ALIMENTO DIÁRIO

JOÃO 20: 1-10 – PARTE I

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A Ressurreição

 

Não havia nada de que os apóstolos se interessassem mais em produzir provas substanciais do que da ressurreição do seu Mestre:

1. Porque sua ressurreição era aquilo a que Ele mesmo apelava como sendo a última e mais convincente prova de que Ele era o Messias. Àqueles que não cressem nos outros sinais, se faria referência a este milagre do profeta Jonas. Portanto, os inimigos estavam muito interessados em reprimir as notícias deste sinal, porque isto seria incitar a questão e, se Ele ressuscitasse, eles não somente seriam assassinos, mas assassinos do Messias.

2. Porque era disto que dependia o cumprimento da sua missão pela nossa redenção e salvação. Se Ele der sua vida como um resgate, e não retomá-la, não parecerá que sua doação foi aceita como uma expiação. Se Ele ficar prisioneiro pela nossa dívida, e assim permanecer, nós estaremos perdidos, 1 Coríntios 15.17.

3. Porque Ele nunca se manifestou vivo, depois da sua ressurreição, a todo o povo, Atos 10.40,41. Nós deveríamos ter dito: “Que sua morte ignominiosa seja privativa, e sua gloriosa ressurreição seja pública”. Mas os pensamentos de Deus não são os nossos, e Ele ordenou que a morte de Cristo fosse pública, perante o sol, pelo mesmo sinal através do qual o sol enrubesceu e ocultou sua face. Mas as demonstrações da sua ressurreição deveriam ser preservadas como um favor aos seus amigos em particular, e por meio deles ser divulgadas ao mundo, para que aqueles que não tinham visto, e ainda assim tinham crido, pudessem ser bem-aventurados. O método de prova é tal que dê satisfação abundante àqueles que estão piedosamente dispostos a receber a doutrina e a lei de Cristo, e ainda abre lugar para as objeções daqueles que são determinadamente ignorantes e obstinados na sua descrença. E este é um teste justo, adequado ao caso daqueles que estão em experiência.

Nestes versículos, temos o primeiro passo dado para a prova da ressurreição de Cristo, que é o sepulcro sendo encontrado vazio. “Ele não está aqui, e, sendo assim, eles devem nos dizer onde Ele está, ou concluiremos que Ele ressuscitou”.

 

I – Maria Madalena, indo ao sepulcro, “viu a pedra tirada do sepulcro”. Este evangelista não menciona as outras mulheres que estavam com Maria Madalena, mas somente ela, porque ela foi a mais ativa e ousada nesta visita ao sepulcro, e nela ficou evidente o maior afeto. E foi um afeto despertado por uma boa causa, em consideração às grandes coisas que Cristo tinha feito por ela. Muito lhe tinha sido perdoado, por isto ela muito amava. Ela tinha mostrado seu afeto por Jesus enquanto Ele vivia, aprendendo sua doutrina, ministrando a Ele com o que tinha, Lucas 8.2,3. Não parece que ela tivesse qualquer interesse agora em Jerusalém, exceto servi-lo, pois as mulheres não eram obrigadas a subir à festa, e provavelmente ela e as outras o seguiam de perto, como Eliseu seguiu a Elias, agora que sabia que seu mestre seria tomado por de cima de sua cabeça, 2 Reis 2.1-6. Os constantes exemplos do respeito que ela tinha por Ele, na sua morte, e depois dela, provam a sinceridade do seu amor. Observe que o amor por Cristo, para ser sincero, deve ser constante. O amor de Maria Madalena por Cristo era forte como a morte, a morte de cruz, pois o amor foi o motivo pelo qual o Senhor morreu na cruz; cruel como o sepulcro, pois ela fez uma visita a ele, e não se acovardou pelos seus terrores.

