntas fundaram, em 2014, a Kind, uma empresa de consultoria voltada para o universo feminino. Hoje, com horários flexíveis e mais autonomia, Clarissa nem cogita voltar ao modelo antigo de trabalho. “Agora faço exercícios e tenho flexibilidade para escolher parceiros de negócios”, diz.

5 PERGUNTAS PARA MUDAR UM HÁBITO

1 – Esse hábito está prejudicando algum aspecto da minha vida?

2 – Qual o motivo pelo qual eu realizo essa ação?

3 – Eu estou motivado a mudar esse hábito?

4 – Qual o meu plano de ação para isso?

5 – Como eu vou me manter afastado desse hábito?

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#É HORA DE…ENCERRAR UM CICLO!

Mesmo que os ciclos profissionais tenham encurtado, encerrar uma etapa ainda gera conflitos. “A maioria das pessoas não possui um plano para a carreira e, por isso, esse momento vem associado a uma crise”, diz Vera Vasconcelos, da Produtive, consultoria de carreira, de São Paulo. E, quando as causas desse desejo de mudança são originadas pelas emoções, o processo fica mais complicado. “Quando a pessoa tem uma visão clara do que quer, lê o cenário e encerra uma etapa porque não possui mais possibilidades de concretizar os objetivos. Isso acontece naturalmente”, diz Telma Guido, da Right Management.

Esse foi o caso do engenheiro Eduardo Lima, de 38 anos, CEO da eduK, plataforma de cursos online. Após anos trabalhando na área de mineração e siderurgia, Eduardo percebeu que seus objetivos haviam mudado: “Eu ia trabalhar todo dia e questionava o que eu estava fazendo ali, pensava que precisava encontrar outro caminho profissional”, diz. O sonho de empreender era uma inquietação. Então o mineiro fez um plano para dar uma guinada. “Pesquisei modelos de negócios, mas nunca tinha achado algo com que eu me identificasse, até que, em 2007, surgiu o convite de um amigo de Belo Horizonte que estava montando uma franquia de e-commerce, a Neomerkato.” No começo, ele trabalhava nas horas livres, mas depois começou a investir, o empreendimento cresceu e ele abandonou de vez a engenha- ria, passando a trabalhar de casa.

Embora a mudança de Eduardo tenha ocorrido em poucos meses, não existe um prazo correto para definir quando é exatamente a hora de encerrar um ciclo. Algumas pessoas precisam sempre de estímulos, de mudanças, de adrenalina e, para elas, os ciclos fecham mais rápido. Para outras, é necessário estabilidade e movimentos de carreira mais tranquilos. “Fazer algumas perguntas como: ‘O que eu ganho se eu continuar aqui? E o que perco?’ ajudam a analisar se o problema está no lugar em que você trabalha ou em você mesmo”, diz José Roberto Marques, presidente do Instituto Brasileiro de Coaching (IBC), de São Paulo. A motivação e a satisfação com o trabalho são alguns dos sinais mais claros que devem ser levados em conta na hora de decidir partir pra outra. “Todo ser humano busca felicidade, e isso está diretamente ligado com engajamento, com o sentimento de ter uma missão e contribuir para algo”, diz José Roberto.

Depois que encontrou seu caminho no empreendedorismo, Eduardo estava próximo desse estágio. Mas conseguiu conquistar de fato o tão desejado propósito quando montou, ao lado de um amigo, a eduK.

Criada em 2013, a empresa tem estúdios para gravação de aulas online dos mais diversos tipos – de empreendedorismo a moda – e hoje conta com mais de 100 mil assinantes. “Sinto que mudei pela minha qualidade de vida e porque queria mais satisfação. No começo, cheguei a ganhar menos. Mas agora eu trabalho com um propósito, que é a educação”, afirma Eduardo.

5 PERGUNTAS PARA SE FAZER ANTES DE DESISTIR DE UM CICLO

1 – Quais foram os meus aprendizados?

2 – Eu entreguei todos os projetos com os quais me comprometi?

3 – A causa da minha insatisfação está em mim ou no meu trabalho?

4 – Onde estou não existe mais possibilidade de mudanças?

5 – O que eu faço deixou de fazer sentido?

#Partiu novos desafios. 4 #É HORA DE…MUDAR DE EMPREGO

Os motivos para querer deixar um emprego podem ser inúmeros. Na crise, costuma pesar a falta de reconhecimento, a remuneração baixa, a pressão, as equipes enxutas. E o fator chefe chato sempre é uma questão. Antes de pedir demissão, porém, é preciso identificar esses problemas, avaliar se existe uma solução e medir a temperatura do mercado. “Mesmo sendo um momento difícil, cada um precisa saber avaliar se vale a pena continuar em um lugar que não lhe faz bem”, diz Isabella Santoyo, coach de vida e carreira, de São Paulo. Essa foi a estratégia de Lara Hammoud, de 24 anos, gerente de finanças na Bidu, startup de seguros, de São Paulo. Formada em administração, ela trabalhava em uma consultoria onde aprendeu bastante, mas tinha medo de ficar presa em uma carreira mais consultiva e não conhecer a rotina de uma empresa. “Além disso, me incomodava o fato de ser prestadora de serviços e não desenvolver relações de longo prazo”, diz Lara.

Para encontrar qual caminho trilhar, a paulistana fez algo altamente recomendado pelos especialistas: conversar com amigos e colegas que já enfrentaram a situação. “Fazer um planejamento da mudança é fundamental para encontrar uma saída e entender aonde você quer chegar”, diz Isabella. Com isso em mente, Lara começou a entender que não queria uma carreira numa multinacional, por exemplo, e que desejava algo mais dinâmico. Um dos amigos sugeriu que, talvez, ela tivesse perfil para trabalhar em uma startup e a indicou para entrar na Bidu. “Foi tudo muito rápido, eles precisavam de alguém e, em menos de duas se- manas, eu já tinha sido contratada”, diz Lara. Mas, antes de dar a palavra final, ela voltou várias vezes na empresa, conversou com gestores e colegas com os quais trabalharia. “Expliquei que não possuía experiência em diversas atuações e que precisava de um tempo para aprender e de suporte”, afirma. As portas da empresa anterior continuaram abertas. Isso porque a administradora não saiu de supetão: indicou ao chefe que estava se sentindo estagnada – o que é fundamental. “Fazer uma análise detalhada de que a insatisfação continua mesmo depois de pensar em alternativas dentro do atual emprego é fundamental”, diz Isabella.

Além da ânsia por se demitir logo, outro erro que os profissionais cometem é de postergar demais a decisão da saída. Quando há muito desgaste emocional (e até físico) e os valores não estão mais alinhados, não tem jeito: é hora de partir para outra. “Quando há essa combinação, a pessoa não se sente mais engajada e sair faz todo o sentido”, diz Isabella. Ficar no em- prego apenas por receio do que os outros vão achar da sua decisão ou porque você prefere insistir em algo que está lhe fazendo mal em vez de encontrar outra solução é terrível. Isso só vai minar as suas energias e minguar sua força de vontade para tentar algo novo.

5 PERGUNTAS PARA SE FAZER ANTES DE DEIXAR SEU EMPREGO

1 – Meus valores estão alinhados aos valores da empresa?

2 – Minhas habilidades estão sendo utilizadas?

3 – Sinto vontade para desempenhar o que esperam de mim?

4 – Vejo um futuro e desejo crescer junto com a empresa?

5 – Estou ficando doente por causa de aspectos do trabalho com os quais não consigo lidar?

#Partiu novos desafios. 5 #É HORA DE…DESAPEGAR DE UM PROJETO

Quem trabalha com projetos sabe como é grande a pressão para que as empreitadas deem certo rapidamente – ainda mais na crise, quando os investimentos minguam. “A principal habilidade para trabalhar bem com isso é decidir rápido”, diz Randes Enes, professor da Fundação Getúlio Vargas, no Rio de Janeiro. É evidente que projetos precisam de um tempo hábil para dar certo, e muitas vezes a ansiedade acaba atrapalhando. Mas há um limite entre insistir em algo que vai parar em pé e em algo que está fadado a dar errado.

