PSICOLOGIA ANALÍTICA

“ERA EXATAMENTE O QUE EU QUERIA!”

Acertar na compra do presente nem sempre é fácil. Algumas crenças a respeito dos gostos alheios podem atrapalhar na hora de escolher o mimo mais adequado a quem queremos agradar.

Era exatamente o que eu queria!

Algumas pesquisas recentes sobre o ato de presentear podem ajudar quem está em busca de um mimo para agradar pessoas queridas. Salvo exceções e casos específicos, optar por coisas simples e práticas parece ser mais interessante pelo menos do ponto de vista da ciência. Um estudo publicado no Journal of Experimental Social Psychology indica que, embora tendamos a acreditar que presentes sofisticados (e caros) serão mais apreciados, quem recebe, em geral, fica mais feliz com coisas que possam ter uma função em suas vidas. No experimento descrito no artigo, pares de amigos, todos estudantes universitários, trocaram canetas novas, algo valorizado entre os estudantes. Quem presenteava acreditava que o outro iria preferir os modelos mais pesados ou extravagantes, para ocasiões especiais. Na verdade, aqueles que receberam o mimo se mostraram mais contentes com canetas mais leves, ainda que mais baratas.

“Costumamos acreditar que o preço ou o esforço que dedicamos em um presente, por exemplo, é o que faz diferença, mas a pessoa que recebe não sabe desses detalhes, ela apenas vê o objeto e pensa de que maneira irá encaixá-lo em sua vida”, diz o doutor em comportamento e marketing Nathan Novemsky, professor da Universidade Yale, que desenvolve pesquisas sobre o assunto. Em um de seus estudos recentes, os participantes preencheram um questionário enquanto imaginavam dar ou ganhar um cartão de presente de um restaurante. Aqueles que ofertavam acreditavam que as pessoas presenteadas iriam gostar mais de um voucher de um estabelecimento de cinco estrelas em alguma cidade ao redor; mas, na verdade, eles preferiam um restaurante próximo. Tanto os homens como as mulheres tendem a valorizar a opção prática.

Outra coisa: cuidado com papéis de embrulho exagerados. Segundo Novemsky, experimentos indicam que fazer embrulhos com um saco de papel marrom e liso – ou mesmo entregar sem embalar – pode ser mais apropriado do que aparecer com algo deslumbrante e cheio de fitas. Estranho? A princípio sim, mas a explicação faz sentido: pacotes muito atraentes tendem a aumentar as expectativas em relação ao conteúdo e também o risco de que a pessoa fique decepcionada, caso não faça jus à embalagem. Então, a menos que tenha certeza de que o mimo seja requintado, como uma joia, é indicado considerar pacotes mais modestos. E também sugerem que as pessoas não se acanhem em perguntar o que o outro quer ganhar. Pesquisas feitas nas universidades Harvard e Stanford mostram que quem recebe um presente, em geral, fica mais satisfeito com o que solicitou do que com algo atencioso que não estava em sua lista.

Era exatamente o que eu queria!. 2

OUTROS OLHARES

O MILIONÁRIO MUNDO DOS CURSOS DE MEDICINA

Com mensalidades de até 13.000 reais, escolas privadas de medicina não veem sinal de crise. Uma proibição a novos cursos deve manter o negócio bom – para quem, já está no mercado.

O milionário mundo dos cursos de medicina

Um milhão de reais separam um aluno que vai começar em 2019 o curso de medicina na Faculdade São Leopoldo Mandic, em Campinas, de sua formatura em 2024. Criado em 2013, o curso é o mais caro do nicho de mercado mais caro do ensino privado do país, segundo ranking da consultoria especializada em educação Atmã – são quase 13.000 reais por mês. Até o final da graduação, cada um dos 1.095 alunos acomodados em dois campi no interior paulista (Campinas e Araras) terá acompanhado 11.000 horas de teoria e prática, e deixará nos cofres da empresa o montante de 1,026 milhão, considerando inflação anual de 4,5%. Apesar do preço, a evasão é de 2%, a inadimplência fica abaixo de 4% e o interesse continuou alto mesmo na crise: foram 14 candidatos por vaga no último vestibular. A faculdade nasceu em 1997 com foco em odontologia. Depois de anos de espera e inúmeras visitas de burocratas de Brasília, em 2013 a autorização para o curso de medicina saiu. O curso responde por 40% do faturamento da faculdade, de 300 milhões de reais por ano.

