PSICOLOGIA ANALÍTICA

UMA VACINA CONTRA O ABUSO DE DROGAS

Cientistas apostam no desenvolvimento de medicações capazes de evitar o uso de cocaína, heroína e outras substâncias entorpecentes para tratar adictos e ajuda-los, principalmente em momentos mais críticos, quando há maior risco de recaída. A ideia é que os anticorpos impeçam bioquimicamente as sensações prazerosas associadas ao consumo.

uma vacina contra o abuso de drogas

Quando o neurocientista George Koob propôs o uso de uma injeção para tratar a dependência química há 25 anos, seus colegas encararam a ideia como perda de tempo. Alguns argumentaram que o sistema imunológico evoluiu para prevenir infecções, e não efeitos provocados por drogas ilegais. O conhecimento científico atual sobre o tema sustenta que o tratamento requer meses ou anos de psicoterapia para ajudar quem sofre com o problema a mudar padrões de pensamento, um processo complexo e com resultados que dependem muito dos recursos internos do paciente. No entanto, Koob, na época pesquisador do Instituto de Pesquisa Scripps, dizia que gostaria de ver adictos consultando o médico para tomar uma injeção que ajudasse a impedir o consumo de drogas quando a motivação diminuísse. A abordagem não substituiria a psicoterapia, mas poderia ser uma importante aliada.

Sua premissa era simples. Vacinas contra doenças infecciosas estimulam o corpo a produzir anticorpos que aderem ao organismo patogênico invasor, impedindo-o de causar doenças. Koob, que agora dirige o Instituto Nacional de Abuso de Álcool e Alcoolismo (NIAAA, na sigla em inglês), acredita que o corpo poderia ser levado a criar proteínas capazes de neutralizar organismos estranhos, como drogas em quantidade elevada. Os anticorpos impediriam bioquimicamente as sensações prazerosas causadas por essas substâncias, diminuindo, assim, o incentivo para o uso. Diferentemente das intervenções tradicionais, no entanto, o objetivo dessa abordagem seria tratar em vez de prevenir o abuso de drogas.

Mais de duas décadas depois que Koob fez a proposta, os cientistas finalmente começam a desenvolver vacinas acessíveis contra substâncias que causam dependência. Testes preliminares com humanos mostram a ação efetiva de agentes contra a cocaína. Exames com heroína também avançam na clínica. E, uma potencial vacina para combater a dependência de metanfetamina tem se mostrado promissora em roedores.

No entanto, as pesquisas ainda estão no começo. Nenhuma vacina para tratar dependência provou ser eficaz em estudos de grande escala com seres humanos; a primeira (contra nicotina) não mostrou resultados muito positivos. Fatores ambientais são fundamentais para perpetuar o hábito; por isso, muitos especialistas afirmam que é pouco provável combater o problema agindo estritamente sobre aspectos bioquímicos. Ainda assim, considerando que, em muitos casos, essa doença persiste apesar dos tratamentos, a abordagem poderia ser um complemento importante na intervenção.  “Usuários de drogas costumam dizer que desejam desesperadamente sair dessa situação. As vacinas talvez sejam uma nova ferramenta para ajudá-los”, diz o pneumologista Ron Crystal, da Faculdade de Medicina Weill Cornell, que colaborou com a pesquisa.

FUGINDO DOS GATILHOS

Aproximadamente 1 em cada 12 americanos é toxicodependente, segundo os dados mais recentes da Agência de Serviços em Saúde Mental e Abuso de Substâncias (SAHMSA). O Instituto Nacional de Abuso de Drogas (NIDA) estima que o abuso de álcool, tabaco e drogas ilícitas custam à economia mais de US$ 600 bilhões por ano. No Brasil, cerca de 28 milhões de pessoas têm algum familiar que é dependente químico, de acordo com o Levantamento Nacional de Famílias dos Dependentes Químicos (Lenad Família), feito pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).  Entre 2012 e 2013, foram divulgados dados sobre consumo de maconha, cocaína e seus derivados, além da ingestão de bebidas alcoólicas por brasileiros. A partir desses resultados, os pesquisadores   estimam que 5,7% dos brasileiros sejam dependentes de drogas, um índice que representa mais de 8 milhões de pessoas.

