PSICOLOGIA ANALÍTICA

DOENÇAS FREQUENTES NA CRISE ECONÔMICA

De acordo com o médico psiquiatra Marcelo Niel, a Organização Internacional do Trabalho (OIT) aponta que o desemprego é importante causa de sofrimento psíquico e adoecimento.

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De acordo com dados do IBGE do último mês de julho, o número de desempregados no Brasil alcançou 13 milhões de pessoas. Essa situação é uma das principais causas de sofrimento e adoecimento mental. Insônia, isolamento e falta de esperança se acumulam e provocam o aparecimento de doenças mentais, especialmente ansiedade e depressão.

Para Marcelo Niel, médico psiquiatra clínico e forense, além de psicoterapeuta Junguiano,  ”a tendência, sobretudo nesse período de grande instabilidade política, é que as pessoas se sintam cada vez mais ameaçadas e assombradas com a possibilidade de a miséria voltar a bater na porta dos brasileiros. Niel, que atualmente divide seu tempo atendendo pacientes em seu consultório em São Paulo e atuando como professor na Faculdade Pitágoras de Medicina, em Eunápolis, Bahia, acredita que o crescente desemprego deveria ser uma preocupação primordial para os governantes. “Isso impacta direta e muito negativamente nos índices de bem-estar da população, aumentando os problemas de saúde e a violência, uma conta bem mais cara a ser sanada no cenário brasileiro”.

Quanto ao desemprego propriamente dito, “um eficiente apoio psicológico pode ajudar as pessoas a desenvolverem estratégias de geração de renda que podem garantir o sustento e a melhoria da qualidade de vida, melhorando, consequentemente, o sofrimento psíquico. Em tempos de crise, é preciso reunir forças e buscar apoio para se reinventar para enfrentar os problemas com criatividade”, reflete Niel.

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EM QUE MEDIDA A CRISE ECONÔMICA E SUAS CONSEQUÊNCIAS CONTRIBUEM PARA O AUMENTO DE PROBLEMAS MENTAIS E PSÍQUICOS?

NIEL: Uma pessoa passando por dificuldades financeiras, sobretudo quando desempregada, aos poucos se isola e se afasta das pessoas, muitas vezes por vergonha e pela própria limitação financeira. Desânimo, vontade de desistir, preocupações constantes, cobranças vão acarretando mais e mais ansiedade, que pode acabar desencadeando quadros de depressão.

DE QUE FORMA ESSAS DOENÇAS SE MANIFESTAM?

NIEL: Sintomas ansiosos, como medo, taquicardia, crises de pânico, insônia, desânimo, falta de energia para dar continuidade às tarefas cotidianas, perda de vaidade, baixa autoestima. Todo esse conjunto faz com que a pessoa se sinta menos apta a encontrar soluções para os problemas e agrava ainda mais o problema gerando a depressão, que é uma das doenças mais frequentes nesses casos.

E STAR EM UMA SITUAÇÃO ECONÔMICA BEM NEGATIVA PODE GERAR, INCLUSIVE, UMA SOBRECARGA QUE AFETA A COGNIÇÃO E A CAPACIDADE DE TOMAR DECISÕES E DE JULGAMENTO?

NIEL: Sem dúvida. Já antes de um quadro de depressão ou ansiedade se instalar realmente a pessoa pode apresentar sensação de desânimo, menos-valia e, na presença de insônia, mais ainda a concentração e a capacidade de planejamento, julgamento e tomada de decisões podem estar afetadas.

O DESENIPREGO SERIA A PRINCIPAL CONSEQUÊNCIA DA CRISE E A MAIOR CAUSA DESSAS DOENÇAS?

NIEL: Não necessariamente. Porque há pessoas que têm maior “elasticidade” para lidar com tais problemas, o que chamamos modernamente de resiliência. É a capacidade de suportar as adversidades. Entretanto, quanto mais o problema se prolonga, mais dificuldades vão aparecendo e tudo fica mais difícil.

ESTUDOS QUE CONSEGUEM MENSURAR A GRAVIDADE DESSE IMPACTO NA SOCIEDADE?

NIEL: Sim. A Organização Internacional do Trabalho (OIT) aponta que o desemprego é importante causa de sofrimento psíquico e adoecimento. Um estudo realizado na Inglaterra, em 2013, estimou que mais de 1.100 mortes por ano são causadas pelo desemprego, tanto em decorrência de doenças mentais como pela falta de suporte adequado no sistema de saúde ao desempregado. No Brasil, alguns estudos apontam para a gravidade do impacto negativo na vida e na saúde mental de pessoas desempregadas.

COMO EVITAR QUE QUADROS DE ANGÚSTIA, ANSIEDADE OU DEPRES SÃO ATINJAM AS PESSOAS EM TEMPOS DE CRISE?

NIEL: O ideal é que as pessoas evitem o isolamento social, procurem os amigos para desabafar e buscar ajuda. Procurar apoio psicológico também pode ser importante ferramenta para lidar com o problema. E há muitos recursos, como em faculdades de Psicologia e ONGs, onde se pode encontrar apoio psicológico gratuito. Atividades comunitárias, cursos livres também podem contribuir para que a pessoa se sinta melhor.

O ESTRESSE PODE LEVAR À INSÔNIA, DEPRESSÃO, ANSIEDADE, MÁ ALIMENTAÇÃO E A POUCOS CUIDADOS COM A SAÚDE, O QUE ACABA REPERCUTINDO NA VIDA PESSOAL E FAMILIAR. EM PERÍODOS DE CRISE AUMENTA O NÚMERO DE SEPARAÇÕES CONJUGAIS?