Alexandre da Silva, de 53 anos, líder da área de sistemas inteligentes do Centro de Pesquisas Global da GE no Brasil, lida com essas questões. Ele é responsável por coordenar um grupo de pesquisadores que trata de automação industrial avançada e atua em diferentes negócios da GE, em setores como óleo e gás, energia elétrica, transportes ferroviários e aviação. Todo ano, ele administra uma carteira de 12 projetos, mais ou menos. “A decisão entre perseverar ou interromper acontece em todos os projetos”, diz Alexandre. O passo a passo ideal para estruturar um projeto é avaliar o grau de risco, traçar um plano e definir parâmetros para avaliar se as coisas estão caminhando bem ou não. Segundo Randes, a experiência de realizar um projeto é semelhante à de ler um livro. A pessoa gosta da capa, começa a ler o livro, e no primeiro capítulo já não aprecia. Em vez de largar a leitura, muitos continuam lendo. “Isso é uma mentalidade cultural, ler um livro é um projeto. Mas, uma vez que não está gostando, vira uma perda de tempo”, afirma Randes. “Ela sabe que não vai dar certo, que não é lucrativo, mas, só porque já começou, acha que precisa terminar – mesmo que isso envolva recursos desnecessários e que não atinja o resultado desejado. Essa é uma decisão extremamente emocional e que envolve o ego”, diz o professor. E o mesmo raciocínio nos acomete quando nos dedicamos a um projeto que não vai render. Depois que se fez a análise de que é preciso mudar de rumo ou partir para outra, o mais importante é não se deixar consumir pela sensação de fracasso e incompetência nem encarar esses “erros” de maneira negativa. O melhor é abandonar o barco furado rapidamente – para não afundar junto.

Para tomar uma decisão desse tipo, Alexandre tenta alinhar sua visão e intuição ao julgamento técnico. “Interromper requer mais coragem do que insistir”, diz. O que o ajuda na análise, além de sua experiência prévia, é ouvir feedbacks dos clientes e colegas e fazer projetos com ciclos mais curtos. “Antigamente, a gente levava entre três e cinco anos para desenvolver um produto novo, hoje esses ciclos foram encurtados significativamente, para menos de um ano”, afirma Alexandre. Isso dá agilidade para abastecer o mercado de novidades e, também, para errar rápido.

5 PERGUNTAS ANTES DE ABANDONAR UM PROJETO

1 – A equipe que trabalha comigo está alinhada para atingir a meta estabelecida?

2 – Eu tenho indicadores objetivos que apontam que estou no caminho certo?

3 – O projeto está chegando ao final de seu prazo sem a maioria dos resultados esperados?

4 – Já tentei reajustar o plano para tentar salvar o projeto?

5 – Estou apegado demais ao plano e não consigo enxergar saídas?

# Partiu novos desafios. 6 #É HORA DE… TER UMA NOVA META

Ainda na época da faculdade, o publicitário Felipe Versati, de 29 anos, já tinha decidido qual caminho gostaria de seguir: iria trabalhar na área de criação de uma grande agência. “A gente acredita que vai encontrar um ambiente informal, onde você pode trabalhar de bermuda, ter liberdade para criar e ainda ganhar prêmios com seu trabalho”, diz Felipe. Mesmo passando por outras áreas, o desejo persistia e, em 2011, prestes a concluir a graduação, Felipe aceitou a proposta de trabalhar na Bilheteria.com, agência especializada em serviços culturais, em São Paulo. Chegando lá, o publicitário encontrou uma realidade totalmente diferente da que esperava. Trabalhando mais de 18 horas por dia, sem horário para comer e dormir e sem vida social, o paulista percebeu que, mesmo alcançando o seu sonho, ele se sentia insatisfeito. “Muitas pessoas criam expectativas irreais sobre algo porque olham apenas para as coisas boas e acreditam que isso representa o todo. Daí, quando se deparam com a realidade, acabam se frustrando”, diz Daniela do Lago, coach de São Paulo.

Um ano e uma úlcera depois, Felipe entendeu que era hora de mudar seu objetivo, mesmo com expectativas de crescimento na agência. “Eu já havia me tornado analista sênior e tinha a perspectiva de uma promoção em breve, mas isso não compensava a minha falta de adaptação ao modelo de trabalho e vi que tinha que almejar outra coisa”, diz Felipe. E essa mudança de ambição é normal. Muitos entram no mundo corporativo acreditando que sucesso é sinônimo de uma posição elevada, por exemplo, mas conforme o tempo passa as expetativas mudam e você precisa se ajustar.

Com um MBA que o auxiliou a ampliar seus horizontes, em 2013, Felipe quis resgatar um sonho antigo e começou a procurar oportunidades no terceiro setor, onde havia estagiado. Mesmo com ganhos menos agressivos, ele aceitou a proposta de estruturar a área de marketing da Associação Cruz Verde, organização filantrópica que atende pessoas com paralisia cerebral grave, em São Paulo. “Mudei as minhas expectativas”, diz.

Um dos pontos mais difíceis na hora de largar uma ambição é, por vezes, reconhecer que a definição de sucesso que cada um de nós possui pode ser diferente daquela que aprendemos ser a mais acertada. “Precisamos conhecer nossos objetivos e expectativas e compreender que nossa satisfação tem que estar relacionada com as nossas crenças”, diz Paulo Moraes, diretor da Talenses, empresa de recrutamento do Rio de Janeiro. Outro ponto é não olhar para essa mudança de ambição como um fracasso. “Quando você entende que aquele desejo não lhe pertencia, precisa encarar como uma alternância de caminho, e não um passo para trás”, diz Vera.

Hoje, quase três anos após a escolha, a associação é um dos empregos mais duradouros de Felipe. “Antes, com um ano eu queria mudar de trabalho, agora me sinto muito recompensado. Por mais que você seja premiado, nunca seus produtos vão te dar um abraço de agradeci- mento, como os que eu ganho dos pacientes diariamente”, conclui.

5 PERGUNTAS PARA SE FAZER ANTES DE DESISTIR DE UMA META

1 – O que eu valorizo de verdade?

2 – Eu tenho condições reais de concretizar essa ambição onde estou?

3 – Eu fiz algo no sentido de concretizar esse objetivo?

4 – Essa meta está prejudicando outros aspectos da minha vida?

5 – Eu ainda quero me tornar aquilo que planejei há algum tempo?

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#É HORA DE…FECHAR SEU EMPREENDIMENTO

O advogado Francisco Pereira, de 35 anos, trilhou uma carreira na área de consultoria. Em 2008, era supervisor da multinacional Terco e queria se tornar gerente. Tudo mudou quando um amigo o chamou para empreender na área têxtil. “Sempre tive esse sonho e, quando fui convidado para ser responsável pela gestão da empresa, aceitei”, diz Francisco. Os dois montaram uma companhia que concebia e fabricava peças de vestuário. Em sete meses, o investimento havia sido quitado, eles fecharam contratos, tinham uma equipe de 12 pessoas e cada sócio lucrava 5 000 reais mensais.

Só que as coisas pioraram em 2009, quando sofreram um baque. Um cliente que já havia retirado 50% das peças desapareceu, o que gerou um rombo. Os sócios pegaram dinheiro emprestado, cobriram os gastos com funcionários e com a manutenção. Até que, seis meses depois, outro cliente deu calote. “Com a dívida anterior e sem dinheiro para brigar judicialmente, ficamos com um prejuízo de mais de 217.000 reais”, diz Francisco.

Nesse momento, o advogado sentiu o drama comum aos empreendedores: sabia que talvez fosse melhor voltar atrás, mas ainda se sentia muito ligado ao negócio para desistir. “É como uma bateria que está sempre no vermelho, chega uma hora que não vai aguentar mais”, diz Tiago Aguiar, mentor empresarial e sócio da QI Empreender Grandes Ideias, de São Paulo. Desistir é sempre difícil no mundo do empreendedorismo porque é fácil se iludir com histórias mirabolantes de perseverança que se assemelham aos “doze trabalhos de Hércules”. Claro que a persistência é boa – desde que o empreendedor tenha um olhar racional sobre suas metas e sobre seus erros e encontre saídas viáveis para continuar tentando até esgotar todas as possibilidades. Sem isso, é provável que a persistência se transforme em teimosia. “O teimoso passa anos e não sabe quais ações deram errado, não estabelece um plano e não se adapta à nova realidade”, diz Tiago.

