PSICOLOGIA ANALÍTICA

OS EFEITOS DA TRANSIÇÃO

Os momentos de crise provocam algum desequilíbrio. Mecanismos de defesa podem não dar conta da angústia – mas a situação também apresenta oportunidades de amadurecimento emocional.

Efeitos da transição

Desde o início de seus estudos sobre o inconsciente, Freud apoiou-se no modelo biológico para compreender o fenômeno mental. Chamou de princípio da constância a tendência a manter perene a soma das excitações para evitar o aumento de tensão. O criador da psicanálise pensava nas organizações psíquicas apoiadas em mecanismos de defesa como ferramentas na busca do controle das angústias. A dinâmica tem o propósito de manter o que o fisiologista americano Walter B. Cannon denominou homeostase, ou seja, o princípio presente em todo organismo vivo, sob o ponto de vista fisiológico e metabólico. Esse sistema de regulação também tende a manter nosso funcionamento mental relativamente estável; reações, rotinas e modos de relação com o mundo ganham certa previsibilidade e buscam evitar situações inesperadas que provoquem ansiedade.

Ao mesmo tempo que a vida traz transformação, um movimento de autopreservação nos leva a tentar conservar, de alguma forma, aquilo que conquistamos e conhecemos.

Os momentos de crise provocam a perda desse equilíbrio. Muitas vezes, os mecanismos de defesa não dão conta da angústia – e a ansiedade ganha força. Mesmo quando a situação de instabilidade tem origem no meio externo, fantasias adormecidas ligadas ao desamparo e ao abandono podem surgir com intensidade. É comum, então, vivenciarmos emoções, às vezes sem nome e sem contornos. As situações da realidade podem remontar experiências já vividas nos primórdios da infância e essas inseguranças se mesclam e tornam difusas as percepções sobre nossos limites e possibilidades reais. Sofremos não só com a situação presente, mas com as dúvidas quanto ao futuro que, por ser desconhecido, desperta nossos fantasmas. Nessas ocasiões, o medo, a ansiedade e a insônia podem nos inundar.

Dependendo do nível de amadurecimento emocional em que nos encontramos, somos capazes de discriminar melhor as fantasias e as condições reais. Mas é sempre recomendável, quando nos sentimos frágeis, evitar deixar os impulsos e as emoções comandarem nossos atos. A reflexão crítica e cuidadosa sobre a situação que estamos vivendo, se possível com a ajuda de um profissional especializado, pode contribuir para que o momento de transição propicie reavaliações e nos conduza a possibilidades interessantes. Não raro, surgem soluções criativas nesses momentos, quando abrimos espaço para a elaboração das angústias.

OUTROS OLHARES

BELEZA INTELIGENTE

Sistema de inteligência artificial aponta com precisão a idade cronológica e pode ajudar a entender o processo de envelhecimento.

Beleza inteligente

Um dos maiores campos de estudo da ciência atualmente é o que investiga a longevidade. Com a expectativa média de vida crescendo em todos os países, é preciso conhecer com precisão como se dá o processo de envelhecimento e de que forma aferir, visualmente, se a idade cronológica é compatível com a biológica. Isso nem sempre acontece e a discrepância entre uma e outra pode apontar se o organismo está mais ou menos desgastado do que aparenta.

Na semana passada, um consórcio de cientistas de vários países anunciou a criação de um programa de inteligência artificial (IA) que registra precisamente a idade cronológica a partir da análise de imagens do canto dos olhos. “Trata-se de um método não invasivo e muito acurado. Ele poderá nos levar a grandes descobertas sobre os processos biológicos envolvidos no envelhecimento”, afirmou a bioengenheira russa Anastasia Georgievskaya, criadora de uma empresa especializada no emprego da IA no estudo da longevidade.

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RECURSO IMPORTANTE

A princípio a afirmação da cientista parece ambiciosa. Mas o novo programa foi construído usando uma das tecnologias mais modernas de IA, o deep learning (a máquina aprende constantemente a partir dos dados que recebe). Por isso, está sendo considerado uma ferramenta poderosa para ajudar a decifrar os fatores que levam ao envelhecimento precoce e o que pode ser feito para evitá-los. Por sua importância, o sistema acaba de ser descrito em um artigo na Aging, uma das publicações científicas mais importantes da área.