Não é nada fácil lidar com a dependência química. O primeiro passo, em geral, é a desintoxicação, em que a pessoa se abstém do uso até que a substância seja eliminada do corpo. Pacientes internados recebem apoio contínuo para lidar com os intensos sintomas físicos e psiquiátricos que, não raro, acompanham o processo. Depois dessa etapa, alguns passam semanas ou meses na reabilitação em regime de internato; outros apenas frequentam a psicoterapia ambulatorial semanal, individualmente ou em grupo. A força de vontade e a motivação para não voltar a consumir drogas fazem diferença. No entanto, os limites de abordagens que deixam o tratamento muito a cargo do paciente se refletem em taxas bastante elevadas de recaída, que variam de 40% a 60% para cocaína, heroína e metanfetaminas.

A maioria das psicoterapias tem o propósito de ajudar o dependente a reduzir o consumo de drogas e a resistir ao desejo de usá-las. O paciente é orientado a evitar conviver com pessoas que as consomem e a frequentar lugares associados ao hábito, que funcionam como gatilhos, e a desenvolver redes de apoio. Além disso, médicos podem prescrever medicamentos, como a metadona e buprenorfina, contra a heroína, e outros opiáceos que ajudam a reduzir os sintomas de abstinência e a amenizar a sensação de euforia causada pelas drogas. Mas esses fármacos não eliminam completamente a vontade. Além disso, muitos pacientes se esquecem de tomá-los   todos os dias. Remédios que ajudam a combater a dependência de nicotina, na melhor das hipóteses, são parcialmente eficazes e ainda não existem medicamentos definitivos contra   cocaína, metanfetaminas ou álcool.

RATOS COM SONO

Assim, para muitos, abandonar as drogas e permanecer longe delas pode parecer impossível. “Às vezes ouço dependentes de heroína falar que já fizeram tudo o que podiam, sem sucesso. Dizem que se sentem obcecados, aflitos, e que, embora tentem, não conseguem mudar de vida”, conta Koob.

Para ajudar esses indivíduos, o neurocientista decidiu interferir na bioquímica relacionada com o consumo de entorpecentes. Depois que um usuário injeta, inala ou ingere uma droga, a substância   corre através da corrente sanguínea e atravessa a barreira hematoencefálica, um revestimento    que contorna as células capilares e protege o sistema nervoso de muitas matérias tóxicas e outras unidades encontradas no sangue. Dentro do cérebro, as moléculas da droga (ou seus produtos metabolizados) se ligam a alvos específicos, desencadeando uma série de eventos químicos que produzem sensações de euforia. A metadona ajuda a dissipar a heroína e a vontade de consumo, bloqueando as sensações prazerosas e agindo em receptores opiáceos muito mais lenta e levemente do que a droga. Koob acredita que é preciso agir antes que a substância atravesse a   barreira hematoencefálica. Por isso, decidiu levar essa ideia adiante.

Assim como uma vacina para doenças infecciosas, o método contra a dependência mobiliza o sistema imunológico para combater um organismo estranho e o estimula a produzir anticorpos que atacam especificamente o “invasor”.  Essas células de defesa, então, matam rapidamente o elemento patogênico ou tornam a droga inativa sempre que a encontram na corrente sanguínea.  Anticorpos para esse fim agem unindo-se a uma molécula da substância tóxica e por isso têm a vantagem de criar um composto grande demais para atravessar a barreira hematoencefálica.

Para os cientistas, o objetivo da vacina é persuadir o sistema imunológico a responder a algo que   não costuma provocar reações. Koob e o doutor em bioquímica orgânica e medicinal Kim Janda, do Instituto de Pesquisa Scripps, decidiram ligar a molécula da droga (cocaína, nesse caso) a uma proteína de um vírus que provoca uma resposta imunitária. Essa técnica estimula o sistema imunológico a reagir ao produto combinado, criando anticorpos que se unem a diferentes partes dele. Muitas outras células de defesa também se conectam à molécula de cocaína quando entra sozinha no corpo. Assim, a vacina induz um subconjunto de células do sistema imunológico a construir um arsenal contra a droga.

