PSICOLOGIA ANALÍTICA

A DOENÇA DO CORPO ESQUECIDO

A inconsciência de uma deficiência física, como a surdez, a cegueira ou a paralisia de membros, causada por uma lesão cerebral, é um fenômeno registrado desde a antiguidade, mas até hoje intriga e fascina médicos, neurocientistas e psicólogos.

a doença do corpo esquecido

“Você sabe que Arpaste, aquela mulher maluca que foi amiga da minha mulher, tornou-se um peso hereditário na minha casa. De minha parte, sou completamente contrário a dar atenção às suas esquisitices… Essa doida perdeu a visão de repente: bem, coisa inacreditável, mas verdadeira, ela não tem consciência de estar cega e de vez quando pede ao seu cuidador que a leve para outro lugar, porque diz que nossa casa é escura.” Assim escreve Sêneca nas cartas a Lucílio e, até onde se sabe, é a primeira descrição de um distúrbio que se manifesta com a inconsciência de estar acometido por uma doença – nesse caso, a cegueira.

Muitos séculos depois, o quadro recebeu um nome preciso, anosognosia (do grego, “inconsciência de doença”), dado por Joseph Babinski. Nos primeiros anos do século 20, o neurologista francês estudou com critérios científicos uma série de experimentos e casos clínicos que apresentavam as mesmas curiosas manifestações de Arpaste. Filho de um militar polonês que se refugiara em Paris no final do século 19 para escapar da dominação russa no próprio país, Babinski matriculou-se em medicina e foi aluno do famoso neurologista Jean-Martin Charcot. Com ele começou a estudar o fenômeno da histeria e a interessar-se por manifestações psíquicas ligadas a eventos traumáticos, em particular ao diagnóstico diferencial entre doenças da mente e distúrbios orgânicos.

Pacientes não lhe faltavam, dado que, durante os anos da sua maior atividade científica, Paris havia ficado cheia de feridos e veteranos da Primeira Guerra Mundial. Explosões de bombas e outras situações violentas haviam deixado grande número de pessoas com danos cerebrais bem delimitados, que se tornavam casos clínicos perfeitos para o estudo das funções cognitivas. No entanto, embora a “descoberta” da anosognosia seja atribuída a Babinski, descrições desse fenômeno, a partir daquela de Sêneca, não faltam na história.

LESÃO OU MENTIRA?

Um caso semelhante é contado, por exemplo, pelo filósofo francês Michel de Montaigne nos seus Ensaios, curiosamente num capítulo dedicado à arte da simulação. Foi preciso esperar até 1885 para encontrar finalmente um neurologista, o suíço Constantin von Monakow, para relacionar a incapacidade de reconhecer um estado de doença com um dano cerebral. O médico atendeu um paciente cego – exatamente como a mal tolerada hóspede de Sêneca – que atribuía as suas dificuldades de visão ao ambiente muito escuro. Monakow descreve detalhadamente o comportamento desse cego atípico, sentado quieto no quarto, sem nunca se queixar de distúrbios na visão. Só durante a autópsia foi descoberta uma lesão occipital bilateral, assim como um dano do córtex temporal.

Alguns anos depois, em 1893, outro neurologista, Gabriel Anton, da Universidade de Graz, na Áustria, reportou um caso ainda mais curioso e complexo: tratava-se do senhor Wilhelm, que, depois de um acidente de automóvel, passou a sofrer de um raro déficit somatossensorial. O homem de fato não tinha condições de avaliar a posição dos próprios membros sem olhar para eles diretamente (ou seja, perdeu a propriocepção) e estava também paralisado do lado esquerdo, mesmo não tendo consciência disso: “O paciente afirma que realizou as ações com o braço doente”, relata, surpreso, o doutor Anton. Depois da morte do senhor Wilhelm, seu cérebro  também foi estudado e os especialistas constataram uma ampla lesão que se estendia desde a área temporo parietal até a occipital direita. Alguns anos depois, Anton assinalou outros dois casos semelhantes: um surdo e um cego inconscientes de sua condição. Chamou o distúrbio de “cegueira e surdez psíquicas”.  E em 1898, num artigo científico que se tornou um clássico da moderna neuropsicologia, Anton discutiu as possíveis bases anatômicas desse tipo de distúrbio, afirmando com convicção que não se tratava de uma doença psiquiátrica ou de uma diminuição das  capacidades cognitivas, mas da perda de uma função bem circunscrita, que  nos faz conscientes de  uma doença ou de uma deficiência, mas está inevitavelmente ligada também a  algum distúrbio    somatossensorial: para “conhecer” algo do nosso corpo e  para  torná-lo nosso de modo consciente,  é necessário que o cérebro receba informações periféricas.

