PSICOLOGIA ANALÍTICA

SALTOS, RENDAS E OUTROS FETICHES

Preferência erótica por objetos inanimados ou partes do corpo, como pés, látex ou botas, mostra quão são enigmáticos os caminhos do desejo – e suscita controvérsias sobre os limites entre normal e patológico.

saltos, rendas e outros fetiches

Bernardo, de 40 anos, já perdeu as contas de quantas botas acumulou com o tempo, se 150 ou 200 pares. Em seu quarto, vários modelos – pretos, longos, brilhantes – estão alinhados, lado a lado.

Há variações de modelos militares, pilhas de específicos para motociclistas, indicados para fazer trilha, pares envernizados, de couro, além dos exemplares especiais de sua coleção – antigas botas de montaria inglesas que costuma usar. No entanto, Bernardo nunca montou um cavalo na vida. “Eu as uso durante a relação sexual. Elas são um fetiche para mim. “Ele adora também que seu parceiro use botas pesadas. A atração que sente por elas é tão grande que pode levá-lo ao clímax sexual mesmo sem a participação de outra pessoa.

O executivo bem-sucedido não tem problema nenhum em se classificar como fetichista. Quando, em chats na internet, procura pessoas com gosto semelhante, usa um nome que lembra o do imperador romano Gaius Germanicus (12 – 41 d.C), que recebeu o apelido de Calígula na infância por causa das botinhas (pequenas sandálias militares) que usava – quem sabe, o primeiro fetichista de botas famoso da história. No caso de Bernardo, porém, não são apenas elas que funcionam como estímulo erótico; ele se excita com couro de maneira geral. É possível pensar que há fetichismo quando, para atingir a excitação sexual ou o orgasmo, são necessários determinados objetos que lembram o corpo, partes do corpo ou estão relacionados às excreções.

Os favoritos incontestáveis da liga fetichista são os pés. Além deles, nada parece impensável no mundo colorido dos fetiches. Ao lado de clássicos como couro e borracha, utensílios como algemas, fraldas ou balões e mesmo ações como fumar podem se tornar o ponto­ chave do desejo.

Já Francisca, de 30 anos, adora vestidos de festa – não aqueles grandes, bufantes, mas os longos e justos. “Os vestidos me excitam e, quando estou usando um, imagino que fui raptada.” Ela é uma das poucas mulheres que assumem abertamente seu fetichismo. De maneira geral, a cena é dominada pelos homens. Não se sabe, porém, com exatidão qual a porcentagem de fetichistas na população, pois essa preferência surge frequentemente – isso quando o fato é mencionado nos consultórios do psiquiatra, psicanalista ou psicólogo – associada ao sadomasoquismo, voyeurismo ou exibicionismo.

saltos, rendas e outros fetiches.2

LIMITES IMPRECISOS

A distinção entre fetichismo e outras práticas sexuais costuma ser difícil, mas para os pesquisadores coloca-se principalmente a questão: a partir de que ponto uma pessoa é fetichista? Segundo o psiquiatra e terapeuta sexual Peter Fiedler, professor da Universidade de Heidelberg, na Alemanha, não é fácil definir o que pode ser considerado “normal” quando se considera o poder de atração exercido por saltos altos ou lingeries provocantes sobre homens de qualquer orientação – até porque a sexualidade é desviante por natureza, como bem assinalou Sigmund Freud.

Freud já sabia que a passagem do “normal” para o “patológico” era fluida quando escreveu, em 1905, no primeiro de seus Três ensaios sobre a teoria da sexualidade: “Certo grau de (…) fetichismo, portanto, costuma ser próprio do amor normal, principalmente naqueles estágios da paixão nos quais o objeto sexual normal parece (…) inatingível. Para ilustrar quão presente pode ser a excitação sexual pelo fetiche, ele cita um trecho do romance Fausto, de Goethe (1749 – 1832). Nele, o personagem central está consumido de amor por Margarete. Como a união não é possível, ele pede ao demônio Mefisto: “Traze-me um lenço do seu seio/Um laço ao meu ardente anseio!”. Freud só falava em perversão patológica quando o fetiche suplantava qualquer outra possibilidade de satisfação, tornando-se objeto sexual exclusivo, sem o qual o desejo não pode ser satisfeito. Nesse caso, para ele, tratava-se de uma patologia. Atualmente psicanalistas e psicólogos são mais cuidadosos em classificar um fetichismo extremo como distúrbio sexual patológico. Aquilo que é estranho ou pouco usual não precisa ser obrigatoriamente patológico.

Os fetichistas se alegram com essa tendência. Bernardo e Francisca nunca se sentiram doentes por causa de suas preferências. Seus parceiros também jamais foram ameaçados por sua predileção fetichista. Esse é um ponto decisivo para o diagnóstico de distúrbios sexuais: o comportamento da pessoa afetada em um relacionamento serve de base para averiguar se há um problema grave. Quando fetichistas respeitam seu (sua) parceiro(a) e os interesses dele(a), está tudo bem.

