PSICOLOGIA ANALÍTICA

O CONTÁGIO DAS EMOÇÕES

Seus amigos são felizes e mentalmente saudáveis? E as pessoas com quem eles se relacionam? Pesquisa mostra que o grau de satisfação daqueles que nos cercam tem profundo impacto na satisfação das pessoas. O mais curioso é que essa “transmissão emocional” pode ocorrer até pelas redes sociais.

O contágio das emoções

É como um surto de gripe, só que no âmbito mental: a felicidade, a gentileza e o entusiasmo – e também comportamentos que fazem mal à saúde física e mental, como irritação, reclamações e até sintomas de depressão – são transmissíveis. Emoções e hábitos contaminam outras pessoas a até “três graus de separação”. Para entender melhor: o fato de o amigo de um amigo seu ser uma pessoa alegre, bem-humorada e satisfeita com a própria vida aumenta em aproximadamente 6% as chances de que você seja uma pessoa feliz. Isso significa que é fundamental escolher com cuidado os grupos dos quais participamos. Mas vai além: de alguma forma, temos também responsabilidade sobre o bem-estar das pessoas com quem moramos, trabalhamos, estudamos. E também sobre a qualidade de vida daqueles que se relacionam com quem convivemos.

Mesmo de longe é possível influenciar (e ser influenciado) pelas formas de ver o mundo, se relacionar com os outros e até com o próprio corpo. Essa interferência torna mais ou menos frequente, por exemplo, a manutenção de hábitos que nos fazem engordar ou emagrecer, fumar e beber. Até as horas de sono de uma pessoa podem estar sujeitas ao comportamento alheio. “Mesmo as pessoas que não conhecemos têm influência sobre nosso humor”, garante o cientista político James Fowler, pesquisador da Faculdade de Medicina da Universidade da Califórnia em San Diego, um dos coordenadores do estudo sobre a transmissão de emoções e estados mentais.

O cientista não tem dúvida de que, assim como a saúde, a felicidade e a insatisfação podem ser entendidas como um fenômeno coletivo. Fowler e seu colega Nicholas Christakis, pesquisador da Faculdade de Medicina da Universidade Harvard de Boston, realizaram estudos para entender esse processo. Para medir o grau de bem-estar, a dupla recorre a um teste validado com quatro itens, a CES-D (Center for Epidemiological Studies Depression Scale, ou Escala de Depressão do Centro de Estudos Epidemiológicos). A ferramenta considera com que frequência, na última semana, a pessoa teve problemas no sono, sentiu-se triste, sem esperanças e outros aspectos relacionados à depressão.

Em um dos experimentos, desenvolvido ao longo de mais de 20 anos, os autores de O poder das conexões (Elsevier, 2009) fizeram a conexão de mais de 53 mil ligações sociais entre cerca de 5 mil pessoas – um número surpreendente para uma pesquisa clínica. Os voluntários mantinham os pesquisadores regularmente informados sobre seu estado emocional e de saúde – além disso, passavam periodicamente por exames médicos e respondiam a questionários psicológicos para avaliação de seu nível de satisfação. As pessoas que faziam parte de sua rede de contatos sociais também eram acompanhadas, o que permitiu que Fowler e Christakis “conectassem os pontos”.

Os dois reuniram informações a respeito de hábitos ligados ao cuidado de si – como tabagismo, sedentarismo e obesidade –, buscando entender como comportamentos são permeados pelas redes de relacionamento num famoso experimento longitudinal que ficou internacionalmente conhecido como Estudo de Framingham (FHS, do inglês Framingham Heart Study). Em 2000, essa pequena cidade em Massachusetts tinha aproximadamente 70 mil habitantes, vários deles brasileiros, acompanhados pelos cientistas por três gerações. O desafio era destacar os principais fatores de risco para doenças cardiovasculares. Graças a essa pesquisa, nos últimos anos foram acrescentados muitos conhecimentos ao que se sabia sobre diabetes, hipertensão, alterações no colesterol, sedentarismo e tabagismo. Fowler e Christakis se deram conta de que ter um parente de primeiro grau com alguma dessas doenças é um fator de risco importante para o desenvolvimento do mesmo quadro não necessariamente em razão da genética, mas em grande parte por causa de hábitos em comum.

