PSICOLOGIA ANALÍTICA

PRECISAMOS FALAR SOBRE RACISMO

Em clima que alterna tensão e humor, novo filme de Spike Lee se passa na década de 70, mas parece extremamente atual; é difícil chegar ao fim indiferente à história.

Precisamos falar sobre racismo

Necessário. E um tanto desconfortável. Talvez estes sejam os melhores adjetivos para definir infiltrado na Klan. O que não falta no filme dirigido por Spike Lee é assunto para reflexão e discussão. Exibido na mostra de competição em Cannes de 2018, o diretor conta a história (verdadeira) do primeiro policial negro a conseguir se infiltrar na Ku Klux Klan, Ron Stallworth. Como não seria aceito pelos participantes da organização racista, o jovem faz os contatos telefônicos, enquanto seu parceiro, Flip Zimmerman, de origem judaica, participa das reuniões. Há humor e também tensão no ar, já que possibilidade de explosão do ódio (afinal, trata-se de um filme de Spike Lee) atravessa todo o longa.

Aproveitando que a trama se passa na década de 70, o diretor faz uma homenagem ao movimento Blacksploitation, que marca a presença de atores e diretores negros no universo cinematográfico. Embora caracterizados com figurinos dos anos 70, alguns momentos determinados personagens lembram figuras bastante frequentes no cenário político brasileiro dos últimos tempos. De fato, os temas abordados não poderiam ser mais atuais: preconceito, hipocrisia e ignorância. E para que não restem dúvidas sobre sua atualidade, ao final são mostradas imagens de arquivo do embate ocorrido em 2017 em Charlottesville, nos Estados Unidos. Na ocasião, integrantes de grupos de extrema direita marcharam contra negros, judeus e imigrantes. Numa sequência provocante, o diretor deixa claro como falas e atitudes do presidente norte-americano Donald Trump autorizaram a expressão escancarada do preconceito nas ruas. Incapaz de conter a situação, afirmou: “Nem todas as pessoas (que participam) do protesto são más”. (Seriam bondosas?) Em meio ao discurso de Trump, cenas reais mostram pessoas atropeladas e um corpo estendido na rua em consequência das violentas passeatas.

Em certos momentos pode até parecer estranho que “Infiltrado na Klan” seja realmente feito com base numa história verídica. No entanto, esse é justamente um dos trunfos do filme: o absurdo da verdade, num momento em que a intolerância e o radicalismo se opõem à legitimação do direito à diversidade e à existência – algo óbvio, pelo menos para quem estudou história ou psicanálise, ou simplesmente leva em conta a possibilidade de respeitar o direito do outro de existir. Alguns espectadores talvez saiam um tanto incomodados do cinema. Outros, quem sabe, “não entendam” a razão de tanto estardalhaço, ou simplesmente considerem o filme “exagerado”. Se for esse o caso, vale avaliar o que de fato incomodou.

O TRAUMA DA SEGREGAÇÃO

Racismo faz mal à saúde mental. Com base na teoria de Sigmund Freud, os seus efeitos nas humilhações cotidianas são traumáticos e não apenas para quem os sofre diretamente, mas para todos que estão direta ou indiretamente expostos ao clima de segregação. Para a vítima, a violência do preconceito – velado ou explícito, mas igualmente doloroso – pode provocar crises de autoestima e identidade, aparecimento de sintomas de ansiedade, depressão e somatizações.

“A ideologia do racismo propõe a desumanização de um, em contrapartida do privilégio do outro; incide na constituição do negro como sujeito, em seu corpo e em sua imagem, sistematicamente desvalorizada”, afirma a psicóloga e psicanalista Maria Lúcia da Silva, uma das organizadoras do livro O racismo e o negro no Brasil – Questões para a psicanálise (Perspectiva, 2017), junto com as também psicólogas Noemi Moritz Kon e Cristiane Curi  Abud. Silva, que é diretora-presidente do Instituto AMMA Psique e Negritude e coordenadora geral da Articulação Nacional de Psicólogas Negras, salienta que “o racismo constitui um sujeito que nem sempre consegue se apropriar de suas percepções e de acreditar nelas, o que estimula a produção de marcas e lacunas que afetam toda a sociedade”.

