PSICOLOGIA ANALÍTICA

COMO LIDAR COM O DIVÓRCIO

Equilíbrio, entendimento e amorosidade são fundamentais para um recomeço de vida depois da separação, por mais difícil que possa ser, pois se trata de uma fase delicada da vida da pessoa.

Como lidar com o divórcio

Mudamos muito a maneira de nos relacionar nos últimos anos, o sonho de um casamento para sempre está cada vez mais distante de fazer sentido diante do cenário atual. O divórcio, definitivamente, merece ser tratado como um processo mais natural, pois as estatísticas mais recentes mostram que um em cada três casa­ mentos termina em divórcio.

Como lidar com esse processo que a cada ano que passa vem se mostrando parte dos relacionamentos? É necessário encararmos esses índices com a grandiosidade com que eles se mostram. Em um momento de tanto conhecimento, tantas possibilidades, realmente não faz sentido seguir em um relacionamento no qual os casais juntos já não estão mais em conexão para somar em sua caminhada de vida.

Quando duas pessoas se casam estão em um momento de construção em conjunto e aprendizado. Com o passar dos anos essas mesmas pessoas já não são mais as mesmas que se uniram e nesse momento elas não têm mais a sensação de estar construindo. Passam a se anular dentro do relacionamento, o que era para ser uma soma vira um mar de críticas e cobranças. O divórcio pode ser, sim, uma maneira de resolver esse contexto e trazer um novo começo para as duas pessoas que não são mais um casal.

Perguntas do tipo como era a qualidade desse relacionamento quando ele se iniciou e como se encontra essa parceria agora podem trazer a clareza necessária para deixar de empurrar esse sofrimento e perceber que essa história já acabou há mais tempo do que você de fato percebeu.

O difícil dentro desse quadro é tomar a decisão do divórcio. Ele ainda chega com o sabor do fracasso, do relacionamento que não deu certo, das intermináveis culpas. Ainda precisamos conquistar a maturidade de olhar para o divórcio como um novo caminho e com o respeito que ele merece. As pessoas devem se divorciar com o mesmo amor e respeito que se uniram, com o mesmo entendimento em construir – só que, agora, caminhos separados. Dividir um lar com alguém, sonhos, filhos e projetos e depois esse alguém virar um mero desconhecido, ou um alvo de brigas in­ termináveis na justiça, parece não haver sentido ou congruência nesse processo.

Como lidar com o divórcio. 2

CORAGEM

É necessário ter coragem para rever um relacionamento e tomar a decisão do divórcio quando o relacionamento já não faz mais bem para as pessoas nele envolvidas. Vamos falar um pouco sobre coragem.

Nós sempre ouvimos o quanto é preciso ter coragem para vencer, coragem para tomar decisões, coragem para ser, mas, afinal, como ter coragem?

A nossa vida vai se construindo, às vezes, de forma tão automática que chega num ponto de não nos atender mais, não nos completar e não trazer felicidade. E preciso ter coragem para sair do automatismo em que vivemos. Ficamos muito mais em sonhos do que em prática. Sofremos por pensar o que poderia ser e não colocamos em prática para, efetivamente, ser. Como identificar isso?

O primeiro passo é querer viver e sentir algo diferente! Isso vale para diversos cenários, seja ele pessoal, conjugal, profissional, familiar etc. A vida cotidiana, muitas vezes, da forma como se apresenta, nos atende bem. Sendo assim, talvez a mudança não seja necessária, mas, se estou vivendo algo que não está me atendendo em algum nível, é preciso fazer uma mudança, e para tal é necessário ter coragem. Muitas vezes estamos tomados de uma sensação ou uma certeza, dentro de nós, de que as coisas podem ser diferentes, que existe um mundo melhor para se viver ou que existe um conceito melhor para se viver. Pensamos isso e não buscamos a prática. Ou seja, quanto mais insatisfeitos nós ficamos, mais complicado torna-se o olhar para que isso possa ser real um dia, e fica cada vez mais difícil acreditar que essa mudança possa existir.

Quanto maior a insatisfação, maior o aprisionamento em nossa mente!