DE PERTO É MAIS FÁCIL

A distância física entre as pessoas também é um fator importante a ser considerado, segundo os cientistas. Tanto a felicidade quanto a dependência de cigarro e a obesidade se espalham mais quando a proximidade é maior, de acordo com os pesquisadores. Ter um vizinho de porta feliz – com quem nos relacionamos frequentemente – aumenta as chances de satisfação geral com a vida em 34%. Um irmão, amigo ou parceiro afetivo bem-humorado vivendo até 1,6 km de nós incrementa em até 25% a nossa probabilidade de nos sentirmos satisfeitos. Se a distância diminuir, melhor: ter uma pessoa querida de bem com a vida num perímetro de até 800 metros favorece em 42% o índice pessoal de satisfação.

O efeito cai à medida que a rede social se prolonga: a felicidade dos amigos aumenta suas chances imediatas de felicidade em aproximadamente 15%, e a dos amigos dos amigos, em 10%. Tal como acontece com a obesidade e o tabagismo, os cientistas não detectaram nenhum efeito para além dessa proximidade. “Embora possa haver até seis graus de separação entre duas pessoas, detectamos apenas três de influência”, salienta Christakis. Fowler afirma que para além de três ligações ocorre uma espécie de dissonância social, como se interferências influíssem na transmissão do comportamento, quase como uma onda.

No caso da felicidade, sentimentos sombrios podem conter a disseminação. Fowler e Christakis descobriram que cada contato feliz aumenta em 9%, em média, as probabilidades de felicidade de uma pessoa, enquanto um contato infeliz diminui essas chances em 7% – restam, portanto, apenas 2%. Fowler, porém, acredita que a felicidade tem mais possibilidades de se espalhar por ser uma emoção que favorece a coesão social. Faz sentido: enquanto a tristeza está associada ao isola- mento e ao encerramento em si mesmo, a alegria parece “combinar” com a extroversão e a necessidade de extravasar o sentimento. Na opinião do pesquisador, ao longo da evolução a felicidade visível e contagiante pode ter ajudado nossos antepassados a manter a coesão social. Afinal, costuma ser muito mais agradável estar perto de gente satisfeita e bem-humorada que de pessoas infelizes.

O MAPA DAS RELAÇÕES

o diagrama criado por James H. Fowler e Nicholas A. Christakis é possível observar, graficamente, a propagação dinâmica da felicidade em uma grande rede social. Cada ponto representa uma pessoa (os círculos são femininos, os quadrados são masculinos). Linhas entre nós indicam relacionamento (preto para irmãos, vermelho para amigos e cônjuges). A cor do ponto denota felicidade média do ego e todos os diretamente conectados (distância 1) se alteram, com tons azuis indicando os menos felizes e amarelos mostrando a maioria feliz (tons de verde são intermediários). As linhas representam relações familiares ou de amizade. Quanto mais no centro do círculo a pessoa se encontra, mais intensamente está conectada com outras.

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OUTROS OLHARES

BEBÊS MADE IN CHINA

Recebida com ceticismo, a notícia de que um biólogo chinês teria criado os primeiros humanos com DNA modificado em laboratório reacende o debate sobre os limites éticos da ciência.