1. Ela “foi ao sepulcro”, para lavar o corpo com suas lágrimas, pois foi até lá, para ali chorar e ungir Jesus com o bálsamo que tinha preparado. O sepulcro é um lugar ao qual as pessoas não desejam fazer visitas. Aqueles que são postos entre os mortos estão separados dos vivos, e visitar um túmulo é uma demonstração de afeto pela pessoa falecida. Mas, geralmente, isto é especialmente amedrontador para as mulheres. Poderia ela, que não tinha força suficiente para afastar a pedra, pretender ter tal presença de espírito para entrar no sepulcro? A religião judaica proibia os judeus de se envolverem além do necessário com sepulcros e cadáveres. Ao visitar o sepulcro de Cristo, ela se expôs, e talvez aos discípulos, à suspeita de um desejo de furtar seu corpo. E que serviço real ela poderia fazer ao Senhor através de uma atitude como esta? Mas seu amor responde a esta, e a mil objeções similares. Observe:

(1) Nós devemos nos empenhar em honrar a Cristo naquilo em que não pudermos ser produtivos para Ele.

(2) O amor por Cristo remove o terror da morte e do sepulcro. Se não pudermos ir até Cristo, exceto por aquele vale escuro, mesmo ali, se o amarmos, não temeremos mal algum.

2. Ela veio tão cedo quanto pôde, pois veio:

(1) “No primeiro dia da semana”, tão logo tinha terminado o sábado, desejando, não vender grãos e expor trigo (como Amós 8.5), mas estar no sepulcro. Aqueles que amam a Cristo aproveitarão a primeira oportunidade de testemunhar seu respeito por Ele. Este era o primeiro dia de repouso cristão, e ela o começou da maneira correta, procurando por Cristo. Ela tinha passado o dia anterior comemorando o trabalho da criação, e, portanto, descansando. Mas agora ela estava buscando o trabalho da redenção, e por isto faz uma visita a Cristo, e este crucificado.

(2) Ela “foi ao sepulcro de madrugada, sendo ainda escuro”. Observe que aqueles que desejam procurar a Cristo, para encontrá-lo, devem procurá-lo cedo, isto é:

[1] Procurá-lo ansiosamente, com uma preocupação tal que até mesmo interrompe o sono. Despertar-se cedo, por medo de perdê-lo.

[2] Procurá-lo persistentemente. Nós devemos negar o repouso, a nós mesmos e aos nossos, para procurar a Cristo.

[3] Procurá-lo logo, cedo, nos nossos dias, cedo todos os dias. “Pela manhã, ouvirás a minha voz”. Um dia que começa assim tem grandes possibilidades de terminar bem. Aqueles que procurarem a Cristo diligentemente, “sendo ainda escuro”, serão iluminados a respeito dele com uma luz que brilhará cada vez mais.

3. Ela “viu a pedra tirada do sepulcro”. Esta era aquela pedra que ela tinha visto rolar para fechar sua entrada. Isto foi:

(1) Uma surpresa para ela, pois não esperava isto. Cristo crucificado é a fonte de vida. Seu sepulcro é uma das fontes da salvação, se formos até ele com fé. Embora para um coração carnal isto seja uma fonte fechada, nós veremos que a pedra foi retirada (como Genesis 29.10), e assim teremos livre acesso aos seus consolos. Os frequentes incentivos daqueles que buscam ao Senhor bem cedo são consolos surpreendentes.

(2) Era o começo de uma gloriosa descoberta. O Senhor tinha ressuscitado, embora, a princípio, ela não tenha compreendido isto. Observe que:

[1] Aqueles que são mais constantes na sua adesão a Cristo, e mais diligentes nas suas buscas por Ele, normalmente têm as primeiras e mais doces notícias da graça divina. Maria Madalena, que seguiu a Cristo até o final da sua humilhação, encontrou-o no início da sua exaltação.

[2] Deus normalmente se revela, e aos seus consolos, gradualmente para nós, para despertar nossas expectativas e motivar nossa busca.

Autor: Vocacionados

Sou evangélico, casado, presbítero, professor, palestrante, tenho 4 filhos sendo 02 homens (Rafael e Rodrigo) e 2 mulheres (Jéssica e Emanuelle), sou um profundo estudioso das escrituras e de tudo o que se relacione ao Criador.