ALIMENTO DIÁRIO

JOÃO 21: 20-25 – PARTE II

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A Conversa de Cristo com Pedro. A Conclusão do Evangelho de João

 

II – Aqui temos a conclusão deste Evangelho, e com ele, a conclusão da história evangélica, vv. 24,25.

Este evangelista não conclui seu Evangelho tão abruptamente como os outros três, mas com um tipo de cadência.

1. Este Evangelho é concluído com uma explicação do seu autor ou escritor, conectada, por meio de uma transição adequada, ao que veio anteriormente (v. 24): “Este é o discípulo que testifica dessas coisas” para a época atual, e as escreveu para o benefício da posteridade, o mesmo discípulo sobre o qual Pedro e seu Mestre tiveram aquela conversa nos versículos anteriores – João, o apóstolo. Observe aqui que:

(1) Aqueles que escreveram a história de Cristo não se envergonharam de assiná-la com seus nomes. Aqui João, na verdade, assina seu nome. Assim como nós temos certeza de quem foi o autor dos cinco primeiros livros do Antigo Testamento, que foram o alicerce daquela revelação, também temos certeza de quem foram os escritores dos quatro Evangelhos e do Livro de Atos, o Pentateuco do Novo Testamento. O registro da vida e morte de Cristo não é o relato de “não sabemos quem”, mas foi redigido por homens de conhecida integridade, que estavam dispostos não somente a testemunhar sob juramento, mas, além disto, a selá-lo com seu sangue.

(2) Aqueles que escreveram a história de Cristo, escreveram sobre seu próprio conhecimento, não com base em rumores, mas aquilo de que eles mesmos foram testemunhas oculares e auditivas. O escritor desta história era um discípulo, um discípulo amado, alguém que tinha se inclinado sobre o peito de Cristo, que tinha ouvido pessoalmente seus sermões e suas conversas, tinha visto seus milagres e as provas da sua ressurreição. Este é aquele que testificou a respeito de fatos de que estava completamente seguro.

(3) Aqueles que escreveram a história de Cristo, assim como testificaram o que tinham visto, também escreveram sobre o que antes tinham testificado. A história foi divulgada oralmente, com a maior certeza, antes que fosse escrita. Eles a testificaram no púlpito, nos tribunais, solenemente a declarando, a firmemente confessando, não como os viajantes dão um relato das suas viagens, para divertir os ouvintes, mas como as testemunhas sob juramento que apresentam uma narrativa do que sabem sobre um assunto, sabendo que suas palavras terão sérias consequências, com a máxima precaução e exatidão, para fundamentar um veredicto. Aquilo que eles escreveram, o escreveram como um depoimento, ao qual obedeceriam. Seus escritos são testemunhos permanentes da verdade da doutrina de Cristo para o mundo, e serão testemunhos a nosso favor ou contra nós, conforme nossa atitude, se os aceitarmos ou não.

(4) Foi graciosamente indicado, para suporte e benefício da igreja, que a história de Cristo devesse ser escrita, para que ela pudesse, com maior plenitude e certeza, ser transmitida a todos os lugares, e permanecer para sempre, por todas as épocas.

2. Este Evangelho é concluído com uma declaração da verdade daquilo que aqui foi relatado: “Sabemos que o seu testemunho é verdadeiro”. Isto pode ser interpretado, ou:

(1) Como uma expressão do senso comum da humanidade em questões desta natureza, qual seja, que o testemunho ocular de alguém que tenha uma reputação imaculada, que depõe solenemente sobre aquilo que ele viu, e que é escrito para maior certeza, é uma evidência inquestionável. Nós sabemos, isto é, todo o mundo sabe, que o testemunho de tal pessoa é válido, e a fé comum da humanidade nos obriga a dar crédito a ela, a menos que possamos refutar seu testemunho. E, caso ninguém venha a contradizer estes testemunhos, são da­ dos veredictos e julgamentos com base neles. A verdade do Evangelho vem confirmada por todas as evidências que podemos racionalmente desejar ou esperar, em algo desta natureza. A verdade de que Jesus realmente pregou tais doutrinas, e realizou tais milagres, e ressuscitou dos mortos, está provada, sem contradição, pelas evidências, como sempre se admite em outros casos, e, portanto, serve para a satisfação de todos os que são imparciais. E também é certo que a doutrina recomende a si mesma, e que os milagres provem que ela é de Deus. Ou