O universo tem todas as possibilidades. Através da Física Quântica, percebemos e aprendemos que o aprisionamento de cada um – seja pela família, religião, criação etc. – vem da história de cada um, nasce e corre durante a vida. A escolha de deixar de olhar a história como prisão é parte de cada um. Nos ligar com o universo, com um fluxo, com o todo e buscar dentro da verdade de cada um o que é necessário sentir em cada história que, de repente, não está mais atendendo aquilo que se acreditava quando deu início a cada situação específica.

No caso do divórcio, não é porque um casamento acaba que quer dizer que deu errado. Ele durou e deu certo no tempo que tinha que acontecer. Nós temos o hábito de invalidar aquilo que, em algum momento, não saiu como a gente esperava. Se dentro dessa pessoa o casamento dela acabou, como ela pode desejar continuar com um parceiro, que pode querer prosseguir ao lado dela ou não, se dentro dela isso não existe mais?

Normalmente, o casamento acaba muito antes da materialização do divórcio em si. Ele acaba e, claro, as pessoas tentam se entender, recomeçar, se ajustar, se reconectar, até que chega o momento que realmente termina em divórcio.

O momento pós-divórcio percorre as cinco fases do luto, pois junto com o divórcio acontece a morte de uma história que não existe mais, de planos que deixaram de caminhar em conjunto. Essas fases são descritas na literatura pela autora Elisabeth Kubler-Ross. Essas fases não acontecem necessariamente nessa ordem. Podem acontecer em ordem alternada, podem, inclusive, ocorrer todas as fases em um único dia. São elas:

FASE DA NEGAÇÃO – Nesse período é difícil admitir o sofrimento vivido naquele exato momento. As pessoas se encontram em uma perspectiva de olhar e ter a sensação de que está tudo bem, que esse momento faz parte da vida, e ainda não olham a profundidade da dor e da mudança que está sendo vivida.

FASE DA RAIVA – Essa fase está repleta de julgamentos e mágoas. Nesse momento há uma grande cobrança do ex­ casal, em se achar culpados, buscar os erros, uma fase de colocar a raiva para fora sobre toda a parte da história que não deu certo, tentando encontrar as respostas para aquilo que já não existe mais: o relacionamento em si.

FASE DA BARGANHA – Nesse momento há uma necessidade de se retomar a relação, de conversar com as pessoas mais próximas, de reatar a história aceitando qualquer chance de voltar a viver aquela história, como se toda aquela dor já não existisse mais. Nessa hora as pessoas, na tentativa de fazer a relação sobreviver, se submetem mesmo que não concordem mais em vários pontos, como se a única chance de viver com alguém fosse reatar o relacionamento.

FASE DA DEPRESSÃO – Nesse momento as pessoas vivem um grande sentimento de derrota pela relação que acabou. A angústia e o medo ficam enormes, e elas sentem que a vida acabou para pensar em novos relacionamentos.

FASE DA ACEITAÇÃO – É quando, de fato, se aceita o que aconteceu, se aceita que o relacionamento acabou e que a vida continua, e que, sim, é possível ter uma vida após o divórcio, inclusive pensar em outro relacionamento.

Devemos lidar com o divórcio com o mesmo carinho e respeito com que o relacionamento começou. Nesta vida tudo tem começo, meio e fim, e sempre tem alguém ao nosso lado para passar os momentos difíceis e nos apoiar. Sermos gratos à oportunidade de termos nos envolvido e compartilhado um tempo de nossas vidas com outra pessoa é fundamental para seguirmos inteiros. Cada vez que se invalidam a escolha e o parceiro é uma maneira de se auto invalidar e ficar pequeno dentro de sua história.

Ficar preso ao parceiro após o divórcio, descontando sobre ele atitudes com que não concorda, fazendo provocações, mantém você preso nessa história como se ela ainda fosse real, e a vida não segue seu fluxo e movimento. É como continuar no relacionamento – só que, agora, do lado de fora.