Naquele mesmo ano, outro “pai” da neurologia, o tcheco Arnold Pick, concentrou-se pela primeira vez num caso de paralisia no qual a inconsciência não é acompanhada de distúrbios do tipo somatossensorial como aqueles que, segundo Anton, seriam absolutamente necessários para   desenvolver a doença. O seu paciente tinha apenas 31 anos quando sofreu um acidente que deixou seu lado direito paralisado e o tornou incapaz de ler o u escrever a parte esquerda das palavras. A análise de Pick chega a duas conclusões importantes: esses doentes não são “loucos” e não sofrem de demência; além disso, nem sempre é necessário ter um defeito sensorial (do tato, da visão ou da audição) para eliminar a doença do horizonte cognitivo.

Aquilo que Pick não percebeu – e que na verdade veio a constituir a base de partida dos trabalhos   de Babinski – é que todos os pacientes apresentavam um dano cerebral no hemisfério direito e   um problema de reconhecimento que, quando envolve os membros, aparece apenas no lado esquerdo do corpo.

Em 1914, Babinski, na época diretor da neurologia do Hospital Pitié – Salpêtriére, de Paris, apresentou aos colegas da prestigiosa Sociedade Neurológica parisiense dois casos clínicos. Duas mulheres que haviam tido acidente vascular cerebral (AVC) estavam com a parte esquerda do corpo paralisada. Ambas foram submetidas a todos os testes de inteligência e a todas as avaliações psiquiátricas conhecidas na época, além de uma série de experimentos baseados no   movimento dos membros. Foi pedido a elas que realizassem algumas atividades com a mão e o braço saudáveis e depois os repetissem com os membros afetados. As respostas obtidas e os tempos necessários para realizar o que foi solicitado foram criteriosamente anotados: essa foi uma das primeiras tentativas de transformar o relato puramente qualitativo de um caso clínico em uma descrição que fornecesse também dados quantitativos. Trata-se do primeiro estudo sistemático   da anosognosia, com um protocolo de exame que avalia todas as manifestações da doença.

“ESQUISITICES” DO CÉREBRO

Mesmo sem nenhum déficit mental, a primeira paciente estava absolutamente convencida de ter acompanhado todas as tarefas que lhe foram pedidas, seja com o braço direito, sadio, seja com o esquerdo, paralisado. A segunda, que manifestava os mesmos sintomas, respondia “pronto” a cada vez que lhe era pedido que movesse o braço esquerdo, ainda que, obviamente, não ocorresse   nenhum movimento.

Nos anos seguintes, Babinski registrou outros casos análogos e aplicou a todos o mesmo esquema de avaliação, chegando assim, pela primeira vez, a elaborar a hipótese da existência de um distúrbio especifico a que propôs chamar de anosognosia. Baseou-se, ao fazê-lo, numa análise de grupo, e não somente numa simples descrição de indivíduos em separado. Compreendeu também que a anosognosia pode se apresentar de forma parcial, ainda que seja difícil imaginar um distúrbio de consciência que se manifeste de forma gradual. Existem, de fato, pacientes que sabem muito bem que não podem se mover, mas são pouco interessados nisso. É como se não se importassem: não se movem, mas, curiosamente, a situação não os incomoda.

O médico parisiense percebeu também que a anosognosia não é apenas uma das tantas  “esquisitices” que podem ocorrer quando sofremos um  dano no cérebro: o distúrbio não é benigno, porque a falta de interesse se traduz  também num empenho insuficiente na reabilitação,  coisa que os fisioterapeutas conhecem  bem e verificam ainda hoje nos centros para onde são encaminhados pacientes que tiveram um AVC e na esperança de uma recuperação ainda que  parcial das funções motoras. Babinski constatou, porém, um lado positivo no quadro: “As famílias consideram essa inconsciência uma bênção, porque evita que os pacientes façam perguntas cujas respostas poderiam perturbar seu estado de quietude mental”, relatou.

