PSICOLOGIA ANALÍTICA

SONHOS QUE NOS PREPARAM PARA A MORTE

Produções oníricas que no fim da vida não são apenas delírios aleatórios: têm sentido e a função de nos reconfortar e fortalecer emocionalmente para enfrentar o desconhecido.

Sonhos que nos preparam para a morte

Pouco antes de morrer, muitas pessoas passam por experiências psíquicas bastante intensas, segundo registros encontrados em diversas culturas ao longo da história: veem luzes e lugares bonitos e têm a sensação de estar em companhia de pessoas conhecidas já falecidas. Apesar de frequente, o fenômeno só passou a ser investigado com mais afinco pela ciência nos últimos anos. Pesquisadores acreditam que, ao se defrontar com o próprio fim, nosso psiquismo recorra a estratégias de defesa, produzindo sensações que tornam esse momento menos assustador. Há poucos meses, um novo estudo publicado no American Journal of Hospice & Palliative Care, um dos raros a focar a perspectiva do paciente, reafirma que na maioria dos casos essas vivências trazem conforto. Segundo os cientistas do Daemen College e do Hospice Buffalo, vinculado ao Centro de Asilos e Cuidados Paliativos, que participaram do estudo, as impressões anteriores ao falecimento favorecem a sensação de paz e ajudam a mudar a perspectiva sobre a morte ou mesmo a aceitá-la com mais tranquilidade. Na opinião dos cientistas, os psicólogos, médicos, enfermeiros e outros profissionais da saúde que atendem esses pacientes não devem desvalorizar manifestações desse tipo, mas reconhecê-las como parte de um processo positivo. Pesquisadores acompanharam 63 pacientes admitidos no hospital durante um período de 18 meses. Os cientistas os entrevistaram diariamente, pedindo detalhes e descrições sobre possíveis sonhos e visões. A maioria relatou ter passado por experiências memoráveis (caracterizadas por sensação de realismo e com forte significado emocional) com bastante clareza, e não apenas devaneios comuns ou episódios delirantes. A análise dos dados revelou seis categorias de fenômenos oníricos. Em algumas ocasiões, por exemplo, os participantes declararam ter visto entes queridos falecidos esperando por eles (veja quadro acima). À medida que se aproximavam da morte, tendiam a sonhar mais com pessoas já falecidas do que com conhecidos vivos – e, em geral, descreviam a experiência como consoladora.

A principal constatação do estudo é que sonhos e visões no fim da vida são reconfortantes. Pesquisas anteriores chegaram a conclusões similares: um levantamento feito com enfermeiros de cuidados paliativos em 2013 mostrou que 89% das pessoas entrevistadas associavam essas experiências com mortes calmas. No entanto, muitos profissionais tendem a ignorar esses fenômenos pré-morte, segundo o cardiologista Christopher W. Kerr, um dos autores do estudo. Ele afirma que grande parte dos médicos atribui, com pouco cuidado na avaliação, esses incidentes a delírios ou efeitos colaterais da medicação. Os pesquisadores acreditam que essa atitude pode prejudicar a saúde mental de quem está em estado terminal. “Parece óbvio, mas infelizmente não é: precisamos tratar a pessoa, e não só a doença. A qualidade de vida no final ainda é importante”, defende a médica Pei C. Grant, diretora de pesquisa do Hospice Buffalo. Ela e seus colegas sugerem que famílias e profissionais conversem com o paciente e o estimulem a dizer o que pensa sobre sua situação, como se sente, e a contar seus sonhos. Eles ressaltam que, quando estimulados, na maioria das vezes os doentes se animam a compartilhar o que lhes passa pela cabeça e especialmente os sonhos. Isso per- mite que revejam sua vida e seus sentimentos em relação ao processo de morte, além de ajudar a entrar em contato com experiências passadas. “Muitas vezes temos medo do que está por vir e nos negamos a falar sobre o fim, como se isso pudesse evitá-lo, mas o resultado pode ser psiquicamente muito bom para todos”, diz a médica. “Basta se aproximar e ouvir. É exatamente disso que as pessoas em estado grave precisam.” Reconhecer o significado das experiências de finitude pode ajudar tanto quem se despede da vida como suas famílias a passar por essa transição tão difícil quanto inevitável.

NO LIMIAR DA VIDA

Nos momentos de perigo, o aparelho psíquico mobiliza em poucos segundos enorme quantidade de lembranças em busca de uma ideia salvadora.

Ao recobrar a consciência, muitas pessoas que chegaram ao limiar da vida contam que estiveram numa espécie de viagem em direção ao além. Embora os relatos tenham detalhes específicos em cada caso, alguns elementos tendem a se repetir no discurso de homens e mulheres de diferentes idades e variadas classes socioculturais. Em geral, aqueles que “retornam à vida” falam sobre sentimentos de paz, bem-estar e leveza (às vezes, a ponto de sentir que levitam). Não raro, recordam-se da impressão de abandonar o próprio corpo e ver a si mesmos de uma perspectiva externa. Para o neurologista suíço Olaf Blanke, que coordena uma equipe de pesquisadores no Hospital Universitário de Genebra, não há dúvida de que a experiência de quase morte (EQM) e as impressões “extracorpóreas” estão fundamentadas no cérebro.

Segundo ele, nessas ocasiões ocorre o que chama de “colisão de tempos” – um processo gerido pelo sistema nervoso e provocado pela falta de oxigenação cerebral, que faz com que conteúdos psíquicos surjam de forma desordenada, como uma espécie de sonho, cuja principal função é nos acalmar. O cientista enfatiza que as sensações experimentadas em situações extremas já estão armazenadas em nossa memória e apenas as acessamos nesse momento.

