PSICOLOGIA ANALÍTICA

A PATOLOGIA DO MOMENTO

Pesquisa mostra que os adeptos do Instagram utilizam- se do potencial comunicacional do aplicativo para dar vazão a suas necessidades narcisistas.

A patologia do momento

“Qual é o seu Instagram?” – pergunta o polido rapaz para a moça fashionista que acabara de conhecer no badalado café da esquina. “Não possuo” – ela retruca. Neste momento, um rompante de desconfiança paira no ar.

“Qual é o problema dessa pessoa?” – indaga o “Lobo Mau”. Como se já não bastassem as horas investidas, in loco, para abocanhar a primeira “Chapeuzinho Vermelho travestida de vovó inocente”, de que forma o abate poderia ter continuidade? Se a capa desta antes era vermelha, agora o que passa a colorir é o rosto do varão, repleto de raiva, insegurança e paranoia.

Seria o fim dessa anedota infantil? É claro que não. Com um bilhão de usuários ativos mundo afora, a rede social fundada há quase uma década, nos Estados Unidos, por Mike Krieger e Kevin Sytrom, parece ter atingido o seu clímax em 2018. Intitulada de “fábrica narcisista”, caça e caçador podem, com um deslizar de dedos, continuar a sua busca afetivo-patológica.

De acordo com recente estudo desenvolvido pelo pesquisador Seunga Venus Jin, do Departamento de Marketing da Sejong University, na Coreia do Sul, os adeptos do Instagram utilizam-se do potencial comunicacional do aplicativo para dar vazão às suas necessidades narcisistas, seja por meio da busca incessante de seguidores ou do frenesi por curtidas e comentários.

Na visão do especialista, o indivíduo narcisista possui grande quantidade de energia libidinal fixada na etapa do desenvolvimento psicossexual infantil em que mãe e bebê, compõem uma só unidade. É nessa fase que as pulsões sexuais são aglomeradas e direcionadas em relação ao eu do indivíduo, tomando-o mentalmente capaz de buscar os seus objetos de amor externos.

Quando há uma resolução insatisfatória neste período, produzem-se as patologias narcísicas. Assim, o psiquismo passa a operar a seguinte sentença simbólico­ metafórica de linguagem: “Como não tive forças suficientes para me integrar, utilizar­ me- ei do próprio corpo como um local paradisíaco de entorpecimento para realizar todos os meus desejos e fantasias”.

Em outras palavras, o indivíduo narcisista ainda não nasceu enquanto sujeito, restando ao mundo real um fantástico faz de conta refratário no qual ele vê a si mesmo projetado nos espelhos dos personagens que encena. É nas redes sociais, portanto, que esse elenco pode ser escolhido livre e ordenadamente sem censura para que cumpram papéis espetaculares.

Seguir as migalhas de pão até a casa da vovozinha? Para os narcisos-lobo-mau, a busca on-line por seguidores representa nada menos do que o impulso maníaco de reparação psicológica. Ora, se o interior está incompleto, faltante e desestruturado, por que não fazer da caçada uma tentativa de reconstruir os afetos que ficaram pendentes de resolução no passado?

Levar uma cestinha de flores para agradar? Já que as afeições pueris foram insuficientes, conferir um coração na bela imagem do perfil alheio, assim como esperar pelo tal reconhecimento, ameniza o sofrimento.

E por que esses olhos e orelhas tão grandes, hein, seu Lobo? Fantasiar-se, utilizando-se dos inúmeros filtros e enquadramentos esteticamente apurados, denota a necessidade de negar a realidade da falta, reconstruindo, imaginariamente, o objeto faltante ideal. Isto é: torno-me perfeito para que um outro ser iluminado, assim como eu, me livre de todas as minhas fístulas.

Por fim, aguardar pelo heroico caçador faz recordar as lamúrias postimeiras de personalidades que dependem de outrem para se salvar. Perseguidas pelo ódio do não existir e pelo vazio incapacitante, estar do lado de fora da trama Instagram­ midiática é como vivenciar uma fábula para lá de ilusionista. Afinal, para essas pessoas, quem não se mostra nunca poderá ser protagonista.

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OUTROS OLHARES

AGORA É A VEZ DELE

Pesquisadores americanos estudam o uso de um gel como anticoncepcional masculino. Sua aprovação pode representar o início de uma nova revolução sexual.

Agora é a vez dele

A pílula anticoncepcional, motor da revolução sexual deflagrada nos anos 1960, fez com que o orgasmo deixasse de ser associado ao risco de gravidez. Foi uma libertação para o prazer da mulher. No entanto, a responsabilidade de evitar a gestação tornou-se, culturalmente um encargo feminino. As alternativas disponíveis para os homens sempre foram limitadas ao uso de preservativo ou à realização de vasectomia. Vive-se a antessala de novos tempos. Um estudo liderado por pesquisadores dos Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos, aponta o surgimento de outro método: um gel que interrompe a produção de espermatozoides.

