PSICOLOGIA ANALÍTICA

DOENÇAS FREQUENTES NA CRISE ECONÔMICA

De acordo com o médico psiquiatra Marcelo Niel, a Organização Internacional do Trabalho (OIT) aponta que o desemprego é importante causa de sofrimento psíquico e adoecimento.

Doenças frequentes na crise econômica.jpg

De acordo com dados do IBGE do último mês de julho, o número de desempregados no Brasil alcançou 13 milhões de pessoas. Essa situação é uma das principais causas de sofrimento e adoecimento mental. Insônia, isolamento e falta de esperança se acumulam e provocam o aparecimento de doenças mentais, especialmente ansiedade e depressão.

Para Marcelo Niel, médico psiquiatra clínico e forense, além de psicoterapeuta Junguiano,  ”a tendência, sobretudo nesse período de grande instabilidade política, é que as pessoas se sintam cada vez mais ameaçadas e assombradas com a possibilidade de a miséria voltar a bater na porta dos brasileiros. Niel, que atualmente divide seu tempo atendendo pacientes em seu consultório em São Paulo e atuando como professor na Faculdade Pitágoras de Medicina, em Eunápolis, Bahia, acredita que o crescente desemprego deveria ser uma preocupação primordial para os governantes. “Isso impacta direta e muito negativamente nos índices de bem-estar da população, aumentando os problemas de saúde e a violência, uma conta bem mais cara a ser sanada no cenário brasileiro”.

Quanto ao desemprego propriamente dito, “um eficiente apoio psicológico pode ajudar as pessoas a desenvolverem estratégias de geração de renda que podem garantir o sustento e a melhoria da qualidade de vida, melhorando, consequentemente, o sofrimento psíquico. Em tempos de crise, é preciso reunir forças e buscar apoio para se reinventar para enfrentar os problemas com criatividade”, reflete Niel.

Doenças frequentes na crise econômica. 3

EM QUE MEDIDA A CRISE ECONÔMICA E SUAS CONSEQUÊNCIAS CONTRIBUEM PARA O AUMENTO DE PROBLEMAS MENTAIS E PSÍQUICOS?

NIEL: Uma pessoa passando por dificuldades financeiras, sobretudo quando desempregada, aos poucos se isola e se afasta das pessoas, muitas vezes por vergonha e pela própria limitação financeira. Desânimo, vontade de desistir, preocupações constantes, cobranças vão acarretando mais e mais ansiedade, que pode acabar desencadeando quadros de depressão.

DE QUE FORMA ESSAS DOENÇAS SE MANIFESTAM?

NIEL: Sintomas ansiosos, como medo, taquicardia, crises de pânico, insônia, desânimo, falta de energia para dar continuidade às tarefas cotidianas, perda de vaidade, baixa autoestima. Todo esse conjunto faz com que a pessoa se sinta menos apta a encontrar soluções para os problemas e agrava ainda mais o problema gerando a depressão, que é uma das doenças mais frequentes nesses casos.

E STAR EM UMA SITUAÇÃO ECONÔMICA BEM NEGATIVA PODE GERAR, INCLUSIVE, UMA SOBRECARGA QUE AFETA A COGNIÇÃO E A CAPACIDADE DE TOMAR DECISÕES E DE JULGAMENTO?

NIEL: Sem dúvida. Já antes de um quadro de depressão ou ansiedade se instalar realmente a pessoa pode apresentar sensação de desânimo, menos-valia e, na presença de insônia, mais ainda a concentração e a capacidade de planejamento, julgamento e tomada de decisões podem estar afetadas.

O DESENIPREGO SERIA A PRINCIPAL CONSEQUÊNCIA DA CRISE E A MAIOR CAUSA DESSAS DOENÇAS?

NIEL: Não necessariamente. Porque há pessoas que têm maior “elasticidade” para lidar com tais problemas, o que chamamos modernamente de resiliência. É a capacidade de suportar as adversidades. Entretanto, quanto mais o problema se prolonga, mais dificuldades vão aparecendo e tudo fica mais difícil.

ESTUDOS QUE CONSEGUEM MENSURAR A GRAVIDADE DESSE IMPACTO NA SOCIEDADE?

NIEL: Sim. A Organização Internacional do Trabalho (OIT) aponta que o desemprego é importante causa de sofrimento psíquico e adoecimento. Um estudo realizado na Inglaterra, em 2013, estimou que mais de 1.100 mortes por ano são causadas pelo desemprego, tanto em decorrência de doenças mentais como pela falta de suporte adequado no sistema de saúde ao desempregado. No Brasil, alguns estudos apontam para a gravidade do impacto negativo na vida e na saúde mental de pessoas desempregadas.

COMO EVITAR QUE QUADROS DE ANGÚSTIA, ANSIEDADE OU DEPRES SÃO ATINJAM AS PESSOAS EM TEMPOS DE CRISE?

NIEL: O ideal é que as pessoas evitem o isolamento social, procurem os amigos para desabafar e buscar ajuda. Procurar apoio psicológico também pode ser importante ferramenta para lidar com o problema. E há muitos recursos, como em faculdades de Psicologia e ONGs, onde se pode encontrar apoio psicológico gratuito. Atividades comunitárias, cursos livres também podem contribuir para que a pessoa se sinta melhor.