Antigamente, esse tipo de comportamento seria considerado patológico, ainda que trouxesse satisfação pessoal e não prejudicasse os outros. Desde os anos 90, comportamentos e preferências foram se tornando pouco a pouco socialmente aceitáveis. Desde então, o desrespeito à esfera íntima e aos direitos de terceiros passou a ser o quesito decisivo para definir o que precisa de tratamento ou não.

Apesar de quase nunca sentirem sua necessidade como patológica, os fetichistas com frequência percebem muito cedo que seu comportamento sexual tende a ser diferente do de outras pessoas. Bernardo se pergunta se queria compensar alguma coisa ou simplesmente parecer mais masculino com o visual em couro, mas não e contra explicação convincente. Eu gosto porque me excita”, resume. Francisca vê a origem de seu fetichismo na relação com a mãe, muitas vezes doente e ausente. Em retrospectiva, diz: “O homem que me rapta em minha fantasia, quando estou usando vestidos maravilhosos, é como minha mãe, um tanto misterioso, poderoso”

Ainda assim, nem Bernardo nem Francisca conseguem explicar claramente o surgimento de suas preferências. Mesmo assim, suas reflexões indicam uma importante função dos fetiches: dar-lhes segurança. Segundo teoria do pediatra e psicanalista inglês Donald W. Winnicott (1896 – 1971), seu significado tem raízes nos chamados objetos de transição dos primeiros anos de vida, a partir dos quais as crianças encontram consolo na ausência da mãe (um cobertor ou um bichinho de pelúcia, por exemplo). Essa interpretação tem um paralelo com o significado etnológico dos fetiches: navegadores portugueses na Guiné foram os primeiros a cunhar o termo ao observar como membros de tribos da África ocidental usavam amuletos para se proteger de perigos e espíritos maus. Partindo desse princípio, psicanalistas passaram a interpretar a tendência ao fetichismo sexual como consequência de uma ligação insegura ou falta de ligação com a mãe durante a infância.

O psiquiatra e psicanalista americano Robert Stoller (1925 – 1991) também localiza na primeira infância a tendência ao fetichismo de nuances sadomasoquistas. Segundo ele, experiências traumáticas, como humilhações ou surras, acrescentam novos elementos ao desejo e ao prazer na idade adulta. Essa retomada de uma situação negativa da infância, Stoller classificou de perversão. “Um fetiche é uma história disfarçada de objeto, afirmou ele em 1991 depois de ter estudado o cenário do fetichismo em Los Angeles

RAZÃO E SENSIBILIDADE

Modelos psicanalíticos esclarecedores do fetichismo se mostram bastante plausíveis aplicados a cada caso, mas não podem ser comprovados empiricamente. Além do mais, as teorias não explicam por que apenas algumas pessoas cedem ao estímulo do fetiche. Na infância, todos são sensíveis a separações e se apegam a seus cobertores. No entanto, só alguns se tornam fetichistas. Parece que tudo depende da intensidade dos afetos. E mais: será que alguns são mais suscetíveis a estímulos fetichistas que outros?

Os psicólogos já quiseram descobrir isso no século passado. Contudo, até agora, ninguém nunca cogitou seriamente em considerar a existência de uma espécie de “gene do fetichismo”. A sexualidade humana é complexa demais para que uma única variante genética possa definir traços comportamentais de modo tão profundo. Certas predisposições, porém, poderiam se desenvolver de maneira a tornar uma pessoa mais suscetível ao surgimento de um fetichismo que outras. Possivelmente é congênita a forma como alguém estrutura suas ligações com os pais ou substitutos. Algumas variantes genéticas poderiam, então, tornar uma pessoa mais suscetível e outras mais resistentes.

“EXCITAÇÃO” DE LABORATÓRIO

Se o fetichismo for mesmo filogeneticamente determinado, um modelo animal talvez ajude. Há alguns anos, o pesquisador Michael Domjan, da Universidade do Texas em Austin, realizou um experimento com codornas-japonesas (Cotumix japônica). Aos machos foram apresentados bichos de pelúcia durante a copulação com fêmeas vivas, tornando-se assim um estímulo condicionado. Curiosamente, só cerca de metade dos animais copulou com o bicho de pelúcia, após a exposição ao estimulo. Conclusão: também entre as codornas-japonesas existem indivíduos mais suscetíveis ao fetiche que outros.

O único experimento conhecido desse tipo com seres humanos data dos anos 60. Naquela época, o cientista americano Stanley Rachman tentou induzir o fetichismo em laboratório: os sujeitos de sua pesquisa eram três psicólogos solteiros aos quais ele mostrou imagens de botas longas pretas. Quando juntou às imagens fotos de mulheres nuas, Rachman pôde registrar o surgimento de excitação sexual.

Dois anos mais tarde, demonstrou em um estudo subsequente, com seu colega Ray Hodgson, que um condicionamento adicional leva ao desenvolvimento de um fetichismo leve e temporário.

A experiência mostrou que também em seres humanos é possível condicionar a excitação sexual sob condições especiais pela apresentação de determinados objetos. No entanto, não ficou claro qual a influência dos genes. Também permaneceu incomprovada a suposição do pesquisador de que a combinação de um estímulo qualquer com a estimulação sexual na infância levaria ao surgimento de um fetichismo. Além disso, não se pode explicar qual a razão de não haver um número maior de fetichistas no mundo e por que objetos como travesseiros ou cobertores não se transformam em objetos do desejo, e sim coisas associadas ao corpo (quase sempre feminino).