As sensações de fracasso e de lamentação vêm, geralmente, acompanhadas de histórias que contamos para nós mesmos. Contamos para nós mentiras sobre o que vivemos e sobre como seria a história se ela ocorresse de uma maneira ou de outra. Boa parte desse sentimento e dessas suposições não é real, pois é baseada em hipóteses que nunca foram vividas de fato.

Como lidar com o divórcio. 3

PERIGO

O nosso cérebro de sobrevivência, parte do cérebro denominada cérebro reptiliano, funciona em alta velocidade para nos salvar das situações de risco. No caso do estresse é nesse local do nosso cérebro que permanecemos a maior parte do tempo. Quando o relacionamento acaba trazendo dor e tristeza, nosso cérebro busca encontrar os pontos que deram errado para nos proteger, inclusive de novas histórias que venhamos a viver. Nesse momento ficamos com pensamentos repetitivos, buscando os pontos de falha no nosso comportamento e do outro, como se fosse possível corrigir a história. Acontece que para o cérebro, a cada momento que pensamos nessa história e nessas falhas, ele tem a percepção de realidade, pois todo pensamento que temos o cérebro interpreta como real. A partir desse mecanismo, o número de vezes que se pensa nessa dor é como se você estivesse vivendo a mesma história repetidas vezes, trazendo mais e mais dor. Nesse momento, nesses pontos de erro ao longo de sua história, é que a pessoa começa a buscar saída olhando para o passado, e isso só piora a situação.

Começa a encontrar a saída melhor se tivesse se envolvido com outra pessoa e nunca iniciado esse casamento. Começa a buscar em todos os outros relacionamentos que teve o que pretendeu viver e imaginar histórias nas quais seria mais feliz se fossem reais. Ficando, assim, aprisionada em um tempo passa­ do e sofrendo, sem trazer a vida para o momento presente.

Não é possível colocar o nosso valor e a confiança que temos em nós mesmos na mão do outro que não está mais ao seu lado nem na de qualquer outra pessoa, a não ser você mesmo. Como podemos colocar o nosso valor de vida e de estima em outra pessoa, como se ela tivesse a chave de fazer com que a gente sinta que a nossa vida vale a pena ou não vale a pena?

Tem um outro aspecto importante para abordarmos neste artigo que é lidar com a frustração da expectativa e da opinião das pessoas que vivem ao nosso redor. Pensamentos comuns para essa fase: o que vão pensar essas pessoas agora que me divorciei? ; ou ainda: como vou me sentir parte de um grupo já que todos os meus amigos são casados?, entre outros diversos pensamentos e medos de não pertencer ou ter falhado sobre a história que foi desenhada para você viver. Também da parte de quem ficou bem com o divórcio, os pensamentos de culpa por ter feito mal e ter trazido prejuízo à vida da outra pessoa, que não superou o fim do relacionamento.

Uma reflexão importante para esse ponto é que a vida flui de você, a partir de você para fora de você. Assim que você estiver mais confortável com o seu processo e recuperar a sua autoestima, todas essas questões serão prontamente bem resolvidas por você. O mundo se mostra para você como um reflexo do que você traz para ele. Nesse momento é de extrema importância retomar a confiança em quem você é e ainda confiar que a vida está a seu favor e não contra você.

A vida segue no presente, e nesse tempo em que ela flui, essa inconformação e aprisionamento no tempo passado não colaboram para que a vida siga seu fluxo saudável e se vivenciem novas conexões. Ouvir amigos, parentes e pessoas que conviviam com o casal, desabafar e receber conselhos podem trazer conforto para essa fase. Mas lembre-se sempre que essa é a sua história de vida, o seu momento, e não são as outras pessoas que estarão vivendo esse processo por você. Pense sempre antes de tomar ações intempestivas que possam gerar mais frustração e arrependimento em um momento que já é por si só tão delicado.

Como lidar com o divórcio. 4

AMIZADE

Desenvolver uma amizade com aquele que foi um dia seu parceiro ou parceira, se possível, pode trazer conforto e atenção de vocês dois como parte importante um da história do outro. Se a amizade não for possível, fique com o carinho do que a história representou e siga em frente.

