PSICOLOGIA ANALÍTICA

TRABALHANDO AS DEFICIÊNCIAS

Embora a Psicologia Positiva enfoque as forças e recursos pessoais, é ingênuo pensar que não devemos olhar o que falta.

Trabalhando as deficiências

Ao receberem o resultado do VIA (inventário que mede as forças pessoais de um indivíduo), muitas pessoas, vítimas que são da famosa cultura do GAP, perguntam: “Como é que eu faço para desenvolver a minha 24ª (e última) força? Eu consigo trazer a minha última força para algum lugar dentre as 5 primeiras? A esta última pergunta respondo; “Depende.

Você acredita em reencarnação? e diante de uma resposta negativa respondo: “Então não”. As pessoas ficam aturdidas e acham graça na minha resposta, embora raramente a compreendam. Explico que de fato, graças à neuroplasticidade e à neurogênese, temos um cérebro plástico, capaz de desenvolver novas redes neurais o que, pelo menos em tese, nos permite mudar qualquer tipo de comportamento: de tocar piano a ver a vida de forma mais otimista. “Tudo depende de duas coisas: do esforço que empregamos no desenvolvimento desse novo comportamento e do tempo com que o fazemos. Falando de uma forma mais clara, ainda que me dedique a isso, não viverei o suficiente para ver o meu auto­controle pular da 24º para a 1ª posição no ranking das minhas forças pessoais. Pelo menos não em uma única vida, daí a brincadeira com a reencarnação.

Por outro lado, isso não significa que não deva estar atento para o meu auto­controle, muito menos que deva deixar de me esforçar para desenvolvê-lo. Até porque um autocontrole “desgovernado”, como costumo chamar as últimas forças pessoais que são esquecidas pelas pessoas, poderia, facilmente, colocar tudo o mais a perder. Portanto a verdade é uma só: Definitivamente não conseguirei mudar o mundo por meio do meu autocontrole. E por mais que me pareça estranha a ideia de alguém mudar o mundo por meio do autocontrole, não posso esquecer do exemplo de Gandhi, que muito provavelmente o fez.

Quero com isso mostrar que, embora evidencie o uso das forças e dos recursos pessoais, a Psicologia Positiva não nega a importância de que as deficiências sejam devidamente tratadas.

Feita esta introdução, gostaria de dizer que além do desenvolvimento e aprimoramento das minhas forças pessoais, costumo também manter um olhar atento para as minhas deficiências e, mais do que isso, desenvolver um pouco mais as forças que no VIA aparecem, digamos, no “segundo pelotão”.

Recentemente fiz isso com a força pessoal da cidadania. Puxa, assumir que preciso desenvolver a cidadania em uma época do (enjoativo) politicamente correto não é tarefa fácil. Felizmente conto com a coragem que, ao lado da autenticidade, me fazem ir em frente e assumir que nunca gostei muito de trabalhar em grupo (uma das características dessa força). Foi assim na escola e continuou sendo durante toda a minha carreira que, coincidentemente ou não, tanto na clínica quanto em sala de aula, sempre me levaram a uma atuação “solo”.

Desta vez fiz diferente. Passei meses desenvolvendo um projeto que me obrigaria a não apenas utilizar as minhas forças pessoais, mas também a cidadania.

O resultado disso, que muitos de vocês já conhecem, foi o lançamento da Make it Positive, a primeira revista brasileira de Psicologia Positiva! Uma revista eletrônica trimestral, bilíngue e gratuita.

É possível que oferecer uma publicação dessa forma ao público em geral tenha algo a ver com cidadania. Mas, para mim, foi muito mais do que isso. Este foi um projeto feito a muitas mãos. Mãos generosas que genuinamente deram o seu melhor para que tivéssemos um trabalho de qualidade. Mãos parceiras que imediatamente abraçaram o projeto com o coração e que vibraram comigo pelo sucesso coletivo. Este projeto me fez ver que há coisa que somente o trabalho em equipe é capaz de fazer. Além disso pude sentir na pele que, por nos tornar seres humanos melhores, trabalhar nossas deficiências também pode nos levar à felicidade.

 

LILIAN GRAZIANO – é psicóloga e doutora em psicologia pela USP, com curso de extensão em Virtudes e Forças Pessoais pelo VIA Institute on Character, EUA. É professora universitária e diretora do Instituto de Psicologia Positiva e Comportamento, onde oferece atendimento clínico, consultoria empresarial e cursos na área.

graziano@psicologiapositiva.com.br

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OUTROS OLHARES

DUELO DE TITÃS

Enquanto a Microsoft dá mostras de que vai voltar a ser a maior empresa do planeta, a ex-trilionária Apple vê o seu valor de mercado despencar quase 20%.