O ESTRESSE PODE LEVAR À INSÔNIA, DEPRESSÃO, ANSIEDADE, MÁ ALIMENTAÇÃO E A POUCOS CUIDADOS COM A SAÚDE, O QUE ACABA REPERCUTINDO NA VIDA PESSOAL E FAMILIAR. EM PERÍODOS DE CRISE AUMENTA O NÚMERO DE SEPARAÇÕES CONJUGAIS?

NIEL: Separações, desentendimentos, rupturas, brigas familiares. Quanto mais a crise se arrasta, as dificuldades aumentam, e com isso mais cobranças, impaciência e discórdias. São períodos delicados, que exigem que a família se tina mais e busqt1e alternativas em conjt1nto para lidar com os problemas.

A PRECARIZAÇÃO DOS SERVIÇOS DE SAÚDE IMPEDE QUE PESSOAS COM ESSE QUADRO ENCONTREM O SUPORTE PSICOLÓGICO NECESSÁRIO?

NIEL: Sim. Percebemos que quanto maior a crise, mais pessoas adoecem e as filas para atendimento aumentam. Isso, associado à dificuldade já presente no sistema de saúde, amplia a dificuldade de acesso. Mas o apoio psicológico é um grande aliado. O ideal é verificar as alternativas gratuitas de que falei anteriormente.

UMA AÇÃO IMPORTANTE É O MOVIMENTO DE PSICANÁLISE DE RUA. PODE EXPLICAR COMO FUNCIONA?

NIEL: Esse movimento surgiu a partir do questionamento de alguns profissionais sobre a dificuldade de acesso às terapias, pelo elevado preço, que então criaram uma alternativa, atendendo pessoas gratuitamente, por exemplo, na praça Roosevelt, no centro de São Paulo. Aos poucos, novos profissionais têm se voluntariado e o movimento está inspirando novas ações em outros lugares da cidade.

ALÉM DOS EMPREGADOS, OS DONOS DE EMPRESAS TAMBÉM PODEM SENTIR OS EFEITOS PSICOLÓGICOS DA CRISE ECONÔMICA?

NIEL: Sim. Vemos que muitos empresários acabam acumulando problemas, responsabilidades e preocupações que também levam ao adoecimento.

A CRISE PODE ESTIMULAR O USO EXAGERADO DE DROGAS OU ÁLCOOL, PARA QUE SE TENHA UMA ESPÉCIE DE FUGA DOS PROBLEMAS?

NIEL:  Sem dúvida. Sabemos que o álcool é a droga mais barata em nosso meio, de fácil acesso, e que, pelo seu poder “calmante”, pode levar uma pessoa a consumir exageradamente como forma de buscar alívio. Isso pode gerar mais problemas do que trazer soluções.

O álcool, em um primeiro momento, pode ter um efeito ansiolítico, mas seu uso contínuo vai piorar o sono e a depressão, além de diminuir a vontade e a disposição. Sem contar o risco de se desenvolver o alcoolismo.

DURANTE PERÍODOS DE GRAVES CRISES ECONÔMICAS AUMENTAM AS VENDAS DE PSICOTRÓPICOS, COMO ANSIOLÍTICOS E ANTIDEPRESSIVOS?

NIEL: Sim. Tanto por pessoas que estão de fato em tratamento como por aqueles que buscam receitas com outros profissionais, além de pessoas que fazem uso por conta própria, conseguindo medicação com amigos e parentes ou comprando de forma ilícita.

EXISTE UMA INCIDÊNCIA MAIOR DE DOENÇAS MENTAIS PROVOCADAS PELA CRISE ENTRE OS HOMENS OU NÃO HÁ DISTINÇÃO DE GÊNERO?

NIEL: Sabemos que a depressão afeta mais mulheres do que homens, e a ansiedade afeta homens e mulheres em igual proporção. Há um questionamento se essa proporção é correta ou se o que ocorre, na verdade, é que as mulheres buscam mais por atendimento do que os homens, enquanto os homens “lidam” com o desconforto psíquico abusando do consumo de álcool.

A ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE APONTA CINCO FATORES DE INVESTIMENTO EM POLÍTICAS PÚBLICAS PARA DIMINUIR OS MALES PSICOLÓGICOS DAS CRISES: 1) PROGRAMAS DE CRIAÇÃO DE EMPREGO; 2) PROGRAMAS DE SUPORTE FAMILIAR; 3) REGULAÇÃO DOS PREÇOS E DA DISTRIBUIÇÃO DE BEBIDAS ALCOÓLICAS; 4) CUIDADO BÁSICO PARA POPULAÇÃO DE RISCO; 5) PROGRAMAS DE REDUÇÃO DE DÍVIDAS. O BRASIL ESTÁ MUITO LONGE DE OFERECER ISSO À POPULAÇÃO?

NIEL: Infelizmente, estamos muito longe. Não que não existam iniciativas, mas são numericamente insuficientes para atender as necessidades da nossa população. Infelizmente, muitos de nossos governantes não conseguem perceber que, sem cuidar da população, as pessoas adoecem mais, ficam mais improdutivas e isso acaba custando muito mais para o Estado. Mas não devemos esquecer que existem alternativas que as pessoas podem encontrar para lidar com os problemas, não apenas no sistema público.

POR QUE DETERMINADAS PESSOAS ADOECEM MENTALMENTE POR CAUSA DA CRISE E OUTRAS NÃO SÃO ATINGIDAS, APESAR DE VIVEREM A MESMA SITUAÇÃO?