Chamado NES/T, o produto em análise, caso chegue ao mercado, será aplicado nas costas e nos ombros do homem. A formulação é composta de progestina, derivada do hormônio feminino progesterona, e de testosterona, o hormônio masculino. O papel da progestina é suprimir a produção de espermatozoides. O da testosterona é de reposição, evitando a baixa de libido e a perda muscular causada pelo composto feminino. “Há décadas os pesquisadores tentam uma fórmula anticoncepcional para os homens, mas até agora todas falharam”, diz o urologista Celso Gromatzky, do Hospital Sírio-Libanês. O maior problema era o alto índice de infertilidade provocado pelos medicamentos em teste. Aparentemente, o NES/T não ocasiona esse tipo de efeito colateral. O próximo passo é realizar uma investigação mais ampla. Os resultados finais devem ser divulgados em três anos.

Agora é a vez dele. 2

GESTÃO E CARREIRA

5 MITOS SOBRE A LIBERDADE NO TRABALHO

Ser livre é pedir demissão amanhã mesmo, não ter horário para trabalhar e ainda viajar o mundo? Não é bem assim. Às vezes, parece que alguém criou a ideia de que a verdadeira liberdade é vivida pelos influenciadores com fotos perfeitas no Instagram.

5 mitos sobre a liberdade no trabalho

O criador do Movimento Freesider, Fagner Borges, autor do livro “A Jornada da Liberdade”, explica que é possível passar a “trabalhar por conta” e escolher o próprio horário, mas é preciso se livrar de alguns mitos. “Existem algumas mentiras que impedem as pessoas de tomarem uma atitude para conquistar a liberdade e também existem mitos perigosos sobre o que significa ser livre”, conta.

O que Fagner Borges ensina é que existem dois pensamentos errados: acreditar que o mais certo e seguro é ter um emprego fixo, e acreditar que para ter total liberdade é preciso ter milhões na conta bancária e sair viajando o mundo. “É possível trabalhar, ganhar dinheiro e ainda aproveitar a vida sem sofrer com a síndrome do Instagram perfeito, mas para isso você precisa se preparar”, explica. Para deixar mais claro, o especialista rompe alguns mitos sobre a liberdade.

SER LIVRE É NÃO FAZER NADA

Engana-se quem acha que pessoas livres não trabalham nunca ou são “preguiçosas”. O que Fagner explica é que as pessoas bem-sucedidas sabem trabalhar com inteligência e produtividade. “O ideal é que você tenha menos horas de trabalho para poder ganhar mais na sua vida, e isso é uma boa notícia: você não precisa ser bilionário para se sentir livre”, explica. Por isso o importante é se livrar das distrações na hora do trabalho e aprender a delegar aquilo que não for necessário, por exemplo. “Repare que, quando você realmente precisa sair mais cedo, você faz em muito menos tempo um trabalho que geralmente demora o dia todo”, provoca.

QUEM NÃO VIAJA O MUNDO NÃO É LIVRE

Segundo Fagner, ser um Freesider – ou seja, ter liberdade de tempo, mobilidade e dinheiro – não significa necessariamente viver na estrada. “Nem todo mundo precisa ostentar o Instagram perfeito com fotos de viagens para se dizer livre”, conta. O especialista cita o caso mais comum entre os alunos do seu curso: são aqueles que encontraram nesse estilo de vida a melhor forma de criar os filhos e ter tempo para eles.

QUEM NÃO TEM TRABALHO FIXO TEM MENOS SEGURANÇA

Uma das maiores mentiras que nos contaram foi a de que ter um trabalho fixo é mais seguro do que “trabalhar por conta”. O criador do Movimento Freesider explica que, por mais que existam algumas seguranças institucionais, o empregado é como uma empresa que tem apenas um cliente. “Se você tem inúmeros clientes e ganha pelos resultados que gera, você se torna uma empresa mais valiosa, e se um dos clientes decide ‘te demitir’, você tem outros dando suporte e não se torna um desempregado do dia para a noite”, completa.

SÓ POR SER “CHEFE” JÁ É POSSÍVEL TER LIBERDADE

Outro erro que as pessoas cometem é achar que, ao ter uma empresa e funcionários, já se conquistou a liberdade. Segundo o especialista, o grande segredo para ter liberdade é mudar a forma de encarar o trabalho. “Se você continua sem saber delegar tarefas e com o mindset de que dinheiro requer trabalho em excesso, você provavelmente vai continuar preso a uma rotina que não foi você quem definiu”, conta, alertando que não é simples mudar esse pensamento.

SÓ QUEM TEM SORTE CONSEGUE LIBERDADE

Por fim, Fagner destaca que encontrar liberdade de tempo, mobilidade e dinheiro, é algo que não tem a ver com sorte. “É uma questão de se desvencilhar do medo”, explica. Ele ensina que não ter sucesso ou não alcançar a vida que se deseja está relacionado às escolhas feitas e não ao azar ou à falta de inteligência, como muitos julgam. “E as escolhas que fazemos são influenciadas pelas emoções e crenças que carregamos, como o medo que fomos ensinados a ter”, completa. Por isso, é fundamental buscar o autoconhecimento para vencer esse sentimento. “Não podemos ser medrosos que aceitam o mínimo que a vida nos dá”, conclui.