Alguns pesquisadores consideram a predisposição o fator mais relevante: outros estão convencidos de que a origem está em acontecimentos marcantes; e há ainda os que explicam o desejo pelo objeto por meio da inveja do pênis freudiana, da suspensão do afeto ou de vivências eróticas na infância. No entanto, sem dúvida seria muito simplista atribuir ao fetichismo uma única origem. Resta o espanto sobre o que o cérebro humano é capaz de fazer em termos de abstração, fantasia e memória.

saltos, rendas e outros fetiches.3

O PODER MÁGICO DOS OBJETOS

“Artificial”, “falso” e “magia” são os significados da palavra feitiço, da qual advém fetichismo. Navegadores portugueses utilizavam esse termo para designar imagens de deuses da África ocidental. Na segunda metade do século 18, o magistrado francês Charles de Brosses (1709 – 1777) o usou em discussões científicas, relacionando-o à crença das populações primitivas no poder de objetos.

Em 1887, o psicólogo francês Alfred Binet (1857- 1911) associou pela primeira vez fetichismo e sexualidade. Segundo ele, um objeto adquiria significado erótico porque era percebido com estímulos sexuais naturais, de forma semelhante a um condicionamento pavloviano.

Em sua obra Psychopathia sexualis, o psiquiatra Richard von Krafft-Ebing (1840 – 1902) tratou detalhadamente dos comportamentos sexuais desviantes da norma como sadismo, masoquismo e fetichismo, os quais considerava patologias. Ele adotou o ponto de vista de Binel, do surgimento da preferência durante o período de amadurecimento sexual.

Já o médico e sexólogo alemão Magnus Hirschfeld (1868 – 1935) defendia uma abordagem sexual­ biológica: sua teoria da atratividade parcial afirma que todo ser humano tem certa preferência por determinadas características em uma pessoa – ou seja, um “fetichismo saudável com diferentes intensidades. O “fetichismo patológico” surgiria, então, quando uma única característica fosse supervalorizada e isolada do parceiro. Também para Sigmund Freud (1856 – 1939), certa preferência fetichista era normal.

Diferentemente de Binet e Krafft-Ebing, o psicanalista via a origem do fetichismo na primeira fase do desenvolvimento sexual.

Apesar de, ainda hoje, haver poucos dados sobre fetichistas, a maioria dos pesquisadores supõe que essa preferência ocorre sobretudo em homens. É provável que o motivo para isso tenha sua origem na história da evolução: enquanto a sexualidade feminina se orienta tendencialmente para a relação, os homens são quase sempre excitados por um estímulo-chave erótico.

Qualquer objeto específico pode ter efeito excitante sobre um fetichista, mas, considerando que quando se trata de sexualidade as composições podem ser as mais diversas, não é possível (nem desejável) restringir as possibilidades de prazer por meio de rótulos.

Anúncios

OUTROS OLHARES

AFOGANDO EM NÚMEROS

Os meninos têm uma vantagem comparativa em matemática e ciências? A constatação é falsa: eles tentam o campo em que são menos piores.

Afogando em números.jpg

Mesmo com um ponto de interrogação, meu título “Os meninos têm uma vantagem comparativa em matemática e ciências?” provavelmente soará sexista. Estou sugerindo que os meninos são melhores em matemática e ciências do que as meninas? Não, estou sugerindo que eles talvez sejam piores.

Considere primeiro o chamado paradoxo da igualdade de gênero, ou seja, a constatação de que os países com os mais altos níveis de igualdade de gênero tendem a ter as menores proporções de mulheres em comparação a homens em cursos de ciência, tecnologia, engenharia e matemática (CTEM).

Stoet e Geary pontuam isso bem: “A Finlândia se destaca na igualdade de gênero. As adolescentes do país superam os meninos em alfabetização científica e estão em segundo lugar no desempenho educacional europeu. Com esses altos níveis de desempenho educacional e de igualdade de gênero em geral, a Finlândia estaria pronta para acabar com a discrepância que existe entre os gêneros no ensino de CTEM. No entanto, paradoxalmente, o país tem uma das maiores discrepâncias de gênero do mundo em diplomas nas áreas de ciência, tecnologia, engenharia e matemática. Noruega e Suécia, também líderes em igualdade de gênero, não estão muito atrás – menos de 25% dos graduados em CTEM são mulheres”.

(Artigos recentes descobriram que o paradoxo se mantém em outras médias de educação, tais como cursos on-line abertos e maciços e em outras médias de comportamento e de personalidade. Os créditos da pesquisa são de Rolf Degen.)

Duas explicações para esse aparente paradoxo foram oferecidas. Primeiro, os países com maior igualdade de gênero tendem a ser mais ricos e possuem Estados de Bem-Estar Social maiores que países com menor igualdade de gênero. Como resultado, menos pessoas dependem da escolha de carreira. Mesmo que os campos de CTEM paguem mais, esperamos que pequenas diferenças de personalidade, que variam de acordo com o gênero, se tornem mais aparentes à medida que a renda aumente. Parafraseando John Adams, somente em um país rico as pessoas se sentem livres para perseguir seus interesses mais que suas necessidades. Se as mulheres estão um pouco menos interessadas nos campos de CTEM do que os homens, então espera-se que essa diferença se torne mais aparente.

