PSICOLOGIA ANALÍTICA

A PATOLOGIA DO MOMENTO

Pesquisa mostra que os adeptos do Instagram utilizam- se do potencial comunicacional do aplicativo para dar vazão a suas necessidades narcisistas.

A patologia do momento

“Qual é o seu Instagram?” – pergunta o polido rapaz para a moça fashionista que acabara de conhecer no badalado café da esquina. “Não possuo” – ela retruca. Neste momento, um rompante de desconfiança paira no ar.

“Qual é o problema dessa pessoa?” – indaga o “Lobo Mau”. Como se já não bastassem as horas investidas, in loco, para abocanhar a primeira “Chapeuzinho Vermelho travestida de vovó inocente”, de que forma o abate poderia ter continuidade? Se a capa desta antes era vermelha, agora o que passa a colorir é o rosto do varão, repleto de raiva, insegurança e paranoia.

Seria o fim dessa anedota infantil? É claro que não. Com um bilhão de usuários ativos mundo afora, a rede social fundada há quase uma década, nos Estados Unidos, por Mike Krieger e Kevin Sytrom, parece ter atingido o seu clímax em 2018. Intitulada de “fábrica narcisista”, caça e caçador podem, com um deslizar de dedos, continuar a sua busca afetivo-patológica.

De acordo com recente estudo desenvolvido pelo pesquisador Seunga Venus Jin, do Departamento de Marketing da Sejong University, na Coreia do Sul, os adeptos do Instagram utilizam-se do potencial comunicacional do aplicativo para dar vazão às suas necessidades narcisistas, seja por meio da busca incessante de seguidores ou do frenesi por curtidas e comentários.

Na visão do especialista, o indivíduo narcisista possui grande quantidade de energia libidinal fixada na etapa do desenvolvimento psicossexual infantil em que mãe e bebê, compõem uma só unidade. É nessa fase que as pulsões sexuais são aglomeradas e direcionadas em relação ao eu do indivíduo, tomando-o mentalmente capaz de buscar os seus objetos de amor externos.

Quando há uma resolução insatisfatória neste período, produzem-se as patologias narcísicas. Assim, o psiquismo passa a operar a seguinte sentença simbólico­ metafórica de linguagem: “Como não tive forças suficientes para me integrar, utilizar­ me- ei do próprio corpo como um local paradisíaco de entorpecimento para realizar todos os meus desejos e fantasias”.

Em outras palavras, o indivíduo narcisista ainda não nasceu enquanto sujeito, restando ao mundo real um fantástico faz de conta refratário no qual ele vê a si mesmo projetado nos espelhos dos personagens que encena. É nas redes sociais, portanto, que esse elenco pode ser escolhido livre e ordenadamente sem censura para que cumpram papéis espetaculares.

Seguir as migalhas de pão até a casa da vovozinha? Para os narcisos-lobo-mau, a busca on-line por seguidores representa nada menos do que o impulso maníaco de reparação psicológica. Ora, se o interior está incompleto, faltante e desestruturado, por que não fazer da caçada uma tentativa de reconstruir os afetos que ficaram pendentes de resolução no passado?

Levar uma cestinha de flores para agradar? Já que as afeições pueris foram insuficientes, conferir um coração na bela imagem do perfil alheio, assim como esperar pelo tal reconhecimento, ameniza o sofrimento.

E por que esses olhos e orelhas tão grandes, hein, seu Lobo? Fantasiar-se, utilizando-se dos inúmeros filtros e enquadramentos esteticamente apurados, denota a necessidade de negar a realidade da falta, reconstruindo, imaginariamente, o objeto faltante ideal. Isto é: torno-me perfeito para que um outro ser iluminado, assim como eu, me livre de todas as minhas fístulas.

Por fim, aguardar pelo heroico caçador faz recordar as lamúrias postimeiras de personalidades que dependem de outrem para se salvar. Perseguidas pelo ódio do não existir e pelo vazio incapacitante, estar do lado de fora da trama Instagram­ midiática é como vivenciar uma fábula para lá de ilusionista. Afinal, para essas pessoas, quem não se mostra nunca poderá ser protagonista.

OUTROS OLHARES

AGORA É A VEZ DELE

Pesquisadores americanos estudam o uso de um gel como anticoncepcional masculino. Sua aprovação pode representar o início de uma nova revolução sexual.

Agora é a vez dele

A pílula anticoncepcional, motor da revolução sexual deflagrada nos anos 1960, fez com que o orgasmo deixasse de ser associado ao risco de gravidez. Foi uma libertação para o prazer da mulher. No entanto, a responsabilidade de evitar a gestação tornou-se, culturalmente um encargo feminino. As alternativas disponíveis para os homens sempre foram limitadas ao uso de preservativo ou à realização de vasectomia. Vive-se a antessala de novos tempos. Um estudo liderado por pesquisadores dos Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos, aponta o surgimento de outro método: um gel que interrompe a produção de espermatozoides.

Chamado NES/T, o produto em análise, caso chegue ao mercado, será aplicado nas costas e nos ombros do homem. A formulação é composta de progestina, derivada do hormônio feminino progesterona, e de testosterona, o hormônio masculino. O papel da progestina é suprimir a produção de espermatozoides. O da testosterona é de reposição, evitando a baixa de libido e a perda muscular causada pelo composto feminino. “Há décadas os pesquisadores tentam uma fórmula anticoncepcional para os homens, mas até agora todas falharam”, diz o urologista Celso Gromatzky, do Hospital Sírio-Libanês. O maior problema era o alto índice de infertilidade provocado pelos medicamentos em teste. Aparentemente, o NES/T não ocasiona esse tipo de efeito colateral. O próximo passo é realizar uma investigação mais ampla. Os resultados finais devem ser divulgados em três anos.

Agora é a vez dele. 2

GESTÃO E CARREIRA

5 MITOS SOBRE A LIBERDADE NO TRABALHO

Ser livre é pedir demissão amanhã mesmo, não ter horário para trabalhar e ainda viajar o mundo? Não é bem assim. Às vezes, parece que alguém criou a ideia de que a verdadeira liberdade é vivida pelos influenciadores com fotos perfeitas no Instagram.

5 mitos sobre a liberdade no trabalho

O criador do Movimento Freesider, Fagner Borges, autor do livro “A Jornada da Liberdade”, explica que é possível passar a “trabalhar por conta” e escolher o próprio horário, mas é preciso se livrar de alguns mitos. “Existem algumas mentiras que impedem as pessoas de tomarem uma atitude para conquistar a liberdade e também existem mitos perigosos sobre o que significa ser livre”, conta.

O que Fagner Borges ensina é que existem dois pensamentos errados: acreditar que o mais certo e seguro é ter um emprego fixo, e acreditar que para ter total liberdade é preciso ter milhões na conta bancária e sair viajando o mundo. “É possível trabalhar, ganhar dinheiro e ainda aproveitar a vida sem sofrer com a síndrome do Instagram perfeito, mas para isso você precisa se preparar”, explica. Para deixar mais claro, o especialista rompe alguns mitos sobre a liberdade.

SER LIVRE É NÃO FAZER NADA

Engana-se quem acha que pessoas livres não trabalham nunca ou são “preguiçosas”. O que Fagner explica é que as pessoas bem-sucedidas sabem trabalhar com inteligência e produtividade. “O ideal é que você tenha menos horas de trabalho para poder ganhar mais na sua vida, e isso é uma boa notícia: você não precisa ser bilionário para se sentir livre”, explica. Por isso o importante é se livrar das distrações na hora do trabalho e aprender a delegar aquilo que não for necessário, por exemplo. “Repare que, quando você realmente precisa sair mais cedo, você faz em muito menos tempo um trabalho que geralmente demora o dia todo”, provoca.

QUEM NÃO VIAJA O MUNDO NÃO É LIVRE

Segundo Fagner, ser um Freesider – ou seja, ter liberdade de tempo, mobilidade e dinheiro – não significa necessariamente viver na estrada. “Nem todo mundo precisa ostentar o Instagram perfeito com fotos de viagens para se dizer livre”, conta. O especialista cita o caso mais comum entre os alunos do seu curso: são aqueles que encontraram nesse estilo de vida a melhor forma de criar os filhos e ter tempo para eles.

QUEM NÃO TEM TRABALHO FIXO TEM MENOS SEGURANÇA

Uma das maiores mentiras que nos contaram foi a de que ter um trabalho fixo é mais seguro do que “trabalhar por conta”. O criador do Movimento Freesider explica que, por mais que existam algumas seguranças institucionais, o empregado é como uma empresa que tem apenas um cliente. “Se você tem inúmeros clientes e ganha pelos resultados que gera, você se torna uma empresa mais valiosa, e se um dos clientes decide ‘te demitir’, você tem outros dando suporte e não se torna um desempregado do dia para a noite”, completa.

SÓ POR SER “CHEFE” JÁ É POSSÍVEL TER LIBERDADE

Outro erro que as pessoas cometem é achar que, ao ter uma empresa e funcionários, já se conquistou a liberdade. Segundo o especialista, o grande segredo para ter liberdade é mudar a forma de encarar o trabalho. “Se você continua sem saber delegar tarefas e com o mindset de que dinheiro requer trabalho em excesso, você provavelmente vai continuar preso a uma rotina que não foi você quem definiu”, conta, alertando que não é simples mudar esse pensamento.

SÓ QUEM TEM SORTE CONSEGUE LIBERDADE

Por fim, Fagner destaca que encontrar liberdade de tempo, mobilidade e dinheiro, é algo que não tem a ver com sorte. “É uma questão de se desvencilhar do medo”, explica. Ele ensina que não ter sucesso ou não alcançar a vida que se deseja está relacionado às escolhas feitas e não ao azar ou à falta de inteligência, como muitos julgam. “E as escolhas que fazemos são influenciadas pelas emoções e crenças que carregamos, como o medo que fomos ensinados a ter”, completa. Por isso, é fundamental buscar o autoconhecimento para vencer esse sentimento. “Não podemos ser medrosos que aceitam o mínimo que a vida nos dá”, conclui.

ALIMENTO DIÁRIO

PROVÉRBIOS 6: 12-19

Pensando biblicamente

As Sete Abominações

 

Aqui, Salomão nos apresenta:

I –   As características de alguém que é perverso com os homens e perigoso de lidar. Se o preguiçoso deve ser condenado. por não fazer nada, muito mais os que fazem mal, e planejam fazer todo o mal que puderem. É uma pessoa perversa que é aqui mencionada (Hebreus). Um homem de Belial; eu penso que deve ter sido assim traduzido, porque é um termo usado frequentemente nas Escrituras, e esta é a explicação. Observe:

1. Como o homem de Belial é descrito aqui. É um homem ímpio, que se ocupa de fazer o mal, especialmente com a sua língua, pois anda e trabalha os seus desígnios com uma boca perversa (v. 12), com mentiras e maldades, e oposição direta a Deus e ao homem. Ele diz e faz todas as coisas:

(1) Com muita astúcia e com maus desígnios. Ele tem a sutileza da serpente, e executa os seus projetos com grande dose de habilidade e controle (v. 13), com seus olhos, com seus pés, com seus dedos. Ele expressa a sua maldade quando não ousa falar (segundo alguns), ou melhor, assim ele executa o seu plano: os que estão ao seu redor, aos quais ele usa como instrumentos da sua iniquidade, entendem a má intenção de um piscar do seu olho, de um pisar dos seus pés, do menor movimento dos seus dedos. Ele dá ordens de transgressão, e ainda assim não se imaginaria que o fizesse, pois ele tem maneiras de esconder o que faz, de modo que não se suspeite dele. É um homem fechado, e reservado; somente conhecerão o segredo os que fizerem alguma coisa que ele desejar que façam. É um homem astuto, e ardiloso; ele tem uma linguagem própria, com que um homem honesto não está familiarizado, nem deseja estar.

(2) Com muita perversidade e má intenção. No seu coração não há tanta ambição ou cobiça, como perversidade direta, maldade e má índole. Ele não deseja enriquecer e promover-se, mas fazer o mal aos que estão perto dele. Ele está continuamente planejando uma maldade ou outra, puramente pela maldade em si – um homem de Belial, realmente, do diabo, parecido com ele não somente em sutileza, mas em maldade.

2. Qual é o seu destino (v. 15): “A sua destruição virá repentinamente; subitamente será quebrantado”; aquele que planeja maldades cairá nas maldades. A sua destruição virá:

(1) Sem aviso. Virá repentinamente; subitamente será quebrantado, para puni-lo de todas as maldades que ele fez para surpreender o povo em suas ciladas.

(2) Sem alívio. Ele será irremediavelmente quebrantado, e nunca mais ficará íntegro novamente: “será quebrantado, sem que haja cura”. Que alívio pode esperar alguém que prejudicou a toda a humanidade? Ele virá ao seu fim, e não haverá quem o socorra (Daniel 11.45).

 

II – Urna relação daquelas coisas que, de uma maneira especial, são odiosas a Deus, todas elas sendo encontradas, de modo geral, naqueles homens de Belial, a quem Salomão tinha descrito nos versículos anteriores; e a última delas (que, sendo a sétima, parece ser mencionada de maneira especial, porque é dito que são seis, e a sétima…) é parte do seu caráter – o fato de que semeia contendas. Deus abomina o pecado; Ele odeia todos os pecados; Ele nunca poderá se reconciliar com o pecado.

Ele não odeia nada, exceto o pecado. Mas há alguns pecados que ele detesta de uma maneira especial; e todos os que são aqui mencionados são prejudiciais ao nosso próximo. É uma evidência da boa vontade que Deus tem com a humanidade o fato de que estes pecados que são, de maneira particular, provocadores a Ele, são prejudiciais para o consolo da vida humana e da sociedade. Portanto, os homens de Belial devem esperar que a sua destruição venha repentinamente, e sem cura, porque os seus costumes são do tipo que o Senhor odeia, e são abomináveis para Ele (v. 16). Aquelas coisas que Deus odeia não devem ser odiadas nos outros, devemos odiá-las em nós mesmos.

1. A arrogância e a insolência, o convencimento e o desprezo pelos outros – um olhar altivo. Há sete coisas que Deus odeia, e a soberba é a primeira, porque está no fundo de muitos pecados, e dá origem a eles. Deus vê a soberba no coração, e detesta vê-la ali; mas, quando ela prevalece até o ponto em que a exibição da fisionomia dos homens testemunha contra eles, porque se supervalorizam e menosprezam todos ao seu redor, ela se torna, de uma maneira especial, odiosa para Ele, pois então a soberba se orgulha de si mesma e desafia a vergonha.

2. A falsidade, e a fraude, e a dissimulação. Depois de um olhar orgulhoso nada é mais abominável para Deus do que uma língua mentirosa; nada é mais sagrado do que a verdade, e nada é mais necessário para a conduta de alguém do que dizer a verdade. Deus e todos os homens de bem detestam e abominam a mentira.

3. Crueldade e sede de sangue. O diabo foi, desde o princípio, mentiroso e homicida (João 8.44), e por isto, da mesma maneira como uma língua mentirosa, também as mãos que derramam sangue inocente são odiosas para Deus, porque nelas está a imagem do diabo, e elas o servem.

4. Sutileza no planejamento do pecado, a sabedoria para fazer o mal, um coração que deseja e uma cabeça que planeja iniquidades. que está familiarizada com as profundezas de Satanás e sabe como realizar uma trama cobiçosa, invejosa, vingativa, de maneira muito eficaz. Quanto mais astúcia e controle houver no pecado, mais abominável ele será para Deus.

5. O vigor e a diligência na prática do pecado: “Pés que se apressam a correr para o mal”, como se tivessem medo de perder tempo ou estivessem impacientes com a demora em fazer uma coisa que desejam com tanta intensidade. O modo de agir e a vigilância, a sinceridade e o empenho dos pecadores, em suas buscas pecaminosas, podem nos envergonhar, a nós, que buscamos o que é bom de maneira tão inadequada e inexpressiva.

6. Dar falso testemunho, que é uma das maiores maldades que a imaginação ímpia pode imaginar, e contra a qual a proteção é menor. Não pode haver maior afronta a Deus (a quem se faz uma súplica através de um juramento), nem uma ofensa maior ao nosso próximo (de quem todos os interesses neste mundo, até mesmo os mais preciosos, estão abertos a um ataque deste tipo) do que dar intencionalmente um falso testemunho. Há sete coisas que Deus odeia, e a mentira envolve duas delas; Ele a detesta, e a detesta duplamente.

7. Fazer maldades entre parentes e próximos, e usar todos os meios perversos possíveis, não somente para alienar seus sentimentos, uns dos outros, mas para irritar suas paixões, de uns contra os outros. O Deus do amor e de paz odeia aquele que semeia contendas entre irmãos, pois Ele se alegra com a concórdia. Aquele que, pela calúnia e difamação, por inventar estórias mal intencionadas, agravando tudo o que é dito e feito, e sugerindo invejas e desconfianças, soprando as brasas das contendas, estão apenas preparando para si mesmos um fogo da mesma natureza.

 

PSICOLOGIA ANALÍTICA

COMO LIDAR COM O DIVÓRCIO

Equilíbrio, entendimento e amorosidade são fundamentais para um recomeço de vida depois da separação, por mais difícil que possa ser, pois se trata de uma fase delicada da vida da pessoa.

Como lidar com o divórcio

Mudamos muito a maneira de nos relacionar nos últimos anos, o sonho de um casamento para sempre está cada vez mais distante de fazer sentido diante do cenário atual. O divórcio, definitivamente, merece ser tratado como um processo mais natural, pois as estatísticas mais recentes mostram que um em cada três casa­ mentos termina em divórcio.

Como lidar com esse processo que a cada ano que passa vem se mostrando parte dos relacionamentos? É necessário encararmos esses índices com a grandiosidade com que eles se mostram. Em um momento de tanto conhecimento, tantas possibilidades, realmente não faz sentido seguir em um relacionamento no qual os casais juntos já não estão mais em conexão para somar em sua caminhada de vida.

Quando duas pessoas se casam estão em um momento de construção em conjunto e aprendizado. Com o passar dos anos essas mesmas pessoas já não são mais as mesmas que se uniram e nesse momento elas não têm mais a sensação de estar construindo. Passam a se anular dentro do relacionamento, o que era para ser uma soma vira um mar de críticas e cobranças. O divórcio pode ser, sim, uma maneira de resolver esse contexto e trazer um novo começo para as duas pessoas que não são mais um casal.

Perguntas do tipo como era a qualidade desse relacionamento quando ele se iniciou e como se encontra essa parceria agora podem trazer a clareza necessária para deixar de empurrar esse sofrimento e perceber que essa história já acabou há mais tempo do que você de fato percebeu.

O difícil dentro desse quadro é tomar a decisão do divórcio. Ele ainda chega com o sabor do fracasso, do relacionamento que não deu certo, das intermináveis culpas. Ainda precisamos conquistar a maturidade de olhar para o divórcio como um novo caminho e com o respeito que ele merece. As pessoas devem se divorciar com o mesmo amor e respeito que se uniram, com o mesmo entendimento em construir – só que, agora, caminhos separados. Dividir um lar com alguém, sonhos, filhos e projetos e depois esse alguém virar um mero desconhecido, ou um alvo de brigas in­ termináveis na justiça, parece não haver sentido ou congruência nesse processo.

Como lidar com o divórcio. 2

CORAGEM

É necessário ter coragem para rever um relacionamento e tomar a decisão do divórcio quando o relacionamento já não faz mais bem para as pessoas nele envolvidas. Vamos falar um pouco sobre coragem.

Nós sempre ouvimos o quanto é preciso ter coragem para vencer, coragem para tomar decisões, coragem para ser, mas, afinal, como ter coragem?

A nossa vida vai se construindo, às vezes, de forma tão automática que chega num ponto de não nos atender mais, não nos completar e não trazer felicidade. E preciso ter coragem para sair do automatismo em que vivemos. Ficamos muito mais em sonhos do que em prática. Sofremos por pensar o que poderia ser e não colocamos em prática para, efetivamente, ser. Como identificar isso?

O primeiro passo é querer viver e sentir algo diferente! Isso vale para diversos cenários, seja ele pessoal, conjugal, profissional, familiar etc. A vida cotidiana, muitas vezes, da forma como se apresenta, nos atende bem. Sendo assim, talvez a mudança não seja necessária, mas, se estou vivendo algo que não está me atendendo em algum nível, é preciso fazer uma mudança, e para tal é necessário ter coragem. Muitas vezes estamos tomados de uma sensação ou uma certeza, dentro de nós, de que as coisas podem ser diferentes, que existe um mundo melhor para se viver ou que existe um conceito melhor para se viver. Pensamos isso e não buscamos a prática. Ou seja, quanto mais insatisfeitos nós ficamos, mais complicado torna-se o olhar para que isso possa ser real um dia, e fica cada vez mais difícil acreditar que essa mudança possa existir.

Quanto maior a insatisfação, maior o aprisionamento em nossa mente!

O universo tem todas as possibilidades. Através da Física Quântica, percebemos e aprendemos que o aprisionamento de cada um – seja pela família, religião, criação etc. – vem da história de cada um, nasce e corre durante a vida. A escolha de deixar de olhar a história como prisão é parte de cada um. Nos ligar com o universo, com um fluxo, com o todo e buscar dentro da verdade de cada um o que é necessário sentir em cada história que, de repente, não está mais atendendo aquilo que se acreditava quando deu início a cada situação específica.

No caso do divórcio, não é porque um casamento acaba que quer dizer que deu errado. Ele durou e deu certo no tempo que tinha que acontecer. Nós temos o hábito de invalidar aquilo que, em algum momento, não saiu como a gente esperava. Se dentro dessa pessoa o casamento dela acabou, como ela pode desejar continuar com um parceiro, que pode querer prosseguir ao lado dela ou não, se dentro dela isso não existe mais?

Normalmente, o casamento acaba muito antes da materialização do divórcio em si. Ele acaba e, claro, as pessoas tentam se entender, recomeçar, se ajustar, se reconectar, até que chega o momento que realmente termina em divórcio.

O momento pós-divórcio percorre as cinco fases do luto, pois junto com o divórcio acontece a morte de uma história que não existe mais, de planos que deixaram de caminhar em conjunto. Essas fases são descritas na literatura pela autora Elisabeth Kubler-Ross. Essas fases não acontecem necessariamente nessa ordem. Podem acontecer em ordem alternada, podem, inclusive, ocorrer todas as fases em um único dia. São elas:

FASE DA NEGAÇÃO – Nesse período é difícil admitir o sofrimento vivido naquele exato momento. As pessoas se encontram em uma perspectiva de olhar e ter a sensação de que está tudo bem, que esse momento faz parte da vida, e ainda não olham a profundidade da dor e da mudança que está sendo vivida.

FASE DA RAIVA – Essa fase está repleta de julgamentos e mágoas. Nesse momento há uma grande cobrança do ex­ casal, em se achar culpados, buscar os erros, uma fase de colocar a raiva para fora sobre toda a parte da história que não deu certo, tentando encontrar as respostas para aquilo que já não existe mais: o relacionamento em si.

FASE DA BARGANHA – Nesse momento há uma necessidade de se retomar a relação, de conversar com as pessoas mais próximas, de reatar a história aceitando qualquer chance de voltar a viver aquela história, como se toda aquela dor já não existisse mais. Nessa hora as pessoas, na tentativa de fazer a relação sobreviver, se submetem mesmo que não concordem mais em vários pontos, como se a única chance de viver com alguém fosse reatar o relacionamento.

FASE DA DEPRESSÃO – Nesse momento as pessoas vivem um grande sentimento de derrota pela relação que acabou. A angústia e o medo ficam enormes, e elas sentem que a vida acabou para pensar em novos relacionamentos.

FASE DA ACEITAÇÃO – É quando, de fato, se aceita o que aconteceu, se aceita que o relacionamento acabou e que a vida continua, e que, sim, é possível ter uma vida após o divórcio, inclusive pensar em outro relacionamento.

Devemos lidar com o divórcio com o mesmo carinho e respeito com que o relacionamento começou. Nesta vida tudo tem começo, meio e fim, e sempre tem alguém ao nosso lado para passar os momentos difíceis e nos apoiar. Sermos gratos à oportunidade de termos nos envolvido e compartilhado um tempo de nossas vidas com outra pessoa é fundamental para seguirmos inteiros. Cada vez que se invalidam a escolha e o parceiro é uma maneira de se auto invalidar e ficar pequeno dentro de sua história.

Ficar preso ao parceiro após o divórcio, descontando sobre ele atitudes com que não concorda, fazendo provocações, mantém você preso nessa história como se ela ainda fosse real, e a vida não segue seu fluxo e movimento. É como continuar no relacionamento – só que, agora, do lado de fora.

As sensações de fracasso e de lamentação vêm, geralmente, acompanhadas de histórias que contamos para nós mesmos. Contamos para nós mentiras sobre o que vivemos e sobre como seria a história se ela ocorresse de uma maneira ou de outra. Boa parte desse sentimento e dessas suposições não é real, pois é baseada em hipóteses que nunca foram vividas de fato.

Como lidar com o divórcio. 3

PERIGO

O nosso cérebro de sobrevivência, parte do cérebro denominada cérebro reptiliano, funciona em alta velocidade para nos salvar das situações de risco. No caso do estresse é nesse local do nosso cérebro que permanecemos a maior parte do tempo. Quando o relacionamento acaba trazendo dor e tristeza, nosso cérebro busca encontrar os pontos que deram errado para nos proteger, inclusive de novas histórias que venhamos a viver. Nesse momento ficamos com pensamentos repetitivos, buscando os pontos de falha no nosso comportamento e do outro, como se fosse possível corrigir a história. Acontece que para o cérebro, a cada momento que pensamos nessa história e nessas falhas, ele tem a percepção de realidade, pois todo pensamento que temos o cérebro interpreta como real. A partir desse mecanismo, o número de vezes que se pensa nessa dor é como se você estivesse vivendo a mesma história repetidas vezes, trazendo mais e mais dor. Nesse momento, nesses pontos de erro ao longo de sua história, é que a pessoa começa a buscar saída olhando para o passado, e isso só piora a situação.

Começa a encontrar a saída melhor se tivesse se envolvido com outra pessoa e nunca iniciado esse casamento. Começa a buscar em todos os outros relacionamentos que teve o que pretendeu viver e imaginar histórias nas quais seria mais feliz se fossem reais. Ficando, assim, aprisionada em um tempo passa­ do e sofrendo, sem trazer a vida para o momento presente.

Não é possível colocar o nosso valor e a confiança que temos em nós mesmos na mão do outro que não está mais ao seu lado nem na de qualquer outra pessoa, a não ser você mesmo. Como podemos colocar o nosso valor de vida e de estima em outra pessoa, como se ela tivesse a chave de fazer com que a gente sinta que a nossa vida vale a pena ou não vale a pena?

Tem um outro aspecto importante para abordarmos neste artigo que é lidar com a frustração da expectativa e da opinião das pessoas que vivem ao nosso redor. Pensamentos comuns para essa fase: o que vão pensar essas pessoas agora que me divorciei? ; ou ainda: como vou me sentir parte de um grupo já que todos os meus amigos são casados?, entre outros diversos pensamentos e medos de não pertencer ou ter falhado sobre a história que foi desenhada para você viver. Também da parte de quem ficou bem com o divórcio, os pensamentos de culpa por ter feito mal e ter trazido prejuízo à vida da outra pessoa, que não superou o fim do relacionamento.

Uma reflexão importante para esse ponto é que a vida flui de você, a partir de você para fora de você. Assim que você estiver mais confortável com o seu processo e recuperar a sua autoestima, todas essas questões serão prontamente bem resolvidas por você. O mundo se mostra para você como um reflexo do que você traz para ele. Nesse momento é de extrema importância retomar a confiança em quem você é e ainda confiar que a vida está a seu favor e não contra você.

