PSICOLOGIA ANALÍTICA

A FRAGILIDADE DA EMPATIA

Estudo comprova que são muitos os meios de induzir a desumanização e de permitir que preconceitos sejam construídos, reforçados e manifestados.

A fragilidade da empatia

A cena de alguém sofrendo – mesmo sendo um desconhecido em um filme de ficção – provoca uma ativação do network relacionado à dor em nosso cérebro. Se nossa espécie evoluiu para sentir a dor do outro, como permite a banalização da violência em determinadas situações e momentos da história? Permite porque, primeiro, desumaniza o outro. E desumaniza se diferenciando dele de alguma forma.

Para testar se a resposta empática à dor de alguém apresenta variação conforme nosso julgamento sobre essa pessoa, o neurocientista David Eagleman analisou a atividade neural dos participantes de um estudo em que foram apresentadas imagens de mãos, selecionadas de forma aleatória, sendo furadas. Cada mão trazia um rótulo: cristão, judeu, muçulmano, ateu, hindu e cientologista. Bastou uma única palavra para que os participantes inconscientemente decidissem quem era de sua tribo e se tornassem menos sensíveis à dor dos demais. A diferença foi observada até mesmo entre ateus.

Essas pessoas não estão necessariamente conscientes de seu preconceito. E a identificação de quem é de sua tribo ou é de fora ocorre a partir de uma série de atributos que podem passar longe de crenças religiosas. A tendência a buscar o amparo e aceitação de um grupo e de se distanciar do sofrimento dos que são “diferentes” pode ser construída ou desconstruída pela cultura e pelo meio social. E de uma forma surpreendentemente rápida.

Vejam o caso da lição que uma professora de uma cidadezinha de Iowa, nos Estados Unidos, levou aos seus alunos no final da década de 1960, logo após o assassinato de Martin Luther King: ela determinou que crianças de olhos castanhos, a partir daquele dia, não teriam mais o direito de usar os bebedouros, teriam que usar uma faixa branca no pescoço e não poderiam mais brincar com os colegas de olhos azuis. Não demorou para que crianças de olhos claros, sentindo-se superiores e apoiadas por uma autoridade, começassem a destratar as do outro grupo, com as quais brincavam minutos antes.

No dia seguinte, a professora pediu que os de olhos castanhos retirassem as faixas e as colocassem nas crianças de olhos azuis, que perderiam o direito de usar os brinquedos do parque e teriam cinco minutos a menos de recreio. Agora era a vez daqueles com olhos claros encolherem-se ao perceber que estavam de fora do grupo dominante e que rejeição provoca dor e revolta.

As crianças haviam dito à professora que podiam entender a injustiça vivida por outros. Com o exercício de troca de perspectiva, ela mostrou a eles que entender é diferente de sentir na pele, e que empatia é algo que pode ser exercitado – assim como a desumanização dos que não fazem parte do seu grupo. Se a professora realmente beneficiasse um perfil de alunos, estaria moldando mentes preconceituosas e dando a eles o direito de agir com superioridade.

Autoridades servem como exemplo de conduta e por isso devem ter consciência da responsabilidade que têm sobre o comportamento dos outros. Viver em sociedade implica em reprimir certos impulsos, pensar antes de falar, colocar-se em diferentes perspectivas e olhar para o coletivo.

O respeito às diferenças, a postura ética e o autocontrole são capacidades aprendidas muitas vezes a duras penas, durante interações sociais com pessoas de diferentes costumes, idades e ideologias. Quando essas virtudes não estão bem construídas, mais vulnerável se fica às influências de uma autoridade e de um grupo; mais se buscam definições, separações e formas de mostrar sua suposta supremacia; mais facilmente se perde a empatia pelos “de fora”.

O comportamento dos grupos ao ganharem o direito de julgar um ao outro não seria diferente se a sala de aula de Iowa fosse composta por adultos. É possível que fosse pior, como mostrou um dos experimentos comportamentais mais impactantes da Psicologia, realizado na década de 1970 com estudantes de Stanford. Conduzido por Philip Zimbardo, o estudo teve por objetivo analisar os efeitos psicológicos do ganho ou da perda de poder. Para isso, simulou um ambiente carcerário e dividiu os participantes entre guardas e prisioneiros.