Ao escrever seu primeiro trabalho sobre a anosognosia, o médico “traiu” o conceito de histeria, o seu primeiro campo de interesse científico: nesses pacientes não há nenhuma vontade de esconder a deficiência, nem uma tentativa de evitar os olhares compassivos dos outros, já que a doença é de tal forma evidente que não pode ser ocultada.

Babinski parecia não conhecer os casos descritos antes dele, ou ao menos nunca os citou em seus trabalhos. Porém, logo percebeu que apenas lesões do hemisfério direito levam a manifestações de anosognosia. A sua afirmação provocou debates na comunidade neurológica francesa, suscitando desde hipóteses fantasiosas (existiria também a anosognosia para as infecções urinárias, sustentam alguns, afirmando que seria possível “esquecer” qualquer doença) até aquelas mais consistentes (o distúrbio é muitas vezes associado ao fenômeno da negligência unilateral, isto é, ao déficit de consciência de tudo aquilo que se encontra à esquerda do indivíduo acometido, incluindo os membros), como mais recentemente descreveu o neurologista Oliver Sacks. Babinski, porém, aporta novamente uma contribuição essencial: não é só a existência do distúrbio que é literalmente esquecida, mas também a função exercida pela parte do corpo envolvida.

Como muitos neurologistas da sua época, o médico concentrou-se mais nas manifestações clínicas e no substrato anatômico da doença do que na sua explicação. Apenas em alguns trabalhos publicados no final dos anos 30 ele levantou a hipótese de que se tratasse de um déficit cognitivo generalizado que requer, segundo a sua interpretação, a perda da sensibilidade da parte atingida (o que não é condição necessária). Não compreendeu, porém, que se encontrava diante da demonstração de que a consciência não é um monólito, mas sim um quebra-cabeça ao qual podem faltar alguns elementos sem que outros sejam afetados. Saber que estamos doentes e ter conhecimento dos próprios limites físicos ou psíquicos é de fato um elemento essencial da consciência, assim como o conteúdo da memória e a habilidade linguística.

UM LADO SÓ

O fenômeno da anosognosia fascina ainda hoje neurologistas e neuropsicólogos, e os estudos que se ocupam do distúrbio são frequentes. Apesar do desenvolvimento das técnicas de imagiologia ou das teorias sobre a representação do corpo no nível cerebral, a sua natureza intrínseca continua a não ser clara. As vezes ela se apresenta sozinha, outras vezes associada à negligência unilateral ou até mesmo a sintomas produtivos, nos quais a mente produz convicções a respeito de elementos na realidade inexistentes. É o caso da somatoparafrenia, uma manifestação cognitiva que às vezes se associa ou se segue à anosognosia e que faz os pacientes, sem nenhuma outra anormalidade do ponto de vista psíquico, acreditarem que o membro paralisado não é deles, mas sim de outra pessoa (um amigo, uma pessoa da família ou mesmo do médico). Como o nosso cérebro representa o corpo, quais danos pode sofrer esse mapa tão essencial de nós mesmos – não somente para as ações motoras, mas para a nossa identidade individual – é um dos campos de pesquisa mais atraentes das neurociências modernas.

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AS BASES ANATÔMICAS DA ANOSOGNOSIA

A anosognosia é o resultado de um dano de algumas estruturas cerebrais, em particular os lobos parietais ou as áreas frontoparietais do hemisfério direito (e, muito raramente, também do esquerdo, sobretudo em pacientes com dominância hemisférica totalmente invertida, como ocorre em alguns canhotos). É, portanto, um distúrbio puramente orgânico, ao contrário da negação de doença, que é uma remoção de tipo psicológico cuja função é defender o indivíduo de uma tensão. Entretanto, é interessante saber que alguns estudos de neuroimagem funcional realizados nos últimos anos encontraram nos pacientes que negam a doença por razões psicológicas (como acontece em algumas formas de síndrome de estresse pós-traumático) uma atividade menor das áreas lesionadas.