Bebês made in china

“Sinto a forte responsabilidade de não só chegar primeiro, mas também de estabelecer um exemplo. A sociedade decidirá o que fazer a seguir.” Assim o biólogo chinês He Jiankui apresentou ao mundo, em entrevista exclusiva concedida à agência noticiosa americana Associated Press, na segunda-feira 25, a desconcertante história das bebês gêmeas apelidadas de Lula e Nana – não se conhecem ainda os verdadeiros nomes das meninas. Caso seu relato seja verdadeiro, as irmãs seriam os primeiros seres humanos nascidos com o DNA modificado em laboratório. O cientista alega que, para alcançar a suposta proeza, utilizou a técnica conhecida como Crispr-Cas9 para manipular os genes dos embriões nas plaquetas (veja os detalhes no quadro abaixo). O objetivo da manipulação teria sido desativar o gene CCRS, responsável por produzir uma proteína que deixa o organismo vulnerável ao HIV, o vírus da aids. Assim, teoricamente, os bebês, cujo pai é soropositivo, seriam imunes à doença. Jiankui esclareceu que a técnica teve 100% de sucesso em uma das gêmeas e êxito parcial na outra – esta, portanto, ainda poderia contrair o HIV ao longo da vida.

A notícia foi recebida com críticas, muitas críticas, pela comunidade científica internacional – em especial pelas questões éticas que o procedimento do biólogo chinês levanta. A edição de embriões humanos é proibida, por exemplo, nos Estados Unidos e no Brasil. Mesmo na China, onde não é ilegal, o trabalho de He Jiankui foi atacado. Em uma carta aberta que circula on-line, mais de 100 cientistas – a maioria em atividade no país asiático – repudiaram o anunciado feito do colega: “A ética biomédica para essa suposta pesquisa existe apenas no nome. Fazer pesquisas diretamente em humanos só pode ser caracterizado como loucura. A caixa de Pandora foi aberta” observou o grupo. “Talvez ainda tenhamos um resto de esperança para fechá-la antes que seja tarde demais”, completaram os especialistas. Raros foram os pesquisadores que apoiaram o biólogo chinês. Um deles, George Church, geneticista da Universidade Harvard (EUA), declarou: “Creio que seja justificável (o uso da técnica Crispr-Cas9) para combater o HIV, uma imensa e crescente ameaça à saúde pública”.

Outro senão que alarmou os cientistas ao redor do planeta foi o modo como He Jiankui procedeu do ponto de vista acadêmico. O chinês, é verdade, descreveu todo o processo de seu experimento, mas sem tê-lo exposto à avaliação de colegas ou de revistas científicas, como seria de praxe. Em razão disso, por enquanto, tudo o que se tem como certificado do êxito da experiência são suas palavras. De acordo com o biólogo, a manipulação genética foi feita durante a fertilização em laboratório. He Jiankui conta que primeiramente isolou um espermatozoide e depois inseminou um óvulo. Em seguida, editou quimicamente o embrião. No total, teriam sido realizadas seis tentativas de implante de embriões no ventre materno até que a gestação vingasse.

Cientistas que analisaram os ainda parcos documentos apresentados por He Jiankui avaliam que, na hipótese de o biólogo estar dizendo a verdade, são imprevisíveis os efeitos colaterais nos bebês com DNA modificado. A manipulação do gene CCRS pode, por exemplo, deixar as gêmeas muito suscetíveis à morte por uma simples gripe. Para o biomédico Kiran Musunuru, da Universidade da Pensilvânia (EUA), a prática foi “inescrupulosa, uma experiência com seres humanos indefensável em termos éticos”. Segundo sua análise, no caso da bebê que ainda continuou vulnerável ao HIV, “na verdade haveria quase nada a ser ganho e ela estaria sendo exposta a toda sorte de risco à saúde”.

A técnica Crispr-Cas9 foi desenvolvida, em 2012, pela microbióloga francesa Emmanuelle Charpentier e pela bioquímica americana Jennifer Doudna. O método foi testado em humanos adultos pela primeira vez em 2016, quando pesquisadores da Universidade Sichuan, na China, inseriram células modificadas em um paciente com câncer de pulmão com o objetivo de aprimorar a defesa do organismo contra o tumor. Os resultados, inconclusivos, foram então publicados na revista inglesa Nature. Um ano depois, em 2017, cientistas da Universidade de Saúde e Ciência do Oregon (EUA) editaram um embrião humano para evitar uma mu­ tação hereditária que implicaria em problemas cardíacos. Em ambos os casos, entretanto, não houve inseminação. O suposto passo além de He Jiankui teria sido realizar a concepção e promover o nascimento dos bebês. Assim, ao contrário do que ocorre quando a manipulação é realizada em genes de adultos, as características modificadas nas crianças – sejam elas benéficas ou não – poderiam, no futuro, ser transmitidas a seus herdeiros.

