GESTÃO E CARREIRA

EXPERIMENTANDO NOVAS POSSIBILIDADES

O novo mundo traz demandas para novas necessidades de aprendizado e uma delas é saber empoderar o colaborador para uma cultura empreendedora.

Experimentando novas possibilidades

O mundo dos negócios, assim como a sociedade, também passa por um processo de “reinventação para responder bem aos novos desafios impostos, como a transformação digital, o respeito à diversidade, à ética, às novas gerações que chegam ao mercado de trabalho e às questões sempre pertinentes da sustentabilidade. Conforme as organizações se transformam, todas essas mudanças também precisam ser consideradas e priorizadas no papel exercido pela área de recursos humanos.

“Existem alguns elementos que são comuns a qualquer organização quando se fala em inovação. Uma delas é a capacidade de ser eficaz, em experimentar novas possibilidades. Inovação não vem de uma ideia, mas de várias que são testadas simultaneamente, e das quais apenas poucas sobrevivem”, explica Cláudio Garcia, vice-presidente executivo de estratégia e desenvolvimento corporativo da consultoria Lee Hecht Harrison (LHH).

Em multinacionais como a IBM, que sempre procurou a inovação e a reinvenção na era digital, o desafio de qualquer profissional, hoje em dia, é estar aberto à mudança, a novos hábitos, novas experiências. “Precisamos pensar diferente e aprender continuamente a trabalhar de maneira mais ágil e inovadora. E solução talvez esteja no maior empoderamento dos times, e cabe à gestão de recursos humanos fomentar essa cultura de inovação, que vai se expressar claramente nas novas formas de liderança”, exemplifica Luciana Camargo, vice-presidente de RH para a América Latina da IBM.

“Empoderamento dos colaboradores é, sem dúvidas, o melhor caminho para criar uma cultura empreendedora dentro das organizações e para enfrentar com mais equilíbrio as novas mudanças. Ao fazer com que as lideranças criem um ambiente mais favorável ao desenvolvimento de novos talentos, podemos também trabalhar de forma melhor o respeito pelo que as pessoas pensam, conseguimos entender e trabalhar melhor as diferenças de opinião e de pensamentos”, afirma Patrícia Coimbra, gestora de capital humano e sustentabilidade da Sul América.

APRENDER A LIDAR COM O NOVO MUNDO

As mudanças têm acontecido muito rapidamente na sociedade e, com tantas variáveis impactando os negócios ao mesmo tempo, as organizações estão aprendendo a lidar com esse novo mundo tão complexo que ainda está se compondo. Talvez por essa razão, para Garcia, da LHH, as organizações ainda não têm respostas na ponta da língua para lidar com esse novo mundo, “Mas elas precisam agir, já que não estão isentas dos impactos de todas as variáveis. Como não existem respostas prontas, elas precisam descobrir novos caminhos, ser curiosas e capazes de experimentar novas possibilidades. De errar e de desistir rapidamente daquelas sem futuro e escalar rapidamente aquelas bem-sucedidas”, acrescenta o consultor.

Segundo ele, o grande desafio é que, para fazer isso, essas organizações serão pressionadas a repensar seus modelos de gestão para que eles possam acolher a incerteza em vez de tentarem controlá-la. Isso implica grandes mudanças nas formas como estruturas, cultura organizacional, processos e relações internas e com clientes estão estabelecidas hoje.

“Todas as profissões são ou serão impactadas pela tecnologia. Assim, precisamos trabalhar para aumentar o potencial humano a partir dela. Temos de tirar o melhor desses processos e usar a tecnologia a nosso favor. Na IBM, a área de recursos humanos tem como principal objetivo o fomento de uma cultura de inovação, que está ligado a revitalizar o conhecimento das áreas mais estratégicas do nosso negócio; ou seja, é um processo de transformação do negócio a partir de um ponto de vista muito mais amplo-, explica Luciana.

Com tantas mudanças em tão pouco tempo, os gestores de pessoas e suas respectivas áreas têm de redesenhar seus processos para que eles sejam mais orientados aos usuários finais dos seus serviços. Como afirma Garcia, da LHH. Os profissionais da área deveriam ser mais curiosos e, também, deveriam experimentar mais novas possibilidades para serem mais eficientes. Muitos dos processos atuais foram desenhados de forma equivocada, já que, por exemplo, eliminam a diversidade, estimulam relações transacionais, acabam com a confiança e não desenvolvem a maturidade de seus talentos internos”, diz.

“Cada vez mais temos de trabalhar muito junto com quem faz parte do dia a dia do negócio, com quem afeta e é afetado por todas as ações, resoluções e atitudes. Quanto mais perto estivermos desse público, mais a área de recursos humanos vai poder desenvolver as melhores soluções em conjunto. Temos de ouvir e, cada vez mais, construir com um maior equilíbrio as soluções ideais para o nosso negócio e para a sociedade que atendemos”, conta Patrícia, da Sul América. Aliás, a empresa, diz a executiva, adota a ideia de quanto mais perto o RH de outra área, por exemplo, mais juntas vão buscar as melhores soluções.

Com a tecnologia digital trazendo e, ao mesmo tempo, exigindo mais agilidade e diversidade nas organizações, é preciso ter uma definição clara de como quer funcionar e aonde deseja chegar. Por essa razão, os gestores apontam o diálogo constante, o feedback rápido e o empoderamento das equipes como algumas das soluções para que as empresas possam ser protagonistas na criação de um futuro melhor.

“O objetivo de um gestor de RH deve ser promover um ambiente de transparência e de construção para a organização e onde todos possam cooperar.

Precisamos ter soluções e ferramentas de gestão que sejam relevantes para o negócio, mas que também possam ser úteis e simples para as pessoas envolvidas no processo entenderem e darem sua contribuição, porque é muito importante reconhecermos que vamos sempre trabalhar com gente que está em diferentes momentos de atuação e de diálogo”, completa Patrícia.

Para Luciana, da IBM, todos os momentos de crise ou de grandes mudanças devem ser vistos como grandes oportunidades. “Oportunidades para nos reinventarmos, para refletirmos sobre o que e como estamos fazendo. Em especial, o gestor de recursos humanos, em tempos de crise, tem de saber entender o momento dos negócios e como pode ser parceiro nas soluções e nas decisões estratégicas para as companhias e para a própria gestão de pessoas”, diz.

A questão da formação de lideranças em tempo de novas organizações como parte de uma nova sociedade também é um fator que precisa de maior consistência. Essas lideranças precisam ser treinadas com uma clareza muito grande de aonde querem chegar e para onde a organização deseja ir. Elas precisam estar em sintonia com esse olhar para o futuro, terem claro qual é a demanda do mercado naquele momento e entenderem que todos esses fatores precisam se cruzar e se falarem nesse caminho.

Como diz Garcia, da LHH: “Qualquer profissional ou gestor deveria estar sempre se perguntando se os serviços que está suportando estão efetivamente contribuindo para o alcance da meta da empresa. Isso significa questionar inclusive o que criou ou implementou e até se desapegar rapidamente do que não deu certo”.

Autor: Vocacionados

Sou evangélico, casado, presbítero, professor, palestrante, tenho 4 filhos sendo 02 homens (Rafael e Rodrigo) e 2 mulheres (Jéssica e Emanuelle), sou um profundo estudioso das escrituras e de tudo o que se relacione ao Criador.