Segundo a interpretação mais recente do distúrbio, a anosognosia é uma síndrome multicomponencial (que pode, portanto, se manifestar de modos diversos). O desinteresse pode aparecer em relação a doenças bastante variadas, desde a hemiplegia até a perda de sensibilidade da parte esquerda do corpo (hemianestesia) e a falta de memória (como ocorre nas demências, nas quais, em alguns casos, não existe a consciência dos esquecimentos) e “apagamentos” da linguagem. Existem de fato formas de afasia nas quais o paciente está convencido de compreender aquilo que os outros dizem e, sobretudo, de ser compreensível quando fala, ainda que não o seja. Isso interfere muito na possibilidade de reabilitação do déficit.

Estima-se que aproximadamente 15% dos pacientes com sequelas de AVC ou trauma craniano sofram de algum grau de anosognosia na fase aguda da doença. Bem mais rara a possibilidade de o quadro se tornar crônico, pois, com a estabilização da lesão cerebral, a grande maioria dos pacientes recupera a consciência do próprio estado de saúde.

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O BRAÇO DO CADÁVER

Talvez um dos registros recentes mais estranhos de anosognosia de que temos noticia é mencionado por Oliver Sacks em seu livro O homem que confundiu sua mulher com um chapéu (Companhia das Letras, 1997). O neurologista falecido em 2015, cita o caso de um homem, internado num hospital, que caía da cama várias vezes na mesma noite. A cada queda, os enfermeiros o levantavam e certificavam-se de que estava bem acomodado. Alguns minutos depois, ouvia-se de novo o ruído do seu corpo chocando­-se contra o chão. Intrigado, o médico perguntou-lhe por que continuava caindo da cama. O pobre homem, demonstrando verdadeiro pavor, respondeu: “Doutor, esses estudantes de medicina colocam o braço de um cadáver na minha cama e eu tento me livrar dele a noite inteira”. Como não admitia a existência de seu membro paralisado, o homem era arrastado para o chão toda vez que tentava empurrá-lo para fora do leito.

Uma particularidade presente nesses pacientes é atribuírem o membro paralisado a outra pessoa. Se lhes perguntam a quem pertence a parte paralisada do corpo, respondem com naturalidade: “Ao meu filho”, “Ao meu médico” ou “À minha esposa”.

Há indícios consistentes de que a avaria que acomete os circuitos cerebrais responsáveis pelo aparecimento da negação em pacientes anosognósicos não é definitiva e pode ser compensada depois de algum tempo. Na maioria dos casos, o fenômeno tende a desaparecer depois das primeiras semanas, embora persista em alguns pacientes. A constatação experimental dessa afirmativa foi obtida pelo pesquisador italiano Edoardo Bisiach e seus colaboradores da Universidade de Turim, quando conseguiram a remissão da doença estimulando o sistema vestibular dos pacientes, injetando água fria em seu ouvido esquerdo. O efeito, no entanto, foi apenas temporário.

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OUTROS OLHARES

CALMA, TEM BRIGADEIRO!!!

As festinhas infantis estão entrando na onda saudável-sustentável, sem frituras nem refrigerantes e com pratos e copos degradáveis. Mas os docinhos – ufa! – ainda resistem.

calma, tem brigadeiro

Eis o menu: coxinha de frango assada envolta em crosta de linhaça, muffin de banana sem glúten nem lactose e coelho-quente, ou, se preferir, not-dog, versão de cachorro-quente que traz no recheio cenoura no lugar de salsicha. Suco, sim; refrigerante, não. Às vezes, cada um leva seu copo, os talheres são de madeira de reflorestamento, os pratos, reutilizáveis – e canudos de plástico, claro, nem pensar. Videogames estão vetados. A onda é muito ar livre, pega-pega, tinta, massinha (tudo à base de corante natural). Bem-vindo a um tipo de festa infantil – ora chamada de consciente, ora de sustentável – que revisita fórmulas do passado dando-lhes feições modernas, ao rezar pela cada vez mais onipresente cartilha politicamente correta, ou PC. Se as crianças gostam? Desde que se preservem brigadeiro e bolo de chocolate, o resto é pura farra. “Quem sente mais falta de uma batata frita são os adultos”, diz Daniela Almeida, de 40 anos, dona do bufê Das Dani, no Rio de Janeiro.