Depois, Koob, Janda e seus colegas injetaram a vacina em ratos imediatamente após a exposição dos animais à droga. Tipicamente, quando roedores permanecem acordados por longos períodos. Surpreendentemente, após consumirem uma grande quantidade do entorpecente, os camundongos do estudo conseguiram dormir. Tornaram-se resistentes aos seus efeitos. “Foi isso que ajudou a abrir a mente dos cientistas e mostrou que podemos trabalhar na imunização contra drogas”, diz Koob, recordando o artigo publicado em 1995.

Vários outros laboratórios, inclusive o do neurocientista Thomas Kosten, da Faculdade de Medicina Baylor, também desenvolveram vacinas contra a cocaína, que se mostraram eficazes em animais.  Em vez de usar uma proteína viral, Kosten e seus colegas ligaram a droga a uma toxina produzida pela bactéria que causa a cólera. Em 2002, os pesquisadores aplicaram uma dose em 24 ex-usuários de cocaína para testar a segurança do método e verificar se iria estimular a esperada   produção de anticorpos em pessoas semelhantes às que poderiam, eventualmente, receber a vacina terapêutica. Embora o tratamento tenha provado ser benigno, falhou em produzir níveis elevados de anticorpos em 25% a 30% dos pacientes.

DOSES DE REFORÇO

Em um estudo mais amplo de acompanhamento, publicado em 2009, a equipe de Kosten aplicou vacina ou soro fisiológico em 109 dependentes químicos (os voluntários não sabiam qual dos dois estava recebendo) e ofereceu quatro doses de reforço nas 12 semanas subsequentes. A ideia era tentar elevar o percentual de anticorpos dos que eram capazes de produzi-los adequadamente. Os   pesquisadores examinaram também a urina dos pacientes três vezes a cada sete dias durante 24 semanas para monitorar resquícios de drogas e a quantidade de células de defesa anticocaína na corrente sanguínea. Apenas 38% das pessoas vacinadas demonstraram altos níveis de anticorpos, embora quase todas tenham produzido certa quantia. O grupo como um todo apresentou probabilidade 22% menor de resultado positivo para cocaína no teste de urina em relação àqueles que receberam injeções de soro fisiológico. Além disso, os que produziram um grande número de células de defesa foram significativamente mais propensos a ter cortado o uso da droga pela metade. Ainda assim, o tratamento proposto por Kosten deixou sem a proteção de anticorpos adequada um considerável número de dependentes de cocaína. Também não afetou o desejo de uso, o que significa que os pacientes poderiam não voltar para receber as doses de reforço. Koob e seus colegas insistiram na vacina à base de vírus e chegaram a uma combinação de produtos químicos, que inclui uma nova proteína viral. Em um estudo publicado em 2013, Crystal, Koob, Janda e seus colegas injetaram a sua mais recente manipulação da molécula de cocaína em quatro macacos rhesus do sexo feminino, que se tornaram dependentes da droga; um quinto animal recebeu uma dose de soro fisiológico.

Aqueles que tomaram a vacina produziram níveis bem elevados de anticorpos contra a cocaína. A tomografia por emissão de pósitrons mostrou que pouca quantidade da droga se ligou ao seu alvo molecular, o transportador de dopamina do cérebro (abaixo). E mais: os animais não apresentaram comportamentos comuns dos momentos de pico de euforia, como agitação ou insônia. Agora, Koob e Janda planejam conduzir um teste preliminar de segurança em seres humanos.

A dupla trabalha também nos detalhes finais de uma vacina contra heroína, algo mais complicado de fazer. A droga é rapidamente metabolizada em morfina e monoacetilmorfina 6 (ambas atuam sobre os receptores de opiáceos do cérebro). Portanto, um composto eficaz deve estimular a produção de anticorpos contra os produtos de degradação da droga e a substância em si. Então, os cientistas desenvolveram três vacinas em uma: ligaram separadamente a proteína do vírus à heroína e seus dois principais metabolitos. Em 2013 Koob, Janda e seus colegas testaram o método em ratos dependentes químicos. Os animais passavam diversas horas da vigília à procura de heroína ou consumindo a droga, que era oferecida por infusão intravenosa sempre que os bichos pressionavam uma alavanca. Então, os pesquisadores bloquearam o uso da heroína e injetaram três doses de vacina em metade dos camundongos. Após 30 dias, ofereceram a droga aos animais tratados. Embora tenham tentado recuperar o pico de euforia, os ratos pararam de puxar a barra depois de alguns minutos, possivelmente porque não sentiam nenhuma recompensa. Já os que não haviam sido vacinados continuaram a pressionar obsessivamente a alavanca em busca de heroína.