A São Leopoldo é o mais espetacular exem1plo de um mercado que não vê sinal de crise. De 2012 a 2017, o faturamento da graduação em medicina no país cresceu 78% ante 30% de todos os cursos de ensino superior privado. O valor da mensalidade de medicina, cuja média foi de 7.124 reais no ano passado (quase dez vezes a média de toda a graduação privada), subiu 29% nos últimos cinco anos ante 8% da média geral. Enquanto os demais cursos precisam de programas de incentivo financeiro, como o federal Fies as faculdades de medicina não oferecem assistência além do exigido por lei – na média, 10% das vagas são destinadas a bolsistas de programas como o Pro Uni. “Medicina exige investimento alto, mas o curso empresta credibilidade à marca da faculdade’, diz José Luiz Cintra Junqueira, presidente e fundador da São Leopoldo Mandic.

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Os cursos de medicina vivem num mundo à parte, em primeiro lugar porque a carreira médica costuma ser uma aposta segura. O salário de um médico recém­ formado beira os 11.000 reais e, a partir dos dez anos de carreira, é comum profissionais ganharem 40.000 por mês nas grandes cidades. Segundo o consultor financeiro Mauro Calil, um médico graduado na São Leopoldo Mandic que ingresse no programa Mais Médicos ganhando 11.800 reais por mês, sem desconto de imposto de renda, levará mais de nove anos para compensar o investimento feito, supondo uma inflação de 4.5% ao ano e que metade de seu salário seja reservada para isso. Quem receber 30.000 reais mensais demorará no mínimo seis anos, também considerando que poupe metade para abater o investimento e que tenha o desconto de 27,5% do imposto de renda.

Mesmo tendo apenas 1.5% do volume de alunos em cursos de graduação no país, as faculdades de medicina respondem por 14,2% da receita. “A oferta de médicos é muito menor do que a demanda. Essa é a força que motiva os interessados em investir na área”, diz Felipe Miglioli, sócio da consultoria de negócios EY-Parthenon. Quase todo mês a Faculdade São Leopoldo Mandic recebe propostas de fundos e outros grupos de educação interessados. O mesmo acontece com a Universidade de Marília (Unimar), também no interior paulista, que oferece o curso há 20 anos e está em quarto lugar entre as mais caras (com mensalidade de 9.500 reais). Fundada há 60 anos, a Unimar tem 23 cursos, entre eles engenharia, enfermagem e psicologia, mas o de medicina é o que traz mais retorno para a instituição. Além da São Leopoldo e da Unimar, estão entre as cinco primeiras no ranking da mensalidade a paulista Unoeste (segundo lugar, com 19.800 reais), a cearense Centro Universitário Christus (terceiro lugar, com 9.700 reais) e a mato-grossense Centro Universitário Várzea Grande (quinto lugar, com 9.300 reais), em dados de 2018.

O número de médicos formados no Brasil cresceu 23% em sete anos, passando de 365.000, em 2010, para 453.000, em 2017.

Ainda assim, a média brasileira, de 2,2 profissionais por 1.000 habitantes, fica abaixo dos 3,4 por 1.000 da OCDE, grupo dos países ricos. O imbróglio recente envolvendo o programa Mais Médicos e a saída dos 8.000 cubanos do país escancararam a falta de profissionais em muitas regiões – no Maranhão, há 0,87 médico por1.000 habitantes. Além de atrair médicos cubanos para regiões com déficit de atendimento, o Mais Médicos estimulou a abertura de novos cursos de medicina pelo Brasil. Em comparação a 2010, o número de vagas para entrantes em medicina cresceu 89%. Mesmo assim, das quase 32.000 vagas abertas todos os anos, metade (46%) delas ainda está concentrada no Sudeste, onde é também fácil encontrar bons professores. Segundo dados da Medcel, empresa de cursos online para médicos com dados do Ministério da Educação (MEC) e embaixadas latino-americanas, cerca de 60.000 brasileiros já estudaram medicina no exterior, em países como Colômbia, Cuba, Paraguai e Argentina, onde a mensalidade custa cerca de 2.000 reais.

De 2003 a 2018, foram criados mais de 178 cursos de medicina no Brasil, segundo o MEC. Com o programa Mais Médicos, em 2013 a expansão acelerou, com novos cursos autorizados em 67 cidades. O total de vagas oferecidas passou de 17.000 para 31.000. O número de alunos em faculdades públicas subiu de 44.000, em 2013 para 55.000, em 2017. Ainda assim, no ano passado, 33,7 candidatos disputaram uma vaga de medicina, bem mais do que em 2008 (21,8) e dez vezes mais do que a média de todos os cursos. Segundo estimativa da Atmã, o Brasil ainda tem espaço para ampliar 50% o número de ingressantes sem prejudicar a qualidade do aluno, pois manteria a alta concorrência na seleção, de 22 candidatos por vaga, a mesma de 2007. Mas, em abril entrou em vigor uma moratória do governo proibindo a criação de novos cursos pelos próximos cinco anos (os editais em andamento não serão afetados). O Conselho Federal de Medicina é o maior defensor da moratória. O conselho afirma que ”a abertura de vagas em cursos de medicina e de novas escolas médicas tem sido conduzida de forma abusiva, com sérios prejuízos à formação dos profissionais e impacto negativo na qualidade do atendimento oferecido à população”.