Precisamos falar sobre racismo. 2

 

OUTROS OLHARES

A PRÓXIMA FRONTEIRA

A sonda lnSight aterrissa em Marte com a missão de coletar informações capazes de explicar como o nosso próprio planeta foi formado e como evitar que ele se torne inóspito.

A próxima fronteira

Antes mesmo de pisar na Lua, o homem já ambicionava chegar à superfície de Marte. Próximo da Terra, o planeta vermelho exerce grande fascínio e oferece a possibilidade de expandir a nossa presença no espaço além da órbita terrestre. Até agora essa barreira não foi superada. Mas o lançamento da sonda InSight, que aterrissou no astro na segunda-feira 26, dá início a um novo capítulo nas pesquisas sobre Marte e ajudará a definir a estratégia da Nasa para futuras missões tripuladas.

O principal papel da InSight, dentro de uma longa linhagem de naves e sondas enviadas a Marte, será explorar o subsolo do planeta. Ela coletará dados sobre os tremores que acontecem e tentará definir quão grossa é a superfície de Marte. Outras perguntas, como o tamanho de seu núcleo interno e quanto calor é gerado pelos elementos radioativos presentes em seu interior, também podem ser respondidas. A missão durará pelo menos dois anos e começará nos próximos meses, assim que os cientistas tiverem certeza que a sonda não sofreu nenhum dano na longa viagem. Eles precisam garantir que os sismógrafos e outros equipamentos que a InSight carrega estão funcionando perfeitamente. Afinal, só a Nasa investiu US$ 814 milhões no projeto, com outros US$ 180 milhões da França e da Alemanha, responsáveis pela construção de alguns instrumentos.

Além de satisfazer a curiosidade dos pesquisadores sobre um planeta sobre o qual ainda se sabe muito pouco, as informações coletadas em Marte podem ser bastante úteis para que se compreenda como a própria Terra foi formada e o que pode acontecer com ela no futuro. Os dois astros guardam diversas similaridades e, em tempos em que se discute o efeito das mudanças climáticas, o conhecimento sobre Marte pode evitar que o nosso planeta se torne tão inóspito quanto nosso vizinho.

Se durante a Guerra Fria os Estados Unidos e a União Soviética disputavam para ver quem acumulava mais conquistas espaciais como maneira de consolidar o poder em um mundo dividido entre capitalismo e comunismo, a nova corrida espacial é muito mais complexa. Além das potências geopolíticas, que incluem novos jogadores, como China e Japão, existem empresas privadas controladas por ambiciosos bilionários que não veem a hora de colonizar outros planetas. E Marte é a próxima fronteira.

Viagens tripuladas ao planeta vermelho ainda estão longe de se tornarem realidade. A Nasa acredita que o envio de seres humanos para lá só vai acontecer na década de 2030. Jeff Bezos, CEO da Amazon e responsável pela agência espacial Blue Origin, e Elon Musk, dono da SpaceX, são mais otimistas. Musk afirmou que os foguetes que pretende enviar a Marte já estão sendo construídos, e espera realizar os primeiros testes no ano que vem.

Viajar para fora da Terra é caro, mas empreendedores como Bezos e Musk dispõem de capital quase ilimitado para financiar suas ambições. Enquanto o orçamento para a Nasa, aprovado pelo governo Donald Trump, chegou a US$ 20,7 bilhões, startups ligadas à exploração espacial já arrecadaram US$ 2,8 bilhões. O potencial de retorno financeiro ainda é limitado, pois a base de consumidores de eventuais viagens interplanetárias é bem restrita. Mas Bezos e Musk estão de olho na continuação da raça humana. “Se acontecer uma terceira guerra mundial”, disse Musk no festival South By Southwest, “temos que garantir que haverá o suficiente para trazer a civilização de volta”.