NIEL: Há que se considerar diversos fatores para o aparecimento de uma doença mental, como a predisposição genética, o ambiente mais ou menos acolhedor que a pessoa vive, o apoio de amigos, parentes e também o nível de resiliência da pessoa. Quanto maior a capacidade da pessoa lidar com as adversidades, menor o risco de adoecimento.

Doenças frequentes na crise econômica. 2

Anúncios

OUTROS OLHARES

PRIMITIVOS.COM

Vídeos em que youtubers ensinam a construir ferramentas da Idade da Pedra se popularizam – ironicamente, em razão da busca pela “desintoxicação digital”.

Primitivos.com

Parece um paradoxo – e é. Em plena era digital, uma das ondas de apelo no YouTube propõe que o usuário esqueça o computador, o smartphone, a internet e outros atrativos onipresentes na vida contemporânea e se volte para a natureza e um passado distante, muito distante. A moda é puxada e encarnada pelo australiano John Plant, o youtuber responsável pelo canal Primitive Technology (Tecnologia Primitiva). Só de short – sem camisa e descalço -, Plant ensina, em vídeos gravados na floresta do Estado de Queensland em seu país natal, a construir ferramentas usadas por humanos na Idade da Pedra. Para tanto, vale-se tão somente de recursos da natureza ao seu redor. Se quer fogo, use gravetos. Se quer um machado, pegue pedras e o molde”, diz ele em seu canal, que já tem quase 9 milhões de seguidores.

Lançado em 2015, o Primitive Tecnology demorou dois anos para conquistar um público de grande monta. Ao longo dos primeiros doze meses, atraiu 788.000 fãs – um número expressivo, mas de pouca relevância diante dos milhões de seguidores angariados na web pelas celebridades. Em 2016, porém, os vídeos começaram a ganhar maior impulso. Um deles, divulgado naquele ano, sobre como fazer carvão natural, chegou a 1,5 milhão de visualizações em dois dias.

Até então, Plant, que não era afeito à fama, recusava-se a dar seu nome nas filmagens, nas quais sempre permanece mudo. Em junho de 2017, isso mudou. Para poder faturar mais com republicações de vídeos no Facebook, por meio de direitos autorais, o australiano finalmente passou a se identificar. Foi então que a audiência disparou, ultrapassando os 5 milhões de inscritos no canal até o fim daquele mesmo ano. De lá para cá, seus clipes já foram vistos 645 milhões de vezes. Ao comentar a relação entre as habilidades primitivas que ensina e as inovações modernas, Planta firmou à rede inglesa BBC: “Aprender a fazer uma fogueira é a habilidade mais importante e a base para a maior parte das tecnologias”.

Como sempre acontece nesta era de globalização aguda, a formidável popularização do canal australiano incentivou o aparecimento de similares ao redor do planeta. O Primitive Survival Tool, de Singapura, tem 2, 9 milhões de inscritos. O vietnamita Survival Skills Primitive e o americano Primitive Tecnology Idea têm, ambos, algo em torno de 1 milhão de seguidores. No Brasil, a mania ainda não explodiu, mas está chegando perto aos poucos, com páginas como Técnicas Primitivas e Vida Primitiva, que contam com um público que se situa modestamente na casa dos milhares.

Apesar de terem se disseminado pelo YouTube há pouco tempo, vivências em ambientes selvagens não são uma novidade. O assunto foi popular em programas de TV dos anos 2000. Um dos mais bem-sucedidos, À Prova de Tudo, estreou em novembro de 2006 nos Estados Unidos. Transmitido aqui pela Discovery, o programa teve 79 episódios e durou até 2011. Na atração, Bear Grylls, ex­ membro das Forças Especiais Britânicas, ensinava como sobreviver em locais inóspitos – do Alasca ao Deserto do Saara.

“Esse recente fenômeno da internet pode estar ligado a uma vontade extrema de regressar à natureza”, declarou a socióloga holandesa Saskia Sassen, da Universidade Columbia, nos Estados Unidos, especializada em estudos sobre digitalização. A tendência, portanto, estaria associada à necessidade das pessoas de se afastar do mundo ultra conectado – ironicamente, em razão da busca pela chamada “desintoxicação digital” que vem crescendo nesta década. Diz o psicólogo Cristiano Nabuco, coordenador do Grupo de Dependência Tecnológica da USP: “É como se tivéssemos atingido o limiar do uso das novidades digitais. Como o ser humano tem predisposição a movimentações pendulares, se estamos demasiado on-line, nós nos empenhamos para reforçar o outro lado, o da antítese da tecnologia”.

Primitivos.com. 2

GESTÃO E CARREIRA

CONSTRUINDO UMA MARCA PESSOAL

Como melhorar sua empregabilidade? Para responder a essa pergunta, apresentamos o conceito de PVP – Proposta de Valor do Profissional. Use essa estratégia para bombar nas redes e chamar a atenção de empregadores, clientes ou investidores.

Construindo uma marca pessoal

Pessoas sendo maquiadas, flashes de câmeras, designers a postos para tratar as imagens e um vaivém frenético de gente.

A cena que poderia descrever os bastidores de um desfile de moda, na verdade foi um dia de treinamento na Sul América.