A veracidade dos resultados alardeados por He Jiankui foi amplamente questionada. Disse o geneticista catarinense Ciro Martinhago, doutor em genética reprodutiva e dono do laboratório Chromosome: “Há muitos outros exemplos de feitos aparentemente grandiosos que foram falsificados. Vale lembrar que, em 2005, Hwang Woo-suk, professor de veterinária da Universidade de Seul, anunciou que havia produzido os primeiros humanos clonados e extraído deles células­ tronco. Pouco tempo depois, descobriu-se que era tudo mentira”. Diante da avalanche de dúvidas mundo afora, o biólogo chinês revelou, na quarta 28, durante a II Conferência de Edição de Genoma Humano, na Universidade de Hong Kong, que uma segunda gestação com embriões igualmente editados está em curso na China. Ele garantiu ainda ter enviado um artigo com o estudo para a avaliação de uma revista científica, cujo título não informou.

O que dificulta sobremaneira a checagem das informações do biólogo chinês é que os experimentos teriam sido realizados em uma empresa privada – de propriedade do próprio He Jiankui, que desde fevereiro se encontra licenciado, sem remuneração, de suas funções como professor na Universidade de Ciência e Tecnologia do Sul da China. Caso os resultados se confirmem, a próxima e inexorável etapa do processo será a promoção de um debate público acerca da pertinência de experimentações semelhantes com seres humanos.

Nesse ponto, a história tende a se repetir. Na área genética, dois casos servem de referência. Em 1978, ano em que nasceu, na Inglaterra, a menina Louise Brown, o primeiro bebê de proveta da história, o prodígio, realizado pelo médico Robert Edwards (1925 – 2013), foi classificado como “abominação moral” por boa parcela da comunidade científica. Havia, na época, receio em relação aos efeitos colaterais para a criança – Louise hoje tem 40 anos. Com o tempo, verificou-se que a técnica trazia muito mais benefícios. Ela se popularizou e Edwards ganhou o Nobel em 2010. No caso da clonagem, apresentada ao planeta em 1996 com a ovelha Dolly, o próprio criador, o escocês lan Wilmut, se mostrou contrário ao uso do método em humanos. Após avaliações técnicas de universidades e de especialistas da ONU, chegou-se ao consenso de que a clonagem de pessoas é antiética e imoral – e, hoje, até a usualmente permissiva China proíbe o procedimento. Em tese, a edição de bebês permitiria o combate a doenças, mas também a escolha de dotes que atenderiam, por exemplo, a interesses de eugenistas. E sabemos no que dá a ideia de uma raça supostamente pura e perfeita.  

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GESTÃO E CARREIRA

EXPERIMENTANDO NOVAS POSSIBILIDADES

O novo mundo traz demandas para novas necessidades de aprendizado e uma delas é saber empoderar o colaborador para uma cultura empreendedora.

Experimentando novas possibilidades

O mundo dos negócios, assim como a sociedade, também passa por um processo de “reinventação para responder bem aos novos desafios impostos, como a transformação digital, o respeito à diversidade, à ética, às novas gerações que chegam ao mercado de trabalho e às questões sempre pertinentes da sustentabilidade. Conforme as organizações se transformam, todas essas mudanças também precisam ser consideradas e priorizadas no papel exercido pela área de recursos humanos.

“Existem alguns elementos que são comuns a qualquer organização quando se fala em inovação. Uma delas é a capacidade de ser eficaz, em experimentar novas possibilidades. Inovação não vem de uma ideia, mas de várias que são testadas simultaneamente, e das quais apenas poucas sobrevivem”, explica Cláudio Garcia, vice-presidente executivo de estratégia e desenvolvimento corporativo da consultoria Lee Hecht Harrison (LHH).