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Enquanto o mercado de ensino superior privado é dominado por grandes grupos, os cursos de medicina mais disputados ainda são de faculdades independentes. A complexidade para a abertura de uma faculdade de medicina e o alto investimento são duas explicações. Os grupos de ensino com foco em saúde também são mais refratários a ofertas de aquisição, segundo consultores. O fundo carioca Bozano é o que tem tido mais sucesso nessa tarefa de consolidação. Sob o guarda-chuva da NRE Educacional, a Bozano comprou e investiu em nove escolas de medicina desde 2014. “Temos oportunidade de criar um grupo de educação que acompanhe o profissional de A a Z, do ingressante no vestibular ao formado há muitos anos’, diz Daniel Borght da Bozano. À NRE devem se juntar outras três faculdades, já em negociação. Além disso, a empresa ganhou sete licitações em pequenas cidades do norte pelo Mais Médicos, em cada uma das quais está investindo 20 milhões de reais. Um dos ativos com maior potencial de crescimento dentro do grupo é a Medcel, escola on­line focada em candidatos à residência estudantes brasileiros que fizeram faculdade no exterior. O plano do fundo é abrir o capital da BR Health, possível nome do grupo, ainda em 2019. O faturamento é de 400 milhões de reais por ano. “Vemos oportunidades no ensino de medicina tanto no Brasil quanto no exterior”, diz Julio De Angeli, presidente da Medcel.

Ter um curso de medicina pode dar muito dinheiro, mas é um negócio que está permanentemente à prova. Alguns cursos de direito por exemplo, chegam a 70% de margem bruta, ante 58% de medicina. Na São Leopoldo Mandic, desde o primeiro ano os alunos têm contato com robôs que choram, gritam de dor têm filhos e morrem. Alguns deles custam mais de 1 milhão de dólares. A Unimar começou a construção da quarta torre de seu hospital universitário, um investimento de 300 milhões de reais. Ter um hospital não é obrigatório para a graduação – as faculdades podem fazer parcerias com instituições locais -, mas é uma vantagem. “Não podemos descuidar nunca de entregar ao aluno equipamentos e ensino mais atualizados possível, diz Fernanda Servaj, pró-reitora da Unimar. Com a melhora econômica à vista, e uma moratória a novos entrantes, o ensino de medicina deve continuar um grande (e caro) negócio.

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GESTÃO E CARREIRA

AS EMPRESAS DO FUTURO: APOSTANDO NA PRIMEIRA INFÂNCIA

Cuidar das crianças pequenas é o investimento de maior impacto para a formação de uma população mais saudável, segura, culta e produtiva. Veja como as empresas podem ajudar a mudar esse quadro (e ainda lucrar com isso).

As empresas do futuro - Apostando na primeira infância

Há alguns anos sabe-se que investir na primeira infância, a fase que vai até os 6 anos, é crucial. Proteger as crianças – garantir-lhes alimentação saudável, proteção, carinho e possibilidades de brincar -, é não apenas respeitar os direitos individuais de milhões de cidadãos, mas, também moldar o futuro da sociedade. É difícil achar causa mais nobre…mas ela não vem recebendo a atenção necessária.

O País investe 2,3% do produto interno bruto (PIB) em programas para crianças de 6 a 12 anos, e apenas 0,5% em cuidados com as crianças de 0 a 5, de acordo com dados do Banco Mundial e da Cepal (Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe).

É quase o oposto do que se deveria fazer. Como diz o economista James Heckman, prêmio Nobel de economia de 2000, o investimento na primeira infância é o que tem o melhor retorno: entre 7% e 10 % ao ano. Análises mais recentes apontam resultados ainda mais positivos, em comunidades carentes: 13% de retorno sobre o investimento.

Essa resposta se explica por duas pontas. De um lado, a produção de riqueza é maior: segundo Heckman, crianças que frequentaram uma creche de qualidade vão receber, na média, salários 25% maiores, porque os estímulos apropriados durante a primeira fase da vida levam a um desenvolvimento emocional e cognitivo mais saudável.

De outro lado, os custos são menores: crianças bem cuidadas têm menos chance de precisar frequentar programas de recuperação educacional, e menos probabilidade de fazer escolhas que prejudiquem sua saúde ou as levem a atividades criminosas.

As empresas do futuro - Apostando na primeira infância. 2

O QUE AS EMPRESAS PODEM FAZER

A causa da primeira infância é tão definidora do futuro do país que as empresas não podem ficar alheias a ela. “Hoje, as companhias brasileiras têm pouco envolvimento com o tema”, diz Eduardo Queiroz, presidente da Fundação Maria Cecília Souto Vidigal, organização focada na promoção da primeira infância no Brasil. “Talvez elas ainda não enxerguem o tamanho do impacto que podem ter no desenvolvimento de uma criança.”