“Para compreendermos o que acontece na EQM, é preciso entender que nosso cérebro funciona como um aparato de previsão do futuro, e não há nada de místico nisso; a todo instante ele se organiza com base em hipóteses sobre o que está por vir”, afirma o neurofisiologista Detlef Linke, pesquisador da Universidade de Bonn, na Alemanha. Ele explica que, quando o aparelho psíquico é confrontado com a ideia de que estamos morrendo, todo o futuro se reduz a um único momento e, subitamente, não há mais sequência de acontecimentos a serem planejados. É como se a sequência temporal se interrompesse e a mente buscasse formas imediatas de lidar com essa informação angustiante.

Quanto aos círculos de luz ou portais luminosos que aparecem com frequência nas descrições de EQMs, Linke sugere que eles não estão associados apenas à baixa circulação sanguínea no cérebro, mas também ao mecanismo de funcionamento da mente, que se em- penha em conferir sentido a tudo o que percebe. Para ele, é possível que uma claridade repentina – comum no ambiente hospitalar, por exemplo – seja interpretada como a saída de um túnel escuro. E, enquanto os sistemas de neurotransmissão fundamentais para a sensação de felicidade continuarem ativos, não é difícil que apareça a impressão de libertação do lugar escuro e o sentimento de êxtase, decorrente de outra interpretação subjetiva.

Até mesmo a sensação de sair do próprio corpo pode ser explicada fisiologicamente, em sua opinião. “Somos treinados culturalmente a considerar imagens internas da perspectiva dos próprios olhos, mas os centros cerebrais trabalham rotineiramente com múltiplas abordagens e têm a capacidade de elaborar representações de si mesmo com base no olhar externo”, afirma. Quando há necessidade, o sistema nervoso recorre a esses registros.

Se o fato de encontrarmos alento numa situação que poderia ser mar- cada apenas pelo medo e pelo desespero, passando por ela de forma mais suave e acolhedora, se deve a razões puramente biológicas ou se há algo inexplicável por trás desse processo que nos protege é um mistério. “De qualquer forma, devemos ser gratos por nosso cérebro providenciar recursos de emergência para ocasiões de profundo desamparo”, diz Linke.

PREPARANDO-SE PARA PARTIR

À medida que se aproximam da morte, muitos pacientes têm sonhos vívidos e intensos em uma ou mais das seis categorias.

PRESENÇA RECONFORTANTE.

Uma pessoa afetivamente importante (geralmente falecida, mas em alguns casos ainda viva) oferece apoio e carinho

RECORDAÇÕES AFLITIVAS.

Alguns revivem experiências traumáticas, como guerras, abusos na infância ou situações e relacionamentos difíceis, como se o psiquismo fizesse uma tentativa derradeira de integrar essa memória.

DE MALAS PRONTAS.

Muitos se aprontam para uma viagem. Uma paciente, por exemplo, contou que embarcou num avião com o filho (vivo) e sentiu-se aliviada

MODO DE ESPERA.

Pessoas próximas falecidas parecem aguardar o paciente. Três dias antes de sua morte, uma mulher teve visões e sonho em que o marido a esperava no pé de uma escadaria.

EM COMPANHIA DOS MORTOS.

Amigos e parentes falecidos desempenham papel significativo, que os pacientes relatam como predominantemente reconfortante

QUESTÕES PENDENTES.

Há relatos de sonhos sobre medo de não cumprir tarefas importantes. Duas jovens mães, por exemplo, sonharam com os filhos pequenos chorando.

Anúncios

OUTROS OLHARES

A MATERNIDADE COMO ELA É

Grupos terapêuticos, especialistas em pós-parto e eventos sociais ajudam mães a atravessar de forma mais prazerosa a fase turbulenta do início da maternidade.

A maternidade como ela é

Ao se tornarem mães as mulheres passam por um período de intensas transformações: sensibilidade à flor da pele, privação de sono, mudanças físicas e emocionais, falta de rotina, dores na amamentação e o desafio da solidão. A maternidade tão sonhada e idealizada revela seu “lado B” assim que nasce o bebê. O que deveria ser só felicidade é também fonte de dificuldades e transtornos. A boa notícia é que hoje existem diversas alternativas para trazer mais leveza a essa fase de tantas adaptações da mulher e da criança.

Tecnicamente, o pós-parto ou puerpério vai do nascimento até os 40 dias do recém-nascido, mas é possível considerar como pós-parto todo o período do aleitamento materno. Nessa fase, a prolactina, hormônio que estimula a produção de leite, causa uma leve e passageira depressão. A mulher fica mais chorosa, introspectiva, com a audição mais apurada e com toda sua libido (energia vital) voltada para o rebento. “Algumas têm um medo ilusório de que o bebê possa morrer de repente. Elas estão fragilizadas. O que quer que aconteça ganha uma dimensão muito maior nesse período”, diz a psicóloga e doula Daniela Andretto, da clínica Casa Moara, em São Paulo. E há um sentido para tanta sensibilidade e sensorialidade: garantir que a mãe entenda as necessidades do seu bebê, que mantenha a atenção focada nele e compreenda a sutileza de suas expressões. É que provoca o chamado baby blues ou tristeza materna, diferente de depressão pós-parto, que é uma doença. “Para cuidar bem do bebê, a mãe precisa se sentir compreendida e cuidada, nunca invadida ou julgada”, diz.