No caso dos filhos precisamos lembrar que a família permanece. O papai e a mamãe continuam tendo seu papel e irão conviver para sempre nesse posto juntamente com os filhos que fizeram juntos. Mais um bom motivo para trazer respeito e amorosidade ao divórcio. Quem são os filhos senão a soma do melhor de cada um dos pais e ainda geneticamente trazem de fato os 50% de cada um com eles?

E de nada adianta se divorciar eco­ locar os filhos no meio dessa história, para que eles sintam a insatisfação do papel do pai ou da mãe. Essa insatisfação é do ex-casal e faz parte da história que os adultos viveram, colocar os filhos no meio desse processo só trará mais confusão para todos, e ainda filhos inseguros em lidar com essa nova dinâmica familiar.

Seguir com brigas após o divórcio, como, por exemplo, sobre o horário combinado dos filhos e visitas, de situações que cada um reprova, e observar os erros do papel de pai e mãe que cada um está desempenhando também não somarão nada ao processo. Nesse momento é importante manter a união enquanto pais em situações de cuidado com os filhos e as intervenções necessárias para que os filhos se sintam ama­ dos, amparados e cuidados. Apontar os erros dos papéis de pai e mãe e criticar esses papéis para os filhos só trarão mais dor a todo o processo que a família está vivendo.

Após o divórcio, as pessoas saem machucadas demais e pela metade de seus processos. Já se viveu tanto uma história a dois, o passar do tempo, que muitas vezes perderam a sua individualidade e não se lembram quem são por inteiro. Muitas vezes, as pessoas se perdem em uma simbiose dentro de um relacionamento e o pavor que vivem quando acaba a história, num primeiro momento, chega a ser maior do que arrastar uma história que você sabe que não tem mais futuro e não funcionava mais de maneira saudável.

Como lidar com o divórcio. 6

SEM MODO PAUSA

A vida anda para frente o tempo todo, ela não tem modo pausa, e dedicar os próximos momentos de vida a sofrer pela história que já acabou só trará mais dor e mais tristeza. Nesse movimento da vida para frente, a única certeza que encontramos é que ela segue adiante, com todas as possibilidades de acontecer todos os dias. O mundo tem cerca de sete bilhões de pessoas com histórias muito diferentes umas das outras. Comemore o que você viveu de feliz nessa história de amor e siga adiante carregando os bons momentos no seu coração.

Um caminho a ser trilhado nesse momento que, com certeza, fará muito bem é a busca de se estar por inteiro. Ser verdadeiro com você e não abrir mão de quem você é certamente trarão a você uma satisfação de viver sua vida estando por inteiro.

Antes mesmo de se iniciar uma nova história de amor é fundamental que você se lembre de quem você era antes desse relacionamento, e que descubra quem você é agora. O que esse relacionamento trouxe de maturidade, clareza e aprendizado, e nesse momento atual da sua vida e da sua trajetória, quem é você! Quais os seus anseios, desejos, metas, e encontrar um novo propósito para auxiliar você a direcionar seus próximos passos. Um propósito seu, sem colocar a sua vida em função da perspectiva e busca de uma outra pessoa, nesse momento um olhar gentil e amoroso para você. Traga de volta para você a coragem, a mesma coragem que o colocou em algum momento a ver que aquele casamento não fazia mais sentido, traga a coragem de ser você como você é, e receba o seu amor por você por toda a sua trajetória até esse momento. Comemore as suas vitórias e planeje novas conquistas para sua vida daqui para frente.

Desenvolver o amor-próprio nessa fase é um aprendizado transformador e altruísta, pois quando você passa a se perceber e a gostar de quem você é, disponibiliza esse amor às outras pessoas. Nesse momento você encontra um novo sentido e deixa de olhar o outro como alguém a quem você entrega o poder de fazê-lo feliz, e você descobre que pode ser feliz sendo quem você é, e ainda se conectar a um novo relacionamento para sentir e viver essa felicidade, cada um estando por inteiro e não buscando alguém para cicatrizar as suas feridas. Esse processo de autoconhecimento leva a um encontro mais maduro dentro de você mesmo, com tudo o que a vida reserva para você viver. Acabou um relacionamento, uma maneira de se relacionar, e se abre uma vida para crescer e ampliar a maneira de se perceber, para, inclusive, viver uma nova história de amor.