A vida segue no presente, e nesse tempo em que ela flui, essa inconformação e aprisionamento no tempo passado não colaboram para que a vida siga seu fluxo saudável e se vivenciem novas conexões. Ouvir amigos, parentes e pessoas que conviviam com o casal, desabafar e receber conselhos podem trazer conforto para essa fase. Mas lembre-se sempre que essa é a sua história de vida, o seu momento, e não são as outras pessoas que estarão vivendo esse processo por você. Pense sempre antes de tomar ações intempestivas que possam gerar mais frustração e arrependimento em um momento que já é por si só tão delicado.

Como lidar com o divórcio. 4

AMIZADE

Desenvolver uma amizade com aquele que foi um dia seu parceiro ou parceira, se possível, pode trazer conforto e atenção de vocês dois como parte importante um da história do outro. Se a amizade não for possível, fique com o carinho do que a história representou e siga em frente.

No caso dos filhos precisamos lembrar que a família permanece. O papai e a mamãe continuam tendo seu papel e irão conviver para sempre nesse posto juntamente com os filhos que fizeram juntos. Mais um bom motivo para trazer respeito e amorosidade ao divórcio. Quem são os filhos senão a soma do melhor de cada um dos pais e ainda geneticamente trazem de fato os 50% de cada um com eles?

E de nada adianta se divorciar eco­ locar os filhos no meio dessa história, para que eles sintam a insatisfação do papel do pai ou da mãe. Essa insatisfação é do ex-casal e faz parte da história que os adultos viveram, colocar os filhos no meio desse processo só trará mais confusão para todos, e ainda filhos inseguros em lidar com essa nova dinâmica familiar.

Seguir com brigas após o divórcio, como, por exemplo, sobre o horário combinado dos filhos e visitas, de situações que cada um reprova, e observar os erros do papel de pai e mãe que cada um está desempenhando também não somarão nada ao processo. Nesse momento é importante manter a união enquanto pais em situações de cuidado com os filhos e as intervenções necessárias para que os filhos se sintam ama­ dos, amparados e cuidados. Apontar os erros dos papéis de pai e mãe e criticar esses papéis para os filhos só trarão mais dor a todo o processo que a família está vivendo.

Após o divórcio, as pessoas saem machucadas demais e pela metade de seus processos. Já se viveu tanto uma história a dois, o passar do tempo, que muitas vezes perderam a sua individualidade e não se lembram quem são por inteiro. Muitas vezes, as pessoas se perdem em uma simbiose dentro de um relacionamento e o pavor que vivem quando acaba a história, num primeiro momento, chega a ser maior do que arrastar uma história que você sabe que não tem mais futuro e não funcionava mais de maneira saudável.

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SEM MODO PAUSA

A vida anda para frente o tempo todo, ela não tem modo pausa, e dedicar os próximos momentos de vida a sofrer pela história que já acabou só trará mais dor e mais tristeza. Nesse movimento da vida para frente, a única certeza que encontramos é que ela segue adiante, com todas as possibilidades de acontecer todos os dias. O mundo tem cerca de sete bilhões de pessoas com histórias muito diferentes umas das outras. Comemore o que você viveu de feliz nessa história de amor e siga adiante carregando os bons momentos no seu coração.

Um caminho a ser trilhado nesse momento que, com certeza, fará muito bem é a busca de se estar por inteiro. Ser verdadeiro com você e não abrir mão de quem você é certamente trarão a você uma satisfação de viver sua vida estando por inteiro.

Antes mesmo de se iniciar uma nova história de amor é fundamental que você se lembre de quem você era antes desse relacionamento, e que descubra quem você é agora. O que esse relacionamento trouxe de maturidade, clareza e aprendizado, e nesse momento atual da sua vida e da sua trajetória, quem é você! Quais os seus anseios, desejos, metas, e encontrar um novo propósito para auxiliar você a direcionar seus próximos passos. Um propósito seu, sem colocar a sua vida em função da perspectiva e busca de uma outra pessoa, nesse momento um olhar gentil e amoroso para você. Traga de volta para você a coragem, a mesma coragem que o colocou em algum momento a ver que aquele casamento não fazia mais sentido, traga a coragem de ser você como você é, e receba o seu amor por você por toda a sua trajetória até esse momento. Comemore as suas vitórias e planeje novas conquistas para sua vida daqui para frente.

Desenvolver o amor-próprio nessa fase é um aprendizado transformador e altruísta, pois quando você passa a se perceber e a gostar de quem você é, disponibiliza esse amor às outras pessoas. Nesse momento você encontra um novo sentido e deixa de olhar o outro como alguém a quem você entrega o poder de fazê-lo feliz, e você descobre que pode ser feliz sendo quem você é, e ainda se conectar a um novo relacionamento para sentir e viver essa felicidade, cada um estando por inteiro e não buscando alguém para cicatrizar as suas feridas. Esse processo de autoconhecimento leva a um encontro mais maduro dentro de você mesmo, com tudo o que a vida reserva para você viver. Acabou um relacionamento, uma maneira de se relacionar, e se abre uma vida para crescer e ampliar a maneira de se perceber, para, inclusive, viver uma nova história de amor.

Como lidar com o divórcio. 7 

O LUTO PÓS DIVÓRCIO

Elisabeth Kubler-Ross (1926-2004) relaciona do divórcio com o luto, pois nele acontece a morte de uma história de amor. A psiquiatra ganhou notoriedade no assunto após lançar o livro On Death and Dying (Sobre a morte e o processo de morrer), em 1969, no qual ela apresenta o conhecido “modelo de Kubler-Ross”. A obra marcou o rumo de seu trabalho. Ela identifica fases nos períodos que antecedem a morte e cria métodos para médicos, enfermeiros e familiares acompanharem e ajudarem um paciente terminal.   

Como lidar com o divórcio. 8

CÉREBRO REPTILIANO

É conhecido como sendo a parte “mais instintiva do cérebro humano”. É responsável por inúmeras decisões inconscientes, com o objetivo principal de satisfazer as nossas necessidades básicas como reprodução, dominação, autodefesa, medo, fome, fuga, entre outras. É nessa área que ocorrem os processos automáticos, como respiração e a manutenção do ritmo cardíaco. Localiza-se no tronco encefálico, no diencéfalo e nos gânglios da base.   

Como lidar com o divórcio. 9

RELAÇÃO ENTRE FÍSICA QUÂNTICA E ESPIRITUALIDADE É POLÊMICA

A Física Quântica é um campo da ciência que busca estudar fenômenos que ocorrem com as partículas atômicas e subatômicas, ou seja, que são iguais ou menores do que os átomos, como os elétrons, os prótons, as moléculas e os fótons. Não há condições de estudo dessas micropartículas pela Física Clássica, pois não são influenciadas pelas leis que a compõem, como gravidade, inércia etc. Também conhecida como mecânica quântica, surgiu no início do século XX, sendo o físico Max Planck (1858-1947) um de seus pioneiros. Contudo, foi Albert Einstein que batizou a equação de Planck de quantum (palavra latina que significa “quantidade”). A relação entre a Física Quântica e a espiritualidade é polêmica, pois reside no debate entre dois núcleos bem distintos sendo um formado pelos que acreditam na influência quântica no plano espiritual e outro pelos que negam totalmente o uso da mecânica quântica como modo de explicar a espiritualidade. Para os que defendem a existência de uma relação entre ambas, a força do pensamento humano poderia exercer um grande poder sobre a realidade individual de cada pessoa, sendo ela, com as corretas indicações, capaz de mudar o mundo ao seu redor.

Como lidar com o divórcio. 5

OUTROS OLHARES

TRÊS MANEIRAS DE REDUZIR O USO EXCESSIVO DO CELULAR

Três maneiras de reduzir o uso excessivo do celular

ESTABELECER METAS

Ashley Whilians, pesquisadora de ciências comportamentais da Harvard Business School testou quais aplicativos são eficazes em otimizar o tempo que se passa ao celular. Apps como Flipd, Moment e Offtime permitem que o usuário crie meias diárias de tempo de permanência em aplicativos e receba avisos quando o período estiver prestes a expirar. No caso do Flipd, se a meta para uso de um app for atingida, ele será bloqueado – e assim permanecerá, mesmo que o aparelho seja reiniciado.

 

BANIR APLICATIVOS EM HORÁRIOS IMPRÓPRIOS

O Freedom bloqueia redes sociais e jogos durante um período predeterminado – proibição que pode ser estendida a computadores e tablets conectados ao mesmo usuário.

Já o Ransomly oferece um dispositivo Bluetooth que restringe, em um espaço físico, o uso de aplicativos por aparelhos conectados à sua rede. Sincronizado com um relógio esportivo, o Ransomly também bane apps até que a meta de exercícios do dia seja atingida.

 

 CRIAR “CASTIGOS”

Segundo Ashley, as ciências comportamentais mostram que o risco de perda tende a motivar mais um indivíduo do que a perspectiva de ganhos. Por isso há aplicativos como o Beeminder, que atua no controle de vícios mais extremos. Associado a um cartão de crédito, o app cobra automaticamente multas a partir de 5 dólares por descumprimento de metas de uso do celular. A primeira derrapada, contudo, é grátis.

 

GESTÃO E CARREIRA

QUANDO MORRE A CRIATIVIDADE?

Apenas 25,6% dos entrevistados em pesquisa afirmaram que as empresas incentivam a criatividade.

Quando morre a criatividade

“Um profissional criativo e um projeto inovador na minha mesa até o fim do dia, por favor!” – Uma frase que parece um tanto quanto descabida, mas vivendo em um mundo VUCA (volátil, incerto, complexo e ambíguo) o timing de execução dos projetos está cada vez menor, e as demandas por soluções cada vez mais inovadoras e criativas estão cada vez mais rápidas e dinâmicas.

Diante dessa verdadeira pressão criativa, alguns profissionais estão insatisfeitos com o trabalho que vem fazendo e com o resultado que estão entregando. No meio dessa busca para descobrir o que está matando a criatividade, às vezes o grande vilão é o ambiente da empresa.

CENÁRIO DA CRIATIVIDADE

Uma pesquisa realizada pela Agência “Insperiência”, para saber o quanto o as empresas têm demandado de criatividade, e o quanto as pessoas acham que o ambiente de trabalho influencia na rotina criativa, mostrou que das 121 respostas apenas 5% não se consideram profissionais criativos, e mais da metade (59,5%) afirmaram que as empresas pedem para que sejam criativos ou tragam soluções criativas.

Mesmo com mais da metade das pessoas pesquisadas sendo demandadas por criatividade, apenas 25,6% afirmaram que as empresas incentivam a criatividade e só 19% inspiram as pessoas a serem criativas.

LIBERDADE E CONFIANÇA NO AMBIENTE DE TRABALHO

Ainda na pesquisa, quando questionamos as pessoas sobre o que elas achavam que deveria mudar nas empresas para criar um ambiente criativo, algumas respostas chamaram a nossa atenção:

“Deixar os profissionais exercerem sua função sem ficar determinando tudo o tempo todo sem dar autonomia.”
“Dar a devida liberdade pra a efetividade das ações”;
“Dar autonomia para seus líderes”;
“Dar liberdade para criação”;
“Dar autonomia e não matar ideias”.

Em seguida, a pesquisa questionou se as empresas dos pesquisados davam liberdade para elas, e menos da metade (só 47,9%) responderam que sim. Entretanto, um pouco mais de 60% afirmou que a empresa confia no trabalho que exercem.

CRIATIVIDADE X LIBERDADE

A criatividade vem da liberdade e da ação de propor novas soluções para algum problema de formas que ainda não foram exploradas. Se um gestor deseja que sua equipe seja criativa, ele tem que dar espaço e liberdade para que o time teste suas ideias e explore repertórios. Dessa forma, alguns métodos de gestão como o micro gerenciamento, o planejamento minucioso de cada minuto do seu dia, pode ser um veneno para a mente criativa.

Ainda relacionada à liberdade, outra mentalidade que acaba prejudicando a criatividade no trabalho é a cultura de não se arriscar e condenar o erro. Se apegar aos modelos antigos pode até evitar que erros aconteçam, mas se os funcionários sempre permanecerem limitados no trabalho, então a criatividade estará sendo restringida.

COMO CRIAR UM AMBIENTE PARA ESTIMULAR A CRIATIVIDADE

Na visão de André Barros, um dos criadores do Desimpedidos – maior canal de futebol do Youtube no mundo -, para criar um ambiente criativo, liberdade e confiança são ingredientes essenciais. “A confiança influi diretamente na liberdade para criar um ambiente inovador. A partir do momento em que as pessoas têm responsabilidade e se sentem responsabilizadas, elas tendem a ter mais atenção e mais carinho com o que está sendo feito”.

ALIMENTO DIÁRIO

PROVÉRBIOS 6: 6-11

Pensando biblicamente

A preguiça é reprovada

 

Nestes versículos: Salomão se dirige ao preguiçoso que ama a sua tranquilidade, vive em ociosidade, não se importa com nada, não se dedica a nada, não realiza nada, e, de uma maneira particular, é descuidado com a religião. A preguiça é um caminho tão garantido para a pobreza, embora não igualmente curto, como a fiança impensada. Aqui, Salomão fala ao preguiçoso:

 

I – Sob a forma de instrução (vv. 6-8). Ele o envia à escola, pois os preguiçosos devem estudar. Ele vai levá-lo pessoalmente à escola, pois, se o aluno não se esforça, o mestre deve se esforçar mais; o preguiçoso não está disposto a ir à escola com ele (os estudantes adormecidos nunca amarão os professores despertos). e por isto o professor encontra outra escola, tão inferior como poderia desejar. Observe:

1. O mestre para cuja escola ele é enviado: “Vai ter com a formiga”, com a abelha, segundo a Septuaginta. O homem é ensinado mais do que os animais da terra, e é feito mais sábio do que as aves do céu, mas ainda assim é tão degenerado, que pode aprender a suposta “sabedoria” a partir da mais inferior das seitas, e ser envergonhado por isto. Quando observamos as maravilhosas sagacidades das criaturas inferiores, devemos não somente dar glória ao Deus da natureza, que as fez desta maneira especial, mas receber instruções para nós mesmos; ao espiritualizar as coisas comuns, podemos tornar as coisas de Deus fáceis e disponíveis para nós, e conviver com elas, diariamente.

2. A aplicação de mente que é exigida para aprender com este mestre: Olha para os seus caminhos. O preguiçoso é preguiçoso porque não considera; e nós jamais aprenderemos, com nenhum propósito, quer pela Palavra ou pelas obras de Deus, a menos que nos dediquemos a considerar. Particularmente, se desejarmos imitar os outros no que é bom, devemos considerar os seus caminhos, observar diligentemente o que eles fazem, para que possamos agir da mesma maneira (Filipenses 3.17).

3. A lição que deve ser aprendida. Em geral, aprenda sabedoria, considere, e seja sábio; isto é o que devemos almejar, em todo o nosso aprendizado. Devemos não somente ser conhecedores, mas ser sábios. Em particular, aprenda a conseguir alimento no verão; isto é:

(1) Nós devemos nos preparar para o futuro, e não nos importar somente com o tempo atual, não comer tudo, sem armazenar nada, mas no tempo da colheita armazenar para um tempo em que venhamos a precisar consumir as nossas reservas. Temos que ter esta providência em relação aos nossos assuntos terrenos, não com cuidado ansioso, mas com previsão prudente; guardar para o inverno, para as dificuldades e as necessidades que poderão sobrevir, e para a velhice; muito mais devemos fazer nas questões que envolvem a nossa alma. Nós devemos prover alimento, aquilo que é substancial e que nos manterá no lugar, e de que mais precisaremos. Ao desfrutarmos os meios da graça, devemos fazer uma provisão para as ocasiões em que possivelmente soframos a falta deles na vida, ou próximo da nossa morte; e, a cada dia também devemos fazer a nossa provisão para a eternidade; no estado de provação e preparação, devemos prover para o estado da retribuição.

(2) Devemos nos esforçar, e nos empenhar nas nossas atividades, ainda que seja em meio a inconveniências. Mesmo no verão, quando o clima é quente, a formiga está ocupada, ajuntando e guardando alimento, e não estará à vontade, nem se divertirá como o gafanhoto que canta e se diverte no verão, e então morre no inverno. As formigas se ajudam umas às outras; se uma delas tem um grão de cereal grande demais para levar para casa, suas vizinhas vêm em sua ajuda.

(3) Nós devemos aproveitar as oportunidades, devemos ajuntar quando é o momento, como a formiga, no verão, e colher, no momento adequado. É sábio de nossa parte aproveitar a estação em que somos favorecidos, porque durante este período pode ser feito o que não pode ser feito, ou pelo menos, não bem feito, em outra ocasião. Ande enquanto você tem a luz.

4. As vantagens que temos no aprendizado deste ensinamento, acima das vantagens da formiga, agravam a nossa preguiça e negligência, se desperdiçarmos o nosso tempo. Ela não tem “superior, nem oficial, nem dominador”, mas faz tudo por si só, seguindo o instinto da natureza – e isto traz ainda mais vergonha para nós que não seguimos os ditames da nossa própria razão e consciência, embora, além de todos os homens, tenhamos pais, mestres, ministros, magistrados, para nos lembrar do nosso dever em relação a Deus. para nos repreender pela negligência a este dever, para nos incentivar a ele, para nos orientar nele, e para nos pedir explicações por ele. Quanto maior a ajuda que tivermos para operar a nossa salvação, mais indesculpáveis seremos, se a negligenciarmos.

 

II – Sob forma de repreensão (vv. 9-11). Nestes versículos:

1. Ele protesta contra o preguiçoso, repreendendo­ o e argumentando com ele, chamando-o para o seu trabalho, como um senhor faz com o seu servo que dormiu demais. “Ó preguiçoso, até quando ficarás deitado?” Por quanto tempo ainda dormirás? “Quando te levantarás do teu sono?” Os preguiçosos elevem ser despertados com as palavras “quanto tempo?” Isto é aplicável:

(1) Aos que são preguiçosos no caminho do trabalho e do dever, nos deveres de seu chamado particular, como homens, ou no seu chamado geral, como cristãos. Por quanto tempo desperdiçarás o teu tempo, e quando o administrarás melhor? Por quanto tempo amarás o teu descanso, e quando aprenderás a negá-lo a ti mesmo, e a fazer esforços? Por quanto tempo enterrarás os teus talentos, e quando começarás a negociar com eles? Por quanto tempo irás adiar, e postergar, e desperdiçar as tuas oportunidades, como alguém que não se importa com o futuro? E quando te estimularás a fazer o que tens que fazer, e que, se não for feito, te deixará destruído para sempre?

(2) Aos que estão seguros no caminho do pecado e perigo: Não dormiste o suficiente? Já não vai alto o dia? Teu Mestre não te chamou? Os filisteus não te estão perseguindo? Quando, então, te levantarás?

2. Ele expõe as frívolas desculpas que o homem apresenta, e mostra como este se torna ridículo. Quando ele desperta, ele se estica, e implora, como quem pede esmola, mais sono, poder dormir mais; ele está bem, na sua cama quente, e não consegue suportar a ideia de se levantar, e particularmente, levantar-se para trabalhar. Mas. observe que ele promete, a si mesmo e ao seu mestre, que deseja apenas um pouco mais de sono, e então se levantará e cuidará dos seus negócios. Mas nisto ele se engana; quanto mais tempo uma disposição preguiçosa for tolerada, mais prevalecerá; ainda que durma mais um pouco ele continua com a mesma melodia, ainda pede um pouco mais de sono, um pouco mais; nunca pensa que já foi o suficiente, e ainda assim, quando chamado, finge que virá imediatamente. Assim a grande obra do homem não é concluída, por ser adiada um pouco mais, e eles são roubados, sim, todo o seu tempo é roubado à medida que são roubados momento a momento. Um pouco mais de sono acaba sendo um sono eterno. Dormi agora, e repousai.

3. Ele lhe dá um aviso sobre as consequências fatais da sua preguiça (v 11):

(1) A pobreza e a necessidade certamente sobrevirão aos que são preguiçosos em seus negócios. Se os homens negligenciarem seus negócios, não somente deixarão de seguir à frente, como começarão a ir para trás. Aquele que deixa seus interesses em desordem, logo os verá destruídos, e perderá seu dinheiro. A pobreza espiritual sobrevém aos que são preguiçosos no serviço de Deus; a eles, faltará azeite, quando tiverem necessidade de usá-lo, para suas lâmpadas.

(2) Ela virá silenciosamente e imperceptivelmente, crescerá em ti, e virá, passo a passo, como um ladrão, mas sem dúvida chegará, no final. Ela te deixará tão nu como se tivesses sido despido por um ladrão de estrada.

(3) Virá irresistivelmente, como um homem armado, a quem não poderás apresentar oposição, nem derrotar.

PSICOLOGIA ANALÍTICA

A FRAGILIDADE DA EMPATIA

Estudo comprova que são muitos os meios de induzir a desumanização e de permitir que preconceitos sejam construídos, reforçados e manifestados.

A fragilidade da empatia

A cena de alguém sofrendo – mesmo sendo um desconhecido em um filme de ficção – provoca uma ativação do network relacionado à dor em nosso cérebro. Se nossa espécie evoluiu para sentir a dor do outro, como permite a banalização da violência em determinadas situações e momentos da história? Permite porque, primeiro, desumaniza o outro. E desumaniza se diferenciando dele de alguma forma.

Para testar se a resposta empática à dor de alguém apresenta variação conforme nosso julgamento sobre essa pessoa, o neurocientista David Eagleman analisou a atividade neural dos participantes de um estudo em que foram apresentadas imagens de mãos, selecionadas de forma aleatória, sendo furadas. Cada mão trazia um rótulo: cristão, judeu, muçulmano, ateu, hindu e cientologista. Bastou uma única palavra para que os participantes inconscientemente decidissem quem era de sua tribo e se tornassem menos sensíveis à dor dos demais. A diferença foi observada até mesmo entre ateus.

Essas pessoas não estão necessariamente conscientes de seu preconceito. E a identificação de quem é de sua tribo ou é de fora ocorre a partir de uma série de atributos que podem passar longe de crenças religiosas. A tendência a buscar o amparo e aceitação de um grupo e de se distanciar do sofrimento dos que são “diferentes” pode ser construída ou desconstruída pela cultura e pelo meio social. E de uma forma surpreendentemente rápida.

Vejam o caso da lição que uma professora de uma cidadezinha de Iowa, nos Estados Unidos, levou aos seus alunos no final da década de 1960, logo após o assassinato de Martin Luther King: ela determinou que crianças de olhos castanhos, a partir daquele dia, não teriam mais o direito de usar os bebedouros, teriam que usar uma faixa branca no pescoço e não poderiam mais brincar com os colegas de olhos azuis. Não demorou para que crianças de olhos claros, sentindo-se superiores e apoiadas por uma autoridade, começassem a destratar as do outro grupo, com as quais brincavam minutos antes.

No dia seguinte, a professora pediu que os de olhos castanhos retirassem as faixas e as colocassem nas crianças de olhos azuis, que perderiam o direito de usar os brinquedos do parque e teriam cinco minutos a menos de recreio. Agora era a vez daqueles com olhos claros encolherem-se ao perceber que estavam de fora do grupo dominante e que rejeição provoca dor e revolta.

As crianças haviam dito à professora que podiam entender a injustiça vivida por outros. Com o exercício de troca de perspectiva, ela mostrou a eles que entender é diferente de sentir na pele, e que empatia é algo que pode ser exercitado – assim como a desumanização dos que não fazem parte do seu grupo. Se a professora realmente beneficiasse um perfil de alunos, estaria moldando mentes preconceituosas e dando a eles o direito de agir com superioridade.

Autoridades servem como exemplo de conduta e por isso devem ter consciência da responsabilidade que têm sobre o comportamento dos outros. Viver em sociedade implica em reprimir certos impulsos, pensar antes de falar, colocar-se em diferentes perspectivas e olhar para o coletivo.

O respeito às diferenças, a postura ética e o autocontrole são capacidades aprendidas muitas vezes a duras penas, durante interações sociais com pessoas de diferentes costumes, idades e ideologias. Quando essas virtudes não estão bem construídas, mais vulnerável se fica às influências de uma autoridade e de um grupo; mais se buscam definições, separações e formas de mostrar sua suposta supremacia; mais facilmente se perde a empatia pelos “de fora”.

O comportamento dos grupos ao ganharem o direito de julgar um ao outro não seria diferente se a sala de aula de Iowa fosse composta por adultos. É possível que fosse pior, como mostrou um dos experimentos comportamentais mais impactantes da Psicologia, realizado na década de 1970 com estudantes de Stanford. Conduzido por Philip Zimbardo, o estudo teve por objetivo analisar os efeitos psicológicos do ganho ou da perda de poder. Para isso, simulou um ambiente carcerário e dividiu os participantes entre guardas e prisioneiros.

O estudo, que estava previsto para ocorrer ao longo de duas semanas, teve que ser interrompido em seis dias, tamanha a brutalidade com que muitos supostos guardas tratavam seus colegas. Os prisioneiros, de acordo com o estudo, logo mostraram resignação com relação ao seu papel menos importante naquele microcosmo social. Os poucos que se revoltavam contra os abusos de autoridade eram julgados pelos próprios colegas. Assim como as crianças, começaram a maltratar outras pessoas logo que sentiram que, de certa forma, tinham permissão para isso.

Essas tendências perigosas de comportamento também foram investigadas pelo psicólogo Stanley Milgram. Na sua experiência mais famosa, constatou que, quando incentivadas por uma autoridade, as pessoas, mesmo relutantes, são capazes de infligir aos outros sofrimentos brutais. Sem considerar que não estavam sendo obrigados, e sim comandados, os participantes agiram como se a responsabilidade pelos atos não fosse deles. Eram apenas instrumentos; estavam apenas seguindo ordens.

Essa transferência de responsabilidade explica, segundo Milgram, atrocidades cometidas por pessoas comuns em períodos de guerra. Mostra também o lado perigoso da obediência e resignação e a fragilidade dos princípios éticos que norteiam nossos atos em inúmeras outras situações.

A única proteção contra essas influências é a educação voltada ao desenvolvimento da autoconsciência e do pensamento crítico, em que haja mais questionamentos (especialmente autoquestionamentos) e menos convicções.

OUTROS OLHARES

MAIS SAÚDE EM CADA GOLE

A busca dos consumidores por bebidas saudáveis atrai gigantes como Coca-Cola e Danone. Chás, sucos naturais, e bebidas gaseificadas com frutas ocupam o espaço aberto pelo declínio nas vendas de refrigerantes.

Mais saúde em cada gole

Nos últimos anos, a vida ficou mais difícil para as fabricantes de refrigerantes. Nos Estados Unidos, o maior mercado do mundo para esse tipo de bebida, a crescente preocupação com problemas de saúde, como obesidade e diabetes, fez com que as vendas desses produtos – considerados por alguns como “o novo tabaco” – caíssem em 2017 pelo 13° ano seguido. No Brasil, a situação não é diferente. De janeiro a outubro deste ano, o volume de refrigerantes vendidos no país diminuiu quase 4% em relação ao mesmo período do ano passado. Enquanto isso, as vendas de sucos prontos e chás cresceram, respectivamente, 2% e 6%. “A cesta de bebidas não alcoólicas vem diminuindo, puxada pelo desempenho de refrigerantes que representam 80% do total. As categorias que têm crescido são as que oferecem menos danos à saúde”, diz Thiago Torelli, diretor da área de bebidas da consultoria Nielsen. O segmento de bebidas saudáveis, do qual fazem parte desde produtos naturais até versões com menos açúcar cresceu 73% em valor desde 2013 – o faturamento neste ano deverá chegar a 32 bilhões de reais. Ao que parece, a tendência não é passageira. A consultoria Euromonitor prevê um crescimento de 30% no mercado nos próximos cinco anos. “O sobrepeso atinge mais da metade da população brasileira, diz Angélica Salado, analista sênior da Euromonitor. “Nesse cenário, aumenta o interesse do consumidor por produtos com apelo saudável.”