Uma segunda explicação se concentra em habilidade. Algumas pessoas argumentam que há mais homens com níveis extraordinários de habilidade em matemática e ciências por causa da maior variabilidade masculina – a ideia de que eles seriam tanto os melhores como os piores na maioria das competências.

Vamos colocar essa hipótese de lado. Em vez disso, vamos pensar sobre os indivíduos e suas habilidades relativas em leitura, ciências e matemática – o que Stoet e Geary chamam de pontuação intraindividual. Agora, consideremos a figura na próxima página, baseada nos dados do teste do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa), feito por, aproximadamente, meio milhão de estudantes de vários países. Concentrando-se nas cores, vermelho é para leitura, azul é para ciências e verde é para matemática. Pontuações negativas – pontuações à esquerda da linha vertical – indicam que as mulheres pontuam mais que os homens. Pontuações positivas indicam que os homens pontuam, em média, mais que as mulheres. Elas pontuam mais que eles em leitura em todos os países pesquisados. As mulheres também têm notas mais altas em ciências e matemática em alguns países.

Stoet e Geary também perguntaram para cada aluno em que assunto eles são relativamente melhores e, em seguida, classificaram por país. As diferenças foram ainda mais proeminentes. As mulheres não são apenas melhores em leitura. Até em países onde elas são, de acordo com o Pisa, melhores em matemática e ciências que os homens, na média geral elas se consideram relativamente melhores em leitura.

Mesmo quando as meninas superavam os meninos em como era o caso na Finlândia, elas geralmente se saíam ainda melhor em leitura, o que significa que sua força individual era, ao contrário da força dos meninos, a leitura.

Agora, considere o que acontece quando os alunos recebem o comando: “Faça algo em que você é bom!”. Falando francamente, a situação será mais ou menos assim: as meninas dirão que tiraram A em história e inglês e B em ciência e matemática, portanto, acharão que devem seguir seus pontos fortes e se especializar no uso das habilidades da história e do inglês. Os meninos dirão que tiraram B em ciências e matemática e C em história e inglês, portanto, acharão que devem seguir seus pontos fortes e fazer algo que envolva ciência e matemática.

Afogando em números.2.jpg

Note que isso é consistente com o estudo de Card e Payne sobre estudantes canadenses do ensino médio que abordei em meu texto “A discrepância de gênero não é o que você pensa”. Citando Card e Payne: “Em média, as mulheres têm aproximadamente as mesmas notas que os homens nos cursos preparatórios da universidade em matemática e ciências, mas notas superiores em inglês e francês e em outros cursos qualificantes que contam para as seis melhores pontuações determinantes de seus rankings universitários. Essa vantagem comparativa explica uma divisão substancial de diferença de gênero na probabilidade de cursar CTEM logo no final do ensino médio”.

E eu mesmo:

“Colocando de maneira simples (demais), os únicos homens que são bons o suficiente para entrar na universidade são aqueles que são bons em CTEM. As mulheres são boas o suficiente para entrar em campos não CTEM e CTENL Assim, entre estudantes universitários, as mulheres dominam nos campos não CTEM e os homens sobrevivem nos campos CTEM.”

Finalmente, Stoet e Geary mostram que as considerações acima também explicam o paradoxo da igualdade de gênero. Isso porque as diferenças intraindividuais são superiores na maioria dos países com igualdade de gênero. As diferenças intraindividuais no CTEM, por sexo, aumentam com a igualdade de gênero. Os meninos são mais propensos a ter a ciência como força relativa – ou seja, as mulheres podem ficar absolutamente melhores em tudo com a igualdade de gênero, mas são relativamente melhores em leitura. Abaixo, a figura mostra o percentual de mulheres que ingressam nos campos CTEM, que diminui com a igualdade de gênero.

A dominância masculina nos campos CTEM é geralmente vista por causa de uma vantagem masculina e uma desvantagem feminina – genética, cultural ou outra. Stoet e Geary mostram que o resultado pode, ao contrário, ser devido a diferenças na vantagem relativa. De fato, a teoria da vantagem comparativa nos diz que poderíamos levar isso ainda mais longe. Poderia ser o caso de os homens serem, em média, piores do que as mulheres em todos os campos. Mas eles se especializam no campo em que são menos piores, ou seja, ciência e matemática. Em outras palavras, os meninos poderiam ter uma desvantagem absoluta em todos os campos, mas uma vantagem comparativa em matemática e ciências. Não afirmo que a teoria é verdadeira, mas vale a pena pensar em um caso genuíno para entender como o mesmo padrão pode ser interpretado de maneiras diametralmente diferentes.

afogando em números.3

GESTÃO E CARREIRA

MAIS ROBÔS, MAIS PRODUTIVIDADE

Eles avançam nas fábricas. Alguns até ajudam seres humanos.