VAI PASSAR

Não raro, a maternidade coloca as mulheres em contato com uma inédita sensação de impotência e descontrole. Tudo fica meio sombrio. “Uma coisa é a projeção e a idealização da maternidade, outra é dar de cara com a realidade de cuidar de outro ser humano. Conforme a mulher vai se adaptando à nova vida, conhecendo seu bebê, entendendo as mudanças em seu corpo e na relação com o parceiro, e aceitando que não vai resolver tudo sozinha, ela começa a relaxar”, diz a ginecologista e obstetra Betina Abs da Cruz, da clínica Gaza da Vila, em São Paulo. Em geral as gestantes se preparam muito para o parto e pouco para os desafios do pós­ parto. “É importante buscar orientação sobre o puerpério durante a gestação e reconhecer a hora de pedir ajuda antes de chegar no insuportável”, aconselha a médica. Grupos de gestantes conduzidos por médicos, terapeutas ou doulas oferecem informações de qualidade sobre o pós-parto para mães e pais.

A ex-executiva Luiza Tosta, 37anos. deixou o mundo corporativo para ser mãe de Ester, 2 anos, e de Hanna, 5 meses. “No meu primeiro pós-parto sentia culpa por não estar produzindo. Busquei atividades para mães e bebês perto de casa. Saía cansada mesmo e me sentia acolhida pelas outras mães. Compartilhávamos informações e conselhos. Hoje participo de um grupo no WhatsApp com 80 mães só para trocar dicas de atividades com o bebê. “Com a filha no sling (facilitador de colo), Luiza vai a museus, parques e atividades para bebês, como a dança materna. “Comecei quando a mais velha completou 40 dias. É uma atividade lúdica que fortalece o afeto com o bebê e o autocuidado. Percebemos que os medos, transtornos, cansaços e choros acontecem com todas. “Também existem grupos de pós-parto que auxiliam na introdução alimentar e no sono do bebê.

Marianna Muradas, 30 anos, é doula e educadora peri­natal. Seu primeiro filho, Tom, de 2 meses, nasceu tranquilamente em casa em apenas duas horas de trabalho de parto sem anestesia e quase sem dor com ajuda da hipnose através do aplicativo Gentle Birth. O que Marianna não imaginava era que o pós-parto seria tão difícil. “Senti muita dor para amamentar no primeiro mês e ainda sinto um pouco. Olhar aquele bebezinho frágil e tão dependente de mim me apavorava. O discurso dos familiares era muito pesado: “É assim mesmo, aguenta aí”. Procuro ajuda de amigas no pós-parto e no grupo de WhatsApp Luz da Madrugada, onde converso com outras mães enquanto amamento na calada da noite”. Para as outras mães no puerpério, ela recomenda o mantra ‘Vai passar”.

A maternidade como ela é.2

PÓS-PARTO EM BOA COMPANHIA

Como tornar mais prazeroso o início da maternidade

GRUPO TERAPEUTICO DE PÓS-PARTO COM PSICÓLOGA

Reveem pré-conceitos e crenças e desenvolvem seu jeito único de sentir e desempenhar a maternidade. Na Caza da Vila e na Casa Moara.

SLINGADAS

Encontros de mães no pós-parto.

Os cuidadores aprendem sobre o benefício do uso do sling (facilitador de colo) e as posições e os modelos mais indicados para cada fase. Na Casa Moara, Caza da Vila e na sede do Sampa Sling.

DANÇA MATERNA

A mulher entra na dança com seu bebê para se conhecer, se expressar e lidar com as transformações dessa fase. Na Casa Moara.

CINEMATERNA

Sessões de cinema seguidas de bate papo para mães (e pais) com bebês até 18 meses.

BUXIXO DE MÃES

Grupo virtual de mães que se apoiam e se informam sobre gestação, parto humanizado, amamentação e educação ativa.

GESTÃO E CARREIRA

BOA CONDUTA NA CAIXA DE ENTRADA

Enviar e receber e-mails faz parte de toda rotina de trabalho, mas alguns detalhes de etiqueta podem ser cruciais para a imagem da empresa.

Boa conduta na caixa de entrada

Escrever corretamente é algo que sempre deve estar na atenção das pessoas, principalmente quando se trata de e-mails, sejam eles pessoais ou corporativos. Mas se são corporativos, a dica é para uma atenção mais redobrada, pois, apesar de estarmos em uma época em que muitas palavras e expressões estão sendo substituídas por ícones e abreviações, a principal questão de escrever corretamente está na qualidade da mensagem a ser transmitida. Afinal, sabemos que um e­ mail mal redigido no mundo corporativo pode denegrir a imagem da empresa de forma drástica.

Segundo ainda a coach em carreira e CEO da Genter, Irina Bezzan, quanto maior o nível hierárquico e estratégico de um profissional em uma organização, maior o impacto na imagem. “Da mesma maneira, transmitir as informações adequadamente tem um efeito positivo na imagem do profissional. Por isso, principalmente empreendedores e donos de negócios devem ter cautela redobrada”, recomenda.

A especialista em direito digital e sócia do escritório de advocacia Assis e Mendes, Gisele Arantes, endossa a opinião de Trina e completa que muito embora a “linguagem de internet” esteja sendo cada vez mais utilizada, principalmente entre o público jovem, é extremamente importante que tomemos cuidado com a comunicação no ambiente corporativo e especialmente ao enviarmos aquele e-mail que deve ter cunho mais formal. “Os jargões, as abreviações e a linguagem coloquial que utilizamos junto a um grupo de amigos jamais devem ser levados para o ambiente corporativo, principalmente se tratando do gestor ou dono do negócio. A linguagem, em todas as suas formas (escrita, falada, corporal) ainda é muito valorizada em qualquer ambiente e, via de regra, deve estar atenta às regras ortográficas cultas”, afirma.