NIEL: Separações, desentendimentos, rupturas, brigas familiares. Quanto mais a crise se arrasta, as dificuldades aumentam, e com isso mais cobranças, impaciência e discórdias. São períodos delicados, que exigem que a família se tina mais e busqt1e alternativas em conjt1nto para lidar com os problemas.

A PRECARIZAÇÃO DOS SERVIÇOS DE SAÚDE IMPEDE QUE PESSOAS COM ESSE QUADRO ENCONTREM O SUPORTE PSICOLÓGICO NECESSÁRIO?

NIEL: Sim. Percebemos que quanto maior a crise, mais pessoas adoecem e as filas para atendimento aumentam. Isso, associado à dificuldade já presente no sistema de saúde, amplia a dificuldade de acesso. Mas o apoio psicológico é um grande aliado. O ideal é verificar as alternativas gratuitas de que falei anteriormente.

UMA AÇÃO IMPORTANTE É O MOVIMENTO DE PSICANÁLISE DE RUA. PODE EXPLICAR COMO FUNCIONA?

NIEL: Esse movimento surgiu a partir do questionamento de alguns profissionais sobre a dificuldade de acesso às terapias, pelo elevado preço, que então criaram uma alternativa, atendendo pessoas gratuitamente, por exemplo, na praça Roosevelt, no centro de São Paulo. Aos poucos, novos profissionais têm se voluntariado e o movimento está inspirando novas ações em outros lugares da cidade.

ALÉM DOS EMPREGADOS, OS DONOS DE EMPRESAS TAMBÉM PODEM SENTIR OS EFEITOS PSICOLÓGICOS DA CRISE ECONÔMICA?

NIEL: Sim. Vemos que muitos empresários acabam acumulando problemas, responsabilidades e preocupações que também levam ao adoecimento.

A CRISE PODE ESTIMULAR O USO EXAGERADO DE DROGAS OU ÁLCOOL, PARA QUE SE TENHA UMA ESPÉCIE DE FUGA DOS PROBLEMAS?

NIEL:  Sem dúvida. Sabemos que o álcool é a droga mais barata em nosso meio, de fácil acesso, e que, pelo seu poder “calmante”, pode levar uma pessoa a consumir exageradamente como forma de buscar alívio. Isso pode gerar mais problemas do que trazer soluções.

O álcool, em um primeiro momento, pode ter um efeito ansiolítico, mas seu uso contínuo vai piorar o sono e a depressão, além de diminuir a vontade e a disposição. Sem contar o risco de se desenvolver o alcoolismo.

DURANTE PERÍODOS DE GRAVES CRISES ECONÔMICAS AUMENTAM AS VENDAS DE PSICOTRÓPICOS, COMO ANSIOLÍTICOS E ANTIDEPRESSIVOS?

NIEL: Sim. Tanto por pessoas que estão de fato em tratamento como por aqueles que buscam receitas com outros profissionais, além de pessoas que fazem uso por conta própria, conseguindo medicação com amigos e parentes ou comprando de forma ilícita.

EXISTE UMA INCIDÊNCIA MAIOR DE DOENÇAS MENTAIS PROVOCADAS PELA CRISE ENTRE OS HOMENS OU NÃO HÁ DISTINÇÃO DE GÊNERO?

NIEL: Sabemos que a depressão afeta mais mulheres do que homens, e a ansiedade afeta homens e mulheres em igual proporção. Há um questionamento se essa proporção é correta ou se o que ocorre, na verdade, é que as mulheres buscam mais por atendimento do que os homens, enquanto os homens “lidam” com o desconforto psíquico abusando do consumo de álcool.

A ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE APONTA CINCO FATORES DE INVESTIMENTO EM POLÍTICAS PÚBLICAS PARA DIMINUIR OS MALES PSICOLÓGICOS DAS CRISES: 1) PROGRAMAS DE CRIAÇÃO DE EMPREGO; 2) PROGRAMAS DE SUPORTE FAMILIAR; 3) REGULAÇÃO DOS PREÇOS E DA DISTRIBUIÇÃO DE BEBIDAS ALCOÓLICAS; 4) CUIDADO BÁSICO PARA POPULAÇÃO DE RISCO; 5) PROGRAMAS DE REDUÇÃO DE DÍVIDAS. O BRASIL ESTÁ MUITO LONGE DE OFERECER ISSO À POPULAÇÃO?

NIEL: Infelizmente, estamos muito longe. Não que não existam iniciativas, mas são numericamente insuficientes para atender as necessidades da nossa população. Infelizmente, muitos de nossos governantes não conseguem perceber que, sem cuidar da população, as pessoas adoecem mais, ficam mais improdutivas e isso acaba custando muito mais para o Estado. Mas não devemos esquecer que existem alternativas que as pessoas podem encontrar para lidar com os problemas, não apenas no sistema público.

POR QUE DETERMINADAS PESSOAS ADOECEM MENTALMENTE POR CAUSA DA CRISE E OUTRAS NÃO SÃO ATINGIDAS, APESAR DE VIVEREM A MESMA SITUAÇÃO?

NIEL: Há que se considerar diversos fatores para o aparecimento de uma doença mental, como a predisposição genética, o ambiente mais ou menos acolhedor que a pessoa vive, o apoio de amigos, parentes e também o nível de resiliência da pessoa. Quanto maior a capacidade da pessoa lidar com as adversidades, menor o risco de adoecimento.

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Autor: Vocacionados

Sou evangélico, casado, presbítero, professor, palestrante, tenho 4 filhos sendo 02 homens (Rafael e Rodrigo) e 2 mulheres (Jéssica e Emanuelle), sou um profundo estudioso das escrituras e de tudo o que se relacione ao Criador.

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