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GESTÃO E CARREIRA

AS EMPRESAS DO FUTURO: FAMÍLIA NÃ0 É TUDO IGUAL

Investir em políticas de bem-estar familiar traz vantagens não só para o funcionário, mas para a empresa também. É preciso, no entanto, estar atento às questões de gênero, diversidade e inclusão.

As empresas do futuro - Família não é tudo igual

Almoço de dia das mães, evento de dia dos pais: ninguém aqui quer desmerecer ações como essas, mas o assunto vale uma reflexão. Será que o reconhecimento da família pela maioria das empresas se restringe às datas comemorativas? Ou ainda: de que família, afinal, estamos falando?

Mais que um salário razoável e participação nos lucros, os profissionais têm valorizado companhias abertas à diversidade, com políticas de igualdade de gênero e que se preocupam com o equilíbrio entre vida profissional e familiar dos funcionários. Isso significa abarcar não só o tradicional desenho de marido, mulher e filhos, mas incluir casais homoafetivos e quem opta pela produção independente. Implica também criar condições favoráveis para que pais e mães participem ativamente do desenvolvimento das crianças, principalmente durante a primeira infância – a fase que vai do nascimento aos 6 anos.

“Não adianta só a empresa dizer que é aberta e inclusiva. É preciso ter critérios que realmente favoreçam isso, como plano de saúde ampliado ao parceiro ou parceira ou licença estendida para pais e mães adotivos”, diz Sandra Gioffi, diretora da Associação Brasileira de Recursos Humanos.

No Brasil, as mulheres têm 120 dias de licença após o nascimento do filho. Os homens, cinco. Nas companhias que aderem ao Programa Empresa Cidadã, as funcionárias podem receber 180 dias, e os funcionários, 20. Como incentivo, o Governo Federal oferece dedução de imposto às participantes – até maio de 2018, o número de empresas inscritas era de 21.245, segundo a Receita Federal. O órgão não especifica a adesão por tipo de licença, mas um levantamento divulgado em agosto pela consultoria Mercer Marsh dá uma estimativa da situação da ala masculina. Segundo a pesquisa feita com 1.690 empresas do país, apenas 18% delas ampliaram a licença para homens. “A licença­ paternidade ainda é tabu. Mas a sociedade tem mudado e isso forçará as empresas, mais cedo ou mais tarde, a adotar uma postura mais igualitária. É um movimento sem volta”, diz Gerson Leite de Moraes, professor de ética e sociologia da Universidade Presbiteriana Mackenzie (SP).

Motivos para esse avanço não faltam. Os efeitos positivos da licença- paternidade estendida vão além dos dias de ausência na empresa. O maior envolvimento do pai com o bebê tende a continuar e traz reflexos importantes por toda a vida da criança, diz Eduardo Queiroz, CEO da Fundação Maria Cecília Souto Vidigal, organização sem fins lucrativos que atua na causa da primeira infância. “Pesquisas recentes indicam ganhos como maior desenvolvimento cognitivo, melhor desempenho escolar e menores taxas de delinquência”, afirma Queiroz. Dar condições para pais e mães acompanharem de perto o crescimento da prole não traz apenas vantagens a longo prazo para a família. A empresa também ganha. “Estudos provam que planos de benefícios relacionados ao bem-estar familiar trazem retornos como melhora do ambiente de trabalho, maior produtividade dos funcionários e menos rotatividade. Portanto, existem, sim, benefícios a curto prazo”, afirma Queiroz. Além das licenças prolongadas, há outras medidas possíveis para elevar a qualidade de vida dos funcionários – e, consequentemente, seu engajamento na corporação. A adoção de um horário flexível ou do sistema de home office, regulamentado pela reforma trabalhista, são algumas delas. Na hora de definir as políticas voltadas à família de suas equipes, a companhia pode escolher entre dois caminhos: cumprir à risca a lei ou inovar e estabelecer regras mais modernas, colocando-se à frente das regulamentações governamentais. “As empresas podem e devem assumir as rédeas das mudanças para se adequar às configurações dos novos tempos. Isso criará um movimento social que forçará o Estado a reconhecer as transformações como positivas”, diz Moraes, da universidade Mackenzie.