Como lidar com o divórcio. 7 

O LUTO PÓS DIVÓRCIO

Elisabeth Kubler-Ross (1926-2004) relaciona do divórcio com o luto, pois nele acontece a morte de uma história de amor. A psiquiatra ganhou notoriedade no assunto após lançar o livro On Death and Dying (Sobre a morte e o processo de morrer), em 1969, no qual ela apresenta o conhecido “modelo de Kubler-Ross”. A obra marcou o rumo de seu trabalho. Ela identifica fases nos períodos que antecedem a morte e cria métodos para médicos, enfermeiros e familiares acompanharem e ajudarem um paciente terminal.   

Como lidar com o divórcio. 8

CÉREBRO REPTILIANO

É conhecido como sendo a parte “mais instintiva do cérebro humano”. É responsável por inúmeras decisões inconscientes, com o objetivo principal de satisfazer as nossas necessidades básicas como reprodução, dominação, autodefesa, medo, fome, fuga, entre outras. É nessa área que ocorrem os processos automáticos, como respiração e a manutenção do ritmo cardíaco. Localiza-se no tronco encefálico, no diencéfalo e nos gânglios da base.   

Como lidar com o divórcio. 9

RELAÇÃO ENTRE FÍSICA QUÂNTICA E ESPIRITUALIDADE É POLÊMICA

A Física Quântica é um campo da ciência que busca estudar fenômenos que ocorrem com as partículas atômicas e subatômicas, ou seja, que são iguais ou menores do que os átomos, como os elétrons, os prótons, as moléculas e os fótons. Não há condições de estudo dessas micropartículas pela Física Clássica, pois não são influenciadas pelas leis que a compõem, como gravidade, inércia etc. Também conhecida como mecânica quântica, surgiu no início do século XX, sendo o físico Max Planck (1858-1947) um de seus pioneiros. Contudo, foi Albert Einstein que batizou a equação de Planck de quantum (palavra latina que significa “quantidade”). A relação entre a Física Quântica e a espiritualidade é polêmica, pois reside no debate entre dois núcleos bem distintos sendo um formado pelos que acreditam na influência quântica no plano espiritual e outro pelos que negam totalmente o uso da mecânica quântica como modo de explicar a espiritualidade. Para os que defendem a existência de uma relação entre ambas, a força do pensamento humano poderia exercer um grande poder sobre a realidade individual de cada pessoa, sendo ela, com as corretas indicações, capaz de mudar o mundo ao seu redor.

Como lidar com o divórcio. 5

OUTROS OLHARES

TRÊS MANEIRAS DE REDUZIR O USO EXCESSIVO DO CELULAR

Três maneiras de reduzir o uso excessivo do celular

ESTABELECER METAS

Ashley Whilians, pesquisadora de ciências comportamentais da Harvard Business School testou quais aplicativos são eficazes em otimizar o tempo que se passa ao celular. Apps como Flipd, Moment e Offtime permitem que o usuário crie meias diárias de tempo de permanência em aplicativos e receba avisos quando o período estiver prestes a expirar. No caso do Flipd, se a meta para uso de um app for atingida, ele será bloqueado – e assim permanecerá, mesmo que o aparelho seja reiniciado.

 

BANIR APLICATIVOS EM HORÁRIOS IMPRÓPRIOS

O Freedom bloqueia redes sociais e jogos durante um período predeterminado – proibição que pode ser estendida a computadores e tablets conectados ao mesmo usuário.

Já o Ransomly oferece um dispositivo Bluetooth que restringe, em um espaço físico, o uso de aplicativos por aparelhos conectados à sua rede. Sincronizado com um relógio esportivo, o Ransomly também bane apps até que a meta de exercícios do dia seja atingida.

 

 CRIAR “CASTIGOS”

Segundo Ashley, as ciências comportamentais mostram que o risco de perda tende a motivar mais um indivíduo do que a perspectiva de ganhos. Por isso há aplicativos como o Beeminder, que atua no controle de vícios mais extremos. Associado a um cartão de crédito, o app cobra automaticamente multas a partir de 5 dólares por descumprimento de metas de uso do celular. A primeira derrapada, contudo, é grátis.

