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EFEITOS INESPERADOS DOS MEDICAMENTOS

Recentemente foi descoberto que alguns remédios já usados há muito tempo podem ter novos usos; dependendo da dose, uma medicação contra a gripe, por exemplo, pode despertar reações em pacientes em estado vegetativo.

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Desenvolver um fármaco não é tarefa fácil. Algo em torno de 95% dos novos compostos é reprovado antes de eles se tornarem disponíveis para o uso clínico. Os gastos são especialmente altos quando o assunto é medicamento para tratar problemas relacionados ao sistema nervoso central. Remédios que chegam a ser comercializados com sucesso somam um custo médio de US$ 1,8 bilhão. Agora, os pesquisadores recorrem cada vez mais aos produtos já existentes no mercado. Comprovadamente seguras para o consumo humano e não raro compreendidas em nível molecular, as já conhecidas pílulas de hoje podem ser a novidade médica de amanhã. Os efeitos colaterais em uma pessoa podem ser a cura para outra.

COMO FUNCIONA

No organismo, o bexaroteno ativa um receptor químico que afeta a forma como as células se desenvolvem. Ao ativar esse receptor no cérebro, o agente estimula a destruição de placas características do Alzheimer e ajuda a bloquear a ação de pro- teínas que causam a morte de neurônios.

A mifepristona foi originalmente desenvolvida para bloquear o neurotransmissor glucocorticoide para tratar depressão. No entanto, cientistas descobriram um interessante efeito colateral: o fármaco interrompe a ação da progesterona, um neurotransmissor necessário durante a gravidez. Controvérsias sobre o aborto interromperam pesquisas sobre a substância por décadas. Agora, a droga tem sido novamente estudada para ser utilizada como antidepressivo.

A ação da gabapentina é parecida com a de alguns neurotransmissores. Uma de suas funções é normalizar a atividade da amígdala, o que pode aliviar os sintomas de abstinência de dependentes químicos. A sonolência, um dos principais efeitos colaterais, pode ser uma grande aliada no tratamento de adictos, que não raro têm problemas para dormir.

A minociclina é uma droga anti-inflamatória capaz de atravessar facilmente a barreira hematoencefálica. Por isso, cientistas se perguntavam se o agente químico poderia ajudar também a proteger as células cerebrais. Eles descobriram que o fármaco diminui alguns sintomas da esquizofrenia, incluindo o retraimento social e a apatia. A hipótese é que a substância bloqueia o glutamato, um neurotransmissor relacionado à psicose.

A amantadina pode atravessar a barreira hematoencefálica e provocar alterações nos neurotransmissores. Há muito tempo pesquisadores vêm tentando encontrar uma maneira de utilizar a substância no tratamento de doenças do cérebro. A eficácia da amantadina no tratamento de distúrbios da consciência levou cientistas a estudar sua ação em outras lesões cerebrais traumáticas. A novidade é que eles descobriram que a droga ajuda pacientes com baixa consciência ou em estado vegetativo a recuperar a consciência. Eles acreditam que o fármaco eleve gradual- mente a atividade da dopamina, o que favorece a excitação cerebral e sua unidade.

O propranolol reduz a pressão arterial e a ansiedade bloqueando a noradrenalina, responsável por uma parte das res- postas do organismo ao estresse. Seu efeito calmante também diminui o juízo preconcebido relacionado à etnia. Cientistas estão interessados em ampliar a compreensão da neurobiologia relacionada ao preconceito. O trabalho, porém, desperta questões éticas a respeito de como os efeitos colaterais da medicação podem influenciar atitudes pessoais de forma artificial.

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DROGAS REINVENTADAS

 

BEXAROTENO – de quimioterapia de linfomas cutâneos para tratamento de Alzheimer.

MIFEPRISTONA – de abortivo para antidepressivo.

GABAPENTINA – de prevenção da epilepsia para alívio de abstinência.

MINOCICLINA – de medicação contra acne e redutor de artrite para estabilizador de esquizofrenia.

AMANTADINA – de remédio contra a gripe para provocar reações em pacientes em estado vegetativo.

PROPRANOLOL – de alívio de ansiedade para diminuir o racismo.

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Autor: Vocacionados

Sou evangélico, casado, presbítero, professor, palestrante, tenho 4 filhos sendo 02 homens (Rafael e Rodrigo) e 2 mulheres (Jéssica e Emanuelle), sou um profundo estudioso das escrituras e de tudo o que se relacione ao Criador.

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