 O OUTRO LADO

No entanto, os cientistas ainda não podem a firmar com certeza a efetividade em seres humanos.  Pessoas dependentes podem ser mais determinadas do que ratos para tentar alcançar as sensações de prazer causadas por drogas. Quando não atingimos o pico de euforia, nossa tendência não é desistir, mas sim aumentar a quantidade, o que pode levar a uma overdose, alerta o doutor em bioética Wayne Hall, da Universidade de Queensland. Além disso, podemos   ter acesso a outras substâncias que causam dependência. “Uma pessoa vacinada, determinada a usar drogas, pode procurar outro tipo de substância contra a qual não é imune”, esclarece Hall. Mesmo que as vacinas não produzam efeito rebote, muitos especialistas acreditam que a abordagem focada somente no aspecto bioquímico é muito restritiva para causar grandes impactos benéficos no mundo real. “A complexa interação entre elementos psíquicos e o ambiente é responsável por pelo menos metade da equação do problema”, argumenta a antropóloga Ângela Garcia, da Universidade Stanford, especialista em toxicodependência. “Talvez esse tipo de tratamento possa ajudar na dimensão biológica, uma estratégia que apoio, mas o que vamos fazer com os outros aspectos?”

A antropóloga destaca as famílias em que a dependência se estende por várias gerações. Para alguns, usar drogas é algo bastante comum.  Entre os que procuram tratamento, a maioria acaba voltando para a mesma configuração inicial, cercada por dependentes, objetos e situações que desencadeiam o desejo de usar. A abordagem bioquímica não ajuda a diminuir nenhum desses incentivos ambientais.

A vacina contra nicotina NicVAX, produzida pela Nabi Biofarmacêutica, exemplifica o que deve ser evitado. Em ensaios clínicos em grande escala realizados entre 2009 e 2011, a substância (nicotina ligada a um antígeno bacteriano) não causou melhores efeitos do que o placebo para ajudar pessoas a parar de fumar. Koob e outros pesquisadores acreditam, porém, que a confusão está nos detalhes. Eles esperam que outras combinações de proteínas do patógeno e moléculas da droga (nicotina, heroína ou cocaína) produzam resultados mais positivos.

O neurocientista admite que esse tipo de tratamento é apenas parte da solução: não vai curar a dependência química, mas é capaz de colocar uma enorme barreira ao uso de drogas. Se a abordagem puder ajudar quem sofre com o problema, Koob e Janda acreditam que o trabalho terá valido a pena.

EFEITOS DO PÓ BRANCO NO CÉREBRO

A droga causa dependência alterando a química de regiões neurais que controlam sensações de prazer. Quando temos uma experiência agradável, neurônios da área tegmental ventral (ATV), parte do sistema de recompensa, liberam o neurotransmissor dopamina na ligação com unidades neurais no núcleo accumbens. As respostas dessas células receptoras estimulam a percepção de satisfação. A cocaína se une a transportadores de dopamina nas terminações dos neurônios ATV, bloqueando a recaptação de dopamina após sua liberação. Essa substancia, então, se acumula e continua a estimular células neurais de recompensa, criando um estado eufórico. Uma vacina poderia impedir que a droga entrasse no cérebro, prejudicando, assim, seus efeitos prazerosos.

uma vacina contra o abuso de drogas.2

 