 

GESTÃO E CARREIRA

QUANDO MORRE A CRIATIVIDADE?

Apenas 25,6% dos entrevistados em pesquisa afirmaram que as empresas incentivam a criatividade.

Quando morre a criatividade

“Um profissional criativo e um projeto inovador na minha mesa até o fim do dia, por favor!” – Uma frase que parece um tanto quanto descabida, mas vivendo em um mundo VUCA (volátil, incerto, complexo e ambíguo) o timing de execução dos projetos está cada vez menor, e as demandas por soluções cada vez mais inovadoras e criativas estão cada vez mais rápidas e dinâmicas.

Diante dessa verdadeira pressão criativa, alguns profissionais estão insatisfeitos com o trabalho que vem fazendo e com o resultado que estão entregando. No meio dessa busca para descobrir o que está matando a criatividade, às vezes o grande vilão é o ambiente da empresa.

CENÁRIO DA CRIATIVIDADE

Uma pesquisa realizada pela Agência “Insperiência”, para saber o quanto o as empresas têm demandado de criatividade, e o quanto as pessoas acham que o ambiente de trabalho influencia na rotina criativa, mostrou que das 121 respostas apenas 5% não se consideram profissionais criativos, e mais da metade (59,5%) afirmaram que as empresas pedem para que sejam criativos ou tragam soluções criativas.

Mesmo com mais da metade das pessoas pesquisadas sendo demandadas por criatividade, apenas 25,6% afirmaram que as empresas incentivam a criatividade e só 19% inspiram as pessoas a serem criativas.

LIBERDADE E CONFIANÇA NO AMBIENTE DE TRABALHO

Ainda na pesquisa, quando questionamos as pessoas sobre o que elas achavam que deveria mudar nas empresas para criar um ambiente criativo, algumas respostas chamaram a nossa atenção:

“Deixar os profissionais exercerem sua função sem ficar determinando tudo o tempo todo sem dar autonomia.”
“Dar a devida liberdade pra a efetividade das ações”;
“Dar autonomia para seus líderes”;
“Dar liberdade para criação”;
“Dar autonomia e não matar ideias”.

Em seguida, a pesquisa questionou se as empresas dos pesquisados davam liberdade para elas, e menos da metade (só 47,9%) responderam que sim. Entretanto, um pouco mais de 60% afirmou que a empresa confia no trabalho que exercem.

CRIATIVIDADE X LIBERDADE

A criatividade vem da liberdade e da ação de propor novas soluções para algum problema de formas que ainda não foram exploradas. Se um gestor deseja que sua equipe seja criativa, ele tem que dar espaço e liberdade para que o time teste suas ideias e explore repertórios. Dessa forma, alguns métodos de gestão como o micro gerenciamento, o planejamento minucioso de cada minuto do seu dia, pode ser um veneno para a mente criativa.

Ainda relacionada à liberdade, outra mentalidade que acaba prejudicando a criatividade no trabalho é a cultura de não se arriscar e condenar o erro. Se apegar aos modelos antigos pode até evitar que erros aconteçam, mas se os funcionários sempre permanecerem limitados no trabalho, então a criatividade estará sendo restringida.

COMO CRIAR UM AMBIENTE PARA ESTIMULAR A CRIATIVIDADE

Na visão de André Barros, um dos criadores do Desimpedidos – maior canal de futebol do Youtube no mundo -, para criar um ambiente criativo, liberdade e confiança são ingredientes essenciais. “A confiança influi diretamente na liberdade para criar um ambiente inovador. A partir do momento em que as pessoas têm responsabilidade e se sentem responsabilizadas, elas tendem a ter mais atenção e mais carinho com o que está sendo feito”.