Para não fazer parte desse grupo, Francisco e seus sócios analisaram tudo friamente. Notaram que, por causa das dívidas, pagariam juros sobre juros, o que não valeria a pena. A saída foi fazer um novo empréstimo para fechar o negócio em 2010. Além da tristeza com o fracasso, o advogado tinha que lidar com uma dívida de 12.000 reais, dividida entre os sócios, que demorou três anos para quitar. Desempregado, vendeu o carro e precisou de ajuda familiar para pagar as contas.

A solução foi começar tudo de novo – só que, desta vez, no mundo corporativo. Ele entrou em contato com seu antigo gerente da Terco, que o indicou para uma vaga em outra consultoria, a BDO, onde é, hoje, gerente sênior da área de tributos. “Voltar foi difícil porque eu não aceitei esse baque, tive que vir de cabeça baixa, ganhando menos”, diz. Mas essa humildade o ajudou a perceber que poderia aprender com os erros e que, pelo menos em médio prazo, o seu lugar é onde há uma carteira assinada.

5 PERGUNTAS ANTES DE DESISTIR DE UM EMPREENDIMENTO

1 – Acredito na ideia?

2 – A ideia está ligada ao meu propósito?

3 – Atingi o limite de tempo?

4 – Atingi o limite de dinheiro?

5 – Esgotei todos os caminhos?

ALIMENTO DIÁRIO

PROVÉRBIOS 11: 9 – 14

Pensando biblicamente

VERDADES COMUNS

 

V9 – Aqui temos:

1. A hipocrisia engenhando a calamidade. Não é somente o assassino com a sua espada, mas também o hipócrita, com a sua boca, que danifica o seu próximo, levando ao pecado ou ao engano, com pretextos de bondade e boa vontade. A vida e a morte estão no poder da língua, mas nenhuma língua é mais fatal do que a língua lisonjeira.

2. A honestidade derrotando o desígnio e escapando à armadilha: Por meio do conhecimento dos esquemas de Satanás o justo libertado será das armadilhas que o hipócrita preparou para ele; os sedutores não enganarão os eleitos. Pelo conhecimento de Deus, e das Escrituras, e pelos seus próprios corações, os justos serão libertados daqueles que espreitam e esperam para enganar, e assim, destruir (Romanos 16.18,19).

 

V. 10 – 11 – Aqui observamos:

I – Que os homens bons são, em geral, amados por seus próximos, mas ninguém se importa com os ímpios.

1. É verdade que há alguns poucos que são inimigos dos justos, que têm preconceitos contra Deus e a santidade, e que, portanto, se incomodam em ver homens bons no poder e em prosperidade; mas todas as pessoas indiferentes, mesmo aquelas que não vivem uma grande religiosidade, têm uma palavra boa a respeito de um homem bom; e por isto, quando tudo vai bem com os justos, quando eles progridem e adquirem urna capacidade de fazer o bem, de acordo com os seus desejos, é muito melhor para todos os que estão ao redor deles, e a cidade exulta. Pela honra e pelo encorajamento da virtude, e como é o cumprimento da promessa de Deus, devemos ficar alegres por ver os virtuosos prosperando no mundo, e conquistando uma boa reputação, e o prestígio que merecem.

2. Os ímpios podem, talvez, ter, aqui e ali, alguém que lhes deseje o bem, entre os que são, de maneira geral, como eles, mas entre a maioria dos seus próximos, eles obtêm apenas má vontade; eles podem ser temidos, mas não são amados, e por isto, quando perecem, há júbilo; todos se alegram ao vê-los desgraçados e desarmados, afastados de posições de confiança e poder, expulsos do mundo, e desejam que nenhum problema maior venha à cidade, porque esperam que os justos possam tomar o lugar deles, quando sofrerem angústias, no lugar dos justos (v. 8). Que, portanto, um senso de honra nos conserve nos caminhos da virtude, para que possamos viver desejados e morrer lamentados, e não ser expulsos do palco da vida sob as vaias da plateia (Jó 27.23; Salmos 52.6).

 

II – Que há boas razões para isto, porque os que são bons fazem o bem, mas (como diz o provérbio dos antigos), a iniquidade vem dos ímpios.

1. Os homens bons são bênçãos públicas. Com a bênção dos sinceros, as bênçãos com que eles são abençoados, que ampliam a sua esfera de utilidade – com as bênçãos com que eles abençoam os seus próximos, seus conselhos, seus exemplos, suas orações, e todos os aspectos da sua utilidade para o interesse público – com as bênçãos com que Deus abençoa os outros, por causa deles – com tudo isto, se exalta a cidade, e se torna mais confiável para os habitantes, e mais considerável entre os seus vizinhos.

2. Os ímpios são transtornos públicos, não somente incômodos, mas as pragas da sua geração. A cidade é derribada pela boca dos ímpios, cujas atitudes más corrompem as boas maneiras, são suficientes para perverter uma cidade, para arruinar a virtude que nela houver; e para fazer com que os juízos de Deus venham sobre ela.

 

V. 12 – 13 – O silêncio é recomendado, como um sinal de verdadeira amizade, e algo que a preserva; portanto, é uma evidência,

1. De sabedoria: Um homem de entendimento, que domina o seu próprio espírito, ainda que provocado, cala-se, para que não dê vazão à sua paixão e nem acenda a paixão de outras pessoas, por linguajar ultrajante ou por reflexões mal-humoradas.

2. De sinceridade: Aquele que tem um espírito fiel, não somente à sua própria promessa, mas ao interesse de seu amigo, encobre todo assunto que, se divulgado, pode prejudicar seu próximo.

 

II – Este encobrimento amistoso e prudente é aqui apresentado em oposição a duas maldades terríveis da língua:

1. Escarnecer de um homem, diante dele: O que despreza o seu próximo é falto de sabedoria; ele despreza o seu próximo, chama-o de Raca, e de louco, diante da menor provocação, e pisa sobre ele, como alguém indigno de ser colocado com os cães do seu rebanho. Acaba menosprezando a si mesmo aquele que menospreza a alguém que é feito do mesmo material.

2. Falar maldosamente de alguém, nas suas costas: um mexeriqueiro, que espalha todas as estórias que puder descobrir, sejam verdadeiras ou falsas, de casa em casa, para fazer maldades e semear discórdias, revela segredos que lhe foram confiados, e assim, infringe as leis e perde todos os privilégios da amizade e da convivência.

 

V. 14 – Aqui temos:

1. O mau presságio da ruina de um reino: “Não havendo sábia direção”, nenhum conselho, mas sendo tudo feito precipitadamente e impensadamente, sem busca prudente pelo bem comum, mas somente visando interesses divididos, “o povo cai, fragmentado em facções, cai como presa fácil a seus inimigos comuns. Os conselhos de guerra são necessários para as operações de guerra; dois olhos veem mais do que um; e o conselho mútuo é necessário para a ajuda mútua.

2. O bom presságio da prosperidade de um reino: “Na multidão de conselheiros”, que veem necessidades, uns dos outros, e que agem de comum acordo visando o bem-estar público, “há segurança”; pois um deles poderá discernir os métodos pendentes que outro não perceber. Nos nossos assuntos particulares, frequentemente veremos que será vantajoso que nos aconselhemos com muitas pessoas; se elas estiverem de acordo nos seus conselhos, o nosso caminho será ainda mais claro; se elas divergirem, ouviremos o que nos é dito, de todos os lados, e seremos mais capazes de tomar uma decisão.

PSICOLOGIA ANALÍTICA

MAIS EFICIENTE QUE O CASTIGO

Ao sofrermos uma injúria, tendemos a priorizar necessidades em vez de exigir punição; mas, quando tomamos decisões em nome de outros, preferimos a estratégia “olho por olho”. Essa descoberta questiona a imparcialidade de jurados e juízes.