E o caminho para essa conscientização pode ser compartilhado. “Toda empresa tem potencial de ser aliada. E já são vários os exemplos positivos a serem seguidos”, diz Gabriella Bighetti, Diretora Executiva da United Way Brasil, organização não governamental que atua pela primeira infância e juventude por meio da educação. Em geral, as organizações já sabem que este é um investimento necessário. O grande obstáculo, porém, é que elas consideram as vantagens desse investimento como globais e futuras, enquanto os custos são locais (ou seja, delas mesmas) e imediatos.

Mas esta percepção não leva em conta os efeitos colaterais das políticas em prol da família. Eles são em geral positivos, às vezes transformadores. A lógica é a mesma de criar um excelente ambiente para trabalhar: as empresas ganham uma reputação n1elhor, têm mais facilidade de atrair clientes, perdem menos funcionários. E, nos casos de iniciativas de apoio às comunidades, ainda criam oportunidades para a identificação e o desenvolvimento de lideranças entre seus funcionários.

De certa forma, vale para as pessoas jurídicas a mesma dinâmica que para as pessoas físicas: nós preferimos estar perto daquelas que sorriem mais, inspiram mais confiança, se preocupam com os outros, são mais abertas e comunicativas.

As vantagens não são apenas intangíveis. De acordo com a Ready Nation, uma organização empresarial americana que conta com 1.100 membros, incluindo atuais e ex- CEOs de grandes corporações unidos pela causa dos investimentos em crianças e jovens, os programas em prol da primeira infância têm impacto direto na produtividade dos funcionários: por saber que as crianças estão sendo bem cuidadas, os pais podem se concentrar melhor no trabalho; e os cuidados com a saúde dos filhos acarretam em menos faltas dos pais.

Não é necessário que as empresas deem um salto de fé. Ao contrário. Elas podem fazer aquilo que sempre devem fazer: contas.

Às vezes, a mera redução da rotatividade no trabalho já compensa os custos de implementar programas pró-família. Alguns estudos estimam que o custo da rotatividade varia entre 50% e 200 % do salário anual de um funcionário. São os gastos com a busca de profissionais, seu treinamento, a perda de produtividade durante o período de adaptação. Para dar uma ideia do tamanho desse problema, em 2016 a taxa de rotatividade voluntária (as demissões que as empresas não queriam fazer) foi de 30% entre as companhias da lista de melhores empresas para trabalhar no Brasil, do GPTW.

Um exemplo de como as políticas pró-família podem ter impacto nessa conta vem da filial brasileira da seguradora Tokio Marine. Em 2011, quando a empresa começou a adotar benefícios em prol da primeira infância (como horário flexível, reembolso de despesas com creche ou babá, plano de previdência privada), seu índice de rotatividade era de 21%. Essa taxa caiu progressivamente, até chegar a 9,9% em 2016, e 9,8% no ano passado, ante uma média de 14,9% no setor.

Outra potencial redução de custos é no absenteísmo. Um estudo no Canadá, feito pelos professores Georges Dionne e Benoit Dostie, da HEC Montreal, concluiu que empregados satisfeitos com o trabalho tinham probabilidade 17,5% menor de faltar; e empregados que trabalham em casa de vez em quando tinham probabilidade 11,5% menor de faltar.

Um outro estudo, nos Estados Unidos, examinou em 2004 a produtividade em 1.188 das 500 maiores companhias do país. A conclusão: a cada três programas adicionais de incentivo ao equilíbrio entre trabalho e vida pessoal, havia um aumento de produtividade entre 2% e 3%.

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OS BONS EXEMPLOS

Há diversos modos de uma empresa se engajar na causa da primeira infância. Elas podem implementar práticas voltadas ao seu público interno; exportar sua cultura para outras empresas, via contratos com fornecedores, defendendo a causa ou realizando investimentos coletivos, que unam diversas empresas e cidadãos; promover ações de voluntariado, ou apoiar ONGs que atuam na área; promover o tema para sensibilizar a sociedade para sua importância; e divulgar a causa entre formadores de opinião e governos.

Em todos esses campos, já há bons exemplos a seguir:

  • No Brasil, a Natura oferece 40 dias de licença- paternidade, desde 2016. A lógica é que neste período a mãe está se recuperando fisicamente da gravidez, e a proximidade do pai é importante para toda a família, especialmente no estabelecimento de vínculo com o bebê.

 

  • Na filial brasileira da Johnson & Johnson, a licença- paternidade é de dois meses, que podem ser tirados no momento que o funcionário quiser dentro do primeiro ano do nascimento ou adoção da criança – o que permite um revezamento de cuidados entre pai e mãe.]]

