ALIMENTO DIÁRIO

JOÃO 20: 19-25 – PARTE III

alimento diário

Cristo com seus Discípulos

 

III – A incredulidade de Tomé, quando lhe foi feito o relato de tudo isto, motivando a segunda manifestação de Cristo.

1. Aqui está relatada a ausência de Tomé nesta reunião, v. 24. Aqui está escrito que ele era um dos doze, um participante do círculo dos apóstolos, que, embora agora fossem somente onze, já tinham sido doze, e em breve seriam doze outra vez. Eram somente onze, e um deles estava ausente. Os discípulos de Cristo nunca estarão todos reunidos, até a assembleia geral, no grande dia. Talvez a ausência de Tomé se devesse a alguma infelicidade, ou ele não estava bem, ou não tinha sido chamado, ou talvez tivesse cometido algum pecado ou tolice, ou foi distraído por negócios, ou por alguma visita, que ele preferiu a esta oportunidade, ou não veio por temer os judeus, e talvez tenha chamado de prudência e precaução aquilo que foi sua covardia. No entanto, com sua ausência, ele perdeu a satisfação de ver seu Mestre ressuscitado, e de compartilhar com os discípulos a alegria desta ocasião. Observe que sabem o que estão perdendo aqueles que se ausentam, descuidada­ mente, das assembleias solenes dos cristãos.

2. O relato que os outros discípulos lhe fazem, da visita que seu Mestre lhes tinha feito, v. 25. Na próxima vez que o viram, disseram-lhe, com suficiente alegria: “Vimos o Senhor”, e sem dúvida lhe contaram tudo o que tinha acontecido, particularmente a satisfação que Ele lhes tinha dado, mostrando-lhes suas mãos e seu lado. Aparentemente, embora Tomé não estivesse com eles naquela ocasião, ele não ficou longe deles por muito tempo. Aqueles que ficam ausentes por algum tempo não devem ser condenados como apóstatas para sempre. Tomé não é Judas. Observe com que alegria e triunfo eles contam: “‘Vimos o Senhor’, a visão mais consoladora que já tivemos”. Isto, eles disseram a Tomé:

(1) Para repreendê-lo pela sua ausência: “‘Vimos o Senhor’, mas você não o viu”. Ou, mais exatamente:

(2) Para informá-lo: ‘”Vimos o Senhor’, e desejávamos que você estivesse aqui, para vê-lo também, pois você teria visto o suficiente para ficar satisfeito”. Observe que os discípulos de Cristo devem se esforçar para edificar uns aos outros em sua fé mais sagrada, tanto repetindo o que ouviram àqueles que estavam ausentes, para que possam ouvi-lo de segunda mão, como também transmitindo o que sentiram e vivenciaram. Aqueles que, pela fé, viram o Senhor, e sentiram que Ele é gracioso, devem contar a outros o que Deus fez às suas almas, excluindo somente a ostentação.

3. As objeções que Tomé levantou contra as evidências, para justificar sua pouca disposição de aceitá-las. “Não me digam que vocês viram o Senhor vivo. Vocês são crédulos demais. Alguém fez vocês de tolos. Quanto a mim, ‘se eu não vir o sinal dos cravos em suas mãos, e não puser o dedo no lugar dos cravos, e não puser a minha mão no seu lado, de maneira nenhuma o crerei”‘. Comparando isto com o que ele tinha dito (cap. 11.16; 14.5), alguns supõem que ele era um homem de tempemamento impertinente e rude, capaz de falar com irritação, pois nem todas as pessoas boas têm um bom temperamento. No entanto, houve muitos equívocos no seu comportamento nesta ocasião.

(1) Ele não tinha prestado atenção, ou não tinha dado a devida consideração, ao que Cristo tinha dito tão frequentemente, e também ao Antigo Testamento, que dizia que Ele ressuscitaria no terceiro dia. De modo que ele deveria ter dito: “Ele ressuscitou”, embora ainda não o tivesse visto, nem tivesse falado com alguma das pessoas que o tinham visto.

(2) Ele não teve uma consideração justa com o testemunho dos seus co-discípulos, que eram homens de sabedoria e integridade, e deviam ser dignos de crédito. Ele sabia que eles eram homens honestos. Todos os dez contribuíram para o testemunho com grande confiança, e ainda assim Tomé não conseguia se persuadir a dizer que o relato deles era verdadeiro. Cristo os tinha escolhido para que fossem suas testemunhas, deste mesmo fato, a todas as nações, e ainda assim Tomé, que pertencia à sua própria fraternidade, não permitia que eles fossem testemunhas competentes, nem confiava em nada além do que pudesse ver neles. No entanto, não era sua veracidade que ele questionava, mas sua prudência. Ele temia que eles fossem excessivamente crédulos.

(3) Ele tentou a Cristo, e limitou o Santo de Israel, quando desejou ser convencido pelos seus próprios métodos, caso contrário não se convenceria. Tomé não podia ter a certeza de que as marcas dos pregos que os apóstolos lhe disseram ter visto poderiam ser tocadas por seus dedos, ou que a ferida no seu lado suportasse a colocação da sua mão, nem era adequado lidar de maneira tão rude com um corpo vivo. Ainda assim, Tomé condiciona sua fé a esta evidência. Ou isto lhe seria permitido, e ele teria sua condição fantasiosa satisfeita, ou não creria. Veja Mateus 16.11; 27.42.

(4) A declaração aberta disto, na presença dos discípulos, era uma ofensa e um desencorajamento para eles. Não era somente um pecado, mas um escândalo. Assim como um covarde produz muitos covardes, um cristão cético também leva o coração de seus irmãos a se derreter como seu coração, Deuteronômio 20.8. Se ele tivesse pensado somente este mal, e tivesse coberto a boca com sua mão, para suprimi- o, seu erro teria permanecido consigo. Mas sua proclamação da sua infidelidade, e de maneira tão peremptória, podia ter péssimas consequências para os demais, que eram apenas fracos e hesitantes.

Autor: Vocacionados

Sou evangélico, casado, presbítero, professor, palestrante, tenho 4 filhos sendo 02 homens (Rafael e Rodrigo) e 2 mulheres (Jéssica e Emanuelle), sou um profundo estudioso das escrituras e de tudo o que se relacione ao Criador.