Duelo de titãs

Um dos slogans mais famosos do mercado publicitário traz uma frase que, traduzida do inglês, seria: “Pense diferente”. Durante anos, essa curta combinação de palavras foi o mantra de uma das mais revolucionárias empresas que já existiram. Curiosamente, a mensagem que inspirou a Apple a se tornar a companhia mais valiosa do mercado, ao moldar os rumos de uma nova indústria digital – principalmente, após o lançamento do iPhone, em 2007 –, parece combinar cada vez menos com seu DNA. Pelo contrário. Se não tivesse sido cunhada por Steve Jobs, a tal mensagem – “Think different” – poderia fazer parte de qualquer propaganda atual da Microsoft. E isso chocaria quem, por muitos anos, considerou a companhia criada por Bill Gates tão quadrada quanto as janelas do seu sistema operacional. Sob o comando de Satya Nadella, a desenvolvedora do Windows apostou na inovação e saiu da caixa para voltar a crescer e figurar como protagonista.

Duelo de titãs. 2 

MAÇÃ PODRE? Fraco desempenho nas vendas dos iPhones XS, XR e XS Max contou para a queda de 19,6% das ações da Apple.

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No pregão de 26 de novembro, a Microsoft conseguiu voltar a ser a companhia mais valiosa do mercado, ao ser avaliada em US$ 812,9 bilhões, contra US$ 812,6 bilhões da Apple. A liderança durou apenas algumas horas, já que a fabricante do iPhone recuperou o posto no fim do dia e, até agora, manteve a liderança. Mesmo assim, é um episódio simbólico. Em abril, vale lembrar, a desenvolvedora de softwares já havia conseguido ultrapassar o valor de mercado da Alphabet, holding que controla o Google, em meio bilhão de dólares. Mesmo com uma recuperação das ações do conglomerado de Larry Page e Sergey Brin, a gigante de Redmond ainda manteve-se à frente. A liderança, assim como hoje, pertencia à Apple. Em agosto, a companhia da maçã ultrapassou os doze dígitos de valor de mercado.

FRUTO PROIBIDO 

 De lá pra cá, muita coisa mudou. Principalmente, em novembro. O penúltimo mês do ano marcou uma queda livre nos papéis da empresa da maçã. A companhia de Cupertino viu seu valor de mercado cair 19,6%, de US$ 1,1 trilhão para US$ 893 bilhões. “A Apple se tornou muito dependente de um produto”, diz Roger Kay, da consultoria americana Endpoint. “Não há mais uma distinção suficiente entre seus concorrentes.” Isso não seria ruim, não fosse o fato de que as vendas de iPhones cresceram menos de 1% no último trimestre. Em termos de receita, as vendas de celulares representaram uma fatia de 58,9% do faturamento de US$ 63 bilhões no período. O restante foi obtido com as vendas de iPads, Macs – que caíram 6% e 2% respectivamente – e outros dispositivos, além de conteúdo digital, como a venda de aplicativos.

Esse mau resultado fez com que fornecedores da Apple vivessem momentos de incerteza após a fabricante diminuir em quase um terço a sua demanda por aparelhos. A empresa americana Lumentum Holdings, que fornece componentes para o sistema de reconhecimento facial para telefones, por exemplo, já reduziu sua previsão de receita líquida de US$ 430 milhões para, no máximo, US$ 355 milhões – queda de mais de 17%. Outra parceira preocupada é a taiwanesa Foxconn, que faz a montagem dos celulares. De acordo com um documento obtido pela Bloomberg, a companhia pretende reduzir US$ 2,9 bilhões em gastos em 2019, porque enfrenta “um ano muito difícil e competitivo.”

Enquanto a Apple parece ter parado no tempo, a Microsoft resolveu acelerar, por perceber o declínio em seu mercado. Dados da consultoria americana Statista mostram que a venda de computadores passou de 365,3 milhões de unidades, em 2011, para 262,5 milhões no ano passado – quase 30% a menos. Era preciso mudar a mentalidade de uma empresa que apostava todas as suas fichas no Windows. Isso foi feito com a substituição do CEO, Steve Ballmer, por Satya Nadella, em fevereiro de 2014. Em sua primeira mensagem oficial para os funcionários da companhia, o novo homem-forte da Microsoft lembrou que “a indústria não respeita a tradição. Apenas a inovação.”

Duelo de titãs. 3

NA NUVEM 

Se nos celulares a disputa com a Apple ficou difícil – ainda mais, pelo fracasso na tentativa de transformar a Nokia numa gigante do setor –, a principal aposta foi na nuvem. Do faturamento de US$ 29,1 bilhões no terceiro trimestre deste ano, US$ 8,6 bilhões (29,5%) foram de serviços baseados na tecnologia Azure. De acordo com a consultoria americana Gartner, a plataforma da Microsoft detém quase um terço do mercado. O líder do setor é o Amazon Web Services, da empresa de Jeff Bezos, com 49% do segmento. A diferença já foi maior. No fim de 2017, o serviço da Amazon era usado por 62% dos usuários.