Em multinacionais como a IBM, que sempre procurou a inovação e a reinvenção na era digital, o desafio de qualquer profissional, hoje em dia, é estar aberto à mudança, a novos hábitos, novas experiências. “Precisamos pensar diferente e aprender continuamente a trabalhar de maneira mais ágil e inovadora. E solução talvez esteja no maior empoderamento dos times, e cabe à gestão de recursos humanos fomentar essa cultura de inovação, que vai se expressar claramente nas novas formas de liderança”, exemplifica Luciana Camargo, vice-presidente de RH para a América Latina da IBM.

“Empoderamento dos colaboradores é, sem dúvidas, o melhor caminho para criar uma cultura empreendedora dentro das organizações e para enfrentar com mais equilíbrio as novas mudanças. Ao fazer com que as lideranças criem um ambiente mais favorável ao desenvolvimento de novos talentos, podemos também trabalhar de forma melhor o respeito pelo que as pessoas pensam, conseguimos entender e trabalhar melhor as diferenças de opinião e de pensamentos”, afirma Patrícia Coimbra, gestora de capital humano e sustentabilidade da Sul América.

APRENDER A LIDAR COM O NOVO MUNDO

As mudanças têm acontecido muito rapidamente na sociedade e, com tantas variáveis impactando os negócios ao mesmo tempo, as organizações estão aprendendo a lidar com esse novo mundo tão complexo que ainda está se compondo. Talvez por essa razão, para Garcia, da LHH, as organizações ainda não têm respostas na ponta da língua para lidar com esse novo mundo, “Mas elas precisam agir, já que não estão isentas dos impactos de todas as variáveis. Como não existem respostas prontas, elas precisam descobrir novos caminhos, ser curiosas e capazes de experimentar novas possibilidades. De errar e de desistir rapidamente daquelas sem futuro e escalar rapidamente aquelas bem-sucedidas”, acrescenta o consultor.

Segundo ele, o grande desafio é que, para fazer isso, essas organizações serão pressionadas a repensar seus modelos de gestão para que eles possam acolher a incerteza em vez de tentarem controlá-la. Isso implica grandes mudanças nas formas como estruturas, cultura organizacional, processos e relações internas e com clientes estão estabelecidas hoje.

“Todas as profissões são ou serão impactadas pela tecnologia. Assim, precisamos trabalhar para aumentar o potencial humano a partir dela. Temos de tirar o melhor desses processos e usar a tecnologia a nosso favor. Na IBM, a área de recursos humanos tem como principal objetivo o fomento de uma cultura de inovação, que está ligado a revitalizar o conhecimento das áreas mais estratégicas do nosso negócio; ou seja, é um processo de transformação do negócio a partir de um ponto de vista muito mais amplo-, explica Luciana.

Com tantas mudanças em tão pouco tempo, os gestores de pessoas e suas respectivas áreas têm de redesenhar seus processos para que eles sejam mais orientados aos usuários finais dos seus serviços. Como afirma Garcia, da LHH. Os profissionais da área deveriam ser mais curiosos e, também, deveriam experimentar mais novas possibilidades para serem mais eficientes. Muitos dos processos atuais foram desenhados de forma equivocada, já que, por exemplo, eliminam a diversidade, estimulam relações transacionais, acabam com a confiança e não desenvolvem a maturidade de seus talentos internos”, diz.

“Cada vez mais temos de trabalhar muito junto com quem faz parte do dia a dia do negócio, com quem afeta e é afetado por todas as ações, resoluções e atitudes. Quanto mais perto estivermos desse público, mais a área de recursos humanos vai poder desenvolver as melhores soluções em conjunto. Temos de ouvir e, cada vez mais, construir com um maior equilíbrio as soluções ideais para o nosso negócio e para a sociedade que atendemos”, conta Patrícia, da Sul América. Aliás, a empresa, diz a executiva, adota a ideia de quanto mais perto o RH de outra área, por exemplo, mais juntas vão buscar as melhores soluções.