A seguradora queria ensinar a seus 5.200 funcionários como se destacar na carreira, por isso colocou metade do time em salas em São Paulo e no Rio de Janeiro para participar de palestras sobre protagonismo, tutoriais para aprender a usar o LinkedIn e sessões de fotografia para cada um atualizar sua imagem na rede social. “Eu me senti um pop star”, disse um dos quase 3.000 empregados que se inscreveram para a iniciativa depois de ser maquiado e posar para fotos.

Quem não sonharia em trabalhar em um lugar assim? Pois é esse o efeito que as organizações desejam criar quando investem numa ação desse tipo. Trata­ se da estratégia de Proposta de Valor do Emprego – aquilo que as companhias prometem aos profissionais como o diferencial de estar ali. Quando bem-feita, segundo uma pesquisa da consultoria Gartner, ela aumenta em quase 75% a competitividade da marca em atrair os melhores talentos, melhora em mais de 35% o engajamento dos funcionários e contribui para o bom resultado financeiro do negócio. A própria Sul América apresentou, em 2017, um lucro líquido 11% acima do registrado no ano anterior.

Popularmente conhecida como EVP, de Employee Value Proposition, a tática tem se mostrado tão eficaz que seis em cada dez companhias projetam investir em ações que melhorem ou fortaleçam sua marca empregadora. Ora, se o conceito vale a pena para as corporações, por que não pensar nele também para as pessoas?

Em um período em que existem incontáveis formas de o indivíduo vender sua força de trabalho – da carreira clássica em grandes corporações ao empreendimento solo – o mais importante é reforçar a empregabilidade. Afinal, quem tem uma marca pessoal forte aumenta a chance de atrair a atenção de empregadores, investidores, sócios e até clientes. Foi por isso que estudamos o que está por trás da estratégia de EVP e a adaptamos para criar a PVP, ou Proposta de Valor do Profissional. Com ela você se tornará mais atraente para o mercado de trabalho.

Construindo uma marca pessoal. 3

DESENHE SUA PVP

Vamos seguir o princípio de que a EVP é formada por cinco pilares: recompensas (salário, benefícios, reconhecimento); oportunidades (promoções e trilhas de carreira); pessoas (qualidade dos colegas e reputação da liderança); trabalho (inovação alinhamento entre o que se produz e os valores pessoais dos empregados); e organização (Marca, produtos, reconhecimento no mercado, tamanho da empresa, ética organizacional). A partir daí, fazemos uma adaptação desses pontos para a pessoa física. “Recompensas, por exemplo) poderia ser traduzida em ‘valor’: qual é o diferencial de seu trabalho? Em que você agrega valor? Pessoas, seria seu ‘estilo de interagir com os outros’, e assim por diante. O exercício é usar a EVP para planejar o próprio potencial e refletir se está ou não no lugar certo. “Globalmente, as pessoas se mostram cada vez mais interessadas em refletir sobre atributos como estilo da gestão e equilíbrio entre trabalho e vida pessoal”, diz Vitorio Bretas, conselheiro executivo da Gartner.

É um processo árduo, como disse Simon Barrow, pioneiro do conceito de EVP e presidente da consultoria inglesa People in Business, a uma publicação: “A gestão da marca empregadora trata sobre a vida em si, sobre seu futuro, sua autoestima, sua autovalorização e a daqueles em torno de   você.  Não é fácil encontrar e manter tudo isso”. Para esboçar sua PVP faça uma profunda reflexão sobre quem é e o que deseja conquistar no futuro. “Nessa hora, leve em conta seu perfil e o que vale mais: recompensa, qualidade de vida, propósito, ética, viajar muito ou ter uma liderança inspiradora?”, diz Bell Gama, sócia-fundadora da Air Employee Experience consultoria que ajudou a Sul América a planejar o dia de estrela para os funcionários. A especialista ressalta que uma coisa não exclui a outra, mas é importante impor um peso sobre o que é mais relevante. Da mesma forma como uma corporação, o profissional deve definir os predicados de sua marca.

Para Jaqueline Resch, sócia-diretora da Resch Recurso Humanos, é essencial o indivíduo se avaliar como um produto na hora de criar sua PVP. “Faça a reflexão: Onde eu venderia esse produto? Quais seriam seus principais atributos?”, diz. E vale o mesmo exercício para quem deseja empreender. Nesse caso, “preciso é preciso definir antes se a proposta de valor será construída em cima da sua imagem (seu nome próprio) ou de uma marca criada (o nome fantasia). Se você escolher a pessoa física, será interessante dar uma incrementada para tornar sua identidade mais profissional, diz Bell, da Air Employee Experience.

Feito isso, pesquise as companhias que tenham a ver com seu perfil, sejam elas as tradicionais multinacionais, sejam as arrojadas startups, independentemente de tamanho e setor de atuação. Veja como comunicam a marca como se vendem, de que forma se descrevem. Algumas fontes ajudam nesse trabalho, como os sites Love Mondays e Glassdoor, e publicações como os guias de VOCÊ S/A -As 150 melhores Empresas para Trabalhar e Melhores Empresas para Começar a Carreira. Funcionários que trabalhem nesses locais também podem fornecer detalhes. O importante é conhecer a empresa e fazer um paralelo com sua proposta de valor.

TRACE UM PLANO

O próximo passo é montar um plano de ação. A pergunta aqui é: “Como vou fazer minha oferta ao mercado?” Pense sobre como você quer ser conhecido. “Para ter destaque é preciso se tornar uma referência. Não dá para ser o melhor em tudo, então escolha um nicho e trabalhe para ser lembrado”, afirma Luiz Carlos de Queiróz Cabrera, sócio da consultoria Panelli Motta Cabrera e um dos maiores headhunters do país.