(2) Como uma expressão da satisfação das igrejas daquela época a respeito da veracidade daquilo que aqui é relatado. Alguns entendem que isto se refere ao endosso da igreja de Éfeso. Outros entendem que a referência seja ao endosso dos anjos ou ministros das igrejas da Ásia a esta narrativa. Não que um texto inspirado necessitasse de qualquer atestado dos homens, ou pudesse, com isto, receber qualquer acréscimo à sua credibilidade. Mas, desta forma, eles o recomendavam ao conhecimento das igrejas, como um texto inspirado, e declaravam a satisfação que receberam dele. Ou

(3) Como uma expressão da própria certeza do evangelista, da verdade daquilo que ele tinha escrito (cap. 19.35), pois ele “sabe que é verdade”. Ele fala de si mesmo no plural, “sabemos”, não para expressar uma forma majestosa, mas por modéstia, como em 1 João 1.1: “O que vimos”, e em 2 Pedro 1.16. Observe que os próprios evangelistas estavam integralmente satisfeitos com a verdade do que testemunharam e transmitiram a nós. Eles não exigem que creiamos naquilo em que eles mesmos não creram. Não, eles sabiam que seu testemunho era verdadeiro, pois eles arriscaram tanto esta vida quanto a próxima nisto. Eles abandonaram esta vida e passaram a depender completamente da vida porvir, crendo e confiando na­ quilo que diziam e escreviam.

3. Este Evangelho é concluído com um et cetera, com uma referência a muitas outras coisas, muito memoráveis, ditas e feitas pelo nosso Senhor Jesus, que eram todas bastante conhecidas por muitos que viviam então, mas seu registro para a posteridade não foi julgado adequado, v. 25. Houve muitas coisas bastante notáveis e benéficas, que, se fossem escritas de forma ampla, com suas diversas circunstâncias, mesmo o mundo propriamente dito, isto é, todas as bibliotecas existentes, não poderia conter os livros que se escrevessem. Desta maneira, ele conclui como um orador, como Paulo (Hebreus 11.32): “E que mais direi? Faltar-me-ia o tempo”. Se alguém perguntasse por que os Evangelhos não são maiores, por que a história do Novo Testamento não foi tão copiosa e tão longa quanto a do Antigo Testamento, a resposta poderia ser:

(1) Não foi porque eles tivessem esgotado seu assunto, e não tivessem nada mais para escrever que fosse digno de ser escrito. Não, houve muitas das palavras e obras de Cristo, não registradas por nenhum dos evangelistas, que seriam merecedoras de ser escritas com letras douradas. Pois:

[1] Tudo o que Cristo disse e fez era digno do nosso conhecimento e aproveitável. Ele nunca pronunciou uma palavra vã, nem fez algo inútil. Não, Ele nunca disse nem fez nada inferior, ou pequeno, ou insignificante, o que é mais do que pode ser dito sobre o mais sábio ou o melhor dos homens.

[2] Seus milagres foram muitos, inúmeros, de diversos tipos, e os mesmos, frequentemente repetidos, conforme houvesse oportunidade. Embora um verdadeiro milagre talvez pudesse ser suficiente para provar uma comissão divina, ainda assim a repetição dos milagres, na vida de uma grande variedade de pessoas, em uma grande variedade de casos, e diante de uma grande variedade de testemunhas, ajudou muito a provar que eram verdadeiros milagres. Cada novo milagre tornava mais digno de crédito o relato do milagre anterior; e a grande quantidade deles torna incontestável o relato na sua íntegra.

[3] Os evangelistas, em diversas ocasiões, fizeram relatos gerais da pregação e dos milagres de Cristo, inclusive de muitos pormenores, como em Mateus 4.23,24; 9.35; 11.1; 14.14,36; 15.30; 19.2, e muitas outras passagens. Quando falamos a respeito de Cristo, temos diante de nós um assunto copioso. A realidade excede o relato, e, afinal, nem a metade nos foi dita. O apóstolo Paulo cita um dos dizeres de Cristo que não está registrado por nenhum dos evangelistas (Atos 20.35), e sem dúvida houve muitos mais. Todos os seus dizeres foram extremamente importantes.