Com a tecnologia digital trazendo e, ao mesmo tempo, exigindo mais agilidade e diversidade nas organizações, é preciso ter uma definição clara de como quer funcionar e aonde deseja chegar. Por essa razão, os gestores apontam o diálogo constante, o feedback rápido e o empoderamento das equipes como algumas das soluções para que as empresas possam ser protagonistas na criação de um futuro melhor.

“O objetivo de um gestor de RH deve ser promover um ambiente de transparência e de construção para a organização e onde todos possam cooperar.

Precisamos ter soluções e ferramentas de gestão que sejam relevantes para o negócio, mas que também possam ser úteis e simples para as pessoas envolvidas no processo entenderem e darem sua contribuição, porque é muito importante reconhecermos que vamos sempre trabalhar com gente que está em diferentes momentos de atuação e de diálogo”, completa Patrícia.

Para Luciana, da IBM, todos os momentos de crise ou de grandes mudanças devem ser vistos como grandes oportunidades. “Oportunidades para nos reinventarmos, para refletirmos sobre o que e como estamos fazendo. Em especial, o gestor de recursos humanos, em tempos de crise, tem de saber entender o momento dos negócios e como pode ser parceiro nas soluções e nas decisões estratégicas para as companhias e para a própria gestão de pessoas”, diz.

A questão da formação de lideranças em tempo de novas organizações como parte de uma nova sociedade também é um fator que precisa de maior consistência. Essas lideranças precisam ser treinadas com uma clareza muito grande de aonde querem chegar e para onde a organização deseja ir. Elas precisam estar em sintonia com esse olhar para o futuro, terem claro qual é a demanda do mercado naquele momento e entenderem que todos esses fatores precisam se cruzar e se falarem nesse caminho.

Como diz Garcia, da LHH: “Qualquer profissional ou gestor deveria estar sempre se perguntando se os serviços que está suportando estão efetivamente contribuindo para o alcance da meta da empresa. Isso significa questionar inclusive o que criou ou implementou e até se desapegar rapidamente do que não deu certo”.

ALIMENTO DIÁRIO

PROVÉRBIOS 3: 13-20

Pensando biblicamente

A Excelência da Sabedoria; A Felicidade Daqueles que Encontram a Sabedoria

Salomão nos tinha aconselhado fervorosamente a buscar diligentemente a sabedoria (Provérbios 2.1, e versículos seguintes), e nos tinha assegurado de que nós seríamos bem-sucedidos nas nossas buscas sinceras e constantes. a questão é: O que conseguiremos, quando a encontrarmos? A perspectiva de vantagem é a origem e o incentivo do esforço; portanto, ele nos mostra o quanto isto será para o nosso benefício, apresentando o seguinte como uma verdade inquestionável: “Bem-aventurado o homem que acha sabedoria”, aquela verdadeira sabedoria que consiste no conhecimento e no amor a Deus, e na total conformidade com todas as intenções das suas verdades. providências e leis. Observe:

 

I – O que é achar a sabedoria, de modo a ser bem-aventurado por isto.

1. Nós devemos obtê-la. É bem-aventurado o homem que, depois de tê-la encontrado, a torna sua, é beneficiado por ela e toma posse dela; bem-aventurado o homem que obtém entendimento (este é o significado da palavra), isto é,

(1) Que obtém de Deus a sabedoria. Pelo fato de não tê-la, o homem a obtém através do uso do “balde” da oração, obtendo-a da fonte de toda sabedoria, que a dá liberalmente.

(2) Que se esforça por ela, como alguém que extrai minério de uma mina. Se ela não vem facilmente, devemos empregar mais esforço, para extraí-la.

(3) Que melhora é alcançada através dela. Aqueles que possuem algum entendimento a obtém. Estes crescem em conhecimento. e se tornam capazes de transformar cinco talentos em dez.