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Escolas e universidades, locais onde a liberdade de pensamento e a argumentação científica deveriam imperar, viraram o palco de uma selvagem disputa ideológica que parece estar só começando. Suásticas pichadas, ameaças criminosas contra minorias e a defesa de posições reacionárias estão proliferando no ambiente educacional brasileiro nas últimas semanas, indicando uma grave fratura social. Um dos mais recentes ocorreu na quarta 17/10, quando foram encontradas mensagens homofóbicas nos banheiros da reitoria da faculdade de Direito da Universidade Federal de Juiz de Fora (UF/JF). Ao lado da cruz nazista, os rabiscos: “Morte aos gays”, “Morte aos viados”, “Morte a todos os LGBTs”. Em São Paulo, no mesmo dia, portas de apartamentos estudantis da USP amanheceram riscadas com o símbolo nazista. Na manhã anterior, duas suásticas foram desenhadas em uma lousa de uma sala do curso de Arquitetura da PUC-Rio.

Para a professora Simone Lisniowsi, da Faculdade de Educação da Universidade de Brasília (UnB), onde também foram registrados ataques a escalada recente do obscurantismo e da intolerância reside na velha falta de estimulo ao pensamento crítico na educação. “Quem vê o mundo como um lugar de certezas não admite diferenças”, afirma. As demonstrações de ódio racial, misoginia e homofobia se repetem diariamente entre estabelecimentos de ensino de todas as regiões do País, sem que os autores das agressões sejam identificados. Na quarta 10, alunos negros do curso de Direito da Federal de Santa Maria (RS) sofreram insultos: “vai lavar esse cabelo, macaco fedido”. Na segunda, 8, no campus Butantã da São Judas Tadeu (SP), as mensagens de ódio foram: “Burn jews” (Queime judeus) e “vão se f…  seus negros e feministas de merda, gays do demo”. Na Unicamp. em Campinas (SP), desde agosto foram encontradas as frases “Sapata tem que morrer” e “Vai ter massacre Colombine”, em referência ao tiroteio que matou 15 pessoas em uma escola nos Estados Unidos, em 1999. Em todos os casos foram abertas investigações. A legislação brasileira considera crimes graves tanto o uso de símbolos nazistas quanto a propagação de discursos racistas e homofóbicos.

 LIVROSRASGADOS

Além da perseguição a quem consideram inimigos, os criminosos anônimos também atacam conceitos humanistas fundamentais às democracias. Na UnB, no início do mês, a descoberta de livros rasgados na biblioteca indignou alunos e professores. As obras tratam de direitos humanos, história da arte, cultura pagã, Teoria da Evolução e Renascimento. Os livros foram sistematicamente danificados. Como as páginas foram rasgadas ao meio, o objetivo parecia ser mais demonstrar desaprovação com os temas do que prejudicar futuras leituras. Para Simone Lisniowski, uma série de fatores subjetivos interligariam essas ações esparsas. “Há disputas de interesses e muita gente não sabe lidar com a liberdade alheia”. diz.

Nos ensinos fundamental e médio as manifestações são de caráter ideológico. O caso mais gritante foi repentina exclusão do livro “Meninos Sem Pátria”, adotado pelo tradicional colégio católico Santo Agostinho no Leblon, Rio de Janeiro. Leitura para alunos do 6º ano, obra retrata a história de uma família que abandona o Brasil durante a ditadura militar Escrito por Luiz Puntel, em 1988, o livro está na 23ª edição, com quase 1 milhão de exemplar vendidos, e jamais enfrentou resistências até ser apontado no início do mês como parte da “doutrinação comunista” da escola. A denúncia ganhou corpo ao parar em grupos do WhatsApp e na página do Facebook “Alerta Ipanema”, com 17 mil seguidores. Professor de redação em um cursinho em Ribeirão Preto (SP), Puntel contesta as críticas. “Meu livro fala de exílio. Não há doutrinação. Se eu   falar de transexualidade vão me chamar de quê?”, questiona.