ALIMENTO DIÁRIO

PROVÉRBIOS 6: 12-19

Pensando biblicamente

As Sete Abominações

 

Aqui, Salomão nos apresenta:

I –   As características de alguém que é perverso com os homens e perigoso de lidar. Se o preguiçoso deve ser condenado. por não fazer nada, muito mais os que fazem mal, e planejam fazer todo o mal que puderem. É uma pessoa perversa que é aqui mencionada (Hebreus). Um homem de Belial; eu penso que deve ter sido assim traduzido, porque é um termo usado frequentemente nas Escrituras, e esta é a explicação. Observe:

1. Como o homem de Belial é descrito aqui. É um homem ímpio, que se ocupa de fazer o mal, especialmente com a sua língua, pois anda e trabalha os seus desígnios com uma boca perversa (v. 12), com mentiras e maldades, e oposição direta a Deus e ao homem. Ele diz e faz todas as coisas:

(1) Com muita astúcia e com maus desígnios. Ele tem a sutileza da serpente, e executa os seus projetos com grande dose de habilidade e controle (v. 13), com seus olhos, com seus pés, com seus dedos. Ele expressa a sua maldade quando não ousa falar (segundo alguns), ou melhor, assim ele executa o seu plano: os que estão ao seu redor, aos quais ele usa como instrumentos da sua iniquidade, entendem a má intenção de um piscar do seu olho, de um pisar dos seus pés, do menor movimento dos seus dedos. Ele dá ordens de transgressão, e ainda assim não se imaginaria que o fizesse, pois ele tem maneiras de esconder o que faz, de modo que não se suspeite dele. É um homem fechado, e reservado; somente conhecerão o segredo os que fizerem alguma coisa que ele desejar que façam. É um homem astuto, e ardiloso; ele tem uma linguagem própria, com que um homem honesto não está familiarizado, nem deseja estar.

(2) Com muita perversidade e má intenção. No seu coração não há tanta ambição ou cobiça, como perversidade direta, maldade e má índole. Ele não deseja enriquecer e promover-se, mas fazer o mal aos que estão perto dele. Ele está continuamente planejando uma maldade ou outra, puramente pela maldade em si – um homem de Belial, realmente, do diabo, parecido com ele não somente em sutileza, mas em maldade.

2. Qual é o seu destino (v. 15): “A sua destruição virá repentinamente; subitamente será quebrantado”; aquele que planeja maldades cairá nas maldades. A sua destruição virá:

(1) Sem aviso. Virá repentinamente; subitamente será quebrantado, para puni-lo de todas as maldades que ele fez para surpreender o povo em suas ciladas.

(2) Sem alívio. Ele será irremediavelmente quebrantado, e nunca mais ficará íntegro novamente: “será quebrantado, sem que haja cura”. Que alívio pode esperar alguém que prejudicou a toda a humanidade? Ele virá ao seu fim, e não haverá quem o socorra (Daniel 11.45).

 

II – Urna relação daquelas coisas que, de uma maneira especial, são odiosas a Deus, todas elas sendo encontradas, de modo geral, naqueles homens de Belial, a quem Salomão tinha descrito nos versículos anteriores; e a última delas (que, sendo a sétima, parece ser mencionada de maneira especial, porque é dito que são seis, e a sétima…) é parte do seu caráter – o fato de que semeia contendas. Deus abomina o pecado; Ele odeia todos os pecados; Ele nunca poderá se reconciliar com o pecado.

Ele não odeia nada, exceto o pecado. Mas há alguns pecados que ele detesta de uma maneira especial; e todos os que são aqui mencionados são prejudiciais ao nosso próximo. É uma evidência da boa vontade que Deus tem com a humanidade o fato de que estes pecados que são, de maneira particular, provocadores a Ele, são prejudiciais para o consolo da vida humana e da sociedade. Portanto, os homens de Belial devem esperar que a sua destruição venha repentinamente, e sem cura, porque os seus costumes são do tipo que o Senhor odeia, e são abomináveis para Ele (v. 16). Aquelas coisas que Deus odeia não devem ser odiadas nos outros, devemos odiá-las em nós mesmos.

1. A arrogância e a insolência, o convencimento e o desprezo pelos outros – um olhar altivo. Há sete coisas que Deus odeia, e a soberba é a primeira, porque está no fundo de muitos pecados, e dá origem a eles. Deus vê a soberba no coração, e detesta vê-la ali; mas, quando ela prevalece até o ponto em que a exibição da fisionomia dos homens testemunha contra eles, porque se supervalorizam e menosprezam todos ao seu redor, ela se torna, de uma maneira especial, odiosa para Ele, pois então a soberba se orgulha de si mesma e desafia a vergonha.

2. A falsidade, e a fraude, e a dissimulação. Depois de um olhar orgulhoso nada é mais abominável para Deus do que uma língua mentirosa; nada é mais sagrado do que a verdade, e nada é mais necessário para a conduta de alguém do que dizer a verdade. Deus e todos os homens de bem detestam e abominam a mentira.

3. Crueldade e sede de sangue. O diabo foi, desde o princípio, mentiroso e homicida (João 8.44), e por isto, da mesma maneira como uma língua mentirosa, também as mãos que derramam sangue inocente são odiosas para Deus, porque nelas está a imagem do diabo, e elas o servem.