Festas dessa natureza não se limitam ao mundo infantil, embora seja ele que venha puxando o mercado nos últimos tempos. Em 2014, quando começou com seu bufê de comida PC, Daniela vivia de casamentos e aniversários em faixas etárias bem superiores, mas aí veio uma festinha, outra e outra, e hoje elas representam metade do negócio. Com a alta procura, surgem casas especializadas como a Meu Pé de Banana, em São Paulo, que registra quase uma comemoração por dia – todas “livres de agrotóxicos e produtos industrializados”, esclarece Duda Marchioretto, de 50 anos, uma das sócias. A criançada, aliás, toma parte no preparo da comida; vai à horta, colhe verduras, legumes e ajuda a fazer o bolo (nesse caso, de cenoura). A arquitetura desses bufês é generosa em áreas verdes, e mais. O Espaço Tragaluz, por exemplo, também em São Paulo, tem teto retrátil para permitir a entrada de luz natural sobre o vasto quintal e aproveita a água da chuva para regar o jardim.

A festinha consciente ganha terreno conforme a preocupação ambiental se expande e o conceito de mega ­ celebrações, que trazem consigo mega gastos de toda sorte de recurso, sai de moda. Esse pacote é enlaçado pela ideia – que ecoa hoje em várias áreas, ainda que somente na retórica – de que o bom é simplificar. Mas atenção: as farras infantis sustentáveis não são necessariamente econômicas. Na verdade, a presença de itens orgânicos e artesanais em fartura pode encarecer a conta em torno de 20%. Mesmo assim, muita gente prefere pagar por se afinar ao modelo. “Meu marido tem uma empresa de compostagem e fazemos coleta seletiva em casa. Queríamos que os aniversários de nosso filho refletissem nossos hábitos”, explica a estilista Juliana Toller, de 32 anos, mãe de Bento, de 3 anos.

Um empurrão decisivo para esse gênero de festa vem da busca por uma alimentação mais saudável em tempos de explosão nos indicadores de obesidade infantil, no Brasil e no mundo. Um estudo recente da Organização Mundial da Saúde em parceria com o Imperial College inglês mapeou 123 milhões de crianças e adolescentes acima do peso no planeta; entre os brasileiros, um de cada três briga com a balança. Em quatro décadas, a taxa de obesidade por aqui se multiplicou por cerca de dez. A preocupação com o problema ajuda a tornar mais palatáveis (ao menos aos olhos dos pais, que se esforçam para martelar a lição na cabeça dos filhos) bombons de ricota com kanie tortinhas integrais.

Muitos negócios que brotam no nicho das festinhas PC nascem da observação de maus hábitos alimentares e comportamento nada ecológico dessas comemorações – e esses problemas são, sim, retrato de nosso tempo. Foi assim que Ana Paula Cadena, de 46 anos e mãe de três filhos, decidiu abrir a empresa Escrevendo Festas, no Rio. Ela serve para a garotada guaca­ mole e frutas no palito em cestinhas biodegradáveis. “No início, foi difícil, mas as pessoas estão mudando”, afirma. Quanto mais o estilo se populariza, mais as crianças se habituam a ele e acham natural o coelho-quente. As singelas (e sustentáveis) festas organizadas pela designer Luiza Viveiros de Castro, de 37 anos, eram tão elogiadas que ela também embarcou nesse mercado. Não deixa de ouvir, porém, a sábia voz da filha Olivia, de 4 anos. “Já aconteceu de ela olhar para uma mesa de bolo e perguntar: ‘Cadê o brigadeiro?’.” Justa reivindicação.

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GESTÃO E CARREIRA

PRODUTIVIDADE: FAZENDO O BOLO CRESCER

Confira algumas técnicas para maximizar as entregas dos colaboradores

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A palavra de ordem hoje no mercado de trabalho é produtividade e ela está diretamente relacionada com a felicidade e a motivação dos colaboradores. Um estudo feito pela Universidade da Califórnia revelou que um trabalhador satisfeito e feliz é, em média, 31% mais produtivo, três vezes mais criativo e vende 37% a mais em comparação aos outros. Além disso, o colaborador, quando feliz, fica mais motivado para o trabalho e se torna mais produtivo por atender melhor o cliente, ser mais eficaz sem suas tarefas e contagiar os colegas. Além da felicidade e satisfação, conheça outras técnicas utilizadas por algumas empresas para manter os colaboradores produtivos:

IDENTIFIQUE COMO MEDIR A PRODUTIVIDADE: INDIVIDUAL VERSUS POR PROJETOS

A produtividade está mais relacionada em fazer a coisa certa do que fazer certo alguma coisa; por isso, as tarefas devem ser priorizadas e os projetos entregues de forma ágil. Na Cheesecake Labs, empresa que desenvolve aplicativos por demanda, a performance é medida de duas formas: individualmente e por projetos.
Guilherme Hayashi, um dos responsáveis pela área na empresa, explica que, no que diz respeito à individualidade, a empresa possui avaliação 360, 1on1s, plano de bônus e mentoria técnica/profissional para medir e aumentar o engajamento dos “cakers”, como são chamados os colaboradores, dentro da empresa. “Em relação aos projetos, quando se trabalha com várias equipes e parceiros, é preciso adaptar a gestão de projetos de acordo com as necessidades do cliente; por isso, utilizamos metodologias ágeis. Adaptando o workflow de acordo com a demanda,
mas mantendo a essência do ágil, entregando o projeto em etapas (incrementos) com reuniões diárias de acompanhamento para identificar potenciais impedimentos, temos reuniões semanais com o cliente para alinhar as entregas e priorizar as tarefas do projeto, e por fim, fazemos a revisão do planejamento e testes da aplicação em conjunto”, diz. Dentro da Cheesecake, para ter pessoas e equipes mais produtivas, o mais importante é empoderar os times, dando autonomia e garantindo que estejam alinhados com a visão do produto para se auto-organizar e fazer entregas com eficácia.

MOTIVE OS COLABORADORES: FUNCIONÁRIOS ENGAJADOS SÃO MAIS PRODUTIVOS

O fator humano tem se tornado um grande diferencial nas empresas. Por isso, é importante sempre investir na equipe e em estratégias para captar e reter os melhores talentos. “Quando os colaboradores são valorizados, eles se sentem inspirados e realizam o trabalho com empenho, buscando resultados para a empresa”, explica Juliana Bittencourt, gestora de recursos humanos da Ahgora Sistemas, empresa que desenvolve tecnologias para gestão de pessoas. Algumas iniciativas podem ajudar nesse sentido. Estabelecer metas para os colaboradores, por exemplo, ajuda a orientar o caminho que deve ser seguido e garante bons resultados.

É importante que as metas sejam estabelecidas junto com a equipe e que os números sejam algo realizável, para não gerar estresse e desmotivação. Oferecer planos de cargos e carreiras e prezar por um clima de bom relacionamento também estão entre as ações que incentivam um bom trabalho. As tecnologias também podem ser boas aliadas.
Recentemente, a empresa lançou o Ahgora Live Indoor, que fornece informações sobre a movimentação interna de colaboradores nas empresas. Com isso, é possível saber quais pessoas estão em determinada linha de produção e quais setores têm maior carência de funcionários, facilitando a realocação. Para a equipe, a ferramenta é um meio para chegar a uma rotina melhor planejada, com a segurança de que a produtividade de cada um será avaliada adequadamente.

INCENTIVE O INTRAEMPREENDEDORISMO

Poder encontrar propósito dentro das atividades do dia a dia pode ser fundamental para alguns colaboradores se engajarem e se manterem produtivos. Com o objetivo de empoderar sua equipe, instituições estão desenvolvendo iniciativas intraempreendedoras, nas quais o colaborador pode dedicar um tempo do seu horário de trabalho para um projeto próprio. “A ideia é incentivar e dar suporte para os colaboradores empreenderem dentro das organizações, liderando suas próprias iniciativas”, explica Alexandre Souza, gestor do Sebrae/SC que comanda a iniciativa Startup SC, programa de apoio ao empreendedorismo tecnológico. “No intraempreendedorismo, os dois lados saem ganhando: o gestor que abre novos caminhos para a inovação acontecer na sua empresa e o colaborador, que passa a desenvolver um trabalho que partiu dele, com significados pessoais e que impactam a vida de seus colegas”, completa Souza.