Mais eficiente que o castigo

Há 24 anos Ruanda foi devastada pela violência. Em apenas quatro meses, membros da maioria hutu mataram centenas de milhares de vizinhos, os tutsis, em minoria. Depois que o massacre finalmente cessou, surgiu uma complexa questão: haveria como remediar esses atos brutais sem acarretar um ciclo de assassinatos cometidos por vingança e retaliação?

A sequência de destruição seria uma síntese da noção de justiça “olho por olho”, em que a punição é proporcional ao crime, abordagem que ainda está na base de sistemas jurídicos mais modernos. Décadas de pesquisas revelam que temos forte propensão a punir os transgressores. O castigo pode incluir a detenção, mas a vingança na mesma medida, sem dúvida, é o objetivo central. De fato, muitos de nós preferimos penalizar alguém mesmo quando isso nos custa. Um estudo de 1995 revela que, quando tratados muito injustamente, alguns indivíduos se mostraram dispostos a abrir mão de até três meses de salário em troca do direito de castigar o agressor.

Mas será que nosso desejo de punição persistiria se tivéssemos outras opções de fazer justiça? Além de simplesmente aceitar a ofensa, em geral, a repressão é a primeira escolha para tentar corrigir um erro. Por essa razão, muitos de nós deixamos de refletir sobre outras maneiras de agir. Uma pesquisa recente feita em nosso laboratório sugere que compensar a vítima, por exemplo, pode ser uma estratégia significativamente vantajosa na hora de conciliar amigavelmente as diferenças.

Mais eficiente que o castigo. 2

NA MESMA MOEDA

Em diversos estudos publicados em 2014, solicitamos a mais de mil voluntários que participassem de um jogo em que, em duplas, teriam de dividir certa quantidade de dinheiro entre si. Em algumas ocasiões, o primeiro optava por manter a maior parte. Assim que o segundo descobria a divisão injusta, os pesquisadores lhe perguntavam como gostaria de novamente distribuir a quantia. Uma opção de reparação é retribuir com a redução do valor oferecido ao outro – uma resposta comumente observada tanto no laboratório como no mundo real. Mas oferecemos também aos participantes outras possibilidades, como reequilibrar a balança, aumentando a própria quantia. Observamos que nove em cada dez optavam pela recompensa em vez de retaliar o outro, mesmo depois de divisões extremamente desproporcionais. Embora os resultados não sejam tão surpreendentes (afinal, quem não gosta de dinheiro?), os voluntários sentiram que essa ação era suficiente para corrigir o erro: em geral, também preferiam não punir o infrator, mesmo que fosse fácil fazer isso.

Evidências de situações jurídicas reais apoiam a ideia de que, para alguns crimes, as pessoas ofendidas optam por outro caminho de reparação quando lhes é oferecida essa possibilidade. Programas de justiça restaurativa, como a comissão criada na África do Sul para responder a violações dos direitos humanos da época do apartheid, costumam priorizar as necessidades das vítimas, mas permite que os autores de crimes contem sua história. Esse encaminhamento favorece o diálogo entre quem sofreu e quem cometeu o dano, o que costuma resultar em duas consequências importantes: maior satisfação das vítimas com o processo e maior propensão dos infratores a assumir a responsabilidade por seus atos.

No entanto, esses programas não são a norma. Tipicamente, quem decide o destino do réu são juízes e júris – e não quem sofreu a agressão. Considera-se que os representantes da lei sejam imparciais e possam, assim, executar a justiça com maior objetividade.

Como parte de nossos estudos de 2014 sobre punição, avaliamos também se terceiros, como indivíduos que integram um júri, de fato lidam com as transgressões sociais de forma diferente da vítima. Em outra série de atividades, solicitamos aos participantes que atuassem como jurados (pessoas consideradas neutras que julgam o criminoso e tentam oferecer reparação para quem sofreu a agressão). Primeiro, os voluntários observaram uma pessoa fazer uma divisão bastante desigual de dinheiro com seu par. Depois de assistir ao tratamento injusto, os participantes deveriam decidir como redistribuir a quantia entre os dois. Os pesquisadores observaram que os voluntários optaram por “pagar na mesma moeda” com maior frequência: compensar monetariamente a vítima e retaliar o infrator diminuindo sua quantia.

Os resultados dessa parte do experimento contrastam fortemente com as decisões que os participantes tomaram depois de tratados diretamente com injustiça (isto é, quando ficaram no lugar da vítima). Parece, portanto, existir uma diferença entre o que queremos e o que terceiro s escolhem por nós. Quando sofremos uma injúria, tendemos a priorizar nossas próprias necessidades em vez de exigir punição, mas, quando tomamos decisões em nome de outros, preferimos a estratégia “olho por olho”. Essa descoberta questiona a nossa dependência em relação à imparcialidade presumida de juízes e jurados.

FAZENDO AS PAZES

Numa época em que tanto se discute a redução da maioridade penal em vários países, os dados oferecem também esperança para o sobrecarregado e negligenciado sistema jurídico. Enfatizar a possibilidade de trabalharmos com a justiça restaurativa para a vítima, em vez de a única saída ser a pena contra o agressor, pode reduzir a necessidade de algumas longas sentenças de prisão – um benefício potencial, considerando o abarrotado e dispendioso modelo prisional de muitos países.

De fato, uma literatura emergente começa a mudar a ênfase punitiva em direção a outras formas de restaurar a justiça. Em 2009, o psicólogo David Rand e seus colegas, então na Universidade Harvard, publicaram os resultados de um experimento em que os voluntários poderiam encorajar uns aos outros a contribuir com um fundo comum – seria possível gratificar as doações ou punir ações mesquinhas. Ao longo de várias rodadas, Rand e os pesquisadores de seu grupo observaram que, ao contrário do que aconteceu com as retaliações, o montante de recompensas aumentou. Em um artigo publicado em 2014, o economista Nikos Nikiforakis, agora na Universidade Nova York Abu Dhabi, nos Emirados Árabes, e Helen Mitchell, ministra do Departamento de Relações Exteriores e Comércio da Austrália, revelam que, em geral, tendemos a desejar o castigo do outro se essa for a única opção disponível para fazer justiça.

Essencialmente, acrescente literatura sugere que a motivação para condenar parece estar relacionada com as opções apresentadas. Oferecer outras maneiras de correção – seja um processo de conciliação guiado entre vítima e agressor, seja simplesmente focar a compensação da parte prejudicada, por exemplo – pode de fato mudar a forma como concebemos a ideia de punição. No fim das contas, esses estudos indicam que o castigo (certamente desejável em alguns casos) não deve ser o único o padrão de justiça.

Embora com menor frequência, abordagens reconciliatórias não punitivas têm sido utilizadas com sucesso no mundo real para restaurar a justiça. Esses métodos podem funcionar até mesmo para os crimes mais chocantes contra a humanidade. Em Ruanda, a organização sem fins lucrativos Association Modeste et lnnocent (AMI) tenta aproximar hutus e tutsis depois de um dos genocídios mais terríveis da história. Com a ajuda de diversos programas que incluem a participação de vítimas e autores, a AMI aborda discussões e vivências sobre a paz, a cura do trauma, a participação cívica e o exercício de se colocar no lugar do outro.

Depois de um longo processo de conciliação, que se estende por vários meses e em que ambos os lados são estimulados a expressar suas dolorosas emoções, hutus pedem perdão aos sobreviventes tutsis (por exemplo, a uma mãe que presenciou a chacina de toda a sua família e escapou da morte aparentemente por obra do acaso). Muitos mostram uma impressionante capacidade de sentir compaixão e de fazer novos laços. Com o objetivo de cuidar da relação entre vizinhos, a iniciativa realça a restauração e o perdão- e não a punição. Com isso, aumenta as chances de conter o ódio e a violência que costumam alimentar um perigoso ciclo de vingança e retaliação.

 

 

 

OUTROS OLHARES

ESCOLA SEM PARTIDO

Os interesses em jogo em um espaço que é político por excelência.