4. Sutileza no planejamento do pecado, a sabedoria para fazer o mal, um coração que deseja e uma cabeça que planeja iniquidades. que está familiarizada com as profundezas de Satanás e sabe como realizar uma trama cobiçosa, invejosa, vingativa, de maneira muito eficaz. Quanto mais astúcia e controle houver no pecado, mais abominável ele será para Deus.

5. O vigor e a diligência na prática do pecado: “Pés que se apressam a correr para o mal”, como se tivessem medo de perder tempo ou estivessem impacientes com a demora em fazer uma coisa que desejam com tanta intensidade. O modo de agir e a vigilância, a sinceridade e o empenho dos pecadores, em suas buscas pecaminosas, podem nos envergonhar, a nós, que buscamos o que é bom de maneira tão inadequada e inexpressiva.

6. Dar falso testemunho, que é uma das maiores maldades que a imaginação ímpia pode imaginar, e contra a qual a proteção é menor. Não pode haver maior afronta a Deus (a quem se faz uma súplica através de um juramento), nem uma ofensa maior ao nosso próximo (de quem todos os interesses neste mundo, até mesmo os mais preciosos, estão abertos a um ataque deste tipo) do que dar intencionalmente um falso testemunho. Há sete coisas que Deus odeia, e a mentira envolve duas delas; Ele a detesta, e a detesta duplamente.

7. Fazer maldades entre parentes e próximos, e usar todos os meios perversos possíveis, não somente para alienar seus sentimentos, uns dos outros, mas para irritar suas paixões, de uns contra os outros. O Deus do amor e de paz odeia aquele que semeia contendas entre irmãos, pois Ele se alegra com a concórdia. Aquele que, pela calúnia e difamação, por inventar estórias mal intencionadas, agravando tudo o que é dito e feito, e sugerindo invejas e desconfianças, soprando as brasas das contendas, estão apenas preparando para si mesmos um fogo da mesma natureza.

 

PSICOLOGIA ANALÍTICA

COMO LIDAR COM O DIVÓRCIO

Equilíbrio, entendimento e amorosidade são fundamentais para um recomeço de vida depois da separação, por mais difícil que possa ser, pois se trata de uma fase delicada da vida da pessoa.

Como lidar com o divórcio

Mudamos muito a maneira de nos relacionar nos últimos anos, o sonho de um casamento para sempre está cada vez mais distante de fazer sentido diante do cenário atual. O divórcio, definitivamente, merece ser tratado como um processo mais natural, pois as estatísticas mais recentes mostram que um em cada três casa­ mentos termina em divórcio.

Como lidar com esse processo que a cada ano que passa vem se mostrando parte dos relacionamentos? É necessário encararmos esses índices com a grandiosidade com que eles se mostram. Em um momento de tanto conhecimento, tantas possibilidades, realmente não faz sentido seguir em um relacionamento no qual os casais juntos já não estão mais em conexão para somar em sua caminhada de vida.

Quando duas pessoas se casam estão em um momento de construção em conjunto e aprendizado. Com o passar dos anos essas mesmas pessoas já não são mais as mesmas que se uniram e nesse momento elas não têm mais a sensação de estar construindo. Passam a se anular dentro do relacionamento, o que era para ser uma soma vira um mar de críticas e cobranças. O divórcio pode ser, sim, uma maneira de resolver esse contexto e trazer um novo começo para as duas pessoas que não são mais um casal.

Perguntas do tipo como era a qualidade desse relacionamento quando ele se iniciou e como se encontra essa parceria agora podem trazer a clareza necessária para deixar de empurrar esse sofrimento e perceber que essa história já acabou há mais tempo do que você de fato percebeu.

O difícil dentro desse quadro é tomar a decisão do divórcio. Ele ainda chega com o sabor do fracasso, do relacionamento que não deu certo, das intermináveis culpas. Ainda precisamos conquistar a maturidade de olhar para o divórcio como um novo caminho e com o respeito que ele merece. As pessoas devem se divorciar com o mesmo amor e respeito que se uniram, com o mesmo entendimento em construir – só que, agora, caminhos separados. Dividir um lar com alguém, sonhos, filhos e projetos e depois esse alguém virar um mero desconhecido, ou um alvo de brigas in­ termináveis na justiça, parece não haver sentido ou congruência nesse processo.

Como lidar com o divórcio. 2

CORAGEM

É necessário ter coragem para rever um relacionamento e tomar a decisão do divórcio quando o relacionamento já não faz mais bem para as pessoas nele envolvidas. Vamos falar um pouco sobre coragem.

Nós sempre ouvimos o quanto é preciso ter coragem para vencer, coragem para tomar decisões, coragem para ser, mas, afinal, como ter coragem?

A nossa vida vai se construindo, às vezes, de forma tão automática que chega num ponto de não nos atender mais, não nos completar e não trazer felicidade. E preciso ter coragem para sair do automatismo em que vivemos. Ficamos muito mais em sonhos do que em prática. Sofremos por pensar o que poderia ser e não colocamos em prática para, efetivamente, ser. Como identificar isso?