O investimento em novas tecnologias animava o mercado. Em dezembro do ano passado, o fundo de investimentos Tiger Global Management injetou US$ 132 milhões na operação da Microsoft. No mesmo mês, uma previsão do Keybanc Capital Market especulou que as ações da Microsoft estariam cotadas a US$ 106, num período de doze meses. Na quarta-feira 5, elas estavam sendo vendidas na Nasdaq por US$ 108,5. Um tiro tão certeiro quanto o que Nadella está acertando no comando da Microsoft. Ou como os que Jobs disparava quando era o cérebro por trás da maçã.

GESTÃO E CARREIRA

CHUPETA, CABELO E BABADOR

Sócios percebem uma lacuna no mercado de beleza infantil. Investem, então, em salão especializado para o público mirim e vem conquistando clientes e admiradores.

Chupeta, cabelo e babador

Todo pai e mãe sabem da dificuldade que é cortar o cabelo de um bebê ou de uma criança. Uma tarefa nada simples, e poucos salões dispõem de profissionais com paciência para executar bem o serviço. A cena é sempre a mesma, choro, agitação, impaciência e uma demora de deixar pais e cabeleireiros sem saber o que fazer.

Pensando em sanar esses problemas com profissionais focados neste público, pacientes e bem treinados, a cabeleireira Rosana Fernandes e seu sócio, Alexandre Finozzi, lançaram em 2008 o Corte Kids – salão especializado em atendimento infantil. Com experiência em grandes redes de salões na cidade de São Paulo, eles perceberam que havia uma carência no atendimento para crianças, já que não era prioridade nos salões de beleza tradicionais. “Cortar o cabelo de um bebê ou de uma criança não é tarefa fácil. Por isso imaginamos que um local apropriado com profissionais preparados e principalmente com proposta divertida seria um diferencial para facilitar a vida dos pais e consequentemente trazer mais segurança aos pequenos”, afirma Finozzi.

Os empresários iniciaram com um pequeno salão no Bairro da Mooca sem muito capital investido e, aos poucos, foram cativando uma fiel clientela e melhorando o negócio. “São dez anos investindo e reinvestindo no negócio, aperfeiçoando os métodos, criando, padronizando e inaugurando franquias”, afirma o sócio.

DIVERSÃO ATRELADA

O grande diferencial do Corte Kids é que não é um espaço para crianças dentro de um salão tradicional, e sim um espaço dedicado e focado só nesse público. O ambiente é colorido e dispõe de videogames para as crianças cortarem o cabelo e se divertirem ao mesmo tempo; também tem camarim para realizarem diversos tipos de penteados nas meninas; os bebês contam com naves coloridas e desenhos divertidos. Tudo para tornar o corte de cabelo uma experiência agradável.

Além disso, um diferencial do salão é ir muito além de dar um pirulito após a utilização dos serviços. Eles oferecem um diplominha de primeiro corte com a primeira mecha de lembrança para a família. Sem contar que todos os profissionais passam por treinamento, os materiais são higienizados e as tesouras são diferentes, com pontas arredondadas, para maior segurança.

O principal serviço sempre foi o corte de cabelo, mas com o tempo eles passaram a agregar outros atrativos, sempre atendendo a algumas necessidades dos clientes, como o desenvolvimento de penteados para as meninas, manicure, hidratação, entre outros, são mais de 12 serviços. “Uma inovação foi a criação de um pacote de festa, em que a criança tem o espaço do salão exclusivo para comemorar com a sua turma. Nesses eventos são oferecidos penteados, unhas decoradas, balada com DJ e até desfile. Um serviço que agrada tanto a criança, quanto os pais, pois o pacote tem valor bem atrativo em relação a uma festa em buffet.

FRANQUIA

Ao abrirem a segunda unidade própria no início de 2010, os sócios constataram que era de extrema importância para o negócio ter uma pessoa gerenciando ativamente o salão. “Então, percebemos que o sistema de franquias era ideal para isso, pois o franqueado usaria o nosso método, mas administraria e garantiria o funcionamento da unidade com a mesma qualidade que nós. E isso era o fundamental para o processo de expansão”, dessa forma, em 2013 eles também começaram o processo de expansão da empresa por meio do franchising, diz Alexandre Finozzi.

Segundo ele, existe ainda um grande diferencial na rede Corte Kids, que é de fundamental importância para os investidores e franqueados. O franqueador é cabeleireiro e grande conhecedor do ramo, fornecendo assim todo know-how necessário para que o franqueado se concentre na administração do negócio. “O franqueado não precisa ser do ramo, pois o apoio técnico e operacional está formatado e testado com sucesso”, afirma.