Com os ânimos exaltados pela proximidade da eleição e a sociedade polarizada, até uma menção à Lei Rouanet causou controvérsia em sala de aula. Na escola particular Mirassol, em Natal (RN), o pai de um aluno se revoltou contra o professor de História Euclides Tavares, a quem acusou de fazer apologia de esquerda durante um seminário de alunos do ensino médio sobre cinema. Uma pergunta sobre as empresas citadas nos créditos de um filme nacional fez com que o professor explicasse os mecanismos de incentivo à cultura previstos na Lei Rouanet. Um aluno passou uma mensagem por WhatsApp para o pai, que começou a confusão por meio de um telefonema à escola. Apoiado pela direção, Tavares prestou queixa. “Se explico até o que foi a Lei Aurea que é complicada, não vou falar da Lei Rouanet? Não dá para dar uma aula sobre liberalismo, por exemplo, sem falar de ideologia. Isso é loucura”, afirma. É mesmo. Reprimir com violência a liberdade de pensamento é típico de regimes autoritários. Não da democracia.

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GESTÃO POSITIVA GERA BEM-ESTAR E MELHORA PERFORMANCE DA EQUIPE

Pessoas felizes têm melhor desempenho e potencializam os resultados das empresas.

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Pessoas felizes têm melhor desempenho e potencializam os resultados das empresas. Essas são evidências comprovadas por pesquisas no campo da psicologia positiva e da neurociência, destaca a coach executiva Renata Abreu.

Em um cenário organizacional no qual o estresse acompanha cada vez mais os colaboradores e os avanços da tecnologia aumentam a superficialidade das relações humanas, o desafio é enorme para os líderes interessados em mudar paradigmas e melhorar o bem-estar da equipe.

A especialista explica que os modelos de liderança sugerem que o melhor gestor é aquele positivo, que é capaz de energizar sua força de trabalho, ressaltando ou desenvolvendo o que cada membro da equipe tem de melhor. Autora de livros do segmento e facilitadora de programas de desenvolvimento que usam a ótica da psicologia positiva, Renata Abreu afirma que o gestor que deseja agir positivamente precisa entender que a transformação começa nele mesmo.

Apesar de parecer um modelo natural a ser seguido, o estresse e os desafios diários nos levam ao cansaço, muitas vezes à desconexão com as pessoas na empresa na qual trabalhamos. E é por esta perspectiva que pensamos na psicologia positiva como alavanca para o florescimento pessoal da liderança.

Para a especialista, é necessário que o líder desenvolva e estimule a visão mais apreciativa dos potenciais da equipe, motivações e capacidades de cada membro, contribuindo para tornar as pessoas mais saudáveis, felizes e dispostas a superarem desafios.

AMPLIE A POSITIVIDADE: a positividade, neste caso, tem relação com intenções e atitudes positivas, vivenciando emoções positivas, como: alegria, gratidão, generosidade, esperança e orgulho. Essas sensações mudam a forma como o nosso cérebro trabalha. Diversas pesquisas, como as de Barbara Fredrickson, apontam resultados relacionados ao aumento da criatividade, da cognição, capacidades interpessoais e de negociação, maior facilidade para tomada de decisão e para lidar com os momentos de adversidade.

CAPITALIZE EM CIMA DAS FORTALEZAS: focar em identificar e desenvolver as qualidades humanas, ao invés de investir esforços para melhorar pontos fracos, são fatores-chave na obtenção de maiores níveis de produtividade. Estudos mostram que os melhores resultados gerenciais surgem das estratégias de ênfase no sucesso, capitalização das forças e celebração das conquistas.

ESTABELEÇA UM PROPÓSITO COMUM E DESDOBRE EM OBJETIVOS INDIVIDUAIS: quando as pessoas sentem que estão engajadas em um trabalho significativo e importante para si, elas obtêm melhores resultados. Isso ajuda a reduzir o estresse, absenteísmo e turnover, além de aumentar o comprometimento, esforço, engajamento e satisfação. Algumas ações como construir em conjunto uma visão de futuro, reforçar e divulgar os benefícios alcançados e associá-los aos valores pessoais dos colaboradores, além de estabelecer objetivos que sejam orientados a atividades e não apenas a conquistas futuras podem ajudar a colocar essas metas em prática.

ESTIMULE BOAS RELAÇÕES E FORTALEÇA O CAPITAL SOCIAL: as relações genuínas e positivas no ambiente de trabalho trazem vitalidade, aprendizado e fomentam ambientes mais colaborativos, mas os benefícios não param aí. Relacionamentos positivos contribuem para aumentar a resiliência e habilidade de adaptação dos colaboradores, ampliar a criatividade e abertura para novas ideias e melhorar os níveis de comprometimento com a organização. Parte destes resultados é explicada pela redução do estresse e a melhora em nosso sistema cardiovascular e imunológico.