O primeiro passo é querer viver e sentir algo diferente! Isso vale para diversos cenários, seja ele pessoal, conjugal, profissional, familiar etc. A vida cotidiana, muitas vezes, da forma como se apresenta, nos atende bem. Sendo assim, talvez a mudança não seja necessária, mas, se estou vivendo algo que não está me atendendo em algum nível, é preciso fazer uma mudança, e para tal é necessário ter coragem. Muitas vezes estamos tomados de uma sensação ou uma certeza, dentro de nós, de que as coisas podem ser diferentes, que existe um mundo melhor para se viver ou que existe um conceito melhor para se viver. Pensamos isso e não buscamos a prática. Ou seja, quanto mais insatisfeitos nós ficamos, mais complicado torna-se o olhar para que isso possa ser real um dia, e fica cada vez mais difícil acreditar que essa mudança possa existir.

Quanto maior a insatisfação, maior o aprisionamento em nossa mente!

O universo tem todas as possibilidades. Através da Física Quântica, percebemos e aprendemos que o aprisionamento de cada um – seja pela família, religião, criação etc. – vem da história de cada um, nasce e corre durante a vida. A escolha de deixar de olhar a história como prisão é parte de cada um. Nos ligar com o universo, com um fluxo, com o todo e buscar dentro da verdade de cada um o que é necessário sentir em cada história que, de repente, não está mais atendendo aquilo que se acreditava quando deu início a cada situação específica.

No caso do divórcio, não é porque um casamento acaba que quer dizer que deu errado. Ele durou e deu certo no tempo que tinha que acontecer. Nós temos o hábito de invalidar aquilo que, em algum momento, não saiu como a gente esperava. Se dentro dessa pessoa o casamento dela acabou, como ela pode desejar continuar com um parceiro, que pode querer prosseguir ao lado dela ou não, se dentro dela isso não existe mais?

Normalmente, o casamento acaba muito antes da materialização do divórcio em si. Ele acaba e, claro, as pessoas tentam se entender, recomeçar, se ajustar, se reconectar, até que chega o momento que realmente termina em divórcio.

O momento pós-divórcio percorre as cinco fases do luto, pois junto com o divórcio acontece a morte de uma história que não existe mais, de planos que deixaram de caminhar em conjunto. Essas fases são descritas na literatura pela autora Elisabeth Kubler-Ross. Essas fases não acontecem necessariamente nessa ordem. Podem acontecer em ordem alternada, podem, inclusive, ocorrer todas as fases em um único dia. São elas:

FASE DA NEGAÇÃO – Nesse período é difícil admitir o sofrimento vivido naquele exato momento. As pessoas se encontram em uma perspectiva de olhar e ter a sensação de que está tudo bem, que esse momento faz parte da vida, e ainda não olham a profundidade da dor e da mudança que está sendo vivida.

FASE DA RAIVA – Essa fase está repleta de julgamentos e mágoas. Nesse momento há uma grande cobrança do ex­ casal, em se achar culpados, buscar os erros, uma fase de colocar a raiva para fora sobre toda a parte da história que não deu certo, tentando encontrar as respostas para aquilo que já não existe mais: o relacionamento em si.

FASE DA BARGANHA – Nesse momento há uma necessidade de se retomar a relação, de conversar com as pessoas mais próximas, de reatar a história aceitando qualquer chance de voltar a viver aquela história, como se toda aquela dor já não existisse mais. Nessa hora as pessoas, na tentativa de fazer a relação sobreviver, se submetem mesmo que não concordem mais em vários pontos, como se a única chance de viver com alguém fosse reatar o relacionamento.

FASE DA DEPRESSÃO – Nesse momento as pessoas vivem um grande sentimento de derrota pela relação que acabou. A angústia e o medo ficam enormes, e elas sentem que a vida acabou para pensar em novos relacionamentos.

FASE DA ACEITAÇÃO – É quando, de fato, se aceita o que aconteceu, se aceita que o relacionamento acabou e que a vida continua, e que, sim, é possível ter uma vida após o divórcio, inclusive pensar em outro relacionamento.

Devemos lidar com o divórcio com o mesmo carinho e respeito com que o relacionamento começou. Nesta vida tudo tem começo, meio e fim, e sempre tem alguém ao nosso lado para passar os momentos difíceis e nos apoiar. Sermos gratos à oportunidade de termos nos envolvido e compartilhado um tempo de nossas vidas com outra pessoa é fundamental para seguirmos inteiros. Cada vez que se invalidam a escolha e o parceiro é uma maneira de se auto invalidar e ficar pequeno dentro de sua história.

Ficar preso ao parceiro após o divórcio, descontando sobre ele atitudes com que não concorda, fazendo provocações, mantém você preso nessa história como se ela ainda fosse real, e a vida não segue seu fluxo e movimento. É como continuar no relacionamento – só que, agora, do lado de fora.

As sensações de fracasso e de lamentação vêm, geralmente, acompanhadas de histórias que contamos para nós mesmos. Contamos para nós mentiras sobre o que vivemos e sobre como seria a história se ela ocorresse de uma maneira ou de outra. Boa parte desse sentimento e dessas suposições não é real, pois é baseada em hipóteses que nunca foram vividas de fato.