De olho nessa tendência. alguns gigantes do setor de alimentos e bebidas começaram a se mexer para atrair consumidores que gostam de refrigerantes, mas buscam opções mais saudáveis. De setembro para cá, a francesa Danone e a americana Coca-Cola lançaram produtos naturais desenvolvidos para o mercado brasileiro. As bebidas são à base de água gaseificada e suco de fruta, sem adoçantes nem conservantes. Para os lançamentos, as companhias criaram novas marcas. Na Coca-Cola, a bebida com três opções de sabor leva o nome de Yas. Na Danone, há dois sabores para esse tipo de bebida e duas opções de chá com frutas sob o nome 4U. “Podemos dar escala e acelerar o crescimento de um segmento que hoje é um nicho’, diz Rafael Ribeiro, diretor de marketing da Danone Águas Brasil.

Os produtos das multinacionais chegam para disputar um segmento de bebidas que parecem refrigerantes, mas que tecnicamente não são consideradas como tais, uma vez que não incluem adoçantes na formulação. É um nicho que, até agora; vinha sendo explorado por pequenas fabricantes. Um exemplo é a paulista Natural One, do empresário Ricardo Ermírio de Moraes, um dos herdeiros do Grupo Votorantim. Ela surgiu em 2014 com a proposta de vender sucos 100% naturais. Na época, o segmento representava 5% do mercado de sucos prontos para beber no país. Hoje a fatia é de 30%; e a Natural One é a líder. O crescimento do negócio chamou a atenção da Gávea Investimentos: no final do ano passado, a gestora comprou 49,9% de participação na Natural One. Para atrair novos consumidores, a companhia aumentou a verba de marketing em 150% neste ano. Convidou 600 nutricionistas e nutrólogos para conhecer sua fábrica no interior de São Paulo, colocou informações nutricionais mais claras no site e nas redes sociais e participou de feiras do setor. O objetivo das ações foi enfatizar que o produto é 100% natural. “As pessoas se interessam pelos rótulos, mas não sabem diferenças técnicas entre sucos naturais e os adoçados artificialmente’, diz Rafael Ivanisk Oliveira, presidente da Natural One.

A estratégia da empresa é ampliar a participação no mercado não apenas com o lançamento de novos sabores de sucos, mas também com a diversificação de produtos – hoje, oferece 26 opções aos consumidores. Em agosto, por exemplo, lançou quatro sabores de smoothies, uma mistura de frutas e cereais. “Procuramos ampliar os momentos em que podemos estar com o cliente”, diz Oliveira. O mesmo caminho tem seguido a paranaense Campo Largo. A marca de bebidas não alcoólicas surgiu há nove anos com o lançamento do suco de uva integral e abriu uma nova frente de negócios para a fabricante de vinhos Famiglia Zanlorenzi. De lá para cá, 43 produtos foram lançados, ajudando a Campo Largo a aumentar as vendas em 50% ao ano. O mais recente lançamento é a Kombucha, uma mistura fermentada natural de chás e frutas, inspirada no Oriente. A receita milenar levou ao desenvolvimento de três sabores da bebida, lançados pela Campo Largo em maio. O plano é distribuir a Kombucha em 40.000 pontos de venda espalhados pelo país. “Queremos despertar o interesse do consumidor e fortalecer essa nova categoria de produto”, diz Giorgeo Zanlorenzi, presidente da Famiglia Zanlorenzi.

Conquistar clientes, porém não é uma tarefa simples. Apesar do avanço de produtos com o apelo de saudáveis, ainda há muitas pessoas que consomem – e preferem bebidas com alta taxa de adoçantes e calorias. Foi o que constatou a Coca-Cola. Em julho do ano passado, a empresa decidiu tirar do mercado a Sprite e a Sprite Zero, deixando apenas a Sprite Sem Açúcar. Os fãs da velha Sprite reclamaram tanto que, em maio deste ano a Coca­ Cola relançou o refrigerante com a receita original. Dessa experiência, ficou uma lição. ”Tivemos a oportunidade de aprender que há todo tipo de consumidor e, muitas vezes, a mesma pessoa pode escolher diferentes produtos em diferentes momentos”, diz Andrea Mota, diretora de sustentabilidade da Coca-Cola. Em linhas gerais, a companhia tem caminhado em direção à fabricação de produtos mais saudáveis – no ano passado, diminuiu o açúcar em 17 de seus 213 produtos e, hoje, 75% das cerca de 20 marcas possuem versões de baixa caloria.

A redução do teor de açúcar é uma resposta das fabricantes a um movimento global que tem impacto na rentabilidade do negócio. Nos últimos quatro anos, mais de 30 países criaram impostos adicionais sobre bebidas açucaradas. Por aqui, a discussão do tema dá os primeiros passos. No fim de novembro, o Ministério da Saúde e a indústria de alimentos assinaram um acordo para reduzir a quantidade de açúcar em alimentos e bebidas, com metas a ser cumpridas até 2020 e 2022. Alguns especialistas consideraram muito tímidas as metas – o refrigerante Coca-Cola, por exemplo, já cumpre o limite de açúcar proposto. Ainda assim o fato de o tema ter entrado na pauta de debates não deixa de ser um avanço. “No mundo todo, a tendência é consumir menos, mas melhor”, diz a analista Angélica Sala do, da Euromonitor. Eis um bom exemplo de que menos pode ser mais – para a saúde do consumidor.

Mais saúde em cada gole. 2

GESTÃO E CARREIRA

A IMPORTÂNCIA DO AUTOCONTROLE E RESILIÊNCIA NO APRENDIZADO

Autocontrole e resiliência estão ligados e são essenciais à aprendizagem, diz estudo. Saiba mais!

Importância do autocontrole e resiliência no aprendizado

Publicado na revista científica Frontiers in Psychology, um estudo da Universidad Internacional de La Rioja, na Espanha, analisou se o autocontrole seria um bom preditor de resiliência (capacidade de superar obstáculos e se fortalecer a partir das adversidades) e como essas habilidades podem auxiliar jovens em situação de exclusão social.

A tarefa dos cientistas foi analisar o comportamento de 365 estudantes espanhóis de 15 a 21 anos, marcados por fracasso acadêmico e acesso restrito ao mercado de trabalho. A conclusão foi de que essas duas habilidades não cognitivas essenciais – a resiliência e a autorregulação – estão realmente interligadas e são igualmente ou até mais importantes do que os aspectos cognitivos no aprendizado acadêmico e sobre a vida. Sendo a resiliência uma capacidade aprendida e não inata, os pesquisadores verificaram como a construção adequada de estratégias de enfrentamento das adversidades na vida acadêmica e profissional era influenciada pelo autocontrole, sendo que este último foi essencial na formulação das melhores estratégias.

Os resultados, de acordo com o professor Artuch-Garde, em comunicado à imprensa, ilustram “a importância de trabalhar habilidades dos alunos que vão além das áreas acadêmicas ou técnicas e que os ajudem a lidar positivamente com as situações adversas que encontram em suas vidas”.

ALIMENTO DIÁRIO

PROVÉRBIOS 6: 1-5

Pensando biblicamente

Advertências contra a fiança

 

É a excelência da Palavra de Deus que nos ensina, não somente a sabedoria divina para o outro mundo, mas a prudência humana, para este mundo, para que possamos ordenar nossas atividades com discernimento; e uma boa regra esta é evitar fianças, porque, por meio dela, frequentemente sobrevêm pobreza e ruína às famílias, com a remoção daquela consolação nos relacionamentos que recomendamos no capítulo anterior.

1. Nós devemos considerar a fiança como uma armadilha, e consequentemente, recusá-la (vv. 1.2). É suficientemente perigoso que um homem fique como fiador de seu amigo, ainda que seja alguém com cujas circunstâncias ele esteja bem familiarizado, e bem assegurado da sua suficiência. Entretanto é ainda mais perigoso apertar as mãos de um estranho, tornar-se fiador de alguém que não se sabe se é honesto, ou mesmo capaz de cumprir os seus compromissos. Outra possibilidade é que o estranho, aqui, a quem a mão é dada, seja o credor; o usurário a quem você se liga ainda assim é, para você, um estranho, isto é, você não deve nada a ele, nem tem nenhum negócio com ele. Se você, impensadamente, se envolveu em compromissos deste tipo, iludido por adulações, ou esperando receber a mesma gentileza em outra ocasião, saiba que você se prendeu com as palavras da sua boca; isto é fácil de fazei; com uma palavra; basta assinar um papel, um compromisso que é selado e entregue, e reconhecido. Mas não será igualmente fácil livrar-se dele; você está em uma armadilha, mais do que tem ciência. Veja quão pouca razão temos para menosprezar os pecados da língua; se, por uma palavra da nossa boca, nós assumimos uma dívida com os homens, e ficamos à mercê dos seus atos, pelas palavras da nossa boca podemos nos tornar odiosos para a justiça de Deus, e assim podemos ser presos em uma cilada. É falso o conceito de que as palavras são apenas vento; frequentemente, são ciladas.

2. Se formos atraídos a esta cilada, será sensato, sem dúvida, que nos livremos dela, rapidamente (vv. 3-5). Ela dorme agora, não ouvimos sinal dela. A dívida não é cobrada; o devedor principal diz: Não tema, nós cuidaremos disto. Mas o vínculo ainda existe, os juros correm, o credor pode procurar você quando quiser, e talvez seja rude e severo. O devedor principal pode comprovar que você é desonesto ou insolvente, e então roubar a sua esposa e aos seus filhos, e arruinar a sua família, para pagar aquilo que você não comeu nem bebeu. E por isto, “livra-te”; não descanse, até que o credor desista do vínculo ou o devedor principal lhe dê comprovação de pagamento. Quando você cair nas mãos do seu amigo, e ele tiver vantagem contra você, não é o momento de ameaçar nem ofender (isto irá provocar e piorará ainda mais as coisas), mas de humilhar-se, implorar e suplicar para ser liberado, ajoelhar-se diante dele, e dirigir-lhe as melhores palavras que você puder; peça a seus amigos que falem a seu favor; não deixe pedra sobre pedra, até que tenha chegado a um acordo com o seu adversário e solucionado a questão, de modo que o seu vínculo não recaia sobre você nem sobre os seus familiares. É um cuidado que pode impedir o seu sono, mas permita que isto aconteça, até ter solucionado a questão. “Não dês sono aos teus olhos”, até que estejas livre. Ou seja, lute ao máximo, e aja com toda a rapidez, e “livra-te, como a gazela, da mão do caçador e, como a ave, da mão do passarinheiro”. Atrasos são perigosos, e esforços débeis não terão utilidade. Veja os cuidados que Deus, na Sua Palavra, teve para fazer com que os homens fossem bons administradores de seus bens, e para ensinar-lhes prudência nessa administração. A santidade tem preceitos, bem como promessas, relativas a esta vida.

Mas como devemos interpretar isto? Não devemos pensar que é ilícito, de maneira alguma, que nos tornemos fiadores de outra pessoa; isto pode ser um ato de justiça ou caridade; aquele que tem amigos pode ver razão, nesta situação, para se mostrar amistoso. e isto pode não representar imprudência. Paulo se comprometeu por Onésimo, (Filermom 19). Nós podemos ajudar nos negócios a um jovem que sabemos ser honesto e diligente, e conseguir- lhe crédito, empenhando a nossa palavra por ele, e assim fazer-lhe uma grande gentileza, sem nenhum detrimento para nós mesmos. Mas:

1. É sábio que cada homem mantenha- se afastado de dívidas, tanto quanto possível, pois isto é uma sobrecarga que lhe é imposta, que o enreda no mundo. que o coloca em perigo de cometer injustiça ou sofrer uma. O que toma emprestado é servo do que empresta, e se torna praticamente servo deste mundo. Portanto, os cristãos, que foram comprados por bom preço, não devem, sem necessidade, se fazer servos dos homens (1 Coríntios 7.23).

2. É uma grande loucura envolver-se com pessoas necessitadas, e comprometer­ se pelas dívidas delas, pois elas estão sempre com problemas financeiros e, como poderíamos dizer, “tirando de um buraco para tapar outro”, e certamente, em um momento ou outro, isto nos atingirá. Um homem jamais deve empenhar como garantia mais do que é capaz de pagar e está disposto a pagar, ou pode pagar sem prejudicar a sua família, pois deve ter em mente que ele deve considerar este compromisso como sua própria dívida. no caso do devedor principal vir a falhar. “Não se torne fiador além de suas possibilidades. E se já fez isso, pense em como vai pagar” (Eclesiástico 8.13).

3. Se estivermos enredados insensatamente como fiadores, é uma medida necessária, resultante de reflexão tardia, sair deste compromisso o mais rápido que pudermos, não perder tempo, não poupar esforços, e não ceder; até que consigamos sair desta situação sãos e salvos, e com as nossas finanças em boa situação. É melhor que nos humilhemos para conseguir um acordo a nos arruinarmos por nossa obstinação e soberba. Assegure a sua amizade, livrando-se dos seus compromissos por seu amigo, pois uma garantia impensada é muito mais a destruição de uma amizade do que a garantia prudente pode ser a manutenção dela. Devemos tomar cuidado para não nos tornarmos, de maneira alguma, culpados dos pecados de outros homens contra Deus (1 Timóteo 5.22). pois isto é pior, e muito mais perigoso do que estar comprometido com as dívidas de outro homem; e, se devemos tomar todos estes cuidados para ter as nossas dívidas com os homens perdoadas, muito mais devemos fazer para nos reconciliar com Deus. Humilha-te diante dele; assegura-te de fazer de Cristo o teu amigo, para interceder por ti; ora sinceramente para que sejam perdoados os teus pecados, e para que possas ser livrado de descer à cova, e isto não será em vão; não dês sono aos teus olhos, nem repouso às tuas pálpebras, até que isto tenha sido feito.

PSICOLOGIA ANALÍTICA

OS BENEFÍCIOS DO AMOR

Uma interação positiva entre um casal pode promover importantes benefícios na saúde física e mental, trazendo satisfação e qualidade de vida a ambos.

Os benefícios do amor

Não é preciso ser um neurocientista para imaginar que um relacionamento saudável pode ser uma fonte de bem-estar físico e emocional. Essa hipótese foi corroborada por dois estudos independentes, que confirmaram a importância e os benefícios de uma relação conjugal com uma interação amorosa saudável.

Uma das investigações mostrou uma relação positiva entre uma melhor qualidade de sono e ter um parceiro responsivo em um relacionamento. Nesse estudo foram examinados cerca de 700 parceiros casados e que moravam juntos. Foram mensuradas a responsividade dos parceiros e a qualidade do sono dos membros do casal. Os pesquisadores verificaram que existe uma forte associação entre a responsividade do parceiro e um melhor sono, uma vez que os participantes que se sentiram mais entendidos, validados e cuidados tiveram um sono de melhor qualidade.

A responsividade cria um senso de validação e um sentimento de cuidado, sendo um dos comportamentos mais importantes para a felicidade conjugal. Ser responsivo envolve ouvir e entrar em sintonia emocional com o outro, e principalmente sentir compaixão. Uma forma potente de ser responsivo é ouvir e compreender o que o parceiro está sentindo e pensando, para depois responder de modo compassivo.

Os participantes do estudo com parceiros responsivos apresentavam menor ansiedade e excitação, o que melhora a qualidade do sono. O sono tem efeito mais restaurador qt1ando não é interrompido, e isso acontece quando as pessoas se sentem seguras e protegidas. A maneira mais eficaz para seres humanos diminuírem a ansiedade, a tensão e a excitação é contar com o apoio de parceiros responsivos que estariam disponíveis para nos proteger em caso de problemas.

Sem dúvida, um dos melhores caminhos para uma vida mais longa, saudável e feliz é ter um parceiro responsivo. Um outro estudo reforça essa conclusão, embora não tenha examinado o sono, mas sim o efeito da massagem na redução do estresse. Nessa investigação, os casais participantes receberam um curso de massagem de três semanas. Os pesquisadores descobriram que a maioria dos casais continuou a usar a massagem após o término do curso, tamanhos os benefícios psicológicos e físicos.

A interação do casal, em que ambos massageiam e são massageados, aumenta o bem-estar físico e emocional dos dois parceiros. Os membros do casal se sentiam mais aptos a lidar com o estresse depois de massagens. Interessante que esse efeito ocorria independentemente de estarem dando ou recebendo massagens na ocasião. Pesquisas anteriores já haviam documentado que receber uma massagem de um profissional traz uma série de benefícios, mas esse novo estudo mostra que a massagem pode ser uma maneira simples e eficaz para os casais melhorarem seu bem-estar físico e mental enquanto demonstram afeição um pelo outro, mesmo sem formação prévia e experiência anterior. Essa descoberta mostra que a troca de massagem entre um casal é uma intervenção agradável e eficaz que pode ser facilmente incorporada à rotina diária.

Tomadas no conjunto, ambas as investigações apontam para os incríveis efeitos positivos de uma interação conjugal na qual existe cuidado e preocupação com o bem-estar do parceiro. Cuidar e ser cuidado, dar e receber amor, carinho, apoio e compreensão fazem um tremendo bem a saúde física e mental. Vale a pena se dedicar a buscar mais conexão e afeto no relacionamento, a saúde do corpo e mente é turbinada quando temos mais amor, carinho e compreensão recíprocos.

OUTROS OLHARES

EFEITOS INESPERADOS DOS MEDICAMENTOS

Recentemente foi descoberto que alguns remédios já usados há muito tempo podem ter novos usos; dependendo da dose, uma medicação contra a gripe, por exemplo, pode despertar reações em pacientes em estado vegetativo.

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Desenvolver um fármaco não é tarefa fácil. Algo em torno de 95% dos novos compostos é reprovado antes de eles se tornarem disponíveis para o uso clínico. Os gastos são especialmente altos quando o assunto é medicamento para tratar problemas relacionados ao sistema nervoso central. Remédios que chegam a ser comercializados com sucesso somam um custo médio de US$ 1,8 bilhão. Agora, os pesquisadores recorrem cada vez mais aos produtos já existentes no mercado. Comprovadamente seguras para o consumo humano e não raro compreendidas em nível molecular, as já conhecidas pílulas de hoje podem ser a novidade médica de amanhã. Os efeitos colaterais em uma pessoa podem ser a cura para outra.

COMO FUNCIONA

No organismo, o bexaroteno ativa um receptor químico que afeta a forma como as células se desenvolvem. Ao ativar esse receptor no cérebro, o agente estimula a destruição de placas características do Alzheimer e ajuda a bloquear a ação de pro- teínas que causam a morte de neurônios.

A mifepristona foi originalmente desenvolvida para bloquear o neurotransmissor glucocorticoide para tratar depressão. No entanto, cientistas descobriram um interessante efeito colateral: o fármaco interrompe a ação da progesterona, um neurotransmissor necessário durante a gravidez. Controvérsias sobre o aborto interromperam pesquisas sobre a substância por décadas. Agora, a droga tem sido novamente estudada para ser utilizada como antidepressivo.

A ação da gabapentina é parecida com a de alguns neurotransmissores. Uma de suas funções é normalizar a atividade da amígdala, o que pode aliviar os sintomas de abstinência de dependentes químicos. A sonolência, um dos principais efeitos colaterais, pode ser uma grande aliada no tratamento de adictos, que não raro têm problemas para dormir.

A minociclina é uma droga anti-inflamatória capaz de atravessar facilmente a barreira hematoencefálica. Por isso, cientistas se perguntavam se o agente químico poderia ajudar também a proteger as células cerebrais. Eles descobriram que o fármaco diminui alguns sintomas da esquizofrenia, incluindo o retraimento social e a apatia. A hipótese é que a substância bloqueia o glutamato, um neurotransmissor relacionado à psicose.

A amantadina pode atravessar a barreira hematoencefálica e provocar alterações nos neurotransmissores. Há muito tempo pesquisadores vêm tentando encontrar uma maneira de utilizar a substância no tratamento de doenças do cérebro. A eficácia da amantadina no tratamento de distúrbios da consciência levou cientistas a estudar sua ação em outras lesões cerebrais traumáticas. A novidade é que eles descobriram que a droga ajuda pacientes com baixa consciência ou em estado vegetativo a recuperar a consciência. Eles acreditam que o fármaco eleve gradual- mente a atividade da dopamina, o que favorece a excitação cerebral e sua unidade.

O propranolol reduz a pressão arterial e a ansiedade bloqueando a noradrenalina, responsável por uma parte das res- postas do organismo ao estresse. Seu efeito calmante também diminui o juízo preconcebido relacionado à etnia. Cientistas estão interessados em ampliar a compreensão da neurobiologia relacionada ao preconceito. O trabalho, porém, desperta questões éticas a respeito de como os efeitos colaterais da medicação podem influenciar atitudes pessoais de forma artificial.

Efeitos inesperados dos medicamentos. 3

DROGAS REINVENTADAS

 

BEXAROTENO – de quimioterapia de linfomas cutâneos para tratamento de Alzheimer.

MIFEPRISTONA – de abortivo para antidepressivo.

GABAPENTINA – de prevenção da epilepsia para alívio de abstinência.

MINOCICLINA – de medicação contra acne e redutor de artrite para estabilizador de esquizofrenia.

AMANTADINA – de remédio contra a gripe para provocar reações em pacientes em estado vegetativo.

PROPRANOLOL – de alívio de ansiedade para diminuir o racismo.

Efeitos inesperados dos medicamentos. 2

GESTÃO E CARREIRA

COMO AUMENTAR A EFICIÊNCIA NOS PROCESSOS DE RECRUTAMENTO E SELEÇÃO

Como aumentar a eficiência nos processos de recrutamento e seleção

Final do ano é o timing para empresas iniciarem seus processos seletivos para o próximo ano. Muito se fala sobre a importância da experiência dos candidatos, a relevância dos tão esperados feedbacks — e como fazê-los o quanto antes —, e a melhoria na criatividade de cada etapa para filtrar os melhores profissionais.
Mas como, de fato, promover tudo isso com eficiência e êxito nos processos de recrutamento e seleção de uma empresa? A Gupy lista cinco dicas imprescindíveis para sua empresa investir no aumento de eficiência dos processos seletivos, gerando valor para cada etapa do recrutamento e, ao mesmo tempo, fortalecer a marca empregadora.

FEEDBACKS: DIFICULDADE ESTÁ NO MINDSET E NA AUTOMAÇÃO
Muitas empresas ainda recebem inúmeras reclamações sobre a falta de retorno das etapas de um recrutamento ou a demora de cada uma dela.
Pesquisas mostram que o feedback é o principal fator de percepção de valor de um candidato em um processo seletivo. É preciso uma mudança de mindset do RH para entender isso como fundamental e indispensável.
A falta de tempo pode ser resolvida com o uso de ferramentas que ajudam a automatizar o envio de feedbacks personalizados para candidatos. Além disso, já existem bons ATS, em tradução livre “Sistemas de Rastreamento de Candidatos”, que fazem isso, e, conseguem oferecer um feedback ainda mais personalizado para as etapas finais do processo.

ENTREVISTA PRESENCIAL OU POR SKYPE? NA ERA DIGITAL, QUAL A MELHOR OPÇÃO?
Não existe certo ou errado, nem melhor ou pior. Se sua empresa está distante geograficamente do candidato, entrevistas remotas são ótimas opções para garantir que não perderão aquele candidato especial. Enquanto isso, entrevistas presenciais podem ser opções interessantes para apresentar ao candidato seu ambiente de trabalho e ainda aumentar o seu engajamento com a vaga.

FORTALECIMENTO DA MARCA EMPREGADORA COMEÇA TAMBÉM POR MEIO DO RECRUTAMENTO E SELEÇÃO
Muitas empresas buscam fortalecer suas marcas nos processos seletivos e investem budgets enormes em projetos de employer branding para construir uma boa reputação como marca empregadora. Porém, na verdade, os fatores que mais encantam os candidatos e os tornam promotores de suas marcas podem ser realizados de formas simples, com páginas de carreiras com depoimentos dos funcionários, fotos, vídeos e mensagens que transmitem emoção e conquistem um apelo sentimental dos candidatos.
Outra opção, comumente aplicada em Programas de Estágio e Trainee, é realizar previamente Webinars, com recrutadores e pessoas da área, para tirar dúvidas dos candidatos e apresentar a realidade da empresa. Grupos Focais também podem ser uma solução, caso sua empresa queira capturar as expectativas dos candidatos, suas dores e anseios, e, usar essas informações como insumo na criação das etapas. Já os jogos virtuais e gamefication podem servir para criar um fluxo dinâmico ao processo.

Dentre os recursos que trazem encantamento aos candidatos estão a acessibilidade digital às oportunidades de vagas e os feedbacks personalizados e escritos com cuidado para mostrar preocupação genuína com o candidato.
Recentemente, algumas empresas têm usado a construção de vídeos depoimentos contendo toda a jornada de um candidato, trazendo um contexto emocional da sua relação com a organização e revelando como tem sido a rotina do colaborador após contratação. Além disso, a entrega de aprendizado ao candidato durante o processo, por meio de workshops, talks ou recomendações de leitura, tem proporcionado conhecimento e enriquecido à vivência de quem procura uma oportunidade.

Mesmo que não aprovado, é importante que a empresa faça com que o candidato saia do processo melhor do que entrou, ou seja, com o maior aprendizado possível da vaga, da empresa e sobre seus autoconhecimentos.

COMO CONCILIAR O USO DA INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL (IA) COM UM PROCESSO DE RECRUTAMENTO INCLUSIVO?
Os algoritmos não possuem pré-conceitos ou baias inconscientes. Eles não criam julgamentos irracionais das pessoas, o que pode acontecer de forma imperceptível pelos recrutadores. O papel do recrutador deve ser o de análise crítica para entender e guiar a tecnologia a seu favor.

A exemplo, uma empresa que utilizou a plataforma da Gupy em seu processo de recrutamento, mostrou um aumento no número de mulheres que chegavam às etapas finais do processo após usarem IA. Isso só aconteceu porque percebeu-se que anteriormente muitos homens analisavam a dinâmica e passavam, inconscientemente, outros homens para a etapa seguinte. Essa é apenas uma das provas práticas de que a Inteligência Artificial realmente tem auxiliado na promoção de inclusão.

USO DO ONBOARDING NA AVALIAÇÃO DE DESEMPENHO
Através do onboarding, do inglês, “integração”, pode-se identificar os gaps dos funcionários que estão entrando na empresa e estabelecer o ponto de partida desse funcionário no negócio. Com isso, a Avaliação de Desempenho pode comparar a evolução da performance no colaborador.
O problema é que muitas empresas em suas Atividades de Vida Diárias (AVD) não analisam os saltos dos colaboradores e, sim, criam fotografias do momento. Entender onde o colaborador estava quando entrou em sua empresa e onde está hoje é um grande sinal de seu potencial, de sua capacidade de aprendizagem e evolução, além de permitir aos seus líderes a criação de planos de desenvolvimento de competências.

 

ALIMENTO DIÁRIO

PROVÉRBIOS 5: 15-23

Pensando biblicamente

Recomendação à fidelidade conjugal

 

Tendo demonstrado o grande mal que existe no adultério e na prostituição, e em todos os caminhos corrompidos e impuros, Salomão aqui prescreve remédios contra estes pecados.