A próxima fronteira.2

GESTÃO E CARREIRA

TRABALHO DE UM LADO, VIDA PESSOAL DO OUTRO

Para lidar com cobranças e evitar conflitos, profissionais com alta remuneração “negam” identidade profissional.

Trabalho de um lado, vida pessoal do outro

Para a maioria das pessoas, a identidade está inextricavelmente ligada ao trabalho. Em geral, nos esforçamos para buscar um significado em nossas atividades profissionais e, muitas vezes, tomamos as críticas de nosso desempenho de forma bastante pessoal. No entanto, isso não é assim para executivos de altos escalões de bancos de investimento, pelo menos segundo os resultados de um estudo publicados no periódico Organization Studies. Eles dissociam seu sentido do eu (self) tão radicalmente de seu trabalho que pesquisadores cunharam um novo termo para o fenômeno: teflonic identity maneuvering que, em tradução livre, quer dizer algo como “estratégia de identidade teflônica”, numa referência ao teflon, material usado para revestimento porque não se altera em contato com outro.

A inspiração para a nomenclatura veio de uma série de entrevistas em profundidade conduzidas ao longo de quase dois anos com seis executivos de instituições financeiras que trabalhavam com altos investimentos em Londres. Durante os encontros, todos eles descreveram situações em que contornaram ou evitaram regularmente desenvolver e manter a identificação afetiva com o trabalho. Em uma das entrevistas, por exemplo, um dos profissionais fez o seguinte comentário sobre seu chefe explosivo: “Agora já estou meio acostumado, as explosões passam ao largo e já não me afetam. Eu simplesmente encaro isso como meu trabalho e não levo nada para o lado pessoal”.

“Esse tipo de estratégia mental pode ser uma resposta ao ambiente estressante e explorador que predomina no setor bancário”, sugere a professora de inovação e organização na Universidade Queen Mary, em Londres, Maxine Robertson, que trabalhou no estudo. A minimização do eu poderia funcionar como um mecanismo de defesa. Os participantes da pesquisa justificaram esse desapego psicológico considerando a excelente remuneração que tinham em seus cargos.

O psicólogo clínico Alden Cass, que não esteve envolvido no estudo, alerta para o ônus psicológico de longo prazo presente no uso desse tipo de recurso psíquico de proteção. “Quando pessoas colocam o dinheiro acima da própria saúde e isso se estende no tempo, há risco de exaustão mental, aparecimento de doenças físicas, problemas de abuso de substâncias e dificuldades de relacionamento”, observa. Em razão de seus poucos participantes, o estudo pode não se aplicar a outros tipos de profissionais com alta remuneração, mas ele é notável, dada a escassez de pesquisas sobre a falta de identidade. Agora, os autores se perguntam se estratégias de identidade teflônica ocorrem também em outros ambientes de elevado nível de estresse, como no mundo acadêmico.

ALIMENTO DIÁRIO

PROVÉRBIOS 2: 10-22

Pensando biblicamente

Os benefícios concedidos pela sabedoria

 

Estes versículos pretendem mostrar:

1. O grande benefício que a verdadeira sabedoria será para nós; ela nos protegerá dos caminhos do pecado, que leva à destruição, e com isto nos fará uma bondade maior do que se nos enriquecesse com toda a riqueza do mundo.

2. O bom uso que devemos fazer da sabedoria que Deus nos dá; nós devemos usá-la para nossa própria orientação nos caminhos da virtude, e para nossa proteção contra tentações de todos os tipos.

3. Por quais regras podemos verificar se temos esta sabedoria ou não. Esta árvore será conhecida pelos seus frutos; se formos verdadeiramente sábios, isto ficará evidente, pelo nosso cuidado em evitar as más companhias e os maus procedimentos.

Esta sabedoria será de grande utilidade para nós:

I – Para a nossa preservação do mal, do mal do pecado, e, consequentemente, do mal das dificuldades que o acompanham.

1. De modo geral (vv. 10,11), quando a sabedoria te possuir inteiramente, ela te protegerá. E quando ela nos possui inteiramente?