mais robôs, mais produtividade

“Densidade de robôs” vem se tornando um indicador-chave para as economias. O cálculo mostra quantos robôs trabalham na indústria, em proporção ao número de colegas humanos. Densidade alta sugere maior produtividade; crescimento acelerado do indicador serve de alerta, por causa da tendência de substituição da mão de obra humana (cuja requalificação exige tempo). Seus efeitos ganham importância diante dos números mais recentes – a venda global de robôs cresceu impressionantes 31% no ano passado, para 387 mil unidades, segundo o cálculo da IFR (Federação Internacional de Robótica) concluído em junho. O ritmo de vendas dobrou em relação aos anos anteriores e se mantém forte mesmo em economias maduras como a Alemanha. Um relatório do banco suíço Julius Baer constata que a densidade de robôs nas Américas, incluindo o Brasil, é de 84 robôs para 10 mil humanos, e que o indicador tende a dobrar até 2026 (Estados Unidos e Canadá puxam para cima os números do continente). A densidade na China vem atrás, com 68 robôs para 10 mil humanos, mas a velocidade de crescimento por lá é muito superior e o índice já deve mais que dobrar até 2020. O relatório, num trecho feito em conjunto com o Goldman Sachs Global Investment Research, indica cinco tendências responsáveis pelo crescimento das vendas dessas máquinas. A primeira delas é a difusão dos cobots, os robôs que trabalham em colaboração com humanos. Esse tipo de equipamento tende a ser menor, mais barato e mais flexível, em relação aos usados nas linhas de montagem totalmente automatizadas.

mais robôs, mais produtividade.2

ALIMENTO DIÁRIO

JOÃO 20: 19-25 – PARTE II

alimento diário

Cristo com seus Discípulos

 

II – O que foi dito e feito nesta visita que Cristo fez aos seus discípulos, e sua conversa com eles. Quando estavam reunidos, Jesus chegou entre deles, com sua própria aparência, mas com um véu encobrindo o esplendor do seu corpo, agora começando a glorificar-se, caso contrário Ele teria ofuscado seus olhos, como na sua transfiguração. Cristo pôs-se no meio deles, para dar-lhes uma amostra do cumprimento da sua promessa, de que, onde dois ou três estiverem reunidos no seu nome, aí estará Ele no meio deles. Ele chegou, embora as portas estivessem cerradas. Isto não enfraquece, de maneira nenhuma, a evidência de que Ele tinha um corpo humano real depois da sua ressurreição. Embora as portas estivessem cerradas, Ele sabia como abri-las, sem fazer nenhum ruído, e entrar de modo que eles não pudessem ouvi-lo, da mesma maneira como anteriormente Ele tinha caminhado sobre as águas, e ainda tinha um corpo verdadeiro. É um consolo para os discípulos de Cristo, quando suas assembleias solenes são reduzidas à privacidade, que nenhuma porta possa impedir a presença de Cristo junto deles. Temos cinco aspectos nesta aparição de Cristo:

(1) Sua saudação gentil e familiar aos seus discípulos: Ele lhes disse: “Paz seja convosco!” Estas não eram palavras vazias, embora normalmente sejam assim usadas nos encontros de amigos, mas uma bênção solene e incomum, conferindo a todos eles os frutos e os efeitos abençoados da sua morte e ressurreição. A frase era comum, mas o sentido era peculiar. “Paz seja convosco” é equivalente a: Todo o bem esteja com vocês, toda a paz e todo o bem estejam sempre com vocês, sem dúvida. Cristo lhes tinha deixado sua paz como seu legado, cap. 14.27. Pela morte do testador, o testamento passa a vigorar, e agora Ele ressuscitava dos mortos, para provar o testamento e para ser, Ele mesmo, seu executor. Com esta finalidade, aqui Ele faz imediato pagamento do legado: “Paz seja convosco”. Quando Ele deseja a paz, Ele faz a paz, cria “os frutos dos lábios, paz, paz”, paz com Deus, paz nas nossas próprias consciências, paz uns com os outros. Toda esta paz esteja com vocês, não a paz com o mundo, mas a paz em Cristo. Sua repentina aparição no meio deles, quando estavam cheios de dúvidas a seu respeito, cheios de temores a seu próprio respeito, não podia deixar de colocá-los em um estado de desordem e consternação, cujos reflexos Ele acalma com estas palavras: “Paz seja convosco”.

(2) Sua manifestação clara e inegável a eles, v. 20. Observe aqui:

[1] O método que Ele usou para convencê-los da verdade da sua ressurreição: Agora eles contemplaram, vivo, aquele a quem, dois ou três dias antes, multidões tinham visto morto. Agora a única dúvida era se este que eles contemplavam vivo era o mesmo corpo que tinha sido visto morto, e ninguém poderia desejar uma prova melhor do que as cicatrizes ou marcas dos ferimentos no corpo. Agora, em primeiro lugar, as marcas dos ferimentos, marcas muito profundas (embora sem nenhuma dor ou nenhum desconforto), permaneceram no corpo do Senhor Jesus, mesmo depois da sua ressurreição, para que pudessem ser demonstrações da verdade da ressurreição. Os vencedores se gloriam nas marcas dos seus ferimentos. Os ferimentos de Cristo devem testificar na terra que se trata dele mesmo, e, portanto, Ele ressuscitou com eles. Eles também falam, no céu, na intercessão que Ele vive para fazer. Portanto, Ele subiu com estes ferimentos, e assim apareceu “no meio do trono… um Cordeiro, como havendo sido morto”, ensanguentado, Apocalipse 5.6. Aparentemente, Ele virá outra vez com suas cicatrizes, para que possam ver “aquele que traspassaram”. Em segundo lugar, Ele mostrou estas marcas aos seus discípulos para convencê-los. Eles não somente tiveram a satisfação de vê-lo apresentando a mesma aparência, e ouvi-lo falar com a mesma voz com que tinham se acostumado durante tanto tempo, Estes eram seus gestos, estes eram seus olhos e suas mãos!, mas tiveram a evidência adicional destas marcas peculiares: Ele lhes mostrou suas mãos, para que pudessem ver as marcas dos ferimentos nelas. Ele lhes mostrou seu peito, como a ama faz com a criança, para mostrar-lhes a ferida em seu lado. Observe que o Redentor exaltado sempre irá se apresentar com as mãos abertas, e o coração aberto, a todos os seus fiéis amigos e seguidores. Quando Cristo manifesta seu amor pelos crentes, pelos consolos do seu Espírito, isto lhes garante que, porque Ele vive, eles também viverão. Então Ele lhes mostra suas mãos e seu lado.

[2] A impressão causada neles, e o bem que isto lhes fez. Em primeiro lugar, eles ficaram convencidos de que viam o Senhor de modo que sua fé foi confirmada. A princípio, eles pensaram estar vendo somente uma aparição, um fantasma. Mas agora eles sabiam que era o Senhor em pessoa. Assim, muitos crentes fiéis, que, enquanto eram fracos, temiam que seus consolos fossem apenas imaginários, depois os descobrem, por meio da graça, reais e substanciais. Eles não perguntam: É o Senhor? Mas têm certeza, é Ele. Em segundo lugar; “os discípulos se alegraram”. Aquilo que fortaleceu sua fé despertou sua alegria. Crendo, eles se alegraram. O evangelista parece escrever com uma dose de arrebatamento e triunfo. “De sorte que os discípulos se alegraram, vendo o Senhor”. Se o espírito de Jacó reviveu ao ouvir que José ainda estava vivo, como reviveria o coração destes discípulos, ao ouvir que Jesus está vivo outra vez? Isto, para eles, é como receber novamente a vida que havia sido levada pela morte. Agora se cumpriam estas palavras de Cristo (cap. 16.22): “Outra vez vos verei, e o vosso coração se alegrará”. Isto enxugou todas as lágrimas dos seus olhos. Observe que uma visão de Cristo irá alegrar o coração de um discípulo, em qualquer ocasião. Quanto mais virmos a Cristo, mais nos alegraremos nele, e nossa alegria nunca será perfeita, até que cheguemos onde o veremos como Ele é.

(3) A honrosa e ampla comissão que Ele lhes deu, de serem seus agentes na fundação da sua igreja, v. 21. Aqui temos:

[1] A introdução à sua comissão, que foi a repetição solene da saudação anterior: “Paz seja convosco”. Isto pretendia, ou, em primeiro lugar, chamar a atenção deles à comissão que Ele lhes iria dar. A saudação anterior pretendia acalmar o tumulto do seu temor, para que eles pudessem acompanhar calmamente as provas da sua ressurreição. Esta tinha a função de reduzir o impacto causado pela alegria, para que eles pudessem, tranquilamente, ouvir o que o Senhor ainda tinha a lhes dizer. Ou, em segundo lugar, incentivá-los a aceitar a comissão que Ele lhes estava dando. Embora isto os fosse envolver em uma grande quantidade de problemas, o Senhor ainda desejava a honra e o consolo deles naquele comissionamento. E, nesta questão, a paz estaria com eles. Gideão recebeu sua comissão com estas palavras: “Paz seja contigo”, Juízes 6.22,23. Cristo é nossa Paz. Se Ele está conosco, a paz é conosco. Cristo agora estava enviando os discípulos para que divulgassem a paz ao mundo (Isaias 52.7), e aqui Ele não somente a confere a eles, para sua própria satisfação, mas a confia a eles, para ser transmitida por eles a todos os filhos da paz, Lucas 10.5,6.

[2] A comissão propriamente dita, que soa muito grandiosa: “Assim como o Pai me enviou, também eu vos envio a vós”.

Em primeiro lugar, é fácil entender como Cristo os enviou. Ele indicou que eles dessem prosseguimento ao seu trabalho sobre a terra, e se dedicassem à divulgação do seu Evangelho e ao estabelecimento do seu reino entre os homens. Ele os enviou, autorizados com uma permissão divina, armados com um poder divino, enviou-os como embaixadores para tratar de paz, e como arautos para proclamá-la, enviou-os como servos para convidar para as bodas. Aqui eles são chamados apóstolos homens enviados.