Com o objetivo de alcançar o reconhecimento e construir sua proposta de valor, o profissional deve raciocinar como uma empresa. “Ao ver um aparelho da Apple, você pensa em conectividade. Uma bolsa Chanel remete a luxo e exclusividade. Qual é a marca que você quer imprimir? Você está sendo avaliado o tempo todo e as relações são feitas de impressões”, diz Irene Azevedoh diretora de transição de carreira e gestão da mudança da consultoria Lee Hecht Harrison (LHH).

Agora chega o momento de avaliar onde está seu público-alvo. De quem você deseja chamar a atenção e onde está esse pessoal? Uma dica para isso é analisar quem compraria seu conhecimento e habilidades ou seus produtos e serviços. “Se você faz artesanato a rede fotográfica Instagram tem mais a ver com isso. Se é um vendedor e precisa aumentar as relações profissionais então é mais indicado o LinkedIn”, diz Bell. Lembrando que estar presente em todas as redes é fundamental, mas o segredo é priorizar uma, na qual você manterá conteúdo exclusivo.

Descritos os atributos e o público-alvo, vamos para a etapa de exposição. Afinal de nada adiantará aprimorar competências e decidir qual rumo seguir se isso não for divulgado às partes interessadas. “Sua marca precisa ser percebida. Se você quer resultado deve provocar o mercado. Fale sobre o que você aprendeu, estimule sua rede, mostre que está antenado e é referência em determinado assunto”, diz Cabrera.

Hoje em dia a forma mais comum de se expor é pela internet. As redes sociais, como LinkedIn até mesmo Facebook e Instagram podem impulsionar a visibilidade e atrair os contatos de forma mais rápida. Mas Cabrera, que está acostumado a contratar muitos CEOs de grandes empresas, lembra que circular em eventos e palestras é essencial para manter o bom networking.

Se você optar pelo caminho mais curto e óbvio, o LinkedIn há de lembrar que a rede é mais do que um banco estático de currículos. As chances precisam ser escavadas. A ferramenta possibilita inúmeras conexões e traz oportunidade de ampliar seu círculo. Mas, par a isso é preciso fazer uma curadoria de conteúdo, manter certa frequência de publicações, ser pertinente, verdadeiro e, de fato, estar empenhado em fazer esse canal funcionar.

HORA DA DIVULGAÇÃO

Marcas fortes produzem conteúdo próprio. Quem fica só compartilhando links e postagens alheias é porque não tem muito a dizer. Portanto, escreva sobre a saúde de seu negócio ou sobre as conquistas no atual emprego. Divulgue quantos seguidores conseguiu, quantos produtos vendeu, quais prêmios recebeu. Exponha os recordes pessoais. Dependendo de como a comunicação for dirigida ela atrairá não só os recrutadores, mas também o sócio- investidor tão desejado.

Um planejamento de recursos pode ser necessário, seja de tempo, seja de dinheiro. “Usando um cartão de crédito, dá para impulsionar as publicações para públicos interessantes para você por idade ou por geolocalização”, diz Bell. Isso porque os algoritmos usados pelo Facebook e pelo Instagram não favorecem mais posts orgânicos – forçando os usuários a pagar pelo serviço de direcionamento de mensagem. Mas com menos de 100 reais por mês é possível alavancar os resultados.

Já no LinkedIn, paralelamente às publicações, busque pessoas interessantes para se conectar. Elas podem ser desde empresários e profissionais que você “admira” até alguém com potencial para contratá-lo ou investir em seu negócio. Escreva um texto personalizado convidando-as a ingressar em sua rede; proponha um café; apresente sua ideia. Outra dica é se voluntariar para participar de projetos em outras áreas ou ir a eventos de empreendedorismo – duas iniciativas que podem lhe   abrir portas, apresentar pessoas e agregar conhecimento. “Depois disso, prepare-se para muitas reuniões e encontros, pois ainda são o melhor jeito de conseguir investimento”, afirma Bell.

COLHA OS FRUTOS

O processo de construção de imagem é longo. Logo, se nesse período e após tanta reflexão sua rota se ajustar não há problema. “As coisas mudam muito rapidamente e é preciso estar sempre atento para corrigir os rumos” diz Irene da LHH. Quando isso acontecer, elenque as habilidades as competências que precisa desenvolver – procure ser profundo ao decidir qual é seu real propósito. Seja crítico e comece a agir. Se o cargo ou empreendimento que você sonha necessita de inglês ou de um conhecimento técnico que ainda não tem, planeje como superar essa barreira. “Não se constrói uma marca pessoal de uma hora para a outra. Não desanime se a lista de melhorias necessárias for grande, elas vão colaborar para seu desenvolvimento”, diz Sérgio Margosin, gerente da consultoria de recrutamento Michel Page.

Lembre-se de que o passo a passo para construir sua marca pessoal pode ser repetido várias vezes ao longo da carreira. Para saber se está evoluindo, acompanhe os principais indicadores. Você pode considerar, por exemplo, a quantidade de convites para cafés ou palestras como um indicador de bom desempenho. O LinkedIn, por exemplo, mostra gráficos de engajamento das postagens e ajuda a medir o nível de interação com a rede.