I – Desfrutar com satisfação os confortos do casamento lícito, o que era ordenado para evitar a impureza, e por isto deveria ser usado no devido tempo, para que não acabasse sendo ineficaz para a cura daquilo que poderia ter evitado. Que ninguém se queixe de que Deus lidou de maneira cruel consigo, proibindo-lhe os prazeres pelos quais há um desejo natural, pois Ele bondosamente providenciou a satisfação regular de tais desejos. Não podes comer de todas as árvores do jardim, mas escolhe a tua, a que quiseres, e desta poderás comer livremente; a natureza ficará satisfeita com isto, mas a luxúria não terá nada. Deus, ao limitar o homem a uma só, estava tão longe de lhe impor quaisquer dificuldades, que na realidade buscava o seu melhor interesse; pois, como observa o Sr. Herbert: “Se Deus tivesse permitido tudo, certamente o homem teria sido o limitador.” – este é um provérbio conhecido pela igreja. Aqui Salomão explica isto, não somente prescrevendo como um antídoto, mas apresentando como um argumento contra a prostituição, o fato de que os prazeres permitidos no casamento (ainda que a sagacidade dos ímpios, que colabora com o espírito da impureza possa tentar ridicularizá-los), transcende, e muito, os falsos prazeres proibidos da prostituição.

1. Que os jovens se casem, e não se abrasem. “Bebe a água da tua cisterna e das correntes do teu poço” (v. 15), uma referência à mulher da tua mocidade (v. 18). Abstém-te totalmente, ou casa-te. – Herbert. “O mundo é amplo, e há variedades de realizações, entre as quais podes te satisfazer”.

2. Que aquele que é casado tenha prazer na sua esposa, e que tenha carinho por ela, não somente porque ela é a esposa que ele mesmo escolheu, e assim ele deve ficar satisfeito com a sua própria escolha, mas porque ela é a esposa que Deus, na sua providência, reservou para ele, e ele deve ficar ainda mais satisfeito com a indicação divina, satisfeito com ela, porque ela é sua. “Seja bendito o teu manancial” (v. 18); ou seja, considere-se muito feliz com sua própria esposa, considere-a uma esposa abençoada, que ela tenha diariamente a tua bênção, ore diariamente por ela, e então se alegre com ela. Estes confortos nos quais podemos ter alegria nos são santificados por meio da oração, e pela bênção de Deus. Não somente nos é permitido, como nos é ordenado, que sejamos agradáveis nos nossos relacionamentos, e particularmente convém aos companheiros de jugo que se alegrem juntos, e um com o outro. O prazer mútuo é o elo da fidelidade mútua. Que o noivo se alegre com a sua noiva (Isaias 62.5), não somente é algo aceito como verdadeiro, como é permitido por lei. “Goza a vida com a mulher que amas, todos os dias de vida da tua vaidade” (Eclesiastes 9.9). Aqueles que são joviais e alegres com companheiras fora de casa, não têm os confortos que Deus lhes designou, mas se mostram amargos, irritados e tristes para com as suas famílias, em casa.

3. Que cada homem tenha carinho por sua esposa e a ame profundamente (v. 19): Que ela seja como “cerva amorosa e gazela graciosa”, como as que os nobres às vezes mantinham, domadas, em suas casas. Não deseje melhor diversão do estudo e do trabalho severos do que a convivência inocente e agradável com a sua própria esposa; tenha-a no seu seio, como o pobre tinha sua pequena cordeira no seu (2 Samuel 12.3), e assim repouse a sua cabeça no seio dela, e que isto satisfaça você, em todas as ocasiões; e não busque o prazer com nenhuma outra. Se errar, que seja sempre no amor a ela. Se você permitir que o seu amor seja excessivo, e se tiver que sentir um afeto apaixonado por alguém, que seja somente por sua própria esposa, onde não há o menor risco de excesso. Isto é a água potável, para aplacar a sede do seu apetite, água da sua própria cisterna, e águas correntes, que são claras, e doces, e saudáveis, águas do seu próprio poço (v. 15; 1 Co 7.2,3).

4. Que ele se alegre com os seus filhos e os considere com prazer (vv. 16,17): Considere-os como correntes do teu próprio manancial (os judeus são considerados como originários das águas de Judá, Isaias 48.1), de modo que sejam partes de você mesmo, como as correntes são parte da fonte. Limite-se à sua própria esposa, e terás:

(1) Uma numerosa descendência, como ribeiros de águas, que correm em abundância, e que estará dispersa; os teus filhos estarão casados em outras famílias, ao passo que aqueles que cometem a prostituição não se multiplicarão (Oseias 4.10).

(2) Uma descendência peculiar, que será para ti, só, ao passo que os filhos da prostituição, que forem gerados por você, provavelmente não o serão, mas, até onde se sabe, serão a descendência de estranhos, e ainda assim você deverá mantê-los.

(3 ) Uma descendência honrada e louvável, que será uma honra para você, e que você poderá enviar a outros locais, e com a qual você poderá ser visto em público, nas ruas, ao passo que uma descendência ilegítima será a sua desgraça, e algo que você se envergonhará de reconhecer. Neste aspecto, a virtude tem todo o prazer e a honra; com razão, portanto, é chamada de sabedoria.

5. Que ele zombe, então, da oferta de prazeres proibidos, estando sempre encantado com o amor de uma esposa fiel e virtuosa; que ele considere o absurdo que seria, para ele, sentir-se atraído por uma estranha (v.20), estar apaixonado por uma prostituta impura, e abraçar o seio de uma estrangeira, sendo estes pensamentos detestáveis, se ele tiver algum sentido de honra ou virtude. “Por que você estaria tão embriagado, e seria tal inimigo de si mesmo, a ponto de preferir água de pântano, e seria envenenado, também, e roubado, diante das águas puras e vivas do seu próprio poço? Observe que se as regras da razão puderem ser ouvidas, as leis da virtude serão obedecidas.

 

II – Veja os olhos de Deus sempre em você, e que o temor a Ele governe o seu coração (v. 21). Os que vivem neste pecado se prometem discrição (os olhos do adúltero aguardam o crepúsculo; Jó 24.15); mas com que propósito, quando nada pode ser escondido de Deus? Pois:

1. Ele vê. Os caminhos do homem, todos os seus movimentos, todos os seus atos, estão diante dos olhos do Senhor, todas as obras do coração e todas as saídas da vida, aquilo que é feito, ainda que com a maior discrição e disfarce, mesmo que seja feito com muita habilidade. Deus vê o pecado sob uma luz verdadeira, e o conhece, com todas as suas causas, circunstâncias e consequências. Ele não lança um olhar ao homem de vez em quando, mas o homem está sempre sob os seus olhos, e sob a sua inspeção. E será que você ousa pecar contra Deus, diante dos seus olhos, e diante dos seus olhos cometer aquela iniquidade que você não ousa cometer na presença de um outro homem, que é semelhante a você mesmo?

2. Ele chamará o pecador para responder por isto; pois Deus não somente vê, mas pondera todas as ações do homem, e as julga, como alguém que em breve julgará o pecador por elas. Cada obra é avaliada e será trazida a juízo (Eclesiastes 12.14), o que é um bom motivo por que devemos ponderar a vereda dos nossos pés (Provérbios 4.26) e assim julgar a nós mesmos, para que não sejamos julgados.

III – Preveja a ruína assegurada aqueles que perseveram em suas transgressões. Os que vivem neste pecado prometem impunidade a si mesmos, mas se enganam – o seu pecado os revelará (vv. 22,23). O apóstolo explica o sentido destes versos, em poucas palavras: “Aos que se dão à prostituição e aos adúlteros Deus os julgará” (Hebreus 13.4).

1. É um pecado de cujo poder os homens se livram com grande dificuldade. Quando o pecador é idoso e fraco, os seus desejos são fortes e ativos, lembrando os dias da sua mocidade (Ezequiel 23.19). Assim, preso pelas suas próprias iniquidades, por seu consentimento, e tendo voluntariamente se rendido como cativo a elas, ele é detido pelas cordas do seu próprio pecado, e tal é o poder delas que ele não consegue se livrar, mas, na grandeza da sua loucura (e que maior loucura pode haver, do que se entregar, como servo, a tais cruéis capatazes? ), ele irá se desviar e perambular incessantemente. A impureza é um pecado do qual, uma vez mergulhados nele, os homens raramente se recuperam, e quando o fazem é com muita dificuldade.

2. É um pecado de cuja punição os homens não conseguirão escapar, a menos que o abandonem; ele será, inevitavelmente, a sua ruína. Da mesma maneira como as suas próprias iniquidades os prendem nas reprovações e repreensões de consciência (Jeremias 7.19), também as suas próprias iniquidades os prenderão e entregarão aos juízos de Deus. Não há necessidade de prisões, nem correntes; eles serão detidos pelas cordas dos seus próprios pecados, como os anjos caídos; sendo ímpios incuráveis, são detidos em cadeias de trevas. O pecador; que muitas vezes repreendido endurece a cerviz, acabará morrendo, sem instrução. Tendo recebido suficientes avisos genéricos, não terá nenhum aviso particular, mas morrerá sem ver o perigo de antemão, morrerá porque não desejou receber instrução, mas na grandeza da sua loucura quis se desviar, quis andar errado; e assim, esta será a sua perdição – nunca mais encontrará o caminho para casa. Aos que são loucos a ponto de escolher o caminho do pecado, Deus permite, com razão, que persistam nele, até que cheguem àquela destruição à qual esse caminho conduz, o que é uma boa razão pela qual devemos ser vigilantes e nos proteger resolutamente das seduções dos apetites sensuais.

PSICOLOGIA ANALÍTICA

“ERA EXATAMENTE O QUE EU QUERIA!”

Acertar na compra do presente nem sempre é fácil. Algumas crenças a respeito dos gostos alheios podem atrapalhar na hora de escolher o mimo mais adequado a quem queremos agradar.

Era exatamente o que eu queria!

Algumas pesquisas recentes sobre o ato de presentear podem ajudar quem está em busca de um mimo para agradar pessoas queridas. Salvo exceções e casos específicos, optar por coisas simples e práticas parece ser mais interessante pelo menos do ponto de vista da ciência. Um estudo publicado no Journal of Experimental Social Psychology indica que, embora tendamos a acreditar que presentes sofisticados (e caros) serão mais apreciados, quem recebe, em geral, fica mais feliz com coisas que possam ter uma função em suas vidas. No experimento descrito no artigo, pares de amigos, todos estudantes universitários, trocaram canetas novas, algo valorizado entre os estudantes. Quem presenteava acreditava que o outro iria preferir os modelos mais pesados ou extravagantes, para ocasiões especiais. Na verdade, aqueles que receberam o mimo se mostraram mais contentes com canetas mais leves, ainda que mais baratas.

“Costumamos acreditar que o preço ou o esforço que dedicamos em um presente, por exemplo, é o que faz diferença, mas a pessoa que recebe não sabe desses detalhes, ela apenas vê o objeto e pensa de que maneira irá encaixá-lo em sua vida”, diz o doutor em comportamento e marketing Nathan Novemsky, professor da Universidade Yale, que desenvolve pesquisas sobre o assunto. Em um de seus estudos recentes, os participantes preencheram um questionário enquanto imaginavam dar ou ganhar um cartão de presente de um restaurante. Aqueles que ofertavam acreditavam que as pessoas presenteadas iriam gostar mais de um voucher de um estabelecimento de cinco estrelas em alguma cidade ao redor; mas, na verdade, eles preferiam um restaurante próximo. Tanto os homens como as mulheres tendem a valorizar a opção prática.

Outra coisa: cuidado com papéis de embrulho exagerados. Segundo Novemsky, experimentos indicam que fazer embrulhos com um saco de papel marrom e liso – ou mesmo entregar sem embalar – pode ser mais apropriado do que aparecer com algo deslumbrante e cheio de fitas. Estranho? A princípio sim, mas a explicação faz sentido: pacotes muito atraentes tendem a aumentar as expectativas em relação ao conteúdo e também o risco de que a pessoa fique decepcionada, caso não faça jus à embalagem. Então, a menos que tenha certeza de que o mimo seja requintado, como uma joia, é indicado considerar pacotes mais modestos. E também sugerem que as pessoas não se acanhem em perguntar o que o outro quer ganhar. Pesquisas feitas nas universidades Harvard e Stanford mostram que quem recebe um presente, em geral, fica mais satisfeito com o que solicitou do que com algo atencioso que não estava em sua lista.

Era exatamente o que eu queria!. 2

OUTROS OLHARES

O MILIONÁRIO MUNDO DOS CURSOS DE MEDICINA

Com mensalidades de até 13.000 reais, escolas privadas de medicina não veem sinal de crise. Uma proibição a novos cursos deve manter o negócio bom – para quem, já está no mercado.

O milionário mundo dos cursos de medicina

Um milhão de reais separam um aluno que vai começar em 2019 o curso de medicina na Faculdade São Leopoldo Mandic, em Campinas, de sua formatura em 2024. Criado em 2013, o curso é o mais caro do nicho de mercado mais caro do ensino privado do país, segundo ranking da consultoria especializada em educação Atmã – são quase 13.000 reais por mês. Até o final da graduação, cada um dos 1.095 alunos acomodados em dois campi no interior paulista (Campinas e Araras) terá acompanhado 11.000 horas de teoria e prática, e deixará nos cofres da empresa o montante de 1,026 milhão, considerando inflação anual de 4,5%. Apesar do preço, a evasão é de 2%, a inadimplência fica abaixo de 4% e o interesse continuou alto mesmo na crise: foram 14 candidatos por vaga no último vestibular. A faculdade nasceu em 1997 com foco em odontologia. Depois de anos de espera e inúmeras visitas de burocratas de Brasília, em 2013 a autorização para o curso de medicina saiu. O curso responde por 40% do faturamento da faculdade, de 300 milhões de reais por ano.

A São Leopoldo é o mais espetacular exem1plo de um mercado que não vê sinal de crise. De 2012 a 2017, o faturamento da graduação em medicina no país cresceu 78% ante 30% de todos os cursos de ensino superior privado. O valor da mensalidade de medicina, cuja média foi de 7.124 reais no ano passado (quase dez vezes a média de toda a graduação privada), subiu 29% nos últimos cinco anos ante 8% da média geral. Enquanto os demais cursos precisam de programas de incentivo financeiro, como o federal Fies as faculdades de medicina não oferecem assistência além do exigido por lei – na média, 10% das vagas são destinadas a bolsistas de programas como o Pro Uni. “Medicina exige investimento alto, mas o curso empresta credibilidade à marca da faculdade’, diz José Luiz Cintra Junqueira, presidente e fundador da São Leopoldo Mandic.

O milionário mundo dos cursos de medicina. 2

Os cursos de medicina vivem num mundo à parte, em primeiro lugar porque a carreira médica costuma ser uma aposta segura. O salário de um médico recém­ formado beira os 11.000 reais e, a partir dos dez anos de carreira, é comum profissionais ganharem 40.000 por mês nas grandes cidades. Segundo o consultor financeiro Mauro Calil, um médico graduado na São Leopoldo Mandic que ingresse no programa Mais Médicos ganhando 11.800 reais por mês, sem desconto de imposto de renda, levará mais de nove anos para compensar o investimento feito, supondo uma inflação de 4.5% ao ano e que metade de seu salário seja reservada para isso. Quem receber 30.000 reais mensais demorará no mínimo seis anos, também considerando que poupe metade para abater o investimento e que tenha o desconto de 27,5% do imposto de renda.

Mesmo tendo apenas 1.5% do volume de alunos em cursos de graduação no país, as faculdades de medicina respondem por 14,2% da receita. “A oferta de médicos é muito menor do que a demanda. Essa é a força que motiva os interessados em investir na área”, diz Felipe Miglioli, sócio da consultoria de negócios EY-Parthenon. Quase todo mês a Faculdade São Leopoldo Mandic recebe propostas de fundos e outros grupos de educação interessados. O mesmo acontece com a Universidade de Marília (Unimar), também no interior paulista, que oferece o curso há 20 anos e está em quarto lugar entre as mais caras (com mensalidade de 9.500 reais). Fundada há 60 anos, a Unimar tem 23 cursos, entre eles engenharia, enfermagem e psicologia, mas o de medicina é o que traz mais retorno para a instituição. Além da São Leopoldo e da Unimar, estão entre as cinco primeiras no ranking da mensalidade a paulista Unoeste (segundo lugar, com 19.800 reais), a cearense Centro Universitário Christus (terceiro lugar, com 9.700 reais) e a mato-grossense Centro Universitário Várzea Grande (quinto lugar, com 9.300 reais), em dados de 2018.

O número de médicos formados no Brasil cresceu 23% em sete anos, passando de 365.000, em 2010, para 453.000, em 2017.

Ainda assim, a média brasileira, de 2,2 profissionais por 1.000 habitantes, fica abaixo dos 3,4 por 1.000 da OCDE, grupo dos países ricos. O imbróglio recente envolvendo o programa Mais Médicos e a saída dos 8.000 cubanos do país escancararam a falta de profissionais em muitas regiões – no Maranhão, há 0,87 médico por1.000 habitantes. Além de atrair médicos cubanos para regiões com déficit de atendimento, o Mais Médicos estimulou a abertura de novos cursos de medicina pelo Brasil. Em comparação a 2010, o número de vagas para entrantes em medicina cresceu 89%. Mesmo assim, das quase 32.000 vagas abertas todos os anos, metade (46%) delas ainda está concentrada no Sudeste, onde é também fácil encontrar bons professores. Segundo dados da Medcel, empresa de cursos online para médicos com dados do Ministério da Educação (MEC) e embaixadas latino-americanas, cerca de 60.000 brasileiros já estudaram medicina no exterior, em países como Colômbia, Cuba, Paraguai e Argentina, onde a mensalidade custa cerca de 2.000 reais.

De 2003 a 2018, foram criados mais de 178 cursos de medicina no Brasil, segundo o MEC. Com o programa Mais Médicos, em 2013 a expansão acelerou, com novos cursos autorizados em 67 cidades. O total de vagas oferecidas passou de 17.000 para 31.000. O número de alunos em faculdades públicas subiu de 44.000, em 2013 para 55.000, em 2017. Ainda assim, no ano passado, 33,7 candidatos disputaram uma vaga de medicina, bem mais do que em 2008 (21,8) e dez vezes mais do que a média de todos os cursos. Segundo estimativa da Atmã, o Brasil ainda tem espaço para ampliar 50% o número de ingressantes sem prejudicar a qualidade do aluno, pois manteria a alta concorrência na seleção, de 22 candidatos por vaga, a mesma de 2007. Mas, em abril entrou em vigor uma moratória do governo proibindo a criação de novos cursos pelos próximos cinco anos (os editais em andamento não serão afetados). O Conselho Federal de Medicina é o maior defensor da moratória. O conselho afirma que ”a abertura de vagas em cursos de medicina e de novas escolas médicas tem sido conduzida de forma abusiva, com sérios prejuízos à formação dos profissionais e impacto negativo na qualidade do atendimento oferecido à população”.

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Enquanto o mercado de ensino superior privado é dominado por grandes grupos, os cursos de medicina mais disputados ainda são de faculdades independentes. A complexidade para a abertura de uma faculdade de medicina e o alto investimento são duas explicações. Os grupos de ensino com foco em saúde também são mais refratários a ofertas de aquisição, segundo consultores. O fundo carioca Bozano é o que tem tido mais sucesso nessa tarefa de consolidação. Sob o guarda-chuva da NRE Educacional, a Bozano comprou e investiu em nove escolas de medicina desde 2014. “Temos oportunidade de criar um grupo de educação que acompanhe o profissional de A a Z, do ingressante no vestibular ao formado há muitos anos’, diz Daniel Borght da Bozano. À NRE devem se juntar outras três faculdades, já em negociação. Além disso, a empresa ganhou sete licitações em pequenas cidades do norte pelo Mais Médicos, em cada uma das quais está investindo 20 milhões de reais. Um dos ativos com maior potencial de crescimento dentro do grupo é a Medcel, escola on­line focada em candidatos à residência estudantes brasileiros que fizeram faculdade no exterior. O plano do fundo é abrir o capital da BR Health, possível nome do grupo, ainda em 2019. O faturamento é de 400 milhões de reais por ano. “Vemos oportunidades no ensino de medicina tanto no Brasil quanto no exterior”, diz Julio De Angeli, presidente da Medcel.

Ter um curso de medicina pode dar muito dinheiro, mas é um negócio que está permanentemente à prova. Alguns cursos de direito por exemplo, chegam a 70% de margem bruta, ante 58% de medicina. Na São Leopoldo Mandic, desde o primeiro ano os alunos têm contato com robôs que choram, gritam de dor têm filhos e morrem. Alguns deles custam mais de 1 milhão de dólares. A Unimar começou a construção da quarta torre de seu hospital universitário, um investimento de 300 milhões de reais. Ter um hospital não é obrigatório para a graduação – as faculdades podem fazer parcerias com instituições locais -, mas é uma vantagem. “Não podemos descuidar nunca de entregar ao aluno equipamentos e ensino mais atualizados possível, diz Fernanda Servaj, pró-reitora da Unimar. Com a melhora econômica à vista, e uma moratória a novos entrantes, o ensino de medicina deve continuar um grande (e caro) negócio.

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GESTÃO E CARREIRA

AS EMPRESAS DO FUTURO: APOSTANDO NA PRIMEIRA INFÂNCIA

Cuidar das crianças pequenas é o investimento de maior impacto para a formação de uma população mais saudável, segura, culta e produtiva. Veja como as empresas podem ajudar a mudar esse quadro (e ainda lucrar com isso).

As empresas do futuro - Apostando na primeira infância

Há alguns anos sabe-se que investir na primeira infância, a fase que vai até os 6 anos, é crucial. Proteger as crianças – garantir-lhes alimentação saudável, proteção, carinho e possibilidades de brincar -, é não apenas respeitar os direitos individuais de milhões de cidadãos, mas, também moldar o futuro da sociedade. É difícil achar causa mais nobre…mas ela não vem recebendo a atenção necessária.

O País investe 2,3% do produto interno bruto (PIB) em programas para crianças de 6 a 12 anos, e apenas 0,5% em cuidados com as crianças de 0 a 5, de acordo com dados do Banco Mundial e da Cepal (Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe).

É quase o oposto do que se deveria fazer. Como diz o economista James Heckman, prêmio Nobel de economia de 2000, o investimento na primeira infância é o que tem o melhor retorno: entre 7% e 10 % ao ano. Análises mais recentes apontam resultados ainda mais positivos, em comunidades carentes: 13% de retorno sobre o investimento.

Essa resposta se explica por duas pontas. De um lado, a produção de riqueza é maior: segundo Heckman, crianças que frequentaram uma creche de qualidade vão receber, na média, salários 25% maiores, porque os estímulos apropriados durante a primeira fase da vida levam a um desenvolvimento emocional e cognitivo mais saudável.

De outro lado, os custos são menores: crianças bem cuidadas têm menos chance de precisar frequentar programas de recuperação educacional, e menos probabilidade de fazer escolhas que prejudiquem sua saúde ou as levem a atividades criminosas.

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O QUE AS EMPRESAS PODEM FAZER

A causa da primeira infância é tão definidora do futuro do país que as empresas não podem ficar alheias a ela. “Hoje, as companhias brasileiras têm pouco envolvimento com o tema”, diz Eduardo Queiroz, presidente da Fundação Maria Cecília Souto Vidigal, organização focada na promoção da primeira infância no Brasil. “Talvez elas ainda não enxerguem o tamanho do impacto que podem ter no desenvolvimento de uma criança.”

E o caminho para essa conscientização pode ser compartilhado. “Toda empresa tem potencial de ser aliada. E já são vários os exemplos positivos a serem seguidos”, diz Gabriella Bighetti, Diretora Executiva da United Way Brasil, organização não governamental que atua pela primeira infância e juventude por meio da educação. Em geral, as organizações já sabem que este é um investimento necessário. O grande obstáculo, porém, é que elas consideram as vantagens desse investimento como globais e futuras, enquanto os custos são locais (ou seja, delas mesmas) e imediatos.

Mas esta percepção não leva em conta os efeitos colaterais das políticas em prol da família. Eles são em geral positivos, às vezes transformadores. A lógica é a mesma de criar um excelente ambiente para trabalhar: as empresas ganham uma reputação n1elhor, têm mais facilidade de atrair clientes, perdem menos funcionários. E, nos casos de iniciativas de apoio às comunidades, ainda criam oportunidades para a identificação e o desenvolvimento de lideranças entre seus funcionários.

De certa forma, vale para as pessoas jurídicas a mesma dinâmica que para as pessoas físicas: nós preferimos estar perto daquelas que sorriem mais, inspiram mais confiança, se preocupam com os outros, são mais abertas e comunicativas.

As vantagens não são apenas intangíveis. De acordo com a Ready Nation, uma organização empresarial americana que conta com 1.100 membros, incluindo atuais e ex- CEOs de grandes corporações unidos pela causa dos investimentos em crianças e jovens, os programas em prol da primeira infância têm impacto direto na produtividade dos funcionários: por saber que as crianças estão sendo bem cuidadas, os pais podem se concentrar melhor no trabalho; e os cuidados com a saúde dos filhos acarretam em menos faltas dos pais.

Não é necessário que as empresas deem um salto de fé. Ao contrário. Elas podem fazer aquilo que sempre devem fazer: contas.

Às vezes, a mera redução da rotatividade no trabalho já compensa os custos de implementar programas pró-família. Alguns estudos estimam que o custo da rotatividade varia entre 50% e 200 % do salário anual de um funcionário. São os gastos com a busca de profissionais, seu treinamento, a perda de produtividade durante o período de adaptação. Para dar uma ideia do tamanho desse problema, em 2016 a taxa de rotatividade voluntária (as demissões que as empresas não queriam fazer) foi de 30% entre as companhias da lista de melhores empresas para trabalhar no Brasil, do GPTW.

Um exemplo de como as políticas pró-família podem ter impacto nessa conta vem da filial brasileira da seguradora Tokio Marine. Em 2011, quando a empresa começou a adotar benefícios em prol da primeira infância (como horário flexível, reembolso de despesas com creche ou babá, plano de previdência privada), seu índice de rotatividade era de 21%. Essa taxa caiu progressivamente, até chegar a 9,9% em 2016, e 9,8% no ano passado, ante uma média de 14,9% no setor.

Outra potencial redução de custos é no absenteísmo. Um estudo no Canadá, feito pelos professores Georges Dionne e Benoit Dostie, da HEC Montreal, concluiu que empregados satisfeitos com o trabalho tinham probabilidade 17,5% menor de faltar; e empregados que trabalham em casa de vez em quando tinham probabilidade 11,5% menor de faltar.

Um outro estudo, nos Estados Unidos, examinou em 2004 a produtividade em 1.188 das 500 maiores companhias do país. A conclusão: a cada três programas adicionais de incentivo ao equilíbrio entre trabalho e vida pessoal, havia um aumento de produtividade entre 2% e 3%.

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OS BONS EXEMPLOS

Há diversos modos de uma empresa se engajar na causa da primeira infância. Elas podem implementar práticas voltadas ao seu público interno; exportar sua cultura para outras empresas, via contratos com fornecedores, defendendo a causa ou realizando investimentos coletivos, que unam diversas empresas e cidadãos; promover ações de voluntariado, ou apoiar ONGs que atuam na área; promover o tema para sensibilizar a sociedade para sua importância; e divulgar a causa entre formadores de opinião e governos.