Em segundo lugar, porém, como Cristo os enviaria, assim como o Pai o enviou, não é tão fácil de compreender. Certamente, as responsabilidades e os poderes atribuídos aos discípulos eram infinitamente inferiores aos do Senhor Jesus, mas:

1. Seu trabalho era do mesmo tipo que o dele, e eles deveriam prosseguir, começando onde Ele tinha parado. Eles não eram enviados para serem sacerdotes e reis, como Ele, mas somente profetas. Assim como Ele tinha sido enviado para dar testemunho da verdade, também eles. Não para serem mediadores da reconciliação, mas somente seus pregadores e divulgadores. Ele tinha sido enviado, não para que o servissem, mas para servir? Não para fazer sua própria vontade, mas a vontade daquele que o enviou? Não para destruir a lei e os profetas, mas para cumpri-los? Os discípulos também. Assim como o Pai o enviou às ovelhas perdidas da casa de Israel, também Ele os enviou a todo o mundo.

2. Ele tinha um poder para enviá-los igual ao poder que o Pai tinha para enviá-lo. Aqui parece estar a força da comparação. Pela mesma autoridade com que o Pai me enviou, Eu envio vocês. Isto prova a divindade de Cristo. As comissões que Ele fez tinham a mesma autoridade que aquelas que o Pai fez, e eram tão válidas e efetivas, em relação a todos os intentos e objetivos, como aquelas que Ele fez aos profetas do Antigo Testamento, em visões. As comissões de Pedro e João, designadas pela palavra clara de Cristo, são tão boas e válidas quanto aquelas de Isaías e Ezequiel, que foram designadas pelo Senhor que estava assentado no seu trono. Na verdade, são iguais àquela que foi feita ao próprio Mediador; em relação ao seu trabalho. O Senhor Jesus tinha uma autoridade incontestável, e uma capacidade irresistível para seu trabalho? Também eles as tinham, para desempenharem o seu. A expressão: “Assim como o Pai me enviou” é, de certa maneira, o relato do seu poder. Em virtude da autoridade que o Senhor Jesus recebeu como Mediador; Ele lhes deu autoridade, como seus ministros, para agirem por Ele, e em seu nome, em relação aos filhos dos homens, de modo que aqueles que os recebessem, ou rejeitassem, receberiam ou rejeitariam ao próprio Senhor J e­ sus, como também àquele que o enviou, cap. 13.20.

(4) A qualificação dos apóstolos para cumprir a incumbência que lhes foi dada, através da sua comissão (v. 22): “Assoprou sobre eles e disse-lhes: Recebei o Espírito Santo”. Observe:

[1] O sinal que Jesus usou para assegurar-lhes do dom que estava agora prestes a conceder-lhes, e para influenciá-los com este dom: ”Assoprou sobre eles”, não somente para lhes mostrar, por este sopro de vida, que Ele mesmo estava realmente vivo, mas para lhes indicar a vida espiritual e o poder que eles iriam receber dele, para todos os serviços que estivessem à sua frente. Provavelmente, Ele assoprou sobre todos eles juntos, não sobre cada um, individualmente, e, embora Tomé não estivesse com eles, ainda assim o Espírito do Senhor sabia onde encontrá-lo, como encontrou Eldade e Medade, Números 11.26. Aqui Cristo parece referir-se primeiro à criação do homem, por ocasião do sopro do fôlego da vida nele (Genesis 2.7), e indicar que Ele mesmo era o autor desta obra, e que a vida espiritual e a força dos ministros e cristãos derivam dele, e dependem dele, tanto quanto a vida natural de Adão e da sua semente. Assim como “o sopro do Todo-Poderoso” deu vida ao homem e deu início ao mundo antigo, também o sopro do poderoso Salvador deu vida aos seus ministros e deu início a um mundo novo, Jó 33.4 (versão RA). Isto nos evidencia, em primeiro lugar, que o Espírito é o sopro de Cristo, procedente do Filho. O Espírito, no Antigo Testamento, é comparado a um sopro (Ezequiel 37.9): ”Vem… ó espírito”. Mas o Novo Testamento nos diz que é o sopro de Cristo. O sopro de Deus indica o poder da sua ira (Isaias 11.4; 30.33), mas o sopro de Cristo significa o poder da sua graça. O sopro da ameaça é transformado nos sopros de amor, graças à mediação de Cristo. Nossas palavras são pronunciadas pelo nosso sopro, também a palavra de Cristo é “espírito e vida”. A palavra vem do Espírito, e o Espírito acompanha a palavra. Em segundo lugar, que o Espírito é o dom de Cristo. Os apóstolos transmitiam o Espírito Santo com a imposição de mãos, sendo estas mãos primeiro erguidas em oração, pois eles somente podiam suplicar esta bênção, e transmiti-la como mensageiros. Mas Cristo concedia o Espírito Santo pelo sopro, pois Ele é o autor do dom, e dele este dom se origina. Moisés não podia dar do Espírito que estava nele, mas Deus o fez (Números 11.17). Porém, Cristo o fez pessoalmente.