Mas nada disso terá valia se suas atitudes não estiverem alinhadas com seus valores. No mundo corporativo, as marcas mais lembradas e as que atraem mais gente são aquelas que têm um propósito forte e verdadeiro. Da mesma forma, na PVP o mais importante é entender quem você é e o que realmente quer. Quando há um alinhamento entre imagem e crenças, todo mundo se atrai por aquele produto. Nesse caso, o produto é você”.

Construindo uma marca pessoal. 5

POR DENTRO DA PVP

COMO CONSTRUIR SUA PROPOSTA DE VALOR PROFISSIONAL

PASSO 1: REFLITA SOBRE A CARREIRA

Dedique um tempo para pensar sobre o que você já atingiu em sua trajetória profissional e quais objetivos deseja alcançar. Avalie o que lhe daria satisfação: atuar numa nova área? Empreender? Estar numa empresa com perfil da atual? Mudar o enfoque de sua atividade: Seja sincero consigo mesmo.

PASSO 2: MAPEIE OS PROBLEMAS

Identifique as fraquezas que precisam ser superadas para conquistar seu objetivo. Pesquise cursos, converse com pessoas experientes e crie uma rotina de desenvolvimento.

PASSO 3: TRACE UM PLANO

Enquanto se desenvolve, coloque em prática algumas ações para dar visibilidade às suas competências e atributos. Defina a estratégia que mais combine com seu objetivo: gravar vídeos no YouTube, escrever no LinkedIn, participar de eventos, voluntariar-se para palestras, ter uma agenda periódica de encontros com pessoas que possam ajudá-lo a se tornar uma referência em sua área. O importante é mostrar ao mundo o que você tem a oferecer.

PASSO 4: MEÇA O RESULTADO

O mercado e as pessoas mudam constantemente, por isso é preciso com certa periodicidade revisitar suas escolhas. Dito isso, é fundamental acompanhar os indicadores de sua marca pessoal, como o número de seguidores, os convites para palestrar, os contatos para networking, os comentários nas publicações.

 

EMPREGO GARANTIDO

Três atitudes para aumentar sua empregabilidade

MANTENHA-SE ATUALIZADO

Além de apostar na educação contínua, acompanhe artigos, reportagens e eventos sobre o setor de interesse. Defina o segmento no qual se destacar e trabalhe para ser a verdadeira referência sobre o assunto. Isso também vale para os momentos de transição de carreira. Ser um destaque na área pretendida atrai recrutadores.

EXPLORE SUAS COMPETÊNCIAS.

Faça um diagnóstico sobre seus pontos fortes e fracos. Seja honesto e busque formas de aprimorar as competências em baixa. Aceite desafios para criar habilidades e fortalecer as que você já tem. Não espere ser descoberto! Mostre as pessoas ao redor que você está disponível.

ALIMENTE SUA REDE DE CONTATOS.

Você precisa estimular os outros a lembrar de suas competências e de seu conhecimento. Faça uma curadoria de conteúdo e publique nas redes sociais, principalmente LinkedIn. Gravar vídeos comentando desafios e experiências, por exemplo, ajudam a alavancar sua marca pessoal. Participe de eventos e encontros para aumentar seu networking;

FONTE: PANELLI MOTTA CABRERA.

Construindo uma marca pessoal. 4

COMO BOMBAR NO LINKEDIN

Mais de 2 milhões de posts, vídeos e artigos percorrem o feed da rede todos os dias. Veja algumas dicas para ter destaque com sua publicação.

SEJA OBJETIVO

45% dos usuários preferem conteúdos que vão direto ao ponto.

VERIFIQUE A INFORMAÇÃO

42% afirmam que o último conteúdo consumido veio de uma fonte confiável. Por isso, cheque sempre se a informação que vai postar é verídica.

PPRIORIZE OS TEXTOS

81% dos usuários preferem ler artigos; 54% gostam de estudos de caso; 38% se sentem atraídos por infográficos (entre os mais jovens esse percentual pula para 48%).

VERIFIQUE OS HORÁRIOS

O melhor momento para postar é aquele em que há mais atividades de suas conexões. Segundo a última medição do LinkedIn, o tráfego é maior às segundas e terças-feiras, das 12 às 13 horas – mas o algoritmo está em constante mudança.

COMPARTILHE O QUE VOCÊ SABE

Publique conteúdos sobre temas que você domine. Iniciar um debate sobre um assunto do qual você esteja por fora pode prejudicar sua imagem.

MENOS É MAIS

Postar em quantidade não significa necessariamente engajar sua rede. Vale mais compartilhar um bom conteúdo uma vez por semana do que fazer vários posts ruins.

FONTE: LINKEDIN

Construindo uma marca pessoal. 2 

ESTRELA DAS REDES

O LinkedIn tem mais de 500 milhões de usuários em 200 países. A plataforma também conta com mais de 10 milhões de empregos ativos e 9 milhões de companhias inscritas. Ou seja, é a vitrine ideal para você exibir sua marca pessoal. Saiba como fazer isso.

1 – USE UMA FOTO PROFISSIONAL

Fique atento à qualidade da luz e à resolução da imagem. De acordo com o LinkedIn, um perfil com imagem atrai 21 vezes mais recrutadores. Evite improvisar com retratos em festas, férias ou selfies.

2 – PENSE EM SEU NOME

Certifique-se de que o nome de seu perfil seja o mesmo que você utiliza em seu e-mail profissional ou pelo qual você é conhecido. Essa dica é válida especialmente para pessoas com mais de um sobrenome ou nomes duplos.