O estudo, que estava previsto para ocorrer ao longo de duas semanas, teve que ser interrompido em seis dias, tamanha a brutalidade com que muitos supostos guardas tratavam seus colegas. Os prisioneiros, de acordo com o estudo, logo mostraram resignação com relação ao seu papel menos importante naquele microcosmo social. Os poucos que se revoltavam contra os abusos de autoridade eram julgados pelos próprios colegas. Assim como as crianças, começaram a maltratar outras pessoas logo que sentiram que, de certa forma, tinham permissão para isso.

Essas tendências perigosas de comportamento também foram investigadas pelo psicólogo Stanley Milgram. Na sua experiência mais famosa, constatou que, quando incentivadas por uma autoridade, as pessoas, mesmo relutantes, são capazes de infligir aos outros sofrimentos brutais. Sem considerar que não estavam sendo obrigados, e sim comandados, os participantes agiram como se a responsabilidade pelos atos não fosse deles. Eram apenas instrumentos; estavam apenas seguindo ordens.

Essa transferência de responsabilidade explica, segundo Milgram, atrocidades cometidas por pessoas comuns em períodos de guerra. Mostra também o lado perigoso da obediência e resignação e a fragilidade dos princípios éticos que norteiam nossos atos em inúmeras outras situações.

A única proteção contra essas influências é a educação voltada ao desenvolvimento da autoconsciência e do pensamento crítico, em que haja mais questionamentos (especialmente autoquestionamentos) e menos convicções.

OUTROS OLHARES

MAIS SAÚDE EM CADA GOLE

A busca dos consumidores por bebidas saudáveis atrai gigantes como Coca-Cola e Danone. Chás, sucos naturais, e bebidas gaseificadas com frutas ocupam o espaço aberto pelo declínio nas vendas de refrigerantes.

Mais saúde em cada gole

Nos últimos anos, a vida ficou mais difícil para as fabricantes de refrigerantes. Nos Estados Unidos, o maior mercado do mundo para esse tipo de bebida, a crescente preocupação com problemas de saúde, como obesidade e diabetes, fez com que as vendas desses produtos – considerados por alguns como “o novo tabaco” – caíssem em 2017 pelo 13° ano seguido. No Brasil, a situação não é diferente. De janeiro a outubro deste ano, o volume de refrigerantes vendidos no país diminuiu quase 4% em relação ao mesmo período do ano passado. Enquanto isso, as vendas de sucos prontos e chás cresceram, respectivamente, 2% e 6%. “A cesta de bebidas não alcoólicas vem diminuindo, puxada pelo desempenho de refrigerantes que representam 80% do total. As categorias que têm crescido são as que oferecem menos danos à saúde”, diz Thiago Torelli, diretor da área de bebidas da consultoria Nielsen. O segmento de bebidas saudáveis, do qual fazem parte desde produtos naturais até versões com menos açúcar cresceu 73% em valor desde 2013 – o faturamento neste ano deverá chegar a 32 bilhões de reais. Ao que parece, a tendência não é passageira. A consultoria Euromonitor prevê um crescimento de 30% no mercado nos próximos cinco anos. “O sobrepeso atinge mais da metade da população brasileira, diz Angélica Salado, analista sênior da Euromonitor. “Nesse cenário, aumenta o interesse do consumidor por produtos com apelo saudável.”

De olho nessa tendência. alguns gigantes do setor de alimentos e bebidas começaram a se mexer para atrair consumidores que gostam de refrigerantes, mas buscam opções mais saudáveis. De setembro para cá, a francesa Danone e a americana Coca-Cola lançaram produtos naturais desenvolvidos para o mercado brasileiro. As bebidas são à base de água gaseificada e suco de fruta, sem adoçantes nem conservantes. Para os lançamentos, as companhias criaram novas marcas. Na Coca-Cola, a bebida com três opções de sabor leva o nome de Yas. Na Danone, há dois sabores para esse tipo de bebida e duas opções de chá com frutas sob o nome 4U. “Podemos dar escala e acelerar o crescimento de um segmento que hoje é um nicho’, diz Rafael Ribeiro, diretor de marketing da Danone Águas Brasil.