(4) Que faz o bem com ela, que extrai do estoque que tem, como vinho de um recipiente, e transmite a outros, para sua instrução, coisas novas e velhas. É bem obtido, e com bons propósitos, o que é usa­ do com bons propósitos.

2. Nós devemos negociar através dela. Aqui lemos sobre a mercadoria da sabedoria, o que indica:

(1) Que devemos fazer dela o nosso negócio, e não um negócio secundário, como o comerciante dedica a maior parte dos seus pensamentos e do seu tempo à sua mercadoria.

(2) Que devemos arriscar tudo por ela. como em um mercado de ações, e devemos estar dispostos a nos separar de tudo por amor a ela. Esta é aquela pérola de grande valor que, quando a encontramos, devemos, de boa vontade, vender tudo para poder comprá-la (Mateus 13.45,46). Compra a verdade (Provérbios 23.23); ele não diz qual é o preço, porque devemos comprá-la a qualquer preço, em lugar de perdê-la.

3. Nós devemos nos apoderar dela, como nos apoderamos de uma boa barganha quando nos é oferecida, o que fazemos com cuidado ainda maior, se houver perigo de que ela seja tirada de nossas mãos. Nós devemos apreendê-la com todas as nossas forças, e empreender o nosso máximo vigor na sua busca, aproveitar todas as ocasiões para melhorar nela, e aprender até mesmo a menor das suas instruções.

4. Nós devemos retê-la. Não é suficiente apoderar­ se da sabedoria, mas devemos conservá-la, com firmeza, com a determinação de nunca deixá-la escapar; mas perseverar nos caminhos da sabedoria até o fim. Nós devemos apoiá-la (assim interpretam alguns), devemos abraçá-la com todas as nossas forças, como fazemos com o que devemos sustentar. Nós devemos fazer tudo o que pudermos para apoiar os interesses decaídos da religião no lugar onde vivemos.

 

II – Qual é a felicidade daqueles que a encontram.

1. É uma felicidade transcendente, mais do que pode ser encontrado na riqueza deste mundo, ainda que tenhamos muito dela (vv. 14,15). A sabedoria, Cristo, e a graça, e as bênçãos espirituais, são uma mercadoria não somente mais garantida, mas mais proveitosa, do que a prata, e o ouro, e os rubis. Suponha que um homem tenha estas coisas em abundância, ou melhor, que tenha todas as coisas que pode desejar deste mundo (e quem é que já teve?), ainda assim:

(1) tudo isto não pode comprar a sabedoria celestial; não, isto seria totalmente desprezado; não se dará por ela ouro fino (Jó 28.15, e versículos seguintes).

(2) Tudo isto não compensaria a falta de sabedoria celestial, nem poderia comprar o resgate de uma alma que se perdeu pela sua própria tolice.

(3) Tudo isto não traria ao homem a metade da felicidade, não neste mundo, que tem aqueles que tem a verdadeira sabedoria, ainda que não tenham nenhuma destas coisas.

(4) A sabedoria celestial conseguirá para nós, e nos garantirá, aquilo que a prata, e o ouro e os rubis não poderão comprar.

2. É uma felicidade verdadeira; pois ela inclui, e é equivalente a todas aquelas coisas que supostamente tornam os homens felizes (vv. 16,17). A sabedoria é aqui representada como uma rainha brilhante e generosa, que distribui dádivas aos seus súditos fiéis e amorosos, e os oferece a todos os que se submeterem ao seu governo.

(1) O aumento de dias é urna bênção? Sim, e muito valiosa; a vida inclui todo o bem, e por isto ela oferece esta bênção em sua mão direita. A religião nos proporciona os melhores métodos para prolongar a vida, nos dá o direito às promessas dela, e, ainda que os nossos dias na terra não sejam em maior número do que os de outras pessoas, ela nos conquistará a vida eterna, em um mundo melhor.

