PSICOLOGIA ANALÍTICA

“VAMOS ESPERAR E VER O QUE ACONTECE…”

Acompanhamento psicológico pode ser fundamental para ajudar pacientes com doenças graves a fazer melhores escolhas. Em muitos casos, fortalecer a confiança na própria capacidade de lidar com uma situação sobre a qual não temos total controle pode ser mais saudável que recorrer imediatamente a uma cirurgia.

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Imagine receber um diagnóstico de câncer ou aneurisma potencialmente perigoso e, em seguida, ouvir que o melhor é não fazer nada – apenas aguardar. Essa abordagem, chamada de “espera vigilante”, é a opção mais acertada para um número crescente de pacientes, graças a novos e poderosos exames de imagem. No entanto, lidar com a incerteza é difícil para a maioria das pessoas.

“À medida que a tecnologia é aprimorada, identificamos algumas doenças cada vez mais cedo, antes que se tornem sintomáticas ou perigosas”, diz a mastologista Shelley Hwang, do Centro Médico da Universidade Duke. Ela atende mulheres com uma condição pré-cancerosa arriscada que optam pela observação. Pacientes com câncer de próstata representam outro grande grupo para quem essa é a opção mais indicada, considerando que a progressão da doença costuma ser bem lenta e a cirurgia pode causar incontinência e impotência, além de outros efeitos colaterais. Fumantes ou pessoas que abandonaram o cigarro, em geral, apresentam nódulos pulmonares preocupantes, mas apenas cinco em cada cem de fato desenvolvem a doença.

Apesar das probabilidades favoráveis, muitos experimentam intensos sentimentos de angústia depois do diagnóstico. Anualmente, apenas 10% de 100 mil homens com câncer de próstata, elegíveis do ponto de vista médico para a abordagem cirúrgica, optam por ela; e um quarto dos que inicialmente escolhem a observação desiste em até três anos, segundo relatório publicado pelo Instituto Nacional de Saúde (NIH) dos Estados Unidos. “A ansiedade não justifica a escolha por tratamentos invasivos”, afirma o psicólogo David Victorson, professor da Universidade Northwestern. Contudo, muitos acreditam piamente que a cirurgia é a única opção – e pedem por ela, apesar de ser invasiva e desconfortável.

Considerando isso, os cientistas investigam a melhor forma de ajudar quem sofre com essa situação. Um estudo recente comprova o que intuitivamente sabemos: fortalecer a confiança na capacidade de lidar com a situação inquietante e assustadora, sobre a qual não temos total controle, é solução mais saudável e eficiente. Os pesquisadores pediram a 71 pacientes com câncer de próstata, em espera vigilante, que avaliassem a si mesmos de acordo com uma série de declarações sobre gestão do estresse. Os voluntários deveriam classificar o quanto concordavam com afirmações como “sempre que me sinto contrariado, reexamino meus pensamentos para ter outras perspectivas” ou “sei que sou capaz de escolher a melhor maneira de administrar situações difíceis”.

Aqueles que acreditavam ter maior recurso interno para lidar com os contratempos apresentaram menor angústia associada ao câncer do que os que se sentiam menos preparados para enfrentar esse tipo de circunstância, segundo os resultados publicados no Journal of Behavioral Medicine. Na opinião dos autores do estudo, é importante, portanto, que médicos contem com a ajuda de psicólogos que acompanhem esses pacientes para fazer um levantamento cuidadoso sobre a autoconfiança dessas pessoas antes de sugerir a espera vigilante. Nesse sentido, o acompanhamento psicológico pode ser um grande diferencial na forma de lidar com o diagnóstico.

FALAR SOBRE O MEDO

Uma boa opção para os mais ansiosos é a meditação consciente, que ajuda o praticante a se concentrar no presente e a amenizar suas preocupações. Victorson liderou um estudo, atualmente submetido para publicação, com pacientes com câncer de próstata. O pesquisador descobriu que 23 homens que se submeteram a essa técnica por oito semanas apresentaram significativamente maior segurança, e o sofrimento associado ao diagnóstico se mostrou um catalisador para mudanças psicológicas positivas, em comparação com 18 que receberam apenas um livro de meditação para ler. Os ganhos permaneceram por pelo menos um ano.