3 – ESCREVA O TÍTULO PERFEITO

Abaixo do campo do nome, você pode personalizar seu título. Coloque não só seu campo de atuação, mas palavras-chave relacionadas à sua área e ao setor em que gostaria de trabalhar. Por exemplo, se trabalha com Marketing e está especializado em redes sociais, coloque “estrategista em Relações Sociais”.

4 – ENFATIZE SUA TRAJETÓRIA DE CARREIRA

As pessoas são movidas por boas histórias, e não por dados. Por isso, em “Resumo Profissional”, relate sua história de carreira, por que escolheu a profissão, o que te motiva e quais são seus propósitos. É por ali que as pessoas vão te conhecer.

5 – PERSONALIZE SUA URL

Isso aumenta a chance de você expandir sua rede de contatos. Na página de perfil, clique em “Editar Perfil Público”. Na seção “Editar a URL do seu Perfil Público”, à direita, clique no ícone “Editar”. Modifique o final da URL com seu nome.

 6 – APROVEITE OUTRAS MÍDIAS

Você pode exemplificar momentos de sua carreira colocando links de textos, apresentações e vídeos que foram importantes em sua trajetória.

 7 – PUBLIQUE SUAS IDEIAS

Quando você mostra o que pensa, atrai audiência da rede. O LinkedIn permite postar fotos, vídeos, links e escrever artigos longos. Avalie qual é a ferramenta ideal para seu público.

8 – COMPARTILHE O QUE VOCÊ ACREDITA

A lógica de qualquer rede social é o compartilhamento. Só se lembre de que tudo o que você posta deve estar relacionado a seus interesses profissionais e ser relevante para sua área de atuação.

 9 – ADICIONE PESSOAS OU EMPRESAS DE INTERESSE

Ainda que não conheça ninguém na empresa que admira, não há nenhum problema em edicionar pessoas que já trabalhem ali. Envie uma mensagem personalizada falando sobre seu interesse.

10 – RESERVE TEMPO PARA GERIR O LINKEDIN

A rede social não funciona sozinha, e você precisa se empenhar para compartilhar, escrever e adicionar contatos. Isso aumenta sua chance de visualizações de perfil.

Construindo uma marca pessoal.png

FONTE: CONSULTORIA AIR EMPLOYEE EXPERIENCE.

ALIMENTO DIÁRIO

PROVÉRBIOS 4: 20-27

Pensando biblicamente

Instruções Paternas

Tendo nos advertido a não fazer o mal, aqui Salomão nos ensina como fazer o bem. Não é suficiente que evitemos as oportunidades de pecar, mas devemos estudar os métodos do dever.

 

I – Devemos ter uma contínua consideração pela Palavra de Deus, e nos empenhar para que ela esteja sempre disponível para nós.

1. Os dizeres da sabedoria devem ser os nossos princípios pelos quais devemos governar a nós mesmos, os nossos monitores, que nos advertem sobre o dever e o perigo; e por isto,

(1) devemos recebê-los com disposição: “Às minhas razões inclina o teu ouvido” (v. 20); humildemente, curva-te a elas; ouve-as com diligência. A audição atenta à Palavra de Deus é um bom sinal da obra da graça que se iniciou no coração, e um bom meio de levá-la adiante. Deve-se esperar que estejam decididos a fazer o seu dever os que estão dispostos a conhecê-lo.

(2) Devemos guardá-las cuidadosamente (v. 21); devemos mantê-las diante de nós, como nossa regra: “Não as deixes apartar-se dos teus olhos”; examina-as, mais de uma vez, e em tudo procura estar em conformidade com elas. Devemos guardá-las dentro de nós, como um princípio dominante, cujas influências se difundem por todo o homem: “Guarda-as no meio do teu coração”, como algo precioso para ti, e que temes perder. Que a Palavra de Deus esteja escrita no teu coração, pois aquilo que está escrito ali, permanecerá.

2. A razão pela qual devemos nos preocupar tanto com as palavras da sabedoria é que elas serão alimento e remédio para nós, como a árvore da vida (Apocalipse 22.2; Ezequiel 47.12). Os que as buscam e encontram, que as encontram e as guardam, encontrarão, nelas,

(1) Alimento: “Porque são vida para os que as acham” (v. 22). Assim como a vida espiritual foi iniciada pela Palavra, como seu instrumento, também, pela mesma Palavra, ela ainda é nutrida e mantida. Não poderíamos viver sem ela; podemos, pela fé, viver dela.

(2) Remédio. Elas são “saúde, para o seu corpo”; são saúde para o homem – tanto o corpo como a alma; elas ajudam a manter ambos em boa condição. Elas são saúde para toda a carne, segundo a Septuaginta. Há o suficiente para curar todas as doenças deste mundo enfermo. Elas são um remédio para toda a carne (este é o significado da palavra), para todas as suas corrupções, pois são chamadas de carne, para todas as suas angústias, que são como espinhos na carne. Na Palavra de Deus, há remédio adequado para todas as nossas enfermidades espirituais.