Escola sem partido

O espírito reacionário exibe sua virulência ao criminalizar e perseguir professores que fazem do espaço educacional uma resistência incondicional aos retrocessos de um poder governamental corrupto que usa a coisa pública em favor dos interesses privados da sua cúpula criminosa. Os espaços educacionais, espaços políticos por excelência, são vigiados pelos olhares de abutres dos delatores que, intrinsecamente dominados por disposições ressentidas, não aceitam que os sujeitos ocupem as escolas e universidades para a realização de debates políticos, protestos e outros atos contestatórios do regime temerário em vigor. A ignorância reacionária, convertida em obtusa virtude, faz da educação um caso de polícia. Toda manifestação de insatisfação de professores e de estudantes ao poder vigente é reprimida militarmente e juridicamente, preparando o terreno da desolação política para a necrofilia fascista. Só mesmo um governante desqualificado pode dizer que o ensino à distância é uma alternativa de se combater o marxismo na educação e a doutrinação pedagógica.

Essa ação orquestrada de dissolução da liberdade discursiva do professor que atende pelo nome de Escola sem Partido expressa a submissão da atividade educacional aos ditames neo­liberais da privatização da vida e da mercantilização da cultura em nome de seu inerente processo de formatação unidimensional da existência, que se irmana cada vez mais com o fascismo. Em nome da suposta neutralidade epistemológica da educação, a Escola sem Partido visa criminalizar todo tipo de discurso pedagógico imputado como sectário de perspectiva política de esquerda, em favor da preservação da pretensa liberdade de consciência dos estudantes, afetados por um apregoado arbítrio tirânico dos professores que fazem do seu exercício docente um espaço de politização discursiva. Os ideólogos da Escola sem Partido não reclamam de empresas que coagem trabalhadores a fazerem campanha para candidatos alinhados com o autoritarismo do mercado ou de pastores-empresários que manipulam as consciências dos fiéis também para esse objetivo.

No âmbito educacional, o projeto ultraliberal visa estabelecer uma gestão pedagógica rigorosamente pragmatista, de modo a formar quadros técnicos altamente especializados para a organização dos seus escalões elevados, ao mesmo tempo em que visa precarizar as bases estruturais do sistema público de educação, de modo a naturalizar nas consciências juvenis as divisões sociais perpetradas pela ordem capitalista como se esta fosse uma estrutura inevitável. Henry Giroux argumenta que O conhecimento, como capital no modelo empresarial, é privilegiado como forma de investimento na economia, mas parece ter pouco valor quando está relacionado com o poder de auto definição, com responsabilidade social, ou com a capacidade dos indivíduos de expandir o âmbito da liberdade, da justiça e das operações da democracia (GIROUX, 2003, p. 61).

Eis um dos motivos pelos quais as disciplinas de Filosofia e de Sociologia, que justamente estimulam uma reflexividade crítica sobre os valores vigentes, as ideias, o sentido da ação humana, as organizações sociopolíticas e suas contradições, sofrem contínuas fragmentações didáticas de modo a empobrecer a qualidade do trabalho educacional dos seus docentes na era da espoliação ultraliberal, inclusive sob o risco de retirada do currículo escolar. Nos saberes críticos o estudante é estimulado pedagogicamente a analisar as bases sectárias de nossa formação política, tarefa que exige de cada pessoa uma inevitável autoanálise de seu papel como ator social, revelando suas contradições axiológicas e suas feridas existenciais. Para Edgar Morin

A educação atual fornece conhecimentos sem ensinar o que é o conhecimento. Ela não se preocupa em conhecer o que é conhecer, ou seja, os dispositivos cognitivos, suas dificuldades, suas instabilidades, suas propensões ao erro, à ilusão. Isso porque todo conhecimento implica risco de erros e de ilusões.

A ideologia ultraliberal, expressão cabal da visão unidimensional do empresariado na dinâmica econômica do capitalismo tardio, não apenas converte a experiência da cidadania como a capacidade do sujeito ampliar seus atos de consumo, como também faz da própria práxis educacional um filão de lucros para os investidores, direcionando a pauta pedagógica das instituições de ensino conforme os critérios da rentabilidade, de modo a atender a maior demanda possível de estudantes configurados como consumidores-clientes, que jamais podem sofrer qualquer retração em suas demandas pessoais. Segundo José Carlos Libâneo,

Quer-se subordinar os sistemas educacionais à economia já que, no novo paradigma de produção, as novas tecnologias requerem trabalhadores mais qualificados, com mais flexibilidade profissional para atender novas demandas do mercado de trabalho e com mais espírito empreendedor para fazer frente à competitividade econômica internacional.

O economicismo educacional se configura assim como uma ideologia que naturaliza as contradições estruturais do capitalismo e visa preparar o jovem educando para um modelo de vida imputado como o único possível e, por conseguinte, o melhor; nega-se assim a orientação da consciência reflexiva para alternativas societárias e políticas, convergentes com um modo de vida mais sustentável.

É conveniente que questões partidárias não sejam inseridas na práxis pedagógica, evitando­ se assim a polarização propagandística de ideias concernentes a uma dada associação política. Contudo, isso não significa a anulação da reflexão política em sua indissociável relação com a dimensão educacional, pois o processo pedagógico é um ato social. Ocorre no discurso da Escola sem Partido uma tendenciosa confusão entre partidarismo e política, visando justamente retirar da dimensão educacional a necessária análise dos fenômenos concretos da prática política. O projeto de Escola sem Partido, que apregoa lutar contra a manifestação de ideologias na educação é, ele mesmo, ideológico. Esse movimento apenas mascara os seus interesses reais na despolitização da educação como forma de criar uma massa profissional alienada mediante sua adequação ao ultra liberalismo econômico, ao mesmo tempo em que chancela os propósitos espoliativos de partidos reacionários do espectro da direita associado aos setores mais conservadores da sociedade civil tradicionalmente atrelada a uma agenda nitidamente retrógrada e moralista incompatível com os paradigmas modernos da laicidade política.

Os promotores da Escola sem Partido pretendem excluir do debate educacional quaisquer temas usualmente associados ao espectro progressista para que as pautas direitistas dos partidos interessados nessa estigmatização da crítica política encontrem assim espaço livre para sua inoculação, visando degradar as já frágeis bases democráticas da sociedade brasileira, de modo a favorecer a hegemonia dos grupos políticos caracteristicamente obscurantistas e adeptos do discurso truculento afiliado ao fascismo. A própria luta pela secção violenta entre ensino e estofo político reforça, inevitavelmente, o entrelaçamento entre educação e política. Por conseguinte, os ideólogos da Escola sem Partido ratificam a partidarização da es­ cola, convenientemente aos seus interesses escusos. Portanto, em um estranho paradoxo, os defensores da Escola sem Partido evidenciam afiliação aberta em relação aos partidos de agenda política reacionária. Vemos o  renascimento da lista negra macarthista contra toda atividade pedagógica imputada como subversiva, ou seja, objetora do autoritarismo institucionalizado vivamente presente em nosso cotidiano sociopolítico e dos imperativos mercadológicos do capitalismo monopolista, espoliador da coisa pública e da vivência cidadã. Nesse contexto, toda inserção de temáticas culturalmente polêmicas, que contestem a estruturação normativa do status quo são passíveis de vituperação e de judicialização, não obstante a liberdade de cátedra garantida constitucionalmente. Uma vida cultural esclarecida não hesita em debater qualquer temática, dissolvendo os tabus que envolvem determinados conteúdos relegados ao esquecimento como forma justamente de se compreender os erros e os acertos de dada experiência sociopolítica. Quando ocorre o silenciamento da análise crítica em nome da pretensa harmonia pedagógica abre-se o caminho para a legitimação da barbárie, pois as vozes de dissenso são emudecidas e a unidade axiológica se torna o padrão por excelência. Segundo Henry Giroux,

O conhecimento que é privado de considerações éticas e políticas oferece noções limitadas, se alguma, de como as escolas deveriam educar os estudantes para combater os limites opressivos da dominação baseada em gênero, raça, classe e idade. Essa linguagem também não proporciona as condições pedagógicas para que os estudantes envolvam- se criticamente com o conhecimento como uma ideologia profundamente comprometida com questões e lutas que diz em respeito à produção de identidades, cultura, poder e história. A educação é uma prática moral e política, e sempre pressupõe uma introdução e preparação para formas especificas de vida social, uma interpretação particular das noções de comunidade e daquilo que o futuro pode trazer (GIROUX, 2003, p. 61).