FUNDAMENTAL

De acordo com Irina Bezzan, uma das maiores problemáticas encontradas no envio de e-mails atualmente está na subjetividade da interpretação da leitura. “Por isso, acho importante manter a formalidade, mas sem perder a cordialidade. Não podemos esquecer que o e-mail é considerado como um documento, e tudo que for escrito fica registrado, podendo ser utilizado contra ou a favor de uma situação”, alerta.

Gisele Arantes recomenda, portanto, que qualquer mensagem que se relacione com o seu ambiente corporativo deve seguir um código mais formal e preservar uma linguagem adequada, sem utilização de gírias, jargões ou abreviaturas. “Nunca tratar qualquer pessoa por ‘apelidos’ e manter sempre a formalidade na mensagem, utilizando-se de linguagem respeitosa e atenta às regras ortográficas”, ressalta.

Boa conduta na caixa de entrada. 4

ANTES DE ENVIAR

É comum que algumas pessoas se expressem melhor de uma maneira e nem tanto de outra (verbal e escrita). Para aqueles que falam melhor do que escrevem, uma dica para redigir um e­ mail, da especialista em direito digital Gisele Arantes, é elencar em tópicos as ideias que pretende expor e, a partir daí, discorrer sobre o tema. ”A utilização de corretor ortográfico, caso a pessoa não se sinta segura com a escrita, é de extrema importância, podendo, também, utilizar-se de dicionários que facilmente são encontrados on-line e podem auxiliar não só na ortografia como também na conjugação verbal”.

Irina também destaca alguns pontos que podem auxiliar a revisão de conteúdo para e-mail. “Eu tenho o hábito de ler e reler o e-mail enviado para garantir que estou expressando o necessário, porém com poucas palavras. E-mails longos, que retratam com exatidão uma conversa, já não são mais indicados. O exercício é ampliar o vocabulário com frases curtas que representem a totalidade da ideia. Nem sempre a forma como se fala será a melhor forma de se escrever. Também é possível pedir auxílio para um funcionário, membro da equipe ou algum parceiro ou amigo para revisar em conjunto antes do envio do e-mail”.

Um ponto importante na hora de redigir um e-mail, mas que algumas pessoas no mundo corporativo, às vezes, não se atentam, é em relação à saudação. “Considero a ausência de saudação no e-mail um erro de etiqueta grave. Quando você telefona para alguém, sempre iniciamos com alguma saudação, seja um bom dia, olá, alô, um oi e tudo bem. Cumprimentar o destinatário da mensagem é um princípio de gentileza e boa educação, e a saudação no início do texto do e-mail com certeza é um princípio básico de etiqueta”, discorre a coach em carreira, citando ainda alguns exemplos que podem ser utilizados: Quando você já conhece a pessoa, utilizar “Caro”, “Prezado Fulano” ou “Bom dia, Fulano”, quando se tem contato frequente (colegas, gestor e clientes). “Não se preocupe se o destinatário ler a mensagem em outro horário (à tarde ou à noite); deve ser considerado o momento de escrever a mensagem. Eu gosto muito do ‘Olá, Fulano’, é simples, cordial e serve para muitos momentos”, afirma Irina.

Já o “Oi” é indicado para um trato informal com pessoas que temos um relacionamento próximo, mas evite usar apelidos. Vale um lembrete: é importante ter a percepção de que se trocar muitas mensagens ao longo do dia com alguém, não é necessário manter a formalidade do “prezado” o tempo todo, basta chamar a pessoa pelo próprio nome. De qualquer maneira, toda abordagem que traga um tom cordial, educado e simpático é positiva.

Trina lembra que da mesma maneira que a saudação é importante em um e-mail corporativo, as despedidas cordiais também são. Às vezes, um “muito obrigado”, “grato por sua atenção” ou “coloco-me à disposição” pode suavizar o conteúdo de alguns e-mails e dar um tom mais cordial à mensagem. Vale também utilizar fontes que facilitem a leitura. As mais indicadas são a Narrow, Cambria, Arial e Times New Roman. Preferencialmente em fonte tamanho normal (11 a 14). Além disso, o empresário pode utilizar negrito ou itálico para destacar algum tópico, mas muito cuidado com o uso do Caps Lock, que dá a impressão de que o remetente está gritando através das letras maiúsculas.

IMPRESSÕES FINAIS

A sócia do escritório Assis e Mendes, Gisele Arantes, ressalta que se um empresário que quer divulgar seus serviços ou até mesmo que envia uma proposta para um cliente novo não tomar muito cuidado com a mensagem, deixando passar erros ortográficos ou linguagem inadequada, pode transmitir uma imagem negativa para o destinatário. “Já um texto bem escrito e com linguagem adequada pode trazer credibilidade profissional e até conquistar o cliente”, ilustra.

Irina Bezzan completa que, além de denegrir a imagem profissional e a imagem da empresa ou do negócio, os e-mails corporativos representam uma marca, uma ideologia. “Por isso, é fundamental que o visual do e-mail seja limpo, ou seja, não encaminhe mensagens com conteúdo sem formatação. Isso é simples de resolver, basta excluir os comentários, contatos ou históricos desnecessários nas mensagens. Assim o destinatário receberá um e-mail mais objetivo e leve. Evite também escrever a mensagem já com o destinatário incluso. Pode ocorrer problemas técnicos e o e-mail ser disparado sem revisão ou no meio da redação. Também deve haver a conferência se o endereço eletrônico do destinatário está correto, pois enviar e-mail para o destinatário errado pode ser bem constrangedor”, pontua.