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Essa postura proativa na luta pela equidade de gênero – lembrando que não se trata mais de apenas duas opções – se faz necessária, principalmente, na ampla zona nebulosa da jurisprudência brasileira. A licença-maternidade para a mãe adotiva, por exemplo, é amparada por lei. Para o pai adotivo, entretanto, não há um artigo definitivo sobre a questão. Se um casal de mulheres engravida, apenas quem está gerando a criança tem direito garantido à licença-maternidade – mas há quem tenha conseguido a licença para as duas mães na Justiça.

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“Empresas são ótimas em categorizar e encaixar os funcionários dentro de suas políticas. Por um lado, isso organiza e facilita as coisas, por outro, pode tornar a abordagem excludente caso não contemple os novos arranjos familiares”, afirma o psicólogo Luciano Passianotto, especialista em sexualidade humana pela Unicamp. “As companhias precisam de políticas generalistas, que consigam atingir a todos os funcionários, sem distinção. Todas as políticas que valorizam somente o modelo de família tradicional estão ultrapassadas”, diz ele. Comemorar o dia das mães e ignorar a existência dos casais formados por dois homens ou caprichar na homenagem aos pais, mas restringir o auxílio-creche para mulheres, por exemplo, são medidas que não se alinham com o atual – e necessário – discurso pela diversidade, inclusão e igualdade no mundo corporativo.

 

DE OLHO NA NOVA GERAÇÃO

Os destaques na pesquisa em relação à primeira infância, em 2019. As melhores práticas serão premiadas em uma categoria especial.

 

TOKIO MARINE

A licença- paternidade é de 15 dias e vale para adoções e casais homoafetivos. O horário é flexível e o auxílio-creche (para pais e mães), não tem limite de idade para filhos com necessidades especiais.

 

LOSANGO

O auxílio-creche se aplica a homens e mulheres e a licença­ paternidade, estendida em 15 dias, inclui os casos de adoção. O banco de horas pode ser usado para flexibilizar a jornada de trabalho.

 

NUTRILITE

Oferece flexibilidade de horários, auxílio-creche para pais e mães, centro de saúde aberto à família e visita da equipe de saúde à casa de funcionária no pós-parto.

 

CONSÓRCIO LUIZA

Estendeu a licença­ paternidade e oferece abertura e flexibilidade para pais que precisam se ausentar por motivos como reunião escolar ou levar o filho ao médico.

KIMBERLY-CLARK

As licenças-maternidade e paternidade são estendidas. Filhos com necessidades especiais contam com reembolso mensal para despesas médicas.

 

BN PAPEL CATARINENSE

Oferece flexibilidade de horário para possibilitar cuidados com os filhos. A licença- paternidade é válida também para os funcionários que adotam crianças.

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ALIMENTO DIÁRIO

PROVÉRBIOS 3: 27-35

Pensando biblicamente

A Justiça e a Bondade são recomendadas; A Advertência contra a inveja.

 

A verdadeira sabedoria consiste no devido desempenho do nosso dever para com os homens, bem como para com Deus, em honestidade, como também em piedade; portanto, temos aqui vários preceitos excelentes de sabedoria que dizem respeito ao nosso próximo.

I – Devemos dar a todos o que lhes é devido, em justiça e em caridade, e não tardar em fazê-lo (vv. 27,28): “Não detenhas dos seus donos o bem (seja por falta de amor por eles ou por excessivo amor pelo dinheiro), estando na tua mão poder fazê-lo”, pois, se não estiver, não poderá ser esperado; mas se isto acontecer foi por tua própria culpa, pois, por tuas extravagâncias não pudeste agir com justiça e mostrar misericórdia, e deve ser uma grande tristeza para ti se Deus te incapacitou, e isto não tanto porque estás afligido em teus próprios confortos e conveniências, mas porque não tens recursos para dar àqueles a quem é devido. “Não detenhas”; isto sugere que é algo requerido e esperado, mas que a mão está fechada como também as entranhas da compaixão. Não devemos impedir que os outros o façam, não devemos ser nós mesmos relutantes em fazê-lo. Se o tens contigo hoje, se o tens no poder da tua mão, não digas a teu próximo: Vai, segue o teu caminho por enquanto, e torna em um momento mais conveniente, e eu verei o que pode ser feito; amanhã to darei; embora não tenhas certeza de que viverás até amanhã, nem de que amanhã o terás contigo. Não sejas tão relutante em te separar do teu dinheiro, por um bom motivo. Não inventes desculpas para adiar uma tarefa que deve ser feita, nem te deleites em manter teu próximo em sofrimento e suspense, nem exibir a autoridade que aquele que dá tem sobre o que pede; mas, prontamente e alegremente, e por um princípio de consciência para com Deus, dê o bem àqueles a quem ele é devido, aos senhores e amos (este é o significado da palavra), aos que, por qualquer motivo, têm direito a isto. Isto requer que nós:

1. Paguemos nossas dívidas sem fraude, complô ou demora.

2. Paguemos salários aos que os mereceram.

3. Procuremos suprir as necessidades de nossos amigos e parentes. Amparemos aqueles que dependem de nós, pois é nosso dever.