Os produtos das multinacionais chegam para disputar um segmento de bebidas que parecem refrigerantes, mas que tecnicamente não são consideradas como tais, uma vez que não incluem adoçantes na formulação. É um nicho que, até agora; vinha sendo explorado por pequenas fabricantes. Um exemplo é a paulista Natural One, do empresário Ricardo Ermírio de Moraes, um dos herdeiros do Grupo Votorantim. Ela surgiu em 2014 com a proposta de vender sucos 100% naturais. Na época, o segmento representava 5% do mercado de sucos prontos para beber no país. Hoje a fatia é de 30%; e a Natural One é a líder. O crescimento do negócio chamou a atenção da Gávea Investimentos: no final do ano passado, a gestora comprou 49,9% de participação na Natural One. Para atrair novos consumidores, a companhia aumentou a verba de marketing em 150% neste ano. Convidou 600 nutricionistas e nutrólogos para conhecer sua fábrica no interior de São Paulo, colocou informações nutricionais mais claras no site e nas redes sociais e participou de feiras do setor. O objetivo das ações foi enfatizar que o produto é 100% natural. “As pessoas se interessam pelos rótulos, mas não sabem diferenças técnicas entre sucos naturais e os adoçados artificialmente’, diz Rafael Ivanisk Oliveira, presidente da Natural One.

A estratégia da empresa é ampliar a participação no mercado não apenas com o lançamento de novos sabores de sucos, mas também com a diversificação de produtos – hoje, oferece 26 opções aos consumidores. Em agosto, por exemplo, lançou quatro sabores de smoothies, uma mistura de frutas e cereais. “Procuramos ampliar os momentos em que podemos estar com o cliente”, diz Oliveira. O mesmo caminho tem seguido a paranaense Campo Largo. A marca de bebidas não alcoólicas surgiu há nove anos com o lançamento do suco de uva integral e abriu uma nova frente de negócios para a fabricante de vinhos Famiglia Zanlorenzi. De lá para cá, 43 produtos foram lançados, ajudando a Campo Largo a aumentar as vendas em 50% ao ano. O mais recente lançamento é a Kombucha, uma mistura fermentada natural de chás e frutas, inspirada no Oriente. A receita milenar levou ao desenvolvimento de três sabores da bebida, lançados pela Campo Largo em maio. O plano é distribuir a Kombucha em 40.000 pontos de venda espalhados pelo país. “Queremos despertar o interesse do consumidor e fortalecer essa nova categoria de produto”, diz Giorgeo Zanlorenzi, presidente da Famiglia Zanlorenzi.

Conquistar clientes, porém não é uma tarefa simples. Apesar do avanço de produtos com o apelo de saudáveis, ainda há muitas pessoas que consomem – e preferem bebidas com alta taxa de adoçantes e calorias. Foi o que constatou a Coca-Cola. Em julho do ano passado, a empresa decidiu tirar do mercado a Sprite e a Sprite Zero, deixando apenas a Sprite Sem Açúcar. Os fãs da velha Sprite reclamaram tanto que, em maio deste ano a Coca­ Cola relançou o refrigerante com a receita original. Dessa experiência, ficou uma lição. ”Tivemos a oportunidade de aprender que há todo tipo de consumidor e, muitas vezes, a mesma pessoa pode escolher diferentes produtos em diferentes momentos”, diz Andrea Mota, diretora de sustentabilidade da Coca-Cola. Em linhas gerais, a companhia tem caminhado em direção à fabricação de produtos mais saudáveis – no ano passado, diminuiu o açúcar em 17 de seus 213 produtos e, hoje, 75% das cerca de 20 marcas possuem versões de baixa caloria.

A redução do teor de açúcar é uma resposta das fabricantes a um movimento global que tem impacto na rentabilidade do negócio. Nos últimos quatro anos, mais de 30 países criaram impostos adicionais sobre bebidas açucaradas. Por aqui, a discussão do tema dá os primeiros passos. No fim de novembro, o Ministério da Saúde e a indústria de alimentos assinaram um acordo para reduzir a quantidade de açúcar em alimentos e bebidas, com metas a ser cumpridas até 2020 e 2022. Alguns especialistas consideraram muito tímidas as metas – o refrigerante Coca-Cola, por exemplo, já cumpre o limite de açúcar proposto. Ainda assim o fato de o tema ter entrado na pauta de debates não deixa de ser um avanço. “No mundo todo, a tendência é consumir menos, mas melhor”, diz a analista Angélica Sala do, da Euromonitor. Eis um bom exemplo de que menos pode ser mais – para a saúde do consumidor.