Para passar no processo e ser um franqueado, a pessoa faz a primeira seleção levando em consideração a postura e a proatividade do candidato. Também é avaliado o carisma e a aptidão dele para trabalhar com crianças. Passada a primeira etapa, a franqueadora dá total apoio ao avaliar tecnicamente o candidato. Evoluindo nessas etapas, a franqueadora também fornece o treinamento, que dura, em média, 15 dias.

Alexandre Finozzi preocupa-se muito com a qualidade da expansão da rede, por isso, a princípio, eles optaram por iniciar o processo de expansão de franquias por São Paulo, inaugurando novas unidades no máximo a 300 quilômetros da sede, na região da Mooca, Zona leste de SP. “E, apesar de grande interesse em outros estados, preferimos crescer de forma espiral, expandir, mas oferecendo total apoio ao novo franqueado”.

ÀS CRIANÇAS, COM CARINHO

Alexandre Finozzi conta que desde 2008, ano de inauguração da primeira unidade, o crescimento é constante, e mesmo nos anos de crise as famílias enxergam o serviço para seus filhos como uma necessidade e valorizam este serviço especializado.

No entanto, a maior dificuldade encontrada nesse segmento, segundo ele, é a mão de obra, que praticamente não existe, já que são poucos os cabeleireiros que buscam especialização em cortes infantis. “Por isso, visando à plena expansão do nosso negócio, estamos sempre focados em desenvolver cada vez mais o nosso método próprio de seleção e formação de profissionais qualificados para o público infantil”, aposta.

O Corte Kids hoje possui grande reconhecimento por parte dos clientes, na visão do empresário. Para ter uma ideia, eles atendem crianças com dez anos que por toda a vida cortaram o cabelo somente no salão. “Alguns dos nossos franqueados eram clientes e, ao acompanhar a nossa sólida clientela e estrutura, se interessaram em investir. Também atuamos em eventos, corte de cabelo solidário em orfanatos, ações beneficentes etc.

E enxergamos esses convites como reconhecimento do trabalho que estamos desenvolvendo há dez anos”, afirma.

Todo trabalho e preocupação com a excelência no atendimento renderam também à empresa o prêmio de melhor atendimento infantil em 2010, oferecido pela Revista Cabelos & Cia.

Na opinião de Finozzi, o trabalho de corte de cabelo infantil é algo ainda pouco oferecido no mercado, a complexidade de se concentrar apenas nas crianças e a necessidade de treinamentos talvez sejam as razões disso. ”Acredito que isso também faça com que muitas pessoas busquem a nossa empresa para cortar o cabelo dos filhos e também como forma de investimento. Na unidade da Mooca, por exemplo, recebemos crianças de Jundiaí, Campinas, litoral etc. Acreditamos que essas famílias vêm em busca de um serviço diferenciado; elas querem mais do que um corte de cabelo, querem viver uma experiência diferenciada. Alguns trazem fotógrafos e toda a família para registrar o momento!”, comemora.

CRESCIMENTO

De acordo com Finozzi, a primeira unidade da Corte Kids foi aberta praticamente sem capital. Começaram com móveis usados e uma estrutura bem adaptada, o investimento girava em torno de no máximo R$30 mil. Atendiam na época cerca de 800 clientes por mês e faturaram no primeiro ano R$25 mil.

Hoje, com toda padronização de móveis, fornecedores e materiais de qualidade, o investimento necessário para abrir um salão fica em torno de R$200 mil. Somando todas as unidades, são quase cinco mil crianças que passam mensalmente pelos salões, com um faturamento por loja de mais que o dobro dos R$25mil do primeiro ano. “Uma observação é que metade das unidades abriu em 2018, não atingindo ainda a maturidade do negócio”, ressalta o dono.

Os planos de crescimento e expansão também são ousados! Para os próximos cinco anos eles querem atingir 100 unidades e estar presentes em todos os estados, levando o método e experiência para as famílias e também uma excelente oportunidade de negócios para futuros franqueados. “Estamos trabalhando com muita dedicação no desenvolvimento dos produtos com a nossa marca. Queremos em breve poder oferecer também qualidade em produtos infantis, os quais, além de trazer segurança aos clientes que usarão um produto indicado para cada fase das crianças, também serão uma oportunidade para os franqueados crescerem em faturamento com a venda dos produtos”, revela o empresário.

Chupeta, cabelo e babador. 2

 QUE BOA IDEIA!