[2] A concessão solene que Jesus fez, representada por este sinal: “Recebei o Espírito Santo”, agora parcialmente, como um sinal daquilo que recebereis mais adiante, “não muito depois destes dias”. Agora eles recebiam mais do Espírito Santo do que já tinham recebido. Desta maneira, as bênçãos espirituais são dadas gradualmente, porque ao que tem, ser-lhe-á dado. Agora que Jesus começava a ser glorificado, mais do Espírito começava a ser dado. Veja cap. 7.39. Vejamos o que está contido nesta concessão. Em primeiro lugar, com ela, Cristo lhes dá a certeza da ajuda do Espírito no seu trabalho futuro, na execução da comissão que agora lhes era dada: “‘Eu vos envio’, e vós tereis o Espírito, que irá acompanhar-vos”. Agora o Espírito do Senhor estava sobre eles, para qualificá-los para todos os serviços que estavam à sua frente. Aqueles a quem Cristo emprega, Ele revestirá com seu Espírito, e lhes fornecerá todos os poderes necessários. Em segundo lugar, com ela, Ele lhes dá a experiência das influências do Espírito na sua situação atual. Jesus lhes tinha mostrado suas mãos e seu lado, para convencê-los da verdade da sua ressurreição, mas as evidências mais claras não operam, por si só, a fé. Um testemunho desta realidade é a infidelidade dos soldados, que foram as únicas testemunhas oculares da ressurreição. “Portanto, recebam o Espírito Santo, para operar a fé em vocês, e para abrir seu entendimento”. Agora eles estavam em perigo, por parte dos judeus: “Portanto, recebam o Espírito Santo, para operar a coragem em vocês”. Aquilo que Cristo diz a eles, Ele diz a todos os verdadeiros crentes: “Recebei o Espírito Santo”, Efésios 1.13. O que Cristo dá, nós devemos receber. Devemos nos submeter, e nossas almas, integralmente, às influências vivificadoras, santificadoras, do bendito Espírito, receber seus estímulos, e obedecê-los, receber seus poderes, e fazer uso deles. E aqueles que obedecem a esta palavra, como a um preceito, terão seus benefícios, como uma promessa. Eles receberão o Espírito Santo como o guia do seu caminho, e a primeira parte da sua herança.

(5) Uma ramificação especial do poder dado a eles pela sua comissão é particularizado (v. 23): “Àqueles a quem perdoardes os pecados”, exercendo devidamente os poderes que lhes vos confiados, estes ‘lhes são perdoados’, e eles poderão receber este consolo. E ‘àqueles a quem os retiverdes’, isto é, declarardes imperdoáveis, e sua culpa, obrigatória, os pecados ‘lhes são retidos’, e o pecador pode ter certeza disto, para sua tristeza”. Isto se segue ao seu recebimento do Espírito Santo, pois, se eles não tivessem um extraordinário espírito de discernimento, não teriam sido considerados adequados para serem depositários de tal autoridade, pois, no sentido estrito, esta é uma comissão especial aos próprios apóstolos e aos primeiros pregadores do Evangelho, que podiam distinguir quem estava “em fel de amargura e em laço de iniquidade”, e quem não estava. Através deste podei Pedro fulminou, com a morte, Ananias e Safira, e Paulo cegou Elimas. Mas isto deve ser interpretado como uma carta geral de privilégios à igreja e aos seus ministros, não assegurando uma infalibilidade de julgamento a nenhum homem ou grupo de homens no mundo, mas encorajando os fiéis representantes dos mistérios de Deus a se mante­ rem fiéis ao Evangelho que foram enviados a pregar, pois o próprio Deus se mantém fiel a ele. Os apóstolos, ao pregar a remissão, deviam começar em Jerusalém, embora esta cidade tivesse recentemente trazido sobre si a culpa pelo sangue de Cristo. “Vocês podem declarar perdoados seus pecados, nos termos do Evangelho”. E Pedro o fez, Atos 2.38; 3.19. Cristo, tendo ressuscitado para nossa justificação, envia os arautos do seu Evangelho para declarar iniciado o jubileu, já tendo feito a expiação, e por esta lei os homens serão julgados, cap. 12.38; Romanos 2.16; Tiago 2.12. Deus nunca irá alterar esta lei de julgamento, nem desviar-se dela. Aqueles a quem o Evangelho perdoar, serão perdoados, e aqueles a quem o Evangelho condenar, serão condenados, o que concede imensa honra ao ministério, e deve dar uma imensa coragem aos ministros. Os apóstolos e ministros de Cristo perdoam e retêm os pecados de duas maneiras, e ambas com autoridade:

[1] Pela doutrina legitima. Eles são comissionados a dizer ao mundo que a salvação deve ser obtida nos termos do Evangelho, e não em outros, e que encontrarão a Deus aqueles que disserem “amém” a isto. Sua condenação também se dará da mesma maneira.

[2] Por uma disciplina rígida, aplicando a regra geral do Evangelho a pessoas em particular. ”Aqueles a quem vocês admitirem na sua comunhão, de acordo com as regras do Evangelho, Deus irá admitir em uma comunhão consigo mesmo, e aqueles a quem vocês expulsarem da comunhão, por serem impenitentes e persistentes em pecados escandalosos e obstinados, estarão sujeitos ao julgamento justo de Deus”.