Mais saúde em cada gole. 2

GESTÃO E CARREIRA

A IMPORTÂNCIA DO AUTOCONTROLE E RESILIÊNCIA NO APRENDIZADO

Autocontrole e resiliência estão ligados e são essenciais à aprendizagem, diz estudo. Saiba mais!

Importância do autocontrole e resiliência no aprendizado

Publicado na revista científica Frontiers in Psychology, um estudo da Universidad Internacional de La Rioja, na Espanha, analisou se o autocontrole seria um bom preditor de resiliência (capacidade de superar obstáculos e se fortalecer a partir das adversidades) e como essas habilidades podem auxiliar jovens em situação de exclusão social.

A tarefa dos cientistas foi analisar o comportamento de 365 estudantes espanhóis de 15 a 21 anos, marcados por fracasso acadêmico e acesso restrito ao mercado de trabalho. A conclusão foi de que essas duas habilidades não cognitivas essenciais – a resiliência e a autorregulação – estão realmente interligadas e são igualmente ou até mais importantes do que os aspectos cognitivos no aprendizado acadêmico e sobre a vida. Sendo a resiliência uma capacidade aprendida e não inata, os pesquisadores verificaram como a construção adequada de estratégias de enfrentamento das adversidades na vida acadêmica e profissional era influenciada pelo autocontrole, sendo que este último foi essencial na formulação das melhores estratégias.

Os resultados, de acordo com o professor Artuch-Garde, em comunicado à imprensa, ilustram “a importância de trabalhar habilidades dos alunos que vão além das áreas acadêmicas ou técnicas e que os ajudem a lidar positivamente com as situações adversas que encontram em suas vidas”.

ALIMENTO DIÁRIO

PROVÉRBIOS 6: 1-5

Pensando biblicamente

Advertências contra a fiança

 

É a excelência da Palavra de Deus que nos ensina, não somente a sabedoria divina para o outro mundo, mas a prudência humana, para este mundo, para que possamos ordenar nossas atividades com discernimento; e uma boa regra esta é evitar fianças, porque, por meio dela, frequentemente sobrevêm pobreza e ruína às famílias, com a remoção daquela consolação nos relacionamentos que recomendamos no capítulo anterior.

1. Nós devemos considerar a fiança como uma armadilha, e consequentemente, recusá-la (vv. 1.2). É suficientemente perigoso que um homem fique como fiador de seu amigo, ainda que seja alguém com cujas circunstâncias ele esteja bem familiarizado, e bem assegurado da sua suficiência. Entretanto é ainda mais perigoso apertar as mãos de um estranho, tornar-se fiador de alguém que não se sabe se é honesto, ou mesmo capaz de cumprir os seus compromissos. Outra possibilidade é que o estranho, aqui, a quem a mão é dada, seja o credor; o usurário a quem você se liga ainda assim é, para você, um estranho, isto é, você não deve nada a ele, nem tem nenhum negócio com ele. Se você, impensadamente, se envolveu em compromissos deste tipo, iludido por adulações, ou esperando receber a mesma gentileza em outra ocasião, saiba que você se prendeu com as palavras da sua boca; isto é fácil de fazei; com uma palavra; basta assinar um papel, um compromisso que é selado e entregue, e reconhecido. Mas não será igualmente fácil livrar-se dele; você está em uma armadilha, mais do que tem ciência. Veja quão pouca razão temos para menosprezar os pecados da língua; se, por uma palavra da nossa boca, nós assumimos uma dívida com os homens, e ficamos à mercê dos seus atos, pelas palavras da nossa boca podemos nos tornar odiosos para a justiça de Deus, e assim podemos ser presos em uma cilada. É falso o conceito de que as palavras são apenas vento; frequentemente, são ciladas.