Como lidar com o divórcio. 3

PERIGO

O nosso cérebro de sobrevivência, parte do cérebro denominada cérebro reptiliano, funciona em alta velocidade para nos salvar das situações de risco. No caso do estresse é nesse local do nosso cérebro que permanecemos a maior parte do tempo. Quando o relacionamento acaba trazendo dor e tristeza, nosso cérebro busca encontrar os pontos que deram errado para nos proteger, inclusive de novas histórias que venhamos a viver. Nesse momento ficamos com pensamentos repetitivos, buscando os pontos de falha no nosso comportamento e do outro, como se fosse possível corrigir a história. Acontece que para o cérebro, a cada momento que pensamos nessa história e nessas falhas, ele tem a percepção de realidade, pois todo pensamento que temos o cérebro interpreta como real. A partir desse mecanismo, o número de vezes que se pensa nessa dor é como se você estivesse vivendo a mesma história repetidas vezes, trazendo mais e mais dor. Nesse momento, nesses pontos de erro ao longo de sua história, é que a pessoa começa a buscar saída olhando para o passado, e isso só piora a situação.

Começa a encontrar a saída melhor se tivesse se envolvido com outra pessoa e nunca iniciado esse casamento. Começa a buscar em todos os outros relacionamentos que teve o que pretendeu viver e imaginar histórias nas quais seria mais feliz se fossem reais. Ficando, assim, aprisionada em um tempo passa­ do e sofrendo, sem trazer a vida para o momento presente.

Não é possível colocar o nosso valor e a confiança que temos em nós mesmos na mão do outro que não está mais ao seu lado nem na de qualquer outra pessoa, a não ser você mesmo. Como podemos colocar o nosso valor de vida e de estima em outra pessoa, como se ela tivesse a chave de fazer com que a gente sinta que a nossa vida vale a pena ou não vale a pena?

Tem um outro aspecto importante para abordarmos neste artigo que é lidar com a frustração da expectativa e da opinião das pessoas que vivem ao nosso redor. Pensamentos comuns para essa fase: o que vão pensar essas pessoas agora que me divorciei? ; ou ainda: como vou me sentir parte de um grupo já que todos os meus amigos são casados?, entre outros diversos pensamentos e medos de não pertencer ou ter falhado sobre a história que foi desenhada para você viver. Também da parte de quem ficou bem com o divórcio, os pensamentos de culpa por ter feito mal e ter trazido prejuízo à vida da outra pessoa, que não superou o fim do relacionamento.

Uma reflexão importante para esse ponto é que a vida flui de você, a partir de você para fora de você. Assim que você estiver mais confortável com o seu processo e recuperar a sua autoestima, todas essas questões serão prontamente bem resolvidas por você. O mundo se mostra para você como um reflexo do que você traz para ele. Nesse momento é de extrema importância retomar a confiança em quem você é e ainda confiar que a vida está a seu favor e não contra você.

A vida segue no presente, e nesse tempo em que ela flui, essa inconformação e aprisionamento no tempo passado não colaboram para que a vida siga seu fluxo saudável e se vivenciem novas conexões. Ouvir amigos, parentes e pessoas que conviviam com o casal, desabafar e receber conselhos podem trazer conforto para essa fase. Mas lembre-se sempre que essa é a sua história de vida, o seu momento, e não são as outras pessoas que estarão vivendo esse processo por você. Pense sempre antes de tomar ações intempestivas que possam gerar mais frustração e arrependimento em um momento que já é por si só tão delicado.

Como lidar com o divórcio. 4

AMIZADE

Desenvolver uma amizade com aquele que foi um dia seu parceiro ou parceira, se possível, pode trazer conforto e atenção de vocês dois como parte importante um da história do outro. Se a amizade não for possível, fique com o carinho do que a história representou e siga em frente.

No caso dos filhos precisamos lembrar que a família permanece. O papai e a mamãe continuam tendo seu papel e irão conviver para sempre nesse posto juntamente com os filhos que fizeram juntos. Mais um bom motivo para trazer respeito e amorosidade ao divórcio. Quem são os filhos senão a soma do melhor de cada um dos pais e ainda geneticamente trazem de fato os 50% de cada um com eles?

E de nada adianta se divorciar eco­ locar os filhos no meio dessa história, para que eles sintam a insatisfação do papel do pai ou da mãe. Essa insatisfação é do ex-casal e faz parte da história que os adultos viveram, colocar os filhos no meio desse processo só trará mais confusão para todos, e ainda filhos inseguros em lidar com essa nova dinâmica familiar.

Seguir com brigas após o divórcio, como, por exemplo, sobre o horário combinado dos filhos e visitas, de situações que cada um reprova, e observar os erros do papel de pai e mãe que cada um está desempenhando também não somarão nada ao processo. Nesse momento é importante manter a união enquanto pais em situações de cuidado com os filhos e as intervenções necessárias para que os filhos se sintam ama­ dos, amparados e cuidados. Apontar os erros dos papéis de pai e mãe e criticar esses papéis para os filhos só trarão mais dor a todo o processo que a família está vivendo.

Após o divórcio, as pessoas saem machucadas demais e pela metade de seus processos. Já se viveu tanto uma história a dois, o passar do tempo, que muitas vezes perderam a sua individualidade e não se lembram quem são por inteiro. Muitas vezes, as pessoas se perdem em uma simbiose dentro de um relacionamento e o pavor que vivem quando acaba a história, num primeiro momento, chega a ser maior do que arrastar uma história que você sabe que não tem mais futuro e não funcionava mais de maneira saudável.