Certamente não há uma única forma eficiente de lidar com a ansiedade nem um caminho que seja adequado a todas as pessoas. Mas os resultados apontam uma saída: escolher entre uma longa espera que pode trazer angústia e um tratamento arriscado não é a única opção. Encontrar um espaço seguro para falar de temas que nos afligem, como o medo da dor e da morte, pode ser o caminho mais seguro e trazer ótimos resultados.

Vamos esperar e ver o que acontece. 2 

CRENÇAS QUE FAZEM MAL

O diagnóstico de uma doença grave costuma cair como uma bomba na vida do paciente e daqueles que estão próximos. Por mais equilíbrio emocional que a pessoa tenha, não raro a notícia deflagra sentimentos angustiantes e a sensação de desamparo. Em alguns casos, esses estados de espírito chegam imediatamente; em outros, demoram algum tempo para aparecer, mas nem por isso são menos desconfortáveis ou requerem menos atenção. Considerando que a ansiedade tem caráter antecipatório e seu principal sintoma seja o medo, é compreensível que apareça justamente como algo assustador (e nem sempre possível de controle) em nossa vida.

Não há receita única e infalível para se haver com o desconforto, mas ter a ajuda de um psicólogo (e em muitos casos de um psiquiatra que possa receitar medicamentos necessários) pode ser decisivo. Além disso, porém, algumas predisposições para rever valores e crenças fazem enorme diferença.

Em primeiro lugar, e em vez de recriminação, ajuda muito buscar entendimento e aceitação da situação, sem perder tempo e energia procurando culpados. O psicólogo Robert L. Leahy, diretor do Instituto Americano de Terapias Cognitivas, ex-presidente da Associação Internacional de Terapia Cognitiva e Comportamental, nos Estados Unidos, sugere alguns pontos que valem a pena ser questionados:

PRECISO SER FORTE PARA APOIAR MINHA FAMÍLIA

É fundamental lembrar-se de que o paciente é você – o que quer dizer que merece ser cuidado e pode pedir ajuda. É louvável que queira proteger seus entes queridos e justamente por isso é tão importante ter o espaço protegido de um acompanhamento psicológico para que possa falar de suas dúvidas, fantasias e angústias, sem receio de alarmar alguém.

VOU FICAR MAIS DOENTE POR CAUSA DA ANSIEDADE

Isso não é verdade. Ela pode ser desagradável, mas não perigosa. Na verdade, trata-se simplesmente de pensamentos que nos tiram do momento presente e nos fazem nos preocupar com o que acreditamos que está por vir – sem termos certeza do que realmente acontecerá. Muitas vezes, o medo faz a situação parecer muito mais grave do que realmente é.

NÃO QUERO PARECER FRACO

Não há nada de ilógico ou vergonhoso na ansiedade. A força pode estar justamente na capacidade de se reconhecer frágil. Ela não é algo que você escolhe, assim como o diagnóstico que recebeu. Na verdade, essa inquietação indica que você tem capacidade de detectar o perigo para lidar com ele da melhor forma possível.

PRECISO ME LIVRAR DESTE MAL-ESTAR

Não, não precisa. Você não conseguirá afastar totalmente a ansiedade, principalmente num momento tão delicado, em que a própria saúde está em risco. Negar os sentimentos incômodos apenas os fortalece, por isso o mais saudável é reconhecer que eles existem. Curiosamente, quando você aceita a angústia, ela se torna menos intensa e ameaçadora.

MINHA ANSIEDADE ESTÁ SAINDO DO CONTROLE

Mesmo em situações compreensivelmente assustadoras, a ansiedade dura algum tempo e depois se torna mais leve. Pode surgir novamente, mas é importante se lembrar de que você não precisa estar no controle da situação; na maioria das vezes, aliás, o controle é uma ilusão. É possível deixar que a ansiedade esteja presente, sem que isso o impeça de desfrutar daquilo que é importante ou prazeroso para você.

PRECISO SER POSITIVO

Sim, essa atitude é importante, mas você tem todo o direito de se sentir ansioso também. Seja flexível e reconheça que sua mente está tentando protegê-lo, avisando-o de que algo escapou do seu controle. É compreensível que tenha medo ou raiva e não há por que se culpar por isso.

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Autor: Vocacionados

Sou evangélico, casado, presbítero, professor, palestrante, tenho 4 filhos sendo 02 homens (Rafael e Rodrigo) e 2 mulheres (Jéssica e Emanuelle), sou um profundo estudioso das escrituras e de tudo o que se relacione ao Criador.