(2) As riquezas e a honra são consideradas bênçãos? Sim, e a sabedoria as distribui com sua mão esquerda. Pois, da mesma maneira como ela está disposta a abraçar com as duas mãos aos que se submetem a ela, também está disposta a distribuir-lhes dádivas com as duas mãos. Eles terão a riqueza deste mundo enquanto a Sabedoria Infinita julgar adequado para eles; ao passo que as verdadeiras riquezas, pelas quais os homens são ricos para com Deus, lhes estão asseguradas. Não há nenhuma honra, por nascimento ou por preferência, comparável à que acompanha a religião; ela torna o justo mais excelente do que o seu próximo, recomenda os homens a Deus, ordena o respeito e a veneração com toda a sobriedade da humanidade, e, no outro mundo, fará com que aqueles que agora estão sepultados em obscuridade, brilhem como o sol.

(3) O prazer (as “delícias”, v. 17) é desejado como qualquer outra coisa? Sim, e é verdade que a verdadeira piedade tem em si o maior prazer verdadeiro. “Os seus caminhos são caminhos de delícias”; os caminhos em que ela nos orientou a andar são caminhos em que encontraremos abundância de prazer e satisfação. Todos os prazeres dos sentidos não são comparáveis ao prazer que as almas benevolentes têm na comunhão com Deus, e ao fazer o bem. Quando desejamos ir a algum lugar, nós devemos andar naquele que é o único caminho correto para nos conduzir ao final da nossa jornada, seja ele agradável ou desagradável, formoso ou feio; mas o caminho da religião, como é o caminho correto, também é um caminho agradável; ele é suave e limpo, e cheios de rosas; todas as suas veredas são paz. Não há somente paz no final, mas paz no caminho; não somente no caminho da religião, de modo geral, mas nas veredas particulares daquele caminho, em todas as suas veredas, em todos os seus vários atos, aspectos e deveres. Aqui, um não amarga o que o outro adoça, como acontece com as misturas deste mundo, mas todos são paz, sim, uma paz que não é somente doce, mas segura. Os santos entram em paz neste lado do céu, e desfrutam um dia eterno de repouso e adoração ao precioso e bendito Senhor.

1. É a felicidade do paraíso (v. 18): “É árvore da vida”. A verdadeira graça é, para a alma, aquilo que a árvore da vida teria sido – a árvore da qual os nossos primeiros pais foram excluídos, por terem comido da árvore proibida. É uma semente de imortalidade, um poço de águas vivas, que jorra para a vida eterna. É um prenúncio da Nova Jerusalém, em cujo centro está a árvore da vida (Apocalipse 22.2; 2.7). Os que se alimentam e se banqueteiam desta sabedoria celestial não somente serão curados por ela de toda enfermidade fatal, como encontrarão um antídoto para a velhice e a morte; comerão e viverão para sempre.

2. É uma participação na felicidade do próprio Deus, pois a sabedoria é a sua glória e bem-aventurança eternas (vv. 19,20). O fato de que o Senhor, com sabedoria, fundou a terra, de modo que ela não pode ser removida, nem pode deixar de atender a todos os objetivos da sua criação, aos quais ela é admiravelmente e extraordinariamente adequada nos deve fazer amar a sabedoria e o entendimento que Deus nos dá. “Ele preparou os céus com inteligência”, e dirigiu todos os seus movimentos da melhor maneira. Os corpos celestiais são vastos, mas não há defeito neles – são numerosos, mas não há desordem neles – o seu movimento é rápido, mas não há desgaste; as profundezas do mar se romperam, e dali vêm as águas, abaixo do firmamento; as nuvens destilam o orvalho, as águas de cima do firmamento, e tudo isto, pela divina sabedoria e conhecimento; portanto, feliz é o homem que encontra sabedoria, pois com isto estará totalmente capacitado para toda boa palavra e obra. Cristo é esta Sabedoria, pela qual os mundos foram criados e ainda existem; felizes, portanto, são aqueles para os quais Ele é feito sabedoria, por Deus, pois Ele tem os recursos para cumprir todas as promessas anteriores de vida longa, riquezas e honra, pois todas as riquezas do céu, da terra e dos mares pertencem a Ele.