Visando a um atendimento exclusivo e diferenciado, em 2017 a empresa criou o Domingo Azul Corte Kids, um dia dedicado ao atendimento de crianças portadoras de autismo. A ideia foi utilizar da habilidade dos profissionais no trato com as crianças para tornar o corte de cabelo para criança autista mais tranquilo e seguro. Nesse dia, o espaço tem algumas adaptações, que incluem o volume do som e o tempo do atendimento; tudo pensado para que a criança tenha um momento diferente e os pais possam trocar ideias e informações uns com os outros sobre lidar com o autismo e suas experiências. Essa ação é realizada no último domingo de cada mês.

RAIO-X DA FRANQUIA

Espaço médio – 100 m2

Taxa de franquia – R$50 mil

Capital de giro – R$20 mil

Royalities – 5% sobre o faturamento

Taxa de publicidade – 2% sobre o faturamento

Faturamento médio – R$50 mil (após o primeiro ano)

Site: www.cortekids.com.br

ALIMENTO DIÁRIO

PROVÉRBIOS 1: 20-33

Pensando biblicamente

As Exortações da sabedoria; O Destino dos pecadores obstinados

Tendo mostrado o quanto é perigoso dar ouvidos às tentações de Satanás, aqui Salomão mostra o quanto é perigoso não dar ouvidos aos chamados de Deus, e o quanto lamentaremos para sempre tê-los negligenciado. Observe:

 

I – Por intermédio de quem Deus nos chama – a sabedoria. É a sabedoria que clama de fora. A palavra é plural – sabedorias, pois, da mesma maneira como existe uma sabedoria infinita em Deus, também existe a multiforme sabedoria de Deus (Efésios 3.10). Deus fala aos filhos dos homens por intermédio de todos os tipos de sabedoria, e, como em cada vontade, também em cada palavra, de Deus, há um conselho.

1. O entendimento humano é sabedoria, a luz e a lei da natureza, os poderes e as faculdades da razão, e o oficio da consciência (Jó 38.36). Por intermédio destes, Deus fala aos filhos dos homens, e argumenta com eles. “A alma do homem é a lâmpada do Senhor” (Provérbios 20.27), e onde quer que os homens vão, podem ouvir uma voz atrás de si, que diz, este é o caminho, e a voz da consciência é a voz de Deus, e nem sempre é uma voz tênue, mas às vezes, clama!

2. O governo civil é sabedoria; é a ordenança de Deus; os magistrados são seus representantes. Por intermédio de Davi, Deus disse aos loucos: “Não enlouqueçais” (Salmos 75.4). Às entradas das portas, e nos locais de afluência de pessoas, onde se realizavam os tribunais, os juízes, a sabedoria da nação, chamavam os ímpios, em nome de Deus, para que se arrependessem e modificassem o seu modo de vida.

3. A revelação divina é sabedoria; todas as suas injunções, todas as suas leis, são sábias como a própria sabedoria. Pela palavra escrita, pela lei de Moisés, que apresenta diante de nós a bênção e a maldição, pelos lábios dos sacerdotes, que guardam conhecimento, pelos seus servos, os profetas, e por intermédio de todos os ministros deste mundo, Deus realmente declara a sua vontade aos peca­ dores, e lhes dá avisos, tão claramente quanto aquilo que é proclamado nas ruas ou nos tribunais pelos pregoeiros. Na sua Palavra, Deus não somente declara o caso, mas o discute com os filhos dos homens. “Vinde, então, e argui­ me” (Isaias 1.18).

4. O próprio Cristo é Sabedoria, é Sabedorias, pois nele estão escondidos todos os tesouros da sabedoria e da ciência, e Ele é o centro de toda revelação divina, não somente a Sabedoria essencial, mas a Palavra eterna, por cujo intermédio Deus fala conosco e a quem Ele entregou todo o juízo; Jesus Cristo é, portanto, quem aqui faz a sua solicitação aos pecadores e também os julga. Ele é o Pai da Sabedoria, e alguns entendem que Ele é a própria Sabedoria (Lucas 7.35).

 

 II – Como Ele nos chama, e de que maneira.

1. Em público, para que quem tiver ouvidos para ouvir, possa ouvir, uma vez que todos são bem-vindos para receber o benefício do que é dito e todos se interessam em prestar atenção ao que é dito. Ai, práticas da sabedoria são divulgadas nas ruas, não somente nas escolas, ou nos palácios dos príncipes, mas nos lugares de grande afluxo de gente, entre as pessoas comuns que passam pelas portas e pela cidade. É consolador lançar a rede do Evangelho onde há uma multidão de peixes, esperando que alguns sejam capturados. Isto se cumpriu no nosso Senhor Jesus, que ensinou abertamente no templo, em meio a multidões de pessoas, e nada disse em oculto (João 18.20), e encarregou os seus ministros de proclamar o seu Evangelho sobre os telhados (Mateus 10.27). Deus diz: “Não falei em segredo” (Isaias 45.19). Não há um discurso ou idioma em que a voz da Sabedoria não seja ouvida. A verdade não busca os cantos, nem a virtude se envergonha de si mesma.