(2) Mas isto se deu por três motivos:

[1] Porque não era necessário escrever mais. Isto está implícito aqui. Houve muitas outras coisas que não foram escritas por­ que não houve oportunidade para escrevê-las. O que está escrito é uma revelação suficiente da doutrina de Cristo, e da sua comprovação. E o restante apenas teria o mesmo propósito. Aqueles que, com base nisto, argumentam contra a suficiência das Escrituras como a regra da nossa fé e prática, e a favor da necessidade de tradições não-escritas, deveriam mostrar o que há, nas tradições, que eles pretendem que venha a aperfeiçoar a Palavra escrita. Nós estamos certos de que, em tais tradições, existe o que é contrário à Palavra escrita, e por isto o rejeitamos. Por estas pessoas, portanto, sejamos admoestados, pois “não há limite para fazer livros”, Eclesiastes 12.12. Se não crermos e nos beneficiarmos com o que está escrito, não o faríamos se houvesse muito mais.

[2] Não era possível escrever tudo. Era possível, para o Espírito, compor tudo. Mas era humanamente impossível, para os escritores, escrever tudo. O mundo não poderia conter os livros. Entendemos que esta seja uma hipérbole suficientemente comum e justificável, que tem a finalidade de dizer que este material, se redigido, encheria uma vasta e inacreditável quantidade de volumes. Seria uma história grande e excessivamente longa, como nunca houve igual, de modo a acotovelar todos os outros textos, e não deixaria espaço para eles. Quantos volumes seriam preenchidos com as orações de Cristo, se nós tivéssemos o registro de todas as orações que o Senhor fez quando passou noites inteiras orando a Deus, o Pai, sem nenhuma vã repetição? Muitos mais, se todos os seus sermões e suas conversas fossem detalhadamente relatados, bem como seus milagres, suas curas, todo o seu trabalho e todos os seus sofrimentos. Esta obra teria sido interminável.

[3] Não era aconselhável escrever muito, pois o mundo, em um sentido moral, não poderia conter os livros que se escrevessem. Cristo não disse o que Ele poderia ter dito aos seus discípulos, porque eles não eram capazes de suportá-lo. E, pela mesma razão, os evangelistas não escreveram tudo o que poderiam ter escrito. O mundo não poderia conter, choresai. É a palavra usada em João 8.37: “A minha palavra não entra em vós”. Elas teriam sido tantas, que não teriam encontrado espaço. Todo o tempo das pessoas teria sido passado na leitura, e outros deveres, portanto, teriam sido abandonados. Muito é ignorado do que está escrito, muito é esquecido, e muito é tornado questão de discussão duvidosa. Este teria sido o caso, muito mais, se tivesse havido tal mundo de livros, de igual autoridade e necessidade, dos quais toda a história teria se inchado, especialmente uma vez que era necessário que o que estava escrito fosse meditado e explicado, coisa para a qual Deus sabiamente julgou adequado deixar espaço. Os pais e ministros, ao educar, devem considerar a capacidade daqueles a quem ensinam e, como Jacó, devem tomar cuidado para não dirigir as situações excessivamente. Sejamos gratos pelos livros que estão escritos, e não os valorizemos menos pela sua simplicidade e brevidade, mas aproveitemos diligentemente aquilo que Deus julgou adequado revelar, e tenhamos um anseio, que nosso entendimento esteja no nível mais elevado possível, onde nossas capacidades sejam ampliadas e elevadas sem que haja o perigo de serem sobrecarregadas.

O evangelista, concluindo com “amém”, coloca seu selo sobre estas palavras, e que coloquemos, então, nosso selo sobre elas através de um “amém” de fé, endossando o Evangelho, expressando que ele é verdadeiro, e completamente verdadeiro em todos os seus detalhes, em todas as suas partes. E expressemos um “amém” de satisfação por aquilo que está escrito, pois é assim que podemos nos tornar sábios para a salvação. Amém. Assim seja.

Autor: Vocacionados

Sou evangélico, casado, presbítero, professor, palestrante, tenho 4 filhos sendo 02 homens (Rafael e Rodrigo) e 2 mulheres (Jéssica e Emanuelle), sou um profundo estudioso das escrituras e de tudo o que se relacione ao Criador.

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