METAS SEMANAIS

Lucas Venturini, coordenador de novos negócios na Involves, desenvolvedora do software para gestão de trade marketing Agile Promoter, explica que trabalhar com metas em ciclos menores faz com que a equipe consiga sentir quão produtiva foi a sua semana. “Em nosso time, cada consultor tem uma meta trimestral de geração de oportunidade. Para garantir maior foco no resultado, nós dividimos essa meta em meses e, então, por semanas”, diz. Venturini explica que a ideia é sempre planejar a semana, executar e na sexta-feira revisar como foi a produtividade e entender se os objetivos foram atingidos. “Como cada consultor possui desafios diferentes, é importante o meu acompanhamento não só com o time, mas também individual, para saber o que está prejudicando o cumprimento do objetivo – entender se é necessário melhorar o discurso, se faltam oportunidades, se o mercado está em retração etc. Isso tudo sempre levando em consideração a parte pessoal do ser humano, para que juntos nós possamos atuar e trazê-lo de volta ao número esperado o quanto antes”, conta.

ALIMENTO DIÁRIO

JOÃO 19: 38-42 – PARTE IV

alimento diário

O Sepultamento de Cristo

 

IV – A sepultura escolhida, em um jardim que pertencia a José de Arimatéia, muito perto do lugar onde Ele tinha sido crucificado. Ali havia um sepulcro, ou uma caverna, preparada para a primeira ocasião, mas que nunca tinha sido usada. Observe:

1. Que Cristo foi sepultado fora da cidade, pois o costume dos judeus era de sepultar, não nas suas cidades, e muito menos nas suas sinagogas, o que alguns consideram ser muito melhor do que nossos costumes de sepultamento. Porém, houve uma razão peculiar para isto, que não se aplica agora, porque, ao tocar um sepulcro, a pessoa contraía uma contaminação cerimonial. Mas agora que a ressurreição de Cristo alterou as propriedades do sepulcro, e removeu sua contaminação para todos os crentes, nós não precisamos nos manter afastados dele. O bom aperfeiçoamento não é prejudicado pelo fato de alguns terem a congregação dos mortos no terreno da igreja, rodeando a congregação dos vivos que estão na igreja, uma vez que eles também estão morrendo, e em meio à vida nós estamos em morte. Aqueles que não visitarem o santo sepulcro por alguma superstição, mas com fé, serão certamente beneficiados, pois sairão do meio dos ruídos deste mundo.

2. Que Cristo foi sepultado em um jardim. Observe:

(1) Que José tinha seu sepulcro neste jardim. Assim ele o planejou, para que pudesse ser uma lembrança:

[1] A si mesmo, enquanto vivesse. Quando ele estava desfrutando do seu jardim, e colhendo o que ele produzia, ele podia pensar na morte e ser motivado a preparar-se para ela. O jardim é um lugar adequado para a meditação, e um sepulcro ali pode nos propiciar um assunto adequado para meditação, um assunto que nos recusamos a admitir em meio aos nossos prazeres.

[2] Aos seus herdeiros e sucessores, quando ele tivesse morrido. Ê bom conhecermos o lugar do sepulcro dos nossos pais, sua situação, pois talvez possamos tornar o nosso menos formidável, se nos familiarizarmos mais com o deles.

(2) Que o corpo de Cristo foi depositado em um sepulcro em um jardim. No jardim do Éden, a morte e o sepulcro receberam o poder pela primeira vez, e agora, em um jardim, eles são derrotados, desarmados e vencidos. Em um jardim, Cristo deu início à sua paixão, e de um jardim, Ele ressuscitaria, e daria início à sua exaltação. Cristo caiu no chão como um “grão de trigo” (cap. 12.24), e por isto foi semeado em um jardim, entre as sementes, pois seu orvalho será como o “orvalho das ervas”, Isaías 26.19. Ele é “a fonte dos jardins”, Cantares 4.15.

3. Que Ele foi sepultado em um sepulcro novo. Isto foi ordenado desta maneira:

(1) Para a honra de Cristo. Ele não era uma pessoa comum, e, portanto, não devia se misturar com o pó comum. Aquele que tinha nascido de um útero virgem deveria ressuscitar de um sepulcro virgem.

(2) Para a confirmação da verdade da sua ressurreição, para que não se sugerisse que não fosse Ele, mas que outro tivesse ressuscitado naquela ocasião, quando tantos corpos de santos foram ressuscitados. Ou que Ele tivesse ressuscitado pelo poder de outro, como o homem que reviveu tocando os ossos de Eliseu, e não pelo seu próprio poder. Aquele que fez novas todas as coisas, fez com que o sepulcro fosse novo para nós.