2. De maneira muito patética: ela clama, e novamente clama, como alguém que deseja ser atendido. Jesus pôs-se em pé e clamou. Ela emite a sua voz, profere as suas palavras com toda clareza e sentimento possíveis. Deus deseja ser ouvido com atenção.

 

III – O que é o chamado de Deus e Cristo.

1. Ele repreende os pecadores por sua loucura e por insistir nela, obstinadamente (v. 22). Observe:

(1) A quem a Sabedoria aqui repreende e adverte. Em geral, são simples, e por isto poderiam, com razão, ser desprezados; são os que amam a simplicidade, e por isto poderiam, com razão, perder a esperança; mas devemos usar os meios, mesmo com aqueles em quem temos poucas esperanças, porque não sabemos o que a graça divina poderá fazer. Aqui são mencionados três tipos de pessoas:

[1] Os néscios, que amam a necedade. O pecado é necedade, e os pecadores são néscios; eles agem loucamente; e é muito ruim a condição dos que amam a necedade, dos que se apegam às suas noções néscias de bem e de mal, aos seus néscios preconceitos contra os caminhos de Deus, e estão agindo de acordo com a sua própria natureza, quando estão fazendo uma coisa néscia, divertindo-se em seus próprios enganos e adulando-se em sua iniquidade.

[2] Os escarnecedores que se alegram em escarnecer – pessoas orgulhosas, que sentem prazer em incomodar a todos os que estão à sua volta, pessoas joviais que zombam de toda a humanidade, e fazem brincadeiras com tudo o que acontece em seu caminho. Mas o significado aqui é especialmente os que zombam da igreja, os piores pecadores, que zombam da submissão às verdades e leis de Cristo, e das repreensões e admoestações da sua palavra, e se orgulham de destruir tudo o que é sagrado e sério.

[3] Os loucos, que odeiam o conhecimento. Ninguém odeia o conhecimento, exceto os loucos. Somente são inimigos da religião os que não a compreendem corretamente. E são os piores loucos os que detestam ser instruídos e transformados, e que têm uma antipatia enraizada pela religiosidade séria.

(2) Como a repreensão é expressa: “Até quando agireis desta maneira?” Isto sugere que o Deus do céu deseja a conversão e a transformação dos pecadores, e não a sua ruína, que Ele sente muito desprazer com a sua obstinação e negligência, que Ele espera para ser piedoso e benigno, e que está disposto a discutir o caso com eles.

2. Ele os convida para que se arrependam e se tornarem sábios (v. 23). E aqui:

(1) O preceito é claro: “Convertei-vos pela minha repreensão”. Nós não fazemos um uso apropriado das repreensões que nos são feitas por aquilo que é mau, se não nos afastarmos de tal ato mau, e nos voltarmos para o que é bom; pois com esta finalidade foi feita a repreensão. “Convertei-vos”, isto é, retornai à vossa boa consciência, retornai a Deus, retornai ao vosso dever, retornai, e vivei.

(2) As promessas são muito encorajadoras. Os que amam a necedade se encontrarão sob uma impotência moral para modificar a sua mentalidade e o seu caminho; não poderão se converter por suas próprias forças. A isto Deus responde: “Eis que abundantemente derramarei sobre vós meu espírito”; ou seja, que se predisponham a fazer o que puderem, e a graça de Deus estará sobre eles; ela operará neles, para que desejem e façam aquele bem que, sem esta graça, não poderiam fazer. Ajuda-te, e Deus te ajudará; estende a tua mão encolhida, e Cristo a fortalecerá e curará.

[1] O autor desta graça é o Espírito, e é prometido: “Derramarei sobre vós meu espírito”, como óleo, como água; tereis o Espírito em abundância, rios de água viva (João 7.38). O nosso Pai celestial dará o Espírito Santo àqueles que lho pedirem.

[2] O meio desta graça é a Palavra, que, se a recebermos de maneira apropriada, nos converterá; por isto, a promessa: “E vos farei saber as minhas palavras”, não somente as direi avós, mas as farei conhecidas, farei com que as compreendais. Observe que sempre é necessária uma graça especial para uma conversão sincera. Mas esta graça jamais será negada a alguém que a busque honestamente e se submeta a ela.

3. Ele declara a condenação dos que continuam obstinados contra todos estes meios e métodos da graça. É grande e terrível (w. 24-43). A sabedoria, tendo chamado os pecadores para a conversão, faz uma pausa, para ver o efeito que o chamado produz, e ouve: mas eles não falam o que é reto (Jeremias 8.6), e por isto ela lhe diz qual será o fim deles.