Em todos esses campos, já há bons exemplos a seguir:

  • No Brasil, a Natura oferece 40 dias de licença- paternidade, desde 2016. A lógica é que neste período a mãe está se recuperando fisicamente da gravidez, e a proximidade do pai é importante para toda a família, especialmente no estabelecimento de vínculo com o bebê.

 

  • Na filial brasileira da Johnson & Johnson, a licença- paternidade é de dois meses, que podem ser tirados no momento que o funcionário quiser dentro do primeiro ano do nascimento ou adoção da criança – o que permite um revezamento de cuidados entre pai e mãe.]]

 

  • A cadeia de lojas de conveniência americana Casey’s General Stores descreve suas instalações de cuidados com as crianças como “nossa melhor ferramenta de recrutamento e retenção de funcionários”.

 

  • Na Tokio Marine do Brasil, todos os funcionários podem começar o expediente entre 7h e 10h, e sair entre 16h e 19h30, além de poderem usar seus bancos de horas para sair mais cedo em qualquer dia. Isso facilita aos pais acompanhar os compromissos escolares ou médicos de seus filhos. Além disso, a seguradora oferece os serviços de um assistente pessoal, com utilização ilimitada e confidenciai, válida para os funcionários, marido ou mulher e filhos. A assistente ajuda a marcar hora em médicos, cotar preços de festas infantis ou de escolas etc.

 

  • O grupo Sabin, de laboratórios de saúde, oferece um salário mínimo para ajudar nas despesas do casamento. Depois vêm as palestras de preparação para o funcionário que espera um bebê e, por fim, tem outro salário mínimo para a compra do primeiro enxoval.

 

  • Na filial brasileira da Kimberly-Clark, pais de filhos com alguma necessidade especial recebem mensalmente o reembolso de despesas médicas de até R$1.300.

 

  • Na Índia, a indústria de alumínio e cobre Hindalco sustenta centros de saúde que fornecem planejamento familiar, vacinas, prevenção e tratamento de malária, tuberculose, Aids e outras doenças.

 

  • A companhia de energia e tecnologia suíça ABB Schweitz criou sua primeira creche em 1966 – e a partir daí fundou uma organização não lucrativa que ajuda outras 38 companhias a oferecer o serviço para seus empregados.

 

  • Nos Estados Unidos, o banco PNC distribui em suas agências folhetos com dicas para ajudar os pais a realizar atividades lúdicas e de aprendizado com seus filhos pequenos.

 

  • A organização americana Ready Nation já realizou 11 reuniões de cúpula e o primeiro grande encontro de negócios globais para tratar de investimentos na primeira infância em abril de 2018.

 

  • Como diz o economista Ricardo Paes de Barros, especialista em desigualdade social e educação, “o Brasil precisa passar do foco na garantia dos direitos negativos (não passar fome, não ficar doente, não sofrer violência) para a busca dos direitos positivos – pleno desenvolvimento do potencial, bem-estar enquanto criança”.

 

  • As empresas são uma parte fundamental desse esforço. E isso está plenamente de acordo com a essência do mundo dos negócios: construir um futuro melhor. Inclusive para elas próprias.

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O BE-A-BA DOS NEURONIOS

ESTUDOS NEUROLÓGICOS FEITOS NAS ÚLTIMAS DÉCADAS AJUDAM A ENTENDER O IMPACTO DOS INVESTMIMENTOS NA PRIMEIRA INFÂNCIA:

  •  O cérebro de uma criança de 3 anos tem 80% do volume do cérebro adulto, de acordo com diversos mapeamentos, como os do pesquisador Richard Nowakowski, da Universidade Estadual da Flórida.

 

  •  Nessa fase, o cérebro tem o dobro de conexões (as sinapses) que terá na vida adulta, segundo o neurocientista Peter Huttenlocher, um dos pioneiros desse campo.

 

  •  Os investimentos para colher bons resultados são bastante modestos. Por exemplo: uma hora de conversa por dia com uma criança, ao longo de um ano, leva a uma melhora no seu desenvolvimento equivalente à de um ano a mais, de acordo com um estudo do economista mineiro Flávio Cunha, da Universidade de Rice, nos Estados Unidos. Ou seja, uma criança de 4 anos exposta a uma comunicação adequada tem capacidade equivalente à de uma criança de 5 anos que não teve tantos estímulos de comunicação.

 

  •  A maior proteção que o cérebro de uma criança tem contra os efeitos de violência física ou verbal, privações e até falta de carinho é o vínculo afetivo com seus cuidadores, diz James Leckman, médico e pesquisador da Universidade Yale, nos Estados Unidos.

ALIMENTO DIÁRIO

PROVÉRBIOS 5: 1-14

Pensando biblicamente

Instruções paternas: Advertências contra a sensualidade

 

Aqui temos:

I – Um solene prefácio, para introduzir a advertência que se segue (vv. 1,2). Aqui, Salomão se dirige ao seu filho, isto é, a todos os jovens, como seus próprios filhos. pelos quais ele tem afeição e aos quais pode influenciar. Em nome de Deus, ele exige atenção: pois escreve sob inspiração divina, e é um profeta, ainda que as suas primeiras palavras não sejam, assim diz o Senhor. ”Atende”. inclina o teu ouvido; não somente ouve o que é dito, e lê o que está escrito, mas dedica a tua mente a isto e pondera sobre isto diligentemente. Para obter atenção, ele destaca:

1. A excelência das suas palavras: É a “minha sabedoria”, a minha razão; se eu me proponho a te ensinar sabedoria, não posso recomendar nenhuma outra coisa que seja mais apropriadamente assim chamada; a filosofia moral é a minha filosofia, e aquilo que deve ser aprendido na minha escola.

2. A utilidade delas: ”Atende à minha sabedoria”;

(1) Para que conserves os meus avisos – para que possas ter discernimento. As palavras de Salomão não tencionam encher nossas mentes de noções, enchê-las com questões de especulação minuciosa, ou de discussões duvidosas, mas pretendem nos orientar no controle de nós mesmos, para que possamos agir com prudência, da maneira como é conveniente para nós e também em benefício do nosso verdadeiro interesse.

(2) Para que possas falar com sabedoria – para que “os teus lábios guardem o conhecimento”, e possas tê-lo prontamente na ponta da língua (como se diz), para o benefício das pessoas com quem convives. Está escrito que “os lábios do sacerdote guardarão a ciência” (Malaquias 2.7); mas os que são alertas e poderosos nas Escrituras podem, não somente em suas devoções, mas em suas palavras, ser sacerdotes espirituais.

 

II – A advertência propriamente dita, que é para que nos abstenhamos dos desejos carnais, do adultério, da prostituição e de toda impureza. Alguns a aplicam de maneira figurada, e interpretam a mulher estranha como idolatria, ou a falsa doutrina, que tende a corromper as mentes e os modos dos homens, ou o apetite sexual, ao qual pode ser aplicada, de maneira tão apropria­ da como qualquer outra coisa; mas o principal objetivo é nos advertir claramente contra as transgressões ao sétimo mandamento, a que a mocidade é tão inclinada, cujas tentações tão violentas, cujos exemplos são em tão grande número, e que, quando permitidas, são tão destrutivas a todas as sementes de virtude na alma que não é estranho que as advertências de Salomão contra elas sejam tão insistentes e tão frequentemente repetidas. Aqui, Salomão, como o sentinela fiel, faz uma justa advertência a todos, para que, quando considerarem suas vidas e confortos, temam este pecado, pois certamente será a sua ruína. Aqui, somos aconselhados a prestar atenção a duas coisas:

1. Que não demos ouvidos aos encantos deste pecado. É verdade que “os lábios da mulher estranha destilam favos de mel” (v. 3); os prazeres dos desejos carnais são muito tentadores (como o vinho que dá sua cor ao cálice e escoa suavemente); a sua boca, os beijos da sua boca, as palavras da sua boca, são mais suaves do que o azeite, para que a pílula venenosa possa ser engolida suavemente, e não se suspeite que haja algum mal nela. Mas, considere:

(1) O quanto as consequências podem ser fatais. Que frutos terá o pecador do seu mel e azeite, quando o fim será.

[1) O terror da consciência: “é amargoso como o absinto” (v. 4). O que era doce na boca fica amargo no estômago; ele é “agudo como a espada de dois fios” – de qualquer maneira que o tomes, ele fere. Salomão podia falar por experiência própria (Eclesiastes 7.26).

[2) O tormento do inferno. Se alguém que tenha sido culpado deste pecado se arrependeu, foi salvo, porém, de qualquer modo, a tendência direta do pecado é a destruição do corpo e da alma; “os seus pés descem à morte”; os seus passos se firmam no inferno, para puxar para lá o pecador, como se a perdição tosquenejasse por um tempo demasiado (v. 5). Os que estão envolvidos com este pecado devem se lembrar de que apenas um passo os separa do inferno, e eles estão prestes a cair nele.

(2) Considere o quanto são falsos os encantos. A mulher estranha adula e fala bonito. suas palavras são como mel e azeite, mas ela enganará a todos os que lhe derem ouvidos; as suas carreiras são variáveis, para que você não possa conhecê-las; frequente mente ela muda seu disfarce, e assume uma grande variedade de falsas cores, porque, se conhecida, certa mente será odiada. Como Proteu, ela assume várias formas, para que possa continuar com seu relacionamento com aqueles aos quais tenciona atingir. E o que ela pretende, com toda esta astúcia e controle? Nada, senão impedi-los de ponderar a vereda da vida, pois ela sabe que, se vierem a fazer isto, ela certamente os perderá. Ignoram completamente os esquemas de Satanás os que não compreendem que a grande coisa que ele pretende, em todas as suas tentações, é:

[1] Impedi-los de escolher a vereda da vida, impedi-los de ser religiosos e de ir para o céu, para que, estando ele mesmo excluído da felicidade, possa mantê-los também excluídos dela.

[2] Impedir que eles ponderem a vereda da vida, e que considerem o quanto é razoável que andem por esta vereda, e o quanto isto lhes seria benéfico. Devemos observar, para a hora da religião, que ela certamente convence a todos os que se permitirem apenas a liberdade de um pensamento sério; ela os leva a ponderar as coisas imparcialmente, mostrando que o demônio não tem como limitar os homens aos seus próprios interesses, senão desviando-os com contínuas diversões, de um tipo ou de outro – ele os desvia da calma e sóbria consideração das coisas que dizem respeito à sua paz. E a impureza é um pecado que, entre outras coisas, cega o entendimento, insensibiliza a consciência e impede que as pessoas ponderem a vereda da vida. A prostituição tira a sua inteligência (Oseias 4.11).

2. Que não nos aproximemos desta transgressão (vv. 7,8).

(1 ) Esta advertência é introduz ida por um prefácio solene: ”Agora, pois, filhos, dai-me ouvidos”, quem quer que sejais, os que ledes ou ouvis estas palavras, observai o que digo, e mesclai a isto a fé, guardai estas palavras e “não vos desvieis das palavras da minha boca”, como farão os que derem ouvidos às palavras da mulher estranha. Não deveis somente receber o que digo, meramente para o presente, mas agarrar-vos a estas palavras – que elas estejam prontas para vós, e que tenhais força convosco para as ocasiões em que a tentação vos atacar mais violentamente.

(2) A advertência é, por si só, muito insistente: ”Afasta dela o teu caminho”; isto é, se acontecer de você estar perto dela, e se você tiver uma boa desculpa para ser levado para o alcance dos seus encantos, ainda assim mude o seu caminho, altere o seu curso, em lugar de se expor ao perigo; “não te aproximes da porta da sua casa”; ou seja, vá para o outro lado da rua, ou melhor, passe para outra rua, ainda que seja em direção contrária. Isto sugere:

[1] Que devemos temer e detestar fortemente o pecado. Devemos temê-lo como temeríamos um lugar infestado com alguma praga; devemos odiá-lo como ao cheiro de carniça, a qual não desejamos nos aproximar. Então, quando concebermos uma antipatia enraizada por todos os desejos carnais pecaminosos, poderemos preservar a nossa pureza.

[2] Que devemos nos empenhar em evitar tudo o que puder ser uma oportunidade para este peca­ do, ou um passo em direção a ele. Os que desejam ser guardados do mal devem ficar fora do caminho do mal. A natureza corrompida é tão inflamável que é loucura, por qualquer pretexto, aproximar-se das fagulhas. Se nos lançarmos na tentação, zombamos de Deus. quando oramos: “Não nos induzas à tentação”.

[3] Que devemos ser zelosos por nós mesmos, com um zelo devoto, e não ter tanta confiança na força de nossas próprias resoluções, a ponto de nos aventurar à beira do pecado, ainda que prometendo a nós mesmos: ”Até aqui virás, e não mais adiante”.

[4] Que, o que quer que tenha se tornado uma armadilha para nós, e uma oportunidade de pecado, ainda que seja como um olho direito e uma mão direita, devemos arrancá-lo, cortá-lo, e atirá-lo para longe de nós – devemos nos separar daquilo que nos é mais precioso, em lugar de arriscar nossas próprias almas. Este é o mandamento do nosso Salvador (Mateus 5.28-30).

(3) Os argumentos que Salomão usa, aqui, para nos reforçar esta advertência, são extraídos do mesmo tópico que os anteriores, os muitos danos que acompanham este pecado.

[1] Ele mancha a nossa reputação. “Darás a outros a tua honra ” (v.9); tu a perderás; ou seja, você colocará, na mão de cada um dos teus próximos, uma pedra para que a atirem contra você, pois, com boa razão, todos eles lhe dirão, “que vergonha”, e desprezarão você e pisarão em você, como um homem louco. A prostituição é um pecado que torna os homens desprezíveis e infames, e nenhum homem de razão ou virtude desejará manter a companhia de alguém que se relaciona com prostitutas.

[2] Ele faz desperdiçar o tempo, dá os anos. os anos da mocidade, a flor do tempo dos homens, aos cruéis – tão vil é este desejo. que com a máxima crueldade, guerreia contra a alma; tão infame é esta prostituta que, fingindo ter um afeto por nós, na verdade visa contra a vida preciosa. Os anos que deveriam ser dedicados à honra de um Deus benigno são desperdiçados no serviço de um peca­ do cruel.

[3] Ele destrói os bens (v. 10): Os estranhos se fartarão do teu poder, o qual só era confiado a ti, pois és um despenseiro para a tua família; e todos os frutos dos teus trabalhos, que deveriam ser a provisão para a tua própria casa, entrarão na casa do estranho, que não tem direito a eles e jamais te agradecerá por eles.

[4] Ele é destrutivo para a saúde. e abrevia os dias dos homens: a tua carne e o teu corpo se consumirão (v. 11). Os desejos da impureza não somente guerreiam contra a alma, que o pecador negligencia e com a qual não se preocupa, mas também combatem o próprio corpo, com o qual o pecador é tão indulgente e ao qual tanto se preocupa em agradar e mimar – tão enganosos, tão loucos. e tão prejudiciais são estes desejos. Os que se entregam à impureza com avareza desperdiça m suas forças, e se atiram à fraqueza, e frequentemente têm seus corpos cheios com odiosas perturbações, e por isto o número de seus meses é cortado ao meio, e eles caem como sacrifícios impiedosos a uma luxúria cruel.

[5] Ele enche a mente de terror se a consciência tiver sido despertada. Ainda que estejas alegre agora, divertindo-te com os teus próprios enganos, ainda assim certamente gemerás no fim (v. 11). Durante todo este tempo, estás criando material para arrependi­ mento, e acumulando motivos para aflição e tormentos na reflexão, quando o pecado se apresenta diante de ti, com a sua própria forma. Mais cedo ou mais tarde, ele lhe trará tristeza, seja quando a alma for humilhada e levada ao arrependimento, ou quando a carne e o corpo forem consumidos, seja por enfermidades, quando o pecador enfrentar a sua consciência, seja pela sepultura – quando o corpo estiver apodrecendo ali, a alma estará sofrendo nos tormentos do inferno, onde os vermes não morrem, e “Filho, lembra-te” é uma súplica constante. Aqui Salo­ mão apresenta o pecador convencido, repreendendo a si mesmo, e agravando a sua própria tolice. Então ele lamentará amargamente o seu pecado. Em primeiro lugar, porque ele odiava ser transformado, também odiava ser informado, e não podia suportar que lhe fosse ensinado o seu dever (“Como aborreci a correção”, não somente a disciplina de ser instruído, mas a própria instrução, embora fosse toda verdadeira e boa!), ou ser informado dos seus erros – “desprezou o meu coração a repreensão” (v. 12). Ele não pode deixar de reconhecer que aqueles que tinham sido responsáveis por ele, pais, ministros, tinham feito a sua parte, eles tinham sido seus professores: eles o tinham instruído, e lhe tinham dado bons conselhos e advertências (v. 13); mas, para sua própria vergonha e confusão, e justificando a Deus, em todas as infelicidades que lhe sobrevieram, ele diz que não tinha obedecido à voz dos seus ensinadores, não tinha inclinado os seus ouvidos aos que o tinham instruído. nunca deu importância ao que eles diziam, nem admitiu as impressões de seus ensinamentos. Observe que aqueles que tiveram uma boa educação e não vivem de acordo com ela, terão muito a explicar em um dia futuro: e aqueles que não se lembrarem do que foram ensinados. para viverem em conformidade com estes ensinamentos. serão forçados a se lembrar deles, como um agravamento de seu pecado, e, consequentemente, para a sua ruína. Em segundo lugar, por meio de atos frequentes de pecado. os hábitos desse pecado estavam tão enraizados e confirmados que o seu coração estava plenamente decidido a cometê-lo (v. 14): “Quase que em todo o mal me achei no meio da congregação e do ajuntamento”. Quando ele entrava na sinagoga, ou nos átrios do templo, para adorar a Deus com os outros israelitas, o seu coração impuro estava cheio de pensamentos e desejos devassos, e os seus olhos, cheios de adultério. A reverência ao lugar, ao grupo e à obra que fazia não podia restringi-lo, mas ele era quase tão ímpio e vil ali como em qualquer outro lugar. Nenhum pecado pareceria mais assustador a uma consciência desperta do que a profanação das coisas santas: e nenhum agravamento de pecado o tornaria mais pecaminoso do que o lugar em que somos honrados, com a congregação e o ajuntamento, e os benefícios que ali temos. Zinri e Cosbi declararam a sua infâmia e como eram vis diante de Moisés e de toda a congregação (Números 25.6). O adultério de coração é, para Deus, uma transgressão declarada, e é necessariamente ofensivo a Ele, quando nos aproximamos dele em atividades religiosas. Eu estava em todo o mal, desafiando os magistrados e juízes e suas assembleias; esta é a interpretação de alguns. Outros aplicam isto ao mal da punição, e não ao mal do pecado: Fui feito um exemplo, um espetáculo para o mundo. Eu estava submetido a quase todos os amargos juízos de Deus, em meio à congregação de Israel, colocado como um marco. “Levantando-me na congregação, clamo por socorro” (Jó 30.28). Devemos evitar aquilo de que nos arrependeremos, no final.

PSICOLOGIA ANALÍTICA

DOENÇAS FREQUENTES NA CRISE ECONÔMICA

De acordo com o médico psiquiatra Marcelo Niel, a Organização Internacional do Trabalho (OIT) aponta que o desemprego é importante causa de sofrimento psíquico e adoecimento.

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De acordo com dados do IBGE do último mês de julho, o número de desempregados no Brasil alcançou 13 milhões de pessoas. Essa situação é uma das principais causas de sofrimento e adoecimento mental. Insônia, isolamento e falta de esperança se acumulam e provocam o aparecimento de doenças mentais, especialmente ansiedade e depressão.

Para Marcelo Niel, médico psiquiatra clínico e forense, além de psicoterapeuta Junguiano,  ”a tendência, sobretudo nesse período de grande instabilidade política, é que as pessoas se sintam cada vez mais ameaçadas e assombradas com a possibilidade de a miséria voltar a bater na porta dos brasileiros. Niel, que atualmente divide seu tempo atendendo pacientes em seu consultório em São Paulo e atuando como professor na Faculdade Pitágoras de Medicina, em Eunápolis, Bahia, acredita que o crescente desemprego deveria ser uma preocupação primordial para os governantes. “Isso impacta direta e muito negativamente nos índices de bem-estar da população, aumentando os problemas de saúde e a violência, uma conta bem mais cara a ser sanada no cenário brasileiro”.

Quanto ao desemprego propriamente dito, “um eficiente apoio psicológico pode ajudar as pessoas a desenvolverem estratégias de geração de renda que podem garantir o sustento e a melhoria da qualidade de vida, melhorando, consequentemente, o sofrimento psíquico. Em tempos de crise, é preciso reunir forças e buscar apoio para se reinventar para enfrentar os problemas com criatividade”, reflete Niel.

Doenças frequentes na crise econômica. 3

EM QUE MEDIDA A CRISE ECONÔMICA E SUAS CONSEQUÊNCIAS CONTRIBUEM PARA O AUMENTO DE PROBLEMAS MENTAIS E PSÍQUICOS?

NIEL: Uma pessoa passando por dificuldades financeiras, sobretudo quando desempregada, aos poucos se isola e se afasta das pessoas, muitas vezes por vergonha e pela própria limitação financeira. Desânimo, vontade de desistir, preocupações constantes, cobranças vão acarretando mais e mais ansiedade, que pode acabar desencadeando quadros de depressão.

DE QUE FORMA ESSAS DOENÇAS SE MANIFESTAM?

NIEL: Sintomas ansiosos, como medo, taquicardia, crises de pânico, insônia, desânimo, falta de energia para dar continuidade às tarefas cotidianas, perda de vaidade, baixa autoestima. Todo esse conjunto faz com que a pessoa se sinta menos apta a encontrar soluções para os problemas e agrava ainda mais o problema gerando a depressão, que é uma das doenças mais frequentes nesses casos.

E STAR EM UMA SITUAÇÃO ECONÔMICA BEM NEGATIVA PODE GERAR, INCLUSIVE, UMA SOBRECARGA QUE AFETA A COGNIÇÃO E A CAPACIDADE DE TOMAR DECISÕES E DE JULGAMENTO?

NIEL: Sem dúvida. Já antes de um quadro de depressão ou ansiedade se instalar realmente a pessoa pode apresentar sensação de desânimo, menos-valia e, na presença de insônia, mais ainda a concentração e a capacidade de planejamento, julgamento e tomada de decisões podem estar afetadas.

O DESENIPREGO SERIA A PRINCIPAL CONSEQUÊNCIA DA CRISE E A MAIOR CAUSA DESSAS DOENÇAS?

NIEL: Não necessariamente. Porque há pessoas que têm maior “elasticidade” para lidar com tais problemas, o que chamamos modernamente de resiliência. É a capacidade de suportar as adversidades. Entretanto, quanto mais o problema se prolonga, mais dificuldades vão aparecendo e tudo fica mais difícil.

ESTUDOS QUE CONSEGUEM MENSURAR A GRAVIDADE DESSE IMPACTO NA SOCIEDADE?

NIEL: Sim. A Organização Internacional do Trabalho (OIT) aponta que o desemprego é importante causa de sofrimento psíquico e adoecimento. Um estudo realizado na Inglaterra, em 2013, estimou que mais de 1.100 mortes por ano são causadas pelo desemprego, tanto em decorrência de doenças mentais como pela falta de suporte adequado no sistema de saúde ao desempregado. No Brasil, alguns estudos apontam para a gravidade do impacto negativo na vida e na saúde mental de pessoas desempregadas.

COMO EVITAR QUE QUADROS DE ANGÚSTIA, ANSIEDADE OU DEPRES SÃO ATINJAM AS PESSOAS EM TEMPOS DE CRISE?

NIEL: O ideal é que as pessoas evitem o isolamento social, procurem os amigos para desabafar e buscar ajuda. Procurar apoio psicológico também pode ser importante ferramenta para lidar com o problema. E há muitos recursos, como em faculdades de Psicologia e ONGs, onde se pode encontrar apoio psicológico gratuito. Atividades comunitárias, cursos livres também podem contribuir para que a pessoa se sinta melhor.

O ESTRESSE PODE LEVAR À INSÔNIA, DEPRESSÃO, ANSIEDADE, MÁ ALIMENTAÇÃO E A POUCOS CUIDADOS COM A SAÚDE, O QUE ACABA REPERCUTINDO NA VIDA PESSOAL E FAMILIAR. EM PERÍODOS DE CRISE AUMENTA O NÚMERO DE SEPARAÇÕES CONJUGAIS?

NIEL: Separações, desentendimentos, rupturas, brigas familiares. Quanto mais a crise se arrasta, as dificuldades aumentam, e com isso mais cobranças, impaciência e discórdias. São períodos delicados, que exigem que a família se tina mais e busqt1e alternativas em conjt1nto para lidar com os problemas.

A PRECARIZAÇÃO DOS SERVIÇOS DE SAÚDE IMPEDE QUE PESSOAS COM ESSE QUADRO ENCONTREM O SUPORTE PSICOLÓGICO NECESSÁRIO?

NIEL: Sim. Percebemos que quanto maior a crise, mais pessoas adoecem e as filas para atendimento aumentam. Isso, associado à dificuldade já presente no sistema de saúde, amplia a dificuldade de acesso. Mas o apoio psicológico é um grande aliado. O ideal é verificar as alternativas gratuitas de que falei anteriormente.

UMA AÇÃO IMPORTANTE É O MOVIMENTO DE PSICANÁLISE DE RUA. PODE EXPLICAR COMO FUNCIONA?

NIEL: Esse movimento surgiu a partir do questionamento de alguns profissionais sobre a dificuldade de acesso às terapias, pelo elevado preço, que então criaram uma alternativa, atendendo pessoas gratuitamente, por exemplo, na praça Roosevelt, no centro de São Paulo. Aos poucos, novos profissionais têm se voluntariado e o movimento está inspirando novas ações em outros lugares da cidade.

ALÉM DOS EMPREGADOS, OS DONOS DE EMPRESAS TAMBÉM PODEM SENTIR OS EFEITOS PSICOLÓGICOS DA CRISE ECONÔMICA?

NIEL: Sim. Vemos que muitos empresários acabam acumulando problemas, responsabilidades e preocupações que também levam ao adoecimento.

A CRISE PODE ESTIMULAR O USO EXAGERADO DE DROGAS OU ÁLCOOL, PARA QUE SE TENHA UMA ESPÉCIE DE FUGA DOS PROBLEMAS?

NIEL:  Sem dúvida. Sabemos que o álcool é a droga mais barata em nosso meio, de fácil acesso, e que, pelo seu poder “calmante”, pode levar uma pessoa a consumir exageradamente como forma de buscar alívio. Isso pode gerar mais problemas do que trazer soluções.

O álcool, em um primeiro momento, pode ter um efeito ansiolítico, mas seu uso contínuo vai piorar o sono e a depressão, além de diminuir a vontade e a disposição. Sem contar o risco de se desenvolver o alcoolismo.

DURANTE PERÍODOS DE GRAVES CRISES ECONÔMICAS AUMENTAM AS VENDAS DE PSICOTRÓPICOS, COMO ANSIOLÍTICOS E ANTIDEPRESSIVOS?

NIEL: Sim. Tanto por pessoas que estão de fato em tratamento como por aqueles que buscam receitas com outros profissionais, além de pessoas que fazem uso por conta própria, conseguindo medicação com amigos e parentes ou comprando de forma ilícita.

EXISTE UMA INCIDÊNCIA MAIOR DE DOENÇAS MENTAIS PROVOCADAS PELA CRISE ENTRE OS HOMENS OU NÃO HÁ DISTINÇÃO DE GÊNERO?