 

  • A cadeia de lojas de conveniência americana Casey’s General Stores descreve suas instalações de cuidados com as crianças como “nossa melhor ferramenta de recrutamento e retenção de funcionários”.

 

  • Na Tokio Marine do Brasil, todos os funcionários podem começar o expediente entre 7h e 10h, e sair entre 16h e 19h30, além de poderem usar seus bancos de horas para sair mais cedo em qualquer dia. Isso facilita aos pais acompanhar os compromissos escolares ou médicos de seus filhos. Além disso, a seguradora oferece os serviços de um assistente pessoal, com utilização ilimitada e confidenciai, válida para os funcionários, marido ou mulher e filhos. A assistente ajuda a marcar hora em médicos, cotar preços de festas infantis ou de escolas etc.

 

  • O grupo Sabin, de laboratórios de saúde, oferece um salário mínimo para ajudar nas despesas do casamento. Depois vêm as palestras de preparação para o funcionário que espera um bebê e, por fim, tem outro salário mínimo para a compra do primeiro enxoval.

 

  • Na filial brasileira da Kimberly-Clark, pais de filhos com alguma necessidade especial recebem mensalmente o reembolso de despesas médicas de até R$1.300.

 

  • Na Índia, a indústria de alumínio e cobre Hindalco sustenta centros de saúde que fornecem planejamento familiar, vacinas, prevenção e tratamento de malária, tuberculose, Aids e outras doenças.

 

  • A companhia de energia e tecnologia suíça ABB Schweitz criou sua primeira creche em 1966 – e a partir daí fundou uma organização não lucrativa que ajuda outras 38 companhias a oferecer o serviço para seus empregados.

 

  • Nos Estados Unidos, o banco PNC distribui em suas agências folhetos com dicas para ajudar os pais a realizar atividades lúdicas e de aprendizado com seus filhos pequenos.

 

  • A organização americana Ready Nation já realizou 11 reuniões de cúpula e o primeiro grande encontro de negócios globais para tratar de investimentos na primeira infância em abril de 2018.

 

  • Como diz o economista Ricardo Paes de Barros, especialista em desigualdade social e educação, “o Brasil precisa passar do foco na garantia dos direitos negativos (não passar fome, não ficar doente, não sofrer violência) para a busca dos direitos positivos – pleno desenvolvimento do potencial, bem-estar enquanto criança”.

 

  • As empresas são uma parte fundamental desse esforço. E isso está plenamente de acordo com a essência do mundo dos negócios: construir um futuro melhor. Inclusive para elas próprias.

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O BE-A-BA DOS NEURONIOS

ESTUDOS NEUROLÓGICOS FEITOS NAS ÚLTIMAS DÉCADAS AJUDAM A ENTENDER O IMPACTO DOS INVESTMIMENTOS NA PRIMEIRA INFÂNCIA:

  •  O cérebro de uma criança de 3 anos tem 80% do volume do cérebro adulto, de acordo com diversos mapeamentos, como os do pesquisador Richard Nowakowski, da Universidade Estadual da Flórida.

 

  •  Nessa fase, o cérebro tem o dobro de conexões (as sinapses) que terá na vida adulta, segundo o neurocientista Peter Huttenlocher, um dos pioneiros desse campo.

 

  •  Os investimentos para colher bons resultados são bastante modestos. Por exemplo: uma hora de conversa por dia com uma criança, ao longo de um ano, leva a uma melhora no seu desenvolvimento equivalente à de um ano a mais, de acordo com um estudo do economista mineiro Flávio Cunha, da Universidade de Rice, nos Estados Unidos. Ou seja, uma criança de 4 anos exposta a uma comunicação adequada tem capacidade equivalente à de uma criança de 5 anos que não teve tantos estímulos de comunicação.

 

  •  A maior proteção que o cérebro de uma criança tem contra os efeitos de violência física ou verbal, privações e até falta de carinho é o vínculo afetivo com seus cuidadores, diz James Leckman, médico e pesquisador da Universidade Yale, nos Estados Unidos.

ALIMENTO DIÁRIO

PROVÉRBIOS 5: 1-14

Pensando biblicamente

Instruções paternas: Advertências contra a sensualidade

 

Aqui temos:

I – Um solene prefácio, para introduzir a advertência que se segue (vv. 1,2). Aqui, Salomão se dirige ao seu filho, isto é, a todos os jovens, como seus próprios filhos. pelos quais ele tem afeição e aos quais pode influenciar. Em nome de Deus, ele exige atenção: pois escreve sob inspiração divina, e é um profeta, ainda que as suas primeiras palavras não sejam, assim diz o Senhor. ”Atende”. inclina o teu ouvido; não somente ouve o que é dito, e lê o que está escrito, mas dedica a tua mente a isto e pondera sobre isto diligentemente. Para obter atenção, ele destaca:

1. A excelência das suas palavras: É a “minha sabedoria”, a minha razão; se eu me proponho a te ensinar sabedoria, não posso recomendar nenhuma outra coisa que seja mais apropriadamente assim chamada; a filosofia moral é a minha filosofia, e aquilo que deve ser aprendido na minha escola.