ALIMENTO DIÁRIO

PROVÉRBIOS 6: 6-11

Pensando biblicamente

A preguiça é reprovada

 

Nestes versículos: Salomão se dirige ao preguiçoso que ama a sua tranquilidade, vive em ociosidade, não se importa com nada, não se dedica a nada, não realiza nada, e, de uma maneira particular, é descuidado com a religião. A preguiça é um caminho tão garantido para a pobreza, embora não igualmente curto, como a fiança impensada. Aqui, Salomão fala ao preguiçoso:

 

I – Sob a forma de instrução (vv. 6-8). Ele o envia à escola, pois os preguiçosos devem estudar. Ele vai levá-lo pessoalmente à escola, pois, se o aluno não se esforça, o mestre deve se esforçar mais; o preguiçoso não está disposto a ir à escola com ele (os estudantes adormecidos nunca amarão os professores despertos). e por isto o professor encontra outra escola, tão inferior como poderia desejar. Observe:

1. O mestre para cuja escola ele é enviado: “Vai ter com a formiga”, com a abelha, segundo a Septuaginta. O homem é ensinado mais do que os animais da terra, e é feito mais sábio do que as aves do céu, mas ainda assim é tão degenerado, que pode aprender a suposta “sabedoria” a partir da mais inferior das seitas, e ser envergonhado por isto. Quando observamos as maravilhosas sagacidades das criaturas inferiores, devemos não somente dar glória ao Deus da natureza, que as fez desta maneira especial, mas receber instruções para nós mesmos; ao espiritualizar as coisas comuns, podemos tornar as coisas de Deus fáceis e disponíveis para nós, e conviver com elas, diariamente.

2. A aplicação de mente que é exigida para aprender com este mestre: Olha para os seus caminhos. O preguiçoso é preguiçoso porque não considera; e nós jamais aprenderemos, com nenhum propósito, quer pela Palavra ou pelas obras de Deus, a menos que nos dediquemos a considerar. Particularmente, se desejarmos imitar os outros no que é bom, devemos considerar os seus caminhos, observar diligentemente o que eles fazem, para que possamos agir da mesma maneira (Filipenses 3.17).

3. A lição que deve ser aprendida. Em geral, aprenda sabedoria, considere, e seja sábio; isto é o que devemos almejar, em todo o nosso aprendizado. Devemos não somente ser conhecedores, mas ser sábios. Em particular, aprenda a conseguir alimento no verão; isto é:

(1) Nós devemos nos preparar para o futuro, e não nos importar somente com o tempo atual, não comer tudo, sem armazenar nada, mas no tempo da colheita armazenar para um tempo em que venhamos a precisar consumir as nossas reservas. Temos que ter esta providência em relação aos nossos assuntos terrenos, não com cuidado ansioso, mas com previsão prudente; guardar para o inverno, para as dificuldades e as necessidades que poderão sobrevir, e para a velhice; muito mais devemos fazer nas questões que envolvem a nossa alma. Nós devemos prover alimento, aquilo que é substancial e que nos manterá no lugar, e de que mais precisaremos. Ao desfrutarmos os meios da graça, devemos fazer uma provisão para as ocasiões em que possivelmente soframos a falta deles na vida, ou próximo da nossa morte; e, a cada dia também devemos fazer a nossa provisão para a eternidade; no estado de provação e preparação, devemos prover para o estado da retribuição.

(2) Devemos nos esforçar, e nos empenhar nas nossas atividades, ainda que seja em meio a inconveniências. Mesmo no verão, quando o clima é quente, a formiga está ocupada, ajuntando e guardando alimento, e não estará à vontade, nem se divertirá como o gafanhoto que canta e se diverte no verão, e então morre no inverno. As formigas se ajudam umas às outras; se uma delas tem um grão de cereal grande demais para levar para casa, suas vizinhas vêm em sua ajuda.

(3) Nós devemos aproveitar as oportunidades, devemos ajuntar quando é o momento, como a formiga, no verão, e colher, no momento adequado. É sábio de nossa parte aproveitar a estação em que somos favorecidos, porque durante este período pode ser feito o que não pode ser feito, ou pelo menos, não bem feito, em outra ocasião. Ande enquanto você tem a luz.