NIEL: Sabemos que a depressão afeta mais mulheres do que homens, e a ansiedade afeta homens e mulheres em igual proporção. Há um questionamento se essa proporção é correta ou se o que ocorre, na verdade, é que as mulheres buscam mais por atendimento do que os homens, enquanto os homens “lidam” com o desconforto psíquico abusando do consumo de álcool.

A ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE APONTA CINCO FATORES DE INVESTIMENTO EM POLÍTICAS PÚBLICAS PARA DIMINUIR OS MALES PSICOLÓGICOS DAS CRISES: 1) PROGRAMAS DE CRIAÇÃO DE EMPREGO; 2) PROGRAMAS DE SUPORTE FAMILIAR; 3) REGULAÇÃO DOS PREÇOS E DA DISTRIBUIÇÃO DE BEBIDAS ALCOÓLICAS; 4) CUIDADO BÁSICO PARA POPULAÇÃO DE RISCO; 5) PROGRAMAS DE REDUÇÃO DE DÍVIDAS. O BRASIL ESTÁ MUITO LONGE DE OFERECER ISSO À POPULAÇÃO?

NIEL: Infelizmente, estamos muito longe. Não que não existam iniciativas, mas são numericamente insuficientes para atender as necessidades da nossa população. Infelizmente, muitos de nossos governantes não conseguem perceber que, sem cuidar da população, as pessoas adoecem mais, ficam mais improdutivas e isso acaba custando muito mais para o Estado. Mas não devemos esquecer que existem alternativas que as pessoas podem encontrar para lidar com os problemas, não apenas no sistema público.

POR QUE DETERMINADAS PESSOAS ADOECEM MENTALMENTE POR CAUSA DA CRISE E OUTRAS NÃO SÃO ATINGIDAS, APESAR DE VIVEREM A MESMA SITUAÇÃO?

NIEL: Há que se considerar diversos fatores para o aparecimento de uma doença mental, como a predisposição genética, o ambiente mais ou menos acolhedor que a pessoa vive, o apoio de amigos, parentes e também o nível de resiliência da pessoa. Quanto maior a capacidade da pessoa lidar com as adversidades, menor o risco de adoecimento.

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OUTROS OLHARES

PRIMITIVOS.COM

Vídeos em que youtubers ensinam a construir ferramentas da Idade da Pedra se popularizam – ironicamente, em razão da busca pela “desintoxicação digital”.

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Parece um paradoxo – e é. Em plena era digital, uma das ondas de apelo no YouTube propõe que o usuário esqueça o computador, o smartphone, a internet e outros atrativos onipresentes na vida contemporânea e se volte para a natureza e um passado distante, muito distante. A moda é puxada e encarnada pelo australiano John Plant, o youtuber responsável pelo canal Primitive Technology (Tecnologia Primitiva). Só de short – sem camisa e descalço -, Plant ensina, em vídeos gravados na floresta do Estado de Queensland em seu país natal, a construir ferramentas usadas por humanos na Idade da Pedra. Para tanto, vale-se tão somente de recursos da natureza ao seu redor. Se quer fogo, use gravetos. Se quer um machado, pegue pedras e o molde”, diz ele em seu canal, que já tem quase 9 milhões de seguidores.

Lançado em 2015, o Primitive Tecnology demorou dois anos para conquistar um público de grande monta. Ao longo dos primeiros doze meses, atraiu 788.000 fãs – um número expressivo, mas de pouca relevância diante dos milhões de seguidores angariados na web pelas celebridades. Em 2016, porém, os vídeos começaram a ganhar maior impulso. Um deles, divulgado naquele ano, sobre como fazer carvão natural, chegou a 1,5 milhão de visualizações em dois dias.

Até então, Plant, que não era afeito à fama, recusava-se a dar seu nome nas filmagens, nas quais sempre permanece mudo. Em junho de 2017, isso mudou. Para poder faturar mais com republicações de vídeos no Facebook, por meio de direitos autorais, o australiano finalmente passou a se identificar. Foi então que a audiência disparou, ultrapassando os 5 milhões de inscritos no canal até o fim daquele mesmo ano. De lá para cá, seus clipes já foram vistos 645 milhões de vezes. Ao comentar a relação entre as habilidades primitivas que ensina e as inovações modernas, Planta firmou à rede inglesa BBC: “Aprender a fazer uma fogueira é a habilidade mais importante e a base para a maior parte das tecnologias”.

Como sempre acontece nesta era de globalização aguda, a formidável popularização do canal australiano incentivou o aparecimento de similares ao redor do planeta. O Primitive Survival Tool, de Singapura, tem 2, 9 milhões de inscritos. O vietnamita Survival Skills Primitive e o americano Primitive Tecnology Idea têm, ambos, algo em torno de 1 milhão de seguidores. No Brasil, a mania ainda não explodiu, mas está chegando perto aos poucos, com páginas como Técnicas Primitivas e Vida Primitiva, que contam com um público que se situa modestamente na casa dos milhares.

Apesar de terem se disseminado pelo YouTube há pouco tempo, vivências em ambientes selvagens não são uma novidade. O assunto foi popular em programas de TV dos anos 2000. Um dos mais bem-sucedidos, À Prova de Tudo, estreou em novembro de 2006 nos Estados Unidos. Transmitido aqui pela Discovery, o programa teve 79 episódios e durou até 2011. Na atração, Bear Grylls, ex­ membro das Forças Especiais Britânicas, ensinava como sobreviver em locais inóspitos – do Alasca ao Deserto do Saara.

“Esse recente fenômeno da internet pode estar ligado a uma vontade extrema de regressar à natureza”, declarou a socióloga holandesa Saskia Sassen, da Universidade Columbia, nos Estados Unidos, especializada em estudos sobre digitalização. A tendência, portanto, estaria associada à necessidade das pessoas de se afastar do mundo ultra conectado – ironicamente, em razão da busca pela chamada “desintoxicação digital” que vem crescendo nesta década. Diz o psicólogo Cristiano Nabuco, coordenador do Grupo de Dependência Tecnológica da USP: “É como se tivéssemos atingido o limiar do uso das novidades digitais. Como o ser humano tem predisposição a movimentações pendulares, se estamos demasiado on-line, nós nos empenhamos para reforçar o outro lado, o da antítese da tecnologia”.

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GESTÃO E CARREIRA

CONSTRUINDO UMA MARCA PESSOAL

Como melhorar sua empregabilidade? Para responder a essa pergunta, apresentamos o conceito de PVP – Proposta de Valor do Profissional. Use essa estratégia para bombar nas redes e chamar a atenção de empregadores, clientes ou investidores.

Construindo uma marca pessoal

Pessoas sendo maquiadas, flashes de câmeras, designers a postos para tratar as imagens e um vaivém frenético de gente.

A cena que poderia descrever os bastidores de um desfile de moda, na verdade foi um dia de treinamento na Sul América.

A seguradora queria ensinar a seus 5.200 funcionários como se destacar na carreira, por isso colocou metade do time em salas em São Paulo e no Rio de Janeiro para participar de palestras sobre protagonismo, tutoriais para aprender a usar o LinkedIn e sessões de fotografia para cada um atualizar sua imagem na rede social. “Eu me senti um pop star”, disse um dos quase 3.000 empregados que se inscreveram para a iniciativa depois de ser maquiado e posar para fotos.

Quem não sonharia em trabalhar em um lugar assim? Pois é esse o efeito que as organizações desejam criar quando investem numa ação desse tipo. Trata­ se da estratégia de Proposta de Valor do Emprego – aquilo que as companhias prometem aos profissionais como o diferencial de estar ali. Quando bem-feita, segundo uma pesquisa da consultoria Gartner, ela aumenta em quase 75% a competitividade da marca em atrair os melhores talentos, melhora em mais de 35% o engajamento dos funcionários e contribui para o bom resultado financeiro do negócio. A própria Sul América apresentou, em 2017, um lucro líquido 11% acima do registrado no ano anterior.

Popularmente conhecida como EVP, de Employee Value Proposition, a tática tem se mostrado tão eficaz que seis em cada dez companhias projetam investir em ações que melhorem ou fortaleçam sua marca empregadora. Ora, se o conceito vale a pena para as corporações, por que não pensar nele também para as pessoas?

Em um período em que existem incontáveis formas de o indivíduo vender sua força de trabalho – da carreira clássica em grandes corporações ao empreendimento solo – o mais importante é reforçar a empregabilidade. Afinal, quem tem uma marca pessoal forte aumenta a chance de atrair a atenção de empregadores, investidores, sócios e até clientes. Foi por isso que estudamos o que está por trás da estratégia de EVP e a adaptamos para criar a PVP, ou Proposta de Valor do Profissional. Com ela você se tornará mais atraente para o mercado de trabalho.

Construindo uma marca pessoal. 3

DESENHE SUA PVP

Vamos seguir o princípio de que a EVP é formada por cinco pilares: recompensas (salário, benefícios, reconhecimento); oportunidades (promoções e trilhas de carreira); pessoas (qualidade dos colegas e reputação da liderança); trabalho (inovação alinhamento entre o que se produz e os valores pessoais dos empregados); e organização (Marca, produtos, reconhecimento no mercado, tamanho da empresa, ética organizacional). A partir daí, fazemos uma adaptação desses pontos para a pessoa física. “Recompensas, por exemplo) poderia ser traduzida em ‘valor’: qual é o diferencial de seu trabalho? Em que você agrega valor? Pessoas, seria seu ‘estilo de interagir com os outros’, e assim por diante. O exercício é usar a EVP para planejar o próprio potencial e refletir se está ou não no lugar certo. “Globalmente, as pessoas se mostram cada vez mais interessadas em refletir sobre atributos como estilo da gestão e equilíbrio entre trabalho e vida pessoal”, diz Vitorio Bretas, conselheiro executivo da Gartner.

É um processo árduo, como disse Simon Barrow, pioneiro do conceito de EVP e presidente da consultoria inglesa People in Business, a uma publicação: “A gestão da marca empregadora trata sobre a vida em si, sobre seu futuro, sua autoestima, sua autovalorização e a daqueles em torno de   você.  Não é fácil encontrar e manter tudo isso”. Para esboçar sua PVP faça uma profunda reflexão sobre quem é e o que deseja conquistar no futuro. “Nessa hora, leve em conta seu perfil e o que vale mais: recompensa, qualidade de vida, propósito, ética, viajar muito ou ter uma liderança inspiradora?”, diz Bell Gama, sócia-fundadora da Air Employee Experience consultoria que ajudou a Sul América a planejar o dia de estrela para os funcionários. A especialista ressalta que uma coisa não exclui a outra, mas é importante impor um peso sobre o que é mais relevante. Da mesma forma como uma corporação, o profissional deve definir os predicados de sua marca.

Para Jaqueline Resch, sócia-diretora da Resch Recurso Humanos, é essencial o indivíduo se avaliar como um produto na hora de criar sua PVP. “Faça a reflexão: Onde eu venderia esse produto? Quais seriam seus principais atributos?”, diz. E vale o mesmo exercício para quem deseja empreender. Nesse caso, “preciso é preciso definir antes se a proposta de valor será construída em cima da sua imagem (seu nome próprio) ou de uma marca criada (o nome fantasia). Se você escolher a pessoa física, será interessante dar uma incrementada para tornar sua identidade mais profissional, diz Bell, da Air Employee Experience.

Feito isso, pesquise as companhias que tenham a ver com seu perfil, sejam elas as tradicionais multinacionais, sejam as arrojadas startups, independentemente de tamanho e setor de atuação. Veja como comunicam a marca como se vendem, de que forma se descrevem. Algumas fontes ajudam nesse trabalho, como os sites Love Mondays e Glassdoor, e publicações como os guias de VOCÊ S/A -As 150 melhores Empresas para Trabalhar e Melhores Empresas para Começar a Carreira. Funcionários que trabalhem nesses locais também podem fornecer detalhes. O importante é conhecer a empresa e fazer um paralelo com sua proposta de valor.

TRACE UM PLANO

O próximo passo é montar um plano de ação. A pergunta aqui é: “Como vou fazer minha oferta ao mercado?” Pense sobre como você quer ser conhecido. “Para ter destaque é preciso se tornar uma referência. Não dá para ser o melhor em tudo, então escolha um nicho e trabalhe para ser lembrado”, afirma Luiz Carlos de Queiróz Cabrera, sócio da consultoria Panelli Motta Cabrera e um dos maiores headhunters do país.

Com o objetivo de alcançar o reconhecimento e construir sua proposta de valor, o profissional deve raciocinar como uma empresa. “Ao ver um aparelho da Apple, você pensa em conectividade. Uma bolsa Chanel remete a luxo e exclusividade. Qual é a marca que você quer imprimir? Você está sendo avaliado o tempo todo e as relações são feitas de impressões”, diz Irene Azevedoh diretora de transição de carreira e gestão da mudança da consultoria Lee Hecht Harrison (LHH).

Agora chega o momento de avaliar onde está seu público-alvo. De quem você deseja chamar a atenção e onde está esse pessoal? Uma dica para isso é analisar quem compraria seu conhecimento e habilidades ou seus produtos e serviços. “Se você faz artesanato a rede fotográfica Instagram tem mais a ver com isso. Se é um vendedor e precisa aumentar as relações profissionais então é mais indicado o LinkedIn”, diz Bell. Lembrando que estar presente em todas as redes é fundamental, mas o segredo é priorizar uma, na qual você manterá conteúdo exclusivo.

Descritos os atributos e o público-alvo, vamos para a etapa de exposição. Afinal de nada adiantará aprimorar competências e decidir qual rumo seguir se isso não for divulgado às partes interessadas. “Sua marca precisa ser percebida. Se você quer resultado deve provocar o mercado. Fale sobre o que você aprendeu, estimule sua rede, mostre que está antenado e é referência em determinado assunto”, diz Cabrera.

Hoje em dia a forma mais comum de se expor é pela internet. As redes sociais, como LinkedIn até mesmo Facebook e Instagram podem impulsionar a visibilidade e atrair os contatos de forma mais rápida. Mas Cabrera, que está acostumado a contratar muitos CEOs de grandes empresas, lembra que circular em eventos e palestras é essencial para manter o bom networking.

Se você optar pelo caminho mais curto e óbvio, o LinkedIn há de lembrar que a rede é mais do que um banco estático de currículos. As chances precisam ser escavadas. A ferramenta possibilita inúmeras conexões e traz oportunidade de ampliar seu círculo. Mas, par a isso é preciso fazer uma curadoria de conteúdo, manter certa frequência de publicações, ser pertinente, verdadeiro e, de fato, estar empenhado em fazer esse canal funcionar.

HORA DA DIVULGAÇÃO

Marcas fortes produzem conteúdo próprio. Quem fica só compartilhando links e postagens alheias é porque não tem muito a dizer. Portanto, escreva sobre a saúde de seu negócio ou sobre as conquistas no atual emprego. Divulgue quantos seguidores conseguiu, quantos produtos vendeu, quais prêmios recebeu. Exponha os recordes pessoais. Dependendo de como a comunicação for dirigida ela atrairá não só os recrutadores, mas também o sócio- investidor tão desejado.

Um planejamento de recursos pode ser necessário, seja de tempo, seja de dinheiro. “Usando um cartão de crédito, dá para impulsionar as publicações para públicos interessantes para você por idade ou por geolocalização”, diz Bell. Isso porque os algoritmos usados pelo Facebook e pelo Instagram não favorecem mais posts orgânicos – forçando os usuários a pagar pelo serviço de direcionamento de mensagem. Mas com menos de 100 reais por mês é possível alavancar os resultados.

Já no LinkedIn, paralelamente às publicações, busque pessoas interessantes para se conectar. Elas podem ser desde empresários e profissionais que você “admira” até alguém com potencial para contratá-lo ou investir em seu negócio. Escreva um texto personalizado convidando-as a ingressar em sua rede; proponha um café; apresente sua ideia. Outra dica é se voluntariar para participar de projetos em outras áreas ou ir a eventos de empreendedorismo – duas iniciativas que podem lhe   abrir portas, apresentar pessoas e agregar conhecimento. “Depois disso, prepare-se para muitas reuniões e encontros, pois ainda são o melhor jeito de conseguir investimento”, afirma Bell.

COLHA OS FRUTOS

O processo de construção de imagem é longo. Logo, se nesse período e após tanta reflexão sua rota se ajustar não há problema. “As coisas mudam muito rapidamente e é preciso estar sempre atento para corrigir os rumos” diz Irene da LHH. Quando isso acontecer, elenque as habilidades as competências que precisa desenvolver – procure ser profundo ao decidir qual é seu real propósito. Seja crítico e comece a agir. Se o cargo ou empreendimento que você sonha necessita de inglês ou de um conhecimento técnico que ainda não tem, planeje como superar essa barreira. “Não se constrói uma marca pessoal de uma hora para a outra. Não desanime se a lista de melhorias necessárias for grande, elas vão colaborar para seu desenvolvimento”, diz Sérgio Margosin, gerente da consultoria de recrutamento Michel Page.

Lembre-se de que o passo a passo para construir sua marca pessoal pode ser repetido várias vezes ao longo da carreira. Para saber se está evoluindo, acompanhe os principais indicadores. Você pode considerar, por exemplo, a quantidade de convites para cafés ou palestras como um indicador de bom desempenho. O LinkedIn, por exemplo, mostra gráficos de engajamento das postagens e ajuda a medir o nível de interação com a rede.

Mas nada disso terá valia se suas atitudes não estiverem alinhadas com seus valores. No mundo corporativo, as marcas mais lembradas e as que atraem mais gente são aquelas que têm um propósito forte e verdadeiro. Da mesma forma, na PVP o mais importante é entender quem você é e o que realmente quer. Quando há um alinhamento entre imagem e crenças, todo mundo se atrai por aquele produto. Nesse caso, o produto é você”.

Construindo uma marca pessoal. 5

POR DENTRO DA PVP

COMO CONSTRUIR SUA PROPOSTA DE VALOR PROFISSIONAL

PASSO 1: REFLITA SOBRE A CARREIRA

Dedique um tempo para pensar sobre o que você já atingiu em sua trajetória profissional e quais objetivos deseja alcançar. Avalie o que lhe daria satisfação: atuar numa nova área? Empreender? Estar numa empresa com perfil da atual? Mudar o enfoque de sua atividade: Seja sincero consigo mesmo.

PASSO 2: MAPEIE OS PROBLEMAS

Identifique as fraquezas que precisam ser superadas para conquistar seu objetivo. Pesquise cursos, converse com pessoas experientes e crie uma rotina de desenvolvimento.

PASSO 3: TRACE UM PLANO

Enquanto se desenvolve, coloque em prática algumas ações para dar visibilidade às suas competências e atributos. Defina a estratégia que mais combine com seu objetivo: gravar vídeos no YouTube, escrever no LinkedIn, participar de eventos, voluntariar-se para palestras, ter uma agenda periódica de encontros com pessoas que possam ajudá-lo a se tornar uma referência em sua área. O importante é mostrar ao mundo o que você tem a oferecer.

PASSO 4: MEÇA O RESULTADO

O mercado e as pessoas mudam constantemente, por isso é preciso com certa periodicidade revisitar suas escolhas. Dito isso, é fundamental acompanhar os indicadores de sua marca pessoal, como o número de seguidores, os convites para palestrar, os contatos para networking, os comentários nas publicações.

 

EMPREGO GARANTIDO

Três atitudes para aumentar sua empregabilidade

MANTENHA-SE ATUALIZADO

Além de apostar na educação contínua, acompanhe artigos, reportagens e eventos sobre o setor de interesse. Defina o segmento no qual se destacar e trabalhe para ser a verdadeira referência sobre o assunto. Isso também vale para os momentos de transição de carreira. Ser um destaque na área pretendida atrai recrutadores.

EXPLORE SUAS COMPETÊNCIAS.

Faça um diagnóstico sobre seus pontos fortes e fracos. Seja honesto e busque formas de aprimorar as competências em baixa. Aceite desafios para criar habilidades e fortalecer as que você já tem. Não espere ser descoberto! Mostre as pessoas ao redor que você está disponível.

ALIMENTE SUA REDE DE CONTATOS.

Você precisa estimular os outros a lembrar de suas competências e de seu conhecimento. Faça uma curadoria de conteúdo e publique nas redes sociais, principalmente LinkedIn. Gravar vídeos comentando desafios e experiências, por exemplo, ajudam a alavancar sua marca pessoal. Participe de eventos e encontros para aumentar seu networking;

FONTE: PANELLI MOTTA CABRERA.

Construindo uma marca pessoal. 4

COMO BOMBAR NO LINKEDIN

Mais de 2 milhões de posts, vídeos e artigos percorrem o feed da rede todos os dias. Veja algumas dicas para ter destaque com sua publicação.

SEJA OBJETIVO

45% dos usuários preferem conteúdos que vão direto ao ponto.

VERIFIQUE A INFORMAÇÃO

42% afirmam que o último conteúdo consumido veio de uma fonte confiável. Por isso, cheque sempre se a informação que vai postar é verídica.

PPRIORIZE OS TEXTOS

81% dos usuários preferem ler artigos; 54% gostam de estudos de caso; 38% se sentem atraídos por infográficos (entre os mais jovens esse percentual pula para 48%).

VERIFIQUE OS HORÁRIOS

O melhor momento para postar é aquele em que há mais atividades de suas conexões. Segundo a última medição do LinkedIn, o tráfego é maior às segundas e terças-feiras, das 12 às 13 horas – mas o algoritmo está em constante mudança.

COMPARTILHE O QUE VOCÊ SABE

Publique conteúdos sobre temas que você domine. Iniciar um debate sobre um assunto do qual você esteja por fora pode prejudicar sua imagem.

MENOS É MAIS

Postar em quantidade não significa necessariamente engajar sua rede. Vale mais compartilhar um bom conteúdo uma vez por semana do que fazer vários posts ruins.

FONTE: LINKEDIN

Construindo uma marca pessoal. 2 

ESTRELA DAS REDES

O LinkedIn tem mais de 500 milhões de usuários em 200 países. A plataforma também conta com mais de 10 milhões de empregos ativos e 9 milhões de companhias inscritas. Ou seja, é a vitrine ideal para você exibir sua marca pessoal. Saiba como fazer isso.

1 – USE UMA FOTO PROFISSIONAL

Fique atento à qualidade da luz e à resolução da imagem. De acordo com o LinkedIn, um perfil com imagem atrai 21 vezes mais recrutadores. Evite improvisar com retratos em festas, férias ou selfies.

2 – PENSE EM SEU NOME

Certifique-se de que o nome de seu perfil seja o mesmo que você utiliza em seu e-mail profissional ou pelo qual você é conhecido. Essa dica é válida especialmente para pessoas com mais de um sobrenome ou nomes duplos.

3 – ESCREVA O TÍTULO PERFEITO

Abaixo do campo do nome, você pode personalizar seu título. Coloque não só seu campo de atuação, mas palavras-chave relacionadas à sua área e ao setor em que gostaria de trabalhar. Por exemplo, se trabalha com Marketing e está especializado em redes sociais, coloque “estrategista em Relações Sociais”.

4 – ENFATIZE SUA TRAJETÓRIA DE CARREIRA

As pessoas são movidas por boas histórias, e não por dados. Por isso, em “Resumo Profissional”, relate sua história de carreira, por que escolheu a profissão, o que te motiva e quais são seus propósitos. É por ali que as pessoas vão te conhecer.

5 – PERSONALIZE SUA URL

Isso aumenta a chance de você expandir sua rede de contatos. Na página de perfil, clique em “Editar Perfil Público”. Na seção “Editar a URL do seu Perfil Público”, à direita, clique no ícone “Editar”. Modifique o final da URL com seu nome.

 6 – APROVEITE OUTRAS MÍDIAS

Você pode exemplificar momentos de sua carreira colocando links de textos, apresentações e vídeos que foram importantes em sua trajetória.

 7 – PUBLIQUE SUAS IDEIAS

Quando você mostra o que pensa, atrai audiência da rede. O LinkedIn permite postar fotos, vídeos, links e escrever artigos longos. Avalie qual é a ferramenta ideal para seu público.

8 – COMPARTILHE O QUE VOCÊ ACREDITA

A lógica de qualquer rede social é o compartilhamento. Só se lembre de que tudo o que você posta deve estar relacionado a seus interesses profissionais e ser relevante para sua área de atuação.

 9 – ADICIONE PESSOAS OU EMPRESAS DE INTERESSE

Ainda que não conheça ninguém na empresa que admira, não há nenhum problema em edicionar pessoas que já trabalhem ali. Envie uma mensagem personalizada falando sobre seu interesse.

10 – RESERVE TEMPO PARA GERIR O LINKEDIN

A rede social não funciona sozinha, e você precisa se empenhar para compartilhar, escrever e adicionar contatos. Isso aumenta sua chance de visualizações de perfil.

Construindo uma marca pessoal.png

FONTE: CONSULTORIA AIR EMPLOYEE EXPERIENCE.

ALIMENTO DIÁRIO

PROVÉRBIOS 4: 20-27

Pensando biblicamente

Instruções Paternas

Tendo nos advertido a não fazer o mal, aqui Salomão nos ensina como fazer o bem. Não é suficiente que evitemos as oportunidades de pecar, mas devemos estudar os métodos do dever.

 

I – Devemos ter uma contínua consideração pela Palavra de Deus, e nos empenhar para que ela esteja sempre disponível para nós.

1. Os dizeres da sabedoria devem ser os nossos princípios pelos quais devemos governar a nós mesmos, os nossos monitores, que nos advertem sobre o dever e o perigo; e por isto,

(1) devemos recebê-los com disposição: “Às minhas razões inclina o teu ouvido” (v. 20); humildemente, curva-te a elas; ouve-as com diligência. A audição atenta à Palavra de Deus é um bom sinal da obra da graça que se iniciou no coração, e um bom meio de levá-la adiante. Deve-se esperar que estejam decididos a fazer o seu dever os que estão dispostos a conhecê-lo.

(2) Devemos guardá-las cuidadosamente (v. 21); devemos mantê-las diante de nós, como nossa regra: “Não as deixes apartar-se dos teus olhos”; examina-as, mais de uma vez, e em tudo procura estar em conformidade com elas. Devemos guardá-las dentro de nós, como um princípio dominante, cujas influências se difundem por todo o homem: “Guarda-as no meio do teu coração”, como algo precioso para ti, e que temes perder. Que a Palavra de Deus esteja escrita no teu coração, pois aquilo que está escrito ali, permanecerá.

2. A razão pela qual devemos nos preocupar tanto com as palavras da sabedoria é que elas serão alimento e remédio para nós, como a árvore da vida (Apocalipse 22.2; Ezequiel 47.12). Os que as buscam e encontram, que as encontram e as guardam, encontrarão, nelas,

(1) Alimento: “Porque são vida para os que as acham” (v. 22). Assim como a vida espiritual foi iniciada pela Palavra, como seu instrumento, também, pela mesma Palavra, ela ainda é nutrida e mantida. Não poderíamos viver sem ela; podemos, pela fé, viver dela.

(2) Remédio. Elas são “saúde, para o seu corpo”; são saúde para o homem – tanto o corpo como a alma; elas ajudam a manter ambos em boa condição. Elas são saúde para toda a carne, segundo a Septuaginta. Há o suficiente para curar todas as doenças deste mundo enfermo. Elas são um remédio para toda a carne (este é o significado da palavra), para todas as suas corrupções, pois são chamadas de carne, para todas as suas angústias, que são como espinhos na carne. Na Palavra de Deus, há remédio adequado para todas as nossas enfermidades espirituais.