(1) Quando ela tem domínio sobre nós. Quando ela não apenas enche a nossa mente com noções, mas entra no nosso coração e tem um poder controlador e influência sobre ele – quando ela se instala no trono e legisla sobre os sentimentos e paixões – quando ela entra no coração como o fermento na massa, para difundir ali o seu sabor e modificá-lo à sua própria imagem – então certamente ela nos fará bem.

(2) Quando nós temos prazer nela, quando o conhecimento se torna agradável para a alma: Quando começamos a apreciá-la como o prazer mais agradável, e quando nos sujeitamos às suas regras, por nossa própria vontade e com satisfação – quando consideramos a prática da virtude não como escravidão e tarefa, mas como liberdade e prazer, e quando consideramos uma vida de séria santidade como a vida mais confortável que um homem pode viver neste mundo – então encontraremos o benefício dela. Embora as suas limitações possam, em alguns aspectos, ser desagradáveis ao corpo, até mesmo elas devem ser agradáveis para a alma. Quando isto acontecer conosco, o discernimento nos preservará e nos guardará. Deus conserva o caminho dos seus santos (v. 8), dando-lhes discernimento para que se mantenham fora do caminho do mal, para que se protejam, de modo que o ímpio não os toque. Observe que um princípio da graça reinando no coração será uma poderosa proteção contra as corrupções de dentro e as tentações de fora (Eclesiastes 9.16,18).

2. Mais particularmente, a sabedoria nos preservará:

(1) Dos homens de princípios corruptos, de homens profanos e ateus, que se dedicam a perverter o juízo dos jovens, e instilar em suas mentes preconceitos contra a religião e argumentos favoráveis à maldade; Ela te livrará do mau caminho e do homem que diz coisas perversas (v. 12), e uma abençoada libertação será, das próprias garras da morte, do caminho em que o homem que diz coisas perversas anda, e em que ele te irá persuadir a andar. O inimigo é descrito como um homem mau (v. 12), mas mais adiante como muitos (v. 13); há um bando deles, que estão aliados contra a religião, e que se dão as mãos para apoiar o reino do diabo e os seus interesses.

[1] Eles têm um espírito de contradição ao que é bom: eles dizem coisas perversas, eles dizem tudo o que podem contra a religião, para mostrar a sua própria inimizade por ela, e também para dissuadir os outros de tê-la. Eles são defensores de Satanás; eles defendem Baal e pervertem os caminhos retos do Senhor. Com que teimosia os intelectos profanos defendem o pecado, e com que perversidade criticam a Palavra de Deus! A sabedoria nos impedirá de conviver com esses homens ou, pelo menos, de sermos dominados por eles.

[2] Eles são apóstatas do que é bom, e estes são, em geral, os mais perversos e perigosos inimigos que a religião tem, testemunha Juliano, o apóstata (v. 13): eles deixam as veredas da retidão, em que foram treinados e de onde tinham partido, livram-se das influências da sua educação e rompem a linha de seus esperançosos princípios, para andar pelos caminhos das trevas, naqueles caminhos ímpios que odeiam a luz, em que os homens são conduzidos vendados pela ignorância e pelo erro, e que conduzem os homens à total escuridão. Os caminhos do pecado são caminhos de trevas, desconfortáveis e perigosos; como são loucos os que deixam as veredas planas, agradáveis e iluminadas da retidão, para andar nesses caminhos! (Salmos 82.5; 1 João 2.11).

[3] Eles têm prazer no pecado, tanto cometendo-o, eles mesmos, como vendo outros cometendo-o (v. 14): eles se alegram com a oportunidade de fazer o mal, e na realização e sucesso de qualquer projeto de iniquidade. Para os loucos, fazer o mal é diversão; nenhuma visão é mais agradável para eles do que ver a perversidade dos maus, ver os que são esperançosos levados aos caminhos do pecado, e vê-los endurecidos e confirmados nesses caminhos. Eles se alegram se puderem perceber que o reino do diabo ganha terreno (veja Romanos 1.32), tal a impiedade a que chegaram.