O projeto da Escola sem Partido ratifica a condição de pária do professor na sociedade tecnocrática, como se o docente fosse o culpado por todos os problemas estruturais de nossa vida pública, que se encontram na má gestão governamental, nas injustiças econômicas e sociais, na  corrupção e na ação inescrupulosa de segmentos da iniciativa privada que não hesitam em fazer  com que as riquezas estatais beneficiem seus interesses particulares. Podemos então afirmar que a   penalização do professorado decorre de uma tentativa reativa de se afetar o lado mais fraco da  estrutura social fragmentada, tal como ocorre usualmente na extrema virulência manifestada pelo   homem médio contra os praticantes de pequenos delitos, responsáveis por violações ínfimas do  tecido social, enquanto os atos degradantes dos grandes criminosos de colarinho branco permanecem comumente despercebidos pela opinião pública, assim como são constantemente absolvidos dos seus graves crimes contra a coisa pública e até mesmo benquistos por grande parcela da população, que no fundo gostaria de ser também tal como essas figuras distintas. Analisemos os “princípios deontológicos” do projeto Escola sem Partido para que possamos comentá-los criticamente:

I – O Professor não se aproveitará da audiência cativa dos alunos, para promover os seus próprios interesses, opiniões, concepções ou preferências ideológicas, religiosas, morais, políticas e partidárias (Na formulação dos ideólogos, os alunos são imputados como figuras passivas que não participam autonomamente da aula, reproduzindo o discurso do espectador de um acontecimento).

II – O Professor não favorecerá, não prejudicará e não constrangerá os alunos em razão de suas convicções políticas, ideológicas, morais ou religiosas, ou da falta delas (O professor, grosso modo, já é constrangido pela ideologia mercadológica de adequação aos imperativos do alunado para que facilite sua vida acadêmica. Na lógica capitalista vigente, o professor não encontra nem mesmo os meios para exercer esse pretenso autoritarismo).

III – O Professor não fará propaganda político­ partidária em sala de aula nem incitará seus alunos a participar de manifestações, atos públicos e passeatas (Muitos estudantes encontram na figura do professor o exemplo intelectual de intervenção na ordem sociopolítica. Quando as motivações para participação em manifestações coletivas e afins são em honra de causas democráticas/emancipatórias, é um dever que o professor estimule seus estudantes para que se unam a tais mobilizações. Se não luto por causas libertárias que contestem a opressão, quem lutará por mim? Se até mesmo mandatários políticos convocam mobilizações multitudinárias, por qual motivo os professores não poderiam fazê-lo? Quando a adesão dos alunos para uma manifestação política é voluntária, movida por ideais democráticos, não há qualquer problema moral quanto a isso. A única exceção ocorreria se porventura o professor exigisse participação dos alunos nesses atos para que eles obtenham notas em avaliação ou registro de presença na chamada. Participação em passeatas não é atividade pedagógica fora de sala, mas uma adesão coletiva perante uma causa reivindicatória imputada como justa).

IV – Ao tratar de questões políticas, sócio- culturais e econômicas, o professor apresentará aos alunos, de forma justa – isto é, com a mesma profundidade e seriedade – as principais versões, teorias, opiniões e perspectivas concorrentes a respeito (Essa prédica não é original dos proponentes da Escola sem Partido; na verdade encontramos versões similares em diversos outros códigos deontológicos de conduta, como, por exemplo, para a regulação da profissional jornalística, que poucos seguem, por sinal. Na teoria formula-se uma bela regra normativa, mas na prática raramente se aplica. Se os jornalistas cumprissem rigorosamente os preceitos deontológicos da profissão, nossa esfera pública seria muito mais reflexiva, inteligente e contestadora do status quo. Talvez um professor robotizado consiga desenvolver a pretensa “forma justa”, isto é, proporcional, na apresentação e problematização dos temas concernentes aos conteúdos didáticos de sua disciplina. Existem dados que são mais enxutos, outros mais amplos. Não é possível se mensurar precisamente esse ansiado equilíbrio, tornando assim imprecisa qualquer tentativa de controle.

V- O Professor respeitará o direito dos pais a que seus filhos recebam a educação moral que esteja de acordo com suas próprias convicções. (Essa prédica reforça a noção doutrinária do papel pedagógico do professor em incutir nos jovens valores morais, como se os mesmos fossem indissociáveis dos conteúdos epistêmicos. Exceto em casos específicos de instituições de ensino confessionais convenientemente outorgados legalmente, o professor deve seguir os parâmetros laicos da constituição federal, inclusive encontrando liberdade de cátedra para formular críticas a determinados valores morais e/ou religiosos que porventura atentem contra os direitos humanos e o progresso da consciência intelectual.

VI – O Professor não permitirá que os direitos assegurados nos itens anteriores sejam violados pela ação de estudantes ou terceiros, dentro da sala de aula (Essa prédica impõe ao professor um poder ao qual talvez não lhe pertença mais, pois continuamente espoliado de sua autoridade intelectual e dignidade profissional).

Conforme o planejamento educacional estabelecido pelos ideólogos da Escola sem Partido, há distinção epistêmica entre educação e instrução, cabendo aos pais a primeira e aos professores a segunda, ou seja, apenas a transmissão objetiva dos conteúdos pedagógicos concernentes a uma dada disciplina para o seu alunado. A ignorância acerca do que é a essência da experiência educacional pelos signatários desse projeto reacionário gera a confusão entre as instâncias citadas. Educação é cultivar, formar, construir, de modo a realizar no sujeito sua capacidade de agir autonomamente como ator social em suas mais diversas segmentações. Por conseguinte, não cabe  apenas aos pais essa tarefa, mas também a todos os profissionais pedagógicos em seus afazeres didáticos com seus estudantes. A tacanha compreensão sobre a experiência da educação pela ideologia da Escola sem Partido visa enfatizar acima de tudo o seu aspecto normativo, como se tal dispositivo fosse um mecanismo de controle sobre a subjetividade do jovem, incutindo-lhe valores cívicos e morais convenientes ao status quo. Ao propor separar a educação da instrução, o discurso doutrinário da Escola sem Partido estabelece um processo análogo da divisão técnica do trabalho na dimensão pedagógica, compartimentando as ações em estatutos estanques sem qualquer diálogo, favorecendo assim a atomização social e a cisão política, ainda que defenda o contrário. Para Henry Giroux,

A educação política significa reconhecer que a educação é política porque é diretiva e dirige-se a uma natureza inacabada daquilo que significa ser humano, intervir no mundo, pois o protagonismo humano é condicionado e não determinado. Significa, também, reconhecer que as escolas e outros espaços culturais não podem abstrair-se das condições socioculturais e econômicos de seus habitantes, de suas famílias e de suas comunidades. A educação política também significa ensinar aos estudantes a correr riscos, fazer perguntas, desafiar aqueles no poder, honrar tradições críticas reflexivo a respeito da forma como a autoridade é utilizada na sala de aula e em outros espaços pedagógicos. Uma educação política propicia a oportunidade para que os estudantes não apenas se expressem de forma crítica, mas para que alterem a estrutura de participação e o horizonte de debate pelo qual suas identidades, seus valores e seus desejos são moldados. Uma educação política constrói condições pedagógicas para capacitar os estudantes para entenderem como o poder opera sobre eles, através deles e por eles, para construir e ampliar seu papel como cidadãos críticos (GIROUX, 2003, p. 161).

Os signatários da Escola sem Partido representam os aspectos mais grotescos da degradação política brasileira, apresentando uma agenda social nitidamente reacionária, pois contrária aos avanços paulatinos das pautas libertárias concernentes a um Estado laico, ainda que formalmente. As bancadas da bala e da bíblia, regidas pelo sectarismo e pela truculência, são grandes defensores desse projeto ideológico, circunstância que evidencia o perigo para a democracia que esses segmentos políticos representam para a esfera pública e seus efeitos deletérios no progresso educacional brasileiro. Por isso essa imbecilidade parlamentar defende a Bíblia no lugar da Constituição e as armas no lugar dos livros. Fernando Savater defende a tese de que

O ensino deve ser tanto pluralista quanto a própria sociedade, e convém que nela possam encontrar lugar estilos e tendências diferentes[…] A criança vai à escola para se pôr em contato om o saber de sua época, não para ver confirmadas as opiniões de sua família (SAVATER, 2012, p. 163-164).