(1) O crime é narrado, e é altamente provocador. Veja por que motivo será proferido o juízo contra os pecadores impenitentes no grande dia, e dirá que eles o merecem, e que o Senhor é justo. O motivo é, em poucas palavras, rejeitar a Cristo e às ofertas da sua graça, e se recusar a se submeter aos termos do seu Evangelho, o que os teria salvado, tanto da maldição da lei de Deus quanto do domínio da lei do pecado.

[1] Cristo os chamou, para adverti-los do perigo que corriam. Ele estendeu a sua mão, para lhes oferecer misericórdia, ou melhor, para ajudá-los a sair da sua infeliz condição, estendeu a sua mão para que eles a tomassem, mas eles se recusaram, e ninguém a considerou; alguns foram descuidados e não lhe deram atenção, ou não aceitaram o que lhes fora dito; outros foram obstinados, e, ainda que não pudessem deixar de ouvir a vontade de Cristo, ainda assim lhe deram uma negativa declarada, e recusaram (v. 24). Eles amaram a sua loucura, e não desejaram ser feitos sábios. Eles foram obstinados a todos os métodos que foram adotados para recuperá-los. Deus estendeu a sua mão em misericórdias concedidas a eles, e, uma vez que elas não puderam operar sobre eles, em correções, mas tudo se mostrou vão, eles consideraram as operações da sua mão não mais do que as declarações dos seus lábios. [

2] Cristo os repreendeu e aconselhou, não somente os repreendeu pelo que tinham feito de errado, mas os aconselhou a agir melhor (estas são repreensões de instrução e evidências de amor e boa vontade), mas eles desprezaram todo o seu conselho, como algo a que não valesse a pena dar ouvidos, e não ouviram a sua repreensão, como se estivesse abaixo deles ser repreendidos por Ele, e como se nunca tivessem feito nada que merecesse repreensão (v. 25). Isto é repetido (v.30): “Não quiseram o meu conselho e desprezaram toda a minha repreensão”; eles consideraram as repreensões vergonhosas, e as interpretaram como insultos (Jeremias 6.10): na verdade, desprezaram toda a minha repreensão, como se fosse uma brincadeira, e não valesse a pena ser levada a sério. Observe que estão destinados à ruina os que são surdos à repreensão e aos bons conselhos.

[3] Eles foram exortados a se submeter ao governo da razão e da religião, mas eles se rebelaram contra ambas. Em primeiro lugar, a razão não os governaria, pois odiavam o conhecimento (v. 29), odiavam a luz da verdade divina, porque ela lhes revelava o mal de suas obras (João 3.20). Eles odiavam que lhes fosse dito o que não podiam suportar saber. Em segundo lugar; a religião não poderia governá-los, pois eles não escolheram o temor do Senhor, mas preferiram andar no caminho de seus corações e à vista de seus olhos. Eles foram incentivados a colocar Deus sempre diante de si, mas preferiram deixá-lo, e ao temor dele, atrás de si. Observe que aqueles que não escolhem o temor do Senhor mostram que não têm conhecimento.

(2) A sentença é proferida, e certamente é de destruição. Os que não desejam se submeter ao governo de Deus certamente perecerão sob a sua ira e maldição, e nem mesmo o próprio Evangelho os aliviará. Eles não desejaram receber o benefício da misericórdia de Deus, quando lhes fora oferecido, e por isto, com razão, cairão como vítimas da justiça divina (Provérbios 29.1). Estas ameaças terão seu cumprimento por ocasião do juízo do grande dia, e na eterna infelicidade dos impenitentes, de que há alguns sinais nos juízos do presente.

[1] Agora, os pecadores têm prosperidade e segurança; eles vivem tranquilamente, e desafiam a tristeza. Mas, em primeiro lugar, virá a sua calamidade (v. 26); virá a doença, e aquelas enfermidades que eles compreenderão que são as prisões e os prenúncios da morte; outros problemas virão à mente, em relação às suas propriedades, que os convencerão da sua loucura ao manterem Deus à distância. Em segundo lugar, a sua calamidade lhes causará grande temor. O temor os paralisa, e eles percebem que o que está mal ainda irá piorar. Quando ocorrem os juízos públicos, os pecadores de Sião têm medo, o temor surpreende os hipócritas. A morte é o rei dos terrores para eles (Jó 15.21, e versículos seguintes; 18.11, e versículos seguintes); este temor será o seu tormento contínuo. Em terceiro lugar, proporcional ao seu temor será o que lhes acontecerá. O seu temor virá (aquilo que eles temiam lhes acontecerá); virá como desolação, como um forte dilúvio, que destrói tudo o que está à sua frente; será a sua destruição, a sua destruição, final e completa; e virá como uma tormenta, um redemoinho, que expulsa, de repente, e à força, todo o joio. Observe que aqueles que não desejam admitir o temor de Deus se abrem para todos os outros temores, e estes temores provarão não ser infundados. Em quarto lugar, o seu temor será, então, convertido em desespero: Aperto e angústia lhes sobrevirão, pois, tendo caído na cova que temiam, não terão como escapar (v. 27). Saul clama: “angústias me têm cercado” (2 Samuel 1.9); e no inferno há pranto e ranger de dentes, pela tribulação e angústia à alma do pecador, o fruto da indignação e ira do justo Deus (Romanos 2.8,9).