Outro ponto negativo para a imagem do profissional e da empresa são os conflitos tratados por e-mail. Deve-se evitar ao máximo discussões por e-mail ou tratar questões delicadas e muito sérias. O teor emocional pode gerar interpretações complexas e piorar a situação. E, depois que se escreveu, fica difícil consertar o que foi dito. Também quando acontecer situações urgentes ou houver a necessidade de uma confirmação imediata a respeito de alguma informação, vale utilizar outro meio de comunicação. “Nestes momentos, muitos se esquecem de utilizar o bom e velho telefone. Acredito que o e­ mail é uma das principais ferramentas de comunicação hoje, mas apenas em algumas situações, o bom diálogo presencial ou por telefone pode minimizar muitos conflitos”, argumenta e finaliza Irina.

Boa conduta na caixa de entrada. 2

 O QUE OBSERVAR ANTES DE ENVIAR UM E-MAIL

LÍNGUAS ESTRANGEIRAS: Se o profissional não tem domínio de uma língua, como o inglês, por exemplo, acaba às vezes utilizando a tradução automática de algumas ferramentas, como o Google translator. Mas sem uma revisão do conteúdo, o texto pode ficar com uma tradução errônea ou com sentido equivocado.

MAIS DE UM DESTINATÁRIO: Ao responder a uma mensagem, deve-se estar atento se for adicionar um destinatário terceiro que não foi incluso pelo remetente original. Às vezes, essa é uma informação específica e direcionada somente para você, ou seja, não deveria ser compartilhada. Isso é uma falta grave, principalmente quando o remetente for o seu superior. Quando utilizar o Cco (cópia oculta), também deve tomar cuidado para não responder, isso pode gerar constrangimentos, pois o destinatário pode responder sem ter visto que estava oculto na mensagem.

RESPOSTA EQUIVOCADA: Deve-se tomar cuidado ao utilizar o “responder a todos”, pois você se comunica com diversos destinatários e pode criar inúmeras respostas ou desvios da questão principal que lotam a caixa postal dos demais.

MENSAGENS EM DESTAQUE: Cuidado no uso de cores para destacar um elemento do texto. E-mails com texto grifado em excesso podem ficar confusos ou gerar desgaste visual para a leitura.

Fonte: IRINA BEZZAN – Coach em Carreira.

Boa conduta na caixa de entrada. 3 

ETIQUETA CRUCIAL NA HORA DE ESCREVER UM E-MAIL

  • Não encaminhe e-mails correntes ou de autoajuda para os contatos, principalmente com arquivos anexos: esses e-mails são considerados SPAM em sua quase totalidade, além de não serem verdadeiros, terem links com conteúdo malicioso ou serem muito pesados.
  • Resumir e-mails com longas e variadas discussões. Para isso, criar tópicos é sempre interessante. Isso também é muito importante na hora de incluir o campo “Assunto”. Às vezes as discussões anteriores se perdem em novos temas e fica difícil localizar a mensagem ou mesmo identificar onde está o conteúdo relevante.

ALIMENTO DIÁRIO

JOÃO 21: 15-19 – PARTE I

alimento diário

A Conversa de Cristo com Pedro

 

Aqui temos a conversa de Cristo com Pedro, depois do jantar. Grande parte desta está relacionada a ele mesmo, em que:

 

I – O Senhor examina o amor que Pedro tem por Ele, e lhe dá uma incumbência a respeito do seu rebanho, vv.15-17. Observe:

1. Quando Cristo iniciou esta conversa com Pedro: “Depois de terem jantado”. Todos eles tinham comido e estavam satisfeitos, e, provavelmente, estavam entretidos com o discurso edificante que nosso Senhor Jesus costumava fazer à mesa. Cristo previu que aquilo que Ele tinha a dizer a Pedro poderia causar-lhe algum desconforto, e, portanto, não quis dizer-lhe até que todos tivessem jantado, porque não desejou estragar o jantar de Pedro. Pedro estava consciente de que tinha causado desprazer ao seu Mestre, e não poderia esperar outra coisa além de ser censurado pela sua traição e ingratidão. “É esta sua gratidão para com seu amigo? Eu não lhe disse que covarde você provaria que é?” Não, ele poderia, com razão, esperar ser removido do grupo dos discípulos, e ser expulso daquela comunhão sagrada. Duas vezes, se não três, ele tinha visto seu Mestre desde sua ressurreição, e Ele não havia lhe dito nem uma palavra sobre isto. Podemos imaginar Pedro cheio de dúvidas quanto à sua situação perante seu Mestre. Talvez até pudesse estar esperando o melhor, porque tinha recebido graças dele, juntamente com os demais, mas não sem alguns temores de que a reprovação viesse, por fim, pois era o que ele realmente merecia. Porém agora, por fim, seu Mestre o tirava da sua agonia, dizendo-lhe o que tinha que dizer-lhe, e confirmando-o no seu lugar, como um apóstolo. Ele não mencionou seu erro precipitada­ mente, mas adiou por algum tempo. Não lhe falou sobre o erro de maneira irracional, para perturbar o grupo durante o jantar, mas depois que tinham jantado juntos, como sinal de reconciliação, então conversou com ele sobre o erro, não como se falasse com um criminoso, mas com um amigo. Pedro tinha se repreendido por isto, e, por essa razão, Cristo não o repreendeu, nem lhe falou sobre isto diretamente, mas somente por uma sugestão tácita. E, estando satisfeito com sua sinceridade, a ofensa não somente foi perdoada, mas também esquecida. E Cristo lhe deu a entender que Ele o queria tanto quanto antes. Com isto, o Senhor nos deu um exemplo do encorajamento e da ternura com que trata os penitentes, e nos ensinou, da mesma maneira, a restaurar aqueles que estão caídos, com espírito de mansidão.