A cada nova geração que passa é possível percebermos que ocorrem contínuas aberturas acerca da aceitação dos padrões de comportamento outrora considerados destoantes dos padrões normativos estabelecidos, assim como mudanças nas concepções sociais, sexuais, políticas, mais abrangentes e democráticas, circunstância positiva que exige a reconfiguração dos conteúdos pedagógicos. No entanto, contra todos os avanços culturais que esclarecem a consciência humana e favorecem a sua abertura intelectual para a diversidade e a afirmação das diferenças axiológicas, o espírito reacionário evidencia claramente sua ausência de neutralidade, ao pretender impor um modelo discursivo de verdade para a sociedade inteira, sem respeitar sua pluralidade cultural e seus direitos cidadãos, seja na religião (a hegemonia do Deus cristão), seja na ordem familiar (a biparental), seja na questão da sexualidade (estigmatização de todas as práticas consideradas “anti­naturais”, pois contrárias aos mandamentos eternos de “Deus”), seja na política (legitimação do sistema patriarcalista, no qual a mulher não possui visibilidade e dignidade social e a propriedade privada é imputada como um bem sagrado), seja na economia (glorificação do empreendedorismo, da desregulação do mercado e da meritocracia), seja na segurança pública (criminalizando a pobreza e estabelecendo visões maniqueístas sobre as contradições sociais). Por conseguinte, o espírito direitista ousa afirmar seu ideário sem qualquer vergonha, pois a onda conservadora inoculada no tecido social chancela os seus pronunciamentos autoritários.

Os sectários desse disparate educacional fingem não reconhecer que inexiste qualquer pretensa neutralidade discursiva, quimera idealista que mascara as bases concretas da produção social do conhecimento. Essa questão também se manifesta em setores de grande impacto na ordenança social, como a atividade midiática e a atividade científica, ambas desprovidas de qualquer neutralidade em seus ofícios. Em ambos os casos é o interesse que se potencializa como o motor das ações dos seus agentes, mesmo que movidos pelas intenções mais nobres.

Assim como não existe saber desinteressado, também não existe ação desinteressada. Mesmo a defesa incondicional da neutralidade axiológica já se configura uma tomada de decisão, uma escolha singular. Exigir neutralidade de alguém, portanto, denota tendenciosidade. Somente o reacionarismo temerário, certamente por má fé e tacanhez intelectual, insiste nessa proposta indecente. O bom senso determina que não se exija neutralidade de ninguém, pois assim se evita mistificações ideológicas geradoras de grandes problemas concretos. Por exemplo, no plano das relações internacionais, está provadíssimo que mesmo países proclamados politicamente neutros que são flexíveis em suas legislações bancárias (paraísos fiscais) favorecem a satisfação de interesses particulares de países, grupos empresariais ou pessoas implicadas em crimes e transações desonestas. Por conseguinte, a ausência de posicionamento axiológico legitima a barbárie, a violência, o delito.

Todo conhecimento educacional é manipulado pelo professor que organiza e planeja as suas aulas e, o que cabe investigar é se tal processo de manipulação é ideológico ou não, isto é, se visa esclarecer os agentes sociais sobre as contradições intrínsecas das relações sociais ou se ratifica o status quo, naturalizando suas bases autoritárias como se fossem efetivamente democráticas. Segundo Louis Althusser,

É pela aprendizagem de alguns saberes contidos na inculcação maciça da ideologia da classe dominante que, em grande parte, são reproduzidas as relações de produção de uma formação social capitalista, ou seja, as relações entre exploradores e explorados, e entre explorados a exploradores. Os mecanismos que produzem esse resultado vital para o regime capita­ lista são naturalmente encobertos e dissimulados por uma ideologia da escola universalmente aceita, que é uma das formas essenciais da ideologia burguesa dominante: uma ideologia que representa a escola como neutra, desprovida de ideologia (uma vez que é leiga), aonde os professores, respeitosos da “consciência” e da “liberdade” das crianças que lhes são confiadas (com toda confiança) pelos ”pais” (que por sua vez são também livres, isto é, proprietários de seus filhos), conduzem-nas à liberdade, à moralidade, à responsabilidade adulta pelo seu exemplo, conhecimentos, literatura e virtudes “libertárias” (ALTH U SSE R, 1985, p. 80).

O professor comprometido pedagogicamente com a formação de um coletivo de estudantes intelectualmente autônomos, reflexivos, dotados de senso crítico, quer que eles assim o sejam, circunstância que demonstra sua atuação proativa em favor desse processo ótimo de desenvolvimento das capacidades intelectuais. Se porventura postulássemos a absurda existência de professores desprovidos desse objetivo emancipatório, o docente guiado pelos princípios do formalismo da neutralidade se assemelharia a uma máquina propagadora de conteúdos, sem qualquer humanidade na criação do discurso pedagógico. Conforme argumenta Henry Giroux,

Os educadores e pais terão que passar a encarar a escola não como neutra nem objetiva, mas sim como uma construção social que incorpora interesses e suposições particulares [… ] O conhecimento torna-se importante na medida em que ajuda os seres humanos a compreenderem não apenas as suposições embutidas em sua forma e conteúdo, mas também os processos através dos quais ele é produzido, apropriado e transformado dentro de ambientes sociais e históricos específicos (GIROU X, 1997, p. 39).

Baixos salários, assédio moral constante, precarização das condições trabalhistas, diversas condições degradantes são a regra do cotidiano profissional do professor, cada vez mais desestimulado a desenvolver uma carreira inovadora e proativa. O cerceamento da autonomia didática do professor decorrente da concretização do projeto normativo da Escola sem Partido torna o docente ainda mais espoliado pelo sectarismo do status quo, refratário ao processo de esclarecimento intelectual que é resultado direto da livre iniciativa para pensar de todos os sujeitos inseridos no mundo educacional. Não apenas submetido ao crivo do mercado, que exige do professor a transmissão de conteúdos adequa­ dos ao espírito do capitalismo para tornar seus estudantes mais preparados para o processo altamente competitivo e imperdoável da sociedade administrada, mas também ao silenciamento do discurso imputado como subversivo pelos defensores do moralismo conservador como princípio dogmático. O quadro se revela tenebroso para a frágil democracia vigente, pois o discurso virulento que perpassa as organizações reacionárias não fica nada a dever aos grupos fascistas que fazem da truculência e do autoritarismo as suas bandeiras guerreiras. Fernando Savater indaga reflexivamente:

A educação deve preparar gente apta a competir no mercado de trabalho ou formar homens completos? Deve dar ênfase à autonomia de cada indivíduo, com frequência crítica e dissidente, ou à coesão social? Deve desenvolver a originalidade inovadora ou manter a identidade tradicional do grupo? Atendem à eficácia prática ou apostam no risco cria­ dor? Reproduzirá a ordem existente ou instruirá os rebeldes que possam derrubá-la? (SAVATER, 2012, p. 17).

Quando o nome de Paulo Freire é difamado pela ideologia da Escola sem Partido como um “doutrinador marxista”, anulando todas as suas contribuições irrefutáveis internacionalmente reconhecidas para os estudos sobre filosofia da educação e temas conexos, fica cada vez mais evidenciado o caráter obscurantista que movimenta as ações virulentas desse projeto antidemocrático. Paulo Freire empreendeu diversos trabalhos educacionais fundamentais para a alfabetização de massas camponesas e outros trabalhadores subalternos de sociedades politicamente conservadoras, e depreciar o seu legado pedagógico sem qualquer análise rigorosa do mesmo revela a natureza ressentida dos seus detratores. Paulo Freire, em suas colocações epistemologicamente extemporâneas, afirma que

A sociedade alienada não tem consciência de seu próprio existir. Um profissional alienado é um ser inautêntico. Seu pensar não está comprometido consigo mesmo, não é responsável. O ser alienado não olha para a realidade com critério pessoal, mas com olhos alheios (FREIRE, 1983, p. 35).