4. As vantagens que temos no aprendizado deste ensinamento, acima das vantagens da formiga, agravam a nossa preguiça e negligência, se desperdiçarmos o nosso tempo. Ela não tem “superior, nem oficial, nem dominador”, mas faz tudo por si só, seguindo o instinto da natureza – e isto traz ainda mais vergonha para nós que não seguimos os ditames da nossa própria razão e consciência, embora, além de todos os homens, tenhamos pais, mestres, ministros, magistrados, para nos lembrar do nosso dever em relação a Deus. para nos repreender pela negligência a este dever, para nos incentivar a ele, para nos orientar nele, e para nos pedir explicações por ele. Quanto maior a ajuda que tivermos para operar a nossa salvação, mais indesculpáveis seremos, se a negligenciarmos.

 

II – Sob forma de repreensão (vv. 9-11). Nestes versículos:

1. Ele protesta contra o preguiçoso, repreendendo­ o e argumentando com ele, chamando-o para o seu trabalho, como um senhor faz com o seu servo que dormiu demais. “Ó preguiçoso, até quando ficarás deitado?” Por quanto tempo ainda dormirás? “Quando te levantarás do teu sono?” Os preguiçosos elevem ser despertados com as palavras “quanto tempo?” Isto é aplicável:

(1) Aos que são preguiçosos no caminho do trabalho e do dever, nos deveres de seu chamado particular, como homens, ou no seu chamado geral, como cristãos. Por quanto tempo desperdiçarás o teu tempo, e quando o administrarás melhor? Por quanto tempo amarás o teu descanso, e quando aprenderás a negá-lo a ti mesmo, e a fazer esforços? Por quanto tempo enterrarás os teus talentos, e quando começarás a negociar com eles? Por quanto tempo irás adiar, e postergar, e desperdiçar as tuas oportunidades, como alguém que não se importa com o futuro? E quando te estimularás a fazer o que tens que fazer, e que, se não for feito, te deixará destruído para sempre?

(2) Aos que estão seguros no caminho do pecado e perigo: Não dormiste o suficiente? Já não vai alto o dia? Teu Mestre não te chamou? Os filisteus não te estão perseguindo? Quando, então, te levantarás?

2. Ele expõe as frívolas desculpas que o homem apresenta, e mostra como este se torna ridículo. Quando ele desperta, ele se estica, e implora, como quem pede esmola, mais sono, poder dormir mais; ele está bem, na sua cama quente, e não consegue suportar a ideia de se levantar, e particularmente, levantar-se para trabalhar. Mas. observe que ele promete, a si mesmo e ao seu mestre, que deseja apenas um pouco mais de sono, e então se levantará e cuidará dos seus negócios. Mas nisto ele se engana; quanto mais tempo uma disposição preguiçosa for tolerada, mais prevalecerá; ainda que durma mais um pouco ele continua com a mesma melodia, ainda pede um pouco mais de sono, um pouco mais; nunca pensa que já foi o suficiente, e ainda assim, quando chamado, finge que virá imediatamente. Assim a grande obra do homem não é concluída, por ser adiada um pouco mais, e eles são roubados, sim, todo o seu tempo é roubado à medida que são roubados momento a momento. Um pouco mais de sono acaba sendo um sono eterno. Dormi agora, e repousai.

3. Ele lhe dá um aviso sobre as consequências fatais da sua preguiça (v 11):

(1) A pobreza e a necessidade certamente sobrevirão aos que são preguiçosos em seus negócios. Se os homens negligenciarem seus negócios, não somente deixarão de seguir à frente, como começarão a ir para trás. Aquele que deixa seus interesses em desordem, logo os verá destruídos, e perderá seu dinheiro. A pobreza espiritual sobrevém aos que são preguiçosos no serviço de Deus; a eles, faltará azeite, quando tiverem necessidade de usá-lo, para suas lâmpadas.

(2) Ela virá silenciosamente e imperceptivelmente, crescerá em ti, e virá, passo a passo, como um ladrão, mas sem dúvida chegará, no final. Ela te deixará tão nu como se tivesses sido despido por um ladrão de estrada.

(3) Virá irresistivelmente, como um homem armado, a quem não poderás apresentar oposição, nem derrotar.