ALIMENTO DIÁRIO

JOÃO 20: 26-31 – PARTE IV

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A Incredulidade de Tomé

 

IV – A observação que o evangelista faz sobre sua narrativa, como um historiador que se aproxima de uma conclusão, vv. 30,31. Aqui:

1. Ele nos assegura que muitas outras coisas ocorreram, todas dignas de serem registradas, “muitos outros sinais, que não estão escritos neste livro”. Alguns entendem que se trata de todos os sinais que Jesus fez durante toda a sua vida na terra, todas as maravilhosas coisas que Ele disse, e todas as maravilhosas obras que Ele realizou. Mas parece mais estar limitado aos sinais que Ele fez depois da sua ressurreição, pois estes tiveram lugar somente na presença dos discípulos, que aqui são mencionados, Atos 10.41. Diversas das suas aparições não estão registradas, conforme 1 Coríntios 15.5-7. Veja Atos 1.3. Agora:

(1) Aqui podemos aproveitar esta atestação geral, de que houve outros sinais, muitos outros, para a confirmação da nossa fé. E, sendo a atestação acrescentada às narrativas em particular, eles fortalecem muito as evidências. Aqueles que registraram a ressurreição de Cristo não foram procurar evidências, para tomar provas tão pequenas e escassas como poderiam encontrar, e conjeturar sobre o resto. Não, eles tiveram evidências suficientes, e de sobra, e mais testemunhas para apresentar do que oportunidades para apresenta-las. Os discípulos, em cuja presença se realizaram estes outros sinais, deviam ser pregadores da ressurreição de Cristo a outros, e por isto era necessário que eles tivessem provas disto em abundância, para que aqueles que arriscassem a vida e tudo o que possuíssem por amor ao Senhor e à sua mensagem pudessem ter um consolo forte.

(2) Não precisamos perguntar por que os sinais não estão todos escritos, ou por que não mais que estes, ou outros, diferentes destes, pois é suficiente para nós que este texto tenha parecido bom ao Espírito Santo, por cuja inspiração foi escrito. Se esta história tivesse sido uma mera composição humana, teria crescido com uma imensidão de depoimentos e testemunhos, para provar a verdade contestada da ressurreição de Cristo, e teria havido uma longa argumentação para sua demonstração. Mas, sendo uma história divina, seus autores escrevem com uma segurança nobre, relatando o que resultou ser uma prova competente, suficiente para convencer àqueles que estavam dispostos a ser ensinados e para condenar aqueles que eram obstinados na sua incredulidade, e, se isto não satisfizer, nada mais o fará. Os homens apresentam tudo o que têm a dizer, para poderem ter credibilidade, mas Deus não o faz, pois Ele pode dar fé. Se esta história tivesse sido escrita para a diversão dos curiosos, ela teria sido mais extensa, ou cada circunstância teria embelezado a história. Mas ela foi escrita para levar os homens à fé, e o que está escrito é suficiente para atender este propósito, quer os homens a ouçam, quer a evitem.

2. Ele nos instrui no objetivo de registrar o que encontramos aqui (v. 31): “Estes relatos foram escritos, neste capítulo e no seguinte, para que creiam nestas evidências, para que possam crer que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, declarado com autoridade para sê-lo pela sua ressurreição”.

(1) Aqui está o objetivo daqueles que escreveram o Evangelho. Alguns escreveram livros para sua diversão, e os publicaram para seu proveito ou aplauso, outros, para satisfazer o humor ateniense, outros, para instruir o mundo em artes e ciências para seu benefício secular. Porém, os evangelistas escreveram sem nenhum objetivo de benefício temporal para si mesmos ou para outros, mas para levar os homens a Cristo e ao céu, e, para isto, per­ suadir os homens a crer. E por isto eles usaram os métodos mais adequados. Eles trouxeram ao mundo uma revelação divina, apoiada com as devidas evidências.

(2) O dever daqueles que leem e ouvem o Evangelho. É seu dever crer e aceitar a doutrina de Cristo, e este relato apresentado a respeito dele, 1 João 5.11.

[1] Aqui lemos que a grande verdade do Evangelho é que devemos crer – “que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus”. Em primeiro lugar, que Ele é o Cristo, a pessoa que, sob o título de Messias, foi prometido aos santos do Antigo Testamento, e esperado por eles, e que, de acordo com o significado do seu nome, é o ” Ungido de Deus”, para ser o Príncipe e o Salvador. Em segundo lugar, que Ele é o Filho de Deus, não somente como Mediador (pois então Ele não teria sido maior que Moisés, que foi um profeta, intercessor e legislador), mas anterior ao fato de que Ele era o Mediador. Pois, se Ele não fosse uma pessoa divina, dotada do poder de Deus, e com direito à glória de Deus, não teria sido qualificado para a tarefa – não teria sido adequado, nem para fazer o trabalho do Redentor, nem para usar a coroa do Redentor.

[2] Que a grande bem-aventurança do Evangelho é que devemos ter esperança – “para que, crendo, tenhais vida em seu nome”. Isto é, em primeiro lugar, para direcionar nossa fé. Devemos ter como objetivo a vida, a coroa da vida, a árvore da vida apresentada diante de nós. A vida por meio do nome de Cristo, a vida pro­ posta no concerto que é feito conosco em Cristo, é aquilo que devemos propor a nós mesmos como sendo a plenitude da nossa alegria e a recompensa abundante de todos os nossos serviços e sofrimentos. Em segundo lugar, para incentivar nossa fé e nos convidar a crer. Com o prospecto de algum grande benefício, os homens se arriscam muito. E maior benefício não pode haver além daquele que é oferecido pelas “palavras desta vida”, como é chamado o Evangelho, Atos 5.20. Isto inclui tanto a vida espiritual, em conformidade com Deus e em comunhão com Ele, como a vida eterna, na visão e no gozo dele. Estas bênçãos são recebidas através do no­ me de Cristo, pelos seus méritos e poder, e são infalivelmente garantidas a todos os verdadeiros crentes.

Autor: Vocacionados

Sou evangélico, casado, presbítero, professor, palestrante, tenho 4 filhos sendo 02 homens (Rafael e Rodrigo) e 2 mulheres (Jéssica e Emanuelle), sou um profundo estudioso das escrituras e de tudo o que se relacione ao Criador.