4. Paguemos o que é devido à igreja e ao estado, aos magistrados e ministros.

5. Estejamos preparados para todos os atos de amizade e humanidade, e em todas as coisas, sejamos amistosos; pois estas são coisas que são devidas por aquela lei que diz que devemos fazer, aos outros, aquilo que gostaríamos que nos fizessem.

6. Sejamos caridosos com os pobres e necessitados. Se aos outros falta o sustento necessário da vida, e se nós temos os recursos para supri-los, devemos considerar isto como devido a eles, e não reter os recursos. As esmolas são chamadas de justiça, porque constituem uma dívida para com os pobres, e uma dívida cujo pagamento não devemos adiar, pois – Dá em dobro aquele que dá rapidamente.

II – Jamais devemos desejar algum mal a alguém (v. 29): “Não maquines mal contra o teu próximo”; não planejes como causar-lhe algum mal não detectado, prejudicando o seu corpo, os seus bens, ou o seu bom nome, principalmente porque ele habita contigo confiadamente, e, não te tendo feito nenhuma provocação, não tem nenhuma suspeita de ti, e por isto não está vigilante. É contra as leis, tanto da honra como da amizade, fazer mal a alguém e não lhe dar um aviso. “Maldito aquele que ferir o seu próximo em oculto!” É algo extremamente vil e ingrato, se o nosso próximo tem uma boa opinião de nós, e julga que não lhe faremos nenhum mal, aproveitamos para enganá-lo e feri-lo.

 III – Não devemos ser contenciosos e litigiosos (v. 30): “Não contendas com alguém sem razão”; não contendas por algo a que não tens direito; não te ofendas por uma provocação que talvez tenha sido somente um descuido. Nunca perturbes o teu próximo com queixas e acusações frívolas, ou ações legais irritantes, quando não foi feito nenhum mal, ou nenhum digno de ser mencionado, ou quando puderes corrigir a injustiça de maneira amistosa. A lei deve ser o último recurso; pois não é somente o nosso dever, mas a preocupação que está em todos nós, viver em paz com todos os homens. Quando as contas estão equilibradas, poderemos perceber que pouco se consegue com disputas.

IV – Não devemos invejar a prosperidade dos malfeitores (v. 31).  Esta advertência é semelhante àquela que é tão insistida no Salmo 37: “Não tenhas inveja do homem violento”; ainda que seja rico e grandioso, ainda que viva em tranquilidade e prazer, e faça com que todos ao seu redor o reverenciem, ainda assim não o julgues feliz, nem desejes estar na sua condição. Não escolhas nenhum de seus caminhos; não o imites, não sigas os caminhos que ele usa para enriquecer. Nunca penses em fazer o que ele faz, ainda que tenhas certeza de conseguir, com isto, tudo o que ele tem, pois foi pago um alto preço por isto. Para mostrar os poucos motivos que os santos têm para invejar os pecadores, aqui Salomão, nos quatro últimos versículos do capítulo, compara a condição dos pecadores com a dos santos (como seu pai, Davi, tinha feito, Salmo 37), para que possamos ver como os santos são felizes, ainda que sejam oprimidos, e como os santos são infelizes, ainda que sejam opressores. Os homens devem ser julgados conforme a sua posição perante Deus, e como Ele os julga, e não conforme a sua posição nos livros do mundo. Estão corretos os que têm vontade semelhante à de Deus, e, se tivermos vontade semelhante à dele, qualquer que seja o pretexto que um pecador possa ter, para invejar a outro, veremos que os santos são tão felizes que não têm nenhuma razão para invejar nenhum pecador, ainda que a sua condição pareça ser altamente próspera. Pois:

1. Os pecadores são uma abominação para Deus, mas os santos são amados por Ele (v. 32). Os pecadores insubordinados, que continuamente se rebelam contra Ele, cujas vidas são uma perversa contradição à sua vontade, são uma abominação para o Senhor. Aquele Deus que não odeia nada do que criou abomina os que se desfiguraram desta maneira; os tais não somente são abomináveis aos seus olhos, mas uma abominação. Os justos, portanto, não têm razão para invejá-los, pois têm o segredo de Deus consigo: eles são os protegidos do Senhor; Ele tem aquela comunhão com eles que é um segredo para o mundo, e na qual eles têm tal alegria que um estranho não se intrometerá; Ele comunica a eles os sinais secretos do seu amor; o seu concerto está com eles; eles conhecem a sua vontade, e os significados e as intenções da sua providência, melhor do que outros podem conhecer. “Ocultarei eu a Abraão o que faço?”

2. Os pecadores estão sob a maldição de Deus, eles e também as suas casas; os santos estão sob a sua bênção, eles e a sua habitação (v. 33). O ímpio tem uma casa, talvez uma moradia forte e imponente, mas a mal­ dição do Senhor está sobre ela, está dentro dela, e, ainda que os negócios da família possam prosperar, as próprias bênçãos são maldições (Malaquias 2.2). Mesmo quando o corpo do perverso está plenamente alimentado, há fraqueza e magreza na alma (Salmos 106.15). A maldição pode operar silenciosamente e lentamente; mas é como uma lepra corrosiva; ela consumirá a casa com a sua madeira e com as suas pedras (Zacarias 5.4; Habacuque 2.11). Os justos têm uma morada, uma habitação, uma humilde cabana (a palavra é usada com o significado de aprisco, redil), uma moradia muito humilde; mas Deus a abençoa; Ele a abençoa continuamente, desde o princípio do ano até o seu final. A maldição ou a bênção de Deus está sobre a casa, conforme os seus habitantes sejam ímpios ou piedosos; e é certo que uma família abençoada, ainda que pobre, não tem razão para invejar uma família amaldiçoada, ainda que rica.

3. Deus despreza os pecadores, mas demonstra respeito pelos santos (v. 34).

(1) Aqueles que se exaltam certamente serão abatidos: certamente Ele escarnecerá dos escarnecedores. Dos que desdenham submeter-se à disciplina da religião, desdenham colocar sobre si o jugo de Deus, desdenham estar em dívida com a sua graça, que desdenham da santidade e das pessoas piedosas, e que têm prazer em zombar deles e ridicularizá-los, Deus escarnecerá, e os exporá ao escárnio diante de todo o mundo. Ele despreza a sua maldade impotente, se assenta nos céus e ri deles (Salmos 2.4). Ele se vinga deles (Salmos 18.26); Ele resiste aos soberbos.

(2) Aqueles que se humilham serão exaltados, pois Ele dá graça aos humildes; Ele opera neles, naquilo que lhes trará honra, e naquilo que fará com que sejam aceitos por Deus e aprovados pelos homens. Aqueles que suportam pacientemente o desprezo dos homens escarnecedores terão o respeito de Deus e de todos os homens de bem; e então, não terão razões para invejar os escarnecedores ou escolher os seus caminhos.

4. O destino dos pecadores será a vergonha eterna; o dos santos, a honra eterna (v. 35).

(1) Os santos são homens sábios, e agem com sabedoria, o que beneficia a si mesmos; pois embora a sua religião agora os envolva em obscuridade, e os deixe expostos ao opróbrio, ainda assim certamente herdarão a glória, por fim, sim, a glória eterna e excelente. Eles a terão, e a terão por herança; ela será a mais doce e assegurada possessão. Deus lhes dá a graça (v. 34) e por isto eles herdarão a glória, pois a graça é glória (2 Co 3.18). A graça é o início da glória, sim, um antegozo dela (Salmos 84.11).

(2) Os pecadores são loucos, pois não somente estão preparando a desgraça para si mesmos, como também, ao mesmo tempo, estão adulando a si mesmos com uma falsa perspectiva de honra, como se estivessem a caminho de se tornar grandes. O seu destino manifestará a sua loucura: A vergonha será a sua porção. Esta será a sua punição, pois virá em lugar da sua promoção; será toda a porção que eles poderão esperar, e Deus será glorificado na eterna confusão que sofrerão.