2. Como foi a conversa propriamente dita. Aqui a mesma pergunta foi feita três vezes, e a mesma resposta foi dada três vezes, e a mesma contestação foi feita três vezes, com muito pouca variação, e ainda assim sem vã repetição. A mesma coisa foi repetida pelo nosso Salvador, ao dizê-la, mais para afetar a Pedro e os outros discípulos que estavam presentes, e é repetida pelo evangelista, ao escrevê-la, mais para afetar a nós e a todos os que a lerem.

(1) Três vezes Cristo pergunta a Pedro se ele o ama. Na primeira vez, a pergunta é: “Simão, filho de Jonas, amas-me mais do que estes?” Observe:

[1] Como Ele o chama: “Simão, filho de Jonas”. Ele o chama pelo nome, para afetá-lo mais, como em Lucas 22.31: “Simão, Simão”. Ele não o chama de Cefas, nem de Pedro, o nome que Ele lhe tinha dado (pois ele tinha perdido a credibilidade da força e da estabilidade que estes nomes significavam), mas pelo seu nome original, Simão. Porém, Ele não lhe dirige palavras duras, não grita seu nome, embora Pedro o merecesse. Ele o chama como o chamou em Mateus 16.17: “Bem-aventurado és tu, Simão Barjonas”. Ele o chama de filho de Jonas para lembrá-lo da sua origem, do quanto ela era humilde, e indigno da honra à qual ele fora promovido.

[2] Como Ele o interroga: ”Amas-me mais do que estes?”

Em primeiro lugar: ”Amas-me?” Se formos investigar se somos realmente discípulos de Cristo, a pergunta deve ser: “Nós o amamos?” Mas há uma razão especial pela qual Cristo agora faz esta pergunta a Pedro.

1. Sua queda tinha aberto uma oportunidade para que as dúvidas sobre seu amor fossem esclarecidas: “Pedro, Eu tenho motivos para suspeitar do seu amor, pois, se você me amasse, não teria se envergonhado nem teria se amedrontado de reconhecer-me, nos meus sofrimentos. Como você pode dizer que me ama, quando seu coração não estava comigo?” Observe que não devemos considerar como uma afronta ter nossa sinceridade questionada, quando nós mesmos fizemos algo que a tornou questionável. Depois de uma queda, devemos tomar cuidado para não pensar que a situação já está completamente solucionada, para não nos firmarmos sobre um pensamento equivocado. A pergunta é comovente. Ele não pergunta: “Você me teme? Você me honra? Você me admira?” Mas: “Você me ama? Dê-me provas disto, e a afronta será ignorada e não mais se falará sobre isto”. Pedro tinha professado ser um penitente, e isto foi testemunhado pelas suas lágrimas e pelo seu retorno ao grupo dos discípulos. Agora ele estava passando pelo seu período de experiência como penitente. Mas a pergunta não é: “Simão, quanto você chorou? Com que frequência você jejuou, e atormentou sua alma?” Mas: Você me ama? E isto que tornará aceitáveis as demais expressões de arrependimento. O fator principal que Cristo procura nos penitentes é que o busquem em meio ao seu arrependimento. Muitos peca­ dos foram perdoados à mulher, não porque chorou muito, mas porque muito amou.

2. Seu papel daria ocasião para o exercício do seu amor. Antes que Cristo confiasse suas ovelhas aos cuidados de Pedro, Ele lhe perguntou: ”Amas-me?” Cristo tem uma consideração tão carinhosa pelo seu rebanho, que não o confiará a ninguém, exceto àqueles que o amam, e, portanto, irão amar a todos os que são seus, por sua causa. Aqueles que não amam verdadeiramente a Cristo, nunca irão verdadeiramente amar as almas dos homens, nem se preocuparão naturalmente com sua condição, como deveriam. Nem irá amar seu trabalho aquele ministro que não ama seu Mestre. Nada, exceto o amor de Cristo, irá constranger os ministros a prosseguirem alegremente em meio às dificuldades e aos desencorajamentos que certamente encontrarão no seu trabalho, 2 Coríntios 5.13,14. Mas este amor tornará fácil seu trabalho, e eles se dedicarão seriamente a ele.

Em segundo lugar, ”Amas-me mais do que estes?”.

1. “Você me ama mais do que ama a estes, mais do que ama a estas pessoas?” Você me ama mais do que ama a Tiago ou a João, seus amigos íntimos, ou a André, seu próprio irmão e companheiro. Não amam a Cristo da maneira adequada aqueles que não o amam mais do que ao melhor amigo que têm no mundo, e que deixam isto claro, sempre que este assunto surge através de uma comparação ou competição. Ou: “Você me ama mais do que ama estas coisas, estes barcos e estas redes, mais do que todo o prazer de pescar, que para alguns é recreação, mais do que o ganho da pesca, que para alguns se torna uma vocação?” Somente amam a Cristo verdadeiramente aqueles que o amam mais do que a todos os prazeres dos sentidos e a todos os ganhos deste mundo. “Você me ama mais do que ama esta ocupação à qual está se dedicando agora? Se sua resposta for sim, deixe-a para se dedicar inteiramente a apascentar meu rebanho”.