 

II – Nós devemos manter um olhar vigilante e uma mão firme sobre todos os movimentos do nosso homem interior (v. 23). Aqui temos:

1. Um grande dever, exigido pelas leis da sabedoria, e para que obtenhamos e preservemos a sabedoria: “Guarda o teu coração”, com toda diligência. Deus, que nos deu estas almas, nos deu, juntamente com elas, uma rígida incumbência: Homem, mulher, guarda o teu coração; “guarda bem a tua alma” (Deuteronômio 4.9). Devemos conservar um zelo santo sobre nós mesmos, e manter uma vigilância rígida. consequentemente, sobre todos os caminhos da alma; guardar os nossos corações, impedir que firam e que sejam feridos, que sejam profanados pelo pecado e perturbados pelas aflições; devemos guardá-los como nossa joia, como nossa vinha; conservar uma consciência livre de transgressões; expulsar os maus pensamentos; conservar os bons pensamentos; conservar o interesse sobre objetivos corretos e compromissos devidos. Guardá-los, com todo cuidado (este é o significado da palavra); há muitas maneiras de guardar as coisas – com cuidado, pela força, pedindo ajuda – e devemos usar todas elas para guardar os nossos corações; e ainda assim tudo isto não será suficiente, pois eles são enganosos (Jeremias 17.9). Ou, acima de todos os cuidados; devemos guardar os nossos corações com mais cuidado e diligência do que guardamos qualquer outra coisa. Devemos guardar os nossos olhos (Jó 31.1), guardar as nossas línguas (Salmos 34.13), guardar os nossos pés (Eclesiastes 5.11. mas, acima de tudo. guardar os nossos corações.

2. Uma boa razão apresentada para este cuidado: “Porque dele procedem as saídas da vida”. De um coração bem guardado, fluirão coisas vivas, bons produtos, para a glória de Deus e a edificação dos outros. Ou, em geral, todas as ações da vida fluem do coração, e, por isto, guardá-lo é fazer com que a árvore seja boa e as fontes sejam sadias. As nossas vidas serão regulares ou irregulares, confortáveis ou desconfortáveis, conforme os nossos corações sejam guardados ou negligenciados.

 

III – Devemos colocar uma sentinela diante da porta dos nossos lábios, para que não cometamos transgressões com a nossa língua (v. 24): “Desvia de ti a tortuosidade da boca e alonga de ti a perversidade dos lábios”. Sendo os nossos corações naturalmente corruptos, deles uma grande dose de comunicação corrupta pode surgir, e por isto devemos conceber um grande temor e ódio a toda forma de palavras más, maldições, juramentos, blasfêmias, palavrões, mentiras, calúnias, discussões, imundícies, e conversas tolas, uma vez que tudo isto vem de uma boca tortuosa e de lábios perversos, que não se deixam governar nem pela razão nem pela religião, mas contradizem a ambas, e que são tão desagradáveis e não favorecidos diante de Deus como o é uma boca distorcida e tortuosa diante dos homens. Todas as formas de pecados da língua, nós devemos, por constante vigilância e firme determinação. afastar de nós. apartar de nós, abstendo-nos de todas as palavras que tenham alguma aparência de mal, e temendo aprender essas palavras.

 

IV – Devemos fazer um concerto com os nossos olhos: “Os teus olhos olhem direitos, e as tuas pálpebras olhem diretamente diante de ti” (v. 25). Que os teus olhos se fixem, e não se desviem; que não vagueiem, buscando cada coisa que se apresenta, pois então serão desviados do bem e atraídos pelo mal. Desvia-os, impedindo que contemplem a vaidade; que o teu olho seja um só, e não dividido; que as tuas intenções sejam sinceras e uniformes, e não olhem, disfarçadamente, para nenhum objetivo secundário. Devemos conservar os nossos olhos voltados ao nosso Mestre, e procurar ser aprovados por Ele; conservar os nossos olhos sobre a nossa lei, e andar em conformidade com ela; conservar os nossos olhos em nossos objetivos, o prêmio da nossa chamada mais elevada, direcionando todos os nossos recursos para que possamos alcançá-los.

 

V – Devemos agir com ponderação, em tudo o que fizermos (v. 26): “Pondera a vereda de teus pés··. examina-a (este é o significado da palavra); coloca a Palavra de Deus em um prato da balança, e tudo o que fizeste, ou pensas fazer, no outro, e vê se estão equilibrados; sê minucioso e crítico ao examinar se o teu caminho tem sido bom, diante do Senhor, e se terminará bem. Nós devemos considerar os nossos caminhos passados, e examinar o que fizemos, e os nossos caminhos atuais, o que estamos fazendo, para onde vamos, e verificar se andamos de maneira prudente. Devemos considerar quais são os deveres e as dificuldades, quais são as vantagens e os perigos do nosso caminho, para que possamos agir de maneira adequada. “Nada façais precipitadamente!” (Atos 19.36, na versão RA).

 

VI – Devemos agir com firmeza, cautela e consistência: “Todos os teus caminhos sejam bem ordenados” (v. 26), e não sejas instável neles, como acontece com o homem indeciso; não hesites entre duas opções, mas prossiga em um caminho de obediência cada vez mais uniforme: “não declines nem para a direita nem para a esquerda”, pois há erros nos dois lados, e Satanás consegue os seus objetivos se fizer com que nos desviemos, para qualquer um destes. Seja muito cuidadoso para retirar o teu pé do mal; toma cuidado com os excessos, pois nele está o mal, e conserva os teus olhos à frente, para que possas seguir o caminho dourado. Os que desejam ser aprovados como sábios devem ser sempre vigilantes.

PSICOLOGIA ANALÍTICA

OS RESTOS DO AMOR NO TRIBUNAL

Muito se fala e se espera de viver boas relações, como se, uma vez consolidadas, não precisassem de investimento e manutenção, e ainda assim não ter garantia de sucesso.

Os restos do amor no tribunal.jpg

E viveram felizes para sempre! Só essa frase já dá “pano pra manga”. A experiência em perícia psicológica demonstra que uma das principais queixas observadas nos estudos psicológicos nos processos de separação é a falta de diálogo e entendimento acerca do que é e do que se espera individualmente de uma relação. Normalmente, esses assuntos não são conversados pelo casal, são demandas e expectativas ao outro que surgem em meio às discussões como exigências sem nunca terem sido ditas.

No divórcio, os envolvidos desejam recuperar seus sentimentos como moedas investidas e corrigidas com juros numa relação que ruiu.

Talvez se pudermos pensar que um “para sempre” exige um dia de cada vez, e que relacionamento não é algo estagnado, fique mais palatável compreender por que o fim de um casal pode ser tão dolorido. E vamos mais adiante: por que os restos do amor vão parar no Tribunal de Justiça e não em um consultório psicológico, que seria o lugar mais adequado para discutir os fantasmas da relação, as dificuldades e restos do casal, a reorganização de uma identidade e as questões familiares?

Seria importante que a Vara de Família pudesse ser utilizada para homologar os acordos já elaborados psiquicamente e outrora estabelecidos em termos da lei, entre sujeitos emocionalmente conscientes e responsáveis, todavia não funciona assim, porque estamos falando de seres humanos com sentimentos e emoções. Essa noção de que a soma de dois mais dois em Psicanálise pode dar qualquer resultado é a grande ajuda que o corpo de psicólogos e psicanalistas oferece aos magistrados. Que é a noção do conflito psíquico.

Muitas vezes é de fato necessário um processo judicial, mas em outras não. Distinguir uma necessidade da outra é um trabalho delicado que vai exigir habilidade em lidar com perdas, sensibilidade e maturidade. Sabemos que, em muitos casos, somente com a intervenção jurídica será possível um divórcio em termos da lei. Digo em termos da lei porque é muito comum observar sujeitos que se divorciam no papel, mas continuam vinculados psiquicamente, demonstrando que a separação emocional ainda não ocorreu e que pode não ocorrer se não existir um acompanhamento psicológico.

Quando se trata de uma relação que se rompeu, e pensar o que será feito com os restos do amor. É comum notar nas perícias psicológicas dos processos judiciais a transformação do amor em ódio, que passa a governar a vida de muitos sujeitos, fazendo com que a elaboração do luto seja difícil de ocorrer. Se antes eram vinculados/ligados pelo amor, agora passaram a se vincular através do ódio, tornando complicada a separação. Misturado a isso, tem a relação com os filhos, que embolados nessa situação dos pais se deparam com uma quebra de continuidade na preservação e apoio no desenvolvimento emocional.

Não tem mágica, falar em separação e viver a separação são formas de deparar-se com a travessia do sofrimento, da angústia, do medo, da solidão, da ansiedade e muitos outros sentimentos que ficam mais aflorados. Esses sentimentos precisarão ser encarados um a um na elaboração do luto. E nesse ponto que se observa que o Judiciário, que não é uma instituição de saúde mental, não é o melhor lugar para tratar desses assuntos. Entretanto, esses quesitos surgem no Tribunal de Justiça misturados às disputas judiciais justamente porque foi o único lugar que conseguiram para falar a respeito dessas dores – ainda que mescladas às questões jurídicas. Separar essas demandas e observar o lugar de cada um na trama psicológica daquela composição familiar serão atribuições do perito psicólogo.

Diante da possibilidade de separação do casal observa-se que são arremessados no Tribunal de Justiça as queixas e os ressentimentos acerca de um projeto ou de uma idealização fracassada. Ora, idealizações são sempre um convite ao fracasso.

É naturalmente compreensível que o magistrado seja convidado a ocupar um lugar de pai organizador na função de devolução ao casal de determinado equilíbrio, que por qualquer motivo deixou de existir. Esse não é exatamente o lugar do magistrado, mas de algum modo é nele que é depositado esse papel subjetivo.

E fica ainda mais complexo quando dessa relação existem filhos. Nota-se que o grau de dificuldade na elaboração de todo esse contexto é maior. Justamente porque aquele casal conjugal terá que passar por uma nova reorganização, criando­ se tão somente um casal parental, e, se tudo der certo, um casal parental cordial em benefício da prole.

É observado com grande frequência o entrave na comunicação e na qualidade desta entre o antigo casal. Ambos se perdem em meio às brigas, confundem questões relacionadas à situação econômica com questões acerca dos filhos, se maltratam muitas vezes com agressões verbais e físicas.

Nas perícias psicológicas são notórias a necessidade que os envolvidos têm de estarem certos a respeito de suas posições e a pouca abertura para escutar a versão do outro. Não há dúvida de que ao falarmos em separação haverá perdas econômicas e emocionais, renúncias e ganhos.

Ao se deparar com a separação estamos diante de um novo cenário com aspectos positivos e negativos que deverão ser avaliados com cautela, maturidade e preservação emocional dos filhos dentro do lugar que compete a eles, e não misturados aos pais. E de uma manutenção segura dos vínculos parentais que as crianças precisam para seu desenvolvimento emocional.

As dificuldades existem, mas com calma, disposição e orientação adequada e profissional é possível administrá-las e viver feliz.

OUTROS OLHARES

5 APLICATIVOS INOVADORES PARA CEGOS

A tecnologia pode ajudar a melhorar a qualidade de pessoas com deficiência. Selecionamos cinco aplicativos para Android e iPhone para pessoas com problemas de visão ou cegas, a maioria deles gratuita.

5 Aplicativos inovadores para cegos

1. BLIND TOOL

Criado pelo cientista da computação Joseph Cohen, pesquisador da Universidade de Massachusetts, o aplicativo reconhece objetos. Funciona da seguinte maneira: o usuário deve apontar o celular para seu entorno até senti-lo vibrar. Isso significa que o aplicativo detectou um objeto reconhecível e pode verbalizar qual é. Essa leitura de objetos tridimensionais é feita por uma rede neural artificial capaz de relacionar o que está diante da câmera do aparelho com imagens armazenadas em um banco de dados, buscando semelhanças. O sistema, claro, está sujeito a erros, mas é programado para descrever o objeto apenas se há possibilidade de ao menos 30% de acerto. O Blind Tool é gratuito e está disponível para sistema Android no Google Play.

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2. BE MY EYES

Esse aplicativo é especialmente interessante, pois permite que pessoas que enxergam ajudem cegos a resolver problemas pontuais, como ler uma etiqueta, um rótulo, uma conta etc. Ao se cadastrar no sistema, o usuário pode atuar como voluntário ou como alguém que precisa de auxílio. Este envia imagens em vídeo do que precisa ver; a outra pessoa responde por escrito e o aplicativo verbaliza. Be my eyes pode ser baixado gratuitamente para iPhone no iTunes.

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3. COLOR ID.

Disponível para iPhone e Android, é capaz de reconhecer os mais variados tons de cores e verbalizar (em inglês) para o usuário. Pode ajudar pessoas com baixa visão a descobrir, por exemplo, a cor da roupa que pretende usar ou se uma fruta ainda não está madura. Gratuito.

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4. I BRAILLER NOTES.

Permite digitar anotações na tela do iPad ou iPhone e compartilhá-las diretamente em braile. Basta posicionar os dedos sobre a tela que teclas dinâmicas aparecem, melhorando o conforto do usuário. A versão mais recente para iPhone custa US$ 19,99 no iTunes.

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5. ARIADNE GPS.

O GPS especialmente desenvolvido para cegos ajuda a saber onde ele está e a seguir rotas. O usuário passa o dedo sobre o mapa e o aplicativo verbaliza onde ele está e oferece as coordenadas para chegar ao destino. O celular vibra caso seja preciso atravessar um cruzamento e também sinaliza as paradas em ônibus em movimento. Disponível em vários idiomas para IPhone, por US$ 5,99.

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GESTÃO E CARREIRA

A BUSCA PELA IGUALDADE DE GÊNERO

Salários mais baixos para mulheres ressaltam a necessidade de adoção de políticas específicas.

A busca pela igualdade de gênero

Seja no nível salarial, seja na oportunidade de alcançar cargos de liderança, as desigualdades de gênero ainda persistem no mundo corporativo. Pesquisa de 2018 do portal de empregos Catho aponta que as mulheres ganham menos do que os colegas homens em todas as situações: ocupando os mesmos cargos, trabalhando nas mesmas áreas de atuação ou com os mesmos níveis de escolaridade. Nos casos de profissionais com MBA, os salários delas são, em média, 42.49% menores. Quando ocupam cargos de presidente ou diretora, as mulheres recebem 31,84% menos, também em média, do que seus pares do sexo masculino.

A pesquisa, realizada com 8 mil profissionais, mostra que as mulheres também são minoria ocupando cargos de gestão – ainda que a situação tenha melhorado em relação à mesma pesquisa realizada em 2011. As mulheres ocupam 25,85% das cadeiras de presidência (ante 22.91% em 2011) e representam apenas 27.95% das diretorias (eram 23.40% há sete anos).

Nos conselhos de administração, o gap é ainda mais profundo. O levantamento Women in the Boardroom – A Global Pespective (“Mulheres nos conselhos – uma perspectiva global”), publicado em 2017 pela consultoria Deloitte, mostra que as mulheres ocupam só 15% dos assentos dos conselhos de administração globalmente – no Brasil, são apenas 7.7%. Os números apontam para a necessidade de adoção de políticas igualitárias de salários, atração e promoção. “Estudos mostram que empresas com mulheres na liderança ou em conselhos de administração têm melhores resultados econômico-financeiros. Elas apresentam uma melhor compreensão das variáveis de cenário e tomam decisões mais acertadas no longo prazo”, diz a professora da FDC Marta Pimentel.

A busca pela igualdade de gênero. 2

ALIMENTO DIÁRIO

PROVÉRBIOS 4: 14-19

Pensando biblicamente

Advertências contra as más companhias

Alguns interpretam que as instruções de Davi a Salomão, que começam no verso 4, continuam até o fim do capítulo; na verdade, alguns entendem que elas continuam até o fim do capítulo 9; mas é mais provável que Salomão comece aqui, outra vez, se não antes. Nestes versos, tendo nos exortado a andar nos caminhos da sabedoria, ele nos adverte contra a vereda dos ímpios.

1. Nós devemos tomar cuidado com os caminhos do pecado, e evita­ los, evitar tudo o que é parecido com o pecado e conduz a ele.

2. Para fazer isto, devemos nos manter afastados dos caminhos dos pecadores, e não ter comunhão com eles. Por temor de cair em caminhos de pecado, devemos evitar a companhia dos ímpios. Aqui, temos:

 

I – A advertência propriamente dita (vv. 14,15). 1. Nós devemos evitar o envolvimento com o pecado e com pecadores: “Não entres na vereda dos ímpios”. O nosso professor, tendo, como um guia fiel, nos mostrado as carreiras direitas (v. 11), aqui nos adverte sobre os atalhos pelos quais corremos o risco de ser desviados. Que aqueles que foram bem-educados, e treinados no caminho que devem percorrer jamais se desviem para o caminho que não devem seguir; que nem mesmo entrem nele, nem o experimentem, para que isto não acabe sendo uma experiência perigosa, da qual é difícil sair com segurança. Não se aventure na companhia dos que estão infectados pela praga, ainda que você se julgue protegido com um antídoto.

1. Se, em algum momento, nós formos atraídos a um mau caminho, devemos fugir dele. Se, antes que te dês conta, entrares pela porta, porque é ampla, não prossigas pelo caminho dos ímpios. Tão logo te dês conta do teu engano, retira-te imediatamente, não dês nem um passo mais, não permaneças nem um minuto mais no caminho que certamente leva à destruição.

2. Nós devemos temer e detestar os caminhos do pecado e dos pecadores, e evitá-los com o maior cuidado imaginável. Os caminhos dos ímpios podem parecer agradáveis e sociáveis, e o caminho mais curto para alcançar o fim secular que possamos ter em mente, mas é um caminho ímpio, e terminará mal, e por isto, se amas ao teu Deus, e à tua alma, evita-o; nem sequer passes por ele, para que não sejas tentado a entrar nele; e, se te encontrares próximo dele, desvia-te dele e passa de largo, e afasta-te dele, para o mais longe que puderes. A forma da expressão sugere o perigo iminente em que nos encontramos, a necessidade que temos desta advertência, e a grande importância dela, e que os nossos sentinelas são, ou devem ser, muito sinceros e fervorosos ao nos darem este aviso. Isto também sugere a distância que devemos manter do pecado e dos pecadores; ele não diz: mantém a devida distância, mas passa de largo, mantém uma grande distância, quanto mais longe, melhor; nunca penses que já estás suficientemente longe dele. Escapa-te por tua vida; não olhes para trás de ti.

 

II – As razões para se reiterar esta advertência.

1. Considera o caráter dos homens sobre cujos caminhos és advertido a evitar. São homens nocivos (vv. 16,17); não somente não se importam com o mal que fazem aos que se põem no seu caminho, como também se dedicam a fazer maldades, e obtêm o seu prazer puramente das maldades. Eles planejam e se esforçam continuamente em provocar o pecado de alguns, em arruiná­los de corpo e alma. A impiedade e a maldade estão na sua natureza, e a violência está em todos os seus atos. Eles são vingativos, ao máximo; pois,

(1) a perversidade é o seu terreno. A mesma satisfação que um homem cobiçoso tem, quando obtém dinheiro, que um homem ambicioso tem, quando obtém uma promoção, e que um homem bom sente, quando faz o bem, esta mesma satisfação tem eles, depois de dizer ou fazer algo que é ofensivo e de má índole; e eles ficam extremamente in­ quietos, se não tiverem gratificadas a sua inveja e a sua vingança, como Hamã, a quem tudo era desagradável enquanto Mardoqueu não fosse enforcado. De igual maneira, isto sugere o quanto eles se sentem inquietos e infatigáveis em suas atividades perversas; não dormem, se não fizerem mal, e foge deles o sono, se não fizerem tropeçar alguém.

(2) A maldade é seu alimento; eles se banqueteiam com ela. Eles comem o pão da impiedade (comem o meu povo como se comessem pão, Salmos 14.4) e bebem o vinho das violências (v. 17), bebem a iniquidade como a água (Jó 15.16). Tudo o que comem e bebem é obtido pelo roubo e pela opressão. Os ímpios pensam que é perdido o tempo em que não estão praticando o mal? Que os homens bons se dediquem a fazer o bem, e sintam prazer nisto. E que todos os que são sábios, e desejam o bem a si mesmos, evitem a companhia dos ímpios; pois,

[1] é muito vergonhosa; pois não há disposição de espírito que seja uma vergonha maior para a natureza humana, um inimigo maior para a sociedade humana, um desafio mais ousado a Deus e à consciência, que tenha em si mais da presença da imagem do diabo ou que seja mais útil aos seus interesses, do que um prazer em fazer o mal e atormentar, e ferir, e destruir aos outros.

[2] É muito perigosa. Evita os que se alegram em fazer o mal, pelo fato de valorizares a tua própria segurança; pois, qualquer que seja a amizade que possam fingir, em um momento ou outro te farão alguma maldade; cooperar com eles será a tua ruína (Provérbios 1.18), e eles procurarão te destruir se não cooperares. Assim sendo, afasta-te deles rapidamente.

2. Considera o caráter do caminho que és aconselhado a evitar, em comparação com a carreira direita na qual és convidado a andar.

(1) O caminho da justiça é luz (v. 18): a vereda dos justos, que eles escolheram e onde andam, é como a luz; a luz brilhará em seus caminhos (Jó 22.28), e estes caminhos lhes serão seguros e agradáveis. Cristo é o seu caminho, e Ele é a luz. Eles são guiados pela Palavra de Deus e ela é uma luz para os seus pés; eles mesmos são luz no Senhor, e andam na luz, como Ele está na luz.

[1] É uma luz brilhante. O seu caminho brilha, para eles mesmos, na sua alegria e na sua consolação; ele brilha diante dos outros, na sua honra; ele brilha diante dos homens, que veem as suas boas obras (Mateus 5.16). Eles prosseguem pelo seu caminho com santa segurança e serenidade de espírito, como os que andam na luz. É como a luz da aurora, que nascerá nas trevas (Isaias 58.8,10) e põe um fim às obras das trevas.

[2) É uma luz crescente; ela vai brilhando mais e mais, não como a luz de um meteoro, que logo desaparece, ou a luz de uma vela, que enfraquece e se extingue, mas como a luz da aurora, do sol nascente, que segue brilhando, e se eleva brilhando. A graça, o guia deste caminho, é crescente; aquele que tem as mãos limpas será cada vez mais forte. Aquela alegria, que é o prazer neste caminho, aquela honra que é o brilho deste caminho, e toda aquela felicidade que é, verdadeiramente, a sua luz, serão crescentes.

[3) E chegará, no final, ao dia perfeito. A luz da aurora acabará sendo a luz do meio-dia, e é isto que a alma esclarecida deseja. Os santos não serão perfeitos até que cheguem ao céu; eles resplandecerão como o sol quando ele sai, na sua força (Mateus 13.43). As suas graças e alegrias serão perfeitas. Portanto, é sensato que nos conservemos próximos ao caminho dos justos.

(2) “O caminho dos ímpios é corno a escuridão” (v.19). As obras das quais ele nos aconselha a não participar são obras das trevas. Que prazer e satisfação verdadeiros podem ter os que não conhece m nenhum prazer e satisfação, exceto os que sentem ao fazer o mal? Que guia confiável tem os que deixam a Palavra de Deus atrás de si? O caminho dos ímpios é escuro, e por isto, perigoso; eles tropeçam, e nem conhecem aquilo em que tropeçam. Eles caem no pecado, mas não percebem de onde veio a tentação pela qual são derrubados. e por isto não sabem como evitá-la, da próxima vez. Eles caem em dificuldades, mas nunca se pergunta m por que Deus contende com eles; eles não consideram que fazem o mal, nem quais serão as consequências disto (Salmos 82.5; Jó 18.5,6). Este é o caminho que somos aconselhados a evitar.

PSICOLOGIA ANALÍTICA

EMOÇÃO ESTIMULANTE

A paixão é um sentimento arrebatador que influencia os reflexos emocionais das pessoas e gera um poderoso combustível para a vida.

Emoção estimulante

A paixão é um dos mais poderosos combustíveis da vida humana. É por meio dela que podemos transformar qualquer obstáculo em oportunidade, sonhos em realidade e, principalmente, modificarmos nossa fisiologia a fim de atingir um estado interno de prazer, motivação, foco e determinação.

Ela tem o poder de despertar nosso melhor e, claro, nosso pior, e se calibrada estrategicamente pode ser um interessante recurso para as conquistas pessoais.

Pense comigo, onde e quando nos sentimos mais vivos, inteiros e completam ente amantes da vida em sua potência máxima? Certamente, na fase inicial de um relacionamento a dois, quando um casal se entrega sem reservas, se joga de cabeça, não vê limites para estar perto. Não interessa o horário, se é longe ou perto, se os outros pensam ou falam, o que existe para eles é o aqui e o agora, e a necessidade urgente de que esse instante, o presente, seja uma inesgotável fonte de prazer e conexão!

E por dentro de cada ser apaixonado, aquele turbilhão emocional traz consigo o coração acelerado, a sensação constante de prazer, as famosas “borboletas no estômago”, mas, especialmente, aquela expectativa em esperar alguém chegar, motivação, flow, riso fácil e sem fazer muito esforço para sentir o entusiasmo por simplesmente o dia ter surgido pela sua janela.

Os dias são mais coloridos, você percebe detalhes na vida que nunca antes havia visto, ao mesmo tempo em que outras pessoas perdem o foco e você “só tem olhos” para aquele ser. Você se sente em seu pleno potencial e com total energia, capaz de saltar montanhas! Uau, se você já viveu essa experiência, se conecte com o sentimento, pois é entorpecedor, não é? Perceba a potência que a paixão pode representar para a vida humana, para nossos projetos, trabalhos e, obviamente, para nossas relações.

Agora imagine o que uma pessoa que sente isso pode realizar? E como seria viver a vida assim, tornando esse estado emocional um padrão que se apresenta todos os dias? Nesse momento, milhares de pessoas estão experimentando essas e outras várias sensações por um único motivo:  estão apaixonadas! É por isso que eu afirmo que a paixão é um dos mais poderosos combustíveis para a vida.

E assim como a paixão acontece entre duas pessoas, é possível transpor o melhor dela para além de relacionamentos, se mantendo por mais tempo nesse estado de motivação e contemplação da vida, que permite ser sua melhor versão todos os dias (porque quando estamos apaixonados queremos entregar todo dia o que há de melhor em nós mesmos).

Mas para levar esses “sintomas” para a vida prática se faz necessário entender como a paixão funciona, qual o mecanismo que movimenta esse sentimento. Porque muito mais do que apenas sensações ou bonitos sentimentos que alcançam algumas pessoas, o estado apaixonado diz respeito a um enorme trabalho na química do nosso corpo. Uma pesquisa recente, publicada na famosa revista Journal of Neurophysiology, compara o estado apaixonado (quando rejeitado pelo parceiro) ao desejo e abstinência por cocaína, face a intensidade de reações e sensações experimentadas nesse estado apaixonado pelo cérebro.

Já conduzi inúmeros casos nos quais sintomas muito parecidos com abstinência do uso de drogas se faziam presentes em pessoas cujo término do relacionamento se deu na fase ainda inicial da paixão, por exemplo, até um ano. Se a paixão foi vivenciada intensamente, como esses sintomas a seguir, é natural que o término não consensual seja acompanhado de dor, diminuição da autoestima e sentimentos que equivalem a grandes perdas.

E se a paixão pode ser assim tão intensa e poderosa, como podemos tirar proveito ao máximo dessa experiência? Entenda comigo como ela funciona e vamos experimentar replicar os estímulos para além da relação amorosa, podendo ser um caminho muito interessante e surpreendente.