2. A utilidade delas: ”Atende à minha sabedoria”;

(1) Para que conserves os meus avisos – para que possas ter discernimento. As palavras de Salomão não tencionam encher nossas mentes de noções, enchê-las com questões de especulação minuciosa, ou de discussões duvidosas, mas pretendem nos orientar no controle de nós mesmos, para que possamos agir com prudência, da maneira como é conveniente para nós e também em benefício do nosso verdadeiro interesse.

(2) Para que possas falar com sabedoria – para que “os teus lábios guardem o conhecimento”, e possas tê-lo prontamente na ponta da língua (como se diz), para o benefício das pessoas com quem convives. Está escrito que “os lábios do sacerdote guardarão a ciência” (Malaquias 2.7); mas os que são alertas e poderosos nas Escrituras podem, não somente em suas devoções, mas em suas palavras, ser sacerdotes espirituais.

 

II – A advertência propriamente dita, que é para que nos abstenhamos dos desejos carnais, do adultério, da prostituição e de toda impureza. Alguns a aplicam de maneira figurada, e interpretam a mulher estranha como idolatria, ou a falsa doutrina, que tende a corromper as mentes e os modos dos homens, ou o apetite sexual, ao qual pode ser aplicada, de maneira tão apropria­ da como qualquer outra coisa; mas o principal objetivo é nos advertir claramente contra as transgressões ao sétimo mandamento, a que a mocidade é tão inclinada, cujas tentações tão violentas, cujos exemplos são em tão grande número, e que, quando permitidas, são tão destrutivas a todas as sementes de virtude na alma que não é estranho que as advertências de Salomão contra elas sejam tão insistentes e tão frequentemente repetidas. Aqui, Salomão, como o sentinela fiel, faz uma justa advertência a todos, para que, quando considerarem suas vidas e confortos, temam este pecado, pois certamente será a sua ruína. Aqui, somos aconselhados a prestar atenção a duas coisas:

1. Que não demos ouvidos aos encantos deste pecado. É verdade que “os lábios da mulher estranha destilam favos de mel” (v. 3); os prazeres dos desejos carnais são muito tentadores (como o vinho que dá sua cor ao cálice e escoa suavemente); a sua boca, os beijos da sua boca, as palavras da sua boca, são mais suaves do que o azeite, para que a pílula venenosa possa ser engolida suavemente, e não se suspeite que haja algum mal nela. Mas, considere:

(1) O quanto as consequências podem ser fatais. Que frutos terá o pecador do seu mel e azeite, quando o fim será.

[1) O terror da consciência: “é amargoso como o absinto” (v. 4). O que era doce na boca fica amargo no estômago; ele é “agudo como a espada de dois fios” – de qualquer maneira que o tomes, ele fere. Salomão podia falar por experiência própria (Eclesiastes 7.26).

[2) O tormento do inferno. Se alguém que tenha sido culpado deste pecado se arrependeu, foi salvo, porém, de qualquer modo, a tendência direta do pecado é a destruição do corpo e da alma; “os seus pés descem à morte”; os seus passos se firmam no inferno, para puxar para lá o pecador, como se a perdição tosquenejasse por um tempo demasiado (v. 5). Os que estão envolvidos com este pecado devem se lembrar de que apenas um passo os separa do inferno, e eles estão prestes a cair nele.

(2) Considere o quanto são falsos os encantos. A mulher estranha adula e fala bonito. suas palavras são como mel e azeite, mas ela enganará a todos os que lhe derem ouvidos; as suas carreiras são variáveis, para que você não possa conhecê-las; frequente mente ela muda seu disfarce, e assume uma grande variedade de falsas cores, porque, se conhecida, certa mente será odiada. Como Proteu, ela assume várias formas, para que possa continuar com seu relacionamento com aqueles aos quais tenciona atingir. E o que ela pretende, com toda esta astúcia e controle? Nada, senão impedi-los de ponderar a vereda da vida, pois ela sabe que, se vierem a fazer isto, ela certamente os perderá. Ignoram completamente os esquemas de Satanás os que não compreendem que a grande coisa que ele pretende, em todas as suas tentações, é:

[1] Impedi-los de escolher a vereda da vida, impedi-los de ser religiosos e de ir para o céu, para que, estando ele mesmo excluído da felicidade, possa mantê-los também excluídos dela.