2. Se formos atraídos a esta cilada, será sensato, sem dúvida, que nos livremos dela, rapidamente (vv. 3-5). Ela dorme agora, não ouvimos sinal dela. A dívida não é cobrada; o devedor principal diz: Não tema, nós cuidaremos disto. Mas o vínculo ainda existe, os juros correm, o credor pode procurar você quando quiser, e talvez seja rude e severo. O devedor principal pode comprovar que você é desonesto ou insolvente, e então roubar a sua esposa e aos seus filhos, e arruinar a sua família, para pagar aquilo que você não comeu nem bebeu. E por isto, “livra-te”; não descanse, até que o credor desista do vínculo ou o devedor principal lhe dê comprovação de pagamento. Quando você cair nas mãos do seu amigo, e ele tiver vantagem contra você, não é o momento de ameaçar nem ofender (isto irá provocar e piorará ainda mais as coisas), mas de humilhar-se, implorar e suplicar para ser liberado, ajoelhar-se diante dele, e dirigir-lhe as melhores palavras que você puder; peça a seus amigos que falem a seu favor; não deixe pedra sobre pedra, até que tenha chegado a um acordo com o seu adversário e solucionado a questão, de modo que o seu vínculo não recaia sobre você nem sobre os seus familiares. É um cuidado que pode impedir o seu sono, mas permita que isto aconteça, até ter solucionado a questão. “Não dês sono aos teus olhos”, até que estejas livre. Ou seja, lute ao máximo, e aja com toda a rapidez, e “livra-te, como a gazela, da mão do caçador e, como a ave, da mão do passarinheiro”. Atrasos são perigosos, e esforços débeis não terão utilidade. Veja os cuidados que Deus, na Sua Palavra, teve para fazer com que os homens fossem bons administradores de seus bens, e para ensinar-lhes prudência nessa administração. A santidade tem preceitos, bem como promessas, relativas a esta vida.

Mas como devemos interpretar isto? Não devemos pensar que é ilícito, de maneira alguma, que nos tornemos fiadores de outra pessoa; isto pode ser um ato de justiça ou caridade; aquele que tem amigos pode ver razão, nesta situação, para se mostrar amistoso. e isto pode não representar imprudência. Paulo se comprometeu por Onésimo, (Filermom 19). Nós podemos ajudar nos negócios a um jovem que sabemos ser honesto e diligente, e conseguir- lhe crédito, empenhando a nossa palavra por ele, e assim fazer-lhe uma grande gentileza, sem nenhum detrimento para nós mesmos. Mas:

1. É sábio que cada homem mantenha- se afastado de dívidas, tanto quanto possível, pois isto é uma sobrecarga que lhe é imposta, que o enreda no mundo. que o coloca em perigo de cometer injustiça ou sofrer uma. O que toma emprestado é servo do que empresta, e se torna praticamente servo deste mundo. Portanto, os cristãos, que foram comprados por bom preço, não devem, sem necessidade, se fazer servos dos homens (1 Coríntios 7.23).

2. É uma grande loucura envolver-se com pessoas necessitadas, e comprometer­ se pelas dívidas delas, pois elas estão sempre com problemas financeiros e, como poderíamos dizer, “tirando de um buraco para tapar outro”, e certamente, em um momento ou outro, isto nos atingirá. Um homem jamais deve empenhar como garantia mais do que é capaz de pagar e está disposto a pagar, ou pode pagar sem prejudicar a sua família, pois deve ter em mente que ele deve considerar este compromisso como sua própria dívida. no caso do devedor principal vir a falhar. “Não se torne fiador além de suas possibilidades. E se já fez isso, pense em como vai pagar” (Eclesiástico 8.13).

3. Se estivermos enredados insensatamente como fiadores, é uma medida necessária, resultante de reflexão tardia, sair deste compromisso o mais rápido que pudermos, não perder tempo, não poupar esforços, e não ceder; até que consigamos sair desta situação sãos e salvos, e com as nossas finanças em boa situação. É melhor que nos humilhemos para conseguir um acordo a nos arruinarmos por nossa obstinação e soberba. Assegure a sua amizade, livrando-se dos seus compromissos por seu amigo, pois uma garantia impensada é muito mais a destruição de uma amizade do que a garantia prudente pode ser a manutenção dela. Devemos tomar cuidado para não nos tornarmos, de maneira alguma, culpados dos pecados de outros homens contra Deus (1 Timóteo 5.22). pois isto é pior, e muito mais perigoso do que estar comprometido com as dívidas de outro homem; e, se devemos tomar todos estes cuidados para ter as nossas dívidas com os homens perdoadas, muito mais devemos fazer para nos reconciliar com Deus. Humilha-te diante dele; assegura-te de fazer de Cristo o teu amigo, para interceder por ti; ora sinceramente para que sejam perdoados os teus pecados, e para que possas ser livrado de descer à cova, e isto não será em vão; não dês sono aos teus olhos, nem repouso às tuas pálpebras, até que isto tenha sido feito.