2. “Você me ama mais do que estes me amam, mais do que qualquer outro dos discípulos me ama?” E então a pergunta tem a finalidade de repreendê-lo pela sua vanglória inútil: Ainda que todos os homens se escandalizem em ti, eu nunca me escandalizarei. “Você ainda pensa da mesma maneira?” Ou dar-lhe a entender que agora ele tinha mais razões para amá-lo do que qualquer outro dos discípulos tinha, pois muito mais lhe tinha sido perdoado do que a qualquer outro deles, de modo que seu pecado, ao negar a Cristo, foi maior do que o deles, ao abandoná-lo. “Dize, pois: qual deles o amará mais?” Lucas 7.42. Observe que todos nós devemos nos esforçar para nos sobressair no nosso amor por Cristo. A atitude de disputar quem amará mais a Cristo não prejudicará a paz, e antecipar-se aos outros neste amor também não prejudica as boas maneiras.

Em terceiro lugar na segunda e na terceira vez em que Cristo fez esta pergunta:

1. Ele deixou de lado a comparação, “mais do que estes”, porque Pedro, na sua resposta, modestamente a deixou de lado, não desejando comparar-se aos seus irmãos, e muito menos privilegiar-se diante deles. Embora não possamos dizer: Nós amamos a Cristo mais do que outros o amam, ainda assim seremos aceitos se pudermos dizer: Nós verdadeiramente o amamos.

2. Na última pergunta, Cristo alterou a palavra, conforme o texto original. Nas duas primeiras perguntas, a palavra no original é: Agapas me Você mantém seu carinho por mim? Como resposta, Pedro usa outra palavra, mais enfática: Philo se – Eu te amo profundamente. Ao fazer a pergunta pela última vez, Cristo usa esta mesma palavra: Você realmente me ama profundamente?

(2) Três vezes Pedro dá a mesma resposta a Cristo: “Sim, Senhor; tu sabes que te amo”. Observe que:

[1] Pedro não pretende amar a Cristo mais do que o amavam os demais discípulos. Agora ele está envergonhado das suas palavras precipitadas: ”Ainda que todos se escandalizem em ti, eu nunca me escandalizarei”. E ele tinha motivos para envergonhar-se. Observe que, embora devamos desejar ser melhores do que outros, nós devemos, com humildade de espírito, avaliar que os outros são melhores do que nós, pois nós conhecemos mais o mal que há em nós mesmos do que o que há em qualquer dos nossos irmãos.

[2] Mas ele professa repetidamente que ama a Cristo: “Sim, Senhor, certamente eu o amo. Eu não seria digno de viver, se não o amasse”. Ele tinha uma grande estima e valorizava muito a Cristo, tinha um sentimento de gratidão pela sua bondade, e estava inteiramente devotado à sua honra e aos seus interesses. Sua vontade se dirigia a Ele, como sendo alguém sem o qual ele estaria destruído. O deleite de Pedro estava no Senhor, em quem ele seria indescritivelmente feliz. Isto equivale a uma profissão de arrependimento pelo seu pecado, pois nos entristecemos quando ofendemos alguém a quem amamos, e a uma promessa de união a Ele, como o futuro Senhor. Eu o amo, e nunca o deixarei. Cristo rogou para que sua fé não desfalecesse (Lucas 22.32), e, como sua fé não desfaleceu, seu amor também não desfaleceu, pois a fé opera pelo amor. Pedro tinha perdido a certeza do seu relacionamento com Cristo. Agora ele seria readmitido, através do arrependimento. Cristo condiciona seu julgamento a esta pergunta: ”Amas-me?” E Pedro confirma: “Senhor… eu te amo”. Observe que aqueles que podem verdadeiramente dizer, por meio da graça, que amam a Jesus Cristo, podem receber o consolo do interesse que têm por Ele, apesar das suas fraquezas cotidianas.

[3] Ele apela ao próprio Cristo para a prova do que diz: “Tu sabes que eu te amo”. E na terceira vez, ainda mais enfaticamente: “Senhor, tu sabes tudo; tu sabes que eu te amo”. Ele não convoca seus co-discípulos para que testemunhem a seu favor – eles podem estar enganados sobre ele; nem pensa que sua própria palavra possa ser aceita – a credibilidade dela já tinha sido destruída. Mas ele pede que o próprio Cristo testemunhe. Em primeiro lugar, Pedro tinha certeza de que Cristo sabia tudo, e, particularmente, que Ele conhecia o coração, e podia discernir seus pensamentos e suas intenções, cap. 16.30. Em segundo lugar, Pedro estava satisfeito com o fato de que Cristo, que sabia tudo, conhecia a sinceridade do seu amor por Ele, e estaria disposto a confirmá-la a seu favor. É um terror, para um hipócrita, pensar que Cristo sabe tudo, pois a onisciência divina será uma testemunha contra ele. Mas é um consolo para um cristão sincero o fato de que ele tem a quem apelar: “Está a minha testemunha no céu, e o meu fiador, nas alturas”. Cristo nos conhece melhor do que nós mesmos nos conhecemos. Embora não conheçamos nossa própria sinceridade, Ele a conhece.