[2] Impedir que eles ponderem a vereda da vida, e que considerem o quanto é razoável que andem por esta vereda, e o quanto isto lhes seria benéfico. Devemos observar, para a hora da religião, que ela certamente convence a todos os que se permitirem apenas a liberdade de um pensamento sério; ela os leva a ponderar as coisas imparcialmente, mostrando que o demônio não tem como limitar os homens aos seus próprios interesses, senão desviando-os com contínuas diversões, de um tipo ou de outro – ele os desvia da calma e sóbria consideração das coisas que dizem respeito à sua paz. E a impureza é um pecado que, entre outras coisas, cega o entendimento, insensibiliza a consciência e impede que as pessoas ponderem a vereda da vida. A prostituição tira a sua inteligência (Oseias 4.11).

2. Que não nos aproximemos desta transgressão (vv. 7,8).

(1 ) Esta advertência é introduz ida por um prefácio solene: ”Agora, pois, filhos, dai-me ouvidos”, quem quer que sejais, os que ledes ou ouvis estas palavras, observai o que digo, e mesclai a isto a fé, guardai estas palavras e “não vos desvieis das palavras da minha boca”, como farão os que derem ouvidos às palavras da mulher estranha. Não deveis somente receber o que digo, meramente para o presente, mas agarrar-vos a estas palavras – que elas estejam prontas para vós, e que tenhais força convosco para as ocasiões em que a tentação vos atacar mais violentamente.

(2) A advertência é, por si só, muito insistente: ”Afasta dela o teu caminho”; isto é, se acontecer de você estar perto dela, e se você tiver uma boa desculpa para ser levado para o alcance dos seus encantos, ainda assim mude o seu caminho, altere o seu curso, em lugar de se expor ao perigo; “não te aproximes da porta da sua casa”; ou seja, vá para o outro lado da rua, ou melhor, passe para outra rua, ainda que seja em direção contrária. Isto sugere:

[1] Que devemos temer e detestar fortemente o pecado. Devemos temê-lo como temeríamos um lugar infestado com alguma praga; devemos odiá-lo como ao cheiro de carniça, a qual não desejamos nos aproximar. Então, quando concebermos uma antipatia enraizada por todos os desejos carnais pecaminosos, poderemos preservar a nossa pureza.

[2] Que devemos nos empenhar em evitar tudo o que puder ser uma oportunidade para este peca­ do, ou um passo em direção a ele. Os que desejam ser guardados do mal devem ficar fora do caminho do mal. A natureza corrompida é tão inflamável que é loucura, por qualquer pretexto, aproximar-se das fagulhas. Se nos lançarmos na tentação, zombamos de Deus. quando oramos: “Não nos induzas à tentação”.

[3] Que devemos ser zelosos por nós mesmos, com um zelo devoto, e não ter tanta confiança na força de nossas próprias resoluções, a ponto de nos aventurar à beira do pecado, ainda que prometendo a nós mesmos: ”Até aqui virás, e não mais adiante”.

[4] Que, o que quer que tenha se tornado uma armadilha para nós, e uma oportunidade de pecado, ainda que seja como um olho direito e uma mão direita, devemos arrancá-lo, cortá-lo, e atirá-lo para longe de nós – devemos nos separar daquilo que nos é mais precioso, em lugar de arriscar nossas próprias almas. Este é o mandamento do nosso Salvador (Mateus 5.28-30).

(3) Os argumentos que Salomão usa, aqui, para nos reforçar esta advertência, são extraídos do mesmo tópico que os anteriores, os muitos danos que acompanham este pecado.

[1] Ele mancha a nossa reputação. “Darás a outros a tua honra ” (v.9); tu a perderás; ou seja, você colocará, na mão de cada um dos teus próximos, uma pedra para que a atirem contra você, pois, com boa razão, todos eles lhe dirão, “que vergonha”, e desprezarão você e pisarão em você, como um homem louco. A prostituição é um pecado que torna os homens desprezíveis e infames, e nenhum homem de razão ou virtude desejará manter a companhia de alguém que se relaciona com prostitutas.

[2] Ele faz desperdiçar o tempo, dá os anos. os anos da mocidade, a flor do tempo dos homens, aos cruéis – tão vil é este desejo. que com a máxima crueldade, guerreia contra a alma; tão infame é esta prostituta que, fingindo ter um afeto por nós, na verdade visa contra a vida preciosa. Os anos que deveriam ser dedicados à honra de um Deus benigno são desperdiçados no serviço de um peca­ do cruel.

[3] Ele destrói os bens (v. 10): Os estranhos se fartarão do teu poder, o qual só era confiado a ti, pois és um despenseiro para a tua família; e todos os frutos dos teus trabalhos, que deveriam ser a provisão para a tua própria casa, entrarão na casa do estranho, que não tem direito a eles e jamais te agradecerá por eles.