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QUESTÃO QUÍMICA

Todos os sintomas não são simples frutos de um olhar entre dois amantes que ficam “cegos em seu próprio mundo”, como falamos popularmente. Mas trata-se de reflexos de um conjunto de substâncias que o nosso corpo libera por meio de sinapses neurais, ou seja, são frutos de conexões entre nossos neurônios. Essas sinapses ocorrem o tempo todo para absolutamente tudo que realizamos em nossa vida, e através delas alguns hormônios/neurotransmissores são liberados gerando informações, as quais funcionam como verdadeiros comandos de como devemos nos sentir e de como devemos nos comportar frente aos estímulos.

Uma substância a qual podemos atribuir grande responsabilidade pelos sintomas da paixão e por essa intensa descarga emocional chama-se dopamina, conhecida popularmente como o neurotransmissor da alegria e da felicidade. Dentre as várias funções, a dopamina é responsável pelo sistema de motivação, recompensa, regulação do sono, humor e atenção. É a dopamina que tem a função de deixar você ainda mais motivado diante de uma nova paixão, mas ela também é uma das culpadas por você querer mais e mais estar com o “ser amado”, justamente por regular nossa relação com a recompensa.

E pense comigo, que melhor recompensa para um coração apaixonado do que estar mais e mais com seu objeto de paixão? E por conta dela que ficamos “nas nuvens” e nos sentimos imersos em um conto de fadas.

Podemos também observar que com a ação da dopamina em pleno vapor em nosso corpo, nosso ritmo acelera e, frequentemente, ficamos dispostos a realizar novas tarefas. E aqui está o motivo de você acordar disposto e querer iniciar academia, por exemplo.

Mas, claro, outros hormônios também estão envolvidos em um estado de paixão e desencadeiam reações químicas em nosso cérebro, como a ocitocina e a vasopressina. Essa dupla desempenha um importante papel no desenvolvimento da cognição, no comportamento social, e atua indiretamente, ocasionando uma ação antiestressora. Por conta delas, a tolerância com situações estressoras aumenta em um estado de paixão e nos faz ficar mais sensíveis e amáveis com as pessoas ao nosso redor. A ocitocina, especificamente, contribui para a diminuição de res­ postas do estresse e ansiedade em interações sociais. Um dos primeiros efeitos observados da ocitocina é a facilitação de contrações no momento do parto e a ejeção de leite durante a lactação.

Desde essa primeira descoberta, muitos estudos têm atribuído a esse hormônio o comportamento maternal e a influência da formação de laços sociais. Também é uma das grandes responsáveis pela excitabilidade fisiológica no que diz respeito às relações sexuais. E tem sido vista como responsável pelos bons relacionamentos, atuando em áreas que influenciam uma variedade de comportamentos, como aumento das interações sociais, melhora da satisfação nas relações sexuais, auxiliar na expressão das emoções, reduzindo ansiedade, estresse e agressividade.

Mas é possível observar que o estado de paixão, por assim dizer, não é algo exclusivo dos enamora­ dos. Podemos observar os mesmos sintomas e comportamentos em uma pessoa que está profundamente envolvida com sua profissão, ou ainda que sente grande prazer no que faz em atividades tidas como hobbies e de filantropia. Isso ocorre justamente porque a paixão traz consigo a sensação agradável e ao mesmo tempo subjetiva que está associada à satisfação de uma necessidade, gerando, então, o prazer.

Esses são os mesmos hormônios envolvidos no sistema de busca por recompensa, projetos profissionais, como em desencadeando a motivação e o prazer por meio de atividades desafiadoras. É muito importante nos dias atuais compreendermos que em um estado motivado nosso corpo nos conduz a fazer mais daquilo que gerou a motivação inicial. Sendo, dessa forma, que os apaixonados querem estar mais tempo juntos e ainda nunca parece ser o suficiente. O mesmo pode ser observado quando você está diante de um novo desafio profissional, algo que realmente traga a sensação de prazer e realização. Nesse caso, é possível que você passe horas realizando a tarefa, totalmente envolvido, sem querer parar.

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PARA SEGUIR O FLUXO

Observe casais enamorados, principalmente no primeiro ano de relacionamento. Você observará que quando estão passando tempo juntos, ou realizando alguma atividade a dois, parecem não se importar com o tempo que passa ou com as questões que ocorrem ao seu redor, surpreendendo-se, inclusive, por passar horas e horas conversando. O mesmo ocorre em pessoas que desenvolvem atividades das quais sentem um forte senso de propósito, seja por estarem conectadas a algo que consideram sua missão de vida ou por simplesmente sentirem prazer no que fazem, como no trabalho ou outras atividades. Frequentemente, elas passam horas entregues ao que fazem sem parecer que despendam muitos esforços e ainda pouco preocupadas com o tempo.

Se você já teve essa experiência poderá concordar comigo que a nossa noção de tempo e espaço se modifica um pouco nesses casos, não é mesmo? Aqui podemos perceber um processo que foi estudado por Mihaly Csikszentmihalyi, denominado flow (em português, fluxo ou fluir). Flow é o estado no qual o indivíduo se encontra tão envolvido em uma atividade que todo o resto parece não importar. A experiência, por mais desafiadora que seja, é tão agradável que as pessoas seguem em sua execução pela simples questão de fazê-la.

A sensação do alcance do estado de flow foi relatada durante as atividades de execução, composição e improvisação musical, como é o caso das performances de jazz, por exemplo. Fica evidente um componente similar à paixão como combustível para execução de tarefas, nas quais aspectos como atenção intensa, motivação, busca por recompensa e prazer se fazem presentes para além de uma relação a dois, sendo destinadas a diversas atividades.

O estado de fluxo se caracteriza quando você ama o que faz e está profundamente focado na atividade que realiza, sendo capaz de atingir um nível de conexão onde nada mais importa, como se naquele momento estivesse vivendo uma realidade paralela. Quanto mais um indivíduo é capaz de se dedicar às tarefas que realmente gosta, maiores se tornam suas competências em realizá-las. E, com isso, os resultados ficam cada vez melhores, além de o indivíduo mais feliz. Quando a atividade flui de forma agradável, a sensação é de que o tempo passa muito rápido. O indivíduo encerra a atividade em um estado emocional positivo, com a autoestima elevada. Já Mihaly (Csikszentmihalyi, afirma que quando alguém gosta do que faz e está inspirado e motivado a fazê-lo, focar a mente se torna mais fácil mesmo quando existem grandes dificuldades. E mais: a alta concentração em metas objetivas e compatíveis torna mais viável a experiência de fluxo.

Podemos perceber que o flow e a paixão possuem muito em comum. Quando nos colocamos a serviço de uma atividade, seja ela profissional ou pessoal, e ela nos toca, nos traz entusiasmo, amor e energia, o resultado é um fluir espontâneo, sem pressão ou controle, que ultrapassa o limite de tempo, nos permitindo aproveitar a experiência de forma inteira e usufruindo de prazer enquanto estamos envolvidos.

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PAIXÃO E PROFISSÃO

A discussão sobre ter paixão pelo que se faz, ou seja, um trabalho com propósito, tem aumentado a cada ano que passa nos ambientes corporativos e de recursos humanos. A chegada das novas gerações que buscam a famosa “realização profissional”, e não somente uma atividade que traga determinada remuneração, vem deixando a discussão e a busca por adaptação por parte das empresas ainda mais fortes e evidentes.

O desenvolvimento de ambientes de trabalho disruptivos, que promovam bem-estar, liberdade para expressão de ideias e que sejam regidos por fortes valores atrelados a um senso de propósito, que ultrapasse a barreira de “trabalho por trabalho”, tem sido muito valorizado e, inclusive, cobiça­ do pelos jovens e talentosos profissionais. Existe, sem dúvida, uma onda de jovens que descobriram em suas paixões uma forma de serem bem remunerados por aquilo que fazem por puro prazer. Mas, assim como a paixão romântica tem seus altos e baixos, a busca por prazer na profissão também. Ainda é vista uma incongruência em culturas e valores com as exigências desses novos profissionais. Assim, a adaptação tanto de empresas quanto de profissionais em alguns cenários é árdua, mas possível.

E para que haja satisfação, cada vez mais é preciso ir além das necessidades básicas, como segurança financeira, por exemplo, buscando temperar essa relação com o componente que no decorrer desse artigo chamamos de paixão. Segundo Locke, a satisfação no trabalho é fruto de um estado emocional, e por tratar-se de um estado emocional, a satisfação possui dois fenômenos: o de alegria/paixão (satisfação) e o de sofrimento/desprazer (insatisfação).

A paixão pela profissão é também vista em empreendedores, uma vez que boa parte deles opta por atividades que se identificam fortemente e se envolvem com o senso de propósito. A “paixão empreendedora” pode ser vista como um sentimento positivo intenso, acessível conscientemente, resultante do engajamento em atividades com sentido de identidade para o empreendedor. Ela promove estados intensos de fluir e total absorção em suas atividades, fazendo com que as pessoas invistam tempo e energia sem perceber como esforço. E também manifestem com frequência entusiasmo, zelo e intensa duração da sua atenção.

Similarmente a uma paixão romântica, a paixão pelo trabalho pode resultar em benefícios para o envolvido. Ela contribui para maior tolerância ao estresse, por exemplo, como resultado da ocitocina elevada. Um estado de flow que possibilita as entregas de projetos serem mais fluidas e naturais. Maior senso de dono, uma vez que esses são pro­ fissionais comprometidos e completamente apaixonados por suas criações. E, igualmente, uma sensação de estar entregue inteiramente para suas atividades em busca frequente de recompensas e desafios.

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SINAIS POSITIVOS

É possível detectar alguns sinais de que a paixão está sendo positiva para você. São eles: encontrar prazer em pequenas coisas; perceber que sua forma de ver a vida está mais positiva; ter a autoestima elevada; sentir-se mais motivado com os desafios; gerar bem-estar nos relacionamentos.

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REPLICAR O SENTIMENTO

Como poderíamos levar um “estado apaixonado” para além das relações, quem sabe replicando-o como uma forma de ver a vida apaixonadamente? Aqui, muitas correntes teóricas buscam trazer referências para um estado de bem-estar que se traduza em motivação constante, podendo ser transformada em paixão pela vida. Uma delas é a Psicologia Positiva. Essa perspectiva traz em seu cerne a ideia de intensificar emoções positivas em relação ao passado, presente e futuro como forma de criar a “felicidade autêntica”, partindo do princípio de que a felicidade, ou estado de bem­ estar, é possível se estiver baseada em um cultivo de nossas próprias forças internas (dons e talentos) e não de soluções rápidas.

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A PAIXÃO MUDA O ESTADO DO CÉREBRO

A paixão pode mexer com a nossa mente, com a química do nosso cérebro, com todas nossas emoções e, principalmente, com nossa forma prática de viver a vida, uma vez que, mesmo que não estejamos conscientes, esse processo está ocorrendo e mudando o nosso estado físico constantemente.

Dessa forma, é possível avaliar quais pontos merecem nossa atenção para criar uma vida em que os benefícios da paixão estejam presentes constantemente, seja pelo que fazemos (profissão), por outra pessoa (relacionamentos) ou até pela própria vida em uma perspectiva maior.

São eles:

UTILIZAR O CORPO: lembre-se de que a química da paixão ocorre no corpo. Assim, é possível sentir bem-estar, motivação e diminuir o estresse, utilizando a fisiologia do corpo a seu favor. Por meio do contato físico (abraço, beijos e relações autênticas) de exercícios físicos, de uma postura corporal que recrie um estado de empoderamento – peito aberto, postura ereta, respirar profundamente – e também de manter pensamentos fortalecedores no dia a dia;

ENTRE NO FLUXO: foque em atividades que tragam prazer e possibilitem acessar um estado de flow (ou fluxo);

INTENSIFIQUE EMOÇÕES POSITIVAS: por meio de técnicas que proporcionem autoconhecimento, como terapia, coaching e cursos, é possível mudar seu padrão emocional, escolhendo trazer para seu cotidiano emoções como alegria, amor, confiança, prazer, gratidão, entre outras;

FOQUE NOS SEUS TALENTOS: coloque sua energia naquilo que você é bom e no que sente grande prazer em fazer. Além de aumentar sua auto­estima, você irá experimentar a sensação de bem-estar em fazer algo que você realmente sabe que tem talento.

Eu tenho certeza de que colocando esses pontos em prática em sua vida já será possível perceber seu estado emocional mais entusiasmado e motivado. E se você já viu (e principalmente sentiu) esse “estado” ir embora ou como popularmente falamos, o “encanto acabou”, agora você já sabe dos aspectos envolvidos e, inclusive, formas de replicar esse sentimento tão poderoso e realizador. Afinal, é inegável que a paixão nos move, por isso cabe a nós conduzirmos seu destino de forma a aproveitar ainda mais a viagem que ela proporciona.

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O HORMÔNIO DO AMOR

A ocitocina costuma ser liberada quando estamos perto de nossos parceiros. Quando isso acontece, os níveis de cortisol (hormônio do estresse} diminuem no organismo. Também está intimamente ligada à sensação de prazer e de bem-estar físico e emocional e à sensação de segurança e de fidelidade entre o casal. Existem outras formas de liberar ocitocina: contato físico, beijos, abraços e relação sexual; elogios perceptivos; exercícios físicos.

OUTROS OLHARES

IMPASSES DA DISLEXIA

A dificuldade de apreensão de informações pelos métodos tradicionais pode comprometer a leitura e a escrita, causando sensação de incapacidade e baixa autoestima nas crianças que enfrentam o problema. O quadro, no entanto, não compromete a capacidade intelectual e requer apenas adequações na forma de ensinar e aprender.

Impasses da dislexia

O que personagens como o pintor e escultor Pablo Picasso, o primeiro presidente constitucional dos Estados Unidos, George Washington, a cantora Joss Stone e a atriz americana Whoopi Goldberg têm em comum? Se você respondeu sucesso em suas carreiras, acertou. Mas existe mais um ponto em com um entre eles: todos são (ou foram) disléxicos. A escritora Agatha Christie, que também enfrentava o problema, chegou a declarar: “Escrita e ortografia foram sempre muito difíceis para mim”. Até mesmo os gênios Leonardo Da Vinci e Albert Einstein apresentam sinais do quadro. A dislexia não é considerada doença ou distúrbio neurobiológico. Trata-se de um transtorno, uma espécie de desordem no processo de apreensão de informações pelos métodos tradicionais, o que dificulta a compreensão das letras e pode comprometer a leitura e a escrita. E, como o conhecimento formal, especialmente o adquirido na escola, depende muito da leitura, os disléxicos costumam encontrar grande dificuldade para acompanhar as aulas

Segundo dados da Associação Internacional de Dislexia, uma em cada dez pessoas apresenta, em algum grau, indícios de dislexia – como ler mal ou muito devagar, ter dificuldade de reconhecer letras ou, ainda, trocar as letras nas palavras. As manifestações – que podem ser erroneamente confundidas com preguiça, falta de atenção ou má alfabetização – variam de intensidade de uma pessoa para outra. Em geral, aqueles que apresentam o problema têm dificuldade de associar o símbolo gráfico e as letras ao som que representam. Não raro, têm dificuldade com lateralidade e confundem direita com esquerda, ou escrevem de forma invertida, em vez de “vovô”, “ovôv” e, no lugar de “casa”, “saca”. A dislexia também causa a omissão de sílabas ou letras como “poblema” quando o correto seria “problema”, além de confusão de letras com grafia similar. Por exemplo, n-u, w-m, a-e, p-q, p-b, b-d.

A necessidade de seguir a linha do texto com os dedos é outro sintoma de dislexia. Em razão das dificuldades de leitura, as crianças podem enfrentar dificuldades em relação a pobreza de vocabulário e se confundir com as tarefas escolares, o que muitas vezes concorre para que ocorra um atraso escolar. O quadro, porém, não afeta a capacidade intelectual. Na escola, com apoio e estímulo adequados, a criança disléxica pode aprender a lidar com as suas dificuldades e a superá-las. O importante é que pais e professores estejam atentos para encontrar a forma mais eficiente de ensinar a criança com dislexia. Os pequenos costumam ser encaminhados para avaliação cerca de dois anos após o período de alfabetização, dos 7 aos 9 anos, quando as dificuldades motoras e de compreensão, começam a aparecer. Antes disso, no entanto, alguns sinais podem indicar propensão como dificuldades para aprender a falar, andar, ou na coordenação motora fina para coisas como segurar o lápis. A alergia ao hormônio testosterona também é um sinal comum. “Caso o risco seja detectado, é importante acompanhar o desenvolvimento da criança, pois a intervenção precoce é mais eficaz”, explica Maria lnez Ocafía de Luca, neuropsicóloga e membro da equipe de avaliação para diagnóstico da dislexia da Associação Brasileira de Dislexia (ABD). “O aluno que não recebe tratamento tende a se isolar, fida com medo do aprendizado e demora mais para adquirir fluência na fala e na escrita.” Isso costuma acontecer, no entanto, quando o problema só é identificado na adolescência ou na idade adulta. A ABD ministra cursos gratuitos para educadores, mas diz que a procura é baixa.

Diagnosticar a dislexia, no entanto, não é uma tarefa fácil. ” É preciso fazer uma avaliação multidisciplinar, para ter certeza de que a dificuldade de aprendizado não está sendo causada por outros fatores, como deficiência mental ou problema de memória”, afirma Abam Topczewski, neurologista do Hospital Albert Einstein, em São Paulo, também membro da equipe de avaliação da ABD. A equipe inclui psicólogo, psicopedagogo, fonoaudiólogo e o próprio neurologista. O psicólogo tem o papel de avaliar se a criança tem capacidade intelectual normal. O psicopedagogo verifica a capacidade de organização, a leitura e a escrita, áreas em que o disléxico geralmente apresenta dificuldade. O fonoaudiólogo checa a capacidade de transpor a fala em escrita e vice -versa, bem como a compreensão auditiva, equilíbrio, coordenação motora, organização espacial, atenção, memória. Por fim, o neurologista examina imagens de ressonância magnética funcional, durante atividades de leitura, audição ou reconhecimento de imagens, e verifica se o funcionamento do cérebro está normal. Uma avaliação psiquiátrica também é importante, porque o disléxico tem maior probabilidade de ter outros distúrbios, algo conhecido como co­morbidade. No caso do déficit de atenção, o risco é de 70%, e para a hiperatividade, 30%. Outro fator a ser considerado é a ocorrência na família, já que é considerado um quadro com predisposição genética.

Tanto os pais quanto os professores costumam responder um questionário detalhado (anamnese), que contribui com outras informações importantes. Entre as crianças que receberam outro diagnóstico, o mais comum foi o de deficiência mental. Caso seja detectada a dislexia, ela pode ser classificada como leve, moderada ou grave. O tratamento consiste basicamente em ajudar a criança a encontrar outras maneiras de aprender. Não há uso de medicação nem a possibilidade de cura – já que não se trata de uma doença-, mas sim o desenvolvimento de estratégias para superar suas dificuldades. A criança recebe um laudo que deve ser apresentado em situações de avaliação como o vestibular ou prova de habilitação de motorista, para que lhe sejam oferecidas condições especiais nos exames.

A atuação da escola é fundamental para a recuperação. A instituição pode ajudar o disléxico por meio de medidas relativamente simples, sem a necessidade de modificar o conteúdo pedagógico, mas com adaptações de material, de acordo com o grau da dislexia. É importante, por exemplo, dar mais tempo de prova a esses alunos e ler os enunciados para ele. Textos maiores precisam ser lidos mais devagar e em partes, checando o entendimento da criança a cada passo e, em alguns casos, é preciso acompanhamento no momento de escrever as respostas. Embora tenha dificuldade de interpretar um texto, o disléxico tem o intelecto normal e excelente memória auditiva e visual. “Se você quer ensinar um disléxico a fazer brigadeiro, é melhor fazer na frente dele do que dar a receita”, afirma a neuropsicóloga Maria lnez de Luca. Outras medidas eficientes são deixar o aluno sentado mais próximo do professor e aumentar o tamanho das fontes de textos de estudo, fichas e das questões das provas. O professor também deve ser mais condescendente com os erros de escrita. Em casos acentuados, deverá elaborar atividades mais simples para a aula. Como o disléxico pode ter dificuldade com línguas estrangeiras, essa matéria deve ser descartada como critério de promoção.

Muitas escolas têm tido resultados de sucesso com os disléxicos, incluindo aí alunos que entram na universidade e se realizam plenamente em suas carreiras profissionais. “Hoje a dislexia já está bem mais divulgada, e existe conhecimento para lidar com a questão. Além disso, é um problema bastante frequente”, diz Cristina Crey, psicóloga clínica que trabalha junto a escolas particulares. “Depois de apresentado o laudo, dificilmente há rejeição da criança.”

Infelizmente, porém, essa não é uma realidade que possa ser generalizada. Embora sejam medidas relativamente simples, de modo geral as escolas não estão preparadas para identificar os disléxicos – e acolhê-los. No caso das instituições particulares, isso depende em grande parte da proposta da escola. Aquelas cujo foco principal é que os alunos passem no vestibular podem acabar deixando o disléxico para trás. “A escola é obrigada a aceitar o aluno, mas o professor não consegue cuidar de 45 crianças ou jovens e ainda dar atenção ao disléxico”, afirma a coordenadora de uma escola que segue o sistema apostilado, mas que prefere não se identificar. “Por outro lado, mesmo sem nota, a escola tem de passar o aluno, porque ele precisa ser incluído. Na prática, quando ele chega ao ensino médio, já está com muita deficiência.” No ensino público, problema semelhante acontece por outro motivo: a promoção automática. O Brasil não tem estatística para a dislexia, mas relatos de educadores indicam que a questão é grave. Muitas vezes a escola não conhece o problema e acha que o aluno é preguiçoso. E aí surge outro ponto a ser trabalhado, de preferência com um psicólogo clínico: a baixa autoestima dessas crianças. Como a ocorrência mundial é estimada em 10%, é possível pensar que inúmeras crianças com dislexia, muitas delas com plena capacidade intelectual, estão sendo deixadas para trás.

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UM PROBLEMA DA ESCOLA?

A dislexia foi registrada pela primeira vez em 1890, quando um paciente foi até o oftalmologista porque não conseguia ler, mas o médico avaliou que sua visão estava perfeitamente normal. Por esse motivo, por algum tempo foi chamada de cegueira verbal. Posteriormente, foram encontradas algumas evidências biológicas para o transtorno. A primeira delas veio a partir de estudos de anatomia que mostram que, nos disléxicos, ocorre frequentemente uma migração diferenciada dos neurônios no desenvolvimento do feto. Isso faz com que os hemisférios tenham um desenvolvimento igual, como acontece nos canhotos, em vez de diferente e com a dominância de um deles, como é o mais comum.

Imagens de ressonância magnética funcional, feitas enquanto o paciente está lendo, mostram que vias diferentes das normais são usadas por essas pessoas. Vários profissionais trabalham com a hipótese de que a dislexia seja determinada pela predisposição genética. “A probabilidade de dislexia se o pai ou a mãe tem a doença é de 50%; se ambos, 75%”, afirma Maria lnez de Luca.

Questões sobre o tema, entretanto, não são consensuais entre especialistas. “A dislexia não tem  uma causa orgânica, é um problema de aprendizado e, portanto, deve ser tratada dentro da escola”, acredita a pediatra Maria Aparecida Moysés, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). “A hipótese mais comum para o aluno com dificuldade é que ele tenha problemas familiares ou alguma deficiência. Geralmente, o universo escolar não é considerado. Em geral, são as precariedades da escola que geram um grande número de alunos com dificuldades no aprendizado”, diz Beatriz de Paula Souza, psicóloga e coordenadora do serviço de orientação à queixa escolar do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (USP). Aparentemente, no entanto, a dislexia não é uma exclusividade das escolas fracas. “A dislexia aparece também em famílias instruídas e em escolas de qualidade”, diz o neurologista Abam Topczewski.

 É PRECISO ENSINAR DO JEITO QUE ELES APRENDEM

A escola tem papel fundamental na inclusão de alunos com dificuldades de linguagem e escrita, mas para ajudá-los a se sentir seguros e aceitos é necessário esforço e disponibilidade do professor

  • A criança com dislexia tem, em geral, uma história de fracassos e cobranças que a fazem sentir-se incapaz, por isso é fundamental motivá-la ressaltando seus acertos
  • A escola deve valorizar os interesses da criança e atribuir a ela tarefas que a façam se sentir útil
  • As expressões “tente esforçar-se” ou “se concentre mais” devem ser evitadas em qualquer situação, pois a criança faz o que é capaz no momento
  • O ritmo do aluno deve ser respeitado, pois é comum a dificuldade para processar informações e pode ser necessário algum tempo para pensar e dar sentido ao que foi visto ou ouvido
  • Costumam ser úteis as orientações sobre como organizar-se no tempo e no espaço; insistir em numerosos e repetitivos exercícios de fixação não diminui a dificuldade da criança
  • As instruções de tarefas são captadas com mais facilidade se forem curtas e simples;
  • O professor deve certificar-se de que as tarefas de casa foram compreendidas e anotadas corretamente;
  • Demonstrações, imagens e filmes podem ser utilizados para enfatizar conceitos ensinados nas aulas; permitir o uso de gravador também pode ajudar
  • Ao dar explicações sobre como fazer algo, é mais eficiente posicionar-se ao lado da criança, sempre que possível
  • Não é uma boa estratégia insistir para que o aluno leia em voz alta perante a turma, pois ele tem consciência de seus erros; a maioria dos textos de seu nível é difícil para ele

(*) Informações da Associação Nacional de Dislexia

COMO OS PAIS PODEM AJUDAR? (*)

A criança é a primeira a perceber que algo está errado com ela, mas não sabe o que fazer ou explicar o que acontece. Quanto mais o tempo passar sem que tenha ajuda, maior seu sofrimento emocional. O papel dos pais é fundamental

 

  • Não busque culpados, mantenha um bom relacionamento com professore e discuta a questão com a escola
  • Ensine seu filho a fazer coisas por si próprio, como se organizar, para que tenha autonomia
  • Seja paciente com os progressos que ele fizer, quando estiver tendo atendi mento apropriado. Não espere milagres; tudo isso leva tempo, é necessário muita determinação e esforço
  • Ele poderá ficar tão cansado com o esforço que faz na escola, que precisará, eventualmente, ter um dia mais folgado
  • Nunca compare crianças e evite a superproteção
  • Qualquer que seja a idade de seu filho, leia para ele, pois muitos disléxicos não compreendem o que estão lendo
  • Digite suas anotações escolares; alguns conteúdos podem ser gravados
  • Incentive o interesse da criança por arte em geral (teatro, cinema, música etc.)
  • Assista TV e vídeos com ele e depois converse sobre o que viram
  • Elogie a criança e estimule sua confiança e a autoestima
  • Explique a ela que as pessoas têm maneiras diferentes de funciona e ela não é pior porque tem algumas dificuldades

(*) Informações da Associação Nacional de Dislexia

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NA HORA DA PROVA

A Associação Nacional de Dislexia recomenda aos professores que, ao elaborar, aplicar e corrigir as avaliações do aluno disléxico, especialmente as realizadas em sala de aula, adote os seguintes procedimentos:

  • Leia as questões junto com o estudante, de maneira que ele entenda a pergunta
  • Explicite sua disponibilidade para esclarecer eventuais dúvidas sobre a questão
  • Dê ao aluno tempo necessário para fazer a prova com calma
  • Ao recolher a prova, verifique as respostas e, caso seja necessário, confirme com o aluno o que ele quis dizer com o que escreveu, anotando suas respostas
  • Ao corrigir, valorize a produção do aluno, pois frases aparentemente sem sentido e palavras incompletas ou gramaticalmente erradas não representam conceitos ou “informações erradas

(*) Informações da Associação Nacional de Dislexia