[4] Ele se entristeceu quando Cristo perguntou-lhe pela terceira vez: ”Amas-me?”, v. 17. Em primeiro lugar porque isto o lembrou da sua tripla negação de Cristo, e destinava-se claramente a fazer isto. E lembrando-se disto, chorou. Cada lembrança de pecados passados, até mesmo de pecados perdoados, renova a tristeza de um verdadeiro penitente. “Tu te envergonharás quando me reconciliar contigo”. Em segundo lugar, porque isto o fez temer que seu Mestre previsse algum outro erro seu, o que seria uma contradição tão grande à sua profissão de amor por Ele quanto tinha sido à profissão anterior. “Certamente”, pensa Pedro, “meu Mestre não desejaria torturar-me assim, se não visse algum motivo para isto. O que acontecerá comigo se eu for tentado outra vez?” A tristeza piedosa produz zelo e temor, 2 Coríntios 7.11.

(3) Três vezes Cristo confia o cuidado do seu rebanho a Pedro: ”Apascenta os meus cordeiros… Apascenta as minhas ovelhas… Apascenta as minhas ovelhas”.

[1] Aqueles que Cristo confia aos cuidados de Pedro são seus cordeiros e suas ovelhas. A igreja de Cristo é seu rebanho, que Ele resgatou com seu próprio sangue (Atos 20.28), e Ele é o principal pastor deste rebanho. Neste rebanho, alguns são cordeiros jovens, sensíveis e frágeis, enquanto outros são ovelhas crescidas, que já possuem alguma força e maturidade. Aqui o Pastor cuida de ambos, e primeiro dos cordeiros, pois, em todas as ocasiões, Ele mostrou um carinho particular por eles. Ele recolhe os cordeirinhos nos braços, e os leva no seu regaço, Isaías 40.11.

[2] A incumbência que Ele dá a Pedro é de apascentá-los. A palavra usada nos versículos 15 e 17 é boske, que significa, literalmente, dar-lhes alimento. Mas a palavra usada no versículo 16 é poimaine, que tem um significado mais amplo, o de fazer por eles todas as atribuições de um pastor: ”Apascente os cordeiros com aquilo que é adequado para eles, e as ovelhas, da mesma maneira, com o alimento conveniente. Procure e alimente as ovelhas perdidas da casa de Israel, e faça o mesmo às outras ovelhas que não são deste rebanho”. Observe que é dever de todos os ministros de Cristo apascentar seus cordeiros e suas ovelhas. Apascente-os, isto é, ensine-os, pois a doutrina do Evangelho é alimento espiritual. Apascente-os, isto é: “Conduza-os aos pastos verdejantes, presidindo suas assembleias religiosas e ministrando-lhes todas as ordenanças. Apascente-os com aplicação pessoal às suas condições e situações respectivas. Não somente coloque o alimento diante deles, mas alimente aqueles que são voluntariosos e não desejam alimentar-se, ou os que estão fracos e não podem alimentar-se”. Quando Cristo ascendeu ao céu, Ele deu pastores, deixou seu rebanho aos cuidados daqueles que o amavam, e que cuidariam do rebanho por amor a Ele.

[3] Mas, por que Ele deu esta incumbência particularmente a Pedro? Se perguntarmos aos defensores da supremacia papal, eles dirão que, com isto, Cristo pretendia dar a Pedro, e, portanto, aos seus sucessores, e, consequentemente, aos bispos de Roma, um domínio absoluto e uma liderança sobre toda a igreja cristã, como se a tarefa de servir às ovelhas lhes conferisse um poder de dominar todos os pastores. Ao passo que, como está claro, o próprio Pedro nunca reivindicou tal poder, nem os outros discípulos jamais o reconheceram nele. Esta incumbência dada a Pedro, de pregar o Evangelho, acabou, por um estranho artifício, sustentando a usurpação dos seus pretensos sucessores, que tosquiam as ovelhas e, em lugar de apascentá-las, se alimentam delas. Mas a aplicação particular a Pedro aqui se designava, em primeiro lugar, a restaurá-lo ao seu apostolado, agora que ele se arrependia de ter renunciado a ele, e a renovar sua comissão, tanto para sua própria satisfação quanto para a satisfação dos seus irmãos. Supõe-se que uma missão, dada a alguém condenado por um crime, equivale a um perdão. Sem dúvida, esta comissão dada a Pedro era uma evidência de que Cristo havia se reconciliado com ele, caso contrário Ele nunca teria depositado tal confiança nele. Ares­ peito de alguns que nos enganaram, podemos dizer: ”Ainda que os perdoemos, nunca confiaremos neles”. Mas Cristo, depois de perdoar a Pedro, confiou-lhe o mais valioso tesouro que Ele tinha na terra. Em segundo lugar, ela se destinava a motivá-lo a cumprir diligentemente sua função como apóstolo. Pedro era um homem de espírito ousado e zeloso, sempre pronto a falar e agir, e, para que não fosse tentado a assumir a direção dos pastores, ele é encarregado de apascentar o rebanho, assim como ele mesmo incumbe todos os presbíteros de fazê-lo, e não de ter domínio sobre a herança de Deus, 1 Pedro 5.2,3. Se ele deseja estar ativo, que faça isto, e não tenha pretensões que vão além disto. Em terceiro lugar, o que Cristo disse a Pedro, Ele disse a todos os seus discípulos. Ele os designou a todos, não somente para que fossem pescadores de homens (embora isto fosse dito a Pedro, Lucas 5.10), trabalhando pela conversão dos pecadores, mas que apascentassem o rebanho, trabalhando pela edificação dos santos.