Como lidar com o divórcio. 6

SEM MODO PAUSA

A vida anda para frente o tempo todo, ela não tem modo pausa, e dedicar os próximos momentos de vida a sofrer pela história que já acabou só trará mais dor e mais tristeza. Nesse movimento da vida para frente, a única certeza que encontramos é que ela segue adiante, com todas as possibilidades de acontecer todos os dias. O mundo tem cerca de sete bilhões de pessoas com histórias muito diferentes umas das outras. Comemore o que você viveu de feliz nessa história de amor e siga adiante carregando os bons momentos no seu coração.

Um caminho a ser trilhado nesse momento que, com certeza, fará muito bem é a busca de se estar por inteiro. Ser verdadeiro com você e não abrir mão de quem você é certamente trarão a você uma satisfação de viver sua vida estando por inteiro.

Antes mesmo de se iniciar uma nova história de amor é fundamental que você se lembre de quem você era antes desse relacionamento, e que descubra quem você é agora. O que esse relacionamento trouxe de maturidade, clareza e aprendizado, e nesse momento atual da sua vida e da sua trajetória, quem é você! Quais os seus anseios, desejos, metas, e encontrar um novo propósito para auxiliar você a direcionar seus próximos passos. Um propósito seu, sem colocar a sua vida em função da perspectiva e busca de uma outra pessoa, nesse momento um olhar gentil e amoroso para você. Traga de volta para você a coragem, a mesma coragem que o colocou em algum momento a ver que aquele casamento não fazia mais sentido, traga a coragem de ser você como você é, e receba o seu amor por você por toda a sua trajetória até esse momento. Comemore as suas vitórias e planeje novas conquistas para sua vida daqui para frente.

Desenvolver o amor-próprio nessa fase é um aprendizado transformador e altruísta, pois quando você passa a se perceber e a gostar de quem você é, disponibiliza esse amor às outras pessoas. Nesse momento você encontra um novo sentido e deixa de olhar o outro como alguém a quem você entrega o poder de fazê-lo feliz, e você descobre que pode ser feliz sendo quem você é, e ainda se conectar a um novo relacionamento para sentir e viver essa felicidade, cada um estando por inteiro e não buscando alguém para cicatrizar as suas feridas. Esse processo de autoconhecimento leva a um encontro mais maduro dentro de você mesmo, com tudo o que a vida reserva para você viver. Acabou um relacionamento, uma maneira de se relacionar, e se abre uma vida para crescer e ampliar a maneira de se perceber, para, inclusive, viver uma nova história de amor.

Como lidar com o divórcio. 7 

O LUTO PÓS DIVÓRCIO

Elisabeth Kubler-Ross (1926-2004) relaciona do divórcio com o luto, pois nele acontece a morte de uma história de amor. A psiquiatra ganhou notoriedade no assunto após lançar o livro On Death and Dying (Sobre a morte e o processo de morrer), em 1969, no qual ela apresenta o conhecido “modelo de Kubler-Ross”. A obra marcou o rumo de seu trabalho. Ela identifica fases nos períodos que antecedem a morte e cria métodos para médicos, enfermeiros e familiares acompanharem e ajudarem um paciente terminal.   

Como lidar com o divórcio. 8

CÉREBRO REPTILIANO

É conhecido como sendo a parte “mais instintiva do cérebro humano”. É responsável por inúmeras decisões inconscientes, com o objetivo principal de satisfazer as nossas necessidades básicas como reprodução, dominação, autodefesa, medo, fome, fuga, entre outras. É nessa área que ocorrem os processos automáticos, como respiração e a manutenção do ritmo cardíaco. Localiza-se no tronco encefálico, no diencéfalo e nos gânglios da base.   

Como lidar com o divórcio. 9

RELAÇÃO ENTRE FÍSICA QUÂNTICA E ESPIRITUALIDADE É POLÊMICA

A Física Quântica é um campo da ciência que busca estudar fenômenos que ocorrem com as partículas atômicas e subatômicas, ou seja, que são iguais ou menores do que os átomos, como os elétrons, os prótons, as moléculas e os fótons. Não há condições de estudo dessas micropartículas pela Física Clássica, pois não são influenciadas pelas leis que a compõem, como gravidade, inércia etc. Também conhecida como mecânica quântica, surgiu no início do século XX, sendo o físico Max Planck (1858-1947) um de seus pioneiros. Contudo, foi Albert Einstein que batizou a equação de Planck de quantum (palavra latina que significa “quantidade”). A relação entre a Física Quântica e a espiritualidade é polêmica, pois reside no debate entre dois núcleos bem distintos sendo um formado pelos que acreditam na influência quântica no plano espiritual e outro pelos que negam totalmente o uso da mecânica quântica como modo de explicar a espiritualidade. Para os que defendem a existência de uma relação entre ambas, a força do pensamento humano poderia exercer um grande poder sobre a realidade individual de cada pessoa, sendo ela, com as corretas indicações, capaz de mudar o mundo ao seu redor.