O currículo escolar não é estabelecido de maneira neutra pelos tecnocratas das secretarias de ensino, reproduzindo antes os seus anseios ideológicos. Dependendo das circunstâncias funcionais, poucos professores encontram flexibilidade pedagógica para dobrarem a rigidez desses parâmetros curriculares, uma vez que os processos de ensino ficam submetidos ao crivo das avaliações de admissão ao ensino superior, e determinados conteúdos são privilegiados em detrimento de muitos outros. Conforme argumenta Michael Apple,

O currículo nunca é apenas um conjunto neutro de conhecimentos, que de algum modo aparece nos textos e nas salas de aula de uma nação. Ele é sempre parte de uma tradição seletiva, resultado da seleção de alguém, da visão de algum grupo acerca do que seja conhecimento legítimo (APPLE, 2013, p. 71).

A politização dos processos pedagógicos exige que tanto os diretores como os professores e os alunos dialoguem abertamente sobre as demandas educacionais da instituição de ensino, inclusive sobre os saberes formativos componentes das estruturas curriculares. A ausência do debate isonômico entre as instâncias da dimensão educacional ratifica a lógica autoritária de nossa organização social e seu engessamento hierárquico, gerando contínuos focos de tensão no cotidiano escolar. Talvez haja medo, da parte dos mandatários pedagógicos, em realizar esse processo dialógico, por considerarem que assim o poder burocrático da direção de ensino perderia sua autoridade e sua força centralizadora. Nessas condições, é imprescindível que haja uma progressiva mudança de mentalidade na gestão educacional, em prol do estabelecimento de uma organização escolar em conformidade aos parâmetros democráticos desejados. Segundo Moacir Gadotti,

A educação é atualmente um lugar onde toda a nossa sociedade se interroga a respeito dela mesma, se debate a se busca; educar é reproduzir ou transformar, repetir servilmente algo que foi, optar pela segurança do conformismo, pela fidelidade à tradição ou, ao contrário, ficar frente à ordem estabelecida e correr o risco da aventura; querer que o passado configure todo o futuro ou partir dele para construir outra coisa (GADOTTI, 1987, p. 18).

Nos períodos de exceção política em que o autoritarismo ditatorial regulava a práxis organizacional das instituições de ensino com sua ideologia da defesa da segurança nacional e da necessidade de se criar funcionários especializados para a perpetuação do establishment, o patrulhamento sobre o cotidiano dos estabelecimentos educacionais se tornou ainda mais asfixiante, pois a lógica do poder consistia justamente em eliminar todo traço de dissenso, em nome da moral, dos bons costumes, da ordem e do progresso, e os conteúdos pedagógicos que estimulavam a reflexão sobre a própria natureza do poder e da autoridade repressiva sofreram transformações epistemológicas de modo a se tornarem inofensivas para o sistema vigente.

Todo processo educacional nas instituições de ensino é inevitavelmente um exercício político não apenas por se realizar no espaço social da convivência, a esfera pública, mas também porque é uma preparação intelectual para que o estudante venha a ser um participante ativo na organização social, não apenas como profissional, mas como sujeito político cônscio de sua cidadania, muitas vezes escamote­ ada, mas que não pode jamais ser suprimida, não obstante todo reacionarismo contrário. De acordo com José Carlos Libâneo,

A educação escolar tem a tarefa de promover a apropriação de saberes, procedimentos, atitudes e valores por parte dos alunos, pela ação mediadora dos professores e pela organização e gestão da escola. A principal função social e pedagógica da escola é a de assegurar o desenvolvimento das capacidades cognitivas, operativas, sociais e morais pelo seu empenho na dinamização do currículo, no desenvolvimento dos processos do pensar, na formação da cidadania participativa e na formação ética (LIBÂNEO, 2015, p. 115).

Como o processo de desenvolvimento educacional mediado pela instituição de ensino engloba uma série de atividades intelectuais que estimulam diversas potencialidades da subjetividade do estudante, em suas dimensões culturais, societárias, políticas, psicológicas, axiológicas etc., é um absurdo o postulado da neutralidade do processo de transmissão de conteúdos pedagógicos, pois diversos valores e ideais se mesclam inevitavelmente nessa dimensão formativa. Oxalá a pretensão normativa da Escola sem Partido, apesar de seu profundo apelo nas camadas reacionárias da sociedade brasileira, se torne em breve apenas mais uma tenebrosa página virada de nossa trajetória educacional, mas para que tal superação se efetive é imprescindível que os professores, os estudantes e toda a sociedade civil comprometida com a democracia se unam em prol da defesa incondicional da educação livre das contingências reativas contrárias ao livre pensar.

A formação do educando pressupõe o debate acerca de todas as temáticas pertinentes na conjuntura sociopolítica em vigor. O lento processo de democratização social brasileiro, ainda que às duras penas, traz para a dimensão educacional a reflexão inevitável sobre as questões de gênero, sobre o caráter histórico da família, sobre a construção social da identidade, suprimindo os seus arcaicos traços metafísicos e atemporais que somente chancelavam o discurso unívoco favorável ao modelo de vida normativo dominante que impede o florescimento da diferença. Reflexão sobre temas imputados como socialmente polêmicos, como tabus milenares, não é doutrinação, o espaço educacional da análise crítica não pode ser controlado pela política do silêncio, que gera consenso não por convencer, por debater, por intercomunicar, mas por optar autoritariamente pelo vazio discursivo. Se porventura todos os temas considerados como tabus pelo status quo fossem descartados na dimensão educacional, científica e cultural acreditaríamos ainda ser a Terra uma estrutura plana e o centro do uni­ verso. Nessas condições, todo progresso técnico não apenas pressupõe progresso cultural, mas, acima de tudo, liberdade para reflexão, mesmo que tal exercício cultural afete as subjetividades pessoais refratárias a qualquer orientação axiológica divergente da sua. O respeito incondicional pela dignidade humana pressupõe a liberdade de expressão, desde que essa não atente contra a consciência de outrem, e a problematização de temas acerca de questões que não nos interessam ou das quais não concordamos não significa a violação de nossa dignidade pessoal se porventura estivermos no espaço por excelência para o debate amplo e irrestrito, o espaço educacional, e se também não ousarmos impor nossas convicções a outrem. O projeto da Escola sem Partido e seu histérico combate contra a dita doutrinação política sobre as subjetividades dos estudantes gera uma atmosfera de insegurança sobre a produção social do conhecimento na sua expressão educacional. É função pedagógica de cada educador instigar o desenvolvimento da consciência política em cada estudante, inclusive estimulando na prática a participação em eventos emancipatórios. Nessas condições, essa estultícia ideológica da Escola sem Partido é uma violação da consciência crítica do professor que ousa debater temas progressistas para os seus educandos justamente por impor como diretrizes normativas a exclusão de qualquer tema que seja contrário ao credo pessoal dos estudantes. Por conseguinte, tal projeto ideológico é que é a verdadeira instância assediadora, e não o contrário, tornando-se um perigo para a construção de uma sociedade democrática na sua luta contra o fascismo institucionalizado. A despolitização educacional empreendida pela Escola sem Partido visa subjugar as consciências subversivas, dominando-as para que aceitem docilmente o choque de ordem do autoritarismo do mercado e seu dispositivo destruidor dos direitos sociais adquiridos com luta e sangue dos cidadãos. Não é o professor o inimigo público número um, mas os empresários inescrupulosos, os lobistas, os políticos corruptos, os pastores-doutrinadores.

Terminamos assim o texto com as contundentes palavras de Paulo Freire: “A educação é um ato de amor, por isso, um ato de coragem. Não pode temer o debate. A análise da realidade não pode fugir à discussão criadora, sob pena de ser uma farsa” (FREIRE, 2006, p. 104).

GESTÃO E CARREIRA

A ARTE DE NEGOCIAR

Seja na disputa entre empresas, envolvendo milhões de dólares, em uma briga de crianças engalfinhando-se por um brinquedo ou numa guerra entre grupos étnicos em luta por um território, todos parecem ter a premissa de que um lado só vence se o outro perde. Em geral, porém, o maior inimigo não é o outro, mas sim nós mesmos.