[4] Ele é destrutivo para a saúde. e abrevia os dias dos homens: a tua carne e o teu corpo se consumirão (v. 11). Os desejos da impureza não somente guerreiam contra a alma, que o pecador negligencia e com a qual não se preocupa, mas também combatem o próprio corpo, com o qual o pecador é tão indulgente e ao qual tanto se preocupa em agradar e mimar – tão enganosos, tão loucos. e tão prejudiciais são estes desejos. Os que se entregam à impureza com avareza desperdiça m suas forças, e se atiram à fraqueza, e frequentemente têm seus corpos cheios com odiosas perturbações, e por isto o número de seus meses é cortado ao meio, e eles caem como sacrifícios impiedosos a uma luxúria cruel.

[5] Ele enche a mente de terror se a consciência tiver sido despertada. Ainda que estejas alegre agora, divertindo-te com os teus próprios enganos, ainda assim certamente gemerás no fim (v. 11). Durante todo este tempo, estás criando material para arrependi­ mento, e acumulando motivos para aflição e tormentos na reflexão, quando o pecado se apresenta diante de ti, com a sua própria forma. Mais cedo ou mais tarde, ele lhe trará tristeza, seja quando a alma for humilhada e levada ao arrependimento, ou quando a carne e o corpo forem consumidos, seja por enfermidades, quando o pecador enfrentar a sua consciência, seja pela sepultura – quando o corpo estiver apodrecendo ali, a alma estará sofrendo nos tormentos do inferno, onde os vermes não morrem, e “Filho, lembra-te” é uma súplica constante. Aqui Salo­ mão apresenta o pecador convencido, repreendendo a si mesmo, e agravando a sua própria tolice. Então ele lamentará amargamente o seu pecado. Em primeiro lugar, porque ele odiava ser transformado, também odiava ser informado, e não podia suportar que lhe fosse ensinado o seu dever (“Como aborreci a correção”, não somente a disciplina de ser instruído, mas a própria instrução, embora fosse toda verdadeira e boa!), ou ser informado dos seus erros – “desprezou o meu coração a repreensão” (v. 12). Ele não pode deixar de reconhecer que aqueles que tinham sido responsáveis por ele, pais, ministros, tinham feito a sua parte, eles tinham sido seus professores: eles o tinham instruído, e lhe tinham dado bons conselhos e advertências (v. 13); mas, para sua própria vergonha e confusão, e justificando a Deus, em todas as infelicidades que lhe sobrevieram, ele diz que não tinha obedecido à voz dos seus ensinadores, não tinha inclinado os seus ouvidos aos que o tinham instruído. nunca deu importância ao que eles diziam, nem admitiu as impressões de seus ensinamentos. Observe que aqueles que tiveram uma boa educação e não vivem de acordo com ela, terão muito a explicar em um dia futuro: e aqueles que não se lembrarem do que foram ensinados. para viverem em conformidade com estes ensinamentos. serão forçados a se lembrar deles, como um agravamento de seu pecado, e, consequentemente, para a sua ruína. Em segundo lugar, por meio de atos frequentes de pecado. os hábitos desse pecado estavam tão enraizados e confirmados que o seu coração estava plenamente decidido a cometê-lo (v. 14): “Quase que em todo o mal me achei no meio da congregação e do ajuntamento”. Quando ele entrava na sinagoga, ou nos átrios do templo, para adorar a Deus com os outros israelitas, o seu coração impuro estava cheio de pensamentos e desejos devassos, e os seus olhos, cheios de adultério. A reverência ao lugar, ao grupo e à obra que fazia não podia restringi-lo, mas ele era quase tão ímpio e vil ali como em qualquer outro lugar. Nenhum pecado pareceria mais assustador a uma consciência desperta do que a profanação das coisas santas: e nenhum agravamento de pecado o tornaria mais pecaminoso do que o lugar em que somos honrados, com a congregação e o ajuntamento, e os benefícios que ali temos. Zinri e Cosbi declararam a sua infâmia e como eram vis diante de Moisés e de toda a congregação (Números 25.6). O adultério de coração é, para Deus, uma transgressão declarada, e é necessariamente ofensivo a Ele, quando nos aproximamos dele em atividades religiosas. Eu estava em todo o mal, desafiando os magistrados e juízes e suas assembleias; esta é a interpretação de alguns. Outros aplicam isto ao mal da punição, e não ao mal do pecado: Fui feito um exemplo, um espetáculo para o mundo. Eu estava submetido a quase todos os amargos juízos de Deus, em meio à congregação de Israel, colocado como um marco. “Levantando-me na congregação, clamo por socorro” (Jó 30.28). Devemos evitar aquilo de que nos arrependeremos, no final.