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OUTROS OLHARES

TRÊS MANEIRAS DE REDUZIR O USO EXCESSIVO DO CELULAR

Três maneiras de reduzir o uso excessivo do celular

ESTABELECER METAS

Ashley Whilians, pesquisadora de ciências comportamentais da Harvard Business School testou quais aplicativos são eficazes em otimizar o tempo que se passa ao celular. Apps como Flipd, Moment e Offtime permitem que o usuário crie meias diárias de tempo de permanência em aplicativos e receba avisos quando o período estiver prestes a expirar. No caso do Flipd, se a meta para uso de um app for atingida, ele será bloqueado – e assim permanecerá, mesmo que o aparelho seja reiniciado.

 

BANIR APLICATIVOS EM HORÁRIOS IMPRÓPRIOS

O Freedom bloqueia redes sociais e jogos durante um período predeterminado – proibição que pode ser estendida a computadores e tablets conectados ao mesmo usuário.

Já o Ransomly oferece um dispositivo Bluetooth que restringe, em um espaço físico, o uso de aplicativos por aparelhos conectados à sua rede. Sincronizado com um relógio esportivo, o Ransomly também bane apps até que a meta de exercícios do dia seja atingida.

 

 CRIAR “CASTIGOS”

Segundo Ashley, as ciências comportamentais mostram que o risco de perda tende a motivar mais um indivíduo do que a perspectiva de ganhos. Por isso há aplicativos como o Beeminder, que atua no controle de vícios mais extremos. Associado a um cartão de crédito, o app cobra automaticamente multas a partir de 5 dólares por descumprimento de metas de uso do celular. A primeira derrapada, contudo, é grátis.

 

GESTÃO E CARREIRA

QUANDO MORRE A CRIATIVIDADE?

Apenas 25,6% dos entrevistados em pesquisa afirmaram que as empresas incentivam a criatividade.

Quando morre a criatividade

“Um profissional criativo e um projeto inovador na minha mesa até o fim do dia, por favor!” – Uma frase que parece um tanto quanto descabida, mas vivendo em um mundo VUCA (volátil, incerto, complexo e ambíguo) o timing de execução dos projetos está cada vez menor, e as demandas por soluções cada vez mais inovadoras e criativas estão cada vez mais rápidas e dinâmicas.

Diante dessa verdadeira pressão criativa, alguns profissionais estão insatisfeitos com o trabalho que vem fazendo e com o resultado que estão entregando. No meio dessa busca para descobrir o que está matando a criatividade, às vezes o grande vilão é o ambiente da empresa.

CENÁRIO DA CRIATIVIDADE

Uma pesquisa realizada pela Agência “Insperiência”, para saber o quanto o as empresas têm demandado de criatividade, e o quanto as pessoas acham que o ambiente de trabalho influencia na rotina criativa, mostrou que das 121 respostas apenas 5% não se consideram profissionais criativos, e mais da metade (59,5%) afirmaram que as empresas pedem para que sejam criativos ou tragam soluções criativas.

Mesmo com mais da metade das pessoas pesquisadas sendo demandadas por criatividade, apenas 25,6% afirmaram que as empresas incentivam a criatividade e só 19% inspiram as pessoas a serem criativas.

LIBERDADE E CONFIANÇA NO AMBIENTE DE TRABALHO

Ainda na pesquisa, quando questionamos as pessoas sobre o que elas achavam que deveria mudar nas empresas para criar um ambiente criativo, algumas respostas chamaram a nossa atenção:

“Deixar os profissionais exercerem sua função sem ficar determinando tudo o tempo todo sem dar autonomia.”
“Dar a devida liberdade pra a efetividade das ações”;
“Dar autonomia para seus líderes”;
“Dar liberdade para criação”;
“Dar autonomia e não matar ideias”.

Em seguida, a pesquisa questionou se as empresas dos pesquisados davam liberdade para elas, e menos da metade (só 47,9%) responderam que sim. Entretanto, um pouco mais de 60% afirmou que a empresa confia no trabalho que exercem.

CRIATIVIDADE X LIBERDADE

A criatividade vem da liberdade e da ação de propor novas soluções para algum problema de formas que ainda não foram exploradas. Se um gestor deseja que sua equipe seja criativa, ele tem que dar espaço e liberdade para que o time teste suas ideias e explore repertórios. Dessa forma, alguns métodos de gestão como o micro gerenciamento, o planejamento minucioso de cada minuto do seu dia, pode ser um veneno para a mente criativa.

Ainda relacionada à liberdade, outra mentalidade que acaba prejudicando a criatividade no trabalho é a cultura de não se arriscar e condenar o erro. Se apegar aos modelos antigos pode até evitar que erros aconteçam, mas se os funcionários sempre permanecerem limitados no trabalho, então a criatividade estará sendo restringida.

COMO CRIAR UM AMBIENTE PARA ESTIMULAR A CRIATIVIDADE

Na visão de André Barros, um dos criadores do Desimpedidos – maior canal de futebol do Youtube no mundo -, para criar um ambiente criativo, liberdade e confiança são ingredientes essenciais. “A confiança influi diretamente na liberdade para criar um ambiente inovador. A partir do momento em que as pessoas têm responsabilidade e se sentem responsabilizadas, elas tendem a ter mais atenção e mais carinho com o que está sendo feito”.