 

II – Nós devemos manter um olhar vigilante e uma mão firme sobre todos os movimentos do nosso homem interior (v. 23). Aqui temos:

1. Um grande dever, exigido pelas leis da sabedoria, e para que obtenhamos e preservemos a sabedoria: “Guarda o teu coração”, com toda diligência. Deus, que nos deu estas almas, nos deu, juntamente com elas, uma rígida incumbência: Homem, mulher, guarda o teu coração; “guarda bem a tua alma” (Deuteronômio 4.9). Devemos conservar um zelo santo sobre nós mesmos, e manter uma vigilância rígida. consequentemente, sobre todos os caminhos da alma; guardar os nossos corações, impedir que firam e que sejam feridos, que sejam profanados pelo pecado e perturbados pelas aflições; devemos guardá-los como nossa joia, como nossa vinha; conservar uma consciência livre de transgressões; expulsar os maus pensamentos; conservar os bons pensamentos; conservar o interesse sobre objetivos corretos e compromissos devidos. Guardá-los, com todo cuidado (este é o significado da palavra); há muitas maneiras de guardar as coisas – com cuidado, pela força, pedindo ajuda – e devemos usar todas elas para guardar os nossos corações; e ainda assim tudo isto não será suficiente, pois eles são enganosos (Jeremias 17.9). Ou, acima de todos os cuidados; devemos guardar os nossos corações com mais cuidado e diligência do que guardamos qualquer outra coisa. Devemos guardar os nossos olhos (Jó 31.1), guardar as nossas línguas (Salmos 34.13), guardar os nossos pés (Eclesiastes 5.11. mas, acima de tudo. guardar os nossos corações.

2. Uma boa razão apresentada para este cuidado: “Porque dele procedem as saídas da vida”. De um coração bem guardado, fluirão coisas vivas, bons produtos, para a glória de Deus e a edificação dos outros. Ou, em geral, todas as ações da vida fluem do coração, e, por isto, guardá-lo é fazer com que a árvore seja boa e as fontes sejam sadias. As nossas vidas serão regulares ou irregulares, confortáveis ou desconfortáveis, conforme os nossos corações sejam guardados ou negligenciados.

 

III – Devemos colocar uma sentinela diante da porta dos nossos lábios, para que não cometamos transgressões com a nossa língua (v. 24): “Desvia de ti a tortuosidade da boca e alonga de ti a perversidade dos lábios”. Sendo os nossos corações naturalmente corruptos, deles uma grande dose de comunicação corrupta pode surgir, e por isto devemos conceber um grande temor e ódio a toda forma de palavras más, maldições, juramentos, blasfêmias, palavrões, mentiras, calúnias, discussões, imundícies, e conversas tolas, uma vez que tudo isto vem de uma boca tortuosa e de lábios perversos, que não se deixam governar nem pela razão nem pela religião, mas contradizem a ambas, e que são tão desagradáveis e não favorecidos diante de Deus como o é uma boca distorcida e tortuosa diante dos homens. Todas as formas de pecados da língua, nós devemos, por constante vigilância e firme determinação. afastar de nós. apartar de nós, abstendo-nos de todas as palavras que tenham alguma aparência de mal, e temendo aprender essas palavras.

 

IV – Devemos fazer um concerto com os nossos olhos: “Os teus olhos olhem direitos, e as tuas pálpebras olhem diretamente diante de ti” (v. 25). Que os teus olhos se fixem, e não se desviem; que não vagueiem, buscando cada coisa que se apresenta, pois então serão desviados do bem e atraídos pelo mal. Desvia-os, impedindo que contemplem a vaidade; que o teu olho seja um só, e não dividido; que as tuas intenções sejam sinceras e uniformes, e não olhem, disfarçadamente, para nenhum objetivo secundário. Devemos conservar os nossos olhos voltados ao nosso Mestre, e procurar ser aprovados por Ele; conservar os nossos olhos sobre a nossa lei, e andar em conformidade com ela; conservar os nossos olhos em nossos objetivos, o prêmio da nossa chamada mais elevada, direcionando todos os nossos recursos para que possamos alcançá-los.

 

V – Devemos agir com ponderação, em tudo o que fizermos (v. 26): “Pondera a vereda de teus pés··. examina-a (este é o significado da palavra); coloca a Palavra de Deus em um prato da balança, e tudo o que fizeste, ou pensas fazer, no outro, e vê se estão equilibrados; sê minucioso e crítico ao examinar se o teu caminho tem sido bom, diante do Senhor, e se terminará bem. Nós devemos considerar os nossos caminhos passados, e examinar o que fizemos, e os nossos caminhos atuais, o que estamos fazendo, para onde vamos, e verificar se andamos de maneira prudente. Devemos considerar quais são os deveres e as dificuldades, quais são as vantagens e os perigos do nosso caminho, para que possamos agir de maneira adequada. “Nada façais precipitadamente!” (Atos 19.36, na versão RA).

 

VI – Devemos agir com firmeza, cautela e consistência: “Todos os teus caminhos sejam bem ordenados” (v. 26), e não sejas instável neles, como acontece com o homem indeciso; não hesites entre duas opções, mas prossiga em um caminho de obediência cada vez mais uniforme: “não declines nem para a direita nem para a esquerda”, pois há erros nos dois lados, e Satanás consegue os seus objetivos se fizer com que nos desviemos, para qualquer um destes. Seja muito cuidadoso para retirar o teu pé do mal; toma cuidado com os excessos, pois nele está o mal, e conserva os teus olhos à frente, para que possas seguir o caminho dourado. Os que desejam ser aprovados como sábios devem ser sempre vigilantes.