[2] Agora, Deus se apieda da sua loucura, mas então, Ele rirá da sua calamidade (v. 26); Também “eu me rirei na vossa perdição”, como ristes do meu conselho. Aqueles que ridicularizam a religião conseguirão apenas parecer ridículos perante o mundo todo. Os justos rirão deles (Salmos 52.6), pois o próprio Deus rirá. Isto indica que eles estarão, para sempre, excluídos das compaixões de Deus; eles pecaram durante tanto tempo contra a misericórdia, que agora a afugentaram com o pecado. Os olhos do Senhor não pouparão, nem terão piedade. Na verdade, Ele ficará satisfeito com a sua justiça glorificada na ruína deles, embora agora Ele preferisse que eles se convertessem e vivessem. Ah! Eu vou me livrar dos meus adversários.

[3] Agora, Deus está disposto a ouvir as suas orações e atendê-las com misericórdia, se eles apenas o procurarem para isto, mas então a porta será fechada, e eles clamarão em vão (v. 28): “Então, a mim clamarão”, quando já será tarde demais, dizendo: Senhor, Senhor, abre-nos. Então eles contemplariam com muita alegria aquela misericórdia que agora rejeitam e desprezam; “mas não responderei”, porque, clamei a eles, e não res­ ponderam. Toda a resposta, então, será: Apartai-vos de mim, não vos conheço. Este foi o caso de alguns nesta vida, como Saul, a quem Deus não respondeu, por Urim nem pelos profetas; mas, de modo geral, onde há vida há lugar para oração e esperança de sucesso; portanto, isto deve se referir à inexorável justiça do juízo final. Então os que desprezaram a Deus o buscarão de madrugada (isto é, fervorosamente), mas em vão; não o encontrarão, porque não o buscaram quando Ele podia ser encontrado (Isaias 55.6). O homem rico no inferno implorou, mas não foi atendido.

[4] Agora, eles estão ávidos em seguir o seu próprio caminho, e gostam dos seus próprios recursos, mas então, se fartarão deles (v. 31), de acordo com o provérbio, Que os homens comam o que plantaram; eles comerão o fruto do seu caminho; os seus salários serão de acordo com a sua obra, e, assim como foi a sua escolha, também será a sua perdição (Gálatas 6.7,8). Observe, em primeiro lugar, que existe uma tendência natural de pecar até a destruição (Tiago 1.15). Os pecadores certamente serão infelizes, se apenas comerem o fruto do seu caminho. Em segundo lugar, que os que perecerem, devem agradecer somente a si mesmos, e não poderão lançar a culpa a ninguém mais. É sua própria obra, que se vangloriem disto. Deus quererá as suas ilusões (Isaias 66.4).

[5] Agora, eles se valorizam segundo a sua prosperidade terrena, mas então, isto contribuirá para agravar a sua ruína (v. 32). Em primeiro lugar, Agora eles se orgulham de que podem se afastar de Deus e se livrar das restrições da religião; mas isto é a mesma coisa que poderá matá-los, e a lembrança disto lhes ferirá o coração. Em segundo lugar, agora eles se orgulham da sua própria segurança e por se entregarem aos prazeres dos sentidos; mas “o desvio dos simples os matará”; quanto mais seguros es­ tiverem, mais garantida e terrível será a sua destruição, e a prosperidade dos loucos os destruirá, enchendo-os de orgulho, colando seus corações ao mundo, fornecendo­ lhes combustível para seus desejos, e endurecendo seus corações em seu mau caminho.

4. Ele conclui com uma garantia de segurança e felicidade a todos aqueles que se sujeitam às instruções da sabedoria (v. 33): “Mas o que me der ouvidos” e desejar ser governado por mim, este:

(1) “Habitará seguramente”; habitará sob a proteção especial do Céu, de modo que nada lhe poderá causar nenhum dano real.

(2) “Estará descansado”, e não terá apreensões inquietantes de perigo; não somente estará a salvo do mal, mas “descansado do temor do mal”. Ainda que a terra seja movida, não temerão. Nós desejamos estar a salvo do mal, e descansados do temor do mal? Que a religião sempre nos governe, e que a Palavra de Deus seja nossa conselheira. Esta é a maneira de habitar seguramente neste mundo, e de estar descansado do temor do mal no outro mundo.