CONTRIBUA PARA A SAÚDE DOS COLABORADORES: prevenir o estresse possibilita uma vida de maior bem-estar. Além dos exames médicos de rotina, exercícios físicos e boa alimentação, a prática de mindfulness, por exemplo, tem sido amplamente utilizada para reduzir a ansiedade, depressão e irritabilidade, além de melhorar a memória, o vigor físico e mental.

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ALIMENTO DIÁRIO

JOÃO 19: 38-42 – PARTE I

Alimento diário - Comendo a Bíblia

O Sepultamento de Cristo

Aqui temos um relato do sepultamento do bendito corpo do nosso Senhor Jesus. Os funerais solenes dos grandes homens normalmente são observados com curiosidade. Os funerais dolorosos dos amigos queridos são acompanhados com carinho. Venham e vejam um funeral extraordinário. Nunca houve nenhum como este! Venham e vejam um sepultamento que venceu a sepultura, e a sepultou, um sepultamento que tornou belo o sepulcro, e o suavizou para todos os crentes. Viremo-nos para lá e vejamos esta grande visão. Aqui temos:

 

I – A solicitação do corpo, v. 38. Isto foi feito por José de Ramá, ou de Arimatéia, a quem não se faz menção em toda a história do Novo Testamento, exceto na narrativa que cada um dos evangelistas nos faz do sepultamento de Cristo, onde ele esteve principalmente envolvido. Observe:

1. O caráter deste José. Ele era um discípulo de Cristo incógnito em segredo, um amigo de Cristo melhor do que ele desejava que soubessem que era. Era sua honra ser discípulo de Cristo. E há alguns como ele, que são grandes homens, inevitavelmente relacionados com homens maus. Mas foi fraqueza sua ter sido discípulo tão secretamente, quando deveria ter confessado a Cristo diante dos homens, sim, mesmo que tivesse perdido suas primazias devido a esta atitude. Os discípulos devem se mostrar abertamente, ainda que Cristo possa ter muitos que são seus discípulos sinceramente, embora em segredo. Ser um discípulo em segredo é melhor do que nada, especialmente se, como aconteceu com José aqui, ele ficar cada vez mais forte. Alguns que em provações menores foram tímidos, em provações maiores foram muito corajosos. Assim foi José aqui. Ele ocultou seu afeto por Cristo, por temor aos judeus, para que não o expulsassem da sinagoga, pelo menos do Sinédrio, que era tudo o que eles podiam fazer. Ele foi corajosamente até Pilatos, o governador, mas temia os judeus. A maldade impotente daqueles que podem apenas censurar, insultar e vociferar, algumas vezes é mais formidável do que poderíamos pensar, mesmo em se tratando de homens bons e sábios.

2. O papel que ele teve neste assunto. Tendo, graças à sua posição, acesso a Pilatos, ele desejava sua permissão para cuidar do corpo. A mãe e os amigos queridos de Jesus nem imaginaram nem se interessaram em tentar algo como isto. Os discípulos haviam partido. Se não aparecesse ninguém, os judeus ou os soldados o sepultariam com os salteadores. Por isto, Deus fez este homem se levantar para interceder no assunto, para que as Escrituras se cumprissem, e fosse conservado o decoro devido à sua ressurreição, que estava próxima. Observe que, quando Deus tem algum trabalho a ser feito, Ele é capaz de encontrar as pessoas adequadas para fazê-lo, e de encora­já-las a fazê-lo. Observe, como um exemplo da humilhação de Cristo, que seu corpo ficou à mercê de um juiz pagão, e José precisou implorar por ele antes que pudesse ser sepultado, e também que José não pôde retirar o corpo antes de ter pedido e obtido a permissão do governador, pois, nas coisas que são do interesse do magistrado, nós devemos sempre prestar respeito à sua autoridade, e sujeitarmo-nos pacificamente a ela.