[4] Eles são determinados no pecado (v. 15); As suas veredas são tortuosas, com muitas voltas e curvas, para escapar à busca de suas convicções e quebrar a força delas. Os seus corações enganosos sempre lhes fornecem alguma desculpa astuciosa, uma ou outra evasiva sutil para o fortalecimento de suas mãos na sua iniquidade; e na confusão tortuosa daquele labirinto eles se protegem da prisão da Palavra de Deus e das suas próprias consciências; pois são rebeldes nos seus caminhos, isto é, estão decididos a continuar neles, não importando o que seja dito contra eles. Todo homem sábio deve evitar a companhia destas pessoas.

(2) Das mulheres de costumes corruptos. Os homens de princípios corruptos levam à iniquidade espiritual, aos desejos da mente insatisfeita; as mulheres de costumes corruptos levam a desejos carnais, que corrompem o corpo, esse templo vivo, mas também combatem a alma. A adúltera é chamada de mulher estranha, porque nenhum homem que tenha alguma sabedoria ou bondade terá qualquer relacionamento com ela; ela deve ser evitada por cada israelita, como se fosse uma pagã, e uma estrangeira àquela comunidade sagrada. Uma mulher estranha realmente! Totalmente alienada de todos os princípios da razão, virtude e honra. É uma grande misericórdia ser livrado das seduções da adúltera, considerando:

[1] O quanto ela é falsa. Quem desejará ter qualquer relacionamento com aqueles que praticam a traição? Ela é uma mulher estranha; pois:

Em primeiro lugar, ela é falsa com aquele a quem seduz. Ela fala bonito, e lhe diz o quando o admira, acima de qualquer homem, e a benignidade que tem por ele; mas ela lisonjeia com suas palavras; ela não tem afeto verdadeiro por ele, nem qualquer desejo pelo seu bem-estar, não mais do que Dalila se preocupava com Sansão. Tudo o que ela deseja é roubá-lo e gratificar um desejo infame.

Em segundo lugar, ela é falsa com seu marido, e infringe a sagrada obrigação que tem para com ele. Ele era o guia da sua mocidade; ela o escolheu para isto, quando se casou com ele, e quando se submeteu à sua orientação, com a promessa de dar ouvidos somente a ele, e abandonar todos os outros. Mas ela o abandonou, e por isto não é possível crer que seja fiel a qualquer outra pessoa; e quem quer que a acolha participa com ela, de sua falsidade.

Em terceiro lugar, ela é falsa com o próprio Deus; Ela se esquece do concerto do seu Deus, o concerto de casamento (v. 17), do qual Deus não apenas testemunha, mas participa, pois, tendo Ele instituído a ordenança, os dois lados juram a Ele que serão fiéis, um ao outro. Não é somente contra o seu esposo que ela peca, mas contra o seu Deus, que irá julgar as prostitutas e adúlteras, por­ que elas desprezam o juramento e rompem o concerto (Ezequiel 17.18; Malaquias 2.14).

[2] Como isto provará ser fatal aos que se aliarem a ela (vv. 18,19). Que os sofrimentos dos outros sejam advertências para nós. Cuidado com o pecado da prostituição; pois, em primeiro lugar, a destruição dos que são culpados de prostituição é certa e inevitável, se eles não se arrependerem. É um pecado que tem uma tendência direta à condenação da alma, extingue todos os bons sentimentos e disposições da alma, e a expõe à ira e à maldição de Deus e à espada da sua justiça. Os que vivem em prazeres proibidos estão mortos, enquanto vivem. Que o discernimento preserve todos os homens, não somente da mulher perversa, mas também da casa perversa, pois tal casa se inclina para a morte; ela está no caminho que conduz diretamente à morte eterna; e as suas veredas, para os refains, para os gigantes (assim interpretam alguns), os pecadores do mundo antigo, que, vivendo em luxúria e excesso de agitação, foram destruídos antes do tempo, e a sua fundação foi destruída com um dilúvio. O nosso Senhor Jesus nos desvia dos prazeres pecaminosos com a consideração dos tormentos eternos que os seguem. “Onde o seu bicho não morre, e o fogo nunca se apaga”. Veja Mateus 5.28,29. Em segundo lugar, o seu arrependimento e recuperação são extremamente arriscados: Ninguém, ou praticamente ninguém, que foi até ela, retornou. É muito raro que alguém que seja preso nesta armadilha do mal se recupere, diante do quão endurecido está o coração e quão cega está a mente pelos enganos deste pecado. Tendo perdido seu controle sobre os caminhos da vida, eles não sabem como recuperar esse controle. mas estão perfeitamente embrutecidos e enfeitiçados por estes desejos vis. Muitos intérpretes instruídos pensam que esta advertência contra a mulher estranha, além do sentido literal, deve ser interpretada de modo figurado, como uma advertência,

1. Contra a idolatria, que é prostituição espiritual. A sabedoria irá afastar você da familiaridade com os adoradores de imagens e de toda tendência de se unir a eles, o que, durante muitos anos, foi de perniciosa consequência para Israel e também o foi para Salomão.

2. Contra a perversão dos poderes e faculdades intelectuais da alma, em benefício dos desejos e apetites do corpo. A sabedoria te impedirá de ser cativado pela mente carnal, e de sujeitar o espírito ao domínio da carne, aquela notória adúltera que abandona o seu guia, infringe o concerto do nosso Deus, que se inclina para a morte e que, depois de obter um domínio perene, torna o caso da alma desesperador.

 

II – Esta sabedoria será útil para nos guiar e orientar no que é bom (v. 20): “Para que andes pelo caminho dos bons”. Devemos evitar o caminho do mal, e a mulher estranha, para que possamos andar nos caminhos dos bons; nós devemos deixar de fazer o mal, para que possamos aprender a fazer o bem. Observe que:

1. Há um caminho que é peculiarmente o caminho dos bons, o caminho em que os bons, na medida em que realmente tiverem sido bons, sempre andaram.

2. Será sensato que andemos nesse caminho, perguntar pelas veredas antigas, qual é o bom caminho, e andar nele (Jeremias 6.16: Hebreus 6.12; 12.1). E não somente devemos andar nele por algum tempo, como devemos guardá-lo, permanecer nele, e nunca nos desviar dele. As veredas dos justos são os caminhos da vida, que todos os que são sábios, tendo encontrado, guardarão. Que possas imitar estas pessoas excelentes, os patriarcas e profetas (esta é a paráfrase do Bispo Patrick) e ser preservado nos caminhos destes justos que os seguiram. Devemos não somente escolher o nosso caminho, de modo geral, pelos bons exemplos dos santos, mas também receber orientação deles, na escolha dos nossos caminhos em particular; observe a trilha, e siga as pisadas das ovelhas. Aqui, são fornecidas duas razões pelas quais devemos proceder desta maneira:

(1) Porque a integridade do homem será o seu estabelecimento (v. 21). Será o estabelecimento,

[1] Das pessoas: Os retos habitarão a terra, em paz e quietude, enquanto viverem; e a sua retidão será útil para isto, à medida que acalma suas mentes, guia seus conselhos, obtém a boa vontade dos seus vizinhos, e lhes dá direito à benevolência especial de Deus.

[2] De suas famílias: Os sinceros, na sua posteridade, permanecerão nela. Eles habitarão e permanecerão para sempre na Canaã celestial, da qual a terrena era apenas um tipo.

(2) Por que a iniquidade dos homens será a sua destruição (v.22). Veja o que acontecerá com os ímpios, que escolhem o caminho dos maus; eles serão arrancados, não somente do céu no futuro, e de todas as esperanças dele, mas também da terra, agora, onde têm os seus afetos, e onde acumulam os seus tesouros. Eles pensam que estão enraizados, mas eles e suas famílias serão arrancados dela, como um juízo sobre eles, porém como uma misericórdia para com a terra. Chegará o dia que se “não lhes deixará nem raiz nem ramo” (Malaquias 4.1). Que esta sabedoria, então, entre em nossos corações, e seja agradável às nossas almas, pois nos afastará de um caminho que terminará mal.